25 de dez de 2018

Ideologia que prejudica o Brasil. Vamos pagar por uma tecnologia que já temos?


Bolsonaro anunciou nesta terça, dia 25, que fará parcerias com Israel para beneficiar o Nordeste com projetos de dessalinização de água.

Em seu perfil no Twitter, o sujeito afirmou que o futuro ministro de Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, aquele que vendia “travesseiros da Nasa”, visitará em janeiro plantações e o escritório de patentes no país do amigo Netanyahu.

Segundo a marquetolagem, em janeiro será implantada na região uma instalação piloto.

As empresas israelenses vão faturar bonito.

Essa técnica, que Bolsonaro quer fazer crer que é inédita e de outro mundo, é conhecida no país.


O repórter Alessandro Torres foi experimentar a água tratada no sertão do Ceará.

Cercada pelo mar, Fernando de Noronha ainda depende da chuva para o abastecimento. Ao todo, 40% da água consumida na ilha vêm de açude e de poços. Por isso, chegou a enfrentar um racionamento no começo do ano.

Isso não aconteceria se todo o abastecimento viesse do sistema de dessalinização, que tira o sal da água do mar, e é responsável por 60% do que chega às torneiras.

O mesmo processo é usado em comunidades no sertão do Ceará, onde a água do subsolo é salobra. Neste caso, a água dos poços é bombeada para o dessalinizador, que usa membranas para reter o sal.

Antes do dessalinizador, Dona Maria precisava comprar água que consumia. “A gente descobriu um santo para cobrir outro”, diz. 

A cada hora de funcionamento a máquina elimina o sal em até mil litros de água. A medida em que isso acontece ela vai sendo depositada em uma caixa e, depois, já está prontinha para o consumo. Água limpa como uma água mineral mesmo.

Mas, as membranas que separam o sal da água exigem manutenção constante. Hoje, o custo da dessalinização é cinco vezes maior que o da produção de água tratada, que é de R$ 0,33 a cada mil litros.

Quase 300 famílias de Maranguape estão há seis meses à espera do conserto do dessalinizador. (…)


Kiko Nogueira
No DCM
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Sheherazade acertou: Frota é um troglodita!

Na terça-feira passada (18), a juíza federal Adriana Freisleben de Zanetti, da 2º Vara de Osasco (SP), condenou o ator-pornô e deputado federal Alexandre Frota (PSL) por divulgar notícias falsas e criminosas contra Jean Wyllys (PSOL-RJ). O fascista foi punido com dois anos e 26 dias de detenção, mas a pena foi suavizada e transformada em multa de R$ 295 mil e prestação de serviços à comunidade – ele deverá picotar folhas de papel dos processos antigos que estão sendo descartados após a informatização da Justiça de Osasco. Descontente com a sentença, Alexandre Frota não recuou e passou a atacar a magistrada nas suas redes sociais. Admiradores do ator-pornô, excitados e tresloucados, também partiram para a baixaria no Facebook.

Agora, porém, podem ser punidos. No mesmo dia da decisão, o deputado provocador postou: “A Justiça de Osasco reduto do PT me condenou [sic]”. Ele ainda divulgou um vídeo zombando a juíza – que foi compartilhado pelos seguidores. Na gravação, ele corta folhas de papel com uma tesoura e finge chorar. A atitude gerou imediata revolta no Ministério Público Federal. A própria juíza ingressou com uma representação e já foi aberta investigação sobre injúria funcional, quando o agente público é insultado ao desempenhar sua função. A Procuradoria pediu ao Facebook a preservação do conteúdo das postagens ofensivas à magistrada, já que usuários poderiam apagar as mensagens. Em seguida, o caso foi encaminhado ao juiz federal Rafael Bispo, que determinou que o Facebook informe a identidade de cada pessoa por trás dos perfis que atacaram a juíza.

Adriana Zanetti ainda decidiu processar o deputado na esfera cível, por danos morais. A Associação dos Juízes Federais, que irá auxiliá-la no processo, divulgou nota dizendo que repudia “as agressões e reitera total apoio à magistrada... O respeito às decisões judiciais e ao Poder Judiciário é fundamental para a preservação do Estado Democrático de Direito”, diz a carta assinada pelo presidente Fernando Mendes. Como lembra reportagem da Folha, “esta não é a primeira vez que Alexandre Frota entra em colisão com um integrante do Judiciário. Em julho, ele foi condenado a indenizar em R$ 50 mil Luiz Eduardo Scarabelli por dizer que ‘o juiz não julgou com a cabeça, julgou com a bunda’, um processo movido por ele contra uma ex-ministra de Dilma Rousseff”. Arrogante e doidão, o deputado pode se arrepender das suas maluquices.

Nesse sentido, a jornalista Rachel Sheherazade, ex-musa da direita nativa que recentemente rompeu com seus seguidores, acertou na mosca ao postar na semana passada: “Não espere entender qualquer coisa que venha daquele troglodita. Perda de tempo! Já o denunciei na Polícia Civil. E ele responde a vários processos por calúnia, injúria e difamação. É um sujeito violento com as palavras e isso lhe rendeu votos dos seus semelhantes para elegê-lo”. Em seu Twitter, ela ainda acrescentou: “[Frota] não ativou o 'modo babaca'. Já veio assim de fábrica! Seja lá de onde esse troglodita tenha vindo". Infelizmente, esse "troglodita" e "babaca" foi eleito pelo "esperto" eleitor de São Paulo. Que tristeza!

Altamiro Borges
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Onde anda o motorista Queiroz, companheiro de pescarias de Bolsonaro?

Reprodução redes sociais
Vera Magalhães é colunista do diário conservador paulistano Estadão.

Ela contribui com a rádio Jovem Pan.

Josias de Souza é colunista do diário conservador Folha de S. Paulo, que emprestou um jornal para espalhar as mentiras da ditadura militar, a Folha da Tarde — e nunca pediu desculpas por isso.

Nenhum dele é esquerdista.

