2 de nov de 2018

Fala do general Heleno mostra como o ensino no Exército fracassou


Não compreendo como homens com esta formação conseguem chegar a ocupar cargos tão relevantes em nossa República!

Acho que as Forças Armadas deveriam rever os diversos cursos de formação de seus oficiais. Generais, Almirantes e Brigadeiros devem ser homens (ou mulheres) de grande profissionalismo, mas, também, com aprimorada cultura e formação adequada de ciência política, Direito Constitucional e direitos humanos.

Afinal, em países como o nosso, na prática, eles são sempre, ou não, as forças sociais que tutelam a nossa aparente democracia.

Vejam o que diz o general, que será o futuro Ministro da Defesa: quem ele julgar que não é uma pessoa de bem, não terá seus direitos humanos respeitados.

Nas suas palavras, disse o General Heleno: “direitos humanos apenas para quem se comportar bem”.

Isto caracteriza um frontal desrespeito ao que está expresso em nossa Constituição da República e está expresso em diversos tratados e convenções internacionais. Enfim, uma vergonha!

Afrânio Silva Jardim, professor associado de Direito Processual Penal
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Canalha dono de transportadora lidera ataques contra professores em SC

Herdeiro da transportadora Dalçoquio já fez campanha pela separação da região Sul do restante do Brasil e lidera hoje radicalização contra professores

Eles
O Emílio Dalçoquio Neto, herdeiro da transportadora que leva o mesmo nome da família, com cerca de 600 caminhões e 50 anos de atuação, tem se destacado como militante de grupos que atacam professores por motivos ideológicos e que vêm ganhando força no país com a vitória de Jair Bolsonaro (PSL).

Matéria da Folha de S.Paulo, publicada nesta sexta-feira (02) traça o perfil do homem que foi presidente do sindicato das empresas de carga de Itajaí, entre 2014 e 2015, saindo do cargo quando foi afastado das funções na empresa da família. Dalçoquio Neto é filho de um dos fundadores da Transportes Dalçoquio. Ele também foi um dos financiadores e coordenadores da campanha "O Sul é meu país", que pede a separação da região Sul do restante do Brasil.

Em maio, durante a greve dos caminhoneiros, Dalçoquio Neto foi flagrado num discurso pedindo para os caminhoneiros colocarem fogo nos veículos da própria empresa se vissem um caminhão do grupo circulado fora das estradas. O caso levou a Transportadora Dalçoquio a ser investigada pela Polícia Federal por impedir que funcionários voltem ao trabalho em greves. 

No dia 24 de outubro, Emílio juntamente com outros três militantes entraram em uma assembleia do Sindicato Nacional dos Servidores Federais de Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe). O encontro acontecia no Instituto Federal Catarinense de Balneário Camboriú. 

Depois de gravar trechos da reunião, o grupo foi questionado por professores que os reconheceram. Na discussão Dalçoquio defendeu Augusto Pinochet, ditador chileno responsável pela morte de três mil pessoas quando comandou o país entre 1973 e 1990.

“Eu defendo Pinochet porque ele matou quem tinha que matar. Tivessem feito o mesmo que ele [Pinochet] fez aqui no Brasil não haveria isso aí”, completando:

“Vocês, professores, estão mentindo para molecada. Mas vocês vão pagar por isso, principalmente os da universidade. Seus comunistas de merda, seus idiotas”. Para ler a matéria na íntegra na Folha de S.Paulo, clique aqui. 

No GGN
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Grande Porto Rico


Porto Rico é um “estado associado” dos EUA. Anexado em 1898 pelos norte-americanos, após a guerra contra a Espanha, Porto Rico é um território subordinado, que não faz parte dos Estados Unidos. Seus habitantes, embora tenham a cidadania norte-americana, não podem votar para eleger o presidente, senadores ou deputados. No Congresso, Porto Rico tem apenas um Resident Commissioner, com direito a voz, mas sem direito a voto.

Dessa forma, Porto Rico não é nem um Estado soberano nem um Estado dos EUA. Porto Rico fica num limbo de soberania. É, na verdade, uma colônia dos EUA. Tal status é reconhecido até pela ONU. Com efeito, o Comitê Especial das Nações Unidas sobre a Descolonização declarou que os EUA deveriam “permitir que o povo de Porto Rico tome decisões de maneira soberana e enfrente seus urgentes problemas econômicos e sociais, incluindo o desemprego, a marginalização, a insolvência e a pobreza”. Em vão.

Entretanto, o caso de Porto Rico, embora extremo, não chega a ser exatamente um ponto totalmente fora da curva, na América Latina. A bem da verdade, muitos países da região, mesmo não sendo colônias formais, têm uma forte relação de dependência, em relação aos EUA.

O Brasil, por suas vastas proporções territoriais, demográficas e econômicas, era, até pouco tempo, uma exceção parcial a essa realidade latino-americana.

Com efeito, tivemos períodos em que nos alinhamos subordinadamente aos interesses geopolíticos norte-americanos, como no período Dutra, nos governos Castelo Branco e Médici e nos governos FHC. Mas também tivemos períodos em que o Brasil tentou ativamente afirmar seus interesses próprios no cenário regional e mundial de forma mais autônoma. Foram os casos, por exemplo, da Política Externa Independente (PEI) do período de Jânio Quadros e João Goulart, do “pragmatismo responsável” de Geisel e, sobretudo, da política externa “ativa e altiva”, implantada nos governos do PT.

Nesse último período, o Brasil fez avanços extraordinários em seu protagonismo mundial. Investimos muito na integração regional, fortalecendo o Mercosul e criando a Unasul e a Celac. Demos prioridade à vertente Sul-Sul da política externa e estabelecemos sólidas parcerias estratégicas com outros países emergentes, como a China, a Índia e a Rússia. Reaproximamos-nos à África e criamos laços de cooperação inéditos com regiões como a do Oriente Médio, por exemplo.

Com isso, diversificamos muito nosso comércio exterior e nosso fluxo de investimentos, bem como ampliamos extraordinariamente nossas exportações e nossos superávits, algo que foi fundamental para a superação da vulnerabilidade externa da nossa economia, a qual vivia pendurada no FMI.

Criamos o grupo dos BRICS, contribuindo para conformação de uma ordem internacional mais multipolar. Fomos indispensáveis para a transformação do G7 em G20 e exercemos nossa respeitada liderança em todos os grandes foros mundiais.

Lula converteu-se no primeiro presidente brasileiro a ter dimensões mundiais. O “cara”, segundo Obama.

Todos esses avanços estão sendo celeremente destruídos pelo golpe. Como se sabe, hoje temos uma política externa passiva e submissa. Voltamos a nos alinhar aos interesses norte-americanos na região e no mundo.

Porém, temos, agora, um sério agravante. Esse sério agravante chama-se Bolsonaro, o “capitão-que-bate-continência-para-a-bandeira-dos-EUA”.

