10 de out de 2018

Tucanos vão à casa de Haddad para discutir apoio

Integrantes do PSDB entregaram a Haddad uma carta “de apreço e apoio” onde é proposto uma mediação para conter a escalada da violência. A informação foi revelada em coletiva de imprensa, realizada logo após o seu encontro com as centrais sindicais.




O presidente Fernando Henrique Cardoso acabou de dizer que está esperando que o senhor proponha, ou queira propor alguma coisa para ele. O senhor vai procurá-lo em qual momento? Depois que o Ciro anunciar o apoio para essa frente democrática?

Olha, nós estamos, paulatinamente, recebendo apoios. Hoje mesmo eu tive a felicidade de receber – na minha residência, em horário de almoço – integrantes do PSDB …

Quem?

Não estou autorizado a divulgar mas já entregaram uma carta de apoio importante e querendo propor uma mediação para conter a escalada da violência no nosso país. Parte significativa do PSDB está preocupada com o que está acontecendo no país. Nós ficamos de nos comunicarmos amanhã, porque eu estava com o tempo muito curto, vamos entrar em contato amanhã e vamos prosseguir no sentido de estabelecer protocolos de civilidade em proveito do futuro do Brasil.

O FHC está nesse plano? De procura, de diálogo?

Veja bem, nós estamos conversando com todas as forças que queriam conter a barbárie que está em escalada no país. Nós temos que botar um fim nessa violência, está demais o que está acontecendo.

No caso do PSDB eles pediram para ceder em algum ponto do programa de governo?

Foi uma carta de apreço e apoio de alguns integrantes, não é do partido. Mas eu não posso anunciar ainda quem porque fiquei de conversar amanhã para fazer uma coisa formal e pública nos próximos dias. O que deve acontecer…

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O que você precisa saber sobre o “kit gay”

Bolsonaro e livro da Cia das Letras: Após polêmica envolvendo candidato, editora relançará o livro
Reprodução/GloboPlay
1) Nunca existiu algo chamado ”kit gay” em nenhum governo.

2) Em 2011 foi encomendado e produzido um material chamado ”Escola sem homofobia”. Mas setores conservadores do Congresso protestaram e esse material NUNCA chegou a ser entregue nas escolas. Repetindo, não foi entregue, então tudo o que se diz que chegou até uma escola como sendo um ‘’ kit gay’’ do governo federal é mentira.

3) Mas vamos entender melhor o que aconteceu, se tem alguma verdade nas Fake News sobre o assunto que todo mundo já recebeu. Fernando Haddad era Ministro da Educação no momento? Sim, ele era. Veio do MEC a ideia de produzir o material? Não. Foi a Comissão de Direitos Humanos da Câmara que fez a proposta e o Ministério Público que cobrou do MEC tomar a providencia. E então o MEC contratou uma ONG especializada no assunto para produzir o material.

4) Agora vamos entender como isso virou um escândalo. Enquanto o material ainda estava na mesa do Haddad para a aprovação políticos conservadores como Magno Malta e Garotinho começaram a espalhar mentiras. Destacando: eles inventaram coisas sobre algo que eles não conheciam e não sabiam do que se tratava já que o material ainda estava em fase de aprovação.

Uma das primeiras estratégias foi pegar um material produzido pelo Ministério da Saúde para caminhoneiros e prostitutas sobre prevenção da AIDS e outras DSTS e espalhar que aquilo era o material do MEC para as escolas. Claro que a linguagem desse material do Ministério da Saúde era inadequada para crianças já que servia a outro propósito.

5) Como essa história termina? No ano seguinte, quando Dilma assumiu a presidência, diante de toda a confusão, ela simplesmente vetou o material. Que nunca chegou a nenhuma escola.

6) Mas novas mentiras sobre o que seria esse kit gay surgem a todo momento. O que acontece é que existem inúmeros materiais sobre educação sexual para crianças e adolescentes que são produzidos por editoras comerciais e vendidos em livrarias do Brasil e do mundo para os pais e as mães que quiserem comprar.

Só que pessoas mal intencionadas compram algum desses livros que consideram ”inadequados” e fazem vídeos falando que aquele livro foi distribuído pelo governo num kit gay para crianças pequenas. Mas não foi. Repetindo, todos os materiais do projeto Escola sem Homofobia, devido à pressão conservadora, nunca foram levados até as escolas.

Importante destacar que o livro mostrado pelo Bolsonaro no Jornal Nacional NUNCA foi distribuído pelo MEC. O livro foi publicado no Brasil pela Companhia das Letras. Bolsonaro sabe que não se trata de material do MEC, ele já foi por diversas vezes alertado sobre isso. Ele mente porque sabe que funciona, sua popularidade aumenta a cada vez que ele se mostra indignado com algo que ele mesmo sabe que é mentira.

7) Mas afinal de contas o que tinha nesse material Escola Sem Homofobia? Que ótimo que você se perguntou isso. Neste link você pode ver os três vídeos, a cartilha voltada para os professores e os materiais deste projeto que, lembrando, nunca chegou até as escolas. Leia, assista e tire suas conclusões.
https://novaescola.org.br/conteudo/84/conheca-o-kit-gay-vetado-pelo-governo-federal-em-2011

8.) Se você pegar o material para analisar vai ver que ele não contém nenhum tipo de pornografia. Uma das mentiras divulgadas sobre ele é um desenho de dois adolescentes tendo relações sexuais. Isso é uma invenção maldosa, aquela ilustração jamais fez parte deste projeto.

9) Esse material, que nunca chegou a se distribuído, era voltado para adolescentes e pré adolescentes, alunos de ensino médio e segunda etapa do fundamental, não para crianças pequenas, da educação infantil ou primeira etapa do fundamental (antigo primário). O objetivo era ensinar o respeito e combater a violência homofóbica muito comum nas escolas brasileiras.

10) Os materiais do Escola sem Homofobia não tinha nenhum tipo de objeto erótico, nada de ‘‘mamadeira com bico em formato de pênis para ser distribuído para crianças de 6 anos alunas de creches’’. Gente, pelo amor de Deus, como vocês acreditam nisso? Crianças de 6 anos não usam mamadeira, não estudam em creches e NINGUÉM viu esse objeto em nenhuma escola ou creche do Brasil. Isso é uma das mentiras mais toscas já inventadas e infelizmente milhões de pessoas acreditaram.

