17 de out. de 2018

Pedro Simon rasgou a biografia

Luiz Claudio: ele aumenta o breu da escuridão

Tancredo, Simon e Brizola em Nova York, quando também havia breu
Por Rosane de Oliveira, na Rádio Gaúcha:

Por apoiar Bolsonaro, MDB-RS perde um filiado histórico

A rápida adesão do MDB à candidatura de Jair Bolsonaro levou o professor João Carlos Brum Torres, 72 anos, secretário do Planejamento dos governos Antônio Britto e Germano Rigotto, a pedir desfiliação do partido, o único de sua vida .

— Vou sair porque achei grotesco o MDB sair correndo para se atirar nos braços de Bolsonaro. Pode ter sido pragmatismo eleitoral, mas para tudo existe limite. Um homem que escolhe como livro de cabeceira a obra de um torturador como Brilhante Ustra contraria os princípios nos quais eu acredito.

Integrante do Movimento Democrático Brasileiro desde a ditadura, Brum Torres não é o único incomodado no velho MDB. Ex-preso político, João Carlos Bona Garcia também está inconformado com a decisão, e principalmente, com a adesão de líderes como José Ivo Sartori e Pedro Simon.

A entrevista de Pedro Simon ao repórter Carlos Rollsing, explicando a adesão do MDB a Bolsonaro, resultou no rompimento com outro velho amigo, o jornalista Luiz Cláudio Cunha, autor da reportagem que desvendou o sequestro dos uruguaios Lilian Celiberti e Universindo Diaz e escancarou as estranhas da Operação Condor, acordo que uniu as ditaduras da América do Sul nos Anos de Chumbo.

Luiz Claudio, que foi assessor de Simon por 10 anos, escreveu uma nota dura, criticando Simon e, também, o ex-prefeito e ex-senador José Fogaça, Confira a íntegra:

"Acabei de ler esta entrevista lamentável do Simon. Que vergonha! Inacreditável! O Rollsing fez todas as perguntas certas, o Simon deu todas as respostas erradas... Pedir a um repórter para não fazer uma pergunta é a maior ofensa que se pode cometer contra o jornalismo e a liberdade de expressão.

Ouvir o Simon dizer que não sabe o que o velho Ulysses estaria fazendo neste momento, em relação ao Bolsonaro e seu repertório de sandices e truculências, é um desrespeito à memória e à história do velho comandante que liderou as oposições com coragem e princípios na luta contra a ditadura, que o capitão do PSL resume e simboliza como ninguém.

Estou pasmo que o Simon, que conheceu Ulysses e suas convicções com a proximidade de um companheiro íntimo, tenha dificuldade em traduzir ou presumir a atitude correta do velho comandante diante dessa tragédia iminente. Estou chocado com essa inesperada confusão política do Simon. Lamento ver meu amigo sufocado nesse incompreensível brete político e mental. Os líderes costumam iluminar o caminho com luz nas grandes crises, como fazia Ulysses, não aumentar o breu da escuridão, como faz agora Simon.

O abjeto 'apoio crítico' do Simon ao Bolsonaro lembra muito outra bobagem semelhante, a infame 'imparcialidade ativa' que José Fogaça inventou em 2010 para não se posicionar entre Serra e Dilma. Simon e Fogaça são crescidinhos o bastante para saber que o povo gaúcho deplora, evita, rejeita o muro, a indecisão, a falta de clareza política.

Nessa terra binária, nos orgulhamos sempre de termos um lado: chimangos x maragatos, golpe de 1961 x Legalidade, golpe de 1964 x Jango, MDB x ARENA, ditadura x resistência, Grêmio x Internacional... Nunca optamos por independência ativa, nem damos apoio crítico a avatares da repressão, da violência e da ditadura. Muito estranho que o Simon tenha esquecido as lições mais dignas e gloriosas de nossa História."

No CAf
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Bolsonaro é uma ameaça ao planeta

O candidato de extrema direita já anunciou medidas que vão abrir a Amazônia ao desmatamento


Jair Bolsonaro, chamado nas redes sociais de “o coiso”, não é uma ameaça apenas ao Brasil, mas ao planeta. O candidato de extrema direita, que liderou o primeiro turno das eleições no Brasil, com o voto de quase 50 milhões de brasileiros, pode vencer no segundo turno, em 28 de outubro. Se ele se tornar presidente do Brasil, já avisou que pretende seguir Donald Trump e anunciar a retirada do Brasil do Acordo de Paris. Ele e seus apoiadores também já anunciaram várias medidas que abrirão a Amazônia ao desmatamento. A floresta, que já teve 20% de sua cobertura vegetal destruída, está perigosamente perto do ponto de virada. A partir dele, a maior floresta tropical do mundo se tornará uma região com vegetação esparsa e baixa biodiversidade. E o combate ao aquecimento global se tornará quase impossível.

