23 de out. de 2018

Os ricos, os pobres e os precariados: os 3 tipos de eleitores de Bolsonaro


Uma possibilidade de lidar com o atual cenário político é partir do princípio de que metade da população é composta por fascistas, ignorantes – ou ambos. Sendo assim, podemos jogar a toalha e repetir que cada povo tem o governante que merece. Outra possibilidade, que me parece mais interessante, é diferenciar esse espectro de eleitores, tentando entender como e por que diferentes perfis são capturados por essa pulsão autoritária de Jair Bolsonaro.

Tenho diferenciado três perfis de eleitores, que operam como tipos ideais que ajudam a refletir e a agir. O primeiro são os ricos, que tiveram capital educacional para saber o que está em jogo e conscientemente optam pelo projeto autoritário contra a “corrupção”, mas na verdade veem em Bolsonaro e no antipetismo uma oportunidade para legitimar antigos preconceitos contra a “gentalha”.

Na outra ponta, há os pobres, com baixíssimo capital educacional e que possuem um antipetismo brando. Votam em Bolsonaro por adesão por causa da igreja, por influência familiar, desespero ou esperança, mas salientam que o Lula “roubava, mas dava o que era nosso”, “roubava, mas nossa vida era melhor”.

Na base da pirâmide, ao contrário dos ricos, há desilusão e desinteresse generalizado, mas também há flexibilidade para falar de diferentes candidatos. São sujeitos que não projetam a raiva ou jogam a culpa por sua vida deteriorada nos imediatamente abaixo – por que não há ninguém abaixo. Por causa do clientelismo, esses eleitores tendem a desacreditar na política como um todo. O grande desafio, para esse segmento, portanto, não é a mudança de candidato, mas convencê-los a ir votar no dia da eleição.

Entre os ricos e os pobres, está todo o restante da população brasileira, os precariados. É aí exatamente que reside o grande imbróglio do eleitor bolsonarista que engloba desde (A) o simpático motorista de Uber, a vendedora delicada, o porteiro prestativo, o microempresário trabalhador e a manicure festeira – todos indignados com o sistema político frouxo ou com a moral tradicional abalada e também frustrados com a própria situação – até o (B) o fanático, o agressor tomado pela fúria prestes a “se vingar” e a matar um esquerdista, uma pessoa negra, LGBT, uma feminista – os “culpados” pela deterioração do mundo.

A diferença entre A e B existe. Mas a tendência é que ela diminua conforme o cenário se radicaliza. A frustração “contra tudo que está aí”, contra essa “pouca vergonha” (sic) que contamina a política os valores morais, tende a mesclar ambos os perfis em um universo cada vez mais homogêneo. Num piscar de olhos, o grupo A,  que interioriza valores das elites abastadas e culpa a “gentalha” por suas frustrações, transforma-se em B.

É assim que a razão autoritária cresce, uma vez que não existe o fascista a priori: o que existe é subjetividade mobilizada pelo projeto autoritário.
Vivemos tempos em que está se autorizando a pensar, dizer e fazer o que outrora era impensável.
Nesse novo contexto no qual os eleitores são nutridos por um sistema capilar e horizontal de comunicação, sem qualquer responsabilidade com a verdade, as mensagens pró-Bolsonaro são lidas da forma como é conveniente para cada trajetória pessoal e familiar, cooptando e organizando as diferentes frustrações, identificando causas e soluções imediatas. Tudo isso em meio a uma sociedade que, desde 2013 e, principalmente, após o impeachment de Dilma Rousseff em 2016, vê-se desprovida de autoridade, regras e coesão. É aí que a extrema-direita tem encontrado solo fértil para fazer com que a diferença entre o eleitor A e B torne-se cada vez menor. O bolsonarismo é, antes de tudo, um discurso vazio, que se propaga no vácuo para responder a profundos e diversos ressentimentos.

Sobre o eleitor B: é ele quem nos aterroriza. Ele é o personagem de uma realidade distópica. Vivemos tempos em que está se autorizando a pensar, dizer e fazer o que outrora era impensável. Uma vez que a ordem, no sentido sociológico, está ausente, os indivíduos caçam por si próprios o inimigo. E o pior: sabem que nada vai acontecer a eles. Algumas pessoas sabem que estão autorizadas a violentar.

Precisamos entender que estamos diante de um surto coletivo que faz emergir muitos salvadores de “justiça com as próprias mãos” – e que Bolsonaro é, sim, responsável por aqueles que mobiliza.

Já escrevi algumas vezes que nossas lições não vêm apenas da Alemanha de 1933 ou do Brasil de 1964, mas também da distante China da primeira metade do século 20, marcada por intensa polarização, surgimento de seitas, salvadores e que se finda em mais um projeto autoritário marcado pela paranoia denunciativa, que destrói laços de amizade e familiares, e que, finalmente, acaba no culto à personalidade capaz de justificar toda a crítica como “ameaça inimiga”. O que nós vemos no Brasil hoje é o surgimento de seitas organizadas em seus próprios mundos paralelos: nelas Bolsonaro é o herói do bem. Absolutamente tudo que se diz contra ele seria fabricado nos antros esquerdistas. Repetindo um velho script da história cristã, os “cidadãos de bem” são também justiceiros e matam – ou deixam matar – em nome de uma justiça muito particular.
O eu patriótico, autoritário e conservador pode coexistir com o eu democrático.
Voltemos ao eleitor A. É preciso disputá-lo. E dificilmente isso pode ser feito via redes sociais: nós perdemos feio a guerra dos memes e os eleitores de Bolsonaro que estão engajados online possuem contra argumentos para tudo. É inócuo. Ainda existem muitos eleitores que pensam em votar no candidato, mas não aderiram totalmente à lógica de seita que se propaga nas redes. É com essas pessoas que precisamos tentar a boa e velha conversa olho no olho, que  tem se demonstrado menos dramática do que nos ambientes digitais.

A antropologia do self – ou seja da construção do “eu” – nos ensina que não existe um self único. Obras como o do psiquiatra Arthur Kleinman nos ajudam a entender que o eu patriótico, autoritário e conservador pode coexistir com o eu democrático: somos sujeitos complexos e cada uma dessas subjetividades ocupa maior ou menor espaço conforme o contexto político e econômico. (É claro que, em um país de pobre tradição democrática e laica como o Brasil, o eu conservador tende a ocupar mais espaço). Não podemos desistir de tantas pessoas que conviveram conosco e que sabemos que possuem facetas generosas, solidárias e comunitárias.
Nós precisamos confrontar sujeitos contraditórios que estão seduzidos pela narrativa fácil do autoritarismo.
Nós precisamos confrontar sujeitos contraditórios e multifacetados que estão seduzidos pela narrativa fácil do autoritarismo. Desempregados, trabalhadores precários, motoristas de Uber, ambulantes. São sujeitos muitas vezes pobres ou empobrecidos, que não se veem contemplados pelas políticas sociais dos últimos anos. São sujeitos que querem emergir socialmente, sentem-se injustiçados por ralar 15 horas por dia, vivem na insegurança das grandes cidades e percebem o governo como uma grande farsa que atua para seu próprio enriquecimento ou apenas para o benefício de “minorias”. Esse perfil, hoje, não encontra no PT autocrítica em relação à corrupção, não encontra propostas de emprego e quase nada sobre segurança pública. É mentira que o governo deu tudo para os paupérrimos ou para as minorias, mas é verdade que o pobre que é não paupérrimo encontrou pouco amparo e possibilidade de mobilidade social.

Bolsonaro tem muitas contradições. Ele se vende como um “outsider”, mas é um político profissional. Suas propostas simplórias não são a solução para problemas complexos, e se enganam aqueles que acreditam que, por serem os “cidadãos de bem”, nada vai lhes acontecer num governo autoritário. Vai. A esquerda e o PT têm uma tarefa para o segundo turno e para os próximos anos, independentemente do resultado das eleições: recompor seu radicalismo, organizar a indignação, combater a corrupção e voltar a falar de temas básicos da vida em comunidade: segurança, saúde, educação e emprego.

Rosana Pinheiro-Machado
No The Intercept
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Grupos pró-Bolsonaro no WhatsApp orquestram notícias falsas e ataques pessoais na internet, diz pesquisa

Pesquisadores da Uerj acompanharam grupos de vários candidatos no aplicativo desde maio; bolsonaristas têm maior alcance e organização

O software IRaMuTeQ extrai das conversas em andamento nos grupos as palavras- chave que mais aparecem e as organiza em infográficos
Desde maio deste ano, o grupo de pesquisa em Tecnologias da Comunicação e Política (TCP) na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) tem monitorado grupos de WhatsApp em apoio a candidatos presidenciais. Inseridos em 90 grupos, os 14 pesquisadores estudaram o comportamento dos usuários para descobrir como as pessoas se organizam para viralizar conteúdos eleitorais no WhatsApp.

