8 de dez de 2018

A política externa brasileira deve buscar um maior alinhamento com os EUA? NÃO

Ao longo dos últimos 30 anos após a queda da ditadura - excetuados os dois ou três últimos -, o Brasil se foi firmando como uma potência independente, com papel aglutinador na América Latina e no mundo em desenvolvimento, em particular em relação à África e com peso nas relações internacionais, inclusive junto às grandes potências.

Com a democratização, a estabilização financeira e a eleição de um líder oriundo das camadas mais pobres da população, profundamente engajado com a diminuição da desigualdade social, foram sendo sucessivamente criadas as condições objetivas e subjetivas para o exercício de um papel próprio e afirmativo do nosso país no cenário internacional.

Como ministro de Itamar Franco e embaixador de Fernando Henrique Cardoso, vivenciei alguns dos processos que prepararam o grande salto dado no governo do presidente Lula. No curto período Itamar, institucionalizamos o Mercosul e não permitimos que fosse "engolido" pelo projeto de dominação da Alca.

Como embaixador na ONU no governo FHC, atuei, sem que Brasília objetasse, em favor de uma solução pacífica para a questão do Iraque, buscando introduzir certo grau de racionalidade no sistema de inspeção de armamentos e procurando pôr termo ao regime de sanções que penalizava o povo (e não o governo) iraquiano.

Como embaixador em Genebra e com o apoio do então ministro da Saúde, José Serra, negociei, em nome do Brasil, a Declaração de Doha sobre propriedade intelectual e saúde pública, até hoje um marco de referência na busca de soluções adequadas e acessíveis para enfermidades como a aids, a malária e a tuberculose.

Não há espaço aqui para recapitular as posições e iniciativas tomadas pelo Brasil durante o governo Lula e que levaram o Brasil ao centro do tabuleiro das grandes negociações internacionais. Na Alca, paramos uma negociação injusta, que nos privaria da capacidade de desenvolver políticas sociais e econômicas necessárias ao nosso desenvolvimento.

Na OMC, o Brasil, junto com a Índia, se tornou um ator incontornável na defesa dos interesses dos países em desenvolvimento. Não obtivemos o que queríamos na Rodada de Doha, em virtude da obstinação dos países ricos em manter injustos e nocivos subsídios à agricultura, mas impedimos um acordo que teria tornado ainda mais desequilibradas as regras do comércio internacional.

Na área da paz e segurança, fomos um dos pouquíssimos países de fora da região a serem convidados para a Conferência de Annapolis, nos EUA, que, por algum tempo, pareceu dar uma chance real à paz no Oriente Médio. Juntamente com a Turquia, concluímos com o Irã uma negociação sobre seu programa nuclear, que abriu caminho para o acordo que Obama assinaria alguns anos mais tarde (com mais cinco países) com Teerã.

Tudo isso - em diferentes governos e em distintos graus - só foi possível em razão do respeito que só uma atitude de altivez e independência propicia. Excetuados certos espasmos de curta duração, foi somente no início do governo militar, entre 1964 e 1966, que o Brasil se deixou conduzir pelo alinhamento acrítico com os EUA.

Foi a época das "fronteiras ideológicas", refutadas de forma explícita no período Geisel/Silveira. É essa política subserviente, que em nada aproveita ao país, que se pretende reeditar agora, justamente no momento em que Washington se isola do mundo, adota atitudes protecionistas no plano econômico e abandona os instrumentos multilaterais que os próprios EUA ajudaram a criar ao final da Segunda Guerra.

Alinhamento automático com Washington (ou com quem quer que seja) nunca foi boa política. Com Trump, além de um desastre político, será uma tragédia econômica e moral.

Celso Amorim
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Brasileiros inscritos no Mais Médicos só têm uma preocupação: sair do programa

Após a saída dos médicos cubanos do programa Mais Médicos, o município de Sítio do Quinto, no sertão
baiano, está aguardando a chegada dos novos médicos na cidade. Enquanto isso, a população está sendo
atendida por enfermeiros e os casos mais graves são encaminhados de ambulância para cidades com mais
recursos.
Foto: Adriano Vizoni/Folhapress
O programa Mais Médicos nunca foi prioridade para o médico brasileiro. Em 2013, ano do lançamento, apenas 6% das vagas foram ocupadas por médicos brasileiros. Nesta 16ª etapa, a história parece ser diferente. Mas só parece.

Em 19 de novembro, o Ministério da Saúde lançou o edital do programa para substituir os médicos cubanos que já começaram a deixar o país. Após o tumultuado período de inscrição – médicos reclamaram de dificuldade para fazer o cadastramento por conta da instabilidade do sistema que recebia os formulários –, uma pergunta passou a dominar as rodas de conversa de colegas médicos: o que acontecerá se eu abandonar o programa?

Antes mesmo de assumir, o maior anseio dos inscritos é saber quando vão sair do Mais Médicos. As preocupações são: o que ocorre se eu não cumprir os três anos do edital? Preciso devolver a bolsa-salário no valor de R$ 11.865,60? Preciso devolver a ajuda de custo? Posso me inscrever em outros ciclos do programa em outra oportunidade? O que acontece se eu sair antes de cumprir três meses no programa? O que acontece se eu não me apresentar na cidade que eu escolhi?

Eles argumentam que têm esses receios porque podem iniciar uma residência médica (especialização) durante o programa, podem receber uma proposta melhor ou uma oportunidade de emprego em uma cidade maior. Não são preocupações novas. Uma reportagem da Folha de S.Paulo mostra que, de 2013 a 2017, 54% dos médicos brasileiros inscritos no Mais Médicos desistiram do programa. No edital deste ano, em algumas cidades do Piauí, por exemplo, todas as vagas haviam sido preenchidas, mas apenas 12 médicos se apresentaram.

Não há problema algum em querer se especializar em uma área ou trabalhar em um grande centro. Esse desejo é comum a outros profissionais. A questão é que, quando isso ocorre em um programa com a função social dos Mais Médicos, a medicina de família e comunidade deixa de funcionar. Esse “rodízio de médicos” corrompe os princípios dessa especialidade médica feita nas unidades de saúde. Não há tempo de compreender como se dá a relação daquelas pessoas com a sua família e com sua comunidade – que podem estar na gênese de doenças. Não há tempo para entender quais são os hábitos de vida, alimentação ou de higiene dos indivíduos atendidos. Não há tempo para consolidar uma relação médico-paciente efetiva. E esses são pilares imprescindíveis para uma medicina centrada na pessoa, e não na doença.

A verdade é que o médico brasileiro não se vê trabalhando em uma pequena cidade, geralmente pobre, por muito tempo. Ele deseja grandes centros. Também consideram o trabalho desempenhado em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) menos importante do que o realizado nos hospitais. Basta ver o trabalho Demografia Médica 2018, que mostra que 79,2% dos médicos recém-graduados têm preferência por trabalhar em hospitais, enquanto 28,3% querem trabalhar nas UBS (a questão permitia múltipla escolha).

