26 de dez de 2018

Matar e fuder com Jesus no coração: o tripé sensacionalista que deu vitória a Bolsonaro


Bolsonaro não venceu as eleições por causa do discurso contra a corrupção. Essa é a razão que a mídia sustenta. Mas na verdade sua estratégia foi a mesma que a direita adotou para minar o governo de Jango.

O novo presidente foi eleito pelo tripé sensacionalista que explora o sexo, a violência e o sobrenatural. Essa estratégia foi usada em 1963 com a fundação do jornal sensacionalista Notícias Populares (NP). Tal periódico tinha claramente o objetivo de combater a “esquerdização” que se processava na época, nos mais diferentes níveis e esferas de atuação”, explica Gisela Goldenstein, em seu livro “Do jornalismo à indústria cultural”.  A partir de aspectos morais e reacionários, tal jornal buscava neutralizar a influência que o “Última Hora” exercia entre a classe trabalhadora.

A direção do NP adotou um objetivo político ao não falar de política – como fazia o Última Hora – e passou a explorar apenas o que se julgou que “estas classes queria ‘beber’”: sexo, crimes etc.. O discurso era extremamente sensacionalista, com sangue na capa do jornal, discursos homofóbicos e temas curiosos como “O caso do bebê Diabo” publicado em 11 de maio de 1975.

Em tudo isso reside uma logica freudiana, como explica Danilo Angrimani.[1] A vontade de fazer o que é reprimido existe de forma intensa dentro de nós. Por exemplo, segundo Freud há na sexualidade humana uma “disposição bissexual”. Homossexualidade e heterossexualidade caminham juntas e o ser humano está em busca do prazer sexual. Contudo, a sociedade impõe as regras; o tipo de prazer permitido. Assim quando vemos alguém sendo atacado por homofobia, sentimo-nos bem porque se não podemos ser o que tanto queremos (inconscientemente), o outro também não pode. Quando vemos este indivíduo sendo violentado, pensamos que poderia ser nós mesmos, mas esse medo logo é extirpado. É como diz o ditado popular: “antes um deles que um de nós”.

Isso se aplica a várias questões como o estupro, a violência, o roubo etc.. Há dentro do ser humano a vontade de transgredir que é reprimida no processo educacional desde seus primeiros anos de vida. Daí “a indignação pública se ergue contra aquele que viola um tabu de fato… aquele que toca os símbolos”.

Sexo, violência e sobrenatural são os três aspectos mais polêmicos e mais libidinosos de toda essa repressão. São tabus, temas que ficamos contidos em debater. O desejo de matar – entre outras fantasias sádicas –  existe, mas está contido. O desejo homossexual também. Precisamos reprimir essas vontades e desenvolvemos regras estruturalistas para isso.

Bolsonaro fez parecer que a esquerda não estava mais reprimindo estas vontades, que estava dando liberdade demais, um cenário perfeito para ele se apresentar como o símbolo do superego. Este deve ser abolido temporariamente e não com excessiva frequência. Pequenas doses de liberação do id, como em festejos, são úteis assegurando “a obediência por mais um ano”. A ordem funciona através de pequenas doses transgressoras. A esquerda estaria dando muita liberdade ao bandido, ao homossexual, ao sexo, explorado na fake news do kit gay etc..

Bolsonaro seria a repressão do superego reprojetado de que fala Otto Fenichel, pois a repressão desloca-se da figura do pai para “figuras autoritárias de aparecimento recente”. Repressor das pulsões do indivíduo, aquele que restabelece a ordem, que puni a transgressão colocando os tabus em seus devidos lugares. Ao mesmo tempo é também a personificação do id, porque ousa exprimir aquilo que o público reprime aliviando deste os sentimentos de culpa. A retórica de Bolsonaro representa muito bem esse id.

Esse “superego acessório” é o mesmo dos jornais sensacionalistas, “o juiz que condena implacavelmente os egos transgressores, através de manchetes e textos [no caso atual mensagens de Whatsapp e Facebook], onde predominam a ‘lição de moral’ e a agressividade de quem deseja “castigar”. Mas há também a possibilidade inversa, isto é, a liberação de egos contidos, permitindo a manifestação de fantasias sádicas criminais e transgressoras, como o desejo pela tortura e pelo extermínio sanguinário de bandidos e, até mesmo, o de superioridade, visto como algo errado socialmente, mas que se libera ao achar que mulher deve receber menos e o homossexual deve abaixar a cabeça para o hétero.

A questão do sobrenatural está no mero fato de chamá-lo de mito e a sua relação com as igrejas neopentecostais. Essas igrejas, com grande influência no meio popular, contribuíram diretamente para eleger o candidato do PSL. Haddad e Manuela tentaram o sobrenatural quando já era tarde demais.

A população se politizava com uma cultura de greve desde 2013. A atuação sensacionalista da direita foi fundamental para conter essa cultura que, sem uma consciência de classe, foi facilmente desmantelada.

O PT teve grande culpa nesse processo. Não conscientizando a população e agindo contra os manifestantes de forma agressiva, como a Lei antiterrorista no período dos grandes eventos esportivos internacionais, criou uma classe operária ociosa politicamente que espera um herói para salvá-la. Talvez porque acreditavam que Lula seria esse herói, não contando com todo o esquema que se desenvolveria bancado por empresários e pela mídia.

Essas são questões que devem ser levadas em consideração para que a esquerda repense seu papel em 2019.

[1] ANGRIMANI, D. Espreme que sai sangue. São Paulo: Summus, 1995.

Raphael Silva Fagundes
No Forum
Leia Mais ►

D. Michelle, se a senhora começar neste tom, nós vamos ter problemas


Em geral, todos têm deixado em paz a senhora Michelle Bolsonaro, mulher do presidente eleito.

Ela, porém, parece estar mexendo com quem estava quieto, ao desfilar com uma camiseta com a frase com que a juíza Gabriela Hardt, que substituiu Sérgio Moro, cortou a fala do presidente Lula quando este perguntou se, afinal, o acusavam (e o acusam) de ser dono do sítio em Atibaia.

D. Michelle deveria saber que, agora, ela pode ser interrogada por qualquer um e deve explicações sobre todas as manifestações públicas que fizer – e usar uma camiseta com frases políticas é uma das formas de fazê-lo.

Fazendo isso, a senhora se sujeita a várias perguntas que, para pessoas de vida privada, seriam impertinentes.

Por exemplo: foi Jair Bolsonaro quem lhe deu e pediu que usasse esta camisa?

A história de que os cheques de Fabrício Queiroz foram depositados na sua conta é procedente? Se a senhora foi ao banco ou se mandou alguém lá, porque não depositar na conta dele, se o trabalho é o mesmo?

A senhora usou este dinheiro ou repassou a Jair ou a alguém? Sabia do que se tratava? Fez outros depósitos por simples “repasse” do marido de cheques de terceiros?

A senhora nunca foi uma figura política e, na política, a gente tem de manter decoro e ter a ciência de que a regra do “bateu, levou” é uma constante.

Por isso, sem nem 1% da arrogância com que a frase foi usada pela juíza, atrevo-me a dar-lhe um conselho: “se começar nesse tom, a gente vai ter problema”.

Com todo o respeito.

Fernando Brito
No Tijolaço
Leia Mais ►

Retrospectiva 2018 - Edu Krieger


Leia Mais ►

Salve-se quem Puder

Pátria Armada
Wilson Cardoso Moreira
Confesso que tenho tido dificuldades em escrever sobre a armada Bolsoleone que tomou de assalto o Brasil. Não por falta de assunto, mas pelo oposto.