Com efeito, se fizer o que está acenando, Bolsonaro fará com que a política externa do Brasil se converta num ponto totalmente fora da curva, em relação à sua história e às suas tradições.

Uma coisa é aliar-se aos EUA, mantendo, porém, alguns espaços para a defesa de seus interesses próprios, como o Brasil fez, por exemplo, na era FHC. Na época, mesmo priorizando as relações com o grande irmão do Norte, não abandonamos a integração regional e as relações com alguns países emergentes.

Outra coisa, entretanto, é a promessa de terra arrasada de Bolsonaro. A total submissão do país aos interesses dos EUA, em nome de um feroz anticomunismo totalmente deslocado e extemporâneo, que faria até McCarthy corar. O que se prenuncia é a inteira perda de soberania.

O novo superministro da economia do capitão já deixou claro, de forma bastante grosseira, que o Mercosul e a Argentina não são prioridades, não terão qualquer relevância. Isso causou grande rebuliço num bloco que é fundamental para economia brasileira e para a paz em nossa região.

Trata-se de completa ignorância, por parte de quem pretende governar o Brasil.

A Argentina já foi nosso primeiro parceiro comercial. Mesmo depois da crise, é nosso terceiro parceiro comercial. Entre 2003 e este ano exportamos para o Mercosul nada menos que US$ 276 bilhões, com um superávit a nosso favor de cerca US$ 100 bilhões. Saliente-se que as exportações brasileiras para o bloco são, em mais de 90%, de produtos industrializados, com alto valor agregado. Em contraste, no que tange às nossas exportações para a União Europeia, a China e os EUA, os percentuais de manufaturados são de 36%, 5% e 50%, respectivamente. Portanto, o Mercosul compensa, em parte, a nossa balança comercial negativa da indústria.

Entretanto, o “posto Ipiranga” talvez não ligue para isso, pois já avisou que não terá políticas para promover nossa industrialização. Ao contrário, terá políticas para inviabilizá-la, pois pretende abrir totalmente nossa economia e extinguir o BNDES, nosso grande instrumento de financiamento da indústria. De agora em diante, a indústria brasileira só terá desincentivos.

Obviamente, essa negligência criminosa em relação ao Mercosul estender-se-á a toda a integração regional, bem como às alianças estratégicas com blocos e países emergentes. O único relevante, agora, será a relação privilegiada com EUA e aliados, como Israel, por exemplo.

A aliança firme com Trump, evidenciada pelas declarações de Bolsonaro, pelo efusivo e único comunicado de felicitações do presidente dos EUA ao recém-eleito e pela recente visita do embaixador norte-americano ao capitão, bem como à talvez decisiva participação de Steve Bannon na campanha eleitoral, já suscitou a advertência severa de Beijing, que não admitirá retrocessos em sua parceria estratégica com o Brasil, o qual nos beneficia enormemente.

A China é nosso primeiro parceiro comercial. No ano passado, exportamos para lá US$ 47 bilhões, com um superávit a nosso favor de US$ 20 bilhões. Em contraste, exportamos apenas US$ 26,8 bilhões para os EUA, com um superávit a favor do Brasil de somente US$ 2 bilhões, dez vezes menor que o obtido com a China.

Ademais, é a China que alimenta o Banco de Desenvolvimento dos BRICS (NDB) e o Arranjo Contingente de Reservas (CRA), instrumentos financeiros que poderiam contribuir muito para nosso desenvolvimento. O posto Ipiranga e o capitão parecem ignorar esses fatos que são do conhecimento de alunos do primeiro ano do curso de Relações Internacionais.

A sabujice política e ideológica do capitão chega ao ponto de anunciar a transferência da embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém e o fechamento da embaixada da Autoridade Palestina no Brasil, emulando Trump.

Trata-se de uma estupidez inacreditável, de uma ruptura clara não apenas com política externa ativa e altiva, mas com toda nossa tradição diplomática no tratamento do tema. Com efeito, o Brasil é um defensor histórico da solução dos “dois Estados” para a solução do conflito israelo-palestino e, por isso, acompanha a determinação da ONU, inscrita na Resolução 181 de sua Assembleia Geral, de que Jerusalém é uma cidade de status internacional. É por isso também que à exceção dos EUA de Trump, do Brasil do capitão e da Guatemala, um satélite norte-americano, todos os países mantém embaixadas em Tel Aviv.

Os países árabes e muçulmanos estão adorando essa iniciativa desastrosa do capitão. Exportamos US$ 11,6 bilhões para o Oriente Médio, em 2017. Para Israel, exportamos somente US$ 466 milhões. Tal decisão é, como se vê, muito pragmática e inteligente. Está em perfeita sintonia com os interesses da nossa agroindústria e com os milhões de descendentes de árabes que temos no nosso país.

Mas isso é só o começo. O ex-embaixador dos EUA no Brasil, Thomas Shannon, já anunciou que apoia a humilde solicitação do capitão, no sentido do Brasil entrar na OTAN.

O que um país do Atlântico Sul fará na OTAN não parece muito claro. O que é evidente é que tal decisão fará o Brasil rumar para o fundo do “posso”, em termos de soberania.

Se concretizada, essa preclara decisão tornará o Brasil um satélite definitivo, que orbitará fielmente, de forma canina, os interesses geoestratégicos dos EUA no mundo. Obviamente, tal iniciativa inviabilizará a participação do Brasil no BRICS. Nem Beijing nem Moscou aceitariam um membro da OTAN no seu clube.

O que virá depois? Uma aventura militar na Venezuela? A liderança, na América do Sul, contra o “marxismo cultural”, seja lá o que isso for? Medidas protecionistas contra a China, acompanhando Washington? A extinção do Mercosul e da Unasul? Um pedido para que o Brasil se torne Estado associado dos EUA, como Porto Rico? Não sabemos. Contudo, pelo andar da carruagem (seria melhor dizer carroça), só falta isso mesmo.

O que é certo é que a combinação de ultraneoliberalismo do posto Ipiranga com a subordinação política e ideológica do capitão que bate continência para a bandeira dos EUA rompe com todo resquício de soberania que nos sobrava, após o golpe.

Com tal combinação, que subverte por inteiro a nossa tradição diplomática, mesmo a do período neoliberal anterior, nos tornaremos uma nulidade geopolítica.

Não seremos apenas um país menor, seremos um país desprezível. Formal ou informalmente, seremos colônia, a exportar commodities para quem conseguirmos exportar. E não serão muitos os países, pelo visto.

Trump, aquele que aprisionou crianças brasileiras, e os grandes interesses do capital estão adorando esse novo país que engatinha, de quatro, pelo cenário mundial, sujando as suas fraldas, seus interesses e sua memória.

Só falta batizá-lo. Que tal “Gran Puerto Rico”?