Sílvia Amélia
No DCM
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Baianos exigem retratação de Boechat!

Boechat disse que a morte do Mestre Moa é "uma bobagem"



Para Boechat morte de capoeirista não resulta do ódio:"Bobagem"

O jornalista Ricardo Boechat, da rede Bandeirantes, disse que não vê agressividade na campanha eleitoral. “Aí tem um capoeirista morto numa briga mas nós somos 208 milhões de pessoas”, argumentou nesta terça-feira (9) na rádio. Para ele a morte do capoeirista mestre Moa do Katendê, assassinado no domingo (7) com 12 facadas, não é um fenômeno da campanha. O assassino é eleitor do candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL).

Paulo Sérgio Ferreira de Santana é o homem que atacou mestre Moa. Segundo Reginaldo Rosário, irmão de mestre Moa que estava no local, Paulo Sérgio entrou na conversa deles, estava alterado e afirmou que a solução seria o porte de arma. Ao que Moa disse ao agressor que abrisse os olhos e que o povo corria o risco de perder conquistas.

Ainda de acordo com o irmão do capoeirista, Paulo Sérgio saiu e retornou com uma peixeira com a qual matou o mestre de 63 anos e feriu um primo do capoeirista que não corre risco de morte.

Para Boechat, o ocorrido não configura um fenômeno desta campanha. E completou: “É uma bobagem” comparando aos 65 mil homicídios por ano registrados no Brasil.

Ao caso de mestre Moa se somam outros episódios como a tentativa de atropelamento de um jornalista que vestia a camisa com imagem de Lula, em Curitiba, ocorrido também no domingo; Nesta segunda-feira (8), Anielle Franco, irmã da vereadora assassinada Marielle Franco, foi insultada na rua por um grupo que dizia “Bolsonaro” e “piranha”.

Em tempo: a propósito, leia a carta aberta enviada por amigos de Mestre Boa à BandNews FM:

Caro Boechat, hoje fomos tomados pela indignação devido à uma postura que você teve em um dos seus pronunciamentos críticos. Ontem houve um assassinato que comoveu toda Salvador. Pra você Romualdo Rosário da Costa, pra gente, Mestre Moa do Katendê. Pra você, mais um homem negro assassinado que entra pras estatísticas devido ao alto índice de violência do Brasil, pra gente um legado cultural que teve a vida ceivada, um patrimônio imaterial que foi tirado de nós por motivo torpe, pelo seu posicionamento político. Pra seu conhecimento, já que não é baiano, Mestre Moa não é só um capoeirista, o que já o engrandece muito, visto que a capoeira celebra e representa toda uma resistência pela vida e pela cultura que os negros escravizados mantiveram e hoje se espalha por todo o mundo como uma forte herança brasileira. Moa é, porque não deixará de ser,um pai de família, amigo afetuoso e pacífico, um compositor, cantor, ativista cultural, fundador de um dos blocos mais importantes e significativos da era de ouro dos blocos afro, o Badauê, apadrinhado e cantado pelos também nossos Caetano e Gil, e espalhado para alguns países do Mundo, “o moço lindo do badauê”. Nos sentimos muito mal com a maneira que tratou de uma perda tão relevante pra gente. A morte dele foi por motivo político sim, já comprovado através das testemunhas e pela própria confissão do assassino. Quantos mais serão assassinados nesse processo? Achamos que a imprensa deve ser aliada nesses momentos e averiguar melhor os fatos. A classe artística e a população baiana, como ouvinte da Band News aguarda retratação.

No CAf
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O teto do bolsonarismo e as perspectivas do Haddad


O segundo turno da eleição será disputado voto a voto, dia-a-dia, até o 28 de outubro. Bolsonaro arranca com a vantagem relevante de quem obteve 17.934.985 votos a mais que Haddad no primeiro turno.

Esta vantagem, entretanto, não é estática, pois não há automatismo nas escolhas de imensas parcelas do eleitorado. A eleição está em aberto; e é realista a possibilidade da democracia derrotar o fascismo; do Haddad vencer Bolsonaro:
  1. pesquisas mostravam que a uma semana do pleito, aproximadamente 15% a 18% dos eleitores [de 17 a 21 milhões de pessoas], ainda não tinha definido o voto; estava indecisa;
  2. parcela significativa desses eleitores decidiu seu voto no último instante, no momento em que se dirigiu para a urna. Esse eleitor se define menos por afinidade ideológica e identidade programática, é mais volúvel e influenciável, e adotou o voto útil no Bolsonaro;
  3. o “efeito manada” do voto útil derreteu as principais candidaturas antipetistas [Marina e Alckmin], ajudou o crescimento do Bolsonaro e gerou resultados surpreendentes em todo o país, como a eleição inesperada de certos governadores, deputados e senadores;
  4. mesmo beneficiado fortemente pelo voto útil, com os 46,03% conquistados Bolsonaro alcançou seu máximo potencial eleitoral; chegou no teto do bolsonarismo. Bolsonaro sempre soube que sua chance de se eleger diminuiria bastante num eventual segundo turno, por isso fez carga máxima no voto útil – decepcionado, cancelou a festa de comemoração que já estava armada;
  5. a votação das candidaturas não-antipetistas [Haddad, Ciro, Boulos, Vera, Goulart] totalizou 45.389.431 votos, equivalente a 42,36% dos votos válidos. Se tivessem realizado o potencial de 55,13% estimados na última pesquisa com a presença de Lula [20/8], o campo das candidaturas não-antipetistas teria feito 13,7 milhões de votos a mais;
  6. Ciro resistiu ao voto útil porque seu eleitorado tem perfil antibolsonarista. Pesquisas mostram que cerca de 70% dos 13,3 milhões de eleitores dele agora votam no Haddad;
  7. aqueles eleitores atraídos pelo efeito manada [voto útil, mais influenciável] ficaram frustrados e desanimados com o insucesso do Bolsonaro. No segundo turno, estando sujeitos a processos mais racionais e lógicos de escolha, poderão mudar seu voto;
  8. o antipetismo não é homogêneo. Amplos segmentos do antipetismo rechaça as barbaridades do Bolsonaro e as práticas truculentas e odiosas do bolsonarismo. É um segmento que pode ser convencido a anular o voto, a abster-se ou, inclusive, a votar no Haddad, mas #NeleNão;
  9. os eleitores ideologicamente identificados com Bolsonaro situam-se em torno de 25% do eleitorado [27 milhões], cifra bastante inferior aos 49 milhões que ele obteve sendo o voto útil;
  10. no segundo turno, Bolsonaro não poderá continuar fugindo dos debates. A confrontação das visões de mundo, das posturas pessoais e das propostas concretas que cada candidato defende para o Brasil, é um diferencial que favorece enormemente Haddad;
  11. o esclarecimento da sociedade sobre os riscos das propostas do Bolsonaro para a economia e para a soberania do país, para a democracia e para o povo brasileiro, é fator pedagógico de comparação entre os 2 projetos e as 2 visões de país em disputa que favorece o processo cognitivo de escolha em favor do Haddad. E, finalmente,
  12. a militância progressista e democrata, unida numa frente ampla e democrática contra o fascismo, é outro elemento diferencial a favor de Haddad – militância vivaz, intensamente dedicada ao diálogo nas ruas, nas visitas de casa em casa, na panfletagem nos terminais de ônibus, trens e metrô, comércio popular, nas escolas, universidades, locais de trabalho etc.
A vitória do Haddad é, por isso tudo, uma possibilidade real. A derrota da ameaça fascista, por outro lado, é um imperativo ético para a restauração da democracia, do diálogo, da paz, do respeito, do amor, da igualdade, da diversidade e da tolerância no Brasil.

