23 de jan de 2019

Bolsonaro exalta as milícias desde 2003




A ligação de Flávio Bolsonaro com as milícias é algo que passou de pai para filho.

Jair é um herói para esses bandos e os exaltou ao longo da carreira.

Em 2003, fez na Câmara a elegia de um grupo de exterminadores que atuava na Bahia, com um convite.

“Enquanto o Estado não tiver coragem de adotar a pena de morte, o crime de extermínio, no meu entender, será muito bem-vindo”, falou.

“Se não houver espaço para ele na Bahia, pode ir para o Rio de Janeiro. Se depender de mim, terão todo o meu apoio” (o áudio está no pé do artigo).

O que significa “todo meu apoio”?

Há dez anos, criticou em plenário o relatório da CPI da Alerj que apurava a atuação dos grupos paramilitares e as punições requeridas.

Detectaram-se cobrança de propina, serviços clandestinos, venda de apoio político etc.

“Existe miliciano que não tem nada a ver com gatonet, com venda de gás. Como ele ganha R$ 850 por mês, que é quanto ganha um soldado da PM ou do bombeiro, e tem a sua própria arma, ele organiza a segurança na sua comunidade”, declarou o então deputado.

“O Marcelo Freixo tem trânsito livre em qualquer favela do Rio de Janeiro e a sua principal proposta é desarmar o bombeiro militar”.


“Ele inclusive pregou, por ocasião do referendo do desarmamento, o voto sim, ou seja, pela proibição do comércio e da fabricação de armas de fogo no Brasil. Hoje, de forma covarde – porque ele é um covarde –, Marcelo Freixo anda em carro blindado e com meia dúzia de seguranças. Ele tem de dar o exemplo. Se é homem suficiente para pedir o desarmamento, dê o exemplo: não ande em carro blindado e com meia dúzia de seguranças.”

Em entrevista à BBC, defendeu a legalização do que chamou de “defensores da ordem”.

Refere-se ao inimigo pelo apelido idiota de “Frouxo”, algo supostamente engraçado entre repetentes de 15 anos.

Em fevereiro, na encarnação de candidato, voltou ao tema na Jovem Pan.

“Tem gente que é favorável à milícia, que é a maneira que eles têm de se ver livres da violência. Naquela região onde a milícia é paga, não tem violência”, inventou.

As milícias surgiram há cerca de 20 anos a reboque do abandono da população pelos governos.

São herdeiras dos esquadrões da morte da ditadura, contratadas por comerciantes e “caciques” para “limpar” a área da “bandidagem” (lato sensu).

Cresceram e atualmente podem faturar 20 milhões de reais por mês na zona oeste do Rio, seu principal reduto.

Em 2016, candidatos a prefeito e a vereador foram assassinados, incluindo o presidente da Portela, Marcos Falcon.

Em março passado, foi Marielle Franco.

Essa máfia hoje tem um padrinho e ele está sentado no Palácio do Planalto, cercado daqueles filhos.



Kiko Nogueira
No DCM

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