24 de out. de 2018

Bolsonaro e falanges anunciam há anos o que farão... E é isso aí...


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Eleição fraudada pelas fake news?


Vamos tentar produzir um pouco de teoria no meio de tanta insanidade e loucura acumulada. Entendo que estamos vivendo um momento ímpar. Por um lado, os efeitos da Operação Lava-Jato, onde houve punição com alguma efetividade, mas evidentemente, seletiva. Se compararmos os índices de corrupção nos governos anteriores, proporcionalmente, o PT "roubou menos", e tem menos correligionários acusados.

Mas, como a legenda do ex-presidente vinha de uma trajetória dos anos '80, sendo nutrida por bases sociais concretas, fruto do gigantesco esforço no trabalho dos núcleos de base e do conjunto de pastorais, isso pegou muito, mas muito mal.

Outra fonte de incômodo era a relação orgânica - e por vezes de dirigismo - dos mais potentes movimentos sociais no Brasil com o PT. Por treze anos e meio, uma parcela importante da elite brasileira e frações de classe dominante foi engolindo seco, em função do governo de coalizão e do crescimento econômico do típico jogo do ganha ganha do lulismo. Cresce a economia, fortalecem o capitalismo brasileiro e melhoram as condições materiais de vida da maioria dos brasileiros. Foi o mote perfeito.

A culpa política viria junto com a decepção de uma ex-esquerda que deveria se portar de modo diferente das oligarquias contra as quais essa legenda foi criada. A Lava-Jato caiu em peso, e criminaliza o sistema político, e a conta cai em cima do PT e não necessariamente sobre todas as oligarquias.

Mas, como uma legenda do ex-presidente vinha de uma trajetória dos anos '80, sendo nutrida por bases sociais concretas, fruto do gigantesco esforço no trabalho dos núcleos de base e do conjunto de pastorais, isso pegou muito, mas muito mal.

Além do peso de corrupção sobre a legenda - e paga o preço quase sozinha - vem a crise econômica, isso agindo sobre uma população que estava acostumada a algum benefício e agora sente a frustração do consumo que retrocedeu. A economia rasteja e a paciência da população é quase nenhuma.

Foram quatro anos de pregação ultraliberal e ultraconservadora. Os Estados Unidos e sua doença vinda do Partido Republicano pós-Obama chegou ao país. A gente que vive dando a cara na mídia se surpreendeu como de um momento para outro, institutos defensores do ultraliberalismo e das políticas ultraconservadoras começaram a aparecer nos mesmos programas de rádio e TV das mídias regionais.

Se exigia um ponto e contraponto e pouco importava se o debatedor mais à direita tinha nível intelectual ou reputação acadêmica a zelar. Ao contrário, quanto mais absurda a fala, mais prestígio o energúmeno teria com seus pares e, o mais importante, seus financiadores.

Bem, imbecil por imbecil, o político que há mais tempo imbeciliza suas audiências e se associa aos "adoradores do bezerro de ouro", é quem? Qual o homem que se diz "cristão" e não tem vergonha alguma em defender o nome de um torturador diversas vezes, incluindo na votação do golpe parlamentar com apelido de impeachment da presidente Dilma, em abril de 2016? Pois é....

E as Fake News?

Há uma correlação entre Brasil 2018 e EUA 2016. Lá como cá já ocorreu de tudo. Houve invasão de perfis do Facebook e compra de espaço em redes sociais. Lá, com recursos da Rússia, dentre outras potências, e aqui, com a suspeita de financiamento empresarial ilegal, disparando uma quantidade absurda de emails. Como o Brasil diminuiu o horário eleitoral, o peso das redes sociais é gigantesco. Infelizmente, o debate público sai muito prejudicado favorecendo sistemas de crenças controlados.

Esta rejeição é uma soma de desencanto e apatia social estimulada. Entendo que é a soma da rejeição ao sistema político, ainda que de forma equivocada; o reforço dos sistemas de crenças manipulados pelas empresas de exploração da fé alheia caracterizadas nas "igrejas" neopentecostais e também um trabalho de reforço do conservadorismo brasileiro. As relações sociais violentas reforçam a noção de pouco valor a vida das pessoas mais comuns do país. Parece com a soma de todos os medos? Sim, é isso mesmo. E mais.

As redes sociais formaram a base eleitoral nacional do favorito Jair Bolsonaro. Desde a convenção do Partido Progressista (PP) de 2014, quando o então deputado federal pelo partido herdeiro da ARENA tentou se lançar como candidato próprio da legenda, foi negada a vaga para fazer acordo com a reeleição de Dilma e Bolsonaro. Desde então, o clã Bolsonaro trabalha sua própria rede de redes sociais e vêm ampliando sua base social do interior próspero – seguindo a rota da soja e os migrantes sulistas – para as Regiões Metropolitanas. A escolha de Fernando Haddad se deu como herdeiro do ex-presidente Lula, mas o favoritismo como alguém sem estrutura partidária, Bolsonaro, se deu pela sedimentação de sua imagem, seu proselitismo de extrema direita e conservantismo social e as alianças com as bancadas temáticas e as igrejas neopentecostais.

As redes sociais mudaram a forma de perceber a política e porque não, de fazer a política? Sim mudaram. Hoje a maior parte das pessoas, a maior parte do eleitorado se “informa” através de redes sociais e em especial pelo aplicativo do Whatsapp. Assim, em suposto círculo de autoconfiança, ou ainda na manipulação do algoritmo de plataformas de interação (como o Facebook), milhões de brasileiras e brasileiros são atingidas por uma comunicação direcional, em espiral e em rede. Logo, a manipulação e o envio em escala empresarial do que seria uma comunicação ponto-ponto e não ponto-massa, atingem a eleição e afeta os resultados eleitorais.

Mas isso começou agora ou já havia manipulação no período anterior? Já acontecia sim, mas o controle era por algumas empresas e lobbies. O que ocorre hoje é que as instituições sociais – como “igrejas empresariais” – e a coletânea de celebridades e subcelebridades cibernéticas operam como “filtro” nos emissores, trazendo uma situação absurda onde a falsificação da verdade se torna a nova verdade. A diferença é o formato de manipulação e a dificuldade de responsabilizar. No período anterior, como no debate do segundo turno entre Collor e Lula, houve evidente manipulação de cenário e de edição final. Agora, trata-se de envio de milhões de mensagens unidirecionais explorando fraquezas ideológicas ou percepções de valores negativos, como por exemplo, no direito à liberdade de gênero.

Para piorar, vale ressaltar que os índices de leitura e a carga de compreensão conceitual são cada vez menores, inversamente proporcionais à carga simbólica circulante no país.

O cenário da desgraça?