Marcelo Zero
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Jurista ‘abismado” com Moro no Ministério da Justiça, considera democracia morta - ouça

 Imperdível  

Leonardo Isaac Yarochewsky, jurista, advogado criminalista, se diz “abismado” com a indicação do juiz Sérgio Moro para o Ministério da Justiça e Segurança Pública no futuro governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL).

O jurista considera gravíssimo o fato da negociação para esse cargo ter sido feita com o magistrado no exercício da função, antes antes de se exonerar.

Para Yarochewsky, Moro agiu como acusador e foi parcial contra o ex-presidente Lula, na Operação Lava Jato.

“Hoje, dia de Finados, estou vendo qual cemitério vou visitar a democracia, porque ela foi morta e está enterrada”, afirma o jurista.


Do RBA
No Viomundo
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“Nem rir, nem chorar, mas entender”: o filósofo citado por Boff em sua resposta sábia à fúria de Ciro


A resposta de Leonardo Boff a Ciro Gomes é uma lição que Ciro ganharia muito se aprendesse.

A essa altura do campeonato, porém, e conhecendo o velho Gomes, é difícil crer que assimile. 

Em entrevista à Folha, o ex-candidato à presidência da República xingou Boff de “bosta” e “bajulador, com todo tipo de condescendências”.

Boff devolveu as ofensas com classe, sabedoria e humildade no mesmo jornal:

Considero Ciro Gomes uma das maiores e imprescindíveis lideranças do Brasil. Ele é importante para a manutenção da democracia e dos direitos sociais. Ele ajuda a alargar os horizontes dos problemas que enfrentamos com o seu olhar próprio.

O que faz e diz é dito e feito com paixão. Entretanto, a paixão necessária nem sempre é um bom conselheiro. Creio que foi o caso de sua crítica a mim chamando-me com um qualificativo que não o honra.

Minha posição é dos filósofos, dentre os quais me conto: nem rir nem chorar, procurar entender. Entendo seu excesso a partir de seu caráter iracundo, embora na entrevista afirma que “tem sobriedade e modéstia”. (…)

Sobre o “mensalão” e o “petrolão” sempre fui crítico. Mostrei-o em meus artigos publicados no Jornal do Brasil online, onde escrevi, semanalmente, durante 18 anos. Todos eles estão no meu blog onde pode conferir (www.leonardoboff.wordpress.com).

Boff está citando o racionalista Baruch Espinoza, nascido em Amsterdã no século 17, filho de judeus fugidos da Inquisição portuguesa.

Par ele, “o ódio é a tristeza acompanhada da ideia de uma causa exterior”. Que maravilha isso.

Espinoza fala o seguinte em sua “Ética”:

Procurei escrupulosamente não rir, não chorar, nem detestar as ações humanas, mas entendê-las. Assim, não encarei os afetos humanos, como são o amor, o ódio, a ira, a inveja, a glória, a misericórdia e as restantes comoções do ânimo, como vícios da natureza humana, mas como propriedades que lhe pertencem. (…)

Uma criancinha acredita apetecer, livrementre, o leite; um menino furioso, a vingança; e o intimidado, a fuga. Um homem embriagado também acredita que é pela livre decisão de sua mente que fala aquilo sobre o qual, mais tarde, já sóbrio, preferiria ter calado.

Igualmente, o homem que diz loucuras, a mulher que fala demais, a criança e muitos outros do mesmo gênero acreditam que assim se expressam por uma livre decisão da mente, quando, na verdade, não são capazes de conter o impulso que os leva a falar.

Mais Boff e menos Ciro, Brasil.

Kiko Nogueira
No DCM
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Os omissos

FH poderia ter dado uma cutucada no capitão anunciando seu apoio a Haddad

Quando, no futuro, escreverem a história destes dias estranhos, um capítulo inteiro — ou, vá lá, uma nota de pé de página — terá que ser sobre os omissos. Aqueles que, se esperava, iriam diretamente para a barricada anti-Bolsonaro assim que se definisse o adversário no segundo turno, e não foram, ou demoraram a ir, ou se desinteressaram pelo futuro do país e foram cuidar das suas hortas. Enfim, se omitiram. É claro, nenhum novo apoio declarado ao Haddad no segundo turno diminuiria a avalanche de votos que elegeu Bolsonaro. Mas os omissos deveriam ter pensado não na consequência imediata da sua omissão, que era livrá-los de qualquer suspeita de estarem ajudando (horror!) o PT, mas pensado em suas biografias. No fim, o ódio ao PT foi maior que o amor pela democracia.

Um dia o deputado Jair Bolsonaro lamentou publicamente que a ditadura — que, segundo ele, nunca existiu, já que o golpe de 64 foi só um movimento de tropas, como disse, incrivelmente, o ministro Toffoli, presidente, ai de nós, do Supremo Tribunal Federal —, que a ditadura, como eu dizia quando me interrompi tão rudemente, não tivesse eliminado o Fernando Henrique Cardoso quando podia. Fernando Henrique, que é um gentleman, nunca respondeu, mas bem que agora poderia ter dado uma cutucada no capitão, como represália, anunciando seu apoio a Haddad. Só se manifestou quando chamou de “inacreditável” o discurso de Bolsonaro no telão da Avenida Paulista, quando este, com a eleição garantida, anunciou uma faxina no país e o banimento do que chamou de “marginais vermelhos” do território nacional. A Marina Silva levou 15 dias para decidir quem apoiava. O Ciro Gomes, em vez de ir para a barricada, foi para a Europa.

Para não dizerem que estou de má vontade com um governo novo e cheio de planos, dou minha contribuição. Como será difícil distinguir um marginal vermelho de um cidadão normal, agora que até a direita usa barba, sugiro que se costure uma estrela vermelha na roupa dos marginais, para identificá-los. Deu certo em outros países.

Luís Fernando Veríssimo
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A lógica macroeconômica de Paulo Guedes


Vamos a um pequeno balanço das primeiras medidas econômicas anunciadas pela equipe de Bolsonaro. Não devem ser interpretadas como definitivas, dado o grau de confusão inicial. Haverá ainda trombadas até que consolidem cargos, responsabilidades e decisões.

A junção de Agricultura e Meio Ambiente

Um desastre já alertado pelo próprio agronegócio. Qualquer evidência de desrespeito ao meio ambiente fechará os mercados europeus aos grãos brasileiros.

O superministério da Fazenda

Gestores experientes controlam estruturas gigantes descentralizando a gestão e reforçando a coordenação através de conselhos e follow up.

Gestores novatos pensam como burocratas de governo, que julgam que o tamanho de sua influência deve ser medido pela quantidade de setores que controlam diretamente.

Esperava-se que depois da revolução da Toyota, nos anos 90, a gestão pública brasileira tivesse se vacinado contra essas megalomanias.

