7 de out de 2018

Ganhadores e perdedores

Globo Overseas é uma grande perdedora


Além das Eleições presidenciais, o Conversa Afiada traz os principais resultados dos Estados:

- em SP, Márcio França (PSB) arrancou na reta final e ultrapassou Paulo Skaf (MDB); França disputará o segundo turno contra João Doria (PSDB). Major Olímpio (PSL) e Mara Gabrilli (PSDB) foram eleitos para o Senado; Eduardo Suplicy (PT), que liderou as pesquisas de intenção de voto desde o início, fica de fora;

- no Rio, a surpresa fica com a disparada de Wilson Witzel (PSC), que vai disputar a Eleição para Governador com Eduardo Paes (DEM) no segundo turno; Flavio Bolsonaro (PSL) e Arolde de Oliveira (PSD) foram eleitos para o Senado;

- em Minas, Dilma Rousseff, surpreendentemente, não foi eleita para o Senado; as duas vagas serão ocupadas por Rodrigo Pacheco (DEM) e Carlos Viana (PHS). O segundo turno para Governador será disputado por Romeu Zema (NOVO) e Antonio Anastasia (PSDB); Pimentel (PT) não será reeleito;

- na Bahia, Rui Costa (PT) atropelou Zé Ronaldo (DEM), o candidato de ACM Neto, e foi reeleito para o Governo do Estado com mais de 75% dos votos;

- no Ceará, Camilo (PT) foi reeleito Governador em primeiro turno com quase 79% dos votos;

- no Maranhão, Flavio Dino (PCdoB) foi reeleito Governador em primeiro turno: mais de 59% dos votos, contra 29% de Roseana Sarney (MDB); dia ruim também para Sarney Filho (PV) e Edison Lobão (MDB), que não vão para o Senado;

- no Piauí, Wellington Dias (PT) também vence em primeiro turno a reeleição para o Governo, com 55% dos votos;

- no Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT) vai disputar o segundo turno para o Governo contra Carlos Eduardo, do PDT;

- em Pernambuco, Humberto Costa (PT) foi o candidato a Senador mais votado; Mendonça Filho (DEM) fica fora;

- na Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB) ficou em quarto lugar na disputa pelo Senado; as duas vagas serão de Veneziano (PSB) e Daniella Ribeiro (PP);

- em Roraima, Romero Jucá (MDB) está fora do Senado; as duas vagas serão ocupadas por Chico Rodrigues (DEM) e Mecias de Jesus (PRB);

Em tempo: Ana Amélia Relho, candidata a vice-presidente, afunda no barco do Santo do Alckmin. Isso não tem preço. Como não tem preço a Bláblárina perder para o Cabo Daciolo. Suspeita-se que ela se enfurne na floresta e só saia de lá quando um cavalo árabe do André Haras Resende se dispuser a resgatá-la.

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Haddad fala ao povo brasileiro sobre disputa do segundo turno!


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PSDB, MDB e pesquisas sofrem derrotas devastadoras, PT resiste e Haddad leva eleição para o 2º turno


A avalanche do candidato neofascista Jair Bolsonaro, registrada com a forte votação de aliados dele no Sudeste, não foi suficiente para uma vitória em primeiro turno.

O candidato neofascista elegeu o filho, Flávio, senador pelo Rio de Janeiro. Além disso, impulsionou seu candidato a governador, o ex-juiz federal Wilson Witzel (PSC), ao segundo turno da disputa pelo Palácio Guanabara, com expressiva votação (mais de 40%).

Em São Paulo, Bolsonaro ajudou a eleger seu aliado Major Olímpio como primeiro colocado no Senado.

O PT sofreu duras derrotas na região: Dilma Rousseff e Eduardo Suplicy não se elegeram senadores em Minas e São Paulo e Lindhberg Farias perdeu a vaga no Rio de Janeiro.

Mas isso parece se enquadrar numa inesperada renovação no Senado: Cristovam Buarque perdeu no Distrito Federal, Magno Malta e Ricardo Ferraço não se reelegeram no Espírito Santo e Roberto Requião ficou de fora no Paraná.

Em Roraima, Romero Jucá (MDB) corre o risco de não se reeleger.

Candidatos ligados ao usurpador Michel Temer fracassaram.

O ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, somou pouco mais de 1% dos votos.

O ex-presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB), não se reelegeu no Ceará.

As pesquisas eleitorais sofreram uma derrota devastadora, já que quase nenhum dos resultados acima foi previsto.

Em Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT) nem passou ao segundo turno.

Mas o PT sobreviveu no Nordeste, reelegendo em primeiro turno os governadores Camilo Santana (Ceará), Rui Costa (Bahia) e Wellington Dias (Piauí).

Jaques Wagner se elegeu senador em primeiro lugar na Bahia.

Além disso, um aliado do PT também se reelegeu em primeiro turno no Maranhão: Flávio Dino (PCdoB).

Dino conseguiu eleger os dois senadores aos quais deu apoio: Weverton (PDT) e Eliziane Gama (PPS), deixando de fora Sarney Filho (PV) e Edison Lobão (MDB).

