15 de out. de 2018

Os que Fogem e os que Lutam

No famoso filme Scent of a Woman (Perfume de Mulher), há um magnífico discurso, feito pelo ator Al Pacino.

Seu personagem, um coronel aposentado, tece uma defesa apaixonada de um aluno, seu protegido, que se recusa a dedurar seus colegas, mesmo sabendo que deverá ser expulso, caso não se renda às pressões de um diretor ressentido, como outros fizeram.

Lá pelas tantas, ele diz: Well, gentlemen, when the shit hits the fan, some guys stay and some guys run (algo como “bem, senhores, quando a coisa pega, alguns ficam e lutam e outros correm” ou, mais literalmente, quando a “bos@ bate no ventilador, alguns ficam e resistem, mas outros fogem”).

Pois bem, as fezes fétidas do fascismo, ejetadas pelo golpismo e o antipetismo, já bateram com força no ventilador da democracia brasileira.

E a maioria das lideranças supostamente democráticas já está correndo da raia, como baratas ante inseticida.

Alguns declararam sem pudor algum o seu apoio à pior aberração que a política brasileira produziu. Decisão que, é claro, não tem nenhuma relação com a busca das migalhas políticas e cargos que as forças fascistas poderão distribuir a quem a eles se curvar.

Outros, mais dissimulados e discretos, manifestaram sua “neutralidade”, ou suposta neutralidade, ante a ameaça da morte da democracia tupiniquim. Decisão ponderada e muito corajosa.

Há até alguns que, em meio à pior crise do Brasil, resolveram sair a flanar pela civilizadas e democráticas ruas europeias. Decisão bastante cômoda, ditada, evidentemente, por oportunos conselhos médicos, não por alguma frustração ou ressentimento ocasionados pelos resultados do primeiro turno.

As instituições, por seu turno, fazem “cara de paisagem” e fingem que está tudo bem, tudo dentro da mais absoluta normalidade. O que há é apenas um “movimento”, como o ocorrido em 1964. Nada demais.

Já a grande mídia explica candidamente à população que o PT, que fez um governo absolutamente republicano e de tinte socialdemocrata, é a mesma coisa “extremada” que o fascismo bolsonarista, o qual quer promover “avanços democráticos”, como tortura, assassinato de opositores, racismo, misoginia, homofobia e extinção de direitos trabalhistas e previdenciários. Sem olvidar da nova política social de distribuição de capim para nordestinos e negros e da inovadora e progressista política educacional, que vai queimar todo o mundo que gosta de Paulo Freire com um lança-chamas.

Em certos casos, setores dessa mídia afirmam até que “qualquer coisa é melhor que o PT”, pois, afinal, o PT foi culpado por tirar 32 milhões de pessoas da miséria e o Brasil do Mapa da Fome. Crime imperdoável, que claramente afronta o DNA escravagista e autoritário da nossa sociedade profundamente desigual. Afinal, nossas honradas tradições precisam ser restauradas.

Quem realmente ficou para resistir e lutar pela democracia e a civilização, quem decidiu enfrentar a barbárie anunciada, foram o PT e alguns aliados, como o PSOL, o PC do B, etc. Há também algumas parcas e solitárias adesões de setores do centro.

Assim, o Brasil de hoje repete a República de Weimar como farsa. Lá, as forças democráticas tradicionais resolveram formar um gabinete com Hitler por medo ao comunismo. Foram liquidadas sem dó. Aqui, aderem ao tosco fascismo bolsonarista em nome de um antipetismo totalmente equivocado, sustentado com base em fake news, fake dados e até em fake julgamentos.

O PT nunca chegou nem perto do comunismo, sequer chegou perto do bolivarianismo, que é uma experiência histórica muito diferente da brasileira. A experiência petista jamais se desviou, mutatis mutandis, dos mesmos princípios e das mesmas políticas básicas que constituíram o êxito da socialdemocracia europeia do pós-guerra.

O PT tratou de construir um capitalismo minimamente civilizado nessas terras tropicais tão desiguais. Quis alegrar estes tristes trópicos. Está sendo perseguido por isto. A corrupção, que era muito pior antes do PT, é mera desculpa neoudenista para a restauração da selvageria.

De qualquer forma, na República de Weimar ou no Brasil de hoje, como tragédia ou como farsa, o resultado será o mesmo: as forças democráticas ou pretensamente democráticas serão engolidas pelo fascismo em ascensão, caso a ele se curvem.

Tal fascismo já toma conta das ruas do Brasil. Eles estão cada vez mais empoderados e violentos. Os ataques estão se multiplicando de forma assustadora. Falta pouco para uma kristallnacht.

Infelizmente, não se fazem mais lideranças democráticas como antigamente. Alguém imaginaria Mario Covas se omitindo ante Bolsonaro? Alguém conceberia Ulisses Guimarães declarando neutralidade ante tal ameaça à democracia? Alguém imaginaria Brizola indo passear na Europa em circunstâncias tão dramáticas? Claro que não.

