19 de dez de 2018

Raquel Dodge denuncia Temer ao STF por corrupção e lavagem de dinheiro

A acusação criminal relacionada à atuação do emedebista no decreto dos portos foi apresentada no último dia antes do recesso do Judiciário


Raquel Dodge, procuradora-geral da República, denunciou, Michel Temer (MDB), nesta quarta-feira (19), no inquérito dos portos. A acusação criminal foi apresentada no último dia antes do recesso do Judiciário, de acordo com informações de Mariana Oliveira, no G1.

A Polícia Federal (PF) havia informado ao Supremo Tribunal Federal (STF), em outubro, que encontrou indícios de que o emedebista e mais dez pessoas integraram um suposto esquema para favorecer empresas específicas na edição de um decreto sobre o setor portuário.

Depois da divulgação do pedido de Dodge, Temer divulgou uma nota, dizendo que “provará, nos autos judiciais, que não houve nenhuma irregularidade no decreto dos portos, nem benefício ilícito a nenhuma empresa”.

Na denúncia, Dodge pede que Temer seja condenado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

A procuradora denunciou mais cinco pessoas por corrupção ativa e passiva e lavagem. Entre elas, o ex-assessor especial da Presidência, Rodrigo Rocha Loures, e o amigo de Temer, o coronel aposentado da Polícia Militar João Baptista Lima Filho.

Indenização

A PGR quer que todos sejam condenados a pagar uma indenização de R$ 32.615.008,47, soma dos valores desviados.

A acusação formal foi apresentada a 12 dias do fim do mandato de Temer. Portanto, não haverá tempo para o Congresso decidir se a denúncia pode ou não ser analisada, como prevê a Constituição.

Por isso, Dodge quer que, a partir de 1º de janeiro, a denúncia seja enviada à Justiça Federal de Brasília, a quem caberá decidir se eles viram ou não réus.

No Fórum
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Facebook forneceu dados privados de usuários a Spotify, Netflix e Microsoft


Durante anos, o Facebook forneceu a grandes empresas do ramo da tecnologia mais dados e informações pessoais dos seus usuários do que havia sido revelado até agora, afirmou o jornal New York Times em reportagem publicada nesta quarta-feira (19/12).

O periódico teve acesso a mais de 270 páginas de documentos da empresa que comprovam como os dados foram compartilhados sem o conhecimento e consentimento dos usuários. Entre as empresas beneficiadas por essas informações privadas estão Microsoft, Amazon, Netflix, Spotify, Yahoo e o Royal Bank of Canada.

Segundo o jornal, o Facebook autorizou a Microsoft a ter acesso aos nomes dos amigos dos usuários. À Amazon e ao Yahoo, além dos nomes, foi permitido acessar informações de contato as publicações dos amigos.

As empresas com serviço de streaming, como Netflix e Spotify, além do Royal Bank of Canada, tiveram permissão para ler, escrever e apagar mensagens privadas dos usuários, "privilégios que pareciam ir além do que as empresas precisavam para integrar o Facebook em seus sistemas", afirma a reportagem.

O jornal ainda cita diversos escândalos envolvendo a rede social, como o caso envolvendo a empresa de análise de dados Cambridge Analytica, acusada de violar as informações de 50 milhões de usuários nos Estados Unidos para auxiliar na campanha do presidente Donald Trump nas eleições norte-americanas de 2016.

Spotify e Netflix afirmaram ao New York Times que não sabiam que possuíam esses recursos e sequer que eles foram concedidos pelo próprio Facebook. O Royal Bank of America contestou que o banco possui qualquer tipo de acesso a dados privados.

De acordo com a reportagem, foram mais de 150 empresas beneficiadas por acessos à informações privadas. O diretor de privacidade do Facebook, Steve Satterfield, se defendeu dizendo que nenhum desses acordos violou as políticas de privacidade ou qualquer lei.

No Ópera Mundi
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Em clima de tensão, Alto Comando do Exército faz reunião sobre decisão de Marco Aurélio


O Alto Comando do Exército se reuniu nesta quarta-feira (19), através de videoconferência, para discutir as possíveis consequências da decisão do ministro do STF, Marco Aurélio Mello, que pode libertar condenados em segunda instância, incluindo o ex-presidente Lula. O caráter da reunião, segundo oficial ouvido pelo UOL, não foi "reativo, mas sim proativo".

À reportagem, dois generais ligados à cúpula do Exército disseram "que o momento atual é de 'observação'. Ou seja, eles acreditam que a medida pode ser derrubada ainda nesta quarta-feira ou durante o plantão do Judiciário pelos ministros Dias Toffoli e Luiz Fux (...). Um dos militares ouvidos hoje disse que o clima de tensão lembra o do início de abril, embora não seja exatamente igual".

Lembrando que no início de abril o general Villas Boas se manifestou na véspera da sessão em que o Supremo Tribunal Federal manteve a prisão em segunda instância e selou o destino do ex-presidente Lula. Meses depois, Villas Boas falou a respeito.

"Eu reconheço que houve um episódio em que nós estivemos realmente no limite, que foi aquele tuíte da véspera do votação no Supremo da questão do Lula. Ali, nós conscientemente trabalhamos sabendo que estávamos no limite. Mas sentimos que a coisa poderia fugir ao nosso controle se eu não me expressasse. Porque outras pessoas, militares da reserva e civis identificados conosco, estavam se pronunciando de maneira mais enfática. Me lembro, a gente soltou [o post no Twitter] 20h20, no fim do Jornal Nacional, o William Bonner leu a nossa nota", disse ele.
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Decisão de Mello recoloca STF como guardião da Constituição, diz nota da ABJD


A Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) vem a público manifestar sua total concordância com a decisão tomada nesta quarta-feira, dia 19 de dezembro, pelo Ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, na condição de relator da Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 54, movida pelo PCdoB, que questiona o descumprimento do artigo 283, do Código de Processo Penal, estabelecendo que as prisões só podem ocorrer após o trânsito em julgado da sentença condenatória, ou seja, quando não couber mais recursos no processo.

Na decisão, digna e independente, o Ministro reconhece a harmonia, com a Constituição Federal, do artigo 283 do Código de Processo Penal, determinando a suspensão de execução de pena cuja decisão a encerrá-la ainda não haja transitado em julgado, bem assim como a libertação daqueles que tenham sido presos quando ainda existem recursos cabíveis, reservando-se o recolhimento aos casos verdadeiramente enquadráveis no artigo 312 do mencionado diploma processual.

A decisão vai ao encontro da campanha pela presunção de inocência que a ABJD deflagrou no início deste ano de 2018, onde pugna para que o plenário do Supremo paute as ações de controle concentrado que tratam do tema, a fim de que o texto constitucional seja respeitado.