Jeferson Miola
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Bolsomimions cravam símbolo nazista em corpo de jovem em Porto Alegre


Uma jovem de menos de 20 anos de idade foi violentamente agredida por três bolsonaristas na noite de segunda-feira (8) em Porto Alegre, por andar com o adesivo #EleNão com as cores da bandeira LGBT em sua mochila. Não contentes em socarem a jovem, os três homens ainda usaram um canivete para cravar o símbolo nazista, a suástica, no seu corpo. A jovem L. foi marcada como se marca gado, como se marcavam os judeus nos campos de concentração.

Leia o relato da jornalista Ady Ferrer em sua página no Facebook: 

"Porto Alegre, 8 de outubro de 2018, um dia após o primeiro turno das eleições, por volta das 20 horas.

L* andava pela rua Baronesa do Gravataí, quando 3 homens avistaram o adesivo #EleNão com a bandeira LGBT que ela estampava na sua mochila. Foram ofensas duras demais para retratar em um texto, duras demais para mulheres lésbicas ouvirem e lerem. Talvez o erro de L tenha sido responder, mas são ofensas contra a dignidade de alguém que só quer ter a liberdade de ser quem é. Não sei se foi um erro, mas nada justifica o que veio a seguir.

Ela foi agredida, humilhada no meio da rua. E como se não bastasse, dois homens seguraram seus braços, enquanto o terceiro cravava uma suástica na sua costela. Uma suástica... o símbolo de um dos regimes mais cruéis da história, que assassinou judeus, ciganos, comunistas e homossexuais e que os culpou por todo o mal que assolava a Alemanha no início do século XX. Uma suástica cravada na costela de uma brasileira lésbica, que não chegou nem aos 20 anos, uma marca de opressão e ameaça, não só à L, mas à todas as minorias do país.

Esse texto deveria ser uma matéria jornalística, objetiva, sem muitos sentimentos expostos, mas essa jornalista que o escreve não tem sangue de barata, pois, assim como L, também é LGBT e viu seu medo triplicar ao saber dessa história e comprová-la como verdadeira.

O BO foi registrado na noite do dia 9 e os culpados por essa agressão devem ser processados assim que identificados. Assim esperamos.

*por questões de segurança, a identidade de L foi protegida."
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Como combater Bolsonaro, segundo a cientista social Esther Solano


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A barbárie chegou


A 19 dias do segundo turno, portanto, sem qualquer definição do que acontecerá e de quem presidirá o país nos próximos quatro anos, os adeptos da candidatura do capitão já se sentem donos do país. Respaldados apenas no bom resultado do primeiro turno, demonstram a quem ainda não conseguiu enxergar como pretendem comandá-lo. Não é nada agradável. Ao que parece, sentiram-se livre para demonstrar do que são capazes: impor medo e terror.

O quadro ao lado, recebido pelas redes e ampliado, demonstra apenas alguns acontecimentos ocorridos nos últimos dias nos mais diversos cantos do país. São fatos reais, em cidades diversas, sempre com a mesma marca: foram protagonizados por adeptos da candidatura de Jair Bolsonaro e mostram a violência. O desprezo pela vida. O desrespeito ao diferente ou a quem não pensa igual.

Não é demais lembrar que no dia 6 de setembro, o gesto tresloucado de Adélio Bispo de Oliveira, um mineiro com suspeitas de problemas psíquicos, atingiu o presidenciável Jair Bolsonaro em plena campanha, em Juiz de Fora (MG). Mesmo conscientes de estarem em uma disputa eleitoral acirrada, os demais candidatos se solidarizaram ao deputado federal do PSL, condenaram o gesto e até reduziram, na época, os ataques políticos. Manifestaram repúdio à violência com a qual não tinham qualquer envolvimento.

Nos últimos dias, porém, cenas de violência se repetem com uma frequência grande. Em comum o fato de serem protagonizadas por eleitores ou militantes da campanha do capitão do Exército. Muitas delas gravadas em vídeos. A maioria com registros na polícia. Demonstram que os militantes da candidatura militar – que acabam se confundindo com verdadeiros milicianos – diante dos resultados do primeiro turno, sentiram-se autorizados para, à luz do dia, e mesmo na presença de testemunhas, mostrar a violência que defendem e são capazes de realizar.

O mais impressionante é o silêncio obsequioso – autorizador? – de Bolsonaro. Ele próprio ainda se recuperando de um tresloucado ato de violência. Violência que, há muito, defende e propaga.

Se ele não pode responder pelos gestos de seus seguidores, apesar de muitos deles terem sido incentivados pelo discurso de ódio que sempre pregou, pode sim ser cobrado pelo silêncio diante de tamanha violência.