A mais devastadora derrota foi do PSDB: Geraldo Alckmin, o candidato do partido ao Planalto, ficou com cerca de 5% dos votos — de acordo com as apurações.

Tudo indica que eleitores dele migraram em massa em direção a Bolsonaro.

No Paraná, o ex-governador tucano Beto Richa não se elegeu para o Senado e Marconi Perillo, ex-governador de Goiás, também fracassou na busca por uma vaga no Senado.

A única liderança tucana que sobreviveu, por enquanto, foi João Doria, que passou ao segundo turno em São Paulo com cerca de 33% dos votos — mas os principais adversários dele somaram mais de 50%.

Márcio França, do PSB, virou de última hora, com provável voto útil de petistas, e tem chancer de derrotar Doria no segundo turno. Ele já declarou que não apoiará Bolsonaro.

Derrota pior que a do PSDB foi a de Marina Silva, da Rede, que ficou atrás do cabo Daciolo no voto presidencial — cerca de 1%.

Com 87% das urnas apuradas, Jair Bolsonaro tinha 47% dos votos válidos e Fernando Haddad, 27%. Ciro Gomes, que tentou uma virada de última hora, tinha 12%.

Uma eventual aliança entre Haddad e Ciro abre espaço para uma disputa acirrada com Bolsonaro no segundo turno.

A soma das abstenções, votos brancos e nulos chegou a aproximadamente 28%, o que abre espaço para a reconquista destes eleitores.

O voto antipetista teve grande importância no Sul e no Sudeste, mas Haddad conseguiu compensá-los no Nordeste para evitar uma derrota em primeiro turno.

Ainda assim, Bolsonaro teve votação importante em estados como a Bahia (mais de 20%).

Ao longo da campanha, o candidato neofascista valeu-se de forte atuação de seus eleitores nas redes sociais e no whatsapp, através dos quais disseminaram mentiras e falsificações que podem ter influenciado o voto de milhões de eleitores.

No Viomundo
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Na solitária, em Curitiba, o vitorioso desta eleição

“Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças
Entre eles, considero a enorme realidade
O presente é tão grande, não nos afastemos
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas”

(De Mãos Dadas – Carlos Drummond de Andrade *)

Após 36 anos,o pleito deste domingo (07/10) é o primeiro em que não terá
uma foto de Lula votando.
Há algumas horas as zonas eleitorais espalhadas pelo Brasil a dentro recebem os primeiros eleitores neste domingo 7 de outubro de 2018. Estamos, portanto, ainda distantes – em termos de horas e de minutos – do resultado da opção que 147.306.275 brasileiros poderão depositar nas urnas eletrônica durante o transcorrer do dia. Mas será um domingo que já ganhou papel na História Contemporânea do país. Nele, os brasileiros começarão a decidir se querem prosseguir com a Democracia que a duras penas – e muito sangue, como lembrou Guilherme Boulos – conquistamos com a Constituinte que acaba de completar 30 anos, ou se optarão pelo obscurantismo do tempo da ditadura civil-militar que maltratou a Nação e os brasileiros por 21 anos.

O resultado, pelo que se vislumbra, será a favor da Democracia, O obscurantismo não prevalecerá, segundo indicam as pesquisas de opinião, ainda que o candidato que o represente saia numericamente na frente nessa primeira etapa. Mas não terá a maioria dos votos e a disputa se estenderá até o próximo dia 27, ou seja, por mais três semanas. Tempo que restará às forças democráticas, seja de que estirpe forem, a se aglutinarem na defesa do Estado de Direito e do respeito às leis.

Independentemente de qualquer resultado numérico, porém, neste domingo, um dos grandes – senão o principal – vencedor estará – graças a uma sentença injusta, até por ser política – isolado em uma sala de 15 metros quadrados no quarto andar do prédio da Superintendência Regional do Departamento de Polícia Federal do Paraná (SR/DPF/PR). Por ser final de semana, contará apenas com a companhia dos agentes que fazem papel de carcereiros. Nem sequer os advogados o visitarão.  Nesta a oitava eleição para a Presidência da República no nosso país depois da Constituinte de 1988, faltará um voto.

O de Luiz Inácio Lula da Silva., justamente aquele que, queiram ou não seus adversários, é considerado mundialmente a maior liderança política contemporânea do Brasil. Pela primeira vez, desde que surgiu no cenário nacional como líder metalúrgico, em 1978, carreira que lhe permitiu criar em 1980 o Partido dos Trabalhadores – que, como bem definiu Janio de Freitas em sua coluna deste domingo na Folha de S.Paulo (Ainda mais longe), ao lado do PSOL, foi o que restou de sigla partidária no país – ele, por mais uma decisão injusta do Judiciário Brasileiro, não exercerá seu direito como eleitor. Tal como já advertimos em STF & Lula: omissão, partidarismo e hipocrisia.

