14 de nov. de 2018

Internauta explica as mentiras de Bolsonaro sobre o Mais Médicos

Foto: Lula Marques
O usuário do Twitter @silvathiagohs fez uma thread explicado as manipulações de Bolsonaro sobre o Mais Médicos. Leia na íntegra abaixo:

Quer saber como @jairbolsonaro mente e manipula pra enganar você sobre o Mais Médicos? 1- Salário dos Médicos

A- Cuba faz cooperação com 66 países em todo o Globo, inclusive europeus. Sabe como isso começou? Com a brigada Henry Reeve criada em 2005 …

... como forma de ajuda humanitária pra atender as vítimas do Furacão Katrina nos EUA. Fidel chamou centenas de médicos e pediu que se organizasse a brigada.EUA negaram a ajuda. A brigada permaneceu mobilizada pois em pouco tempo haveria a crise em Angola e terremoto no Paquistão

Na maioria dos países que faz parceria, Cuba envia médicos e medicamentos DE GRAÇA, sem cobrar dos países. Isso aconteceu em Angola, no Nepal, Haiti, Congo, e tantos outros países pobres do Mundo. Quem arcava com os custos? O próprio governo cubano

B – E como o governo Cubano fazia, já que é vítima de um Bloqueio Econômico há décadas, uma ilha pequena do Caribe que não consegue nem produzir a própria energia, pelas características de seu território?

Alguns países começaram a oferecer trocas pela Força de Médicos.

A Venezuela ofereceu petróleo. Alguns países europeus começaram a pagar mesmo diretamente pro governo Cubano. E essa parceria virou uma fonte de renda pra Ilha, com impacto em suas contas públicas, dado o volume de médicos atuando no mundo todo.

C- E como funciona o pagamento?

Cuba abre edital via uma empresa Estatal para contratar os médicos. Eles podem se oferecer Ou não. As condições salariais e os países são conhecidos PREVIAMENTE por todos ANTES de assinarem contrato. Contrato. Conhecem? Pois é.

A maior parte do “salário” pago fica com o governo Cubano? Sim e não.

Sim porque se você pegar o total de recurso destinado ao programa e dividir pelo número de médicos vai ser menor. Mas NÃO porque não são os governos CONTRATANTES os responsáveis pelo salário dos Cubanos

Quem é responsável pelo salário dos Cubanos é…. a Estatal com a qual eles assinaram contrato! Simples! Ela é responsável por lesão corporal, por invalidez , por seguro, por assistência a família em caso de morte, etc . Cubanos morreram aqui. Sabe o que fez o governo brasileiro?

Nada. Pois é. Quem cuida das familias e repassa dinheiro para famílias é a estatal.

Além disso, o “diferença salarial” não vai pra financiar outra coisa que não a Saúde e Educação de todo povo cubano. Detalhe, eles tem isso DE QUALIDADE e de GRAÇA pra todos lá viu?

Ou seja

O “salário” dos médicos fora de Cuba (quando estão em países que pagam, que não são a maioria) sustenta os direitos sociais de todos os moradores da ilha. É uma fonte de renda pro povo. Impacta o PIB. Como vender nióbio a preço de banana pra canadense, saca?

Sabe quantos médicos Cubanos saíram do programa revoltados com o que é feito com o salário? Um total de …. 1! Isso mesmo. Uma cubana que foi comprada e sustentada pela AMB numa época pra criar uma campanha vergonhosa contra o mais médicos.

Houveram algumas deserções, como sempre há, já que tem médicos cubanos que acham que vão enriquecer de medicina nos EUA. Claro que tem. Em todo canto do mundo tem gente que não de importa em pensar no próprio umbigo. Mas foram uma minoria irrisória.

2- Revalidação de diplomas Essa é uma piada. Cuba manda médicos pra 66 países, sabe o único que teve gente cobrando isso? Pois é, o Brasil. Ainda tem o disparate de dizer que eles não dão médicos, quando tem norte-americano pegando lancha e indo pra Cuba se tratar.

Mesmo assim, por conta dessa pressão, os Cubanos foram avaliados quando chegaram aqui, com a aprovação da lei. Avaliados pela fluência no Português e questões de Medicina. Foram avaliados por Professores e Preceptores de medicina brasileiros, a maioria de Universidades federais

É claro que teve gente reprovada. É claro que vieram no meio dos 14 mil médicos ruins, medianos, bons e excelentes. Mas você acha que entre 14 mil brasileiros viriam apenas médicos bons? Anham. Sou Chefe de um pronto socorro do SUS onde só tem brasileiro, e vejo isso todo dia …

3- Impacto. 700 municípios brasileiros não tinham uma ALMA DE LENÇOL BRANCO nem pra confundir com Médicos. Os números do mais Médicos são ACACHAPANTES. 63 milhões de pessoas cobertas. 4 mil municípios.

Hoje em mais de 1500 municípios só tem Cubano.

Lembram disso aqui?

Pois é. O escândalo das digitais de ponto, em que médicos falsificavam a entrada nos serviços de Saúde.

Muitos pequenos municípios no interior vão voltar a depender deste tipo de colega, infelizmente.

Parabéns aos envolvidos

#Maismédicos
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A política da trapaça

O país não pode ignorar as graves suspeitas de manipulação da opinião pública e de interferência do judiciário nas eleições

Moro sempre esteve muito mais à direita do que imaginavam
A eleição de Jair Bolsonaro está envolta em suspeitas e dúvidas. Elas precisam ser esclarecidas o quanto antes. Não se trata de iniciar o “terceiro turno” da eleição, por inconformismo com o resultado. Vimos, em 2014, o grave dano causado pelo gesto de Aécio Neves, que resolveu questionar uma eleição normal, sem sinal de interferências que pudessem haver distorcido a vontade do eleitorado.

Em face ao que tudo indica ter ocorrido em 2018, dizer que Dilma Rousseff, naquela eleição, cometeu um “estelionato eleitoral” soa pueril. Afirmar, em campanha, que não fará uma coisa e depois fazê-la pode enfurecer quem acreditou na promessa, mas nada tem de “estelionato”. As campanhas estimulam sonhos e os eleitores sabem que nem tudo que é prometido será cumprido.

Faz tempo que as eleições brasileiras deixaram de ser trapaceadas. A modernização da sociedade, o aumento da participação popular, os avanços tecnológicos nos processos de registro dos eleitores, na sistemática da votação e da apuração aposentaram as “marmitas” e outras velhas práticas.

Apenas o bolsonarismo entrou nesta eleição obcecado pelo risco de que ela pudesse ser fraudada. Seus líderes e seguidores tinham pronto um discurso (e sabe-se lá o que mais) para reagir caso perdessem. Fosse Fernando Haddad o vencedor, as urnas eletrônicas estariam sob pesado ataque. Como triunfaram, elas passaram, subitamente, a ser confiáveis.

As desconfianças a respeito desta eleição não são as habituais. Elas não provêm de Bolsonaro haver dito isto ou aquilo. Tampouco decorrem de denúncias mirabolantes contra programas de totalização de votos.

São duas as suspeitas mais graves. De um lado, é preciso esclarecer se houve uma operação de manipulação da opinião pública para aumentar o voto em Bolsonaro e diminuir o voto em Haddad. De outro, se decisões de alto impacto eleitoral foram tomadas por integrantes do Judiciário com o intuito de beneficiar Bolsonaro.

A cada dia, avolumam-se as suspeitas de que aconteceu este ano, no Brasil, mais um episódio das novas guerras sujas eleitorais que vêm ocorrendo no mundo. São muitas as evidências, tanto diretas, provenientes do bom jornalismo, quanto indiretas, baseadas nos resultados das pesquisas de opinião.

Os dados estão na mesa: temos uma ideia (provavelmente subestimada) do tamanho da onda de mensagens falsas que inundou o eleitorado nos últimos dias do primeiro turno, sabemos os nomes de (alguns) empresários que pagaram ilegalmente por elas, conhecemos (alguns) fornecedores que venderam os serviços de “impulsionamento”.

As pesquisas de opinião fornecem outras evidências: vários levantamentos diários das intenções de voto mostraram padrões inabituais de variação no final do primeiro e do segundo turno, sugerindo algum tipo de direcionamento dos sentimentos de grandes parcelas do eleitorado e diversas pesquisas “erraram” muito além do esperado em estados-chave, como o Rio de Janeiro e Minas Gerais (até em pesquisas de boca de urna).

Depois do segundo turno, novas pesquisas apontaram quão larga foi a difusão e a credibilidade com que notícias falsas foram distribuídas e consumidas pela população.

Temos até a admissão de que eleger Bolsonaro interessava aos mesmos responsáveis por manipulações semelhantes em outros lugares. Com a candura dos onipotentes, Steve Bannon, arauto do “capitalismo esclarecido” e arquiteto das vitórias de Donald Trump e do Brexit, nunca escondeu sua atuação no Brasil.

Note-se que a questão não se limita à discussão a respeito das fake news espalhadas durante a eleição. Nas novas guerras sujas, o relevante não é somente falsificar, mas fazer chegar a quem interessa determinados conteúdos, dizendo aquilo que cada parcela deve ouvir para despertar seus medos e ódios. Sem o “impulsionamento”, as fake news são inócuas.

Depois de quatro anos de forte instabilidade institucional, depois de um impeachment forçado, um presidente ilegítimo e da bagunça causada por corporações desgovernadas, é natural que muitos queiram paz, que desejem que ninguém questione a eleição e finjam que nada houve de estranho. Que foi tudo “normal”, que “um lado” derrotou “o outro” porque ficou maior, seja lá por quais motivos.

