11 de jan de 2019

O caso dos livros didáticos foi jogada comercial, e não evangélica

Velez
A portaria sai do Ministério da Educação e é publicada alterando as regras de seleção no bilionário mercado de livros didáticos, o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) do MEC, que compra anualmente 150 milhões de livros escolares a um custo de R$ 1 bilhão.

Altera itens que definiam número máximo de erros por página, necessidade de bibliografia e algumas obrigações em linha com princípios de direitos humanos.

Imediatamente, o fato é associado ao pensamento evangelizador do novo Ministro da Educação, Ricardo Velez Rodrigues. Se não exige bibliografia, facilitará a vida das obras religiosas, que se baseiam apenas nas crenças, não na ciência.

Aí, o Ministério de Velez diz que não tenha nada a ver com isso. Sequer conhecia esse texto. Então só poderia ter sido o Ministro de Temer, Rossieli Soares da Silva.

Rossieli
Mas ele também nega.

A Folha traz nova hipótese: a alteração teria se dado na própria FNDE (Fundação Nacional de Desenvolvimento da Educação) a compradora dos livros.

Tem-se, aí, um roteiro simples de investigação.

Hipótese provável: as mudanças não tiveram motivação fundamentalista, mas comercial, de beneficiar livros que não conseguiam se enquadrar nos critérios anteriores.

Confirmada, o caso deixa de ser fundamentalismo religioso para se transformar em uma história policial.

Para elucidá-lo, não é necessário nem Power Point, basta seguir o dinheiro

Que editoras seriam beneficiadas com a medida?

Em qual gestão o FNDE fez a alteração.

No governo Temer, o presidente do FNDE era Silvio Pinheiro, político que trocou o PSDB pelo DEM.

Silvio Pinheiro
Na gestão Valdez, o presidente do FNDE é Carlos Alberto Decotelli.

Decotelli
Em função da notória falta de experiência administrativa dos indicados por Valdez, há a hipótese do texto ter sido contrabando de um funcionário do FNDE. Não será difícil encontrar suas impressões digitais.

Luís Nassif
No GGN

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