25 de out de 2018

Pode virar! Vai virar! A democracia vencerá!


As pesquisas desta semana estão mostrando que é possível uma virada nesta eleição. Tanto o Ibope quanto o Vox Populi indicam que  a opinião de uma parte significativa dos eleitores está mudando. Entre segunda e terça-feira, a diferença entre os dois candidatos tinha diminuído para 5 pontos percentuais e, neste momento, é possível que já seja bem menor. Há sinais claros de que pode ocorrer uma inversão.

O candidato que representa a violência e a extrema-direita, Jair Bolsonaro, está perdendo apoio à medida que suas ideias e seu caráter se tornam mais conhecidos da população.

Bolsonaro é hoje a expressão do que há de mais perigoso e ameaçador para a democracia, para a liberdade e a vida dos brasileiros.

O candidato da democracia, Fernando Haddad, está ganhando apoio nos últimos dias porque muitos brasileiros perceberam que ele encarna o desejo de preservação da democracia, da  civilização e da paz.

Os eleitores sabem, como  Brecht alertou, que no princípio a violência do governo de um autoritário pode atingir o “vermelho” do lado, o ativista, o militante, a mulher, o negro ou o LGBT mas, mais cedo ou mais tarde, atingirá a todos que vivem na mesma comunidade. A história ensina que ninguém está a salvo diante de um governo fascista, eleito ou não.

A candidatura de Bolsonaro está morrendo pela boca. Quanto mais ele fala, quanto mais  exibe suas ideias e propostas, mais assusta as pessoas; quanto mais se mostra, mais deixa claro a ameaça que representa à Nação e ao povo.

É possível enumerar muitos motivos para negar o voto a Bolsonaro e votar em Haddad no domingo. Vamos citar apenas dez.

1 Declarou que vai prender ou expulsar do país quem fizer oposição ao seu governo. Chegou a anunciar que fará o candidato adversário -Fernando Haddad –  “apodrecer na cadeia”. Também disse  que, se for presidente, tratará os movimentos sociais que lutam por terra e moradia como grupos terroristas.

2 Apoiou abertamente a volta da ditadura militar, a tortura e o assassinato de opositores. São suas estas declarações “Eu sou favorável à tortura, tu sabe disso”, e “o erro da ditadura foi torturar e não matar” – como se assassinatos políticos não tivessem acontecido naquele período.

3 Silenciou quando seu filho, detentor de mandato parlamentar, disse há dois meses num vídeo que basta “um soldado e um cabo” para fechar o STF, caso o tribunal imponha alguma restrição à vitória do pai.

4 Aproveitou-se de centenas de milhões de mensagens via whatsapp com fake news e ataques difamatórios contra os adversários, em serviço ilegal pago por empresários que o apoiam.

5 Acumulou uma longa lista de atos de machismo e afronta às mulheres, ao manifestar-se a favor de salários maiores para os homens (“porque as mulheres engravidam”), votando contra os direitos trabalhistas às empregadas domésticas e, no momento mais chocante de sua agressividade chula, dizendo a uma parlamentar: “não te estupro porque você não merece”.

6 Defendeu a esterilização forçada das mulheres pobres, para que não tenham mais filhos.

7 Adotou uma retórica preconceituosa contra pobres, nordestinos e brasileiros que precisam de apoio do estado – para ele, gente protegida pelo “coitadismo”.

8 Xingou os eleitores que não votam nele, acusando-os de ir às urnas com “título de eleitor na mão e diploma de burro no bolso”.

9 Estimulou, com sua intolerância, uma parte de seus seguidores e cometer todo o tipo de violência contra homens, mulheres, idosos, negros e LGBTs . Muita gente tem sido agredida e há mortes registradas, como Moá do Catendê, em Salvador, e o garçom de um bar, em Porto Alegre.

9  Foi condenado por racismo ao afirmar, em palestra, que conheceu “um quilombola que pesava sete arrobas e que não serve nem para procriar”.

10 Tornou-se, na prática, uma continuidade de Temer, o presidente mais impopular da história, embora engane o eleitor se dizendo o candidato contra o sistema.

Realizada no inicio da semana e publicada ontem, uma pesquisa feita pelo Instituto Vox Populi confirma o que outras pesquisas começavam a indicar: a distância entre Bolsonaro e Haddad está diminuindo dia a dia, quanto mais a eleição se aproxima.

Segundo o Vox Populi, já havia chegado a apenas 5 pontos percentuais (44% a 39%), o que, considerada a margem de erro, está perto de um empate técnico.

Além disso, o Vox Populi e os demais institutos de pesquisa estão mostrando um aumento da rejeição a Bolsonaro e uma diminuição da rejeição a Haddad. Há um índice de pelo menos 17% de eleitores indecisos, cuja definição pode mudar tendências na última hora.

A pesquisa indica que Bolsonaro perdeu apoio entre os evangélicos, depois que pastores e fiéis de várias destas igrejas se manifestaram contra o caráter violento e anticristão de sua campanha. Os cristãos aprenderam no Evangelho e em sua prática religiosa que a verdade liberta e a mentira escraviza.

Quem passa a conhecer melhor Bolsonaro, não vota nele. Quem tem alguma dúvida, começa a optar pela serenidade de um candidato  democrático e civilizado. Pode não ser o nome de sua preferência, mas é o candidato cuja biografia jamais incluiu ou incluirá a defesa da violência e da intolerância contra quem quer que seja. Quem é contra a violência, escolhe sempre a democracia.

Dilma Rousseff, é presidente eleita do Brasil, deposta por um golpe parlamentar em 2016
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Você tem medo do Bolsonaro?


Em época de eleição, sempre ocorre momentos de cisão em nosso país; cada cidadão se compromete em escolher – ou não – um candidato que represente seus ideais e defenda seus direitos.

Hoje presenciamos ideais que desafiam a prudência e a razão - ideais que não compactuam com elas, as temem, ou até pior, as ignoram.

Não é vergonhoso ou irracional ter medo, visto que ele prevê um perigo iminente que nós não podemos ignorar - o retrocesso e a intolerância. Intolerância essa, que em sua magnitude atual, nos deixa à mercê de tormentos em diversos âmbitos societais - de classe, cor, gênero, credo.

Ainda assim, não podemos viver só com medo. É preciso lembrar que nossos opositores vivem dele - se alimentam desse medo e o fortalecem com seus discursos. E é preciso também fortalecer o nosso com igualdade e fraternidade.

Não é vergonhoso ter medo, mas não podemos deixar que ele nos prejudique ou prejudique aqueles que são queridos e iguais a nós. Seguiremos juntos, lado a lado, batalhando.

Coletivo Tapioquinha

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Folha publica matérias com "bolovo" e "bolso" e expõe os robôs de Bolsonaro na internet


A Folha de S. Paulo expôs em duas matérias a militância artificial na internet em favor de Jair Bolsonaro. O uso de robôs em plataformas de redes sociais ficou escancarado e foi percebido até por outros internautas, que ridicularizam a situação.

Os robôs foram atraídos pelas palavras "bolso" e "bolovo", por conta de uma reportagem sobre joalheria, sem qualquer conexão com as eleições ou com Bolsonaro, e em outra matéria sobre gastronomia em São Paulo.