O cenário estava pronto: quatro anos de Lava-Jato direcionada; discursos de ódio e relativismo; mentiras históricas e negação dos horrores da ditadura, do holocausto e da escravidão; imitação barata do pior dos Estados Unidos e, o apoio de empresários predadores e Fariseus difusores da Teologia da Prosperidade.

A soma de gente sem vergonha e blasfemadores profissionais tinha de resultar em uma desgraça nacionalizada. E a fraude?

Eis que chegamos ao processo eleitoral, com uma campanha mínima, horário eleitoral reduzido e o atentado contra o candidato que de azarão se transformou em favorito, justamente retirando-o dos debates e embates de falar em público. Nos primeiros dias de hospitalização, a cada momento em que o vice abria a boca, mais uma polêmica e crise. A campanha, aparentemente sem comando, estava acuada diante das mulheres brasileiras e a campanha do Ele Não.

É no fim de semana de 29 de setembro de 2018, quando as marchas das mulheres superaram em convocatória - e muito - as de apoiadores ao Coiso que a máquina do Whatsapp foi disparada.

Somando aos constrangimentos das empresas a seus funcionários, ao menos 150 foram flagradas e sofreram alguma observação do Ministério Público Eleitoral, o enxame de gafanhotos ideológicos corroeu a base de legitimidade da campanha.

Não dá para ter noção do alcance destas mensagens, pois os números não são precisos. Seriam ao menos 1500 grupos de Whatsapp, a maior parte deles hospedados fora do país. Segundo matéria da Folha de São Paulo, de autoria de Patrícia Campos Mello, houve compra de serviços de envio de mensagens e pacotes de dados. Estes seriam pagos por empresas e não declarados como apoio de campanha. Logo, estaria caracterizado um crime eleitoral.

O emprego de mensagens sem debate público, e objetivando redes previamente organizadas e com influência direta de conglomerados econômicos de exploração da fé alheia, operam como fraude da campanha eleitoral. Logo, sem debate público e abuso de poder econômico, além de financiamento não declarado, estamos diante do que?

Bruno Lima Rocha é pós-doutorando em economia política, doutor e mestre em ciência política; professor de relações internacionais e de jornalismo.
No GGN
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Advogada questiona conteúdo da entrevista sobre caso da Suástica tatuada no corpo da mulher


Diante da divulgação de laudo pericial do Instituto Médico Legal (IML) referente ao ataque sofrido por uma jovem de 19 anos no último dia 8, em Porto Alegre, quando teve gravada no corpo uma suástica nazista, cabe esclarecer o seguinte:

1 – O teor do laudo assinado pelos peritos reafirma a convicção da defesa de que a jovem foi vítima de um ataque, conforme testemunhado por ela à Polícia Civil.

Atesta o laudo no item 3 – Conclusões:

“(…) As lesões verificadas apresentam, portanto, características compatíveis com as de lesões autoinflingidas, embora não haja, a partir exclusivamente dos resultados do exame de corpo de delito, elemento de convicção para se afirmar que efetivamente foram autoprovocadas. Nesse sentido, pode-se afirmar que as lesões foram produzidas: ou pela própria vítima ou por outro indivíduo com o consentimento da vítima ou, pelo menos, ante alguma forma de incapacidade ou impedimento da vítima em esboçar reação.”

Nota-se que a perícia não descarta a hipótese de as lesões terem sido causadas por outro indivíduo, inclusive mediante incapacidade de defesa da vítima.

Isto apenas comprova o teor do depoimento da vítima, que não esboçou reação durante o ataque e sofreu estresse pós-traumático, situação que se mantém até o momento.

2 – O laudo divulgado nesta quarta-feira não representa o fim das investigações; a defesa da vítima ainda espera que sejam apresentadas imagens de câmeras de segurança e ouvidos depoimentos de pessoas que prestaram auxílio à jovem atacada.

Qualquer conclusão antes de esgotada a avaliação de todos os elementos possíveis é precipitada e pode não representar a realidade dos fatos.

3 – Em respeito à privacidade da vítima, neste momento a defesa não fará novas manifestações.

4 – A defesa confia na apuração verídica dos fatos e aguarda a conclusão das investigações para a comprovação da verdade dos fatos.

Gabriela Souza Advocacia para Mulheres
OAB 85.899

Luíz Müller
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Bolsogatas, pessoas de bem e machões: antropóloga classifica 16 tipos de bolsonaristas

Pesquisa etnográfica revela quem são e o que pensam os eleitores e simpatizantes de Jair Bolsonaro

Ilustração: Felipe Pessanha

Nos três últimos anos, a antropóloga Isabela Oliveira Kalil tem se dedicado a uma extensa pesquisa que traçou 16 perfis de eleitores e simpatizantes do candidato Jair Bolsonaro (PSL). “Quem são e no que acreditam os eleitores de Jair Bolsonaro” é o título do estudo que, junto a sua equipe, ela desenvolveu analisando manifestações e protestos nas ruas de São Paulo. Nessa investigação foram ouvidas mais de 1000 pessoas, considerando o que elas repudiam e o que desejam ou imaginam para o futuro do país nas esferas política e sócio-econômica. A pesquisa também considera os dados obtidos em redes sociais, grupos de WhatsApp e outras plataformas.

Professora e coordenadora do Núcleo de Etnografia Urbana (NEU) da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), Isabela fez um estudo que revela a multiplicidade no padrão de eleitores e também a estratégia de comunicação do candidato, que se baseou em segmentar as informações para os diferentes perfis de potenciais eleitores. Ao fazer isso, a figura do “mito” assume diferentes formas, se adaptando às diferentes aspirações de seus apoiadores, estratégia de comunicação similar à de Donald Trump.

Entre os 16 perfis analisados, estão as “pessoas de bem”, nerds conservadores, militares, " bolsogatas" e os da masculinidade viril, sendo este último um dos que mais chamam atenção pelo apoio prestado desde a pré-campanha e por terem — apoiados numa masculinidade violenta — o vislumbre do porte de armas como solução de problemas. Homossexuais conservadores que se consideram gays de direita porque “são pessoas direitas”, meritocratas com seu antipetismo e desprezo por pautas como homofobia e machismo, líderes religiosos e periféricos de direita também foram alguns dos perfis identificados pela pesquisa. Até monarquistas foram listados.

Conversamos com Isabela para saber mais sobre esse trabalho e esclarecer questões que nos levam a entender um pouco mais os porquês de todo esse recente fortalecimento de Bolsonaro e seus colegas da extrema direita no Brasil.

Leia também o estudo completo no site do NEU. Ou baixe o arquivo diretamente no link.

Qual foi a metodologia e o processo de produção dessa pesquisa?