Caímos muito baixo, dado o golpismo, o antipetismo, o antiesquerdismo e, não se esqueçam, do anti-intelectualismo que grassam no Brasil pós-golpe.

Somos hoje uma semidemocracia rumando celeremente para uma ditadura híbrida, uma mescla confusa de judicialização da política com militarismo, secundada pelas hordas anencéfalas das novas SA, que trocaram o marrom pelo “amarelo CBF”.

Mas há esperança. Restam aqueles que não fogem, que resistem, que não têm medo. Restam os que têm clareza sobre o que acontece no Brasil. Restam os que têm compromisso real com o país e sua democracia. Restam os verdadeiramente civilizados.

Restam, recordando Shakespeare, we few, we happy few, we band of brothers. O bando de irmãos e irmãs que se especializaram em vencer batalhas aparentemente perdidas.

Restam os que não temem errar, pois sabem que estão do lado certo da História.

Restam os que ficam do lado do povo. Restam os que falam por quem não pode falar. Restam os que lutam por todos os que não podem lutar.

Restam os que têm vergonha na cara.

Resta, também, e sobretudo, o povo do Brasil, que não será enganado por muito tempo pelas artimanhas sujas dos fascistas, que agora se fingem de bonzinhos, como Hitler fez em 1932.

E, numa cela em Curitiba, resta a chama da justiça que nunca se extinguirá.

Mais cedo ou mais tarde, a virada virá. Cobrirá de vergonha os que forem omissos e complacentes e honrará os que lutarem contra o ódio e pela democracia.

Ainda há tempo para que todos os democratas sejam absolvidos no Nuremberg da História.

Marcelo Zero
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Resignação ou resistência

https://www.jb.com.br/colunistas/coisas_da_politica/2018/10/947087-resignacao-ou-resistencia.html

O tempo está correndo e daqui a 14 dias será o segundo turno.

Bolsonaro manteve, segundo a primeira pesquisa Datafolha, a vantagem de 16 pontos percentuais sobre Fernando Haddad (58% a 42% dos votos válidos) obtidos no primeiro.

Os Pilatos da direita lavaram as mãos, alegando tratar-se de disputa entre dois extremos; Ciro Gomes e Marina Silva saíram de cena lambendo as mágoas com o PT.

Apontar Haddad como o outro extremo é desonesto e o dilema é falso.

A escolha a ser feita é entre a continuidade da experiência democrática, que já fez do Brasil um país bem melhor, e o início de uma nova aventura autoritária.

Impedir que o autoritarismo se imponha pelo voto, abrindo as comportas para perseguições lastreadas em preconceitos, é algo que vai muito além de apoiar um candidato do PT.

Devia ser um imperativo democrático. Todos sabem que Haddad, com seus poucos aliados (PCdoB, PSB, PPL e PSOL), dificilmente conseguirá virar o jogo. Isso só será possível se houver uma unidade vigorosa na sociedade civil e na esfera partidária mas o que tem prevalecido, além da omissão, é uma resignação melancólica. Com tanto mimimi, devemos ir nos preparando para o governo Bolsonaro.

Para virar o jogo, Haddad teria que conquistar a maioria dos votos de Ciro, Marina e Boulos e parte dos votos de candidatos do outro lado, como Alckmin, João Amoedo, Dias e Daciolo.

E ainda boa parte dos dez milhões de eleitores que, juntos, ocuparam o quarto lugar no primeiro turno, depois de Alckmin: os sete milhões que anularam o voto e os 3 milhões que votaram em branco.

Existem ainda os 20 milhões que não foram às urnas no dia 7.

Existe, pois, alguma disponibilidade de votos para uma virada, se tomarmos como impossível a conquista de eleitores que votaram em Bolsonaro no primeiro turno.

Quem votou nulo ou em branco já disse que está por aqui com a política e com o sistema, e este também não é um voto fácil de ser conquistado. Uma parte dos que se ausentaram pode ter tido a mesma motivação mas muitos faltaram por impedimentos diversos.

Mas para conquistar parte destes votos disponíveis, o alinhamento das forças democráticas com Haddad devia ser vigoroso e já estar avançado, fazendo ecoar a mensagem de que o mais importante agora é preservar a democracia e barrar o avanço do projeto que, além de autoritário, será indutor da violência e de preconceitos como o racismo, a homofobia e o machismo.

Entre os partidos isso não aconteceu.

Na sociedade civil a movimentação é tímida, apenas intelectuais e artistas começam a se posicionar, como fez ontem Caetano Velloso, apesar da Regina Duarte, que tinha medo de Lula mas não tem de Bolsonaro, que recebeu a visita dela.

O que se tem visto é o festival do mimimi: não apenas políticos e partidos sobem no muro.