Delfim Neto tinha controle absoluto sobre todas as áreas econômicas do governo Médici, sem precisar comandar cada Ministério. Fernando Collor montou dois Superministérios com esse mesmo desenho, entregando-os a pessoas totalmente despreparadas – a Ministra da Economia Zélia Cardoso de Melo e João Santana, sem nenhuma experiência nem de governo nem de gestão.

A lógica de Paulo Guedes

Duas observações preliminares:
  1. Uma boa gestão econômica depende não apenas de bons diagnósticos, mas da capacidade política e administrativa de gestão.
  2. Paulo Guedes não é Zélia. É muito mais preparado e muito mais temerário.
  3. A estratégia que está desenhando, pelas primeiras afirmações que fez, rompe com o tal tripé econômico – que vem amarrando a economia brasileira desde a gestão Marcílio Marques Moreira, no governo Collor, passando por FHC, Lula e Zélia. O tripé consiste em juros altos, câmbio baixo e aperto fiscal, uma fórmula que ajudou na desindustrialização precoce da economia brasileira.
Guedes propõe uma revolução:
  1. Tira do Banco Central a responsabilidade única de combate à inflação. Com isso, reduz a influência das metas inflacionárias – o mais potente instrumento criado para sustentar taxas de juros estratosféricas. O único efeito inflacionário das metas fiscais consistia em atrair muitos dólares de fora, o que levava a uma apreciação do câmbio que segurava a inflação e matava a competitividade da economia.
  2. Além de tirar das metas inflacionárias a responsabilidade de único instrumento contra a inflação, Guedes acena com a volta da banca cambial suja – ou seja, com definição de tetos e pisos. Pelas primeiras declarações, aposta em um real desvalorizado, com o dólar bem acima dos R$ 4,00. O primeiro efeito do câmbio desvalorizado será devolver a competitividade à produção interna. Se houver uma boa resposta da economia, Guedes acena com a possibilidade de redução tributária nas empresas.
  3. O segundo efeito será valorizar as reservas em dólares do Banco Central, permitindo vender parte deles e reduzir a dívida bruta.
  4. A maneira de atuar seria conceder independência funcional ao Banco Central, mas a responsabilidade de cumprir as determinações emanadas da Fazenda em relação à banda cambial e à política monetária. Pode criar uma situação oposta à de hoje, na qual se tem um Banco Central juridicamente dependente, mas atuando como dono absoluto das políticas monetária e cambial.
Por aí se entende sua afirmação de pretender “salvar a indústria apesar dos industriais”.

São ideias iniciais, sujeitas a chuvas e trovoadas.

Mas tem lógica.

Luís Nassif
No GGN
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Moro poderá ser o Alfredo Buzaid do Bolsonaro


O objetivo de Jair Bolsonaro nomear o juiz Sergio Moro como superministro da justiça não é parar a Lava-Jato.

Ao contrário, a intenção é lava-jatizar a justiça.
É provável que operações midiáticas, cinematográficas, com nomes espetaculares, ocorram aos montes daqui em diante.

Terão como alvo, obviamente, lideranças petistas e de movimentos populares, como o MST e MTST.

O objetivo será desmoralizar a oposição e destruí-la até as eleições de 2022. Haverá eleições, mas serão ao estilo das da Rússia, Turquia ou Venezuela, isto é, controladas e com a oposição desfalcada.

Com a criação dos superministros, o governo Bolsonaro ficará parecido com o do general Emilio Médici (1969-1974).

Naquela época, Delfim Neto, superministro da Fazenda, era o sumo pontífice da economia.

Orlando Geisel, superministro do Exército, centralizou a repressão nos DOI-CODI, antes caoticamente dispersa nos DOPS, Cenimar, Ciex e Cisa.

Alfredo Buzaid era o superministro da Justiça, responsável pela censura e pela manipulação judicial.

Foi um dos redatores do AI-5 e bloqueou todas as investigações contra os esquadrões da morte, que atuavam livremente como grupos de extermínio.

O Moro poderá ser o Alfredo Buzaid do Bolsonaro.

Luís Augusto Bustamante Lourenço é médico pediatra da Universidade Federal de Uberlândia e doutor em história pela FFLCH – USP
No Viomundo
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Um manual de segurança digital para tempos sombrios


Nas últimas semanas, desde que a catástrofe Bolsonaro se consolidou no horizonte, diversas pessoas me procuraram para pedir dicas de segurança — e como tenho um longo histórico de ameaças recebidas por conta do meu trabalho tive que aprender uma coisa ou outra sobre como me proteger ao longo dos anos. Ainda, a invasão do grupo “Mulheres contra Bolsonaro” no Facebook me parece uma prova clara de que esse medo não é infundado.

Bem, para aqueles que estão engajados no ativismo digital a recomendação mais óbvia é a de que nunca utilizem seus nomes pessoais nas redes sociais, evitem ao máximo divulgar informações que possam lhes identificar, fotos, descrições da sua rotina pessoal, endereços que frequenta, etc…— “lives” que informem aos usuários a sua localização nem pensar.

Outro ponto fundamental, utilizem sistemas seguros para navegar na internet. Eu não diria nem para migrarem para o Linux (apesar de recomendar MUITO que o façam — voltaremos ao ponto), mas só de trocar do IE pelo Firefox ou Waterfox já ajuda um pouco. Diria para evitar o Chrome, sobretudo após a notícia de que 17 extensões de VPN (Virtual Private Network) permitem o vazamento de dados DNS de usuários.

Fundamental: no Firefox (ou Chrome e Opera), utilizem as seguintes extensões

HTTPS Everywhere: ativa automaticamente o Hyper Text Transfer Protocol Secure—protocolo de transferência de hipertexto seguro.

Privacy Badger: Bloqueia anúncios e impede que sites rastreiem onde você está e o tipo de conteúdo que você visualiza na web.

uBlock Origin: Bloqueia anúncios de maneira eficaz e sem consumo excessivo de memória

Cookie AutoDelete: deleta automaticamente os cookies dos sites. Cookies são arquivos de textos utilizados pelos servidores para armazenar suas preferências como usuário.

Decentraleyes: Protege o usuário de rastreamento feito através de conteúdo acessado em sites.

Aqui vocês podem encontrar algumas dicas adicionais: https://www.privacytools.io/

E aqui vocês podem testar a segurança do seu browser: https://panopticlick.eff.org/

Por fim, recomendo MUITO que troquem o Windows por um sistema operacional mais seguro (Linux ou MacOs, com a diferença fundamental de que o primeiro é totalmente de graça, assim como seus programas). Sobre o Linux especificamente, estamos falando de um sistema operacional virtualmente imune a vírus e trojans (formas amplamente utilizadas para hackear um computador). Distribuições (“versões” do Linux) como UbuntuMint ou Manjaro são extremamente simples de se usar (mais até do que o Windows em vários contextos), completas e muito mais seguras. Aqui há um bom tutorial sobre como instalar o Ubuntu (mas que serve para a maioria das distribuições Linux).