Os estudiosos monitoraram 28 grupos autodenominados “conservadores” ou “pró- militares” e 24 grupos de apoio ao PSL e Bolsonaro. Entraram também em 18 grupos de apoio ao PT ou a Haddad, 4 de apoio ao PSDB ou Geraldo Alckmin, 4 de apoio a Marina Silva, 2 de apoio a Ciro Gomes e 1 de apoio a Henrique Meirelles. Além disso, acompanharam 9 grupos para discussões de política geral ou suprapartidária. O grupo de pesquisa faz parte da rede do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital (INCT.DD).

Para a coordenadora Alessandra Aldé, existe uma ordem para o caos cibernético. “As notícias falsas têm caminhos específicos. Esses fluxos não são aleatórios e existe uma técnica específica para fazer com que a informação falsa viralize. E isso é muito importante.” O estudo descobriu que a cada 30 mensagens, pelo menos uma foi enviada do exterior.

“A notícia entra em um grupo e nesse grupo tem contato com 250 e poucas pessoas. Dessas 250 e poucas, algumas voluntariamente pegam e replicam isso em outros grupos. Não só como vítimas que compartilharam uma vez e não compartilham mais. Compartilham isso de uma forma sistemática”, explica João Guilherme, que coordena o núcleo de análise de dados do grupo.

Nesses cinco meses de monitoramento, os pesquisadores perceberam que grupos pró-Bolsonaro têm um alcance mais vasto e uma organização maior na disseminação de noticias falsas em comparação com os demais.

Um dos maiores exemplos disso se deu no primeiro turno, com um boato de que havia uma fraude eleitoral em curso. O grupo de pesquisa da Uerj seguiu uma mensagem específica: “TSE informa: 7,2 milhões de votos anulados pelas urnas! A diferença de votos que levaria à vitória de Bolsonaro no primeiro turno foi de menos de 2 milhões”. Segundo os pesquisadores, o boato apareceu 202 vezes em 41 dos 90 grupos. Destes 41 grupos, 37 estão no conjunto de apoio a Bolsonaro, grupos de direita e pró-militar e 4 de política em geral.



Grupos pró-Bolsonaro no WhatsApp orquestram notícias falsas e ataques pessoais na internet, diz pesquisa

“O que a gente percebe é que o campo do Bolsonaro está muito mais organizado para fazer isso do que os outros candidatos. Então eles anteciparam essas estratégias e já começaram a construir esses grupos”, diz Alessandra. “Chamou atenção da gente também essa falta de compromisso de quem difunde essas notícias como verdade. Porque não se trata de fatos, não tem uma objetividade, é desqualificação, geralmente moral, e associações que são muito impróprias, inadequadas. É uma campanha muito mentirosa. Realmente o nível de notícias falsas é muito maior na campanha de Bolsonaro do que em qualquer outra campanha. Isso é visível. E a gente está em dezena de grupos.”

Alessandra avalia que quem alimenta essa rede são produtores profissionais de conteúdo. “Existe uma produção profissional de memes, de várias coisas bem-feitas esteticamente. São lançadas para números de celulares em vários locais diferentes. O celular mostra, por exemplo, a região da pessoa, porque tem o prefixo. Você pode achar associações entre bancos de dados, celulares e CEP e usar isso para direcionar a sua propaganda atingindo os grupos e circulando dentro de grupos específicos. Então existe uma técnica.”

Na semana passada, a Folha de S.Paulo revelou que empresas contrataram disparos massivos de mensagens de WhatsApp contra o PT e a favor de Bolsonaro, em contratos que chegavam a R$ 12 milhões.

Apoio a Bolsonaro inclui incitação a ataques pessoais e participação em enquetes

Fora a produção do conteúdo em si, a tática para a disseminação das mensagens por militantes é simples e eficaz. Em cada grupo existem pessoas que dão ordens e orientam o restante dos usuários a cumprir tarefas específicas. “Eles sistematicamente pedem e orientam as pessoas a circularem as informações nos outros grupos de WhatsApp. No da família, no do trabalho”, explica Alessandra.

“Tem sempre alguém ali falando ‘façam isso, faça aquilo’. Por exemplo, se está tendo uma pesquisa no Facebook, eles pedem para todos irem lá para responder. Ou então tal famoso postou tal conteúdo contra o Bolsonaro, então vamos ali dar dislike. Então existe, sim, uma orquestração.”


Grupos pró-Bolsonaro no WhatsApp orquestram notícias falsas e ataques pessoais na internet, diz pesquisa

“Existe chamamento para você ir lá e dar dislike na página da atriz que se manifestou a favor do Haddad. Isso é muito comum. Ou ir lá e escrever na página de quem é contra a intervenção. Então esses WhatsApps servem também para mobilizar a ação desses eleitores nas outras redes. ‘Vamos lá no YouTube todos dar dislike.’ Aí você vê uma migração.”

Segundo o pesquisador João Guilherme Bastos dos Santos, os membros orquestram inclusive ataques coletivos. “Por exemplo, antes do primeiro turno saiu a notícia de um instituto de pesquisa específico que desagradou eles. Aí, algumas pessoas desses grupos identificam o estatístico responsável, pegam o Facebook da pessoa e jogam no grupo do WhatsApp. As pessoas usam isso para chegar até essa pessoa e ameaçar”, diz.
João Guilherme conta que viu também grupos de apoio a Marina Silva e Ciro Gomes serem atacados por apoiadores do Bolsonaro que se infiltraram, entravam fingindo ser simpatizantes e lá dentro começavam a atacar. Em um caso, esses infiltrados chegaram a virar administradores de um grupo pró-Marina para depois deletar o grupo.

Controlando a narrativa e banindo quem questiona

Segundo os pesquisadores, os administradores dos grupos fazem uma curadoria para controlar a narrativa. Isso ficou claro quando saíram os resultados do primeiro turno. Começaram a surgir comentários preconceituosos contra o Nordeste, região onde o voto ao PT levou vantagem, desde coisas como “o Nordeste é um parasita” até “tem que mandar matar nordestino”.

“Logo alguns agentes começaram a dizer assim ‘não gente, a gente precisa do voto no Nordeste’, aqui tem muito nordestino eles não têm culpa dos outros eleitores”, explica Alessandra. “E até começaram a banir, a excluir pessoas que estavam aderindo a essa crítica.”

Os pesquisadores detectaram ainda que pessoas que questionam insistentemente a veracidade de uma informação são banidas. “Essa pessoa é enquadrada como um sabotador, ou petista ou comunista e é removido do grupo. Então, sempre que alguém vai destoar dessa narrativa unificada, essa pessoa é retirada acusada de traição”, diz João Guilherme. “Se alguém começa a reclamar de fake news e dizer ‘você tem certeza que isso é verdade, onde que está a fonte disso, será que isso não vai pegar mal pra gente.’ Aí a pessoa é rapidamente deletada”, completa Alessandra.

Porém, enquanto os administradores baniam da discussão comentários que poderiam atrapalhar a campanha, deixavam rolar solto discursos de ódio contra certos segmentos da sociedade. Alessandra viu diversas ameaças circulando nos grupos contra mulheres e LGBTs. Ela cita como exemplo as frases “Viado não vai ter mais vez, não vai poder fazer isso” e “Vamos acabar com essas feminazis quando o Bolsonaro ganhar”, que rodaram sem sofrer reprimendas dos administradores.

O pesquisador afirma que há uma pluralidade: cada grupo tem um discurso que foi adaptado e construído especificamente para agradar àquele tipo de eleitor. “Tem notícias falsas voltadas para valores religiosos, falando que Haddad vai acabar com a família, que ele é contra Deus, que Manuela d’Ávila falou que Jesus é travesti. Mas em outros grupos esse discurso não tem tanta entrada e você tem mais um discurso sobre segurança pública, por exemplo. Esses grupos falam que a situação está insustentável, que alguém tem que fazer alguma coisa, que tem que se armar”, explica.

Embora sejam plurais, todos os discursos convergem em uma só mensagem: para evitar tudo isso, é preciso votar no Bolsonaro. Isso se enquadra em uma narrativa maior que os apoiadores vêm construindo há pelo menos dois anos no WhatsApp. “Essa ideia de ameaça comunista. A ideia de que a gente tem que se unir contra uma ameaça externa e todo mundo entre nós que atrapalhar essa união está favorecendo essa ameaça externa. É um mecanismo básico de movimentos populistas ou fascistas, onde você reprime sistematicamente quem discorda”, diz João Guilherme.