Silêncio que não se resume ao candidato à presidência. É compartilhado também pelo candidato ao governo do Rio de Janeiro, Wilson Witzen. Este, mesmo se vangloriando de ser ex-tenente dos Fuzileiros Navais – “onde aprendemos a hierarquia e a disciplina” – e ex-juiz federal, assiste impassível – e aplaude –  discursos de ódio dos candidatos coligados, como se fosse algo natural.

Tal como ocorreu em Petrópolis, cidade serrana fluminense, dias antes do primeiro turno. Ali, em momento lembrou-se de defender a lei e, principalmente, a civilidade. Tal como deveria ter aprendido ao pertencer às Forças Armadas e à magistratura. Em compensação, no debate político com o adversário, tenta se mostrar forte ao prometer dar-lhe voz de prisão diante de possível crime de injúria.

Dom Zanoni, um dos primeiros a se solidarizar 
com o mestre capoerista assassinado

Ao que parece, a turma que apoia o candidato militar não deseja conquistar voto com argumentos e teses políticas, mas implantando o terror e o medo. Literalmente agredindo quem não comunga das mesmas ideias. Não apenas agredindo, matando.

Como ocorreu com o mestre de capoeira e compositor Romualdo Rosário da Costa, 63 anos, conhecido como Moa do Katendê, assassinado a facadas, na noite de domingo (7/10), no Bar do João, na comunidade do Dique Pequeno, no Engenho Velho de Brotas, em Salvador.

Morreu, esfaqueado 12 vezes covardemente pelas costas, após admitir ao agressor que tinha votado diferente dele. Motivo suficiente para que Paulo Sérgio Ferreira de Santana, de 36 anos, fosse até sua casa apanhar a faca com que retirou a vida de um símbolo da cultura baiana.

Provavelmente Bolsonaro nem conheça o agressor, seu eleitor. Mas calou-se. Sequer se manifestou por uma vida ceifada a troco de nada.

Partiu de um bispo católico, Zanoni Demettino Castro, da diocese de Feira de Santana (BA), um dos primeiros protestos contra este crime. Trata-se do Bispo referencial da Pastoral Afro Brasileira que através do Facebook fez seu brado: “Chega de violência”. Porém, ainda soa muito brando. É preciso mais.

Se o silêncio do candidato apoiado pelos militantes/milicianos que tentam impor um clima de terror no país já incomoda, a omissão das autoridades é algo muito mais grave.

Desde domingo (07/10), por exemplo, circula pela rede o vídeo de um eleitor de Bolsonaro apertando com o cano de um revólver os números da urna eletrônica na seção 0249, da 88ª Zona Eleitoral do Rio (na Escola Estadual Maurício Brum, em São João de Meriti – Baixada Fluminense).

O vídeo revela ao menos duas cenas inusitadas: o eleitor entrar armado em uma seção eleitoral e ainda por cima com celular, que lhe permitiu filmar a provocação e vangloriar-se dela.

Nenhuma autoridade, porém, ao que se saiba, manifestou-se a respeito. Nada as motivou vir a público explicar como isso ocorreu e que consequências teve. Tal e qual uma terra sem lei. Sem autoridade.


O mesmo silêncio se repete diante de cenas de brutalidade que surgem a todo instante, contra minorias, pessoas diferentes, sem respeito algum ao ser humano ou mesmo animal, pois até cachorro foi morto a troco de nada.

Violência que ocorreu no Piauí, quando uma transexual foi brutalmente atacada. Cena que se repetiu na terça-feira em Queimados, na Baixada Fluminense, ao agredirem a dançarina funkeira “Mulher Banana”, como denunciou no Facebook o MC Carol. Ela estava em um ponto de ônibus junto com seu companheiro, quando um grupo de brutamontes os viram e começaram a gritar “Bolsonaro vai acabar com vocês“. Foi agredida quase a morte por eles. Tal como outra transexual do Piauí, cujo rosto ficou totalmente ferido.

Ou como aconteceu na noite de terça-feira, na Universidade Federal do Paraná (UFPR), quando um aluno foi violentamente espancado simplesmente por utilizar um boné do MST. Ou a analista de operações de 24 anos que na manhã de terça-feira (09/10) foi agredida no bairro São Luiz, Região da Pampulha, em Belo Horizonte, ao afirmar que não votará em Jair Bolsonaro (PSL) no segundo turno destas eleições.

Não é tudo. No domingo, em plena eleição, uma jornalista, prestadora de serviço do portal NE10, do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação, foi atacada em Recife (PE). De acordo com ela, de 40 anos, dois homens a agrediram e a ameaçaram de estupro no momento em que saía do local de votação, no bairro de Campo Grande, Zona Norte da cidade. Segundo relatou à Polícia, um deles vestia camisa do candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL). O motivo da agressão, ainda pelo seu relato, foi o fato de ela ser jornalista.

Anielle Franco: Tive medo!

Já Anielle Franco foi agredida por ser irmã de Marielle, a vereadora assassinada no Rio cujo crime está impune até hoje.

A impunidade do crime, bem como o apoio que tiveram dois brutamontes candidatos a deputado – hoje eleitos – ao se vangloriarem de retirar uma placa de rua que apenas simbolizava homenagem à política assassinada, simplesmente estimula novas ameaças e agressões.

Agressões que como descreveu Anielle, segunda-feira (08/10), no Facebook, ocorrem a troco de nada. Apenas para atemorizar e aterrorizar:
Hoje, com minha filha de dois anos no colo, andando na rua, próximo a um shopping, sem nenhum adesivo, nenhum broche, nenhuma camisa, nenhuma bandeira (era só eu e Mariah, ela com roupa de creche e eu com roupa de trabalho) recebi gritos na minha cara.. Repito: Gritos na minha cara – e consequentemente na dela (que ficou assustada claro). Gritos de que eu era “da esquerda de merda” “Sai daí feminista”. “Bolso%$€%#$… Piranhaaa” de homens devidamente uniformizados com a camisa do tal candidato. Hoje eu tive medo! Medo mesmo. Não deveria, mas tive. Foi assustador. Ainda mais com minha filha no colo. Eu sozinha teria sido outra história (quem me conhece sabe)!”
Desrespeitando as leis, Frota posa com crianças portando armas.
Reprodução das redes sociais

Tudo transcorrendo diante, repita-se, do silêncio do candidato a presidente – que garantiu, no Jornal Nacional de segunda-feira (08/10), que respeitará a Constituição. Silêncio também do ex-tenente Fuzileiro Naval e ex-juiz federal – cargos dos quais se vangloria ao concorrer ao governo do Rio com um discurso moralista – que nada fala sobre tais atitudes que denotam a violência dos seus seguidores.