Médicos cubanos desembarcam no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP), em novembro de 2013.
Médicos cubanos desembarcam no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP), em novembro de 2013.
Foto: Moacyr Lopes Junior/Folhapress

Mais Médicos, mais saúde?

Há outro aspecto preocupante na nova edição dos Mais Médicos. Se as vagas não forem preenchidas, haverá um novo edital.
“As vagas não preenchidas ao longo das fases do presente Edital, por ausência de manifestação de interesse, por desistência dos profissionais alocados, dos gestores ou por qualquer outro motivo, ficarão sob a gestão da SGTES/MS (Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, vinculado ao Ministério da Saúde) e poderão ser ofertadas em novos editais”.
Como seria pouco inteligente oferecer as mesmas vagas para médicos que já recusaram as cidades “pouco atraentes”, cabe a dúvida se o governo aceitará médicos brasileiros formados no exterior. Se sim, será sem a revalidação do diploma, pois não há previsão de uma nova prova do Revalida, que enfrenta uma enxurrada de ações judiciais.

No edital, o Mais Médicos prioriza médicos diplomados no Brasil e os formados no exterior com diploma revalidado. Mas, quando as vagas não são preenchidas com esses grupos, abre-se as inscrições “a um segundo grupo, composto por médicos brasileiros formados no exterior”. Não há menção ao Revalida. Caso ainda restem vagas, elas “são oferecidas a um terceiro grupo constituído de médicos estrangeiros formados no exterior.” E, por último, se ainda persistirem vagas mesmo depois de oferecidas a esses três grupos, “a Lei autoriza o governo brasileiro a utilizar acordo internacional que foi celebrado com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e que traz os médicos cubanos, funcionários do Ministério da Saúde Pública de Cuba, para atuar nas vagas remanescentes.

Até hoje, o programa só funcionou contando com o último grupo na escala de prioridades do governo brasileiro. Mais de 90% do programa funcionou até aqui com médicos cubanos.

Agora, médicos que se formaram em medicina nas faculdades fronteiriças têm uma oportunidade única para voltar ao Brasil. Sem a revalidação do diploma, esses brasileiros repatriados enxergam no programa a única forma de trabalhar no Brasil de forma legal e ser bem remunerados por isso. Aceitarão cidades consideradas ruins pelos profissionais com diploma brasileiro e vão ser, provavelmente, os ocupantes das vagas nos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs).

Em sua campanha eleitoral, o presidente eleito Jair Bolsonaro usou a prova do Revalida como pretexto para expulsar os médicos cubanos, dizendo que “nós não podemos botar gente de Cuba aqui sem o mínimo de comprovação de que eles realmente saibam o exercício da profissão. Você não pode, só porque o pobre que é atendido por eles, botar pessoas que talvez não tenham qualificação para tal”. Bolsonaro não queria realmente saber da capacitação profissional do médico, mas sim de sua nacionalidade.

Estamos caminhando para que esse povo “pobre que (era) atendido por eles” continue sendo atendido por médicos sem diploma revalidado, com o agravante de não ter como provar que têm qualificação para exercer a medicina.

O certo pelo duvidoso

Apesar de os médicos cubanos não terem seu diploma reconhecido no Brasil, a medicina cubana é historicamente reconhecida no mundo por sua qualidade e pelo enfoque preventivo. Em 2014, José Luis Di Fabio, representante da Organização Pan-Americana de Saúde, a OPAS, disse à BBC: “A formação médica em Cuba e o sistema de saúde se baseiam em atenção primária (…). Há muita experiência em um trabalho de promoção da saúde e prevenção, e muito contato com a comunidade.” Além disso, Di Fabio destacou que os médicos cubanos são educados “com o conceito de internacionalismo, de solidariedade” e que, como parte de sua formação, devem trabalhar em missões nos lugares mais remotos, para onde outros médicos não vão.

A formação em faculdades da fronteiras, principalmente na Argentina, Bolívia e Paraguai, que atraem pelo seu baixo preço, não goza do mesmo reconhecimento. Pelo contrário. O professor da Universidade Federal do Ceará Lúcio Flávio Gonzaga, coordenador da Comissão de Ensino Médico do Conselho Federal de Medicina, CFM, disse em entrevista à Gazeta do Povo: “Os cursos lá fora são muito baratos. Faculdade de R$ 700 por mês acabam atraindo jovens de famílias de baixa renda, mas não há certeza de boa formação. Existe aí um grande risco de formação deficiente”.

Brasileiros formados no exterior, especialmente nas fronteiras, tiveram uma aprovação de 28,5% na última prova do Revalida, realizada em 2016. Quando a obtêm, acabam se juntando a seus colegas que cobiçam as capitais, criando uma situação insólita. Para o sucesso do Mais Médicos, o melhor é que a maioria dos brasileiros repatriados não tenha seus diplomas validados no Brasil, porque assim eles aceitam ficar onde os formados no Brasil se recusam. Quando provam sua capacidade para exercer a medicina com a qualidade desejada, o Mais Médicos deixa de ser o foco.

Resta a dúvida: o Brasil faz bom negócio trocando os médicos formado num país com uma medicina de família e comunidade reconhecida internacionalmente por aqueles que têm no Mais Médicos a única oportunidade de emprego legal?

Na prática, o que o governo Bolsonaro está fazendo é condenar a população de áreas afastadas e carentes a ser atendida por profissionais com formação questionável. Com a saída dos médicos cubanos, os profissionais brasileiros irão se revezar nesses cargos, cada um com passagens muito breves, até que, fatalmente, médicos brasileiros formados no exterior assumam essas vagas. Já sabemos quem serão os principais prejudicados: os mais pobres.

José Lopes Filho
No The Intercept
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Haddad venceria eleição se dados do Coaf vazassem quando Bolsonaro ficou sabendo deles


Agora, seu governo já começa manco, porque foi atingido no coração do seu sistema, o discurso do combate à corrupção

Os dados vazados do relatório do Coaf podiam ter mudado o resultado das eleições presidenciais se divulgados na data que o presidente eleito e seu filho provavelmente tiveram acesso a eles.

A data é 15 de outubro. Ou alguns dias antes. Foi neste dia, a menos de duas semanas para a eleição do segundo turno, que o motorista Fabrício de Queiroz se desligou do gabinete de Flávio Bolsonaro. E na mesma data, a filha de Fabrício, Nathalia Queiroz, deixou o gabinete de Jair Bolsonaro, onde foi nomeada em dezembro de 2016 para atuar como secretária parlamentar.

Ao lado do nome de Nathalia, no relatório do Coaf, está anotado o valor de 84 mil reais.