O ultradireitista que flerta com o fascismo já anunciou que pretende fundir o ministério do Meio Ambiente com o da Agricultura e que o ministro desta aberração será “definido pelo setor produtivo”. O que Bolsonaro chama de “setor produtivo” é tanto o agronegócio quanto os grileiros, criminosos que se apropriam de terras públicas na base da pistolagem. No Brasil, parte do agronegócio se confunde com a grilagem e é representado no Congresso pelo que se chama de “bancada do boi”.

Essa frente, que reúne parlamentares de diferentes partidos conservadores, tem atuado fortemente nos últimos anos para avançar sobre as áreas protegidas da Amazônia. Querem transformar terras indígenas e áreas de conservação, hoje as principais barreiras contra a devastação da floresta, em pasto para boi, latifúndio de soja e mineração. Nesta eleição, anunciaram seu apoio a Jair Bolsonaro. O Partido Social Liberal (PSL) de Bolsonaro, que deverá engordar a “bancada do boi”, passou de um para 52 deputados, tornando-se o segundo maior partido da Câmara a partir de 2019.

Bolsonaro já garantiu aos grandes fazendeiros e grileiros que vai “segurar as multas ambientais”. "Não vai ter um canalha de fiscal metendo a caneta em vocês!”, discursou em julho. “Direitos humanos é a pipoca, pô!” Também já disse que não haverá “nem um centímetro a mais para terras indígenas” e defendeu que as já demarcadas possam ser vendidas. Entusiasta da ditadura que controlou o Brasil entre 1964 e 1985, ele também já declarou que vai “colocar um ponto final no ativismo xiita ambiental”. O candidato, que exalta a tortura, afirma que “as minorias têm que se curvar à maioria” ou “simplesmente desaparecer”.

Apenas a possibilidade de ser eleito tem funcionado como uma espécie de autorização para desmatar a floresta e matar aqueles que a protegem. Vários casos de violência contra lideranças e assentamentos de camponeses ocorreram na Amazônia nesta eleição. O Brasil já é o país mais letal para defensores do meio ambiente. Com Bolsonaro, os conflitos devem explodir.

Em 8 de outubro, autores do relatório do Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (IPCC) alertaram que o aquecimento global não pode ultrapassar 1,5°C. Meio grau a mais multiplicaria os riscos de seca, inundações, calor extremo e pobreza para centenas de milhões de pessoas. Alertaram também que só há 12 anos para reverter esse processo. Doze anos. A floresta amazônica é essencial para controlar o aquecimento global. E Bolsonaro já anunciou medidas que vão colocá-la abaixo.

Como o debate foi sequestrado no Brasil, o maior risco quase não é mencionado ou é simplesmente ignorado. Dentro do país. E também fora, onde o silêncio de governos e parlamentos da maioria dos países sobre a ameaça que assombra o Brasil é uma vergonha de dimensões globais.

Se não for por posicionamento humanitário, representado pelo risco de um defensor da ditadura, da tortura e do extermínio dos diferentes se tornar o presidente do maior país da América do Sul, que pelo menos seja por cálculo: o Brasil pode estar se tornando um país cada vez mais periférico em vários sentidos, mas a Amazônia é central no debate mais importante deste momento histórico e que atravessa todos os outros temas: o climático.

Quem acredita que a possibilidade de o Brasil ser governado por um homem declaradamente racista, misógino e homofóbico é apenas mais uma bizarrice da América Latina não compreendeu que, em tempos de aquecimento global, a ameaça alcança a sua porta.

Eliane Brum
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Maria do Rosário: Câmara deveria ter excluído Bolsonaro (Mico ou Mito?) como fez o Exército - assista





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Cid Gomes grava vídeo em apoio a Haddad



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Edir Macedo, apoiador de Bolsonaro, é a favor do aborto - assista


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Fernando Haddad é entrevistado pelo jornalista Carlos Nascimento (SBT)



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A extraordinária incompetência do TSE de Luiz Fux



O que pode ser feito em parceria com o WhatsApp?

Melhorar as ferramentas da checagem de fatos no WhatsApp. No sistema mexicano, você envia a mensagem recebida via WhatsApp a uma agência de checagem, que apura aquilo e devolve o desmentido para todo mundo que enviou aquela mensagem. Isso é uma boa prática para que se produza contrainformação sobre ruídos em WhatsApp.

É fantástica a naturalidade que o Humberto Jacques se refere a uma ferramenta, já existente, e ao fato de só agora o TSE saber dela. Ou seja, no final das eleições, sem prazo para corrigir os fakenews, o subprocurador entra em contato com o WhatsApp e fica sabendo da ferramenta.

O que o Ministro Luiz Fux fez, no período em que ameaçava com os raios do Olimpo, os geradores de fakenews? Inclusive, chegou a ameaça-los de busca e apreensão, antes que soltassem suas ficções – o que caracterizaria censura prévia.