Lula, com base em uma sentença contestada por juristas de todas as partes do mundo mas que o Judiciário brasileiro, envolvido com o golpe dado em 2016 na balzaquiana democracia brasileiro, não teve coragem de rever, está recolhido há exatos seis meses (entregou-se no sábado, 7 de abril). Trancafiaram-no na expectativa de lhe retirarem da vida pública e política nacional, como se isto fosse capaz.


Erraram redondamente. Jamais imaginariam, por exemplo, que abnegados seguidores, eleitores e admiradores, vencendo todas as intempéries possíveis – frio, chuva, perseguição de moradores de direita, da polícia paranaense, de delegados psicopatas e de grupos preconceituosos – montassem uma vigília em solidariedade, que marca presença até hoje na porta da SR/DPF/PR.

Inspirado em postagem da minha amiga da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), a doutora em Literatura, Maria Luiza Scher, ouso dizer que permanecem ali, metaforicamente, de “Mãos Dadas” ao preso, como descreve Drummond nos versos de sua poesia que abrem esta postagem, cuja íntegra reproduzo ao lado.

Certamente seus algozes – entre os quais destacamos Deltan Dallagnol (e seus parceiros na Procuradoria da República do Paraná); Sérgio Moro e Carolina Moura Lebbos (na Justiça Federal do PR); João Pedro Gebran Neto, Leandro Paulsen, Victor Luiz dos Santos Laus (do TRF-4); os ministros Félix Fischer (do STJ) e Edson Fachin e a própria Cármen Lucia (do STF), entre outros, inclusive da própria Polícia Federal, além da chamada mídia tradicional – jamais imaginaram que por aquela pequena sala onde tentaram anular  o líder político, fossem desfilar personalidades brasileiras e mundiais em solidariedade àquele que hoje, internacionalmente,  é visto como “preso político”.

Tampouco pensariam que ele, mesmo limitado nas visitas, sem comunicação com o mundo externo, impedido de receber  e conversar com jornalistas, fossem eles amigos pessoais de décadas, como Mino Carta e Fernando Morais, seria capaz de comandar o processo eleitoral, com fortes chances de levar o PT à vitória, justamente o que a sua prisão açodada e inconstitucional quis impedir que acontecesse. O “preso político” já venceu uma primeira batalha,

Um “preso” cuja existência demonstra cabalmente o lado tendencioso de um Judiciário que deveria ser neutro, mas a cada dia mostra que toma partido, politicamente. Exemplo disso é o fato de neste domingo, em Belo Horizonte, o ex-governador Azeredo da Silveira, que também se encontra encarcerado, ter recebido autorização para votar – Justiça autoriza Eduardo Azeredo a votar nestas eleições.

Justificou-se, corretamente, que não tendo sentença transitada em julgado, seus direitos políticos permanecem. Mas os mesmos direitos, mais uma vez, não foram reconhecidos a Lula, cuja condenação não está transitada em julgado e o cumprimento da pena foi apressadamente imposto à revelia do que prega a Constituição. Apenas mais uma hipocrisia de um Judiciário que insiste em comemorar as três décadas de promulgação da Constituinte Cidadão que ele mesmo atropela e não cumpre.

Ainda que seja prematuro fazer previsões sobre o que ocorrerá neste país nas próximas três semanas, é possível arriscar que a Democracia prevalecerá, seja com Fernando Haddad (o mais provável) ou com Ciro Gomes. Os dois únicos candidatos com chances de disputar um segundo turno contra o obscurantismo político. Mas, independentemente de quem for, o certo é que esse país não sairá o mesmo deste pleito.

Por desespero de políticos que se diziam democratas mas não conseguiram encarar as derrotas e total omissão do Judiciário, como bem descreveu Fernando Horta em A promessa está se concretizando, no JornalGGN, já vivenciamos um clima de terror com verdadeiras milícias ameaçando e agredindo minorias, mulheres, negros e gays, através do uso da força. Sentem-se autorizados apenas pelo desempenho do candidato do obscurantismo neste pleito, antes de qualquer resultado das urnas.

Mesmo com a vitória da democracia, restabelecer e fazer prevalecer a civilidade no país não será fácil. Exigirá um esforço concentrado dos chamados democratas, sejam eles de direita, de centro, ou de esquerda. De instituições que marcaram época na redemocratização do país e que recentemente, ou se aliaram aos chamados golpistas – caso da OAB -, ou se omitiram como a ABI e, muitas vezes, a própria CNBB.

Serão estas forças, junto com a mobilização popular, que terão que pressionar as instituições estatais, a começar pelo Judiciário, para retomarem seu papel de fazer cumprir as leis e, principalmente, a Constituição.

Um esforço que começa já na noite deste domingo, tão logo se conheça quem irá, no segundo turno, disputar contra o obscurantismo. Independentemente de quem for, terá que ter o apoio de todos os democratas, caso não se queira deixar o país caminhar para a barbárie. Inclusive e principalmente do preso político que, indevidamente, se tentou isolar em uma sala da Polícia Federal, em Curitiba.

Portanto, mãos à obra.

(*) O poema de Carlos Drummond de Andrade surgiu aqui por inspiração da postagem feita no Facebook poe Maria Luiza Scher, doutora em literatura, da Faculdade Federal de Juiz de Fora.

