13 de out. de 2018

Manipulações divulgadas no Whatsapp levam a "hackeamento da democracia"


A infiltração do Whatsapp na vida da maior parte da população e a possibilidade de se saber, por meio do comportamento de usuários de redes sociais, os sentimentos que podem influenciar suas decisões trazem inúmeras possibilidades de manipulação da escolha política de milhões de pessoas no Brasil. Para o professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP Miguel Wisnik, trata-se de um método mais eficiente de influenciar as pessoas do que era feito até então pela mídia tradicional.

"As novas tecnologias mudaram o cenário do jogo. A grande imprensa, se quisesse manipular a informação, faria isso às vistas de todo mundo, teatralizando coletivamente a sua posição e sofrendo as consequências da avaliação pública disso. O Whatsapp é absolutamente capilar e permite mensagens em segredo, que chegam quase personalizadamente sem essa avaliação pública, e muito rápido", avalia o professor, em sua participação na coluna Espaço em Obra, na Rádio USP.

Para ilustrar tal poder, Wisniki cita o caso da empresa Cambridge Anatlytica, que teve participação decisiva na eleição de Donald Trump nos Estados Unidos e na votação do Brexit, no Reino Unido. "Atuou de maneira a filtrar dados das pessoas por meio de seu comportamento em redes sociais, permitindo que esses dados gerassem grandes quantidades de mensagens por Whatsapp, que chegam a pessoas com a predisposição do tipo de sentimento que as afetará para tomar decisões", explica.

"No caso agora do Brasil, com crise econômica, social e das instituições, é um contexto onde frutifica, nasce o fascismo. Através dessa realidade de manipulação insidiosa você consegue atingir de forma muito eficaz", analisa Wisnik, mencionando casos de "viradas" de última hora no processo eleitoral brasileiro. "Nem vou citar o caso mais evidente, do próprio Bolsonaro, mas os candidatos a governador no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, no Senado em São Paulo com Major Olímpio (PSL), chegaram como um fenômeno meteórico, de uma hora pra outra. São situações que desafiam qualquer lógica de previsão, de boca de urna do Ibope ou Datafolha, pois se fazem do nada. Isso é produto desse tipo de campanha."

Em entrevista concedida à Agência Pública nesta semana, o filósofo Vladimir Safatle também chamou a atenção para a situação. "O Brasil está na rota de uma lógica de extrema direita internacional na qual você não opera mais no espaço aberto, você opera no espaço obscuro, virtual, utilizando dados da Cambridge Analytica, como os caras fizeram, para direcionar mensagens de maneira muito específica, criando esses vídeos…", diz. "Eu vi os vídeos em que eles misturavam imagens das manifestações com imagens de mulheres profanando símbolos religiosos, imagens feitas para chocar a classe média brasileira. É claro, a esquerda não estava preparada pra isso, ninguém está preparado pra isso. Foi uma lógica de outro tipo de campanha que a gente nunca tinha visto. E uma campanha feita em cima do desprezo do embate no espaço público."

O professor doutor em Ciência Política da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Wagner Romão também alertou, na Rádio Brasil Atual, sobre o fato de as fake news explorarem o preconceito e falsas associações de imagens, tendo afetado a repercussão do movimento #Elenão. Em função da pouca cobertura da mídia tradicional, a narrativa das manifestações foi perdida para os grupos que produziram notícias falsas. “Infelizmente aí a gente tem aquela antiga conexão entre os interesses políticos, econômicos com os interesses da grande mídia. Eles agiram para reforçar o fascismo que nós estamos vendo às portas de se tornar governo no Brasil”, aponta Romão.

"Queria lembrar que hoje já existe também o 'Photoshop de áudio'que permite você criar através do som falas falsas, usando o timbre de voz da pessoa", ressalta ainda Wisnik. "Chegamos a um ponto de hackeamento da democracia muito avançado, o que coloca em perigo e em suspeita a própria democracia com todos os fundamentos que sempre a ampararam."


Por omissão, TSE deu a benção às mentiras do candidato do whatsapp

Por omissão, TSE deu a benção às mentiras do candidato do whatsapp
Fake recolhido da rede de whatsapp de um bolsonarista
Algo inédito pode acontecer este ano no Brasil.

Um presidente eleito sem fazer campanha de rua, sem participar de debates, que escolheu entrevistadores, que não foi confrontado sobre o plano vago de governo que registrou.

Um presidente eleito no casulo do whatsapp, cujos apoiadores produziram fake news em escala industrial.

Jair Bolsonaro argumenta que a ausência dos debates pode ser justificada por estratégia eleitoral.