Fux se valeu exclusivamente de jogadas retóricas: criação de uma força tarefa sabe-se lá para quê; ameaças verbais etc. Não tomou nenhuma iniciativa óbvia – como conversar com as redes sociais ou saber da experiência de outros países. Nem ele, nem sua sucessora.

Agora, fica-se sabendo pelo douto Humberto Jacques, que existia uma solução simples, já testada, ao alcance da mão.

Será útil para, no dia seguinte às eleições, enviar uma mensagem a todos os usuários: vocês foram enganados, mas Inês é morta!

Luís Nassif
No GGN
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É alarmante: TSE não está preparado para combater fake news do Bolsonaro


Em junho passado, por ocasião de evento promovido pelo TSE com a União Européia para discutir o combate a notícias falsas [fake news], o então presidente Luiz Fux  declarou que “se o resultado de uma eleição qualquer for fruto de uma fake news difundida de forma massiva e influente no resultado, o artigo 222 [do Código Eleitoral] prevê inclusive a anulação”.

Passados 4 meses daquele evento, constata-se que a eleição está infestada por uma massa gigantesca de fake news e conteúdos falsos industrialmente produzidos pela campanha do Bolsonaro, como parte da guerra cibernética que ele promove contra a candidatura Haddad/Manuela.

A 10 dias da eleição, o TSE confessa-se totalmente despreparado e desequipado para enfrentar a torrente de fake news propagadas a partir de sistemas de telecomunicações de países estrangeiros e que inundam a eleição e que, a essas alturas, alcançam magnitude incalculável.

A inaptidão do TSE é confirmada pelas opiniões do vice-procurador-geral eleitoral Humberto Jacques de Medeiros, resumidas do seguinte modo na reportagem da FSP de hoje: “Não há como monitorar mensagens enviadas pelo aplicativo WhatsApp, que preza pela privacidade, nem aplicar a ele a mesma metodologia de combate às fake news empregada em redes sociais como Facebook e Twitter. O problema das notícias falsas é menor do que parece, e 90% das conversas no WhatsApp são interpessoais, e não por meio de grupos”.

O vice-procurador-geral – por ignorância, partidarismo ou por incúria – ainda minimiza o problema, dizendo que “o volume de informações mentirosas não tem esse número alarmante”.

Essas declarações peremptórias contrariam, contudo, a constatação de integrantes do conselho consultivo do próprio TSE, que identificaram que depois do primeiro turno, “o Whatsapp é um dos principais meios de transmissão de notícias falsas” [sic].

Medeiros se contradiz feio. Ao mesmo tempo em que invoca o sigilo e a privacidade que, teoricamente, impediria o exame e o conhecimento dos conteúdos espalhados, ele declara que as informações mentirosas não têm “esse número alarmante” [sic].

Ora, o vice-procurador-geral somente consegue aferir a magnitude e o tipo de informações porque consegue ter acesso ao conteúdo do Whatsapp.

O vice-procurador-geral do tribunal diz ainda que “90% do tráfego de WhatsApp no Brasil é interpessoal. Não é essa megalópole de grupos que as pessoas tendem a imaginar” – o que é profundamente equivocado, porque os grupos funcionam como uma tipologia organizativa e relacional bastante observada nos intercâmbios interpessoais nesta mídia.

O trabalho investigativo de hackers brasileiros e estrangeiros que acompanham o tráfego de conteúdos na campanha eleitoral chegou às seguintes constatações preliminares:
  1. a campanha do Bolsonaro usa plataformas e infra-estruturas logísticas instaladas em países estrangeiros, de onde são feitos bombardeios nas redes sociais e mídias digitais;
  2. ainda é impreciso saber a magnitude da constelação de grupos de Whatsapp, porém sabe-se que sua arquitetura de funcionamento alcança dezenas de milhões de eleitores;
  3. quase metade [49%] dos conteúdos são enviados através de áudios, vídeos e memes, e não por intermédio de textos [48%];
  4. é possível correlacionar o crescimento da rejeição do Haddad nas pesquisas com os ataques no Whataspp, que manipulam e estimulam o ódio, o racismo, o preconceito e o antipetismo.
A situação é gravíssima. Está evidente que os supostos preparativos feitos pelo ex-presidente do TSE para assegurar a lisura do pleito e o respeito da soberania popular não produziram a eficácia necessária, fato que justifica a desconfiança de que a atuação do tribunal não passa de fake news.

É alarmante: o TSE não está preparado para combater a indústria de fake news do Bolsonaro e, menos ainda, para enfrentar a guerra cibernética contra Haddad e Manuela.

A manipulação do Whatsapp produz efeitos assombrosos, devido ao tremendo alcance desta mídia no Brasil, que tem cerca de 120 milhões de usuários – 10% do total de usuários de todo o mundo.

A lisura da eleição está ameaçada pela guerra cibernética que visa destruir Haddad para instalar um regime ditatorial e de terror político e social propício à consecução do projeto ultraliberal anti-povo, anti-nação e anti-democracia.

