28 de dez. de 2018

Acusado de vários crimes, Netanyahu é a estrela adequada à posse de Jair Bolsonaro

Netanyahu e seu parceiro Bolsonaro: estrela da posse
Na falta de Donald Trump, que enviou o sub Mike Pompeo em seu lugar, Benjamin Netanyahu é a grande estrela da posse de Jair Bolsonaro.

Trata-se da primeira vez em que um premiê de Israel visita o Brasil.

Netanyahu, outro imitador de Trump no estilo truculento e na hiperatividade no Twitter, foi tietado de maneira constrangedora por Jair e seu filho Eduardo ao longo da semana.

“Israel é a Terra Prometida, e o Brasil é a terra da promessa”, retribuiu Netanyahu num encontro com o admirador.

O estreitamento da relação com o país do Oriente Médio é uma marca da mudança radical na política externa, que tem nas sandices vocalizadas pelo chanceler Ernesto Araújo sua trilha sonora.

Bolsonaro vem falando da mudança da Embaixada de Telavive para Jerusalém. 

Gabou-se nesta semana de uma parceria para implantar usinas de dessalinização, vendendo como uma incrível novidade algo em uso no Nordeste desde 2004.

Com o passeio em meio à indiarada, Netanyahu dá uma pausa refrescante enquanto lida com a maior crise política que já enfrentou desde 2009, quando assumiu.

O Parlamento aprovou sua própria dissolução e eleições, que deveriam ocorrer em novembro, foram antecipadas para 9 de abril.

Analistas creem que se trata de uma tentativa de distrair a atenção do público das denúncias de corrupção de que ele é alvo junto com a mulher Sara.

No início do mês, a polícia israelense recomendou que o premiê fosse indiciado no que ficou conhecido como Caso 4000.

Ele teria recebido cobertura positiva do site de notícias Walla em troca de favores a seu proprietário.

“Bibi” deve responder por “suborno, fraude e abuso de confiança”. O acionista majoritário do grupo Bezeq, controlador do Walla, Shaul Elovitche, também pode ser indiciado.

De acordo com a denúncia, Netanyahu interveio “de maneira flagrante e contínua, e em algumas ocasiões inclusive diariamente” no conteúdo e também tentou influenciar na nomeação de editores e repórteres entre 2012 e 2017.

Em fevereiro, a polícia já havia pedido ao Ministério Público que acusasse Netanyahu em outros dois casos pelos quais ele era investigado.

Num deles, parentes teriam recebido até um milhão de shekels (US$ 285 mil), bem como charutos, champanhe e joias de pessoas ricas em troca de favores financeiros ou pessoais.

Um deputado chamado Ayman Odeh afirmou que o lugar de Netanyahu “é na prisão”.

“Um primeiro-ministro que só está ocupado em divulgar o ódio e o medo e os interesses próximos de sua família já perdeu sua legitimidade”, declarou.

Soa familiar?

Como era aquele papo de “bandido de estimação”, mesmo?

Consta que Netanyahu já aprendeu uma gíria no Rio de Janeiro: “É nós, Queiroz”.

Kiko Nogueira
No DCM
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Ninguém acredita nas mentiras do Queiroz, com exceção da Lava Jato


Se nem mesmo os integrantes e figuras centrais do governo Bolsonaro acreditam nas lorotas do Queiroz, ninguém teria justificativa para acreditar nas suas mentiras, certo? Errado!

Sérgio Moro, Deltan Dallagnol, Marcelo Bretas e os justiceiros da Lava Jato não só aceitam como legitimam a versão mentirosa do Queiroz.

Depois da conversa de vigarista do Queiroz no SBT [ler aqui], ninguém acreditaria que o farsante seria levado a sério. Errado!

O MP do Rio conseguiu a proeza de acreditar nas alegações de supostos problemas de saúde, não comprovados e não periciados [desde necessidade de cirurgia no ombro, problemas na urina a tosse forte [sic] a câncer maligno no intestino] para livrar o farsante e os Bolsonaro de investigações [ler aqui].

Esta jogada procrastinatória visa, claramente, aguardar a posse do Bolsonaro em 1º de janeiro, porque a partir desta data ele não poderá ser investigado por crimes cometidos antes do mandato – e então o caso ficará abafado ou extinto pelo chefe da polícia política do governo, Sérgio Moro. Simples assim.

O crime que os agentes partidarizados da Lava Jato cometem, de prevaricação, está tipificado no artigo 319 do Código Penal Brasileiro: “Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal”.

A pena, neste caso, é a detenção, de três meses a um ano, e multa; sem prejuízo a outros enquadramentos e punições previstas na Lei da Magistratura e do Código de Ética da Magistratura, que acarretam inclusive a demissão do serviço público.

A descoberta das falcatruas nos gabinetes parlamentares dos Bolsonaro desnudou a velhacaria da Lava Jato. A Operação confirma, mais uma vez, que o discurso de combate à corrupção é mero instrumento para o aniquilamento do Lula e do PT para a conquista de poder.

Moro, Dallagnol e os hipócritas da Lava Jato perderam totalmente o pudor, já não se preocupam em manter as aparências; já não se importam que a patifaria fique exposta a céu aberto.

Essa liberdade de ação delinquencial de agentes públicos é mais um passo no sentido do aprofundamento do regime de exceção e do Estado policial. Não se pode duvidar do que a extrema-direita no poder será capaz de fazer para se auto-proteger e eliminar seus adversários.

Enquanto o mundo inteiro duvidava que eles seriam capazes de levar até às últimas consequências a farsa dantesca para condenar e prender Lula sem provas, o terror de exceção não só encarcerou o ex-presidente como pretende mantê-lo preso por longo período, sem preocupar-se de levá-lo à morte no cárcere político.

Esse é o novo padrão; estágio superior do terrorismo estatal da extrema-direita contra os inimigos que estiverem no seu caminho.

A Lava Jato age como falange jurídico-policial do bolsonarismo [ler aqui]. É um instrumento de poder para viabilizar a extrema-direita e o projeto de destruição dos direitos sociais, das riquezas do país e da soberania nacional.

Jeferson Miola
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Raio x no relatório do Coaf que cita Michele Bolsonaro e o foro privilegiado do marido

Ele no banco
Fabrício José Carlos de Queiroz é apresentado no item 81 do relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão do governo federal criado para combater a lavagem de dinheiro. As informações relativas a Queiroz ocupam sete das mais de 400 páginas do relatório (veja abaixo).

De acordo com o documento, que faz parte da investigação conduzida pelo Ministério Público Federal, Fabrício foi alvo de comunicação ao Coaf por operação suspeita em uma conta de pessoa jurídica que ele mantém no banco Itaú.

“Ele foi objeto de comunicação de operação suspeita referente à sua conta número 006980, agência CNPJ 7816 Personnalite Freguesia, no banco Itaú, na cidade do Rio de Janeiro. Ele movimentou nessa conta o total de R$ 1.286.838,00,  entre 01/01/2016 e 31/01/2017, o que foi considerado suspeito”, informa o relatório.

Em seguida, são relacionados os enquadramentos legais que fizeram de Queiroz um correntista suspeito:
  1. Os pagamentos habituais a fornecedores e beneficiários que não apresentem ligação com a atividade ou ramo de negócio da pessoa jurídica.
  2. Movimentações em espécie realizadas por clientes cujas atividades possuam como característica a utilização de outros instrumentos de transferência de recursos, tais como cheques, cartões de débito e crédito.
  3. Movimentação de recursos incompatível com o patrimônio, a atividade econômica ou a ocupação profissional e a capacidade financeira.
Na página 5 do relatório sobre Fabrício Queiroz, Michele Bolsonaro é citada e há uma referência indireta a Jair Bolsonaro e ao foro privilegiado.

