22 de out. de 2018

Terrorismo eleitoral de direita: infantilização e agressividade

Homens velhos e formados, riem e compartilham fake news e memes que adotam uma estética adolescente. Foi assim que gente adulta e milionária interesseira decidiu investir e interferir no processo eleitora, porque está mais que claro que a massa, a qual pretende manipular, excita-se com essas piadas juvenis


Um dos planos mais mirabolantes formulado pelo serviço secreto norte-americano durante a Segunda Guerra mundial foi o que visava conter a retórica de Hitler. Consistia em implantar hormônios femininos nas refeições do chanceler alemão, “que tornariam sua qualidade vocal cada vez mais aguda e sua compleição cada vez mais afeminada”.1

O plano não foi realizado, mas nos anos seguintes, a retórica política adquiriu uma menor agressividade. De Kennedy a Barack Obama, passando por Tony Blair e Lula, ouve a introdução de uma fala carregada de emoção, empatia e autenticidade, o que Karpf identificará como um “movimento de feminização nos usos públicos da voz masculina”.

Esse modelo eloquente foi usado tanto por conservadores quanto por progressistas, contudo, com a ascensão da extrema direita ao poder, tudo indica que esse cenário mudou.

A retórica política que usa estratégias para denegrir seus alvos, injuriar adversários, enfim, a retórica agressiva de Hitler, voltou. É a remasculinização da fala pública. Não apenas homens a usam, mas as mulheres, como Marine Le Pen.

Essa fala não precisa mais da tevê. Foi suavizando o seu discurso que Lula conseguiu usar da tevê para construir uma imagem carismática e, assim, chegar ao poder. Mas hoje, o discurso agressivo que se elege dispensou a tevê e se apoiou nas redes sociais. Não ir aos debates televisivos tornou-se estratégico. Porque soa mal ser agressivo na tevê. Dizer, por exemplo, que irá banir a oposição. Isso porque o ciberespaço permite que o ideal narcisista pós-moderno se realize, pois, por exemplo, nas redes sociais o indivíduo pode defender seu estilo de vida, sua personalidade acima de tudo, em um local “aparentemente neutro”. Um lugar de encontro relativamente igual para todos. Nele “as regras garantem que o espaço ‘privado’ das idiossincrasias pessoais, imperfeições, fantasias violentas etc. não transborde numa dominação direta dos outros”.2

Em nome da ameaça, mesmo que o público não seja alvo dela, acaba sendo levado a se identificar com o sujeito das agressões. E como está na Bíblia, a qual assegura que primeiro veio a fala e somente em seguida as coisas fizeram-se reais, a retórica agressiva começa no discurso, mas, em pouco tempo, espalha-se pelas ruas.

A postura máscula e a voz forte e agressiva era uma característica de Hitler, que usava o rádio em larga escala para difundir seu pensamento nazista. Hoje, as tecnologias mudaram. Não há mais necessidade de duas horas de discurso. Precisa-se de frases curtas que possam caber em uma postagem de fácil replicação, ou em um meme cômico. Somou-se a isso o que podemos chamar de infantilização da cultura de massas.

A “espetacularização” da cultura e da informação é um prato cheio para a manipulação e infantilização das opiniões, pois esta cultura é feita para vender em quantidade e de forma atrativa, tendo assim de metamorfosear tudo que produz em espetáculo, impedindo, desta maneira, uma compreensão mais aprofundada do conteúdo. A transformação da informação em algo de consumo rápido, prendeu os jornais a polêmicas e a informações sensacionalistas, e isso ocorreu não só com os veículos da grande imprensa, mas, em muitos casos, também, com os da mídia independente.

Desta maneira, certos políticos se aproveitam desse caráter efêmero e extravagante da mídia para lançar suas polêmicas. Agora, esse modelo que tinha fins mercadológicos adquiriu, também, uma finalidade política e invadiu um meio onde adquirir “conhecimento” de forma veloz (rolar a página no Facebook ou ligar o telefone para acessar o Whatsapp) predomina.

Os pais sentam ao lado dos seus filhos para assistir as bobagens ditas que, por sua vez, são interpretadas sem dificuldades. Daí a explosão dos filmes da Marvel e das animações. Não precisa um mínimo de esforço. As mentes se equiparam. Atrofiam-se. Surge então um cenário perfeito para a febre dos memes que circulam de forma viral.

Desta forma, homens velhos e formados, riem e compartilham fakenews e memes que adotam uma estética adolescente. Foi assim que gente adulta e milionária interesseira decidiu investir e interferir no processo eleitoral porque está mais que claro que a massa, a qual pretende manipular, excita-se com essas piadas juvenis.

Tudo deve ser risível, cômico, ou, na linguagem dos jovens, “zoeira”. E a cada minuto novas palhaçadas são apresentadas. Aproveitando-se de que as redes sociais deram espaço a essa cultura imbecilizada, polêmica e agressiva, o político que quer apenas ganhar votos não titubeará em se valer de uma vida acelerada, construída propositalmente para que as pessoas não tenham tempo para pensar no que ouvem, em criar posts potencialmente virais, reproduzindo o seu discurso de forma porca, mas capaz de gerar prazer.

A criança, que tem um acesso cada vez maior ao mundo dos adultos, com maquiagens e computadores que acessam o que há de disponível, adultaliza-se nessa cultura infantilizada. Um paradoxo. Os adultos são cada vez mais infantis, por isso seus filhos são cada vez mais adultalizados. Os mundos se fundem. Crianças e adultos são apenas engrenagem em um mercado político que quer apenas formar indivíduos acríticos para dar a ele funcionalidade.

A síndrome de Buzz Lightyear

Um outro fenômeno atual assoma-se a isso tudo. Na antiguidade greco-romana, a criança era preparada para a vida pública. O público era mais importante que o privado. Inclusive, a palavra idiota vem de idiotes que designava “pessoa privada, simples cidadão”, isto é, aquele que não participava da coisa pública. Para o sociólogo Richard Sennet, a privatização da vida ocorreu quando a criança foi percebida pela sociedade como um ser frágil.3 A existência da família era fundamental para a linhagem, um destino natural. Deste modo, o mundo público tornou-se cada vez mais hostil à inocência de uma criança, forçando os adultos a valorizarem o lar. A casa se tornou um local onde as pessoas não precisavam mais usar os sinais públicos de reconhecimento, bastavam ser elas mesmas.

O público foi sendo vilipendiado gradativamente pelas pessoas. E não só desprezado, mas execrado, visto como um lugar onde reina a lábia interesseira, a corrupção, a rapina. Mas, a modernização da sociedade trouxe várias alterações, uma delas é que com a urbanização a natalidade diminuiu. Hoje chegamos a patamares surpreendentes onde a população está envelhecendo cada vez mais, enquanto que as pessoas têm cada vez menos vontade de ter filhos. O desejo de consumir, de modo geral, e a liberdade feminina acompanhada de uma necessidade de realizar os sonhos que a indústria do consumo apresenta, chocam-se com o desejo de constituir uma família, onde novas responsabilidades aparecem. A família deixou de ser um destino natural e passou a ser desejada, planejada.4

Deste modo, os jovens sem filhos, voltam-se novamente para a vida pública, no entanto, desta vez, carregando todo o ódio a ela desenvolvido ao longo dos séculos, entranhado em uma tradição. Consumidores de uma cultura que valoriza apenas o superficial, apropriam-se de instrumentos frágeis para compreender a complexidade da vida pública que, por sua vez, sustenta uma lógica de dominação de agentes que raramente aparecem.

Acaba sendo relativamente fácil entrar nas mentes desses indivíduos que caminham em direção do que mais os excita, do que promete o prazer insaciável, quando não frustrado, que um sistema excludente promete, mas na maioria das vezes não consegue realizar. O uso das redes sociais por políticos, de programas sensacionalistas, que promovem uma comédia na lógica do riso instantâneo de coisas sérias, e de outros mecanismos, está atraindo um número cada vez maior de indivíduos que sofre da síndrome de Buzz Lightyear, personagem do filme Toy Story da Disney (já que estamos falando de infantilização): não percebem que são apenas bonecos.

