7 de dez de 2018

O Brasil chega a 2019 entre 64 e 68

https://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2018/12/07/o-brasil-chega-a-2019-entre-64-e-68/

A cada dia que passa fica mais claro que o impeachment de Dilma foi, com todas as relativizações possíveis, 1961. Que a eleição de Bolsonaro foi 1964. E que o projeto dos militares que assumem o poder em 1 de janeiro é o de nos levar em uns dois anos a 1968, criando um novo AI-5.


Daqui a alguns dias chegamos em 2019. Parece muito que foi ontem quando conversávamos o que causaria o bug do milênio e dizia-se que muitos computadores iriam apagar por conta da programação da virada do seculo 19 para 20.

Parece que foi ontem, mas já faz 19 anos que o tal bug do milênio “assombrou” a terra.

Mas o que isso tem a ver com o título? Talvez muito pouco. Mas me lembro que no século passado falávamos muito do Brasil do próximo milênio, do cidadão do novo milênio etc. E agora na virada para 2019 estamos revivendo uma história que se passou a 60 anos como farsa.

A cada dia que passa fica mais claro que o impeachment de Dilma foi, com todas as relativizações possíveis, 1961. Que a eleição de Bolsonaro foi 1964. E que o projeto dos militares que assumem o poder em 1 de janeiro é o de nos levar em uns dois anos a 1968, criando um novo AI-5.

A forma como este governo foi loteado aponta claramente para isso.

Moro, por exemplo, ter ficado com a parte do Ministério do Trabalho que é responsável pela fiscalização dos sindicatos e ao mesmo tempo com o Coaf não permite qualquer dúvida do que virá.

A perseguição ao movimento social se iniciará já no primeiro dia do próximo governo. Como a escolha da equipe ultraliberal de Paulo Guedes não dá espaço a análises de que os ataques a direitos dos servidores e dos trabalhadores em geral serão a conta gotas.

Isso tudo vai transformar os protestos na França de Macron em brincadeira de criança. O pau vai comer por aqui. E os militares que são os que darão as cartas podem se utilizar disso para nos presentear com um AI-5 pelas vias legais. Ou seja, ancorado nessa aliança com o Partido da Justiça.

Este jogo não está jogado. Há muitas variantes que podem embaralhar as cartas. Mas trata-se de um cenário provável. E que deveria ser considerado e analisado por aqueles que não estão dispostos a vivê-lo.

Neste momento estamos em 64. Se vamos ter capacidade para sair desta enrascada ou se vamos viver um novo 68 também depende de nós.
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Recebido por Bolsonaro, dono de empresa de aviação agrícola foi condenado por desmatamento

Rene Mariano esteve com o presidente eleito em lobby pelos produtores de banana do Vale do Ribeira (SP); Ministério Público constatou que ele não manteve a reserva legal de sua fazenda em Jacupiranga


O empresário Rene Mariano fez parte da comitiva de bananeiros do Vale do Ribeira, no interior paulista, que foi recebida na última terça-feira (04/12), em Brasília, pelo presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) e pela futura ministra da Agricultura, a deputada federal Tereza Cristina (DEM-MS). Ele foi condenado em agosto do ano passado, em ação civil pública proposta pelo Ministério Público de São Paulo, por não manter a reserva legal de sua fazenda, a São Lourenço, em Jacupiranga. O imóvel tem pouco mais de 780 hectares.

De Olho nos Ruralistas contou ontem que Bolsonaro recebeu um fazendeiro – apoiado por ele em candidatura para a Câmara – condenado por invadir área da Caverna do Diabo, na mesma região: “Bolsonaro recebe empresário condenado por plantar bananas em parque estadual no Vale do Ribeira“.

Além de não criar a reserva legal, Mariano é acusado de desenvolver no local atividades que dificultam a recuperação da vegetação original. A juíza Ana Carolina Gusmão de Souza Costa o condenou a “abster-se de exercer qualquer atividade em área de preservação permanente”. Ele precisou pagar uma indenização “correspondente aos danos ambientais irreparáveis que eventualmente se verifiquem”, em favor do Fundo Estadual de Recuperação dos Interesses Difusos”. A pena só não foi pior porque o fazendeiro já havia começado um plano de recuperação, não homologado por órgãos ambientais.

ELE POLUIU RIOS ONDE BOLSONARO JÁ PESCOU

Mariano aparece sorridente
ao lado de Bolsonaro e Tereza Cristina.
Foto: Divulgação
Mariano já tinha um histórico de problemas com os órgãos de proteção ambiental. O Plano Diretor de Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica do Ribeira do Iguape e Litoral Sul para o período entre 2004 e 2011 já apontava a Banaer Pulverização Agrícola, empresa de Mariano, como uma indústria responsável pela contaminação das águas dos rios da região – onde Bolsonaro costumava pescar na juventude. Na ocasião, um relatório confirmava o dano, o levantamento detalhado do problema, a avaliação de risco e plano de remediação.

A Banaer voltou a ser autuada pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) em novembro de 2013. O órgão entendeu que a empresa despejou poluente de uma maneira que causava incômodo ao bem-estar público e danos à flora e a fauna. Além de fazer a aplicação, a Banaer é também homologada para fazer a manutenção de aeronaves Ipanema, da Embraer, muito usadas pelo setor de aviação agrícola.

Também fizeram parte da comitiva da Associação dos Bananicultores do Vale do Ribeira (Abavar) os diretores da entidade Agnaldo Oliveira e Valmir Beber e o pesquisador Wilson Moraes, da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta). Segundo eles, o assunto do encontro foi o aumento nos investimentos em pesquisa e tecnologia para o setor, além de medidas de apoio à produção e comercialização. Um dos temas foi a proibição da exportação de banana do Equador, tema já tratado por Bolsonaro no Congresso e em reuniões da entidade.

BOLSONARO RECEBEU OUTRO FAZENDEIRO CONDENADO

Mariano não era o único com problemas com a justiça em razão de desmatamento no encontro. O político e bananicultor Valmir Beber foi condenado em março a um ano de reclusão pela Justiça em Eldorado, no Vale do Ribeira (SP), por crime ambiental. Amigo da família Bolsonaro, ele mantinha uma plantação de bananas em uma área de 19,5 hectares dentro do Parque Estadual Caverna do Diabo, um dos principais pontos turísticos da região.

A condenação foi substituída por uma pena que obriga Beber a reparar o dano causado. A juíza Gabriela de Oliveira Thomaze concedeu ao empresário o direito de recorrer da decisão em liberdade. A condenação do fazendeiro foi revelada pelo De Olho nos Ruralistas em 22 de outubro, como parte de uma série especial sobre os negócios e interesses da família Bolsonaro e seus aliados no Vale do Ribeira, onde o presidente eleito foi criado e alguns de seus parentes vivem até hoje.

A série durante a cobertura eleitoral também contou como um dos cunhados de Bolsonaro, Theodoro Konesuk, casado com uma de suas irmãs, foi condenado por invadir terras de quilombos. Outra reportagem ouviu os quilombolas da região, que afirmam nunca terem recebido uma visita do presidente eleito. Ao contrário do que ele disse durante a campanha, quando citou um quilombo “em Eldorado paulista” onde os moradores, segundo ele, pesavam muitas “arrobas”, não faziam nada e não serviam “nem pra reproduzir”.