No texto sob título "Joalheria quer competir com a arte pelo bolso dos superricos", um dos perfis falsos comentou: "Cadê as provas, Folha? Não tem, né? Porque não existem! Vocês estão com medo de perder os milhões que o governo PT banca para vocês, né?"

Outro bot respondeu: "Tá na hora desse jornaleco ser investigado." As hashtags #FolhaFakeNews e #FolhaMarmitaDoPT foram utilizadas.

Na matéria do bolovo, também totalmente desconectada de Bolsonaro, bots escreveram o número do candidato na urna, em demonstração de apoio.

"Ei, você aí que não acredita em bots, em ataques orquestrados. A Folha faz uma matéria sobre joias caras e usa a palavra bolso, como é comum em matérias sobre dinheiro, economia. Os bots do candidato detectaram a palavra bolso e... bem, é SÓ LER OS COMENTÁRIOS", observou uma internauta.

No GGN
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Por dentro dos grupos pró-Bolsonaro e Haddad


Uma imersão virtual no universo dicotômico de seus eleitores.

As eleições de 2018 mexeram com nossos brios – independente de que lado estejamos. Nesse delírio coletivo, as redes sociais ganharam fôlego aumentando o abismo que nos separava de retomar o mínimo de controle. Segundo pesquisa do DataFolha, 44% dos brasileiros se informam sobre política por meio do WhatsApp – a deep web que, até então, não deixa rastros e que age sem a menor regulação de distribuição de informações e sem nenhuma checagem. Uma outra pesquisa feita pela Agência Lupa mostrou que apenas quatro das 50 imagens que mais estão rodando em centenas de grupos checados são verdadeiras.

O WhatsApp, aliás, tem sido alvo de escândalos nessa corrida presidencial. Everton Rodrigues, da página Falando Verdades, foi bloqueado pelo próprio app após denunciar lista suja de grupos pró-Bolsonaro administrados por números dos Estados Unidos que disseminam fake news. Vale lembrar que Bolsonaro tem como conselheiro de campanha Stevie Bannon, estrategista de Donald Trump na Casa Branca. Na semana passada, um novo escândalo: o caixa 2 da campanha do militar foi descortinado pela jornalista Patrícia Campos Mello. Chegou ao Trending Topics brasileiro, sem a mesma reverberação na grande mídia.

Mas o quê, afinal, acontece dentro desses grupos? Quem está por trás deles e quais são as estratégias utilizadas por quem os lidera?

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Estive, durante a primeira semana do segundo turno, infiltrada dentro de seis grupos pró-capitão, utilizando dois comportamentos distintos: em três, apenas observei a movimentação, sem interagir; nos outros dois, participei ativamente, questionando e tentando abrir oportunidades de diálogo com os eleitores do PSL. Também estive em grupos pró-Haddad para entender os dois lados da moeda. A vivência, por vezes desgastante que uma presença online constante acarreta, trouxe à tona alguns achados que podem jogar luz à experiência virtual na qual estamos inseridos.

Um mergulho nos grupos de Jair Bolsonaro

Capitão Bolsonaro 17, Esperança Bolsonaro, Muda Brasil JB Presidente, Bolsonaro Nacional, Esse é o meu Brasil JB e Direita Bolsonaro grupo23. Seis grupos de apoio irrestrito a Jair Bolsonaro e a seu plano de governo. Em todos, lotação máxima: 256 pessoas, em maioria homens. Entre os grupos, um padrão: pouco diálogo, muita mensagem encaminhada – com destaque fortíssimo para as montagens. Não há tempo ou espaço para as trocas no um a um. É uma avalanche de compartilhamentos, 24 horas por dia. As únicas conversas geradas eram iniciadas pelos próprios infiltrados que, se passando por bolsonaristas, rebatiam de forma discreta as fake news, apresentando novas fontes aos casos. Ao menor sinal de divergência eram chamados de petistas, execrados e prontamente banidos dos grupos. 

Por duas vezes, tentei, em vão, tirar dúvidas sobre o plano de governo. Numa delas, insisti na pergunta e fui ignorada. Na outra, recebi a resposta “é fake”, sem mais explicações.

Perseguição a petistas e boicote de artistas apoiadores de Haddad também entram na conta de incitações constantes, como na reprodução abaixo, em que um usuário pede o boicote à "lacradora" Claudia Leitte.

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Outra prática corriqueira dentro desses coletivos é a instauração do terror. As técnicas são, basicamente, duas: compartilhamento de links para serem lidos e reencaminhados urgentemente sob o pretexto de que trazem escândalos que precisam ser divulgados antes que sejam censurados; e incitação de possíveis cenários caóticos baseados em notícias falsas – como fraude nas eleições. Neste último caso, o mote é sempre o mesmo: a retomada, considerada legítima e necessária, do poder, caso Bolsonaro não seja eleito.

Antipetismo e Lulismo são, de longe, os assuntos mais comentados. Escárnio e piadas de cunho homofóbico também ganham vez.

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E se entre os eleitores de Bolsonaro a moral é preocupação constante, quando invadem grupos pró-Haddad, tal discurso desmorona. Entre os compartilhamentos nos “grupos inimigos”, muita pornografia, sexismo e violência. 

Apesar da pulverização regional desses grupos, os padrões observados acima seguem replicados. “É interessante notar que sempre aparecem núcleos que passam a repostar a mesma coisa. Eles tentam organizar, setorizar, mas o conteúdo é o mesmo. Não existe regionalização de fato porque não há discussão. Não se falam de temas locais”, diz João*, pós-graduando em marketing político e que segue infiltrado em grupos pró-Bolsonaro – um deles nomeado de “Comandante Ustra”, conhecido ex-chefe do DOI-CODI do II Exército, um dos órgãos atuantes na repressão política, durante o período da ditadura militar no Brasil.

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“Há grupos que reúnem administradores de outros grupos para a distribuição inicial dos conteúdos. Consegui entrar em um desses. Eles dão sempre a entender que existem superiores que passam inicialmente os conteúdos – o que faz todo o sentido, já que qualquer notícia que recebo em um grupo em poucos segundos já está em todos os demais”, completa Isaac Varzim, produtor cultural, também infiltrado.

Do outro lado da trincheira

A diferença dos grupos observados dedicados à eleição de Fernando Haddad já começa nos nomes – descolam-se, em sua maioria, do candidato para se aproximar a uma frente ampla pela defesa da democracia, sem partidarismos: Não petistas contra o Bolso, Economia e segundo turno, Argumentos Pq Haddad, Análise de conteúdo Bozo, Artivistas antifascistas, Grupão Digital #HaddadSIM. Neles, algumas regras são seguidas à risca: se um participante posta algo sem fonte, é logo questionado. Caso não tenha ou seja detectada fake news, a mensagem é deletada. Outro fator interessante é o número de integrantes: no máximo, 100 pessoas por grupo e um público formado quase que igualitariamente por homens e mulheres – embora sejam elas as mais ativas na comunicação.

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Entre o conteúdo, observa-se bem menos compartilhamentos e mais construção de ideias através de diálogos. Os objetivos principais dos coletivos são construção de argumentos para convencimento de votantes nulos, bolsonaristas e indecisos; produção de conteúdo independente pró-Haddad e criação de rede de informação e acolhimento sobre casos de violência.