1 PIOVEZANI, Carlos. Falar em público na política contemporânea. In: COURTINE, J-J E PIOVEZANI, C. (orgs.). História da fala pública. Petrópolis: Vozes, 2015.

2 ZIZEK, Slavoj. Em defesa das causas perdidas. Trad: Maria Beatriz de Medina. São Paulo: Boitempo, 2011. p. 53

3 SENNET, Richard. O declínio do homem público. Trad: Lygia Araujo Watanabe. Rio de Janeiro: Record, 2014. p. 147.

4 BECK, Ulrich. Sociedade de risco. São Paulo: editora34, 2011. p.169.

Raphael Silva Fagundes
No Fórum
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Bolsonaro assume-se como ditador antes da vitória nas urnas

https://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2018/10/22/bolsonaro-assume-se-como-ditador-antes-da-vitoria-nas-urnas/

Bolsonaro assumiu antes mesmo da eleição o cargo de ditador. Ele não aceitará o resultado das urnas se perder no voto e vai colocar o país em chamas.

Ontem pela manhã a Revista Fórum foi um dos primeiros veículos a repercutir o vídeo de Eduardo Bolsonaro confrontando o Supremo e dizendo que não era necessário sequer um jipe para fechá-lo, bastando um soldado e um cabo.

A filmagem tinha alguns meses, mas começou a circular nas redes e ganhou força com a reprodução nos veículos progressistas, levando o ex-presidente FHC, entre outras personalidades, a se posicionar. Só depois disso os veículos tradicionais republicaram o vídeo.

A presidenta do TSE, Rosa Weber, em coletiva, teve oportunidade para cobrar uma explicação mais dura do fato, mas preferiu fazer de conta que tudo estava dentro da normalidade.

Bolsonaro ao ser indagado sobre o conteúdo da fala do seu filho, fez o habitual. Acusou a mídia de deturpá-la, mas guardou o melhor para o final da tarde.

Aos seus apoiadores que foram às ruas defender sua candidatura falou ao vivo por telefone como um incendiário.

E ao invés de tentar apagar as chamas das declarações do filho, jogou mais combustível na fogueira.

Não foi por acaso que disse que Lula e Haddad (que não está preso) iriam apodrecer no cárcere.

Que a Folha iria ficar sem um centavo de publicidade.

Que os opositores no seu futuro governo ou ficavam quietos e respeitavam a nova ordem ou iriam para a cadeia ou morar em outro país.

Bolsonaro assumiu antes mesmo da eleição o cargo de ditador. Ele não aceitará o resultado das urnas se perder no voto e vai colocar o país em chamas.

E se ganhar vai usar a sua popularidade para destruir todos aqueles que se insurgirem contra o seu projeto já nos primeiros meses.

A situação é extremamente delicada, mas não é incontornável.

É preciso derrotar Bolsonaro nas urnas e enfrentar com instrumentos necessários a crise que virá, criando um arco de defesa dos princípios constitucionais que inclua desde a direita democrática até o PSOL.

Um grande governo de coalizão.

Se acomodar, amedrontar ou desistir dessa batalha é a pior decisão. Porque aceita-se a liquidação do que nos foi mais caro construir desde o golpe de 64, a democracia.

É a todos que tombaram na luta pelo direito à palavra, ao voto, a liberdade de imprensa, ao respeito aos direitos humanos que não temos o direito à covardia. E nem à inação.

É por todos aqueles que sofrerão as agruras de uma ditadura Bolsonaro que os que defendem a democracia não podem mais ficar neutros.

Não existe neutralidade e muito menos ingenuidade possível depois da combinação dos vídeos de Bolsonaro e do seu filho amplamente divulgados no dia de ontem.

Quem tem dois dedos de consciência política sabe o que significam.

Sabe muito bem o que virá se o pior acontecer no domingo.

E na política, como no esporte, não existe derrota antecipada. Só perde por antecipação, quem se deixa derrotar.
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Em artigo e vídeo, Eduardo Bolsonaro pregou “contrarrevolução” para “ditadura do STF” e falou em “ruptura”


A declaração de Eduardo Bolsonaro sobre como fechar o Supremo Tribunal Federal com “um soldado e um cabo” não é bem uma escorregada do “garoto”, como quer seu pai Jair.

A família Bolsonaro vem pregando seu desprezo pelo Judiciário há tempos.

“Ele aceitou responder a uma pergunta que não tinha nem pé, nem cabeça, e resolveu levar para o lado desse absurdo aí”, alega o presidenciável de extrema direita.

No vídeo, gravado há quatro meses num cursinho em Cascavel, no PR, Eduardo é questionado sobre a possibilidade de a Corte agir caso seu progenitor ganhasse no primeiro turno e o que faria o Exército.

“Aí já está caminhando para um estado de exceção, né? O STF vai ter de pagar para ver e aí quando pagar para ver vai ser ele contra nós”, responde.

“Será que eles vão ter essa força mesmo? O pessoal até brinca lá, cara: ‘se quiser fechar o STF, você sabe o que você faz? Você não manda nem um jipe. Manda um soldado e um cabo’. Não é querer desmerecer o soldado e o cabo, não.”

Ele prossegue: “Se você prender um ministro do STF, você acha que vai ter uma manifestação?”

A reação tíbia de Rosa Weber em coletiva no TSE mostra que, talvez, ela e seus pares já se sintam com uma farda pendurada no mancebo da sala de jantar.

Eduardo é mais que reincidente.

Em 19 de junho, escreveu um artigo num jornal chamado Hora Extra, de Goiânia, intitulado “Pensar fora da caixinha para derrubar a ditadura do STF”.

Alguns trechos:

Os ministros da suprema corte alegam interpretar a aplicação da lei, mas na verdade capricham no juridiquês para fazer um contorcionismo verbal e mudar os espíritos das leis. Quando se respeita a constituição as críticas são amenas e giram em torno da esfera jurídica, mas num STF onde sete dos onze ministros foram indicados pelo PT de Lula e Dilma tem sido difícil achar uma decisão que seja imparcial às visões pessoais dos ministros, para não dizer revolucionárias. (…)

Minha crítica não é somente aos atos do STF pró bandidos, mas também como eles fazem isso sem o menor pudor e como os chefes do legislativo e executivo permanecem inertes. O Congresso Nacional fica desmoralizado ao aprovar uma lei e o judiciário declará-la inválido usando argumentos estapafúrdios.

É como se tudo que o legislativo fizesse tivesse que ser validado pelo judiciário, sempre usando a sua ótica “progressista”, revolucionária. Não há independência entre os poderes. O outro ator que poderia segurara o ímpeto da “terceira instância federal” seria o presidente da república. Porém, ao que parece, Temer está tão desgastado com escândalos de corrupção que não quer testar sua força duelando com o STF.

É um político padrão e lhe falta pulso. A conclusão que qualquer ser detentor de um tico e teco na cabeça chega é a de que não existe harmonia entre os três poderes e sim submissão. Nas palavras do Promotor Leonardo de Souza Giardin, no livro de sua coautoria “Bandidolatria e Democídio, ensaios sobre garantismo penal e a criminalidade no Brasil”, 2ª edição, pág. 159, ele é preciso: “De fato, a nação já submetida a uma hegemonia, já tendo automatizado as reações e emoções que a revolução cultural inoculou, passa a ser regida por uma minoria… de juízes marxistas”.

Da expressão “automatizado as reações e emoções que a revolução inoculou” extrai-se o seguinte conselho: você precisa pensar fora caixinha! Ambos os ocupantes das cadeiras mencionadas no executivo e legislativo podem ser trocados nas eleições deste ano. Fiquemos atentos, pois a subserviência à ditadura do STF pode estar próxima, é hora da contrarrevolução!

