9 de dez. de 2018

Pior que Bolsonaro é quem o pôs lá


– Tá uma porção de gente ligando, mandando mensagem, todo tipo de ameaça. As mulheres tão no desespero, a gente

 ...

– Não dá agora por aqui. Vamos encontrar naquele lugar. Nem sei como tá isso aqui.

– O papo é sério, garoto, se não tiver uma saída logo eu denuncio tudo. Pode avisar a eles. A gente tá há dois meses trancado, sem sair, nesse lugar, a noite é horrível, ninguém dorme naquela casa, nem os caras que fazem a segurança a gente confia. Olha aqui: Não pensa que vão usar o mesmo esquema da vereadora. Eu falo tudo. Qualquer sinal a gente fala.

– Suave. A gente tá no controle, só não dá pra vc falar direto com eles. Acham que ta tudo grampeado, uma noia. O pior é que um deles é muito esquentado, sem falar dos noia em volta do bagulho, gente que a gente nem controla.

– Perigoso mesmo. Mas amizade e fidelidade é tudo, na hora boa, na ruim.

Os caras também tão se achando cercados, vítimas dos milicos que tão sabotando eles. Já não confiam em ninguém e acham que até os economistas tá tão fazendo ligação direta com os fardados. Tá foda. Ninguém se entende. Nem eu tô conseguindo falar com eles. Mas fica frio, e olha bem, vocês tão na mira de uns caras que você conhece. Tudo maluco. Não custa muito pra eles surtarem. Se for na boa, tem tudo. Senão, nada. Mas fica frio, só não dá por aqui.

...

A imagem do superministro indicado da Justiça, Sergio Moro, esgueirando-se das perguntas dos jornalistas ao final da entrevista em Brasília, espelham a acelerada deterioração do capital político do caçador de corruptos: o corpo torcendo-se, a cabeça travada ao pescoço em rotação panorâmica fazer o conjunto dar as costas, desligando-se dos microfones, depois das câmeras, as pernas num caminhar instintivo, o olhar autômato em diagonal; por último, atrasado, ocioso, o braço e no limite a mão, expressiva de um conflito em torno de que sinal emitir. O membro vai virando e erguendo, indeciso, o dedo indicador, primeiro, apontando para a frente, num gesto quase fuzilante, o que é ruim. Acode o dedo médio, tíbio, que evolui num V da vitória, o qual por sua vez tenta amenizar a mensagem do corpo que já deu as costas em fuga enquanto os gritos do lado de cá dos microfones se sucedem ecoando: Coaf, coaf, coaf...

...

Pode haver vários desfechos e desenvolvimentos, mas jamais será possível esquecer que os atores por trás de Bolsonaro são os maiores responsáveis pelos estragos que ele já está causando. O capital financeiro, os grandes empresários irmanados em torno da direita, os meios de comunicação, a Justiça atravessada pelo fascismo político e moral: dominada pelo fascismo, as igrejas evangélicas, os militares degenerados, os bilionários prejuízos potenciais causados na presença brasileira nos mercados internacionais tão duramente conquistada junto à China, ao Mercosul, ao Oriente Médio. Como relata André Barrocal, na revista Carta Capital, ao menos um analista de banco já dedica longo tempo a explicar aos investidores as chances de Paulo Guedes e seu programa serem comprometidos por envolvimentos em irregularidades. As populações pobres de municípios médios e pequenos de regiões distantes e das periferias das grandes cidades que já estão sem o atendimento dos cubanos do Mais Médicos não devem cobrar apenas de Bolsonaro, mas principalmente de quem o levou a sair das franjas para o Planalto.

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É dos programas mais divertidos acompanhar sites pró-Bolsonaro, como o Infomoney. O Coafão, o Coafgate, o Motorista da Família, nem dão as caras nas homepages dos cheerleaders do mercado.

Mario Vitor Santos é jornalista. Foi ombudsman da Folha e do portal iG, secretário de Redação e diretor da Sucursal de Brasilia da Folha.
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"As instituições estão funcionando normalmente"


O futuro era outro. Em 2012, o Brasil ultrapassou o Reino Unido e se tornou a 6ª maior economia do mundo, com estimativas para ser a 5ª maior até 2023. Em 2014, o país saía do mapa da fome da ONU, resultado de suas políticas públicas voltadas para o combate deste problema social, as quais passaram a ser citadas como referência internacional. Na época, a taxa de desemprego caiu para 4,3%, o menor índice da história do país. Em 2015, o renomado historiador Carlos Fico, ao dissertar sobre a estabilidade democrática conquistada no Brasil após 1985, afirmou que “ao historiador não cabe fazer predições, mas, para toda a sociedade brasileira, seria uma frustração terrível voltar a viver em regime de supressão de liberdades ou em condições de total descontrole econômico. É difícil imaginar que haja espaço, por exemplo, para golpes militares”.[1]

O Brasil que hoje vemos no espelho não é o mesmo. Em 2018, o país caiu para o posto de 9ª economia mundial; a escassez de alimentos voltou a ser um problema cotidiano para setores menos privilegiados da nossa sociedade, o pode implicar em um retorno ao mapa mundial da fome; o desemprego atinge 11,9% dos brasileiros, de acordo com a última amostra trimestral do IBGE; e o mesmo Carlos Fico revisou seu parecer a respeito da hipótese de um futuro autoritário para o Brasil.

Em post de setembro de 2017 no Facebook, Fico justificou seu receio ao observar um “proselitismo golpista” crescente por parte de civis e militares. Para o historiador, “esses grupos vão crescer alicerçados em promessas salvacionistas, moralistas ou simplesmente violentas e reacionárias”.

“Enfim, a hipótese de solução autoritária explícita referendada pelo establishment (não propriamente um golpe militar clássico) hoje me parece possível. A frase sempre repetida ‘as instituições estão funcionando’ tem um complemento oculto: ‘mas são muito frágeis’”, escreveu.

Perante a possibilidade de o futuro governo tentar implementar projetos de lei que buscam criminalizar movimentos sociais ao tipificá-los como terroristas, ou criar um clima de censura e legitimação de patrulhamento ideológico em sala de aula mediante o movimento Escola Sem Partido, o projeto da Nova República se encontra em risco.

Após atingirmos a implementação de programas sociais e políticas públicas que fizeram jus aos direitos estabelecidos na Constituição de 1988, as atuais movimentações no cenário político parecem se dirigir num sentido que poderia ser definido como um lento, gradual e inseguro caminho para a institucionalização do autoritarismo dentro da nossa cambiante democracia formal. Mas esse cenário não se configurou do dia para a noite, nem se trata de um dilema exclusivamente brasileiro.


Como morre a Nova República?

Em agosto de 2018, o cientista político Steven Levitsky realizou uma palestra na Fundação Fernando Henrique Cardoso a respeito do futuro da democracia. Coautor de Como morrem as democracias (2018), ao lado de Daniel Ziblatt, Levitsky sugeriu que a estabilidade dos governos democráticos está sendo ameaçada pelo ressurgimento global de movimentos e lideranças políticas autoritárias.[2] Como parte dessa tendência, alertou para os riscos que a vitória de Jair Bolsonaro poderia significar no Brasil e na América Latina.

Para Levistky, as rupturas nas democracias contemporâneas tendem a não se dar mais a partir de um violento golpe de Estado perpetrado por grupos militares, tal como no bombardeio das Forças Armadas chilenas contra o palácio presidencial de La Moneda, em 1973.

De acordo com o politólogo, neste alvorecer do século XXI, as democracias correm o risco de morrer de forma gradativa, como se fossem lentamente desaparecendo. O enfraquecimento delas fornece as bases materiais para que o autoritarismo encarnado em figuras como Bolsonaro se apresente como uma alternativa viável, e mesmo legítima do ponto de vista formal. Este teria sido o roteiro do surgimento de governos que atualmente flertam com práticas autoritárias e promovem violações de direitos humanos mediante os aparatos repressores do Estado, como Maduro na Venezuela, Erdoğan na Turquia, Duterte nas Filipinas, Ortega na Nicarágua e Trump nos EUA.