Marcelo Auler
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A mídia viúva

Pela primeira vez, desde o fim da ditadura, o candidato preferido dos meios de comunicação não é competitivo

Desta feita,o ungido não emplaca
Até 1º de outubro, a cobertura política e eleitoral da mídia mostrava sinais de continuidade e de excepcionalidade. Onde residia a continuidade? Desde o advento da Nova República até a disputa de 2014, os meios de comunicação do País têm sistematicamente apoiado candidatos de direita ou centro-direita.

Se descontarmos a eleição de 1989, quando promoveram Fernando Collor, do nanico PRN, o apoio tem sido emprestado ao PSDB contra o representante da vez do PT. Esse apoio se manifesta, na prática, em cobertura extremamente enviesada, na qual o candidato petista é alvejado com todo tipo de notícia negativa, geralmente associada a escândalos, enquanto o tucano é poupado ou mesmo promovido.

No site do Manchetômetro, essa atuação está documentada nas eleições de 1998, 2010 e 2014. Comparamos 1998 com 2014 – duas campanhas por reeleição, envolvendo os mesmos partidos (PSDB e PT) e em contextos de crise econômica, bem mais forte em 1998 do que em 2014.

Fernando Henrique recebeu, em 1998, cobertura altamente positiva, a despeito da crise e do “escândalo” da compra de votos de deputados para a emenda da reeleição, noticiada pontualmente, mas não explorada pelos meios. Enquanto Lula, que nunca tinha ocupado um cargo majoritário, recebeu cobertura bem mais negativa do que aquela do presidente tucano.

Quando a candidata à reeleição era do PT, em 2014, a situação recebeu tratamento bastante contrário por parte da mídia. Dilma Rousseff foi alvo de todos os tipos de citações negativas, enquanto Aécio Neves, seu contendor, foi poupado, apesar de seu nome já estar ligado a escândalos de corrupção, entre eles o uso privado do aeroporto de Cláudio, no interior de Minas Gerais, e a construção da Cidade Administrativa em Belo Horizonte.

Em 2010 tivemos também uma campanha massacrante contra Dilma e o PT, a partir da fabricação midiática de vários escândalos, como o vazamento dos dados fiscais da filha de José Serra, que rendeu seguidas manchetes dos principais jornais durante a campanha, e aquele que foi a epítome: o escândalo da bolinha de papel atirada na cabeça de Serra.

Para além das análises do Manchetômetro, uma extensa literatura acadêmica dos estudos de mídia documenta, por meio de variadas metodologias, esse comportamento bastante previsível dos meios de comunicação eleição após eleição.

Mas a presente disputa começou a se configurar de maneira diversa. Além da troca da candidatura do PT, tivemos um fator bastante novo. Com Lula fora do páreo, as pesquisas de intenção de voto passaram a mostrar a liderança de um candidato de extrema-direita, Jair Bolsonaro, do PSL.

O candidato do PT, Fernando Haddad, consolidou-se em segundo lugar, com viés de crescimento. Geraldo Alckmin, do PSDB, não conseguiu passar da barreira do dígito único das intenções de voto até uma semana antes do pleito.
Observemos o gráfico da cobertura recebida por Haddad ao longo do ano de 2018 exibido nestas páginas. Ele era praticamente ignorado antes de se tornar candidato. A partir do momento em que seu nome passou a ser aventado para substituir Lula, sua cobertura se intensificou, atingindo uma proporção de quase 1 para 1 de neutros e negativos no último mês.

Agora vejamos os números da cobertura de Alckmin, o candidato do partido adversário histórico do PT. O tratamento recebido pelo tucano confirma em parte a tese da continuidade do comportamento tradicional de viés da mídia.

O número de notícias contrárias é bastante alto, em média, para um candidato do PSDB em ano de campanha. Aécio e Serra tiveram tratamento bem mais benevolente. Ademais, Alckmin foi objeto de cobertura bastante negativa em abril, devido a escândalos de corrupção associados à sua gestão, aos quais a mídia deu alguma atenção.

A despeito dessas anomalias, ao entrarmos no período oficial de campanha, sua razão entre neutras e contrárias é de 2 para 1, ou seja, duas vezes maior que aquela de Haddad. Tal resultado é confirmado pela comparação do número absoluto de contrárias recebidas pelos candidatos no mês de setembro: Haddad teve 80, enquanto Alckmin não chega a 40.

Enquanto isso, analisemos o gráfico referente ao tratamento dispensado a Bolsonaro. Se, por um lado, foi noticiado mais do que qualquer outro candidato, o que é melhor do que não ser noticiado, o ex-militar recebeu uma cobertura com perfil ligeiramente mais negativo do que aquela recebida por Haddad.

Caso as tendências reveladas pelas pesquisas se confirmarem e Bolsonaro e Haddad passarem para o segundo turno, contudo, entraremos em terreno não explorado. A mídia nunca enfrentou na Nova República um segundo turno sem um candidato de sua preferência. A questão que se coloca é: como se comportarão os meios perante esse cenário?