Jeferson Miola
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O mundo inteiro grita, mas o gado brasileiro segue feliz para o matadouro


Os jornais franceses, os intelectuais americanos, os roqueiros britânicos e os acadêmicos argentinos concordam: Bolsonaro é um mal a ser evitado. Apesar do alerta uníssono, vindo dos quatro cantos do planeta, o processo eleitoral brasileiro se torna mais dramático a cada nova pesquisa, que indica o fortalecimento do candidato do ódio. É como um pesadelo de que não podemos acordar. Enquanto o mundo clama pela civilidade, a população brasileira, orgulhosa, opta pela violência de um discurso malfadado e caminha rumo ao obscurantismo. A redoma de medo e ignorância que fomenta o mal precisa ser rompida. O brasileiro precisa enxergar o erro que está cometendo, a tempo de evitar o mal maior: sua destruição como sociedade democrática.

Poucas vezes uma ameaça a nível mundial foi tão clara. Bolsonaro conseguiu unir uma lista de críticos que vai do ícone pop Madona ao Papa Francisco, da atriz canadense Ellen Page à Marine Le pen e do clube futebolístico Barcelona ao cineasta Walter Salles. Mas uma parcela enorme da sociedade prefere, de forma aterradora, desacreditar tudo e todos, para, de maneira ufanista e idiota, recitar mentiras inventadas, mal e porcamente, por fanáticos em uma rede de troca de mensagens. É o caminho da ignorância sendo escolhido por uma nação sob o desespero de todas as demais, que lamentam a marcha fúnebre e contínua de nosso gado rumo ao matadouro.

Seguindo um movimento similar da classe média alemã, que abraçou o nazismo na década de 1930, os eleitores brasileiros dão as costas para a razão para admirar um líder popular que representa o ódio. Já é possível ver, a olho nu, o sangue na mão de todo brasileiro que, em campanha voluntária, coloca seus dedos em formato de armas, sorridente nos comícios. É a vitória do mal em uma live do Facebook. O triunfo da barbárie, em HD, direto de seu smartphone.

À resistência, resta resistir. Não se dar por vencido nesse teatro dos absurdos e jogar o jogo no papel que lhe cabe. Tentar nas ruas e nas redes sociais reverter voto a voto e usar o tempo restante de campanha para promover uma colossal e inédita virada rumo à vitória, por mais improvável que ela pareça. Pois, para a maioria de nós, a questão agora é de vida ou morte. A nossa vida, no caso.

Guilherme Coutinho, Jornalista, publicitário e especialista em Direito Público. Autor do blog Nitroglicerina Política
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Igreja Universal tem pretensões de governar o país, diz Haddad


Fernando Haddad (PT), candidato a Presidência da República, disse que a Igreja Universal do Reino de Deus tem "pretensões de governar o país" e que seu líder, o bispo Edir Macedo, coloca a TV Record a serviço do candidato Jair Bolsonaro (PSL). As afirmações foram feitas em entrevista ao jornalista Bob Fernandes para a TVE Bahia. Macedo anunciou apoio a Bolsonaro em vídeo no Facebook. Haddad já havia associado líder religioso e empresário ao "fundamentalismo charlatão" e à "fome de dinheiro".

A reportagem do jornal Valor destaca que "na entrevista a Bob Fernandes [assista abaixo], o ex-prefeito de São Paulo afirmou que vê problemas quando Macedo 'escreve um livro chamado Plano de Poder visando o poder de Estado, escolhe um candidato' e 'coloca uma televisão a serviço desse candidato que chamou dom Paulo Evaristo Arns (arcebispo de São Paulo, morto em 2016) de vagabundo'."

Haddad disse: "o problema que eu vejo é uma igreja ter pretensões de governar o país, quando na verdade é o contrário. O Estado é que tem que abraçar todas as crenças".

Na entrevista, Haddad ainda afirmou que "é neto de um líder religioso libanês". Segundo o jornal, o candidato "começou a usar essa relação na reta final do primeiro turno, quando sua rejeição aumentou enquanto as intenções de voto de Bolsonaro cresceram nas pesquisas".

A matéria ainda destaca que "Haddad voltou a reclamar que Bolsonaro tem usado o Whatsapp como ferramenta de difusão de notícias falsas contra ele".

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Campanha eleitoral teve 'desinformação deliberada', diz comissão internacional


O relator especial para a Liberdade de Expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), Edison Lanza, disse que nas campanhas políticas desenvolvidas no Brasil, entre diferentes candidatos à Presidência da República, houve "desinformações deliberadas". "A informação que temos é que no Brasil houve muito movimento de desinformação deliberada, alguns com formatos jornalísticos falsos e outras com formatos mais difíceis de classicar como memes, notícias em formatos simplistas e outros tipos", afirmou.

Lanza fez estas declarações durante a conferência internacional "Desinformação na era digital e seu impacto na liberdade de expressão e os processos eleitorais da região" que aconteceu em Montevidéu, capital do Uruguai. O relator armou que as fake news ou notícias falsas representam um fenômeno "muito novo", com poucos anos de descoberta, por isso, acredita ser "difícil" avaliar o impacto que elas têm na sociedade.