O festival generoso de estultice, ignorância, amadorismo, desorganização, fanatismo e caos da armada do capitão dificulta a escolha de um só tema.

A sensação é de um inevitável naufrágio, de um apocalipse não apenas econômico, social e político, mas sobretudo civilizatório.

O somatório trágico e descarado de fundamentalismo religioso, neofascismo político, ultraneoliberalismo econômico e geopolítica subserviente não permite previsões otimistas. Não se trata de “torcer contra” e solapar a governabilidade, como fez, de forma acintosa, a direita nos governos do PT, especialmente no segundo mandato de Dilma Rousseff. Trata-se apenas de constatar fatos.

Ante o quadro interno que se desenha, a única maneira de evitar o apocalipse seria a configuração de um cenário externo extremamente positivo, que mitigasse, ao menos parcialmente, a inevitável contração do mercado interno provocada pela austeridade permanente, o aumento da desigualdade e da pobreza, o desemprego estrutural, a redução dos direitos trabalhistas, a erosão do Estado de Bem-Estar e a contração dos investimentos públicos.

Porém, o cenário externo que se configura para os próximos anos está longe de ser róseo. Ao contrário, prevê-se tempo sombrio.

Segundo o último relatório do FMI (outubro de 2017), haverá uma significativa desaceleração do crescimento do comércio mundial de 5,2% (2017) para 4,2%, em 2018 e 4%, em 2019. O principal fator por trás dessa diminuição da dinâmica do comércio internacional seria a guerra comercial iniciada por Trump contra a China e outros países, guerra à qual o governo Bolsonaro pretende aderir, somando-se aos EUA contra os interesses objetivos do Brasil.

Ainda segundo o FMI, que previa anteriormente uma elevação do crescimento da economia mundial de 3,7%, em 2017, para 3,9%, em 2018 e 2019, haverá estagnação do crescimento em 3,7%.

Mas há outras instâncias que apontam para um quadro bem mais pessimista. A OCDE, por exemplo, prevê desaceleração do crescimento da economia mundial para 3,5%, em 2019. Na realidade, o chamado “mercado”, como demonstram as sucessivas quedas nas bolsas, nos preços dos ativos financeiros e de algumas commodities, já está com um ânimo bastante nervoso e apreensivo. Há uma fuga dos papéis de longo prazo para os de curto prazo. Há também fuga para os títulos do Tesouro americano, que não remuneram nada, mas são seguros.

Por trás desse nervosismo, existe forte preocupação com o grande crescimento das dívidas, tanto públicas quanto privadas.

Segundo o FMI, a dívida das famílias norte-americanas, é hoje US$ 837 bilhões maior que a de 2008, ano em que as finanças mundiais entraram em colapso. As dívidas totais, ainda de acordo com o FMI, ascendiam a US$ 164 trilhões, em 2016, o que equivale a 225% do PIB global.

Embora os bancos hoje tenham um melhor sistema de proteção contra riscos e ativos tóxicos, cerca de 16% das empresas nos EUA estão em situação de insolvência técnica.

Há um claro quadro de insuficiência de demanda.

Na falta de efetivo dinamismo da economia real, a propulsão é feita por mecanismos financeiros que são, no longo prazo, insustentáveis. Como bem destacou o grande economista Luiz Gonzaga Belluzzo em artigo recente nos últimos anos, as Bolsas dos EUA e os rendimentos nanicos dos bônus do Tesouro fumegam os vapores que, mais uma vez, sopraram às alturas os preços dos ativos. Nas horas vagas, e nas outras também, as empresas se entregam à bulha da recompra das próprias ações e mandam bala na distribuição de dividendos com a grana do Federal Reserve.

Assim, as bolsas se mantiveram em alta graças a um mecanismo de recompra de ações (buy back) propiciado pelo crédito barato fornecido pelo Federal Reserve. Quase US$ 4,5 trilhões foram gastos com esse mecanismo desde o início da crise até 2015. O problema é que o “quantitative easing” e o crédito fácil que permitiam mecanismos como esse estão acabando. As taxas de juros estão em ascensão, tanto na Europa quanto nos EUA. Em outubro, os juros dos títulos do tesouro norte-americano atingiram seu maior patamar em sete anos: 3,25%.

Para nós, acostumados a uma das maiores taxas do mundo, é ridículo, mas para o mercado financeiro dos EUA, é fenômeno que provoca extrema apreensão.

Por tudo isso, o tradicional e prestigiado banco de investimentos J.P. Morgan, assim como vários economistas independentes, preveem que, já em 2020, haverá uma crise semelhante à de 2008, a qual traria “a maior tensão social dos últimos 50 anos”.

Bem, previsões sobre crises, ou sobre a continuidade das bonanças, são muito incertas, como ficou demonstrado na débâcle de 2008. Mas o ponto aqui é que ninguém está prevendo um quadro positivo para os próximos 2 anos, na economia mundial.

Portanto, o cenário mais provável é o de, no máximo, crescimento medíocre, tanto da economia mundial quanto do comércio mundial, somado ao aumento das taxas de juros nas economias centrais, a um aperto financeiro global e a preços cadentes das commodities.

Esse cenário externo ruim encontrará uma economia brasileira sujeita à austeridade permanente, sem investimentos públicos significativos, e com crescente desigualdade e pobreza. Além disso, a economia nacional não disporá mais de importantes mecanismos públicos de estímulo, pois a cadeia de petróleo e gás está sendo totalmente desmontada e o BNDES está se tornando um banco de dimensões modestas.

Não bastasse, o setor privado interno não deverá prover grandes estímulos para a retomada do crescimento sustentado, pois as empresas estão, em geral, com nível alto de endividamento Com efeito, os estudos do economista Felipe Rezende mostram que famílias e empresas saíram de um endividamento de US$ 200 bilhões em 2002 para US$ 1,5 trilhão em 2015. A explosão das taxas de juros em período recente, só agora revertida, sufocou financeiramente muitas empresas. Os spreads bancários em níveis demenciais também não contribuem para aliviar o quadro financeiro muito difícil.

Ante tal quadro, a estratégia do ultraneoliberal “Posto Ipiranga” deverá ser a de vender tudo (petróleo, minérios, Petrobrás, Eletrobrás, bancos públicos, terras, etc.) a preços módicos e abrir a economia de qualquer forma, de modo a atrair investimentos externos. Ademais, preveem-se cortes draconianos nos gastos públicos, uma reforma da Previdência criminosa à la Pinochet, uma ofensiva em larga escala contra os servidores públicos e novos ataques aos direitos dos trabalhadores.

Tal estratégia ultraneoliberal, tal como aconteceu na década de 1990, fracassará. Poderemos ter até, com sorte, curtos e medíocres voos de galinha, mas não teremos crescimento sustentado e, muito menos, desenvolvimento real com distribuição de renda e eliminação da pobreza.

Somar-se-á ao desastre econômico e social o desastre geopolítico, que nos alinha à demência virulenta de Trump e nos afasta do Mercosul, dos BRICS, dos países árabes, da África e, de um modo geral, de todo o mundo civilizado.

Esta se armando, dessa forma, uma tempestade perfeita de barbárie.

Uma tempestade feita de ignorância, autoritarismo, intolerância, amadorismo, ultraneoliberalismo, injustiça, destruição de direitos, subserviência geopolítica e, sobretudo, fanatismo.

Diderot dizia que do fanatismo à barbárie há somente um passo.

Esse passo será dado em 1º de janeiro de 2019.