As pessoas também vão às redes sociais dizer que abominam o candidato autoritário mas não votam em Haddad por isso e aquilo: que o PT se corrompeu, que foi Lula que inventou o “nós contra eles”, que o PT só buscou vingança ao lançar candidato próprio, ao invés de apoiar Ciro, e coisas assim.

E se Ciro tivesse sido o candidato, não teria ele se tornado o alvo das iras bolsonarianas, sendo acusado de se alugar para o PT?

O que não se tem visto é alguém, cuja voz tenha ressonância, dizer sensatamente: os governos do PT trouxeram avanços mas também muitos danos ao país.

Os pecados cometidos, entretanto, são veniais diante do pecado mortal que será perpetrado contra a democracia se Bolsonaro for eleito.

Essa é a questão: para castigar o PT, estão dispostos a imolar a democracia?

O horário eleitoral começou e o programa de Bolsonaro, com seu aparente descuido técnico, mostrou que existem estrategistas de marketing na campanha, eficazes até na dissimulação do próprio marketing.

Ele vai usar armas pesadas, combinando rajadas de antipetismo com sua própria humanização.

O de Haddad foi correto, apresentou propostas mas transmitiu a sensação de isolamento. Faltaram os apoiadores, dizendo que estão com ele por uma razão maior. Por ora, estão dedicados ao mimimi.
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Pobres contra pobres

Este menino apelidado Lula veio a São Paulo na boleia de um caminhão, de uma terra de emigrantes que acaba de dar uma aula de civilidade e democracia ao resto do País
Espanta-me o fato de que sejam tão poucos os cidadãos capazes de entender a unicidade do Brasil no confronto com quaisquer países há muitos séculos saídos da Idade Média.

Aqui, casa-grande e senzala continuam de pé. Conservo a esperança de que Bolsonaro não confirme o assombroso resultado do primeiro turno, prova implacável da nossa medievalidade.

Consta que os fiéis do deus mercado estão em festa, o que não há de surpreender. Não nos força a espremer as meninges perceber que o capitão cabe no papel de capataz da casa-grande.

Teria de derrubar o queixo do observador isento, isto sim, a incapacidade do povo brasileiro de se enxergar como vítima de 518 anos de prepotência, predação e hipocrisia.

Sosseguem, não derruba. Trata-se apenas de uma razão da nossa infeliz peculiaridade: a casa-grande foi muito eficaz ao manter a maioria na senzala em um dos países mais desiguais do mundo.

Um dos aspectos mais lancinantes da tragédia que todos vivemos, cientes ou não da desgraça, é a atitude de quem ainda traz no lombo a marca da chibata e vota na derradeira versão do capitão do mato. Condenados a viver na Idade Média, e não sabem.

Sempre, desde a mocidade, me perguntei a quem atribuir a responsabilidade por tamanha insensibilidade, tamanha ignorância, tamanho encanto diante das miçangas do mais reles populismo. Pelé disse que a culpa é do próprio povo, que não sabe votar.

Faltam provas a respeito, pelo contrário avultam as culpas de quem haveria de levar os pobres à consciência da cidadania e não quis, ou não pôde, ou não soube, quando não se entregou à mais modorrenta indiferença.

O povo brasileiro é perfeitamente adequado às circunstâncias impostas por quantos mandaram, os senhores da situação, desinteressados da pátria que polui seus discursos, sequiosos somente pelos privilégios e benesses do poder.

Não imaginemos, contudo, que os donos do poder, como escreveu Raymundo Faoro, possuíssem algum gênero de sabedoria, ferozes com os desvalidos, e tão toscos e primitivos igual aos que espezinhavam.

Por isso, somos o que somos, um país de potencialidades infindas, e cada vez mais atrasado e insignificante pela malignidade, ganância e incompetência de quem o comandou.

Quando, ainda em 1979, nasceu a ideia do Partido dos Trabalhadores nas dependências do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema, fiquei empolgado diante da perspectiva do surgimento de um partido de esquerda autêntico, na minha visão indispensável à modernização do País, como se deu em diversos países europeus.

Ao longo dos anos, o PT, atento aos acontecimentos mundiais, abrandou algumas posições mais intransigentes, mas sempre se constituiu em uma oposição firme e democrática. A eleição de Lula, em 2002, pareceu-me justo desfecho de uma bela história.

Não repetirei o que já escrevi a respeito do PT no poder, sem deixar de sublinhar que o governo Lula foi ótimo de muitos pontos de vista: deu passos inéditos e importantes no campo social, praticou uma política exterior exemplar, pagou a dívida externa e encheu as burras do Estado.

Certas cautelosas premissas demonstraram, porém, a crença na famigerada conciliação, possível somente entre as chamadas elites, expostas a desavenças entre si a serem rapidamente compostas. A casa-grande jamais abrirá suas portas para o PT. É natural, mas os petistas receio que não tenham entendido, e esta é falha grave.

O resultado de 7 de outubro ressalta pela enésima vez a impossibilidade do acordo com os insufladores da revolta dos pobres contra os pobres. Uma emocionante lição de civilidade e discernimento vem do Nordeste, enquanto os hunos invadem o resto do País, onde mora a demência reacionária.