Em julho, durante audiência na Câmara sobre o voto impresso — uma obsessão das hostes bolsonaristas, que parou de falar em fraude das urnas eletrônicas assim que Jair apareceu liderando —, Eduardo admitiu que apoiava a proposta paterna de aumentar o número de membros do Supremo “para tentar equilibrar o jogo”.

“A gente não vai se dobrar a eles, não”.

E repisou a fórmula: “Quero ver é alguém reclamar quando chegar o momento de ruptura, quem vai pra rua fazer manifestação e gritar: ‘Ministro X, volta ministro X, estamos com saudades’”.

Assista abaixo:



Kiko Nogueira
No DCM
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A marcha da insensatez brasileira: apertem os cintos, pois o TSE sumiu


Ainda há tempo de evitar que o Brasil faça a sua marcha da insensatez e escolha a autodestruição no próximo domingo. “A marcha da insensatez: de Troia ao Vietnã”, da historiadora norte-americana, Bárbara Tuchman, foi publicado no Brasil em 1984, tornando-se, desde então, um dos principais livros de cabeceira de toda uma geração de progressistas e humanistas.

O sucesso se deve ao argumento central da obra: por meio de alguns episódios históricos e um mitológico – o cavalo de Troia: uma armadilha dos gregos – a autora demonstra que a história da humanidade é também a história das escolhas insensatas e insanas, com as populações e seus líderes flertando com alguma frequência com a derrota e a autodestruição. Mas, como é possível que seres humanos escolham a sua própria destruição se um dos pilares da razão moderna é a preservação da vida? Vejamos a situação do Brasil na última semana.

Na última quinta-feira (18), o jornal Folha de São Paulo voltou a fazer jornalismo por meio de uma reportagem que denunciou a campanha do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) por crime de caixa 2: um grupo de empresários está contratando empresas, por até 12 milhões de reais, para disparar fake news contra o PT com o objetivo de disparar o favorecimento da campanha de Jair Bolsonaro.

A legislação eleitoral considera crime doação não declarada por empresas para campanha: caixa 2, que segundo o bacharel de Curitiba, Sério Moro, é o pior dos crimes. Fato de repercussão internacional em razão da materialidade da denúncia e com várias manifestações de repúdio, aqui no Brasil. No entanto, a violência e a insensatez desencadeadas cadenciaram as manifestações. No mesmo dia, eleitores de Bolsonaro ameaçaram a jornalista, publicaram a foto do filho dela e impulsionaram duas hashtag #FolhaPutinhadoPT e #JornalistaPutaVagabunda.

Pressionados por várias forças políticas, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que se pronunciaria sobre a denúncia em uma entrevista coletiva na tarde de sexta-feira (19), que foi adiada e ganhou novas denúncias. No sábado (20), fiscais do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) invadiram a sede do Sindipetro-NF (Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense) e apreenderam exemplares deste jornal Brasil de Fato. O recolhimento foi feito após mandato judicial emitido pelo juiz eleitoral de Macaé, Sandro de Araújo Lontra, que qualificou o jornal como portador de "matérias pejorativas contra o candidato Jair Bolsonaro (PSL)". Um golpe à liberdade de imprensa.

Ainda no final de semana, um dos principais vídeos divulgados nas redes sociais foi uma resposta do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL), filho de Jair Bolsonaro, sobre o Supremo Tribunal Federal. “Se quiser fechar o STF você não manda nem um jipe. Manda um soldado e um cabo, sem querer desmerecer o soldado e o cabo”, ameaçou o rebento durante palestra em um cursinho de Cascavel (PR). O filho de Bolsonaro ainda advertiu: “O STF vai ter que pagar pra ver. E se pagar pra ver, vai ser ele contra nós […] Será que eles vão ter essa força mesmo?”

Em Marte não temos conhecimento, mas em qualquer Suprema Corte aqui na Terra, o deputado federal teria de se explicar penalmente no próprio STF em razão do foro privilegiado. No entanto, aqui no Brasil, a atual presidenta do TSE, ministra Rosa Weber, visivelmente constrangida, afirmou no domingo (21), durante entrevista coletiva à imprensa, que o referido vídeo com a fala de Eduardo Bolsonaro contra o STF foi montagem com trechos descontextualizados. Inacreditável!

Em seguida, quando um repórter perguntou como o TSE pretende combater a disseminação de fake news a uma semana do segundo turno da eleição presidencial de 2018. A resposta foi paradigmática da força política predominante do Judiciário brasileiro desde o golpe/impeachment de 2016. “É importante combater as fake news de ambos os lados […] se alguém souber como fazer, nos avise, por favor”. A materialidade da denúncia veiculada por reportagem da Folha de SP envolve a campanha de Jair Bolsonaro, mas o TSE resolveu investigar as duas campanhas, mesmo sem prova material contra a campanha de Fernando Haddad (PT).

Essa coletiva constrangedora de imprensa ocorreu em rede nacional e contou com a participação da presidente do TSE, o ministro da Segurança Pública Raul Jungmann, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general Sérgio Etchegoven, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, a advogada-geral da União Grace Mendonça, o diretor-geral da Polícia Federal, delegado Rogério Galloro, o presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Carlos Lamachia.

A mesa limitou-se a versar sobre as urnas eletrônicas serem auditáveis, sobre os mais 2 milhões de mesários presentes no primeiro turno e alguns episódios ilícitos – razões pelas quais a ministra Rosa Weber concluiu que o resultado, no primeiro turno das eleições de 2018, foi um “verdadeiro show da democracia” e as instituições brasileiras estão funcionando.

É verdade esse bilhete ministra, as instituições brasileiras estão funcionando, mas para uma parcela da população que permanece livre para violar as leis e a democracia. A parcela que votou no candidato Jair Bolsonaro que, no mesmo momento em que vossa excelência comemorava o show da democracia brasileira, transmitia por rádio um discurso cheio de ódio para milhares de pessoas na avenida Paulista, em São Paulo. Um discurso prometendo matar petistas, homossexuais, índios, negros, nordestinos, mandar para o exílio os militantes de esquerda e dos movimentos sociais como o MST e o MTST, e prender os que ficarem no país.

Porém, essa outra parcela da população que não conta com a sorte do funcionamento das instituições, tem sofrido toda sorte de violência em razão da leniência e politização de parte do Judiciário brasileiro, e do antipetismo cultivado com ódio quatrocentão. É a parcela da população de onde veio a transexual Laysa e o Mestre Moa do Katendê, ambos brutalmente assassinados porque faziam parte do “grupo de risco” definido pela milícia familiar que dominou parte do país, e das instituições que parece que funcionam para todos desde 1549.

É verdade esse bilhete, ministra, a democracia brasileira está dando um show: de horror.

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Xadrez da grande batalha civilizatória


Peça 1 -  2018 e 1968

Em 1964, derrubou-se um presidente da República e promoveu-se uma eleição indireta que resultou na posse do Marechal Castello Branco. Do mesmo modo, em 2015 houve outro golpe que derrubou uma presidente eleita.

As semelhanças entre os dois momentos foram desautorizadas por quem comparava 2015 com 1968. No pós-68 houve tortura, agora, não. A comparação, na verdade, é com 1964. Sem 64, não teria havido 68 e os demais anos de chumbo.

Derrubado o governo, foram promulgados vários Atos Institucionais, em uma escalada crescentemente repressiva. O primeiro, de 08/04/1964, dava ao governo militar o poder de alterar a constituição, cassar leis legislativas, suspender direitos políticos por dez anos e demitir, colocar em disponibilidade ou aposentar compulsoriamente qualquer pessoa que tivesse atentado contra “a segurança do país, o regime democrático e a probidade da administração pública”.

