26 de out de 2018

Ziraldo, o eterno menino maluquinho: Vamos todos votar no Haddad


Ziraldo, o eterno menino maluquinho, o gigante brasileiro, se recuperando de um AVC, pede ao povo brasileiro que vote Haddad 13!

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Eu, o sonho e um tracking…

https://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2018/10/26/eu-o-sonho-e-um-tracking/

Hoje fui dar uma descansada à tarde e acabei cochilando. Vejam como as coisas são malucas, acabei sonhando com um tracking.

Nele Haddad vinha subindo (34, 36, 38) e Bolsonaro caindo (46, 45, 44) . E a diferença que era de 12 pontos anteontem passou para seis hoje.

Para chegar a esses números, Haddad havia feito dois movimentos importantes nas duas maiores regiões do país.

No Sudeste, cresceu 7 pontos (27, 31, 34) e Bolsonaro caiu quatro (49, 46, 45). No Nordeste, Haddad cresceu 10 (51, 56, 61) e Bolsonaro perdeu quatro (29, 25, 25).

Nos eleitores com renda até 2SM a diferença acelerava a favor de Haddad e já era de 20 pontos. (51 a 31). Haddad também tinha ultrapassado Bolsonaro entre os eleitores de ensino superior (45 a 42). E a diferença que era de 25 pontos a favor de Bolsonaro entre os eleitores de ensino médio caiu para 16.

Além desses dados haviam outros, mas ao acordar eu só lembrava desses. Se nas pesquisas de amanhã os números forem confirmados como aconteceu no caso da minha previsão da disputa no primeiro turno de São Paulo, quando cravei empate entre Márcio França e Skaf, com 21%, vocês não precisam ficar impressionados. Sonhos sempre foram o meu forte.
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PT usou sistema de WhatsApp; campanha de Bolsonaro apagou registro de envio


Rastros em sistema de disparo de mensagens mostram que registros de envios da campanha de Bolsonaro foram apagados horas após reportagem da Folha

Campanha de Fernando Haddad também fez uso do mesmo sistema de envio de mensagens no WhatsApp

Empresa que atua na campanha de Bolsonaro admite pela primeira vez ligação com empresa de plataforma de disparo de mensagens

Dados de um serviço de disparo de mensagens em massa via WhatsApp a que a reportagem do UOL teve acesso trazem novos indícios sobre o esquema revelado na semana passada pelo jornal Folha de S.Paulo. Os dados revelam que o sistema deixou rastros que mostram que, na tarde de 18 de outubro, foram apagados os registros de envio de mensagens disparadas pela campanha de Bolsonaro - horas depois da publicação da reportagem da Folha. A reportagem do UOL apurou que as campanhas dos presidenciáveis Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) fizeram uso da mesma plataforma digital. As duas campanhas negam ter cometido irregularidades.

As campanhas dos dois candidatos que disputam neste domingo o segundo turno da eleição presidencial trabalharam com a agência de publicidade digital Yacows, que oferece um serviço de disparos de mensagens em massa pelo WhatsApp. A Yacows é uma das agências apontadas por uma reportagem da Folha como participante de um esquema financiado por empresários que apoiam Bolsonaro para divulgar conteúdo anti-PT.  A prática revelada na reportagem viola a lei por configurar doação não declarada à campanha. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e a PGR (Procuradoria-Geral da República) abriram investigação sobre o caso.

Tanto a AM4 Brasil Inteligência Digital, empresa contratada pela campanha presidencial do PSL, quanto Bolsonaro haviam negado, após a reportagem da Folha, que a campanha do capitão reformado tivesse alguma ligação com agências que fazem disparos de mensagens. A AM4 negou que usasse a ferramenta. Bolsonaro também negou a utilização e disse na ocasião que não controla o que fazem "seus apoiadores".

Nesta sexta (26), ao UOL, a AM4 admitiu pela primeira vez que usou um serviço desse tipo. A empresa alega que fez um único envio de mensagem por meio do serviço da Bulk Services, sistema criado pela Yacows, diz que a mensagem foi enviada "para 8.000 doadores cadastrados na base própria da empresa" e versava "sobre mudanças de seu número de contato e suporte".

Uma das agências que presta serviços à campanha de Fernando Haddad também confirma que usou o sistema da Yacows de disparos de mensagens pelo WhatsApp, mas afirma que usou somente "contatos do próprio PT" (leia mais abaixo).

Campanhas com disparos pró-Bolsonaro foram apagadas

A reportagem do UOL teve acesso a registros da AM4 no serviço de mensagens chamado Bulk Services. Os dados mostram que, no dia 18 de outubro, horas depois de a reportagem da Folha ter sido publicada, informações referentes às campanhas da AM4 foram apagadas no sistema da Yacows.




A AM4 nega que tenha apagado qualquer registro no sistema da Yacows ou que tenha cometido qualquer ato ilegal (veja mais abaixo a íntegra da nota da AM4).

Procurado pela reportagem, que fez um relato a ele sobre os dados dos sistema que mostram que foram apagados os registros das campanhas de disparos de mensagens direcionadas a uma base de receptores administrada pela campanha de Bolsonaro, o presidente interino do PSL e coordenador da campanha do capitão reformado, Gustavo Bebbiano, descartou que a campanha de seu partido tenha usado a ferramenta durante as eleições e negou qualquer vínculo com a Yacows (veja abaixo a resposta completa).




A fonte

Um especialista em segurança virtual forneceu ao UOL, sob a condição de sigilo, dados do sistema de mensagens em massa pelo WhatsApp chamado Bulk Services, de propriedade da agência Yacows.

AM4 tem cadastro pelo menos desde setembro

Com sede na cidade de Barra Mansa (RJ), a AM4 aparece na prestação de contas da campanha de Bolsonaro como responsável pela criação do site da candidatura e outras ações em mídia digital, pelas quais recebeu R$ 115 mil declarados ao TSE, até o presente momento.

A empresa tem cadastro como cliente do sistema com ações registradas desde pelo menos o dia 25 de setembro deste ano, de acordo com os dados obtidos pelo UOL.

O login de usuário no sistema está em nome de uma funcionária da AM4, cujo nome foi confirmado à reportagem pela empresa. Em uma das listas de contatos apagadas estavam registrados pouco mais de 8.000 números de telefone.

Uma das mensagens apagadas, de acordo com a fonte do UOL, dizia respeito a pedidos de doação para a campanha do candidato do PSL.

Campanha de Haddad usou plataforma

Pessoas ligadas à campanha petista confirmam que a agência de marketing contratada por eles usou serviços da Yacows, mas negam que tenham usado qualquer lista de contatos que não fosse do próprio PT. "Temos milhões de contatos no cadastro ativo do PT em todo Brasil, nunca iríamos correr o risco de fazer uma besteira dessa por causa de uma lista com cem mil números. Não faz sentido", disse um contratado pela campanha petista, que pediu sigilo.

Procurada pela reportagem, a agência de comunicação digital Um Por Todos encaminhou nota onde afirma que foi contratada pela agência M Romano, relacionada na prestação de contas oficial da campanha petista no TSE como tendo recebido ao todo R$ 4,814 milhões (para fazer a campanha na TV, rádio e internet), para envio de mensagens com informações para os filiados do PT.




Uma das bases utilizadas para o disparo de campanhas do PT tinha o nome: "PT (11.09)Base-Richard". De acordo com a fonte ouvida pelo UOL, "Richard" é uma referência a Richard Papadimitriou, que segundo um dos sócios da Yacows, Lindolfo Alves, trabalhou na empresa. "É uma prática comum nesse tipo de serviço as empresas disparadoras oferecerem listas próprias com contatos, às vezes segmentados por idades, aos seus clientes. Neste caso, a negociação da lista é feita de forma separada", diz o especialista em segurança virtual que forneceu os dados ao UOL.




Por meio de nota, a campanha do PT negou irregularidades: "A M.Romano contratou a empresa Um Por Todos Digital para efetivar disparos de WhatsApp na base de dados cedida pelo PT, formada apenas por filiados da sigla, conforme a lei eleitoral. Os relatórios referentes a estes serviços foram apresentados pela Um Por Todos Digital sem qualquer indício de irregularidade.".

Campanha de Bolsonaro comprou disparos da Quick Mobile, diz ex-funcionária

Além dos dados do sistema utilizado pela Yacows, a reportagem do UOL conversou com duas fontes que trabalharam na empresa Quick Mobile, com sede em Minas Gerais. Assim como a Yacows, a atuação da Quick Mobile também passou a ser investigada pela Polícia Federal após a publicação da reportagem da Folha.

Uma das pessoas ouvidas pela reportagem afirma que cadastrou a campanha de Bolsonaro no sistema da empresa. A outra disse que a companhia usava bases de dados compradas ou "hackeadas".

"Eu fiz o cadastro para ele (Bolsonaro). Peguei email, senha e acrescentei créditos. Eu colocava créditos de 1 milhão de disparos", disse a fonte que pediu sigilo por temer represálias.

A fonte afirma que, apesar de ser encarregada de comandar o envio de diversas campanhas de políticos durante as eleições, não disparou nenhuma campanha de Bolsonaro. Pela importância do cliente, quem ficava encarregado disso era um dos sócios da empresa, Leandro Nunes. "Eu nunca subi campanha do Bolsonaro. Quem subia, sempre no sábado ou no domingo, era o Leandro Nunes", disse.

A outra fonte que trabalhou na Quick Mobile é Jussara Pereira. Ela aceitou ser identificada na reportagem. Jussara atuava como executiva de contas da empresa até abril deste ano. Ela diz que foi orientada por um dos sócios da empresa a procurar a equipe de comunicação de Bolsonaro.

"Na semana em que eu estava saindo, eles estavam começando a prospectar a área de comunicação e marketing do Bolsonaro. Pediram para eu entrar em contato com eles, mas eu não queria. Eu seria a primeira pessoa a dar o start na campanha dele em Belo Horizonte", diz Jussara.

A ex-funcionária da Quick Mobile disse que, ao longo dos mais de quatro anos atuando na companhia, ela teve informações sobre a origem ilegal das bases de dados utilizadas pela empresa.