Violência e crime, como a do ator pornô Alexandre Frota – recém-eleito deputado federal – ao posar para fotos com crianças portando armas (veja ao lado).

Ao eleger-se deputado, o ator pornô deveria saber que pelas leis aprovadas no Congresso Nacional ao qual pertencerá, é crime entregar armas às crianças. Está no Estatuto da Criança e do Adolescente – Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 – a partir da redação dada pela Lei nº 10.764, de 12.11.2003. Lá define como crime:

Art. 242. Vender, fornecer ainda que gratuitamente ou entregar, de qualquer forma, a criança ou adolescente arma, munição ou explosivo:

Pena – detenção de seis meses a dois anos, e multa.

Pena – reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos. (grifamos)

Nem vale alegar que se trata de arma de brinquedo pois também isto é proibido legalmente. Proibido pelo famoso Estatuto do Desarmamento que Bolsonaro e sua turma quer modificar. Mas que continua valendo antes dele conseguir fazê-lo. Logo deveria ser cumprido. Ali, no artigo 26, consta que “são vedadas a fabricação, a venda, a comercialização e a importação de brinquedos, réplicas e simulacros de armas de fogo, que com estas se possam confundir”.

Tudo isso, junto e misturado, demonstra que, mal começou o segundo turno das eleições e a barbárie já se instalou entre nós. Mais grave, diante do silêncio cúmplice das autoridades. Sem falar no silêncio (consentimento?) do candidato que quer governar o país, mas não consegue sequer deter os seus.

O alerta está aí, para quem quiser enxergar. A barbárie já se instalou. Conseguiremos detê-la?

Exemplos variados das agressões que ocorreram provocadas por simpatizantes e eleitores de Bolsonaro













Marcelo Auler
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Os minutos que antecederam o assassinato de mestre de capoeira após discussão política na Bahia


Dois homens, uma divergência política, 12 facadas. Parece uma sequência sem lógica – e é –, mas foi ela que acabou com a vida do mestre de capoeira, compositor e dançarino baiano Romualdo Rosário da Costa, conhecido como Moa do Katendê, de 63 anos.

Na versão do irmão da vítima, o alfaiate Reginaldo Rosário da Costa, de 68 anos, às 22h15 do domingo, primeiro turno das eleições no Brasil, após a definição de que Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) se enfrentarão no segundo turno, ele e Mestre Moa chegaram ao Bar do João, reduto que frequentavam há muitos anos, localizado bem de frente para o Dique do Tororó, ponto turístico na região central de Salvador. Ali, a cerca de 500 metros de onde a família morou a vida inteira, começam a tomar cerveja e conversar sobre os resultados do pleito eleitoral, conta. Ambos haviam votado no candidato do PT.

Às 22h25, Germínio do Amor Divino Pereira, de 51 anos, primo da dupla, passa na porta do bar, vê Moa e Reginaldo e se junta a eles, de acordo com Reginaldo.

Passados mais 10 minutos, segundo a mesma versão, quem entra no bar é o barbeiro Paulo Sérgio Ferreira de Santana, de 36 anos, que ainda não sabe, mas dali a pouco tempo vai matar o Mestre Moa do Katendê.

Abatido e sem força na voz, o alfaiate Reginaldo disse à BBC News Brasil que, de repente, Paulo Sérgio se intrometeu na conversa da família, dizendo que o país precisava de mudança e quem tinha que ganhar a eleição era Bolsonaro.

“Eu respondi a ele: ‘rapaz, você é novo, ainda não sabe nada da vida’. Ele aí já veio com grosseria e Moa se meteu, também dizendo que ele não sabia pelo que já passamos. Disse assim: ‘você não sabe o quanto sofri pra ter liberdade’. Eles ficaram discutindo e até João (dono do bar) falou pro cara: ‘rapaz, olhe com quem você tá discutindo, com um senhor’. Aí ele se afastou, pagou a conta e foi embora”, relata Reginaldo.

Volta repentina do esfaqueador

O irmão da vítima afirma que, cinco minutos após deixar o bar, Paulo Sérgio surgiu repentinamente, atacando seu irmão por trás a facadas. “Eu só vi o vulto. Ele veio do nada e passou junto de mim já dando facada. Germínio tentou defender, mas não adiantou. Como é que o cara dá 12 facadas assim em meu irmão? Chegou na covardia. Foi uma discussão de política e pronto. Se fosse coisa séria, a gente ia ficar lá sentado bebendo?”, indaga Reginaldo, como quem questiona a si mesmo.

Ele disse que, com o corpo de Moa do Katendê já no chão, Paulo Sérgio ameaçou golpear quem estava em volta – quatro outros clientes –, abriu caminho e fugiu.

Acionada, a Polícia Militar encontrou o assassino minutos depois, escondido na casa onde morava há dois meses com a mulher e dois filhos, a 100 metros do local do crime.

“Os policiais da 26ª Companhia Independente de Polícia Militar avistaram um rastro de sangue que levava até uma casa e prenderam em flagrante o homicida. Ele já estava com uma mochila com roupas no intuito de fugir”, informou a corporação em nota.

Golpeado no braço, Germínio, primo de Mestre Moa, ainda está hospitalizado, mas sem risco de morte.

À 0h38 da segunda-feira, quando Paulo Sérgio já estava dentro do camburão da PM, tocou o celular de Somonair da Costa, de 35 anos. Filha de Moa do Katendê, ela dormia sem saber que o pai fora morto perto de sua casa.

“Tomei aquele susto quando o celular tocou e já acordei me tremendo, porque perdi minha mãe há um mês de enfarto. Era uma amiga com essa notícia. Bateu o desespero, acordei meu irmão, a gente saiu correndo. Quando cheguei, só vi meu pai lavado de sangue. Não dá nem pra acreditar nisso”, narra a professora de dança.