Para além desses, há uma série de grupos regionais para panfletagem e de grupos específicos de minorias que, preocupadas com um possível cerceamento de direitos e com a escalada da violência, reúnem-se como redes de apoio e resistência. É o caso do Autocuidado e Ativismo, nascido da demanda de mulheres que começaram a sentir a saúde mental se exaurir em meio ao cenário caótico instaurado. Nestes grupos, as demandas são mais direcionadas. Também trocam informações sobre a campanha e argumentos de convencimento, mas em paralelo seguem nutrindo um espaço seguro para depoimentos pessoais e acolhida.

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Vale observar que os encontros estão migrando do universo digital para o offline: seja para panfletar, seja para aprofundar a discussão, os grupos pró-Haddad têm se reunido presencialmente por todos os cantos do país. Além disso, demonstram interesse em continuar na resistência, caso os resultados do próximo domingo lancem Jair Bolsonaro à presidência da república.

E, por mais que pareça impossível, há sim chão comum entre os dois lados: o medo. “É uma constante tóxica. Fala-se de um novo ataque a Jair Bolsonaro, de golpe militar. O medo é a estratégia principal. Quando questionávamos a atuação da Cambridge Analytica nas eleições brasileiras, havia a dúvida de como seria essa atuação aqui, sendo que a grande fonte de fake news é o Whatsapp, e não o Facebook. Houve uma organização da deep web que a transformou numa cidade com ruas, avenidas, prefeitura e delegacia. Quanto mais tivermos acesso ao que está realmente acontecendo, mais podemos nos livrar dessa ansiedade e pensar com lucidez”, explica Varzim.

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Além dos muros

O que fica claro é que os grupos, de alguma forma, mimetizam o próprio tom de seus candidatos: no caso de Bolsonaro, combativo, escuso e, por vezes, violento; do lado daqueles que dizem lutar pela democracia, um espaço mais amplo de discussões, trocas e apoio. Com uma corrida presidencial que a cada dia ganha novas nuances e informações, as redes responsivas vão se adaptando instantaneamente a demandas e acontecimentos externos. É o que aconteceu, por exemplo, imediatamente depois do vazamento do escândalo do caixa 2: “No dia seguinte ao escândalo, os grupos morreram. Parece que realmente desligaram as máquinas”, diz Varzim.

Fica difícil prever as consequências de seu uso deliberado nessas eleições. Talvez ainda demoremos muito para rastrear todas as decorrências dessa esquizofrenia organizada. De bate pronto, o fato de que estamos vivendo um dos momentos mais frágeis da nossa democracia. É lá, nos porões da deep web, às escuras, que estamos tomando a decisão política mais importante dos próximos quatro anos. Temos, agora, poucos dias para entender qual papel gostaremos de interpretar nesse teatro. Ainda há tempo.

*O nome foi alterado a pedido do entrevistado.

Gabrielle Estevans
No Vice
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De onde vem o ódio


MAIS UMA AMEAÇA À NOSSA LIBERDADE

Companheiros/as de luta e resistência:

Que dias difíceis!

Compartilho com vocês e torno público uma ameaça que sofri ontem, 24 de outubro, dentro de minha sala, compartilhada com outros/as professores/as, no Instituto Latino-Americano de Artes, Cultura e História, da UNILA, onde sou professor das disciplinas estudos linguísticos, português língua estrangeira e análise do discurso.

Encontrei sobre minha mesa, pela manhã, um BILHETE AO LADO DE UM PÃO SECO E CAPINS, como vocês podem ver nas imagens. Está escrito: “Real Academia de Letras Socialistas AH = o alemão” [Que alemão?, quem é A.H.?]. Mais tarde fiquei sabendo que, no dia anterior, a quantidade de capim era muito maior na minha sala sala e no corredor de acesso às salas de professores do ILAACH.

Sinto-me no dever moral e ético de registrar esta denúncia aqui e alhures por eu ser um dos alvos notáveis aos ataques de neonazistas, fascistas, simpatizantes/eleitores do torturador confesso por EU ser AFRODESCENDENTE, BAIANO, NORDESTINO, DEFENSOR DE DIREITOS HUMANOS E SOCIAIS, e SEMPRE ao lado das minorias em direitos e sem sorte de privilégios.

Estamos diante de mais um ataque grave ao papel do professor; estive diante de uma ameaça de cunho simbólico que, se não combatido pelas instituições democráticas e policiais comprometidas com a democracia, pode se desmembrar para outros tipos de violência, como a que culminou na morte de Moa do Catendê, ou ainda em outras mortes e agressões nos últimos dias. Etaremos diante de uma barbárie muito maior se nada fizermos agora, se nós nos SILENCIARMOS e fingirmos que um gesto simbolicamente agressivo e violento, como o que vivenciei ontem, é uma brincadeira de mau gosto, e nada mais, porque não o é. NÃO O É!

Estamos diante da tentativa de calar a voz dos docentes, de professores da educação fundamental ao ensino superior, como eles já vêm fazendo contra jornalistas e outros profissionais comprometidos com a defesa das liberdades. A situação é muito preocupante, porque é um ataque à liberdade de pensamento, de crítica, de opinião e de expressão.

Peço a solidariedade e a resistência de vocês reagindo contra este tipo de violência que me apavora, mas não pode me silenciar, porque EXISTIR agora é um ato de RESISTÊNCIA.

Prof Jocenilson Ribeiro - Linguista – UNILA


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Vladimir Herzog — 43 anos — Presente!


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Fórum liga para jovem que espalhava fake news contra Haddad pelo WhatsApp

Ele alegou que seu objetivo era formar os grupos para depois “denunciar fake news”

Foto: Reprodução
A Fórum recebeu denúncias de Fake News que circulam em grupos de WhatsApp envolvendo o candidato Fernando Haddad (PT), entre elas a montagem de uma foto onde o candidato, na imagem original aparece com uma garrafa de bebida e na falsa com um objeto fálico. Entramos em contato com o autor de um dos envios, identificado como Felipe, que alegou ter 26 anos.

Em conversa gravada pela reportagem (ouça abaixo), após ser advertido que estaria espalhando mentiras e isso era crime eleitoral, ele disse que faz parte desses grupos para “denunciar eleitores do Bolsonaro que espalham fake news”. Perguntado se recebia alguma coisa para espalhar as mensagens, insistiu, irritado: “não estou recebendo porra nenhuma, cara, nem sou eleitor do Bolsonaro”, reagiu.

“Isto é um engano. Eu não sou a favor de Bolsonaro nem nada disso. Inclusive eu vou votar no Haddad porque eu não quero esse cara aí, esse cara é um idiota. O intuito do grupo, e eu sou o responsável pelos grupos, é reunir os eleitores do Bolsonaro que ficam compartilhando fake news. Eu posso até te mandar uns ‘prints’ se você quiser comprovando isso. Com isso a gente pretende denunciar os fake news depois”, disse

Apesar de afirmar que pretendia “denunciar as fake news”, ele mesmo compartilhava as mensagens. Perguntado sobre isso, alegou que o grupo é só uma farsa, para atrair eleitores do Bolsonaro e era formado, em sua maioria, por eleitores do Haddad e do Ciro Gomes. “Mas, se você ver algum problema com isso, eu removo o grupo sem nenhum problema, tá? O grupo é só uma brincadeira entre nós mesmos, só espalhamos às pessoas conhecidas”, afirmou.