"Eles não eram transparentes em relação a isso. A informação que eu tinha é que eles compravam essas bases de terceiros. Sem nenhuma transparência", disse Jussara.

Ela diz ainda que a Quick Mobile também utilizava um programa para "garimpar" números de telefones que estivessem disponíveis em redes sociais. Com isso, era possível, posteriormente, segmentar os disparos por região geográfica e até por hábito de consumo.

Candidatos não podem usar bancos de dados de terceiros

Bárbara Simão, especialista em direito digital do Idec (Instituto de Defesa do Consumidor), diz que, de acordo com a legislação eleitoral e com a nova lei de proteção de dados, candidatos e partidos políticos não podem utilizar bases de dados de terceiros para fazer campanha.

"Os candidatos não podem usar bancos de dados de terceiros. Eles só podem usar bases de dados que tenham sido coletadas por eles. Além disso, todos os usuários precisam ter dado os seus consentimentos para receber mensagens com esse tipo de conteúdo e precisam estar informados e cientes de qual é a finalidade da coleta desses dados", explica.

O que diz o PSL

O coordenador da campanha de Bolsonaro, Gustavo Bebbiano, negou que a candidatura presidencial do PSL tenha usado disparos de mensagens em massa pelo WhatsApp. "Nunca. Na nossa campanha, não", declarou.

Ao ser questionado sobre os sistemas de disparos da Yacows e da Quick Mobile, Bebiano afirmou desconhecer a existência das agências. "Não sei nem o que é isso. Yakissoba? Nunca ouvi falar. Não gastamos nenhum centavo com isso [compra de banco de dados]."

Sobre os registros apagados da AM4 no sistema da Yacows, Bebbiano também alegou desconhecer o assunto. "Não sou dono da AM4. Na nossa campanha, o que a AM4 fez foi absolutamente correto."

O presidente nacional do PSL afirmou ainda que quem utiliza essa ferramenta é o PT.

O que dizem as agências

O UOL ligou para os telefones da Quick Mobile. Uma funcionária atendeu, pegou o número de telefone do repórter e disse que o passaria aos diretores da empresa. Um email foi enviado e ainda não houve resposta.

A reportagem ligou para o comando da Yacows, ao longo de toda a manhã desta sexta-feira. A diretora Flávia Alves atendeu a reportagem, mas disse que não poderia responder às perguntas por orientação jurídica.

Também procurada, a AM4 afirmou que fez um único envio de por meio do serviço da BulkServices. Esta é a primeira vez depois da reportagem da Folha que a agência confirma que usou um serviço desse tipo. Segundo a agência, a mensagem foi enviada para 8 mil doadores cadastrados na base própria da empresa e versava sobre mudanças do número de contato e suporte da agência.

A assessoria de imprensa da AM4 enviou também uma nota fiscal no valor de R$ 1.680,00 e um print da mensagem que versa sobre um aviso "aos doadores cadastrados que o número de contato e suporte havia mudado".

Leia a nota completa abaixo:

"A AM4 fez um único envio de mensagem durante as eleições, no dia 13/09. Foi um comunicado (em anexo) para 8 mil doadores cadastrados.

Para isso, foi usado um serviço terceirizado chamada BullkServices, que é contratado remotamente (https://bulkservices.com.br).

A mensagem (em anexo) era para avisar aos doadores cadastrados que o numero de contato e suporte havia mudado.

A nota fiscal do serviço também está em anexo e o disparo (para base própria) está dentro do que prevê a legislação.

Reiteramos que a AM4 não faz, não utiliza nem contrata disparos em massa por considerar a estratégia cara e ineficaz – pelo fato de partir de um numero desconhecido e de pessoas não necessariamente engajadas.

A funcionária (o nome foi mantido em sigilo pela reportagem) foi quem contratou o serviço remotamente e cadastrou uma senha, mas ela afirma que não deletou nada do sistema. Se alguém fez isso, não foi a AM4 até porque não haveria nenhuma ilegalidade nesta ação.

É preciso perguntar aos administradores da plataforma, cuja relação com a Yacows desconhecemos, para saber quem deletou a mensagem, que, repetimos, não tinha nada de irregular."

Colaborou Gustavo Maia
Aiuri Rebello, Flávio Costa e Leandro Prazeres
No Uol
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Bolsonaro cita informações falsas ao acusar PT de espalhar fake news


Depois de afirmar que "ninguém mentiu mais que o PT", o candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL), publicou um vídeo nesta sexta-feira e afirmou que Fernando Haddad (PT) "espalha agora os mais variados fake news" sobre ele.

Durante pouco mais de dois minutos de vídeo, Bolsonaro, no entanto, cita informações sobre o adversário que são falsas ou que já foram desmentidas e negadas pelo petista.


A Bíblia

Bolsonaro começa o vídeo dizendo que "Haddad, após receber de presente uma bíblia, simplesmente a jogou no lixo, zombando da nossa fé".

No sábado (20), Haddad recebeu uma Bíblia de presente durante comício em Fortaleza e, no dia seguinte, o deputado estadual eleito André Fernandes (PSL-CE), fez um vídeo e afirmou que a bíblia foi encontrada no chão.

O petista negou ter jogado o livro fora e afirmou que a Bíblia foi furtada durante o ato, assim como um celular de um dos seus assessores, e disse: "Estranhamente, essa Bíblia foi furtada de uma sacola que estava no palco e apareceu num vídeo de um deputado do PSL, que me acusou de ter jogado fora".

Indulto a Lula

O capitão reformado fala que o petista irá conceder indulto ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que está preso na Polícia Federal em Curitiba, ou o colocará em liberdade.

"Nós sabemos que, uma vez eleito, Haddad concederá indulto para Lula ou o colocará em liberdade, bem como os demais condenados nesta operação Lava Jato", disse Bolsonaro.

O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), chegou a dizer que Haddad daria indulto a Lula em seu primeiro dia de governo. Em entrevista à rádio CBN, porém, Haddad afirmou que não pretende dar indulto a Lula caso seja eleito. "Não, não ao indulto", respondeu o candidato do PT.

Fim da Lava Jato

Na mesma fala em que diz que Lula será solto, Bolsonaro afirma que Haddad acabará com a Operação Lava Jato da Polícia Federal. "Ele acabará com a Operação Lava Jato. Será a volta da corrupção no Brasil".

O petista nunca disse que acabaria com a operação. No início do mês, Haddad afirmou em entrevista à Rádio Jornal Caruaru, de Pernambuco, que vai "dar todo apoio à PF, MP e Judiciário e isso, obviamente, inclui a Lava Jato".

O petista, aliás, chegou a elogiar o juiz Sergio Moro recentemente: "Ele faz um bom trabalho". Haddad, porém, disse que o magistrado errou no caso de Lula.

Kit gay

"[Haddad] queria lá em 2010 implementar o kit gay nas escolas. Para que o filho do pobre tivesse aula de sexo aos seis anos de idade", disse Bolsonaro no vídeo desta sexta-feira.

O termo "kit gay" usado por Bolsonaro nunca existiu de fato. O TSE, inclusive, determinou a remoção de seis postagens no Facebook e no YouTube em que Bolsonaro faz críticas ao livro "Aparelho Sexual e Cia." e afirma que a obra integraria material a ser distribuído a escolas públicas na época em que Haddad comandava o Ministério da Educação.

Tirar o WhatsApp do ar

No vídeo desta sexta-feira (26), Bolsonaro diz que "Haddad e seus colegas de partido" tentou tirar o WhatsApp do ar. "Quiseram agora, na reta final das eleições, tirar o WhatsApp do ar. O que está em jogo é o futuro o Brasil. É a minha liberdade, é a sua liberdade", afirmou.

Após denúncia da "Folha de S. Paulo" que empresários teriam feito propaganda contra o PT no aplicativo de mensagens, o PT entrou com ação no TSE contra o deputado e pediu que o WhatsApp apresentasse um plano para evitar o disparo em massa de mensagens ofensivas a Haddad.

PSOL entrou com uma ação no TSE pedindo restrição do compartilhamento de mensagens, "limitando-se o máximo possível", bem como a redução do tamanho dos grupos na rede social. Em um primeiro momento, o partido falou em suspensão da da ferramenta, mas depois retirou o pedido.

No Uol
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Sabatina com Fernando Haddad — ao vivo

 Transmissão ao vivo encerrada 


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Não se iluda ESTE é Bolsonaro


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Bolsonaro desabou porque eleitor descobriu nele um projeto de ditador


Os diretores do Datafolha Mauro Paulino e Alessandro Janoni afirmam que o presidenciável Jair Bolsonaro apresenta tendência de queda em quase todos os segmentos socioeconômicos e demográficos. Eles ressaltam que, apesar de cair em maior proporção entre os jovens, o deputado também desabou em estratos onde costumava ter desempenho positivo como no Sul, entre os homens, entre os mais escolarizados e, surpreendentemente, entre os mais ricos. Paulino e Janoni ainda destacam que o 'viés ditatorial' do candidato foi 'descoberto' pelo eleitor nessa reta final e que há chances consideráveis de a tendência de queda em sua candidatura se prolongar até o dia da votação.

A análise dos diretores do instituto, publicada no jornal Folha de S. Paulo, destaca que "a diminuição da diferença de Jair Bolsonaro (PSL) para Fernando Haddad (PT), de 18 para 12 pontos percentuais em curto espaço de tempo (uma semana), é acentuada em função da dicotomia que caracteriza o cálculo dos votos válidos nas disputas em segundo turno. São apenas dois candidatos — quando um ganha, o outro perde na mesma proporção".

Janoni e Paulino acrescentam: "com isso, ganha importância o contingente de eleitores sem candidato, isto é, aqueles que pretendem votar em branco, anular o voto ou se mostram ainda indecisos. A taxa (14%) é recorde para este período da disputa — em segundos turnos de eleições anteriores chegou no máximo a 10%. Caso parcela pretenda praticar voto útil, resta saber em que direção a atitude se dará".