Buscando oferecer algum mecanismo para que as pessoas possam se precaver de lideranças autoritárias, Levitsky e Ziblatt adotaram como inspiração as ideias do sociólogo espanhol Juan Linz e elaboraram um teste que seria capaz de indicar se determinado político estaria ou não comprometido com valores democráticos baseado nos seguintes questionamentos:
  1. O indivíduo rejeita, em palavras ou atos, regras fundamentais da democracia?
  2. Põe em dúvida a legitimidade de seus oponentes?
  3. Tolera ou incentiva a violência política?
  4. Admite ou propõe restringir liberdades civis?
Na palestra, Levistky afirmou ter realizado o teste com todos os presidenciáveis nas eleições brasileiras de 2018. Foi taxativo no resultado: o único candidato que foi considerado uma ameaça para a democracia brasileira foi Bolsonaro.


Democracias começam a morrer, diz o autor, quando partidos políticos, elites econômicas e demais poderes institucionais passam a naturalizar figuras notoriamente autoritárias. Apostam na popularidade desses líderes, relativizam seu caráter violento e antidemocrático a partir de interesses de curto prazo e erram grosseiramente ao pensar que podem controlar proto-ditadores a partir do momento que chegam ao poder, pois, no longo prazo, eles tendem a concretizar suas ameaças à democracia.

Este foi o equívoco histórico dos liberais italianos perante Mussolini. Foi também o erro dos conservadores alemães perante Hitler. De uma parcela da elite política brasileira, como JK, Ulysses Guimarães e Carlos Lacerda, ante os militares golpistas de 1964. Mais recentemente, de republicanos estadunidenses ante Trump. E poderá ser o erro de empresários, investidores e políticos de direita e centro-direita ante Bolsonaro.

Há quem questione, inclusive, se ainda estamos vivendo sob um Estado Democrático de Direito. Para o autor Rubens R.R. Casara, por exemplo, a realidade brasileira seria melhor definida pela ideia de Estado Pós-Democrático: a democracia fica reduzida meramente à sua concepção formal, desprovida de conteúdo e substância.[3] Isso permitiria e estimularia o crescimento do pensamento autoritário, ao passo que práticas autoritárias podem se fundir com a democracia formal caso seja do interesse dos grupos dominantes.

Tal realidade forma um tipo de “sujeito autoritário” próprio da pós-democracia. O autor define esse sujeito a partir dos seguintes termos: 1) aceita abrir mão da liberdade para fundir-se com algo (seja um movimento, um grupo, uma instituição, etc.) ou alguém a fim de adquirir a força que julga necessária para resolver seus problemas; 2) mostra-se submisso a poderes ou instituições externas, mas, simultaneamente, quer dominar os outros e eliminar os diferentes.

Apesar de conter elementos muito importantes que alertam para a necessidade de reflexão em torno da desestruturação da democracia no mundo contemporâneo, considero excessivamente pessimista a leitura de Casara. Acredito que, mesmo que sob constante tensão e ameaças, o Estado Democrático de Direito no Brasil ainda se mantém razoavelmente fiel a seu projeto originário de 1988. Todavia, sua proposta de “sujeito pós-democrático” merece atenção, pois parece descrever com propriedade certas características de grupos radicais que ganham força na sociedade brasileira – e delineia o que poderemos enfrentar num futuro próximo.

É inegável que projetos neste sentido vem ganhando corpo e legitimidade nos últimos anos. Para compreender melhor este fenômeno, considero apropriado realizar um recuo histórico até um grande momento de inflexão na nossa história recente: as marchas de junho de 2013.

2013, o ano que não terminou

Para o filósofo Vladimir Safatle, as manifestações de 2013 podem ser compreendidas como um movimento que se inicia com demandas heterogêneas (contra o reajuste da passagem de ônibus, melhoras nos serviços públicos nas áreas da saúde e educação, aplicação de medidas mais efetivas no combate à corrupção, etc.), e que, em grande medida, demonstraram fortes críticas anti-institucionais, não somente contra o governo de Dilma Rousseff, mas também contra os poderes governamentais e os partidos políticos.

Em entrevista recente, Safatle afirmou: “Desde O 18 de Brumário de Luís Bonaparte do Marx, a gente sabe que toda revolta popular produz um sujeito político emergente capaz de ser o ator de transformações sociais e um sujeito reativo. Sempre foi assim. Não tem uma revolta popular em que você não abra uma possibilidade de transformação”. Sobre 2013, destacou o crescimento de um sujeito reativo na sociedade brasileira que passou a pedir mais “ordem” após manifestantes adotarem medidas mais radicais, como incendiar o Palácio do Itamaraty, em Brasília, ou depredar a Prefeitura de São Paulo.

Ao concluir seu argumento, Safatle considera que as manifestações de 2013 foram uma oportunidade histórica perdida para os setores progressistas, que não souberam dialogar e canalizar as demandas dos manifestantes, optando por não intensificar canais de participação direta nas decisões políticas, nem buscando construir propostas em prol de um ideário mais radical de soberania popular. Para o filósofo, isso permitiu que esse sentimento anti-institucional encontrasse diálogo no campo da extrema-direita, setor disposto a legitimar as vozes que diziam ser “contra tudo isso que está aí”.

A meu ver, Safatle demonstra uma leitura demasiadamente otimista em relação às possibilidades de diálogo das frentes de esquerda, diante de manifestantes com demandas tão difusas e formas de organização tão fragmentárias e pouco hierarquizadas. Mas sua leitura é assertiva em relação aos termos em jogo e às consequências políticas práticas do encontro entre o sentimento anti-institucional e a extrema-direita.

Em 2010, Bolsonaro foi eleito deputado federal com 120 mil votos. Em 2014, quase quadruplicou a marca: foi o deputado federal mais votado do Rio de Janeiro, com 464 mil votos. Desde 2013, Bolsonaro, seus filhos e seus aliados (Zema, Witzel, Janaína Paschoal, Comandante Moisés) souberam como nenhum outro grupo surfar a onda anti-institucional.

A democracia nunca foi destino, sempre foi travessia

O fracasso da candidatura de Fernando Haddad ao tentar mobilizar uma frente democrática no segundo turno deixou evidente o quão fragmentado está o pacto político da redemocratização brasileira.

O aceno do petista às demais lideranças democráticas demonstrou-se tardio, além de insuficiente para que tais personagens colocassem suas rivalidades políticas de lado e apoiassem plenamente a empreitada de uma frente democrática. Nada disso se concretizou. Os cacos do pacto da redemocratização seguem espalhados pelo chão.

Mas a história ensina que os momentos de crise também podem ser momentos de travessia. O presente, afinal, tudo contém: uns buscam inspiração num passado autoritário; outros, defensores da democracia, buscam encontrar legitimidade no passado democrático.

Volto ao começo e a Carlos Fico, que nos lembra que as conquistas da Nova República não foram possíveis somente a partir da chegada de um determinado governo ao poder. Mas sim com a consolidação de um regime democrático estável, e que, a despeito de suas falhas, ao se observar a história do país, é possível considerá-lo o período com a mais vívida interlocução entre parti
cipação popular (movimentos sociais, grupos civis organizados, sindicatos, etc.) e canais institucionais típicos de uma democracia representativa.

E, como todo processo de travessia, ele requer coragem. Que sirva de exemplo o gesto de coragem de Ulysses Guimarães: a promulgação da Constituição de 1988, que marcou a transição de fato para a democracia. Citado nas páginas de História do Brasil Contemporâneo, de Fico, o discurso histórico de Guimarães não teve meias-palavras. Imprimiu na história a seguinte frase: “Quando, após tantos anos de lutas e sacrifícios, promulgamos o estatuto do homem, da liberdade e da democracia, bradamos por imposição de sua honra: temos ódio à ditadura, ódio e nojo”!

Ricardo Duwe
No Le Monde Diplomatique
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Governos que acabam antes de começar

Ética do faroeste é o programa de Bolsonaro


O Conversa Afiada publica artigo sereno (sempre!) de seu exclusivo colUnista Joaquim Xavier:

No Brasil, tudo é possível. Sem recuar muito no tempo, em 31 anos (1985-2016), já tivemos um presidente morto antes de assumir, 2 impeachments, inflação de 80% ao mês. Num breve intervalo, vivemos também um período de 12 anos em que o país finalmente parecia começar a amenizar feridas seculares.