Da Bahia para cima, terra de emigrantes, entre eles um menino chamado Luiz Inácio, apelidado de Lula. Vinham na boleia de caminhões e, ao lembrar meus tempos de juventude, eram recebidos com desconfiança e animosidade, às vezes traduzida em chacota.

São Paulo rica ria-se dos nordestinos pobres. O tempora, o mores... Não direi que a aula que o Nordeste ministra me surpreende. A região foi muito bem administrada por seus governantes, voltados aos interesses da terra e do povo.

Às vezes, e não me refiro ao que disse acima, encontra-se a civilidade onde em princípio não estava prevista. Na semana passada, quinta-feira 4, Fernando Morais e eu fomos visitar o nosso querido amigo Lula, encarcerado na sede da Polícia Federal de Curitiba.

Estávamos munidos da devida autorização, subitamente revogada por um juiz local. Visitantes jornalistas não poderiam ter contato com o ex-presidente condenado sem prova e preso sem crime, depois de definitiva e irrecorrível decisão do presidente do STF, um certo Toffoli, de negar-lhe a possibilidade de dar entrevistas. E não adiantava afirmar que não era esta a nossa intenção.

Em compensação, descobrimos três simpáticos, atenciosos cavalheiros, o superintendente Mauricio Valleixo, seu braço direito, Reinaldo de Almeida Cesar (aliás, velho e caro amigo) e Jorge Chastalo Filho, encarregado de cuidar de Lula.

No gabinete do superintendente conversamos longamente com eles, a nos explicarem, constrangidos, como e por que cumpriam ordens. Foi um papo entre amigos. Já me dissera do impecável comportamento destes policiais Massimo D’Alema, que esteve em São Paulo faz pouco tempo para participar de um seminário organizado pela Fundação Perseu Abramo, a partir de uma ideia de Celso Amorim e Dominique de Villepin. Antes do início dos trabalhos, o ex-premier italiano visitou Lula.

A esta altura, CartaCapital reforça seu apoio a Fernando Haddad e Manuela D’Ávila e seus apelos pela unidade do bloco progressista. Gostaria muito que Lula chamasse Ciro Gomes para compor de vez uma desavença que prejudica o País.

A formação de uma Frente Democrática, aberta a todos os brasileiros achegados à razão, é a nossa esperança. Não excluiria golpistas arrependidos, eleitores tucanos e emedebistas, e aqueles do governador França, chamado a enfrentar em segundo turno o engomado rei dos oportunistas, João Doria.

O Brasil nunca enfrentou um risco tão imponente, incluída a demoníaca constatação da desorientação de tantos que neste momento endossam o ideário de Bolsonaro. O qual, permito-me insistir, não é fascista. Ele representa um fenômeno exclusivamente brasileiro. Se uma vaga semelhança existisse, seria mais com os preconceitos nazistas.

Mas o capitão, de verdade, é típico do país em que ir à rua é arriscado. Bolsonaro é bolsonarista, inserido na unicidade e medievalidade brasileiras. O meu empenho em definir a personalidade do capitão e de quantos o sufragam está longe de ser semântica. Batalha perdida, eu sei, como outra a favor do substantivo copo que por aqui foi batizado como aquilo que não é, taça.

Há casos em que poderíamos falar em cálice a bem da precisão, mas taça, como Bolsonaro, é representativa da unicidade nativa, na pretensão de um refinamento tão falso quanto ridículo.

Mino Carta
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Campanha de Haddad recebe alerta sobre vigilância militar pró-Bolsonaro

Peças-chave do QG petista estariam sendo alvo de espionagem. Aviso chegou dois dias após o primeiro turno da eleição

Abaixo da foto de Bolsonaro, o deputado Lorenzoni: "Esta eleição não é de propostas"
Dois dias após a votação que quase levou o presidenciável da extrema-direita, Jair Bolsonaro (PSL), à vitória em primeiro turno, um cardeal do QG petista recebeu um alerta sinistro. As principais peças do comitê de Fernando Haddad têm sido monitoradas pela área de inteligência das Forças Armadas.

Por trás da espionagem estaria o general da reserva Sérgio Etchegoyen, chefe do GSI, o órgão controlador da Agência Brasileira de Inteligência, a Abin. O objetivo seria reunir informações para ajudar Bolsonaro a triunfar daqui a duas semanas.

É um alerta crível?

CartaCapital mostrou recentemente: a maioria do Exército bolsonarizou-se. É uma identificação corporativa alimentada pela fúria antipetista que se alastrou pelo País e se converteu em 49 milhões de sufrágios no deputado do PSL, 46% dos votos válidos.

Entre oficiais da reserva, o bolsonarismo é total. O vice da chapa dele, general Antonio Hamilton Mourão, comandava até setembro o Clube Militar, ponto de encontro dos que penduraram a farda. Vários militares colaboram com a campanha e os planos do candidato extremista.