Em seu eloquente despacho, o ministro assevera que o Supremo Tribunal Federal deve ser a última trincheira da cidadania, e como tal, deve referendar os valores constitucionais tão duramente conquistados e aos quais ele, como juiz, jurou obedecer.

De fato, são mesmo tempos estranhos os vivenciados nesta sofrida República. Ousamos, pois, tomar de empréstimo as palavras da oportuna decisão do ministro Marco Aurélio: “em época de crise, impõe-se observar princípios, impõe-se a resistência democrática, a resistência republicana”.

Esperamos, por fim, que nenhum artifício judicial seja utilizado para desfazer o julgado e que o plenário do Supremo Tribunal Federal paute, o mais rápido possível, as ações de controle concentrado de constitucionalidade para, no mérito, reafirmar o princípio constitucional da presunção de inocência.

19 de dezembro de 2018

Associação Brasileira de Juristas pela Democracia
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Juíza da 12ª Vara Federal de Curitiba descumpri decisão do ministro Marco Aurélio Mello


A juíza Carolina Lebbos, 12ª Vara Federal de Curitiba, responsável pela Execução Penal, não acatou de imediato a decisão do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, de soltar todos os presos condenados até segunda instância no País, inclusive o ex-presidente Lula. No alvará, ela pediu um posicionamento do Ministério Público Federal antes de decidir sobre o caso.

A magistrada alega que há decisões colegiadas autorizando a prisão de Lula e que a decisão de Marco Aurélio ainda não foi publicada. Segundo ela, o ministro contradiz duas decisões anteriores do plenário do Supremo –tanto no caso genérico da prisão em segunda instância quanto no caso específico de Lula.

"A 12ª Vara está recebendo vários pedidos de soltura que foram protocolados em relação a liminar concedida pelo STF. Como várias questões precisam ser analisadas antes da decisão, pois cada caso é um caso, ainda não existe um prazo para a liberação dos presos", afirmou também a assessoria da Vara Federal. Um dos pedidos foi apresentado pela defesa de Lula, imediatamente após a decisão do ministro do STF.
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Sete maneiras de ser presidente e não se preocupar em dizer a verdade


1) Desminta na cara dura, sem piscar. Não importa que algo foi dito por sua equipe, família, papagaio ou mesmo por você dias antes. Diga que a imprensa age com má vontade e que cria narrativas fantasiosas, fale de complôs. Em quem seu eleitor vai acreditar? Numa reportagem com fatos e fontes que ele desconhece ou no seu tuíte, que foi compartilhado animadamente pela tia dele? Além disso, é bem possível que ele nunca venha a ler a reportagem, pois muitos fazem parte da imensa massa que não têm dinheiro para assinar um bom plano de internet. E, portanto, quando a franquia acaba, conseguem ver apenas mensagens e redes sociais, mas não visitar sites da imprensa.

2) Diante de uma emergência (seu motorista desaparecer, por exemplo), plante uma distração na esfera pública. Ela não pode ser muito exagerada (como alertar para um plano visando ao seu assassinato pelo seu próprio grupo político), sob o risco de ninguém levar muito a sério. Pode ser o anúncio de um decreto de revisão de uma terra indígena, por exemplo. Você sabe que o Supremo Tribunal Federal vai barrar lá na frente, mas, até lá, mídia e sociedade vão ter o bastante para se entreter. E ainda dá para ganhar, de lambuja, a gratidão de ruralistas e mineradoras e garantir que nem um centímetro mais seja demarcado em seu governo.

3) Coloque uns bodes na sala, daqueles bem catinguentos. Por exemplo, proponha algo bisonho, como sair de um acordo internacional para evitar mudanças climáticas. Deixe que uma parte do país te chame de burro e idiota para que a parcela de seus seguidores que não acreditam em ciência ou acham que Jesus volta antes da hecatombe, sintam-se ofendidos e saiam à luta para te defender. Depois, avalie. Se o caminho estiver livre, grite "America First!" e siga em frente. Caso contrário, se barreiras comerciais despontarem no horizonte, suavize a posição, mostrando que você é aberto ao diálogo, ganhando elogios de uma parcela dos que antes te criticavam, como os ambientalistas.

4) Finque não um, mas vários espantalhos nas redes sociais e atribua a eles a gênese de todas as tragédias e dores do país. Depois, com a ajuda de fazendas de perfis, espalhe o seu discurso. Cuba, Venezuela e "ideologia de gênero" funcionam bem, mas nada se compara ao PT. Sempre que for questionado sobre políticas em áreas como previdência, tributos, segurança pública e saúde, acuse o espantalho de alguma coisa passada, presente ou futura. Essa tática é mais popular que o samba, o brega e o sertanejo universitário juntos e é reproduzida milhões de vezes por hora nas redes sociais de todo o país sob o formato do comentário trava-debate "E o Lula, que tá preso?"

5) Diga que tudo o que veio antes era "ideológico". E, com a autoridade de quem critica a ideologia, multiplique por dez o nível da orientação ideológica anterior e diga que, agora, a abordagem é "pragmática" e "técnica" – por mais ideológica que seja.

6) Peça para alguém de sua confiança trazer alguma proposta bem chocante, como, por exemplo, a pena de morte. Deixe fermentar até que ela se transforme em pauta ou, melhor, Trending Topic. Depois, dê uma declaração dizendo que não autorizou tal comentário e que sua posição sempre foi outra. A rede de seus seguidores fica mais confiante ainda que escolheu o herói certo. Os indecisos passam a te ver como alguém sensato e que põe ordem na própria casa. E a imprensa e a oposição vão gastar muito tempo criticando a situação e se defendendo de ataques. Com isso, sobra pouco espaço para discutir temas como o tal motorista desaparecido.

7) Propague que os jornalistas são os maiores inimigos do povo, seja nos Estados Unidos, seja no Brasil. Engane dizendo que comunicação via redes sociais é mais honesta por que não tem a intermediação da imprensa, mesmo que isso signifique também a perda de um ator que, com todos os seus muitos defeitos, ajuda a contextualizar, interpretar e fiscalizar o comportamento de quem ocupa o poder. Não precisa ameaçar diretamente o mensageiro: basta falar mal dele o tempo inteiro, vinculando-o ao Mal. Em algum momento, alguém fará o serviço sujo, achando que está purificando o país. Afinal, contar uma grande mentira não é uma corrida de 100 metros, mas uma maratona.