Chega? Nem pensar. Como diz a incomparável jornalista Tereza Cruvinel, por aqui o impensável definitivamente decidiu montar acampamento.

O governo de Jair Bolsonaro, sejamos realistas, acabou antes de começar em primeiro de janeiro. Não se trata de opinião ranheta, vingança de supostamente derrotados. São os fatos, simplesmente os fatos, que comprovam.

A saúde do militar presidente é um mistério. Poucas dúvidas em relação à capacidade da equipe que o trata. O Dr. Macedo é reconhecidamente um dos mais competentes médicos do Brasil, para não dizer do mundo. Falo isso não exatamente por experiência própria, mas por conhecer gente séria e muito próxima tratada por ele que venceu desafios considerados impossíveis por outros clínicos. Espero não ser desmentido no futuro.

Ocorre que razões de Estado, em casos semelhantes, sobrepõem-se à ciência e ao determinismo da medicina. Uma nuvem de mistério cerca o estado de saúde do oficial, assim como François Mitterrand escondeu durante anos ter sido atacado pelo câncer e Tancredo Neves, pouco antes do funeral, ilustrava fotos montadas como atleta. Será que ninguém percebe como é estranha a situação de um “eleito” que terá de ser operado menos de um mês após tomar posse? Tomara esteja exagerando, pois aprendi com chefes experientes que com morte não se brinca. Respeito isso até hoje, inclusive com relação a Bolsonaro.

Esta é a parte humana, digamos assim. Mas o que sobra é rigorosamente desanimador e catastrófico.

Bolsonaro foi ungido com base numa fraude identificada e documentada, graças a uma rede de mentiras orientada por um assessor de Donald Trump. Quem finge não enxergar a fancaria, pode me chamar de Cidadão Kane a partir de hoje. Ou de Miriam Leitão e assemelhados, à escolha do freguês.

A família Bolsonaro foi recém-pilhada em falcatruas utilizando um motorista. O valor da roubalheira, por exemplo, supera o que supostamente o ex-presidente Lula teria amealhado para reformar um sítio que nem dele é. Um cheque voador em nome da futura primeira-dama daria para comprar quase uma dezena de barcos de alumínio iguais ao atribuído sem provas à dona Marisa. As justificativas oficiais são risíveis: empréstimo, amizade – só faltam a Fiat Elba de Collor ou um empréstimo no Uruguai providenciado por algum irmão de Abílio Diniz.

Vamos em frente.

Onyx Lorenzoni é descoberto como cliente cativo de caixa-dois. Não se sabe o que é pior: o crime ou o perdão. Este último é obra-prima do imparcial Sérgio Moro. “Ele errou, reconheceu o erro. Portanto, isto não vem ao caso. Assunto encerrado”.

A propósito, comunico ao novo superministro da “Justiça” que devo a bancos. Errei ao me endividar acima de minhas posses para ajudar um irmão, pois não esperava ficar desempregado. Liguei ao banco pedindo perdão com base na jurisprudência curitibana. Aguardo a resposta sobre a anistia a minhas dívidas. Espero que Moro não me deixe na mão...

Quanto ao que sobra do gabinete redentor, as notícias são aterradoras. Paulo Guedes é um especulador de ofício acusado de tramoias à custa do dinheiro público. O general Heleno, algoz do Haiti, vibra com operações de extermínio em massa sob pretexto de perseguir um único criminoso como fez em Port-au-Prince.

Os novos “chanceler” (crente de que Mao-Tsé-Tung está vivo e tem pesadelos com Lênin) e “ministro da Educação” são discípulos de um astrólogo que, segundo sua própria filha, a impedia de estudar, cultuava a poligamia e hoje se refugia nos Estados Unidos.

Bem, não sejamos tão pessimistas, consideram alguns. Há uma bancada bolsonarista robusta e, quem sabe, pode frear a maré de insanidade. Fracasso: nem Polyana acredita. Os últimos acontecimentos exibem uma malta de despreparados, ególatras e oportunistas. O grupo inclui familiares presidenciais incultos, ex-“jornalistas” descompensadas e uma advogada adepta de surtos esotéricos quando se trata de derrubar presidentas eleitas.

Parece suficiente, não?

Não. Todo este pessoal está disposto a insistir na ética de faroeste, com o apoio da mídia grande, do supreminho, do congresso de opereta e, principalmente, do grande capital financeiro internacional que comemora a xepa de feira em que o Brasil se transformou... Chamam isto de “alternância democrática”.

Por acidentes da vida, fiquei dois dias acompanhando a “grande imprensa” oficial via rádio, TV e internet. O Brasil vive uma epidemia de intoxicação de mentiras embalada como “verdade” ou vendida como fato relevante. Mataram um cachorro num supermercado de São Paulo. Manchinha. Só um primata deixaria de condenar tal ato brutal e que deve ser punido de modo exemplar.

Mas e o entorno? O Brasil tem pelo menos 50 milhões de desempregados de fato. A vereadora Marielle e o motorista Anderson foram executados a sangue frio. Daqui a pouco, o crime fará um ano sem solução. Quer mais? As ideias do general Heleno ganham corpo sem que as pessoas prefiram se dar conta: no Ceará, houve um massacre em que morreram vários reféns inocentes de assaltantes de banco. Um dos policias envolvidos na chacina afirmou: “mas o que os reféns estavam fazendo lá”?

Eis aí o Brasil que se promete. Quem sabe um dia a Oposição acorda.

Joaquim Xavier
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Xadrez do COAF, dos Bolsonaro e do estado policial


Peça 1 – cronologia do fator Flávio Bolsonaro


14/11/2017 – deflagrada a Operação Cadeia Velha, que manda para a prisão vários deputados estaduais do Rio de Janeiro, entre eles Jorge Picciani.

16/11/2017 – manutenção da prisão de Jacob Barata, o todo-poderoso presidente da Fetransporte, a associação das empresas de transporte público do Rio de Janeiro, alvo da operação.

17/01/2018 – o Ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), concede habeas corpus e há uma manifestação da Procuradora Geral da República Raquel Dodge solicitando a manutenção da prisão dos deputados Jorge Picciani  e Paulo Cesar de Mello junto ao STF (https://goo.gl/tu7pL1). Ou seja, o caso chegou ao comando do MPF (Ministério Público Federal)

08/10/2018 – termina o primeiro turno das eleições e o deputado estadual Flávio Bolsonaro é eleito senador. Pelo Twitter, recebe os cumprimentos piedosos do juiz Marcelo Bretas, titular da Operação Cadeia Velha. “Parabenizo os novos Senadores, ora eleitos para representar o Rio de Janeiro a partir de 2019, Flavio Bolsonaro e Andrade de Oliveira. Que Deus os abençoes!” Ao que responde o piedoso Flávio: “Obrigado, Dr. Bretas e que Deus nos dê muita sabedoria, todos os dias, para fazermos a Sua vontade!”.

15/10/2018 – treze dias antes do segundo turno, são exonerados Fabricio de Queiroz, o militar que servia o gabinete de Flavio Bolsonaro, e sua filha Natália, contratada pelo gabinete do pai Jair (clique aqui).

28/10/2018 – encerra-se o segundo turno das eleições, com Jair eleito.

08/11/2018 – prisão preventiva de diversos deputados e assessores da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, no âmbito da Operação Furna da Onça, tocada pelo MPF do Rio e pelo juiz Bretas (clique aqui)

14/11/2018 – o MPF justifica as prisões alegando suspeitas de vazamento de informações da operação (clique aqui). As demissões dos assessores dos Bolsonaros ocorreram no período em que já se suspeitava dos vazamentos.