Eles ainda lembram o estrago feito na candidatura do ex-militar pela reportagem de Patrícia Campos Mello: "a suspeita de caixa dois na contratação de serviços de WhatsApp, revelada por esta Folha, por exemplo, chegou ao conhecimento da maioria dos brasileiros, mas especialmente junto aos que mais têm recursos para consumir informação –os mais escolarizados e mais ricos, nichos dominados pelo capitão reformado desde o início da corrida presidencial".

E, finalmente, os pesquisadores apontam o autoritarismo como um elemento erosivo na campanha de olsonaro: "o outro vetor, talvez o principal, refere-se às turbulências que atingiram "a velocidade de cruzeiro" da candidatura do PSL desde a última pesquisa há sete dias – episódios que sugerem intervenções autoritárias em instituições nacionais, protagonizados por Bolsonaro, por seu filho Eduardo e aliados acabaram por corroborar a campanha do PT, que o vinha classificando de antidemocrático e violento".
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Estudo aponta para automação no envio de mensagens e orquestração entre grupos de WhatsApp pró-Bolsonaro

Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS) monitorou 110 grupos políticos abertos


Pesquisa inédita que monitorou, durante a última semana, grupos de WhatsApp das eleições 2018 aponta para a ação automatizada, ou seja, para o envio coordenado de informações em múltiplos grupos, a grande maioria deles ligados ao candidato Jair Bolsonaro (PSL).

Esses grupos apresentam alto grau de interconexão e número elevado de administradores e membros comuns, muitos com atividade dezenas de vezes acima da média dos demais usuários.

O estudo — que monitorou 110 grupos políticos abertos e analisou seu grau de coordenação e interdependência — é do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS), centro de pesquisa independente que reúne professores de diversas universidades brasileiras e do laboratório de mídia do MIT (Massachussets Institute of Tecnology), nos EUA.

Seus achados são peças do quebra-cabeças revelado pela Folha que aponta para empresas comprando pacotes de disparos em massa de mensagens contra o PT no WhatsApp, prática ilegal por se tratar de doação não declarada para a campanha do candidato Jair Bolsonaro (PSL), configurando crime eleitoral.

Os contratos para o disparo de mensagens chegariam a R$ 12 milhões, atingindo dezenas de milhares de brasileiros com conteúdo político contrário ao candidato Fernando Haddad (PT).

Segundo pesquisa do Ibope, 56% dos eleitores brasileiros afirmavam que seriam influenciados de algum modo pelas redes sociais e 36% diziam que seriam essas redes que definiriam seu voto.

No estudo do ITS, uma amostra de grupos abertos de WhatsApp disponíveis em repositórios na internet foi usada para o monitoramento.

"Os repositórios estão dominados pelos grupos de apoiadores de Bolsonaro. Existem alguns poucos grupos a favor de outros candidatos, mas muitas vezes os links de acesso foram revogados", explica Caio Machado, um dos autores do estudo, mestrando em ciências sociais da internet pela Universidade de Oxford, no Reino Unido.

"Ao buscarmos o que está na web, reproduzimos na nossa amostragem a provável proporção de grupos presentes ali", diz, para justificar a quase onipresença de grupos pró-Bolsonaro na pesquisa.

Segundo ele, o principal achado foi a potencial automação de envio de mensagens. Enquanto alguns usuários fizeram 360 postagens no período estudado, a média dos demais era de dez mensagens. O intervalo entre envios de mensagens de uma mesma série eram mínimos: entre 1 e 20 segundos. Segundo o relatório, boa parte desses perfis não trazia nome próprio nem foto pessoal.

Gráfico do estudo do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio

"São indícios muito fortes de automação. Pode ser o que chamamos de bots, ou robôs, que disparam mensagens, ou pode ser um usuário que utiliza algum nível de automação para difundir conteúdo, o que chamamos de ciborgue", afirma.

Uma análise qualitativa das postagens desses usuários hiperativos apontou que o conteúdo disseminado não era o de mensagens de opinião própria, mas majoritariamente a retransmissão de informação e de mídias (vídeos e fotos).

Numa segunda análise, foi mapeada a presença de membros ao longo dos grupos. E alguns deles chegavam a compartilhar 50 usuários. Outros quatro usuários administravam mais de 17 grupos.

Gráfico de estudo do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio

As atividades entre os grupos se mostraram intensas, sugerindo um grau de orquestração e coordenação.

Observamos uma via de disseminação de conteúdos. Há evidências de algo arquitetado, criando uma malha e uma estrutura de coordenação entre os grupos de modo a orquestrar a disseminação de informações através dos grupos de forma rápida e com o uso de alguma automação, sejam bot, sejam ciborgues.

Esta é a primeira campanha eleitoral que usa a internet, após resolução do TSE que autorizou o uso impulsionamento digital, mas vetou o uso de bots.

Nesta semana, comentários pró-Bolsonaro em posts feitos no Twitter pela Folha que continham palavras como "bolso" e "bolovo" levantaram suspeitas do uso de robôs pela campanha de Jair Bolsonaro.

Em um dos posts, que tratava da competição entre joalherias e galerias de arte pelo bolo dos super-ricos, usuária sob suspeita de automação comentou: "Cadê as provas, Folha? Não tem, né? Pq não existem. Vcs estão com medo de perder os milhões que o governo PT banca vcs, né?"

Fernanda Mena
No fAlha
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Carta dos “Maçons Pela Democracia” ao Povo Brasileiro! Fernando Haddad ou a barbárie


Ao constituirmos o grupo “Maçons pela Democracia”, deixamos claro que jamais falaríamos em nome de nenhuma Loja ou Potência Maçônica determinada. Movia-nos nossa consciência de cidadãos livres, além da responsabilidade de pertencer à Maçonaria, que sempre participou de momentos relevantes da nossa História, atuando decisivamente para a consolidação do estado e da nação brasileira.

Podemos citar a Inconfidência Mineira, a Independência do Brasil, a Revolução Farroupilha, a Abolição de Escravatura e a Proclamação da República como exemplos da forte presença e liderança dos maçons.

Em nossos rituais, reafirmamos, a cada sessão, jurar combater a tirania, a ignorância, os preconceitos e os erros e, ainda, que nossa atuação não conhece fronteiras, nem faz qualquer discriminação de etnias nem religiões, respeitando a crença e as opiniões de cada um.

Nesse grave momento da conjuntura nacional, os “Maçons pela Democracia” reafirmam seu compromisso com as origens da Maçonaria. Estamos convictos de que um Maçom não pode se filiar a movimentos ou agentes que defendam o racismo, a ditadura de qualquer origem ou a resolução de conflitos por meio da violência.

Esses movimentos totalitários já fizeram com que a Maçonaria fosse perseguida e proibida de exercer suas atividades, em diversas ocasiões e locais onde se instalou. Quando se chega ao paroxismo de se defender a tortura como meio de atuação das forças de segurança e glorificar como heróis os bandidos que a praticaram, está ferido de morte o ideal maçônico de respeito aos direitos humanos.

Foram irmãos maçons que redigiram a Declaração Universal dos Direitos Humanos, base doutrinária das constituições da França e dos Estados Unidos, posteriormente transformada em resolução da ONU. Nela está tipificada a tortura como crime hediondo, inafiançável e imprescritível, quando praticada por agente de estado.

Se maçons há que defendem essas práticas, deveriam substituir seus aventais azuis celestes por um avental gotejado de sangue e não merecem pertencer a um movimento tão sublime como é nossa Ordem. O ódio foi transformado no pão de cada dia de uma facção política, que conseguiu apresentá-lo como a grande solução para nossos graves problemas.

A desigualdade social, a ignorância e a desinformação completam esse caldo de cultura, que só vai fazer por piorar essa situação.

É necessário que se aceitem e convivam as diferenças, como no Pavimento do Mosaico, um discurso que promova um entendimento através da democracia e não pela força. Não existe religião ou movimento espiritualista sério que defenda a eliminação de pessoas, ainda que culpadas por algum delito, como solução para a vida e a harmonia de um país.

Defender como solução uma guerra civil, onde morram 30 mil pessoas, inclusive inocentes, é assunto para cadeia ou hospício. Precisamos reafirmar nossos ideários permanentes e solidários, que prezam pela soberania nacional e popular e pela defesa da democracia. Não se diga que adotamos posição partidária com quem defende racismo, tortura, defesa de ditadura, sonegação de impostos ou matança, não temos diferenças políticas. Caso de um certo candidato!

No momento em que duas candidaturas disputam o segundo turno das eleições de presidente da República em nosso país, não podemos nos dar ao luxo de cultivar uma neutralidade com essa choldra.

Entendemos que a candidatura do professor Fernando Haddad representa sim, nossos ideais progressistas e nacionalistas, nosso compromisso com o avanço e a paz social do Brasil, nossa luta contra o oportunismo, o entreguismo do patrimônio público e a corrupção, nossa luta pela soberania nacional e popular, pela preservação da democracia brasileira, tão arduamente reconquistada com a derrubada da duradoura ditadura cruel, corrupta e covarde instalada com o Golpe em primeiro de abril de 1964.

Sensíveis à gravidade da atual situação e para evitar que a barbárie traga para o Brasil seus inevitáveis e nocivos consectários, não temos a mínima dúvida de externar a única e consagrada opção da candidatura do professor Fernando Haddad, apoiada por todas as centrais dos trabalhadores brasileiros, pelos movimentos sociais e populares e pelos patriotas e democratas.

Rio de Janeiro, 26 de outubro de 2018.

Assinam esta carta: Francisco Soriano de Souza Nunes – M I (33) e Emanuel Cancella – M M (9)
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Deputado do DEMo muda de ideia em 30 dias!


O deputado Elmar Nascimento (DEM-BA) chama Bolsonaro de “louco”, “saco vazio” e diz que entre Haddad e Bolsonaro “a eleição é do PT”.

Baiano se converteu e encheu um saco vazio!

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Censura às universidades brasileiras


Ou nos levantamos agora contra isto ou permitiremos que se cravem no País cicatrizes que vão nos custar caro no futuro

O TRE exigiu a retirada de uma bandeira antifascista na UFF
Sei que estamos num momento tenso, mas algo de muito grave vem acontecendo nos últimos dias que merece que paremos tudo e prestemos atenção agora: a nossa liberdade de expressão (que espero que sobreviva a estas eleições) está sofrendo restrições inauditas e as universidades estão sendo censuradas.