Tem mais. Etchegoyen nutre antipatia visceral pelo PT. Há uns seis, sete anos, ele esteve em uma solenidade em sua terra natal, a cidade gaúcha de Santa Maria. O atual líder petista na Câmara, Paulo Pimenta, outro filho da terra, também. O deputado estendeu-lhe a mão, e Etchegoyen deixou-a no ar. Pimenta foi puxado de canto por outro general e ouviu: “Ele não gosta do PT, coisa de família e ideologia”.

Os instintos de Etchegoyen parecem ter piorado com a Comissão da Verdade, no primeiro mandato de Dilma Rousseff. A comissão listou seu pai, Leo, e um tio, Cyro, como cúmplices da violação de direitos humanos na ditadura civil-militar de 1964 a 1985.
Subordinada a Etchegoyen, a Abin foi apontada em junho de 2017, pela Veja, como espiã de um juiz do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin. Foi logo após a delação da JBS/Friboi que quase derrubou Michel Temer, um processo que corria no STF sob a guarda de Fachin.

Na época, o hoje chefe da articulação política de Temer, Carlos Marun, que era apenas deputado, disse à reportagem de CartaCapital: “O presidente não usou a Abin. Mas, e se tivesse usado, qual o problema?” A Lei da Abin (a 9.883, de 1999), afirmava, autorizaria a espionagem em caso de ameaça à “segurança nacional”.

O petista alertado agora lembra que, na crise que levou à deposição de Dilma, tinha recebido outro aviso, da parte de um major. O informante pediu para conversar. E que fosse caminhando, pois ficar parado era dar sopa à espionagem. No papo, o major disse: as Forças Armadas não aceitam a permanência de Dilma, ela vai ser cassada.

Em 5 de junho passado, a reportagem conversou com um deputado do PSDB, que não foi reeleito agora, sobre uma aparente inteligência na campanha bolsonarista. Ele contou que, na época do impeachment, a inteligência do Exército tinha seus próprios cálculos quanto à votação e acertou na mosca, 367 deputados contra Dilma. Nas contas dos civis do mutirão partidário anti-Dilma, seriam 369.

No alerta feito agora ao QG petista, há mais coisa sinistra. O mesmo STF que teria tido um de seus membros bisbilhotado há pouco mais de um ano estaria hoje sob o tacão dos quartéis. A começar pelo presidente da Corte, Dias Toffoli, contra quem já haveria munição para usar.

Seria para agradar aos militares que Toffoli classificou recentemente o golpe de 1964 de “movimento de 1964”? Seria esse também o motivo para ter nomeado como seu assessor especial o número 2 do Exército até aquele setembro, o general Fernando Azevedo e Silva?

Um oficial que, soube-se recentemente, presta colaboração informal à campanha de Bolsonaro, tendo inclusive recebido Mourão em sua casa para um almoço em setembro.

Nas redondezas do gabinete de Toffoli circula uma história espantosa. Quando Bolsonaro tomou uma facada, em 6 de setembro, altos oficiais teriam se revoltado e decidido ir às ruas. A ameaça de golpe militar era real. Como Temer não tem autoridade moral para enquadrá-los, sobrou para Toffoli segurar o abacaxi. A nomeação de um general para assessor teria sido um misto de abertura de canal com o Exército e aceitação tácita de tutela fardada.

Em 9 de setembro, o Estadão publicou uma entrevista com o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, em que ele afirmava que haveria risco de instabilidade no País, caso Bolsonaro fosse derrotado e essa derrota, encarada como efeito da facada.

Mais: que a candidatura de Lula, se aceita pelo Judiciário, provocaria a mesma instabilidade. Até hoje, nem Toffoli nem Villas Bôas comentaram a nomeação de Azevedo e Silva.

Há sinais de que as Forças Armadas aderiram à Operação Lava Jato e não aceitam a soltura de Lula. Quando o STF negou um habeas corpus ao petista, em abril, um general da reserva, Paulo Chagas, recém derrotado na disputa pelo governo do Distrito Federal, mandou uma carta ao juiz Gilmar Mendes, que votara a favor do HC, em tom ameaçador.

“Se a última esperança de salvar a Nação do caos, depositada pelos brasileiros nas mãos dos Ministros do STF, está desmoronando, onde estará a salvação?” Nas Forças Armadas, dizia.

Em setembro, um bolsonarista general da reserva, Luiz Eduardo da Rocha Paiva, defendeu no GloboNews a ideia de um “autogolpe”, ou seja, de golpe, pois não daria para confiar nem no STF. “Vai fazer o quê? Vai esperar o esfacelamento da Nação?”

O alerta recente ao QG petista continha mais duas informações. Etchegoyen teria garantido uma espécie de salvo-conduto para Temer, quando este deixar o poder. Como se sabe, há dois processos criminais à espera do emedebista.