No dia 15 de outubro a campanha de Haddad começava a reagir. Se o fato tivesse vindo à tona, provavelmente Bolsonaro cairia nas pesquisas e teria de encarar o petista ao menos no debate da Globo.

Bolsonaro passou os últimos dias de campanha sabendo que essa bomba poderia estourar, mas como era o candidato do “Partido da Justiça”, conseguiu passar incólume.

Agora, seu governo já começa manco, porque foi atingido no coração do seu sistema, o discurso do combate à corrupção. Mas isso certamente interessa a muita gente que hoje divide o governo com ele. Mas que vai tentar lhe passar a perna ali adiante.

O fato objetivo é que se a eleição não tivesse sido uma continuidade do golpe, Lula teria sido eleito presidente. Ou no limite, Haddad. Pois com essa história na mídia Bolsonaro seria atropelado na reta final.

Mas não vai ficar por aí. O rabo de palha é grande e outras coisas surgirão.
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Terror e tragédia na Ocupação Dona Cida em Curitiba


Cronologia da tragédia na Ocupação Dona Cida


1) Policial Militar é morto na região (https://goo.gl/o9TLtp) num suposta ocorrência de 'perturbação do sossego'.

2) Polícia Militar declara guerra à Comunidade toda, invade casas sem mandado, quebra móveis e agride moradores tentado extorquir alguma informação.

3) Polícia Militar avisa que voltará pela noite, após o velório do PM assassinado, com mais "força".

4) Polícia Militar volta no início da noite e aterroriza a população, invade casas e inicia um incêndio (https://goo.gl/wV232m).

5) Autor do assassinato tenta se entregar em duas delegacias diferentes a fim de que os policiais interrompessem o massacre já em curso na comunidade (https://goo.gl/mWY7C9). Porém não foi aceito e nem ouvido em nenhuma delegacia.

6) Durante o incêndio a polícia executa, com toda a comunidade de testemunha, um rapaz com tiro na nuca (https://goo.gl/iajL9Q).

7) Mais de 300 famílias perderam tudo que tinham; casa, móveis, geladeira, fogão, televisão, roupas e dignidade.


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O ódio burro do ex-capitão: prender Lula em quartel


A coluna Radar, da Veja, diz que Jair Bolsonaro está decidido a fazer com que Lula seja retirado da sede da Polícia Federal em Curitiba e transferido para um quartel do Exército.

O motivo, segundo a revista, seria o de reduzir as visitas ao ex-presidente.

É preciso dar o devido reconhecimento à frase do conservadoríssimo Reinaldo Azevedo: Bolsonaro erra quando fala e acerta quando recua.

Na sua proposta, produzida apenas pelo ódio marqueteiro no qual pretende se sustentar, o ex-capitão erra diversas vezes.

Primeiro, não existe previsão legal para executar pena de civil em quartel militar, a menos que este tenha sido condenado por crime militar, o que não é o caso.

Segundo, não é o Executivo, mas o Judiciário, quem determina local de cumprimento de pena.

Também é o juiz quem autoriza as visitas e não um oficial do Exército.

Terceiro, que vai jogar uma imensa “batata-quente” nas mãos do Exército, que já vive sob suspeitas de usurpação do poder civil e não precisa de mais essa.

Já imaginaram o quartel e seus sentinelas servindo de fundo para as fotos de um acampamento “Lula Livre”?

Depois, imagine a repercussão internacional simbólica de um ex-presidente com a projeção global de Lula ser mantido preso em um quartel vai ser “maravilhosa”, não é? Genial!

Ou será que Bolsonaro acha que oficiais superiores do Exército vão se prestar ao papel (e ao risco) de impor maus-tratos ou restrições descabidas a Lula? Deve estar tirando a oficialidade por ele mesmo, quem sabe?

O ódio de Jair Bolsonaro é uma doença que sai assim, em espasmos, prejudicando sua já reduzida capacidade de pensamento, que passou a se restringir ao “prendo e arrebento”.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Glória a deuxxx!!!

Damares Alves, futura ministra dos Direitos Humanos: “querem afirmar que sexo com animais é identidade de gênero”

Os vídeos são inacreditáveis. Vale assistir os dois do Twitter:





Pedro Zambarda de Araújo
No DCM
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O Caixa Eletrônico do Bolsonaro


Além de Posto Ipiranga, Bolsonaro tem seu Caixa Eletrônico privativo, uma espécie de saque fácil.

Bolsonaro já tinha apresentado ao país seu Posto Ipiranga, o ultraliberal Paulo Guedes, que promete liquidar o patrimônio público e as riquezas brasileiras; escancarar as portas do Brasil para empresas estrangeiras, em prejuízo da produção nacional; abandonar o mercado estratégico do MERCOSUL; restaurar o trabalho escravo e desregulamentado; privatizar a educação e monetizar o SUS; destruir a previdência social a la Chile – exemplo de reforma do sistema de aposentadorias e pensões que legou ao país andino a macabra condição de país com o mais assombroso índice de suicídios de idosos do mundo.

No último dia 6/12 o país foi apresentado ao Caixa Eletrônico do Bolsonaro. Ele atende pelo nome de Fabrício José Carlos de Queiroz, e é achegado ao clã bolsonarista há décadas.

Queiroz desempenha um combo de funções: de motorista e segurança do deputado Flavio Bolsonaro à fornecedor de abundante mão-de-obra familiar para empregar nos gabinetes parlamentares do clã, à parceiro do chefe e dos demais membros do clã em pescarias, festas e churrascadas.

No intervalo de 1 ano, o saque fácil do Caixa Eletrônico do Bolsonaro realizou 176 movimentações financeiras – a impressionante média de 2 operações a cada 3 dias úteis – girando a cifra de R$ 1,2 milhão, o que inclui depósito de R$ 24 mil na conta de Michelle Bolsonaro, a esposa.

O COAF considera atípicas tais movimentações – pois frenéticas e incompatíveis com os ganhos e o patrimônio do amigo de longa data e assessor da família Bolsonaro.

O escândalo dissolveu por completo o falso verniz moralista vendido durante a campanha eleitoral. Em lugar de esclarecimentos sobre o escândalo, os membros do clã e seus principais líderes políticos [Onyx e Moro] agem como quem não consegue explicar o inexplicável.

Os “twitteros” hiperativos Eduardo e Carlos, este último chamado pelo Bolsonaro-pai como seu “pitbull” protetor, curiosamente não publicaram nenhum tweet em defesa da família, o que é uma intrigante raridade. O único dos “garotos” a escrever algo foi Flavio, e o fez para transmitir a “confiança” em Queiroz.

O sempre loquaz Moro, que terá sob seu comando direto o COAF, órgão que constatou a movimentação atípica do Caixa Eletrônica do Bolsonaro, silenciou e saiu de fininho de encontro com jornalistas, com sorriso amarelo no rosto e dando um “tchauzinho” para as câmeras de TV. Sem nada dizer a respeito.