Perguntado pela reportagem como chegou até nós então, se não nos conhecemos, afirmou que “foi por meio de outros amigos que a gente conhece, cara. Eu infiltrei em outros grupos do Bolsonaro que estavam espalhando fake news, outros eleitores dele estavam compartilhando pra gente denunciar depois”, alegou.

Após algumas discussões sobre crimes eleitorais, Felipe se negou a dar o nome inteiro e disse que passaria à reportagem mensagens falsas que ele tem guardadas, que serviriam para fazer as denúncias. Assim que começou a passar algumas sem importância, alegou que muitas foram apagadas, pois estariam ocupando espaço no seu disco rígido.

Perguntado ainda sobre quantos grupos administrava e quantas pessoas contavam cada um desses grupos, ele se irritou e disse que foi expulso da maioria deles, pois “não aguentei o que eles falavam. Eles acharam que eu era eleitor do PT e me expulsaram.

Todos os grupos que o Felipe passou para a reportagem foram cancelados, exceto um deles que até o encerramento desta reportagem, não havia compartilhado nenhuma fake news.

Ouça a conversa na íntegra abaixo:



No Fórum
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Entre Vistas - Manuela D'Ávila



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Corrente falsa usa até homônimo para inflar processos contra Haddad

Corrente que circula no WhatsApp sobre processos contra Fernando Haddad (PT)
“[Há 22] processos na Justiça de São Paulo contra o candidato do PT, Fernando Nami Haddad, tramitando no Foro Central – Fazenda Pública.” – Corrente sobre o presidenciável Fernando Haddad (PT), que circula no WhatsApp.


Uma imagem que circula pelo WhatsApp atribui a Fernando Haddad (PT) um total de 22 processos em curso no Foro Central – Fazenda Pública do Tribunal de Justiça de São Paulo. Segundo a imagem, o valor das causas chegaria a R$ 2,03 bilhões de reais. Entretanto, há diversos erros na foto compartilhada. O candidato do PT não se chama Fernando Nami Haddad, como consta no papel fotografado. Na verdade, seu nome completo é apenas Fernando Haddad. Tampouco seus pais carregam o sobrenome Nami: sua mãe é Norma Teresa Goussain e, seu pai, Khalil Haddad.

Uma consulta aos 22 processos indicados na lista mostra que em dois processos é citado apenas seu homônimo, Fernando Nami Haddad. Além disso, há dois processos repetidos e um processo cujo número não existe. Dentre os 18 processos em que Haddad é, de fato, parte envolvida, há dez ações julgadas já excluídas. O Truco – projeto de checagem de fatos da Agência Pública – classificou a mensagem como falsa.

Processos excluídos e acusações a homônimo

No momento, Haddad é réu em dois processos no Foro Central – Fazenda Pública do Tribunal de Justiça de São Paulo: o primeiro, por um suposto prejuízo de R$ 5,2 milhões na construção de 12,4 quilômetros de ciclovia; e o segundo pelo suposto recebimento de R$ 2,6 milhões por meio de caixa dois empreendido pela UTC Engenharia na campanha de 2012. Ele é citado ainda em outros 16 no âmbito desse tribunal. O petista acumula algumas derrotas e vitórias parciais nesses processos mas, até o momento, não houve nenhuma condenação definitiva.

No processo 1 e no processo 2 da corrente de WhatsApp é citado apenas Fernando Nami Haddad, um homônimo do candidato petista. O processo 8 não existe sob o número indicado na imagem e o processo 14 apenas repete o número da ação indicada na posição 13.

Os outros 18 processos listados na imagem de fato trazem Fernando Haddad como parte envolvida. No entanto, dez deles (processos 3, 4, 5, 7, 10, 11, 15, 16, 17 e 18) não podem mais ser utilizados para incriminar Haddad, porque foram extintos, rejeitados, julgados improcedentes, abandonados pelos autores ou determinaram a absolvição do ex-prefeito.

Ações ainda em andamento são minoria

Nos oito processos restantes, Haddad ainda pode ser condenado. É o caso da ação de número 6 na lista, que tem relação com a construção de um hospital em área que pode vir a ser ocupada por uma estação de metrô. A ação cível, distribuída em novembro de 2014, tem como acusados o ex-prefeito Fernando Haddad, Osvaldo Spuri, ex-secretário de Infraestrutura Urbana e Obras do município, e a própria Prefeitura de São Paulo. Haddad é requerido secundário. O valor da ação é R$ 10 mil.

Outra ação que ainda corre contra Haddad é a de número 9, na qual é julgado um suposto superfaturamento na venda de salsichas da BRF para a Prefeitura de São Paulo. A venda ocorreu em abril de 2016 e custou R$ 2,14 milhões. O Tribunal de Contas do Município suspeita de irregularidades, mas a Secretaria de Educação alega que o preço mais alto decorre de uma especificação de compra com limitação nos teores de sódio, gordura e conservantes. Um perito foi convocado para analisar os contratos mas o resultado do processo deve sair apenas em 2019. Haddad ainda não é réu.

Já no processo 12 Haddad é réu desde agosto de 2018. Com base em uma denúncia feita pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) em fevereiro de 2016 o ex-prefeito tornou-se réu junto com Jilmar Tatto, ex-secretário municipal de Transportes; Ricardo Teixeira, ex-secretário municipal de Coordenação de Subprefeituras; Valter Antonio da Rocha, ex-chefe de gabinete da Secretaria de Coordenação de Subprefeituras; e a empresa Jofege Pavimentação e Construção. Segundo os procuradores do MP-SP, houve uma série de irregularidades na construção de 12,4 quilômetros da ciclovia Ceagesp-Ibirapuera.

No processo de número 13, movido pelo vereador Paulo Sérgio Abou Anni contra a Prefeitura da Cidade de São Paulo, Haddad e Tatto, os dois acusados foram condenados apenas a pagar as custas do processo. O vereador pede na ação a anulação do procedimento de credenciamento para prestação de serviços de Transporte Escolar Municipal Gratuito (Vai e Volta). A juíza aceitou em partes a denúncia: determinou que a nova gestão da prefeitura deve suspender o modelo atual de contratação e instaurar licitação a partir de agora, sob pena de multa diária, mas isentou Tatto e Haddad de outras responsabilidades.

Na ação 19, empreendida pelo também vereador Gilberto Natalini, é investigada eventual ocorrência de improbidade administrativa relacionada ao esquema de desvio de verbas no âmbito do Teatro Municipal. A ação ainda está em tramitação mas o juiz já concedeu a suspensão dos contratos assinados entre a Fundação Theatro Municipal de São Paulo e a organização social Instituto Brasileiro de Gestão Cultural (IBGC). A IBGC é acusada de favorecer o maestro John Neschling, ex-diretor artístico do Teatro Municipal. A ação envolve ainda outras 13 pessoas, incluindo Fernando Haddad e seu ex-secretário de Comunicação do município, Nunzio Briguglio.