O estudo

Ainda em fase de análise e conclusão, o estudo do grupo de Tecnologias da Comunicação e Política da Uerj pretende determinar padrões de comportamentos de seguidores de diferentes candidatos no WhatsApp, a plataforma que tem sido apontada como principal influenciadora desta eleição.

Os pesquisadores concluem que o WhatsApp precisa ser entendido como uma rede de grupos organizados que estão interconectados por participantes em comum que sistematicamente levam as notícias falsas de um grupo para outro.

A pesquisa revela que, dos 90 grupos estudados, 99,11% dos perfis estão conectados direta ou indiretamente através de uma rede de pessoas.

No infográfico abaixo é possível ver a estrutura de conexões entre os grupos analisados. As linhas verdes representam grupos de conservadores, pró-militares e de apoio ao candidato do PSL. As linhas vermelhas são de apoiadores de Fernando Haddad. Em rosa, grupos para discussões de política geral ou suprapartidária, e em azul, grupos de outros candidatos.

Para conseguir mapear o caminho da disseminação das notícias, o TCP da Uerj usa os softwares IRaMuTeQ e Gephi. Ele rastreia, mas mantém em condição de anonimato, o número de celular que deu origem à mensagem para apontar em qual grupo ela surge, e depois mapeia o seu trajeto. O resultado são “nuvens” de dados que ilustram a disseminação da informação pela rede do WhatsApp.



Grupos pró-Bolsonaro no WhatsApp orquestram notícias falsas e ataques pessoais na internet, diz pesquisa

O exemplo abaixo rastreia a cronologia de uma notícia falsa, representada pela cor amarela. Quando o candidato Jair Bolsonaro foi atacado em Juiz de Fora, em 6 de setembro, surgiu, às 17h03 uma notícia falsa que dizia que o responsável pelo ataque era membro do Partido dos Trabalhadores e responsável pela campanha de Dilma Rousseff. Apesar de a notícia ter sido desmentida na televisão nesse meio-tempo, ela continuou sendo espalhada pelos grupos – e só para de ser divulgada às 18h19.

O software IRaMuTeQ extrai das conversas em andamento nos grupos as palavras- chave que mais aparecem e as organiza em infográficos. As palavras mais repetidas aparecem em tamanho maior. Abaixo, é possível ver as associações de palavras que se formaram em conversas onde se discutiam as urnas e o TSE. Os pesquisadores explicam que no gráfico amarelo onde as palavras mais usadas são “Comunista, militar e intervenção” foi possível relacionar este vocabulário aos grupos pró-Bolsonaro. Já no gráfico azul e laranja não existe uma correlação clara entre o agrupamento de palavras e os grupos de WhatsApp representados.

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Mariana Simões
No A Pública
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Coronel desmoraliza Gilmar Mendes e o Poder Judiciário e incita Forças Armadas


O coronel Carlos Alves desmoraliza Gilmar Mendes, o Poder Judiciário e incita a desobediência das Forças Armadas se Bolsonaro não for eleito.

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Está em curso armação da campanha de Bolsonaro para vincular tiroteio e malas de dinheiro em Juiz de Fora a Haddad


Está em curso uma armação da campanha de Jair Bolsonaro para tirar de Fernando Haddad a possibilidade de virada nesta reta final das eleições.

Assim como em 1989, quando o sequestro de Abílio Diniz foi usado para que se espalhassem mentiras para tentar vincular o crime à candidatura de Lula, desta vez apoiadores de Bolsonaro estão tentando vincular o tiroteio entre policiais paulistas e mineiros em Juiz de Fora à candidatura de Haddad.

No depoimento que prestou ontem na Corregedoria da Policia Civil em São Paulo, a que o DCM teve acesso, o empresário Flávio Guimarães respondeu a um estranho questionamento do delegado Marques de Araújo, que conduz o inquérito para apurar a participação dos policiais no tiroteio.

O delegado quis saber se havia vinculação político-partidária no negócio que supostamente ele estaria tentando fazer na cidade mineira. Flávio respondeu que não, e foi esse trecho do depoimento (ver abaixo) que me levou a procurar mais informações sobre o empresário.

E não foi difícil encontrar. O blog jornalista de extrema-direita Políbio Braga tem uma postagem de domingo, 21 de outubro, em que ele publica a imagem do que seria a página do empresário no Facebook.

É uma foto de Flávio Guimarães sob a moldura da campanha de Haddad e Manuela. Procurei a página na rede social e não encontrei.

O caso lembra a foto divulgada na véspera da eleição de 1989, quando policiais obrigaram um dos seqüestradores de Abílio Diniz a vestir camiseta da campanha de Lula.

Políbio Braga, que mora em Porto Alegre e tem um blog na internet, publicou a nota às 11h30 da manhã de domingo com a imagem do que seria a página de Guimarães.

O tiroteiro em Juiz de Fora, ocorrido na sexta-feira, tinha sido manchete do Jornal Nacional da véspera. Políbio Braga deu detalhes da vida do empresário que ainda não tinham sido tornados públicos.

Na verdade, àquela altura, nem era público o nome do empresário que tinha como seguranças os policiais paulistas envolvidos no tiroteio. O caso era tratado como sigiloso pela Polícia Civil em Juiz de Fora.

Mas a nota de Políbio Braga era cheia de detalhes. Disse ele:

“O empresário que levou R$ 15 milhões, apreendidos depois de um tiroteio entre policiais mineiros e paulistas em Juiz de Fora (leia nota abaixo) é Flávio Guimarães.

Guimarães é CEO na empresa AJC Group.

No seu perfil do Facebook, no qual aparece com a mulher e dois filhos, o CEO emoldura a foto com propaganda de Haddad e Manuela, PT e PCdoB.

O empresário Flávio de Souza Guimarães fugiu de Juiz de Fora em um táxi aéreo no fim da tarde de sexta-feira. Além dele estavam na aeronave outros dois passageiros e dois pilotos. O avião seguiu para o aeroporto Campo de Marte, que fica em São Paulo.

As polícias de Minas e São Paulo também vão investigar a origem dos dólares apreendidos com os R$ 15 milhões apanhados na operação. 

O empresário mineiro, Antônio Vilela, que estava com os policiais paulistas que custodiavam o dinheiro, foi ferido e está internado.”

Segundo a polícia, a maior parte das cédulas cuja propriedade é atribuída a Flávio Guimarães é falsa. No depoimento que prestou à Corregedoria da Polícia Civil em São Paulo, ele conta que nem levou dinheiro para lá.

A intenção, segundo ele, era fazer um negócio de mútuo e o dinheiro lhe teria sido mostrado no porta-malas de um carro.

Logo depois da postagem, o blogueiro Políbio tirou selfie no Parcão em Porto Alegre, com camisa da Seleção Brasileira, e a postou no seu blog.

Queria mostrar que havia participado da manifestação em favor de Bolsonaro.



Políbio Braga, na manifestação em favor de Bolsonaro

Uma leitura de seu blog mostra atividade intensa em favor do candidato do PSL.

A nota que vincula o empresário Flávio Guimarães à candidatura de Haddad não tem, portanto, credibilidade.

Isso para o leitor mais atento.

Mas, circulando na rede, tem potencial explosivo. Pode servir à indústria de fake news e provocar estragos na candidatura de Haddad e, portanto, ferir a democracia.



Foto do dinheiro — a maioria, cédulas falsas –, mostrado na Globo

Desde sábado, os noticiários da Globo têm dado destaque — principalmente os jornais de rede nacional — ao tiroteio em Juiz de Fora.

Já era estranho o noticiário intenso, sem apresentar as respostas principais ao episódio, e não faltam interrogações.

Empresário que teria levado R$ 15 milhões a Juiz de Fora, supostamente para trocar por dólares, sem que a Polícia Civil de Minas apresente os dólares pelos quais ele trocaria.

Para ir a Juiz de Fora, Flávio Guimarães contou com um mega esquema de segurança para fazer o que seria uma operação de câmbio no mercado paralelo, acompanhado de um delegado da Polícia Civil de São Paulo exibicionista, que posta fotos da rede social com armas pesadas.

Há outros policiais civis, tanto de São Paulo quanto de Minas, envolvidos na operação.

Desde sábado, o DCM tem publicado notas em que destaca esses fatos estranhos e chama a atenção para o mistério que se estava criando em torno do caso.