Leonardo Fuhrmann
No De Olho nos Ruralistas
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Se a família do capitão não tem nada a esconder, por que eles estão se escondendo?

SE A FAMÍLIA DO CAPITÃO TRUCULENTO NÃO TEM NADA A ESCONDER, COMO DISSE O “GAROTO” SENADOR, POR QUE ELES ESTÃO ESCONDENDO:

O motorista-assessor (sic) que movimentou, em sua conta bancária, mais de um milhão e duzentos mil reais? Não saberiam o endereço de um assessor de tantos anos?

Eles precisam deixar de esconder e explicar o que se segue:

1) Onde está ele??? Por que não esclarecer esta estranha situação??? Há algo ilícito a esconder?

Estão combinando uma versão que seja, ao menos, verossímil??

2) Onde estão os familiares do motorista milionário Queiroz, pois sua esposa e duas filhas também foram assessores da família do capitão eleito?

3) Por que a esposa do capitão truculento não explica logo o depósito, em sua conta bancária, da quantia de vinte e quatro mil reais, feito pelo motorista milionário Fabrício Queiroz?

4) Por que o motorista milionário sacava sempre e reiteradamente quantia inferior a de mil reais, sempre em espécie?

5) Por que também não explicam uma estranha movimentação feita por assessora do capitão, também da família do Fabrício Queiroz?

6) Um motorista de deputado pode ganhar mais de vinte e três mil reais por mês???

7) Enfim, por que escondem todas estas e outras informações???

8) Por que o Ministério Público ou a Polícia Federal não instaurou uma investigação formal ? Como dizer que não houve ilicitude se nada foi investigado???

Acho que o futuro senador quis dizer algo meio diferente, qual seja, que não tem mais nada a esconder além do que estão escondendo…

Em tempo: embora fugindo um pouco do tema supra, cabe ressaltar que não faz sentido o futuro ministro Onyx Lorenzoni questionar a delação da Odebrecht pois ele CONFESSOU PUBLICAMENTE (o vídeo está no Youtube) que recebeu cem mil reais como “Caixa 2”. Ao menos, está caracterizado um crime eleitoral. Já há prova suficiente para a instauração do processo penal!!!

Acho que as suas desculpas e o “perdão” do Sérgio Moro ainda não são causas extintivas de punibilidade…

Afrânio Silva Jardim, professor associado de Direito Processual Penal da Uerj
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Demitida assessora da Petrobras, alvo de delação da Folha


Percebe-se a consolidação do clima de fascismo no país quando há uma naturalização dos piores instrumentos policialescos, como a deduragem.

É o caso da funcionária da Petrobras Regina de Luca. Ela era gerente de Inteligência e Segurança. Foi convidada para o cargo por Pedro Parente. 

Este ano, estrelou um comercial da Petrobras, no qual a companhia narrava seus esforços para extirpar a corrupção que se instalara nela.

A participação de Regina foi alvo de uma reportagem da Folha de S. Paulo, com o sentido explícito de delação. A única justificativa para a matéria era o cargo que ela havia ocupado no governo Dilma. Funcionária de carreira, antes disso havia sido Secretária de Segurança Pública do Ministério da Justiça no governo Dilma Rousseff. Era um cargo eminentemente técnico, sem nenhuma vinculação política. E Secretária de Segurança Pública não é cargo de assessoria da Presidência. O título já denotava a má fé da reportagem.



No pé da matéria a ressalva hipócrita que, por si, justificaria a não publicação da matéria.

A Petrobras diz que, na peça, a casa a que Regina se refere é a própria companhia, e não qualquer partido, e que ela passou por todas as exigências da empresa, como investigação interna que não identificou nenhuma circunstância que a desabonasse.

Ou seja, não havia nenhuma justificativa para a reportagem, a não ser expor uma funcionária pública exemplar. E a reportagem foi publicada no dia 10 de novembro de 2018, quando já se desenhava a caça às bruxas,

Qual a consequência da reportagem na vida da pessoa? A consequência óbvia:

Luís Nassif
No GGN
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Abriu a gaiola das loucas


O futuro chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), atacou nesta sexta-feira, 7, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que indicou movimentação financeira suspeita do ex-assessor do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL), Fabrício Queiroz. 

Questionado sobre o assunto, Lorenzoni se mostrou visivelmente irritado. "Setores estão tentando destruir a reputação do sr. Jair Messias Bolsonaro. No Brasil, a gente tem que saber separar o joio do trigo. Nesse governo é trigo. (...) Onde é que estava o Coaf no mensalão, no petrolão?", disse ele a jornalistas nesta sexta-feira (7), após discursar a uma plateia de empresários do grupo Lide, em um hotel de luxo em São Paulo.

Pressionado a esclarecer a origem do dinheiro, disse: "Eu lá sou investigador? Qual é a origem do dinheiro? Quanto o senhor [repórter que havia feito a pergunta] recebeu este mês?"

O documento aponta que o ex-assessor parlamentar e policial militar Fabrício José Carlos de Queiroz movimentou R$ 1,2 milhão entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017. Uma das transações seria um cheque de R$ 24 mil destinado à futura primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

Investigado pelo Supremo Tribunal Federal por suspeita de caixa dois, Onyx tentou minimizar as denúncias. "Se tem um cara tranquilo sou eu. Primeiro, já me resolvi com Deus, o que é importante para mim. Segundo porque, agora com a investigação autônoma, que não é nem inquérito, vou poder esclarecer definitivamente. Nunca tive envolvido com corrupção. A gente não pode ser hipócrita de querer misturar financiamento e o não registro de um recebimento de um amigo, que esse erro eu cometi", afirmou.



Moro foge de pergunta sobre relatório do Coaf que cita irregularidades de ex-assessores da família Bolsonaro

De acordo com o Estadão, Sérgio Moro, não respondeu a questionamento feito pela imprensa, nesta sexta-feira (7), sobre o relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que revelou movimentação atípica no valor de R$ 1,2 milhão na conta de um assessor do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ).

O jornal lembra que uma das transações na conta de Queiroz citadas no relatório do Coaf é um cheque de R$ 24 mil destinado à futura primeira-dama Michele Bolsonaro.

“Dentre eles constam como favorecidos a ex-secretária parlamentar e atual esposa de pessoa com foro por prerrogativa de função – Michelle de Paula Firmo Reinaldo Bolsonaro, no valor de R$ 24 mil”, diz o documento do Coaf.

Em anúncio na sede da transição de governo, Moro indicou os futuros chefes da Polícia Rodoviária Federal, o policial rodoviário federal Adriano Marcos Furtado, e da Secretaria Nacional do Consumidor, o advogado Luciano Benetti Timm, mas deixou o local sem responder à pergunta sobre o documento.
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Moro arquitetou em 2005 plano para prender Lula, revela Onyx


Em entrevista a Roberto D’Avila/Globo News, Onyx Lorenzoni revelou que Moro arquitetou o plano para prender Lula ainda em 2005, depois de frustrada a primeira tentativa durante o processo do chamado mensalão.

Naquele mesmo ano, no bojo da conspiração para derrubar o primeiro governo Lula, o oligarca Jorge Bornhausen, então presidente do PFL [atual DEM, partido do Onyx], fez a célebre declaração genocida, defendendo a “eliminação dessa raça [dos petistas] do país pelos próximos 30 anos”.