No celular é importante que desabilitem as funções de instalar apps de “fontes desconhecidas” e “localização”. A exemplo dos computadores, recomendo que mudem o browser de navegação, utilizem o Brave ou Firefox Focus. Da mesma maneira que recomendei a substituição do Windows (e do MacOs) pelo Linux nos desktops, aqui recomendo que substituam o Android por outros sistemas, como o CopperheadOs (mais recomendável), LineageOS ou o Eelo (essa ainda em fase de testes). A instalação é um pouco mais complexa do que o Linux, mas nada de outro mundo. Aqui há um bom tutorial de como instalar o LineageOS.

Finalizando: recomendo que utilizem o Signal para enviar e receber mensagens (ele, inclusive, substitui o SMS); migrem do GMAIL para alguma plataforma criptografada, como o Protonmail ou — meu preferido — Tutanota. De fato, evitem ao máximo usar qualquer serviço da Google, inclusive seu mecanismo de busca.

É isso e que Oxalá nos proteja.

Anarco Esporte Fino
No Desacato
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O verdadeiro Posto Ipiranga de Bolsonaro


Paulo Guedes não é somente o Posto Ipiranga de Bolsonaro para assuntos econômicos. É o Posto Ipiranga para todos os assuntos. Principalmente políticos. Paulo Guedes é o ideólogo do candidato da extrema-direita. E não está sozinho nessa empreitada. Seria maluquice e maluco ele não é. Não estão sós com a mão no bolso, ele e Bolsonaro e aqueles filhos e o pequeno PSL. Não é um Exército de Brancaleone. O PSL é apenas um detalhe. Um biombo.

O grande partido que está por trás de Bolsonaro é o Instituto Millenium, do qual Guedes é um dos fundadores. Uma espécie de DIP sem Estado Novo. Uma espécie de Ministério de Propaganda da Direita à espera de um governo. E cujo objetivo é impor uma agenda ultraliberal ao Brasil.

Financiado por grandes empresas de comunicação, como Globo, Abril, Estadão, Folha, corporações financeiras e bancos, o Millenium emprega, desde 2009, todos os meios de propaganda à sua disposição para demonizar a esquerda, em especial o PT e tornar a direita mais palatável. Através de artigos, colunas, palestras e produtos de consumo como bonés e camisetas com inscrições detonando símbolos da esquerda, como Che Guevara. E tem obtido sucesso.

O Millenium é o seu verdadeiro Posto Ipiranga.

O Instituto funciona como agregador de dezenas de outros institutos e blogs – MBL, Vempra Rua – todos com a mesma orientação ultraliberal, como o Instituto Mises, presidido pelo dono do verdadeiro Posto Ipiranga (ou melhor, do Grupo Ipiranga), Helio Beltrão Filho, cuja matriz fica nos Estados Unidos e que também é diretor do Millenium.

Fazem parte do Millenium centenas de jornalistas – colunistas, repórteres, escritores – que enaltecem os valores e as ideias de direita, visando atingir os jovens. A lista é enorme. Vai de Nelson Motta a José Nêumane Pinto. Ser de direita era vergonhoso, agora ficou chic. Não havia jovens na direita, agora há muitos.

Por trás de Paulo Guedes há uma forte estrutura, baseada em capitais internacionais ligados a múltiplos interesses – a mesma que em 2013 quase derrubou a presidente Dilma colocando mais de 1 milhão de pessoas nas ruas contra ela – capitais que estão ávidos para comprar as estatais brasileiras na bacia das almas.

Bolsonaro vem sendo preparado pelo Millenium há muitos anos para ser o primeiro presidente assumidamente de extrema-direita do país, com a missão principal de “manter a ordem”.

Os financiadores, integrantes e simpatizantes do Millenium precisam de alguém que assegure a ordem porque a sua agenda é explosiva. Implementada, vai, inevitavelmente, provocar reações da população que terão de ser sufocadas com uso da força.

Eles planejam vender todas as estatais brasileiras, como Guedes confirmou na entrevista de ontem à Globo News. Todo o patrimônio nacional, com o que pretende arrecadar 1 trilhão para abater a dívida de 3 trilhões. O que vai criar um enorme desemprego e previsíveis ondas de protesto. O estado tem 500 mil funcionários. Todos serão demitidos pelos novos donos. Imaginem o caos.

Querem acabar com o ensino público e gratuito nas universidades. O que não será aceito pelos estudantes sem protestos. Mais confusão. Querem impingir uma reforma da previdência assassina do futuro. Mais protestos. Continuar com o teto de gastos públicos. Com a reforma trabalhista tal como está. Querem acabar com as despesas obrigatórias do orçamento nacional, como as com educação e saúde. Vão desidratar as verbas dos programas sociais.

Bolsonaro não é candidato de si próprio ou do pequeno partido que o abriga, está a serviço de uma agenda de dilapidação total de toda a infraestrutura construída pelos brasileiros desde Getúlio.

E empregará toda a repressão necessária para cumpri-la se chegar ao poder.

Alex Solnik, Jornalista, colunista do Brasil 247
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O general da repressão é Sérgio Moro


Escrevi aqui que  ontem poderia ser considerado o dia da fundação do Estado Policial Brasileiro mas, desde já, tal como se trocou em 1964 o “Primeiro de Abril” pela “redentora Revolução de 31 de Março”, sugere-se que fique a data como sendo a de hoje: o Dia de Finados, pelo simbolismo em relação à morte dos direitos à privacidade, à presunção de inocência e à segurança no exercício de nossas liberdades.

A nomeação de Sérgio Moro não é apenas uma ‘jogada de marketing” do presidente eleito. Não acho sequer que esta decisão tenha sido ‘de agora’ ou que possa ter sido tomada sem a participação do “núcleo militar” do bolsonarismo.

Afinal, Moro será posto a comandar uma máquina sinistra, encarregada de promover a onda de perseguição política destinada a fazer aquilo que Bolsonaro prometeu no seu tristemente famoso discurso aos seus apoiadores da Avenida Paulista: “fazer uma limpeza nunca vista na história deste país” e dirigir uma polícia com “retaguarda para  jurídica para fazer valer a lei no lombo de vocês”.

Para isso, não vai contar com pouco.

Terá o controle da Polícia Federal e, com ela, a capacidade de bisbilhotar, informalmente, todas as comunicações telefônicas e telemáticas.

Terá o controle do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o Coaf, e com ele a capacidade de xeretar todas as movimentações financeiras de pessoas físicas e jurídicas do país.

Terá o controle do que já foi a Controladoria Geral da União, a CGU, e com ele a capacidade de conhecer cada detalhe dos atos dos gestores públicos, exceto nas áreas onde alguma “voz amiga” diga que ali “não vem ao caso”.

Moro será o general da repressão da neoditadura.

Muitos ainda estão pensando dentro da lógica do estado democrático e das funções institucionais de um Ministério da Justiça, mesmo numa versão avantajada.