"No Brasil, o fenômeno surgiu com muita força. Algumas dessas informações são notícias que a imprensa descobriu, desmascarando as equipes de campanha. Outras, as próprias plataformas indicaram e começaram a tomar medidas", explicou. Estados Unidos e Reino Unido Para o diplomata uruguaio, estas estratégias tiveram notoriedade dentro das campanhas eleitorais dos Estados Unidos, Brexit, no Reino Unido, a campanha pela paz da Colômbia e nas últimas eleições presidenciais do México.

"Quando uma decisão pode ser influenciada por um fluxo de informações falsas sobre um candidato ou partido e, acima de tudo, com as ferramentas tecnológicas que hoje permitem a viralização, tem-se um fenômeno muito perigoso", disse. Alguns dos pontos que a CIDH recomenda para evitar este tipo de informações são "sistemas efetivos" de autorregulação e prestação de contas que jornalistas e veículos de imprensa devem colocar em prática. Também se deve atuar em função da retificação e direito de resposta diante das informações incorretas, assim como oferecer uma "cobertura crítica" da desinformação, propaganda e notícias falsas.

A CIDH também recomenda a capacitação dos jornalistas em tecnologia da informação e que se promova o jornalismo investigativo. Nesse contexto, Lanza disse que a América Latina passa por um "momento muito complicado", quanto ao respeito à liberdade de expressão em alguns países como Honduras, Guatemala, México, Nicarágua e Venezuela, onde casos de repressão e prisão de jornalistas foram registrados nos últimos anos
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Vladimir Safatle explica o combate seletivo de Bolsonaro à corrupção




Número de políticos cassados por partido:

1. DEM - 69 - 20,4%
2. PMDB - 66 - 19,5%
3. PSDB - 58 - 17,1%
4. PP - 26 - 7,7%
5. PTB - 24 - 7,1%
6. PDT - 33 - 6,8%
7. PR - 17 - 5%
8. PPS - 14 - 4,1%
9. PT - 10 - 2,9%
10. PTB - 8 - 2,4%

Envolvidos na LAVA JATO:

PP - 31
PT - 6

Lembrando que Bolsonaro fez parte do PP por 31 anos, inclusive durante o Governo Dilma.

Candidatos barrados pela Lei da Ficha Limpa (por partido):

PSDB - 56
PMDB - 49
PP - 30
PR - 25
PSB - 23
PTB - 22
PSD - 20
PT - 18
DEM - 16

Você pode apoiar o Bolsonaro por vários motivos, só não com o argumento de que o PT é o mais corrupto dos partidos e por isso vc quer tirá-lo a qualquer custo.

PESQUISE!!

SE INFORME!!!

Fonte: TSE
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Stephen Hawking: "ninguém dirige o universo"


O último livro de Stephen Hawking (1942-2018) deixa claro que o físico era ateu.

“Ninguém dirige o universo”, escreve. “Deus não existe.”

Até 2014, Hawking nunca disse objetivamente que era ateu e em seus livros mais antigos ele faz referência a “Deus”, mas como figura retórica, como explicou depois.

No livro Brief Answers to the Big Questions (“Respostas curtas para grandes perguntas", em tradução livro”), lançado após a morte do físico, Hawking diz que cada pessoa é livre para acreditar no que quiser e que na compreensão dele “a explicação mais simples é a não existência de Deus”.

“Ninguém criou o universo e ninguém direciona nosso destino. Isso me leva a uma profunda compreensão: provavelmente não há céu nem vida após a morte. Eu acho que a crença na vida após a morte é apenas uma ilusão”.

O livro teve a colaboração de amigos de Hawking porque ele morreu antes de terminá-lo.

Ali há respostas para dez perguntas sobre temas de estudo do físico, como viagens no tempo, buracos negros e IA (inteligência artificial).

Mais recentemente, Hawking manifestava pessimismo sobre as consequências do avanço no desenvolvimento da IA e em relação ao esgotamento dos recursos da natureza.

Dizia que nos próximos cem anos a humanidade teria de encontrar outro planeta para morar.

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Quem é Bolsonaro?


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Bolsonaro não aceitar que a KKKlan o apoie não muda o fato de que ela o apóia



É evidente que, gostando ou não disso, teria de recusar.

Nada mais antimarketing que ser o candidato de uma organização racista que, até poucos anos atrás, notabilizava-se por pendurar negros em postes e queimá-los vivos.

Tanto não é popular assumir isso que os integrantes da KKK, quase todos, usam capuzes.

O significativo nesta história é a turma da KKK identificar-se com o ex-capitão:

Ele se parece com qualquer homem branco nos EUA, em Portugal, na Espanha, Alemanha ou França. E ele está falando sobre o desastre demográfico que existe no Brasil e a enorme criminalidade que existe ali, como por exemplo nos bairros negros do Brasil”.