Deixando transparecer orgulho da amizade antiga com Moro, na entrevista Onyx acabou fazendo 1 confidência que tem o efeito de 1 bomba nuclear:

A minha relação com Sérgio Moro vem de dezembro de 2005. Eu era sub-relator das Normas de Combate à Corrupção da CPI dos Correios, e convidei o Moro […] naquela época porque a 13ª Vara de Curitiba era – e continua sendo – a única que cuida de lavagem de dinheiro no Brasil”.

Onyx explica que

aí ele [Moro] trouxe 1 série de contribuições e 2 muito relevantes, que o pessoal de casa vai entender agora: a primeira que ele pediu, em 2005, foi a atualização da Lei de delação premiada, que levou 7 anos pra fazer. A outra [contribuição], a transformação do crime de lavagem de dinheiro de crime acessório para crime principal”.

[…]

Os 2 fatores – a lavagem de dinheiro como crime principal, e a revisão da lei de delação premiada – foram a diferença entre no ‘mensalão’ não ter chego no Lula, e no ‘petrolão’ ter chegado no Lula” [assista a entrevista abaixo, a partir do minuto 6:50].



O chefe da casa civil do Bolsonaro trouxe à tona a estratégia política e partidária montada pelo Moro para levar a efeito o plano de perseguição e de prisão do Lula, arquitetado muito tempo atrás.

Conforme revelado, o juiz e o deputado, juntos, arquitetaram a subversão do arcabouço legal do país para concretizar o plano jurídico-político para atingir Lula.

A lei do crime de lavagem de dinheiro foi alterada em 2012, governo Dilma; e a Lei de Organização Criminosa, de 2013, que abarca a “colaboração premiada” teve, ironicamente, como autora a senadora petista Serys Slhessarenko e foi sancionada pela Presidente Dilma.

O planejamento da dupla foi exitoso. O resultado, materializado 13 anos depois, é o confinamento e silenciamento do Lula numa cela solitária e seu banimento do processo eleitoral para impedir sua eleição presidencial, tida como líquida e certa.

Neste momento em que a 2ª turma do STF julga a parcialidade de Sérgio Moro pelos arbítrios perpetrados contra Lula na farsa jurídica para levá-lo à prisão política, a revelação o Onyx invalida totalmente a “heterodoxa” defesa [ler aqui] que Luiz Fachin e Carmen Lúcia fazem do ex-juiz.

A perseguição do Moro e da Globo/Lava Jato ao Lula está fartamente documentada. Moro sempre foi um juiz posicionado politicamente.

Ele aparelhou o judiciário para perseguir e destruir seu principal inimigo político. Moro foi de tal modo incontinente no afã de prender o ex-presidente que, inclusive, colocou em risco o próprio cargo de juiz.

Se praticasse essas barbaridades na pátria para a qual bate continência, tal como o clã bolsonarista, ele não só perderia o cargo, como estaria sujeito à condenação à prisão perpétua.

A amizade antiga explica a candura do Moro em relação à prática de caixa 2 do Onyx, que recebeu R$ 200 mil da Odebrecht. Na interpretação livre de Maquiavel, Moro dedica aos amigos os favores; a Lula e aos petistas, o direito penal do inimigo.

Jeferson Miola
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Bolsonaro continuará utilizando táticas de "guerra híbrida", diz Sérgio Amadeu

Edição do programa No Jardim da Política também contou com entrevista com o poeta Sérgio Vaz


“A realidade tem que ser destruída do ponto de vista simbólico. Eles cultuam ignorância. Por exemplo, para destruir o décimo terceiro, os direitos, eles vão ter que convencer que isso é bom, mas isso é ruim. E como você convence? Com mentiras, perseguição, imaginação”, afirmou Sérgio Amadeu, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC) em entrevista para o programa No Jardim da Política desta quinta-feira (6), ao comentar o acesso aos meios de comunicação do país e como as redes sociais influenciam na política.

Amadeu, que é representante do setor acadêmico no Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI), esteve nos estúdios do Brasil de Fato e também comentou como os políticos neoliberais se utilizam destes meios para manipulação midiática.

Amadeu explicou o conceito de Guerra Híbrida, estratégia que tem sido muito utilizada principalmente pelos Estados Unidos para desestabilizar governos democraticamente eleitos. As redes digitais, afirma, têm tomado papel importante nas Guerras Híbridas combinando sabotagem, criação de baixa moral na sociedade adversária e inversão de valores no intuito de desmoralizar o “inimigo”. As fake news fariam parte das táticas de Guerra Híbrida.

Neste sentido, o professor apontou que tanto a campanha de Jair Bolsonaro (PSL) quanto seu futuro governo utilizaram e vão continuar utilizando estas táticas. Trabalhar com factóides, ou seja, informações bomba que ficam se repetindo para atrair a opinião pública, é a saída para um governo que não tem propostas coerentes, explicou.

Em relação às fake news, Amadeu afirma que atualmente o termo está comprometido. Muitas das fake news surgiram baseadas em situações reais, o que deixa o combate à desinformação ainda mais complexo. “Você combina coisas que existem, distorce e exagera, gerando um efeito de revolta enorme. Um exemplo é a “bolsa presidiário”. Na realidade quase ninguém tem, porque a lei diz que o preso precisaria ter carteira assinada no momento em que foi condenado e isso está longe da realidade dos presídios”.

Em relação a possíveis leis de combate às fake fews, o professor afirma que é preciso ter cuidado. A situação poderia se inverter em sua opinião. “Você tem que saber que vai ter um promotor e juiz que é da elite e vai ser seletivo. Então eu acho complicado 'lei de fake news', vai ser usada contra quem faz o bom jornalismo”.

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The Guardian conta como funciona a fábrica de ideias que teria financiado grupos ultra-direitistas como o MBL

MBL de Kim Kataguiri, Fernando Holiday e MamãeFalei.
Foto: Divulgação/Twitter
A coluna de George Monbiot no The Guardian abordou a questão de como o dinheiro longe dos olhares públicos pode ser prejudicial para as democracias e favorecer algumas pessoas ricas e empresas privadas. Isso para falar sobre os multimilionários irmãos Charles e David Koch, donos de um grande conglomerado industrial de commodities e a estratégia deles para financiarem seus interesses políticos:

“O chefe político dos Koch, Richard Flink, desenvolveu o que ele chamou de modelo de três estágios de mudança social. Universidades produziriam a “matéria-prima intelectual”. Think tanks (fábricas de ideias) transformaria essa matéria em “uma forma mais praticável ou utilizável”. E então grupos de ativistas poderiam pressionar pela implementação de mudanças políticas. Para esse fim, os Koch criaram organizações nessas três partes, como o Mercatus Center na universidade George Mason, o instituto Cato e o “grupo cidadão” Americans for Prosperity, Mas na maior parte do tempo eles investiam em organizações já existentes e que atendiam a seus interesses. Eles colocaram centenas de milhões de dólares em redes de departamentos acadêmicos, thinktanks, jornais e movimentos. E aparentemente estão tendo um notável sucesso.”