Os técnicos do Coaf identificaram no período (um ano e um mês) a compensação de cheques no valor de R$ 41.930,00.

“Dentre eles (os cheques), consta como favorecidos (sic) a ex-secretária parlamentar e atual esposa de pessoa com foro por prerrogativa de função Michele de Paula Firmo Reinaldo Bolsonaro, no valor de R$ 24.000,00.”

Os técnicos não explicam por que fazem referência ao foro privilegiado sem dizer o nome do presidente eleito. Seria pela impossibilidade de aprofundar essa investigação sem autorização do Supremo Tribunal Federal?



O trecho do relatório que cita Michele Bolsonaro e o foro privilegiado do marido

Além da movimentação atípica de R$ 1,2 milhão entre 01/01/2016 a 31/01/2017, Queiroz foi alvo de outra comunicação de movimentação suspeita, entre 23/01/2017 e 15/03/2017.

Nesse período, ele sacou R$ 49 mil.

Diz o relatório:

“Segundo informado, neste período, a conta apresentou 10 transações de forma fracionada, totalizando R$ 49.000, configurando possível tentativa de burla aos controles estabelecidos pela Carta Circular 3461, de 24/07/2009.”

O alto número de saques diários, em valores fracionados, também foi decisivo para que Fabrício fosse considerado suspeito. Os técnicos lembraram que esse tipo de movimentação possibilita a “ocultação de origem/destino dos portadores”.

No dia 23 de janeiro, o assessor de Bolsonaro fez dois saques de R$ 5.000 na boca do caixa do Itaú da Assembleia legislativa, com uma diferença de apenas vinte minutos entre um e outro.

No dia seguinte, voltou ao mesmo posto de serviço, para fazer novamente dois saques de R$ 5.000, com diferença de oito minutos entre um e outro.

Entre 16 e 17 de fevereiro do ano passado, ele sacou R$ 19 mil da boca do caixa: três saques de R$ 5.000 e um de R$ 4.000.

No dia 15 de março, fez a mesma operação – dois saques de R$ 5.000.

Ao fazer retirada em espécie de valor abaixo de R$ 10 mil por operação, Queiroz não precisou preencher formulário para explicar a finalidade do saque.

É um indício de que estaria querendo esconder algo, mas, se foi por essa razão, ele não contou que o sistema identificaria a movimentação estranha.

E lançaria um aviso de suspeição, que necessariamente seria comunicada ao Coaf.

Ao sacar elevadas quantias em espécie, Fabrício Queiroz impossibilita o rastreamento.

Na outra ponta, recebendo o dinheiro, poderia estar um destinatário de atividade lícita, como restaurante ou farmácia frequentados por ele, mas também poderia ser alguém que fosse o verdadeiro dono do dinheiro.

O que o Coaf tem certeza é a de que a movimentação é incompatível com seu rendimento e patrimônio declarados.

No período que gerou a primeira comunicação ao Coaf, entraram na conta dele R$ 605.552,00 e saiu um pouco mais, totalizado os R$ 1.236.838,00.

A conta é de 1991 e ele foi cadastrado no banco como autônomo, sem participação em sociedade, com renda declarada de R$ 21.219,73 e patrimônio de R$ 700 mil.

Há depósitos de funcionários do gabinete de Flávio Bolsonaro em espécie, o que também chamou a atenção das autoridades.

Os servidores preferiram fazer o depósito em dinheiro, diretamente no caixa, em vez de realizarem transferências.

No período de um ano e um mês, foram depositados, em dinheiro, R$ 216.493,00, mais de um terço do que entrou na conta dele (não só tendo como origem os assessores de Flávio Bolsonaro), e foram sacados, em espécie, R$ 324.774,00.

Numa era em que se pode fazer pagamentos pela internet e através de cartões, quem preferiria andar com dinheiro para baixo e para cima?

Só mesmo quem não quer que se saiba a quem ele está entregando os valores que entraram na sua conta.

Não é preciso ser nenhum detetive para entender que Fabrício Queiroz tem muitas explicações a dar.



Queiroz e Bolsonaro, no tempo em que podiam ser vistos juntos


Joaquim de Carvalho
No DCM
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Pelo padrão Lava Jato, Queiroz já teria sido preso

https://www.blogdokennedy.com.br/pelo-padrao-lava-jato-queiroz-ja-teria-sido-preso/
É ruim começar governo com suspeita de corrupção

Pelo padrão estabelecido pela Lava Jato no Judiciário e no Ministério Público nos últimos anos, já teria sido decretada a prisão temporária ou preventiva de Fabrício Queiroz, ex-assessor parlamentar e dublê de motorista e segurança de Flávio Bolsonaro, deputado estadual fluminense e senador eleito.

O Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) rastreou movimentação atípica de R$ 1,2 milhão em conta bancária de Queiroz no período de janeiro de 2016 a janeiro de 2017. Funcionários da Assembleia Legislativa e uma ex-assessora do deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ) fizeram depósitos na conta de Queiroz. Nathalia, ex-assessora do presidente eleito, é filha de Queiroz.

Em entrevista concedida ao SBT anteontem, o ex-assessor parlamentar não deu explicação específica sobre essa movimentação, afirmando que o faria em depoimento futuro ao Ministério Público. Ele faltou a quatro depoimentos alegando ter grave problema de saúde.

O caso Queiroz sugere uma série de perguntas às autoridades.

Como o Judiciário e o Ministério Público vão agir num imbróglio que envolve a família Bolsonaro?

A falta de explicação de Queiroz fragiliza a sua situação jurídica e eleva a suspeita de que ele seria um laranja para arrecadar parte de salários de servidores da Assembleia Legislativa do Rio e também de uma então funcionária do gabinete do deputado federal Jair Bolsonaro. Nessa hipótese, houve extorsão da parte dele ou existiu esquema com autorização superior?

É fundamental que o Ministério Público ouça os funcionários que abasteceram a conta de Queiroz. Quantos depoimentos já foram tomados ou estão marcados?

Outra pergunta: a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, tomará alguma providência em relação à ex-assessora de Bolsonaro e filha de Queiroz? Afinal, há dinheiro federal depositado na conta do ex-assessor parlamentar.

A Procuradoria Geral da República fez denúncia recente contra o senador José Agripino Maia (DEM-RN) por associação criminosa e peculato, acusando-o de ter mantido um funcionário fantasma durante 7 anos.

Houve vazamento da investigação do Coaf e alerta para as exonerações de Queiroz e sua filha Nathalia? Pai e filha foram demitidos no mesmo dia, 15 de outubro, dos gabinetes de Flávio e Jair Bolsonaro. Se ocorreu um vazamento, poderia ser apontada eventual obstrução de Justiça?

Todo político deve satisfações à opinião pública.

Um político que se elegeu presidente com o discurso de combate a corrupção e de moralidade no trato da coisa pública não pode deixar de dar mais explicações sobre as atividades da ex-assessora Nathalia Queiroz em seu gabinete.

Integrantes do futuro governo buscam minimizar a importância de um caso com potencial explosivo. É negativo que uma nova administração comece com tamanha nuvem de suspeita.

O futuro ministro da Justiça, Sergio Moro, disse em entrevista em 11 de novembro ao “Fantástico”, da Rede Globo, que também teria a função de auxiliar Bolsonaro a avaliar eventuais casos de corrupção. Moro disse que seria possível fazer “juízo de consistência” sobre tais acusações e agir, eventualmente demitindo ministros.