Salve-se quem puder.

Marcelo Zero
Leia Mais ►

‘O dia em que o cara que quis me destruir foi condenado a 41 anos de prisão’

Lola Aronovich em frente a um mural com fotos de deputadas mulheres no Congresso Nacional, em Brasília. Foto: Arquivo Pessoal
Marcelo Valle Silveira Mello, 33 anos, foi condenado a 41 anos e seis meses de prisão por vários crimes, entre eles associação criminosa, divulgação de pedofilia, racismo e terrorismo. Todos crimes que ele cometeu na internet.

Ele está na cadeia em Curitiba desde 10 de maio deste ano, quando a Operação Bravata, lançada pela Polícia Federal, o prendeu pela segunda vez. De lá para cá, teve quatro habeas corpus negados.

Marcelo é cria da classe média-alta de Brasília. Filho único de um pai que morreu jovem, sua mãe é funcionária pública aposentada. Marcelo sempre foi tímido, antissocial, sem amigos. Segundo ele, foi vítima de bullying na escola. Também conforme ele próprio, quando criança, odiava perder de mulher em qualquer jogo. Além de detestar meninas, detestava negros, gays e esquerdistas em geral.

Encontrou na internet o espaço ideal para extravasar seu ódio. Foi criador de inúmeras comunidades no Orkut e fez amizades e contatos com homens misóginos de extrema-direita que pensavam como ele. Conseguiu se destacar pelo seu ódio sem fim e sua dedicação em atacar desafetos.

Em 2009, Marcelo foi o primeiro brasileiro a ser condenado por racismo na internet. Ao entrar em discussões contra a política de cotas em páginas da UnB (onde Marcelo cursou Letras com ênfase em Japonês durante um semestre), deixou claro seu ódio a negros. Declarou insanidade para não ter que cumprir a pena. Formou-se em Informática numa faculdade particular. Com esse currículo, tornou-se figura popular nos chans (fóruns anônimos, tão misóginos que mulheres por lá são apelidadas de “depósitos” [de porra]).

“E eu quico?”, como costumava dizer um aluno adolescente quando queria perguntar “E eu com isso?”

Eu, que sou autora de um blog feminista, professora de Literatura em Língua Inglesa na Universidade Federal do Ceará, casada, e quase 20 anos mais velha que Marcelo, nunca havia ouvido falar dele até 2011. Porém, pouco depois de iniciar meu blog, em 2008, conheci indiretamente um nível de misoginia que era inédito pra mim. Ingênua, eu não fazia ideia que existiam homens que se reuniam para xingar uma feminista que teve a coragem de relatar a vez em que foi estuprada e deixada para morrer numa poça do seu próprio sangue. Os comentários no post da blogueira americana lamentavam que ela não havia sido morta, duvidavam da sua história (ela seria feia demais para merecer ser estuprada), prometiam finalizar o serviço.

Ao ler isso, fiquei horrorizada. Não sabia que homens cruéis eram aqueles. Um tempo depois descobri que se autointitulavam MRAs (Men’s Rights Activists), ou defensores pelos direitos dos homens. Descobri com surpresa que há muitos homens que estão convictos que vivemos num matriarcado e que a verdadeira vítima da sociedade é o homem branco e hétero. Não fiquei muito surpresa ao descobrir que esses grupos, que existem nos EUA, Reino Unido, Canadá e Austrália, não lutam por direito algum – apenas odeiam mulheres e atacam feministas.

Meu primeiro contato com esse tipo de grupo no Brasil foi no caso Eloá, em outubro de 2008. Para quem não se lembra, um rapaz chamado Lindemberg invadiu a casa de sua ex-namorada Eloá, de 15 anos, em Santo André, e a manteve, junto com a amiga Nayara, em cárcere privado durante mais de 100 horas. O caso se tornou famoso porque programas de TV sensacionalistas tiveram a oportunidade de entrevistar o agressor por telefone durante o sequestro, enquanto ele mantinha uma arma na cabeça de Eloá, e porque a polícia paulista permitiu que Nayara, que havia sido liberada, voltasse ao cativeiro. No trágico final, a polícia invadiu a casa, e Lindemberg atirou em Eloá, que morreu, e em Nayara, que sobreviveu. O assassino foi preso.

Eu estava tão indignada com o caso e escrevi quatro posts sobre ele na época. Um deles era sobre uma comunidade no Orkut assinada pela “Ordem Suprema dos Homens de Bem” e chamada “Eloá virou presunto – foi tarde”. Na comunidade, a jovem de 15 anos assassinada covardemente era xingada de tudo quanto era nome, com ênfase na sua sexualidade, enquanto Lindemberg era saudado como herói por ter posto um fim “naquela puta”. Os participantes só reclamavam que ele não tinha também conseguido liquidar Nayara.

Eu somente vim a saber alguns anos depois que os MRAs dos países de língua inglesa se diziam masculinistas no Brasil, e que eles começaram a se juntar a partir de 2005 em comunidades no Orkut como “O Lado Obscuro das Mulheres” e “Mulher Só Gosta de Homem Babaca”. Nesses grupos, rapazes que não faziam sucesso com as garotas encontravam uma explicação: a culpa não era deles, mas delas, que não queriam “homens bonzinhos” como eles – homens tão bonzinhos que chamavam todas as mulheres (incluindo suas mães) de “vadias”.

Em fevereiro de 2011 descobri não só que esses grupos no Brasil se autointitulavam masculinistas, como que eles já me xingavam fazia tempo. Pelo jeito, eu era a única feminista que eles conheciam. Escrevi nesta data um post informativo chamado “O pensamento vivo (modo de dizer) dos masculinistas”, explicando quem eram esses estranhos rapazes que odiavam tanto as mulheres. Um mês depois, reuni num outro post, este humorístico, as “pérolas” deixadas nos comentários do post anterior. Foi a primeira vez que chamei masculinistas de “mascus”, uma mera abreviação. O termo pegou, ficou pejorativo, e rapidamente acabou com o masculinismo (pelo menos no nome) no Brasil, já que nenhum mascu queria ser chamado de mascu.

Em 7 de abril de 2011 a brincadeira acabou. Wellington Menezes, de 23 anos, entrou na escola estadual onde havia estudado, em Realengo, no Rio, e matou 10 meninas e dois meninos. Após ser atingido na perna por um policial, Wellington se matou. A mídia brasileira nunca explicou a discrepância do número de vítimas nem deu atenção às testemunhas, que diziam que o assassino atirava nas meninas para matar, e nos meninos, para ferir. Ou seja, a mídia não tratou o terrível massacre como um crime de ódio, como feminicídio, e sim como uma tragédia.

Assim como Lindemberg, Wellington virou herói entre os mascus. Mas, diferente do primeiro, o próprio Wellington era um mascu. Ele tinha queimado seus computadores antes de cometer o massacre, mas havia registros de suas ligações com fóruns mascus, tanto que a Polícia Federal passou a investigá-los. No mesmo dia do massacre, o maior blog mascu do Brasil, o de “Silvio Koerich” (não seu nome verdadeiro) deixou de ser atualizado. Seu autor somente reapareceu um semestre depois para anunciar que o blog estava fechando as portas, sem explicar o porquê. Logo depois, um blog com o mesmo nome e layout passou a publicar posts escabrosos, pregando a legalização do estupro e da pedofilia, o estupro corretivo para lésbicas, a matança de mulheres, negros e gays. Além disso, o blog oferecia recompensas para quem matasse o deputado federal Jean Wyllys e eu (éramos chamados de “escória”), e prometia um atentado ao prédio de Ciências Sociais da UnB, para matar o máximo de “vadias e esquerdistas”.