(…)

“Até agora não há evidências de que Charles e David Koch estão fundando organizações no Reino Unido. Mas há algumas semanas um leitor me apontou para uma linha que ele encontrou em um formulário enviado para o governo dos EUA pela Charles Koch Foundation, que mostrava dinheiro transferido para uma companhia que parece ser o braço financeiro americano de uma organização britânica. Depois de entender seu significado, estabeleci uma colaboração com o grupo de investigação DeSmog UK. Nós mal podíamos acreditar no que estávamos vendo.

A organização que a Charles Koch Foundation escolheu para financiar é, à primeira vista, surpreendente: uma organização norte-americana criada por uma revista obscura sediada no Reino Unido e dirigida por ex-membros de um grupo dissidente trotskista. Alguns de seus principais colaboradores ainda se descrevem como marxistas ou bolcheviques. Mas quanto mais você olha, mais sentido as doações de Koch parecem fazer. O nome da revista é Spiked”.

A revista, editada por (Brendan) O’Neill, parece odiar a política de esquerda. Ele investe contra o estado de bem-estar social, contra regulamentação, o Occupy Movement, os anticapitalistas, Jeremy Corbyn, George Soros, #MeToo, “privilégio negro” e Black Lives Matter. Ele o faz em nome das “pessoas comuns”, que, afirma, são oprimidas pelas “elites culturais anti-Trump e anti-Brexit”, “elites feministas”, “elites verdes” e “políticos cosmopolitas”.

Sobre a relação da revista com pensamentos de Trotsky, Monbiot explica: “Spiked parece ter se lembrado de tudo o que Trotsky escreveu que poderia ser usado para a causa do capital corporativo e da extrema direita, e esqueceu todas as suas reflexões menos entusiasmadas sobre essas forças”.

(…)

O colunista termina dizendo que: “É essa a extensão do envolvimento dos irmãos Koch com grupos baseados no Reino Unido? Quem sabe? Eu ainda não tive uma resposta da Charles Koch Foundation. Mas vejo esses pagamentos como parte de um padrão mais amplo de financiamento não divulgado. Democracia sem transparência não é democracia”.

* * *

PS: Em reportagem antiga, o The Guardian apontou indícios da ligação dos irmãos Koch com organizações de direita no Brasil, como o MBL. Para ler mais a respeito, clique aqui.

Walter Atsushi Niyama
Tradução: Walter Atsushi Niyama
No DCM
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Damares e a masturbação dos bebês de sete meses, assista. Vamos virar chacota…


Não dá para fazer muitos comentários sobre a futura ministra dos Direitos Humanos.

É covardia tripudiar sobre sua capacidade de dizer bobagens.

Nem é bom imaginar o que fará, com sua ânsia em produzir frases de efeito como a de hoje, de que “a gravidez é um problema que só dura nove meses”.

O essencial, nesta história, é como o novo governo enxerga a questão dos direitos humanos, que se expressa na sua escolha.

É uma espécie de formalidade, quase um quartinho de despejo onde se jogam as questões de “menor importância”.

Nas quais, aliás, foi colocada também a questão indigenista, quando se colocou ali a Funai e o destino dos remanescentes dos povos originais do Brasil.

Afinal, reuniram-se sob a estupidez da pastora Damares todas as minorias que, ou se adequam ou devem desaparecer.

Damares é uma chacota e fala bobagens hoje em escala menor, muito menor, do que já falou nos últimos anos.

Como neste vídeo em que diz que Marta Suplicy, quando prefeita de São Paulo, tinha programas para “masturbar as crianças a partir dos sete meses de idade”.

Não dá para comentar.

Duvida do que eu digo? Assista:




Fernando Brito
No Tijolaço




ONG de Damares foi denunciada por discriminar indígenas

A ONG Movimento Atini - Voz Pela Vida, comandada pela pastora Damares Alves, futura ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos do governo de Jair Bolsonaro (PSL), já foi denunciada pelo Ministério Público Federal (MPF) "dano moral coletivo decorrente de suas manifestações de caráter discriminatório à comunidade indígena". Indicação de Damares para o ministério, que irá comandar a Fundação Nacional do Índio (Funai), causou irritação entre os servidores e preocupa outras entidades ligadas à defesa dos direitos indígenas.

A denúncia do MPF contra a ONG, que diz ter como missão "promover a conscientização e a sensibilização da sociedade sobre a questão do infanticídio de crianças indígenas", foi feita em 2015, após a Atini divulgar um vídeo sobre a questão do infanticídio indígena. Na ação, o MPF pede que a ONG pague R$ 1 milhão a título de danos morais, além da proibição da veiculação do documentário "Hakani – A história de uma sobrevivente".



Para os procuradores, o filme buscava "chamar atenção acerca do tema 'infanticídio indígena' para "legitimar as ações missionárias no interior das comunidades indígenas". O vídeo foi produzido em parceria com a instituição Jovens Com Uma Missão (Jocum), denominação adotada no Brasil pela organização evangélica norte-americana Youth With a Mission.

Ainda segundo o MPF, o vídeo causou "profunda indignação na sociedade, gerando manifestações preconceituosas e discriminatórias em face das comunidades indígenas", além de "atingir a dignidade humana deste grupo perante a sociedade".
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Por falar em democracia

Desde a Antiguidade clássica até a segunda metade do século 19, a democracia sempre foi tida como regime político subversor da hierarquia social. Montesquieu sustentava que, numa sociedade democrática, as mulheres, as crianças e os escravos já não se submeteriam a ninguém, já não haveria bons costumes, amor à ordem, virtude, enfim.

Por sua vez, James Madison, um dos "founding fathers" dos Estados Unidos, sublinhou que a democracia, por ele entendida como a "sociedade consistente num pequeno número de cidadãos que se reúnem e administram o governo diretamente", incentivaria o espírito de facção, pondo em constante risco a ordem social.

Entre nós, menos de um ano após a independência, quando se elaborava a Constituição do novo Estado, o jovem imperador lançou um brado de alerta:

"Algumas Câmaras das Províncias do Norte deram instruções aos seus deputados em que reina o espírito democrático. Democracia no Brasil! Neste vasto e grande Império é absurdo; e não é menor absurdo o pretenderem elas prescrever leis aos que as devem fazer, cominando-lhes a perda ou derrogação de poderes, que lhes não tinham dado, nem lhes compete dar".

Durante todo o século 20, contudo, o juízo de valor que se fazia sobre a democracia era exatamente o inverso. Com raras exceções, nenhum partido ou movimento político ousava dizer-se antidemocrático. Todos, ao contrário, esforçavam-se por se apresentar como os únicos verdadeiros defensores do "governo do povo, pelo povo e em prol do povo".

Tal unanimidade a propósito de democracia era evidentemente suspeita. Ao fazer do elogio desse regime um simples chavão político, ela revelava formidável confusão semântica. O povo, que pela própria etimologia (demos, povo + kratos, poder) seria o principal beneficiário dessa forma de organização política, sempre pareceu ter sérias dificuldades em entender o que está por trás das palavras encantatórias da propaganda.

Pesquisa realizada pelo instituto Latinobarômetro revelou que o apoio dos latino-americanos à democracia chegou em 2018 ao nível mais baixo já registrado: 48%, uma queda de cinco pontos percentuais em relação à 2017. No Brasil, esse apoio é ainda menor: 34%.