Leonardo Sakamoto
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Marco Aurélio diz que só colegiado do STF, e não Toffoli no plantão, pode derrubar liminar


Minutos antes de sair do Supremo Tribunal Federal para o recesso de final de ano e para as férias, o ministro Marco Aurélio Mello disse ao BuzzFeed News que somente o colegiado da corte pode derrubar a liminar que ele concedeu para libertar os presos condenados em segunda instância.

"Acima de cada ministro está somente o colegiado. Do contrário aconteceria uma instabilidade indesejada para na Justiça", disse o ministro, ao BuzzFeed News, por telefone.

"Seria o caso somente do colegiado. E que assim prevaleça o bom direito", afirmou.

A decisão beneficia o ex-presidente Lula e outros presos da Lava Jato. No ano passado, Lula foi condenado pelo juiz Sergio Moro por corrupção e lavagem de dinheiro. Este ano, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região aumentou a pena dele para 12 anos e um mês de prisão.

Desde as 15h, o Supremo está em recesso e o presidente da corte, ministro Dias Toffoli, é o plantonista. Marco Aurélio diz que não acredite que Dias Toffoli casse a liminar que concedeu, mesmo o Supremo já tendo votado pela legalidade do início do cumprimento da pena a partir da condenação em segunda instância.

A decisão de Marco Aurélio, em uma ação movida pelo PCdoB, foi tomada no último dia útil de 2018 para o Supremo.

Anteontem, o presidente do STF, Dias Toffoli, marcou para 10 de abril a data de um novo julgamento para decidir se presos condenados em segunda instância devem iniciar o cumprimento da pena.

Graciliano Rocha
No BuzzFeed



"Se o Supremo ainda for o Supremo, minha decisão tem que ser obedecida"

"Vai ser um teste para a nossa democracia, para ver se as nossas instituições ainda são respeitadas".
Marco Aurélio
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Absurdo: jornalista do Ceará quer o nazismo no Brasil!

Em "O Povo", colunista Lúcio Brasileiro defende "mudança de regime"

Reunião de nazistas brasileiros no documentário "Menino 23"
Belisário Franca, 2016

Colunista de O Povo defende nazismo no Brasil



O jornalista Lúcio Brasileiro, do jornal O Povo, do Ceará, em sua coluna da última sexta-feira (14), defendeu a implantação do nazismo no país. Em um breve comentário com o título de “Apanhado Político”, ele diz que “não será uma eleição nem várias eleições que poderão salvar o País”, mas sim, “uma mudança de regime”.

Logo adiante, o colunista deixa claro qual regime defende: “talvez implantação do nacional-socialismo, que livrou a Alemanha do comunismo, nos anos 20 e 30, pois a queda da Rússia, a mira dos vermelhos era a Alemanha”, escreveu.

Tanto o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará (Sindjorce) quanto a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) reagiram à coluna com nota onde afirmam que o texto, “além de ferir o Código de Ética da categoria, incorre em violação das leis brasileiras”.

As entidades lembram ainda que “ao manifestar opinião a favor de uma possível implantação do nazismo no Brasil, o colunista descumpre pelo menos quatro artigos e cinco incisos do Código de Ética do Jornalista Brasileiro”.

Leia a nota na íntegra abaixo:

Nota de repúdio

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará (Sindjorce) e a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) vêm a público repudiar nota que defende uma possível implantação do nazismo no país, publicada na coluna do jornalista Lúcio Brasileiro e veiculada na edição de sexta-feira, dia 14 de dezembro, no jornal O Povo. O texto, além de ferir o Código de Ética da categoria, incorre em violação das leis brasileiras.

Sob o título “Apanhado Político, diz a nota: “Não será uma eleição nem várias eleições que poderão salvar o País, pois o buraco é mais embaixo e muito grande, tem de haver mudança de regime. Talvez a implantação do nacional-socialismo, que livrou a Alemanha do comunismo, nos anos 20 e 30, pois a queda da Rússia, a mira dos vermelhos era a Alemanha.”

Acontece que o nacional-socialismo, mais comumente conhecido como nazismo, é a ideologia associada ao Partido Nazista, bem como a outros grupos de extrema-direita, que apoiava teorias como a hierarquia racial e o darwinismo social. O movimento tinha como objetivo superar as divisões sociais para criar uma sociedade homogênea. O nazismo foi responsável por milhares de mortes dos cidadão indesejáveis como judeus, ciganos, negros, homossexuais e pessoas com deficiência.

Ao manifestar opinião a favor de uma possível implantação do nazismo no Brasil, o colunista descumpre pelo menos quatro artigos e cinco incisos do Código de Ética do Jornalista Brasileiro. Cabe destacar que, em seu Art. 6º, inciso I, o código deontológico estabelece como dever do jornalista “opor-se ao arbítrio, ao autoritarismo e à opressão, bem como defender os princípios expressos na Declaração Universal dos Direitos Humanos”;

Também o Código de Ética destaca como dever do profissional jornalista: “XIV – combater a prática de perseguição ou discriminação por motivos sociais, econômicos, políticos, religiosos, de gênero, raciais, de orientação sexual, condição física ou mental, ou de qualquer outra natureza”.

Em seu Art. 7º, o documento ressalta que o jornalista não pode: “V – usar o jornalismo para incitar a violência, a intolerância, o arbítrio e o crime.” Ainda no Código de Ética, o artigo 10º ressalva que “A opinião manifestada em meios de informação deve ser exercida com responsabilidade.”

Já a Lei 7.716/89 prevê no seu artigo 20: “Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. O parágrafo 1º prevê o crime de divulgação do nazismo, com 2 a 5 anos e multa. Tanto colunista quanto empresa podem ser acionados na justiça pelo teor da nota.

O Sindjorce e a FENAJ esperam, em respeito aos leitores de O Povo, que a obrigação maior do veículo de comunicação – e de quem nele exerce atividade remunerada – seja o de cumprir as leis do país, ressalvando que “a liberdade de imprensa, direito e pressuposto do exercício do jornalismo, implica compromisso com a responsabilidade social inerente à profissão”.
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UFRGS é apontada mais uma vez como melhor universidade federal do país


O Ministério da Educação (MEC) divulgou nesta terça-feira, dia 18 de novembro, a mais recente avaliação do Ensino Superior no Índice Geral de Cursos (IGC). Mais uma vez a Universidade Federal do Rio Grande do Sul alcançou a maior pontuação entre todas as universidades federais do País, com o índice contínuo de 4,31, numa escala que vai de 1 a 5. A UFRGS melhora seu índice que no IGC passado era 4,29. A avaliação corresponde ao ano de 2017.

