16 de out de 2018

Ciro x Ciro, o risco de queimar dois grandes ativos políticos


Entre as poucas certezas dessa campanha eleitoral, havia as seguintes:

  1. Eleito, Fernando Haddad imporia sua própria personalidade ao governo, assim como já está impondo na campanha eleitoral, ampliando os horizontes do PT e diluindo o antipetismo com uma frente ampla social democrata.
  2. Ciro Gomes seria o parceiro político preferencial, ajudando a organizar a frente democrática e as trincheiras da governabilidade..
  3. Em 2022, seria o candidato natural à sucessão de Haddad.
Afinal, se está falando de dois candidatos diferenciados, no caráter, no conteúdo programático, no combate aos malfeitos.

Não se sabe o que ocorre nessa marcha da insensatez do país. A ideia de que haverá caos com data marcada para terminar, em 31 de dezembro de 2021, saindo daí um novo vencedor é fantasia pura. Ao caos Bolsonaro seguirá uma democracia mitigada, tutelada pelas Forças Amadas, legitimada pela incapacidade total do poder civil se organizar, mesmo ante a perspectiva do caos.

Seguramente, não sei qual é a de Ciro Gomes e seu irmão. Por mais que tenham mágoas da Executiva do PT, estão falando com um público muito mais amplo, composto por eleitores do PT, algo muito maior do que a Executiva, e por todos aqueles que resistem ao estado de exceção que inevitavelmente se ampliará com a eleição de Bolsonaro. E seu interlocutor direto é Fernando Haddad, um candidato que não se envolveu nessas pintinhas partidárias e está acenando permanentemente para Ciro, inclusive tendo a maturidade de colocar os interesses do país – e o objetivo das eleições – acima das idiossincrasias pessoais.

Se Bolsonaro vencer, cada perda de direitos, cada ameaça às liberdades, cada ato de violência, o desmonte das universidades, do ensino público, do SUS, tudo isso será debitado à falência da sociedade civil. Haverá cobranças de Lula e do PT, sim, mas principalmente dos que colocaram projetos pessoais à frente dos interesses nacionais. Lula, Fernando Henrique Cardoso e Ciro serão cobrados. Mas, dos três, o único que ambiciona uma carreira política ainda é Ciro.

Ele, que deu uma largada admirável nas eleições, manteve um bom percentual de votos escudado unicamente nas boas propostas de campanha, corre o risco de queimar-se na reta final.

Seria bom que tivesse um ataque de bom senso que preservasse para o país dois grandes ativos democráticos: o candidato Fernando Haddad e o futuro candidato Ciro Gomes.

Luís Nassif
No GGN



A deslealdade é a arma silenciosa e fria dos canalhas. Ciro e Cid Gomes são desleais. São frios. E são canalhas. Ciro é verborrágico e mimetiza os coronéis que fingiu enfrentar, mas à sombra dos quais sempre viveu.

Cid é histriônico e quase-maluquete como se pode testemunhar nesse vídeo de 2'28" gravado nesta 2a feira em Fortaleza num ato que devia formalizar a "frente ampla" pró-Haddad no Ceará.

Ciro, o traidor dos anseios de mudança de seus eleitores - que são, de resto, democratas elevados e saberão seguir o caminho da Liberdade sem a condução daquele que un dia imaginaram líder - fugiu da cena e foi para Portugal. Crê, assim, preservar a própria imagem para disputar a presidência em 2022 sob os escombros de Bolsonaro.

Haverá escombros, o país vai desmoronar rápido embalado nessa loucura em que montou para dar um rolê no inferno agarrado ao demônio, mas não haverá 2022. E Ciro será para sempre um dos responsáveis por isso.

Cid deu esse ataque espilicuti na forma de esporro com voz estridente na militância do PT. Cid, que sente o bafo quente do Ministério Público e da Polícia Federal no seu cangote pelos desvios que muitos o acusam no 8 anos em que governou o Ceará, viveu esta noite seus 15 minutos de fama política nacional.

Derreterá antes de sentar nas cadeiras azuis do Senado. Uma vez lá, estará para sempre condenado à irrelevância: a deslealdade é o veneno que mata os canalhas.

Ciro e Cid são dois zumbis da política. Estão por mortos por deslealdade. Acanalharam a política cearense.

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Haddad divulga carta aos evangélicos


O Senhor odeia os lábios mentirosos, mas se deleita com os que falam a verdade.
Provérbios 12:12
Quero me dirigir diretamente ao povo evangélico neste momento tão decisivo da vida de nosso Brasil, cujo futuro será decidido democraticamente nas urnas do próximo dia 28.

Para estar no segundo turno, tive que vencer uma agressiva campanha baseada em mentiras, preconceitos e especulações massivamente espalhadas pelo Whatsapp e outras redes sociais, contra mim e minha família.

“Estas seis coisas o Senhor odeia, e a sétima a sua alma abomina: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, o coração que maquina pensamentos perversos, pés que se apressam a correr para o mal, a testemunha falsa que profere mentiras, e o que semeia contendas entre irmãos.” (Provérbios 6:16-19)

Desde as eleições de 1989, o medo e a mentira são semeados entre o povo cristão contra candidatos do PT. Comunismo, ideologia de gênero, aborto, incesto, fechamento de Igrejas, perseguição aos fiéis, proibição do culto: tudo o que atribuem ao meu futuro governo foi usado antes contra Lula e Dilma. As peças veiculadas, de baixo nível, agridem a inteligência das pessoas de boa vontade, que não se movem pelo ódio e pela descrença.

“Ó Deus, a quem louvo, não fiques indiferente, pois homens ímpios e falsos, dizem calúnias contra mim, e falam mentiras a meu respeito.” (Salmos 109:1-2). Que provas tenho a oferecer para desmentir quem usa meios tão baixos para enganar, fraudar a vontade popular?

Minha vida, em primeiro lugar: sou cristão, venho de família religiosa desde meu avô, que trouxe sua fé do Líbano quando migrou para o Brasil para construir vida melhor para sua família. Sou casado há 30 anos com a mesma mulher, Ana Estela, minha companheira de jornada que criou comigo dois filhos, nos valores que aprendemos com nossos pais. Sou professor, passaram por minhas mãos milhares de jovens com os quais aprendi e ensinei meus sonhos de um Brasil digno e soberano.