Isabela Oliveira Kalil: Em 2015/16 eu comecei a fazer as pesquisas no NEU e passamos a observar algumas manifestações muito pequenas da extrema direita. A principal acredito que foi o acampamento da FIESP, onde diferentes grupos ficaram acampados por seis meses na Avenida Paulista e fizeram um trabalho de testar alguns tipos de discurso e ir vendo o que pegava. Foi aí que comecei a formular a hipótese de que essa nova extrema direita estava usando as ruas como um laboratório pra se aproximar das pessoas de forma mais abrangente. A manifestação de ideias que já circulavam no privado (como volta da ditadura) começaram a ser cada vez mais toleráveis no âmbito público. Tem muito da tática de segmentar e colocar pessoas com interesses em comum expostas a determinadas mensagens e mobilizar sentimentos, seja através do medo ou do “engraçado”. Aí as pessoas começam a encontrar eco nas vozes dos outros, inclusive pra violações graves de direitos humanos, dando mais legitimidade pra que se possa dizer essas coisas publicamente com muita tranquilidade.

A gente tem acompanhado alguns grupos da nova direita que passaram a existir ou ganharam mais visibilidade, como por exemplo os monarquistas que acabaram conseguindo ganhar espaço dentro da pré-campanha do Bolsonaro e trazer uma pauta que era deles para algo maior. As mulheres de direita também foi algo que foi crescendo a partir dessas mobilizações recentes de internet e de rua. A gente foi acompanhando o surgimento desses grupos em São Paulo e uma parte da equipe acompanhou pelo WhatsApp.

Qual nível de influência que você percebe dos veículos tradicionais de mídia na formação desse eleitorado?

Acho que a mídia tem uma grande responsabilidade nesse cenário. Por um lado, pela tolerância muito grande a discursos e práticas de ódio, contrários a constituição e a parâmetros mínimos de direitos humanos. E em torno da pauta da corrupção esses veículos alimentaram uma ideia maniqueísta, de disputa do bem contra o mal, como se a política fosse um campo próximo da religião. Quando na verdade o mundo da política tem muitas contradições e nuances e a mídia tradicional perdeu a capacidade de comunicar isso. Outro ponto lamentável sobre a imprensa é a falta de credibilidade. Tanto a esquerda quanto a direita têm alimentado um discurso de descrença com o jornalismo e isso é muito ruim porque o papel da imprensa é fundamental para a manutenção do processo democrático. Quando se vê como as matérias circulam online hoje, os jornais tradicionais têm conteúdos restritos, enquanto se tem a circulação desenfreada de matérias, muitas vezes falsas, pelo WhatsApp. A descrença nos meios tradicionais é geral e isso é muito perigoso quando as “notícias” circulam sem limites éticos por pessoas que acreditam que o que saiu no jornal não vale nada e o que ela leu no WhatsApp é verdade.



Após as pesquisas, o quanto você considera que o fator ódio/violência tem influenciado nessa aproximação de parte do povo com Bolsonaro?

Eu acho que tem uma questão do ódio sim, mas tem principalmente uma questão de medo. Um número muito pequeno desses 16 perfis que identificamos tem absoluta clareza das forças que estão mobilizando e do que perdem/ganham nesse jogo. Tem perfis ali que estão movidos por interesses estritamente econômicos, é aquele “não concordo com Bolsonaro, mas...”. A maior parte está sendo mobilizada pelo medo, principalmente quando a gente olha esse universo das notícias falsas que mexe muito com coisas que causam pânico nas pessoas. A campanha do Bolsonaro atua com uma lógica de olhar para o passado como algo glorioso e para o futuro como algo caótico. Então, “se não fizermos alguma coisa estaremos em risco” e nisso entra o medo do Brasil virar Venezuela, que no final das contas não se sabe bem o que isso significa. O que chega pro povo é que a gente não vai poder fazer compra, não vai ter emprego. As razões são legítimas. Ninguém quer passar fome, perder emprego, ter seu filho exposto a coisas inadequadas pra idade... Mas a questão é: esses riscos existem de fato? A gente conversa com as pessoas e elas nem sabem reproduzir direito, têm ideias muito vagas.

Outra questão é a da masculinidade, com perfis que são compostos por homens, jovens, que têm na afirmação dessa masculinidade e no uso do ódio uma espécie de possibilidade de legitimação na sociedade. É como se esses grupos entendessem que só vão conseguir lugar se afirmando a partir dessa masculinidade violenta. Se a gente olha a evolução da campanha do Bolsonaro, os primeiros grupos a apoiá-lo foram de homens jovens que operam nessa lógica. Olhando os perfis acho que esse é o elemento mais importante, pois isso é uma reação ao avanço de determinadas conquistas que são resultado da luta e processo de emancipação das mulheres. São grupos que não encontram mais a sociedade de antes e querem retornar a um modo de vida mais conservador.

E o quanto você percebe que a rejeição ajudou a promover Bolsonaro?

Se é verdade que a gente tem discursos específicos que mobilizam o medo entre eleitores dele, isso também funciona com seus rivais políticos. Acho que a ideia de isolar quem apoiava Bolsonaro, não interagir, deletar do Facebook, acabou gerando uma reação ruim: essas pessoas se sentiram seduzidas pelo discurso do medo propagado por ele e passaram a ver a esquerda como arrogante intelectualmente, um papel que não foi muito produtivo e deixou um campo em aberto pra que esses discursos de ódio e medo circulassem cada vez mais.

Outro ponto é que Bolsonaro se coloca como um personagem outsider, apesar dele estar há bastante tempo na política, e do ponto de vista da comunicação ele consegue reverter as coisas a seu favor. Por exemplo, quando aparece alguma denúncia contra ele num jornal tradicional, ele diz “tá vendo, eles não me querem na política porque eu represento o novo, eles não querem que eu fale a verdade”. Ele se coloca como antissistema e aí quanto mais ele é rejeitado pelo outro campo político, mais força ele ganha porque ele vai se colocando nesse lugar de vítima, que é perseguido porque fala todas as verdades.

A imprensa ajudou a corroborar essa ideia de que tudo na política é sujo e a gente não conseguiu pensar um projeto de democracia que informasse às pessoas que a corrupção está em diferentes esferas, que não é você diminuindo o estado ou privatizando o que é público que vai resolver o problema da corrupção, vai só mudar de lugar porque ela também tá no privado. Essa repulsa a tudo que se fala de política é um caminho muito perigoso, como a gente vai ter democracia se não estiver atento a essas formas de representação?

A pesquisa aponta que, para o eleitorado de Bolsonaro, “a solução poderia vir de uma redução do Estado (Estado mínimo) e pela substituição de políticos profissionais por figuras outsiders (amplamente explorada por Bolsonaro) ou por políticos não profissionais”. Isso talvez explique o ranking de deputados mais votados em São Paulo nessa eleição, com nomes como Alexandre Frota, Tiririca e Kim Kataguri...