Lamento dizer que não é este o caso.

É por isso que não houve, nem de Moro e nem de Bolsonaro, preocupação com o desgaste em questão de legitimidade e da imagem de isenção do Governo em relação à Justiça ou do que que ela fez para instituir este governo.

Legitimidade e isenção são bobagens que devem ser desconsideradas diante da “Cruzada Anticorrupção”, em nome da qual se promoverão os “pogrons” antiliberdades.

Infelizmente, nossos “republicanos” continuam querendo medir perdas e ganhos políticos  de um jogo democrático.

Vamos entrar num regime de força e muitos ainda não o percebem.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Como previsto, Moro aceitou o cargo que Bolsonaro lhe ofereceu

O teatrinho feito até agora foi comprometido pela indiscrição do general Mourão, que revelou que o acerto já estava encaminhado desde antes da eleição. Mourão gosta de passar por ingênuo e boquirroto, mas é um esperto. A indiscrição provavelmente é uma jogada das disputas internas por poder, visando desgastar o juiz de primeira instância.

Pela imprensa, muitos liberais lamentam a decisão de Moro, porque ela "confere credibilidade" à "narrativa" de que a Lava Jato não é imparcial e tinha como objetivo principal retirar o PT do poder. Na verdade, não precisava disso, pois o caráter da operação já estava evidente desde muito cedo. O problema, para esses liberais, é que vai ficando cada vez mais difícil separar o avanço neofascista das suas etapas prévias: o golpe de 2016 e a criminalização da esquerda. Se eles não querem ser cúmplices de um, terão que fazer autocrítica dos outros.

Há um precedente à situação de Moro. Francisco Rezek, na qualidade de presidente do TSE, foi responsável pelas eleições de 1989. Em seguida, aceitou o convite de Collor para ser ministro das Relações Exteriores, renunciando ao Supremo para assumir a pasta. Perto do que ocorreu nas últimas semanas, a eleição de 1989 foi uma brincadeira de criança, mas o triunfo de Collor também dependeu de manipulação, intimidação e dinheiro ilícito, com os quais a justiça eleitoral foi complacente. A nomeação de Rezek manchou de suspeição o processo eleitoral. (E, anos depois, completando o círculo com enorme desfaçatez, Collor devolveu Rezek ao Supremo, com uma inédita segunda nomeação.)

O caso de Moro é pior ainda. Não se trata "apenas" de fechar os olhos para a sujeira na campanha, mas de um juiz que agiu criminosamente para, primeiro, destituir uma presidente e, segundo, impedir a candidatura do favorito às eleições presidenciais. Não é exagero dizer que, caso houvesse ocorrido julgamento honesto em Curitiba, Porto Alegre e Brasília, Jair Bolsonaro provavelmente não seria o presidente eleito do Brasil.

Ao aceitar um cargo que só é explicável como paga pelos serviços prestados, o juiz Moro se mostra desmerecedor de qualquer respeito como magistrado e torna ainda mais incontestável a exigência de anulação de seus atos.

Luís Felipe Miguel



Bolsonaro reconhece que Moro foi seu cabo eleitoral

O presidente eleito Jair Bolsonaro reconheceu que o trabalho do juiz federal Sérgio Moro, anunciado nesta quinta-feira como futuro ministro da Justiça, na operação Lava Jato o ajudou a crescer politicamente.

“Você tem que reconhecer o trabalho dele, muito bem feito. Inclusive em função do combate à corrupção, da operação Lava Jato, as questões do mensalão, entre outros, me ajudou a crescer, politicamente falando”, disse Bolsonaro em sua primeira coletiva a jornalistas como presidente eleito.

Bolsonaro afirmou desconhecer que tenha havido contato de sua equipe com Moro ainda na campanha eleitoral.

“Foi o Paulo Guedes que conversou com ele”, disse, mencionado o futuro comandante do superministério da Economia. “Não, não foi durante a campanha não, pelo que eu sei, foi depois.”
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É melhor já ir se arrependendo: Nova CPMF de Bolsonaro fará trabalhadores pagarem por patrões

O objetivo é criar um imposto sobre movimentações financeiras para acabar com a contribuição ao INSS que as empresas recolhem sobre os salários dos funcionários


Durante a campanha, o então candidato Jair Bolsonaro (PSL), afirmou veementemente e inúmeras vezes que não aumentaria e nem criaria novos impostos. A sua equipe econômica, no entanto, quer criar um imposto sobre movimentações financeiras para acabar com a contribuição ao INSS que as empresas recolhem sobre os salários dos funcionários.

O tributo, de acordo com reportagem de Marcelo Correia, no jornal O Globo, incidiria sobre todas as operações, como saques e transações bancárias, e a estimativa é que seria possível arrecadar ao menos R$ 275 bilhões por ano.

O modelo é semelhante ao da extinta CPMF, mas o time refuta a comparação, afirmando que se trata de uma substituição, e não da criação de um novo imposto.

A informação foi confirmada pelo economista Marcos Cintra, responsável pela área tributária no grupo coordenado por Paulo Guedes, indicado para ministro da Economia. A ideia de tributar movimentações financeiras foi revelada pelo jornal “Folha de S. Paulo” ainda no primeiro turno e causou uma crise na campanha de Bolsonaro, devido à impopularidade do “imposto do cheque”.

Na ocasião, o então candidato negou a criação de impostos. Depois do episódio, Guedes cancelou encontros e a campanha não tocou mais no assunto. É a primeira vez desde as eleições que um integrante da equipe confirma que a ideia está na mesa e detalha suas condições.

No Fórum
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Pesquisa confirma ignorância dos eleitores de Bolsonaro

83% dos eleitores de Bolsonaro acreditam no kit gay; 74% em urnas fraudadas e que Haddad defendeu incesto e pedofilia em livro


Pesquisa IDEIA Big Data/Avaaz divulgada nesta quinta-feira (1º) revela que 83,7% dos eleitores de Jair Bolsonaro (PSL) acreditaram na informação de que Fernando Haddad (PT) distribuiu o chamado kit gay para crianças em escolas quando era ministro da Educação.

No último dia 15, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proibiu Bolsonaro de acusar seu adversário no segundo turno de distribuir material que, segundo ele, estimulava a pedofilia.

Na ocasião, o ministro Carlos Horbach, do TSE, determinou a retirada de seis postagens da campanha do então candidato do PSL no Facebook e no YouTube nas quais Bolsonaro chamava de kit gay o livro Aparelho Sexual e Cia. e o projeto Brasil sem Homofobia.

Conforme concluiu o ministro, o programa não foi implantado e o livro jamais foi distribuído para crianças no Brasil.

O levantamento mostra que 85,2% dos eleitores de Bolsonaro tiveram acesso à fake news. Somente 10% dos eleitores de Haddad acreditaram na história.