Outra ação relacionada com o esquema do Teatro Municipal, o processo 20, versa sobre enriquecimento ilícito e foi encaminhada pelo Ministério Público. No valor de R$ 129,21 milhões, a ação lista Haddad e outras 17 pessoas físicas ou jurídicas entre os requeridos. O processo, distribuído em fevereiro de 2017, ainda está em tramitação.

Já o processo 21 acusa o Diretório Municipal do PT e, secundariamente, o ex-prefeito Fernando Haddad pelo não pagamento de um serviço de impressão encomendado pelo partido. Empreendido pela gráfica Mar-Mar, a ação de fevereiro de 2018 acusa o partido de não honrar acordo no qual a empresa abria mão de cobrar juros e correção monetária pelo serviço. Na ação a gráfica exige agora multa de 10% e juros, em um valor total de R$ 674,6 mil.

O último processo da lista, movido pelo Ministério Público estadual, acusa Haddad de participar de um esquema de caixa dois da UTC. A denúncia tem como base a delação do empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC. O processo ainda está em tramitação, mas a juíza já determinou, em uma de suas decisões preliminares, que faltam indícios suficientes para bloquear os bens de Haddad.

Patrícia Figueiredo
Da Agência Pública
No Desacato
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Fake news no WhatsApp têm "chip laranja" e nível profissional, diz pesquisa


As fake news em grupos de WhatsApp têm truques para esconder a origem, produção com nível profissional e distribuição organizada por influenciadores. São conteúdos essencialmente difundidos em grupos de apoio ao candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL). É o que mostram as conclusões preliminares de uma pesquisa da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e do grupo INTC (Instituto Nacional de Tecnologia e Pesquisa), que acompanham desde maio grupos a favor do candidato no aplicativo.

Os pesquisadores decidiram pelo estudo após entrevistas com marqueteiros de candidatos – feitas em estudo paralelo –, que apontaram a importância que o aplicativo teria na eleição. Um dos profissionais de campanha indicou, em entrevista anônima, as vantagens do WhatsApp: criptografia garantindo o anonimato das postagens, CEPs para se direcionar mensagens a números específicos e chips laranjas pré-pagos para difusão de conteúdo. Assim, os marqueteiros apontavam a impossibilidade de rastreamento de notícias falsas.

Na semana passada, a Folha de S. Paulo revelou que empresários fecharam contrato com empresas para disparos em massa de WhatsApp em favor de Bolsonaro e contra o PT. A prática é ilegal porque não é permitido a empresas financiar campanhas, nem é legal dar apoio não declarado nas contas oficiais da candidatura. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e a Polícia Federal abriram uma investigação sobre o caso.

Desde maio de 2018, a pesquisa da INTC e da Uerj acompanhou 90 grupos no aplicativo, analisando o conteúdo e o fluxo de informações. Desses grupos, 52 eram conservadores ou ligados diretamente ao presidenciável do PSL; outros 18, de apoio ao PT ou a Fernando Haddad; nove suprapartidários e outros de candidatos já fora da eleição como Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (Rede). Constatou-se, durante o processo, que os grupos ligados a Bolsonaro eram mais ativos e numerosos e, por isso, a pesquisa se concentrou neles.

No monitoramento, percebeu-se um predomínio de ataques contra o PT e pautas anti-esquerda, mais do que apologias ao próprio candidato do PSL. "São muitos tipos de conteúdo. São informações falsas, ou distorcidas. Também chamam para mobilizações. "Vão na enquete do Facebook porque tem uma questão da candidatura." "Vão dar dislike em um artista que declarou apoio a outro candidato." Há também mobilização em relação a veículos de imprensa e seus conteúdos. É uma vacina em relação ao conteúdo da mídia", analisou a coordenadora da pesquisa e professora de comunicação da Uerj Alessandra Aldé.

"Também é visível que o foco em memes e notícias não está relacionado a memes cômicos, mas a memes de denúncia com informações supostamente inéditas que estariam sendo escondidas do público e precisam ser compartilhadas urgentemente", relata a pesquisa.

O estudo constatou alguns pilares de discussões nos grupos de WhatsApp pró-Bolsonaro: modelo de família tradicional e imposição de discussões de gêneros, segurança pública e expansão da "ameaça comunista".

O conteúdo apresentado não tem um formato amador, como poderia se esperar em grupos só de eleitores mobilizados. "A produção de conteúdo não é amadora. Desde maio, antes da campanha, já funcionam com produção profissional. Não é um ou outro conteúdo. São memes, vídeos, imagens", diz Aldé.

Fluxo de informação

Com a impossibilidade de se identificar a fonte originária das notícias falsas, a pesquisa conseguiu identificar que há números de telefones mais ativos na distribuição das fake News (notícias falsas veiculadas como se fossem verdadeiras) e também na coordenação de grupos. E, entre esses perfis mais influenciadores, uma a cada 30 mensagens são enviadas de números do exterior, o que pode ser usado para disfarçar a origem das notícias.

Esses influenciadores têm participação em mais de um grupo do WhatsApp ligado a Bolsonaro, atuando como conexão entre eles. "Embora as interconexões entre grupos estejam bem espalhadas, as postagens dentro de cada grupo mostram uma lógica extremamente concentrada em torno de pessoas muito ativas, em que muitos apenas reagem e a maioria observa", analisa pesquisa.

"Alguns números (de telefone) têm peso nesta distribuição e são os que mais se manifestam. A maioria não se manifesta. Mas essa maioria tem um papel na distribuição para outros grupos. Tem gente controlando o fluxo dessa distribuição. Estão sempre pedindo: 'Distribui no grupo de trabalho, na família'", conta Aldé.

Um exemplo: o estudo acompanhou a difusão de uma notícia falsa relacionada à suposta fraude nos resultados das urnas onde teria havido uma anulação em massa de 7,2 milhões de votos. Difundida principalmente em 10 de outubro, após o primeiro turno, esta notícia atingiu 41 grupos de WhatsApp, todos ligados a Bolsonaro. Foi compartilhada 202 vezes dentro dos grupos, não tendo atingido nenhum dos apoiadores de outros candidatos.

A pesquisadora Alessandra Aldé ressaltou que, para além da organização de influenciadores, os apoiadores de Bolsonaro têm uma participação bem mais ativa nas redes sociais há bastante tempo, o que compensa a falta de capilaridade do PSL. "Bolsonaro vem trabalhando bastante nesta questão da internet há tempos. É um fenômeno de internet e tem um grande número de apoiadores", disse ela.

Campanha vinculada

Dentro do ambiente dos grupos pró-Bolsonaro, além de ataques a adversários, houve pedidos de votos vinculados em deputados estaduais, federais e senadores. A pesquisa da Uerj e INTC constatou que "santinhos" virtuais estavam circulando dentro do grupo.

Além dos candidatos do PSL, foram verificadas indicações também para candidatos como Wilson Witzel (PSC) ao governo do Rio de Janeiro. "Com certeza teve em relação ao Witzel aqui no Rio. Vem a listinha de senadores e governadores. Às vezes há questionamentos de os indicados não serem do PSL que é o partido do Bolsonaro. Mas os influenciadores, acho que podemos chamar assim, dizem que neste estado o PSL não lançou candidato", afirmou Aldé.