A ideia inicial era permitir eleições diretas em 1966 e uma nova Constituinte.

Em 27/10/1965 foi promulgado o AI-2 dissolvendo os partidos políticos, aumentando de 11 para 16 o número de Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), reabrindo as cassações e autorizando o governo a decretar estado de sítio por 180 dias sem consultar o Congresso.

Em 05/02/1966 é promulgado o AI-3, instituindo eleição indireta para governador, prefeitos das capitais indicados pelos governadores.

Em 07/12/1966, o AI-4, convocando o Congresso Nacional a definir uma nova Constituição.

No dia 13/12/1968, o AI-5, concedendo ao Presidente da República o poder de cassar mandatos, intervir em estados e municípios, suspender os direitos políticos de qualquer pessoa, inclusive o direito ao Habeas Corpus para crimes políticos.

No dia 01/02/1969 o AI-6, reduzindo de 16 para 11 o número de Ministros do STF e cassando dois deles, que haviam se colocado contra a cassação de um colega. Definiu também que os crimes contra a segurança nacional seriam julgados pela justiça militar. Com base dele, houve inicialmente uma lista de 33 cassações de deputados.

Peça 2 – o quadro atual pré-68

Há um conjunto de fatores sugerindo que se entrou na fase pré-68.

As listas e a deduragem

Na semana passada, a criação da Força-Tarefa de Inteligência para o enfrentamento ao crime organizado no Brasil – entendido como tudo que possa comprometer a segurança nacional – foi indicativo óbvio do que será feito. Tratei o fato como o AI-1 do novo regime

Ontem, em seu discurso para os manifestantes da Avenida Paulista, Bolsonaro anunciou que MST e MTST, entre outras organizações, serão tratados como organizações terroristas em seu governo.

Um dos capítulos mais infames do período militar foram as listas de suspeitos difundidas por jornalistas, intelectuais, professores, contra seus próprios colegas, e que teve como personagem-símbolo Cláudio Marques, o delator de Vladimir Herzog.

Ontem, em sua coluna do Estadão, Eliana Cantanhede inaugurou formalmente a nova etapa Cláudio Marques, ao divulgar uma lista de diplomatas “suspeitos” de contaminação esquerdista. Outros colegas a acompanharão.

Saliente-se que apenas repete o que grandes veículos fizeram anos atrás com jornalistas que ousavam fazer o contraponto.

A naturalização da violência

Em muitos veículos tenta-se minimizar a violência, comparando-a a dos embates entre torcidas de futebol, mesmo estando disseminada por todo o país.

Instituições intimidadas

Outro indício claro é a intimidação das instituições. O filho do candidato a presidente Jair Bolsonaro diz que para fechar o STF (Supremo Tribunal Federal) basta um cabo e um soldado. Dois Ministros de manifestam em on – Celso de Mello e Marco Aurélio de Mello. Os demais reclamam em off, justificando a necessidade de apenas uma voz por todos, a do presidente da casa, Dias Toffoli. Fontes ligadas a Toffoli avisam que ele prefere não se manifestar para não colocar mais lenha na fogueira. Na verdade, a manifestação ajudaria a jogar água na fervura, mas o bravo Toffolli ficou com receio de ser atingido por algum respingo de água quente.

Celso de Mello alertou para o óbvio: é função da Constituição assegurar que o poder de maiorias eventuais não se sobreponha aos princípios da lei e aos direitos individuais. Aliás, foi o princípio central de determinou a evolução de todas as constituições no pós-guerra, depois que se comprovou que os nazistas se valeram dos instrumentos democráticos para compor uma maioria que liquidou com a democracia, e que consagrou o papel do STF como contra majoritário – isto é, contra eventuais ditaduras das maiorias (e obviamente das minorias).

Nos últimos anos, no entanto, o STF – através de Luís Roberto Barroso e Luiz Fux – se tornou o defensor da máxima de que o tribunal deve atender às expectativas das maiorias. O constitucionalista Barroso se tornou o principal propagandista do princípio que impulsionou o nazismo.

Ontem à tarde, em comício na Avenida Paulista, Bolsonaro disse pelo telão que, eleito, mandará prender ou expulsar do país todos os esquerdistas e mandará prender políticos da oposição. Não mereceu uma admoestação sequer da Procuradoria Eleitoral, pelo claro desrespeito à ordem legal.

Por outro lado, pesquisas internas do PT identificaram nos programas denunciando a tortura o discurso mais eficaz contra Bolsonaro. Mas o TSE suspendeu a veiculação dos programas que levantavam o tema.

Peça 3 – a guerra digital

Há muitos pontos em comum na atual guerra digital com o que ocorreu na época da Telexfree, a super pirâmide digital que deixou mais de um milhão de vítimas no Brasil e arrecadou alguns bilhões de reais dos incautos. Fui alertado para a coincidência após uma ameaça feita pelo Facebook por um ex-vendedor da Telexfree, sugerindo que seu principal líder no país, Carlos Costa, teria se acertado com Bolsonaro.

Não se trata apenas do uso da informação em massa pelas redes sociais – na época, a Telexfree usava uma metodologia eficaz para aparecer na primeira página das pesquisas do Google -, mas também de interferir no funcionamento de portais e blogs e até nos computadores pessoais dos jornalistas e blogueiros visados. Aqui, no GGN, temos sofrido ataques similares de DDoS e interferência nos computadores dos jornalistas. No primeiro turno, conseguiram inviabilizar compartilhamento de artigos no Facebook.

A montagem da rede de Bolsonaro é trabalho antigo. Há mais de dois anos era visível o trabalho em rede. A cada crítica feita à Lava Jato apareciam enxames de bolsominions com um mesmo padrão de texto: caixa alta, erros grosseiros de português e agressividade explícita, usando principalmente o Facebook e o youtube. Mas com uma capacidade notável de ataques sincronizados. No Twitter, a atividade maior sempre foi através de perfis falsos – facilmente identificados pelo reduzido número de seguidores e por uma numeração no nome, para facilitar a criação de novos perfis, sempre que os anteriores fossem bloqueados.

Pouco antes, na véspera da reportagem da Folha sobre fakenews, o Procurador Geral Eleitoral Humberto Medeiros minimizava o fenômeno: apenas 10% das mensagens do WhatsApp são em grupo, dizia ele. Dois dias depois, depois que o caso se tornou escândalo mundial, o WhatsApp desabilitou 100.000 contas suspeitas de propagar fakenews.

Só aí Medeiros trouxe informações de sua conversa com os diretores do WhatsApp. No México e Índia ocorreram fenômenos semelhantes e a empresa criou aplicativos permitindo identificar as notas mais compartilhadas, enviá-las a agências de checagem e transmitir a contra-informação para toda conta que recebeu a notícia falsa.

Ou seja, o fenômeno já havia se espalhado por vários países, havia literatura sobre o tema e um tribunal que deverá custar R$ 10 bilhões no próximo ano, sequer se preocupou em contratar estudos ou especialistas para se preparar para enfrentar o fenômeno. Menos ainda os partidos políticos vítimas, desde 2006, desse tipo de armação digital.

Peça 4 – a redução de danos das instituições

Em Brasília, há dois movimentos generalizados das instituições: ou adesão a Bolsonaro ou política de redução de danos. Significa fugir dos confrontos com os hunos, aprofundar a aproximação com o Estado Maior das Forças Armadas, confiando que irá se comportar com mais racionalidade que Bolsonaro, principalmente porque a proliferação das declarações violentas, e a adesão de quadros militares a Bolsonaro, poderão colocar em risco, inclusive, a hierarquia militar.

A única reação, portanto, será através do voto.

Peça 5 – a grande luta contra a selvageria

A pesquisa CNT/MDA divulgada hoje mostra o seguinte quadro:

Intenção de voto para presidente (total):
  • Jair Bolsonaro (PSL): 48,8%
  • Fernando Haddad (PT): 36,7%
  • Branco/Nulo: 11,0%
  • Indeciso: 3,5%.
Nos últimos dias multiplicaram-se as declarações do grupo de Bolsonaro sobre o que poderá esperar o país em caso de sua vitória.