Minha vida pública, em segundo lugar: minha atuação, como Ministro da Educação e como Prefeito de São Paulo, fala por mim. Abri as portas da educação para os mais pobres, das creches – nas quais o governo federal passou a investir pesadamente em minha gestão – à Universidade. Antes do Pro-Uni, do FIES sem fiador, do ENEM, da criação de vagas em instituições públicas e gratuitas de ensino e das cotas raciais, o ensino superior era inacessível para jovens negros, trabalhadores e da periferia. Busquei humanizar a metrópole que me foi confiada, buscando inovações para ampliar os direitos, à moradia, à mobilidade urbana, ao meio ambiente sadio, à convivência fraterna.

Sempre contei, no MEC ou na Prefeitura de São Paulo, com a parceria com todas as denominações religiosas. Tratei a todas de forma igualitária. Os governos Lula e Dilma, bem como nossos governos estaduais e municipais, sempre reconheceram dois pilares do Estado democrático: é laico e, como tal, não privilegia nem discrimina ninguém em razão de sua religiosidade. Nenhuma Igreja foi perseguida, o direito de culto sempre foi assegurado, a liberdade de expressão também.

Nenhum dos nossos governos encaminhou ao Congresso leis inexistentes pelas quais nos atacam: a legalização do aborto, o kit gay, a taxação de templos, a proibição de culto público, a escolha de sexo pelas crianças e outras propostas, pelas quais nos acusam desde 1989, nunca foram efetivadas em tantos anos de governo. Também não constam de meu programa de governo.

“Acautelai-vos quanto aos falsos profetas. Eles se aproximam de vós disfarçados de ovelhas, mas no seu íntimo são como lobos devoradores. Pelos seus frutos os conhecereis. É possível alguém colher uvas de um espinheiro ou figos das ervas daninhas? Assim sendo, toda árvore boa produz bons frutos, mas a árvore ruim dá frutos ruins.” (Mateus 7:15-17).

Os frutos que quero legar ao Brasil como Presidente são a justiça e a paz. Emprego para milhões de desempregados e desempregadas poderem sustentar com dignidade suas famílias. Salário justo, com direitos que foram eliminados pelo atual governo e que serão trazidos de volta com a anulação da reforma trabalhista, e o direito à aposentadoria, ameaçado pela reforma da Previdência apoiada pelo atual governo e meu adversário. “Aprendei a fazer o bem; procurai o que é justo; ajudai o oprimido; fazei justiça ao órfão; tratai da causa das viúvas.” (Isaías 1:17)

Quero governar o Brasil com diálogo e democracia, com a participação de todos e todas que se disponham a doar de seu tempo e talentos na construção do bem comum. Um governo que promova a cultura da paz, que impeça a violência, que nunca use da tortura e da guerra civil como bandeiras políticas. Que una novamente a Nação brasileira, para que volte a ser vista com esperança pelos mais pobres e com respeito pela comunidade internacional.

Apresento-me, pois, diante dos irmãos e irmãs das mais variadas denominações cristãs, com a sinceridade e honestidade que sempre presidiram minha vida e meus atos. A Deus, clamo como o salmista: “guia-me com a tua verdade e ensina-me, pois tu és Deus, meu Salvador, e a minha esperança está em ti o tempo todo.” (Salmos 25:5). E a vocês, peço justiça, a justa apreciação de meus propósitos e o voto para concretizar essas intenções num governo que traga o Brasil aos caminhos da justiça, da concórdia e da paz.

Fernando Haddad
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A guerra cibernética contra Haddad e Manuela


Os surpreendentes resultados da eleição deste ano não encontram suficientes explicações nos marcos da sociologia, da antropologia, da ciência política ou nas falhas metodológicas das pesquisas de opinião.

Além de completos desconhecidos eleitos para o Congresso e de outros candidatos exóticos liderando o segundo turno para governos estaduais, elegeu-se deputado federal até um candidato youtuber que reside há 4 anos em Miami/EUA!

Esse fenômeno, que decididamente está longe de representar um processo democrático e soberano de deliberação pública para a representação política, está atrelado à onda nazi-bolsonarista que ocupou a cena nacional.

É amplamente aceita a tese de manipulação de processos políticos através das mídias digitais e das redes sociais para causar caos, fragmentar e dividir as sociedades, fraturar o tecido social e criar um ambiente favorável à consecução de políticas ultraliberais e racistas.

Os experimentos mais notáveis até agora conhecidos são a primavera árabe, as “jornadas de junho” no Brasil, o referendo do acordo de paz na Colômbia, o Brexit no Reino Unido, a eleição do Trump e as campanhas da extrema direita em vários países europeus.

As tecnologias utilizadas para a manipulação e produção de fraudes aproveitam os altos conhecimentos e a inteligência militar que são empregadas nas guerras modernas, ou seja, as guerras que têm como palco de combate o território da internet – a chamada guerra híbrida, que mescla o uso de armas convencionais com elementos da ciberguerra.

Os atores principais da guerra híbrida são a empresa Cambridge Analytica, que roubou dados e informações privadas de mais de 50 milhões de usuários do facebook com esta finalidade; e um sujeito conhecido pela difusão global de idéias nazi-fascistas e do ideário ultraliberal, Steve Bannon [ver vídeo aqui], com quem o filho do Bolsonaro manteve entendimentos em Nova Iorque em agosto passado, quando declarou que “concluímos [Eduardo B. e Steve B.] ter a mesma visão de mundo. Ele afirmou ser entusiasta da campanha de Bolsonaro e certamente estamos em contato p/ somar forças, principalmente contra marxismo cultural”.

O nazi-bolsonarismo que substituiu o PSDB no posto do antipetismo se viabilizou eleitoralmente promovendo a guerra híbrida e empregando as ferramentas mais sujas do combate que é travado no subterrâneo das mídias digitais e das redes sociais.

A logística [as “tropas” virtuais, robôs e equipamentos] da campanha do Bolsonaro para promover a manipulação e a fraude da soberania popular está instalada tanto no Brasil como em território estrangeiro.