Alguns sinais recentes parecem apontar para uma última tentativa de apoiar o candidato do PSDB por meio do discurso de demonização da polarização política entre Bolsonaro e o PT. Em editorais, O Globo, Estadão e Folha de S.Paulo defenderam a tese de que tanto Bolsonaro quanto o Partido dos Trabalhadores representam uma ameaça à democracia, embora o último tenha governado o País por 13 anos seguidos em clima de plena normalidade.

A delação de Antonio Palocci, vazada por Sergio Moro seis dias antes do pleito, e denúncias recauchutadas contra Lula e Haddad aproximam agora o padrão atual de cobertura daquele utilizado em eleições anteriores.

Estaríamos testemunhando um último esforço desesperado para mudar o resultado do primeiro turno, ou uma mudança mais profunda de apoio ao candidato da extrema-direita? Saberemos em breve.

João Feres Júnior, Professor de Ciência Política do IESP-UERJ, o antigo Iuperj. Coordenador do Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA) e do Laboratório de Estudos da Mídia e Esfera Pública (LEMEP), que abriga o site Manchetômetro (http://www.manchetometro.com.br) e o boletim semanal Congresso em Notas (http://congressoemnotas.tumblr.com)
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Por que voto em Haddad


O ambiente político do Brasil de 2019 será necessariamente conflagrado. Não é necessário ser astrólogo ou vidente para antever isso. Numa analogia, nós cidadãos livres e democratas brasileiros podemos nos sentir como os heróis aliados que desembarcaram na Normandia em 1944.

Do mar, miravam tensos e cheios de coragem a França ocupada pelos nazistas e por franceses colaboracionistas. Muitos morreram como alvo, ainda nos paraquedas. Milhares morreram na praia. Escondidos em bunkers e casamatas, os apoiadores de Hitler se sentiam onipotentes e inexpugnáveis. A libertação da Europa começava ali, e naquele desembarque escreveu-se uma página memorável da liberdade.

Pela primeira vez na história de nossa República chega-se ao dia da eleição tendo-se a certeza de que o resultado do voto popular pode estar contaminado por um veneno capaz de matar a própria democracia – no nosso caso, tisnada já pelo golpe parlamentar de 2016 que apeou do poder uma presidente sem a caracterização clara de crime de responsabilidade. Nem com Jânio Quadros, em 1960, nem com Fernando Collor, em 1989, o enredo transcorreu dessa forma.

Ícones da direita brasileira e igualmente desprovidos de coluna vertebral política, assim como Bolsonaro, Jânio e Collor se elegeram a partir de discursos populistas e embalados por uma esperança difusa da população. Mas ao menos projetavam esperança. Nenhum dos dois completou o mandato. Um renunciou dizendo enxergar inimigos ocultos e bruxas em Brasília. O outro foi cassado por corrupção.

Nem Collor nem Jânio gozavam de prestígio entre os operadores da política. A política exige operadores frios, experientes, republicanos e democratas – assim como o direito também os exige e os tem.

Neste 2018, que é ano par de uma estranheza ímpar, o radical de extrema direita politicamente amorfo, posto ser desprovido de espinha dorsal no sistema, chama-se Jair Bolsonaro e não projeta esperança alguma – só ódio e preconceito. Prega medos difusos e é defendido por espertalhões travestidos pelo manto bíblico do fanatismo religioso.

A renúncia de Jânio Quadros lançou o país numa conflagração que terminou no golpe militar de 1964 e na longa noite de 21 anos da ditadura militar, em que pese a habilidade política de Tancredo Neves, o respeito que se tinha a San Thiago Dantas, a sofisticada costura política de Juscelino sentado em sua cadeira de senador. Todos eles foram fiadores, em algum momento, da presidência de transição de João Goulart (que também não era nenhum extremista).

A cassação de Collor, ao contrário, converteu-se na confirmação dos acertos de nossa consolidação democrática. O vice-presidente Itamar Franco assumiu a Presidência com seu ar de parvo, seu comportamento de outsider, mas se revelou um régio cumpridor dos compromissos para com a Constituição e a restauração política. Itamar dispunha de interlocução profunda no Congresso, pontes com os sindicatos e a sociedade civil e gozava ao menos do respeito com ar blasé do Judiciário.

Não é assim agora.

Sem projetar esperança alguma, sendo o canhão tosco e desconcertante de ódio que não esconde ser, Jair Bolsonaro não possui aptidão para o necessário jogo do poder. Não goza nem da confiança, nem do respeito dos demais poderes da República. Não inspira liderança aos seus, longe disso: desperta o senso de oportunidade em gente que jamais alcançou o respeito em seus habitats naturais e agora enxerga o atalho da proximidade com o candidato melhor posicionado nas pesquisas de intenção de voto como caminho para a glória – é o caso de Onyx Lorenzoni, Magno Malta, Gustavo Bebianno, Hamilton Mourão, Silas Malafaia e os filhos do presidenciável. Quanto a Paulo Guedes, o mercado financeiro, onde se criou, sabe a dimensão mitômana de sua alma.