É um processo que segue o modo como as restrições de direitos e a erosão das democracias modernas têm geralmente ocorrido: por meio do “normal funcionamento das instituições” e, neste caso em particular, por determinações da Justiça Eleitoral.

Alguns dos fatos mais recentes: na terça-feira 23, fiscais do TRE do estado do Rio de Janeiro (aparentemente sem mandado judicial) foram até o campus para retirar faixas com dizeres como “Direito UERJ antifascista”, “Marielle presente” e “Ditadura nunca mais”.

Na quarta-feria 24, houve determinação para que fosse retirada do portal eletrônico da Universidade Federal de São João del-Rei uma nota do Reitor daquela instituição (que dezenas de universidades brasileiras fizeram de maneira similar, inclusive a nossa UFPR) “a favor dos princípios democráticos e contra a violência nas eleições”. Na quinta-feira 25, foi proibida aula pública na Universidade Federal de Grande Dourados intitulada “esmagar o fascismo”.

E também nesta quinta 25, uma juíza eleitoral determinou a prisão do diretor da faculdade de Direito da UFF, o colega Wilson Madeira Filho, se não fosse retirada da fachada do seu prédio da Universidade uma faixa em que estava escrito “UFF antifascista”. Fatos como estes se repetiram em no mínimo dezessete universidades brasileiras nesta semana.

A justificativa jurídica que embasa estas ações é sempre a mesma: o art. 24 da Lei 9.504/1997, que estabelece a proibição de publicidade eleitoral em órgãos da administração pública (que é obviamente justificada e razoável). Mas a questão é: todas estas manifestações configuram mesmo “publicidade” para algum candidato? Essas manifestações justificam ações repressivas e de força? E sobretudo: isso justifica jogar na lata do lixo uma das liberdades fundamentais mais caras que conquistamos do ponto de vista civilizacional, a liberdade de expressão?

Claro que haverá aqueles que vão justificar tudo isso pelo citado artigo 24 da lei eleitoral. Mas quero questionar aos censores se esse artigo de lei ordinária tem o valor de mandamento escrito nas tábuas sagradas de Moisés. Quero saber que valor se dá para o direito de liberdade de expressão previsto em todos os tratados e convenções do direito internacional aos quais o Brasil aderiu e reconheceu (Declaração Universal dos Direitos Humanos incluída, conforme seu art. 19).

Quero saber afinal o valor que se dá para a Constituição Federal, que prevê o pluralismo político como fundamento da nossa República, que prevê liberdade de expressão e de opinião independente de censura ou licença e que, importante não esquecer, prevê também autonomia das Universidades.

Será que esqueceram que não tínhamos essas liberdades até há bem pouco tempo e que consagrá-las e colocá-las no epicentro do nosso sistema foi penoso e custou caro, inclusive em vidas?

Quero questionar aqueles que restringem liberdades sem pudor e com facilidade desconcertante, se defender a democracia, ser contra a violência, expressar-se contra a ditadura e contra o fascismo é fazer “publicidade” a favor de algum candidato. Até onde sei, a retórica dos dois candidatos atualmente em disputa tenta se afastar nesta reta final da campanha de uma identificação com a ditadura, a violência ou o fascismo. Se essas manifestações são confiáveis ou não, cabe à sociedade ponderar, na arena política; não ao juiz eleitoral.

A pergunta então é: quem vestiu a carapuça? Porque as autoridades do Estado (que mandam apreender, retirar, prender) vão além do discurso oficial dos próprios candidatos e se apressam em reprimir e calar vozes até dentro das universidades?

Mas quero sobretudo invocar o bom senso: em qual mundo se pronunciar a favor da democracia, contra assassinatos, contra o fascismo ou contra a ditadura pode ser considerado como irregularidade jurídica na propaganda eleitoral?

É hora dos juristas se entrincheirarem, hora daqueles que prezam pelas liberdades se atentarem.

Não podemos permitir que se jogue fora aquilo que nos é mais caro e que deve ser perene, comum, sagrado: a manutenção da nossa liberdade de poder expressar o óbvio. Não podemos deixar que as universidades – lugares por excelência do livre debate, do pluralismo, da formação de cidadania – sejam amordaçadas e censuradas (vamos insistir em dar o nome certo às coisas!).

Ou nos levantamos agora contra isto ou permitiremos que se cravem no País cicatrizes que vão nos custar caro no futuro.

Ricardo Marcelo Fonseca é reitor da Universidade Federal do Paraná



Judiciário bolsonarizado promove censura no atacado nas universidades

censura às universidades

O judiciário brasileiro está bolsonarizado – é uma obviedade que nem precisaria ser repetida.

Juízes nazi-bolsonaristas promovem censura prévia no atacado, proíbem o livre debate e suspendem a liberdade de reunião e de opinião em várias universidades brasileiras.

Tribunais e juízes de vários estados, em ordem unida, proibiram atividades acadêmicas de universidades junto às comunidades onde estão instaladas.

Só no dia de hoje, 25/10, a fábrica de arbítrio judicial expediu mandatos de busca e apreensão de materiais e de proibição do direito de reunir em Campina Grande/PB, Erexim/RS, UFRGS/RS, Dourados/MS e outras.

É evidente que esta é uma ação vertical, de contágio totalitário do judiciário de cima a baixo.

O TSE, convertido no quartel general do bolsonarismo, dá o exemplo que é seguido em todos os níveis do judiciário, desde o juiz eleitoral de piso até os tribunais regionais.

Quem se der ao trabalho de ler as infâmias despachadas pelos integrantes do TSE constata as verdadeiras atrocidades cometidas para prejudicar Haddad e favorecer o candidato de extrema-direita.

Basta citar apenas uma das inúmeras decisões do juiz Luis Felipe Salomão contra Haddad. Este cara decidiu manter no ar as postagens caluniosas que chamam Haddad de pedófilo!!

Ele argumentou que sua decisão teratológica [palavra atenuante usada pelos doutos para se referir a aberrações jurídicas] se ampara na “liberdade de pensamento, expressão e informação”, […] “e disse que nos espaços para comentários é possível contrapor posições tomadas por internautas” [sic] [e se fossem feitas milhares de postagens acusando ele, o Luis Felipe Salomão, como pedófilo, ele recorreria espaços para comentários?].

É uma espécie de justiça com as próprias mãos, o equivalente ao justiçamento que os milicianos nazi-bolsonaristas armados praticariam, no caso de Bolsonaro eleito, para liquidar as pessoas que pensam diferente.

O judiciário é mais que cúmplice do avanço fascista. Este poder age e milita pela implantação do regime nazi-bolsonarista.

A questão é saber se esta atuação arbitrária do judiciário é espontânea, por adesão ideológica ao fascismo, ou se é a rendição covarde às ameaças do filho do candidato [fechar o STF], do coronel que atacou gravemente a presidente do TSE e desafiou o Tribunal e das milícias nazi-bolsonaristas que atentam contra o Estado de Direito e continuam impunes.




Justiça chancela: Bolsonaro, “o fascista”
À medida que um Juiz reconhece que uma aula sobre o fascismo traduz campanha eleitoral, somos obrigados a concluir que um dos candidatos está sendo atingido, ou seja, é um fascista. E se conclui também que este Juiz tomou partido, ou seja, protege o fascista e se afastou de um princípio básico do Estado de Direito: o princípio da neutralidade formal do Estado.” (Tarso Genro, ex-ministro e ex-governador, em declaração ao Blog).
Faculdade de Direito da UFF: resposta criativa ao arbítrio judicial
A fachada da Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, na noite de quinta-feira (25/10), apresentou uma resposta inteligente e criativa ao arbítrio da decisão da juíza Maria Aparecida da Costa Bastos, da 199ª Zona Eleitoral (Niterói) do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro.

Para que o diretor da instituição, professor Wilson Madeira, não corresse o risco de ser preso e responder criminalmente, como ameaçou a magistrada – inicialmente, na terça-feira (23/10), verbalmente e na quinta-feira, em ordem por escrito -, os alunos acataram a decisão de retirar a faixa, tecnicamente apartidária, que protestava contra o fascismo. Substituíram-na, como mostra a foto ao lado (no quadro menor está a faixa censurada) pelo luto da Faculdade em luta e o aviso da censura que lhes foi imposta.

A decisão da juíza fere a autonomia do debate universitário. Mas também impressiona por, como ressaltou o ex-ministro da Educação e da Justiça, Tarso Genro, a magistrada, na medida em que reconhece que o debate sobre fascismo se torna campanha eleitoral, permite se concluir que “um dos candidatos está sendo atingido, ou seja, é um fascista”. Mais ainda, segundo Genro – ele próprio um censurado pelo TRE-RS na mesma quinta-feira, na aula que daria na UFRGS -, o entendimento lógico é que a juíza “tomou partido, ou seja, protege o fascista e se afastou de um princípio básico do Estado de Direito: o princípio da neutralidade formal do Estado”.
Sem ordem por escrito, fiscais do TRE não conseguiram retirar a faixa da FND.
O grave é que a juíza de Niterói não esteve sozinha, o que levanta questionamentos sobre uma ação orquestrada. No mesmo dia, com argumentos parecidos – evitar campanha política dentro de prédios públicos – mais de vinte instituições de ensino foram vistoriadas por fiscais do TRE. Em alguns casos, reforçados pela presença de policiais. Buscavam impedir debates, recolher manifestos de repúdio ao fascismo – ainda que os documentos não citassem candidatos – e propaganda ilegal.

Ao todo, segundo as denúncias, foram, ao menos, 22 instituições de ensino “visitadas” em todo o país: Cepe-RJ, , IFB, UCP (Petrópolis), UEPA (Iguarapé-Açu), UEPB, UERJ, UFAM, UFCG (Campina Grande), UFERSA, UFF (Niterói), UFFS, UFG, UFGD (Dourados), UFMG, UFRGS , UFRJ, UFSJ, UFU (Uberlândia), UNEB (Serrinha), UNESP (Bauru), Unilab (Palmares), Unilab-Fortaleza.