A operação se desenvolve da seguinte maneira:
  1. números de telefones pertencentes aos sistemas oficiais de telecomunicações de países estrangeiros são usados para criar grupos originários de whatsapp [WA] da campanha do Bolsonaro. Cada linha telefônica pode criar dezenas de grupos de WA, e cada grupo de WA pode ter até 257 integrantes. Isso tudo feito com o emprego de potentes robôs que aumentam a replicação de dados de maneira exponencial;
  2. no Brasil, este procedimento é replicado na forma tanto de usuários diretos dos grupos originários de WA, como também de outros inúmeros grupos de WA derivados – definidos por critérios geográficos, temáticos, religiosos, profissionais etc;
  3. as instruções de campanha são produzidas maiormente pelos grupos originários que geram conteúdos odiosos, calúnias, mentiras, difamações, insultos, agressões, orientações de violência etc na forma de áudios, vídeos, textos contra Haddad, Manuela, Lula e o PT;
  4. os conteúdos criminosos são propagados através de centenas [ou milhares] de grupos secundários de WA e também de usuários individuais do WA, atingindo dezenas de milhões de brasileiros/as que formam muitos formigueiros humanos, bombardeados com informações falsas e conteúdos desfavoráveis à campanha do Haddad e estimuladoras do ódio antipetista;
  5. os bolsonaristas, além disso, infiltram cavalos de Tróia nos grupos de WA da campanha petista, praticando espionagem e gerando conteúdos que desorganizam, desinformam, confundem e desestimulam a militância petista.
O aumento virtual da rejeição do Haddad decorre desta carga brutal de ataque. Bolsonaro não se preocupa em apresentar propostas e tampouco em fazer campanha de rua, conceder entrevistas ou participar de debates, mas simplesmente se dedica a desconstruir e atacar Haddad e Manuela com métodos sujos e linguagens ultrajantes.

Mesmo dentro de casa e fugindo de debates escudado em duvidosa restrição de saúde, ele continua com alto desempenho nas pesquisas porque está vencendo a ciberguerra ficando estacionado na frente de computadores e smartphones e trabalhando pela rejeição do Haddad.

O método é idêntico ao usado pelo Trump contra Hilary em 2016. Como não tinha mensagens positivas e programa a transmitir, Trump criava mentiras, falava barbaridades, agredia e, sobretudo, atacava a oponente. Isso causou, por exemplo, a menor taxa de comparecimento de negros em eleições na história dos EUA, público tradicionalmente contra o Partido Republicano e que vota no Partido Democrata na proporção de 9 entre 10 eleitores, mas foi desestimulado a comparecer na eleição e se absteve.

Hackers brasileiros e estrangeiros têm feito um trabalho exaustivo e exitoso para desvendar os meandros dessa ciberguerra que atenta contra a segurança nacional e a democracia. Eles identificaram, por exemplo, os telefones +1(857) 244-0746, de Massachusetts, e +351 963530 310, de Portugal, que administram mais de 70 grupos da campanha do Bolsonaro; e o número +1 (747) 207-0098, da Califórnia, que administra mais de 100 grupos de WA.

Haddad disse ao jornal Valor de hoje que “se você desligar o whatsapp por 5 dias, o Bolsonaro some”. Ele tem razão, essa é a mais pura verdade; e é exatamente isso que deve e pode ser feito com a máxima urgência para assegurar a lisura da eleição e deter a escalada nazi-fascista no Brasil.

Algumas medidas, neste sentido, poderiam ser consideradas, como por exemplo:
  1. a denúncia ao TSE dos grupos de WA com respectivos números de telefones e conteúdos criminosos, para que o tribunal [1] identifique titularidades das linhas telefônicas e autoria dos crimes, [2] exija da campanha do Bolsonaro comprovação dos pagamentos ou investigue o pagamento oculto das linhas e robôs, [3] comunique aos países-sede dos robôs e linhas telefônicas o fato e solicite a imediata desativação de tais logísticas;
  2. a apresentação de denúncia às embaixadas dos países-sede das plataformas de telecomunicações usadas na perpetração dos crimes, com a exigência de que os governos destes países imediatamente determinem o desmonte da infra-estrutura criminosa [linhas, robôs etc] instalada nos respectivos países, sob pena de acusação, junto à ONU, de intromissão indevida na soberania nacional do Brasil;
  3. a solicitação de cooperação técnica do governo da Índia, que em agosto passado cogitou regular restritivamente o facebook e o whatsapp em caráter emergencial, em vista da onda de linchamentos originada na difusão de notícias falsas e na estimulação do conflito no interior da sociedade indiana por intermédio do facebook e do whatsapp; e
  4. lançar um alerta global sobre a manipulação que ocorre na eleição brasileira, que serve de laboratório para a propagação do ideário nazi-fascista para a imposição do projeto ultra-liberal fundado no ódio e na desagregação social em todas as partes do mundo.
A eleição no Brasil está sob ataque; a campanha do Haddad é alvo de uma perigosa guerra cibernética. É preciso urgência no combate à ciberguerra que o bolsonarismo e a classe dominante promovem contra a soberania popular e o Estado de Direito para instalar um regime que não seria somente de terror político, social e cultural, mas também de terror econômico.

Jeferson Miola
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Segunda ex-mulher de Bolsonaro acusou-o de mandar espancar ex-colega do Exército: “desequilíbrio mental”

Ela
Rogéria Nantes Braga Bolsonaro, mãe dos parlamentares Carlos, Flávio e Eduardo Bolsonaro, acusou o pai de seus filhos e candidato a presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), de ter sido o mandante do espancamento de um assessor político e seu ex-colega de Exército, Gilberto Gonçalves, ocorrido em uma rua da zona norte da cidade do Rio de Janeiro, no mês de setembro do ano 2000.

O motivo, de acordo com o depoimento de Rogéria, foi o fato de Gonçalves estar trabalhando, à época, como cabo eleitoral de sua candidatura à 2ª reeleição a vereadora do Rio. Quando o fato ocorreu, ela já não era mais esposa de Bolsonaro, e o ex-capitão do Exército tentava eleger para o seu lugar na Câmara o filho Carlos, então um estudante do ensino médio com 17 anos de idade.

Tudo isso consta em registros e depoimentos dados à Polícia Civil do Rio de Janeiro pela própria Rogéria Bolsonaro, que afirmou à imprensa na ocasião que seu ex-marido sofre de “desequilíbrio psicológico e mental” (veja abaixo).