23/11/2018 – Flávio Bolsonaro se encontra por duas horas com o juiz Bretas. O encontro foi a pedido de Flávio. A troco de quê um senador eleito vai visitar o juiz que comanda o processo que envolve a Assembleia? Mais que isso. “Interlocutores próximos a Jair” informam O Globo ser intenção do novo presidente indicar Bretas para um tribunal superior (clique aqui).“Essa indicação pode acontecer tanto para o Superior Tribunal de Justiça (STJ), como para o Supremo Tribunal Federal (STF)”, diz o jornal. Quase certamente a tal “fonte próxima a Bolsonaro” era o próprio filho Flávio, falando em off.

Modestamente, o juiz minimiza o encontro, mas não rejeita um possível convite:

— Não tem nada disso, foi apenas um encontro amistoso. Já ouvi essas especulações (sobre as indicações). Mas, não tratamos sobre o tema.

Qual a intenção desse afago a Bretas?

06/12/2018 – a denúncia do Estadão em cima do relatório da COAF.

A narrativa mais óbvia:
  1. bolsonaroBem antes das eleições, as investigações sobre os esquemas da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro tinham identificado as principais operações suspeitas. E o nome dos assessores de Flávio Bolsonaro já constavam da relação do COAF.
  2.   Treze dias antes do segundo turno, são exonerados o militar Fabrício Queiroz – que trabalhava com Flávio há mais de dez anos – e sua filha Natália. É a indicação mais evidente de que Flávio foi informado das descobertas do COAF. Ao segurar a informação, os órgãos de segurança garantem a eleição de Jair Bolsonaro.
  3.  As peripécias dos filhos de Bolsonaro já eram bastante difundidas. Fotógrafos do Congresso flagraram uma troca de mensagem de Jair com o filho Eduardo, alertando-o para as consequências de seus atos (clique aqui). Dizia um dos trechos da mensagem: Jair: “Se a imprensa te descobrir ai, e o que está fazendo, vão comer seu fígado e o meu. Retorne imediatamente”.
Peça 2 – o jogo político da segurança

Na fase inicial, de formação do governo, o general Hamilton Mourão tinha dossiês prontos para torpedear grande parte das indicações bancadas pelos financiadores de campanha - o advogado Gustavo Bebiano, o dono do PSL, Luciano Bivar, e o lobista carioca Paulo Marinho – e pelos olavetes.

Em “Xadrez da nova corte e a fragilidade de Bolsonaro” há uma descrição dos grupos que se digladiam.

A desenvoltura e as trapalhadas da família Bolsonaro ganharam uma dimensão tal, a ponto de comprometer até a base aliada. Encrencaram-se com todos e, hoje em dia, são minoritários dentro do PSL. Há informações de que a maioria dos parlamentares eleitos planeja transferir-se para o DEM.

As declarações estapafúrdias dos Ministros das Relações Exteriores, Educação, Direitos Humanos, bancados pelos irmãos, estão sendo fontes de desmoralização internacional do Brasil. E tinha-se um dilema. De um lado, filhos insaciáveis ; do outro, um pai incapaz de qualquer atitude para enquadrá-los.

Mal terminaram as eleições, Flávio Bolsonaro combinou com Wilson Witzel, governador eleito do Rio de Janeiro, uma ida a Israel para compras milionários mal explicadas de equipamentos de segurança. Witzel acabou indo sem Flávio. Aliás, é questão de tempo para se revelar sua verdadeira dimensão.

Os Bolsonaro se tornaram, portanto, uma ameaça à estabilidade do novo governo. E seria impossível que as estripulias da família Bolsonaro passassem despercebidas dos serviços de informação do Exército.

Até agora, nesse relatório do COAF, apareceu apenas a ponta do iceberg. Rompida a blindagem, certamente haverá uma enxurrada de novas acusações. Os Bolsonaro nunca tiveram envergadura para jogadas dos políticos do alto clero, bancados por empresas. No baixo clero, as jogadas são com esquemas de Detran, caixinhas de prestadores de serviço e, no caso do Rio de Janeiro, alianças com milícias, de muito mais fácil identificação. Em muitos casos, se misturam crimes de colarinho branco com crimes de sangue, como se viu no episódio Marielle.

Peça 3 – o COAF e estado policial

O relatório da COAF teve duas funções. Enquanto oculto, não comprometeu a eleição de Jair. Depois de eleito, ajudará a excluir a família presidencial do processo decisório. O jogo político-jurídico extrapolou o combate ao PT e entrou de cabeça nas disputas pelo poder. O bate-pronto do general Mourão, exigindo explicações do motorista e do filho, não deixam espaço para dúvidas.

A única dúvida é se, o fato de ter vindo à tona antes da posse de Bolsonaro, foi fruto de um vazamento não planejado ou se foi necessário antecipar a denúncia para conter a fome dos rapazes.

Haverá uma de duas possíveis consequências.
  1. Depois de empossado, um processo rápido de impeachment de Jair Bolsonaro, assumindo o vice-presidente Mourão.
  2. Mais provável, ter-se-á um Jair sem os filhos. E, sem os filhos, Jair Bolsonaro é apenas uma figura frágil, facilmente controlável por patentes superiores. Terá papel meramente decorativo, e com as rédeas do governo transferidas definitivamente para os ministros militares.
Consolida-se, de forma nítida agora, a aliança entre os setores militares e o juiz Sérgio Moro. E, nesse ponto, torna-se inexplicável a falta de reação da Febraban, da OAB e das instituições em geral ao projeto de transferir o COAF do Ministério da Fazenda para o da Justiça. Não se trata de uma mera movimentação burocrática, mas do capítulo mais grave de transformação do país em um estado policial.

A Lei que criou o COAF (Lei 9613/98) colocou o Conselho no "âmbito do Ministério da Fazenda". Em todos os grandes países, são os Ministérios das Finanças que abrigam órgãos tipo COAF. O órgão recebe dados de todas as transações acima de R$ 10 mil.

É uma função da área financeira dos governos, porque é essa área que tem acesso aos

Dados. O Ministério da Fazenda tem a rede conectada ao sistema bancário para extrair esses dados.

Os auditores têm acesso a todas as transações, mas selecionam para análise apenas as operações suspeitas. Estima-se que, de cada mil transações, 998 são regulares e apenas 2 são consideradas suspeitas. Mas todas elas são acessíveis aos técnicos do COAF. Seu pessoal é concursado do Ministério da Fazenda. São quadros diferentes da Justiça. Os auditores fiscais têm status superior ao pessoal da Justiça e cultivam a cultura da proteção do sigilo bancário e fiscal, que não existe no Ministério da Justiça.

No COAF, nunca houve vazamento. E na Justiça? Até agora, essa transferência é o principal instrumento de suspeita sobre a criação de um estado policial. Ficarão à mercê de Moro dados fiscais de congressistas, políticos, empresários, jornalistas, líderes da oposição.

O que se tem de concreto é que, nesses tempos de estado de exceção, o relatório ajudou a eleger um presidente, levando junto um vice-presidente militar. E ajudará a entregar ao vice o comando do governo.



Luís Nassif
No GGN
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Ricardo Salles, do 1/2 Ambiente, incentivava fuzis contra ‘bandidagem no campo’


No mesmo fim de semana em que dois militantes do MST são executados na Paraíba - José Bernardo da Silva e Rodrigo Celestino -, o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), anunciou o nome do radical de direita Ricardo Salles, criador do movimento Endireita Brasil, para o ministério do Meio Ambiente em seu futuro governo.

Na propaganda em que se candidatou para deputado federal pelo Partido Novo em São Paulo, pela qual não se elegeu, Salles incentivava o uso de fuzis "contra a bandidagem no campo" e "contra a esquerda e o MST". A incitação à violência era frequente em postagens em suas redes sociais.

O material chegou a ser repudiado pelo próprio partido. Pelo Twitter, o Novo alertou que "não compactua com qualquer insinuação ou apologia à violência, de qualquer tipo, contra quem quer que seja". A legenda acrescentou, no post, que já teria orientado o candidato e que não aprovava a mensagem difundida por ele.

O líder nacional do MST, João Pedro Stédile, afirmou neste domingo, em referência ao discurso de Bolsonaro, que "a execução dos dois militantes do movimento na Paraíba é resultado da propaganda de violência e impunidade que o capitão neofascista fez durante a campanha".