Na Faculdade Nacional de Direito (FND) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) a “visita” dos fiscais do TRE foi para determinar a retirada de uma bandeira pendurada na fachada do prédio, onde se lia “CACO – DITADURA NUNCA MAIS – 102 ANOS DE RESISTÊNCIA“. Ou seja, sem qualquer relação direta com a eleição.

A ação do TRE não se respaldou em mandado judicial escrito. Alegaram ordem verbal. Por isso, não foram atendidos. Os “agentes” prometeram retornar nesta sexta-feira com um documento judicial. Para evitar que eles consigam retirar a faixa, o Centro Acadêmico Cândido de Oliveira (CACO) impetrou um Mandado de Segurança preventivo (MS 0607981-67.2018.6.19.0000) contra as ações do TRE nas universidades públicas. Tentam, assim, obstar a Justiça Eleitoral de realizar qualquer diligência com o fim de retirar a bandeira que não tem qualquer conotação político partidária e, portanto, não fere a legislação eleitoral. Poderão beneficiar as demais instituições.

Em Curitiba, a fachada da Faculdade Federal do Paraná (UFPR). na Praça Santos Andrade, mais conhecida como Praça da Democracia, amanheceu com uma faixa contra o fascismo. A faixa, antes do final da manhã já tinha sido retirada. A democracia, ali, também fracassou.
Fachada da UFPR, em Curitiba, amanheceu com uma faixa anti fascista.
No Facebook, o reitor Ricardo Marcelo Fonseca alertou: “a nossa liberdade de expressão (que espero que sobreviva a estas eleições) está sofrendo restrições inauditas e as universidades estão sendo censuradas. É um processo que segue o modo como as restrições de direitos e a erosão das democracias modernas têm geralmente ocorrido: por meio do “normal funcionamento das instituições” e, neste caso em particular, por determinações da Justiça Eleitoral.

Tiro pela culatra

Com se vê, as ações dos juízes eleitorais estão mobilizando ainda mais a comunidade acadêmica, mas não apenas ela. Defensores do Estado Democrático de Direito protestam contra o arbítrio. Indiretamente, acabam reforçando a campanha contra Bolsonaro, agora chancelado como fascista pelo próprio Judiciário.

Tais ações, certamente, repercutirão mundialmente, como ocorreu em fevereiro de 1989, no carnaval carioca.

Provavelmente a juíza Maria Aparecida era criança em 1989. Certamente a maioria dos alunos da Faculdade de Direito da UFF sequer tinha nascido quando do famoso desfile de escolas de samba, em fevereiro daquele ano.

Nele, o carnavalesco Joãozinho Trinta, ao levar à passarela do samba a escola Beija Flor de Nilópolis com o enredo “Ratos e urubus, larguem minha fantasia!”, teve uma imagem do Cristo Redentor proibida de desfilar por imposição do então cardeal Eugênio Salles.

Como parece acontecer agora com a faixa da UFF que só ganhou notoriedade ao ser proibida – a censura à Beija Flor, em 1989, acabou dando mais visibilidade ao desfile pela saída genial – e espirituosa – do carnavalesco.
No carnaval de 1989, a proibição foi driblada pela esperteza de Joãozinho Trinta
Ele acatou a proibição, mas não se intimidou e denunciou a censura com a imagem do Cristo passando pela avenida coberta com um plástico preto ao qual sobrepôs uma faixa: “Pai, mesmo proibido, olhai por todos nós”.

A Faculdade de Direito repetiu o gesto de coragem sem que a Justiça nada possa fazer. Afinal, a ordem da juíza Maria Aparecida, acabou atendida.

Ao recorrerem à denúncia da censura imposta pela Justiça Eleitoral, alunos e professores da Faculdade de Direito da UFF, ainda que inconscientemente, trouxeram a lembrança de Joãozinho Trinta para a disputa eleitoral.

Como aconteceu no passado com a Beija Flor – a foto da imagem coberta com a faixa denunciando a censura correu mundo -, provavelmente o mesmo se repetirá agora, servindo para denunciar o autoritarismo e, segundo alguns, a decisão inconstitucional da juíza.

O tiro poderá sair pela culatra uma vez que, como disse Genro, a decisão faz com que a própria Justiça reconheça em Bolsonaro um candidato fascista. Agora, o título lhe foi chancelado judicialmente.

Quem vestiu a carapuça 

A decisão da juíza, como de seus colegas em outras cidades, foi classificada como inconstitucional pela administração central da Universidade Estadual da Paraíba (UEBP) que, em nota oficial, destacou:

“a Administração Central da UEPB vem a público ressaltar que a troca de ideias na Universidade, em relação a quaisquer que sejam as teses, os temas ou mesmo candidaturas, não é de controle, em hipótese alguma, de tribunal algum. Isso faz parte da autonomia da Universidade, consagrada na Constituição de 1988. O artigo 207 da Constituição prevê nitidamente esta questão, quando diz que as universidades gozam de autonomia didático-pedagógica. Ou seja, o que se discute em determinada aula, em determinado espaço de debate, é de responsabilidade exclusiva do professor ou da professora responsável por aquele componente curricular, evento ou debate. Sendo assim, ninguém pode cercear essa liberdade“.

Na nota que publicou esta manhã. o reitor da UFPR, Ricardo Marcelo Fonseca, alerta para o fato de a Justiça Eleitoral, teoricamente, estar sendo mais realista que o rei, uma vez que ambos candidatos, nos discursos eleitorais, dizem defender a democracia e se posicionar contra o arbítrio. Em seguida, questiona: quem vestiu a carapuça?

“Quero questionar aqueles que restringem liberdades sem pudor e com facilidade desconcertante, se defender a democracia, ser contra a violência, expressar-se contra a ditadura e contra o fascismo é fazer “publicidade” a favor de algum candidato. Até onde sei, a retórica dos dois candidatos atualmente em disputa tenta se afastar nesta reta final da campanha de uma identificação com a ditadura, a violência ou o fascismo. Se essas manifestações são confiáveis ou não, cabe à sociedade ponderar, na arena política; não ao juiz eleitoral.

A pergunta então é: quem vestiu a carapuça? Porque as autoridades do Estado (que mandam apreender, retirar, prender) vão além do discurso oficial dos próprios candidatos e se apressam em reprimir e calar vozes até dentro das universidades?”
O protesto de Genro pelo Twitter: “o fascismo cresce”
O próprio Genro, na quinta-feira, através do seu twitter, já denunciava este arbítrio ao lembrar que deu aulas em universidades de diversos países, inclusive no Brasil, em pleno regime ditatorial, sem jamais ter sido censurado em sala de aula. Sua conclusão óbvia: “o fascismo cresce”.

Em consequência, tais decisões judiciais, reforçaram a mobilização popular contra o fascismo e o autoritarismo que já se fazia presente nesta inusitada campanha eleitoral.

Tais decisões judiciais provocaram, nesta sexta-feira (26/10), reações diferentes em diversos pontos do país. No Rio, por exemplo, as universidades públicas suspenderam suas atividades para que seus alunos e professores protestem.

No final da manhã, na porta da tradicional Faculdade Nacional de Direito (FND) da UFRJ, no Campo de Santana, alunos e professores promoveram aula pública debatendo o fascismo. Provavelmente, para evitar novos conflitos, mas também para atrair o público, a realizaram na rua. Evitou-se ocupar o prédio público.

À tarde, o protesto será na porta do Tribunal Regional Eleitoral, na Avenida Presidente Wilson, no Castelo, centro da cidade. Está marcado para iniciar às 15H00. Uma hora antes da concentração, na Candelária, dos manifestantes que programaram uma caminhada, contra o fascismo e pela virada da candidatura de Fernando Haddad. Este sim um ato de campanha política.

Certamente os dois grupos acabarão se encontrando na Cinelândia, onde o protesto deverá terminar. Muitos estudantes, que não pretendiam ir à caminhada até por estarem em aulas, acabaram liberados e marcarão presença. Ou seja, o autoritarismo da Justiça Eleitoral, que pretendia em nome da isenção poupar a candidatura de Bolsonaro, poderá sim acabar reforçando o movimento antifascismo e pela democracia. Com isso, reforçará também a manifestação a favor da “virada” do candidato petista.




O vagalhão opressor que varreu as universidades para intimidar o livre pensar


Um vagalhão opressor percorreu ontem dezenas de universidades em tenebrosa amostra do que está por vir num hipotético governo do líder nas pesquisas.

Em todo o país, aulas foram invadidas por policiais sem mandado algum, notificações autoritárias e vagas foram apresentadas em determinados casos, recolhimento de materiais impressos e cartazes foram a constante.

A justificativa para as ações era ‘fiscalização contra suposta propaganda eleitoral’. Balela. Nada do que foi apreendido ou violentado fazia menção a partidos. Eram faixas, cartazes, debates e aulas sobre democracia e liberdade.

Não se tem notícias de detenções, mas a juíza eleitoral Maria Aparecida da Costa Barros havia determinado a prisão do diretor da Faculdade de Direito da UFF (Universidade Federal Fluminense), Wilson Madeira Filho, se a faixa estendida na fachada da instituição com a frase ‘Direito UFF Anti Fascista’ não fosse retirada. A faixa já tinha sido arrancada na terça-feira por policiais que, segundo estudantes, diziam: “Anti fascista é anti bolsonarista”. A faixa foi recuperada e novamente instalada. Ontem, para não ir em cana, o diretor retirou-a antes do prazo dado pela juíza. Uma outra, com o termo ‘Censurado’ foi pendurada no local.

Na UERJ, o alvo dos policiais foram as faixas ‘Marielle Vive’ e ‘Ditadura Nunca Mais’; Na UFCG (Campina Grande), os agentes tinham um ‘mandado de busca e apreensão de panfleto denominado Manifesto em defesa da democracia e da universidade pública’; No Rio Grande do Sul, a Justiça Eleitoral proibiu a realização do evento “Contra o Fascismo, pela Democracia”, uma aula pública que contaria com a presença de Guilherme Boulos e Tarso Genro que aconteceria no campus da UFRGS; Na UFGD (Dourados), a aula pública era intitulada “Esmagar o Fascismo” e igualmente foi suspensa por um mandado do TRE; Na UEPA, o professor Mário Brasil teve sua aula sobre fake news invadida pela Polícia Militar. Uma das alunas bolsonaristas chamou a polícia.