Com certeza. Acho que essa perspectiva de ter que substituir todos os políticos tradicionais por figuras às vezes até obscuras é um desses efeitos. O problema é que há um número considerável de candidatos que, para se eleger, demonstram completo desprezo pelas instituições, pelo mundo político. É contraditório pois eles entram na política usando um discurso de repulsa a ela. A gente precisa sim de uma renovação na política, o congresso brasileiro não representa a sociedade brasileira, são famílias que tradicionalmente já ocupam o poder há muito tempo, a maioria homens ricos. Agora, essa crítica não pode se perder e ficar só num ataque às instituições, à democracia. Esse “acabar com tudo” é um caminho antidemocrático e é falso. Se a ideia de repulsa fosse verdade essas pessoas não estariam se engajando na política. O que no meu ponto de vista é bem preocupante é que em nome desse “acabar com a corrupção” a gente tá cada vez mais fragilizando a nossa democracia.

Fernando Gomes
Do Vice
No GGN
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Buscas por Bolsonaro no Google despencam após Whatsapp bloquear contas por fake news

Dados do Google comprovam a influência das fake news na campanha de Bolsonaro: após a Folha revelar o esquema industrial de disseminação de notícias falsas ligado a empresas apoiadoras do candidato e o Whatsapp banir milhões de contas suspeitas, buscas pelo nome do capitão da reserva começaram a despencar


Dados do Google Trends, ferramenta do buscador que cria relatórios de busca por temo e período na web, comprovam como as fake news influenciam na popularidade do candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL).


A partir, exatamente, do dia 19, então, as buscas pelo termo “Jair Bolsonaro” no Google começaram a despencar. Antes do anúncio do Whatsapp sobre o bloqueio de contas, as buscas pelo nome do capitão da reserva tinham atingido um pico de 97 pontos. Logo após a atitude da empresa, as buscas por Bolsonaro caíram para 54 pontos, e se mantiveram em uma média mais baixa desde então.

Confira no gráfico abaixo.


No Fórum
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Família Bolsonaro contratou agência para criar grupos no WhatsApp

Informantes relatam recebimento secreto de listas de números de telefone, uso de chips do exterior e estúdio de produção maciça de memes


Listas telefônicas em papel, chips importados, grupos segmentados e hibridismo entre militantes e disparadores pagos. Essas foram algumas das estratégias utilizadas pela campanha de Jair Bolsonaro (PSL) para criar sua extensa rede de comunicação paralela via WhatsApp. Na reta final da eleição, Época conversou com pessoas que mergulharam ou participaram ativamente da construção do sistema, marcado pela circulação de notícias falsas e financiamento duvidoso. Um dos ouvidos pediu anonimato por temer retaliações.

André ( nome fictício ) trabalhou para a família Bolsonaro durante quase dois anos. No início, o serviço se restringia à geração de peças virtuais. Em seguida, ampliou-se à criação maciça de grupos no aplicativo de mensagens. No primeiro semestre deste ano, a colaboração foi encerrada – entre outros motivos, pelo desconforto crescente da agência em que André trabalhava com o uso de notícias falsas desde o ano passado. “Saímos da campanha quando percebemos que as chances de ele ganhar eram reais”, contou.

Para multiplicar as células no aplicativo, eram utilizadas listas com números de celular fornecidas diretamente por funcionários do clã Bolsonaro. Diversas listas com números telefônicos foram retiradas pessoalmente de escritórios no Rio de Janeiro e em São Paulo — prática comum em campanhas para driblar a legislação eleitoral, que só permite o uso de base de dados dos próprios candidatos. Em seguida, por telefone, cada uma das listas era associada ao perfil de um grupo específico: jovens, mulheres, pobres, evangélicos, entre outros. Os grupos eram criados e alimentados manualmente. Um a um, centenas de contatos migravam do papel para a rede, sem a autorização prévia dos usuários.

Muitos deixavam os grupos, sempre inaugurados com uma mensagem de boas-vindas que trazia as regras de utilização. Para evitar a debandada, os disparadores enviavam mensagens privadas, com referências nominais aos proprietários dos números. “Assim, criávamos um ambiente mais família, menos artificial”, disse um dos informantes. Após o grupo atingir uma estabilização de participantes, o funcionário da agência transferia sua administração para um dos integrantes e deixava o grupo. O procedimento era feito para que não houvesse sobrecarga dos operadores, que ficariam livres para criar novos grupos e cuidar da gestão deles — um desenho semelhante às pirâmides financeiras.

O professor Viktor Chagas, que monitora cerca de 150 grupos de cunho conservador e bolsonarista para o CoLAB, grupo de pesquisa da Universidade Federal Fluminense (UFF), constatou a presença decisiva de números estrangeiros nesses espaços. Chamam atenção telefones com códigos de Índia, Paquistão e Arábia Saudita. “Esses números são minoria, mas se caracterizam por uma atividade intensa”, explicou Chagas. O informante que esteve dentro da campanha de Bolsonaro contou que a maioria dos chips usados vinha dos Estados Unidos, mas também havia alguns com origem em Portugal e na Argentina. As agências que atendiam o clã do presidenciável recebiam os chips estrangeiros em procedimento idêntico ao das listas — pessoalmente, em encontros cercados de sigilo. A ideia era dificultar o rastreamento e bloqueio dessas linhas.

A gestão da rede de grupos de WhatsApp acontecia toda no Telegram, aplicativo de mensagens russo. Nos grupos dessa cúpula, de acordo com os relatos, estariam os Bolsonaros, assessores diretos, representantes das agências contratadas e alguns militantes de confiança. Estes dispunham de chips da campanha para gerir braços dessa rede. Muitos recebiam o conteúdo diretamente dos criadores, a fim de quebrar a cadeia de comando e dificultar acusações de que a campanha veiculava notícias falsas. A preferência pelo Telegram se explica por uma maior sensação de segurança.

Para Viktor Chagas, da UFF, embora equivocada do ponto de vista da inviolabilidade, já que ambos os aplicativos são criptografados de ponta a ponta, a estratégia pode ser útil. “O WhatsApp tem sido responsivo, tomando medidas de segurança contra a atuação desses grupos. No caso do Telegram, embora a plataforma tenha princípios e políticas mais claras no geral, não temos ainda a mesma certeza de cooperação”, apontou. Embora o estudo do CoLAB colete apenas dados, e não conversações, Chagas observou uma veiculação massiva de mensagens e "colinhas" de candidatos apoiados por Jair Bolsonaro em diversos estados do país na semana que antecedeu o primeiro turno.