"Queremos tipificar as ações do MST e do MTST como terrorismo", disse ele durante a campanha. "Quero que matem esses vagabundos do MST", discursou em Vitória (ES) em novembro do ano passado, quando afirmou também que "a propriedade privada é sagrada".
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Com Bolsonaro, Damares e cia., evangélicos eliminam os mandamentos “não darás falso testemunho” e “não roubarás”


A eleição de Jair Bolsonaro deve muito à cegueira cúmplice e deliberada dos evangélicos.

O slogan de lojas da banha “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos” é o xarope que acompanha um desastre anunciado.

Agora se sabe, mais do que nunca, que quem está acima de tudo, principalmente da carne seca, é a família Bolsonaro.

As lideranças religiosas decoram os versículos mais obscurantistas da Bíblia, mas não dão a mínima para mandamentos como “não roubarás” e “não darás falso testemunho”.

O neopentecostalismo celebra a riqueza e os Bolsonaros são um símbolo da prosperidade. Como ele chegou lá é um detalhe. Está lá no livro de Edir Macedo que seu messias estava para chegar.

A mitologia da humildade e as palavras de Jesus Cristo sobre a pobreza não fazem parte da liturgia desse pessoal.

Vivem citando o versículo “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” enquanto espalham fake news como o demônio.

Onyx Lorenzoni, investigado no STF por suspeita de caixa 2 (não o que ele já admitiu ter recebido), fala que “já se resolveu com Deus” e bola pra frente.

Ganhamos a pastora Damares, futura ministra, ex-assessora de Magno Malta, uma das figuras mais bizarras desde Heliogábalo, o imperador romano que adorava o Sol, para o qual fazia orgias com anões, cavalos e virgens.

Jesus se manifestou diversas vezes contra o amor ao dinheiro e contra a ganância. Não lhe faltaria, portanto, assunto.

O estado laico é afrontado numa boa em nome de uma versão pagã, fundamentalista cretina do cristianismo.

Dane-se o Brasil. Dane-se, ao fim e ao cabo, o Senhor que eles não se cansam de invocar.

Muito mais importante do que os malfeitos de um dos nossos é combater os gayzistas, os abortistas, os comunistas, os satanistas, os vermelhos, os ateus, os índios.

Bolsonaro deveria ser um embaraço para os cristãos, já que monta na fé para enganar os trouxas.

Ao invés disso, é celebrado, não importa o que faça.

Não custa lembrar: Jesus nunca entrou numa igreja.

Kiko Nogueira
No DCM
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O$ mistério$ que rondam Queiróz, o “amigo” dos Bolsonaros

Jair e Flavio Bolsonaro ao lado do amigo Queiroz
Reprodução das redes sociais
Ainda são muitos os mistérios em torno dos altos valores – R$ 1,2 milhão – movimentados pelo subtenente da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ), Fabrício José Carlos de Queiroz, que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras – Coaf, rastreou. Ele fez movimentações milionárias em conta bancária, com depósitos e saques mais do que suspeitos, incluindo R$ 24 mil que foram parar na conta de Michele de Paula Firmo Reinaldo Bolsonaro, a futura primeira-dama do país.

Os mistérios, porém, não se resumem apenas à farra com dinheiro desconhecido e, por isso mesmo, suspeito. A trajetória profissional deste suboficial da PM do Rio também guarda curiosidades que deveriam merecer atenção. Além de devidas explicações.

Aos 53 anos de idade – ele nasceu em outubro de 1965 – Queiroz, em novembro passado foi para a reserva remunerada, com 35 anos de serviços prestados, 31 deles na corporação militar. Nela ingressou em 28 de dezembro de 1987, então com 22 anos. Aposentou-se, portanto, com bem menos do que a idade mínima que os neoliberais que administrarão a economia do país falam em exigir dos trabalhadores em geral. Tudo, porém, dentro das regras e legislação existente.

Provavelmente a partir dos 18 anos, ao prestar serviço militar no quartel de Paraquedistas do Exército, começou a contar seu tempo de contribuição à previdência. Foi naquela época que não apenas conheceu o hoje capitão eleito presidente da República, Jair Messias Bolsonaro. Data de então a amizade surgida entre os hoje subtenente e o atual capitão reformado. Uma amizade que se estendeu aos filhos do oficial do Exército que virou político. Também conviveu com o futuro vice-presidente, general Hamilton Mourão. O mesmo que hoje cobra explicações sobre estas estranhas movimentações financeiras.

Queiroz e o capitão Bolsonaro em uma pescaria
reprodução das redes sociais
Curiosamente, dos 31 anos de carreira militar na PMERJ, em um estado no qual a questão da segurança é premente há muito tempo, Queiroz passou apenas 19 anos e três meses dentro do quartel exercendo a atividade que optou. Outros 11 anos e seis meses foram dedicados à assessoria parlamentar, na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro – ALERJ.

Nela, segundo cadastros oficiais a que o Blog teve acesso, ele ingressou em 1° de abril de 2007. Foi justamente no início do segundo mandato de Flávio Bolsonaro como deputado estadual, então pelo PP. Na eleição anterior ele elegeu-se pelo PPB.

Apesar de afastado da Polícia Militar, Queiroz continuou recebendo seu soldo normalmente, acumulando com os vencimentos dos cargos comissionados que lhe deram no gabinete. O último deles, para o qual foi nomeado em 4 de junho passado, foi de Assessor Parlamentar III, símbolo CCDAL – 3, que lhe deu direito a um vencimento líquido, em setembro passado, R$ 8.517,86.  Até junho, na função de Auxiliar I, símbolo CAI-16, tinha um rendimento líquido de R$ 6.577,64. Teoricamente, estes valores devem ser ressarcidos ao Executivo pelo Legislativo, mas houve épocas em que nem sempre isso ocorreu.

O surpreendente, porém, em especial por todos os problemas que o Estado do Rio vive com a falta de segurança é que o suboficial, em 2011, quando já não mais prestava serviços à Polícia Militar e servia como motorista/segurança a um deputado estadual, conseguiu uma promoção. Em um cadastro que o Blog consultou consta que “até 31/12/2011 era assistente administrativo. A partir de 1/1/2012 passou a ser Dirigente do Serviço Público Estadual e Distrital”.

Segundo a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), tal denominação abrange aqueles que atuam como “Chefe do serviço público estadual e distrital, Coordenador do serviço público estadual e distrital, Funcionário público estadual e distrital superior, Gerente do serviço público estadual e distrital, Secretário estadual e distrital (serviço público estadual e distrital)”. Fica a dúvida: atendendo como motorista/segurança de um parlamentar, a quem Queiroz chefiava e/ou coordenava?

Muito provavelmente esta “estranha” promoção justifique a diferença salarial que ele, como subtenente, mantém em relação aos demais colegas de farda, mesmo estando afastado do serviço de policiamento e de um quartel da PMERJ.

Segundo uma tabela de remuneração dos quadros da Polícia Militar do Rio consultada pelo Blog (reproduzida ao final), o soldo total de um subtenente em 2018 é de R$ 9.278,00 brutos. Com o desconto dos impostos cai para R$ 8.047,48.

Remuneração percebida pelo subtenente Queiróz em novembro de 2018.
Já Queiroz, em novembro de 2018, conforme mostra o site de transparência da Secretaria de Planejamento do Estado do Rio de Janeiro, percebeu bruto R$ 12.563,54. Com os descontos de praxe teve depositado em sua conta bancária R$ 9.020,20, quase o que seus colegas de patente recebem de forma bruta.

Tal rendimento é superior ao que percebem os capitães da PMERJ. Pelo mesmo quadro consultado, o rendimento bruto de um deles é de R$ 10.477,68. Feitos os devidos descontos, o valor depositado na conta cai para R$ 9.105,13, portanto, apenas R$ 85,00 a mais do que o subtenente, que jamais cursou a Academia de Polícia, recebeu em novembro passado.