Também tiveram a visita de fardados mal encarados: UEPB, UFMG, SEPE-RJ, Unilab-Fortaleza, UNEB (Serrinha), UFU (Uberlandia), UFG, UFRGS, UCP (Petropolis), UFSJ, UFERSA, UFAM, IFB, Unifap, UEMG (Ituiutaba), UFAL, IFCE, UFPB.

Em sua página no Facebook, o professor e filósofo Pablo Ortellado solicitou a quem soubesse de mais casos que encaminhasse. Logo sua TL recebeu várias outras denúncias.

“Na Unirio, a polícia e o TSE foram sim. Invadiram os diretórios acadêmicos procurando material de campanha. Uma professora que daria uma aula sobre ditadura foi impedida. Os alunos foram dispensados”, escreveu um aluno.

Já uma professora da UNILA (Universidade Federal da Integração Latino-Americana), afirmou que a sala dos professores foi coberta de capim e que um bilhete com ‘uma assinatura que remete a Hitler’ tinha sido deixado sobre a mesa.

É o roteiro já clássico, conhecido mundialmente. As ditaduras sempre começam perseguindo os setores mais críticos e ‘perigosos’ ao regime, sobretudo universidades e o todo o cenário cultural (pessoal do teatro está sempre entre os primeiros a serem violentados).

Paulatina e progressivamente a nuvem negra vai chegando a outros segmentos como o jornalismo, sindicatos e movimentos sociais para logo em seguida começarem as perseguições e prisões dos rebeldes.

O tsunami de ontem foi mais um exemplo de que, a depender do resultado das eleições do próximo domingo, ninguém poderá dizer que não foi avisado.

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Gráficos evidenciam fraude eleitoral de Bolsonaro


Um olhar detido para as estatísticas geradas pelo sistema de busca do Google, que são consolidadas numa ferramenta denominada Google Trends (algo como Google Tendências, que mensura a quantidade de buscas relacionadas a um tema ou pessoa) pode ser um bom indicativo para verificar que algo muito estranho - uma fraude, ao que tudo indica - aconteceu no primeiro turno das eleições.

Que fraude foi essa? Tratou-se, na verdade, da combinação de duas ações, uma quanto à forma e outra quanto ao conteúdo.

Quanto à forma, estruturou-se uma operação ilegal e clandestina patrocinada por empresas para financiar a disseminação em massa de mensagens pelas redes sociais, especialmente em grupos de Whatsapp. Esta operação veio à luz em 18 de outubro em reportagem da jornalista Patrícia Campos Mello sob o título “Empresários bancam campanha contra o PT pelo WhatsApp”. A operação é ilegal porque não registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e por ser financiada por empresas, o que é terminantemente vedado pela legislação eleitoral.

Quanto ao conteúdo, foi uma operação de disseminação de notícias falsas (fake news) contendo acusações ao PT e especialmente a Lula, Fernando Haddad e Manuela D’Ávila com todo tipo de difamação e calúnias com o intuito de prejudicar a candidatura petista e alavancar a de Jair Bolsonaro.

Veja o gráfico abaixo. Para que o efeito visual fique evidente, reunimos os dados de pesquisas referentes a Jair Bolsonaro, Fernando Haddad, Ciro Gomes e Lula nos últimos doze meses. O valor 100, na semana que inicia no domingo do primeiro turno (7/out), é o máximo de busca relacionada a um dos quatro políticos neste período.

Assuntos como a prisão do ex-presidente Lula (90) e a facada em Jair Bolsonaro (86), que mobilizaram todo o país e justificam qualquer aumento orgânico nas buscas, ficaram abaixo do pico da eleição, que iniciou na semana seguinte ao #EleNão (49) e teve um aumento vertiginoso (80), chegando ao ápice (100) em uma semana que não houve nenhum fato novo público na campanha. Mas havia um “fato novo” no esgoto subterrâneo na campanha de Jair Bolsonaro que pode ter alterado os rumos da eleição.


Basta ver as tendências de voto para o segundo turno, que dizem muito sobre as rejeições aos candidatos, apresentadas no gráfico abaixo. Após Fernando Haddad abrir oito pontos de diferença em relação a Jair Bolsonaro no final de setembro e os dois empatarem tecnicamente no início de outubro, as intenções de voto em Haddad despencam na semana da eleição, enquanto Bolsonaro disparou e alcançou o seu maior índice até então, numa convergência com as curvas do gráfico do Google Trends.

 

Veja agora o gráfico comparativo entre Bolsonaro e Haddad. Observe a curva de Bolsonaro. Ela despenca literalmente depois da revelação da fraude na reportagem da Folha em 18 de outubro, com uma indicação clara de que o movimento era artificial e o esquema ilegal entrou em colapso.


Esta sequência de gráficos não contém prova de crime. É apenas a reunião de algumas evidências. As provas estão nas reportagens de Patrícia de Campos Mello e devem (ou deveriam) estar nas investigações das autoridades.

Se não são provas, os gráficos indicam claramente: há algo de podre no reino das mídias sociais da campanha de Bolsonaro.

Mauro Lopes e Pablo Nacer
No 247
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Tudo sobre o apoio vergonhoso e imoral da TV Record – e seu dono, o bispo Edir Macedo – a Jair Bolsonaro

De forma escancarada, usando a TV Record e o portal de notícias R7, o líder da Igreja Universal do Reino de Deus faz a propaganda do candidato da extrema direita


Quando o Jornal da Record colocou no ar a entrevista de 26 minutos de Jair Bolsonaro, no mesmo horário do Debate da Globo com sete presidenciáveis, as redações da TV e do portal R7 entenderam o recado: dali em diante, o Grupo Record usaria todos os esforços da reportagem como máquina de campanha para defender e promover o candidato do PSL, que liderava as pesquisas.

Naquela noite de 4 de outubro, reta final do primeiro turno, editores, repórteres e produtores ficaram em silêncio, atônitos, enquanto o colega Eduardo Ribeiro, da equipe paulista, aparecia no vídeo pronunciando as perguntas escritas sob orientação da direção. O vice-presidente de Jornalismo, Douglas Tavolaro, estava presente na empreitada, que se desenrolou na casa de Bolsonaro, no Rio de Janeiro. Tavolaro é homem de confiança e biógrafo do bispo Edir Macedo, o comandante da Record e criador da neopentecostal Igreja Universal do Reino de Deus. O projeto havia sido gestado a sete chaves. Nem mesmo a então chefe de redação, Luciana Barcellos, responsável pelo Jornal da Record, fora comunicada da existência dele. Luciana soube apenas na manhã daquela quinta-feira, quando o diretor de conteúdo de jornalismo, Thiago Contreira, hierarquicamente abaixo de Tavolaro, mandou escalar um determinado editor, pediu a ele para chegar bem mais cedo à emissora, no bairro paulistano da Barra Funda, para preparar o material a portas fechadas.

Só à tarde, profissionais da redação descobriram que o mistério se chamava Bolsonaro. Do conteúdo bruto quase nada foi cortado. A existência da gravação vazou. Mas o que o capitão reformado do Exército diria, permanecia em segredo. Às 18 hs, o candidato do PSL tuitou: “Hoje, às 22 horas, estarei no Jornal da Record com exclusividade. Peço assistir e divulgar”. PT, PSOL e MDB entraram com recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para impedir a publicação da entrevista.



Com a permissão do Tribunal

No espelho – a sequência dos conteúdos que entrariam no ar na edição de 4 de outubro – seriam incluídas matérias frias, que os editores tinham na gaveta, caso a Justiça interditasse a gravação de Bolsonaro.

Nos bastidores houve torcida para que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acordasse e tomasse providências. Fora da lei, a Record não foi importunada pelo Tribunal que tem, entre suas funções, impedir que empresa detentora de concessão pública de rádio e TV favoreça uma candidatura. Surpreendentemente, o ministro Carlos Horbach deu sinal verde, rejeitando a “censura prévia” e reafirmando o direito à “livre manifestação” da Record.

O que os telespectadores viram é praticamente a íntegra da amigável entrevista do candidato que se recusara a debater com os sete adversários reunidos nos estúdios da Globo. Sua justificativa para a ausência: a recuperação do ataque a faca sofrido em Juiz de Fora (MG), no dia 6 de setembro.

O estrondoso poder do bispo

Terminada a exibição da entrevista, a equipe do Jornal da Record, o principal da casa, deixou a redação constrangida e sem falar nada. “No dia seguinte, 5 de outubro, os colegas chegaram tristes e angustiados para trabalhar”, lembra um produtor, que como todos os outros profissionais da TV e do portal de notícias online R7, deram entrevistas a Jornalistas Livres sob a condição de anonimato. “A Record é uma emissora vingativa. Os repórteres e produtores que se recusam a realizar as pautas sofrem represálias, pressões e podem perder o emprego”, diz ele. Sobre a entrevista, uma profissional da pauta comenta:

“Foi o divisor de águas. Naquele momento a Record perdeu a mão, a sutileza, passou dos limites”. Em outras disputas eleitorais, lembra ela, “a casa já havia adotado um comportamento abusivo em relação à cobertura dos candidatos alinhados aos interesses econômicos do bispo. Mas o ingresso, de cabeça, na linha de frente da campanha do Bolsonaro foi escancarado e vergonhoso demais.”

Edir Macedo conta com a gratidão do mundo político. Para isso coloca a serviço de quem assume o poder a força de seu império de comunicação – um conglomerado de mídia. Macedo já esteve ao lado dos ex-presidentes petistas Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Mas virou as costas para ela, envenenado por Eduardo Cunha, ex-parlamentar afinado com o bispo e peça fundamental na orquestração do impeachment de Dilma, ocorrido no período em que ele presidiu a Câmara dos Deputados.