Fernando Haddad é a negação a isso. Não é preciso ser petista para se tornar eleitor dele –e esse, a propósito, vem a ser meu caso.

A única filiação partidária que tive, aos 19, 20 anos, foi ao PSDB. Depois, a vida profissional obrigou-me a esquecer qualquer pretensão de ter vida partidária.

Nas 7 eleições presidenciais que tivemos desde 1989 votei 3 vezes em candidatos que não eram do PT – Mário Covas (1989), Ciro Gomes (2002) e Marina Silva (2014, em homenagem ao meu amigo Eduardo Campos) – nos primeiros turnos. Sempre encarei o 2º turno como aquilo que ele deve ser: o momento da depuração dos projetos, da construção do encontro da sociedade com a proposta política acordada nas urnas que a pautará nos 4 anos seguintes.

Haddad, homem de sólida formação tanto acadêmica quanto na lide democrática, tem uma virtude hoje escassa entre os políticos de proa: sabe ouvir o outro. Discordando, sabe explicar as razões da discórdia. É do tipo que opta por caminhos vislumbrando e analisando os cenários que poderão vir em revés.

Seu diapasão intelectual permite-o reunir à sua volta personalidades díspares como os economistas Marcos Lisboa e Samuel Pessoa, mas também Laura Carvalho e o cientista social Celso Rocha de Barros. Ele senta à mesa com Guilherme Boulos e com os empresários Josué Gomes da Silva e Walfrido dos Mares Guia. Dialoga com Lula e com Fernando Henrique Cardoso sabendo ouvir de cada um desses ex-presidentes o melhor que têm a dizer –filtrando-lhes os exageros e os partidarismos. São só exemplos, e esses paralelos podem ser elencados e reproduzidos à farta.

Ao escolher Emídio de Souza como interlocutor central com o PT "de raiz", afastando-se paulatinamente de nomes que mais estreitavam e atrapalhavam o diálogo com núcleos mais amplos e não petistas da cena política, Haddad revelou uma habilidade de iniciado. Não se mostrou um iniciante aventureiro e arrivista.

Emídio é hoje, no PT, a ponte mais sólida entre o passado que precisa ser restaurado e procura os caminhos legais e institucionais para isso, e o futuro que urge ser construído. Nisso, faz dupla com Jaques Wagner, que deve ser eleito senador pela Bahia e terá mais tempo para se dedicar à campanha presidencial a partir daí. Wagner é também um dos mais amplos quadros desse PT que representa, inegavelmente, uma considerável parcela dos anseios dos brasileiros.

Tenho certeza que nas 3 semanas de campanha que teremos no 2º turno, numa disputa entre Fernando Haddad e Jair Bolsonaro, as qualidades do candidato do PT serão realçadas ante à ausência de requisitos políticos, morais e intelectuais do ex-capitão do Exército.

Será o momento não só de a maioria do eleitorado brasileiro descobrir que o ex-prefeito de São Paulo é o melhor quadro de sua geração – disputava esse posto com Eduardo Campos – e representa tudo aquilo que desejam os cidadãos ansiosos por escutar alguma autocrítica do PT antes de dar novamente um voto a um petista.

Haddad, por formação e por convicção, não reproduzirá erros partidários. Não fez isso na Prefeitura de São Paulo nem no Ministério da Educação. Foi essa atitude rígida que dificultou seu trânsito inicial dentre os nomes mais antigos do partido.

Haddad possui duas qualidades que Fernando Henrique Cardoso gostava de citar, nos preâmbulos de suas entrevistas no Palácio da Alvorada, como inexoráveis aos candidatos a estadistas: saber rir de si mesmo e diminuir o tamanho das crises quando elas entram em seu gabinete.

Imaginar que alguém será capaz de sufragar o arrivismo estreito, obtuso e obscurantista de Jair Bolsonaro tendo à disposição a biografia e o espírito amplo e aberto de Fernando Haddad é algo que entristece e choca.

O candidato petista é quem tem a melhor estrutura, o maior preparo e a frieza necessários para contemplar a praia e o teatro de operações depois dos combates que serão travados entre 7 e 28 de outubro e desarmar as minas e as bombas ativadas pelos antagonistas em conflito.

Os aliados que desembarcaram na Normandia, em 1944, eram britânicos, americanos, canadenses, australianos, franceses e italianos arregimentados na resistência, um ou outro holandês ou belga foragido. Como aqui, hoje, o desembarque nas urnas desse 7 de outubro vale ser feito sob qualquer bandeira. Ele não pode ser feito, contudo, sob a bandeira do ódio, da misoginia, da violência, do retrocesso arregimentados por um único candidato que fugiu do debate político e quer ser ungido em nome do medo.

O que os uniu os aliados no passado foi o espírito democrático e a gana por lutar até o fim para derrotar o mais bárbaro dos inimigos. Uniram-se para vencer a maior ameaça já enfrentada pela humanidade até aquele momento: Hitler.