Todo o quadro, explicado acima, poderá se concretizar, ou ser evitado. Nos próximos dias haverá uma luta dantesca da civilização contra a barbárie. Há sinais de que a onda Bolsonaro estabilizou e começa a recuar, ainda que lentamente. O grande desafio será o de aprofundar o conhecimento geral sobre Bolsonaro.

Se a esperança vencer o medo, será possível evitar o mais profundo retrocesso civilizatória da história do país.

Luís Nassif
No GGN
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A Volta da Tigrada

A possível eleição de Bolsonaro poderá ser mais destrutiva que a ditadura de 1964.

Ele, que defendeu ontem a prisão ou a expulsão de opositores, assumiu sua face mais sinistra.

Bolsonaro é o descendente direto daquilo que o General Golbery denominava de “a tigrada”. Esse era o pessoal militar encarregado diretamente dos órgãos de inteligência e da repressão aos opositores políticos do regime.

Era o pessoal que vigiava, perseguia, torturava, sequestrava e matava. Era gente da direita mais extrema, de menor nível intelectual, que se encarregava de fazer o trabalho sujo para o regime.

Era também um pessoal difícil de controlar, selvagem, que se opunha a quaisquer concessões para suavizar a ditadura e dar-lhe uma aparência de civilidade. Queria o extermínio de toda a oposição, desde os pequenos grupelhos que haviam aderido à luta armada aos opositores democráticos e de consciência. Para eles, todos eram comunistas a serem varridos do mapa, como fala hoje o capitão Bolsonaro.

Quando Geisel iniciou o processo da “abertura lenta, gradual e segura”, a tigrada deu trabalho. Se opôs ferrenhamente às pequenas concessões a um mínimo de civilidade e continuou a torturar e matar quaisquer opositores, mesmo os mais pacíficos.

A luta surda entre os moderados e a linha-dura (a tigrada) continuou por alguns anos. Com o assassinato do jornalista Vladimir Herzog, em 1975, que teve ampla repercussão internacional, Geisel resolveu demitir Ednardo D`Ávila, chefe do Segundo Exército e um dos expoentes da linha-dura. Mais tarde, conseguiu demitir Silvio Frota, o grande chefão da tigrada e da linha-dura.

Mesmo após a abertura, a tigrada continuou a dar trabalho. Planejaram até atentados que fariam centenas ou milhares de vítimas inocentes, como o do Rio Centro, que felizmente não concretizou, pois a bomba explodiu literalmente no colo dos terroristas.

Pois bem, Bolsonaro tem a mesma mentalidade extremamente retrógrada e violenta da “tigrada” de antanho. Por isso, elogia torturadores, como Brilhante Ustra, diz que a democracia não vale nada, que a ditadura errou porque matou pouco, que se deveria matar pelo menos umas 30 mil pessoas no Brasil, inclusive inocentes. Argumenta que o Congresso deveria ser fechado, que as mulheres devem ganhar menos que os homens, que os índios não deveriam ter um centímetro de terra, que os negros quilombolas não servem nem para procriar e uma série de outras barbaridades.

Admirador da ditadura e da tortura, misógino, homofóbico e racista, Bolsonaro, em suas quase três décadas de medíocre e obscuro político profissional, que sempre se beneficiou das benesses do sistema, nunca votou a favor do povo trabalhador. Ao contrário, sempre se alinhou com os ricos, com os poderosos, e apoiou os piores projetos do Temer, como a Emenda Constitucional Nº 95 e a reforma trabalhista que aniquilou os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil.

Ademais, é entreguista, privatizante e quer voltar a uma política externa de alinhamento automático com os EUA. Admirador de Trump, já afirmou até mesmo que entregaria a Base Alcântara para os EUA.

Nesse sentido, Bolsonaro é muito pior que os militares reformistas da ditadura, que acabaram prevalecendo.

Uma boa parte desses militares, os que seguiam Geisel, tinham uma visão claro do papel que o Estado deveria ter no desenvolvimento brasileiro e eram nacionalistas. Defendiam e estimulavam as empresas brasileiras, estatais e privadas.

Ao mesmo tempo, nos tempos de Geisel, o Brasil começou a política externa do chamado “pragmatismo responsável”, que distanciou o país do alinhamento automático ao polo norte-americano da Guerra Fria. O Brasil começou a defender interesses próprios. Assim, o nosso país foi o primeiro a reconhecer, em 1975, a independência de Angola, regida pelos marxistas do MPLA, pois chegou-se à conclusão que isso ajudaria a projetar os interesses brasileiros na África, que saia do colonialismo.

Bolsonaro e seu time estão muito longe de terem essas preocupações com a defesa da economia brasileira e com a projeção dos interesses próprios do Brasil no cenário mundial. Bem ao contrário, pregam as privatizações selvagens como solução, desejam implantar políticas ultraneoliberais e submeter o Brasil à órbita geoestratégica dos EUA.

Além disso são escancaradamente autoritários e violentos. A ditadura de 1964 praticou amplamente tortura. Todo mundo sabia disso. Mas até mesmo os militares da linha-dura tinham vergonha dela e procuravam ocultá-la.

Bolsonaro não. Bolsonaro defende a tortura, os sequestros e os assassinatos de forma aberta, até mesmo com orgulho. Para ele, Ustra é um herói. Seu vice, Mourão, o Ariano, vai na mesma linha.

Não se enganem, Bolsonaro, se eleito, será difícil de ser controlado. Como Hitler na República de Weimar, tentará assumir um poder absoluto, inconteste.

Quando Hitler se livrou dos “políticos antigos” e passou a controlar todas as instituições, a maior parte da população aplaudiu. Deu no que deu.

É necessário se entender que o fascismo tupiniquim também saiu do controle. A nossa direita tradicional, que saiu às ruas junto com Bolsonaro, MBL e que tais, na época do golpe, achou, como Hindenburg na Alemanha, que os fascistas podiam ser controlados. Não foram. Nunca são.

Uma vez aberta da caixa de Pandora do fascismo, é muito difícil fechá-la. Mesmo para o líder fascista.

Como agravante, Bolsonaro será um desastre para a economia brasileira, pois seu projeto é ultraneoliberal. Vai ampliar a destruição dos direitos, vai cortar mais gastos e vai ampliar o entreguismo e as desnacionalizações. Ele quer alegrar o grande capital, nacional e internacional, e agradar seu ídolo, Donald Trump.

Isso só poderá ser feito às custas de uma maior exploração dos trabalhadores, o que tenderá a aumentar a miséria e o desemprego.

As contradições sociais inevitavelmente vão se agravar e a tensão política irá aumentar. Para compensar, Bolsonaro terá de apresentar alguns resultados na área da política, mais especificamente na área da repressão. Tomará medidas, como a alteração da Lei do Terrorismo, contra “bandidos” e contra movimentos sociais e opositores, os quais serão apresentados, obviamente, como o bode expiatório de seu fracasso econômico.

Corre-se, assim, o sério risco da implantação de um “golpe dentro do golpe”, com a geração de uma ditadura mais ou menos dissimulada, tutelada pelos militares, e coonestada por um Congresso extremamente conservador e por um Judiciário em parte conivente com a “restauração da ordem” e com a perseguição aos “vermelhos”.

Tudo em nome da “democracia” e do combate ao “caos” e à “corrupção”. Exatamente como em 1964.

Bolsonaro não é candidato a presidente. É, assumidamente, pelo que declara de forma pública, um candidato a ditador, que quer prender e expulsar opositores.

É uma aberração que envergonha o Brasil perante o mundo civilizado.

É a volta da tigrada assassina ao cenário do Brasil.

