15 de jan de 2019

Com decreto que facilita porte de armas, Bolsonaro fomenta corrupção policial

Canetada inconsequente
No Valor, uma análise de como o decreto do registro de posse de armas, assinado por Bolsonaro, fomenta a corrupção de uma parcela da polícia brasileira:

Ao determinar, numa penada, que as polícias militar e civil nos Estados, em convênio com a Polícia Federal (PF), passem a ser responsáveis pelo registro de posse de armamentos, o presidente dá margem para que policiais corruptos tenham pleno acesso a informações sobre armas recém-adquiridas.

Por exemplo: uma pessoa compra por cerca de R$ 20 mil uma pistola Glock (fabricada pela empresa austríaca Glock Ges.m.b.H e considerada uma das melhores pistolas do mundo) e a registra na Polícia Militar.

Que garantia teremos de que um agente policial corrupto, de posse do nome e do endereço do dono da arma, não venderá essa informação para miliciano, traficante ou outra sorte de criminoso? Nem todo policial é corrupto, evidentemente. Mas alguém tem dúvida de que a corrupção policial é um grave problema do Estado brasileiro?

A descentralização do registro das armas é vista com preocupação dentro do próprio governo Bolsonaro. Dois experientes investigadores (apoiadores do atual governo, registre-se) disseram reservadamente à reportagem que tirar o controle do registro das mãos da PF pode ter consequências graves.

Outro ponto no mínimo intrigante do decreto de Bolsonaro é o que obriga o cidadão interessado em ter uma arma a guardá-la em um cofre. As quadrilhas especializadas em roubos a condomínios de luxo agradecem. Agora, saberão que há maiores chances de encontrarem armas nos cofres das casas que assaltarem.

E os moradores ficam ainda mais expostos à violência. Como convencer o criminoso que na casa assaltada não há cofre e muito menos uma arma? Talvez o presidente possa dar uma resposta satisfatória em um post com 140 caracteres.

Talvez não.

Kiko Nogueira
No DCM

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