Já Onyx Lorenzoni, quem também enfrenta problemas policiais por ter escondido dinheiro de caixa 2, entendeu preferível dizer que “já me resolvi com Deus, o que é importante para mim” para desincumbir-se da obrigação de agir mundanamente e esclarecer aos comuns mortais o problema do Caixa Eletrônico do Bolsonaro. A irritação e agressividade do chefe da Casa Civil com os jornalistas é sintoma de que algo grave acontece naquelas hostes.

Os procuradores moralistas e pastores fanáticos da PGR que se notabilizam pela inventividade na fabricação de power point, parecem viver em outro planeta, tamanha é a indiferença com que agem em relação a este escândalo que atinge o governo que militaram para eleger.

Enquanto isso, os militares seguem o assunto quietos e com prudente distância. Observam os acontecimentos, os rolos e as atrapalhações do clã Bolsonaro. Por enquanto, jogam parados.

Jeferson Miola
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Olaf: a Gravidez e a Terra Plana


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Negadores

Em 1930, Washington Luiz indicou como candidato à sua sucessão na Presidência da República Júlio Prestes, paulista como ele, rompendo uma tradição de alternância no poder de paulistas e mineiros, as oligarquias do café e do leite. Era a vez do leite. Só três Estados da federação não aceitaram a quebra da rotina, entre eles a Paraíba. Cujo governador João Pessoa resumiu sua posição numa palavra: “Nego”.

O “Nego” acabou na bandeira da Paraíba, a única bandeira do mundo, eu acho – além da brasileira – que fala. Hoje, longe dos entreveros políticos de 30, que terminaram com os seguidores do gaúcho Getúlio Vargas amarrando seus cavalos no obelisco do Rio e lá ficando, metaforicamente, pelos próximos 15 anos, o “Nego” só serve para intrigar colegiais.

– Professora, por que está escrito “nêgo” na bandeira da Paraíba?

– Não é “nêgo”, é “nego”.

– E por que está escrito “nego”?

– É uma história antiga...

– Já vi que a senhora também não sabe.

O “nego” perdeu sua contemporaneidade.

Mas um “nego” numa bandeira como a da Paraíba, que além de tudo tem as cores preta e vermelha do anarquismo, poderia ser usado por vários grupos em vários contextos. Há negadores de todos os tipos no mundo, começando pelos negadores do Holocausto judeu, que atribuem as histórias do genocídio nazista a uma campanha internacional de desinformação e produz uma vasta literatura tentando provar que Auschwitz e outros campos de extermínio nazistas não passavam de colônias de férias. Hoje, no Brasil, prospera a versão que a ditadura que durante 20 anos tiranizou o País, fechou, durante um período, o Congresso, censurou a imprensa, prendeu e torturou e em alguns casos assassinou gente – nunca existiu.

Também há os que nunca acreditaram na ida do homem à Lua. Dizem que foi tudo feito em estúdio. Existe até quem ouviu um “Gravando” e o som de um “clack” na cena do Armstrong pisando pela primeira vez na “Lua”, cujo chão é claramente de isopor.

Luís Fernando Veríssimo
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Xadrez do inacreditável mundo dos Bolsonaro




Peça 1 – os núcleos de poder

Conforme já descrevemos em outros Xadrez, há quatro grupos iniciais de poder do futuro governo Bolsonaro.
  1. A corte familiar, englobando os três filhos, mais os ministros ideológicos.
  2. O núcleo militar, ocupando a infraestrutura e monitorando as ações de Bolsonaro, corrigindo cada declaração estapafúrdia.
  3. Paulo Guedes e seus chicagos boys.
  4. Correndo por fora, Sérgio Moro tentando fincar uma torre fora do alcance de Bolsonaro.
Peça 2 – sobre a a família Bolsonaro

Trata-se de um jogo de fácil previsão:
  1. Bolsonaro, o Jair, é emocionalmente frágil, intelectual e socialmente dependente dos filhos.
  2. Os filhos têm a agressividade dos toscos. Não se trata meramente de grossura. Grosso por grosso, ACM era, assim como Gilmar Mendes e outros personagens da política, mas que sabem utilizar a grossura como recurso político. Os Bolsonaro são grossos de graça, primários, valentões de rede social.
  3. Agora, as revelações do COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) comprovam que a família compartilha hábitos comuns ao baixo clero político, de receber mesadas e dinheiro de fontes desconhecidas. Não têm escrúpulos, mas também não têm a sofisticação para as grandes tacadas.
  4. O caso COAF foi apenas um aperitivo. A rapidez com que Flavio Bolsonaro e o futuro governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, correram a anunciar negócios milionários com Israel, na área de segurança, mostra um apetite e uma imprudência que atropelam qualquer noção de autopreservação.
  5. Há pistas que surgiram ao longo dos últimos tempos, mostrando ligações dos Bolsonaro com policiais ligados a milícias. Pode ser que sejam apenas apoiadores da família. Mas, com a total falta de noção dos irmãos, e com dinheiro brotando nas contas dos seguranças, reforçam as suspeitas de seu envolvimento com as milícias.
  6. A maneira como reagiram às denúncias demonstra falta de malícia a toda prova. Indagado sobre o dinheiro recebido pelo segurança, Flavio Bolsonaro limitou-se a responder que ele é de sua estrita confiança e não há nada que o desabone. Claro que é de sua estrita confiança! Como o contador de Al Capone era de sua estrita confiança. Só faltava terceirizar operações dessa natureza para alguém que não merecesse sua confiança.
  7. Indagado sobre o tema, Onyx Lorenzoni, o porta-voz político, limitou-se a perguntar “onde estava a COAF” nos escândalos petistas. Recorreu ao álibi universal – de se defender mencionando o PT -, sem saber que a COAF foi peça central no rastreamento do dinheiro pela Lava Jato.
  8. O pai Jair teve comportamento pior. Depois de segurar a taça do campeonato do Palmeira com total desenvoltura, alegou recomendação médica para fugir do primeiro evento público após a divulgação da denúncia. Bateu em retirada mesmo.
Tem-se aí, portanto, um quadro de ampla vulnerabilidade para a governabilidade do futuro governo.

Peça 3 – a esperteza de Sérgio Moro

O abre-te Sésamo de Sérgio Moro continua sendo a cooperação internacional. Sua última tacada é a tentativa de induzir o Congresso a aprovar uma legislação tendo por base a resolução 1373, de 2001, do Conselho de Segurança da ONU, sobre lavagem de dinheiro e terrorismo.

Hoje a CBN diz que se o Brasil não adotar essa legislação irá para as catacumbas do inferno, perderá investimentos, dinheiro sairá do Brasil.