O caso Queiroz parece merecer mais atenção do ex-juiz Moro.

Como figuras importantes da Lava Jato agiriam nessa situação? Alguma medida preventiva já teria sido tomada, por exemplo, para evitar eventual contato de Queiroz com quem fez depósitos na sua conta bancária?

Ontem, o Ministério Público do Rio de Janeiro divulgou nota afirmando que o ex-assessor de Flávio Bolsonaro comprovou a gravidade de seu quadro de saúde e que daria o depoimento após eventual cirurgia para retirar um tumor do intestino.

Ao longo da Lava Jato, operação que serve de inspiração para o Judiciário e o MP de todo o país, houve medidas duras contra investigados que estavam gravemente doentes, como conduções coercitivas a quem não havia sido intimado a depor e até prisões temporárias e preventivas.
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Desbolsonário de Bolso, um dicionário para tentar entender a cretinice reinante


Certo dia, em plena campanha presidencial de 2018, fomos tomada s de surpresa pela constatação de que já não compreendíamos parte do português do Brasil. A linguagem parecia ter entrado em pane. Era preciso, com urgência, encontrar um instrumento que nos auxiliasse no trabalho de comunicação com nossos conterrâneos. E também no trabalho de tradução de um glossário bem específico para aqueles que, como nós, sentiam-se perdidos diante de termos e significados forjados tão repentinamente em bocas, cabeças, mídias, redes e meios de comunicação contemporâneos.

Por tal motivo, decidimos fazer um dicionário de bolso. Ou melhor um “Desbolsonário de Bolso”. Leve-o no bolso ou na bolsa, consulte-o sempre que precisar. Afinal, é provável que precisemos dele com bastante frequência nos tempos que se anunciam. Oxalá ele possa contribuir para desfazer a confusão dos sentidos, e assim dar lugar em nossas vidas para mais clareza sobre o que está acontecendo. E quem sabe, finalmente, abrir espaço para caber também “um pequeno sol no bolso”, como diz o poeta Paulo Britto.

Filósofas Luisa Buarque e Marcia Sá Cavalcante Schuback, projeto gráfico de Brigita Gelžinytė.



Kiko Nogueira
No DCM
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Pequeno dicionário dos fascismos europeus entre 1914 e 1945


Fascismo: sua definição, suas características e um pouco de sua história nos países europeus onde ocorreu.

1. O que é o fascismo?

Como responder a pergunta acima? Ora, uma definição útil é de Robert Paxton, Historiador do fascismo:

“o fascismo tem que ser definido como uma forma de comportamento político marcada por uma preocupação obsessiva com a decadência e a humilhação da comunidade, vista como vítima, e por cultos compensatórios de unidade, de energia e de pureza, nas quais um partido de base popular formado por militantes nacionalistas engajados, operando em cooperação desconfortável, mas eficaz com as elites tradicionais, repudia as liberdades democráticas e passa a perseguir objetivos de limpeza étnica e expansão externa por meio de violência redentora e sem estar submetido a restrições éticas ou legais de qualquer natureza [1]



O que Paxton está sintetizando em sua definição é, na verdade, um resumo de sua tese sobre a dinâmica do fascismo, isto é, estudar o fascismo não se resume a estudar sua gênese ideológica, ou sua dinâmica enquanto movimento político ou mesmo sua tomada e exercício do poder. Estudar o fascismo é compreender como se entrelaçam todas essas fases.

Conceito e Características do Fascismo

Apesar da definição de Paxton ser útil em um primeiro momento, precisamos ir além, tentando explicitar, com mais detalhes, as suas características. O fascismo é um projeto contra-revolucionário sui generis, que descreveremos a seguir:

1. Contexto

Fortalece-se em momentos de crises políticas, econômicas e sociais em regimes parlamentares liberais (sem que sejam, necessariamente, democracias liberais)[2].

2. Ideologia

2.1 Sua ideologia, por um lado, é antiliberal, antimarxista, antidemocrática e também anticonservadora [3] ; por outro, é baseada no ultranacionalismo [4] , isto é, aquela espécie de nacionalismo que nega a igualdade como valor fundamental, rejeitando, portanto, tanto a esquerda revolucionária quanto a esquerda liberal e social-democrata ou mesmo qualquer tipo de direita democrática.

2.2 Culto à violência e ao militarismo [5] : O culto a violência significa não só o emprego da violência como instrumento político, mas a violência é valorizada como “virtude redentora”, “renovadora do espírito”, “moldadora de caráter”.

2.3 Mito de decadência e de regeneração [6] : O mito de decadência e regeneração sempre expressa ideias de “decaimento”, “apodrecimento” seguidas de meios redentores que gerarão renascimento e renovação da comunidade [7] — é o que Roger Griffin chamou de mito paligenético[8].

2.4 Culto ao chefe ou Führerprinzip: O culto ao chefe é nada mais que conceder cegamente ao líder a última palavra em todos os aspectos do movimento — sua palavra e pessoa são sagradas para os militantes (daí o termo em alemão Führerprinzip ou princípio do líder).

2.5 Vitalismo irracionalista e elitista: Esclarecer o conceito de filosofia vitalista[9] ou vitalismo em poucas palavras não é fácil, dado que ela engloba tanto posições de filósofos que defendem o vitalismo quanto uma noção mais geral de “visão de mundo”.

Em termos muito gerais, com risco de ser extremamente esquemático e até historicamente grosseiro, podemos dizer que filosofia vitalista é aquela que defende que o princípio ou fundamento das coisas é a vida. Em geral, esse tipo de filosofia, no século XIX, opunha-se a correntes filosóficas que diziam ser a razão o fundamento e/ou princípio das coisas.

Esse tipo de filosofia é considerado irracionalista pois, justamente, opõe-se às filosofias que afirmavam ser a razão o princípio de todas as coisas. Mas o que isso teria a ver com o fascismo? Ora, muitas das filosofias racionalistas, p.ex., de origem iluminista, defendiam valores como a liberdade, autonomia do indivíduo, a paz entre nações, etc. As filosofias e as ideologias vitalistas, em geral, quando aplicadas à teoria política e social, pelo contrário, acabaram por, em algumas correntes, como é no caso de alguns precursores do nazismo, não só afirmar ser a vida, em oposição à razão, ao fundamento das coisas, como também opor normativamente à vida aquilo que é vil, amorfo, sem-vida.

Isto é, o “Bem” é identificado com a vida, a regeneração, e o “Mal”, com o degenerado, disforme, etc. A partir dessas teses, muitos ideólogos do nacional-socialismo puderam “justificar” que existem tipos de vida merecedores de vida e outros, degenerados, não.

2.6 Defensor apenas do capitalismo produtivo na defesa de um anticapitalismo “reacionário”: O anticapitalismo reacionário é, grosseiramente, a defesa dos aspectos produtivos da produção capitalista em oposição à esfera financeira (bancos, etc) que são vistos como “parasitas sociais”.

Em resumo, a ideologia fascista é sincrética e muitas vezes incoerente (por exemplo, de um lado é antimarxista, mas por outro, defensora do “capitalismo produtivo” em oposição ao capitalismo financeiro).

3. Estrutura

Como o movimento é estruturado de forma extremamente hierarquizada, o líder tem autoridade máxima; ele é (ou tenta ser) um movimento multiclassista, isto é, que tenha militantes de classes ou estratos sociais dos mais diversos. Outro elemento importante é que o partido ou possui unidades/seções ou é estruturado militarmente por completo.