Marcelo Zero
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Porque jamais nos vencerão


Se o Brasil tivesse uma imprensa digna da sua missão de informar, o Brasil não estaria à beira de cair sob o tacão do fascismo.

Se o Brasil tivesse instituições dignas de sua missão constitucional, não estaria na iminência de viver sob uma ditadura.

Se o Brasil tivesse liberais dignos de princípios e não amantes da velhacaria e de interesses eleitoreiros não estaria ao ponto de descer para a treva do autoritarismo.

Se Brasil tivesse uma elite econômica que amasse o país que sustenta sua fartura não estaria a um passo de regressarmos a escravatura.

Mas este país não os tem e por isso assistimos, indefesos, vê-lo atirado no lixo, submetido a um governante tosco, primário, imbecil, capaz de negar o direito mais básico que tem cada ser humano que aqui vive: o direito de ser brasileiro.

Quem assistir ao vídeo onde o Sr. Jair Bolsonaro despeja, com um discurso gutural o seu desejo de expulsar do país todos aqueles que não concordarem ou se submeterem a sua vontade fascista não pode deixar de perceber quão escura é a treva em que ele lançará esse país.

Desde Médici ninguém ameaçava um brasileiro com o exílio.

Mesmo os “bem-postos” – juízes, promotores, deputados, empresários, “mercadistas” – que odeiam o povo simples e humilde desse país não podem deixar de ver que vamos ser mergulhados na selva da violência estatal, numa situação em que as grandes maiorias da população serão submetidas à alternativa entre a vassalagem ou a insurreição.

As altas patentes militares, que aderem e se submetem a um capitãozinho “bunda-suja”, que há 30 anos garatujava no papel  planos de explodir bombas em quartéis para obter salário melhor –  se não sabem, deveriam saber  – enfiaram as forças armadas na idolatria da indisciplina, da conspiração, da deformação de só ter coragem de apontar as armas para seu próprio povo, o que as decai à condição que Caxias rejeitou, a de capitães do mato.

Errem. Suicidem-se. Escondam numa votação escandalosamente manipulada, onde a boa-fé do povo brasileiro aceita ver como “corruptos” os que nem de longe, mesmo na sua vileza, os que praticam a mais vil das corrupções: a de vender o Brasil, a de vender os direitos do nosso povo, a de vender o sagrado bem da liberdade para instaurar um governo de pústulas, de tatibitatis, de gente microcéfala e, pior, genuflexa ao ponto de bater continência para a bandeira norte-americana.

É de repetir Castro Alves e gritar para que Andrada arranque dos ares seu pendão para que não sirva de mortalha às liberdades.

O nazismo teve seu ápice, teve multidões, teve seus braços erguidos no “heil” de milhares encantados, hipnotizados.

Os que ousaram resistir teriam passado anos como ratos em suas tocas não fosse o fato de que eram homens e mulheres cercados pelos ratos.

Quis-se avançar como um Brasil de todos. Ninguém foi perseguido, nenhuma bolsa foi saqueada, nem mesmo os salões foram violados. Apenas – e muito timidamente entreabriu-se suas portas para que outros pudessem entrar.

Será que é ofensa demais ver o rosto cafuzo, mulato, crestado do sol ao seu lado no shopping, no avião, na loja? É tanto o desprezo à carne da qual se nutrem ao sangue do qual bebem, aos pobres que os fazem ricos?

Eis, senhores, numa palavra, a torpeza de seu crime. Querem a morte de quem os nutre, de quem lhes constrói as casas de luxo, as mansões, de quem compra seus produtos, de quem é escorchado por seus bancos, de quem consome as porcarias que colocam no mercado? Querem o sangue de quem nunca lhes tirou uma gota de seu champanhe?

Há, porém, uma arma mortal e sem defesa, apontada contra os senhores.

Chama-se história, responde pelo nome de marcha incontível dos povos pelos seus direitos e liberdades. Neguem-na, persigam-na, prendam-na, exilem-na: nada adiantará.

Ela triunfa. Sempre haverá festa quando ela voltar e vocês se forem. É certo que haverá dores, haverá filhos separados dos pais, haverá vidas interrompidas, algumas perdidas.

Ainda há tempo para um difícil acesso de lucidez, tão mais difícil quanto mais covardes são aqueles que poderiam provoca-lo.

Mesmo assim, a causa de vocês é perdida, inviável, perversa. Há e haverá sempre brasileiros que não se vergarão que seja de onde for, estarão de pé, a enfrenta-los. Vocês não têm mais a censura e o silêncio que tiveram, há meio século para implantar uma ditadura.

Vocês são os zumbis do tempo que se foi e não adianta que avancem como hordas ameaçadoras.

Nós somos a vida e a humanidade, e a vida humana triunfará.

Fernando Brito
No Tijolaço
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TSE, quartel general do bolsonarismo


O TSE deu hoje (21) monumental demonstração da insignificância e da absoluta intranscendência deste tribunal para a democracia e para a lisura da eleição.

O que foi anunciado como entrevista coletiva daquele que deveria ser o órgão máximo da justiça eleitoral, na realidade foi um evento social de vaidades que ocupam postos oficiais.

Na farta mesa da “entrevista coletiva”, não faltaram excelências.

Além da óbvia presença da patética presidente Rosa Weber, participaram da fanfarrice outras celebridades não-menores e não-menos repugnantes da república, como os integrantes da cleptocracia do Temer [Raul Jungmann, Sergio Etchegoyen, Grace Mendonça], os colegas da presidente do TSE [Og Fernandes, Tarcísio Vieira de Carvalho Neto e Humberto Jacques]; o presidente da OAB [o “operoso” Claudio Lamachia] e 1 delegado da PF [Elzio Vicente da Silva].

O evento foi montado com esse formato de propósito:

– primeiro, para aparentar normalidade a uma eleição contaminada pela manipulação em larga escala e financiada por empresários com recursos de caixa 2; e

– segundo, para ser uma espécie de solenidade coletiva de prevaricação, em que as autoridades reunidas simplesmente descumprem suas responsabilidades funcionais e assumem, em público, a leniência com o crime.

A pantomima foi completa. Teve de tudo, menos o essencial; ou seja, só faltaram as devidas explicações do TSE sobre as providências adotadas diante da magnífica fraude eleitoral do Bolsonaro financiada pelo poder econômico.

Ficou claro que o TSE nada fez e nada fará, porque deixará a fraude correr solta.

O judiciário está dominado pelo bolsonarismo e pela ascendência militar – maior prova disso é o poder que o general Fernando Azevedo e Silva, o presidente de fato do STF, exerce sobre Dias Toffoli, o presidente de fachada do STF.

A intimidação militar sobre as autoridades constituídas é inocultável. Neste 21 de outubro o TSE apenas cumpriu o script de obediência ao comando militar; assumiu-se como tribunal fake news; tribunal faz-de-conta, “para inglês ver”.

O acompanhamento da apuração da denúncia dos crimes eleitorais pela Missão da OEA, como solicitado pela Associação Brasileira de Juristas pela Democracia, é um imperativo para se buscar o mínimo de lisura da eleição.

O TSE perdeu totalmente a credibilidade e não transmite a menor confiança, porque atua como quartel general do bolsonarismo.

Jeferson Miola
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Por que o STF só reage quando está na mira?


Os ministros do Supremo Tribunal Federal estão preocupados.

Não com o revisionismo histórico de Dias Toffoli sobre a ditadura, para quem o golpe de 1964 deve ser chamado de movimento. Tampouco com o fato de Carlos Alberto Brilhante Ustra ter sido absolvido, contra a jurisprudência formada no País, de uma acusação de danos morais movida pela família de Luiz Eduardo Merlino, morto em 1971 no DOI-Codi comandado pelo notório torturador.