No vídeo, Bolsonaro afirma que o livro é “uma coletânea de absurdos que estimula precocemente as crianças a se interessarem pelo sexo”.

Em nota, o Ministério da Educação (MEC) afirmou diversas vezes que não produziu, nem adquiriu ou distribuiu a obra e esclareceu que a publicação é estrangeira e traduzida em dez idiomas.

Mesmo assim, o presidente eleito continuou a falar de kit gay no término da campanha e seus primeiros discursos após o anúncio de sua eleição.

Mudança de posição

A pesquisa chegou a conclusões semelhantes em relação a outras quatro notícias falsas compartilhadas.

Segundo a pesquisa, 98,21% dos eleitores de Bolsonaro entrevistados foram expostos a uma ou mais mensagens com conteúdo falso.

Conforme a sondagem, 40% das pessoas ouvidas disseram ter mudado de posição nas últimas semanas de “oposição ou com dúvidas sobre” Bolsonaro para “decididos” ou “considerando votar” nele.

Isso no mesmo período em que essas notícias falsas atingiram o ápice de popularidade nas redes.

Outra fake news que ficou entre aquelas em que os eleitores de Bolsonaro mais acreditaram está a que dizia que haveria fraude nas urnas eletrônicas.

Para 74% dos seguidores dele, essa informação era verdadeira. Outra notícia falsa que confundiu os apoiadores de Bolsonaro foi a que atribuía a Haddad a defesa da prática do incesto e da pedofilia (74,6%).

Entre os eleitores do petista, apenas 9,8% consideraram que a informação era verdadeira.

Também enganaram os seguidores de Bolsonaro o texto que dizia que o deputado Jean Wyllys (Psol-RJ) seria o ministro da Educação em um eventual governo petista e a que relatava o pagamento de R$ 600 milhões a duas revistas para difamar o capitão reformado do Exército.

Impacto negativo

De acordo com a pesquisa, os brasileiros têm clareza absoluta sobre o impacto negativo das fake news durante as eleições.

Quase 80% dos entrevistados acham que as plataformas de redes sociais deveriam enviar correções das notícias falsas após a verificação de fact-checkers independentes.

O levantamento mostra que 29% dos entrevistados estão muito preocupados com a difusão de notícias falsas; 31% estão preocupados, mas 40% não têm nenhuma preocupação a respeito. Embora as redes sociais influenciem cada vez mais as eleições, a TV ainda é o meio de comunicação mais utilizado pelos eleitores para se informarem (52%). Em segundo lugar aparecem sites dos jornais e portais (51%). Na sequência, Facebook (29%), YouTube (22%), WhatsApp (15%), veículo impresso (12%) e Twitter (5%) foram as outras fontes mais utilizadas pelos entrevistados para se informarem sobre as eleições.

Para o fundador e CEO da Avaaz, Ricken Patel, o Facebook e o WhatsApp precisam tomar medidas urgentemente para impedir que eleições sejam fraudadas com notícias falsas.

“Não podemos deixar que a criptografia do WhatsApp seja uma “terra de ninguém” para atividades criminosas. Ativistas pela democracia em países autoritários usam aplicativos mais bem encriptados como o Signal. No mínimo, o WhatsApp deveria ter como padrão uma ‘proteção contra a desinformação’, dando aos usuários a opção de protegerem suas democracias e a si mesmos das fake news. Outras eleições se aproximam, como nos EUA, Índia e Europa; Zuckerberg tem semanas, e não meses, para tomar uma atitude”, afirmou.

Detalhe dos principais resultados da pesquisa:

Histórias que Haddad implementou um “kit gay”

Estimativa do eleitorado exposto à história: 73,9%

Porcentagem de eleitores do Bolsonaro entrevistados que viram a história: 85,2%

Percentagem de eleitores do Bolsonaro entrevistados que acreditam na história: 83,7%

Porcentagem de eleitores do Haddad entrevistados que viram a história: 61%

Porcentagem de eleitores do Haddad entrevistados que acreditam na história: 10,5%

Histórias sobre fraude nas urnas

Estimativa do eleitorado exposto à história: 86%

Porcentagem de eleitores do Bolsonaro entrevistados que viram a história: 93,1%

Porcentagem de eleitores do Bolsonaro entrevistados que acreditam na história: 74%

Porcentagem de eleitores de Haddad entrevistados que acreditam na história: 22,6%

Histórias que Haddad defende pedofilia e incesto em um livro?

Estimativa do eleitorado exposto à história: 44%

Porcentagem de eleitores do Bolsonaro entrevistados que viram a história: 44%

Porcentagem de eleitores do Bolsonaro entrevistados que acreditam na história: 74,6%

Porcentagem de eleitores de Haddad entrevistados que acreditam na história: 9,8%

No Viomundo
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Bolsonaro diz que foi beneficiado politicamente por Moro

Ministros do Supremo veem com cautela e petistas como politização a indicação de Moro na pasta da Justiça


O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) reconheceu que o trabalho de Sérgio Moro o beneficiou politicamente. O juiz da Lava Jato foi quem divulgou conversas entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a então presidente Dilma Rousseff (PT), em disputa pela reeleição, antes do pleito presidencial de 2014. Mais recentemente, dias antes do segundo turno da eleição, Moro divulgou a delação de Antônio Palocci. 

O juiz também foi quem assinou a prisão de Lula e, em julho, interveio na decisão do desembargador em plantão no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), Rogério Favreto, impedindo a soltura do ex-presidente, numa movimentação controvertida porque agiu impedindo a concessão de habeas corpus de um magistrado acima dele. 

"O trabalho dele muito bem feito. Em função do combate à corrupção, da Operação Lava Jato, as questões do mensalão, entre outros, me ajudou a crescer politicamente falando", disse Bolsonaro em entrevista para alguns veículos de imprensa ao falar da nomeação de Mero para o Ministério da Justiça.

O convite, aceito por Moro, teve repercussão entre petistas apontando o fato como mais uma prova da parcialidade do juiz. Em nota, o advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins, disse que a nomeação prova o que a defesa do ex-presidente tem afirmado "em recursos apresentados aos tribunais brasileiros e também ao Comitê de Direitos Humanos da ONU":

"É o lawfare na sua essência, uma vez que Lula sofre uma intensa perseguição política por meio do abuso e do mau uso das leis e dos procedimentos jurídicos", completou.

Alguns ministros do Supremo Tribunal Federal também apresentaram preocupação com outra proposta de Bolsonaro, a de levar Moro para a Corte em uma das vagas abertas em 2020 ou em 2021, com a aposentadoria compulsória dos ministros Celso de Mello e Marco Aurélio, respectivamente.

Segundo informações da Folha de S.Paulo, o mal-estar se deu primeiro porque Celso de Mello tem demonstrando disposição e saúde para trabalhar até a aposentadoria. Em segundo lugar, porque Bolsonaro fez o comunicado sem antes conversar com os ministros, desrespeitando um costume que poderia causar atrito entre o Judiciário e o Executivo. 