Pois bem, atualmente a aprovação da democracia se enfraquece no mundo todo; isso tem suscitado apreciável número de estudos sobre o fenômeno, até mesmo nos Estados Unidos, apresentado como parâmetro desse regime político após a Segunda Guerra Mundial.

A soberania popular é hoje, cada vez mais, como se acaba de ver em nosso país, confundida com populismo; ou seja, a revolta do "povão" contra as elites e a busca de um homem forte no governo; se possível, um militar da ativa ou da reserva, cercado de seus colegas de farda.

Pergunta-se: é possível vencer essa tendência declinante? De minha parte, respondo afirmativamente, desde que se compreenda qual a condição essencial de um regime de autêntica soberania popular, e não de uma oligarquia fantasiada em democracia, como sempre aconteceu em nosso país.

Esse pré-requisito essencial implica a ausência de uma profunda desigualdade social, a qual sempre existiu entre nós. Hoje, conforme relatórios da prestigiosa ONG internacional Oxfam, sabe-se que as seis pessoas mais ricas do Brasil têm o mesmo patrimônio que a metade mais pobre do país. De sua parte, a WID (World Wealthand Income Database) colocou nosso país como líder mundial em desigualdade, atrás até mesmo dos países do Oriente Médio.

Tudo isso, como ninguém ignora, tem consequências políticas arrasadoras. A Constituição em vigor, como várias que a precederam, declara solenemente que "todo o poder emana do povo". Mas este jamais teve a mínima condição de exercê-lo.

Fábio Konder Comparato, professor emérito da Faculdade de Direito de SP e doutor honoris causa da Universidade de Coimbra
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Bolsonaro: a China não cumpre as leis!

Um conselho de empresários vai abrir tudo aos EUA

Se Meng escapar da cadeia nos Estados Unidos, daqui não passará!
No mesmo dia em que Trump manda e o Canadá prende a empresária chinesa Meng Wanzhou, filha do dono da gigantesca Huawei, sob a suspeita de fazer espionagem industrial - Huawei C.F.O. Is Arrested in Canada for Extradition to the U.S. -, o ministro de fato das relações exteriores do Brasil, o deputado Eduardo Bolsonaro, em entrevista a Fabio Murakawa, do PiG cheiroso, não apenas endossa as acusações de Trump à China, como diz que a China se tornou a maior parceira comercial do Brasil por razões (sic) ideológicas (quá, quá, quá!)!

Eduardo Bolsonaro defende guinada na relação com EUA

Bolsonaro: Os EUA sempre foram o principal parceiro econômico do Brasil. Só não foram em dois momentos da nossa história. Um nos anos 1930, quando o presidente Getúlio Vargas se aproximou de Hitler, e nós tivemos a Alemanha nazista como principal parceiro comercial do Brasil. E novamente agora, por razões ideológicas, a China, que desde 2009 é a principal parceira comercial do Brasil.

Valor: Não é importante o comércio com a China?

Bolsonaro: Eu acho que a China indiscutivelmente sempre estará no topo desse ranking, mas a gente ouviu muita reclamação dos EUA com relação à burocracia, incerteza, falta de segurança jurídica, voltar ao chamado "rule of law", para ter segurança jurídica para eles poderem investir. Outros reclamaram que não conseguem investir por conta das licenças ambientais ou se deparam com algum tipo de corrupção. Então, nisso daí, a gente consegue se abastecer e ver do lado de cá o que pode ser feito. E eu sonho em fazer através da intermediação do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, uma câmara direta, formada por notáveis da área dos negócios, entre uma parte brasileira, uns 10, 15 nomes. E do lado de lá uma parte americana, com 10, 15 nomes, a fim de se debruçar em como fazer um negócio mais pujante entre o Brasil e os Estados Unidos.

(...)

Valor: A mudança da embaixada para Jerusalém sai mesmo?

Bolsonaro: Sai. O negócio é quando. Eu sou entusiasta para que seja no primeiro mês do governo.

Valor: A representação da Palestina aqui no Brasil continua?

Bolsonaro: Isso vai ser tratado pelo ministro Ernesto Araújo. Mas eu creio que essa embaixada, exatamente ao lado da Presidência, não é algo visto com bons olhos. A embaixada de ninguém, não só da Palestina, mas de qualquer outro país.

Em tempo: a Huawei é a maior fornecedora de equipamentos de telecomunicações no Brasil. As operadoras estão com o chamado... na mão. Os executivos das operadoras votaram no Bolsonaro! Quá, quá, quá! - PHA

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Não mexe mais em tudo que tá aí, tálquey !!!

Relatório do Coaf cita ex-servidora de Bolsonaro


Nathalia Melo é filha de ex-PM que trabalhou com Flávio Bolsonaro e em cuja conta houve ‘movimentações atípicas’

O relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que apontou transações atípicas do policial militar Fabrício José Carlos de Queiroz, ex-assessor do deputado estadual fluminense Flávio Bolsonaro (PSL), cita movimentações entre contas dele e de sua filha, Nathalia Melo de Queiroz.

Nathalia era, até o mês passado, assessora lotada no gabinete do deputado federal e agora presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL). Queiroz atuou como motorista e segurança de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). O filho do presidente eleito vai assumir a partir do ano que vem uma cadeira no Senado.

Conforme revelou o Estado, o relatório do Coaf aponta transações anormais em uma conta em nome de Queiroz. Por ela, o então assessor movimentou R$ 1,2 milhão entre janeiro de 2016 e o mesmo mês de 2017. Uma das transações é um cheque de R$ 24 mil destinado à futura primeira-dama Michele Bolsonaro.

Nathalia é citada em dois trechos do relatório. O documento não deixa claro os valores individuais das transferências entre ela e seu pai, mas junto ao nome de Nathalia está o valor total de R$ 84 mil. A filha do PM foi nomeada em dezembro de 2016 para trabalhar como secretária parlamentar no gabinete de Bolsonaro na Câmara. No dia 15 de outubro deste ano ela foi exonerada, mesma data em que seu pai deixou o gabinete de Flávio, na Alerj. Nathalia recebeu em setembro, pelo gabinete de Jair, um salário de R$ 10.088,42.

O documento do Coaf que mapeou, a pedido do Ministério Público Federal (MPF), as movimentações financeiras dos servidores da Alerj, foi anexado na investigação que deu origem à Operação Furna da Onça, que levou à prisão 10 deputados estaduais do Rio.

O MPF divulgou nessa quinta-feira, 6, nota na qual afirma que o relatório foi espontaneamente difundido pelo Coaf em um processo de compartilhamento de informações entre os órgãos de investigação. “Como o relatório relaciona um número maior de pessoas, nem todos os nomes ali citados foram incluídos nas apurações, sobretudo porque nem todas as movimentações atípicas são, necessariamente, ilícitas”, afirmou o MPF.

Flávio Bolsonaro usou ontem o Twitter para defender o ex-funcionário. “Fabricio Queiroz trabalhou comigo por mais de dez anos e sempre foi da minha confiança”, escreveu o filho do presidente eleito. “Nunca soube de algo que desabonasse sua conduta.” Queiroz disse que não iria se pronunciar. Nathalia não foi localizada. Procurado, o gabinete de Jair Bolsonaro não se manifestou.