Rodrigo Mattos
Do UOL
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Não adianta pedir desculpas daqui a 50 anos


Ninguém poderá dizer que não sabia. É ditadura, é tortura, é eliminação física de qualquer oposição, é entrega do país, é domínio estrangeiro, é reino do grande capital, é esmagamento do povo. É censura, é fim de direitos, é licença para sair matando.

As palavras são ditas de forma crua, sem tergiversação - com brutalidade, com boçalidade, com uma agressividade do tempo das cavernas. Não há um mísero traço de civilidade. É tacape, é esgoto, é fuzil.

Para o candidato-nojo, é preciso extinguir qualquer legado do iluminismo, da Revolução Francesa, da abolição da escravatura, da Constituição de 1988.

Envolta em ódios e mentiras, a eleição encontra o país à beira do abismo. Estratégico para o poder dos Estados Unidos, o Brasil está sendo golpeado. As primeiras evidências apareceram com a descoberta do pré-sal e a espionagem escancarada dos EUA. Veio a Quarta Frota, 2013. O impeachment, o processo contra Lula e sua prisão são fases do mesmo processo demolidor das instituições nacionais.

Agora que removeram das urnas a maior liderança popular da história do país, emporcalham o processo democrático com ameaças, violências, assassinatos, lixo internético. Estratégias já usadas à larga em outros países. O objetivo é fraturar a sociedade, criar fantasmas, espalhar medo, criar caos, abrir espaço para uma ditadura subserviente aos mercados pirados, às forças antipovo, antinação, anticivilização.

O momento dramático não permite omissão, neutralidade. O muro é do candidato da ditadura, da opressão, da violência, da destruição, do nojo.

É urgente que todos os democratas estejam na trincheira contra Jair Bolsonaro. Todos. No passado, o país conseguiu fazer o comício das Diretas. Precisamos de um novo comício das Diretas.

O antipetismo não pode servir de biombo para mergulhar o país nas trevas.

Por isso, vejo com assombro intelectuais e empresários se aliarem à extrema direita, ao que há de mais abjeto. Perderam a razão? Pensam que a vida seguirá da mesma forma no dia 29 de outubro caso o pior aconteça? Esperam estar livres da onda destrutiva que tomará conta do país? Imaginam que essa vaga será contida pelas ditas instituições --que estão esfarrapadas?

Os arrivistas do mercado financeiro festejam uma futura orgia com os fundos públicos. Para eles, pouco importam o país e seu povo. Têm a ilusão de que seus lucros estarão assegurados com Bolsonaro. Eles e ele são a verdadeira escória de nossos dias.

A eles se submete a mídia brasileira, infelizmente. Aturdida pelo terremoto que os grandes cartéis norte-americanos promovem no seu mercado, embarcou numa cruzada antibrasileira e antipopular. Perdeu mercado, credibilidade, relevância. Neste momento, acovardada, alega isenção para esconder seu apoio envergonhado ao terror que se avizinha.

Este jornal escreveu história na campanha das Diretas. Depois, colocou-se claramente contra os descalabros de Collor. Agora, titubeia - para dizer o mínimo. A defesa da democracia, dos direitos humanos, da liberdade está no cerne do jornalismo.

Não adianta pedir desculpas 50 anos depois.

Eleonora de Lucena
No fAlha
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Aos indecisos, aos que se anulam, aos que preferem não

O maior delírio vivido hoje no Brasil é o da “normalidade”


“Distopia simulada”. Esta foi a expressão usada por Luis Felipe Salomão, ministro do Superior Tribunal Eleitoral, para justificar a proibição do programa de Fernando Haddad em que era mostrada a apologia de Jair Bolsonaro à tortura e aos torturadores. O programa de Haddad, ao mostrar o que Bolsonaro diz e faz, nas palavras do ministro, “pode criar, na opinião pública, estados passionais com potencial para incitar comportamentos violentos”. A questão, para o ministro, não é o que Bolsonaro diz e faz, mas que as pessoas possam escutar o que ele diz e ver o que ele faz. E se posicionar a partir do que ele efetivamente diz e faz. Ou seja, se posicionar a partir da realidade dos fatos.

O problema do ministro é que o eleitor possa pensar algo lógico como: “Não posso votar num homem que defende a tortura e tem como herói um torturador que colocava fios desencapados na vagina das mulheres e depois chamava seus filhos pequenos para ver a mãe nua, urinada e vomitada”. Não, o ministro entendeu que precisava vetar a realidade factual para que o eleitor, ao conhecer os fatos, não tenha a estranha reação de pensar sobre eles.

O risco da violência, para o ministro, estaria naqueles que sentem medo, não nos que provocam medo. Pensar que o Brasil quase certamente vai eleger um homem que defende a tortura e tem como herói Carlos Alberto Brilhante Ustra poderia assustar a população. E o ministro acha que não há motivo para a população se assustar.

Vale a autoverdade do ministro, o que ele escolheu que é real e o que ele escolheu que é “simulado”. A verdade, assim como a realidade, tornou-se uma escolha pessoal.

Estamos ferrados. Não apenas porque um ministro do TSE diz que é simulado aquilo que é real, mas porque este tem sido o comportamento de uma grande parcela das instituições e também da imprensa. Simula-se no Brasil que a distopia não é real. E se faz isso simulando que esta é uma eleição “normal”, uma eleição entre dois projetos distintos, mas igualmente legítimos.

Não é.

Esta é uma eleição em que um candidato tem um projeto democrático e o outro nega a própria democracia

Esta é uma eleição em que um candidato, Fernando Haddad, por mais ressalvas que se possa ter a ele e ao seu partido, tem um projeto democrático, e o outro candidato, Jair Bolsonaro, nega a democracia.

É estranho disputar uma eleição e ao mesmo tempo negar a democracia? É estranho. Esta é uma das contradições da democracia, e ela se expressou diversas vezes ao longo da história e se expressa com muita força nos dias atuais, com exemplos como Rodrigo Duterte, nas Filipinas, e Recep Tayyip Erdogan, na Turquia.

No Brasil, uma grande parcela daqueles que deveriam servir de referência, tanto instituições como indivíduos, por várias razões não têm se mostrado à altura do momento de extrema gravidade vivido pelo Brasil. Outros preferem não se arriscar à fúria dos apoiadores de Bolsonaro hoje, à perseguição do homem que terá toda a máquina do Estado em suas mãos amanhã. Só o farão quando for impossível não fazê-lo, e com o menor custo possível.

Isso significa que você, nós, estamos por nossa própria conta neste momento. Por conta das alianças que conseguirmos fazer para resistir ao que virá e seguir a luta pela democracia. Bolsonaro já disse, no último domingo, que aqueles que não vivem segundo seus preceitos, “vão pra fora (do Brasil) ou vão pra cadeia”. Exatamente o que aconteceu na ditadura civil-militar (1964-1985) que ele tanto exalta.

Bolsonaro chama gente como eu e você, que lutamos pelos direitos humanos, pela igualdade e pelo meio ambiente, de “comunistas”. Como as palavras se esvaziaram de sentido no Brasil, qualquer coisa, até o meu abajur, pode ser chamada de “comunista”. O comunismo, que não tem mais nenhuma relevância no mundo, só sobrevive na boca de gente como Bolsonaro.

