26 de jan de 2019

As fake news sobre Jean Wyllys espalhadas pela direita


Logo depois que Jean Wyllys anunciou que renunciaria ao mandato de deputado e sairia do país devido à insegurança, boatos sobre ele começaram a se difundir nas redes de direita, sugerindo ou diretamente acusando o deputado do PSOL de estar articulado com Adelio Bispo no atentado contra o presidente Jair Bolsonaro.

Os boatos, com algumas variações, sugerem que Adelio teria ido ao Congresso em 2013 e que na visita teria se encontrado com Jean Wyllys; no dia da facada.

Adelio teria sido registrado no Congresso pela equipe de Wyllys para criar um álibi caso conseguisse escapar (na verdade, o registro foi um erro de um atendente ao fazer uma pesquisa para saber se Adelio já tinha estado no Congresso); com o aprofundamento das investigações sobre o atentado, Wyllys, que seria suspeito, teria decidido fugir do país.

Sugestões com essas deduções começaram a se difundir no Twitter logo na tarde do dia 24. A conta de Milene Reis, seguida por Carlos Bolsonaro e pelo assessor do presidente Filipe Martins, tweetou às 16:49: “Vídeo comprova que Adélio, ex-PSOL, visitava um deputado no Congresso/ Quem pagou os advogados de Adélio?/ Moro vai investigar entrada de dinheiro da ditadura de Maduro no Brasil/ Maduro é deposto/ Jean Wyllys desiste do mandato e foge do país/ Coincidência? #VaiPraCubaJean” (1.400 retweets)

No decorrer da tarde, a tese começa a ser difundida e ganhar centenas de retweets a partir das contas @peakebraga, @adrianotomasoni, @bolsoneas e @maryritalopes com a hashtag #VaiPraCubaJean.

À noite, às 21:56, o ex-secretário nacional de justiça Romeu Tuma tweeta: “Essa história do Jean Wyllys tá muito estranha!!! Tem coelho nesse mato!” (2,1 mil retweets).

Logo em seguida, tweet da conta O Corvo diz “Talvez a PF tenha descoberto o vínculo de Adélio com alguém do PSOL no caso do atentado! Será que Jean Fugiu?” (2,2 mil retweets). No dia 25, a tese viraria trending topic #1 com a hashtag #InvestigarJeanWillis (sic)



Fundamental para a difusão do boato é o longo vídeo da jornalista Regina Vilella publicado na noite do dia 24 no canal de Youtube Cabra da Peste TV, depois reproduzido no canal Política Play (500 mil visualizações) e pela página de Facebook da maçonaria Avança Brasil.

No vídeo, a jornalista relaciona um suposto fim da imunidade parlamentar, a investigação da Polícia Federal e os vínculos de Adélio com o PSOL e Jean Wyllys.



No Facebook, a notícia também começa a se difundir na noite do dia 24, quando os sites e páginas hiperpartidários publicam a tese.

Com mais de 2 mil compartilhamentos, o site bolsonarista Notícias Brasil Online pergunta, “Se Jean Wyllys Está Sofrendo Ameaças. Será Por Queima De Arquivo?”

Já no começo da madrugada, com 10 mil compartilhamentos, o blog do Cleuber Carlos é ainda mais direto, “Jean Wyllys Pode Ser o Mandante Por Trás de Adelio Bispo na Tentativa de Matar Jair Bolsonaro”; a página Movimento Curitiba Contra a Corrupção simplesmente sugere “juntar os pontinhos” (24 mil compartilhamentos); por fim, Olavo de Carvalho também não é sutil, “Eu apostaria que a perseguição ao Flávio Bolsonaro, a fuga de Jean Wyllys e a tentativa de assassinato de Jair Bolsonaro, por um ex-membro do PSOL, estão ligados de alguma forma bem bizarra.” (1,4 mil compartilhamentos).

No começo da manhã é a vez do presidente Jair Bolsonaro, no Twitter e no Facebook, resgatar o tema do atentado.

Ele não faz menção a Jean Wyllys, mas faz questão de enfatizar as ligações do atentado ao PSOL: “ADÉLIO BISPO: filiado ao PSOL até 2014/ Em 6 de agosto de 2013, o então filiado ao PSOL, esteve no anexo 4 da Câmara dos Deputados, como registra sistema/ (…) Usando o nome do antigo filiado ao PSOL, alguém registra presença na Câmara dos Deputados no mesmo dia da tentativa de assassinato. Álibi perfeito caso fugisse do local do crime; (…)”

Do Monitor do Debate Político no Meio Digital no Facebook
No DCM



Bolsonarista que espalhou fake news sobre Jean Wyllys é suspensa do Twitter

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