Entre os estimados 7 milhões de fiéis e pastores da Igreja Universal, fundada por Macedo no Rio de Janeiro em 1977 e hoje espalhada por mais de 7 mil pontos do país, há inúmeros vereadores e deputados estaduais eleitos com a força da máquina do bispo. Um soldado deste esquema é o deputado federal Celso Russomano (PRB-SP), reeleito este ano, e que sempre depois das disputas eleitorais volta à tela da TV com seu quadro Patrulha do Consumidor. Em Brasília, deputados e senadores filiados ao mesmo Partido Republicano Brasileiro, considerado o braço político da igreja, capitaneiam a bancada evangélica do Congresso Nacional. Atraem parlamentares desgarrados ou de legendas inexpressivas, que se enfileiram ao redor dos projetos de Macedo para existir politicamente e, assim, acabam aprovando as propostas mais conservadoras, moralistas ou retrógradas da agenda nacional.

Douglas Tavolaro, no episódio da entrevista chapa-branca, acertou com Bolsonaro a ampla cobertura que a Record, o R7 e as demais emissoras da rede passariam a fazer dos seus passos. Um jornalista do portal, em um desabafo por escrito, afirmou: “A TV e o R7 passaram a ser usados como máquina de propaganda do candidato do PSL. Nos corredores, já se comenta que Douglas Tavolaro, participa diretamente da campanha de Bolsonaro. Ajuda a estabelecer pautas e estratégias de comunicação…”

Em 6 de outubro, completou-se o chamamento para que as equipes se engajassem no esforço de eleger Bolsonaro. Márcio Santos, diretor de RH, postou na sua página do Facebook, foto em que aparece sorridente com as hashtags: “Melhor Jair se acostumando; “PT Não”; “Ele sim”. Os jornalistas entenderam o recado. O que é capaz de fazer com os próprios empregados um conglomerado que persegue repórteres de outros veículos, autores de matérias mostrando que o bispo construiu seu império explorando fiéis da igreja? A perseguição mais notória se deu a Elvira Lobato, jornalista processada 111 vezes por publicar na Folha de S.Paulo inúmeras reportagens revelando a instrumentalização do conglomerado de comunicação como arma de massificação da opinião pública, além dos negócios milionários que isso possibilitou. Ficam na mira do time do bispo todos os jornalistas que escrevem sobre investigações policias, inquéritos e processos na Justiça envolvendo a igreja ou seu mentor em denúncias de falsidade ideológica, uso de documentos falsos, sonegação fiscal, importação fraudulenta e estelionato.

“No fim de semana posterior à entrevista, Eduardo Ribeiro, voltou do Rio para São Paulo só para resolver a vida, buscar roupas e embarcou de vez na cobertura da campanha”,

relata uma colega dele. “Não faço críticas, Eduardo deve estar sofrendo um bocado. Tem sido citado no mercado como alguém que é mandado e não retruca.”

O cerco se fechou sobre a equipe. Todos os textos de política passaram a ser lidos, com rigor, por Thiago Contrera. Ele também começou a assinar as laudas do espelho, ao dar a sua aprovação.

A largada do bispo no facebook

Macedo nunca morreu de amores por Jair Bolsonaro, nascido católico e batizado em Israel, no Rio Jordão, por imersão – conforme a tradição evangélica. Nesta altura do calendário, maio de 2016, era presidenciável, mas por outra legenda, o Partido Social Cristão (PSC). O bispo sempre o considerou um parlamentar indócil, alguém com quem era difícil entabular um diálogo. Seu candidato no primeiro turno era, na maior parte do tempo, Alckmin (PSDB). Às vezes pendia para Ciro (PDT), com as reportagens evidenciando a gangorra. “Os jornalistas de política suspiraram aliviados com a escolha do bispo ficando no campo do centro e da esquerda. Ninguém se sentiria confortável em cobrir Bolsonaro se ele se tornasse o candidato queridinho da casa”, lembra uma editora executiva da TV Record. Para comprovar a crença de que o bispo não embarcaria no tanque de guerra do capitão do Exército, ela cita a linha adotada na cobertura do atentado à faca. “Não tínhamos equipe em Juiz de Fora e a ordem foi pegar leve: ‘Atenção com o tom das matérias sobre a cirurgia em Minas Gerais. Não queremos vitimizar Bolsonaro, para que ele não cresça nas pesquisas’,” recorda a editora.

Quando se tornou evidente que Alckmin e Ciro não emplacariam e estariam descartados no fim do primeiro turno, Macedo mudou a rota.

Poucos dias antes da entrevista que dividiu as águas, pairavam a interrogação e o suspense entre os jornalistas do Grupo Record. Dois chefes de redação ouviram de um superior: “Tem um vento aí. Cuidado, não sabemos como ele vai virar”. Era a senha (nunca explicitada em memorandos ou e-mails, mas verbalmente) para não atacar nem paparicar nenhum dos candidatos.

Não foi preciso esperar muito. No dia 29 de setembro, Edir Macedo soprou a sua escolha feito um tufão. No Facebook, um senhor que se identificou como Antonio Mattos, vendo Macedo em um vídeo que nada tinha a ver com política, cutucou: “Queremos saber, bispo, do seu posicionamento sobre a eleição pra presidente”. Na lata, o chefe da Universal respondeu: “Bolsonaro!”. Mas o acerto não havia ainda sido firmado com o quartel-general bolsonarista. Então, a conduta ditada ao jornalismo da rede na primeira semana após o primeiro turno foi a seguinte: Foco no Ciro. “Fizeram matérias para mostrar como seria delicada a situação dele, se apoiasse Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência da República. Outras reportagens mostravam que Ciro não ajudaria o petista.

Quando o irmão dele, o senador eleito Cid Gomes, gritou: “O Lula tá preso, babaca”, em um evento do PT, foi, para a Record, a festa da uva. “A recomendação era repetir, muitas vezes o episódio, e Cid berrando para a plateia de militantes: “Babaca, babaca”, conta um editor.

Sobre o assassinato do mestre de capoeira Moa do Katendê, por um bolsonarista, que o atacou pelas costas com 12 facadas, depois de ouvi-lo declarar voto em Haddad, nenhuma palavra. Nenhuma imagem em rede nacional. Na reunião de pauta, uma editora fez a defesa do tema, dizendo que a TV precisaria acompanhar a investigação. “Trata-se de briga de bar”, foi a resposta. Moa não era um brigão de boteco, teve importância na cultura baiana, fundou o Afoxé Badauê, ajudou na criação dos blocos afros de Salvador. A conclusão da polícia, de que a violência na política acendeu o estopim da morte de Moa foi igualmente ignorada pela Record.

A porção que cabe a Haddad

O adversário do postulante do PSL entra no noticiário minimamente cumprindo sua agenda de campanha. Ponto. Na sexta, 12 de outubro, dia da padroeira do Brasil, saindo de uma missa, Fernando Haddad criticou o apoio do bispo ao capitão. “Bolsonaro é o casamento do neoliberalismo desalmado representado pelo Paulo Guedes, que corta diretos trabalhistas e sociais, com o fundamentalismo charlatão do Edir Macedo”, afirmou o candidato petista. O Jornal da Record pôs no ar apenas uma nota pelada, jargão televisivo para o texto lido pelos âncoras sem imagem ilustrativa. A nota dizia que Haddad havia ofendido o bispo, e a igreja o processaria.

Na métrica diária do portal R7 entram duas matérias pró-Bolsonaro e duas batendo em Haddad. “Para fazer fachada, publicamos algo positivo do petista, como a sua proposta de baixar o preço do gás para 49 reais. Mas não entra com destaque, fica lá perdida. A demanda é por links negativos”, afirma um dos 80 jornalistas da redação. “Desde sua gestão na Prefeitura (de São Paulo) há um boicote a ele. Não pudemos dar, por exemplo, a queda do número de mortes no trânsito, depois que o prefeito reduziu a velocidade nas vias da cidade”.

A raiva de Macedo é anterior à gestão municipal do petista. Um projeto da igreja para a criação de uma universidade teria naufragado no Ministério da Educação no período em que Haddad foi o titular da pasta. Na disputa pela Prefeitura, em 2012, Macedo embalava a candidatura de Celso Russomano, que não passou para o segundo turno. Vitorioso, Haddad tomou posse quando a construção do Templo de Salomão, o gigantesco local de reuniões da Universal, no Brás, estava adiantada. O terreno havia sido reservado para moradias populares. A igreja conseguiu um alvará de reforma para o que, na verdade, era uma construção. Havia mais um problema: assinava a autorização Hussain Aref, diretor do departamento municipal que concede a licença, e que acabou afastado sob escândalo de corrupção. Haddad endureceu o jogo, a Prefeitura exigiu uma contrapartida, e o Ministério Público (MP) ameaçou pedir a demolição do templo. O petista exigiu como indenização à cidade a doação de um terreno na região com o mesmo tamanho. A igreja assinou um compromisso garantindo que doaria uma área avaliada em R$ 38 milhões. O MP segue acompanhando as tratativas, agora tocadas pela gestão Bruno Covas. “O bispo sabe que, eleito Haddad, não haveria dinheiro do governo federal para a Record”, analisa um editor da TV.

Templo de Salomão, construído pela Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), no Brás, região central de São Paulo, Inagurado em 31-07-2014.,
Foto Paulo Pinto/fotospublicas

Imagem mostra terreno onde foi construído o templo de Salomão na região do Brás, em São Paulo. Fernando Haddad teve grandes atritos com o Bispo Edir Macedo, por suspeitas de irregularidades no processo de autorização do terreno durante a gestão Kassab. Haddad exigiu uma contrapartida no valor de 38 milhões, do Bispo, já que o imóvel ocupava área de interesse social para moradia popular. Fernando Haddad enfrentou o temido bispo, mesmo contrariando orientações do PT.

Duas pautas-bombas contra o PT

“No site a cobertura é ainda mais cretina que na TV”, afirma outro editor, do R7. “E tem a Coluna do Fraga, que mente sobre Haddad e é escancaradamente a favor da vitória de Bolsonaro.” O titular da coluna, Domingos Fraga, e sua pequena equipe ficam isolados; os colegas não querem se relacionar com eles. Mas os comentários de Fraga têm força na casa. Um deles pautou uma matéria especial da TV. A repórter Elaine Heringer teria sido a destacada para “amarrar” o material, que demonizaria o Movimento Sem Terra, com foco principal na educação das crianças nas escolas dos assentamentos rurais. “A ordem é mostrar que as crianças do MST são vítimas de lavagem cerebral, com intuito de provar que elas seriam obrigadas a louvar líderes de esquerda, como Che Guevara”, comenta um profissional da casa. Os depoimentos colhidos estavam direcionados para confirmar a tese de Bolsonaro, para quem “o MST é um grupo terrorista”.