Tendo por base o salário que ele recebeu na PMERJ em novembro e o que ele recebia antes na ALERJ (cuja base é a folha de pagamento de setembro), estimula-se que para atender ao deputado Flavio Bolsonaro na condição de motorista/segurança, Queiroz recebia do Estado do Rio de Janeiro, líquido, algo em torno de R$ 17.538,00.

Com base no mesmo quadro remuneratório da Polícia Militar, constata-se que percebeu do cofre estadual mais do que o valor depositado na conta bancária de um tenente coronel PM: algo em torno de R$ 15.662.

A remuneração alta, acima do que recebem seus colegas de farda, porém, não é o único mistério que ronda a carreira do subtenente Queiroz. O que parece ter sido esquecido pela grande mídia é que em fevereiro passado, pouco depois de assumir como interventor na área da segurança pública do Rio, o general  Walter Braga Netto, alardeou que exigiria o retorno dos 3.113 servidores das Polícias Militar e Civil, do Corpo de Bombeiros e da Secretaria de Administração Penitenciária que estavam emprestados a outras instituições, fora das funções para as quais foram contratados. O bate-boca demorou. Só na ALERJ estavam 151 policiais militares, 63 servidores do Corpo de Bombeiros e 38 da Polícia Civil.

No final das contas, em 16 de abril, o então secretário de Segurança do Rio de Janeiro, general de divisão Richard Fernandez Nunes, publicou no Diário Oficial a Resolução SESEG Nº 1.170 de 13 de abril de 2018, dispondo sobre “a suspensão da cessão de Policiais Militares à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro”.

No texto, alegou o que todos sabiam: “a necessidade de otimizar os esforços realizados pelas forças de segurança pública, em conter a criminalidade e proporcionar segurança ao cidadão fluminense; e que a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro encontra-se com déficit de efetivo e, mesmo se convocados todos os aprovados no último concurso, não alcançará o contingente previsto para a Corporação, o que traz dificuldades para o cumprimento de sua missão constitucional”.

Curiosamente, porém, dos 151 policiais militares emprestados à ALERJ, convocava apenas 87 PMs. Os demais 64, segundo a própria Resolução, foram mantidos “excepcionalmente (…) a fim de garantir a proteção pessoal dos deputados estaduais e o exercício de outras atividades policiais naquele órgão”.

Queiroz foi um dos mantidos. Afinal, como consta, muito embora se desconheça qualquer ameaça concreta ao deputado Flavio Bolsonaro, ele estava ali para garantir a segurança do mesmo. Mas não apenas isso. Pelo que demonstrou o Relatório do Coaf, serviu também como administrador de conta bancária que movimentou valores altos. De origem, até agora, desconhecida.

Abaixo a tabela de remuneração da PMERJ em 2018 extraída do contodefardas.blogspot


Marcelo Auler
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Velho truque: sem resposta decente para caso do Coaf, Bolsonaro ataca o PT

Bolsonaro grava vídeo para a tal Cúpula Conservadora das Américas
É o truque mais velho do livro, mas a validade venceu.

Em discurso por vídeo no encerramento da Cúpula Conservadora das Américas, em Foz do Iguaçu, auto proclamada resposta da direita ao Foro de São Paulo, Jair Bolsonaro insistiu na retórica da campanha.

Sem uma resposta decente para o caso do ex-assessor de seu filho Flávio citado no Coaf, escândalo que respingou em toda a família e em sua papagaiada anti corrupção, ele voltou suas baterias para o velho espantalho petista.

“Ou mudamos agora o Brasil, ou o PT volta, com muita mais força do que tinha”, falou.

“Não está em jogo o sucesso” do seu mandato, “mas o do Brasil”.

Acusou novamente “fraude nas eleições”. Isso vindo do sujeito cujas contas foram aprovadas no TSE com ressalvas e que teve seu serviço uma usina de fake news.

Lembrou que luta contra ideologias de esquerda desde os anos 70, quando era ainda um garoto, antes da fundação do PT nos anos de 80.

“O oxigênio deles [das esquerdas] é a população mais pobre”, admitiu.

Lançou dúvida sobre o potencial conclusivo das investigações sobre sua facada porque Adélio Bispo de Oliveira é ex-militante do PSOL.

“Há um aparelhamento de todas as instituições no Brasil”, garante.

É preciso “lutar pela liberdade”, um “bem maior”.

Pouco antes, seu filho Eduardo tinha dado uma explicação tragicômica para o imbroglio Coaf: amizade e política podem se misturar e “às vezes ocorre de emprestar dinheiro”.

Acrescentou que “o que ocorreu ali ninguém sabe”.

Esse governo é uma tragédia anunciada.

Bolsonaro vai tentar manter o clima de guerra para disfarçar o fracasso em tempo recorde.

Ele sabe que é uma fraude. Um sujeito dado a pequenos expedientes e grandes negócios há 30 anos na política.

Ninguém poderá se surpreender se o PM/motorista de Flávio Bolsonaro não aparecer com uma carteirinha de fundador do PT.

Kiko Nogueira
No DCM
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O possível futuro africano do Brasil

http://insightnet.com.br/segundaopiniao/?p=581

Em 2015, cerca de oitenta por cento dos cinco bilhões de pobres viviam em países em desenvolvimento, conforme a previsão do projeto Millenium das Nações Unidas. A contabilidade mantém como resíduo retardatário o bilhão de miseráveis ainda espalhados pela África e partes da Ásia. Não há explicação oficial para tamanha estagnação nem proposta para superá-la. Aparentemente, acidentes fortuitos teriam provocado o retardamento, e a perseverança nas receitas canônicas do desenvolvimentismo dará conta do problema. A este bilhão, o Brasil acaba de acrescentar cerca de 55 milhões de pobres e miseráveis (26,5% da população) que, ademais, revelam mórbida hierarquia de indigência entre a porcentagem de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza em certas regiões: 54% no Maranhão contra 8,5% em Santa Catarina, conforme o critério do Banco Mundial. O destino de um fracasso africano não é uma possibilidade retórica para o Brasil.

O pântano em que se encontram a África e partes da Ásia resultou das estratégias de ocupação colonial, pós Primeira Guerra Mundial, com o objetivo político de apropriação de grandes espaços, acompanhado da meta econômica de predação de recursos naturais e expansão de comunidades agrárias monocultoras. Alemanha, França, Bélgica, Holanda, Itália e Inglaterra, principalmente, agregaram ou dividiram etnias heterogêneas para a conformação de estados subordinados, tendo o sucesso assegurado pela imensa disparidade em capacidade bélica e sofisticação de armamentos.

O fim da Segunda Guerra Mundial deu início ao processo de descolonização, cujos frutos foram sociedades rurais pobres, recheadas de conflitos internos insuperáveis e com os perfis esculpidos no bilhão de miseráveis que constituem a base da pirâmide internacional (O processo de formação dos estados colonizados encontra-se em Robert Bates, The Development Dilemma, Princeton, 2017; o tema do bilhão da base econômica e social da humanidade está em Paul Collier, The Bottom Billion, Oxford, 2007).

Nações podem fracassar, tal como ensina a História. Em todos os casos, o fracasso sempre foi consequência da incapacidade de um país manter-se atualizado na vanguarda do modo de produção da riqueza. Lê-se a crônica de vários fracassos em Collapse – How societies choose to fail or succeed, de Jared Diamond (Viking/Penguin, 2005) que, em passagem rápida, expõe o essencial do problema: “(todos os casos estudados) ilustram situações nas quais uma sociedade falha na solução de problemas percebidos porque a continuidade de tais problemas é benéfica para alguns grupos (p.432 – no original está “algumas pessoas”, mas a explicação me parece bem mais generalizante).

Fracasso não significa falência. Fracasso indica estabilidade ou decadência em posições subalternas na hierarquia internacional. Por razões historicamente acumuladas, Collier revela os principais obstáculos que impediram a África e partes da Ásia; ao perderem passo na revolução industrial, ficaram incapacitadas para inserção autônoma na internacionalização da economia mundial. Como todo analista de bons sentimentos, tanto ele, quanto Battes e Diamond sugerem estratégias de superação do fracasso. Não resistem à análise crítica.