Porém, tanto Vera quanto Josias notaram o sumiço de Fabrício Queiroz, o motorista do senador eleito Flávio Bolsonaro que movimentou R$ 1,2 milhão em sua conta bancária durante um ano.

Fabrício sumiu. Alegando motivos de saúde, não apareceu no Ministério Público do Rio de Janeiro para explicar sua movimentação bancária.

Jair Bolsonaro, enquanto isso, tuitou e colocou no ar várias lives do Facebook. Discorreu sobre vários temas, sem nunca falar de Fabrício.

Flávio, o filho eleito senador, disse que cabe a Fabrício se justificar.

O colega de pesca de Jair Bolsonaro não apenas movimentou mais dinheiro do que seus salários — na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e na Polícia Militar do RJ — permitiam.

Ele empregou a ex-mulher, a atual e duas filhas no gabinete de Flávio Bolsonaro, além da enteada e do ex-marido da atual mulher. Seis pessoas ao todo.

Outro PM empregado por Flávio passou mais da metade do tempo do contrato em Portugal, recebendo normalmente no Brasil.

Nathalia, a filha do motorista Queiroz, trabalhou para Flávio e Jair Bolsonaro, primeiro na Alerj e depois na Câmara Federal, em Brasília.

Nunca saiu do Rio de Janeiro.

Nos dois casos, exercia ao mesmo tempo funções de recepcionista e professora de academias de ginástica na capital carioca.

A suspeita óbvia: a família Bolsonaro fazia caixinha com o salário de funcionários fantasmas.

O motorista Queiroz era o caixa.

Por isso, tinha sua conta bancária abastecida por outros funcionários de gabinetes parlamentares e sacava em dinheiro vivo.

Dinheiro público que repassava aos patrões.

R$ 24 mil foram destinados à futura dama Michelle Bolsonaro, de um suposto empréstimo que Jair diz ter sido de R$ 40 mil.

Será que os Bolsonaro submetiam os próprios funcionários ao “trabalho escravo” de que acusaram os médicos cubanos, menos o trabalho?

Atribui-se aos militares, sem que haja provas factuais disso, o vazamento do relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) que comprometeu Queiroz.

Seria uma forma de queimar a família Bolsonaro e fazer do Mito um refém.

Refém, o Mito faria tudo os que os militares mandarem, numa espécie de ditadura 3.0.

O ex-juiz Sérgio Moro, dissimulado, deu uma de joão-sem-braço: político, disse que Jair já explicou o imbroglio e que não cabe a ele investigá-lo.

Josias resumiu, em sua coluna:

O silêncio em relação a Queiroz não foi o único sinal do desaparecimento de Bolsonaro. Indicado para ocupar a poltrona de ministro do Meio Ambiente do governo a ser instalado em 1º de janeiro, o advogado Ricardo Salles foi condenado nesta quarta-feira por improbidade administrativa. Se o “mito” estivesse no controle das redes sociais, o sentenciado já seria a essa altura um ex-quase-futuro-ministro. Mas o fake-Bolsonaro não disse uma mísera palavra no Twitter ou Facebook. Com tantos indícios, os militares que compõem o alto comando da futura administração deveriam providenciar o aparecimento de Queiroz. De resto, precisam solicitar, urgentemente, um teste de DNA do sujeito que se faz passar pelo capitão. Está na cara que este personagem não é o Bolsonaro que 57 milhões de brasileiros escolheram para limpar o Brasil.

O filho mais novo de Bolsonaro, Carlos, considerado o pitbull da família pelo pai, já advertiu:

A morte de Jair Bolsonaro não interessa somente aos inimigos declarados, mas também aos que estão muito perto. Principalmente após sua posse! É fácil mapear uma pessoa transparente e voluntariosa. Sempre fiz minha parte exaustivamente. Pensem e entendam todo o enredo diário!

Estaria ele se referindo ao vice, Hamilton Mourão?

E o “jornalismo amigo” estaria trabalhando pelos militares?

No Viomundo
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Sobre o "chão" da Justiça — ou "Dai a César o que é de César"


A palavra "chão" é pouco notada. Mereceria mais atenção de nossa parte. Não só por seu sentido literal (o pedaço de solo sobre o qual caminhamos em determinado momento), mas pelo imenso sentido metafórico que carrega. Nem percebemos que "buscamos chãos que nos sustentem" a vida toda, através dos afetos, da religião, da luta política, da família, do erotismo, da arte... Mesmo os seres mais revolucionários, criativos, livres, independentes, precisam de "um chão" para vivenciarem sua existência. Hoje quero falar de um CHÃO que só percebemos o quanto é ESSENCIAL À VIDA, quando o tiram dos nossos pés: a justiça! 

É um chão tão óbvio, tão inerente ao viver em sociedade e mesmo em relação à vida de cada um de nós, que não enxergamos que nos apropriamos desse chão - a justiça, suas doutrinas, valores, culturas em determinado tempo e espaço, sua CONSTÂNCIA, a segurança que nos traz, etc. - como nos apropriamos do ar que respiramos - ou seja, é quase uma coisa inconsciente de nossa parte.

O normal nas nações civilizadas é acreditarmos que AO MENOS NA MAIORIA DAS VEZES, juízes, promotores, policiais serão corretos, isentos, republicanos, ou seja, JUSTOS! - é exatamente essa "sensação" que nos faz acreditar de modo natural que se compramos um carro, uma casa, ninguém poderá nos tomar - exceto pela força, e mesmo assim, a Justiça teria ou deveria ter meios - as leis e as instituições a elas devotadas - para que recuperemos a posse do objeto de nós roubado e a pena - punição - do transgressor dos meus direitos.

É acreditar que não serei preso por um policial sem motivos, apenas "porque ele teve o impulso de me prender", e ainda assim nos sentimos seguros, de que algum juiz nos mandará soltar de imediato e o policial será punido e afastado de suas funções. NÃO EXISTE VIDA SEGURA SEM UM CHÃO DE JUSTIÇA SOBRE O QUAL POSSAMOS VIVER NOSSAS VIDAS, EXISTIR SOCIALMENTE.