Juiz de Fora é, afinal, a cidade em que Bolsonaro levou a facada e a tal operação de black com Flávio Guimarães estava sendo feita no estacionamento de um hospital.

São informações que, lidas no conjunto, podem dar argumentos a teorias conspiratórias.

Nesse tiroteio, um policial de Minas Gerais morreu e um de São Paulo está gravemente ferido.

A pergunta é: será que, para montar um armação de cunho eleitoral, os apoiadores de Bolsonaro teriam chegado ao ponto de cometer pelo menos um homicídio?

Esta história não fecha e os democratas e autoridades independentes do Brasil precisam reagir a ela antes que provoquem um estrago equivalente ao de 1989, quando o noticiário intenso sobre o sequestro de Abílio Diniz tirou de Lula a vitória eleitoral quase certa sobre Fernando Collor.

Depois, quando as urnas estavam fechadas, vieram os desmentidos.

Mas já era tarde demais.


Joaquim de Carvalho
No DCM
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Se Bolsonaro for eleito, enfrentamento com STF é inevitável




A recente polêmica causada pela descoberta de um vídeo em que o deputado federal Eduardo Bolsonaro disse que bastavam um cabo, um soldado e um jipe para fechar o Supremo Tribunal Federal foi tratada de maneira superficial pela maior parte dos meios de comunicação.

Quem se deu ao trabalho de ver entrevistas e acompanhar o submundo dos grupos de whatsapp da campanha neofascista aos longo dos últimos meses sabe que os temas relativos ao TSE e ao STF provocam forte comoção entre os apoiadores de Bolsonaro.

Desde antes da campanha começar formalmente, Bolsonaro e assessores incentivaram a ideia de que haveria fraude nas urnas eletrônicas.

Alguns atribuiram a vitória de Dilma Rousseff sobre Aécio Neves, em 2014, por pequena margem, à fraude — no que foram incentivados pela decisão do PSDB de pedir recontagem.

Além disso, há de fato uma série de especialistas que questionam o voto eletrônico sem a impressão de um comprovante.

As fake news impulsionadas por whatsapp cumpriram um papel determinante na questão.

A teoria da conspiração de que o TSE teria entregue os códigos das urnas à Venezuela circulou amplamente. A manipulação dos códigos garantiria a exclusão de Bolsonaro do segundo turno.

Os apoiadores do neofascista, obviamente, não tocaram em duas questões essenciais.

O próprio sistema eleitoral da Venezuela, aquele da “ditadura” de Hugo Chávez, imprime votos e permite uma auditoria imediata, a partir dos papéis depositados em urnas, de uma amostragem suficiente para garantir que os resultados eletrônicos sejam compatíveis com os dos votos impressos.

Além disso, no Brasil o TSE cumpre um papel ímpar: organiza as eleições, julga as denúncias, audita e anuncia o resultado.

Na Venezuela, há um poder eleitoral independente da Justiça — o que, em tese, reforça o equilíbrio dos poderes.

No Brasil, curiosamente, Bolsonaro e os filhos nunca questionaram as urnas eletrônicas sem voto impresso quando eles próprios foram eleitos.

Se Bolsonaro vencer no próximo domingo, provavelmente este assunto será enterrado.

Porém, o mesmo não vai acontecer em relação ao STF.

A ideia de Bolsonaro é de acrescentar 12 ministros à Corte, garantindo maioria em relação aos 11 existentes.

A base da crítica à Suprema Corte é de que a maioria dos ministros foi indicada pelo ex-presidente Lula e pela presidenta Dilma Rousseff.

Por isso, teriam “vício de origem”.

A lista dos mais criticados é encabeçada por Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli.

Gilmar é denunciado por soltar os presos da Operação Lava Jato — já foi alvo de vários protestos de bolsonaristas em relação a isso.

O “pecado mortal” de Lewandowski teria sido o que os neofascistas definem como “manobra” para evitar a inelegibilidade de Dilma Rousseff.

Toffoli seria o “advogado” de José Dirceu.

Mas a questão de fundo é completamente outra.

Ao longo dos últimos anos, o “ativismo judicial” dos ministros do STF tem sido profundamente criticado, inclusive à esquerda.

Em defesa da Corte, Gilmar Mendes chegou a afirmar que era derivado da inapetência do Congresso para tomar decisões.

Os bolsonaristas, no entanto, enxergam o STF como um empecilho ao Executivo.

No vídeo acima, gravado em 12 de julho passado, numa comissão do Congresso, Eduardo Bolsonaro enfatiza que o aborto é proibido por lei no Brasil, mas que o STF abriu uma brecha na legislação por sua própria conta.

Disse também que, se houver conflito com a Corte, não acredita que haverá manifestações de rua pedindo a volta deste ou daquele ministro.

Não se trata de um arroubo juvenil, mas de uma questão de fundo.

Bolsonaro vê a Constituição de 1988 como um entrave.

Como sugeriu seu vice, o general Hamilton Mourão, escrever uma nova Constituição com gente escolhida a dedo seria a saída ideal do ponto-de-vista da extrema direita.

Não sendo possível — e provavelmente incentivado por seus estrategistas militares –, Bolsonaro gostaria de ter maioria imediata no STF para que o “ativismo judicial” passasse a beneficiar suas próprias ideias.

Porém, na incapacidade de aprovar mudanças constitucionais no Congresso, a pressão popular contra o STF cumpriria uma função importante, caso ele seja eleito: controlar a pauta (para impedir, por exemplo, que o ex-presidente Lula seja solto) e os votos dos atuais integrantes da Corte.

Por isso, os recuos dos Bolsonaro na polêmica com o STF, agora, são meramente táticos.

Levantar os podres de cada um dos ministros, o que está ao alcance da inteligência militar, poderia ter um papel decisivo na mobilização das milícias bolsonaristas.

Com whatsapp, com tudo.

Luiz Carlos Azenha
No Viomundo
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Francischini do PSL faria fakenews de novo

Facebook excluiu rede pró-Bolsonaro


'Fiz e farei de novo', diz deputado que apoiou rede derrubada pelo Facebook

O delegado Francischini (PSL), reeleito nas eleições 2018, divulgou vídeo em seu Facebook em defesa à rede RFA. O parlamentar já usou sua cota partidária para bancar notícias nos sites do grupo – todas elas positivas a ele. "Fiz licitamente, abertamente, e farei de novo. Estão ouvindo? Os esquerdinhas dos jornalistas espalhados por aí. Vou fazer de novo. Vou apoiar todas as páginas de direita que produzam conteúdo contra a vagabundagem do PT, contra a bandidagem que assaltou o nosso país."

Ele disse que faria um pedido para o Facebook para restabelecer as páginas excluídas. "Se são um grupo de jovens juntos que montaram uma empresa e faziam disso a sua atividade principal, que mal tem isso num País que está cheio de ladrão, cheio de bandido, cheio de vagabundo roubando dinheiro público? Sem vergonhice o que estão fazendo."

Conforme revelou o Estadão, o Facebook removeu nesta segunda-feira, 22, 68 páginas e 43 perfis ligados a uma só empresa que produzia conteúdo a favor de Bolsonaro, a Rede RFA. O motivo da exclusão não é o conteúdo publicado por essas páginas, mas a forma como a rede foi estruturada, com perfis falsos e divulgação de spam. Uma investigação do Estado em parceria com a ONG internacional Avaaz revelou, no dia 12, que esse grupo era o principal articulador de notícias positivas ao Bolsonaro nas redes sociais, além de espalhar boatos – eles foram um dos responsáveis por divulgar informações não confirmadas de que as urnas teriam sido fraudadas no dia da eleição. (...)

Em tempo: Francischini é aquele suposto Secretário de Segurança (sic) do encarcerado Beto Richa e bateu o record mundial de 100m rasos, ao fugir dos professores grevistas de Curitiba.

Em tempo2: Francischini faz parte daquela patriótica equipe de policiais federais que submete o ansioso blogueiro a uma condução coercitiva - PHA


Secretário Francischini foge dos professores, pouco antes do massacre da PM contra os grevistas em 29 de abril de 2015 (Reprodução: RPC)
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"O outro par", curta premiado


"O outro par", filme egípcio de apenas dois minutos, ganhou o prêmio de melhor curta no Festival de Cinema. A diretora é uma jovem de 20 anos, mas com uma sensibilidade que pode nos ajudar a perceber que o universo começa bem pertinho, logo ao seu lado.

O filmete retrata como as pessoas se isolam na tecnologia, em seus mundos virtuais, se esquecendo que a convivência pode ser uma das melhores coisas da vida. A convivência humana com amor e fraternidade. A convivência com o diverso. A convivência com outro ser humano.