O problema é que, enquanto perdurarem as suspeitas e as dúvidas, ninguém saberá o que é verdade. Qual o “tamanho real” do bolsonarismo? Até que ponto seus valores e prioridades expressam o que pensa a maioria da sociedade? Os “impulsionamentos” estão sendo usados neste exato momento, preparando o terreno de opinião pública para o ano que vem?

Voltarão a ser usados nas próximas disputas, para eleger prefeitos e depois um novo presidente e um novo Congresso “alinhados”? Os militares que cercam Bolsonaro concordam com a estratégia da “guerra suja”? O sucesso dessas artimanhas no Brasil levará seus formuladores a exportá-las para outros países, contribuindo para lá eleger candidatos amigos do “capitalismo esclarecido”?

Conformar-se com o resultado de uma eleição feita dentro das regras é da essência da democracia. Mas quem votou no vitorioso tem que ter certeza de não haver sido ludibriado e quem preferiu o derrotado precisa confiar que não houve fraude e trapaça. O resto do mundo tem o direito de saber o que aconteceu no Brasil, para precaver-se contra assaltos antidemocráticos semelhantes.

A outra grave suspeita diz respeito à atuação do juiz que, ao tirar Lula do páreo, tornou possível a vitória do aliado e futuro chefe. Só podemos desejar que o Judiciário faça alguma coisa para se preservar.

Sérgio Moro terá inúmeras oportunidades de posar dando risadas ao lado de Bolsonaro, a quem, obviamente, pretende suceder, como fez com Aécio Neves e outros tucanos, dando-lhes a ilusão de que comungava com eles. De fato, sempre esteve muito mais à direita do que imaginavam.

Vamos, como País, fazer alguma coisa a respeito dessas suspeitas? Ou vamos deixar que tudo fique como está, como se tudo fosse “normal”?

Marcos Coimbra
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Um defensor ardente de Donald Trump

Ele
O novo Ministro das Relações Exteriores, Embaixador Ernesto Henrique Fraga Araújo, além de atual Diretor do Departamento dos Estados Unidos, Canadá e Assuntos Interamericanos do MRE, é um defensor ardente de Donald Trump.

No segundo semestre do ano passado publicou, nos "Cadernos de Política Exterior," um inacreditável artigo intitulado "Trump e o Ocidente, no qual descreve Trump como uma espécie de novo Messias da Civilização Ocidental.

O resumo é o seguinte: “O presidente Donald Trump propõe uma visão do Ocidente não baseada no capitalismo e na democracia liberal, mas na recuperação do passado simbólico, da história e da cultura das nações ocidentais. A visão de Trump tem lastro em uma longa tradição intelectual e sentimental, que vai de Ésquilo a Oswald Spengler, e mostra o nacionalismo como indissociável da essência do Ocidente. Em seu centro, está não uma doutrina econômica e política, mas o anseio por Deus, o Deus que age na história. Não se trata tampouco de uma proposta de expansionismo ocidental, mas de um pan‑nacionalismo.O Brasil necessita refletir e definir se faz parte desse Ocidente.”

Eis alguns excertos apologéticos do artigo:

“O certo é que Trump desafia nossa maneira usual de pensar. Aceitemos esse desafio. Não nos satisfaçamos com uma caricatura, com as matérias de 30 segundos que aparecem no Jornal Nacional e tentam sempre mostrar um Trump desconexo, arbitrário, caótico.

Assim como Ronald Reagan – formado por uma universidade insignificante no meio dos milharais de Illinois, narrador esportivo medíocre, ator de pouco talento – conseguiu aquilo em que gerações de políticos sofisticados e aristocratas da Ivy League falharam, isto é, derrotar o comunismo, assim também Donald Trump – esse bilionário com ternos um pouco largos demais, incorporador de cassinos e clubes de golfe – parece ter hoje uma visão de mundo que ultrapassa em muitas léguas, em profundidade e extensão, as visões da elite hiperintelectualizada e cosmopolita que o despreza.

Em Varsóvia, no dia 6 de julho de 2017, Trump pronunciou um discurso marcante em defesa do Ocidente. Um discurso que nenhum outro estadista no mundo hoje teria a coragem ou a capacidade de pronunciar. O tema central é a visão de que o Ocidente – concebido como uma comunidade de nações (e não como um amálgama indistinto sem fronteiras) – está mortalmente ameaçado desde o interior, e somente sobreviverá se recuperar o seu espírito.”

Há muito tempo um líder mundial não falava dessa maneira. Trump aqui se aproxima de Reagan e de Churchill (que se viam como os grandes defensores da liberdade e da civilização diante da barbárie e da opressão).

Entre tantas expressões fora do comum, o apelo aos ancestrais é particularmente gritante. A Europa pós‑moderna – junto com os Estados Unidos que, até Obama, cada vez mais se assemelhavam à Europa – viviam ultimamente numa espécie de tanque de isolamento histórico, viviam já fora da história, depois da história, num estado de espírito (ou falta de espírito) onde o passado é um território estranho. Desde o “iluminismo” toda a tradição liberal e revolucionária constituiu‑se numa rejeição do passado – em suas várias facetas de rejeição dos heróis, rejeição do culto religioso e rejeição da família (a família, esse indispensável microcosmo da história, que liga o indivíduo ao tempo assim como a nação liga um povo a um tempo). De repente “os ancestrais” aparecem no discurso do mandatário do país que vinha liderando a “ordem liberal”, essa mesma “ordem” que rejeitava o passado, os heróis, a fé e a família.

O homem pós‑moderno não tem ancestrais, as sociedades pós‑modernas não têm heróis. Trump, ao falar de alma, desafia frontalmente o homem pós‑moderno, que não tem alma, que tem apenas processos químicos ocorrendo aleatoriamente entre seus neurônios. Trump fala de Deus, e nada é mais ofensivo para o homem pós‑moderno, que matou Deus há muito tempo e não gosta que lhe recordem o crime.

Qualquer semelhança com os ideais do nacional-socialismo alemão não parece ser mera coincidência...

Marcelo Zero



Patrícia Campos Mello, na fAlha de 1/10

Chefe de departamento do Itamaraty usa blog para fazer campanha para Bolsonaro

O chefe do departamento de Estados Unidos, Canadá e Assuntos Interamericanos do Ministério das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, acaba de estrear um blog em que chama o PT de "Partido Terrorista" e faz campanha aberta para o candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL).

(...) Em seu último post, de domingo (30), o diplomata relata sua participação na manifestação pró-Bolsonaro em Brasília. "O movimento popular por Bolsonaro não se nutre de ódio, mas de amor e de esperança... Só me lembro de uma atmosfera cívica desse tipo em duas ocasiões: a campanha das Diretas Já em 1984 e o movimento pelo impeachment em 2016. Isso significa que se trata de muito mais do que uma eleição... Trata-se de uma luta pela sobrevivência da pátria."

Araújo não se identifica como diplomata no blog, apesar de usar seu nome real. Ele afirma apenas: "Sou Ernesto Araújo. Tenho 28 anos de serviço público e sou também escritor. Quero ajudar o Brasil e o mundo a se libertarem da ideologia globalista. Globalismo é a globalização econômica que passou a ser pilotada pelo marxismo cultural."

(...) Não há "disclaimer" no blog de Araújo, que é encarregado das relações entre EUA e Brasil. (...)



E no Correio Braziliense de 3/10:

Diplomata "trumpista" é cotado para chefiar MRE caso Bolsonaro seja eleito

O diplomata Ernesto Fraga Araújo (...) enviou à cúpula da campanha do presidenciável [Jair Bolsonaro] o artigo Trump e o Ocidente, de sua autoria, que deixou os responsáveis pelo programa de governo e análises bem impressionados.

“O presidente Donald Trump propõe uma visão do Ocidente não baseada no capitalismo e na democracia liberal, mas na recuperação do passado simbólico, da história e da cultura das nações ocidentais”, afirma o texto. Bolsonaro é admirador confesso do presidente norte-americano.

Procurado, Araújo disse que mandou o artigo não apenas para a campanha do PSL. “Enviei para várias pessoas com interesse em política internacional”, sustentou. (...)

Entre diplomatas, a possível escolha é vista com ressalvas. Embora Araújo tenha tido uma trajetória consistente no Itamaraty, chegando em 2016 a ministro de primeira classe, o topo da carreira, ele ainda não assumiu representações de peso no exterior. A escolha poderia causar “desconforto”, na avaliação de um funcionário de alto escalão do Itamaraty. É mais fácil para os diplomatas aceitarem que seja nomeado um político no cargo de chanceler do que alguém da própria estrutura que não tenha passado por todas as etapas consideradas necessárias para a função. (...)



Ainda sobre Ernesto Araújo

Delírio paranóide sujeito a análise de risco à sociedade e eventual internação sob estrito controle medicamentoso.

O diplomata Ernesto Araújo, novo ministro das Relações Exteriores anunciado nesta quarta-feira (14) pelo presidente eleito Jair Bolsonaro, tem ideias controversas.

No final de setembro, ele iniciou um blog chamado “Metapolítica 17: contra o globalismo” em que usa seu nome real e deixa claro sua identidade, apesar de não se definir como diplomata.

“Sou Ernesto Araújo. Tenho 28 anos de serviço público e sou também escritor. Quero ajudar o Brasil e o mundo a se libertarem da ideologia globalista. Globalismo é a globalização econômica que passou a ser pilotada pelo marxismo cultural. Essencialmente é um sistema anti-humano e anti-cristão. A fé em Cristo significa, hoje, lutar contra o globalismo, cujo objetivo último é romper a conexão entre Deus e o homem, tornado o homem escravo e Deus irrelevante. O projeto metapolítico significa, essencialmente, abrir-se para a presença de Deus na política e na história.”