No governo autoritário anunciado por Bolsonaro, quem tem o poder e terá o aparato de repressão na mão pode dizer o que somos eu e você

Mas, assim como o ministro pode dizer o que é real e o que é simulado, Bolsonaro também pode dizer que eu e você somos “comunistas”. Quem tem o poder e terá o aparato de repressão na mão poderá também dizer o que somos eu e você. A verdade, num governo autoritário, passa a ser a daquele que tem a arma na mão e o pau de arara no porão para impô-la. E, então, como Bolsonaro já anunciou no último domingo: “Esses marginais vermelhos serão banidos de nossa pátria”. E acrescentou: “Será uma limpeza nunca vista no Brasil”.

Esta é a candidatura que tem sido tratada como opção democrática —e a eleição que tem sido tratada como “normal”.

É a história se repetindo? É. E também não é.

Porque é a história se repetindo sem precisar botar os tanques na rua, é a história se repetindo pelo voto da maioria dos eleitores brasileiros. E, sim, é preciso dizer, pela omissão daqueles que votam nulo, branco ou se abstêm de votar. Assim, é a história se repetindo de um jeito muito pior.

A única coisa que está sendo simulada, neste momento, pela maior parte das instituições e da imprensa, é a normalidade

Quero dizer claramente que, sim, é preciso ter muito medo. É mentalmente saudável ter medo quando um homem como Bolsonaro quase certamente terá o poder no Brasil. A única coisa que está sendo simulada, neste momento, pela maior parte das instituições e da imprensa, é a normalidade. Não há nada de normalidade democrática no que estamos vivendo. Nada. Bolsonaro não é um democrata. Não é preciso que eu ou outros tantos digam mais uma vez quem ele é. Ele mesmo diz. O tempo todo. Basta que você escute.

Além do delírio coletivo da normalidade, também é enlouquecedora a frase recorrente de alguns: “Ah, mas ele não vai fazer isso”. E o “isso” são todas as atrocidades que ele vem proferindo há anos e também nesta campanha. Todas as atrocidades que ele disse no último domingo. Por que Bolsonaro não faria o que diz que fará e não seria o que é? Há alguma razão lógica para isso? Há algum fragmento de sentido em duvidar do que ele já avisou que fará, como essa “faxina” no país, tratando uma parte da população como lixo que deverá ir para o exílio ou será presa?

Entre os tantos absurdos que Bolsonaro falou no último domingo, está o seguinte: “O Brasil será respeitado lá fora. O Brasil não será mais motivo de chacota junto ao mundo”. Bolsonaro delira porque sabe que pode delirar à vontade. Ele sabe que pode criar sua própria verdade.

Bolsonaro já tornou o Brasil uma vergonha planetária

A imprensa internacional trata Bolsonaro como o horror que ele efetivamente é. O Brasil se tornou o espanto do mundo. Em qualquer país onde se vá as pessoas perguntam como os brasileiros são capazes de eleger um homem como Bolsonaro. Nos tornamos uma vergonha planetária. E, se alguém acha que a crise econômica vai ser resolvida por um homem com as credenciais de Bolsonaro, não está prestando atenção nos sinais. Bolsonaro é um constrangimento de proporções continentais.

Não é de hoje que o Brasil parece viver em permanente delírio. Mas, neste momento, o delírio alcançou uma dimensão sem precedentes. Pessoas afirmando e escrevendo que não há risco de um governo autoritário? Colunistas dizendo que as instituições no Brasil são fortes e que o sistema de pesos e contrapesos vai funcionar? Em que país essas pessoas vivem?

Não no meu ou no seu. Não no país em que Bolsonaro faz apologia à tortura e aos torturadores, que diz que vai prender, expulsar e “limpar”, e nenhuma instituição o impede. Não no país em que Marielle Franco foi assassinada e onde nenhuma instituição tem força suficiente para nomear os assassinos e mandantes e julgá-los. Não no país em que o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, já se submete aos militares por vontade própria, ao fraudar a história dizendo que a ditadura não foi ditadura, mas um “movimento”.

A vida do país não se passa em salas protegidas. Apenas a probabilidade de Bolsonaro se eleger já faz vítimas pelo Brasil. Negros, mulheres, LGBTQ. As minorias, que Bolsonaro diz que tem que se “se curvar às maiorias ou desaparecer”, têm sido ameaçadas nos espaços públicos. “Você vai ver depois do dia 28” se vai poder andar assim, se vestir assim, ser assim... é o tom das ameaças verbais, quando elas não se tornam também físicas. Há muita gente, neste momento, sem saber como colocar seu corpo nas ruas do Brasil depois de uma vitória de Bolsonaro. Com medo. Saudavelmente com medo.

O horror já se infiltrou nos ossos do Brasil porque as instituições são fracas, as autoridades incapazes e parte das elites acredita no delírio da “normalidade”

Na Amazônia, onde tudo acontece primeiro, a violência recrudesceu. Carros dos fiscais do IBAMA foram queimados, e a ponte da única estrada de acesso por onde funcionários do ICMBio passariam, durante uma ação de combate ao desmatamento, foi incendiada. A violência contra os órgãos governamentais ecoa a declaração de Bolsonaro de que acabaria com “a indústria de multas”. “Vamos botar um ponto final em todos os ativismos do Brasil. Vamos tirar o Estado do cangote de quem produz”, prometeu, referindo-se aos órgãos que protegem o meio ambiente. Intimamente ligado à bancada ruralista, Bolsonaro já deixou claro que quer abrir a Amazônia, incluindo as áreas protegidas, para a soja, o boi e a mineração. Ele tem ainda uma rixa particular com o Ibama, porque foi multado pescando em área proibida, dentro de uma unidade de conservação. E nunca pagou a multa aos cofres públicos.

Não existe risco de horror? O horror já se infiltrou nos ossos do Brasil. Já estamos vivendo sob o horror, exatamente porque as instituições são fracas, as autoridades incapazes e a parcela supostamente mais esclarecida das elites têm preferido acreditar num delírio de normalidade.

Não é que vai acontecer. Ou que pode acontecer. Já está acontecendo.

A reação da maioria dos candidatos derrotados no primeiro turno é mais uma mostra da fragilidade da democracia brasileira. Ciro Gomes, Marina Silva e Geraldo Alckmin envergonharam a si mesmos e traíram a confiança de seus eleitores. Apoiar o único projeto democrático do segundo turno deveria ser imperativo ético, não opção. Como políticos e cidadãos, deveriam estar fazendo campanha desde o dia seguinte ao primeiro turno, lado a lado. Mágoas, disputas, cálculos, tudo isso deveria estar adiado diante do risco de Bolsonaro ser eleito no domingo.

Os principais políticos do país, que poderiam e deveriam mostrar grandeza, se revelaram tragicamente aquém do momento histórico. Fernando Henrique Cardoso despencou da própria biografia. O Brasil descobriu-se à beira do abismo sem um único estadista. Não há nem mesmo um político de expressão capaz de botar as necessidades do país acima das suas. Parecem todos adultos infantilizados, fantasiando seu rancor e suas picuinhas com palavras sofisticadas.