No GGN
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Geraldo Azevedo diz que Mourão era um dos torturadores. General, no entanto, tinha 16 anos na época

“Eu fui preso duas vezes na ditadura, fui torturado, você não sabe o que é tortura, não. Esse Mourão era um dos torturadores lá", disse o cantor


O cantor e compositor Geraldo Azevedo disse, em um show em Jacobina (BA), na noite de sábado (21), que foi preso e torturado, junto com a esposa, em 1969, por 41 dias, durante a ditadura militar, e Hamilton Mourão, hoje general e candidato a vice na chapa do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), seria “um dos torturadores lá”.

Fórum apurou, no entanto, que o general Mourão nasceu em 1953 e teria 16 anos na época em que o cantor foi preso pela primeira vez. De acordo com a sua biografia, ele foi preso a primeira vez em 1969: “Geraldo Azevedo é preso com a esposa durante a ditadura militar, sendo torturado por 41 dias. Vitória fica 80 dias na prisão”.

Já em 74, “é preso pelo governo militar de Geisel ao lado da esposa grávida de seu segundo filho, que logo é solta. Geraldo é duramente torturado. Em um dos interrogatórios o colocam para tocar violão. Ele então é salvo das torturas pela música, sendo obrigado a tocar e cantar para os torturadores repetidas vezes”.

A Fórum entrou em contato com a assessoria de Geraldo Azevedo e aguarda retorno.

“Olha, é uma coisa indignante, cara. Eu fui preso duas vezes na ditadura, fui torturado, você não sabe o que é tortura, não. Esse Mourão era um dos torturadores lá.” Ele acrescentou: “e essa alegria toda que está tendo aqui vai se perder, vocês estão sabendo disso. O Brasil vai ficar muito ruim se esse cara ganhar”. Assista abaixo:

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A naturalização da mentira e as eleições ilegítimas


As eleições presidenciais de 2018 vêm sendo marcadas por uma sucessão de episódios que as tornam cada vez mais ilegítimas. Todo esse processo tem origem no impeachment sem crime de responsabilidade, o que caracterizou o golpe parlamentar-judicial, fato que abriu a porteira para uma sucessão de ilegalidades de juízes de primeira instância, do TRF4, do STJ, do TSE e, principalmente, do Supremo Tribunal Federal. Tudo termina - depois de uma série de relações causais, de cumplicidades criminosas de vários tribunais e juízes, de violações de leis e da Constituição - na imensa manipulação de eleitores, através de mentiras e falsas acusações, patrocinada pela campanha de Bolsonaro.

As ações manipuladoras do Sérgio Moro, numa sucessão de atos políticos para derrubar a presidente Dilma e prender Lula, estão em linha com a escandalosa farsa via redes sociais e Whatsapp, patrocinada pela campanha e pelos agentes bolsonaristas. Também estão em linha com esta campanha as ações do TRF4, cujo presidente, Carlos Eduardo Thompson Flores, é amigo íntimo do general Hamilton Mourão a ponto de participar de uma palestra do mesmo durante a campanha. Ilegítima foi a condenação de Lula sem provas, ilegítima foi a ratificação da condenação de Lula pelos três desembargadores do TRF4, ilegítima foi sua prisão, ilegítima foi a ação de Moro de impedir sua soltura determinada pelo desembargador Favreto, ilegítima foi a ação de Thompson Flores ao validar a ilegitimidade de Moro ao invés de remeter o caso para o colegiado do tribunal, ilegítima foi a decisão dos tribunais superiores ao não concederem habeas corpus a Lula, ilegítima foi a procrastinação de Carmen Lúcia ao não colocar em julgamento a questão da prisão após condenação em segunda instância e ilegítimas foram as pressões de generais sobre os tribunais superiores nas vésperas de julgamentos envolvendo Lula.

Na tutela judicial-militar que vem se estabelecendo sobre as instituições políticas, sobre o Estado de Direito e sobre as liberdades e direitos individuais, os tribunais superiores vêm marcando sua conduta nesses episódios todos por ações definidas por dois tipos de caráter: covardia e cumplicidade. Por um lado, cedem às pressões dos generais e, por outro, são cúmplices adiantando-se até mesmo às pressões e sendo mais proativos no estabelecimento da exceção do que os próprios generais.

Não é um acaso histórico que as eleições presidenciais de 2018 estejam sendo marcadas e manchadas por uma imensa máquina de mentiras, de calúnias e de difamações contra os adversários do bolsonarismo. Esta farsa e sua cultura vieram sendo preparadas pelas ilegitimidades e pelas ilegalidades, pois estas são os punhais terríveis que, primeiro, assassinam a verdade, o respeito, a decência e a moralidade. Destruídas a verdade e a moralidade das leis e da Constituição, naturalizadas as ilegalidades e as ilegitimidades, depois, qualquer mentira prospera, pois o discernimento e a razão justos são igualmente destruídos pela racionalização da perversidade e da maldade. É da afirmação da validez do mal do que se está falando. Repita-se o que dissemos no último artigo: Nada de digno, nada de edificante, nada de justo surgirá sobre a montanha de mentiras, da falta de escrúpulos, da falta de moralidade erguida pela campanha de Bolsonaro.

Com a naturalização das mentiras perdeu-se o metro e o critério do justo e do verdadeiro. Com isto naturaliza-se também a incitação à violência, ao estupro, ao preconceito, à discriminação, ao racismo, à misoginia, ao machismo, à homofobia e ao golpe. Não existem mais as barreiras sociais e morais para que estas manifestações do mal se explicitem. Senhores e senhoras "do bem", das elites, perderam qualquer escrúpulo em manifestar essas vocações perversas e pervertidas da conduta humana. Todos os demônios que estavam acorrentados nas almas de cada um por uma barreira moral e social se soltaram e a sociedade brasileira revela a sua verdadeira face: perversa, cruel, imoral, tirânica, violenta, assassina e desumana.

A banalidade da mentira precede e acompanha a banalidade do mal. O aparecimento da banalidade da mentira é o sintoma, o prelúdio, o anúncio do surgimento efetivo do fascismo. A banalidade da mentira é o primeiro ato do nascimento de um movimento fascista organizado que usará a violência sistemática para conquistar e/ou manter-se no poder.

Está mais do que documentado que os movimentos fascistas e nazistas que ascenderam ao poder, mesmo por eleições, usaram a mentira sistemática em sua propaganda para manipular e convencer as pessoas. A extrema-direita de hoje usa o mesmo expediente dos movimentos fascistas e nazistas originários. O que mudou são apenas os meios de propaganda. Também está documentado que o sucedâneo da mentira é o uso da violência sistemática e organizada. O que se vê hoje é a violência ainda dispersa, praticada pelos devotos do candidato e líder. Se tudo isto não for contido a tempo, amanhã, possivelmente com o domínio do poder, será fácil transformar o PSL num movimento fascista ou fazer surgir esse movimento à margem mesmo dos partidos.

Também está solidamente documentado o fato de que as instituições judiciais e policiais foram omissas ou criminosamente cúmplices dos movimentos totalitários onde estes chegaram ao poder. Atos dessa omissão e dessa cumplicidades nós estamos assistindo nos últimos anos no Brasil. Agora mesmo se verá se o TSE será omisso ou criminosamente cúmplice desta montanha de mentiras, desta farsa em que a campanha de Bolsonaro transformou essas eleições via Whatsapp.

Com a naturalização da mentira e com a perda do metro e do critério do que é justo e verdadeiro as mentiras são mentiras e são transformadas em verdades. Quando o filho de Bolsonaro afirma que basta um soldado e um cabo para fechar o STF quer-se que isto não seja levado a sério, mas ao mesmo tempo é uma ameaça. Quanto Bolsonaro incentiva a violência, o estupro e o racismo é a mesma coisa: é brincadeira, mas é sério. É brincadeira para evitar a reprovação e a tipificação de crimes, mas é sério porque as palavras têm consequências, as palavras intimidam, matam, estupram, discriminam.

E o povo? Por que o povo se deixa enganar e adere a propostas autoritárias? Existem várias explicações históricas, algumas de caráter geral, outras relacionadas a circunstâncias e conjunturas específicas de cada país, que evidenciam as razões para essa conduta dos povos. Não se trata aqui de analisá-las. Mas no caso específico da candidatura de Bolsonaro, apenas uma minoria age e adere a ela de forma consciente, sabendo que ele expressa uma perspectiva autoritária. Mas os eleitores em geral, como mostram as pesquisas, acreditam que Bolsonaro defende mais a democracia do que Haddad.