4. Estratégia

Para chegar ao poder, necessita:

4.1 Democracia parlamentar capitalista para poder se enraizar.

4.2 Alianças com grupos conservadores para chegar, em cooperação conflituosa, ao poder.

4.3 Movimentos e líderes competentes que não caiam em disputas fratricidas.

5. No poder

Quando adquire o poder político, procura silenciar e eliminar seus opositores e antigos aliados, tenta subordinar toda a sociedade à sua ideologia (economicamente, militarmente, culturalmente) o que leva a assassinatos em massa, extermínios e genocídios.

6. O conceito de fascismo

Definimos, portanto, aqui o fascismo como projeto contra-revolucionário, cuja organização política toma a forma de  um movimento multi-classista e paramilitarizado, que ganha influência em momentos de crises sociais generalizadas; sua ideologia é a negação do liberalismo, do socialismo e do conservadorismo, mas une diversos aspectos dessas de forma sincrética aliado a um culto a violência, a um vitalismo irracional e, fundamentalmente, a um mito de decadência e regeneração de um povo ou comunidade. Consegue tomar o poder com apoio de conservadores e governa a partir de uma ditadura, tentando submeter toda a sociedade à sua ideologia e ao seu líder através de políticas genocidas[10].

Notas e referências


[1] PAXTON, 2007, p.

[2] ver Payne, 1995, cap. 3 e 5

[3] IDEM.

[4] Ver GRIFFIN, 1992

[5] IDEM

[6] IBIDEM

[7] IBIDEM

[8] IBIDEM

[9] SCHNÄDELBACH, 1983, p. 174-92.

[10] Foram usados os seguintes escritos para estruturar tal conceito, sem qualquer intenção de fornecer algo novo do que já fora proposto por estes autores (não estão em ordem de importância): ELLEY (1984); PATTON (2007); PAYNE (1995); GENTILE (2002); CARSTEN (1980); MOSSE (1999); THALHEIMER in BAUER, O. MARCUSE, H. ROSENBERG, A (1970) ; BAUER in BAUER, O. MARCUSE, H. ROSENBERG, A (1970) DE FELICE ( 1995a); GRIFFIN (1992;1998); EATWELL (1992; 1995) ; LINZ (1976; 1980); POULANTZAS in GRIFFIN (1998); WIPPERMANN (1997); STERNHELL (1995;1999; 2015) MAYER( 1977).

Do Voyager
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Os governos da Concertación no Chile pós Chicago Boys


Os Governos Concertación 1990-2010

Em novembro de 1988, o regime [militar no Chile] organizou um plebiscito para garantir o apoio popular nos próximos oito anos. A quantidade de oposição, no entanto, foi mal calculada e a população chilena votou "não" a uma continuação do regime militar. Um ano depois, as primeiras eleições em dezesseis anos foram realizadas, provocando o primeiro governo democrático. A Concertação de Partidos pela Democracia [Concertación] é o nome dado a esta aliança de partidos de centro-esquerda, que governou de 1990 até a eleição de Sebastián Piñera em 2010. Embora os novos governantes tenham feito consideráveis ​​ajustes de política em matéria de regulação social, educação e saúde, os princípios básicos das reformas dos anos 70 e 80 permaneceram intactos. De fato, a onda de privatizações continuou na década de 1990 e o Chile estava mais do que nunca conectado ao mercado mundial. Embora o novo governo fosse ligeiramente de esquerda e muitos de seus líderes tivessem criticado as reformas de mercado da era Pinochet, o mundo em que o Chile entrava mudara notavelmente desde a década de 1970. Thatcher e Reagan disseminaram os ideais neoliberais, a União Soviética estava desmoronando e os socialistas europeus começavam a abraçar o mercado. Havia restrições legais ao novo governo na existência de senadores, prefeitos, juízes e chefes de exército designados. O sistema de votação binomial que havia sido instalado frustrou o governo da maioria ao garantir a minoria de direita com metade dos assentos parlamentares.

Apesar dessas restrições, as conquistas foram consideráveis. De 1990 a 2005, o crescimento anual do PIB foi de 5,6%. Esse crescimento foi ainda maior quando se foca no período de 1990 a 1996, chegando a 7,8% ao ano. Ao mesmo tempo, a pobreza diminuiu de 38,6% em 1990 da população total para 20,3% em 2000, enquanto a pobreza extrema caiu de 12,9% para 5,7%. Os salários reais subiram de 1990 a 1997 em 4% ao ano, com a produtividade dos trabalhadores no primeiro semestre da década de 1990 aumentando em 4,3% ao ano. O governo manteve um superávit fiscal médio de 1,5% entre 1989 e 1997, que foi parcialmente usado para pagar a dívida pública significativa deixada pelo regime militar. Além disso, a inflação manteve-se baixa em 3,72%, entre 1992 e 2001. As tarifas foram mantidas em um baixo nível de 11% até 1999, quando foram gradualmente reduzidas para 7% em 2002. Todos esses desenvolvimentos levaram muitos observadores a comparações com 'tigres asiáticos' como Taiwan e Coréia do Sul.

A crise asiática de 1997-98, por outro lado, mostrou a vulnerabilidade da economia chilena. Embora o crescimento durante a década de 1990 tenha sido particularmente baseado no aumento das exportações, estes eram principalmente produtos primários caracterizados por preços instáveis. Quando esses preços despencaram em 1998-1999, a economia entrou em recessão. Além disso, o foco nos produtos primários, que haviam começado durante os anos de Pinochet, deixou pouco espaço para investimentos na indústria. De fato, os altos preços do cobre nos anos noventa levaram os investidores a terceirizar o refino adicional do minério de cobre bruto para os países do Sudeste Asiático, por causa de circunstâncias trabalhistas mais baratas. Isso significava que os investimentos maciços no setor de cobre e as isenções fiscais possibilitadas pelo governo equivaliam, no final, a uma perda de empregos. Finalmente, apesar do crescimento econômico e da redução da pobreza, o país experimentou um aumento significativo na desigualdade, com oportunidades e enormes riquezas obtidas principalmente pela pequena rede de conglomerados, que se estabeleceram na Era de Pinochet.

Embora a diferença entre ricos e pobres tenha diminuído significativamente, especialmente durante os governos de Ricardo Lagos e Michelle Bachelet, o Chile continua sendo uma das sociedades mais desiguais da América Latina. A desigualdade, mas também um sistema previdenciário falido e a falta de acesso à educação, até hoje permanecem questões políticas debatidas no país. Este, entre outros, compreende o legado de Chicago para o Chile.

Texto extraído do artigo "Milagre ou Miséria: As realizações dos Chicago Boys no Chile de 1960 a 1990

Jesper Garst é professor da Universidade de Rotterdam e escreveu "Milagre ou Miséria? As realizações dos Chicago Boys no Chile de 1960 a 1990" em 2017, por ocasião de estudos sobre História da Cultura Política e Identidade Nacional, pela Universidade de Leiden, na Holanda.

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ONGs dos EUA: Posições de Bolsonaro são séria ameaça à democracia, aos direitos humanos e ao meio ambiente

7 ONGs apoiadas pela sociedade civil dos EUA assinam a declaração publicada em Nova York na tarde desta quinta-feira, 27/12, em português e em inglês.
Foto: Defend Democracy in Brazil
Em apoio à Democracia, aos Direitos Humanos e ao Meio Ambiente no Brasil

Enquanto o Brasil se prepara para a posse de Jair Bolsonaro como presidente, nós, as organizações abaixo-assinadas, desejamos expressar nossa profunda preocupação com as posições sustentadas pelo presidente eleito, que representam uma séria ameaça à democracia, aos direitos humanos e ao meio ambiente.