Medimos o grau de avanços, educação e civilidade de um país NA MESMA MEDIDA DA SOLIDEZ DO COMPORTAMENTO avançado, educado, civilizado de seus habitantes, tanto quanto na CRENÇA que eles têm e nós temos, na sua JUSTIÇA e em todas as instituições ligadas à sua aplicação. Viralizou nas redes sociais recentemente uma notícia que nos espantou a todos: a Holanda, fechando presídios por falta de condenados. Podemos considerar esse um dos ápices de civilidade, de avanço social - uma sociedade em que as pessoas auto-aplicam em suas vidas esse "ser justo" - cumpridores das leis e normas civilizatórias de convívio social - ao ponto das condenações judiciais caírem drasticamente.

No Brasil, vivemos exatamente um momento oposto, na verdade, nosso PIOR momento em relação a esse chão, a Justiça. Não só nas instituições, mas por parte da sociedade civil, tragicamente, um movimento ENCABEÇADO POR NOSSAS ELITES SOCIAIS E NOSSAS CLASSES MÉDIAS, guiados como um rebanho fanático e tosco por uma das mídias mais farsescas, vis e perversas do planeta.

No "mundo-matrix à brasileira" que sintetiza o país que viramos, NÃO HÁ JUSTIÇA EM QUE CONFIAR, salvo em causas do cotidiano, e mesmo assim, uma justiça cara, lenta, em que intuímos que só "receberemos justiça", se dermos a "sorte" de nossa causa cair nas mãos de um juiz justo - somos o pobre país em que ser tratado com dignidade e seriedade pelo Judiciário e Ministério Público, mesmo pelas polícias diversas, é como uma "loteria" - você pode ganhar, você pode perder... e isso independentemente de todos os direitos eminentes estarem do seu lado em determinada causa.

Foi a Globo principalmente, aliada ao juiz-celebridade Sérgio Moro, quem detonou esse chão bendito, a Justiça, no nosso país. Metódico, frio, calculista e sabendo dar um passo de cada vez, testando o seu poder, que Moro foi construindo a operação mais NEFASTA E PERVERSA montada pelo Judiciário no Brasil, em todos os tempos: A Lava Jato! Um dia, sociólogos, juristas, historiadores, se debruçarão anos a fio, para explicarem às gerações futuras, - perplexas e horrorizadas com o nosso grau de incivilidade... - como e porque chegamos a esse ponto inacreditável, dantesco, de quebra de direitos, perseguição pela sociedade, mídia e instituições, de um líder político, - Lula - seu partido, - o PT - os familiares e amigos do ex-presidente, usando de modo farsesco, cínico e absolutamente deturpado a lei das delações premiadas. Ao mesmo tempo em que políticos como Aécio Neves, Alckmin, Caiado, Temer, e tantos outros corruptos com provas contra si insofismáveis, riam, livres e protegidos por essas mesmas instituições.... - ou seja, quando PERDEMOS DE VEZ O CHÃO DA JUSTIÇA PARA VIVERMOS COMO UMA NAÇÃO CIVILIZADA.

Somos a sociedade que tirou Dilma do poder para colocar em seu lugar Michel Temer e a quadrilha do PMDB associada à quadrilha dos tucanos e assemelhados. Somos a sociedade que passou a chamar nas ruas, gênios aplaudidos em todo o mundo, como Chico Buarque, de "merdas", "petralhas", "vendidos", porque banhados em um nojo e um ódio muito semelhante ao ódio nazista. Somos a sociedade que se espanta, chora, fica de luto, se morre em Ipanema ou Leblon, ou nos Jardins em São Paulo, "um dos nossos", um "semelhante", em um assalto, mas ficamos absolutamente indiferentes, se nossas polícias matam uma dezena de jovens negros "numa favela qualquer..."

Somos a sociedade que aceita e festeja a farsa canhestra, nonsense, absurda, canalha, perversa, da condenação de Lula baseada em um triplex que comprovadamente nunca lhe pertenceu. Somos a sociedade que não se importa que as prisões temporárias de centenas de empresários pelas mãos de Moro, prisões nitidamente transformadas em TORTURA FÍSICA E MENTAL, tenham sido usadas como uma chantagem sórdida, para que os presos delatassem EXATAMENTE DE ACORDO COM OS INTERESSES dos procuradores, da mídia, de Moro, da própria sociedade, tornada fanática, enferma, cega, injusta...

Somos a sociedade, por fim, capaz de eleger um dos seres mais BESTIAIS do planeta, desprezado como um lixo humano por todos os intelectuais e estadistas mundo afora, como nosso presidente... Somos a sociedade que não se importou com o "aeroporto do titio" de Aécio Neves, uma vergonha absurda, 14 milhões investidos nas terras de um familiar, e mesmo assim ele teve 50 milhões de votos em 2014. Somos a sociedade que uiva de ódio a qualquer denúncia sem provas contra o PT, e sossega em tranquilidade dominicana, se desaparece o "Queiroz", o motorista envolvido na lavagem de dinheiro sujo da família Bolsonaro... Ah, se fosse o "Lulinha" a ter um motorista desses, e dona Marisa a receber cheques de 24.000,00 de um laranja.... Haja "indignação" dos "brasileiros de bem".

Uma das mais perfeitas sentenças sobre "o que é ser justo", vem do Cristo, nos evangelhos: "Dai a César o que é de César." Como podemos interpretar essa máxima? Como ela é, genial, humana, e de simplicidade quase absurda!

Dar a César o que é de César e dar a cada ser humano o quinhão que lhe cabe de tolerância, direitos, oportunidades, enfim, JUSTIÇA!