Versões

Responsável pelo caso, a delegada Milena Calmon, do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), descreve Paulo Sérgio como agressivo e diz que ele cai em contradição em suas versões. À polícia, o barbeiro já havia reconhecido a discussão por divergência política, o que foi confirmado por testemunhas já ouvidas.

“Foi mesmo uma discussão por causa de política, até a vítima sobrevivente já confirmou. O autor do crime estava defendendo Bolsonaro e a vítima, do lado do PT. De acordo com as testemunhas, houve ofensas verbais de lado a lado. O autor então foi em casa, pegou a faca, voltou e fez o que fez”, afirmou a delegada.

Mas, na delegacia, Paulo Sergio, um homem corpulento de 1,80 m que contou ter começado a beber na tarde do domingo, negou a discussão política e alegou, falando a jornalistas, que estava apenas conversando “sobre futebol” com o dono do bar.

“Ele que levantou e começou a me chamar de preto e veadinho. Eu bebendo, fiquei exaltado, fui em casa e aconteceu o fato”, disse ele, que a até a noite de terça-feira não tinha advogado constituído.

Segundo a delegada, Paulo Sérgio já tinha dois registros de passagens pela polícia. Um em 2009, por se envolver em uma briga, e outro em 2014, quando foi denunciado por um adolescente de 14 anos em situação de rua, que informou ter sido ameaçado pelo barbeiro com uma tesoura, depois de pedir R$ 0,50.

“Como é que meu irmão ia chamar ele de preto e veadinho? Um homem com a história de Moa, de tanta luta pela cultura negra. Isso é uma grande mentira”, diz Reginaldo.

No seu ateliê, onde as máquinas de costura estão paradas desde domingo, ficaram as batas estampadas que Moa do Katendê levaria nesta quarta-feira para um evento em São Paulo.

“Tudo aqui pronto pra meu pai viajar pra mais um trabalho. A ficha ainda nem caiu, parece que ele vai chegar pra pegar o material. Meu pai era uma pessoa de paz”, disse Somonair em meio às peças de roupa.

Trajetória reverenciada por Caetano Veloso

“Moa do Katendê, a quem devo a revelação que foi ver e ouvir o grupo de pessoas na rua cantando ‘Misteriosamente o Badauê surgiu’, foi morto a facadas por ter dito que votara em Haddad. O assassino, um bolsonarista apaixonado, foi encontrado quando tentava fugir. (…) Moa era meu amigo e foi uma das figuras centrais na história do crescimento dos blocos afro de Salvador. Estou de luto por ele. (…) Fundador do Badauê, compositor, mestre de capoeira, Moa vive na história real da cidade e deste país”, afirmou o cantor e compositor Caetano Veloso numa rede social.



Nascido no Dique Pequeno, como é chamada a localidade onde foi morto, Moa fez suas primeiras gingas na capoeira ali mesmo, como discípulo do Mestre Beto Gogó. Com o passar dos anos, ficou responsável por levar adiante o legado do seu mestre.

Da escola de capoeira, veio a dança afro, como integrante do grupo Viva Brasil, que entre as décadas de 1960 e 1970 ganhou o mundo por meio do trabalho da folclorista e pesquisadora Emília Biancardi.

No mesmo período, ele começou a compor para os blocos afro, que ganhavam força no cenário musical de Salvador.

“Moa era um artista incrível, um talento reconhecido no mundo inteiro. Jogava capoeira, dançava, escrevia. É uma perda imensa para a cultura da Bahia e do Brasil”, disse Antônio Carlos dos Santos, o Vovô do Ilê Aiyê, maior bloco afro da Bahia.

Foi justamente uma composição para o Ilê que fez a fama de Moa do Katendê se espalhar ainda mais. A canção Badauê, citada na postagem de Caetano Veloso, posteriormente veio a ser gravada pelo artista no disco Cinema Transcendental (1979).

Mais do que uma música, Badauê virou também um bloco de afoxé, criado pelo próprio Moa em 1978. Na tradição carnavalesca da Bahia, os afoxés são os blocos que levam para as ruas o Ijexá, ritmo tradicional dos terreiros de religiões de matrizes africanas.

Projeção dos afoxés para o mundo

Para Chico Assis, pesquisador que em 2017 defendeu uma dissertação de mestrado sobre os afoxés da Bahia, Moa do Katendê foi um dos maiores propagadores da cultura afro-baiana pelo mundo.

“Quando o Badauê saiu pela primeira vez, os afoxés estavam enfraquecidos, mas ele fez uma mudança, juntando a contemporaneidade com a tradição. Então os afoxés voltaram a ter força. E Moa seguia espalhando essa cultura por todo canto, dando aulas em diversos países da Europa”, disse.

Vivendo nos Estados Unidos, o poeta baiano Guellwaar Adún, parceiro de Moa do Katendê em diversas composições para blocos afro, disse à BBC News Brasil que a morte de Moa lhe tirou “um irmão e um pai”.

“Ele era um cara da vida, da alegria, um cara ético, de uma simplicidade imensa, que não queria nada que fosse dos outros. Foi meu maior incentivador nas artes e tem a vida tirada dessa forma bárbara”.

Para Adún, a morte do amigo é um exemplo do “momento gravíssimo pelo qual o Brasil está passando, tomado pela histeria”.

“O conservadorismo é diferente do fascismo. O fascismo é que traz em si o ódio, essa vontade de atacar estruturas culturais que Bolsonaro prega. Ele ataca mulheres, gays, negros. É claro que isso reflete nas pessoas”, afirma o poeta, que é fundador da editora Ogun’s Toques, que publica exclusivamente autores negros do Brasil ou dos Estados Unidos.

“Quem é da capoeira sabe como os negros já sofreram, sabe da desigualdade que enfrentamos. Moa lutava contra tudo isso através da sua arte. Era um disseminador de conhecimento e cultura. Sua morte foi um crime político. O discurso de ódio no Brasil quer interditar qualquer tipo de ideia e manifestação contrária, mas não vai conseguir. A arte de Moa não vai morrer. Nós vamos existir e resistir”, concluiu Adún.