É óbvio que chegaram aos ouvidos da turma de capuzes brancos as declarações de cunho racista feitas pelo candidato do PSL, como aquela em que disse, falando dos quilombolas, que “o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada. Eu acho que nem para procriador ele serve mais”.

O nosso “Supremo” – cujo presidente já reescreveu a história, chamado o golpe de 1964 de “movimento”, o que talvez tenha lhe valido a “absolvição” do crime de ter sido do PT – é o único lugar em que não se achou racismo nisso.

Duke, que andava com uniformes onde estampava se o “símbolo budista” da suástica, claro, achou e gostou. Como gostaria das declarações do vice de Bolsonaro, o general Hamílton Mourão elogiando a beleza do neto e dizendo que ele era prova do “branqueamento da raça”.

Desde Plínio Salgado, nos anos 30, não se registravam interferências racistas expressas no processo político brasileiro. Ou, pelo menos, nacionalmente relevantes, pois há ocorrências localizadas no Sul do país.

Mas não é bem isso, é uma bobagem, um exagero, coisa de esquerdista achar que o Deutsche Uber Alles,  perdão, o Brasil acima de Tudo é apenas um sujeito que bai nos trazer ordem e, com ela, progresso.

A estes, recomendo a leitura do texto do alemão de nascimento e professor da Fundação Getúlio Vargas Oliver Stuenkel, no El País:

Ao longo da década de 1920, Adolf Hitler era pouco mais do que um ex-militar bizarro de baixo escalão, que poucas pessoas levavam a sério. Ele era conhecido principalmente por seus discursos contra minorias, políticos de esquerda, pacifistas, feministas, gays, elites progressistas, imigrantes, a mídia e a Liga das Nações, precursora das Nações Unidas. Em 1932, porém, 37% dos eleitores alemães votaram no partido de Hitler, a nova força política dominante no país. Em janeiro de 1933, ele tornou-se chefe de governo. Por que tantos alemães instruídos votaram em um patético bufão que levou o país ao abismo?

Em primeiro lugar, os alemães tinham perdido a fé no sistema político da época. A jovem democracia não trouxera os benefícios que muitos esperavam. Muitos sentiam raiva das elites tradicionais, cujas políticas tinham causado a pior crise econômica na história do país. Buscava-se um novo rosto. Um anti-político promoveria mudanças de verdade. Muitos dos eleitores de Hitler ficaram incomodados com seu radicalismo, mas os partidos estabelecidos não pareciam oferecer boas alternativas. (…)

De fato, uma análise mais objetiva mostra que, justamente quando era mais necessário defender a democracia, os alemães caíram na tentação fácil de um demagogo patético que fornecia uma falsa sensação de segurança e muito poucas propostas concretas de como lidar com os problemas da Alemanha em 1932. Diferentemente do que se ouve hoje em dia, Hitler não era um gênio. Não passava de um charlatão oportunista que identificou e explorou uma profunda insegurança na sociedade alemã.

Hitler não chegou ao poder porque todos os alemães eram nazistas ou anti-semitas, mas porque muitas pessoas razoáveis fizeram vista grossa. O mal se estabeleceu na vida cotidiana porque as pessoas eram incapazes ou sem vontade de reconhecê-lo ou denunciá-lo, disseminando-se entre os alemães porque o povo estava disposto a minimizá-lo. Antes de muitos perceberem o que a maquinaria fascista do partido governista estava fazendo, ele já não podia mais ser contido. Era tarde demais.

Se isso lembra alguém, parabéns. Talvez isso salve a sua vida.

Fernando Brito
No Tijolaço
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O apelo de Thomas Mann à razão

Em 1930, romancista tentou alertar povo alemão sobre perigos políticos após Partido Nazista ficar em segundo lugar nas urnas. Para o Nobel de Literatura, Hitler não podia mais ser visto apenas como piada de mau gosto.

O Nobel de Literatura Thomas Mann - filho da brasileira Júlia da Silva Bruhns - em foto de 1947, tirada nos EUA
No dia 17 de outubro de 1930, Thomas Mann proferia no Beethoven-Saal, em Berlim, sua palestra intitulada Ein Appell an die Vernunft (Um apelo à razão). Ao mesmo tempo, membros da Sturmabteilung (SA), a milícia paramilitar nazista, tentavam perturbar o evento e impedir que o escritor falasse.

O contexto e impulso dessa fala do romancista alemão foi o resultado das eleições de setembro daquele ano, quando o Partido Nazista (NSDAP) conquistou 18,3% dos votos, sendo o segundo mais votado, atrás do Partido Social-Democrata (24,5%) e à frente do Partido Comunista da Alemanha (13,1%).

O escritor tinha naquele momento uma posição de grande autoridade intelectual na República de Weimar, tendo recebido em 1929 o Prêmio Nobel de Literatura. Ele já era o autor dos romances Buddenbrooks (1901) e Der Zauberberg (A Montanha Mágica, 1924).