O líder do PT na Câmara, deputado Paulo Pimenta (RS), ingressou nessa quinta-feira, 5, na procuradoria-geral da República com representação criminal pedindo para que seja instaurado procedimento de investigação para apurar “possíveis ilícitos criminais e administrativos” envolvendo o deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e a futura primeira-dama da República, Michelle Bolsonaro”.

Fábio Serapião | Constança Rezende
No Estadão
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Suspeita sobre ex-assessor dos Bolsonaro põe Moro em saia-justa

Assim como jabuti não sobe em árvore, o Ministério Público, o Coaf e outras corporações do setor de investigações não dão ponto sem nó. O vazamento do relatório que apontou movimentação atípica de R$ 1,2 milhão na conta de um ex-assessor do senador eleito Flávio Bolsonaro — apontando inclusive um choque de R$ 24 mil para a futura primeira dama Michelle Bolsonaro — criou uma saia-justa para o novo governo. A pergunta que não quer calar em Brasília é se, antes mesmo da posse, a família Bolsonaro começará a ser investigada.

Tal investigação não existe ainda. Fabrício Queiroz, o ex-assessor do filho 01 na Alerj, entrou numa lista de 22 funcionários que, segundo o Coaf, tiveram movimentação financeira incompatível com seus ganhos. Essa lista foi anexada pelo Ministério Público à investigação que deu origem à Operação Furna da Onça, que teve como alvo os esquemas na Alerj.

Nem Flávio nem Fabrício estão no alvo dessa operação, mas o relatório apontando os caminhos suspeitos do dinheiro, que era retirado também em espécie da conta do servidor, foi parar nas mãos da imprensa muito provavelmente para forçar a abertura de uma investigação. Afinal, são muito comuns, nesses tempos de Lava Jato permanente, aquelas situações que começam quando as autoridades atiram no que vêem e acabam acertando o que não vêem.

Também é frequente o expediente dos procuradores de vazar uma denúncia para respaldar a abertura de um inquérito quando o caso é delicado. Para lá de delicado, no momento, por citar parentes do presidente eleito. Flávio Bolsonaro, em seu twitter, jogou o caso no colo do ex-assessor, afirmando esperar que ele explique tudo. Será que vai?

Acima de tudo, o episódio será um teste para o novo governo e seu futuro ministro da Justiça, Sérgio Moro, que a partir de 1 de janeiro será o chefe da Polícia Federal e do Coaf. Se a investigação for aberta, portanto, estará nas mãos do sujeito que abriu a caixa e soltou todos os monstros – que, vê-se agora, são incontroláveis. Seu comportamento será acompanhado com lupa para ver se o pau que bate em Chico bate em Francisco.

Helena Chagas é jornalista, foi ministra da Secom e integra o Jornalistas pela Democracia
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Viagem em jatinho tira ministério de Da Malta

Senador saiu da lista de ministeriáveis após o presidente eleito, Jair Bolsonaro, receber informações de que ele viajou em aeronave de empresário sem informar à Justiça Eleitoral


O presidente eleito, Jair Bolsonaro, decidiu cortar da lista de possíveis ministros o senador e candidato derrotado à reeleição Magno Da Malta (PR-ES) após receber informações de que o aliado fez viagens para aproximar o empresário Eraí Maggi da campanha do PSL e, até mesmo, usar sua proximidade para defender nomes que poderiam compor um eventual governo. Pelos dados recebidos por Bolsonaro, Maggi teria colocado à disposição do senador um jatinho particular para alguns deslocamentos e ainda abriu sua fazenda para encontro com ruralistas.

Em conversas com aliados, Bolsonaro chegou a avaliar também uma entrevista dada pelo cobrador Luiz Alves de Lima, de Vitória, que foi preso e sofreu tortura depois de ser acusado de pedofilia por Da Malta em 2010. Anos depois, a Justiça absolveu Alves. Na quarta-feira, 5, Bolsonaro disse que o perfil do senador “não se enquadrou” no futuro ministério, mas que ele ainda poderia estar “em outra função”.

Da Malta não registrou deslocamentos em jatinhos do empresário nas prestações de conta ao TSE. Ele disse ter gasto na campanha R$ 163 mil em veículos, R$ 50 mil em combustível e R$ 273 mil em carros de som. Ao Estado, o senador informou que não participou “da negociação, contratação e pagamento de aeronave”. Segundo a assessoria, a aeronave foi contratada pelo Podemos de Mato Grosso.

A relação de Bolsonaro e Da Malta era próxima até o resultado do segundo turno das eleições. O senador chegou a receber o convite de Bolsonaro para fazer uma oração de agradecimento pela vitória nas urnas.

A família do presidente eleito, porém, reclamava que Da Malta não teve sensibilidade ao entrar no quarto em que Bolsonaro estava internado – após ter sido vítima do atentado a facadas – para fazer imagens. Numa das fotos, quem aparece ao lado de Bolsonaro é Maggi, levado pelo senador. Foi quando começou a circular a possibilidade de o deputado e candidato derrotado ao Senado Adilton Sachetti (PRB-MT) assumir a pasta da Agricultura num eventual governo. Próximo a Maggi, Sachetti era um nome negociado por Da Malta para o ministério sem aval de Bolsonaro.

Leonencio Nossa
No O Estado de S. Paulo
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'Nada a temer'


O presidente brasileiro Michel Temer (MDB) afirmou nesta quinta-feira que não teme que os casos de corrupção contra ele possam levá-lo à prisão depois de concluir seu mandato em 1º de janeiro de 2019.

Em uma reunião com correspondentes estrangeiros no Palácio do Planalto, em Brasília, Temer disse que os casos contra eles não têm mérito, apesar de, segundo ele, terem impedido o seu governo de realizar reformas importantes, tais como a da Previdência.

"Eu estou calmo. Não estou preocupado, no mínimo", declarou Temer, que esperava que os casos fossem descartados.

Enquanto no cargo, Temer tem imunidade parcial, graças à qual ele evitou enfrentar julgamentos criminais. Em duas ocasiões, a Câmara dos Deputados, órgão que examina as questões que envolvem o presidente, negou que Temer foi processado porque as acusações contra ele pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

No entanto, quando Temer, de 78 anos, deixa a Presidência, os casos vão para o sistema judicial ordinário, na primeira instância.

Nos últimos quatro anos, muitos empresários e políticos, incluindo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foram condenados e presos no meio da gigantesca investigação de corrupção conhecida como Lava Jato. Os processos contra Temer estão relacionados a essa investigação, que se concentrou em empresas de construção que pagavam grandes somas de dinheiro a políticos em troca de contratos de obras públicas a preços inflacionados.

Especialistas legais consideram que os casos contra Temer têm sustentação e continuarão seu curso. Nas últimas semanas, vários meios de comunicação informaram que o próximo governo do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) poderia conceder a Temer alguma embaixada.

Essa nova posição beneficiaria Temer com a mesma imunidade parcial concedida aos legisladores federais, membros do gabinete e outros funcionários de alto escalão. A Constituição prevê que apenas a mais alta corte do país, o Supremo Tribunal Federal (STF), pode autorizar as acusações ou prosseguir para julgar os membros individuais da equipe, que na prática imprime lentamente no início de um julgamento.

Entretanto, atribuir Temer a uma embaixada poderia ser problemático para Bolsonaro, que prometeu durante sua campanha "tolerância zero" à corrupção.