O blog de ódio permaneceu no ar durante longos meses e rendeu quase 70 mil denúncias à SaferNet. Ele não estava hospedado no Brasil e, sempre que um país o expulsava, ele reabria em outro. Com a ajuda do grupo Anonymous, descobrimos seus dois principais autores: Marcelo e Emerson Eduardo Rodrigues, que se dizia engenheiro (não era) e que havia gravado um vídeo racista na Índia dizendo atrocidades como “o estado natural do preto é a sujeira, o estado natural da mulher é a prostituição, o estado natural do homem branco é o trabalho”.

Reprodução-1545419980
Marcelo Valle Silveira Mello fazendo saudação nazista.
Foto: Reprodução

Em março de 2012, a Polícia Federal lançou a Operação Intolerância e prendeu Marcelo e Emerson em Curitiba. Na conta bancária de Marcelo foram encontrados 440 mil reais, dinheiro que sua mãe lhe havia passado. Marcelo e Emerson brigaram na cadeia, mas foram condenados a mais de seis anos e seis meses de prisão. Infelizmente, cumpriram apenas um ano e dois meses. Ao saírem, em maio de 2013, ambos me mandaram emails me responsabilizando por sua prisão e jurando que iriam me processar.

Não sei ao certo o que Marcelo fez nos seus primeiros meses soltos, mas já no segundo semestre de 2013 ele estava enfurecido. Abriu um perfil no Twitter com sua foto e nome e passou a mandar mensagens cada vez mais agressivas a mim, ao delegado que o havia prendido, e a outros desafetos. Mandou e-mails e deixou comentários (não aprovados e nunca respondidos) no meu blog com ofensas e ameaças. Ainda em 2013 criou seu próprio chan, o Dogolachan. Como fiquei sabendo? Porque no início de 2014 ele me enviou o link pro chan, para que eu pudesse acompanhar as ameaças.

As ameaças eram diárias, mensagens do tipo “essa Lola não sabe com quem tá mexendo. Achando que prisão é eterna, achando que se eu não ve [sic] o dedo dela em uma nova prisão que fodeu com minha vida eu não vou lá pro Ceara e mato ela”, e “Sonho todos os dias com essa gordona escrota morta, até imprimi uma foto dessa maldita e colei na minha porta e fico apontando minha 9mm pra foto dela. Essa desgraçada precisa ser parada por um homem sancto, se ela quer ser mártir das misândricas, então ela será”, e “Vou cravar a Lola de balas, sei q estamos ameaçando-a faz tempo, mas o dia da retribuição chegará. Nosso sancto wellington agiu sob nossas orientações”.

O Dogolachan de Marcelo desde o início se pôs a cultuar assassinos como Wellington (do massacre de Realengo), Elliot Rodger (que em maio de 2014 matou seis pessoas na Califórnia e se suicidou, após deixar um manifesto misógino de 140 páginas) e Anders Breiv ik (que em 2011 matou 77 pessoas na Noruega). Sempre que algum membro do chan falava em suicídio – algo extremamente comum entre homens fracassados em todas as searas de suas vidas – ouviam o coro “Leve a escória junto”. Em outras palavras, não se mate ainda. Antes vá numa palestra feminista, numa Marcha das Vadias, numa Parada do Orgulho Gay, numa Marcha das Mulheres Negras, e abra fogo. Só então se mate ou seja morto pela polícia, e torne-se um herói.
Marcelo não se conforma que uma feminista seja heterossexual, e que uma mulher gorda tenha um marido que a ame.
Outro passatempo de Marcelo era lançar “novos” sites de ódio, na tentativa de repetir a popularidade do Silvio Koerich. Eu ponho a palavra “novos” entre aspas porque os blogs eram todos iguais, com o mesmo design, o mesmo ódio e vários textos repetidos, trocando apenas alguns trechos e imagens. Nesses últimos cinco anos, Marcelo criou sites como Realidade, Homens de Bem, Tio Astolfo, PUAHate, Reis do Camarote, Filosofia do Estupro, e Rio de Nojeira, entre outros. Em 2015 e 2016, ele lançou “guias de estupro”, em que só mudava o nome da universidade, mas sua base era “como estuprar vadias” na USP, UFC, UFRGS, UFRJ e, claro, UnB.

Através dos sites de ódio, Marcelo cumpria três objetivos: o de divulgar sua ideologia, o de enfurecer o “gado” (qualquer pessoa que não seja um mascu) e o de tentar incriminar inimigos. Em cada um dos sites ele colocava o nome completo de algum desafeto como autor, como por exemplo o meu marido, Silvio, com direito a fotos e endereço residencial e comercial. Silvio também teve que registrar boletim de ocorrência, já que Marcelo tinha/tem grande obsessão por ele. Marcelo não se conforma que uma feminista seja heterossexual, e que uma mulher gorda tenha um marido que a ame. Logo, vários de seus planos envolviam a destruição de Silvio.

Em outubro de 2015, Marcelo inovou e criou um site com discurso de ódio no meu nome. Havia fotos minhas, link pro meu currículo Lattes, meu endereço e telefone residenciais em cada post. O objetivo confesso de Marcelo era que o “gado” me reconhecesse na rua e me linchasse. O site pregava coisas que eu jamais defenderia: aborto para fetos masculinos, infanticídio e castração de meninos, queima de bíblias, racismo. Num post “eu” (já que o blog era escrito em primeira pessoa, com meu nome) me vangloriava de ter realizado um aborto numa aluna em sala de aula, na UFC. O site viralizou, graças à divulgação de figuras reacionárias conhecidas, como o guru da extrema-direita Olavo de Carvalho e Roger Moreira, do Ultraje a Rigor. Eles sabiam que o site era falso e o divulgaram mesmo assim. Antes disso, na mesma semana em que o site foi lançado, Emerson, que havia reatado a amizade com seu ex-comparsa Marcelo, me denunciou ao Ministério Público como autora do site – e o MP acatou a denúncia. Foi surreal.

Entre janeiro de 2012 e abril de 2017, eu registrei 11 boletins de ocorrência contra Marcelo e sua quadrilha. Não foi fácil. O Estado do Ceará, onde vivo, não tem delegacia de crimes cibernéticos (e mesmo os 16 Estados que contam com esta delegacia ainda estão focados em crimes patrimoniais, não crimes contra direitos humanos). A Polícia Civil tem muitos outros crimes para resolver, e talvez lhe falte infraestrutura para lidar com sites anônimos hospedados em outros países. Na Delegacia da Mulher, a primeira pergunta feita pela escrivã é: o quê o agressor é seu? E Marcelo não é nada meu, graças à deusa, nem o conheço pessoalmente, nunca o vi, nunca falei com ele. E a Polícia Federal deixou claro que não investigaria as ameaças contra mim porque, segundo um superintendente que entrou em contato comigo em 2015 por e-mail, a PF só investiga crimes em que o Brasil é signatário internacional, como racismo e pornografia infantil (crimes pelos quais Marcelo também foi condenado). Só em abril de 2017, a Delegacia da Mulher finalmente me ouviu num depoimento de cinco horas ininterruptas e abriu um inquérito, que foi logo encaminhado para a PF.
Em abril deste ano, foi sancionada pelo presidente Michel Temer a lei nº 13.642/18, também conhecida como Lei Lola, em minha homenagem.
Mas nem tudo foi negativo. Por causa desta “verdadeira caçada, uma perseguição impiedosa pontuada por um jogo pérfido e sádico promovido por Marcelo em face de Dolores Aronovich Aguero, professora da Universidade Federal do Ceará”, como definiu  um desembargador federal em auto de setembro de 2018 para indeferir o pedido de habeas corpus de um advogado de Marcelo, a deputada federal Luizianne Lins (PT-CE) apresentou um projeto de lei para fazer com que a Polícia Federal investigue crimes de ódio contra mulheres na internet.