Longe de ser visto como um autor engajado numa época que via o ativismo potente de Bertolt Brecht (grande desafeto seu) e outros autores, Mann disse em sua palestra que o tempo do "jogo puro" de Friedrich Schiller ou do idealismo estético havia chegado ao fim diante de tais perigos políticos.

Segundo o autor, era importante deter os nazistas, que buscavam de forma efetiva, aos gritos, tornar indissociáveis ideias de nação e sociedade. Ele analisou o contexto político e econômico do momento, sem poupar críticas aos efeitos desastrosos do Tratado de Versalhes sobre a sociedade alemã.

O engajamento de Mann na luta contra o fascismo encontrou também sua face literária em uma novela importante publicada naquele mesmo ano: Mario und der Zauberer. Escrita no ano anterior, chegava no mais propício dos momentos. É seu trabalho mais escancaradamente político.

O narrador descreve como, durante uma viagem à Itália, ele testemunha o poder de hipnose de um mágico chamado Cavaliere Cipolla. Este era capaz de criar com sua fala um clima de opressão em meio ao público que assistia ao seu espetáculo, controlando os espectadores até que um deles, o Mario do título, se revolta e o mata.

O momento era de tensão e angústia entre os espíritos democráticos da época: Josef Stálin consolidara seu poder na União Soviética, Benito Mussolini conclamava os italianos a recuperarem a glória do Império Romano, e o Partido Nazista começava a conquistar uma posição perigosa dentro da República de Weimar. O tempo de rir dos nazistas havia acabado.

Mann parecia decidido a convencer o povo alemão, ou ao menos a parcela que poderia ouvi-lo, de que Adolf Hitler não podia mais ser visto apenas como uma piada de mau gosto – como muitos intelectuais da época reagiram à sua gritaria até que ele chegou ao poder, em 1933, quando já era tarde demais.

Infelizmente, sabemos que naquele momento o apelo à razão de Mann junto a seus compatriotas não foi suficiente. O próprio Beethoven-Saal, onde proferiu sua palestra, foi bombardeado e destruído em 1944.

Ricardo Domeneck
No DW
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Desespero bolsominion - ouça!


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Um canalha à porta do Planalto

 Imperdível 

 O que "colunistas" da "imprensa nativa" não dizem, colunista português diz! 

Equiparar Haddad a Bolsonaro constitui um acto moral e politicamente inqualificável. Quem o faz torna-se cúmplice de Bolsonaro.

1. Carlos Alberto Brilhante Ustra foi um dos maiores, senão mesmo o maior torcionário, no tempo da ditadura militar que vigorou no Brasil entre 1964 e 1985. Em 2008 foi o primeiro oficial condenado por sequestro e tortura. Comprovadamente, maltratou física e psicologicamente centenas de pessoas e chegou ao limite de obrigar crianças a presenciarem o dilacerante espectáculo do espancamento dos respectivos progenitores. Nunca reconheceu os seus crimes nem manifestou o mais leve arrependimento pelos seus actos desumanos. Era um canalha. Morreu em 2015, em Brasília, na cama de um hospital.

Foi precisamente este torcionário miserável que o então deputado federal Jair Bolsonaro homenageou no momento em que votou a favor do impeachment da Presidente Dilma Rousseff. Nessa ocasião, Bolsonaro pronunciou uma declaração que o define integralmente: dedicou o seu voto à “memória do Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff”. É impossível imaginar, naquele contexto, uma afirmação mais vil, um comportamento mais indigno, uma atitude mais asquerosa. Bolsonaro revelou-se ali o que ele verdadeiramente é: um canalha em estado puro.

O que é um canalha em estado puro? É alguém que contraria qualquer tipo de critério moral e se coloca num plano comportamental pré ou anticivilizacional. Quem elogia o torturador de uma jovem mulher absolutamente indefesa atribui-se a si próprio um estatuto praticamente sub-humano. Bolsonaro é dessa estirpe, desse rol de gente que leva à interrogação sobre o que subsiste de humano no homem que literalmente se desumaniza. Theodore Adorno levou essa questão até ao limite do pensável, quando formulou a sua célebre afirmação: “escrever um poema depois de Auschwitz é um acto bárbaro e isso corrói até mesmo o conhecimento de porque se tornou impossível escrever poemas”. E, contudo, a poesia sobreviveu. O Homem resiste ao que de desumanizador ele inscreve na história. Isso não é razão para renunciar à denúncia da barbárie.

A barbárie tem muitos rostos: é estúpida, boçal, intolerante, sectária, fanática, simplista, racista, xenófoba, homofóbica, sexista, classista, irremediavelmente preconceituosa, inevitavelmente primária. Jair Bolsonaro é um dos rostos perfeitos dessa barbárie em versão actual. Tudo nele aponta para a pequenez: é um ser intelectualmente medíocre, eticamente execrável, politicamente vulgar. Nele observa-se uma prodigiosa ausência de qualquer tipo de grandeza e uma assustadora presença de tudo quanto invalida um cidadão para o desempenho da mais humilde função pública. Por isso mesmo ele é extraordinariamente perigoso: é a expressão quase exemplar do homem sem qualidades subitamente erigido a um papel de liderança.