Guardadas as proporções, mas com os mesmos sinais de alerta ligados porque o histrionismo boçal de Bolsonaro é um arremedo tupiniquim e bissexto do hitlerismo, qual um Führer de hospício, confio fortemente na aliança dos democratas de diversos matizes até a vitória da democracia e da liberdade em 28 de outubro.

Voto em Haddad desde o 1º turno, e confirmarei esse voto no 2º turno, porque vejo nele a reunião de qualidades escassas em muitos políticos. Além disso, é o antagonista de um outro candidato que significa ameaça real e objetiva às nossas conquistas democráticas. Fernando Haddad projeta esperança. Seu adversário, ódio, divisões, rupturas.

Luís Costa Pinto
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2º turno é oportunidade para eleitor refletir melhor

Despreparo de Bolsonaro não foi exposto na 1ª fase

https://www.blogdokennedy.com.br/2o-turno-e-oportunidade-para-eleitor-refletir-melhor/
Deputado medíocre e despreparado do ponto de vista administrativo para presidir o Brasil, o candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, tem uma carreira política recheada de atitudes e declarações machistas, homofóbicas, autoritárias e de incentivo ao ódio e à violência. De modo geral, há inúmeras falas preconceituosas e antidemocráticas.

Diante desse cenário, a realização do segundo turno da eleição presidencial será uma importante oportunidade para o eleitor refletir com mais calma sobre qual destino o Brasil seguirá nos próximos quatro anos. Pesquisas do Datafolha e Ibope divulgadas ontem apontam que dificilmente haverá desfecho da corrida presidencial na primeira etapa.

O primeiro turno ocorreu num clima de agressividade alto e raro nos pleitos presidenciais desde a redemocratização - mais violento do que a disputa de 2014 entre Dilma Rousseff e Aécio Neves.

É bom para o eleitor ter tempo de comparar as duas propostas que chegarão à fase final. Na campanha, Bolsonaro não se submeteu ao contraditório como os demais candidatos. Com exceção da entrevista ao “Jornal da Nacional” e a ida a dois debates, ele fez campanha numa zona de conforto, sendo beneficiado por uma safra enorme de fake news nas redes sociais.

O economista Paulo Guedes, cotado para ser ministro da Fazenda numa eventual gestão do PSL, está calado há cerca de 15 dias por ordem de Bolsonaro.

Ao demonizar a classe política, a Lava Jato ajudou a quebrar a polarização entre PT e PSDB, abrindo espaço para Bolsonaro. Apesar do lado positivo de combate à corrupção, teve efeito negativo parecido com o das Operações Mãos Limpas na Itália, que resultou em Silvio Berlusconi.
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Ampla maioria dos eleitores de Ciro e Alckmin vai de Haddad no segundo turno

Na etapa final da eleição, segundo o Datafolha, 67% dos eleitores do pedetista no primeiro turno vão votar em Fernando Haddad no segundo

Ricardo Stuckert
A última pesquisa Datafolha, divulgada neste sábado (6), aponta que 80% dos eleitores de Ciro Gomes rejeitam Jair Bolsonaro. E um eventual segundo turno entre Fernando Haddad e o militar, 67% dos eleitores do pedetista no primeiro turno vão votar em Haddad. E não é só: dos que escolheram Geraldo Alckmin no primeiro, 45% preferem Haddad a Bolsonaro na etapa final, 32% optam pelo capitão e 22% não sabem.

De acordo com informações da coluna Painel, da Folha de S.Paulo, Haddad deve mudar um pouco a estratégia de campanha no segundo turno. A ideia é mostrar mais a ligação dele com a família e com a religiosidade. O petista será apresentado como homem de fé, marido e bom pai, reverente aos patriarcas, como o avô Cury Habib Haddad, sacerdote da Igreja Ortodoxa.

A maior exposição da vida pessoal de Haddad faz parte da estratégia que visa neutralizar fake news que se espalharam na reta final do primeiro turno. Como o próprio Painel divulgou na sexta-feira (5), o petista fará um apelo à união em torno de seu nome, logo que sair o resultado da votação.

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Ex-estudante de medicina cubana que pediu asilo em Honduras voltará ao Brasil


Esta semana recebi uma carta datilografada que me trouxe muita emoção e esperança pois ela trazia notícias alvissareiras, as quais só seriam possíveis na nova era que está brilhando em nosso horizonte. A missiva a mim endereçada provinha daquela ex-estudante de medicina cubana que morava nas ruas em São Paulo, após fugir do comunismo cubano, e que teve que fugir de novo para Honduras após a vitória da Dilma no Brasil.

Seu nome é Magda Esperanza Goebbels, e veio ao Brasil para fugir do comunismo, mas não sabia que o nosso país também era dominado pelo comunismo petista, tendo acabado vivendo nas ruas em São Paulo até que, ajudada pela ciclista godiva, conseguiu ir à Brasília pedir asilo à embaixada de Honduras, pois aquele país centro-americano foi o primeiro a derrotar as hostes comunistas com o auxílio da suprema corte de lá.