Assim, Rogéria é a segunda ex-mulher de Jair Bolsonaro a lhe imputar atos de violência e instabilidade emocional. Conforme publicou a revista “Veja” no dia 29 do mês passado, outra ex-esposa do candidato à Presidência pelo PSL, Ana Cristina Siqueira Valle, acusou o parlamentar não apenas de agressão, mas de ameaçá-la de morte, ao ponto dela fugir do país para escapar do ex-marido.

“Ele colocou o filho contra a própria mãe”

No ano 2000, Rogéria Nantes Braga Bolsonaro era vereadora do Rio de Janeiro pelo PMDB. Tentava a reeleição para seu terceiro mandato. Nas duas eleições anteriores, fora pelo nome e fama do seu então marido, ex-capitão, ex-vereador e então deputado federal, então pelo PPB, Jair Bolsonaro, que se elegera.

Ele lançara a mulher na política no início da década de 1990, no tempo em que se transferia do cargo de vereador carioca para a Câmara dos Deputados, onde está hoje, por mais de 25 anos. Foi quando ela passou a arrebanhar os votos que, antes, iam para o marido na eleição do Rio, somando, assim, mais um mandato e um salário à família.

Em 1997, o casal se separou. Os reais motivos da separação, só Rogéria e Bolsonaro podem saber. Na época, cada um apresentou uma versão, e o assunto virou notícia na imprensa. O deputado deu uma entrevista à revista “Isto é Gente”, contando o ocorrido segundo o seu ponto de vista:

“O relacionamento despencou depois que elegi a senhora Rogéria Bolsonaro vereadora, em 1992. Ela era uma dona de casa. Por minha causa, teve 7 mil votos e foi eleita. Acertamos um compromisso. Nas questões polêmicas, ela deveria falar comigo para decidir o voto dela. Mas começou a frequentar o plenário e passou a ser influenciada pelos outros vereadores. Eu a elegi. Ela tinha que seguir minhas ideias. Acho que sempre fui muito paciente, mas ela não soube respeitar o poder e a liberdade que lhe dei”.  

Quer dizer: segundo Bolsonaro, o relacionamento dos dois começou a despencar quando ele a elegeu vereadora, em 1992. Mas só veio a acabar mesmo em 1997. O motivo: ela deixou de obedecer a seus comandos no exercício de seu (segundo) mandato. Rogéria não soube respeitar o poder e a liberdade que ele havia lhe concedido. Isso o deputado disse à imprensa, está registrado.

A vida seguiu. Esposa ou não de Bolsonaro, fato é que Rogéria tomou gosto pela vereança. Mesmo divorciada, quis concorrer a um terceiro mandato, no ano 2000. Ocorre, porém, que ao deixar de ser esposa do ex-capitão, deixou também, aos olhos do hoje candidato a presidente do Brasil, de ser uma boa vereadora.

Então, na eleição municipal de 2000, quando a dita dona de casa tentava se eleger vereadora pela terceira vez, Rogéria deixou de contar com o apoio de Jair Bolsonaro. Naquele ano, o ex-capitão lançou outro candidato à Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Seu nome: Carlos Bolsonaro, seu filho, então um adolescente de 17 anos. Abaixo, a inscrição eleitoral do rapaz, protocolada na época junto ao TRE-RJ (Tribunal Regional Eleitoral).


Carlos Bolsonaro tinha 17 anos quando seu pai o lançou na política no ano 2000. Era estudante do ensino médio, menor de idade. Para que pudesse se candidatar, de acordo com a lei, era preciso que fosse emancipado. Jair Bolsonaro então assim o fez, como noticiou a imprensa carioca na época. A partir daí, naquela eleição no Rio de Janeiro, a mãe Rogéria e o filho Carlos passaram a ser adversários, disputando o mesmo eleitorado: os simpatizantes do ex-capitão.

“Bolsonaro emancipou o filho para jogá-lo contra a mãe. Em seu grupo político, não há ninguém merecedor de sua confiança. Já que não é a (ex-)mulher, tem que ser o filho. Um menino ainda, sem o mínimo preparo, com o único objetivo de dizer aos seguidores do deputado-capitão que o seu preposto na Câmara Municipal não é mais a ex-mulher, mas sim o filho, disputando os dois o patrimônio eleitoral do parlamentar. Se isso não é nepotismo, o que é?”

Assim noticiou o fato, no dia 25 de setembro de 2000, o jornal carioca “Tribuna da Imprensa” (que deixou de circular em 2008), um veículo alinhado à direita, simpático a Bolsonaro, mas atento aos fatos, como se pode ver na imagem abaixo, ou em sua versão original, preservada pela Biblioteca Nacional.


No dia seguinte à publicação acima, ocorreu um incidente de violência política no Rio de Janeiro. Um cabo eleitoral de Rogéria Bolsonaro foi espancado por três homens enquanto panfletava na zona norte da capital fluminense. Seu nome: Gilberto Gonçalves, então com 47 anos, ex-militar e ex-amigo de Jair Bolsonaro. O próprio deputado apresentara a vítima a Rogéria, alguns anos antes, na década de 1980, quando Gonçalves prestava o mesmo serviço de cabo eleitoral ao ex-capitão, que tentava se eleger deputado pela primeira vez.

Rogéria Bolsonaro, um dia após o espancamento, não teve dúvidas em afirmar: seu correligionário fora espancado a mando de Jair, que estava inconformado com o fato de o ex-amigo ter-se bandeado para o lado de sua ex-esposa.

De acordo com o que testemunhou Rogéria Bolsonaro, que estava no local e presenciou toda a cena, Jair Bolsonaro passou pela rua onde Gonçalves estava panfletando e não gostou nada do que viu. Logo depois, chegaram alguns homens, dominaram e espancaram o cabo eleitoral.

“Isso prova o desequilíbrio mental e psicológico do deputado Jair Bolsonaro, que chegou a colocar o filho (Carlos Bolsonaro), de 17 anos de idade, para concorrer como vereador, pelo PPB, contra a própria mãe”, desabafou Rogéria.

Eis a descrição do episódio pela própria Rogéria, mãe de Carlos, em entrevista à imprensa carioca, como se pode ver na imagem abaixo, e também no acervo preservado pela Biblioteca Nacional.