Na listagem geral, a UFRGS ocupa a segunda melhor posição, já que a Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) tem o primeiro lugar nacional, com 4,38. Entre as dez mais bem avaliadas também estão: Universidade Federal de Minas Gerais; Universidade Federal de São Paulo (Unifesp); Universidade Federal de Santa Catarina; Universidade Federal do Rio de Janeiro; Universidade Federal de Viçosa; Universidade Federal de São Carlos; Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho(Unesp) e Universidade Federal de Lavras.

Desde 2012 a UFRGS é a universidade federal com o maior IGC-Contínuo na avaliação do MEC, tendo sido, também, a melhor entre todas as universidades nos anos de 2012, 2013 e 2014 (nos dados correspondentes às avaliações 2011, 2012 e 2013). Dados completos podem ser acessados no site do Inep.

Avaliação

O Índice Geral de Cursos (IGC) é resultado da avaliação das Instituições de Educação Superior (IES) do Brasil. Trata-se de uma média ponderada, a partir da distribuição dos estudantes nos níveis de ensino, que envolve e os conceitos da Capes para os cursos de pós-graduação stricto sensu e as notas contínuas do Conceito Preliminar de Cursos (CPC) da graduação, que combina os seguintes aspectos: desempenho dos estudantes, valor agregado pelo processo formativo oferecido pelo curso, corpo docente e condições oferecidas para o desenvolvimento do processo formativo.

Considerando os cursos de graduação avaliados em 2017 pelo CPC, a UFRGS obteve nota máxima (CPC faixa 5) em três deles: Engenharia Hídrica, Química Bacharelado e Química Licenciatura. A avaliação é realizada a cada três anos, envolvendo cursos diferentes a cada ano e levando em conta a nota do ENADE.
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“Bolsonaro seria impensável na Alemanha”, diz pesquisador alemão

Patrick Moreau
Patrick Moreau, 66 anos, nasceu na Alemanha e, quando ainda pequeno, sua família migrou para a França, onde cresceu e fez carreira como professor na Universidade de Estrasburgo e pesquisador no Centro Nacional de Pesquisas Científicas (CNRS).

Seu interesse pelo mundo acadêmico veio do lar, onde a língua materna era o alemão. Recentemente, lançou o livro “L’Autre Allemagne” (“A outra Alemanha”, sem tradução em português), depois de “L’extrême droite autrichienne à l’assaut du pouvoir” (“A extrema direita austriaca assalta o poder”, também não traduzido).

Segundo ele, a ascensão da extrema direita, termo que ele prefere substituir por partidos nativistas ou nacional-populistas, varia a cada país da Europa, mas tem como ponto central a imigração e uma crise dos fundamentos da União Europeia.

Questionado sobre o próximo presidente do Brasil, Moreau firma que “Ele é impensável na Alemanha”. Nesta entrevista, ele explica que a Constituição em vigor após o nazismo barra toda forma de extremismo na política alemã, o que inviabilizaria as propostas de Bolsonaro e levaria à dissolução de seu partido, caso fosse alemão.

O que explica a ascensão da extrema direita num país como a Alemanha?

A maior parte dos meus colegas especializados na pesquisa desse movimento concordam em utilizar o termo “partidos nativistas” ou “partidos nacional-populistas”. A diferença da noção de extrema direita é em relação à violência.

A maior parte desses partidos, não todos, não tem uma dinâmica de violência na sociedade. Isso já é uma ruptura com os partidos que conhecemos dos anos 30. A segunda dimensão é que o seu nacionalismo não é um nacionalismo de expansão. Eles não têm uma visão racial sobre a totalidade do mundo. Eles não têm uma vontade de expandir suas fronteiras aos estados vizinhos.

Não há uma vontade, uma doutrina de guerra. Usa-se o termo “nativista” porque fundamentalmente esses partidos são movidos por uma ascensão identitária. Basicamente, as pessoas que se mobilizam nesses partidos são gente motivada pela preservação de sua identidade. Esse é o elemento que marca seu eleitorado.

Em relação ao caso alemão, ele é muito peculiar porque no início era um partido de professores universitários situados numa linha nacional-liberal. O que os havia unido era a hostilidade ao euro, à Europa de Bruxelas, e a Angela Merkel (primeira-ministra alemã), efetivamente a pessoa forte da Europa.

O movimento mudou; é um movimento que nasce em 2013, é muito recente. Ele vai se desenvolver em 2015 e 2016 com a aglutinação de novas forças políticas: o que chamamos de conservadores de valor, pessoas que saíram da CDU e CSU (partidos conservadores da Alemanha) porque consideraram que Merkel tinha uma política social-democrata; depois, aqueles que pertenciam a forças clássicas de extrema direita.

Atualmente, a dimensão liberal quase desapareceu do partido, mesmo que ainda permanecem muitos professores de economia, o essencial na AfD é de conservadores e de extremistas de direita tradicionais.

Por que há essa ligação entre esse extremismo e o liberalismo, como no Brasil e na Espanha, com o Vox, ao menos no início da AfD?

Pegando o caso do Vox, voltamos praticamente à questão da identidade. Fundamentalmente, é uma reação à imigração. Mesmo caso dos democratas suecos. Vemos nas pesquisas que é unicamente a questão da imigração.

Por que certa quantidade de liberais foram ativos nesses partidos, mesmo que comecem a deixá-los? Porque consideram que a política econômica da União Europeia não corresponde é um risco para a economia europeia, para o futuro da Europa. Havia 300 professores universitários que se juntaram à AfD no momento de sua fundação.

Era o crème de la crème (expressao francesa para “melhor”) dos economistas alemães. Todos tinham o mesmo argumento: o euro era um erro, a ajuda à Grécia era um erro, que a centralidade do Banco Central era um erro e que a política monetária do Banco Central era um erro. Então era uma verdadeira mobilização de economistas contra esses temas e é por isso considerava-se que a AfD poderia ser um meio, um movimento, de criar uma renovação da Europa.

O que eles não viram, nem previram, foi que existiam outras forças políticas que se agregaram e os eliminariam. A AfD é considerada pelos alemães mais ou menos como um partido normal. Há de fato algumas pessoas do partido que eu diria serem próximas de ideias antigas, mas seriam uma minoria.

Não há uma dialética racial. O coração do Nacional Socialismo (partido nazista) era a raça branca. Não é essa a problemática da AfD. Ela é violentamente xenófoba, contra a imigração, mas não tem uma dialética em torno da raça branca. Em relação ao partido democrata sueco era um partido neonazista que se formou em torno da noção de raça branca, mas que mudou e foi “desdemonizado”. Os partidos, de um país para o outro, são profundamente diferentes em relação à sua história.