Os chefes do Judiciário não parecem indignados com a estranha decisão do ministro Luís Felipe Salomão, do TSE, de barrar uma propaganda do PT que mostra elogios de Jair Bolsonaro a Ustra – posição reforçada há poucos meses, quando o presidenciável afirmou que a obra "Verdade Sufocada", escrita pelo ex-coronel, é seu "livro de cabeceira".

Não sobraram também palavras duras contra as declarações do candidato do PSL neste domingo 21 ao prever "banir da nossa pátria" todos os "marginais vermelhos". Quem sabe um incômodo com a denúncia de que empresas estão fraudando as regras eleitorais ao comprarem pacotes de disparos de mensagens anti-PT? "Não houve falha alguma da Justiça Eleitoral no que tange ao que se chama de fake news", disse a presidente do TSE, Rosa Weber.

Os ministro do STF estão preocupados, como é de hábito, com a imagem da Corte. Não à toa, decidiram reagir em bloco a um vídeo gravado em junho pelo deputado Eduardo Bolsonaro no qual o parlamentar ataca o Judiciário. "Se se quiser fechar o STF [...] manda um soldado e um cabo", disse o filho do presidenciável.

Após Weber afirmar que o conteúdo é "inadequado", o decano Celso de Mello assumiu as rédeas, ao chamar a declaração de "inconsequente e golpista". Marco Aurélio Mello foi mais amplo, ao afirmar que "vivemos tempos sombrios".

Agora, os ministros aguardam Dias Toffoli para discutir um posicionamento conjunto. Certamente será uma defesa do Judiciário, acompanhado do incansável bordão "as instituições estão funcionando".

O STF tem de entender que ataques à Corte são graves, mas ataques à nossa história e à nossa diversidade democrática também o são. Ao preservarem o silêncio diante de declarações violentas de Bolsonaro, ou ao concederem benesses simbólicas aos defensores de uma nova repressão militar, eles animam aqueles que não tem grande apreço pela democracia.

Ao jornal O Globo, um dos ministros teria afirmado que "nem a ditadura" tentou fechar a Corte. Não foi necessário, pois o STF deu amplo respaldo institucional ao golpe de 1964. Aparentemente, continua a dar, diante das declarações recentes de Dias Toffoli.

Se os ministros compreenderem a gravidade dos ataques à democracia como um mal a todo o País, e não apenas ao prestígio dos comandantes do Judiciário, talvez tenhamos alguma força institucional para rebater o avanço autoritário.

Miguel Martins
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Plano de governo de Bolsonaro é fake


O plano de governo de Jair Bolsonaro (PSL) é um aglomerado de cópias de trechos de matérias jornalísticas de diversos sites. Trata-se de um texto remendado, feito às pressas, que junta fragmentos desconectados numa operação fraudulenta de plágio. A campanha que faz das fake news sua energia básica de convencimento, também levou esse conceito para a própria confecção de seu projeto político: tudo é fake na campanha de Jair Bolsonaro. Confira os prints da operação fraudulenta 'copia e cola' para o programa de governo que, destaque-se, foi aprovado pelo TSE.








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"Escolha triste", diz editorial do New York Times sobre Bolsonaro


O jornal norte-americano The New York Times, um dos periódicos mais respeitados do mundo, publicou nesta segunda-feira 22 um duro editorial classificando a opção por Jair Bolsonaro para a Presidência como "a escolha triste do Brasil". Ele, afirma o texto, é um brasileiro de direita que tem visões repulsivas.

Para o conselho editorial do jornal, que assina o texto, o ex-militar e deputado é o mais recente nome de uma longa lista de populistas que, diante de uma onda de descontentamento, frustração e desespero, pode alcançar o mais alto cargo em cada um de seus países. "Não surpreendentemente, ele é frequentemente descrito como um Donald Trump brasileiro", compara o texto.

O editorial afirma ainda que "é um dia triste para a democracia quando a desordem e a decepção levam eleitores à distração e abrem a porta para populistas ofensivos, rudes e agressivos". Para o jornal, Bolsonaro é um político de direita que tem "pontos de vista repulsivos".

Para comprovar sua visão, o jornal lembra declarações do candidato, como no episódio em que disse que preferia que seu filho morresse a ser homossexual; que a deputada Maria do Rosário, sua colega na Câmara, não merecia ser estuprada porque seria "muito feia"; que quilombolas pesavam "sete arrobas" e não faziam nada; que o aquecimento global equivale a “fábulas de estufa”. "Ele sente saudades dos generais e torturadores que governaram o Brasil por 20 anos. No próximo domingo, no segundo turno da eleição, provavelmente será eleito presidente do Brasil."

Por trás dessa perspectiva assustadora, há uma história que se tornou assustadoramente comum entre as democracias do mundo, contextualiza o editorial. "O Brasil está emergindo de uma de suas piores recessões de todos os tempos; a Operação Lava Jato revelou um grande esquema de corrupção; um ex-presidente popular, Luiz Inácio Lula da Silva, está preso por corrupção; sua sucessora, Dilma Rousseff, sofreu impeachment; seu sucessor, Michel Temer, está sob investigação; e a violência está crescimento. "Os brasileiros estão desesperados por mudanças", diagnostica o editorial.

Neste contexto, "as opiniões grosseiras de Bolsonaro são interpretadas como franqueza, sua carreira obscura como congressista como a promessa de um forasteiro que limpará os estábulos e sua promessa de um punho de ferro como esperança para conter uma média recorde de 175 homicídios", resume. "Cristão evangélico, ele prega uma mistura de conservadorismo social e liberalismo econômico, embora confesse apenas uma compreensão superficial da economia."

Para o NYT, se ele chegar ao Palácio do Planalto, um dos perdedores será o meio ambiente e, especificamente, a Amazônia, já que Bolsonaro prometeu desfazer muitas das proteções atuais para expandir áreas ao agronegócio brasileiro. "Ele levantou a perspectiva de se retirar do acordo climático de Paris, de desmantelar o Ministério do Meio Ambiente e impedir a criação de reservas indígenas - tudo isso em um país até recentemente elogiado por sua liderança na proteção do meio ambiente", afirma o texto.

O texto lembra, porém, que não foi somente a ideia de "boi, bíblia e bala" que trouxe Bolsonaro à tona. Lula continuou sendo um forte candidato apesar de estar preso desde abril, mas foi impedido, em agosto, de concorrer nas eleições, substituído por seu ex-ministro da Educação, Fernando Haddad. "Embora Haddad tenha sobrevivido ao primeiro turno, ele não conseguiu superar a associação do seu partido com a corrupção e a má administração, que alimentou a ideia de 'qualquer um menos o PT'".
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Ditadura e cerco militar: de salto alto, Bolsonaro abre o jogo antes da hora e gera reações no STF e na mídia

https://www.revistaforum.com.br/rodrigovianna/analise-2/ditadura-e-cerco-militar-de-salto-alto-bolsonaro-abre-o-jogo-antes-da-hora-e-gera-reacoes-no-stf-e-na-midia/


Desde que a Lava-Jato adotou medidas ilegais para desconstruir o PT (conduções coercitivas fora da lei, grampos no gabinete da presidenta da República, escutas clandestinas em escritórios de advogados), estava claro que ingressávamos numa fase de Democracia tutelada, ou semi-Democracia – em que as regras valem para uns e não para outros.

Os juristas mais sérios e os liberais mais atentos somaram-se à denúncia – feita pela esquerda e os movimentos sociais – de que era preciso reagir aos abusos. A maioria, no entanto, deu de ombros.

Agora, ingressamos numa fase muito mais perigosa: nossa sociedade vive, já, sob tutela militar. Há um cerco militar contra as instituições. Cerco que pode receber a chancela do voto no dia 28. Quando o ministro Toffoli nomeia um assessor militar para o STF, esse cerco fica explícito. Quando a ministra Rosa Weber dá uma coletiva no TSE tutelada pelo general Etchegoyen, esse cerco fica escancarado.

