26 de jan de 2019

Desastre atinge em cheio política “desambiental” de Bolsonaro


Escrevi, antes, sobre a exploração que tenta fazer o General Mourão da “inocência” do Governo Bolsonaro no caso do rompimento da barragem de Brumadinho.

E é verdade que o novo governo não tem nenhuma responsabilidade sobre a tragédia que se passou com o deslizamento de lama, que ainda não mostrou seus horrendos números definitivamente e talvez não venha a mostrar, até pela dificuldade de resgatar corpos soterrados a muitos metros de profundidade.

Mas há um ponto em que o deslizamento de milhões de toneladas de rejeitos de mineração atingiram – além da natureza, casas e pessoas – os projetos insanos do governo que se inicia.

Diante das primeiras evidências que  houve – com consequências ainda não esclarecidas – uma aprovação a toque de caixa da ampliação da capacidade de produção da mina – algo tão provável que, antes de todas as informações, já se aventara aqui – a intenção bolsonarista de eliminar ou transformar em mera e rápida formalidade os processos de licenciamento ambiental vai demorar muito tempo até poder colocar suas mãos acima da lama de Brumadinho.

Nem tanto porque as consciências ambiciosas, públicas ou privadas, tenham se comovido, mas porque se evidenciou, de maneira tragicamente didática, que é preciso cuidar com rigor dos inevitáveis danos e riscos ambientais e humanos de processos industriais de porte significativo.

Sobrevôos e “grupos de emergência” diante do desastre não são novidade nem representam mais do que a demonstração – tardia ou hipócrita – de minimizar o dano que antes se assumiu causar.

Na prática, porém, o efeito sobre o governo, por conta do impacto na opinião pública, aqui e lá fora, será o de frear, ao menos temporariamente, o processo de liberação da fome de lucros empresarial, que gasta alguns milhões imprimindo cadernos em papel couchet sobre sua responsabilidade social e ambiental mas não hesita em violá-la por alguns bilhões que lhes virão da exploração predatória.

Empresas privadas – ao contrário das estatais, onde o corpo técnico tem garantias e identidade – avaliam projetos minimizando riscos. Se o estado não interferir, controlando e fiscalizando (o que é muito mais difícil quando a minimização do risco não vem desde o berço dos projetos) é inevitável que tragédias se sucedam.

Neste aspecto, a lama de Brumadinho pode ter feito, ainda que frágil  temporária, uma barragem contra a exploração voraz e temerária que esta gente, ao colocar o dinheiro acima de todos e o lucro acima de tudo, pratica contra o Brasil.

Fernando Brito
No Tijolaço

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