O projeto foi aprovado na Câmara dos Deputados em dezembro de 2017, durante os 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres, no Senado na semana do dia 8 de março (Dia Internacional da Mulher), e foi sancionado pelo presidente em exercício Michel Temer em abril deste ano. É a lei nº 13.642/18, também conhecida como Lei Lola, em minha homenagem.

Um mês depois da sanção da lei, a Operação Bravata prendeu Marcelo. Teria também prendido Emerson, mas ele está foragido na Espanha. A Polícia Federal disse, na ocasião, que os crimes cometidos por Marcelo somavam 39 anos. No dia da sua prisão, pela qual eu aguardara ansiosamente durante cinco anos, tive que cancelar minha aula na pós-graduação. A felicidade era grande demais e, além disso, muitos veículos de comunicação me procuraram para entrevistas.

Porém, um mês depois, um fato veio para abalar minha satisfação e alívio. No dia 15 de junho, no Dogolachan, um rapaz de 29 anos chamado André, codinome Kyo, que fazia parte da quadrilha de Marcelo havia sete anos, e que inclusive era moderador do chan, deixou uma mensagem no fórum afirmando que não aguentava mais a sua vida e que iria cometer suicídio. Recados como esse eram frequentes, e mais frequente ainda foi a resposta: “Leve a escória junto”.

Vários membros do chan se prontificaram para pagar a passagem aérea de André, habitante de Penápolis, interior de SP, para Fortaleza, para que ele pudesse me matar e depois se suicidar. Na mesma noite, André saiu às ruas de sua pequena cidade, abordou duas moças que jamais havia visto, atirou pelas costas na nuca de uma delas, e se matou. Sua vítima, Luciana de Jesus do Nascimento, 27 anos, permaneceu vinte dias internada na UTI, e faleceu em 5 de julho. Para quem acha que mascus vão só fazer ameaças vazias, é bom se lembrar de Luciana.

Isto que contei aqui é apenas um resumo. Há muito, muito mais. Afinal, Marcelo e sua quadrilha me atacaram (e a muitas outras pessoas também) entre 2011 e 2012, e entre 2013 e 2018. Foram mais de sete anos de inúmeras ameaças (a mim e também a meu marido e minha mãe), de difamações, de mentiras contra mim, de sites no meu nome e no do meu marido. Nem mencionei a quadrilha ter enviado um e-mail para o reitor da minha universidade, dois dias antes do Natal de 2016, prometendo um atentado a bomba que mataria 300 pessoas na UFC caso eu não fosse exonerada. Ou as ameaças e ataques que Marcelo e sua gangue fizeram a duas advogadas minhas quando uma juíza determinou que eu não precisaria ir a Curitiba ficar frente a frente com um psicopata que me ameaçava há anos, num dos processos que ele moveu contra mim. Pois é, é tão surreal que os caras que te atacam, ameaçam e difamam são os mesmos que tentam te processar por danos morais.

Muita gente me pergunta como aguentei tudo isso durante tanto tempo. Bom, eu sei que sou forte. Eu vejo como outras pessoas reagem quando são atacadas de um jeito muito mais discreto. Eu tenho uma certa maturidade, a vantagem de ter começado um blog feminista quando eu já tinha 40 anos. E é maravilhoso contar com meu marido, que sempre me apoiou. Meu bom humor também é uma defesa fundamental. Rir realmente é o melhor remédio muitas vezes.

Mas talvez o principal motivo da minha resistência foi sempre lembrar quem eu sou, e quem são eles. Eles são seres cheios de ódio e não me atacam porque sou Lola (eles sequer me conhecem), mas por eu ser feminista. Um dos maiores elogios que já recebi foi do presidente da SaferNet, Thiago Tavares, que conheci num evento inspirador para jovens ativistas em Manaus, em agosto. Ele me elogiou por, apesar de todos os ataques recebidos, jamais me rebaixar ao nível dos misóginos. Não sou nenhuma santa, não tenho pena, mas não odeio Marcelo, nem quero sua morte, muito menos que ele seja torturado ou estuprado na prisão. Estou radiante com sua condenação e espero que ele fique na cadeia durante muitos anos. Mas sei que seu pior castigo é saber que, apesar de tanto esforço, ele não conseguiu nos calar.

Lola Aronovich
No The Intercept
Leia Mais ►

Os tentáculos de Bolsonaro contra Cuba

Bolsonaro está de olho em Washington e na administração Trump, facilitando seu andaime político anti-cubano e anti-venezuelano para aconselhar o binômio Jair-Eduardo, pai e filho

Entre você e eu, Eduardo Bolsonaro com Orlando Gutiérrez em Miami, tal para qual.
Foto: Twitter
Seria ingênuo acreditar que o ataque de Jair Bolsonaro contra os médicos cubanos para que abandonassem o Brasil, não faça parte de um plano maior, cujos tentáculos estão vindo à luz, embora não tenha assumido a presidência.

Mas já está claro até que ponto consegue chegar com suas intrigas contra a Ilha que salvou a vida de milhares de seus conterrâneos e atendeu com meticuloso profissionalismo a milhões deles.

Bolsonaro está de olho em Washington e da administração Trump, que já vai para ajudá-lo, não apenas com conselhos, mas facilitando seu andaime político anticubano e anti-venezuelano para aconselhar o binômio Jair-Eduardo, pai e filho.

Todos os dias aparece um novo elo: a reunião efusiva de Jair com o assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, onde a questão principal foi a Venezuela e Cuba, e não apenas exatamente para reconhecer os avanços dos dois países nas áreas da saúde, educação, trabalho e outros benefícios com impacto direto na população ou sua solidariedade comprovada.

Em Miami, o filho do novo presidente, Eduardo Bolsonaro, realizou um encontro amistoso com Orlando Gutierrez, um dos piores representantes da máfia cubano-americana, ligado a terroristas e funcionários assalariados da Usaid. É o principal chefe em Miami da campanha da oposição contra a menor abertura de relações, como ocorreu durante a presidência de Barack Obama.

Para deixar um registro gráfico de sua posição, na mencionada visita Eduardo Bolsonaro posou diante das câmeras com o terrorista de origem cubana Orlando Gutiérrez.

Em um tweet, o filho do presidente brasileiro enfatizou: "a esquerda se uniu e gerou uma sangrenta ditadura em Cuba. É hora de unirmo-nos para desfazer a fera que eles fizeram".

Para mostrar tal e qual é, Bolsonaro junior exibiu em Miami uma camiseta com a inscrição: "Seja bom, não seja comunista".

No caso de seu anfitrião, Orlando Gutierrez, em nome de uma chamada Assembleia da Resistência Cubana, chefiou nos últimos tempos, desde a rejeição à viagem dos cruzeiros para a Ilha, até o chamado ao "exílio" para tomar medidas a favor da criação de uma nova República.

Nota: isto último não explica, mas imagino que essa "nova República" seja a de mais uma estrela na bandeira dos Estados Unidos.