Tudo isso virou caso de polícia, abriu-se um inquérito, que meses depois foi arquivado, sem que ninguém fosse fosse responsabilizado pelo espancamento, por “falta de provas”. Rogéria Bolsonaro não foi reeleita. Perdeu a cadeira para o filho adolescente, que recebeu 16.053 votos e entrou para a história como o vereador mais jovem da história do Rio de Janeiro.

Jair Bolsonaro, então, comemorou a vitória eleitoral sobre a mãe de seus filhos Carlos, Flávio e Eduardo, hoje todos parlamentares, acumulando mandatos à família. Na visão do ex-capitão, porém, aquela não tinha sido uma disputa em que um filho derrotara sua mãe. “Não foi uma eleição de filho contra mãe, mas sim de filho com o pai. Para mim, ela já está morta há muito tempo”, disse o “mito”, em entrevista amplamente divulgada pela imprensa na ocasião.

O Ministério Público Eleitoral tentou impugnar a diplomação do jovem Carlos. Alegou que a lei não permite que um menor de idade seja eleito parlamentar. Jair Bolsonaro e o filho recorreram da impugnação junto ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e saíram vitoriosos. A corte interpretou que a barreira etária prevista na lei se refere ao momento em que o candidato é diplomado no cargo, e não àquele em que se candidata. “A idade mínima de 18 anos para concorrer ao cargo de vereador tem como referência a data da posse”, proferiu o TSE.

Assim, em 1º de janeiro de 2001, data da diplomação, o filho de Rogéria já entrara na casa dos 18, e assim passou a fazer parte daquela legislatura e da história da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, conforme se lê no registro do jornal “O Estado de S.Paulo.

Vinicius Segalla
No DCM
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PF investiga ameaça de bolsominion a Rosa Weber

A ministra Rosa Weber, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pediu à Polícia Federal que investigue uma mensagem endereçada a ela, questionando o processo eleitoral, segundo o Painel, da Folha de S.Paulo.

Em tom ameaçador, o texto diz que Jair Bolsonaro (PSL) está eleito e haverá revolta popular se as urnas não confirmarem o resultado. “A senhora vai ver o povo na rua e os caminhoneiros parando este Brasil até que tenha novas eleições e com voto impresso”, diz a mensagem.

O texto, enviado pela rede social em uma conta oficial do TSE, repete a desconfiança nas urnas eletrônicas, que vem sendo propagada pelo capitão da reserva entre seus seguidores. “Espero que a sra. fique de olho”, diz o texto. “É só um aviso, com todo respeito.”
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Filho de Beatriz Segall vê como “ato de covardia” uso da foto da mãe em fake news contra Haddad

Apoiadores do candidato do PSL usaram foto antiga da atriz machucada com a legenda: “esta senhora foi agredida por petistas na rua quando gritou Bolsonaro”


A família de Beatriz Segall, morta em setembro deste ano, emitiu nota repudiando o uso de uma foto da atriz com o rosto machucado acompanhado da legenda: “esta senhora foi agredida por petistas na rua quando gritou Bolsonaro”.

O comunicado afirma que “a imagem se refere a um acidente de que [Beatriz] foi vítima há alguns anos [quando tropeçou em uma calçada no Rio], nada tendo a ver com qualquer ato de agressão”.

Sergio Segall, filho da atriz, vê como “um ato de covardia” o uso da imagem de sua mãe.
A imagem de Segall foi feita em 2013, após a atriz levar um tombo em uma rua do Rio de Janeiro.

Fake News

Muitos conteúdos emitidos pela campanha de Jair Bolsonaro (PSL) denunciados já foram eliminados pela Justiça Eleitoral, porém, frequentemente, a ação chega tarde demais e o estrago da mentira já está feito. Isso porque muitas pessoas repassam conteúdos em aplicativos de mensagens como o WhatsApp sem verificar a origem e a veracidade dos fatos.

“Kit Gay”

O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Carlos Horbach, deferiu, no final da noite desta segunda-feira (15), liminar proposta pela defesa da coligação “O Povo Feliz de Novo”, do candidato Fernando Haddad, proibindo a chapa de Jair Bolsonaro de divulgar nas redes sociais publicações sobre o que ficou conhecido como kit gay.

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Justiça diz que “Kit Gay” nunca existiu e proíbe Bolsonaro de disseminar Fake News


O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Carlos Horbach, deferiu no final da noite de ontem (15) liminar proposta pela defesa da coligação “O Povo Feliz de Novo”, do candidato Fernando Haddad, proibindo a chapa de Jair Bolsonaro de divulgar nas redes sociais publicações sobre o que ficou conhecido como kit gay. A representação eleitoral contra Jair, Flávio e Carlos Bolsonaro pedia a retirada de vídeo que afirmava que o livro “Aparelho Sexual e Cia” teria sido distribuído em escolas públicas pelo Ministério da Educação quando Haddad era o ministro da pasta.

Diz a decisão: Nesse quadro, entendem comprovada a difusão de fato sabidamente inverídico, pelo candidato representado e por seus apoiadores, em diversas postagens efetuadas em redes sociais, requerendo liminarmente a remoção de conteúdo. Assim, a difusão da informação equivocada de que o livro em questão teria sido distribuído pelo MEC… gera desinformação no período eleitoral, com prejuízo ao debate político.

O vídeo teve o alcance de cerca de 500 mil visualizações. E em entrevista ao principal telejornal do país no dia 28 de agosto, Jair Bolsonaro apresentou o livro e afirmou que este fazia parte das obras distribuídas pelo MEC na gestão de Haddad. Deputado Federal pelo Rio de Janeiro, o candidato à Presidência pode ter quebrado o decoro parlamentar por mentir em rede nacional em pleno horário considerado nobre.

Na decisão do ministro Horbach há a determinação de que o Facebook e o Google apresentem em 48 horas a identificação do número de IP da conexão utilizada no cadastro inicial dos perfis responsáveis pelas postagens, os dados cadastrais dos responsáveis e os registros de acesso.