Desejamos também reafirmar nosso apoio aos corajosos indivíduos e grupos no Brasil que lutam para defender os direitos e liberdades constitucionalmente protegidos em um ambiente cada vez mais desafiador.

O presidente eleito Jair Bolsonaro tem frequentemente assumido posições que estão fundamentalmente em desacordo com os valores democráticos.

Durante a campanha presidencial, ele afirmou que, se perdesse, não aceitaria os resultados das eleições.

Ele defendeu avidamente a brutal ditadura militar do Brasil (1964-1985) e argumentou que o erro do regime foi não ter matado mais pessoas.

Pouco antes do segundo turno das eleições presidenciais em outubro, ele prometeu expurgar o Brasil de ativistas de esquerda, através de exílio forçado ou prisão.

No final de outubro, ele se referiu a membros de movimentos de base como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), entre outros, como “terroristas”, gerando preocupações de que a polêmica lei de antiterrorismo doBrasil será usada para criminalizar ativistas sociais.

Perturbadoramente, dois líderes do MST foram assassinados por homens armados e encapuzados em 8 de dezembro.

Muitos temem que a retórica de ódio e ameaças de Bolsonaro esteja tornando o Brasil – que já é líder mundial em assassinatos de defensores da terra e do meio ambiente – em um lugar muito mais perigoso para ativistas.

O discurso de ódio de Bolsonaro teve como alvo numerosos grupos com lutas de longa data contra a opressão e a discriminação.

Ele afirmou que os quilombolas não estão aptos para procriação.

Ele afirmou também que se um de seus filhos fosse gay, ele preferiria que eles morressem em um acidente e que nenhum de seus filhos iria querer uma namorada negra, uma vez que são muito bem educados.

Ele fez comentários profundamente ofensivos sobre as mulheres, dizendo que ele fracassou como homem quando teve uma filha e dizendo a uma legisladora que ela não merecia ser estuprada por ele.

Ele se referiu aos migrantes como “a escória da humanidade” e se opôs a uma lei que concede direitos básicos aos imigrantes.

Para além desses abomináveis ataques verbais, estamos particularmente preocupados com uma série de propostas políticas de Bolsonaro que, se implementadas, podem infligir danos de longo alcance e duradouros às comunidades brasileiras e ao meio ambiente.

Bolsonaro ameaçou cortar salvaguardas ambientais nas áreas de proteção da Amazônia, ao mesmo tempo em que aboliria os direitos constitucionais sobre territórios indígenas, a fim de permitir a expansão de atividades destrutivas de agronegócio, extração de madeira e mineração.

Esses planos inevitavelmente provocariam danos ambientais profundos e irreversíveis, destruindo comunidades e culturas indígenas e desencadeando violentos conflitos por terra.

Também é esperado que eles possam prejudicar significativamente os esforços globais para combater a mudança climática.

Em resposta aos crescentes níveis de crimes violentos, Bolsonaro manifestou apoio às execuções extrajudiciais cometidas pela polícia em bairros pobres, os quais já experenciam desproporcionalmente as mais altas taxas de homicídios historicamente registradas no país.

Ele afirmou que, se um policial “mata 10, 15 ou 20 [suspeitos] com 10 ou 30 balas cada, ele precisa ganhar uma medalha e não ser processado”.

Afirmou ainda que criminosos não têm “direitos humanos” e indicou que expandirá a militarização em todo o Brasil para combater o crime.

Na frente institucional, Bolsonaro anunciou que sua administração eliminará o Ministério do Trabalho e o Ministério dos Direitos Humanos.

Esses planos geram temores de que o futuro governo tentará minar os esforços para proteger os direitos dos trabalhadores e outros direitos humanos.

Estamos alarmados com essas e outras posições preocupantes adotadas por Bolsonaro e seus aliados mais próximos, e iremos acompanhar de perto as ações do futuro governo nos próximos meses.

Nós nos pronunciaremos contra a retórica de ódio e atos de violência, intimidação ou perseguição contra as comunidades e os defensores da sociedade civil, os quais Bolsonaro classificou como “inimigos” ou “terroristas”.

Nós vamos expor os facilitadores internacionais da agenda destrutiva de Bolsonaro.

E vamos apoiar àqueles no Brasil que se opõem ao autoritarismo e continuam a defender a democracia e os direitos básicos de todos os habitantes do país.

Amazon Watch
AFL-CIO
Friends of the Earth USA
Center for International Policy
Grassroots International
The Brazil Studies Association (BRASA)
Women’s International League for Peace and FreedomWashington Office on Latin America
Center for Economic and Policy Research
Latin America Working Group Education Fund
The National Network for Democracy in Brazil
Global Witness
Due Process of Law Foundation
Center for International Environmental Law (CIEL)
Brazilians for Democracy and Social Justice in Washington, DC Just Associates (JASS)
International Labor Rights Forum (ILRF)
Coalition of Black Trade Unionists
Foundation Earth
Defend Democracy in Brazil Committee – New York
Village Rights International
Friends of the MST (US)
Code Pink
Stand
The Oakland Institute
Retail, Wholesale and Department Store Union
Cultural Survival
Global Justice Ecology Project
United Steelworkers (USW)
National Family Farm Coalition
Environmental Justice League of Rhode Island (EJLRI)
GreenRoots
Grassroots Global Justice Alliance
Sunflower Alliance
Farmworker Association of Florida
Rainforest Action Network
Renewable Freedom Foundation
Iowa Citizens for Community Improvement Conference of Major Superiors of Men
Forest Peoples Programme
Food Chain Workers Alliance
Community Alliance for Global Justice
Institute for Policy Studies, Drug Policy Project
Sisters of Notre Dame de Namur USA JPIC
Rainforest Foundation US
Beautiful Trouble
Alliance of Baptists
#HumanRights #Brazil #Brasil #Bolsonaro #FakeNews #President #Inauguration
#BolsonaroInauguration
#Protect #Amazon #RainForest #Indigenous #Environment #LulaLivre #FreeLula
#DefendDemocracyinBrazil #RuleOfLaw #EstadodeDireito
#Dictatorship #HateSpeech #DiscursodeOdio #Discrimination #Homophobia #LGBTQrights
#RacialEquality
#DireitosHumanos #Democracy #NoToDictatorship #PoliceViolence #ViolênciaPolicial #Democracia

December 27, 2018

Defend Democracy in Brazil
No Viomundo
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IBGE: trabalho informal dispara e bate record!

11,7 milhões sem carteira assinada! E 4,7 milhões de desalentados!


Do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE):

PNAD Contínua: taxa de desocupação é de 11,6% e taxa de subutilização é de 23,9% no trimestre encerrado em novembro de 2018

A taxa de desocupação (11,6%) no trimestre móvel encerrado em novembro de 2018, recuou -0,5 ponto percentual em relação ao trimestre junho a agosto de 2018 (12,1%). Em relação ao mesmo trimestre móvel de 2017 (12,0%), houve queda de -0,4 ponto percentual.

A população desocupada (12,2 milhões) caiu -3,9% (menos 501 mil pessoas) frente ao trimestre de junho a agosto de 2018. No confronto com igual trimestre de 2017, houve redução de -2,9% (menos 364 mil pessoas).

A população ocupada (93,2 milhões) foi a maior da série histórica iniciada em 2012, aumentando 1,2% (mais 1,1 milhão de pessoas) em relação ao trimestre de junho a agosto de 2018 e 1,3% (1,2 milhão de pessoas) em relação a igual trimestre de 2017.