Também na quinta-feira, Temer destacou "não deixará" de ser ativo e planeja tirar um tempo para si. No entanto, se recusou a falar sobre detalhes, brincando que não tem mais de 50 anos de idade.

Temer, um político de carreira famoso por sua capacidade de promover iniciativas no Congresso, foi vice-presidente quando a presidente Dilma Roussef (PT) foi alvo de impeachment em 2016. Quando assumiu a presidência, Temer se apresentou como um reformista disposto a tirar a maior nação da América Latina de sua pior recessão em décadas.

Apesar de seu governo não estar livre de escândalos — devido a que vários ministros tiveram que renunciar diante de denúncias de corrupção nas primeiras semanas —, Temer conseguiu fazer o Brasil avançar em muitas frentes. Uma importante reforma na legislação trabalhista foi aprovada e em 2017 o produto interno bruto cresceu 1% após uma contração de 4% em cada um dos dois anos anteriores.

"Acho que vou ser lembrado como alguém que, pelo menos, tentou colocar o Brasil no caminho certo", disse Temer. "Também serei lembrado como alguém que não se importa com o populismo. Qualquer um preocupado com populismo não teria feito o que fiz", continuou, em uma alusão às suas propostas impopulares para melhorar as finanças do Estado cortando os benefícios dos empregados e o sistema de pensões.

Temer havia dito este ano que poderia buscar a reeleição, apesar de seus baixos índices de aprovação — menos de 10% —, a maior dentre todos os presidentes que estiveram no cargo. No entanto, os escândalos de corrupção contra ele não só tornaram essa reeleição impossível e frustraram grande parte de sua agenda, mas também ameaçaram colocá-lo atrás das grades.

No ano passado, Janot denunciou Temer duas vezes em casos relacionados à corrupção e obstrução da Justiça. A Polícia Federal também o investiga em um terceiro caso, no qual ele é acusado de usar subornos para financiar reformas em uma propriedade familiar.

No Sputnik
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Mudar para continuar


Aos poucos começa a parecer que o “toma lá, dá cá”, renegado pelo presidente eleito Jair Bolsonaro, não será banido como ele prometeu, mas reciclado. Na linha “mudar para continuar”. Depois de ignorar os partidos na formação do ministério, ele admitiu, nas conversas que começou a ter com as siglas, que negociará com cargos do 2º e 3º escalões. Onyx Lorenzoini defende uma forma nova de fisiologismo, que teria o aval do chefe, e é considerada inconstitucional por 9 entre 10 juristas: o governo libera emendas orçamentárias para apoiadores e seus nomes passam a figurar nas placas das obras realizadas com os recursos que empenharam. Isso dá voto.

Todo dia tem novidade sobre como será o relacionamento entre Executivo e Legislativo, num quadro de suposto desafio ao presidencialismo de coalizão, o regime em que, desde FHC, o governo é compartilhado pelos partidos que integram sua aliança de apoio. Digo suposto porque vai ficando claro que Bolsonaro vai apenas reinventar o modelo que aponta como responsável pelas mazelas da política, como o fisiologismo e a corrupção. E o fará porque, com nosso sistema partidário fragmentado, não há como escapar. A lorota da negociação direta com frentes parlamentares temáticas serviu-lhe para alijar os partidos do primeiro escalão (embora DEM, MDB e PSL lá estejam representados), mas não servirá para governar. Organizadas em temas específicos, não garantirão votos de forma permanente a um governo que terá uma agenda parlamentar polêmica – que vai da reforma previdenciária à mudança no estatuto do desarmamento.

Estão na praça os novos discursos para o “mais do mesmo” transfigurado. O PR diz que será da base do governo mas discutirá as matérias caso a caso. O PSDB diz que apoiará todas aquelas que se identificarem com a agenda tucana. O MDB jura que não indicou o futuro ministro Osmar Terra e que não pedirá cargos ao governo, garantindo porém apoio ao que for do interesse do país. Para todos eles, melhor o segundo escalão que a estepe fria da oposição. A inscrição dos nomes de parlamentares nas placas de obras derivadas de emendas – que mesmo sendo de liberação imperativa podem ser contingenciadas pelo governo – é tão imoral quanto o velho fisiologismo. É o Planalto dizendo o seguinte: “vote com o governo e fature junto a seus eleitores”. Afora o conflito com a Constituição, que fixa como princípios administrativos a impessoalidade, juntamente com a legalidade e a moralidade.

Seguir o dinheiro

O líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta, pediu ontem à Procuradoria Geral da República a abertura de investigação para apurar “possíveis ilícitos” envolvendo Fabrício Queiroz, ex-assessor do deputado estadual e senador eleito Flavio Bolsonaro. Segundo o COAF, entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017 ele movimentou R$ 1,2 milhão. Teria havido a compensação de cheque de R$ 24 mil nominal à futura primeira dama Michele Bolsonaro. Não é nada diante dos valores do Petrolão mas o valor é incompatível com os vencimentos dele.

Se a investigação for aberta e estabelecer conexão entre os recursos suspeitos e Flavio Bolsonaro, produzirá um escândalo precoce, antes mesmo da posse do presidente eleito. Como pode, também, demonstrar o contrário, a ausência de qualquer vínculo. De todo modo, como em casos similares, a PF seguirá o rasto do dinheiro. Eis aí mais um teste da independência da PF sob o comando de Sergio Moro, a partir de janeiro.

Mineração

O ministro Moreira Franco deu posse ontem à diretoria da mais nova agência reguladora, a ANM, da mineração. Amparada no novo código do setor, ela garantirá mais transparência e segurança jurídica, diz Moreira, não só aos empresários mas também aos garimpeiros que procuram a fortuna sob a terra. Tomara. Em Minas, as mineradoras agem sem lei, deixando de herança a erosão do solo, enquanto os garimpeiros são espoliados pelos atravessadores.
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“Barraco” no bolsonarismo só começou e promete


O dia não foi bom para Jair Bolsonaro, atingido pelo “fogo amigo”.

A revelação de que o PM que servia a seu filho Flávio movimentou R$1,2 milhão em sua conta bancária, inclusive R$ 24 mil pagos à conta da futura primeira-dama. Michele Bolsonaro.

E, não bastasse, outro filho – Eduardo –  entrou na “roda” metido numa confusão por conta de  um racha” que já se anuncia da bancada de 52 deputados do PSL, o partido bolsonarista, na Câmara, “barraco” com direito a “puxadinho” no senado, onde são quatro os senadores.

Num vazamento que parece tão louro quanto Joice Hasselmann, já tinha ido parar em público o bate-boca que teve com o senador por São Paulo, o Major Olímpio, a deputada de 2 milhões de votos parece estar buscando uma saída honrosa para sua pretensão de ser a líder do partido, posição que está reservada, ao que parece, para o deputado Delegado Waldir, de Goiás.

Joice, que mais cedo acusou o senador Major Olímpio de ter impedido que ela se elegesse governadora de São Paulo, recebeu um passa-fora de Eduardo Bolsonaro pelo Whatsapp. O filho “02” entrou na polêmica e disse que “”salta aos olhos a intenção de Joice de ser líder e assim como já demonstrou na época de campanha ela atropela qualquer um que esteja a frente de seus objetivos pessoais”.

