22 de jan de 2019

Mídia europeia diz que Bolsonaro vai na contramão de Forum Econômico Mundial


Na edição do Fórum Econômico Mundial em que as mudanças climáticas serão uma das principais questões, a imprensa europeia anuncia que Bolsonaro é uma das principais atrações, mas na contramão do evento.

O Diário de Notícias, de Portugal, destaca os protestos em Davos contra a presença do novo presidente brasileiro. Diz que suas políticas ambientais e de migrações, outro dos grandes temas a ser debatido, vão ser um verdadeiro “teste” para Bolsonaro.

“Os espinhos chegam das áreas do ambiente e das migrações, em que Bolsonaro parece estar na contramão dos discursos dos demais líderes globais (Trump excluído)”.

Segundo a publicação, “a saída recente do Pacto Global para a Migração e a ameaça de abandono do Acordo de Paris são, portanto, pedras no sapato de Bolsonaro”. O Diário de Notícias observa também que será a primeira vez em três anos que um vice-presidente assumirá o comando do Estado, já que Temer não tinha vice.

O jornal menciona os casos de corrupção que o presidente interino terá de gerir: “Ao general Hamilton Mourão cabe nesse período gerir o caso conhecido como Bolsogate ou Coafgate, envolvendo um suposto esquema de corrupção de Flávio Bolsonaro, filho mais velho do presidente. Para Mourão, o caso não atinge o governo”.

A imprensa europeia diz que, a exceção de Angela Merkel, rumo à sua aposentadoria política, o evento carece de grandes líderes. Para o Le Figaro, principal jornal conservador da França, o destaque da edição não é Bolsonaro, mas as ausências, referência a Trump, Macron e May, que faltarão à edição em meio às crises políticas que vivem em seus respectivos países.

O Le Figaro só cita Bolsonaro no final de uma reportagem para dizer que “o novato do bruto 2019 é hostil ao acordo de Paris sobre o clima e desconfia do multilateralismo, como Donald Trump, que ele diz admirar”.

A agência de notícias francesa AFP destaca o mesmo problema: “o percurso de Bolsonaro não o destina a ser um fervente adepto do mantra da cooperação transnacional do Fórum Econômico mundial, constata Douglas Rediker, presidente do International Capital Strategies”.

Parece até ironia, mas o site do Fórum diz que uma das grandes problemáticas a debater este ano será a “legítima frustração sobre o fracasso da globalização em aumentar o nível de vida das populações conduzindo ao populismo e ao nacionalismo”.

A revista francesa L’OBS, uma das principais do país, prevê tensão na passagem de Bolsonaro: “Ele enfrentará uma assembleia adepta à causa do livre comércio e cuja principal preocupação é o aquecimento global, sinônimo de desastres humanos mas também de grandes prejuízos econômicos, segundo uma pesquisa realizada pelos organizadores”.

O The Telegraph, de Londres, aponta a mesma preocupação: “todo mundo sabe que Bolsonaro é cético ao aquecimento global. Essa deve ser a chave para uma recepção menos calorosa. Uma pesquisa conduzida pelo Fórum descobriu que as mudanças climáticas são a maior ameaça à economia global. Sir David Attenborough, que recebeu um prêmio por seus engajamentos ambientais, disse aos delegados: ‘Não há mais Jardim do Éden”.

Willy Delvalle, de Paris
No DCM

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