Mas fosse o candidato com grande vantagem eleitoral um Ciro Gomes, Fernando Haddad ou Guilherme Boulos — e o adversário um tucano como João Doria ou Geraldo Alckmin — seria denunciado diariamente em copiosas edições do Jornal Nacional e dos satélites da família Marinho.

Por que isso não acontece?

Pelo fato de que a orientação editorial dos barões da mídia atende acima de tudo ao antipetismo — em diferentes graus –, que se manifesta nas redações desde as denúncias do mensalão, em 2005.

Nem mesmo quando um candidato se apresenta como ameaça real à democracia, desafiando parâmetros que a própria mídia cobra há 13 anos do PT, recebe o tratamento que seria dado a um candidato de esquerda nas mesmíssimas circunstâncias.

Antes do início formal da campanha, um investigador de uma empresa jornalística me procurou para ajudá-lo na tarefa que recebeu dos chefes: investigar as usinas de mentiras já existentes no Brasil.

Foi no período em que o País começou a debater as chamadas fake news, com promessas de ação rigorosa de autoridades contra a distorção do desejo eleitoral dos brasileiros pelas mentiras disseminadas por redes sociais.

O colega de profissão tinha identificado, em Minas Gerais, “empresários” que vendiam likes e eram capazes de acionar redes de robôs para impulsionar conteúdos artificialmente, em várias plataformas.

Estavam todos a serviço da direita.

A dificuldade do jornalista estava em identificar fake news produzidas pela esquerda, razão pela qual havia me procurado.

Eu disse a ele que reconhecia a existência de mentiras, exageros ou erros cometidos e impulsionados por gente de esquerda, mas nenhuma produção industrial capaz de afetar o resultado de eleições.

Por motivos desconhecidos, soube depois, a investigação do colega nunca foi publicada.

Todos os levantamentos posteriores, realizados por gente que se debruçou sobre o assunto, confirmaram: a disseminação de falsidades vinha essencialmente de espaços antipetistas.

Mas, as denúncias não resultaram em ação das autoridades.

No dia do primeiro turno da eleição de 2018, a família Bolsonaro oficialmente emparedou a República, disseminando montagens que falsamente “demonstravam” que urnas eletrônicas votavam automaticamente em Fernando Haddad.

Acompanhei atentamente a entrevista em que foram anunciados os resultados da votação pela presidenta do TSE, Rosa Weber.

Na ocasião, a procuradora geral da República, Raquel Dodge, voltou a prometer jogo duro contra as fake news.

Isso, em 6 de outubro de 2018.

De sua parte, o Tribunal Superior Eleitoral de fato atendeu a reclamações da campanha de Fernando Haddad e agiu contra páginas disseminadoras de mentiras — quando o efeito de tais ações sobre o resultado do pleito seria, para dizer o mínimo, marginal.

Afinal, as mentiras já haviam sido lançadas e causado o dano pretendido.

Hoje, 11 de outubro de 2018, o TSE lançou uma página para combater as notícias falsas.

Isso mesmo, hoje, 11 de outubro de 2018!

Luiz Carlos Azenha
No Viomundo
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Desenho cartesiano para os “muristas”


Para quem quer pensar como criança, contas como para crianças.

Suponha que os eleitores brasileiros  sejam 100.

Deles, 15 decidem que “os dois candidatos não prestam”, ou que “a culpa é do Lula que não quis que Ciro fosse candidato”, ou que “o PT precisa fazer uma autocrítica”, ou, ou, ou…

Sobram 85 votos válidos.

Suponha agora que 45 deles votam em Jair Bolsonaro e 40 em Fernando Haddad.

São 53% a 47% e Bolsonaro, que aqueles 15% acham mesmo fascista, assumirá o Governo para fazer o estrago que sabemos que fará. Autocrático, autoritário, agressivo e violento.

Mas se 10 dos 15 que se pegaram a argumentos ressentidos derem o voto a Haddad em nome da continuidade da democracia, da liberdade, do direito de crítica, os válidos serão 95  votos. Com 50 deles, Haddad teria a maioria absoluta (53%) e Bolsonaro teria 45 votos, ou 47%.

E Haddad assumiria o governo e, para governar como não teria outra forma de fazer, chamando todas as forças democráticas.

Ainda que você não goste, na sua ótica seria o que se chama de política de redução de danos.

Preciso desenhar ou está claro como o voto de apenas 10% dos eleitores pode ser uma inversão completa do quadro eleitoral que está configurado?

Em outras palavras, que seu voto está valendo tanto quanto quatro votos de seus irmãos brasileiros.