Jair Bolsonaro será o valentão da escola com um exército e todo o aparato de repressão, em especial as PMs dos estados, cultuando-o como um “mito”

O Brasil está vivendo um dos mais graves momentos da sua história. Jair Bolsonaro é tudo que sabemos que ele é e também um homem incapaz de se controlar. Este homem que não se controla quase certamente estará no comando do país. Jair Bolsonaro não consegue se controlar e fingir ser um democrata nem mesmo na confortável posição de liderar as pesquisas. É fácil imaginar o que fará com poder presidencial. O próximo presidente poderá ser um descontrolado cheio de ódio num país já devastado por várias crises. Jair Bolsonaro será o valentão da escola com um exército e todo o aparato de repressão, em especial as PMs dos estados, cultuando-o como um “mito”.

Há algo que o Brasil já perdeu. E que vai custar muito para recuperar. Com Bolsonaro ou sem Bolsonaro, descobrimos que vivemos num país em que a maioria dos brasileiros acha possível votar num homem como Bolsonaro. Sem nenhum drama de consciência, compactuam com todo o ódio que ele produz, são cúmplices do desejo de exterminar aqueles que são diferentes, apreciam as ameaças e os arrotos de poder, exaltam a ignorância e a brutalidade.

É pelo que o Brasil já perdeu que a gravidade deste momento talvez seja maior do que a que se desenhava no golpe de 1964 e, com o AI-5, em 1968. Desta vez, há um apoio explícito de uma parcela significativa dos brasileiros ao projeto autoritário. Um apoio explícito pelo voto. Uma parcela dos seguidores de Bolsonaro já decidiu agradar ao “mito” perpetrando a violência nas ruas. Claramente estimulados e incitados pelos seus discursos de ódio e de expulsão de uma parcela da população, na qual estamos eu e talvez você, decidiram eles mesmos arrebentar e oprimir. Assim, desta vez, a violência pode vir de qualquer lugar. Até mesmo do vizinho.

Há algo que o Brasil já perdeu. Mas a eleição ainda não está totalmente perdida.

Quem acompanha meus artigos de opinião sabe o quanto sou crítica ao governo do PT. Critico o PT desde antes de a maioria criticar o PT. Sem deixar de reconhecer os acertos, critico o PT por várias razões e porque cubro, como repórter, o processo da construção da hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, um crime que manchará para sempre as biografias de Lula e de Dilma Rousseff. E que seguirei documentando. Posso afirmar que fiz algumas das mais duras críticas ao partido, a Lula e à Dilma Rousseff, críticas que considero justas e baseadas em fatos checados e apurados. Tudo o que escrevi nos últimos anos está na internet para quem quiser ler.

Para mim não é fácil votar no PT. Para mim também não é fácil expor o meu voto. É a primeira vez que eu o faço publicamente. E o faço porque compreendo a gravidade deste momento histórico. Faço porque entendo que este não é um voto para um candidato ou para um partido. Mas sim um voto contra a opressão, um voto em defesa de tudo aquilo pelo qual lutei a minha vida inteira, um voto em defesa de todos os princípios que fizeram de mim uma jornalista.

Em momentos-limite como o que vivemos, cada um de nós precisa fazer escolhas difíceis, escolhas em que sempre se perde muito. Nasci e cresci na ditadura que Bolsonaro exalta e iniciei no jornalismo já com a retomada da democracia. Sempre me perguntei se eu seria capaz de sustentar os meus princípios, a despeito de todos os riscos, caso o país pudesse, mais uma vez, ser oprimido por um regime de exceção. Fazia isso como um exercício mental, mas nunca supus que chegaríamos a este ponto novamente, e com ainda mais gravidade. Acredito que o fato de ter conquistado uma voz durante 30 anos de jornalismo me confere uma responsabilidade. E espero estar à altura desta responsabilidade.

Quem acompanha esta coluna de opinião sabe também que eu costumo defender que votar em branco, anular o voto ou se abster é posição. Acredito que o “voto útil” ou o “voto crítico” também nos trouxe até este momento dramático. Sigo acreditando que anular o voto, votar em branco ou não votar é posição política legítima quando se trata de dois projetos dentro da democracia.

Votar em branco, anular o voto ou deixar de votar não é posição neste momento, mas omissão. E omissão é um tipo de ação

Mas tenho convicção de que, neste momento, quando o que está em jogo é a própria democracia, porque o projeto de Jair Bolsonaro nega os fundamentos democráticos, votar em branco, anular o voto ou não votar está fora do campo das possibilidades. Votar em branco, anular o voto ou deixar de votar não é posição neste momento, mas omissão. E omissão é um tipo de ação. Neste momento, o pior tipo de ação possível.

Não tenho mais o que dizer a alguém que vota num homem que faz apologia à tortura e aos torturadores, que incita o ódio e que quer acabar com uma parte da população brasileira. Minhas palavras nunca chegarão àqueles que acham possível ter um presidente como Jair Bolsonaro. Mas talvez minhas palavras possam chegar àqueles que odeiam o PT. E possam compreender, como eu mesma precisei compreender, que este não é um voto no PT. E que este voto, mesmo não sendo no candidato e no partido que desejaríamos, seja talvez o voto mais importante desde que recuperamos o direito de votar. É um voto pelos princípios da humanidade, é um voto pela vida dos mais frágeis, é um voto por seguir existindo neste país.

Eu aprendo com as pessoas que escuto. E escolhi escutar como repórter as pessoas mais frágeis. E também as pessoas mais frágeis que resistem. Se para mim era extremamente difícil votar no PT, e não votei no PT no primeiro turno, como seria para aqueles que tiveram a vida destruída pela política do PT para a Amazônia?

Perguntei então a três ribeirinhos do Xingu que foram expulsos por Belo Monte como votariam e como se sentiam a respeito do seu voto. Os três tiveram suas ilhas ou terras afogadas, dois deles adoeceram seriamente, um deles teve a casa queimada com tudo dentro, outro não conseguiu nem mesmo impedir que os ossos do pai fossem submersos e para sempre desaparecidos, todos perderam a vida que conheciam e amavam, assim como a própria possibilidade de sobrevivência. De homens e mulheres da floresta se tornaram pobres urbanos em uma das cidades mais violentas do Brasil. Tornaram-se refugiados em seu próprio país, destituídos de tudo, até mesmo da própria identidade.

Se eles são capazes de superar todo o sofrimento para fazer o que é certo, eu e você também podemos

Os três me disseram, sem hesitação, que votariam contra Bolsonaro. Eles compreendem que algo maior que a sua própria vida está em jogo. Se estas pessoas, que perderam tudo por uma obra de Lula e de Dilma, são capazes de compreender o momento histórico vivido pelo Brasil e superar todo o seu sofrimento e sua justa revolta para fazer o que é certo, entendo que eu também posso. E acredito que você também.

É de um deles a frase que me inspira:

— Eu vou votar no PT para que resolvam a merda que fizeram!

Eliane Brum é escritora, repórter e documentarista. Autora dos livros de não ficção Coluna Prestes - o Avesso da Lenda, A Vida Que Ninguém vê, O Olho da Rua, A Menina Quebrada, Meus Desacontecimentos, e do romance Uma Duas. Site: desacontecimentos.com Email: elianebrum.coluna@gmail.com Twitter: @brumelianebrum/ Facebook: @brumelianebrum
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