Protesto da AfD em Berlim

Esse ano houve uma polêmica no Brasil na qual pessoas diziam que o partido nazista era de esquerda porque ele se chamava Partido Nacional Socialista, o que fez com que a Embaixada da Alemanha os desmentisse e explicasse a História. Existe confusão semelhante entre os alemães?

Eu fiz minha tese de doutorado sobre o nazismo de esquerda. Foi a esquerda do Partido Nacional Socialista. Precisa-se fazer uma distinção sobre as diferentes alas do partido. Houve uma pulsão de esquerda no partido, mas não era a corrente dominante.

Nos meus trabalhos, eu demonstrei como as pessoas situadas à esquerda do partido nazista fugiram para o Partido Comunista Alemão, o grupo nacional bolchevique. E na Alemanha não há de forma alguma essa confusão: Hitler copiou alguns símbolos comunistas, mas ele jamais foi de esquerda.

O essencial do pensamento de Adolf Hitler é racial. Em 1933, a esquerda do partido é eliminada, liquidada, por Adolf Hitler. Não há debate, não há nenhuma dúvida em relação a isso na população alemã. A ciência esclareceu a questão.

Por que Hitler eliminou a esquerda em 1933?

Porque a esquerda queria eliminar Hitler (risos); é muito simples. Hitler tinha uma política que era falsa. O futuro passava por um combate anticapitalista (na visão da esquerda) de aliança do povo contra os vencedores de 1918 e que Adolf Hitler tinha uma via extremamente falsa, aproximando-se dos industriais e dos conservadores. Ele tinha uma visão do mundo totalmente diferente (da esquerda). Mas Hitler sabia perfeitamente que a esquerda nacional socialista queria eliminá-lo, então de forma bastante imediata ele a eliminou.

Há ainda uma forte memória em torno do nazismo na Alemanha?

Esse é um assunto bastante controverso. Todos os anos tem pesquisas sobre assunto. Há um apagamento da memória através do tempo. Todo dia tem algo (na mídia) sobre Adolf Hitler, sobre o III Reich; muitas ações contra o antissemitismo etc. Simplesmente há um fenômeno de saturação na juventude.

Já não interessa mais à juventude. Há jovens que são politizados, antinazismo. Muitos. Faz muito tempo que há uma repetição sistemática da culpa alemã. Isso termina por não interessá-los mais. Acompanhando as pesquisas nas escolas, vemos que isso desaparece. Está tão longe do mundo deles que praticamente isso já não é mais uma questão. Não ha mais um forte sentimento de culpabilidade, o que não é o caso para as pessoas mais velhas.

Qual é o perfil do eleitorado da AfD; são pessoas mais jovens ou mais velhas?

Não podemos pensar a questão nesses termos. Para compreender o eleitorado da AfD, é preciso considerar os estratos (sociais) que se reuniram para fazer desse partido a terceira força política do país da república alemã. Existem basicamente duas camadas que se encontram na AfD.

A primeira é o que chamamos de neoproletários. A AfD é um partido fortemente articulado em torno do mundo operário. Num primeiro bloco, gente do “quarto mundo”: pessoas com um nível muito baixo de educaçao, de renda, uma situação de ameaça aos seus empregos e muitos homens de mais de 50 anos.

Esse é o mesmo bloco que está por toda a Europa no Front National, na Liga do Norte… Há um segundo grupo que vai se aglomerar mais tarde, os que chamamos de perdedores da modernização. Eles são motivados pela questão identitária. Basicamente são pessoas que acreditam que a sociedade na qual eles viviam é colocada em risco por novos atores, como a imigração. São pessoas partidárias de defender seu país, sua língua. E é da aglomeração desses dois grupos que se tem um poderoso partido que começa a se desenvolver.

Ele é um eleitorado que muda no tempo. Por exemplo, o eleitorado do FPO (partido de extrema direita austríaca) foi o primeiro partido da juventude por muito tempo. Era de longe o partido mais potente entre quem tinha menos de 25 anos. Com a chegada de um chanceler jovem, isso mudou. Houve um recuo entre os jovens. O essencial do eleitorado do partido passou a ter entre 34 e 55 anos. Isso vale para a AfD e também para os democratas suecos e vários partidos. Há análises muito precisas sobre o comportamento da juventude, que evolui no tempo.

O que é que se vê nas pesquisas na totalidade da Europa é que os jovens têm medo do futuro ou consideram que o futuro é um problema, que ele pode levar a um problema relativo à globalização e à imigração. A problemática da imigração está em todas as camadas sociais. Ela motiva principalmente os jovens. Eles foram em direção a esses partidos porque  a combinação entre medo do futuro, medo de regresso social, faz com que haja um potencial de radicalização. Isso, observa-se permanentemente. Mas o grau de intensidade varia de acordo com o país.

Como é possível que a extrema direita esteja no poder na Áustria, um país que também viveu o nazismo?

Eu dirigi um filme com a BBC para o qual rodamos boa parte na Áustria. Uma parte do roteiro consistia em encontrar traços do nazismo na Áustria. E quase não os encontramos. Todo mundo na Áustria esqueceu que Adolf Hitler era austríaco porque os austríacos se apresentam como vítimas, visto que a unificação entre Alemanha e Áustria foi imposta pela primeira, quando, na verdade, os austríacos foram pro-Hitler, muitos deles.

Uma das anedotas do filme é que perguntamos a um filatelista o que ele poderia nos mostrar sobre o nazismo. E ele respondeu que a única lembrança que os austríacos têm de Adolf Hitler são os selos da época vendidos no mercado. 

Então, na Áustria, (o nazismo) não é realmente uma questão. O FPO, que é um partido nativista, nacional-populista, é considerado hoje como um partido normal. Ninguém na Áustria acredita que o FPO é um partido neonazista. Acreditam que é um partido tradicional no arco democrático. Sua popularidade e a popularidade do atual chanceler é excepcional. 65% da população avaliam-nos positivamente. 72% da população acreditam que suas medidas de imigração são positivas.

O que você pensa sobre o slogan da campanha de Jair Bolsonaro, “Brasil acima de tudo; Deus acima de tudo”?

Não é surpreendente. Houve a mesma estratégia entre os partidos conservadores, a CSU na Baviera (região alemã), numa fase religiosa do FPO, é um aspecto da problemática identitária. O líder da FPO não é crente mas apareceu com uma cruz na mão em frente a uma sinagoga. Aposta na religião católica porque julga que é algo enraizado na Europa, logo que isso deveria constituir uma barreira contra o islã. Consideram que o islã é uma religião agressiva. Então eles apelam aos católicos para proteger sua crença contra o “totalitarismo” que é o islã; é uma instrumentalização da religião.