As células de apoio a Bolsonaro no WhatsApp se dividem em três modalidades. Primeiro, os grupos de disparo maciço em que os usuários não podem interagir entre si. Neles, só existe um administrador, que envia as peças e orienta os passivos a replicar o conteúdo em suas redes. Para esse fim, militantes usam também as linhas de transmissão, ferramenta do aplicativo para o envio múltiplo de mensagens privadas. Depois, em menor número, vêm os chamados “grupos de ataque”, em que também não há diálogo, mas o administrador publica um determinado link que deve ser atacado em massa pelos demais. Reportagens contrárias aos Bolsonaros e enquetes virtuais como as realizadas pelo Congresso Nacional são os alvos preferenciais. Esse tipo de célula reúne os militantes mais disciplinados, que recebem orientações objetivas e respostas pré-fabricadas para o conteúdo-alvo. Por último, estão os grupos públicos, de maior organicidade e com mais de um moderador, nos quais é permitido aos integrantes interagir.

Todos os grupos monitorados por Chagas estão nessa categoria, porque o objetivo do estudo, a longo prazo, é identificar o padrão de comportamento dos envolvidos no ambiente virtual. “Vários desses grupos usam imagens de avatar padronizadas e têm uma estrutura compartimentada, com nomes semelhantes e regionalizados, o que sugere uma estrutura profissional”, avaliou. O pesquisador, que extrai periodicamente as conversações desde maio deste ano, têm um banco de 767 mil interações e verificou que, com frequência, apenas 5% dos integrantes concentram mais da metade das mensagens. A média de participantes por grupo é de 120 usuários.

Para a criação do conteúdo que abastece essa rede, as diretrizes principais eram humor e superficialidade. “A mensagem tinha de ser simples, para ficar na cabeça das pessoas”, disse André. “Após junho de 2013, a força das redes ficou evidente. Essa linguagem, percebeu-se, funcionava muito bem na Internet e tinha uma eficácia impressionante na política”. Memes e mensagens que ironizavam opositores eram muito utilizados. Do contratante vinha a ordem para insistir em temas caros ao capitão reformado, como segurança pública, ataques ao PT e à corrupção, além de explorar sua imagem “autêntica”. Para tanto, eram repassadas à prestadora de serviços frases de efeito que Bolsonaro já tinha dito em eventos públicos ou que ainda diria, tudo para se antecipar e aproveitar ao máximo o ambiente virtual.

Qualquer polêmica era bem-vinda, fosse ela inicialmente favorável a Bolsonaro ou não. Um exemplo foi a discussão com a deputada Maria do Rosário — que processou Bolsonaro depois de ele ter dito que ela não merecia ser estuprada por ser feia. “Eles pediram para explorar bastante o episódio, e criamos conteúdos em cima da discussão do politicamente incorreto, dizendo que não dá mais para fazer piada, que o Brasil está muito chato”, contou o informante. A segmentação permitia endereçar mensagens a grupos específicos, nos quais a aceitação seria maior, como imagens apelativas à volta dos militares ao poder. Nos últimos meses da colaboração, foi solicitada maior ênfase na ação junto aos evangélicos.

Desde 2016, o grupo ligado ao candidato ventilava o desejo de contar com o apoio de Steve Bannon, diretor-executivo da campanha de Donald Trump à Presidência dos EUA e figura-chave no escândalo Cambridge Analytica. No dia 11 deste mês, Bannon citou o Brasil como um dos possíveis integrantes do grupo chamado “O Movimento”, idealizado por ele. Dois meses antes, Eduardo Bolsonaro postara uma foto com o estrategista em sua conta pessoal no Twitter. Na legenda, afirmava que Bannon estava em contato com a campanha para unir forças, “especialmente contra o marxismo cultural”.

Nas últimas semanas, Época entrou em grupos de apoio à candidatura de Bolsonaro à Presidência no WhatsApp e constatou a presença silenciosa de seus filhos Eduardo e Flávio, além de Major Olímpio (PSL), eleito senador por São Paulo. Na sexta-feira (19), Flávio protestou contra o banimento de sua conta no aplicativo. “A perseguição não tem limites! Meu WhatsApp, com milhares de grupos, foi banido DO NADA, sem nenhuma explicação! Exijo uma resposta oficial da plataforma”, escreveu. No mesmo dia, o WhatsApp comunicou que havia banido contas vinculadas às empresas acusadas de enviar mensagens em massa relacionadas às campanhas políticas nas eleições deste ano.

Tiago Ramos, que trabalha voluntariamente na administração dos números de WhatsApp do candidato ao governo do Rio Wilson Witzel (PSC) e dá suporte à campanha virtual de Bolsonaro, contou à reportagem que, após a decisão do aplicativo, interrompeu nos últimos dias a circulação de mensagens em massa e também via listas de transmissão. “Não foi orientação de ninguém, mas uma precaução minha para não prejudicar os candidatos por uma injustiça. Tenho amigos que usam o aplicativo para se comunicar com clientes e tiveram contas bloqueadas sem motivo”, relata. “Eles não conseguem entender que não somos robôs. Somos pessoas que trabalham e, quando podem, dedicam um tempo extra para falar do candidato que apoiamos. Não há crime nenhum nisso”, insiste.

Após o resultado do primeiro turno, o PT passou a dar mais atenção a sua estratégia nas redes. Criou dezenas de grupos regionais em que o ingresso era possível por acesso a links distribuídos em redes de apoiadores do partido. Neles, não era possível mandar mensagens, somente receber conteúdo. Ao contrário do primeiro turno, quando o uso de memes e imagens estilizadas era menos frequente e muitos “textões” ainda circulavam, o partido e seus militantes passaram a apostar em uma linguagem mais visual. Entretanto, algumas das peças trazem um volume de informação considerado grande para o perfil da plataforma, com números, textos e gráficos em uma só arte, por exemplo.

O informante avaliou a atuação petista nas redes como rudimentar. “Se o partido tivesse estruturado uma teia com os movimentos sociais, seria indestrutível. Eles não conseguiram diagnosticar que as jornadas de junho surgiram no ambiente digital e a importância que esse espaço teria dali em diante”, constatou. “O PT não entendeu que o foco deixou de ser na rua. Tem de ‘socar’ informação pelas redes o tempo todo. Agora é tarde, mas, para ter alguma chance, o PT precisa romper com a bolha e trazer de volta o cara que deixou de votar no partido.”