Bolsonaro nega ser racista, homofóbico e misógino. Questionado nesta terça-feira por jornalistas sobre a morte do capoeirista, ele afirmou lamentar o ocorrido, mas que a pergunta foi “invertida” e que não tem como controlar todos os seus apoiadores.

“Quem tomou a facada fui eu, pô! O cara lá que tem uma camisa minha, comete lá um excesso. O que eu tenho a ver com isso? Eu lamento”, afirmou o presidenciável.

“Peço ao pessoal que não pratique isso. Mas eu não tenho controle sobre milhões e milhões de pessoas que me apoiam. Agora, a violência vem do outro lado, a intolerância vem do outro lado. Eu sou a prova – graças a Deus, viva – disso aí.”

Victor Uchôa
Do BBC Brasil
No Desacato
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Ou a campanha de Haddad desconstrói o discurso antipetista ou o antipetismo acaba de destruir a Democracia no Brasil

http://www.maurosantayana.com/2018/10/ou-campanha-de-haddad-desconstroi-o_10.html


Sem ser agressiva ou panfletária, a campanha do candidato Fernando Haddad no segundo turno das eleições presidenciais pode ser a última grande oportunidade histórica para que o PT explique sucintamente à nação a verdadeira história do país nestes últimos 15 anos e desconstrua os mitos e mentiras do discurso antipetista que levou quase a metade dos eleitores brasileiros a aderirem entusiasticamente ao fascismo no primeiro turno e arrisca a levar outro mito, tão falso quanto esses, ao cargo máximo da nação a partir do primeiro dia do próximo ano.

Os tempos de Lulinha Paz e Amor já se foram e correspondem a um momento em que o PT não tinha nada a mostrar a não ser a esperança.

Não há promessa de felicidade, plataforma de governo, ou apelos eivados de saudade e de sentimentalismo, que possam calar na mente dos eleitores brasileiros, principalmente dos 20 milhões de cidadãos que não escolheram nenhum candidato no primeiro turno, ou gerar qualquer efeito na alma amarga de eleitores céticos, varridos diuturnamente pelo discurso corrosivo e manipulador da antipolítica e da “anticorrupção” seletiva, corporativa e partidária, se antes não forem desmentidas, com fatos e dados inequívocos, as grandes calúnias que se acumularam, durante tanto tempo, sem quase nenhuma resposta, nos corações e mentes da opinião pública.

Agindo como o patinho feio do pleito, como se estivesse disposto a fazer o “mea-culpa” de crimes que não cometeu, como lhe cobra descaradamente parte da mídia, também parcial e, nesta altura do campeonato, profundamente hipócrita em seu morde e assopra de sorrisinho amarelo, ou escolhendo apenas propostas supostamente proativas, como se estivesse começando, sem passado, sua vida agora, o PT não fará frente ao programa claro de violência, neoliberalismo e entreguismo do adversário, nem às acusações e injustiças que recebeu ao longo de anos de inação, grandes e pequenas capitulações e hesitações, a ponto de promulgar “autonomias” e leis fascistas que se voltaram como mortais bumerangues contra ele mesmo.

A campanha de Haddad precisa responder com clareza e serenidade, sem abrir mão do equilíbrio, serenidade e lucidez que o candidato pretende passar aos eleitores, às acusações de quebra do país, incompetência administrativa e comunismo que foram impingidas ao PT impunemente, do “mensalão” ao impeachment de Dilma, usando para isso dados claros que foram, aí sim, incompetentemente deixados em segundo plano pela comunicação do partido dos trabalhadores ao longo de mais de uma década.

Há tempo mais que suficiente, na propaganda política e na internet, para abordar, na economia:

O pagamento da divida com o FMI no valor de 40 bilhões de dólares, respondendo à falsa afirmação de que esse pagamento e o acúmulo subsequente de 380 bilhões de dólares em reservas internacionais aumentaram a divida pública interna, já que a relação dívida-pública PIB era de quase 80% no último ano do governo FHC e estava em 64% na saída de Dilma, sem falar no corte pela metade da divida líquida.

A duplicação da safra de grãos, as dezenas de bilhões de reais deixados nos cofres do BNDES - canalhamente acusado de ter aplicado dinheiro apenas no exterior - a quadruplicação do salário mínimo, da renda per capita e do PIB em dólares, tirando o país do posto de décima-terceira economia do mundo em 2002 para a sexta maior do mundo em 2011, e mantendo-o ainda hoje, apesar de toda a crise, em oitavo lugar entre as entre as 10 maiores economias do mundo, e como se pode ver na página do tesouro norte-americano, como o quarto maior credor individual externo dos EUA.

Para responder à crença geral de que o PT é comunista, nem é preciso lembrar quanto os grandes capitalistas e bancos cresceram em seus governos, no rastro do crescimento do consumo e da economia.

Mais emblemático seria o apoio que foi dado pelos governos petistas - desmentindo que o partido seja “anti-brasileiro” apenas porque usa a cor vermelha em seus símbolos e manifestações - às forças armadas, por meio da promulgação da Estratégia Nacional de Defesa e do desenvolvimento e produção de material bélico como o Sistema de mísseis Astros 2020, o avião cargueiro militar KC-390, os caças Grippen NG-BR, a família de radares SABER, os tanques Guarani, o programa de submarinos da marinha, com a construção de uma nova fábrica e uma nova base de submarinos, incluído um a propulsão atômica, o míssil ar-ar A-Darter desenvolvido em parceria com a DENEL sul-africana, a nova família de rifles de assalto IA-2, da IMBEL, capazes de disparar 60 tiros por minuto.

O que não falta na rede são vídeos e imagens sobre tudo isso.

Na infraestrutura, as novas hidrelétricas, a recuperação da indústria naval, a multiplicação da produção nacional de petróleo, a extensão de ferrovias, as usinas, etc, etc, etc.

No social, a transposição do São Francisco, os três milhões de casas populares, o Luz para Todos, as cisternas do semiárido, etc, etc, etc.

Na campanha e fora dela, nos grandes portais, na internet, nas redes sociais, ou o PT desconstrói, com dados, as bases pseudo teóricas do antipetismo, ou carrega a responsabilidade de o antipetismo - agora fascismo - que deixou crescer, durante anos, sem resistência digna desse nome, bater o martelo em seu projeto de poder, arrasando por completo, no Brasil, com a liberdade e a democracia, nos próximos anos.
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Fernando Haddad dá entrevista para a imprensa internacional.