Bolsonaro não é Hitler, não é Mussolini, não é sequer Franco. Em bom rigor, se quisermos ater-nos a um debate intelectual de natureza escolástica, ele não é bem a representação do fascismo. Há nele, contudo, na dimensão medíocre que a sua pobre personalidade proporciona, tudo aquilo de que a tradição fascista historicamente se alimentou. O anti-iluminismo, a exaltação sumária da unicidade nacional, a apologia da violência, o culto irracional do chefe. Bolsonaro é pouco mais do que um analfabeto ideológico com todos os perigos que isso mesmo encerra. Ele e a sua prole de jovens tontos significam hoje o maior perigo com que se depara o mundo ocidental.

2. Alguns analistas políticos, uns por ignorância, outros por má-fé, tentam convencer-nos que os brasileiros terão de escolher nas eleições presidenciais entre a cólera e a peste. Isso não corresponde minimamente à verdade. Equiparar Haddad a Bolsonaro constitui um acto moral e politicamente inqualificável. Quem o faz torna-se cúmplice de Bolsonaro, da sua vertigem proto-fascista, da sua propensão para o culto da violência. É por isso que não pode haver hesitações neste momento da história do Brasil e, de uma certa maneira, da própria história da Humanidade. Haddad é um intelectual sofisticado, um democrata respeitador dos princípios fundamentais das sociedades abertas e pluralistas, um homem de reconhecida integridade cívica e moral. O PT cometeu erros nos anos em que governou o Brasil? Cometeu decerto, como todos os demais partidos que desempenharam funções governativas durante muito tempo em qualquer parte do mundo. Há, porém, uma coisa que é preciso afirmar enfaticamente nesta hora especialmente dramática: nem Lula, nem Dilma Rousseff alguma vez puseram em causa o Estado de Direito brasileiro. Ambos pugnaram por um Brasil mais justo e contribuíram fortemente para o alargamento das condições de afirmação da liberdade individual de milhões de brasileiros a quem o destino aparentava não conceder outra vida que não fosse a miséria, o sofrimento e absoluta exclusão social. Fizeram-no sempre no respeito pelas regras da democracia liberal, enfrentando a hostilidade de uma comunicação social globalmente desfavorável e os ferozes ataques dos grandes oligopólios económicos. Muitas vezes é difícil percebermos o que isso significa a partir de uma perspectiva europeia. Mas quem viajou dezenas de vezes para a América Latina, como eu fiz nos últimos anos, sabe bem o que isso traduz naquele sacrificado continente. Ali, ser pobre corresponde a ser muito mais pobre do que no nosso velho continente europeu; ali, ser mulher, ser homossexual, ser indígena, ser desempregado, ser mãe solteira, comporta uma carga sem correspondência com o que se passa no mundo que nós próprios habitamos.

Uma vitória de Bolsonaro significaria um retrocesso civilizacional para o Brasil e para o mundo. Não estamos, por isso, a falar de um confronto político e ideológico normal. Estamos perante um verdadeiro confronto entre a civilização, por mais ténue que esta seja, e a barbárie. Haddad é hoje mais do que Haddad, é mais do que o PT, é mesmo mais do que o Brasil. Haddad é o símbolo da luta da razão crítica contra o obscurantismo, da liberdade face ao despotismo, da aspiração igualitária diante do culto das hierarquias de base biológica ou social. É por isso que este combate nos interpela a todos. Estamos perante um momento de divisão clara entre o que no Homem há de apelo à razão, ao culto da liberdade, ao sentido da fraternidade, e o que no mesmo Homem há de impulso básico para o autoritarismo, a servidão e a anulação da inteligência crítica. Há horas na história em que tudo se reconduz a uma dicotomia simples que é ela própria o oposto de uma redução ao simplismo. Sejamos claros, no Brasil, hoje, a opção é evidente: Haddad significa a civilização, Bolsonaro representa a barbárie.

3. Fernando Henrique Cardoso tem a absoluta obrigação de se pronunciar num momento decisivo da vida do seu país. Este é o momento em que verdadeiramente se ajuizará do seu papel histórico. Até aqui prevaleceu a figura do intelectual brilhante, do ministro das finanças eficaz, do Presidente da República naturalmente polémico, mas reconhecidamente superior. O seu passado responsabiliza-o especialmente nas presentes circunstâncias históricas. Fernando Henrique Cardoso tem a obrigação moral de apoiar Haddad. Se o não fizer apoucar-se-á perante os seus contemporâneos e sobretudo diante dos futuros historiadores do Brasil.

Francisco Assis
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