Mais uma vez, muitos (na mídia, nos setores médios, no Judiciário e na universidade) davam de ombros diante do avanço claro do regime autoritário que tenta se impor com a chancela do voto: “Bolsonaro exagera, mas não poderá fazer nada fora do normal, porque terá que negociar com Congresso e respeitar o Judiciário”.

Opa, opa…

Os vídeos que surgiram neste último fim de semana antes do segundo turno deixam claro que o risco de um desastre é iminente. Bolsonaro filho (também conhecido como SubCoiso) diz que, para fechar o STF e destituir ministros do Supremo, “basta mandar um soldado e um cabo”. Bolsonaro pai avança mais em direção ao abismo e avisa num vídeo – gravado para apoiadores, neste domingo – que vai promover uma “limpeza nunca vista no país”, e que os “bandidos vermelhos” num governo dele irão para a cadeia ou para o exílio.

O candidato do PSL pode ter cometido um grande erro com a fala tresloucada.

A avaliação geral é de que Bolsonaro errou a mão. Era uma fala para espalhar medo e desorganizar os que a ele se opõem. Surtiria, de fato, forte efeito se tivesse vindo um dia após eventual vitória dele. Mas o salto alto fez com que Bolsonaro falasse agora o que só deveria dizer (na lógica autoritária dele) depois de eleito…

Deixou claro, didaticamente, que o programa bolsonariano é a ditadura (mais ou menos) escancarada. Foi um tapa na cara dos iludidos: acordem!

Ele nos abriu uma brecha. A reação indignada de FHC, a fala do jornalista conservador William Waack (ouça abaixo), e a declaração do ministro do STF Celso de Melo (mais detalhes aqui) são indicadores de que temos mais chance de sensibilizar setores arredios a um voto no 13. E que iam anular.

O desafio é, a partir desse horror que já se espraia nos setores médios “liberais”, transpor a indignação para o povão que ganha até dois salários mínimos.

Pode ser que não dê tempo…

Mas temos que fazer essa ofensiva agora para, ganhando ou perdendo, não nos encolher.

A tática dele é “tempestade no deserto”.

Deixar nosso lado atônito, amortecido diante do horror.

Temos que reagir.

Agora.

E nos próximos anos.

Ele nos abriu uma brecha.



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Nota Conjunta das entidades da sociedade civil unem-se contra o fascismo


NOTA CONJUNTA

As entidades signatárias abaixo nominadas, representativas da sociedade civil organizada, no campo do Direito e das instituições sociais, por seus respectivos Representantes, ao largo de quaisquer cores partidárias ou correntes ideológicas, considerando os inquietantes episódios descortinados nos últimos dias, nas ruas e nas redes sociais, ao ensejo do processo eleitoral, de agressões verbais e físicas – algumas fatais – em detrimento de indivíduos, minorias e grupos sociais, a revelar crescente desprestígio dos valores humanistas e democráticos que inspiram nossa Constituição cidadã, fiadores da convivência civilizada e do exercício da cidadania, vêm a público:

AFIRMAR o peremptório repúdio a toda manifestação de ódio, violência, intolerância, preconceito e desprezo aos direitos humanos, assacadas sob qualquer pretexto que seja, contra indivíduos ou grupos sociais, bem como a toda e qualquer incitação política, proposta legislativa ou de governo que venha a tolerá-las ou incentivá-las;

REITERAR a imperiosa necessidade de preservação de um ambiente sociopolítico genuinamente ético, democrático, de diálogo, com liberdade de imprensa, livre de constrangimentos e de autoritarismos, da corrupção endêmica, do fisiologismo político, do aparelhamento das instituições e da divulgação de falsas notícias como veículo de manipulação eleitoral, para que se garanta o livre debate de ideias e de concepções políticas divergentes, sempre lastreado em premissas fáticas verdadeiras;

EXORTAR todas as pessoas e instituições a que reafirmem, de modo explícito, contundente e inequívoco, o seu compromisso inflexível com a Constituição Federal de 1988, no seu texto vigente, recusando alternativas de ruptura e discursos de superação do atual espírito constitucional, ancorado nos signos da República, da democracia política e social e da efetividade dos direitos civis, políticos, sociais, econômicos e ambientais, com suas indissociáveis garantias institucionais;

MANIFESTAR a defesa irrestrita e incondicional dos direitos fundamentais sociais, inclusive os trabalhistas, e da imprescindibilidade das instituições que os preservam, nomeadamente a Magistratura do Trabalho, o Ministério Público do Trabalho, a Auditoria Fiscal do Trabalho e a advocacia trabalhista, todos cumpridores de históricos papéis na afirmação da democracia brasileira;

DECLARAR, por fim, a sua compreensão de que não há desenvolvimento sem justiça e paz social, como não há boa governança sem coerência constitucional, e tampouco pode haver Estado Democrático de Direito sem Estado Social com liberdades públicas.

Brasília (DF), 19 de outubro de 2018.

CLÁUDIO PACHECO PRATES LAMACHIA
Presidente do Conselho Federal da Ordem
dos Advogados do Brasil (OAB)

GUILHERME GUIMARÃES FELICIANO
Presidente da Associação Nacional
dos Magistrados da Justiça do
Trabalho (Anamatra)


LEONARDO ULRICH STEINER
Secretário-Geral da Conferência Nacional
dos Bispos do Brasil (CNBB)


ÂNGELO FABIANO FARIAS DA COSTA
Presidente da Associação Nacional dos
Procuradores do Trabalho (ANPT)


CARLOS FERNANDO DA SILVA FILHO
Presidente do Sindicato Nacional dos
Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait)


ALESSANDRA CAMARANO MARTINS
Presidente da Associação Brasileira dos
Advogados Trabalhistas (Abrat)


MARIA JOSÉ BRAGA
Presidente da Federação Nacional dos
Jornalistas (Fenaj)
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Coronel chama Rosa Weber de 'vagabunda' - assista


O descalabro, a impostura, a ameaça, a violência e a incitação ao ódio provenientes da candidatura de Bolsonaro não têm limites. Em vídeo publicaod no Youtube, o coronel Carlos Alves chamou a ministra Rosa Weber, presidente do Superior Tribunal Eleitoral, de "vagabunda e corrupta", entre outros insultos. A percepção é a de que, caso o STF (Superior Tribunal Federal) ou o TSE não reajam, as cortes irão mergulhar no mais dramático descrédito de suas respetivas histórias. O coronel ainda diz que pode correr sangue antes do natal. 

Assista o vídeo:



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STF acovardado e tutelado pelos militares


Em vídeo de campanha, o filho do Bolsonaro ameaçou fechar o STF  “só com um soldado e um cabo, nem jipe precisa”, se o Supremo decidir condenar a campanha do Bolsonaro por corrupção, caixa 2 etc.

A ameaça configura crime contra a ordem política e social e é um grave atentado ao Estado de Direito.

O perpetrador de tal crime sujeita-se à condenação e à prisão.

A reação do STF consegue ser ainda pior que a ameaça recebida:
  1. o presidente de fachada do STF, Dias Toffoli, disse que não diria nada, em obediência ao presidente de fato da Corte, general Fernando Azevedo e Silva; e
  2. Rosa Weber, ao ser perguntada sobre o assunto durante a pantomima do TSE que ela chamou de entrevista coletiva, disse que “as instituições, no Brasil, estão funcionando normalmente” [sic]!
O STF está acovardado e tutelado, como todo o judiciário brasileiro.

A presença militar e a lógica totalitária está plasmada nas instituições do Estado.

A soberania popular, que se expressa no poder civil, está com um fuzil apontado na cabeça.

O bolsonarismo, se eleito mediante a gigantesca manipulação financiada com caixa 2 de empresários corruptos, será o passaporte para a ditadura militar que busca nas urnas a legitimidade que nunca terá.

Jeferson Miola
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