Em relação a esses eleitores, que de um ponto de vista progressista, são ingênuos, manipulados e enganados, existem explicações mais prosaicas acerca de sua adesão ao bolsonarismo. Parte deles aderem por quererem mudanças. Vêem em Bolsonaro uma encarnação mais efetiva de mudança do que em Haddad. Vêem no candidato do PSL alguém que está contra tudo o que está aí, um candidato anti-sistema. Identificam no sistema a causa das mazelas do Brasil e de sofrimento do povo.

A Filosofia Política também pode oferecer algumas explicações para a conduta desses eleitores manipulados. Tome-se as explicações de Maquiavel e de Shakespeare, que são coincidentes. Eles indicam que nos momentos de transição, de declínio de velhas lideranças e de ascensão de novas, o povo se fixa mais no presente e no que é novo do que no passado ou em algo que o represente. Os povos apreciam as frivolidades recém-nascidas ou recém-chegadas. As pessoas vêem ouro onde há apenas um pó dourado e não conseguem ver o ouro verdadeiro sob o pó.

Ou tome-se Hegel: na opinião pública está a verdade e o erro infinito. Ela sabe o que é o verdadeiro bem, mas quando julga costuma aplicar golpes lamentáveis. Isto acontece porque o povo se engana e porque é enganado. Mas se existe um líder autêntico e que conta com a confiança do povo, basta que lhes diga onde está o critério da verdade e o povo o perceberá. Lamentavelmente, neste momento, o único líder que pode fazer isto está preso e não pode falar.

Aldo Fornazieri, Cientista político e professor da Fundação Escola de Sociologia e Política (FESPSP)
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Fala de Bolsonaro é mais grave do que vídeo do filho

https://www.blogdokennedy.com.br/fala-de-bolsonaro-e-mais-do-grave-do-que-video-do-filho/
Ameaças à oposição são típicas de ditaduras

A fala de Jair Bolsonaro no domingo com ameaças a opositores, minorias, movimentos sociais e imprensa foi mais grave do que o vídeo do filho Eduardo Bolsonaro dizendo que, com um cabo e um soldado, daria para fechar o STF (Supremo Tribunal Federal).

As declarações do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) não surpreenderam. Ele mostrou despreparo e visão autoritária. Em 2016, ao votar a favor da abertura do processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff, ele disse que o fazia “pelos militares de 64, hoje e sempre”.

O ministro Celso de Mello, decano do STF, teve a reação mais contundente e correta. Classificou a fala de Eduardo Bolsonaro como “inconsequente”, “golpista” e “irresponsável”. FHC também falou duro e acertadamente. Disse que a coisa cheirava a fascismo. E cheira mesmo.

Em contraponto político, foi lembrado um vídeo do deputado federal Wadih Damous (PT-RJ) em que ele criticava o Supremo. Mais uma vez, houve tentativa de nivelar desiguais. Ao longo dos 13 anos em que esteve no poder, o PT não tentou fechar o STF. O histórico do partido não autoriza que a legenda seja retratada como uma ameaça à democracia.

Mas as falas de Jair Bolsonaro ao longo de sua carreira política e o discurso para manifestantes na avenida Paulista mostram que o candidato do PSL é, sim, uma ameaça à democracia. Jair Bolsonaro fez um discurso típico de ditaduras.

Ele disse representar uma maioria, “o Brasil de verdade”, e que uma minoria, “essa turma, se quiser ficar aqui, vai ter que se colocar sob a lei de todos nós”. Ora, é um óbvio desrespeito às minorias.

O candidato do PSL também ameaçou colocar opositores na cadeia, onde Lula apodreceria. Numa democracia, é o Judiciário que manda as pessoas para a cadeia.

Ele criminalizou os movimentos sociais, dizendo o seguinte: “Bandidos do MST, bandidos do MTST, as ações de vocês serão tipificadas como terrorismo”. Atacou a imprensa que o desagrada. Chamou o jornal “Folha de S.Paulo” de a maior fake news do país e ameaçou cortar verba de publicidade.

São os ditadores que ameaçam opositores, minorias, imprensa e movimentos sociais. Uma democracia se legitima e se fortalece com oposição, respeito às minorias, liberdade de imprensa e diálogo com movimentos sociais.

A uma semana da eleição, um candidato prestes a virar presidente deveria ter atitude conciliatória. Mas Bolsonaro fez o contrário. Assim, dá um sinal preocupante para seus liderados, seus guardas da esquina, num momento em que deveria enviar mensagem de união e moderação.

Esse discurso de Bolsonaro é o mesmo de Nicolás Maduro na Venezuela, país que virou uma ditadura. Não é a fala de um democrata. É melhor o Brasil já ir se preocupando.
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Ditadura anunciada


Depois deste final de semana, ninguém poderá alegar inocência no futuro, quando cair sobre nós a escuridão anunciada por Jair Bolsonaro e seu grupo, se confirmada sua eleição no domingo.

Eles mesmos nos avisaram de que haverá desprezo e talvez violência contra as instituições democráticas, de que o regime será tirânico, perseguindo adversários, mandando-os para o exílio ou para a prisão. O nome disso é ditadura.

Começando pela fala do deputado eleito Eduardo Bolsonaro, de que o STF poderia ser fechado por um soldado e um cabo, dispensado até o uso de um jipe.

Isso haveria caso o STF impugnasse a candidatura de seu pai, embora a matéria seja afeta ao TSE.

O ministro Celso de Mello, decano da corte, qualificou-a de “inconsequente e golpista” e o presidente do Supremo, ministro Dias Toffoli, afirmou em nota que atacar o Judiciário é atacar a democracia.

Palavras enérgicas mas insuficientes para o tamanho da afronta.

Como disse a senadora Gleisi Hoffmann, presidente do PT, “o tempo dos tribunais deve ser o tempo de salvar a democracia”.

“Já adverti o garoto”, disse o pai.

A fala foi em julho mas não vem ao caso.

O que ela expressa é a ideologia do grupo que integra, que transpareceu também, neste final de semana revelador, em declarações do senador Magno Malta, fiel escudeiro do candidato: “O Brasil tem bandidos também nos tribunais superiores. O Supremo Tribunal Federal deste país, cada um tem o seu bandido de estimação”.

O repúdio enérgico de Mello e Toffoli é insuficientes porque Eduardo Bolsonaro incorreu em crime previsto pela Lei de Segurança Nacional, como lembrou o ministro Alexandre de Morais.

Caberia um pedido de abertura de inquérito, talvez pela Procuradoria Geral da República.

A LSN trata de crimes “contra o regime representativo e democrático, a Federação e o Estado de Direito”, além dos que atentem contra a integridade e a soberania nacionais, e contra a pessoa dos chefes de poderes.

O deputado eleito blasfemou contra o Estado de Direito, segundo previsão da lei, ao “fazer, em público, propaganda de processos violentos ou ilegais para a alteração da ordem política ou social”. Fechar o Supremo é isso, e portanto, caberia uma ação. Mas o Judiciário, que ajudou a criar o monstro, agora lida com ele cheio de dedos, temendo ser devorado.

Foram também indicadoras da tirania que nos espera, se Bolsonaro for eleito, suas próprias declarações, em mensagem por vídeo aos apoiadores reunidos na avenida Paulista: “Vamos varrer do mapa esses bandidos vermelhos do país. Essa turma, se quiser ficar aqui, vai ter que se colocar sob a lei de todos nós. Ou vão para fora ou vão para a cadeia.”

Não duvidemos: os adversários serão perseguidos, forçados ao exílio ou a prisões arbitrárias.

Na mesma fala, ele falou de um Brasil “sem Folha de São Paulo”, em outro aviso macabro, este à imprensa livre que tanto contemporizou com ele. E proclamou que o ex-presidente Lula vai mofar na cadeia, explicitando a intenção de controlar o Judiciário, pois não cabe ao Executivo decidir sobre a execução da pena de nenhum preso.

Avisou ainda que o líder do PT no Senado, Lindbergh Farias, será preso e fará companhia a Lula, juntamente com o atual candidato do partido, Fernando Haddad.

Bolsonaro aponta para o terror de Estado, com o governo decidindo quem prender, fora do devido processo legal, fora do Estado de Direito. Quem for capaz, que arranje outro nome para esta ditadura anunciada.

Não podem os democratas brasileiros comungar da resignação do ministro do STF Roberto Barroso, para quem “os países, como as pessoas, passam pelo que tem que passar, para amadurecerem e evoluírem”.

Isso equivale à teoria espírita do karma, que não pode ser aplicada às Nações.