É dar às mulheres, proteção contra a violência covarde e machista. É dar aos presos, dignidade no cumprimento de suas sentenças e meios concretos de educação e cidadania ao saírem da cadeia. É dar às crianças - via seus pais ou por quaisquer outros meios... - alimentação, uma casa digna, estudo, educação, saúde, para que não cresçam sem esperança, sem futuro, em vidas pré-programadas para uma miséria anunciada... É dar aos cidadãos uma mídia plural, democrática, e não um monopólio cruel de poucas famílias. É dar a todos o mesmo tratamento legal, os mesmos direitos, e não essa vexaminosa blindagem aos políticos ligados à nossa direita e todo o massacre às lideranças de esquerda. É proteger juízes, procuradores, cada cidadão, da perseguição e chantagem que a mídia faz descaradamente quando quer assassinar a reputação de uma autoridade, causando o efeito do medo e criando um curral fiel nas instituições. É dar ao povo o direito soberano de escolher seus governantes e programas de governo e respeitar de fato sua decisão. . Somos esse trágico país a quem foi roubado o chão da justiça. Lula preso e Bolsonaro empossado, com Moro como o novo super-ministro com poderes absolutistas...

Quem mantém a lucidez, a dignidade pessoal e cidadã, está impotente, desamparado, porque aqueles a quem recorreríamos nesses momentos de grande injustiça, FAZEM PARTE DO GOLPE, do massacre, da perseguição ao lado adversário, da blindagem total aos amigos...

Somos o país em que "Dar a César."

NADA SIGNIFICA! Se César for Lula, o massacre selvagem, que lhe custou inclusive a perda da companheira, que não resistiu a tanto horror. Se César for Aécio, Bolsonaro, ou mesmo um simples motorista, "o Queiroz", ah.... aí tudo é permitido.

Esse é o motivo do nosso desconforto, nosso desespero. A perda desse chão essencial chamado JUSTIÇA.

Recuperá-lo para os nossos pés, com tudo o que ele representa - democracia, isonomia de tratamento a todos os cidadãos, segurança quanto ao cumprimento das leis... - é pois a nossa mais urgente necessidade. Pessoal e social.

Não há vida possível sem esse chão civilizatório para os nossos pés!

Eduardo Ramos
No GGN
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Filha da elite política catarinense, Gabriela Hardt segue perfil autoritário de Moro

Genealogia da juíza que substitui Sergio Moro na Lava Jato mostra raízes conservadoras e oligárquicas

Juíza desde 2009, Hardt assumiu o posto de substituta da 13ª Vara Federal em 2014.
Reprodução/Facebook
“É tempo de responder às minhas perguntas. Eu não vou responder interrogatórios nem questionamentos aqui. Está claro? Está claro que eu não vou ser interrogada?”. Logo nos minutos iniciais de seu interrogatório com ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 14 de novembro, a juíza Gabriela Hardt deixava nítido que não iria despender simpatia ao ex-presidente. Naquele dia, o “pulso firme” da substituta de Sergio Moro foi comemorado pelos defensores dos métodos autoritários da Operação Lava Jato.

Juíza desde 2009, Hardt assumiu o posto de substituta da 13ª Vara Federal em 2014. Desde que Moro pediu exoneração do cargo de juíz federal para assumir o posto de Ministro da Justiça do governo Bolsonaro, é ela quem assume os processos da Lava Jato. Hardt ficará no cargo até o dia 30 de abril de 2019, quando o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) deve escolher o novo titular da Vara.

No dia do depoimento do ex-presidente Lula, a presidenta nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Gleisi Hoffmann, afirmou que Gabriela Hardt é a “sequência do que Sergio Moro quer”, dizendo também que a juíza é amiga de Moro e assumiu seu posto para “seguir o roteiro de condenar Lula”. 

De fato, a relação de Hardt e Moro vai além de uma simples substituição de cargo. Os perfis dos juízes fazem parte de uma estrutura conservadora e oligárquica que caracteriza o poder judiciário brasileiro. Nas palavras de Ricardo Costa de Oliveira, Professor do Departamento de Ciência Política e Sociologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a maioria dos magistrados brasileiros “nascem da mesma bolha de privilégios, representam uma tradição autoritária da elite estatal, estão sempre dentro do Estado, se beneficiando dos melhores salários, das melhores pensões, dos melhores recursos e do privilégio estatal”. 

Oliveira já debruçou sobre as origens familiares de membros da Operação Lava Jato, na pesquisa intitulada “Prosopografia familiar da Operação Lava Jato e do ministério Temer”. No artigo, o professor afirma que não se pode compreender os agentes da Operação como “indivíduos abstratos, que agem de “acordo com o que ‘diz a lei’”. É preciso, antes de tudo, “compreender a rede de relações sociais, profissionais, políticas e ideológicas que constituem estes agentes”.

Oligarquia catarinense

A “bolha de privilégios” na qual Gabriela Hardt nasceu foi formada em Indaial, um município do Vale do Itajaí, no estado de Santa Catarina, com aproximadamente 66 mil habitantes. O sobrenome Hardt, ali, está em uma das ruas principais, em avenida, no parque municipal, na escola de educação básica municipal e nas fachadas de uma rede de lojas de departamento e confecções. 

A genealogia de Gabriela remonta à elite política da pequena Indaial: seu bisavô, Frederico Hardt, foi o primeiro prefeito de Indaial, pela Aliança Liberal, entre os anos de 1934 e 1941; também da família, Alfredo Hardt foi prefeito entre 1961 e 1966; já entre 1993 e 1996, o tio da juíza, Frederico João Hardt, assumiu a prefeitura de Indaial, pelo PMDB, com vice do PSDB. 

Na década de 1920, Frederico Hardt começou a construir o império empresarial da família. A Firma Frederico Hardt teve início como uma fábrica de laticínios pioneira na região. Mais tarde, na década de 1940, ampliou o mercado para comercialização de outros gêneros alimentícios, ferragens, louças, tecidos e confecções. Desde a década de 1970, a família é proprietária da Hardt Confecções e das Lojas Hardt, uma rede de lojas de departamento, com mais de 150 funcionários, distribuídas também nas cidades catarinenses de Timbó e Blumenau.