O Itamaraty permite que posições pessoais sejam expressas se acompanhadas de um disclaimer, um aviso de que elas não refletem a posição oficial do governo. O blog inclui o disclaimer.

Entre seus alvos preferidos estão a “esquerda globalista” e sua política “antinatalista”. Alguns posts mais antigos estão fora do ar. Veja a seguir o que Araújo escreveu sobre alguns temas:

Sobre “grandeza” e adesão aos regimes internacionais [veja o post completo]:

“O desejo de grandeza é o que de mais nobre pode haver numa nação que se coloca diante do mundo.

Mas alguém decidiu definir a presença do Brasil no mundo por sua adesão aos “regimes internacionais”, por sua obediência à “ordem global baseada em regras”. O Brasil assim concebido quer ser apenas um bom aluno na escola do globalismo. Não quer nem mesmo ser o melhor aluno, pois isso já seria destacar-se demais, já envolveria um componente de vontade e grandeza que repudiamos. (…)

A grandeza mobiliza e organiza um povo, cria sentido e gera energia humana, sabidamente a mais preciosa forma de energia. Nada pior para os planos da ideologia esquerdista. A esquerda não tem o menor interesse em justiça social, mas utiliza esse conceito para contaminar a água da nação, para criar pessoas raivosas e ignorantes e assim desmobilizar o povo, proibi-lo de ter ideais, separá-lo de si mesmo, desligar a energia criativa. Justiça social, direitos das minorias, tolerância, diversidade nas mãos da esquerda são apenas aparelhos verbais destinados a desligar a energia psíquica saudável do ser humano.

A aplicação dessa ideologia à diplomacia produz a obsessão em seguir os “regimes internacionais”. Produz uma política externa onde não há amor à pátria mas apenas apego à “ordem internacional baseada em regras”. A esquerda globalista quer um bando de nações apáticas e domesticadas, e dentro de cada nação um bando de gente repetindo mecanicamente o jargão dos direitos e da justiça, formando assim um mundo onde nem as pessoas nem os povos sejam capazes de pensar ou agir por conta própria. O remédio é voltar a querer grandeza. Encha o peito e diga: Brasil Grande e Forte.”

Sobre o Partido dos Trabalhadores [veja o post completo]:

“Não há nada que o PT odeie tanto quanto a liberdade: liberdade econômica, liberdade de pensamento, liberdade de expressão. Isso porque o PT, fiel ao “belo ideal socialista”, odeia o ser humano.

Deixado a si mesmo, o ser humano cria e produz, ama e constrói, trabalha e confia, realiza-se e projeta-se para a frente. Então não pode. O PT (que aqui significa não apenas “Partido dos Trabalhadores”, mas também Projeto Totalitário ou Programa da Tirania) não pode deixar o ser humano a si mesmo.

Como você faz isso? Culpando. Criminalizando tudo o que é bom, espontâneo, natural e puro. Criminalizando a família sob a acusação de violência patriarcal. Criminalizando a propriedade privada. Criminalizando o sexo e a reprodução, dizendo que todo ato heterossexual é estupro e todo bebê é um risco para o planeta porque aumentará as emissões de carbono. Criminalizando a fé em Deus. Criminalizando o bom-humor e a piada. Criminalizando o orgulho de pertencer a um grupo. Criminalizando o patriotismo. Criminalizando a biologia ao proibir que se diga que uma pessoa nasce homem ou mulher. Criminalizando a competição (“esporte é uma coisa fascista”, ouvi dizer certa vez a uma colega esquerdista). Criminalizando a carne vermelha. Criminalizando o ar condicionado. Criminalizando a beleza. Criminalizando todos os pensadores ocidentais desde Anaximandro. Criminalizando a história e seus heróis. Criminalizando os filmes da Disney. Criminalizando o amor aos filhos e aos ancestrais. Criminalizando o petróleo ou qualquer energia eficiente e barata. Criminalizando a existência do ser humano sobre a terra. Criminalizando a justiça para proteger os corruptos.

A única coisa que o Projeto Totalitário não criminaliza é o próprio crime e os próprios criminosos. Ou seja, o PT criminaliza tudo, menos a si mesmo.

(…) O ideal do PT (já expresso por alguns ecologistas radicais) é que a espécie humana não existisse. Já que existe, ainda, vamos fazer dela o pior possível, para que a humanidade se odeie tanto a ponto de um dia cometer suicídio. Sim, o Projeto Totalitário, do qual o “Partido dos Trabalhadores” faz parte integralmente até a medula dos seus ossos e até o fundo do buraco que tem no lugar do coração, é levar a humanidade ao suicídio. Para isso precisa destruir a alegria de viver, que depende da liberdade. Censurar o Whatsapp é mais uma tentativa.”

Sobre fake news [veja o post completo]:

“Fake news é o poder da grande mídia de selecionar e reorganizar os fatos para induzir os leitores a uma certa reação pré-determinada. Quem é contra as fake news, como Trump, quer limitar esse poder da única maneira possível: chamando a atenção do público para sua existência e dando o máximo de liberdade para as fontes de informação alternativa, capazes de reunir e apresentar os pedaços de fatos que a grande imprensa recortou e jogou fora (…)

A esquerda apoderou-se da expressão fake news e girou-a para o outro lado, passando a utilizá-la para atacar justamente as fontes alternativas de informação (redes sociais, Youtube, etc). “Cuidado com as fake News” passou a ser um pretexto para censurar e calar as vozes que tentam trazer ao público aqueles enormes pedaços da realidade que a grande mídia controlada pela esquerda desprezou, porque não correspondiam à narrativa que ela quer promover. (…)

Na internet há muitas notícias falsas, outras verdadeiras, e a beleza da coisa é que o homem tem a capacidade de pesquisar, conversar, raciocinar e finalmente distingui-las. Já na grande imprensa globalista, tudo é potencialmente falso, porque tudo obedece a uma narrativa-mestra que visa à preservação e expansão do poder da elite sobre as pessoas comuns.”

Sobre mudanças climáticas [veja o post completo]:

” O climatismo é basicamente uma tática globalista de instilar o medo para obter mais poder. O climatismo diz: “Você aí, você vai destruir o planeta. Sua única opção é me entregar tudo, me entregar a condução de sua vida e do seu pensamento, sua liberdade e seus direitos indivuduais. Eu direi se você pode andar de carro, se você pode acender a luz, se você pode ter filhos, em quem você pode votar, o que pode ser ensinado nas escolas. Somente assim salvaremos o planeta. Se você vier com questionamentos, com dados diferentes dos dados oficiais que eu controlo, eu te chamarei de climate denier e te jogarei na masmorra intelectual. Valeu?”

Sobre um suposto projeto “antinatalista” da esquerda [veja o post completo]:

“A esquerda (de modo muito claro no Brasil, mas também em outras partes) sabe que está perdendo a luta no terreno político-econômico, devido à sua opção preferencial pela corrupção e à sua incompetência na gestão pública. Diante disso, tenta levar o debate para o terreno da metapolítica e se concentra na pauta do aborto, da “laicidade”, da diversidade, da ideologia de gênero, da racialização da sociedade, da imigração irrestrita.

Todas essas bandeiras se conjugam sob o conceito do antinatalismo. A esquerda se define, hoje, como a corrente política que quer fazer tudo para que as pessoas não nasçam. Aborto, criminalização do desejo do homem pela mulher, contestação do “patriarcado” e da diferenciação entre os sexos, desmerecimento da reprodução, sexualização das crianças e dessexualização ou androginização dos adultos, demonização de qualquer defesa da família ou do direito à vida do feto como “fundamentalismo religioso”, desvalorização da capacidade gestativa da mulher, tudo isso aponta num único sentido: não nascer. É triste, é difícil de entender, mas não há como não enxergar essa mensagem e objetivo no programa da esquerda.”

Sobre raça e imigração [veja o post completo]

“Já o racialismo – isto é, a divisão forçada da sociedade em raças antagônicas – e o imigracionismo irrestrito convergem para um antinacionalismo completo. O parentesco etimológico entre nascimento (de nasco, nascis, natum) e nação (de natio, nationis) corresponde a um parentesco lógico e sentimental. Nação é uma comunidade de nascimento, um corpo de pessoas nascidas em certo espaço cultural e físico – mais cultural do que físico – e que se ligam através de seus ancestrais também nascidos naquele espaço, bem como aos seus descendentes por nascer, o que proporciona ao conceito um sentido de continuidade no tempo.

Existe uma profunda relação natural (de natura, evidentemente também proveniente da mesma raiz nat-) entre o nascimento, fato central na estruturação de uma família, e a nação, uma espécie de família estendida. Isto não implica negar que pessoas nascidas em outro espaço cultural e físico possam incorporar-se a uma determinada nação, mas para tanto é preciso que essa nação exista e possua a autoconvicção de sua existência de maneira a absorver os que nela ingressam – tanto assim que o ato de incorporar um estrangeiro à sua nação se chama ainda “naturalização”, o que significa “tornar conforme à natureza”, ou digamos “imitar a natureza, reproduzir a natureza”, quase como se a pessoa nascida em outro espaço que deseje incorporar-se a uma nova nação tivesse de passar por um novo nascimento ao “naturalizar-se”. De tal maneira, não surpreende que uma esquerda antinatalista seja também antinacionalista.”