Ao constatar o protagonismo crescente do processamento de dados, o consultor de tecnologia Caio Almendra tentou mostrar a importância do tema a integrantes do PSOL no Rio. “Sugeri, por exemplo, a metrificação das panfletagens em diferentes regiões para avaliar o sucesso de cada ação e planejar melhor as próximas, mas nunca deram atenção”, disse. Quando começaram a circular notícias falsas sobre a vereadora Marielle Franco, executada em março deste ano, ele apresentou ao partido uma iniciativa orçada em R$ 110 mil que possibilitaria identificar os autores do conteúdo. “Imagine o que poderíamos ter evitado do que está acontecendo hoje. O valor era realmente alto para o partido, mas não tanto se fosse dividido com outras organizações”, lamentou.

Gabriel Ferreira e João Pedro Soares
Da Agência Andante
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Cría cuervos


Folha pede proteção policial contra ameaças de bolsonaristas


O jornal Folha de S. Paulo pediu, por meio de uma representação feita ao TSE, que a Polícia Federal abra um inquérito para investigar as ameaças feitas contra três de seus jornalistas e o diretor do Datafolha, Mauro Paulino, em razão da publicação da reportagem que revelou o esquema ilegal bancado por empresários simpatizantes da candidatura de extrema direita de Jair Bolsonaro (PSL) para o disparo de mensagens em massa contra Fernando Haddad, e o PT; para o jornal, existem "indícios de uma ação orquestrada com tentativa de constranger a liberdade de imprensa"; a Folha, que fez campanha sistemática contra Haddad e o PT, agora se vê obrigada a pedir proteção policial contra os eleitores que ela mesmo insuflou

Valor Econômico: ‘Os Bolsonaro atacam a imprensa e a democracia’


Em editorial, o jornal Valor Econômico afirma que "sinais ruins para a democracia continuam sendo emitidos pelo staff de campanha de Jair Bolsonaro (PSL)"; de acordo com o veículo, "Bolsonaro tem pouco apreço pela democracia, como demonstrou em seguidos discursos públicos a favor da ditadura e da tortura"



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A overdose de “Bolsonaro” é seu calcanhar de Aquiles


Deixou de ser “brincadeirinha”.

Os vídeos de Eduardo Bolsonaro dizendo que bastam um cabo e um soldado para fechar o Supremo e o do pai, dizendo que vai banir do Brasil seus opositores tiveram mais efeito sobre as pessoas, nesta semana final das eleições, do que as toneladas – e ponha toneladas nisso – de barbaridades ditas e gravadas ao longo de duas décadas pelo candidato do PSL.

É algo que até os bolsonaristas de ocasião da mídia reconhecem, como o faz Merval Pereira, na coluna de hoje, em O Globo, embora chame isso de “arroubo retórico” e respire aliviado porque, na visão dele, o ex-capitão tem gordura para perder até domingo, se ficar quieto.

O general Augusto Heleno, comandante em chefe das tropas militares que secundam o candidato foi claro ao mandar embora os repórteres da Reuters  Brad Brooks e Anthony Boadle, que o procuraram num evento público: “sob ordens do Bolsonaro, é silêncio de rádio total até depois das eleições.”

Depois das urnas, claro, não haverá mais defesa possível.

A frente principal desta tática da mudez, é claro, foi a negativa de comparecer ao debate final entre os candidatos, à qual a Globo, obsequiosamente, acedeu, cancelando o programa.

O essencial, porém, é que o favorito, que neste momento “ganha o jogo” com boa vantagem, recuou.

Está sob uma pressão que só não é maior porque algumas estrelas do time ainda fazem certo corpo mole e preferem  “dar passes para o lado” que jogam contra o tempo.

A queda na rejeição de Fernando Haddad e a subida na de Jair Bolsonaro, registrada ontem pelo Ibope, na qual a vantagem do ex-capitão cai de 12 para apenas um ponto quer dizer muito, porque é a base sobre a qual se definirão de última hora os votos mais fluidos.

A diferença entre os votos totais está em “um Ciro”.

Na eleição em que o país foi incapaz de sonhar, as coisas se definirão pelo temor ao pesadelo. Quando o “EleNão” cresce, ninguém mais tem o direito de desculpar-se por não entender que negar o voto a Haddad é dá-lo a Bolsonaro.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Bolsonaro diz que vai acabar com “coitadismo” de nordestino, de gay, de negro e de mulher


Em entrevista à TV Cidade Verde, afiliada do SBT no Piauí,  o candidato Jair Bolsonaro  (PSL) afirmou que irá acabar com a política do “coitadismo” a nordestino, gay, negro e mulher.

“Isso não pode continuar existindo. Tudo é coitadismo. Coitado do negro, coitado da mulher, coitado do gay, coitado do nordestino, coitado do piauiense. Vamos acabar com isso”, disse.

A fala do candidato faz referências às políticas sociais. Bolsonaro não tem compromisso com inclusão social no Brasil.
Não tem compromisso com “minorias” e quer acabar com as políticas de reparação histórica que tiraram desses grupos direitos fundamentais durante décadas.

Não tem compromisso com “minorias” e quer acabar com as políticas de reparação histórica que tiraram desses grupos direitos fundamentais durante décadas.

Bolsonaro ataca mulheres, chama a filha mulher de “fraquejada”, já disse que a Bolsa Família é uma “mentira”, se auto declara homofóbico, é contra a demarcação de quilombos e afirmou que quilombolas “não servem mais nem como reprodutores”.

Vale lembrar que em agosto do ano passado, o vereador Carlos Bolsonaro, filho de Jair, compartilhou no Twiiter um vídeo em que Bolsonaro afirmou: “”Não vou ficar broxa pra agradar eleitor! O voto é problema de vocês… tá cheio de cara bonzinho por ai! Façam o que bem entender… Coitado do gay, do negro, da mulher, do nordestino.. todo mundo é coitado no Brasil”. Ele ainda ironizou: “Coitado, temos que tratar bem todo mundo”.


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O sistema abraçado a Bolsonaro. A derrota do fascismo será a derrota do sistema


Nesses dias derradeiros que antecedem a eleição de domingo, dissiparam-se todas as indefinições; o sistema está abraçado ao candidato de extrema-direita.

Bolsonaro é o candidato da Globo, da mídia, do TSE, STF, MP, PF, do judiciário; dos bancos, dos empresários, das forças armadas, das oligarquias.

O fascista é o candidato do establishment, é o candidato em quem o sistema aposta todas as fichas, não importa o quão tenebroso seria um eventual governo dele.

Repete-se, no Brasil do século 21, a experiência da Alemanha de 1933, quando as frações da classe dominante, cegadas pelo delírio, sucumbiram a Hitler e ao hitlerismo, abrindo as portas do inferno que tragou o sistema político-institucional alemão.