“Essas oligarquias políticas familiares são extremamente conservadoras, com pensamento político sempre de direita, autoritário, o que contribui a explicar o comportamento político da juíza em relação ao processo do Lula”, explicou o professor Oliveira. 

Elite jurídica

Segunda dos três filhos de Jorge Hardt Filho e Marilza Ferreira Hardt, Gabriela nasceu em Curitiba, mas foi criada em São Mateus do Sul, cidade com cerca de 45 mil habitantes, a pouco mais de 150 km da capital paranaense. 

Na cidade interiorana, o pai de Gabriela trabalhou por mais de 20 anos como engenheiro químico em uma unidade de industrialização de xisto da Petrobrás. Já a mãe, foi professora em colégio particular e Secretária Municipal de Educação. 

Quando jovem, Gabriela cogitou seguir os passos do pai e cursou engenharia química por dois anos. Optou, no entanto, por fazer carreira no poder judiciário. Mudou-se para Curitiba e formou-se em Direito na Universidade Federal do Paraná (UFPR), a mesma em que Sergio Moro foi professor de Direito Penal e Processual Penal entre 2007 e 2018. 

No ano em que Moro começou a lecionar na UFPR, Hardt foi aprovada em concurso para juíza substituta federal. Entre os 52 aprovados naquele ano, o nome de Gabriela Hardt consta como 49º, com média geral de 6,62. 

Em entrevista à TV da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), em maio de 2017, Hardt diz que “entrou tarde” na magistratura, com 34 anos, já mãe de duas filhas. Antes de chegar à 13ª Vara Federal, Gabriela atuou na Justiça Federal de Paranaguá, litoral paranaense, e foi corregedora da penitenciária federal de Catanduvas.  

Na Lava Jato, enquanto cobria férias de Moro, Hardt foi responsável por expedir ordem de prisão ao ex-ministro José Dirceu, em maio deste ano. Depois da exoneração de Moro, a juíza já condenou 10 réus em processos da Lava Jato, entre eles, o ex-diretor de serviços da Petrobras, Renato Duque, e o lobista João Antonio Bernardi Filho. 

Ainda na entrevista à Ajufe, Hardt afirmou que a carreira de juíza “exige sacrifícios de ordem pessoal e familiar, mas é uma carreira gratificante, a gente se sente valorizado”. 

Fechando o círculo

No Facebook, o perfil de Gabriela Hardt é fechado para aqueles que não são amigos. Nas poucas informações públicas, estão fotos de viagens - entre paisagens na Bahia, no Japão e na Colômbia -, fotos com a família e fotos de competições de natação. As páginas curtidas pela juíza passam por políticos como Eduardo Jorge e Marina Silva e vão até fã clubes de influenciadores digitais, como a página “Família Jout Jout”. 

Fora da magistratura, Hardt integra a equipe de maratona aquática do Círculo Militar, um tradicional clube paranaense, fundado por militares em 1934, cujo título para associação custa R$7 mil e as mensalidades, mais de R$ 200.  

Segundo o professor Ricardo Oliveira, a família, a formação e os círculos sociais de Gabriela Hardt explicitam o “ethos do poder judiciário brasileiro”. Ou seja, um conjunto de hábitos e valores sociais, com raízes conservadoras, que tendem a preservar “interesses particulares da classe dominante”.  Os impactos dessa elitização do poder judiciário para a sociedade brasileira, na avaliação de Oliveira, são “autoritarismo, exclusão social, aumento da corrupção e da impunidade”.

Lia Bianchini
No Brasil de Fato
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Projeto Jornalismo no Brasil aponta para 2019 com baixa de credibilidade e função mediadora em xeque


O jornalismo e sua função mediadora estão em xeque. Essa é a conclusão do projeto que aponta os rumos do jornalismo brasileiro para 2019, parceria realizada pela Abraji e pelo Farol Jornalismo pelo terceiro ano consecutivo. O especial O jornalismo no Brasil em 2019, que reúne dez artigos sobre temas como colaboração, diversidade e reencontro com a audiência, está disponível gratuitamente no Medium e pode ser acessado em jornalismonobrasilem2019.com.

Tal cenário, advindo da polarização que dominou os anos recentes da política nacional e em particular o período eleitoral de 2018, colocou em evidência atores políticos que apresentaram a "verdade" que mais lhes convinha, reforçando as crenças de seus seguidores. Tudo isso, na maior parte das vezes, prescindindo do jornalismo. Mas como fazer para que as pessoas continuem crendo no trabalho da imprensa e na sua importância para a democracia?

Essa é a pergunta a que os 10 autores convidados, ao projetarem o ano que se avizinha, acabam por tentar responder. Há muitos desafios a serem enfrentados, mas o futuro aponta para a colaboração, como se viu em iniciativas como o Projeto Comprova, coalizão de 24 veículos formada para verificar notícias sem autoria referente às eleições de 2018. No entanto, o editor do Comprova, Sérgio Lüdtke, diz que não basta apenas produzir conteúdo de qualidade: será preciso fiscalizar políticas públicas e ativistas digitais de maneira aberta e transparente. A pesquisadora Rosane Borges também aposta na transparência para o desafio imposto pela desintermediação.

Entre os artigos reunidos no estudo, está o da jornalista e pesquisadora Sílvia Lisboa, que afirma: não basta um veículo dizer que tem credibilidade; é preciso que a audiência perceba e aceite essa credibilidade. Esse novo contrato com a sociedade passa por um esforço maior de conhecer o público. Segundo a pesquisadora Cláudia Nonato, é necessário compreender o que espera parte da população brasileira que votou em Jair Bolsonaro.