Fraga havia atirado nesta direção ao escrever, em 2 de outubro: “Parece algum grupo muçulmano radical, como o Estado Islâmico (Daesh) ou Hezbollah. Ou mesmo guerrilheiros das Farc. Mas, na verdade, são brasileiros que não alcançaram a puberdade. Milhares de crianças estão sendo guiadas por adultos para militarem nas causas defendidas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais”.

A outra pauta-bomba mirou os venezuelanos. A missão era associar o sofrimento deles a um eventual governo de Haddad. A volta do PT ao governo transformaria o Brasil na Venezuela de Maduro. A ideia era mostrar a saída por estradas horríveis, ao longo de dias, com destino à Colômbia e ao Peru, ou a Roraima. “Em esforço incomum, foram enviadas uma equipe para a Colômbia e outra para a cidade brasileira de Pacaraima”, conta um editor.

Os destacados para a missão, Leandro Stoliar e Fábio Menegatti, são repórteres experientes, acostumados a levantar dados secretos, provas, documentos difíceis de conseguir. Fazem parte de um seleto grupo investigativo, têm salários mais altos e são chefiados por Leandro Cipoloni, diretor de gestão de jornalismo. “Internamente, esta equipe ganhou o apelido de “Núcleo de Extorsão”, porque algumas vezes é obrigada a usar a técnica investigativa em reportagens que atingem empresas do mercado – e elas, para se verem livres de exposição negativa na mídia de Macedo, cedem aos interesse do grupo, patrocinando projetos ou engordando a receita publicitária da emissora ”, revela um jornalista da Record.

As reportagens sobre os venezuelanos e a que fala das criancinhas do MST estão editadas e prontas e podem ser publicadas a qualquer momento.

A caixa de maldades sem fim

Durante a primeira semana do segundo turno, foram muito valorizadas as delações ex-ministro petista Antônio Palocci, as notícias da Lava-jato. No domingo, 14 de outubro, entrou no ar uma nova pancada no PT. Em manobra sem ética, a reportagem tentou associar ao ex-presidente Lula o filho do ditador da Guiné Equatorial, Teodorin Obiana, preso com 1,5 milhão de dólares em dinheiro e 20 relógios avaliadas em 15 milhões de dólares.

O ar estava irrespirável; a tensão e o stress crescentes provocavam inúmeras queixas entre repórteres e editores. Até que, na quarta-feira, 18 de outubro, a redatora-chefe do Jornal da Record tomou uma medida que restaurou a dignidade que os profissionais sentiam estar perdendo. Luciana Barcellos chegou às 13 horas, como de costume, e sentou na frente do computador. Abriu o e-mail e dirigiu-se aos superiores, com cópia para Márcio Santos, do RH. Escreveu a sua carta de demissão, avisou para os três editores executivos e a editora-chefe do JR e saiu da redação direto para a sala do diretor do RH. Pouco depois, Thiago Contreira reuniu a equipe para anunciar a saída de Luciana, depois de oito anos de trabalho na empresa. Funcionou como uma catarse. Alguém ali estava legitimando o desejo da maioria: livrar-se de uma cobertura sem verdade, que vai contra os princípios do jornalismo. E atropela brutalmente a cláusula de consciência do Código de Ética da categoria, que assegura ao profissional o direito de recusar um trabalho que vai contra seus princípios.

Luciana não era uma unanimidade. Para se relacionar com o comando extremamente masculino do jornalismo da Record, ela manteve uma postura firme e muitas vezes foi dura demais com os chefiados. “Mas ela me surpreendeu. Teve a dignidade de dar um basta”, reflete uma repórter. “Fui até ela, como muitos outros colegas, para abraçá-la. Eu lhe disse: ‘Você fez o que muitos de nós queríamos fazer agora’.” Foi uma comoção. Um jovem jornalista perguntou a ela: “Sua decisão foi tomada depois da entrevista do Bolsonaro, não foi?” Luciana respondeu a ele que, na verdade, aquilo fora a gota d’água. E que ela vinha se questionando nos últimos meses: Queria ou não continuar fazendo parte, mesmo que indiretamente, do projeto de poder do Grupo?

Na saúde e na doença com Bolsonaro

Sob os olhos dos ministros do TSE a cavalaria da Record continua mobilizada para angariar votos. Para o programa Domingo Espetacular de 21 de outubro, a reportagem se instala novamente na intimidade do lar do candidato, dedicando a ele uma longa matéria especial. O tema é saúde de Bolsonaro, sua determinação para enfrentar a colostomia etc etc. Para o veículo que não queria dar ênfase ao episódio da facada em Minas Gerais, a última edição de Domingo Espetacular foi mais uma prova da tentativa de elegê-lo. Exibi-lo como o homem que enfrenta tudo e desperta empatia com as pessoas que sofrem dramas semelhantes.

O diretor de Comunicação Celso Teixeira tem sido procurado desde o dia 22 de outubro por Jornalistas Livres. Vários recados foram deixados com a secretária do departamento. No dia 23, Teixeira mandou dizer que só atenderá a nossa equipe depois da votação do próximo domingo. Diante da recusa, insistimos, enviando as perguntas principais que gostaríamos de fazer a ele. Celso não as respondeu. Porém, a direção emitiu uma nota se defendendo de acusações de favorecimento de Bolsonaro publicadas por várias mídias. Um trecho: “O principal acionista Edir Macedo, ainda no primeiro turno, informou sua opinião pessoal em sua rede social particular. Um direito individual garantido pela Constituição e já exercido por ele em eleições anteriores. A decisão em nada influencia as posições da emissora, que tem um jornalismo premiado internacionalmente e reconhecido pelo público e anunciantes.” O texto explica ainda a entrevista de Bolsonaro no dia 4, como “parte de uma estratégia do mercado de televisão que visa transmitir ao telespectador informações em primeira mão com agilidade”.

Faltando três dias para as eleições, a audiência dos veículos de Edir Macedo continua recebendo propaganda eleitoral travestida de reportagem – um veneno recheado de mentiras.



Veja aqui a resposta do Grupo Record aos questionamentos que lhe tem sido dirigidos:

Nota à Imprensa

A Record TV repudia de forma veemente as declarações caluniosas, falsas e preconceituosas do candidato Fernando Haddad contra a emissora nas últimas semanas. Essas ofensas atingem diretamente todos os funcionários e colaboradores do jornalismo que se empenham em coletar informações com um único propósito: atestar a veracidade dos fatos de maneira clara e isenta para que o telespectador tenha a liberdade de tirar suas próprias conclusões.

Com mais de 30 anos de tradição e credibilidade na cobertura de eleições no Brasil, a Record TV procura sempre apresentar suas reportagens jornalísticas de forma equilibrada, mesmo com as críticas infundadas e ofensivas de qualquer candidato. A prova disto são as 11 horas de notícias diárias ao vivo, mais de 800 reportagens por dia produzidas por 2.000 jornalistas espalhados pelo país. Um trabalho de credibilidade em que todos os profissionais priorizam, ao máximo, se afastar de tudo aquilo que possa pôr em dúvida a sua isenção aos fatos.

A emissora também denuncia a estratégia de alguns veículos de comunicação que claramente apoiam Fernando Haddad e de blogs ligados ao candidato que usam estas mesmas falsas acusações para atacarem a Record TV, o portal R7.com e as empresas do Grupo. A ação orquestrada ainda usa de estratégia criminosa de reproduzir estes textos e declarações levianas em panfletos ilegais e apócrifos atacando nosso jornalismo e os profissionais que aqui trabalham com objetivos escusos de tumultuar a eleição.

O principal acionista Edir Macedo, ainda no primeiro turno, informou sua opinião pessoal em sua rede social particular. Um direito individual garantido pela Constituição e já exercido por ele em eleições anteriores. A decisão em nada influencia as posições da emissora, que tem um jornalismo premiado internacionalmente e reconhecido pelo público e anunciantes.

Também esclarecemos que a entrevista realizada pela emissora no último dia 4 de outubro com o candidato Jair Bolsonaro, fez parte de uma estratégia do mercado de televisão que visa transmitir ao telespectador informações em primeira mão com agilidade. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), rejeitou liminarmente a proibição da gravação exibida no horário do Jornal da Record. Em despacho negando o pedido do PT, Carlos Horbach, ministro do TSE, considerou que o trabalho era uma ação jornalística que não feria os princípios legais da democracia. “Impedir, por meio de decisão judicial, que uma emissora de televisão veicule toda e qualquer entrevista do candidato Jair Bolsonaro antes do primeiro turno das eleições, por quaisquer dos meios de comunicação (televisão aberta, televisão fechada, rádio e internet) seria manifesto ato de censura prévia, contrária à liberdade de imprensa, pressuposto fulcral do regime democrático”, decidiu o desembargador.

O Ministério Público Eleitoral também deu parecer contrário ao processo contra a entrevista porque considerou que “para candidatos que se encontram em situações distintas, a ação está prevista na própria lei eleitoral”.

Vale ressaltar que a Record foi a primeira emissora de TV aberta a realizar sabatinas com os candidatos à Presidência da República, com tempos iguais para todos. Uma pesquisa simples no Portal R7.com revela de imediato artigos e reportagens, que atestam nossa independência ao tratar cada um dos candidatos de forma equilibrada, e questionam todos sobre declarações, opiniões e programas de governo.

Por isso, não aceitamos os ataques covardes à nossa conduta pautada numa só direção: jornalismo imparcial a serviço dos brasileiros.

Em nome da democracia, da liberdade de expressão e da defesa veemente dos direitos constitucionais previstos para todos, a Record TV vai seguir firme no sentido de oferecer ao público um jornalismo isento.

São Paulo, 25 de outubro de 2018.

Grupo Record

Patrícia Zaidan
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