O Brasil que venceu uma ditadura há de evitar o seu retorno, se os democratas saírem de seu imobilismo.
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O que move os eleitores de Bolsonaro?

Santa Catarina, o estado que em 2002 concedeu a maior votação proporcional a Lula, hoje está na crista da onda bolsonarista. E oferece um retrato da complexidade de seu eleitorado

Resgate dos 'valores da família e bons costumes' é argumento constante entre os eleitores de Bolsonaro
"Precisamos de mudança." "Chega de PT e de corrupção." "O Brasil está numa situação econômica terrível." "Ele vai combater a criminalidade com leis mais duras." "Ele é temente a Deus e a favor da família." Esses são alguns motivos apresentados por eleitores de Santa Catarina para explicar por que concederam, no primeiro turno, a maior votação proporcional do País ao candidato Jair Bolsonaro, do Partido Social Liberal (PSL).

Santa Catarina está na crista da onda Bolsonaro: foram 65,82% dos votos, contra 15,13% para Fernando Haddad, do PT. Dos 295 municípios do estado, 223 elegeriam Bolsonaro no primeiro turno. O estado, portanto, é um local propício para tentar entender os motivos que fizeram o eleitor optar pelo voto no 17.

Nas ruas do Morro do Horácio, na periferia de Florianópolis, não parece existir campanha política. Não há bandeiras de partidos ou adesivos de candidatos espalhados pelo bairro. Muitos moradores relatam desilusão com a política e sequer querem conversar. Rosemi Dal Soto, de 56 anos, é uma das poucas moradoras a dizer o que pensa. "Precisamos de mudança. Chega de PT e de corrupção. Pagamos impostos demais. Acredito que isso vai mudar com o Bolsonaro", diz.

O desejo de mudança é um dos principais argumentos usados para justificar a escolha do PSL, quase sempre acompanhado da crítica ao PT e à corrupção. "A característica mais importante do fenômeno Bolsonaro é a politização da antipolítica. Ele captura bem o sentimento de negação, de frustração com a política", avalia a pesquisadora Esther Solano, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que estuda os eleitores de Bolsonaro desde 2017. "Ele se apresenta – obviamente que isso é uma questão de marketing – como uma figura nova, como um outsider, antissistema", avalia a pesquisadora. O candidato do PSL é deputado há 27 anos.

Se Santa Catarina se tornou o estado brasileiro mais pró-Bolsonaro no primeiro turno, Treze de Maio, no sul do estado, conquistou o posto de capital nacional. O município agrícola de pouco mais de 7 mil habitantes teve a maior votação proporcional do país para o candidato: 83,89%, contra 7,2% de Haddad.

Apaixonado por armas, o representante comercial Iter Bez Fontana, de 32 anos, participa do grupo de WhatsApp Atiradores de Elite, que se transformou em "Jair Bolsonaro". "Votei no Bolsonaro, em primeiro lugar, porque ele é temente a Deus e a favor da família." Fontana, que é casado e tem um filho, considera um dos principais problemas do Brasil o que chama de ideologia de gênero. Na visão dele, o ensino sobre educação sexual e igualdade de gênero não deve ser feito nas escolas, mas pelos pais.

Vários entrevistados citaram como argumento que Bolsonaro é um homem de Deus e a favor da família. E, muitas vezes, completaram com críticas às questões de gênero e à sexualidade, em geral, e ao kit gay, em particular. No dia 16 de outubro, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mandou Bolsonaro remover vídeos sobre o kit gay da redes sociais por serem falsos. Voltado para formação de educadores no âmbito do projeto Escola sem Homofobia, o material nunca foi distribuído.

Na sua pesquisa, Solano evidenciou uma forte reação dos eleitores de Bolsonaro a mudanças de costumes. "Há uma reação muito grande aos avanços no campo progressista, do ponto de vista dos costumes, dos avanços sociais, dos movimentos identitários, como o movimento negro, LGBT e feminista. Há uma reação em torno desse tipo de valores, no sentido de retomar os valores da família tradicional, os valores cristãos e religiosos", afirma.

No outro extremo ideológico do estado está Entre Rios, cidade do Oeste com pouco mais de 4 mil habitantes. Lá Haddad recebeu 65,63% dos votos, contra 21,55% de Bolsonaro. A servidora pública Adriani Maria Biasi, de 36 anos, foi na contramão da maioria dos moradores da cidade. Para ela, o candidato do PSL representa, sobretudo, o respeito às tradições e à ordem. "Ou ele muda ou ele vai entregar para os militares. Se ele não der conta, que entre alguém acima dele que coloque ordem no Brasil. Porque desse jeito não dá, é só corrupção", declara.

Uma das principais críticas a Bolsonaro são as declarações de apoio à ditadura militar. Na votação do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, por exemplo, o deputado homenageou Carlos Alberto Brilhante Ustra, que dirigiu um centro de tortura durante o regime militar. Alguns eleitores parecem não se importar com isso ou até consideram um golpe militar como solução.

Solano vê nisso uma reinterpretação do período histórico, tido por essas pessoas como mais seguro e mais disciplinado. "Como é um período da história que não foi de fato fechado, não teve culpabilização, julgamentos, não foi colocado o dedo na ferida, isso possibilita que, de fato, a ditadura seja uma lembrança possível", comenta.

Em 2002, Santa Catarina concedeu a maior votação proporcional a Lula no primeiro turno. Desde então votou contra o PT. Nas últimas eleições, o candidato Aécio Neves, do PSDB, obteve a maior votação proporcional nos dois turnos. Para o sociólogo Jean Gabriel Castro da Costa, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o que faz o eleitor catarinense optar por Bolsonaro é o sentimento contra o sistema político e a corrupção. Mas por que Santa Catarina está na crista dessa onda?

Na avaliação do pesquisador, em Santa Catarina não há fortes contrapesos a esse sentimento. "Um deles seria o Bolsa Família, que tem um peso maior no Nordeste. Santa Catarina é o estado em que a percentagem de famílias que ganham o benefício é a menor do país. Podemos dizer que o eleitorado daqui é o que menos depende do Estado em vários sentidos, por causa da tradição de pequenas e médias propriedades rurais, do cooperativismo, dos serviços", avalia. Além disso, o PT não é tão forte como em outros estados.

Alguns entrevistados, sobretudo mais jovens, dizem que se descobriram de direita ao refletir sobre o assunto. Murilo Coelho, de 21 anos, e Luiz Henrique Santos, de 24 anos, são dois estudantes de agronomia da UFSC que participam do movimento Direita Santa Catarina (DSC), cujo objetivo é apoiar o conservadorismo social e o liberalismo econômico.

"Voto no Bolsonaro, primeiro de tudo, para resgatar os valores, os bons costumes, manter a família tradicional, pelo direito à vida, contra o aborto", afirma Murilo. "Vejo muita coragem em Bolsonaro em bater na tecla de segurança pública. A maioria da população já teve problemas em ter sido assaltado, ter sido vítima de algum ato de covardia", complementa Santos.

Na quinta-feira 17/10 em Florianópolis, foi inaugurado o comitê de campanha de Bolsonaro e do Comandante Moisés, candidato a governador pelo PSL. Quarto colocado nas pesquisas, ele chegou ao segundo turno ligeiramente atrás de Gelson Merísio (PSD), que também declarou apoio a Bolsonaro. Almira Lima Lopes, de 61 anos, estranhou o fato de ser uma das poucas mulheres no local. A grande maioria também era de brancos, ao contrário dela e do filho Marco Aurélio Júnior, de 39 anos.

Apesar de a família estar em peso a favor de Bolsonaro, há discussões. "Comecei a postar coisas do Bolsonaro no Facebook, e uma sobrinha, que entrou na universidade e se transformou, começou a reclamar. 'Tia, você é mulher e negra e vai votar no Bolsonaro?' É justamente por ser mulher e negra que voto no Bolsonaro", justifica. Tanto ela como o filho alegam que racismo e machismo já existem e avaliam que as críticas a Bolsonaro nessas questões derivam de uma falta de entendimento do seu jeito espontâneo de falar.

Do Deutsche Welle
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Juremir Machado pede demissão de programa ao vivo após ser impedido de fazer perguntas a Bolsonaro - assista




Nós poderíamos dizer que o candidato nos censurou?”, questiona o jornalista Juremir Machado da Silva ao final de uma entrevista, na manhã desta terça-feira (23), no programa Bom Dia com Rogério Mendelski, na Rádio Guaíba. A entrevista foi conduzida pelo apresentador com o candidato à Presidência Jair Bolosnaro (PSL).