Explica nosso colunista André Araújo:
  1. Resoluções da ONU são milhares, e de valor sempre RELATIVO. Alguns países cumprem, muitos nem tomam conhecimento. Os EUA usam essas resoluções quando lhes convém, quando não ignoraram completamente. Israel nem se fala, a Rússia e a China descumprem a maioria.
  2. Essa Resolução veio no rescaldo do 11 de Setembro nos EUA e seu foco é muito mais o terrorismo do que o tráfico, corrupção, crimes financeiros. Mas como é um balaio onde cabe tudo o que se quiser colocar.
  3. A Resolução já está rondando há mais de 15 anos, e o Brasil até agora não tomou conhecimento. A própria consultoria jurídica da ONU opinou que a resolução 1273 é ilegal dentro do direito internacional. Lia aqui: “Medidas do Conselho de Segurança contra terrorismo não têm base legal, afirma especialista independente da ONU
  4. O Ministro Moro joga com a bandeira da ONU, na verdade ele quer  mais poder. O Brasil não está sendo pressionado pela ONU. Esse modo de usar a mão da ONU, do FMI, da OCDE, do Banco de Liquidações Internacionais como arma interna de poder é esperteza antiga.
Nos próximos meses Moro terá que enfrentar desafios bem mais complexos do que como juiz da Lava Jato. Estará sob exposição constante. E terá que demonstrar uma desenvoltura muito maior do que nos interrogatórios de réus e testemunhas.

Além disso, terá pela frente as denúncias contra aliados. Na Lava Jato havia o álibi de que o alvo único era o PT por ser ele o partido que estava no poder.

Será difícil encontrar outra narrativa para eximi-lo de atuar nas denúncias envolvendo o governo Bolsonaro.

Peça 4 – Paulo Guedes e seus chicagos boys

Paulo Guedes continua preso ao dogma de que um ajuste fiscal imediato e radical trará imediatamente os investimentos de volta. A ideologia cega o impede de pensar qualquer política anticíclica.

Esta semana, Michel Temer divulgou a relação das heranças virtuosas que deixará para o sucessor, provavelmente antes de ser preso por corrupção. Entre elas, investimentos de ordem de R$ 300 bilhões prontos para serem deflagrados.

Na verdade, a carteira de financiamentos aprovados pelo BNDES é bem maior do que essa quantia. Mas está tudo paralisado pelas loucuras cometidas pela Lava Jato do Rio de Janeiro, os atos atrabiliários contra funcionários do banco, criminalizando operações normais. O governo Temer não teve sequer a competência de destravar esses financiamentos. E, agora, os apresenta como se tivessem sido preparados em sua gestão.

Nesse ponto, a entrega da infraestrutura para os militares facilitará esse destravamento.

Mas as expectativas fantasiosas do mercado – como a de uma reforma radical da Previdência – não sairão do papel.

Tem-se, hoje em dia, um quadro complexo:

A recessão continua derrubando a arrecadação fiscal. A nova lei trabalhista, ao desestimular o emprego formal, está reduzindo drasticamente as contribuições previdenciárias e a arrecadação fiscal.

A ideia de instituir um regime de capitalização é totalmente fantasiosa. Hoje em dia o sistema é de repartição simples: isto é, a arrecadação de hoje paga os benefícios de hoje. Se a arrecadação está sendo insuficiente para a repartição simples, de onde tirará recursos para a capitalização? Por acaso irá reduzir os benefícios aos militares ou ao funcionalismo público?

A reforma ocorrida anos atrás, instituindo um regime de capitalização para novos funcionários, é a maneira correta, com os benefícios aparecendo gradativamente. Não há milagres que tragam resultados instantâneos.

As únicas medidas de resultado imediato seriam um encontro de contas com os estados, visando resolver a questão da previdência estadual. Mas dificilmente a equipe de Guedes terá imaginação criadora e convicção cartesiana para superar o ideologismo rotundo que a domina.

Peça 5 – o fator militar

A cada dia que passa, a cada declaração dos filhos, dos Ministros da cota dos Bolsonaros, mais nítido fica a falta absoluta de condições de governabilidade. Já se abriram as comportas do escândalo, apesar de todo antipetismo da mídia e do tempo de carência que, geralmente, se trata um novo governo.

Dependendo do ritmo dos escândalos, será inevitável o enquadramento final de Bolsonaro, obrigando-o a afastar os filhos e a reduzir a máquina de falar besteiras. E, pelo fato de ser o único centro de racionalidade do governo, cada vez mais os militares assumirão poder.

Luís Nassif
No GGN
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O silêncio de Moro diante do escândalo da Coaf diz tudo

"Você faz campanha em poesia e governa em prosa", dizia Mario Cuomo, que foi governador de Nova Iorque. Dificilmente a campanha de Bolsonaro teve algo de poético, mas dá para entender o recado.

Não dá para tocar um governo investindo contra fantasias como mamadeira de piroca, kit gay, Foro de São Paulo, Triplo A e marxismo cultural. Ao escolher para ministérios tão importantes quanto o MEC ou o Itamarati gente cuja única credencial é combater estas fantasmagorias, Bolsonaro mostrou que não tem disposição de abrir mão da "poesia" da campanha.

Mesmo os dois ministros mais visíveis do novo governo, Paulo Guedes e Sérgio Moro, parecem ter sido nomeados por motivos similares. Nenhum deles reúne as qualidades necessárias para ocupar o cargo. Não têm experiência de gestão, não têm visão de Estado, não têm capacidade de negociação, não têm jogo de cintura. São símbolos, um do mercadismo, outro da pretensa intolerância à corrupção.

E quando as ambiguidades começam a aflorar, como já afloram com força neste período de transição, como eles reagem? Nada. Ficam - para usar a notável expressão de outro bolsonariano injustiçado que terminou sem cargo depois de tantas promessas, o ex-deputado Alberto Fraga - com cara de babaca, sem reação. O silêncio de Moro diante do escândalo da Coaf diz tudo.

Mas Bolsonaro vai ter que governar, de todo jeito. A promoção de um clima belicoso no país, que sua campanha permanente exige, não ajuda nesta tarefa. E a opção preferencial por símbolos em vez de pessoas com capacidade governativa também não.

Enquanto isso, a bancada eleita do PSL se digladia, limpando a roupa suja em público - na verdade, o negócio anda tão animado que parece que eles já começaram a sujar a roupa limpa. Talvez o estrondoso crescimento do PSL não tenha sido tão bom negócio para o novo governo. Não há ali um partido, nem no sentido minimalista dos partidos brasileiros: é um conglomerado de arrivistas, cujo sucesso se baseou na própria estridência e descaramento, que não se preocupa em entender as regras porque concluiu que o caminho é quebrar as regras e que agora espera ganhar sua parte no butim. Bolsonaro estaria melhor com os velhos e confiáveis políticos fisiológicos comuns, abrigados no DEM, no PSDB e nas outras legendas tradicionais.

