1 de jan de 2019

Injustificável, rigor de segurança na posse alimenta narrativa de trama contra Bolsonaro

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Imprensa é tratada com desrespeito por novo governo

É injustificável o rigor na segurança na posse presidencial de Jair Bolsonaro, especialmente no tratamento destinado à imprensa. Não há razão plausível para a montagem de um esquema de segurança inédito em posses presidenciais no Brasil.

O grau de alerta 5, o mais alto, alimenta uma narrativa de trama contra Bolsonaro. Cultiva um fantasma de ameaça constante que serve a um propósito político, buscando efeito favorável ao novo presidente, sobretudo entre os seus eleitores.

É uma estratégia semelhante à da campanha eleitoral, apelando a fatos inexistentes, como a ameaça comunista, a venezuelização, o marxismo globalista, o kit gay e outras bobagens de uma guerra cultural promovida, com sucesso, pela extrema-direita aqui e no exterior.

Tamanho rigor também é um desrespeito ao trabalho dos jornalistas, que terão até seu deslocamento limitado e controlado, o que não ocorria nesse nível em posses anteriores. Era possível acompanhar o desfile em carro aberto na Esplanada dos Ministérios, dar um pulo no Congresso Nacional, ir ao Palácio do Planalto ver o discurso do parlatório e ainda participar do coquetel no Itamaraty.

Hoje, jornalistas estão sendo colocados em ônibus logo de manhã e permanecerão durante horas confinados em locais específicos. Quem vai trabalhar na cobertura do coquetel do Itamaraty ficará horas a ver navios por uma decisão do esquema de segurança sem justificativa plausível.

Fica evidente a dificuldade do novo governo de conviver com o trabalho cotidiano dos jornalistas. É um começo ruim, que sinaliza dificuldades crescentes na relação com a imprensa.

A facada em Bolsonaro no dia 6 de setembro, um atentado condenado com veemência por jornalistas e adversários políticos, ocorreu em um ambiente de campanha eleitoral, no qual o candidato estava nos ombros de um apoiador no meio de uma multidão.

Tradicionalmente, a posse presidencial se dá sob um esquema de segurança muito mais rigoroso do que o ambiente de campanha. Em 2014, o então vice-presidente dos EUA, Joe Biden, chefiou a delegação dos EUA. Hoje, virá o secretário de Estado, Mike Pompeo. Já houve no passado a presença de autoridades mais importantes em posses presidenciais.

Hoje, há nas avenidas de Brasília uma ostentação militar inadequada numa democracia. Esse rigor remete a imagens do passado, imagens sombrias de 1964.

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