Eu entrevistei uma cientista política italiana que disse que uma das principais diferenças da extrema direita europeia, que ela prefere chamar de direita radical populista, e Bolsonaro, é que a primeira não põe em risco a democracia, diferentemente do presidente eleito no Brasil. Você concorda?

Sim e não. Não há uma resposta simples para essa questão, é muito difícil respondê-la. Há uma paleta de vontade de transformação da sociedade. No grupo de pesquisa, estudamos todos os partidos europeus. Pesquisamos as tentações “não liberais”, o partido de Orban, por exemplo.

De país para país, as perspectivas nacionais, nacionalistas, sociais, econômicas e culturais vão em direção de uma democracia autoritária. Numa democracia, há eleições, da divisão teórica de poderes, que continua existindo no papel.

Há projetos de transformação da sociedade que diferem de um país para o outro. Direita radical? Sim e não. Direita radical, sim para certo número de países, como a Polônia, a Eslováquia e a República Tcheca. Têm projetos muito mais duros. São situações de países profundamente diferentes.

Busquei a AfD, que me enviou uma pequena nota declarando distância de Bolsonaro, dizendo que ele é um extremista e que esse não é o caso do partido, que se define como de direita, conservador e constitucional. Por qual razão eles não são solidários a Bolsonaro como Matteo Salvini?

A AfD é muito prudente agora porque estão submetidos a uma crítica muito intensa de suas atividades políticas. Então, tentam mostrar uma imagem normal. Pelo que ouvimos do presidente brasileiro, ainda que ele não esteja no poder, não sabemos muito o que ele vai fazer, fundamentalmente eu penso que a AfD não tem nenhuma ilusão. Ela sabe que nao está prestes a chegar ao poder. E está à margem do sistema político.

Eu diria que o modelo brasileiro é irrealizável na Alemanha. Impensável. O partido (de Bolsonaro) seria dissolvido imediatamente na Alemanha. Então, não custa grande coisa para eles se distanciar do futuro presidente brasileiro. Não é surpreendente (que a AfD não apoie Bolsonaro). Se você olhar nos textos da AfD, entre os líderes de extrema direita, eles são muito mais prudentes.

Eduardo Bolsonaro e Steve Bannon
Foto: Reprodução/Twitter

Por que esse modelo de Bolsonaro é irrealizável na Alemanha?

Ele é irrealizável, ele não é de maneira alguma realizável na Alemanha, nunca será. Ele é impensável. Simplesmente porque a Constituição alemã se vale de uma série de barreiras. A AfD corre o risco de muito em breve ser investigada por extremismo pelo serviço secreto.

Há um grande número de policiais, de funcionários públicos na AfD. Essas pessoas começarão a ter problemas porque se você é identificado como extremista você pode perder o cargo. Então muitas pessoas podem deixar a AfD. Logo, ela não pode se deixar identificar como um partido extremista. Partido radical, de fato, mas não extremista.

A Constituição alemã dá a possibilidade de dissolver partidos extremistas. Nos anos 1950, um partido neonazista foi dissolvido, assim como o Partido Comunista, em 1953. O governo envia ao Tribunal Constitucional um pedido de dissolução de um partido político. Isso foi feito com o NPD (partido de extrema direita) não faz muito tempo. Ai a Corte julga de acordo com os elementos fornecidos pela polícia e pela polícia política o extremismo do partido político.

E o partido condenado por extremismo é dissolvido com todas as suas organizações e algumas pessoas vão para a prisão. Então a AfD não pode sonhar, pois os riscos de dissolução são fortes.

A relação de Bolsonaro com a ditadura militar brasileira e a proposta de liquidar os narcotraficantes são impensáveis no Estado de Direito alemão. Primeiro, porque não se tem o mesmo tipo de fenômeno. Tirando a ditadura de Hitler, que não foi militar, mas foi política, não houve uma ditadura na Alemanha. São dois mundos completamente diferentes.

Onde você acha que a democracia está em maior perigo hoje e onde ela está mais assegurada?

Se olharmos para a evolução política da Hungria, da Polônia, e de diversos países dessa natureza, é evidente que a democracia é contestada. O verdadeiro problema é que o ideal democrático se tornou pouco claro, não sabemos o que isso quer dizer. Se pergunta-se a um estudante o que é democracia, as respostas são pouco claras. A segunda dimensão é que a imagem da Europa está extremamente fraca.

A Europa era uma verdadeira realização de um projeto democrático, na qual através de uma união os povos chegariam à prosperidade. Ela entrou numa crise de seus fundamentos. Como as pessoas se veem confrontadas a problemas importantes como a globalização e a imigração, eles não encontram respostas na democracia, então vão procurá-las em modelos antidemocráticos por natureza.

Vox conquistou este mês 12 cadeiras no parlamento andaluz, o que é inédito em décadas para a região em relação a um partido de extrema direita. Teve como conselheiro Steve Bannon, como diversos partidos populistas na Europa. Como você vê essa articulação?

Um mito. Falso. Bannon não tem nenhuma influência. Ele não aconselha ninguém. Eu não posso te explicar por quê, mas tenho um nível muito bom de informação sobre as atividades de Bannon. Ele representa um tipo de extrema direita americana que não é nem um pouco útil para os partidos.

Ele de fato encontrou diversos líderes, mas não é um verdadeiro conselheiro. Na Espanha, constituiu-se o que se esperava há muito tempo; um partido anti-imigração. Ele estava em gestação há muito tempo. A partir do momento que a Espanha abriu suas fronteiras para a imigração, era certo que haveria uma reação. Não é algo que foi concebido por Bannon. Esse é um reflexo observado em vários outros países. Volto aos democratas suecos.

Os 15% a 20% que eles têm atualmente são unicamente comandados pela questão migratória. Mesma coisa na Espanha e em diversos países. Bannon é falso, é uma construção jornalística. Não ha nada por trás de Bannon. Ele não tem dinheiro, ele não tem ideias.

Francamente, não entendo porque se fixam sobre Bannon, é um álibi.

Willy Delvalle
No DCM
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‘Vamos deixar o Bolsonaro sentar na cadeira: ela queima’, afirma Dirceu


José Dirceu desceu a escadaria com um celular na mão. Tinha olhar concentrado na tela do aparelho. “Acho que vou ser preso.” O líder petista ficou tenso. Era seu advogado, Roberto Podval, quem lhe chamava ao escritório, interrompendo a série de compromissos que o aguardavam em São Paulo nesta quarta-feira, 12. Alarme falso. Condenado a 41 anos na Lava Jato, o ex-ministro falou ao Estado sobre Jair Bolsonaro, a crise ética do PT e a prisão que o espera.