Sobre “mitos” e a teoria do “fim da história” de Francis Fukuyama [veja o post completo]:

“No Brasil, o mito está tocando a história e fazendo-a renascer. Esse toque é raríssimo e precioso. Apenas o mito empresta vitalidade à história. O marxismo, que quer encerrar a aventura humana (por saber que nessa aventura o homem acabará encontrando a Deus), odeia por isso o mito, e consequentemente planeja o fim da história.

A “utopia” marxista tem por objetivo eliminar toda as contradições da vida humana, criando a sociedade comunista e promovendo o fim da história. Sim, o fim da história é a uma meta marxista. A globalização triunfante que, no início dos anos 90, proclamou o fim da história, não estava senão enunciando um conceito marxista. Mais do que isto: sem o saber, estava hasteando a bandeira comunista ao mastro de uma nova sociedade universal materialista.”
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Jornalista que denunciou esquema pró-Bolsonaro no WhatsApp aponta as falhas na investigação


Twitter, Facebook e WhatsApp não respondem principais perguntas sobre seu papel na eleição brasileira – empresa não informa nem o impulsionamento pago por Luciano Hang, que foi multado pelo TSE.

DEZ PERGUNTAS SEM RESPOSTA Para o WhatsApp: Quantas contas ligadas às agências foram banidas? Quantas msgs foram enviadas dos números ligados às agências? Quais os números detectados pelo envio anormal de msgs? Qual aumento de msgs nos últimos 12 ms e queda nos últimos 30 dias?

PERGUNTAS PARA O FACEBOOK: Por que a empresa não informou ao TSE o impulsionamento de conteúdo pro-Bolsonaro feito por Luciano Hang, que já foi multado por isso? Qto foi gasto em impulsionamento no Facebook que levava o usuário a conteúdos referentes a Bolsonaro?

Quantas visualizações, cliques, curtidas e comentários foram recebidas por meio de impulsionamento pago no Facebook e Instagram relacionado a Jair Bolsonaro e Fernando Haddad?

Qual o valor gasto em impulsionamento no Twitter de conteúdos referentes a Jair Bolsonaro (não pagos pelo partido ou candidato)? Qtas contas fake foram banidas? Dessas, qtas tinham ativ. política, favorecendo quais candidatos? Qtos tuítes ou retuítes foram gerados de cada uma?

PERGUNTAS PARA O FACEBOOK: Por que a empresa não informou ao TSE o impulsionamento de conteúdo pro-Bolsonaro feito por Luciano Hang, que já foi multado por isso? Qto foi gasto em impulsionamento no Facebook que levava o usuário a conteúdos referentes a Bolsonaro?

Quantas visualizações, cliques, curtidas e comentários foram recebidas por meio de impulsionamento pago no Facebook e Instagram relacionado a Jair Bolsonaro e Fernando Haddad?

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Bolsonaro encabeçará um governo em que ministros falam em pedir demissão antes mesmo de assumir


Paulo Guedes é um Roberto Campos com menos livros lidos e mais fanatismo pelo cada-um-por-si na economia e na vida social. O economista e diplomata Campos ganhou dos detratores a alcunha brejeira de Bob Fields, tamanho o fetiche pelo capital estrangeiro e a devoção pelos Estados Unidos.

De 1964 a 1967, o seminarista que desistira do sacerdócio foi o primeiro ministro do Planejamento da ditadura. Era tão brilhante que não se converter à sua lábia hipnotizante constituía exercício intelectual desafiador. No alvorecer da década de 1980, o cardeal brasileiro do liberalismo foi esfaqueado na barriga – pela amante, e não por um abilolado. Morreu em 2001.

Embora ministro do marechal Castello Branco, cujo governo cassou mandatos de parlamentares e fechou o Congresso, Campos não pronunciava intimidações vulgares como “prensa neles!”, truculência com que Guedes pretendeu peitar senadores e deputados para votar logo as mudanças na Previdência. A jornalista Cristiana Lobo contou que até a semana passada o futuro ministro da Economia ignorava que o Orçamento de 2019 será elaborado em 2018.

Numa reportagem da revista piauí de setembro, o banqueiro bem-sucedido – Bob Fields malogrou como dono de banco – se referira a Jair Bolsonaro como indivíduo pertencente a uma fauna indeterminada. A repórter Malu Gaspar narrou: “Guedes fez uma pausa e prosseguiu, parafraseando as críticas ao seu candidato: ‘Ah, mas ele xinga isso, xinga aquilo… Amansa o cara!’ Pergunto se é possível amansar Bolsonaro. ‘Acho que sim, já é outro animal’.”

Se um animal está amansado, o outro escoiceia. Guedes já especulava sobre ser ministro e, surpresa, deixar de ser: “Quer saber de uma coisa? Se não der para fazer o negócio bem feito, que valha a pena, para que eu vou [para o governo]? Ficar escutando essas merdas que estão falando?” A repórter enticou: “Então posso escrever que você desistiu?” O Paulo “posto Ipiranga” Guedes riu com ironia: “Esse é o sonho de todo mundo, todo mundo quer foder o Bolsonaro. Mas esse prazer eu não dou. Só depois que ele for eleito”.

Traulitadas

O capitão se elegeu, indicou Sérgio Moro para o Ministério da Justiça, e na primeira entrevista coletiva após o anúncio o juiz tagarelou sobre sua eventual partida. Declarou, acerca de divergências vindouras: “A decisão final é dele [Bolsonaro]. Aí eu vou tomar a minha decisão se, para mim, vamos dizer assim, continuo ou não continuo”.

Moro não tratou Bolsonaro como um cavalão, chucro ou domado, mas pareceu inverter a hierarquia de presidente e ministro. Em meio a mesuras, chancelou o eleito, como se fosse necessário: “Pessoalmente, me pareceu ser uma pessoa muito sensata”. O costumeiro é o chefe referendar o chefiado, não o contrário. No domingo, o juiz falou à entrevistadora Poliana Abritta sobre possíveis desinteligências: “Se tudo der errado, eu deixo daí também o cargo”.

Na prosaica transição em que antes da posse os dois superministros miram as portas de entrada e de saída, o vice de Bolsonaro desdenha em público do deputado que o presidente eleito escolheu para comandar a Casa Civil. O general Antônio Hamilton Mourão desclassificou o iminente ministro Onyx Lorenzoni, relataram as repórteres Juliana Dal Piva e Daniela Pinheiro: “Era um parlamentar apagado. Esse é um cargo com outro perfil”.
Se Guedes cair, quem o presidente convocaria para seu lugar? Mourão já nomeou o substituto: “Eu assumo”.
Guedes já havia desferido uma traulitada em Lorenzoni, fazendo pouco caso dele: “É um político falando de coisa de economia. É a mesma coisa que eu sair falando coisa de política. Não dá certo, né?” Se Guedes cair, quem o presidente convocaria para seu lugar? Mourão já nomeou o substituto: “Eu assumo”. Ao ouvir que “no Brasil os vices costumam virar presidentes”, o general não retrucou com um espirituoso “vira essa boca pra lá” ou um cerimonial “dessa vez será diferente”. “Ele fechou a cara e desconversou”, leu-se na revista Época.

Em contraste com a limitada deferência por Bolsonaro, expressa por Guedes, Moro e Mourão, o servilismo de burocratas excede. A repórter Mônica Bergamo revelou que os organizadores do ato do Congresso pelos 30 anos da Constituição mudaram o nome artístico do tenor Jean William. Na hora de cantar o hino nacional, apresentaram-no como Jean Silva. Temiam que Bolsonaro, presente, se melindrasse com a identidade similar à de Jean Wyllys, deputado que em 2016 lhe cuspiu na cara.

Em Brasília, o capitão se sentiu mais à vontade do que na Barra da Tijuca para se conceder um intervalo na encenação que protagoniza como político anti-establishment. O repórter Guilherme Amado informou que Bolsonaro não se constrangeu diante do totem do poder, José Sarney. Diante do ex-presidente, empertigou-se, prestou continência e reverenciou: “Meu comandante!

Mário Magalhães
No The Intercept
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O depoimento de Lula à Justiça Federal


Depoimento de Lula mostra arbitrariedade da acusação

O ex-presidente Lula rebateu ponto a ponto as infundadas acusações do Ministério Público em seu depoimento, reforçando que durante o seu governo foram tomadas inúmeras providências voltadas ao combate à corrupção e ao controle da gestão pública e que nenhum ato de corrupção ocorrido na Petrobras foi detectado e levado ao seu conhecimento.

Embora o Ministério Público Federal tenha distribuído a ação penal à Lava Jato de Curitiba sob a afirmação de que 9 contratos específicos da Petrobras e subsidiárias teriam gerado vantagens indevidas, nenhuma pergunta foi dirigida a Lula pelos Procuradores da República presentes à audiência. A situação confirma que a referência a tais contratos da Petrobras na denúncia foi um reprovável pretexto criado pela Lava Jato para submeter Lula a processos arbitrários perante a Justiça Federal de Curitiba. O Supremo Tribunal Federal já definiu que somente os casos em que haja clara e comprovada vinculação com desvios na Petrobras podem ser direcionados à 13ª. Vara Federal de Curitiba (Inq. 4.130/QO).

Lula também apresentou em seu depoimento a perplexidade de estar sendo acusado pelo recebimento de reformas em um sítio situado em Atibaia que, em verdade, não têm qualquer vínculo com a Petrobras e que pertence de fato e de direito à família Bittar, conforme farta documentação constante no processo.

O depoimento prestado pelo ex-Presidente Lula também reforçou sua indignação por estar preso sem ter cometido qualquer crime e por estar sofrendo uma perseguição judicial por motivação política materializada em diversas acusações ofensivas e despropositadas para alguém que governou atendendo exclusivamente aos interesses do País.