A perspectiva de descalabro do futuro governo, porém, não é necessariamente uma boa notícia para o campo democrático. O despreparo e o ethos voluntarista, profundamente reforçado pela vitória de outubro, que campeiam no bolsonarismo podem levar a uma "fuga para a frente" como resposta às crises. Ou seja, à aposta em um mergulho ainda mais fundo num programa liberticida e violento.

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O autor, o autor!

O mais relevante desse imbróglio filho-assessor-esposa-grana não é o fato em si. O Coaf rastreia contas a partir de suspeitas ou denuncias. Assim, as questões relevantes que se colocam são:

1. Quem fez a denuncia?

2. Por que fez?

3. Por que agora?

Seguramente não foi a oposição que deu curso à acusação. Trata-se de tiroteio palaciano, realizado antes mesmo de se entrar em palácio.

Se nos lembrarmos do tuite de Carlos Bolsonaro há quatro dias, insinuando que seu pai correria risco de vida, com ataques oriundos de quem está ao seu lado, podemos concluir que os petardos se originam dos grupos da coalizão eleita, numa feroz luta pelo poder.

Quais os grupos nessa luta? Há pelo menos três:

1. O condomínio Moro-Guedes, que representa o grande capital internacional. É daí que vem o real projeto de governo;

2. O partido fardado, de contornos ainda imprecisos, a unir a turma do porão à direita do aparelho de Estado. Apesar de tudo, é gente que não rasga dinheiro;

3. A família Bolsonaro, que inclui Olavo de Carvalho, o chanceler Araújo, o aloprado da Educação, a ministra da Família e outros tipos bizarros. É a face mais visível da nova gestão. Com todos os senões, é o único que tem votos.

O partido fardado parece ser - até agora - quem mais externa desconforto com as peripécias da família.

Mesmo assim, é difícil identificar claramente de onde partiu o torpedo.

A única coisa clara é que o jogo intestino - sem trocadilhos - que já é pesado tende a piorar quando o governo tiver início.

Gilberto Maringoni
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Bolsogate: Precisa descolar outra desculpa, talkei?

Cresce o escândalo 'bolsogate', que envolve o policial Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, que teve movimentações de R$ 1,2 milhão captadas pelo Coaf e fez uma transferência de R$ 24 mil para Michele Bolsonaro. Sabe-se, agora, que ele fez 176 saques em apenas um ano e recebeu diversos depósitos de funcionários que passaram pelo gabinete de Flávio Bolsonaro. Ao que tudo indica, ele era uma espécie de caixa eletrônico da família presidencial

Ex-assessor de filho de Bolsonaro chegou a fazer 5 saques em apenas 1 dia

Órgão de controle registrou transferência entre funcionários do gabinete de senador eleito; entre eles está ex-assessora de seu pai

O ex-assessor parlamentar e policial militar Fabrício José Carlos de Queiroz em foto ao lado de Jair Bolsonaro.
A imagem foi publicada no perfil do Instagram do ex-auxiliar em 21 de janeiro de 2013
O ex-motorista do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) fez 176 saques de dinheiro em espécie de sua conta em 2016. A movimentação dá uma média de uma retirada a cada dois dias.

O Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) apontou uma movimentação financeira atípica de R$ 1,2 milhão do ex-assessor parlamentar e policial militar Fabrício José Carlos de Queiroz naquele ano. Esse valor inclui tanto saques como transferências, créditos em suas contas, entre outras operações.

Cerca de um quarto do valor suspeito (R$ 324,8 mil) foi movimentado por meio de saques. Foram retiradas que variavam de R$ 100 a R$ 14.000.

No dia 10 de agosto de 2016, por exemplo, Queiroz fez cinco retiradas que, somadas, dão R$ 18.450. Todos os saques foram em valores abaixo de R$ 10 mil, a partir do qual o Coaf alerta automaticamente as autoridades fiscais.

Houve ainda 59 depósitos em dinheiro vivo na conta do policial militar. As entradas variam de R$ 400 a R$ 12.700.

Procuradores afirmam que o uso de dinheiro vivo em transações bancárias costuma ter como objetivo ocultar o destinatário ou remetente dos recursos. A prática dificulta a identificação dos responsáveis pelas transações.

As informações fazem parte do relatório do Coaf da Operação Furna da Onça, que prendeu dez deputados estaduais do Rio de Janeiro. O Ministério Público Federal solicitou ao órgão de controle financeiro os casos de movimentação atípica envolvendo funcionários da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).

Os dados sobre o policial militar chamaram a atenção por, entre outros motivos, registrar "movimentações em espécie realizadas por clientes cujas atividades possuam como característica a utilização de outros instrumentos de transferência de recursos".

Queiroz também apresentou, para o Coaf, "movimentação de recursos incompatível com o patrimônio, a atividade econômica ou a ocupação profissional e a capacidade financeira". De acordo com o órgão financeiro, ele tinha uma renda de R$ 23 mil mensais e um patrimônio de cerca de R$ 700 mil.

Nem Flávio Bolsonaro, deputado estadual, nem Queiroz são alvo de investigações. A Procuradoria ressaltou que a identificação de movimentação atípica não configura um ilícito por si só.

Boa parte das movimentações financeiras em que a outra parte é identificada se refere a transações com membros do próprio gabinete de Flávio Bolsonaro. Sete nomes que constam do relatório fizeram parte da equipe do deputado estadual.

Três são parentes de Queiroz. Estão na lista Marcia Oliveira de Aguiar (mulher), Nathalia Melo de Queiroz e Evelyn Melo de Queiroz (filhas). Todas também integraram em algum momento o gabinete de Flávio Bolsonaro.

A partir de dezembro de 2016, Nathalia saiu da Alerj para integrar a equipe do hoje presidente eleito, Jair Bolsonaro, na Câmara dos Deputados. Ela se desligou do cargo em outubro deste ano, na mesma data em que o pai deixou o gabinete do senador eleito.

Conhecida como personal trainer de famosos como os atores Bruno Gagliasso e Bruna Marquezine, Nathalia repassou quase todo o salário que recebeu naquele ano para o pai. Foram R$ 84,1 mil repassados para o policial militar.

Uma das movimentações registradas também se refere à futura primeira-dama Michelle Bolsonaro. Ela foi a favorecida de um cheque de R$ 24 mil do ex-assessor parlamentar.

Italo Nogueira
No fAlha



Sete assessores de Flávio Bolsonaro fizeram depósitos para ex-motorista

Sete servidores da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) que passaram pelo gabinete do deputado estadual Flávio Bolsonaro(PSL-RJ) fizeram transferências bancárias para uma conta mantida pelo ex-policial militar Fabricio José Carlos de Queiroz.