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Plano Democracia Zero

Quanto vale uma democracia? Quanto valem os direitos humanos? Quanto valem os direitos trabalhistas e sociais que tentam assegurar uma vida digna para os mais pobres. Quanto vale a soberania nacional? Quanto vale a dignidade como nação?

No Brasil, não vale nada. Vale tanto quanto a vida de um negro pobre da periferia.

O que vale mesmo são os carguinhos que os partidos em tese socialdemocratas e liberais poderão obter caso apoiem o fascista Bolsonaro ou declarem “uma fake neutralidade”.

É essa a precificação que esses partidos e esses políticos colocaram no que restou da democracia brasileira, após o golpe.

Eles fingem que essa é uma eleição normal, na qual ficam em lados opostos um representante da esquerda ou centro esquerda e um representante da direita ou centro direita, como soe acontecer em qualquer país civilizado do mundo.

Mas essa é tudo, menos um eleição normal. Em países realmente democráticos e civilizados a oposição entre direita e esquerda se dá dentro dos âmbitos estritos e controlados das regras democráticas. Todos respeitam as regras do jogo e o pacto democrático e civilizatório.

No Brasil, esse pacto, esse contrato social básico, fundamental para a vida em sociedade, começou a se romper com o golpe contra a presidenta honesta e agora ameaça ser totalmente destruído com a eleição de Bolsonaro. É o plano democracia zero.

No Brasil, não há uma simples oposição entre um candidato de direita e outro de esquerda. O que há é uma dicotomia irreconciliável entre um candidato que tem compromisso real com a democracia e a civilização e outro que despreza a democracia e a suas instituições e os próprios princípios civilizatórios.

Bolsonaro, um velho político profissional, que exerce cargos políticos há cerca de 3 décadas, aproveitando-se de regalias e privilégios, sempre declarou, de forma pública e em alto em bom som, com imagens e gravações devidamente comprovadas, seu total desprezo pela democracia e pelos direitos humanos.

Também zurra, em conjunto com seu vice, Mourão, o Ariano, seu racismo chocante e animalesco, sua misoginia constrangedora e sua homofobia assustadora.

Com alarmante frequência, fala em metralhar ou destruir seus inimigos, elogia torturadores, comparando-os a “heróis”, e chegou a declarar em público, em imagem gravada, que o erro da ditadura foi ter matado pouco, e que deveriam ter morrido ao menos 30 mil pessoas.

Não se trata, observe-se, de declarações ou atitudes cometidas no fervor da adolescência ou juventude, que se desfazem com a ponderação que os anos trazem. Não. São declarações e atitudes sistemáticas e reiteradas de um velho político tradicional, que sempre militou nos partidos mais fisiológicos do país e sempre defendeu os interesses dos mais ricos, em detrimento dos interesses do povo.

Pouco antes de receber a facada de um louco assemelhado, Bolsonaro declarou em público que ia “metralhar petistas”. Seus seguidores, insuflados por um ódio cego e irracional ao petismo e a tudo o que for de esquerda ou meramente civilizado, vivem agredindo ou mesmo matando adversários, como ocorreu agora em Salvador, com o assassinato de Moa, criador do Badauê e importante figura cultural da Bahia.

Para se transformarem numa nova SA, as tropas de ataque de Hitler, só faltam os uniformes marrons, os quais, no caso, são eventualmente substituídos pelas camisas amarelas da CBF.

Por isso, Bolsonaro et caterva causam grande alarme em todo o mundo. Mesmo nos meios mais conservadores.

Entretanto, aqui no Brasil PSDB e outros partidos, que em tese deveriam defender as instituições democráticas, fazem cara de paisagem para a debacle anunciada da democracia brasileira, fingem que nada está acontecendo e se declaram neutros, quando não apoiam abertamente a Besta, em busca de cargos e benesses. No Brasil, não há mais democracia, há fisiodemocracia.

O Judiciário, com o Supremo à frente, também faz de conta que está tudo normal e que as “instituições estão funcionando”. Funcionando para quem e para quê? Também, para quem acha que a ditadura de 1964 foi apenas “um movimento”, Bolsonaro é somente mais um candidato. O candidato de mais um inofensivo “movimento”.

Vivemos hoje numa espécie de República de Weimar degenerada. Em novembro de 1932, os nazistas obtiveram penas 33% dos votos alemães, dois milhões a menos que os que tinham obtido nas último pleito. Hindenburg e Papen, achando que o nazistas estavam declinando, aceitaram formar um gabinete com Hitler. Papen foi escolhido sub-chanceler, como forma de controlar Hitler. Nesse período, Hitler moderou seus discursos, jurando fidelidade à Constituição de 1919 e ao Reichstag.

Após o suspeitíssimo incêndio de Reichstag, contudo, Hitler manobrou habilmente para controlar o poder e deu o golpe que o tornou o ditador da Alemanha. Tudo, entretanto, foi votado e oficializado. Tudo foi realizado conforme regras aprovadas. Na Alemanha, as instituições também “estavam funcionando”.

O oligofrênicos que declaram neutralidade ou apoiam Bolsonaro talvez achem, como Hinderburg e Papen acharam, que podem controlar Bolsonaro e sua massa acéfala de protofascistas. Tal como aqueles, se iludem com as inéditas declarações de amor de Bolsonaro à Constituição e às instituições democráticas, falsas como notas de 3 reais, tal qual os discursos moderados que Hitler fez à época.

Não podem. Os golpistas não controlarão Bolsonaro e Bolsonaro não controlará seus seguidores.

A única maneira de derrotar a ameaça fascista no Brasil é apoiar firmemente Haddad e repelir o fascismo e sua contraface: o antipetismo que cevou o fascismo brasileiro.

Os partidos de direita e de “centro”, porém, preferem, como hienas, disputar a carniça dos cargos da apodrecida democracia tupiniquim, a defender as instituições democráticas e a civilização.

É o plano “Democracia Zero”.

Marcelo Zero
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Bolsonaro é ridicularizado nos EUA - assista


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