Cristiano Zanin Martins
















Depoimento de José Carlos Bumlai




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Apoio local e global à fraude eleitoral garantiu um governo de ocupação no Brasil

Sistema aposta que as pessoas têm preguiça de ler, preferem ir ao sabor da onda. Se aperfeiçoou a ponto de conseguir formar um governo fascista pelo voto

A eleição de 2018 foi a maior fraude jamais havida contra o povo brasileiro. Manchete do vetusto Times, de Londres, diz que Jair Bolsonaro promete emprego para o juiz que prendeu seu rival (Jair Bolsonaro promises sênior job to judge who jailed his rival). Já não é promessa, é fato desde quarta-feira, 31 de outubro, cinco dias depois de conhecido o resultado do pleito.

O juiz Sérgio Moro, da Vara Federal de Curitiba, que conduz a Operação Lava Jato e mantém o ex-presidente Lula da Silva preso, surpreendeu magistrados e advogados que expressaram indignação através de suas associações. Um deles, Miguel Reale Jr., tucano da direita reacionária, autor do pedido de impedimento da presidenta Dilma, manifestou sua surpresa divulgada pelos jornais: 

“Era uma figura não contaminada. Agora vai perder tempo para justificar que suas decisões não foram políticas, mas fica o tema solto. Desnecessariamente.”

Fica evidente que tudo isso foi uma armação para tirar Lula do pleito. Antes mesmo de ser convidado o juiz já posava de deslumbrado. Seguramente quer o comando dos organismos de repressão afeto(s) ao Ministério da Justiça para prosseguir com seu objetivo de liquidar Lula, o PT e os movimentos sociais.

A eleição de 2018 foi a maior fraude jamais havida contra o povo brasileiro

Há que lembrar que a Operação Lava Jato começou quando, nos Estados Unidos, a NSA (Agência Nacional de Segurança, ligada à Casa Branca e ao Pentágono) entregou a Sergio Moro gravações e documentos obtidos através de escuta telefônica e interceptação de internet da Presidência da República e invasão de computadores da Petrobras.

Além disso, houve na reta final da campanha eleitoral, interferência direta do poder econômico local e externo, despejando dinheiro a fundo perdido, além de comprovada manipulação das redes sociais por especialistas em guerra psicossocial. Paralelamente, quando o Supremo Comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, foi pessoalmente alertar que as Forças Armadas não aceitavam a presença de Lula nas eleições.

Armas de guerra e abuso do poder econômico definiram as eleições

Impressiona como técnicas apuradas de guerra psicossocial e manipulação das redes sociais e outros meios de comunicação na Internet (firehosing) conseguem fazer com que as pessoas tomem como verdade coisas incríveis, tais como, que o ex-candidato do PT Fernando Haddad, quando ministro da Educação, teria distribuído mamadeiras com bico em formato de pênis em creches; ou ainda a distribuição de um suposto kit gay e a tal da ideologia de gênero como sendo coisa de pervertidos contra as boas famílias cristãs. Ficou comprovado o uso de robôs nas redes e no WhatsApp, financiado por empresas (como a loja de departamentos Havan) e plantadores de soja do centro oeste brasileiro.

O resultado é que se está montando, para tomar posse no dia 2 de janeiro de 2019, um típico governo de ocupação. Os militares de mais alta patente coordenaram o conteúdo da campanha e a formação do novo governo em que eles ocupam quase que a metade dos cargos. 

Os cargos civis são ocupados por empresários que certamente contribuíram para a campanha e, na área econômica, pelos Chicago’s Boys, fanáticos adeptos das teorias neoliberais que levaram à ditadura do capital financeiro, ou fanáticos adeptos da teologia da prosperidade que enriquece os pastores neopentecostais, cuja estratégia é a captura do poder para instalar um estado confessional.

E, muita atenção! 

Não se trata de uma mera ocupação por setores autoritários da sociedade e da política brasileira. A realidade é muito mais grave, pois se trata da execução de uma estratégia desenhada por John Bolton, assessor de segurança da Casa Branca. 

Quando soube da vitória de Bolsonaro, o presidente dos EUA, Donald Trump, no seu estilo curto e grosso, enviou mensagem manifestando claramente seu objetivo: military and trade. Aprofundar o acordo de cooperação e instalar bases militares (military); fazer um acordo comercial (trade) como o Nafta, assinado com México e Canadá e aliar-se aos EUA na guerra comercial que está a travar contra a China.

Loucuras e mais loucuras. O que será de nossa soberania?

A mais recente definição e objetivos da estratégia estadunidense foi resumida por John Bolton, o assessor de Segurança Nacional, falando em nome de Trump, em discurso e entrevista na quinta-feira, 1o de novembro de 2018, no Freedom Tower, em Miami, um centro que servia aos cubanos de oposição: 

Os Estados Unidos tomarão ações diretas contra esses três regimes (Cuba, Nicarágua e Venezuela) para defender o estado de direito, a liberdade e a mínima decência humana em nossa região. ... haverá uma nova abordagem a essa troika de tiranias. ... berço sórdido do comunismo no Ocidente.

Contra a troika do mal, pretende opor a troika do bem. Nas palavras do próprio Bolton: Argentina (Macri), Colômbia (Iván Duque ), Brasil (Bolsonaro) e México. Ele mencionou o México, seguramente desconsiderando a eleição de López Obrador.

Lei Antiterrorismo, o novo AI-5 de Temer

A Lei Antiterrorismo, editada no limiar do governo do ilegítimo Temer, vai bem nessa linha de criminalizar qualquer pensamento, qualquer movimento social que se oponha à perpetuação do pensamento único da plutocracia no poder. O Senado ainda tem chance de detê-la, mas parece difícil. O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) informa que a oposição conseguiu “garantir uma Audiência Pública para a discussão do tema e para explicar para as pessoas o que está por trás deste interesse do novo governo. Vamos lutar em todas as frente(s) pela autonomia dos movimentos sociais”

Para Maria de Aquino, professora de História da USP, o texto da Lei Antiterrorismo é pior do que o AI-5. A professora disse, em entrevista ao portal da CUT que “criminalizar manifestações e movimentos sociais, como querem os aliados de Bolsonaro, é romper com o Estado democrático”. …”Abriram a Caixa de Pandora, os monstros saíram e será muito difícil colocá-los de volta. Eles estão respaldados pelas urnas, a população escolheu”.

Como duvidar de que esta eleição foi uma fraude?

Por que foi fraude?
  1. Abuso do poder econômico
Como sempre, houve excesso de dinheiro derramado nas campanhas. Em algumas delas dinheiro de todo o mundo. Além de configurar abuso do poder econômico, isso afasta a possibilidade de que entrem na disputa os menos ricos. Se for pobre, nem pensar. Também constitui abuso do poder econômico a atuação das igrejas neopentecostais colocando a rede de rádio Gospel e os pastores milionários para pedir voto para os fiéis. Abuso do poder econômico é ilegal, portanto, se é ilegal, a eleição é fraude. Concorda?
  1. Farsa do marketing político
Uma verdadeira farsa promovida pelo chamado marketing político. Transformaram as eleições em disputa entre grandes agências de publicidade especializadas em criar ilusões para vender produtos. Ninguém ficou conhecendo o programa do candidato eleito. Votou -se como quem compra um detergente: todos são iguais, o que muda é a embalagem e a propaganda. Nesta última eleição, parece que faltou dinheiro para contratar grandes agências. Difícil aceitar, mas aconteceu. Parte considerável dos candidatos se dedicou a xingar uns aos outros, e esqueceram que o eleitor precisava e deveria conhecer seus planos de governo. Alguns candidatos utilizaram todo o tempo que dispunham para atacar os outros. Transformaram os programas numa excrescência. Se a disputa foi uma farsa, a eleição é uma fraude. Concorda?
  1. Ingerência externa no pleito
Isso tem que ser denunciado em organismos internacionais. Houve ingerência direta de serviços de inteligência de potencias bélicas e comerciais orientando a mídia comercial a demonizar tudo o que contraria a ditadura do pensamento único imposta pelo capital financeiro. A mídia desavisada ou voluntariamente, sem noção de pátria e de soberania, gerou desinformação, alienação e ódio entre os semelhantes, levando-os a querer borrar do mapa aqueles que não pensam como a cartilha do neoliberalismo financeiro ou da teologia da prosperidade do neopentecostalismo. 

Os especialistas estrangeiros em utilização em massa dos recursos de comunicação eletrônica receberam fortunas de empresários brasileiros para fazer o estrago que fizeram na campanha com o intenso bombardeio de mentiras, acusações, disseminação de ódio. Empresários, comandantes de forças policiais, públicas e privadas, todos “sugeriram” a seus subordinados a votar do PSL. Essa técnica leva o eleitor a votar por impulso ou medo, ou covarde obediência, não racionalmente pela escolha de um programa. Isto constitui fraude. Concorda?
  1. Esfacelamento da frente democrática
Desfeita a frente democrática que levou à queda da ditadura, à anistia, às eleições diretas e à Constituinte, foram criadas miríades de partidos (35). Duas razões por trás dessa pulverização de legendas. Primeiro, para garantir que não haja uma grande concentração de votos em nenhum dos candidatos num primeiro turno. Com isso, as coisas podem ser rearranjadas no segundo turno para assegurar a hegemonia da plutocracia servil ao capital financeiro. 