O escritório Aragão e Ferraro Advogados que representa a coligação “O Povo Feliz de Novo” comemora a decisão, mas faz um alerta a influência das chamadas Fake News no processo eleitoral brasileiro. “Para além dos prejuízos nesta eleição, temos claramente acompanhado a escalada de notícias falsas com uma disseminação que só pode ser explicada através de um trabalho de inteligência articulado e financiado com robustos recursos. Este é um instrumento perigoso para a consolidação de notícias que podem comprometer a própria segurança nacional do Brasil”, afirma o advogado Angelo Ferraro.

Até agora a defesa da coligação “O Povo Feliz de Novo” já conseguiu a derrubada de cerca de 100 urls originais e mais de 146 mil compartilhamentos com alcance de aproximadamente 20 milhões de visualizações.
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“Petistas” São Todos os Democratas

Segundo as pesquisas, o Brasil corre o sério risco de eleger um fascista manifesto como presidente da república.

Quando se fala em fascista, não se exagera. Bolsonaro é, sim, um fascista lato senso. Ele e seus seguidores ideológicos exibem todos os sintomas do que Erich Fromm chamava de personalidade autoritária ou personalidade fascista: o medo à liberdade, o ódio à alteridade e à diferença, a intolerância raivosa, a obsessão com a ordem e com a “pureza”, o culto cego à autoridade etc.

No exterior, toda a imprensa, seja do esquerdista Libération até a conservadora The Economist, vê com perplexidade e grande alarme semelhante aberração política tomar conta do Brasil, um país que, nos tempos de Lula, era visto como exemplo para o mundo. Aqui, a mídia oligárquica ou o apoia ou minimiza o óbvio e grave perigo que ele representa para a democracia. Os mais hipócritas, ou obtusos, afirmam, sem corar, que ele e Haddad representam extremos opostos. Sem comentários.

Muitos, agora, se dizem surpresos com a ascensão meteórica desse político profissional velho e medíocre, que, em 30 anos de vida pública, boa parte no PP de Maluf, nunca se destacou em nada, a não ser por suas manifestações escancaradas, brutais e devidamente comprovadas em prol da ditadura, da tortura, do fechamento do Congresso e contra mulheres, gays e negros. Carinho apenas com a família, que foi toda empregada na política tradicional.

Mas não é surpresa nenhuma. Em fevereiro de 2017, publiquei um artigo, que depois foi republicado com alterações um ano depois, intitulado “Lula ou Fascismo”, no qual já previa que, ante o fracasso do golpe de 2016, a direita tradicional e o centro seriam varridos e substituídos pelo neofascismo em ascensão.

Na realidade, o ovo da serpente desse neofascismo tupiniquim vinha sendo chocado há muito tempo. Começou lá em 2005, com o caso do mensalão, um esquema ordinário de caixa dois de campanha, herdado do PSDB, o qual, pela ação da mídia oligárquica e de um poder judiciário partidarizado, foi artificial e mentirosamente transformado num horrendo affair de “compra de votos” e no mais “escabroso caso de corrupção da história”.

Contudo, não foi só esse caso. Todas as ações dos governos do PT foram demonizadas, mesmo as mais exitosas e bem-intencionadas. O Bolsa Família, que hoje Bolsonaro finge defender, foi classificado como uma grande mentira e um incentivo à preguiça, o Mais Médicos, que levou assistência médica a 60 milhões de pessoas, foi considerado como um programa para financiar o “comunismo cubano”. Até mesmo a descoberta do pré-sal foi apresentada, pela mídia mentirosa, especializada em fake news, como uma jazida que era virtualmente impossível de ser explorada.

Tudo o que o PT fazia, embora amplamente reconhecido lá fora, era aqui mostrado sob uma luz profundamente negativa.

Em 2013, num claro episódio de guerra híbrida dirigida desde o exterior, manipularam-se insatisfações conjunturais e dirigiram-nas contra o PT, acusado, pela mídia oligárquica, como o culpado por todos os problemas históricos e estruturais da sociedade e do Estado brasileiro. Foi ali que surgiram, financiados por capitais nacionais e internacionais, os grupelhos fascistas que depois viriam a sustentar a ascensão do bolsoranismo protofacista.

Isso tudo culminou no golpe de 2016. Aproveitando-se da crise econômica mundial, que finalmente atingiu o Brasil depois de 7 anos, depuseram a presidenta honesta, sem crime de responsabilidade, colocaram a “turma da sangria” em seu lugar e romperam, sem a menor cerimônia, com a soberania popular e o pacto democrático estabelecido pela Constituição de 1988.

Nessa época, a porca antipetista já estava bem gordinha e prenhe de neofacistas. A porca achou que podia controlar a sua vara de brucutus truculentos, mas o fracasso retumbante do golpe, turbinado por uma política econômica suicida, antipopular e pró-cíclica, jogou por terra seus planos de hegemonia política.

Assim, o porco nazista emergiu triunfante, graças a sua mamãe antipetista, mentirosa, malcheirosa, incompetente e sem escrúpulos.

Mas o que é o antipetismo? Esse é um ponto que precisa ser bem compreendido. A maioria ainda não entendeu do que se trata.

Com efeito, muitos acham que o antipetismo é somente a rejeição a um partido específico. Não é. Esse é um erro crasso.

Para o neofascismo ascendente, “petismo” é tudo aquilo que represente contradição ou alteridade, em relação às suas crenças profundamente conservadoras. Como já disse o Coiso, o Brasil precisa voltar ao que era 50 anos atrás. Todo progresso em relação a esse Brasil autoritário e idílico precisa ser destruído.

Assim, a feminista é “petista” ou aliada do petismo, o negro que estuda por causa das cotas é um “petista” aproveitador, o trabalhador que é contra a reforma trabalhista é um “petista” e um comunista, a mãe que recebe o Bolsa Família é uma “pessoa comprada pelo petismo”, o defensor dos direitos do índio é um “petista”, o ambientalista que se opõe à derrubada das florestas para dar lugar a pasto é um “petista”, os que defendem os direitos humanos são “petistas” que defendem bandidos, o cirista que se aliou conjunturalmente a Haddad é um “petista” etc.

Mesmo escritores conservadores, como Reinaldo Azevedo, transformam-se em “petistas a serem exterminados”, quando fazem críticas a Bolsonaro. Na cabeça distorcida deles, até a ONU é um antro de petistas, bolivarianos e comunistas.