Tradicionalmente, o presidente leva o nome que quer indicar para ser discutido com os ministros do Supremo antes de formalizar e levar para a aprovação do Senado.

Outro ponto que chama atenção, e está sendo explorado pelo PT, é que o convite para Sérgio Moro, segundo disse o próprio Bolsonaro, foi feito pelo vice, Hamilton Mourão, ainda durante a campanha, período em que o juiz da Lava Jato também decidiu soltar a delação de Antonio Palocci, mesmo estando com ela há seis meses na gaveta. 

Quando questionado sobre esse fato na coletiva que deu para alguns meios de comunicação, a resposta do presidente eleito foi:

"Ah, não sei, não sei. Tenho pouco contato com o Mourão, estou aprofundando o contato agora com ele", arrematando que concordou em dar autonomia a Moro para nomear e conduzir as atividades da pasta. 

O Ministério da Justiça irá integrar as pastas da Segurança Pública e da Transparência. Ainda, segundo Bolsonaro, uma parte do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) deverá ser  inserido na Justiça.

No GGN
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Mino Carta: "Na perspectiva de ser ministro, Moro cuidou de reforçar a candidatura de Bolsonaro"


Em seu comentário semanal, o diretor de redação Mino Carta apresenta a capa da edição mais recente da revista CartaCapital e fala sobre a indicação do juiz Sérgio Moro ao (super) Ministério da Justiça do governo Bolsonaro. A confirmação veio após conversa entre os dois no dia 1 de novembro de 2018, no Rio de Janeiro.

"Me parece o justo prêmio para quem se esforçou tanto para nos trazer até esta situação, que começou esse processo que glorifica a pátria brasileira", pontuou, lembrando em seguida a fala do vice-presidente eleito, General Hamilton Mourão.

"Conforme revelações obradas por Mourão, Moro soube do convite antes que se desse a eleição. Na perspectiva do prêmio, ele já interferiu no pleito e cuidou de reforçar a candidatura do ex-capitão. Acho que isso é muito notável e dentro de padrões que, para mim, são totalmente brasileiros. Isso é Brasil, na sua acepção mais digna."

"Este senhor (Moro) diz que vem ser o defensor do Estado de Direito. Isso em um país em que a Constituição jaz no fundo do lixo! Em um país onde um golpe se segue a outro, golpes dentro do golpe inicial de 2016. Essa é a realidade dos fatos. Alguém se incomoda com isso?", questiona.

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Diante do fascismo


“Intelectual”, escreveu Millôr Fernandes, “é um cara capaz de chamar a galinha em meia dúzia de línguas diferentes, mas pensa que quem põe ovo é o galo.” Foi o debate da galinha que nos últimos meses mobilizou intelectuais e comentaristas empenhados, sabe-se lá com que fins, em destacar a impropriedade de definir como “fascista” a teoria e a prática de Jair Bolsonaro e seus seguidores. Preferiu-se discutir se marola é tsunami a organizar uma eventual fuga para as montanhas. Hoje, cheios de razão, estão prestes a morrer afogados.

E tome Hannah Arendt, Norberto Bobbio, George Orwell e mal disfarçada Wikipédia para explicar por que seria exagero, tergiversação ou ignorância associar fascismo à peculiar concepção de sociedade que se traduz nos atos e planos do capitão, sua família, seu economista, seus generais e recrutas. Provou-se, por evidente, que Bolsonaro não é Stálin, Hitler ou Mussolini. Agora, com a besta à solta, quando se intimida, agride e mata em nome do que o rigor não deixa dizer, os zeladores do léxico político balbuciam, em tom moral, paráfrases de Pedro e o lobo: tanto se gritou — em vão, insistem — contra o fascismo que diante da ameaça real corre-se o risco de ninguém acudir.

Na Itália de 1975, Pier Paolo Pasolini levava bordoada da esquerda e da direita pela suposta impropriedade política e ideológica de apontar o ressurgimento do fascismo. Gay e comunista, o cineasta não delirava, é claro, com uma volta dos camisas-negras, mas denunciava sem rodeios como o fascismo era normalizado. Toda homogeneização, do consumismo ao racismo, visava, segundo ele, “à reorganização e à normalização brutalmente totalitárias do mundo”. Fazia do fascismo uma palavra de combate, perfeitamente inteligível, e temia ser vítima do que denunciava. Foi massacrado por um garoto de programa poucas horas depois de dar uma entrevista que, quando publicada no La Stampa, ganhou do repórter Furio Colombo o título que o próprio Pasolini recomendara: “Estamos todos em perigo”.

Jason Stanley nasceu em 1969, é especializado em filosofia da linguagem e dá aulas em Yale. Nos últimos dez anos, tem estudado propaganda política e acaba de lançar How fascism works (Como funciona o fascismo), livro curto e elucidativo que mostra como e por que o discurso de Donald Trump é comparável, e não só retoricamente, a alguns dos mais notórios líderes fascistas da história — que por sua vez inspiram movimentos espalhados pelo mundo. Num vídeo para o New York Times, Stanley enumera essas ocorrências à medida que contornos de mapas piscam na tela — o do Brasil é o terceiro a aparecer.

“Vocês vão dizer que estou tentando assustar vocês com esses paralelos”, pondera Stanley. “E, quer saber? Estou mesmo.”

No Tinder ideológico, Bolsonaro dá match no perfil de liderança fascista traçado por Stanley. Na base de tudo, a mitificação do passado e seu uso para controlar o presente: a ditadura é a ordem perdida a ser recuperada. A política é oculta sob imperativos morais: “Campanhas anticorrupção estão frequentemente no cerne de movimentos políticos fascistas” e os conduzem ao poder por eleições. O anti-intelectualismo garante o discurso da nação, “atacando e desvalorizando” a universidade e todo tipo de educação que não leve ao reforço de ideias dominantes — estudos de gênero, por exemplo, são duplamente indesejáveis, pois questionam a família patriarcal e geram a “ansiedade sexual” manifesta no preconceito.

Na política fascista, o debate público é substituído por manifestação de raiva e imposição de medo, criando uma “irrealidade” facilmente controlável. Exalta-se uma hierarquia “natural” de fortes sobre fracos, homens sobre mulheres, brancos sobre negros, héteros sobre gays — qualquer abalo dessa ordem implica a vitimização do dominador. O fascista, lembra Stanley, nem sempre quer conquistar o mundo ou organizar o extermínio. Seu objetivo é naturalizar, como democrático, o autoritarismo.

O risco não está, portanto, só naquilo que um fascista eleito possa fazer, mas no que ele autoriza. Advertiu-se muito sobre o ovo da serpente, mas no Brasil o estrago foi feito enquanto se esperava o ovo do galo.

Paulo Roberto Pires é jornalista e professor de Comunicação na UFRJ
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