Em segundo lugar porque é pra lá de bom negócio fundar um partido. Tem o dinheiro dos fundos Partidário e Eleitoral, dinheiro dos militantes contribuintes e de empresários doadores, além de ser um alto degrau para ascensão social. Serve também para escapar da Justiça. Levantamento feito pelo Estadão revela que “1/3 dos legisladores do Congresso Nacional é acusado de crimes como corrupção, lavagem de dinheiro, estelionato, improbidade administrativa, enriquecimento ilícito, e até de assédio sexual”.

São, segundo o jornal, 160 deputados e 38 senadores pertencentes a 24 partidos. Não bastasse isso, 96 deputados devem R$ 158,4 milhões por sonegação de impostos e têm seus nomes ou de suas  empresas inscritos na Dívida Ativa. Com isso, o sistema assegura sua continuidade. Como não há chance de mudança, é como um jogo de cartas marcadas. Fraude, portanto. Concorda?
  1. Partidos políticos que não são partidos
Essa questão está estreitamente ligada à anterior. Estrito senso, Partidos Políticos deveriam ser partes da sociedade civil organizada em torno de princípios, uma carta programática com a visão de mundo e da realidade nacional, e, mais que tudo, um projeto nacional e um programa de governo. Raras são as legendas que representam o que é indicado pela sigla adotada. 

O Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), por exemplo, de social democrata tem nada. É o puro neoliberalismo entreguista e oportunista que une os tucanos em torno de um Fernando Henrique Cardoso, um Aécio Neves ou um João Dória. Constata-se como os políticos navegam de um partido para outro movidos apenas por conveniência eleitoral regional ou dinheiro. Como não há partidos e programas (salvo raríssimas exceções, sem chance alguma) a gente vota sem saber, ou sem ter certeza do que o eleito vai fazer com o nosso voto e com o país. Sem dúvida isso constitui uma farsa. Se é farsa, é fraude. Concorda?

Guerra psicossocial

A chamada guerra de 5a geração se utiliza de táticas de guerra psicossocial que os Estados Unidos vêm praticando desde 1945, quando, a partir do término da Segunda Guerra Mundial e numa Europa ocupada, desenvolveram ações culturais. Uma verdadeira guerra comunicacional e psicossocial para ser aceito como produtor de arte, de ciência e de produtos, com objetivo de impor sua hegemonia. O que temos de novidade nisso é o uso das novas tecnologias, estas sim, de 5a geração.

Anteriormente essa técnica foi desenvolvido por Mussolini, na Itália dos anos 1920/30, logo seguida por Hitler 1930-40, usada na ocupação da Europa até o término da 2a Guerra Mundial em 1945. Há farta literatura sobre isso. 

Nas Américas, essa técnica de utilização da comunicação como ferramenta de governo e arma política, foi largamente utilizada por Roosevelt, Haya de la Torre, Getúlio Vargas, Domingos Perón, e posteriormente subutilizadas. 

Na Nossa América, diferente da Europa em que houve um Plano Marshall para reconstrução e (para) impulsionar o desenvolvimento econômico, só tivemos exploração e submissão, em todas as áreas por todos os governos dos EUA.  A arma principal seguia sendo a da ação cultural e psicossocial e, através dos meios massivos de comunicação, impuseram uma cultura de massa anticomunista e de alinhamento com os Estados Unidos.

A Doutrina Monroe (uma só América do Alasca à Patagônia) e seus corolários, como a política do garrote de Roosevelt (big stick), à Junta Interamericana de Defesa e o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (militar), Aliança Para o Progresso de Kennedy e Nixon, o bom-mocismo de Carter, o neoliberalismo financeiro de  Reagan/Thatcher, as bases militares na Colômbia, Peru, Argentina, os Tratados Dilma/Obama, as políticas monetárias e de desenvolvimento impostas pelo FMI, Banco Mundial e outras, e, por fim, a ditadura do pensamento único imposta pelo capital financeiro que se está vivendo globalmente.

Trump e Hitler serviram de modelo

Adotaram e aperfeiçoaram, adaptando à realidade social, as táticas de campanha utilizadas para eleger Trump, e como discurso, a irracionalidade carregada de emoção de Hitler. Houve dinheiro a fundo perdido para os gastos de campanhas propiciados pelo agronegócio, bancos e financeiras e fontes externas.

Houve também um contubérnio entre serviços de inteligência dos Estados Unidos e de Israel com a Abin e o CIE.

Bem antes da eleição, o capitão Jair Bolsonaro já se manifestava como tendo a certeza de que seria vitorioso. Eleito, antes mesmo da posse, o capitão, está se comunicando diretamente com o público através dos meios eletrônicos, em mensagens curtas, tal como Trump, que utiliza o twitter. Sobre o governo e o que está acontecendo falam os ministros e os assessores mais próximos.

O mesmo que fazia Jânio Quadros com seus bilhetinhos escritos à mão na longínqua década de 1950 e, em 1961, já como presidente da República. O presidente que renunciou com intenção de dar um golpe e acabou perdendo o posto pois os militares acharam que o melhor era eles ocuparem o poder. Não conseguiram, o golpe foi frustrado por uma sublevação geral da nação em defesa da legalidade e garantiu a posse constitucional do vice-presidente eleito, João Goulart. Inconformados, os militares se prepararam melhor e em 1o de abril de 1964 tomaram o poder por décadas de arbítrio. 1964 é o marco da captura do Estado pelas corporações transnacionais.

Neoliberalismo em contubérnio com sionistas e neopentecostais

A década de 1980, que se inicia com o Consenso de Washington, veio desembocar na hegemonia do capital financeiro que em pouco tempo conseguiu desalojar forças progressistas e impor uma verdadeira ditadura em que é proibido pensar. Em Nossa América as universidades se deixaram dominar pelo pensamento único das cartilhas econômicas de Chicago e da Áustria. Deixaram de pensar seus países para formar escravos intelectuais a serviço da dominação imperial. Paralelamente, a influências sobre as forças armadas, policiais e de inteligência. Tudo escancarado.

Mas, o sistema aposta em que as pessoas têm preguiça de ler, preferem ir ao sabor da onda do que resistir e defender sua própria cultura e tradição. Se aperfeiçoou a ponto de conseguir formar um governo fascista pelo voto. E com um Congresso em que as bancadas BBBs formam folgada maioria parlamentar: 
  • da Bala (armamentista), 250 legisladores
  • do Boi (agronegócio), 260 legisladores
  • da Bíblia (pentecostais, neopentecostais, protestantes e católicos), mais de 100
  • da Banca (eleitos com dinheiro dos bancos ou banqueiros eleitos)
  • do Bolsonaro (ele sozinho elegeu um montão de parlamentares). O PSL, seu partido, elegeu 52 deputados e 4 senadores. 
O PSDB em frangalhos, boa parte já está aderindo ao PSL. O mesmo ocorre com o PMDB/MDB, pois seu fisiologismo obriga. Dos 30 partidos que elegeram deputados, somente uns cinco ou seis vão compor a oposição, junto com votos isolados de um ou outro partido, dependendo da pauta.

O PT, com 56 deputados; o PSB, com 32; o PDT, com 28; o Psol, com dez e o PCdoB, com nove (PDT, PSB e PCdoB disseram que apoiarão o presidente em alguns casos). Em resumo, a oposição terá, na pior das situações, 250 votos e, na melhor, uns 300 ou pouco mais. Difícil, não é? Terão que exercer o jus esperniandi a todo vapor, com muita energia, convocar a todo o momento audiências públicas e mobilizar a sociedade para a autodefesa.

Perigoso alinhamento com Israel

A cada anúncio do que pretende fazer o presidente eleito tipifica que realmente se trata de um governo de ocupação.

Anunciou que sua primeira viagem será para Chile, EUA e Israel, sendo que para o governo sionista prometeu transferir a embaixada de Tel Aviv para Jerusalém. Uma vitória, certamente, para os neopentecostais da Igreja Universal, que construiu em São Paulo um Templo de Salomão e sonha em transformar o Brasil em um estado confessional, como o Estado sionista de Bibi Netanyahu, que não escondeu seu júbilo:

"Felicito o meu amigo presidente eleito, Jair Bolsonaro, por sua intenção de transferir a embaixada brasileira para Jerusalém, um passo histórico, correto e emocionante!", escreveu o premiê israelense no Twitter.

Que vantagem pode ter o Brasil com uma atitude como esta, condenada pela maioria dos Estados Membros das Nações Unidas? O que ganhamos com copiar Trump além de patética submissão? O presidente estadunidense foi o primeiro a agredir a ONU quando, em 2017, anunciou que transferiria a embaixada para Jerusalém e foi seguido pela Guatemala e Paraguai — este recuou após a posse do novo presidente —, países com governos derivados de golpes de estados patrocinados pelos Estados Unidos.

Com o país ocupado, a luta é pela libertação nacional

Diálogos do Sul, desde que começou a circular, vem insistindo que o foco principal dos movimentos democráticos e populares deve ser o de organizar uma ampla Frente de Salvação Nacional. 

É disso que se trata desde o golpe de 1o de abril de 1964, com a captura do poder de decisão pelas empresas transnacionais e a submissão da segurança a interesses externos em permanente violação da soberania nacional.

Chegamos ao ponto em que estamos hoje: em que o pensamento único imposto pelo capital financeiro impôs a mais desumana das ditaduras, pois nada é mais desumano do que a sede de lucro do capital especulativo.

Agora é preciso começar tudo de novo. 

O primeiro passo tem de ser o de libertar-se da pior das servidões, que é a servidão intelectual. Lutar para que as escolas, em todos os níveis, sejam templos do saber inquisitivo, capaz de olhar crítica e criativamente a realidade e pensar e planejar o país ideal para as futuras gerações.