Nada parece despertar o instinto de auto-preservação do sistema. Nem mesmo as ameaças totalitárias e sanguinárias antecipadas pelos milicianos nazi-bolsonaristas, que prometem fechar o STF e perseguir para assassinar os oponentes do fascismo. Esses anúncios repugnam o mundo civilizado, mas não comovem a abastardada oligarquia brasileira.

É acintosa a conivência do tribunal eleitoral diante da fraude da eleição e da manipulação grosseira financiada por empresários corruptos com milhões de reais de caixa 2.

Nos partidos de centro-direita mais importantes, PSDB e MDB, que se supunha prestarem lealdade incondicional à democracia para além das divergências com o PT, a adesão ao nazi-bolsonarismo foi chocante.

Líderes do PSDB, como FHC e outros políticos, assim como intelectuais tucanos que [ainda] não aderiram abertamente à candidatura do Bolsonaro criam sofismas, mitigam os perigos da eleição do Bolsonaro e vendem ilusões para não declarar apoio ao Haddad, em que pese conhecerem as atrocidades e práticas milicianas da família Bolsonaro.

Também desprezam os apelos de autoridades, intelectuais e políticos do mundo inteiro para se somarem aos democratas na missão de salvar o Brasil do abismo fascista.

A essas alturas, seria ilusório crer que a oligarquia possa ter algum constrangimento em ser governada por um personagem tosco, torpe, truculento.

Bolsonaro é o elo de união da burguesia e de todas as frações da classe dominante num novo pacto de dominação para sair da crise neoliberal desde uma perspectiva totalitária, centrada no terrorismo estatal e paramilitar para o extermínio da esquerda e do PT.

A elite brasileira, em aliança com o grande capital internacional, encomendou a Bolsonaro a execução de um plano econômico ultraliberal, selvagem, e cujo conteúdo anti-povo, anti-nação e neocolonial devastaria o país.

A contenção do avanço fascista é a tarefa histórica que não pode prescindir da união de todos os democratas e progressistas do Brasil. É necessário, nos dias que restam até a eleição, continuar e intensificar o esforço para alertar as consciências e conquistar a adesão do povo à resistência ativa ao fascismo.

A derrota do fascismo significará a derrota do sistema. Os próximos dias serão de guerra titânica da democracia e da liberdade para impedir que o país seja arruinado pela loucura e pelo desatino do establishment.

Jeferson Miola
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A missão heróica de Haddad em defesa da democracia



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Carta de Lula sobre o segundo turno das eleições

Foto Ricardo Stuckert
Meus amigos e minhas amigas,

Chegamos ao final das eleições diante da ameaça de um enorme retrocesso para o país, a democracia e nossa gente tão sofrida. É o momento de unir o povo, os democratas, todos e todas em torno da candidatura de Fernando Haddad, para retomar o projeto de desenvolvimento com inclusão social e defender a opção do Brasil pela democracia.

Por mais de 40 anos percorri este país buscando acender a esperança no coração do nosso povo. Sempre enfrentamos o preconceito, a mentira e até a violência, e, mesmo assim, conseguimos construir uma profunda relação de confiança com os trabalhadores, com as pessoas mais humildes, com os setores mais responsáveis da sociedade brasileira.

Foi pelo caminho do diálogo e pelo despertar da consciência cidadã que chegamos à Presidência da República em 2002 para transformar o país. O povo sabe e a história vai registrar o que fizemos, juntos, para vencer a fome, superar a miséria, gerar empregos, valorizar os salários, criar oportunidades, abrir escolas e universidades para os jovens, defender a soberania nacional e fazer do Brasil um país respeitado em todo o mundo.

Tenho consciência de que fizemos o melhor para o Brasil e para o nosso povo, mas sei que isso contrariou interesses poderosos dentro e fora do país. Por isso tentam destruir nossa imagem, reescrever a história, apagar a memória do povo. Mas não vão conseguir.

Para derrubar o governo da presidenta Dilma Rousseff, em 2016, juntaram todas as forças da imprensa, com a Rede Globo à frente, e de setores parciais do Judiciário, para associar o PT à corrupção. Foram horas e horas no Jornal Nacional e em todos os noticiários da Globo tentando dizer que a corrupção na Petrobrás e no país teria sido inventada por nós.

Esconderam da sociedade que a Lava Jato e todas as investigações só foram possíveis porque nossos governos fortaleceram a Controladoria Geral da União, a Polícia Federal, o Ministério Público e o Judiciário. Foi por isso, e pelas novas leis que aprovamos no Congresso, que a sujeira deixou de ser varrida para debaixo do tapete, como sempre aconteceu em nosso país.

Apesar da perseguição que fizeram ao PT, o povo continuou confiando em nosso projeto, o que foi comprovado pelas pesquisas eleitorais e pela extraordinária recepção a nossas caravanas pelo Brasil. Todos sabem que fui condenado injustamente, num processo arbitrário e sem provas, porque seria eleito presidente do Brasil no primeiro turno. E resistimos, lançando a candidatura do companheiro Fernando Haddad, que chegou ao segundo turno pelo voto do povo.

O que assistimos desde então foi escandaloso caixa 2 para impulsionar uma indústria de mentiras e de ódio contra o PT. De onde me encontro, preso injustamente há mais de seis meses, aguardando que os tribunais façam enfim a verdadeira justiça, minha maior preocupação é com o sofrimento do povo, que só vai aumentar se o candidato dos poderosos e dos endinheirados for eleito. Mas fico pensando, todos os dias: por que tanto ódio contra o PT?

Será que nos odeiam porque tiramos 36 milhões de pessoas da miséria e levamos mais de 40 milhões à classe média? Porque tiramos o Brasil do Mapa da Fome? Porque criamos 20 milhões de empregos com carteira assinada, em 12 anos, e elevamos o valor do salário mínimo em 74%? Será que nos odeiam porque fortalecemos o SUS, criamos as UPAS e o SAMU que salvam milhares de vidas todos os dias?

Ou será que nos odeiam porque abrimos as portas da Universidade para quase 4 milhões de alunos de escolas públicas, de negros e indígenas? Porque levamos a universidade para 126 cidades do interior e criamos mais de 400 escolas técnicas para dar oportunidade aos jovens nas cidades onde vivem com suas famílias?

Talvez nos odeiem porque promovemos o maior ciclo de desenvolvimento econômico com inclusão social, porque multiplicamos o PIB por 5, porque multiplicamos o comércio exterior por 4. Talvez nos odeiem porque investimos na exploração do pré-sal e transformamos a Petrobrás numa das maiores petrolíferas do mundo, impulsionando nossa indústria naval e a cadeia produtiva do óleo e gás.

