1 de jan de 2019

A bananeira e a jaca


Ao garoto que, no final dos anos 60, procurava entender como as pessoas agem, minha velha avó ensinava, nas palavras simples de gente que aprendera muito com a vida: “meu filho, não espere que um bananeira lhe dê jacas. você vai falar, falar, falar e ela só dará bananas”.

Os colunistas de O Globo – e donos da sabedoria da classe média, a partir do púlpito da Globonews – se dedicam hoje a falar das jacas que virão da bananeira que vai governar o país.

Na manchete, o jornal dos Marinho diz que “Bolsonaro vai pregar união e austeridade em discurso”. Isso depois de disparos de twitter clamando contra o “marxismo nas escolas” e de um discurso, segundo o jornal, redigido com a ajuda dos filhos, pitbulls notórios da radicalização.

Merval, o bedel da pátria, diz com gravidade afetada que “cabe a ele, Jair Bolsonaro, desanuviar o ambiente político e encaminhar o país para novos rumos, como a vontade majoritária do eleitorado quis.  Mas procurando conciliar as partes”.

Bolsonaro, conciliador? “Jacas, jacas”, pede-se à bananeira…

Míriam Leitão, mais desencantada e menos esperançosa coloca a pedra chave no tabuleiro: “o dilema é: como subir impostos [retirando exonerações fiscais], quando se deveria reduzi-los, e como reduzi-los se o rombo é enorme?”.

E sugere que o novo presidente pare com seus rompantes [ jacas, jacas…] e  lhe propõe as condições para que a mídia pinte de verde as bananas: “Se o governo continuar alimentando a fantasia de que está lutando contra os grandes jornais e as maiores emissoras de televisão vai desperdiçar tempo, munição e recursos.”

Passa ao largo da compreensão destes gajos que o governo que se instala hoje não tem outro projeto senão o enunciado pelo seu vice-presidente, o General Hamilton Mourão: o desmanche do Estado brasileiro e a abertura do país a uma predação ainda mais selvagem do Brasil.

Bananas não têm sementes e, nas que comumente encontradas, são inférteis: bananeiras apenas rebrotam à medida em que murcham depois de lançarem seus cachos.

E junto a elas, ensina o saber da roça, cuidado com as cobras.

Fernando Brito
No Tijolaço

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