O Brasil acumula deficiências desde o século XIX, acentuadas durante a Primeira República (cujo estilo de governo central dividido com potentados locais, monopolizadores da terra, é primo carnal da estratégia inglesa em suas colônias), terminou incluído no conjunto de países de ciclos de desenvolvimento frustrados: o início de industrialização com Getúlio Vargas, em 1930, foi abortado por Eurico Dutra e pelo entreguismo de Juscelino Kubischek (durante todo o Império e os primeiros 60 anos da República o exclusivismo agrícola ficou intocado); os ensaios de concepção militaristas da ditadura de 64 foram facilmente desmontados pelos dois mandatos tucanos de Fernando Henrique Cardoso; finalmente, a opção pelo consumismo de massa e proteção ao sistema bancário, versão Lula, não resistiu a dois anos de Michel Temer.

Com a revolução industrial incompleta e a supremacia da subalternidade como ideologia, o Brasil, que de sexta economia industrial no mundo, já caiu à décima posição, tende a ocupar a posição de copeiro na civilização tecnológica em curso. E, claro, a posição subalterna será extremamente benéfica para alguns grupos. Há bilionários na África.
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Mino Carta: “A demência como forma de governo”. Eles não sabiam em quem votaram?

https://www.balaiodokotscho.com.br/2018/12/08/mino-carta-a-demencia-como-forma-de-governo-eles-nao-sabem-em-quem-votaram/

Na perfeita descrição de Mino Carta, o que aconteceu foi o seguinte:

“O golpe de 2016 representou o arremate fatal e, com a inestimável colaboração de um Judiciário disposto a legalizar a ilegalidade, prepara com desvelo a eleição de Bolsonaro e a instalação da demência como forma de governo. Nunca o Brasil viveu situação tão grave e, só aparentemente, tão absurda”.

Tão absurda, que só agora, cinco semanas após a vitória de Bolsonaro e de toda a onda conservadora que varreu o país, e elegeu variados cacarecos, boa parte da população só está se dando conta agora de quem são os novos donos do poder.

Se parte do eleitorado apenas foi na onda das fake news do antipetismo, outros tantos conheciam e apoiavam o projeto do capitão reformado, que sabia muito bem para que e em nome de quem estava sendo eleito.

A cada dia, um novo susto: é o Bolsogate do dinheiro voando nas contas do assessor milionário do filho, é a baixaria dos eleitos pelo esquizofrenico PSL se estapeando nas redes sociais, é o ministério frankenstein teocrático-jurídico-militar-populista-olavariano-de-carvalho, são os mentidos e desmentidos que se sucedem, sem ninguém saber para onde, afinal, eles querem levar o país.

Só sabemos até agora dos objetivos do novo governo: leiloar para estrangeiros as terras da Amazonia e as reservas do pré-sal, privatizar a educação e a saúde, criminalizar os movimentos sociais, evangelizar os índios com celulares, exterminar os direitos trabalhistas e acabar com a pobreza matando os pobres de fome.

Como farão isso ainda não está muito claro, mas contam até agora com o silêncio obsequioso dos partidos de oposição, da sociedade civil e da mídia grande, com poucas e honrosas exceções.

Agem como um exército de ocupação, que fará as suas próprias leis, a cargo dos superministros da Economia e da Justiça, ambos objetos de investigação -  o financista, pelo MP e pela PF, e o ex-juiz, no CNJ.

Com um general escalado para lidar com o Congresso e outros oito militares no primeiro escalão, o presidente eleito armou sua retaguarda, antes que se tornassem publicas as atípicas movimentações financeiras do primeiro-amigo, o PM Fabrício Queiroz e sua família, em conexão com os Bolsonaro.

Ao tentar explicar o inexplicável, o futuro chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, outro investigado por corrupção no caixa dois, encerrou uma entrevista coletiva na sexta-feira e virou as costas para os jornalistas.

Já não se encontra ninguém para defender este governo que corre o risco de acabar antes de começar.

Nem mesmo se dignam a isso os isentões do voto em branco, que ajudaram a eleger o capitão reformado, “para acabar com essa raça do PT”, e agora já se mostram arrependidos.

Em nome do combate à corrupção, elegeram um monte de tipos estranhos, sem saber de quem se tratava, e acabaram enchendo o galinheiro da velha política de raposas novinhas.

Centenas de municípios brasileiros continuam sem médicos porque os cubanos foram embora e os brasileiros ainda não apareceram.

Exportadores brasileiros estão em pânico com os primeiros desmandos da “política externa” bolsonariana-trumpista, declarando guerra ao resto do mundo para combater os “vermelhos”, banqueiros fazem cara de paisagem para ver o que acontecerá no Posto Ipiranga depois de janeiro e o povo bestificado a tudo só assiste.

Nem o mais delirante ficcionista político seria capaz de criar um enredo tão horripilante, faltando apenas 23 dias para a posse.

Vida que segue.

Ricardo Kotscho
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Oito funcionários fizeram depósitos em conta de ex-assessor de Flávio Bolsonaro

Segundo relatório do Coaf, Fabrício Queiroz teve movimentação atípica de R$ 1,2 milhão entre janeiro 2016 e janeiro do ano passado

Fabrício Queiroz foi assessor de Flávio Bolsonaro por mais de dez anos
Foto: Reprodução/Facebook
Relatório do Coaf aponta que o ex-assessor do deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL), senador eleito pelo Rio, recebeu depósitos em espécie e por meio de transferências de oito funcionários que já foram ou estão lotados no gabinete do parlamentar. De acordo com o documento, anexado às investigações da Operação Furna da Onça, o subtenente da Polícia Militar Fabrício José de Carlos Queiroz teve uma movimentação atípica de R$ 1,2 milhão de 01/01/2016 e 31/01/2017.

Uma das filhas do PM, Nathalia Melo de Queiroz estava lotada no gabinete de Flávio até dezembro de 2016, com salário de R$ 9.835,63. No período relatado pelo Coaf, fez depósitos que totalizaram R$ 84.110,04 e ­ transferência de R$ 2.319,31. Depois que saiu do gabinete de Flávio, Nathália foi funcionário do presidente eleito Jair Bolsonaro na Câmara. Deixou o cargo no mesmo dia em que o pai pediu exoneração do gabinete de Flávio.

A mulher de Queiroz, Marcia  Oliveira  de  Aguiar, exerceu cargo de consultora parlamentar do gabinete de Flávio, com  salário bruto de R$ 9.835,63, entre 02/03/07 a 01/09/17. Ao marido, o repasse em dinheiro foi de R$ 18.864,00, segundo o Coaf. Em transferências, o valor chegou a R$ 18,3 mil.

Na lista, há ainda três funcionários que aparecerem na última folha de pagamento da Assembleia Legislativa do Rio disponibilizada no site da Casa, a de setembro deste ano. Queiroz recebeu de Raimunda Veras Magalhães, de acordo com o relatório, R$ 4,6 mil. Ela aparece na folha da Alerj com salário líquido de R$ 5.124,62.

Outro que ainda consta na folha é Jorge Luis de Souza, cujo salário líquido em setembro de 2016 foi de R$ 4.847,27. Segundo documento do Coaf, o depósito dele foi de R$ 3.140,00. 


Agostinho Moraes da Silva, que aparece com salário líquido de R$ 6.787,49, fez depósito de R$ 800. Ao GLOBO, ele disse que trabalhou com Fabricio e que quando o ex-assessor "tirava serviço" para ele, ele pagava ao colega que fez o trabalho em seu lugar. Não explicou, no entanto, qual era o tipo de serviço. Afirmou ainda que "o resto vai ser esclarecido no inquérito". Flávio Bolsonaro, Queiroz e os assessores não são alvo de investigações. O Ministério Público Federal (MPF) ressaltou que a identificação de movimentação atípica do PM não configura um ilícito por si só.

Outro depósito, de R$ 3.542,00, veio de ­Luiza Souza Paes, que foi funcionária do gabinete de Flávio em 2012. Depois, ela exerceu outras funções na Alerj. Consta ainda transferências eletrônicas num total de R$ 7.684,00.