Essa percepção de que a luta é de libertação nacional, para que se possa ter um projeto nacional de desenvolvimento com soberania, que tenha o ser humano como primeira prioridade, felizmente está se alastrando e contaminando o tecido social. É preciso que se torne epidêmica e que empolgue a nação. Interessante que um jornal filiado à Globo de espaço a esse tipo de reflexão.

O sociólogo Wanderley Guilherme dos Santos, em entrevista à jornalista Maria Cristina Fernandes, publicada na edição de 29/10/18 do jornal Valor Econômico interpreta o resultado eleitoral como um processo que poderia ser sido detido, não foi por falta de percepção, e conclui que o resultado é um governo de ocupação que estará no poder a partir de 2 de janeiro de 2019. Como livrar-se disso? Só com uma ampla frente apartidária para recuperação da democracia.

Valor: O que é um governo de ocupação?

Wanderley Guilherme: Quando ele estima considerar movimentos de sem-terra como organização terrorista ou diz que os vermelhos ou vão embora ou vão para a cadeia isto é um governo de ocupação que transforma toda a oposição em inimigo. A visão que Bolsonaro transmitiu é que seus opositores são estrangeiros ao Brasil. Não são brasileiros propriamente ditos. São estranhos ao Brasil. É importante entender que um governo de ocupação não é necessariamente fascista. Ele vai usar as leis que existem. Leis que estão no código penal e na Constituição e que podem ser aplicadas de uma forma perfeitamente violentadora daqueles direitos que supúnhamos adquiridos mas que não têm respaldo institucional nas leis do país. A legislação brasileira é extremamente conservadora. E até mesmo Fernando Henrique Cardoso se valeu dela, ao dar início ao seu governo enquadrando uma greve na Petrobras na Lei de Segurança Nacional.

Bolsonaro não precisará fazer mudanças legislativas para reprimir movimentos e opositores?

Não. Basta se considerar um governo de ocupação. Basta ouvir sua concepção de poder. Ele vai ocupar o país. E vai expulsar todos aqueles que gozavam de liberdade, pela benevolência da interpretação das leis por parte dos governos democráticos. Não será necessário violentar a legislação para se exercer um governo de ocupação. Ele vai tratar seus adversários como opositores do país.

O segundo capítulo dessa análise de conjuntura está dedicado a mostrar como foi o uso de poderosas tecnologias de informação e guerra psicossocial que mudou o rumo das eleições e permitiu a captura do poder por uma força de ocupação.

Paulo Cannabrava Filho, Jornalista, editor de Diálogos do Sul. Para melhor entender o processo eleitoral e suas consequências, ler do mesmo autor, A Governabilidade Impossível – Reflexões sobre a Partidocracia Brasileira – Alameda Editorial, 2018.
No Diálogos do Sul
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Cuba abandona Mais Médicos após críticas de Bolsonaro

Governo cubano afirma que declarações do presidente eleito são ameaçadoras e inaceitáveis e responsabiliza novo governo brasileiro pela decisão de sair do programa.


O governo de Cuba comunicou nesta quarta-feira (14/11) que vai se retirar do programa Mais Médicos devido a declarações "ameaçadoras e depreciativas" do presidente eleito Jair Bolsonaro. Para Havana, as modificações sinalizadas pelo futuro governo no projeto são "inaceitáveis".

"Diante dessa realidade lamentável, o Ministério da Saúde Pública de Cuba tomou a decisão de não continuar participando do programa Mais Médicos", anunciou o governo cubano, em nota publicada na imprensa estatal.

Havana disse já ter informado o governo brasileiro. A decisão significa que os milhares de médicos cubanos que trabalham no Brasil dentro do programa deverão retornar à ilha.

Ao justificar sua saída do Mais Médicos, Cuba disse que a equipe de Bolsonaro pôs em questão a preparação dos médicos cubanos, condicionou a permanência deles à validação do diploma e colocou como única via a contratação individual.

"Não é aceitável que se questione a dignidade, profissionalismo e altruísmo dos colaboradores cubanos", diz a nota. "Os povos da Nossa América e do resto do mundo sabem que sempre poderão contar com a vocação humanista e solidária dos nossos profissionais."

"O povo brasileiro, que fez do Programa Mais Médicos uma conquista social, que confiou desde o primeiro momento nos médicos cubanos, aprecia suas virtudes e agradece o respeito, sensibilidade e profissionalismo com que foi atendido, vai compreender sobre quem cai a responsabilidade de que nossos médicos não podem continuar prestando seu apoio solidário no país", afirmou o Ministério da Saúde Pública de Cuba.

O Mais Médicos foi lançado em 2013, no governo Dilma Rousseff, para sanar o déficit de médicos no país, estimado pelo Ministério da Saúde em 54 mil profissionais. Além de estimular a ida de médicos brasileiros para cidades do interior, o programa pretendia importar profissionais para atenderem pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em regiões onde havia carência.

O projeto estabeleceu a criação de mais de 11 mil vagas em faculdades de medicina e alterações curriculares, além da abertura de 10 mil postos para médicos nas periferias de grandes cidades e no interior.

Após as primeiras notícias de que o governo pretendia trazer médicos estrangeiros para atuar no país, protestos foram organizados pela categoria. A dispensa da revalidação do diploma era uma das principais críticas. Os médicos alegavam ainda que não havia carência de profissionais, porém, faltava infraestrutura, condições de trabalho e plano de carreira para estimular a atuação no interior. Os primeiros cubanos desembarcaram no país em agosto de 2013.

Inicialmente, era permitida a permanência máxima de três anos no programa dos profissionais inscritos. Em abril de 2016, Dilma anunciou uma nova etapa do Mais Médicos, que possibilitou aos médicos a prorrogação de seus contratos por mais três anos. A mudança beneficiaria 71% dos profissionais do programa que precisariam ser substituídos até o final daquele ano.

O projeto se baseava num modelo de cooperação assinado entre Brasil, Cuba e Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Pela parceria, o pagamento dos profissionais é realizado ao governo cubano, que transfere parte do valor aos médicos. Atualmente, eles recebem quase 3 mil reais. A bolsa paga por Brasília aos outros profissionais do programa é de cerca de 11,8 mil reais.

Os médicos do programa recebem ainda uma ajuda de custo para moradia e despesas básicas, pagas pela prefeitura, e os cubanos, uma passagem anual de ida e volta para Cuba, prevista no contrato assinado com Havana.

Quando foi lançado, em 2013, o programa foi alvo de duras críticas da associações da categoria, que refutavam o argumento do governo sobre a falta de médicos no país. Para eles, a carência de mínimas condições de trabalho era o que evitava a ida de profissionais para o interior.

Além das críticas em relação à cooperação assinada com Cuba, a atuação de médicos estrangeiros sem a revalidação do diploma, como estabeleceu o decreto do programa, e a não exigência de conhecimentos elevados do idioma eram vistos como um problema.

No DW

DECLARAÇÃO DO MINISTÉRIO DA SAÚDE PÚBLICA

O Ministério da Saúde Pública da República de Cuba, comprometido com os princípios solidários e humanistas que durante 55 anos têm guiado a cooperação médica cubana, participa desde seus começos, em agosto de 2013, no Programa Mais Médicos para o Brasil. A iniciativa de Dilma Rousseff, nessa altura presidenta da República Federativa do Brasil, tinha o nobre propósito de garantir a atenção médica à maior quantidade da população brasileira, em correspondência com o princípio de cobertura sanitária universal promovido pela Organização Mundial da Saúde.

Este programa previu a presença de médicos brasileiros e estrangeiros para trabalhar em zonas pobres e longínquas desse país.

A participação cubana nele é levada a cabo por intermédio da Organização Pan-americana da Saúde e se tem caracterizado por ocupar vagas não cobertas por médicos brasileiros nem de outras nacionalidades.

Nestes cinco anos de trabalho, perto de 20 mil colaboradores cubanos ofereceram atenção médica a 113 milhões 359 mil pacientes, em mais de 3 mil 600 municípios, conseguindo atender eles um universo de até 60 milhões de brasileiros na altura em que constituíam 88 % de todos os médicos participantes no programa. Mais de 700 municípios tiveram um médico pela primeira vez na história.

O trabalho dos médicos cubanos em lugares de pobreza extrema, em favelas do Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador de Baía, nos 34 Distritos Especiais Indígenas, sobretudo na Amazônia, foi amplamente reconhecida pelos governos federal, estaduais e municipais desse país e por sua população, que lhe outorgou 95% de aceitação, segundo o estudo encarregado pelo Ministério da Saúde do Brasil à Universidade Federal de Minas Gerais.

Em 27 de setembro de 2016 o Ministério da Saúde Pública, em declaração oficial, informou próximo da data de vencimento do convênio e em meio dos acontecimentos relacionados com o golpe de estado legislativo-judicial contra a Presidenta Dilma Rousseff que Cuba “continuará participando no acordo com a Organização Pan-americana da Saúde para a implementação do Programa Mais Médicos, enquanto sejam mantidas as garantias oferecidas pelas autoridades locais”, o que até o momento foi respeitado.

O presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, fazendo referências diretas, depreciativas e ameaçadoras à presença de nossos médicos, declarou e reiterou que modificará termos e condições do Programa Mais Médicos, com desrespeito à Organização Pan-americana da Saúde e ao conveniado por ela com Cuba, ao pôr em dúvida a preparação de nossos médicos e condicionar sua permanência no programa a revalidação do título e como única via a contratação individual.