Ou ainda: que você está tomando a decisão sobre a vida de outros nove brasileiros?

Que poder, hein? Entendeu a sua responsabilidade? Entendeu o seu dever?

A escolha é sua.

Vote por todos e todos te ouvirão no debate.

Vote contra todos e nem debate haverá.

Você, que se acha iluminado, irá para as trevas como todos nós.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Kit gay nunca existiu e livro que Bolsonaro mostrou é de autora francesa

Mentiroso
A escritora francesa Hélène Bruller, autora do livro Aparelho Sexual e Cia. (Le Guide du Zizi Sexuel, no original em francês), empunhado sob protestos por Bolsonaro em uma entrevista de TV, tratou o episódio pitoresco em torno de um ex-capitão candidato como um sintoma psicológico de lacuna simbólica. Sobre Bolsonaro, ela diz: “agora o mais importante é a perversidade subjacente desse senhor: ele grita para quem quer ouvir que não temos que falar muito sobre a sexualidade, mas ele só fala disso. Eu acho que as obsessões do senhor Bolsonaro dizem muito sobre o que ele próprio tem na cabeça”.

A reportagem do jornal El País destaca a reação da autora quando soube da repercussão de seu livro no Brasil. Hélène Bruller, que assina obra junto com o suíço Philippe Chappuis (conhecido como Zep), diz não ter ficado surpresa com o ocorrido: “Grupos extremistas católicos já tentaram proibir o livro e a exposição que foi feita a partir dele. Como sempre, aumentaram o sucesso da obra. Talvez eu devesse agradecê-los… Mas aí já é me pedir demais”.

Ela diz, nem tão ironicamente quanto parece: “Eu acho que lá no fundo do Bolsonaro existe um pequeno garoto, o petit Jair, que teria adorado se, na sua infância, lhe tivessem dado de presente um exemplar do Aparelho Sexual e Cia”.

Bruller acrescenta, no entanto, que Bolsonaro denigre o seu trabalho de autora: “o senhor Bolsonaro pode dizer o que bem quiser sobre o meu livro. Com isso ele não consegue mudar o conteúdo da obra e eu acho que os brasileiros são suficientemente inteligentes para formarem eles mesmos suas opiniões sobre o livro. Há, no entanto, algumas particularidades muito claras da personalidade do senhor Bolsonaro: ele denigre o meu trabalho, então é uma pessoa sem qualquer respeito; e se sente no direito de usar o meu livro para sua autopromoção sem me consultar antes, então é uma pessoa desonesta. Não são as características que esperamos de um suposto representante da moralidade.”

A autora reforça o caráter reprimido do ex-capitão-candidato: “agora o mais importante é a perversidade subjacente desse senhor: ele grita para quem quer ouvir que não temos que falar muito sobre a sexualidade, mas ele só fala disso. Eu acho que as obsessões do senhor Bolsonaro dizem muito sobre o que ele próprio tem na cabeça.”

A matéria do El País ainda explica que “o livro de Bruller foi publicado pela primeira vez em 2001 e lançado no Brasil seis anos depois, pela Companhia das Letras. A obra está esgotada na editora brasileira e, por aqui, poucas pessoas sequer sabiam da sua existência. Isso até a noite da última terça-feira, quando Bolsonaro mostrou o livro durante a tradicional rodada de entrevistas que os presidenciáveis dão ao Jornal Nacional. Ele sugeriu na ocasião que a publicação era parte do chamado kit gay— nome pejorativo dado ao Escola sem Homofobia, projeto de formação de professores para temas referentes a direitos LGBT. No horário mais nobre da televisão, Bolsonaro não se preocupou em dar dois esclarecimentos aos espectadores: o kit gay foi barrado pelo Governo Dilma Rousseff em 2011, sem nunca ter saído do papel; e o livro Aparelho Sexual e Cia. não fez parte do material produzido para o Escola sem Homofobia. Tem mais: o livro jamais figurou em algum programa do Ministério da Educação e apenas 28 exemplares foram comprados por um programa do Ministério da Cultura e distribuídos para bibliotecas públicas, nenhuma delas em escola.”

Sobre o episódio, Hélène Bruller também diz: “o senhor Bolsonaro sabe muito bem que, ao dizer coisas ruins sobre o meu livro, ele aumenta consideravelmente as vendas. Então eu me pergunto: será que o senhor Bolsonaro quer divulgar o meu livro? Inconscientemente, eu até acho que sim. Eu acho que lá no fundo do Bolsonaro existe um pequeno garoto, o petit Jair, que teria adorado que, na sua infância, lhe tivessem dado de presente um exemplar do Aparelho Sexual e Cia ao invés de ficarem, com caras transtornadas, berrando e dizendo para ele: “Petit Jair, você vai para o inferno se se masturbar.”