A taxa de subutilização da força de trabalho (23,9%) recuou -0,5 ponto percentual em relação ao trimestre anterior (24,4%). No confronto com o mesmo trimestre de 2017 (23,7%), não houve variação estatisticamente significativa.

A população subutilizada (27,0 milhões) reduziu-se em -1,7% em relação ao trimestre de junho a agosto 2018 (menos 478 mil pessoas). Em relação ao mesmo trimestre de 2017, esse grupo cresceu 1,8% (mais de 486 mil pessoas).

O número de pessoas desalentadas (4,7 milhões) ficou estável em relação ao trimestre junho a agosto de 2018 e subiu 9,9% em relação ao mesmo trimestre de 2017 (4,3 milhões). O percentual de pessoas desalentadas (4,3%) ficou estável em relação ao trimestre anterior e aumentou 0,3 ponto percentual contra o mesmo trimestre de 2017 (3,9%).

O número de empregados no setor privado com carteira assinada (exclusive trabalhadores domésticos) foi de 33,0 milhões de pessoas, apresentando estabilidade em ambas as comparações. Já o número de empregados sem carteira assinada (11,7 milhões) foi o maior da série histórica e subiu em ambas as comparações: 4,5% na comparação com o trimestre anterior (mais 498 mil pessoas) e 4,7% (mais de 522 mil pessoas) em relação ao mesmo trimestre de 2017. A categoria dos trabalhadores por conta própria (23,8 milhões) também atingiu o maior contingente da série histórica, com altas de 2,3% na comparação com o trimestre anterior (mais 528 mil pessoas) e de 3,3% em relação ao mesmo trimestre de 2017 (mais 771 mil pessoas).

O rendimento médio real habitual (R$ 2.238) não apresentou variação em ambas as comparações, assim como a massa de rendimento real habitual (R$ 203,5 bilhões).

(...)

No CAf
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Caso 'Cadê o Queiroz' tinge a posse de Bolsonaro de laranja

Mesmo tendo suposta explicação "plausível" para movimentação apontada como suspeita, ex-assessor e amigo da família Bolsonaro não dá as caras há 20 dias e faltou a dois depoimentos

Presidente eleito costuma postar em suas redes sociais
cenas em que procura passar imagem de cidadão humilde
A cerimônia de posse do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), na próxima terça-feira (1º), está manchada pelo escândalo envolvendo seu filho, senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), e seu ex-assessor Fabrício Queiroz.

Ex-militar, Queiroz é apontado em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) como tendo realizado "movimentações atípicas" de R$ 1,2 milhão em sua conta, entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, quando atuava como motorista e assessor de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Amigo da família Bolsonaro há mais de 20 anos, Queiroz não foi convidado para a festa da posse em Brasília. 

O caso veio a público em 6 de dezembro. Desde então, Queiroz foi intimado a prestar esclarecimento ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ), mas faltou por duas vezes – nos dias 19 e 21 de dezembro. A defesa do ex-assessor alegou motivos de saúde para justificar o não comparecimento de Queiroz. 

Segundo a revista Veja, "em busca de proteção", Queiroz, que trabalhou com Flávio como motorista e segurança, além de assessor, deve seguir utilizando manobras jurídicas para evitar falar às autoridades antes da posse do novo presidente.

O Ministério Público também oficiou a Assembleia do Rio para que Flávio Bolsonaro seja ouvido sobre o caso no próximo dia 10. Familiares de Queiroz e outros assessores do gabinete do filho de Bolsonaro devem depor no dia 8.

Seguidores de Bolsonaro, que chegaram a
acreditar em mamadeira com bico de pênis,
seguem na batalha do WhatsApp,
agora para propagar 'explicações'
Usuário compulsivo das redes sociais, assim como o pai, Flávio Bolsonaro tem silenciado desde o surgimento do escândalo. Na última sexta-feira (21), ele afirmou não ter cometido nenhuma ilegalidade e disse não poder ser "responsabilizado por atos de terceiros", transferindo o ônus da explicação ao ex-assessor, sumido desde então.

Queiroz trabalhou com Flávio por "mais de 10 anos", segundo o próprio deputado estadual, que reputa "confiança" ao ex-assessor. Quando as primeiras informações do relatório do Coaf vieram à tona, o filho de Bolsonaro afirmou ter conversado com seu motorista, e que esse teria explicação "bastante plausível" para a movimentação sob suspeita, mas sem dar qualquer detalhe sobre a suposta plausibilidade.

A movimentação atípica incluía uma série de saques de médio valor (em torno de R$ 5 mil) que eram antecedidos de depósitos na conta de Queiroz com valores equivalentes. Nove assessores do gabinete do filho de Bolsonaro realizaram transações em nome de Queiroz, que coincidiam com os dias de pagamento da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. A suspeita é que o motorista de Flávio Bolsonaro seria uma espécie de "laranja", responsável pelo recolhimento de parte dos salários desses assessores, que depois eram encaminhados à família do atual deputado e senador eleito. 

A trama não se restringe apenas a Flávio e também atinge diretamente o presidente eleito. Dentre a movimentação suspeita, consta um cheque de Queiroz no valor de R$ 24 mil destinado à futura primeira-dama Michelle Bolsonaro. A família diz tratar-se do pagamento de um empréstimo que haviam concedido ao amigo e ex-assessor. 

Outro elo com Jair Bolsonaro é que a filha do ex-militar, Nathalia Melo de Queiroz, trabalhava como assessora no seu gabinete em Brasília. Coincidentemente, ela foi exonerada, em Brasília, no mesmo dia em que o pai era dispensado do pelo filho do presidente eleito, no Rio de Janeiro, no dia 15 de outubro, entre o primeiro e o segundo turno das eleições 2018, o que denota que a família Bolsonaro soube do relatório do Coaf sobre as transações suspeitas dos seus assessores ainda durante o processo eleitoral. Movimentações entre Queiroz e a filha somaram R$ 84 mil, segundo o Coaf. 

Reportagem da Folha de S.Paulo mostrou que Nathalia, enquanto era funcionária da Câmara, em Brasília, trabalhava como personal trainer no Rio, em horários em que deveria estar cumprindo jornada como assessora parlamentar. Antes de atuar junto ao presidente eleito, Nathalia também trabalhou na Alerj entre setembro de 2007 a dezembro de 2016, quando também enviava dinheiro ao pai, em transações que somaram R$ 97.641,20, segundo o Coaf. O valor das transações correspondia a 99% do pagamento líquido feito pela Alerj à assessora em janeiro de 2016, segundo registros da folha salarial daquela Casa.

O Coaf, ligado ao Ministério da Fazenda, passará ao comando do Ministério da Justiça, sob o ex-juiz Sérgio Moro, no governo Bolsonaro. Moro alega que o presidente eleito "já apresentou alguns esclarecimentos" sobre o caso Queiroz. "Tem outras pessoas que precisam prestar seus esclarecimentos e os fatos, se não forem esclarecidos, têm de ser apurados. Mas eu não tenho como ficar assumindo esse papel. O ministro da Justiça não é uma pessoa para ficar interferindo em casos concretos", se esquivou Moro, na única vez que tratou publicamente do escândalo. 

Já o vice-presidente eleito, o general da reserva Hamilton Mourão, afirmou que, se for confirmado que o caso envolve o repasse de dinheiro de assessores a Queiroz, configurando uma espécie de "caixinha" paga a Flávio Bolsonaro, seria uma "burrice ao cubo". "O dono da bola se chama Queiroz. Esse cara tem de vir a público e dizer", afirmou Mourão à revista Crusoé.