Como "cartão de crédito" com a nova administração estadunidense, Gutiérrez e outros atrasados dos que vivem do negócio miserável da contrarrevolução, dirigiram uma mensagem a Donald Trump para "agradecer pelas novas medidas implementadas contra Cuba".

Esse homem e outros latino-americanos de sua raça foram convocados pelo deputado da extrema direita filho do presidente, Eduardo Bolsonaro, ao qual eles mesmos chamam de uma "Cúpula Conservadora das Américas", a ser realizada no dia 8 de dezembro, em Foz do Iguaçu, cidade localizada na tríplice fronteira entre o Brasil, a Argentina e o Paraguai. Entre os participantes confirmados estão José Antonio Kast, da extrema direita que alcançou 8% dos votos nas eleições presidenciais chilenas; Orlando Gutiérrez, em nome da máfia cubano-americana de Miami; Jorge Jérez Cuéllar, general colombiano da reserva, e o opositor venezuelano, Miguel Ángel Martín. O ex-presidente colombiano Álvaro Uribe também foi convidado.

Se Jair Bolsonaro e seu filho Eduardo promoveram alianças com personagens como Orlando Gutiérrez e outros terroristas nos Estados Unidos, como podemos acreditar que a campanha contra os médicos cubanos no Brasil só tenha sido uma iniciativa do novo presidente e não um plano assessorado de Washington destinado contra Cuba e Venezuela, fundamentalmente?

Elson Concepción Pérez
No Granma
Leia Mais ►

Na ditadura Manual orientou perseguição a comunistas

O general Adalberto Pereira dos Santos (1905-1984) (Direita), vice-presidente do governo Geisel, 
que aprovou e colocou em prática manual que orientou perseguição a comunistas
durante a ditadura militar
Um documento encontrado por um pesquisador na cidade de Santos (SP) evidencia que o Estado-Maior do Exército distribuiu material com orientações para que autoridades militares perseguissem pessoas consideradas comunistas durante a ditadura militar (1964-1985).

Trata-se do “Manual de Campanha C 100-20 - Guerra Revolucionária”, um livro de 266 páginas que indica ter sido impresso em 1969 pelo Estabelecimento General Gustavo Cordeiro de Farias (EGGCF), a gráfica do Exército.

Segundo quatro especialistas no período de ditadura militar consultados pela reportagem, trata-se de uma publicação rara.

De circulação interna e tiragem de 5.000 exemplares, o manual registra ter sido aprovado e colocado em prática pelo então general do Exército e chefe do Estado-Maior do Exército, Adalberto Pereira dos Santos (1905-1984).

Vice-presidente no governo de Ernesto Geisel (1907-1996), Santos foi membro do Conselho de Segurança Nacional, que, em 13 de dezembro de 1968, aprovou o Ato Institucional número 5.

O decreto permitiu o fechamento do Congresso Nacional, cassação de mandatos políticos e suspensão do direito de habeas corpus pelo governo de Costa e Silva (1899-1969).

O manual do Exército contextualiza a Guerra Fria como sendo o período em que a humanidade se defrontou com duas grandes correntes ideológicas, o comunismo e a democracia.

“Às Forças Armadas, parte integrante da nação e, como ela, democráticas por convicção, cabe indiscutivelmente papel essencial nessa vigilância”, diz um dos trechos do manual, que argumenta ter havido um contragolpe para evitar uma revolução comunista em março de 1964.

Embora também discuta a questão das guerrilhas, o foco da publicação do Exército é a “arma psicológica” que seria utilizada por subversivos por meio de propagandas, livros e encontros em associações civis, estudantis, sindicais e até mesmo no âmbito do Ministério da Educação — que estaria sofrendo uma sistemática doutrinação “marxista-leninista”.

Em certos pontos, o documento apresenta uma perspectiva dos dissidentes que beira a paranoia.

“Pela lavagem cerebral, destrói-se a personalidade dos indivíduos”, diz o manual.

Em outros, descreve os aspectos brutais da repressão. Um dos capítulos, por exemplo, narra as “ações destrutivas” dos supostos agentes da revolução comunista com o fim de desmoralizar o governo e atingir a ordem social.

Algumas dessas ações seriam as greves de operários, as passeatas e os comícios considerados ilegais pelo regime militar.

Ao descrever o comportamento dos rebeldes, o manual menciona que eles desafiam as autoridades para provocar o “derramamento de sangue” e criar os “mártires da revolução”.

“A massa é levada a considerar a ‘missão sagrada de não trair a fé dos mártires mortos’. E o sangue derramado pode transformar o mais banal dos acontecimentos em um fato de grande repercussão, por sua exploração emocional”, diz o texto.

No entanto, o conceito de “guerra revolucionária” nele abordado já foi encontrado em outras publicações militares, como no “Mensário de Cultura Militar” e no “Boletim de Cultura Militar”.

Para João Roberto Martins, professor de ciências políticas da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), a publicação tem importância histórica.

“A leitura desse documento parece comprovar que a repressão e a tortura tinham um sólido fundamento ideológico”, diz Martins.

O professor explica que a doutrina da “guerra revolucionária”, definida como guerra interna com viés ideológico, fora importada pelos militares latino-americanos do Exército francês, que a empregava junto a práticas violentas nos conflitos na Indochina (Sudeste Asiático) e na Argélia.

Eduardo Heleno de Santos, professor do Instituto de Estudos Estratégicos da UFF (Universidade Federal Fluminense), que tem convênio com órgãos militares, também avalia a influência da doutrina no aparato repressivo.

“Um dos aspectos mais importantes é que ela assume a ideia de um inimigo interno”, diz.

O pesquisador aponta que o setor militar, que sempre agregou correntes ideológicas distintas, com destaque para o pensamento conservador, hoje segue rumo à institucionalização.

“O mundo deles está muito mais próximo das missões de paz [da ONU], e a valorização deles também”.

O documento menciona, ainda, outras duas publicações, supostamente, com estudos complementares: “Manual C-33-5 Operações Psicológicas” e “Manual de Campanha C-31-16 Operações Contra Guerrilhas”.

A reportagem enviou a publicação na íntegra ao Exército Brasileiro e fez questionamentos sobre o seu conteúdo. A instituição respondeu com a seguinte nota:

“O Centro de Comunicação Social do Exército informa que deve prevalecer neste momento um espírito de conciliação entre todos, civis e militares, tendo como ideal a reconstrução de nossa pátria. Com este espírito é que a instituição continuará cumprindo suas missões constitucionais, contribuindo para o desenvolvimento do País”, declarou o Exército.

O Exército também diz que o manual não é mais utilizado e que não pode avaliar se o documento é autêntico. "O referido manual foi revogado, tendo vigorado em um momento longínquo da história do país, não sendo possível, portanto, atestar a autenticidade das imagens enviadas."

Alline Magalhães
No fAlha
Leia Mais ►

Para que serviam os misteriosos desenhos gigantescos no Peru?


Cientistas dos EUA e do Canadá chegaram à conclusão de que os misteriosos geoglifos de Nazca, no Peru, serviam como templos "rodoviários" que garantiam a segurança durante as viagens das pessoas pelo planalto, anunciou a revista Antique.

Segundo o jornal, os geoglifos são grandes figuras traçadas no chão (geralmente com mais de quatro metros de extensão), em morros ou regiões planas. As linhas e geoglifos de Nazca são desenhos geométricos gigantes, que foram traçados no planalto de Nazca até aproximadamente o século XII. Hoje, os cientistas conhecem 30 desenhos de animais e objetos, além de centenas de figuras e linhas.