Estadão: Quando o PT foi fundado, dizia-se que a vida de um militante seria no mundo moderno um símbolo de que outra vida era possível. A crise ética do PT, exposta na delação de Antonio Palocci, não leva descrédito à esperança de que outro mundo é possível?

Dirceu:
Você conhece os vereadores do PT? Os deputados, os prefeitos? Alguém enriqueceu na política? A Luiza Erundina enriqueceu? O (Fernando) Haddad? A Marta (Suplicy) enriqueceu na política? Não tem. Problema de caixa 2 de eleição, relações com empresas, é uma coisa; outra é enriquecimento pessoal e corrupção. Uma coisa é a responsabilidade nossa, dos dirigentes, pelo caixa 2, pela relação com as empresas, pelo custo das campanhas. Outra coisa é o partido. Você não pode condenar um partido.

E o ex-ministro Antonio Palocci?

O Palocci é o Palocci. Não tem outro. Só tem o Palocci. Ninguém mais delatou. Quem que delatou mais? Ninguém. Aliás, estão presos só quem não delatou, porque está todo mundo solto. São mais de 180 delatores soltos com seus patrimônios. As empresas foram arruinadas. É o contrário no mundo, onde se protege as empresas e se desapropria todos os bens dos responsáveis pelos atos ilícitos das empresas. No Brasil, não. Aqui se fez o contrário. Toda a construção política da Lava Jato é em cima das delações, e a maioria delas em cima do terror psicológico.

Qual o destino político de Lula?

A história dirá. Já me perguntaram por que o PT não se livra do Lula ou não se desvencilha do Lula, insiste no Lula. Porque o PT e o Lula se confundem. O Lula tem um legado e domina 40 milhões de votos. O PT não só tem de defender a liberdade do Lula e a inocência dele, como também o legado dele.

Mas não fizeram isso pelo sr.

Mas é completamente diferente. Eu me defendo. Onde chego no Brasil, tenho apoio da militância do PT, de dirigentes.

Mas e a sua cassação...

Não me defenderam porque fizeram uma avaliação errada do que era o mensalão. Errada do que era a conjuntura. Se eu for me sentir vítima, teria morrido de enfarte ou de câncer há muito tempo. Eu tenho experiência política suficiente para compreender que isso era luta política e eu era o alvo da luta político. Podia ter sido outro. Eu superei isso, tanto que, apesar da Lava Jato, continuo na militância política.

Dilma em 2013 sancionou a lei de delações premiadas, que o sr. tanto critica. Ela sabia o que estava fazendo quando a sancionou?

O problema nosso foi ingenuidade de não fazer um pente-fino nessas leis (delação premiada, organização criminosa e antiterror) e não perceber que o modo aberto em que se deixou várias questões permitia o que está acontecendo. A lei de delação é tão absurda que, se a deleção for anulada, continuam valendo as provas. O delator perde os benefícios, mas continua valendo a delação. Como pode fazer delação preso? Delação é pessoa solta, em liberdade. Erramos ao não nos darmos conta de que vários pontos podiam ser usados de maneira antidemocrática, ser instrumentos de repressão e não de Justiça.

Como fica Lula com Bolsonaro?

O Lula tem de seguir. O problema do Lula independe do governo Bolsonaro. Deixa o Bolsonaro tomar posse. Nós sabemos as intenções dele em relação a ‘n’ questões, mas não na questão econômica. Vamos ver o que o (Paulo) Guedes vai fazer, o que o Congresso vai aprovar e como o Judiciário vai se comportar. Ele nunca escondeu o que seria em questões de política externa, de meio ambiente, maioridade penal e da mistura do Estado com a religião.

É possível reconstruir pontes com partes do PSDB?

Há questões no Brasil que temos de defender com todos aqueles que queiram estar nessa luta. Todos são bem-vindos contra o Escola sem Partido, contra a mistura do Estado com a religião e questões da democracia e das liberdades individuais. Já a agenda econômica é mais restritiva.

E a reforma da Previdência?

Vamos esperar primeiro qual a reforma de Previdência que Bolsonaro vai propor.

Um regime único para militares, funcionários públicos e iniciativa privada?
Nós somos favoráveis. Os militares, os servidores públicos e a iniciativa privada. Vamos procurar pontos de contato com todas as forças políticas para se fazer uma reforma da Previdência, mas não essa de privatização da Previdência. O Brasil tem muita coisa para reformar que você pode ter contato com outras forças políticas, não necessariamente só as de esquerda. Eu sempre fui aliancista, sempre procurei alianças. Mas vamos aos fatos: nós esperávamos que o Fernando Henrique (Cardoso) apoiasse o Haddad no segundo turno. O eleitorado apoiou, pois nos 47 milhões de votos do Haddad têm uma parcela grande que é anti-Bolsonaro e votou no Haddad.

Haddad consegue ser um líder popular?

Ele vai ser um líder político.

Mas popular?

A história dirá. Não posso dizer. Ele tem condições de ser.

A oposição pode se unir em torno de Ciro Gomes?

Ela não vai se unir em torno de figura nenhuma. Ela vai se unir em torno de pontos concretos.

É possível o PT convergir com forças da centro-direita?

Pode-se convergir com outras forças em questões que são essenciais das liberdades democráticas. Não fizemos isso na campanha das direitas? Vamos deixar o Bolsonaro sentar na cadeira. Aquela cadeira queima; queima aquela cadeira de presidente. Ele vai ter de tomar várias decisões em janeiro e fevereiro. Ele vai desvincular o salário mínimo da Previdência? Ele vai congelar o salários dos servidores públicos? Vai revogar a tabela do frete, subsidiar o diesel? A vida é dura. Que reforma da Previdência ele vai fazer? Ele vai realmente adotar sua política externa? Ele vai descontingenciar, executar todo o orçamento das Forças Armadas, da Segurança e da Justiça e vai contingenciar o orçamento da Saúde e Educação? Ele vai desconstituir a Loas (Lei Orgânica da Assistência Social)? Porque tem declarações muito contraditórias entre eles. Qual a política dele? Deixa ele governar. Não foi eleito? Vamos fazer oposição conforme as propostas que ele fizer, independentemente do fato de que somos oposição a ele já, pois temos concepções diferentes de País, de vida, de tudo. Quero que ele comece a governar, tomar decisões, porque senão fica parecendo que você está torcendo para dar errado, né. Não estou torcendo para dar errado; só estou dizendo que não vai dar certo. Não deu em outros países, não vai dar aqui.
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Quanto vale o silêncio de Fabrício Queiroz, o rico motorista de Bolsonaro?