Já a jornalista e pesquisadora Taís Seibt sugere a adoção de formatos que conversem melhor com os ambientes nos quais o brasileiro costuma se informar, o que inclui as redes sociais e o WhatsApp. A diversidade é outro caminho apontado para o jornalismo no Brasil no próximo ano, como forma de garantir a pluralidade na cobertura. O pesquisador Gean Gonçalves sinaliza a possibilidade de as redações adotarem editores de gênero, seguindo o exemplo de El País e New York Times. 

O jornalismo local e o praticado na região amazônica também foram temas abordados pelo projeto. Sérgio Spagnuolo, editor do Volt Data Lab e coordenador do projeto Atlas da Notícia, que mapeou os desertos de notícias no Brasil em 2018, escreveu que, em todo o país, o jornalismo local sofre com modelos de negócio quebrados que inviabilizam a inovação. Já a jornalista Elaíze Farias chama a atenção para as dificuldades de fazer uma cobertura na região norte que deixe de lado estereótipos e abrace a complexidade local.

Segundo Patrícia Gomes, diretora de produtos no JOTA, olhar para os dados gerados pelos usuários e adaptar os produtos jornalísticos ao comportamento de quem os consome pode ser uma das saídas para restabelecer a relação de confiança. Já Guilherme Amado, repórter de O Globo e da Época, aponta para um reencontro do jornalismo com seu público como forma de devolver-lhe a credibilidade.

Seja como for, o jornalismo deve encontrar caminhos para lidar com as novas dinâmicas que influenciam tanto o modelo de negócios, como o relacionamento com os diversos públicos que consomem notícias.

No GGN
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Votos de Natal

https://www.jb.com.br/colunistas/coisas_da_politica/2018/12/967947-votos-de-natal.html

É Natal e a esperança está em alta, diz a pesquisa Datafolha publicada no sábado.

Por que é Natal, desejamos o bom e o melhor para os mais próximos, os distantes e mesmo àqueles de quem queremos distância, por pensarem e sentirem de forma oposta à nossa.

Porque é Natal, valem também os votos coletivos, para o Brasil e seu povo que têm pela frente um tempo de mudanças.

A maioria está esperançosa mas uma parte está apreensiva com tantas interrogações, mas os votos políticos de Natal que seguem estão além da lógica e das probabilidades da política. São votos e não análise.

Porque é Natal, devemos desejar sinceramente que o Brasil seja politicamente pacificado, o que não significa a adesão de uma de suas metades à outra. O que precisamos é de reaprender a conviver na divergência, recuperando o sentido perdido da alteridade. O outro tem que deixar ser adversário ou inimigo.

Que a pluralidade religiosa prevaleça sempre, como prevalece no Natal: mesmo os não-cristão fazem do dia de hoje um momento de boa vontade.

Que todas as religiões continuem sendo respeitadas no Brasil, como sempre foi, mas que se mantenham longe da política e do Estado. A igrejas não pode governar, futura ministra Damares Alves.

Porque é Natal, tentemos colocar o ceticismo de lado e torcer para que o futuro governo de Jair Bolsonaro produza o melhor para o Brasil.

Que ele não leve adiante as palavras ásperas que disse na campanha e mesmo depois de eleito, sobre prender ou exilar adversários da esquerda.

Que desista das propostas que podem ser nefastas ao Brasil, como aquelas, na política externa, que podem comprometer relações comerciais e políticas importantes para o Brasil, como os países e a China.

Que ele consiga superar seu rancor por Venezuela e Cuba, preservando a tradição brasileira, de respeitar a autodeterminação dos povos.

Que o presidente eleito, depois de empossado, troque sua retórica ideológica pelo efetivo compromisso de restaurar o desenvolvimento e o crescimento, tomando medidas eficientes para reduzir a pobreza e a nossa vergonhosa desigualdade.

Que se realize a expectativa dos 65% que, segundo a pesquisa Datafolha, acreditam que a economia vai melhorar. E a dos 47% para quem o desemprego vai cair.

A compaixão pelos pobres, que todos gostam de externar no Natal, nem que seja doando as sobras da ceia farta, não pode ser coisa do momento.

Aqui em Brasília os pobres vêm das cidades do entorno e montam barracas de lona preta nos gramados verdes, para ganhar os restos de festa na cidade com a mais alta renda per capita do país.

A compaixão verdadeira, quando os governantes a têm, precisa ser convertida em políticas públicas com vistas a uma sociedade mais decente, menos desigual.

Houve erros nos governos petistas mas houve efetivo empenho neste sentido, que Lula traduzia simbolicamente no café da manhã natalino que tomava com os que trabalham no mais humilde dos ofícios, os catadores de papel e de lixo reciclável. Manteve o rito mesmo após deixar a presidência, hábito interrompido pela prisão que o Brasil naturalizou, a Justiça homologa mas o mundo não compreende.

E por falar na oposição, que ela também seja firme no seu papel de fiscalizar e controlar os que governam, mas não descuide de ser propositiva, de buscar contribuir para os resultados, sem que isso signifique adesismo ou capitulação.

O Brasil vai precisar de uma boa oposição, porque o novo governo chegará cheio de si, disposto a implementar na marra uma agenda que não foi verdadeiramente discutida nas urnas, exceto em temas culturais-comportamentais e na questão das armas.

Um voto aqui para que as armas não proliferem, para que o uso delas não seja banalizado.

O número de assassinatos no Brasil permitiu que o embaixador da França nos causasse vergonha comparando os números.

O espaço é curto para tantas demandas que requerem votos natalinos.

Mas, por fim, que a democracia e a liberdade continuem de asas abertas sobre nós nos tempos novos.
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Sigmarina Seixa morre aos 74 anos


Morreu nesta terça-feira (25/12), aos 74 anos, o advogado e ex-deputado Luiz Carlos Sigmaringa Seixas (PT-DF). Nascido em Niterói (RJ) e formado em Direito na Universidade Federal Fluminense (UFF), Seixas fez parte da Assembleia Constituinte de 1988, foi deputado federal por outras duas vezes seguidas, disputou — e perdeu — o cargo de vice-governador do Distrito Federal e retomou um assento na Câmara dos Deputados de 2003 a 2007.