Devido ao seu grande tamanho, os geoglifos só podem ser vistos do céu. Ao longo do tempo, surgiram várias teorias sobre a razão de ser destes desenhos, incluindo terem funções rituais ou astronômicas.

Os especialistas estudaram os geoglifos no vale do rio Sihuas, bem como as trilhas antigas próximas, usando um veículo aéreo não tripulado e através de reconhecimento terrestre.

Com base nos dados obtidos, eles realizaram uma análise e modelagem de simulação. Descobriu-se que as trilhas e os geoglifos, muito provavelmente não estavam localizados aleatoriamente entre si, mas, ao contrário, estão intimamente relacionados.

Segundo os pesquisadores, os geoglifos serviram como templos "rodoviários" que garantiam a segurança dos antigos peruanos durante suas viagens pelos pampas.

No Sputnik
Leia Mais ►

A tentativa de sequestro do governo de Fátima Bezerra

https://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2018/12/26/a-tentativa-de-sequestro-do-governo-de-fatima-bezerra/

Há uma clara tentativa de sequestro da vitória obtida nas urnas pelo PT no Rio Grande do Norte. Ou o PT se prepara para mais essa batalha com toda a inteligência que acumulou em algumas derrotas nesses últimos tempos ou será derrotado de novo.


Fátima Bezerra, do Rio Grande do Norte, foi a única governadora eleita pelo PT em 2018. Todos os outros vitoriosos da sigla foram reeleitos, Rui Costa (Bahia), Camilo Santana (Ceará) e Wellington Dias (Piaui). Para atingir este objetivo, a futura governadora teve de superar uma campanha duríssima em que derrotou todas as oligarquias locais (Maia, Alves, Ciarlini e Faria – do atual governador Robison Faria) que se juntaram contra ela.

No segundo turno, seu adversário foi Carlos Alberto Alves, o Cadoca, que renunciou a prefeitura de Natal para enfrentá-la. Sobrinho do ex-governador e ex-ministro Aluísio Alves e primo do ex-governador Garibaldi Alves, que se candidatou ao Senado e teve apenas 13% dos votos.

Cadoca fez uma campanha agressiva e mesmo sendo do PDT apoiou Bolsonaro na reta final. Como o Rio Grande do Norte não é São Paulo, a estratégia que deu certo para Doria não foi suficiente para ele.

Como também não deu resultado a tática Aécio Neves para José Agripino Maia, que não buscou renovar seu mandato de senador e saiu candidato a deputado federal. Com apenas 64 mil votos, ele não se elegeu.

Acontece que fechada as urnas, os derrotados não esperaram sequer a Páscoa para iniciar a oposição. Antes mesmo da posse de Fátima Bezerra lançaram-se numa Blitzkrieg que ameaça a sua segurança e a do seu mandato.

O mais grave desses eventos foi o assassinato do soldado da Polícia Militar João Maria Figueiredo, que fazia a segurança de Fátima Bezerra. Ele foi executado no dia 21/12 e as investigações apontam que a munição utilizada para o crime é de uso exclusivo da polícia.

Além deste crime bárbaro, a operação de intimidação à Fátima tem também componentes políticos-jurídicos. Um candidato impugnado pela justiça eleitoral pode vir a ter seus votos considerados válidos o que retiraria do Congresso o petista Fernando Mineiro, um dos mais experientes do partido do Rio Grande do Norte.

Quem se elegeria seria Beto Rosado, parente da ex-governadora e atual prefeita de Mossoró Rosalba Ciarlini. E o derrotado José Agripino Maia, com essa manobra, se tornaria o primeiro suplente. Podendo assumir o mandato a qualquer momento.

Afora todas essas ameaças, Fátima deve assumir um estado falido. O atraso nos salários do funcionalismo deve chegar a três meses em 1º de janeiro. A dívida calculada é de 2,6 bilhões.

Evidente que isso pode gerar um descontrole administrativo nos primeiros meses do mandato, porque o governo não terá recursos para nada.

Pelo jeito é com isso que contam seus adversários para tentar um golpe rápido e tirá-la do poder.

Há uma clara tentativa de sequestro da vitória obtida nas urnas pelo PT no Rio Grande do Norte. Ou o PT se prepara para mais essa batalha com toda a inteligência que acumulou em algumas derrotas nesses últimos tempos ou será derrotado de novo. Mesmo tendo vencido.
Leia Mais ►

Será fumo estragado?

Futuro chanceler ataca formadores de opinião e diz que Deus está sendo libertado

Eles se merecem
O futuro chanceler Ernesto Araújo publicou em seu blog, o Metapolítica 17, um texto em que ataca os “formadores de opinião”.

"Algo está acontecendo no Brasil, colocando-nos na vanguarda de um processo mundial. Estamos derrubando as barreiras que separavam vários aspectos da vida e do pensamento humanos. As barreiras entre a vida material e a espiritual. Entre a economia e os valores profundos. Entre a política e o povo", escreveu.

"A elevação dessas barreiras, cada vez mais altas, vinha ameaçando sufocar a humanidade, com a regra absurda de que política é só política, economia é só economia, diplomacia é só diplomacia”, continua. “Cada neurônio em um cubículo, sem se comunicar com os demais. Isso gerou sociedades técnicas, frias, sem viço. Embruteceu o pensamento humano."

Segue:

"Estamos derrubando essa horrível prisão do espírito feita de tantas celas solitárias. De repente, as ideias se reconectam aos sentimentos. As pessoas se reconectam aos seus próprios anseios profundos. Os cidadãos se reconectam uns aos outros e descobrem que formam uma nação. O próprio Deus, que era um prisioneiro triste acorrentado em uma daquelas celas, recomeça a circular livremente pela alma humana."

Por fim, destacou:

"Por algum motivo, isso apavora alguns ‘formadores de opinião’. Eles adoravam aquele mundo confortável, tautológico, onde bastava repetir frases feitas, respeitar os muros da própria cela, e estava ganho o seu dia. Isso acabou, mas eles se recusam a ver e se desesperam: ‘Cadê a parede que estava aqui? Cadê a minha obviedade? O que é isto que está vindo ali? Uma ideia original? Um sentimento verdadeiro? Não! Não! Eu quero voltar para a minha cela!"

"Mas tenhamos a esperança de que, neste Natal, a alegria de aprender e compreender uma coisa nova, fora de seu cubículo, e de enxergar algo autêntico que está nascendo talvez ainda possa contagiar até mesmo aqueles ‘formadores de opinião’ e acender alguma faísca no seu cérebro e no seu coração."

Deus prisioneiro, ideias se reconectam com sentimentos, Brasil na vanguarda. Pelos absurdos que diz, dá para desconfiar que o futuro chanceler começou a festa de Natal muito antes da noite do dia 24. Deve ter bebido muito espumante.

Joaquim de Carvalho
No DCM
Leia Mais ►

Brasileira, filha de sudaneses, negra, ganhou prêmio internacional com sistema de dessalinização da água


O oba-oba de Jair Bolsonaro, ajudado pela mídia, em torno da “parceria” entre Brasil e Israel para projetos de dessalinização da água no Nordeste foi desmascarado pelo DCM.

Um programa foi implementado em 2004. A técnica é usada em nove estados.

Bolsonaro está festejando um ótimo negócio para as empresas israelenses.

O astronauta ministro Marcos Pontes vai à terra do amigo Netanyahu conhecer uma tecnologia que rendeu prêmio internacional a uma brasileira chamada Nadia Ayad. 

Nadia é negra e filha de sudaneses.