Na Alemanha nazista, não se fazia distinção entre judeus, comunistas, homossexuais, ciganos e democratas que se opunham ao regime. O destino de todos era um só: Dachau, Auschwitz, Sobibor etc.

Na ditadura de 1964, também não se fez distinção entre os grupos que aderiram à luta armada, os opositores democratas, os trabalhadores que queriam melhores salários, os artistas e jornalistas que se insurgiam contra a censura, os estudantes críticos ao regime, os religiosos da teologia da libertação etc. Até mesmo Carlos Lacerda, o suprassumo do conservadorismo udenista, foi cassado pelo golpe, ou pelo singelo “movimento”, como hoje o define o presidente do STF, o suposto guardião da nossa Constituição. Todos caíram na vala comum da “subversão”.

Você, que não gosta de Bolsonaro é, aos olhos míopes deles, um “petista”, ou um apoiador de “petista”, o que seria a mesma coisa para os brucutus. Está sujeito ao mesmo tipo de ameaça e violência.

Por isso, é profundamente ridículo e equivocado tentar se separar a luta contra o fascismo da luta contra o antipetismo. São aspectos indissolúveis do mesmo fenômeno autoritário.

Mais ridículo ainda é tentar jogar Bolsonaro no colo do PT e exigir “autocrítica”.

Não. Quem pariu Mateus que o embale. A autocrítica, profunda e sem tergiversações, têm de ser feita pela porca antipetista.

A mídia oligárquica, que ainda alimenta, em parte, o neofascismo é que tem de fazer uma profunda autocrítica e pedir desculpas ao povo do Brasil, por havê-lo enganado intencionalmente.

O poder Judiciário, em boa parte partidarizado, com um Supremo que abdicou de sua função de garantista dos direitos fundamentais, deve irrestritas desculpas ao povo do Brasil, por haver coonestado com o golpe e pela prisão política, sem provas, condenada pela ONU, do político mais popular do Brasil, aquele que poderia ter detido facilmente o neofascismo que ameaça desgraçar a todos.

Os partidos e políticos da direita tradicional e de centro devem um mea culpa em praça pública por ter jogado o Brasil nessa aventura totalitária, em sua busca sôfrega e irresponsável por “destruir o PT”.

O PT não foi destruído e nem o será. Fez a maior bancada na Câmara. É o partido mais popular, e, mesmo com uma eventual vitória do Coiso, será a grande referência da oposição democrática ao neofascismo. Quem foi destruída foi a democracia brasileira.

Os militares, que abandonaram seu papel de defensores últimos da ordem constitucional e aderiram, em boa parte, ao bolsoranismo, também devem desculpas ao povo do Brasil e precisam se recolher às casernas, de preferência calados.

Os empresários, que tiveram gordos lucros nos governos petistas, especialmente nos de Lula, precisam explicar à população porque apoiaram o golpe contra as instituições democráticas.

E alguns deles precisam explicar urgentemente porque alimentam com dinheiro sujo Bolsonaro e a sua campanha mentirosa e difamatória emergida das cloacas das redes sociais, com tecnologia psicossocial e informacional claramente copiada da CIA e da Cambridge Analytica.

Os que se dizem “neutros”, quando o Brasil ruma ao abismo político, devem pedir perdão por sua covardia e omissão.

Mas o neofascismo brasileiro, mesmo que ganhe estas eleições, terá vida difícil e curta. Boa parte dos que hoje são eleitores de Bolsonaro o são por que têm medo do futuro e falta de informação sobre o passado e o presente.

Não é um voto ideológico. É um voto emocional estimulado por fake news e mentiras deslavadas. Um voto estimulado por aqueles que, de forma criminosa, apresentam o PT como um profanador do sagrado. Como um grupo de pedófilos que distribuem kits gay e mamadeiras eróticas nas escolas.

Eles esperam que o líder autoritário resolva, na marra, seus problemas causados pelo golpe. Não percebem ainda que Bolsonaro é a consumação última do golpe que os desgraçou. Não perceberam ainda que Bolsonaro governará contra eles, como Temer fez. Só que, agora, de forma bem mais truculenta e incompetente.

A porca antipetista e seu filho bastardo, o porco nazista, já estão condenados pela História, com ou sem autocrítica.

Nuremberg os espera.

Marcelo Zero
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A última oportunidade do poder civil e os fatores que criaram Bolsonaro


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A máquina das mentiras


A vantagem de Jair Bolsonaro sobre Fernando Haddad subiu para 18 pontos percentuais (em relação aos 16 apurados na semana passada por Datafolha).

Podia ser até maior, nas circunstâncias: Bolsonaro cresce surfando nova e forte onda antipetista, turbinada pelo mar de mentiras, calúnias e baixarias disseminadas contra o adversário pelo aplicativo whastsapp, através de milhares de grupos fechados, muitos criados a partir do exterior.

O que se diz neste tubo de esgoto só é conhecido por quem lê, não podendo ser desmentido ou combatido.

Esta variante digital da guerra suja eleitoral pode fazer da eleição brasileira caso tão rumoroso quanto o da Cambridge Analytics/Facebook na eleição americana.

A presidente do TSE, ministra Rosa Weber, convocou as campanhas de Jair Bolsonaro (PSL) e Haddad para discutirem o assunto hoje.

Ela sabe que a eleição virou um faroeste sem lei e que um lado atua no vale-tudo.

Faz seu gesto inútil para que fique registrado.

Os consultores do tribunal teriam recomendado alguma forma de controle do aplicativo mas a maioria dos ministros não parece disposto a comprar uma briga.

Acordo não haverá porque Bolsonaro já recusou um protocolo ético proposto por Haddad.

Seus representantes dirão que não controlam os grupos, apesar das evidências de que seguem uma estratégia e um comando.

O jogo sujo pelo whatsapp difere das fake news, notícias falsas postadas em espaços públicos.

Ontem mesmo o TSE mandou o Facebook retirar conteúdos ofensivos a Haddad. Mas como entrar nos grupos e determinar que deixem de veicular isso e aquilo? O TSE não tem este poder.

Eu fiquei algumas horas em um grupo.