Juremir e outros dois jornalistas, Jurandir Soares e Voltaire Porto, acompanharam os questionamentos e as declarações do presidenciável – mas foram impedidos de se manifestar. Segundo Mendelski, ao longo da conversa por telefone, Bolsonaro não soube da presença de outros jornalistas no estúdio. No entanto, ele admitiu a existência de um pedido prévio. “O silêncio de vocês foi uma condição do candidato”, afirmou Mendelski.  O apresentador também disse que o programa “quase conseguiu entrevistar [o candidato Fernando] Haddad (PT)”, mas que a conversa não se concretizou por conflitos de agenda. “Ele disse que falaria somente comigo. Não tem censura”, respondeu Mendelski, após o comentário de Juremir.

“Eu achei humilhante e, por isso, estou saindo do programa. Foi um prazer trabalhar aqui por 10 anos”, afirmou Juremir, que, logo após, deixou o estúdio. Os jornalistas remanescentes reiteraram que o pedido de Bolsonaro não seria “um problema”. Ao ser questionado por Mendelski sobre sua opinião, Voltaire Porto respondeu que “precisa trabalhar”. Já Jurandir tentou minimizar a situação: “Ele concedeu a entrevista em consideração a ti, e acho que tem que respeitar”.

Juremir é um pesquisador que, inclusive, desbancou a farsa da nossa "Revolução Farroupilha", dizendo que não passava de "golpe de mercado".

É um intelectual gaúcho e pesquisador.

Do Sul21
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O fascismo é a patologia mental que se politizou (flúor na água é invenção dos comunistas)

No Brasil, vivemos hoje uma onda regressista que expõe a ignorância e o obscurantismo no qual muitos – ditos letrados – estão enterrados de corpo inteiro. A onda ultra-autoritária vêm se formando há alguns anos, vitaminada que foi pela constante desmoralização da política promovida pelos grandes meios de comunicação.

Outros países já passaram por essa experiência trágica.

Grande parte da Europa, na década de 1930, sucumbiu ao nazifascismo. Isso não ocorreu somente com a Alemanha, a Itália, a Espanha e Portugal, não.

Na Inglaterra mesmo, o movimento de ultradireita foi muito forte e ameaçador, bem como em outros países do velho continente. Em todos estes países, a extrema direita sempre agia com violência e extrema brutalidade contra àqueles que julgavam seus oponentes.

A França de Vichy (1940-44), como ficou conhecida, foi administrada por um governo fantoche dos nazis, ninguém desconhece esse fato histórico lamentável.

Nos Estados Unidos, durante o governo Roosevelt, e mesmo antes, a extrema direita fazia manifestações virulentas contra as políticas sociais de recuperação econômica e social de origem keynesiana. Enquanto isso, o fascista Benito Mussolini era um queridinho da imprensa americana, aparecendo em pelo menos 150 artigos de 1925 a 1932, alguns artigos neutros, mas muitos elogiando o italiano como grande líder de massas.

Seguiu-se a isso, o macartismo persecutório, que vigiu de 1950 até o final da década, com forte conteúdo anticomunista e paranóico.

Já no governo democrata de John Kennedy, nova onda regressista varreu os Estados Unidos, motivado pela presença da nova Cuba revolucionária, pela sua hipotética submissão neocolonial à União Soviética (que não ocorreu), pelo recrudescimento da Guerra Fria diante da fracassada invasão fascista à Baía dos Porcos (1961), e a temerária crise dos mísseis soviéticos em Cuba (1962).

Sem esquecer a perigosa crise de Berlim de 1961, quando quase chegamos à terceira guerra mundial, resultando na construção do famigerado e stalinista Muro de Berlim Oriental.

Os irmãos Kennedy, um, John, na presidência, o outro, Bob, como procurador-geral da República, foram implacáveis com a extrema direita materializada em postos de comando nas Forças Armadas, na CIA, no FBI, no Congresso estadunidense, e sobretudo, na grande mídia (sempre ela).

JFK tinha um fraco controle dos postos estratégicos do aparelho de Estado. [Este filme, nós vimos recentemente no Brasil, mais precisamente no governo Dilma.]

Portanto, não foi sem motivo, ou por razões acidentais, que ambos sucumbiram à eliminação física – JFK, em novembro de 1963, e RFK, em junho de 1968. [No Brasil, a democracia é que sofreu a eliminação física, através do golpe de 2016.]

Assassinatos perpetrados por evidente conspiração composta pela conjugação combinada de interesses que reuniram a CIA, o FBI, os militares beligerantes que apostavam na crescente tensão da Guerra Fria (afinal, foi o direitista general Eisenhower, presidente da República, antecessor de Kennedy, que alertou para o preocupante fortalecimento político daquilo que ele mesmo chamou de “complexo industrial-militar”), e a espectral Máfia (J. Edgar Hoover, o temido ultradireitista chefe do FBI chegou a afirmar à época que “a Máfia não existe”).

O “capo” mafioso Santo Trafficante Junior (acreditem, é nome de pia batismal, mesmo), chefe da região da Flórida, reduto de 90% dos exilados cubanos, igualmente ultradireitistas e ressentidos contra a nova Cuba, é um dos principais suspeitos de ter participado da grande e misteriosa conspiração para eliminar os irmãos K.

Pra vocês terem uma ideia do grau de promiscuidade havido entre o aparelho de Estado e o crime organizado nos EUA. O que comprova que a corrupção não é fenômeno exclusivo dos países da periferia do capitalismo, nem do Hemisfério Sul, habitado por povos não-brancos e não hegemonizados pelo credo original do puritanismo protestante, como dizia Max Weber.

E a relação do flúor dental com os comunistas?

Pode parecer piada, mas a ultradireita dos Estados Unidos (vocalizada pela grande mídia, durante o governo Kennedy), quando da adoção da campanha para fluoretar a água potável distribuída às populações urbanas, espalhou a contra-informação segundo a qual o flúor era invenção da União Soviética com a malévola intenção de “envenenar” o povo dos EUA por inteiro.

Assim, depois que todos estivessem enfraquecidos, gravemente enfermos ou mortos, os comunistas invadiriam o território estadunidense anexando-o, de imediato, como colônia da URSS.

Simples assim. O senso comum tem fobia à complexidade. Quanto mais rasa a mentira, melhor ela é absorvida pela chamada “opinião publicada” – os grandes artífices da ideologia dominante.

Cristóvão Feil, sociólogo
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Horário Eleitoral Livre



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Fascistas pregam “fechar” o Supremo e banir – exilar – ou prender adversários



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Francischini contratou responsável por rede fake pró-Bolsonaro com dinheiro público


O deputado federal Fernando Francischini (PSL), principal aliado de Jair Bolsonaro (PSL) no Paraná e deputado estadual eleito com a maior votação da história, usou R$ 28 mil de dinheiro público da cota parlamentar à qual os deputados têm direito para fazer pagamentos à Novo Brasil Empreendimentos Digitais. A empresa foi apontada como responsável por 68 páginas e 43 perfis pró-Bolsonaro que foram tirados do ar nesta segunda-feira (22) pelo próprio Facebook.

Essa era a maior rede pró-Bolsonaro da internet e segundo o Facebook os donos dessas páginas violaram as políticas de autenticidade e spam. Eles criavam contas falsas e tinham diversas contas com os mesmos nomes para administrar essa rede, que tinha mais engajamento na internet, por exemplo, que as páginas de Madonna, Neymar e Anitta.

"Ao todo, Francishini realizou sete pagamentos à empresa entre os meses de dezembro de 2017 e maio de 2018. Os dados estão no portal da transparência da Câmara Federal e a justificava dada pelo parlamentar para os gastos era a “prestação de serviços para divulgação da atividade parlamentar em meio digital”.

O blog tentou contato diretamente com o deputado e também via assessoria, mas as mensagens não foram respondidas e as ligações não foram atendidas.

Em maio, quando já se relacionava a Novo Brasil Empreendimentos Digitais à propagação de Fake News, Francischini disse ao UOL que a empresa prestava consultoria em redes sociais e editava alguns vídeos para publicação nos perfis do deputado e que os pagamentos não têm relação com essa rede de perfis.

"Para justificar a remoção das páginas, o Facebook afirmou que “autenticidade é algo fundamental”.

“Acreditamos que as pessoas agem com mais responsabilidade quando usam suas identidades reais no mundo online. Por isso, exigimos que as pessoas usem seus nomes reais e também proibimos spam, uma tática geralmente usada por pessoas mal-intencionadas para aumentar de maneira artificial a distribuição de conteúdo com o objetivo de conseguir ganhos financeiros”, diz a nota do Facebook."

João Frey
No Gazeta do Povo
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