O site Conexão Planeta contou essa história em 2017 em matéria assinada por Suzana Camargo:

Nadia Ayad: prêmio internacional por projeto de dessalinização da água
Tido como uma matéria-prima revolucionária, o grafeno é um derivado do carbono, extremamente fino, flexível, transparente e resistente (200 vezes mais forte do que o aço). Considerado excelente condutor de eletricidade, é usado para a produção de células fotoelétricas, peças para aeronaves, celulares e tem ainda outras tantas aplicações na indústria.

Por ser considerado um dos materiais do futuro, ele foi escolhido como tema do Global Graphene Challenge Competition 2016, uma competição internacional promovida pela empresa sueca Sandvik, que busca soluções sustentáveis e inovadoras ao redor do mundo.

E a brasileira Nadia Ayad, recém-formada em engenharia de materiais pelo Instituto Militar de Engenharia (IME), do Rio de Janeiro, foi a grande vencedora do desafio. Seu projeto concorreu com outros nove trabalhos finalistas.

Nadia criou um sistema de dessalinização e filtragem de água, usando o grafeno. Com o dispositivo, seria possível garantir o acesso à água potável para milhões de pessoas, além de reduzir os gastos com energia e a pressão sobre as fontes hídricas.

“Com a crescente urbanização e globalização no mundo e a ameaça das mudanças climáticas, a previsão é de que num futuro não muito distante, quase metade da população do planeta viva em áreas com pouquíssimo acesso à água”, afirma Nadia. “Há uma necessidade real de métodos eficientes de tratamento de água e dessalinização. Pensei que a natureza única do grafeno e suas propriedades, incluindo seu potencial como uma membrana de dessalinização e suas propriedades de peneiração superiores, poderiam ser parte da solução”.

Como prêmio, a estudante carioca fará uma viagem até a sede da Sandvik, na Suécia, onde encontrará pesquisadores e conhecerá de perto algumas das inovações e tecnologias de ponta sendo empregadas pela empresa. Ela visitará ainda o Graphene Centre da Chalmers University.

Esta não será a primeira experiência internacional de Nadia. A engenheira brasileira já tinha participado do programa do governo federal Ciências Sem Fronteiras, quando estudou durante um ano na Universidade de Manchester, na Inglaterra. Agora ela pretende fazer um PhD nos Estados Unidos ou Reino Unido, pois acredita que, infelizmente, terá mais oportunidades para realizar pesquisas no exterior do que no Brasil.

Kiko Nogueira
No DCM

O Programa Água Doce (PAD) é uma ação do Governo Federal, coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente em parceria com instituições federais, estaduais, municipais e sociedade civil, que visa estabelecer uma política pública permanente de acesso à água de qualidade para o consumo humano, incorporando cuidados técnicos, ambientais e sociais na implantação, recuperação e gestão de sistemas de dessalinização de águas salobras e salinas. Lançado em 2004, o PAD foi concebido e elaborado de forma participativa durante o ano de 2003, unindo a participação social, proteção ambiental, envolvimento institucional e gestão comunitária local.

Leia Mais ►

As dúvidas sobre a indústria automobilística em 2018


Há dúvidas sobre o desempenho na produção de auto veículos no próximo ano.

O setor depende de dois fatores: as vendas internas e as exportações.

Exportações são afetadas por dois fatores: vendas internas e câmbio. Quando caem as vendas internas, as montadoras montam estratégias de venda, dependendo do câmbio e da situação econômica dos principais países importadores.

Já o mercado interno é afetado pela renda interna, disponibilidade de financiamento, níveis de endividamento familiar, formalização do emprego, substituição dos veículos. Ou seja, em períodos de crise, há um adiamento das decisões de compra de veículos novos. A frota familiar vai envelhecendo e, quando a crise arrefece um pouco, forma-se uma bolha de novas compras, até a demanda voltar aos níveis históricos.

As séries históricas

A análise das tendências mensais não permite muito otimismo.

2018 começou com uma recuperação da produção, em cima de uma base bastante debilitada de 2017.

Doze meses atrás, em novembro de 2017, a produção acumulada em 12 meses chegou a 2,7 milhões de veículos, dos quais
  • cerca de 2 milhões em vendas internas (11,1% a mais que em novembro de 2016)
  • enquanto as exportações saltaram para 764 mil (51,8% a mais que no período anterior).
Ao longo do ano, as vendas internas cresceram ligeiramente, chegando em novembro de 2018 em 2,3 milhões, no acumulado de 12 meses. Mas as exportações despencaram para 658,5 mil, devido principalmente à crise da Argentina.

Uma leitura linear desses números mostra uma certa estabilidade na produção.


Quando se mede a evolução percentual da produção, o quadro fica mais complicado.

Entre novembro de 2017 e novembro de 2018, o crescimento da produção (no acumulado de 12 meses sobre período anterior) caiu de +26,9% para 8,6%. O licenciamento interno de veículos nacionais bateu em 18,1% em abril deste ano. Depois caiu sucessivamente até chegar a 12,5% em novembro de 2018.

No desempenho de curto prazo, a situação também não é promissora. Em novembro, o acumulado de 12 meses caiu 0,2% em relação ao acumulado fechado em agosto. As linhas de longo, médio e curto prazo são descendentes.


A queda maior está nas exportações. Em novembro, o acumulado de  12 meses caiu 13,8% em relação a doze meses atrás. Não há sinais de recuperação.

A linha vermelha mostra o valor acumulado de 12 meses das exportações de autoveículos. As demais linhas, a variação anual, semestral e trimestral do acumulado de 12 meses.


No acumulado do ano, as exportações, que chegaram a bater uma alta de 15% sobre o mesmo período de 2017, despencaram para uma queda de 10%.


Há uma série de fatores que são ainda incógnitas na nova política econômica:
  1. O nível de câmbio. Manter a desvalorização atual ajuda nas exportações.
  2. A qualidade da recuperação do emprego. A redução dos empregos formais afeta diretamente a capacidade de tomar financiamento.
  3. A flexibilização da política monetária e alguma ação para reduzir o nível de inadimplência.
A análise dos últimos anos impede uma constatação mais grave. 

Volta-se aos níveis de produção de fevereiro de 2008. Nas exportações, volta-se ao nível de março de 2005.

Luís Nassif
No GGN
Leia Mais ►

Netanyahu dá “bolo” na posse de Bolsonaro. E o Queiróz?


Bibi, Benjamin Netanyahu, o primeiro-ministro israelense, não estará mais na posse de Jair Bolsonaro, dia 1°, em Brasília, diz a Folha.

Ainda vem ao Brasil, almoça com o presidente eleito no Forte de Copacabana e se manda, para cuidar de seus problemas eleitorais em Israel.

Bolsonaro, batizado no Rio Jordão e que arrumou encrenca com nossos parceiros comerciais árabes com a declaração de que nossa embaixada iria para Jerusalém, ficou pagão.

É, em parte, o resultado desastroso da “diplomacia com partido” que o novo governo ensaia.

Mas é, também, o retrato de um país que, salvo nos anos Lula, fez sempre questão de ter uma importância política muito menos que a sua presença – já pequena – na economia mundial.

E que, agora, terá de enfrentar quase uma hostilidade aberta de boa parte da comunidade internacional, a começar da Europa.

À qual, agora, somam-se as provocações gratuitas dos “desconvites”, que já se ombreia à lista dos convidados.

Netanyahu será uma ausência só menos significativa que a da Fabrício Queiroz.

Fernando Brito
No Tijolaço
Leia Mais ►

Orquestra Maré do Amanhã



Leia Mais ►