A atuação mais importante dele sempre foi à margem do poder oficial. O advogado foi uma figura de destaque no enfrentamento ao regime militar na capital federal. Nas décadas de 1970 e 80, auxiliava presos políticos, sindicalistas e estudantes perseguidos pela ditadura.

Além de bom negociador, Sigmaringa Seixas sempre foi conhecido por ser uma pessoa moderada. Em 1991, a convite do ex-governador Mário Covas, Sigmaringa ajudou a fundar o PSDB do Distrito Federal. Quatro anos depois, deixou o partido por não aceitar a filiação de José Roberto Arruda, recém-eleito senador, à sigla. Só então migrou para o PT.

Em 2016, em gravação interceptada pela Polícia Federal, o ex-presidente Lula pediu ao advogado Sigmaringa Seixas, próximo ao PT, que conversasse com o então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, sobre as investigações contra ele. Na conversa, Lula quer que o advogado diga a Janot que ele deseja doar todos os bens e itens ao Ministério Público.
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O Natal é a mãe de todas as fake news. Feliz Natal


O Natal é a mãe de todas as fake news.

Como você deve saber, a fábula do menino Jesus, da Virgem, dos três reis magos etc é um reempacotamento de celebrações pagãs.

A Superinteressante, a revista mais nerd do Brasil, falou da origem da coisa:

A história do Natal começa, na verdade, pelo menos 7 mil anos antes do nascimento de Jesus. É tão antiga quanto a civilização e tem um motivo bem prático: celebrar o solstício de inverno, a noite mais longa do ano no hemisfério norte, que acontece no final de dezembro. Dessa madrugada em diante, o sol fica cada vez mais tempo no céu, até o auge do verão. É o ponto de virada das trevas para luz: o “renascimento” do Sol.

Num tempo em que o homem deixava de ser um caçador errante e começava a dominar a agricultura, a volta dos dias mais longos significava a certeza de colheitas no ano seguinte. E então era só festa. Na Mesopotâmia, a celebração durava 12 dias. Já os gregos aproveitavam o solstício para cultuar Dionísio, o deus do vinho e da vida mansa, enquanto os egípcios relembravam a passagem do deus Osíris para o mundo dos mortos.

Na China, as homenagens eram (e ainda são) para o símbolo do yin-yang, que representa a harmonia da natureza. Até povos antigos da Grã-Bretanha, mais primitivos que seus contemporâneos do Oriente, comemoravam: o forrobodó era em volta de Stonehenge, monumento que começou a ser erguido em 3100 a.C. para marcar a trajetória do Sol ao longo do ano.

A comemoração em Roma, então, era só mais um reflexo de tudo isso. Cultuar Mitra, o deus da luz, no 25 de dezembro era nada mais do que festejar o velho solstício de inverno – pelo calendário atual, diferente daquele dos romanos, o fenômeno na verdade acontece no dia 20 ou 21, dependendo do ano. Seja como for, o culto a Mitra chegou à Europa lá pelo século 4 a.C., quando Alexandre, o Grande, conquistou o Oriente Médio. Centenas de anos depois, soldados romanos viraram devotos da divindade. E ela foi parar no centro do Império.

Mitra, então, ganhou uma celebração exclusiva: o Festival do Sol Invicto. Esse evento passou a fechar outra farra dedicada ao solstício. Era a Saturnália, que durava uma semana e servia para homenagear Saturno, senhor da agricultura. “O ponto inicial dessa comemoração eram os sacrifícios ao deus. Enquanto isso, dentro das casas, todos se felicitavam, comiam e trocavam presentes”, dizem os historiadores Mary Beard e John North no livro Religions of Rome (“Religiões de Roma”, sem tradução para o português). Os mais animados se entregavam a orgias – mas isso os romanos faziam o tempo todo. Bom, enquanto isso, uma religião nanica que não dava bola para essas coisas crescia em Roma: o cristianismo.

Os primeiros cristãos não estavam interessados em comemorações natalinas. Não havia nenhum comando bíblico para fazê-lo e nenhuma data específica.

Mas, no século 4, quando as heresias concorrentes começaram a aparecer com força, houve uma necessidade de sublinhar o nascimento histórico de Cristo.

A primeira referência ao 25 ​​de dezembro é de 336 d.C., no reinado do imperador Constantino, devoto de Mitra. O mitraísmo era uma religião influente no exército romano.

Com o tempo, foram incorporados o Papai Noel, as renas etc. Os presentes surgiram na Idade Média, a partir de lendas nórdicas. 

O primeiro presépio do mundo teria sido montado em argila por São Francisco de Assis em 1223. Pegou. Quem não se emociona com aquela cena?

Uma colcha de retalhos muito bem urdida, chupada de outras tradições, sucesso absoluto há séculos.

Uma dica: guarde isso para você. Ninguém precisa de um chato metido a sabichão estragando a festa com choques de realidade e pavor.

Abrace o tio do pavê e a tia reaça. A vida real já é suficientemente dura. Feliz Natal. Com ou sem fake news.

Kiko Nogueira
No DCM




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‘Veja’ e as sacanagens do falido Grupo Abril

Nesta quinta-feira (20), finalmente o Grupo Abril, que sacaneou centenas de trabalhadores ao pedir recuperação judicial em agosto passado, foi vendido no mercado das almas. O empresário Fábio Carvalho, famoso por comprar empresas falidas para promover drásticas reestruturações, adquiriu o velho império midiático, que edita a abjeta revista Veja e vários outros títulos. “A história da Abril está intimamente relacionada com os grandes eventos políticos e econômicos que marcaram a história do Brasil nas últimas décadas. A capacidade e importância jornalística do Grupo é inegável. Não temos dúvida dos méritos e qualidades que permeiam as companhias do Grupo e que serão os pilares sobre os quais nos apoiaremos para superar os grandes desafios que se apresentam”, bravateou o novo dono da empresa ao anunciar a aquisição.