Além disso, já haveria articulações para blindar a Lava Jato no Supremo por meio de duas nomeações para a Corte no próximo governo, para vagas que serão abertas em 2020 e 2021. Uma nomeada seria a PGR Raquel Dodge, que gosta da ideia, segundo relatos. O outro seria o juiz Sergio Moro.

“Não tenho receio de um golpe militar que impeça o Haddad de assumir, caso ele vença. Tenho é de o Supremo impedir, por pressão militar”, disse à reportagem o petista alertado. Como seria a manobra jurídica? “O Supremo e o TSE podem inventar problemas nas nossas contas de campanha.”

Na PGR, há gente graúda com seus receios. “A preocupação é enorme. O golpe parece inevitável em algum momento, principalmente se o Haddad ganhar”, diz um subprocurador-geral da ativa.
Será?

André Barrocal
No CartaCapital
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O bolsonarismo e a guerra da Globo com a Record


No último debate do primeiro turno, em 4 de outubro, Bolsonaro reafirmou seu profundo desprezo pela democracia e pelas regras do jogo eleitoral.

Escudado num atestado médico, fugiu do debate na Globo com todos os candidatos mas, curiosamente, encontrou condições físicas e de saúde para participar de uma longa e amistosa entrevista na TV Record do “fundamentalista charlatão” Edir Macedo, como Haddad definiu o dono da Igreja Universal do Reino de Deus.

Em decisão que significou o funeral da justiça eleitoral, o tse cassou medida liminar que pedia a suspensão da entrevista. O tribunal, assim, foi cúmplice do abuso de poder religioso, foi cúmplice da conversão de uma concessão pública [rádio e televisão] em órgão de propaganda partidária, e foi leniente com a destinação desigual – e ilegal – de espaço na televisão para o candidato Bolsonaro em detrimento de todos demais candidatos.

A entrevista na Record sacramentou o casamento do Bolsonaro com o charlatão religioso que acabara de trair e abandonar a fracassada campanha do Alckmin. E assegurou ao candidato fascista um canal privilegiado para fazer proselitismo político a milhões de pessoas, principalmente da comunidade evangélica, numa aposta para vencer a eleição no 1º turno.

O plano estratégico Bolsonaro-Record transcende a eleição, e diz respeito à conformação de um poderoso e ambicioso sistema de comunicação oficial do regime bolsonarista. Reportagem do saite The Intercept que analisa os bastidores do apoio do portal R7 a Bolsonaro revela a rotina de censura prévia e de serviço sujo na redação da emissora para favorecer Bolsonaro e prejudicar Haddad.

Num eventual governo Bolsonaro, a Record teria preferência equivalente à que a Fox News tem no governo do também fake news Donald Trump, realidade que afetaria sobremaneira os interesses econômico-comerciais da Rede Globo, bem como o poder e a hegemonia política, ideológica e cultural da família Marinho.

O resultado das urnas em 28 de outubro, que dirá se o Brasil escolherá o caminho da democracia ou do despotismo, da civilização ou da barbárie, da liberdade ou da repressão, também poderá definir o futuro comercial e empresarial da Rede Globo, que passaria a enfrentar a concorrência de uma TV que se locupleta financeiramente através da exploração inescrupulosa e hipócrita da religião.

A Globo não morre de paixão pela democracia e pelo Estado de Direito, mas é capaz de se jogar numa luta de vida e morte para defender seu poder e, principalmente, seus interesses financeiros e comerciais.

Quem acompanha a grade de programação da Globo consegue perceber que nos últimos dias, notadamente depois da entrevista do Bolsonaro na Record, a emissora sutilmente tem agendado temas que, em tese, seriam conflitantes com a pregação reacionária bolsonarista.

Nos noticiários e programas variados, a Globo contrapõe com sutileza abordagem diferente dos preconceitos e das posições tacanhas defendidas pelo bolsonarismo – e desde uma perspectiva desconstrutiva da visão totalitária, binária e reducionista do Bolsonaro.

É difícil cravar que essa postura seja indício de mudança editorial da Globo para defender os valores da democracia, da pluralidade e da tolerância contra o que Bolsonaro representa; mas é perceptível que a emissora dos Marinho, historicamente empenhada em prejudicar candidatos petistas, neste segundo turno comporta-se de maneira claramente diferente – sequer destacou a nova denúncia boca-de-urna dos procuradores contra Lula divulgada pelos criminosos da República de Curitiba a 2 dias da eleição.

O destino e o futuro da democracia, paradoxalmente, poderá não ser definido através da política e da soberania popular, como deveria, porque poderá ser resultante da guerra travada entre aqueles que não têm voto, mas acumulam muito poder – os grupos empresariais, familiares ou religiosos da mídia.