Talvez odeiem o PT porque fizemos uma revolução silenciosa no Nordeste, levando água para quem sofria com a seca, levando luz para quem vivia nas trevas, levando oportunidades, estaleiros, refinarias e indústrias para a região. Ou talvez porque realizamos o sonho da casa própria para 3 milhões de famílias em todo o país, cumprindo uma obrigação que os governos anteriores nunca assumiram.

Será que odeiam o PT porque abrimos as portas do Palácio do Planalto aos pobres, aos negros, às mulheres, ao povo LGBTI, aos sem-teto, aos sem-terra, aos hansenianos, aos quilombolas, a todos e todas que foram discriminados e esquecidos ao longo de séculos? Será que nos odeiam porque promovemos o diálogo e a participação social na definição e implantação de políticas públicas pela primeira vez neste país? Será que odeiam o PT porque jamais interferimos na liberdade de imprensa e de expressão?

Talvez odeiem o PT porque nunca antes o Brasil foi tão respeitado no mundo, com uma política externa que não falava grosso com a Bolívia nem falava fino com os Estados Unidos. Um país que foi reconhecido internacionalmente por ter promovido uma vida melhor para seu povo em absoluta democracia.

Será que odeiam o PT porque criamos os mais fortes instrumentos de combate à corrupção e, dessa forma, deixamos expostos todos que compactuaram com desvios de dinheiro público?

Tenho muito orgulho do legado que deixamos para o país, especialmente do compromisso com a democracia. Nosso partido nasceu na resistência à ditadura e na luta pela redemocratização do país, que tanto sacrifício, tanto sangue e tantas vidas nos custou.

Neste momento em que uma ameaça fascista paira sobre o Brasil, quero chamar todos e todas que defendem a democracia a se juntar ao nosso povo mais sofrido, aos trabalhadores da cidade e do campo, à sociedade civil organizada, para defender o estado democrático de direito.

Se há divergências entre nós, vamos enfrentá-las por meio do debate, do argumento, do voto. Não temos o direito de abandonar o pacto social da Constituição de 1988. Não podemos deixar que o desespero leve o Brasil na direção de uma aventura fascista, como já vimos acontecer em outros países ao longo da história.

Neste momento, acima de tudo está o futuro do país, da democracia e do nosso povo. É hora de votar em Fernando Haddad, que representa a sobrevivência do pacto democrático, sem medo e sem vacilações”.

Luiz Inácio Lula da Silva
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A onda vermelha


OS SINAIS DA VIRADA, nas fotos de Ricardo Stuckert.

O Rio de Janeiro vai ficar ao lado da democracia.

HADDAD COM O POVO NOS ARCOS DA LAPA:

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, pessoas em pé, multidão e atividades ao ar livre

A imagem pode conter: multidão

A imagem pode conter: 17 pessoas, pessoas sorrindo, multidão




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Ibope é muito melhor para Haddad do parece à primeira vista

https://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2018/10/23/ibope-e-muito-melhor-para-haddad-do-parece-a-primeira-vista/

A diferença na rejeição de Haddad e Bolsonaro que era de 12 pontos caiu para apenas 1. O fato de a diferença nos válidos ter caído apenas 4% é menos importante agora.

A pesquisa Ibope contratada pela Globo e divulgada há pouco não deve ser lida a partir do seu macro resultado, 57 a 43 para Bolsonaro. Mas dos outros dados que não costumam ir para a manchete.

O dado mais relevante para o blogueiro é esses que apresento abaixo:

Jair Bolsonaro

Com certeza votaria nele para presidente – 37%

Poderia votar nele para presidente – 11%

Não votaria nele de jeito nenhum – 40%

Não o conhece o suficiente para opinar – 11%

Não sabem ou preferem não opinar – 2%

Fernando Haddad

Com certeza votaria nele para presidente – 31%

Poderia votar nele para presidente – 12%

Não votaria nele de jeito nenhum – 41%

Não o conhece o suficiente para opinar – 14%

Não sabem ou preferem não opinar – 2%

Quando esta pergunta é feita, o resultado de votos “com certeza” passa a ser de 37 a 31. Ou seja, a diferença é de seis pontos.

Ao mesmo tempo, o “não vota nele de jeito nenhum” virou 41 a 40. Na pesquisa anterior, era de 47 a 35.

Ou seja, diferença de rejeição que era de 12 pontos caiu para apenas 1.

O fato de a diferença nos válidos ter caído apenas 4% é menos significativa do que esses dados que apresentei acima.

Porque um grupo de eleitores parece ter descido do galho de Bolsonaro e agora estão embaixo da árvore olhando para cima, para ver se vão para o galho de Haddad ou se voltam para o do capitão.

A tendência quando alguém desce de um galho é a de escolher o outro.

Já disse aqui que em tempos de rede nunca é cedo e nem tarde para virar uma eleição. E essa pesquisa coloca a bola no chão de novo. Há jogo. E o resultado não está definido.
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Vereador de SP diz que vídeo de João Doria foi gravado por uma das garotas

“Isso está sendo posto na internet por uma das meninas que não recebeu o cachê do João Doria no swing”, afirmou o vereador Camilo Chistófaro


O vereador por São Paulo Camilo Christófaro (PSB) divulgou em seus grupos de whatsapp o vídeo em que o ex-prefeito de São Paulo e atual candidato ao governo de São Paulo, João Doria (PSDB), aparece em situação constrangedora com cinco garotas. E na sequência gravou um novo vídeo em que diz: “Esse WhatsApp que vocês receberam do Camilo sobre essa baixaria não é invenção do Camilo. Isso está sendo posto na internet por uma das meninas que não recebeu o cachê do João Doria no swing”.

Camilo que foi eleito na chapa de João Doria para a Câmara Municipal continua dizendo: “Essa baixaria, no dia 11 de outubro, véspera do dia de Nossa Senhora, de João Doria, no swing, vou deixar bem claro, não é o Camilo que inventou e não é montagem. Isso quem pôs na internet foi uma das moças. Moça não faltava nessa cama, fazendo swing com o seo João Doria. Então, quem fala o que quer, ouve o que não quer. O seo João Doria plantou isso. Me desculpem as pessoas que receberam isso, mas nós temos que falar a verdade para o Brasil. Quem é quem, o lado da verdade, o lado da mentira. Feliz eleição pra vocês”, finaliza.

Cistrófaro teve em junho o seu mandato cassado pelo juiz da 1ª Zona Eleitoral da capital Francisco Shintate por denúncia de fraude em arrecadação de recursos em sua campanha. Ele recorreu e continua no mandato.

Além dessa polêmica, Cristófaro já se envolveu em casos de agressão no período que exerce o mandato, tanto com a vereadora Isa Pena (PSol) quanto com um assessor do vereador Eduardo Suplicy (PT).



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Fernando Haddad no Roda Vida e na sabatina com O Globo, Extra, Época e Valor




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