Segundo levantamento feito pela revista Veja com base no relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), esses servidores transferiram no total R$ 116.556 para a conta de Queiroz entre 1º de janeiro de 2016 e 31 de janeiro de 2017.

Os nomes citados no relatório são os da filha do ex-PM Nathalia Melo de Queiroz – que trabalhou no gabinete de Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados -, o de sua mulher, Márcia Oliveira Aguiar, e dos servidores Agostinho Moraes da Silva, Jorge Luís de Souza, Luiza Souza Paes, Raimunda Veras Magalhães e Wellington Servulo Rômulo da Silva.



Kakay: acharam batom na cueca dos Bolsonaro

"Esta movimentação financeira entre funcionários do gabinete do deputado estadual e atual Senador eleito é muito conhecida.Este é um PECULATO muito comum no Legislativo. Os funcionários do gabinete recebem os salários no valor mais alto possível e 'devolvem' parte dos salários", diz o advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay. "Sete funcionários do gabinete depositaram na conta deste ex motorista. E a pessoa que recebe o dinheiro na conta levanta parte em espécie, sacando na boca do caixa ou fazendo pagamentos. BATOM NA CUECA. Vamos ver como vai agir o MP e a imprensa", afirma.



Elika Takimoto desmonta explicação nonsense de Bolsonaro

"'Eu podia ter botado na minha conta. Foi para a conta da minha esposa, porque eu não tenho tempo de sair', justificou Bolsonaro. Valeu capitão, nós sabíamos que você tinha alguma explicação. Mas vê se aprende que para depósito quem sai de casa é o emitente. Mas valeu, capitão!", apontou a escritora Elika Takimoto em suas redes sociais. Confira, abaixo, seu tweet e também a explicação de Bolsonaro, em reportagem da Agência Brasil:

O presidente eleito Jair Bolsonaro disse ao site O Antagonista que os R$ 24 mil pagos em cheques pelo ex-assessor Fabrício José de Queiroz à futura primeira-dama Michelle Bolsonaro referem-se à quitação de uma dívida pessoal. “Emprestei dinheiro para ele em outras oportunidades. Nessa última agora, ele estava com um problema financeiro e uma dívida que ele tinha comigo se acumulou. Não foram R$ 24 mil, foram R$ 40 mil. Se o Coaf quiser retroagir um pouquinho mais, vai chegar nos R$ 40 mil.”

Segundo o presidente eleito, Queiroz pagou em dez cheques de R$ 4 mil. “Eu podia ter botado na minha conta. Foi para a conta da minha esposa, porque eu não tenho tempo de sair. Essa é a história, nada além disso", afirmou.

Ele comentou também que não registrou a operação no imposto de renda.

Segundo Bolsonaro, Queiroz é seu amigo há 34 anos, desde os tempos da Brigada Paraquedista, quando era soldado. Ele passou em concurso da Polícia Militar do Rio de Janeiro e, mais tarde, foi contratado pelo gabinete do filho Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), deputado estadual eleito senador.

O presidente eleito disse ainda que só pretende reatar contato com o velho amigo depois que ele explicar ao Ministério Público Federal (MPF) a movimentação atípica de R$ 1,2 milhão identificada pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) em sua conta no período 2016-2017.



Bolsonaro diz que dinheiro foi para conta de sua mulher porque “não tem tempo de sair”, mas em novembro foi ao banco 3 vezes em 4 dias

Bolsonaro no caixa eletrônico sacando a grana do churrasco
Jair Bolsonaro confirmou o repasse, por meio de cheques, do ex-assessor de Flávio Bolsonaro, Fabrício José de Queiroz, a sua mulher Michelle.

Em entrevista a um site chegado, Bolsonaro adiantou que, diferentemente do que foi indicado pelo Coaf em relatório anexado ao inquérito da Operação Furna da Onça, não foram R$ 24 mil, e sim R$ 40 mil.

“Emprestei dinheiro para ele em outras oportunidades. Nessa última agora, ele estava com um problema financeiro e uma dívida que ele tinha comigo se acumulou”, falou.

Foram dez cheques de R$ 4 mil, diz.

“Eu podia ter botado na minha conta. Foi para a conta da minha esposa porque eu não tenho tempo de sair”.

Noves fora tudo, Bolsonaro, na verdade, sai o tempo todo e se deixa fotografar em seu marketing demagógico de homem do povo — inclusive para ir ao caixa.

Matéria do Uol relatava que ele foi “a uma agência bancária pela terceira vez nos últimos quatro dias, nesta segunda-feira (12)”.

O político saiu de casa, na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio, com escolta da Polícia Federal, e dirigiu-se a uma agência do Banco do Brasil. O motivo do deslocamento não foi divulgado.

Bolsonaro tem ficado em casa a maior parte do tempo desde que teve alta, após semanas hospitalizado devido ao atentado a faca sofrido em 6 de setembro. Mesmo na reta final da eleição, o político pouco saiu de sua residência e alegou preocupação com o seu quadro de saúde para não comparecer aos debates do segundo turno.

Na sexta-feira (9), mesmo sob forte chuva, Bolsonaro foi ao banco para sacar dinheiro. Ontem (11), o pesselista foi à mesma agência também para sacar dinheiro, sob pretexto de custear um churrasco de confraternização para os agentes que fazem a segurança.

Precisa descolar outra desculpa, talkei?


“Como era a senha, cacete?”



Recordar é viver: o que fazia o filho de Bolsonaro para o pai achar que ele iria para a Papuda?


Alguns episódios, vistos retrospectivamente, ganham outra dimensão, maior ou menor.

Em fevereiro de 2017, o fotógrafo Lula Marques flagrou uma troca de mensagens de WhatsApp (sempre ele) entre os então deputados Jair Bolsonaro e seu filho Eduardo.

Você vai se lembrar.

A cena fica diferente após a descoberta do Coaf sobre a movimentação financeira atípica de R$ 1,2 milhão do ex-assessor de Flávio Bolsonaro, Fabrício José Carlos de Queiroz.

Esse valor inclui tanto saques como transferências, créditos em suas contas, entre outras operações. Um cheque foi para Michelle Bolsonaro.

Cerca de um quarto do valor suspeito (R$ 324,8 mil) foi movimentado por meio de saques. Foram retiradas que variavam de R$ 100 a R$ 14.000.

Voltando: Marques postou a foto do papo em seu Facebook. A conversa é a seguinte:

Jair: “Papel de filho da puta que você está fazendo comigo”.

Jair: “Tens moral para falar do Renan? Irresponsável” (O caçula de Bolsonaro se chama Renan)

Jair: “Mais ainda, compre merdas por ai. Não vou te visitar na Papuda”.

Jair: “Se a imprensa te descobrir ai, e o que está fazendo, vão comer seu fígado e o meu. Retorne imediatamente”.