Jeferson Miola
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Cambridge e Bolsonaro - Você está sendo manipulado


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Filho de Bolsonaro repercute notícia falsa sobre Haddad e incesto


Texto publicado no site do ex-presidente Lula denuncia mais um episódio da "máquina de fake news dos apoiadores de Bolsonaro contra Fernando Haddad", que desta vez, por meio do filho do candidato do PSL Carlos Bolsonaro, "deixou de lado qualquer limite moral e resolveu acusar Haddad de envolvimento com a pedofilia e até com a questão do incesto". "É mentira, é óbvio!", denuncia o texto. Confira a íntegra:

Neste sábado (13/10) a máquina de fake news dos apoiadores de Bolsonaro contra Fernando Haddad deixou de lado qualquer limite moral e resolveu acusar Haddad de envolvimento com a pedofilia e até com a questão do incesto. É mentira, é óbvio!

Apesar de não guardarem nenhuma relação com a realidade, as postagens foram replicadas por vários perfis nas redes sociais, gerando centenas de denúncias ao canal da campanha do petista dedicado às fake news. Carlos Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, foi uma das pessoas que replicou o ataque à honra de Haddad em relação ao tema do incesto, mesmo após o desmentido feito pelo autor do post original (veja imagem abaixo).

Demonstrando completo escárnio ético e total indiferença face à verdade – e à Justiça Brasileira –, Carlos Bolsonaro fez, inclusive, questão de manter o post em sua página pessoal no Twitter como “Tweet Fixado”, a fim de dar destaque maior e permanente à mentira.

O tema do incesto havia surgido há alguns dias em um post mentiroso de Olavo de Carvalho no Facebook, no qual ele atribuía falsamente a Haddad uma suposta defesa do incesto. Após ter publicado a mentira em seu perfil, Olavo de Carvalho optou por retirar o post do ar – por se tratar de uma mentira.


As motivações de Carvalho para as postagens e sua alteração posterior são uma questão à parte – que o escritor, provavelmente, terá de responder na Justiça.

A questão que fica é o limite para Carlos Bolsonaro e para os apoiadores do candidato Jair Bolsonaro, que insistem na mentira até depois de ela ser desmentida pelo próprio inventor da mentira original.

Dia da Baixaria

Vale lembrar que, também neste sábado (13/10), utilizando-se de mecanismos completamente toscos – e sujos – de ataque à honra do candidato petista, as fake news falaram de um suposto projeto de lei para relativizar o crime de pedofilia, que seria um projeto do PT e de Haddad. A notícia, já desmentida, fazia referência ao PL 236/2012, que é, nada mais, nada menos, que o Novo Código Penal, de autoria do senador José Sarney (MDB), que está em tramitação no Senado e não legaliza a pedofilia. O mais importante: esse PL não tem NADA a ver com Haddad, nem com o PT.
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Xadrez de Bolsonaro, do Poder Militar e do pacto nacional


Têm-se uma certeza: o pacto político pós-Constituinte acabou. O bipartidarismo esfacelou-se com o fim virtual do PSDB. O PT mantém-se como o maior partido do país, mas ilhado por uma enorme corrente de antipetismo que ameaça a eleição de Fernando Haddad e, muito mais ainda, um eventual governo, em caso de vitória.

No plano racional, em um ponto qualquer do futuro, o PT ampliaria seu escopo, de representante de movimentos sociais e sindicatos, para um autêntico partido social-democrata, atraindo setores democráticos e progressistas órfãos do modelo atual – e até do PT atual. Na outra ponta, haveria um movimento em relação ao centro-direita, liderado por algum político mais capacitado que Bolsonaro.

A indecisão dos principais atores políticos se prende a uma visão equivocada do que seria um governo Bolsonaro. Aposta-se na vida breve, devido à mediocridade ampla do candidato.

Nesse quadro:
  • O PT pretende assumir a liderança da oposição no momento seguinte, sem que a Executiva precise abrir lugar à mesa a outras forças políticas democráticas, órfãs do bipartidarismo atual.
  • Ciro Gomes aposta em sua volta como uma espécie de Dom Sebastião, retornando para unificar e salvar o país da invasão bárbara.
  • FHC ficará onde sempre esteve e de lá não arredará pé. É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha, e Bolsonaro se tornar um democrata, do que FHC cometer um gesto digno sequer.
  • O PSDB tradicional tentará juntar alguns fragmentos e se abrigar em algum barco no meio do oceano, aguardando alguma embarcação maior para se atracar.
  • A Globo já alinhou todos seus comentaristas ao editorial de dias atrás, no qual finge que acredita que Bolsonaro acredita que se tornará um democrata. Com Bolsonaro eleito, não conseguirá se esconder atrás do estado de exceção judicial.  Como mais influente agente do Sistema, provavelmente será tratada como um inimigo implícito, por sua arrogância e sua posição liberal nos costumes. Sem problema. Se necessário for, sua próxima estrela será Regina Duarte de burca.
Todas essas estratégias partem de um mesmo diagnóstico, uma espécie de auto-ilusão: depois de num breve período de caos, começará o novo tempo da política, no qual tudo será zerado, a democracia voltará a se impor e haverá o início de um novo ciclo democrático.