As mudanças anunciadas impõem condições inaceitáveis que não cumprem com as garantias acordadas desde o início do Programa, as quais foram ratificadas no ano 2016 com a renegociação do Termo de Cooperação entre a Organização Pan-americana da Saúde e o Ministério da Saúde da República de Cuba. Estas condições inadmissíveis fazem com que seja impossível manter a presença de profissionais cubanos no Programa. Por conseguinte, perante esta lamentável realidade, o Ministério da Saúde Pública de Cuba decidiu interromper sua participação no Programa Mais Médicos e foi assim que informou a Diretora da Organização Pan-americana da Saúde e os líderes políticos brasileiros que fundaram e defenderam esta iniciativa.

Não aceitamos que se ponham em dúvida a dignidade, o profissionalismo, e o altruísmo dos colaboradores cubanos que, com o apoio de seus familiares, prestam serviço atualmente em 67 países. Em 55 anos já foram cumpridas 600 mil missões internacionalistas em 164 nações, nas quais participaram mais de 400 mil trabalhadores da saúde, que em não poucos casos cumpriram esta honrosa missão mais de uma vez. Destacam as façanhas de luta contra o ébola na África, a cegueira na América Latina e o Caribe, a cólera no Haiti e a participação de 26 brigadas do Contingente Internacional de Médicos Especializados em Desastres e Grandes Epidemias “Henry Reeve” no Paquistão, Indonésia, México, Equador, Peru, Chile e Venezuela, entre outros países.

Na grande maioria das missões cumpridas, as despesas foram assumidas pelo governo cubano. Igualmente, em Cuba formaram-se de maneira gratuita 35 mil 613 profissionais da saúde de 138 países, como expressão de nossa vocação solidária e internacionalista.

Em todo momento aos colaborados foi-lhes conservado seu postos de trabalho e o 100 por cento de seu ordenado em Cuba, com todas as garantias de trabalho e sociais, mesmo como os restantes trabalhadores do Sistema Nacional da Saúde.

A experiência do Programa Mais Médicos para o Brasil e a participação cubana no mesmo, demonstra que sim pode ser estruturado um programa de cooperação Sul-Sul sob o auspício da Organização Pan-americana da Saúde, para impulsionar suas metas em nossa região. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e a Organização Mundial da Saúde qualificam-no como o principal exemplo de boas práticas em cooperação triangular e a implementação da Agenda 2030 com seus Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Os povos da Nossa América e os restantes do mundo bem sabem que sempre poderão contar com a vocação humanista e solidária de nossos profissionais.

O povo brasileiro, que fez com que o Programa Mais Médicos fosse uma conquista social, que desde o primeiro momento confiou nos médicos cubanos, aprecia suas virtudes e agradece o respeito, a sensibilidade e o profissionalismo com que foram atendidos, poderá compreender sobre quem cai a responsabilidade de que nossos médicos não possam continuar oferecendo sua ajuda solidária nesse país.

Havana, 14 de novembro de 2
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A esquerda brasileira é capaz de aprender?

Os candidatos progressistas não entenderam o que estava em jogo na campanha

Haddad e Ciro legitimaram, em certos momentos, o discurso elitista
As últimas eleições, é certo, se deram sob condições especialíssimas. E não apenas pela produção em escala industrial e ilegal de fake news.

Produto final de um golpe de Estado rentista-midiático, produzido entre 2013 e 2016 sob o comando do capital financeiro internacional e nacional, que logrou colonizar o Parlamento e o Poder Judiciário, as últimas eleições foram o golpe de misericórdia de todo o processo.

Desde 2013, o trabalho de destruição dos ainda frágeis consensos morais que sustentavam a jovem democracia brasileira foi levado a cabo, diuturnamente, pelo conluio entre a mídia venal, comprada pelos interesses rentistas, e o Judiciário, surfando na onda de criminalização da política.

O Judiciário, que ninguém com mais de cinco anos de idade pode julgar menos corrupto do que o sistema político, adorou o papel de santidade e pureza que lhe foi atribuído pela mídia venal. Isso lhe permitiu travestir seus interesses corporativos, possibilitados pela chantagem do poder político como representante direto da soberania popular, em interesse geral.

A partir daí, aos olhos do público bestializado, os interesses de saque e rapina econômica da elite rentista internacional e nacional foram não apenas distorcidos, mas “moralizados” e, portanto, “sacralizados” na figura do juiz Sérgio Moro e na Operação Lava Jato, ambos transfigurados como agentes da “limpeza moral da nação”. Não compreender este fato é não compreender o núcleo do esquema de dominação econômica e política que submeteu a sociedade brasileira como um todo.

A espantosa falta de inteligência dos dois principais candidatos da “esquerda” nas últimas eleições foi, precisamente, não ter percebido o elo constitutivo entre o empobrecimento geral da população, possibilitado pela expropriação do excedente econômico geral via juros extorsivos embutidos em todos os preços e a apropriação fraudulenta do orçamento pública via uma “dívida pública”, que não é nem “dívida” nem “pública”, e sua transfiguração em limpeza moral a serviço do interesse geral.

Simplesmente não foi revelado à população empobrecida e, portanto, legitimamente raivosa e ressentida com seus representantes, o elo causal que teria permitido compreender a ligação entre o aumento do desemprego, da violência e da pobreza e o embuste da estratégia legitimadora elitista.

Ambos defenderam a Operação Lava Jato e apenas criticaram “abusos menores”. Isso em relação a uma operação de suposto combate à corrupção que blindou literalmente o sistema financeiro, a origem real da “corrupção” tanto ilegal quanto legalizada, os órgãos da mídia venal, e o poder judiciário como um todo.

Além disso, se concentrou, seletivamente, na perseguição de líderes populares, como Lula, e no combate de fachada aos meros “operadores” de esquemas legais e ilegais de apropriação do Estado pelos donos do mercado.

Desde o fim da República Velha, o moralismo postiço do suposto combate à corrupção, elevado ao status de interpretação dominante do País e a criminalização seletiva da política, do Estado e da soberania popular, serve à eternização desta república e de seus dois fundamentos principais: tornar o orçamento do Estado pago pelos pobres em banco particular da elite e criminalizar sob todas as formas a soberania popular.

Este “bode expiatório”, que detém seu quinhão de verdade, senão não engana ninguém, serve para tornar literalmente invisível a “corrupção legalizada” do mercado, que compra a política para vampirizar a sociedade por meio de mecanismos de mercado e de Estado.

Eis um exemplo. Ninguém em sã consciência deixaria de achar condenável a rapina pessoal do ex-governador Sérgio Cabral e dos seus 280 milhões de reais desviados. A população do estado do Rio de Janeiro não ficou, no entanto, mais pobre por conta destes desvios. É um ato recriminável sem dúvida e merece punição.

O que empobreceu de fato o Rio de Janeiro foi a propaganda da mídia venal associada à Lava Jato na campanha de criminalização da Petrobras, empresa da qual o Estado inteiro dependia, antes responsável, inclusive, por mais de 50% do investimento público em infraestrutura e por milhões de empregos.

A perda aqui é na escala de centenas de bilhões de reais, senão de trilhões, montante suficiente para empobrecer e desempregar, efetivamente, populações inteiras. A superfície “aparentemente legal” deste expediente permite tornar invisível a secular expropriação elitista das riquezas nacionais e ainda culpar convenientemente um “bode expiatório”.

Assim legitimada, a patranha elitista pode ser eternizada séculos a fio sem reação e sem denúncia. Estigmatizada e criminalizada enquanto empresa, a Petrobras está prestes a ser vendida por preço de banana, como acontece em todo saque privado às riquezas públicas desde que o Brasil é Brasil.

Um leitor mal intencionado, ou especialmente obtuso, diria que quero minimizar a corrupção política, quando apenas chamo a atenção ao vínculo orgânico e constitutivo entre as patranhas do mercado e de seus donos e sua legitimação como instrumento de suposta moralização pública.

Ao entrevistar, recentemente, seis ex-engenheiros da Petrobras para meu último livro, “A classe média no espelho” (Estação Brasil, 2018), que perderam o antigo emprego e se transformaram em motoristas do Uber, todos me disseram que a culpa da desgraça pessoal seria da “política” e do “Cabral”.

Foi o que aconteceu com a população brasileira como um todo. A invisibilidade desse processo é obviamente ainda maior para as parcelas mais pobres da população.

Quando a esquerda não denuncia este esquema elitista, e, ao contrário, o legitima e o valida expressamente, no elogio a Moro e à Lava Jato, me pergunto como pretende ganhar não só eleições, mas esclarecer a população sobre as causas reais de sua desventura e exploração?

Neste contexto, imaginar que a oposição abstrata entre democracia e fascismo, quando a maioria do povo vive um “fascismo prático” de violência e exclusão, pode criar comoção e simpatia para sua causa, sem explicar as causas da pobreza real, é de uma ingenuidade fantástica.

Quando Ciro Gomes atenta para a questão, ainda que fragmentada e fora de contexto, do endividamento da população e ganha apoio inaudito precisamente por conta disso, sem remontar o quadro inteiro e sem restituir, portanto, a inteligência do povo subjugado, nem esse fato empírico convence a esquerda da mudança de discurso.

O que mais é necessário acontecer para que se compreenda que uma esquerda dominada pelo discurso do seu algoz é impotente politicamente? Uma esquerda dominada há cem anos pelo discurso moralista postiço da classe média, sua classe efetiva de referência, e assombrada pelo mais absoluto desconhecimento da vida prática da população sofrida e pobre, poderá exercer alguma função relevante no futuro?

Quando, finalmente, a “esquerda” irá aprender que sua reinvenção está umbilicalmente ligada à construção de uma narrativa totalizadora não colonizada pela elite?

Jessé Souza
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