A deputada subiu nas tamancas e retrucou, no aplicativo, que há (maiúsculas dela) um “”jogada armada SEM O CONHECIMENTO da bancada para apresentar Waldir como líder em 2019, escolhido pelo Bolsonaro e por Olímpio. A bancada TEM Q SER OUVIDA.”

Disse que Eduardo teve  “votação estrondosa com o sobrenome que tem” e que é ” hora de [dele] crescer” e “conversar como gente grande, sem mandar recadinhos pelo Twitter”.

O mais significativo de toda esta história, porém, apesar  das baixarias trocadas é que Eduardo Bolsonaro, com a sua cada vez mais evidente incontinência verbal, diz que faz tudo para evitar que Rodrigo Maia, atual presidente da Câmara e com boas chances de continuar no posto, diz que está sendo discreto nas negociações sobre a sucessão no Poder Legislativo, “por ordem do presidente”  evitando “botar a cara publicamente” porque “o [Rodrigo] Maia “pode acelerar as pautas bombas do futuro governo”.

A 15 dias do final, na prática, da legislatura, é provável que estas “pautas-bomba” se refiram ao início da próxima.

E revelam que pode haver um conformismo com a eleição do filho de César Maia para o cargo.

Apesar do ar de ofendido que fará, é tudo o que Maia queria para consolidar sua candidatura.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Filhos de Bolsonaro podem desestabilizar o futuro governo

Eles
A atuação intensa dos filhos de Jair Bolsonaro preocupa integrantes da equipe do presidente eleito. O vereador Carlos Bolsonaro, do Rio, é o que mais causa apreensão, desde a campanha eleitoral.

De longe

O parlamentar é considerado o mais tempestuoso dos três filhos de Bolsonaro que seguiram carreira política. E o mais propenso a gerar crises, ainda que permaneça distante do núcleo do futuro governo.

De perto 

Carlos Bolsonaro já se desentendeu com o futuro secretário-geral da Presidência, Gustavo Bebianno, e acaba de comprar briga com um dos parlamentares eleitos mais próximos do futuro presidente, Julian Lemos (PSL-PB).

Julian Lemos e Carlos Bolsonaro

Sai fora! 

No entrevero, o vereador pediu que Lemos pare de “aparecer atrás” do presidente eleito, “por algum motivo como faz sempre”.

Soldado 

Julian Lemos diz que não quer comentar os ataques. E afirmou: “Fui forjado acompanhando, por quatro anos, a vida política de Bolsonaro, vendo seu exemplo e ouvindo seus conselhos. Sou soldado de primeira hora. Respeito a família, mas só sigo as orientações do presidente. Ele me lidera e só aceito o seu comando”.

Cuidado, pai 

Numa postagem recente no Twitter, Carlos Bolsonaro chegou a declarar que a morte de Bolsonaro interessa a pessoas próximas.

Freio 

Já o deputado federal eleito Eduardo Bolsonaro fala demais, na opinião de auxiliares do presidente. É dele a declaração de que bastariam um soldado e um cabo para fechar o STF (Supremo Tribunal Federal), o que gerou uma crise com a corte.

Doce 

O filho mais velho, Flávio Bolsonaro, que foi eleito senador pelo Rio, é considerado o mais maduro, ponderado e amistoso dos três. É definido como “um amor de pessoa” por um político do círculo íntimo do presidente eleito.

Destaque 

Na quinta (6), no entanto, ele foi envolvido na notícia de que um ex-assessor movimentou R$ 1,2 milhão, de forma atípica. E virou um dos assuntos mais comentados do Twitter.

Mônica Bergamo
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O Fiat Elba, ou o batom na cueca, dos Bolsonaros

Flávio Bolsonaro empregou em seu gabinete família de ex-assessor citado pelo Coaf

Fabrício e sua mulher, Márcia Aguiar
Ele trabalhou até outubro com Flávio e, ao menos por enquanto, será nomeado no gabinete do senador eleito, após a posse.

Na Alerj, Fabrício foi requisitado por Flávio para trabalhar em seu gabinete em 28 de março de 2007. Nunca mais saiu do lado do filho do presidente da República. Não só ele.

Além de Fabrício, sua mulher, Márcia Aguiar, e duas filhas, Nathália e Evelyn, também foram empregadas por Flávio Bolsonaro.

Uma delas continua nomeada no gabinete.

Márcia exerceu cargo de consultora parlamentar entre 2 de março de 2007 a 1º de setembro de 2017, com salário de R$ 9.835,63.

Nathália foi nomeada no gabinete da vice liderança do PP, de Flávio, em 20 de setembro de 2007, e ficou lá até 1º de fevereiro de 2011. Recebia R$ 6.490,35.

De 1º de abril de 2011 a 11 de agosto de 2011, passou para outro cargo, no valor de R$ 2.950,66 bruto, no Departamento Taquigráfico e Debates.

De 12 de agosto de 2011 a 13 de dezembro de 2016, foi para a terceira empreitada, também sob o aval de Flávio. Tornou-se sua assessora parlamentar, em outro cargo, com valor de R$ 9.835,63.

A outra filha, Evelyn, foi nomeada em 13 de dezembro de 2016 assessora parlamentar de Flávio, no mesmo tipo de cargo que antes era ocupado pela irmã.

Flávio e Carlos Bolsonaro prestaram homenagens a ex-assessor enrolado em relatório do Coaf

A quadrilha: Carlos, Flávio, Jair e Eduardo posam para foto em Taiwan
Os irmãos Flávio e Carlos Bolsonaro prestaram homenagens na Alerj e na Câmara dos Vereadores, respectivamente, ao policial militar Fabrício José Carlos de Queiroz, ex-assessor do gabinete de Flávio, deputado estadual, diz a Folha.

Queiroz foi citado em relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) que indicou movimentações financeiras atípicas de profissionais da Assembleia. O documento foi anexado às investigações da Operação Furna da Onça, que levou à prisão de dez deputados estaduais, suspeitos de receber mesada para apoiar o ex-governador do Rio Sérgio Cabral.

Segundo o relatório, revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo, Queiroz movimentou R$ 1,2 milhão entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017. Uma das transações citadas é um cheque de R$ 24 mil destinado à futura primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

A folha de pagamento de setembro (a mais recente disponibilizada pela Alerj) indica que Queiroz recebia salário líquido de R$ 8.517,86 no cargo de assessor parlamentar III.

Em outubro de 2003, quando deputado estadual pelo PP, Flávio apresentou na Assembleia moção de louvor e congratulações a Queiroz.

“Com vários anos de atividade este policial militar desenvolve sua função com dedicação, brilhantismo e galhardia. Presta serviços à Sociedade desempenhando com absoluta presteza e excepcional comportamento nas suas atividades”, dizia a homenagem.

Três anos depois, a Câmara dos Vereadores aprovou requerimento de Carlos Bolsonaro para conferir a Queiroz a Medalha de Mérito Pedro Ernesto, principal homenagem prestada pelo estado do Rio.

O policial militar atuava como segurança e motorista de Flávio Bolsonaro. Segundo a assessoria de imprensa da Alerj, esteve lotado em seu gabinete de 2007 a 15 de outubro de 2018. De acordo com o senador eleito, Queiroz foi exonerado para tratar de sua passagem para a inatividade. Ele entrou na Polícia Militar em 1987 e obteve reserva remunerada neste ano.
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