Nada indica esse final feliz.

O cenário mais provável será:

Movimento 1a demolição acelerada das instituições, finalizando o trabalho de Michel Temer, quebrando instrumentos centrais de política econômica, social, educacional, tecnológica.

Movimento 2 – a indicação de três novos Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), consolidando o movimento oportunista de direita radical iniciado por Luís Roberto Barroso, Luiz Edson Fachin e Luiz Fux e, agora, pelo novo brasilianista, Dias Toffoli. No Ministério Público Federal, em vez de um Procurador Geral apenas submisso aos radicais da base, colocará um líder autêntico que mobilizará as tropas contra os dissidentes da sociedade civil.

Movimento 3 – a indicação de militares para cargos-chave nos ministérios.

Movimento 4 – ataques indiscriminados a movimentos sociais, sindicatos, universidades, com a combinação de milícias públicas e privadas, procuradores e juízes ligados ao MBL.

Desfecho provável

Pelo nível do capitão, pelos aventureiros que se aproximaram dele, pela absoluta incapacidade de recuperação da economia com as propostas de Paulo Guedes, pela mediocridade absoluta de Bolsonaro para mediar os conflitos internos de seu governo, se seguirá um período de profundas turbulências.

No início, o governo Bolsonaro não será expressão do poder militar, mas apenas um celerado no poder. Com o caos, haverá razões de sobra para as Forças Armadas entrarem em cena, contendo as loucuras até o limite de substituir Bolsonaro por um governo militar autêntico, tocado pelo candidato a vice-presidente general Mourão.

Aí, a loucura ultradireitista será submetida a um modelo racional e inevitavelmente autoritário, expressão autêntica da racionalidade militar.

No plano econômico, um bom exemplo é o que ocorreu recentemente. Antes de se verem na perspectiva de poder, o discurso dos generais era uma réplica do neoliberalismo fútil da Globonews.

Quando começaram a se debruçar sobre questões reais, caiu a ficha sobre o papel de estatais estratégicas. O próprio Bolsonaro veio a público declarar que jamais abrirá mão da Eletrobras como geradora de energia, e apontou o risco da invasão chinesa no Brasil. Certamente não chegou a tal conclusão amparado em seus próprios conhecimentos.

Não cometerão as barbaridades anunciadas por Bolsonaro.  Manterão políticas sociais, mas despregadas de qualquer possibilidade de ativismo social. Por sua própria característica – de não abrir mão do controle sobre todas as variáveis, comportamento típico da disciplina e da estratégia militar – será um governo controlador na economia e, principalmente, na política.

O próprio fato do poder civil ter levado o país até o limite do caos, na figura de Bolsonaro, será o fator legitimador do próximo tempo.

Aí o país encontrará de novo a paz dos cemitérios. E todos aqueles que se auto-iludiram em um momento crucial para o país, terão o resto de suas existências para fazerem autocrítica.

Luís Nassif
No GGN
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A educação sem-escola do Bolsonaro


Conhece alguém que tem filhos pequenos? ou que quer ter filhos? Então lhe explique que o deputado Bolsonaro quer que haja educação a distância a partir do ensino fundamental.

Isto é, dos 6 anos de idade.

Esta explicação é muito importante, para possíveis simpatizantes do deputado Bolsonaro verem o que um governo dele vai trazer, para quem tem crianças em idade escolar.

Sabe o que é educação a distância?

Não há mais

– uniforme

– calçado

– merenda.

Não há mais escola, como lugar aonde as crianças e adolescentes vão.

Não haverá mais professora, professor, em contato direto com seu filho.

Na educação a distância, as crianças ficarão diante de uma TV, assistindo a aulas. Irão sim, talvez uma vez por semana, a um pólo presencial, como se fosse uma escola, mas que não é uma escola porque é só um dia por semana. E serão atendidas não por um professor da classe delas, mas por um monitor, que atenderá a muitas crianças.

(Educação a distância é boa para adultos, para gente mais velha, não para crianças e adolescentes).

Pergunta: as crianças vão ficar ligadas na aula pela TV? Vão ficar quietas? Claro que não.

Vão precisar de alguém olhando, supervisionando.

A mãe vai poder sair, para trabalhar? Não. Alguém vai ter que ficar com a criança. Geralmente a mãe, às vezes o pai, talvez um irmão, ou então vai pagar uma empregada ou vizinha.

Quem tem dinheiro para isso? Para tratar uma empregada, uma vizinha ou para deixar de trabalhar?

Ah, e mais um detalhe: a equipe dele disse que seu Ministro da Educação será um importante empresário da educação a distância, Stavros Xanthopoylos. Portanto, ele vai querer mesmo educação a distância para crianças. Pode ser um bom negócio, mas não para elas. Ou para as mães e os pais.

Os links das declarações do deputado estão aqui:


Renato Janine Ribeiro





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