Eduardo: “Quer me dar esporro tudo bem. Vacilo foi meu. Achei que a eleição só fosse semana que vem. Me comparar com o merda do seu filho, calma lá”.

O registro foi feito no plenário no dia da eleição para a Presidência da Câmara. Jair teve quatro votos, menos que os brancos.

A lista de presença não contém o nome de Eduardo, que não compareceu à sessão.

Mas isso é apenas uma parte da história.

A pergunta que não quer calar: o que Eduardo estava fazendo, e onde, para seu pai achar que ele iria para a Papuda?

A família brasileira, cujos valores são resguardados pelos Bolsonaros, aguarda ansiosamente a resposta.

Kiko Nogueira
No DCM


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O ex-assessor de Flávio Bolsonaro terá que sair da sombra — não só em nome da lei, mas de sua segurança

Churrasco dos Bolsonaros. Aquele na seta é Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio citado no Coaf
O PM Fabrício José Carlos de Queiroz, que movimentou R$ 1,2 milhão em um ano, quantia suspeita para sua renda mensal de R$ 23 mil, vai ter que sair da sombra e se explicar. 

Não apenas em nome da lei, mas de sua segurança e dos seus.

Fabrício, de 53 anos, trabalhava como assessor parlamentar de Flávio Bolsonaro, senador eleito pelo PSL.

O Coaf revelou um cheque de R$ 24 mil para Michelle Bolsonaro. O relatório faz parte de uma investigação que prendeu dez deputados estaduais no Rio no mês passado.

Os Bolsonaros são uma família unida.

Pai e filhos fazem tudo juntos, como o país está descobrindo de maneira tragicômica.

Jair contou a um site amigo que foi o pagamento de dívida pessoal. “Não foram R$ 24 mil, foram R$ 40 mil”, alegou.

“Foi para a conta da minha esposa porque eu não tenho tempo de sair”. Não registrou no Imposto de Renda.

Ora. JB vive se deixando fotografar nas ruas da cidade. No barbeiro, na padoca e na boca do caixa.

Por que ele emprestou e não Flávio?

Por que um sujeito que mexeu com mais de um milhão pede 40 mil e paga em parcelas?

Qual a origem da grana?

Em fotos nas redes sociais, Fabrício aparece no círculo íntimo bolsonarista, brilhando em jogos de futebol, atos de campanha e churrascos.

Policial desde 1987, já foi lotado no Batalhão Policial de Vias Especiais (BPVE).

Em 2015, um assalto que sofreu virou notícia. Carregava 2 mil reais no bolso, em espécie.

Flávio empregou familiares dele no gabinete.

Nathália, sua filha, estava lotada no de Jair na Câmara, mas deixou o cargo em 15 de outubro, mesmo dia em que o pai pediu exoneração.

O policial Fabrício tem muito a explicar. Quanto antes falar, melhor. O fato de não tê-lo feito publicamente até agora é ruim.

Sergio Moro fugiu do assunto. Dallagnol comenta sobre multas de trânsito em Nova York. Mas abafar o caso será inviável.

Neste momento, Fabrício é o homem mais procurado do Brasil.

Conhece a turma da picanha e sabe que o pessoal não é de brincadeira.

Fabrício dividia a picanha da família Bolsonaro

Instagram

Kiko Nogueira
No DCM
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A verdade acima de tudo

Começo com uma notícia boa ou má, dependendo do lado que se enxergue. Neste espaço você nunca lerá nada que seja necessariamente agradável e afague seu ego. Tampouco nada obrigatoriamente desagradável para mostrar “independência”. A ambição é bem menor: dizer a verdade, desde que ancorada no mundo real. Não falo para convertidos por antecipação, nem para preconceituosos de ofício.

Por exemplo: a última eleição presidencial no Brasil foi uma fraude. Isto está comprovado. O líder disparado nas pesquisas foi trancafiado com base num processo condenado internacionalmente. O “ vencedor” valeu-se de um esquema gigantesco de manipulação demonstrado mesmo pela mídia tradicional. Agora apareceu até um motorista, figura que já se tornou tradicional nos escândalos locais – lembrai-vos de Eriberto França da era Collor.

Jair Bolsonaro, portanto, é um embuste. Não vou desperdiçar a atenção de vocês relembrando as irregularidades em série cometidas por ele, desde a época em que era militar da ativa até sua atuação como “parlamentar”.

Respira politicamente graças ao foro privilegiado. Para mim, sempre será um presidente ilegítimo. Sérgio Moro transgrediu a lei enquanto juiz. O novo hiper ministro da Justiça grampeou ilegalmente conversas de uma presidenta da República. Para não perder tempo com o resto – embora estejamos todos sob o domínio do resto –, vamos resumir: o Brasil vive sob estado de exceção. Pior. Sob a vigília de militares cujo principal cartão de visitas repousa na intervenção desastrosa no Haiti.

Augusto Heleno, outro homem forte de Bolsonaro, gastou mais de 20 mil projéteis para oficialmente matar três criminosos em Port-au-Prince. Até hoje os haitianos contam quantas centenas de vítimas a ação produziu e a “imprensa” escondeu. Heleno considera aquele tipo de operação um sucesso, exemplo a ser repetido no Brasil.

Por razões do destino, sou jornalista há mais de quarenta anos. A providência divina nada tem a ver com isso, pois sou ateu praticante e irreversível. Graças a deus, com caixa baixa e alguma ironia. Neste período, você nunca vai encontrar qualquer desmentido ao que eu tenha escrito. Isso não me faz especial, apenas atesta o apego aos fatos. Se não tenho certeza, prefiro ficar calado a espalhar mentiras ou meias-verdades –no fundo, a mesma coisa.

Não pertenço ao 247, assim como a qualquer partido. Após anos na “grande imprensa”, recentemente meu posto de maior visibilidade foi o de último presidente legítimo da Empresa Brasil de Comunicação. De lá fui apeado por um “ato institucional” de Michel Temer. Desde então, a EBC – uma iniciativa revolucionária num país como o Brasil – transformou-se em porta-voz de golpistas e abrigo de funcionários amedrontados pela censura interna. Atualmente, trabalho gratuitamente como âncora do programa Contraponto, na rádio Trianon AM 740, São Paulo – no facebook, o endereço é programacontrapontotrianon.

Meu compromisso é com a democracia, a justiça social, as liberdades, a soberania do povo e o direito dos cidadãos. Por isso aderi ao projeto Jornalistas pela Democracia. Sempre lembrando: tudo o que for escrito abaixo e acima de minha assinatura é de minha integral responsabilidade. Seja sobre Bolsonaro, Moro, Lula e o que mais for.

Ricardo Melo é jornalista, presidiu a EBC e integra o Jornalistas pela Democracia
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