A conversa fiada, típica da cloaca patronal, não deve iludir ninguém – nem os funcionários do Grupo Abril nem os críticos da Veja. Com a manobra do pedido de recuperação judicial, a bilionária famiglia Civita deu calote em mais de mil profissionais demitidos pouco antes. Agora, sob nova direção, a tendência é que vários títulos da editora sejam extintos e uma nova leva de trabalhadores seja demitida. Também ainda não está definido como será acertado o passivo trabalhista assumido pelo sinistro Fábio Carvalho. O empresário tem participações em empresas de vários setores que, juntas, faturam mais de R$ 4 bilhões por ano e empregam mais de 46 mil pessoas. Entre seus investimentos, estão as Lojas Leader e a Casa & Vídeo.

O valor da venda do Grupo Abril foi simbólico, de R$ 100 mil. Mas o novo dono assumiu uma dívida de R$ 1,6 bilhão, sendo dois terços junto aos bancos Itaú, Bradesco e Santander. A expectativa é de que o negócio seja concluído apenas em fevereiro, quando ficará melhor definido o futuro dos trabalhadores e dos títulos da editora. Giancarlo Civita, o herdeiro picareta do Grupo Abril, garante que “Fábio Carvalho reúne as características de empreendedor e a visão de negócio que os novos tempos exigem. Desejamos a ele muito sucesso”. Estes votos não devem tranquilizar em nada os profissionais da empresa, inclusive aqueles jornalistas servis que se acostumaram a chamar patrão de companheiro.

Como prevê Fernando Brito, do imperdível blog Tijolaço, a tendência é que o antigo império midiático acabe na prática. “Veja continuará a ter seu lugar nas salas de espera dos consultórios... Mas é apenas questão de tempo para que seus títulos sejam encerrados ou vendidos, ‘avulsos’ ou em lotes. Ricos, muito ricos, os netos livram-se da carcaça da empresa que, durante os últimos 30 anos deitou regras sobre como o Brasil deveria ser dirigido e como deveriam proceder seus governantes, liquidou o império editorial criado por Victor e Roberto Civita. Saem fazendo aquilo que dizem ser o horror dos horrores quando se trata de países, mas acham natural quando acontece com empresas: um calote de R$ 1,6 bilhão, em troca de pagarem apenas 8% do que devem, ainda assim a perder de vista, em 18 anos”.

Em tempo: No início de dezembro, a Justiça do Trabalho de São Paulo reiterou a ordem para a reintegração de mais de mil funcionários demitidos pelo Grupo Abril desde julho de 2017. Foi dado um prazo de 30 dias para o cumprimento da sentença. Ao que tudo indica, nada será feito. Anteriormente, em setembro, o juiz Eduardo Matiota, da 61ª Vara do Trabalho, já havia tomado a mesma decisão, mas a empresa apresentou embargos de declaração e anulou na prática a readmissão dos sofridos descartados. Segundo balanço parcial, as dívidas trabalhistas do Grupo Abril, que incluem débitos com jornalistas, gráficos, pessoal administrativo, entre outros profissionais, estão em cerca de R$ 90 milhões.

Altamiro Borges
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O ano de encerramento do mandato de Dilma termina com uma angústia enorme

Em uma semana se encerra o mandato de Dilma.

Ela, naturalmente, não irá transmitir o cargo ao sucessor.

Há muitas, talvez infinitas formas de se contar a história do afastamento da primeira mulher a alcançar a presidência.

Independentemente daquela que lhe agrade, todas elas devem ter em comum a capacidade de ajudar a explicar a eleição de Bolsonaro.

Não estamos diante de uma eleição normal. Embora muitos de nós, com a colaboração dos “patrocinadores”, insistam em isolar a eleição do capitão: como se fosse um fato original – coisa que em essência não existe.

Da turma que entre 2014 e 2016 soube surfar a onda golpista, todos ganharam cargos, empregos, mandatos e promoções. E ganharam dinheiro. Muito. Do japonês da federal que lançou livro e deu entrevista, aos procuradores da operação que foram capa de revista semanal e lucraram uma boa bolada com palestras. Da advogada e professora de obra inexpressiva, das 45 mil moedas ao cargo de vereadora; jornalistas sensacionalistas da pior espécie, que agora disputam o controle da “manada” eleita pelo partido do capitão com militares autoritários e policiais aposentados. Até ator pornô sem graça ou qualidade cênica, esquecido e isolado, soube ganhar sua boquinha e agora tem gabinete em Brasília. Isso sem tocar nos jovens irresponsáveis do MBL, de financiamento duvidoso e nunca explicado. E os filhos do Presidente? Todos alçados à condição de celebridade, com mandato eletivo e milhões de votos. Sucesso imediato nas redes sociais, porque destilam ódio: racismo, misoginia, ódio de classe.

De todos esses personagens, o futuro ministro da justiça e ex-juiz, Sérgio Moro, foi quem melhor soube se posicionar na disputa pelo poder no país. Da primeira instância no Paraná, ele soube se beneficiar como ninguém das oportunidades que os processos violentos abrem: porque toda ruptura política é uma janela. Ele soube trilhar o caminho entre Curitiba e Brasília. Com olhos grandes sobre o Planalto, ele deve abandonar o barco se o capitão não estiver disposto a lhe dar preferência em 2022. E o governo Bolsonaro, que já nasce refém de sua própria incompetência e da “sujeira sob o tapete”, vai ser marionete nas mãos habilidosas e irresponsáveis de homens como Moro.

O ano de encerramento do mandato de Dilma termina com uma angústia enorme.

E com Lula preso.

Para que essa gente toda pudesse estar onde está e para que o país voltasse a figurar nos mapas da fome do mundo e nos mapas da indigência.

Não há celebração possível.

2019 já começou.

E o barulho dos fogos não vai me convencer do contrário.

Pedro Teixeirense

No Luís Felipe Miguel
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