Um participante pediu meu “adicionamento” mas logo depois, por minha baixa interação ou outro motivo, fui excluída. Mas vi e li horrores. Desde mentiras sobre desvios ocorridos nos governos petistas, que revoltam um eleitor já amargurado com a crise e a corrupção, até obscenidades, como o meme erótico de Lula e Haddad, completamente nus numa montagem.

Sobre desvios, destaco a série de 32 fotografias de obras de infraestrutura que Lula e Dilma teriam bancado em diversos países, presenteando-os com o dinheiro do BNDES, que deixou de ser aplicado no Brasil em nossas estradas, hospitais e escolas, dizem lá.

Cada obra com sua foto, descrição e valor, na casa dos bilhões de dólares.

Quem não se revoltaria com isso?

É tarde para o PT explicar que o BNDES não deu dinheiro para os governos destes países, como ali é sugerido.

O banco financiou empresas brasileiras, como a Odebrecht, que faz o porto de Mariel em Cuba, para poderem executar as obras que conseguiram. Isso se chama financiar exportações de serviços. Exporta-se o serviço e a matéria-prima nacional e os brasileiros ganham empregos nestas obras. Não sei se foram 32, como asseguram.

Há fartura de banner, memes e textos sobre roubalheiras, a riqueza de Lula, o luxo em que vivem os petistas (como a falsa Ferrari de Haddad).

E também sobre as acusações de ordem moralista, na linha kit gay e pregação do incesto nas escolas. Diante da pancadaria nos grupos, soam como brincadeiras inocentes as Fake News bolsonaristas no Twitter e no Facebook.

Segundo a revista Fórum, o ativista Everton Rodrigues, responsável pelo blog “Falando Verdades”, foi desligado do Whatsapp após divulgar, no sábado, 13, uma lista com mais de 50 grupos pró-Bolsonaro administrados por números telefônicos que ficam nos Estados Unidos, principalmente em cidades da Califórnia.

Ele apresentou cópia de um registro dos grupos mantido pela central do aplicativo.

Alguns destes números, segundo Everton, atuaram como “administradores” na campanha de Donald Trump, cujo estrategista digital, Stevie Bannon, tornou-se consultor de Bolsonaro. Em recente entrevista, Bannon apontou o Brasil como parte de um “movimento” populista de direita global, que contaria com sua atuação.

Assim, a eleição vai sendo decidida não pelo que Bolsonaro diz, não pelo que ele propõe, no inexistente programa de governo, ou no debate de que se recusa a participar, e sim pelo mar de mentiras que vai arrastando mais eleitores para Bolsonaro, fornecendo os argumentos toscos e infundados, que eles brandem exaltados para justificar a escolha feita.
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Três letras, outra vez


Do espetáculo de grosseria,descompromisso com a população e mau-caratismo proporcionado ontem à noite por Cid Gomes, apesar do dano imenso causado  à liberdade e à democracia brasileira, algumas lições se extraem.

Começo pela última adjetivação que fiz.

Não se vai à casa de alguém para dizer-lhe desaforos, pouco importa se neles possa haver (ou não) alguma verdade no que se diz. Era um ato  público da campanha de Fernando Haddad, que merecia respeito. Se Cid ou a sua família não querem participar, não fossem. Se não gostaram de algo que fora dito – e nada foi dito que pudesse ser ofensivo – manifestassem seu descontentamento saindo, discretamente, com dignidade.

Tomar o microfone para usar expressões raivosas e pueris, como o “bem feito” que nem na boca de crianças deixa de ser a “comemoração” dos problemas do outro é, antes de tudo, uma grosseria inominável. A luta, dizem bem os gaúchos, não quita a fidalguia.

Mas é muito pior, já que se trata de um adulto e de uma liderança política, que sabe perfeitamente de suas responsabilidades.

Cid Gomes desqualificou-se como homem público e como parceiro, não apenas do campo progressista mas de qualquer força política capaz de colocar algum padrão ético de comportamento em alianças. Ausentar-se no momento de dificuldades de seus parceiros já é um pecado terrível; chutá-lo publicamente, é imperdoável.

Nenhuma destas considerações, porém, sequer chega aos pés diante do crime – agora de quase impossível arrependimento,  tenha ou não urdido Cid urdido a cena com seu irmão – que se comete contra as liberdades democráticas do povo brasileiro, diante da ameaça de uma ainda impensável vitória eleitoral do fascismo e dos bandos milicianos que se formaram à volta da aventura Jair Bolsonaro.

Crime, não erro, porque se ache motivado por seus próprios interesses futuros, que imaginam serem favorecidos por uma acachapante derrota petista.

Os Gomes – trate-se assim como família quem como família atua na política – agem exclusivamente por suas próprias razões e por elas arrastaram um partido de história e de tradições democráticas, o PDT.

Sofro, solidário, aos velhos companheiros, queridos amigos de uma vida que vêem, 40 anos depois do que fizeram ao PTB, de novo aventureiros como o sujeito que foi candidato aqui no Rio usarem três letras de tantas lutas como verrumas para cavar espaço aos inomináveis que se preparam para abocanhar o governo.

Dissenti, discordei, saí do partido de minha vida adulta inteira, ao mesmo tempo em que saía do governo ao qual ele estava aliado . Mas jamais o traí, porque seria trair minha própria modesta trajetória, a qual deve muito ou quase tudo a Leonel Brizola.

Ontem, o homem que, por anos, administra o espólio partidário, Carlos Lupi, disse que Ciro volta já preparando 2022. Lembro a frase de Leonel Brizola sobre quem trata eleições como corrida de cavalo, onde se põe ou não o animal na pista e e nele se aposta como num páreo. Pois é o que está sendo feito e com o requinte de torpeza de ajudar a quebrar as patas de quem lhe ficou muito à frente no voto popular.

Demos, em 1989, todas as nossas energias à causa de uma candidatura de Lula, sem ressentimentos de quem, como Brizola, tinha milhares de vezes mais razões para pretender ser o protagonista, não o coadjuvante. E se nossa aliança, ali, não foi o momento inaugural de uma força histórica deveu-se os egoísmos petistas que à generosidade brizolista.

Compreende-se melhor, agora, porque Lula não quis lançar Ciro Gomes como seu candidato.

Sem mais palavras sobre isso que a frase da história, que a este caso bem se aplica: a prática é o critério da verdade.

Fernando Brito
No Tijolaço


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