O caso Queiroz também não é a única polêmica envolvendo assessores de Bolsonaro e família. Em agosto, também foi revelado que uma funcionária contratada pelo gabinete de Jair Bolsonaro, na Câmara, trabalhava vendendo açaí numa praia onde o presidente eleito possui uma casa de veraneio, na Vila Histórica de Mambucaba, a 50 quilômetros de Angra dos Reis, litoral sul do Rio de Janeiro. 

Além da Wal do Açaí, Renato Bolsonaro, irmão do presidente eleito, foi descoberto como sendo funcionário fantasma do gabinete do deputado estadual André do Prado (PR), na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Ele foi exonerado em abril de 2016, após três anos recebendo R$ 17 mil mensais, mas não aparecia para trabalhar.

No RBA
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Um escândalo na família

Gilberto Dimenstein foi muito feliz ao descrever o futuro governo Bolsonaro:“Bolsonaro está começando seu governo no estado em que outros presidentes acabam”.


Isso porque escândalos e casos que costumam vitimar governos no seu final estão presentes no governo Bolsonaro, mesmo antes de sua posse. Seus impactos, no entanto, não são para agora. São bombas de efeito retardado. A bem da verdade, as sombras de Fernando Haddad e do PT são o principal escudo de Bolsonaro contra elas. Porém, por quanto tempo ainda o antipetismo defenderá Bolsonaro? Eis a questão.

Há pelos menos três casos – dois escândalos de alta octanagem – que colocam o TSE, o Ministério Público Federal e a Polícia Federal na encruzilhada do governo Bolsonaro.

bolsonaro disparos

O caixa 2 – o maior deles, denunciado pela Folha de São Paulo, o Caixa 2 para disparo em massa de mensagens via grupo de Whatsapp. Pago por empresários e não declarado na prestação de contas da campanha de Bolsonaro. Há nomes e quantias. Coisa de dezenas de milhões de reais. Nomes de quem pagou, para quem e do informante. Documentos e o roubo de dados de idosos para viabilizar as operações de disparo em massa de mensagens com fake news contra Haddad durante as eleições. O caso está com o Ministro Barroso – que aprovou com elogios as contas de Bolsonaro, mas manteve a investigação em relação ao caixa 2. Barrosianas. Esse escândalo ameaça o mandato de Bolsonaro. Mas nada acontecerá, por enquanto. Se condenado, perde o mandato. E isso acontecendo antes da metade do mandato, tanto pode dar Haddad – impensável – quanto se convocar novas eleições – Haddad de novo, impensável. Mas é possível manter-se cuidadosamente esse escândalo em banho-maria até a segunda metade do mandato. A partir de então, a bola estará com o Congresso Nacional. Foi assim com a chapa Dilma-Temer e as doações da Odebrecht. O mandato de Bolsonaro, no limite, estaria sujeito, então, aos ritos do TSE, durante toda a sua duração.

queiroz e flavio

O caso Queiroz – Bolsonaro está diretamente envolvido, dado o cheque depositado na conta de sua mulher. O caso tem ares de ser um clássico. Queiroz seria o caixa de Flavio Bolsonaro – deputado estadual do Rio de Janeiro. Recolheria, além de talvez alguma mesada, os salários de funcionários fantasmas e quitaria com eles as contas da família Bolsonaro. Queiroz movimentou R$ 1,2 milhões no ano de 2016. Algo como R$ 50 mil mensalmente entrado e saindo das suas contas em datas coincidentes com o pagamento da ALERJ – Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Queiroz não é investigado e não pesa contra ele oficialmente nenhuma acusação. Uma situação estranha onde há provas, mas não há convicção. Mas isso por enquanto. Nada vai ocorrer até que Bolsonaro assuma. Depois disso, não poderá ser investigado por crime anterior ao mandato, até o fim do mandato. Sem risco de dar Haddad. Com o filho eleito senador, isso é diferente. E tudo dependerá da ação ou inação do Ministério Público Federal. E lá está Raquel Dodge. Buscando a recondução ao posto de PGR – procuradora geral da República e já rejeitada por Bolsonaro. Rejeitada, até aqui.

E há ainda, correndo por fora, a extemporânea investigação da Polícia Federal em relação a Adélio Bispo – a pessoa que esfaqueou Bolsonaro durante a campanha eleitoral.

adelio bispo

O caso Adélio Bispo – a questão aqui é o porquê dessa investigação. Aparentemente o caso está encerrado desde o início. Adélio foi apresentado, pela própria Policia Federal que cuidou inicialmente do caso e efetuou sua prisão em flagrante, como um desequilibrado. Um psicopata com delírios persecutórios de fundo político-ideológico que teria agido sozinho no atentado à vida de Bolsonaro. Isso atestado por psiquiatras forenses. Caso encerrado. Só que não.

Uma outra equipe da mesma Polícia Federal investiga também o caso. No mínimo, pouco usual. Preocupam-se com que poderia haver um mandante, por trás de Adélio. Então, a própria Polícia Federal que atestou que Adélio agiu sozinho é incompetente ou está acobertando um mandante de atentado político? A contradição entre a conclusão apresentada e essa investigação é gritante.

Não que não existam acontecimentos estranhos no caso.

Bolsonaro era protegido por elementos da própria Polícia Federal, nas suas caminhadas públicas durante a campanha. Como Adélio – um tipo estranho ao grupo – pode chegar tão perto de Bolsonaro? A Polícia Federal é descuidada a esse ponto? E se Adélio não foi percebido como alguém estranho ao grupo? E por que não seria?

Adélio foi preso em flagrante, no local do crime, acabara de esfaquear “o mito” de todos que ali estavam – mais de uma centena de homens vociferando macheza e violência. E, no entanto, a Polícia Federal, que não protegeu Bolsonaro, garantiu a segurança de seu agressor. Adélio chegou à delegacia sem que tivesse recebido sequer um tapa desferido por um bolsonarista transtornado de dor. Como se, surpreendidos pelo ato, os bolsonaristas não soubessem o que fazer. O que os surpreenderia? Não esperavam aquela ação vinda de alguém como Adélio?

Adélio é um psicopata. Mas era também um trabalhador volante, desses que rodam o interior do Brasil – no caso dele, Minas Gerais – de cidade em cidade, sobrevivendo de pequenos trabalhos temporários e mal pagos. Seus parentes, do norte do Estado, são tão pobres que tiveram de se cotizar para que, pelo menos, um deles pudesse viajar até Juiz de Fora – no sul do Estado – para visitá-lo na prisão. O próprio Adélio estava havia poucos dias na cidade.

Como alguém assim tem um benfeitor secreto – e anônimo até para o advogado contratado – que paga R$ 300 mil para bancar a sua defesa? Defende o mandante? Há um mandante?

Em plena campanha eleitoral, Adélio não foi interrogado a ponto de dizer se obedeceu às ordens de um mandante? Adélio um ex-militante do PSOL. A Polícia não se interessou em perguntar? O PSL – partido de Bolsonaro – tampouco se interessou? Adélio se manteve estoicamente em silêncio? Não teria um telefone celular que pudesse ter rastreado as suas ligações? Como faria contato com esse suposto mandante?

Essas perguntas poderiam também ter-lhe sido feitas pela imprensa, mas o ministro Gilmar Mendes proibiu Adélio de dar entrevista. Censurou ninguém menos que a Revista Veja – sua velha amiga. Atendia a uma solicitação do TRF 3 – Tribunal Regional Federal – que temia que a entrevista pudesse atrapalhar as investigações. Como poderia? O que os jornalistas poderiam obter de Adélio que a Polícia Federal já não soubesse? O caso de um psicopata andarilho do interior justifica a atenção de um ministro da Suprema Corte?