Jair e Eduardo Bolsonaro ao lado do amigo Queiroz
Fabrício Queiroz, o ex-motorista de Fávio Bolsonaro, tem depoimento marcado para hoje no Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.

Se aparecer, não faltarão aos promotores perguntas para formular.

O Coaf, órgão federal que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, detectou na conta do ex-assessor, que é policial militar, movimentação de 1,2 milhão de reais no período de um ano.

Nesse período, Queiroz assinou pelo menos um cheque, de 24 mil reais, que foi depositado na conta de Michele Bolsonaro, a esposa do presidente eleito.

O policial militar trabalhava no gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Além dele, trabalharam lá a mulher e duas filhas, Natália e Evelyn.

Também foram lotados no gabinete do filho de Jair Bolsonaro o ex-marido da esposa do policial e a filha deste.

Uma das filhas de Fabrício Queiroz deixou o gabinete de Flávio e foi para o gabinete do pai de Flávio, Jair Bolsonaro, antes que o escândalo estourasse.

Queiroz e a segunda filha lotada no gabinete de Flávio foram demitidos em 15 de outubro, dois dias antes de ser deflagrada pela Polícia Federal a Operação Furna da Onça, que levou à prisão sete deputados estaduais do Rio, por movimentações suspeitas em suas finanças.

É uma história confusa e altamente suspeita, mas o que mais chama a atenção é a blindagem da família Bolsonaro.

Por que Flávio Bolsonaro não foi sequer mencionado pela Polícia Federal durante a Operação Furna da Onça?

Como se sabe, o pai estava em campanha contra Fernando Haddad e seu principal discurso era o combate à corrupção.

A descoberta do Coaf veio à tona depois que Jair Bolsonaro se elegeu e foi anunciada a transferência do Coaf do Ministério da Fazenda para o Ministério da Justiça sob o comando de Sergio Moro.

No clã Bolsonaro, a movimentação bancária de Flávio Bolsonaro gerou diferentes reações. Flávio diz que as explicações devem ser dadas pelo ex-motorista.

“Quem tem que dar explicação é o meu ex-assessor, não sou eu. A movimentação atípica é na conta dele”, disse Flávio.

O senador eleito se irritou com os repórteres que faziam perguntas sobre o assunto, durante a cerimônia do TRE do Rio em que foi diplomado senador eleito.

“Deixa eu trabalhar, deixa eu trabalhar. Não tem nada de errado no meu gabinete”, afirmou.

O presidente eleito não compareceu à cerimônia.

Ele chegou a ser anunciado no evento do TRE, mas não apareceu, alegando razões médicas.

Com essa desculpa, Jair Bolsonaro repete a campanha, quando fugiu dos debates com Haddad alegando razões médicas, embora estivesse liberado pelos médicos que o operaram no Hospital Albert Einstein e o assistiram na recuperação.

Um mês depois, estava em campo, na festa do Palmeiras pela conquista do Campeonato Brasileiro, e tentou até carregar o técnico Felipão, e apareceu com um menino montado nas suas contas.

Queiroz será cobrado pela movimentação atípica em sua conta bancária, mas quem deve dar explicações é a família Bolsonaro.

Que poder tinha o motorista para receber tanto dinheiro em sua conta?

Mas a família de Bolsonaro fugirá sempre das questões mais delicadas, para continuar alimentando a farsa de que o pai sempre combateu a corrupção.


Para que a farsa não seja desmontada, o silêncio do ex-motorista vale ouro. Ele vai assumir sozinho a conta pelo que, ao que tudo indica, representa desvio de dinheiro público?

Ou é normal que funcionários da Assembleia Legislativa lotados no gabinete de um deputado estadual depositem dinheiro na conta de outro servidor?

Joaquim de Carvalho
No DCM
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Deboche no TCU: ministro impedido se desimpede

Para salvar deboche no Senado

Cedraz, o desimpedido, e o ladrão presidente. Iguais até como se vestem
Amigo navegante do Conversa Afiada parou para ouvir a CBN, a rádio que troca notícia, na hora do almoço desta terça-feira 18/XII.

Naquele momento, um certo apresentador falava sobre o escândalo protagonizado pelo Ministro Aroldo Cedraz no Tribunal das Contas.

O apresentador se horrorizou ao falar sobre o incrível caso do desimpedimento de um Ministro do Tribunal das Contas.

Tudo começou quando o TCU concluiu que entre 2005 e 2009 o Senado contratou uma empresa de informática por R$ 1,1 milhão por mês, sendo que o contrato anterior era de R$ 300 mil mensais.

A auditoria dos técnicos do TCU apontou que o prejuízo foi superior a R$ 13 milhões. E foram responsabilizados por esse buraco o ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia, hoje deputado em Brasília, e o então primeiro-secretário da casa, Efraim Morais, que era senador pelo DEM-PB.

O apresentador lembrou que os ministros invariavelmente são políticos indicados por outros políticos. Normalmente, parlamentares em fim de carreira que veriam o TCU como, digamos, um prêmio.

Em dado momento, a condenação de Agaciel e Efraim parecia fato consumado na semana passada. E foi aí que o eminente Ministro Aroldo Cedraz entrou em cena: ele perguntou a outro Ministro qual era o placar naquele momento. A resposta foi: "Olha, tá 4 x 3 pela condenação". Cedraz, que havia se declarado impedido - por já ter trabalhado com Agaciel Maia na mesa do Senado - disse "não, mas agora eu não tô mais impedido. Eu vou me desimpedir!"

Ele "se desimpediu" e votou pela absolvição dos dois.

O presidente do Tribunal das Contas, Ministro Raimundo Carreiro, fez o mesmo: havia se considerado impedido por manter relações de amizade com os acusados (e por ter sido secretário-geral da mesa do Senado no mesmo período em que Agaciel Maia era o diretor-geral), mas decidiu se desimpedir e votar pela dupla absolvição.

O apresentador da CBN lembrou que outro Ministro, Walton Alencar, disse: "nunca vi um juiz que se declarou impedido ou suspeito verificar para onde estava indo a votação, voltar atrás, se 'desimpedir' e votar para absolver"...

Em tempo: esse Cedraz tem um filho, o Thiaguinho, amigo do Pauzinho do Dantas, que é uma fera - PHA

Em tempo²: esse TCU foi o tribunal das contas que disse que a Dilma pedalou - PHA

Em tempo³: o tribunal das contas tem entre seus exemplares fazedores de conta o ministro Augusto Nardes. Esse relatou as pedaladas da Dilma e hoje pedala freneticamente para se livrar da cadeia - PHA
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