O relatório do Coaf aponta ainda que Queiroz recebeu transferência eletrônica de R$ 3,2 mil de Marcia Cristina Nascimento dos Santos, que, em fevereiro de 2016, aparecia na folha de pagamento da Alerj com um salário líquido de R$ 5.160.98.

De acordo com o documento do Coaf, Wellington  Servulo da  Silva, que aparecia na folha de fevereiro de 2016 com salário líquido de R$ 4.847,27, fez transferência num total de R$  1,5 mil.

O Globo não conseguiu contato com Queiroz e tenta contatos com as pessoas que fizeram depósitos para o ex-assessor.
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Citada pelo Coaf, ex-servidora de Bolsonaro dizia no Facebook que trabalha na Globo. Ela é filha do caixa eletrônico

Nathalia Queiroz, filha do ex-assessor de Flávio Bolonaro, fechou a conta no Facebook
Uma ex-funcionária de Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados é citada no relatório do Coaf sobre operações bancárias suspeitas realizadas por um ex-assessor do filho Flávio.

Fabrício José Carlos de Queiroz movimentou R$ 1,2 milhão entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, o que foi considerado suspeito pelo órgão.

Os registros mostram que Michele Bolsonaro, futura primeira dama, recebeu um cheque de R$ 24 mil.

O documento também cita Nathalia Melo de Queiroz, filha de Fabrício, lotada no gabinete de Flávio Bolsonaro entre 2007 e 2016.

Menos de uma semana depois de ser exonerada, em dezembro de 2016, ela virou secretária parlamentar de Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados.

Personal trainer de atores como Bruno Gagliasso e Bruna Marquezine, Nathalia repassou quase todo o salário que recebeu naquele ano para o pai: R$ 84,1 mil.

Deixou o cargo no gabinete de Jair em 15 de outubro, mesmo dia em que o pai saiu do de Flávio na Alerj.

No Facebook, Nathalia afirma que trabalha na “Rede Globo”. Ela desativou a conta desde a eclosão do escândalo.

Kiko Nogueira
No DCM
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Damous, diante do silêncio de Dellagnol sobre o escândalo dos Bolsonaro: “Power point no c… dos outros é refresco”


O escândalo da família Bolsonaro é um dos principais assuntos do twitter.

Primeiro, pela explicação estapafúrdia dada pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro, (PSL) para o R$ 1,2 milhão na conta do ex-assessor do filho eleito senador, Flávio Bolsonaro.

”Como um cara que movimentou mais de um milhão de reais precisa pedir empréstimo de 40 mil?”, estranha @bernardocotrim:’


A explicação é tão disparatada, que  Paulo RJ, @hospicio_brasil, já tem uma pergunta prontinha para o Enem 2019.


O deputado Paulo Pimenta, líder do PT, na Câmara, diz com todas as letras: ”é mentira!”


O ator @zehdeabreu ironiza: “Quando Bolsonaro falava de governar para a família, não pensei que fosse só para a família dele”.

A senadora @gleisi, presidenta do PT, escracha a seletividade: ”Se fosse c/ alguém do PT já teria rolado prisão preventiva do assessor e a negociação de delação premiada!”


Para aqueles que só chamam petistas de petralhas, @depjorgesolla (PT-BA) faz um esclarecimento precioso:


Curiosamente, bolsonaristas que sempre defenderam a prisão política, sem provas, do ex-presidente Lula, de repente, descobriram direitos previstos na Constituição Federal.


Segundo motivo pelo qual o assunto está bombando no twitter é o silêncio sepulcral do procurador da República, Deltan Dallagnol.

“Power point no c… dos outros é refresco”, diz @wadih_damous.


Preocupada com o sumiço, @Margot_Jung pergunta: ”Aconteceu alguma coisa?”

@FernandoHortaOf pede ajuda: “Alguém sabe se o Sargento Garcia de Curitiba está bem?


Prontamente, @pauloteixeira13 os tranquiliza e dá o caminho das pedras para Dallagnol:


E já que Dallagnol ainda não fez o power point,  Pimenta apresenta um para ele e Sérgio Moro começarem as investigações.


A propósito, em períodos de muita tensão,  as defesas naturais do nosso organismo tendem a diminuir.

Aproveitando-se da imunidade menor, microorganismos podem fazer a ”festa” e causar, por exemplo, gripe com febre, coriza, dor de garganta e muita tosse.

O problema é que gripe ”pega” e se ”espalha”, não livrando a cara nem de presidente eleito e família.

Diante disso, @rogériotomazjr, alerta:”Chega ao Brasil a gripe Bolsonaro. Coaf, Coaf, Coaf!


Conceição Lemes
No Viomundo
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Tempo de combinar

A falta de esclarecimento imediato por quem o devia aumentou a aparência viciosa da presença de Michelle Bolsonaro nas incoerências financeiras do motorista de Flávio Bolsonaro. Se não por ética pessoal, como obrigação de presidente eleito não podia Jair Bolsonaro dispensar-se de explicar o recebimento, por sua mulher, de um valor financeiro “atípico”.

Nas circunstâncias especiais do momento, também o motorista Fabrício de Queiroz devia pronta explicação do repasse feito e da sua movimentação de R$ 1,2 milhão em 2016, ou R$ 100 mil por mês, em valores da época. O silêncio de todos equipara-se à atitude dos que precisam combinar suas explicações.

De Onyx Lorenzoni e Sergio Moro vieram duas contribuições para a estranheza do silêncio. O primeiro protestou e interrompeu uma entrevista coletiva, ao se ver indagado sobre o assunto. Como deputado, há mais de 15 anos Lorenzoni é um dos mais intempestivos nas inquirições parlamentares. Não tem limites. Moro, confrontado com o assunto, saiu em silêncio.

Para um grupo autoproclamado de moralizadores do país, convenhamos que tanto o fato inicial como a fuga para o silêncio não saem da vulgaridade. Sem por isso surpreender, é verdade. PM até o mês passado, o motorista financeiro é, além do mais, velho companheiro do Bolsonaro pai. Dado no noticiário como ex-servidor do gabinete de Flávio Bolsonaro, um verbo na nota do senador eleito expõe a permanência do vínculo, mesmo fora do serviço público: “trabalha há mais de dez anos como motorista e segurança do deputado Flávio Bolsonaro”. Relação “de amizade e confiança”. Tipo para o que der e vier.

Não seria impossível, muito ao contrário, que o Bolsonaro pai estivesse avisado da constatação, não recente, do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, Coaf, na conta do motorista cujo último vencimento de servidor foi de R$ 8.500. Doze meses desse valor atual equivaleriam a um só mês da movimentação financeira média do então PM em 2016. Pode ser tudo legal, mas não considerável assim enquanto não demonstrada essa legalidade. O mesmo quanto à destinação dos montantes destinados. Informado ou não, Bolsonaro transfere o Coaf da área econômica para o Ministério da Justiça. Futura sede da Doutrina Moro, segundo a qual, para alguns, a exemplo do presenteado Onyx Lorenzoni, ilegalidade como caixa dois é anulável com simples pedido de desculpas, só.

Uma e outra

General nº 8 no futuro governo, o escolhido secretário Nacional da Segurança Pública, Guilherme Theophilo, retoma uma diretriz conhecida: “Nós temos de pegar quem está usando o crime organizado para se eleger”.

Sim, mas a importância maior está no inverso: prender quem se elege para servir ao crime”. Não são poucos — os eleitos e os crimes.

Perigo à vista

Sempre atraente nas suas reflexões, o professor Oscar Vilhena considera que o Supremo Tribunal Federal perdeu a credibilidade para ser Poder Moderador, deixando-o aos militares. Hipótese muito importante. E a ela apôs, ao lançar seu livro “A Batalha dos Poderes” (já o recomendo), uma pergunta instigante: “Será que sobrou um pouquinho de capital político e de reputação para que o tribunal possa exercer a missão que lhe é natural?”

Menos sutil, outra pergunta, a meu ver, acompanha aquela: será que, em havendo a sobrinha do capital citado, a atual composição do Supremo seria capaz de elevá-lo a exercer sua missão natural?

Duas perguntas perigosas.

Janio de Freitas
No fAlha
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