Bruller afirma também que há precedente para o simulacro que se faz de seu livro no mundo reacionário afora: “grupos extremistas católicos já tentaram proibir o livro e a exposição que foi feita a partir dele. Como sempre, aumentaram o sucesso da obra. Talvez eu devesse agradecê-los… Mas aí já é me pedir demais.”

No Falando Verdades
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Os bastidores do apoio do Portal R7 a Bolsonaro

Rede Record, Rede Bandeirantes, Portal R7 e Jovem Pan estão balançando o berço de Bolsonaro. É nelas que Jair vai se fiar a partir do ano que vem – seus donos esperam, claro, que ele seja o novo presidente. Pretendo voltar às TVs e também à decisão da Folha de não chamar Bolsonaro de “extrema-direita” em um post no site na semana que vem, se conseguir levantar mais detalhes. Hoje vou falar só do R7, o portal de notícias do Edir Macedo.

Passei a semana ouvindo pessoas pra poder escrever essa newsletter pra vocês e vou fazer algo que não costumamos fazer no TIB: dar informações de bastidores sem documentos que possamos mostrar publicamente. Eu sei, e vocês sabem, que o acordo entre imprensa e público foi quebrado, e que ninguém mais tem obrigação de acreditar em jornalista só porque… bem, porque é jornalista. Só que foi difícil arrancar informação pra escrever isso, e me comprometi a não publicar e-mails e circulares internas dos veículos. Os jornalistas estão com medo do que está por vir.

O que segue abaixo é um relato de alguém que trabalha no R7. Eu vou deixar que ele conte a história pra vocês. Nos vemos na semana que vem. Até.

“Desde meados de agosto, toda matéria que chega de agência (Reuters, Estado, Folha, EFE, AP…), ou que pretendemos escrever, precisa antes de uma autorização verbal de quem está comandando a redação. A gente chega e pergunta: ‘posso subir matéria tal da agência tal?’

Três semanas antes de começar o primeiro turno a gente foi ‘liberado’ para subir conteúdos dos candidatos, contanto que não fosse negativo ao Alckmin.

Após o Edir Macedo vir que o Alckmin não decolaria e declarar via Facebook que apoiaria Bolsonaro, a redação deu uma guinada. Passamos a publicar exclusivamente coisas positivas sobre o candidato do PSL e coisas mornas sobre Haddad, Ciro e Alckmin.

Passado o primeiro turno, começou o jogo sujo. Nada de pauta negativa ao Bolsonaro, a não ser que seja um assunto de grande visibilidade. A gente pode subir pautas positivas do Haddad, mas geralmente elas não são chamadas na capa nem nas redes sociais. Ou seja: ninguém vê.

E agora começaram a aparecer encomendas. O primeiro alvo foi Ciro Gomes. Um excelente repórter foi obrigado a escrever coisas ridiculamente negativas e velhas sobre o ex-candidato do PDT, acredito eu que para tentar denegri-lo caso ele decidisse apoiar o Haddad firmemente.

Houve brigas na Redação por que, teoricamente, deveríamos assinar essas matérias. Mas ninguém aceita expor seu nome a esse trabalho sujo. Pode notar que a maioria delas não tem assinatura.

O clima ficou pesado, todos estão decepcionados de fazer esse jornalismo marrom. Um dos melhores e mais resilientes repórteres de lá agora bate boca diariamente com a chefia.

A gente se sente refém das demandas do alto comando. Recebemos ordens pra fazer um antisserviço à população e nem sequer sabemos quem deu essas ordens lá em cima. Considerando a boa audiência do portal, especialmente entre as classes C e D, dá um aperto no coração saber que a gente pode influenciar negativamente estas eleições.”

Leandro Demori
No The Intercept



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‘Sou vítima daquilo que prego’, diz Bolsonaro em ato falho


O candidato do PSL cometeu o ato falho em entrevista ao Jornal da CBN 2ª edição. Ele afirmou que não pode se responsabilizar pelas atitudes de eleitores, ao ser perguntado sobre a morte de um mestre de capoeira numa briga na Bahia. Jair Bolsonaro ressaltou que 'a vítima é ele', por ter sido esfaqueado em Juiz de Fora. Ele também afirmou que não vai ‘fechar o Congresso’ e que não defende ditaduras. Bolsonaro voltou a dizer que pode faltar a debates, mesmo após ter o aval dos médicos, e que não é ‘Jairzinho paz e amor’.

Acompanhe a fala:

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