E por fim, como Adélio – um trabalhador volante do interior de Minas Gerais – conseguiu recursos para frequentar o clube de tiro frequentado pelos filhos de Bolsonaro… em Santa Catarina?

Orbitando esse fato, a Revista Época de 14 de dezembro de 2018 traçou um perfil de Carlos Bolsonaro – filho do meio de Bolsonaro e frequentador do clube de tiro – que o retrata como uma personalidade problemática – quando não violenta, quase um psicopata também. E a mesma revista diz que Carlos estava em Juiz de Fora quando Adélio agrediu seu pai.

carlos bolsonaro

E o que Carlos Bolsonaro quis dizer quando postou em sua conta no Twitter que a eventual morte de seu pai “não interessa somente aos inimigos declarados, mas também aos que estão muito perto”? De quê aparentemente se defende, quando diz que fez sua parte e que é preciso entender o contexto da situação?

carlos bolsonaro1

Em 21 de dezembro de 2018, a Polícia Federal invadiu o escritório do advogado de defesa de Adélio – o escritório funcional de advogados é inviolável por lei, mas, aqui, de nada adiantou a lei. Oficialmente, queriam saber se o advogado sabia o nome de quem o pagara para defender Adélio. Seria essa pessoa o mandante?

Buscavam saber se o advogado sabia o nome de quem o pagara ou buscavam confirmar e garantir-se de que o advogado realmente não sabia o nome de quem o pagara?

A pergunta acima fica no campo da teoria da conspiração. Mas imaginemos, por um momento, que Adélio tenha sido recrutado – e sabe-se lá com que propósito – por alguém próximo a Bolsonaro. A campanha de Bolsonaro foi uma polifonia de muitos grupos de apoio sem um comando centralizado. Parece loucura? Não, não creio que essa hipotética pessoa que teria hipoteticamente arregimentado Adélio seja mandante de um atentado. Apenas alguém que desavisadamente teria aproximado um psicopata do candidato vencedor das eleições de 2018. Isso traria respostas para muitas das indagações acima. E colocaria a Polícia Federal de posse de uma informação que deveria ser tratada com todo o sigilo que a sensibilidade de sua não revelação exige. Sabemos que a Polícia Federal não vaza informações, mesmo quando isso possa ser do interesse de algum ator político em particular.

Então, nesse caso, ao menos, o governo Bolsonaro pode ficar tranquilo. Até porque Sergio Moro – no Ministério da Justiça – comandará a Polícia Federal. E Moro é conhecido pelo trato sigiloso que dá às informações a que tem acesso e jamais agiu em interesse próprio, nos casos de que cuidou.

Ainda que tenha quem diga que sua indicação ao cargo de ministro da Justiça, após ter mandado para a prisão o principal adversário de Bolsonaro, já seria por si só um escândalo.

Sérgio Saraiva
No Oficina de Concertos Gerais e Poesia
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A Facada no Mito - Documentário - assista e compartilhe

 Imperdível 


Uma visão diferente sobre o atentado a Jair Bolsonaro.

Não somos direita ou esquerda. Não estamos acima e nem abaixo. Somos nós, somos vocês, somos eles, somos todos...

...e merecemos respostas.

Compartilhem, questionem...


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Mesmo preso há 9 meses, Lula é o inimigo para o capitão Bolsonaro

https://www.balaiodokotscho.com.br/2018/12/28/mesmo-preso-ha-9-meses-lula-e-o-inimigo-para-o-capitao-bolsonaro/

Não passa um dia sem que Bolsonaro e família façam algum ataque grosseiro ao ex-presidente Lula, encarcerado há 9 meses em Curitiba.

Preparados para a guerra, militares precisam sempre de um inimigo a ser abatido para justificar a própria existência.

Lula foi escolhido para ser esse inimigo.

Fora do Exército há 30 anos, o mesmo tempo em que virou político profissional do baixo clero, o capitão reformado quer herdar a popularidade de Lula como seu antagonista, combatendo-o mesmo depois da eleição.

Em suas manifestações nas redes sociais, declarações truncadas e camisetas usadas pela família no melhor estilo Collor, Bolsonaro sempre dá um jeito de alvejar Lula.

Mais de uma vez, o presidente eleito já ameaçou seus aliados com a volta do PT se não forem fiéis a ele.

Com a oposição em férias, respeitando obsequioso silêncio ao vencedor, esta é uma guerra, por enquanto, que tem um lado só.

Quando o governo começar e enfrentar seus primeiros problemas podem apostar que ele jogará toda a responsabilizado em Lula e no PT.

Afinal, ele se elegeu com os votos do antipetismo e até agora não conseguiu apresentar um programa de governo.

Com seu exótico ministério montado em feudos, em que os militares se destacam,  durante o governo de transição ele se aproximou cada vez mais dos quarteis e dos templos evangélicos.

Com bobagens como escola sem partido, globalismo, goiabeiras, kit gay, vai distraindo a distinta plateia porque até agora não conseguiu dizer o que pretende fazer no governo, além de continuar batendo nos “vermelhos”, o genérico com que identifica seus inimigos.

Amigos de verdade, além de Trump e Bibi, são tipos como o motorista Queiroz, cevado no clientelismo dos gabinetes da família.

Essa dança do poder até aqui deprimente tem prazo de validade.

A mesma rede social das fake news que o levou ao poder pode se voltar contra ele, mais cedo do que imagina, quando o eleitorado se der conta de que votou numa grande farsa.

Enquanto Guedes quebra a cabeça para ver onde pode cortar e o que vender para fechar as contas, caberá a Moro mandar prender e arrebentar para ganhar as manchetes e esconder as investigações sobre a “movimentação atípica” da conta bancária de Queiroz.

É o que nos espera nos primeiros dias do novo governo.

Nada muito animador, a não ser para os mais fanáticos e cegos de ódio seguidores do “Mito”, que continuam em campanha nas redes do bolsonarismo.

Campanha para que?, pode-se perguntar.

Faltam agora só três dias.

Bom final de semana a todos.

Vida que segue.

Ricardo Kotscho
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Neoliberais argentinos anunciam ‘tarifaço’: luz, gás e transportes disparam


O final do ano chegou com notícias amargas para o povo argentino, a quem o neoliberalismo prometia uma onda de prosperidade.

O Governo de Maurício Macri, seguindo as ordens do Fundo Monetário Internacional, anunciou, para 2019, aumentos cavalares nas tarifas de serviços públicos: 55%, em média, na conta de luz, 40% no transporte público e 35% no gás.

A exigência é que se ponha fim na política de subsídios nos preços públicos da era Kirchner, que já vinha sendo minada e, agora, recebe seu mais forte impacto.

Os 3% de expansão do PIB argentinos, previstos no início do ano como repetição da alta de 2017, terminam 2018 com uma retração de quase 2% na economia e uma inflação que ronda os 50%.

Em meio à insegurança dos mercados mundiais, os investidores correm da fragilidade econômica argentina, um risco ao qual não estamos imunes aqui.

A Bovespa registrou, até o dia 21, a saída de R$ 11,07 bilhões em investimentos estrangeiros em ações, a primeira queda desde 2011 e perto da metade do desastre de 2008, com a crise econômica mundial.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Boaventura de Sousa Santos: Internacional Progressista, extrema-direita e Bolsonaro


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