Ela me contou na carta que após chegar em Honduras como refugiada do marxismo, viveu tranquilamente nas ruas de Tegucigalpa, a capital hondurenha, onde se sentia livre e segura, longe da ameaça bolchevista de Cuba, nação onde as pessoas vivem na pobreza e não tem nada de posses ou bens materiais, uma tristeza.

Mas o mais importante da carta, é que Esperanza renasceu em si toda a esperança que o povo  alcança, neste momento, onde o novo estado brasileiro, remido das chagas petistas, entrou nos trilhos certos, garantidos pelos tribunais maiores,que decidem não à luz de uma constituição comunista, mas de acordo com as diretivas necessárias para derrotar o bolchevismo e manter o estado forte e poderoso, a serviço dos homens bons e contra a gentalha reles, entregando o poder a um líder escolhido manter a ordem, combatendo os elementos comunistas, mantendo a higiene racial, impedindo a insubmissão feminina, defendendo a masculinidade ameaçada, e garantindo que os patrões não sejam desrespeitados pelos serviçais.

Em suma, é a realização do sonho de qualquer latino-americano em viver numa pátria sem o peso do comunismo. Magda disse que não vê a hora de regressar ao Brasil para novamente tentar a vida, e disse que acaba de ganhar uma passagem de avião da Fundação Ford, para que possa realizar este sonho que, digo eu, não é só dela, mas de cada brasileiro que combateu o marxismo neste país.

Alvíssaras!

Professor Hariovaldo
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2018, déjà-vu de 1989

Bolsonaro é um Collor mais raivoso. Haddad reencarna o trabalhismo. Salvo mudanças de última hora, este será o confronto

“Será um segundo turno altamente radicalizado. É preciso sangue-frio", projeta o petista Ricardo Berzoini
Um em cada quatro brasileiros aptos a votar agora em outubro nasceu de 1989 em diante, o ano em que o povo escolheu o presidente após mais de duas décadas de ditadura. Esses, vá lá, jovens poderão testemunhar o que talvez tenham ouvido em casa ou aprendido na escola sobre a histórica eleição do jingle Lula-lá.

Um duelo final movido, de um lado, pelo anticomunismo, fantasmas de que os valores morais, cristãos e da família estão ameaçados por gays e ateus, de que a propriedade corre riscos, com o reacionário Jair Bolsonaro a cumprir de modo ainda mais raivoso o papel de Fernando Collor há 29 anos.

Na outra trincheira, de novo o velho partido da estrela vermelha, com uma campanha com ares de luta de classes, pelos pobres e trabalhadores, disposto a revidar à altura os ataques bolsonaristas, acusá-lo de reencarnação da ditadura que tratava pobre a cassetete e rico a pão de ló.

Seu boxeador será Fernando Haddad, a contar, porém, com a onipresença do Sapo Barbudo de 1989, ainda que Lula esteja preso e silenciado pela toga. “Será um segundo turno altamente radicalizado. Vai exigir sangue-frio”, diz Ricardo Berzoini, integrante do QG petista.

Um segundo turno Bolsonaro vs. Haddad é o cenário apontado nas últimas pesquisas. Em um Ibope da véspera, o deputado tinha 36% e o ex-ministro, 22%. O Datafolha mediu o mesmo índice para os líderes. Em relação aos votos válidos, que excluem brancos e nulos, Bolsonaro varia entre 40% e 41%, ainda distante dos 50% necessários para vencer no primeiro turno. 

O terceiro colocado, Ciro Gomes, do PDT, registra entre 11% e 13%. Na quarta-feira 3, o pedetista fez um último lance para tentar romper a polarização, ao acenar em público a Geraldo Alckmin, do PSDB, e Marina Silva, da Rede, para que os três se unissem – com ele à frente, claro.

A dupla não topou, mas havia entre muitos eleitores inclinados a Haddad, sobretudo jovens, quem se perguntasse se não seria melhor optar por Ciro, dado que as pesquisas o indicavam como mais habilitado a vencer Bolsonaro (45% a 41% no Ibope, 47% a 43% no Datafolha) do que Haddad (41% a 45% no Ibope, 43% a 45% no Datafolha).

Embora remoto, há outro risco ao duelo final, o de uma vitória do deputado do PSL no primeiro turno, um objetivo de sua campanha, devido à rejeição recorde do candidato (de 43% a 44%, a depender do levantamento).

Após decolar nas pesquisas dias depois de substituir Lula como presidenciável do PT, Haddad viu a sua própria rejeição galopar nos derradeiros dias do primeiro turno. Para a campanha petista, havia duas explicações.

Uma foi a propaganda de Alckmin na tevê, a mais longa. Para tentar tirar votos de Bolsonaro, o tucano apostou na pregação de que o candidato da extrema-direita perderia para o petista no segundo turno, o que transmitiu ao eleitorado a ideia de que o PT era o mal maior.

A outra explicação foi uma ação aparentemente bolsonarista nos subterrâneos direcionada aos evangélicos. Haddad convocou uma entrevista na quarta-feira 3 para contar que seus aliados tinham identificado o envio de milhões de mensagens via WhatsApp com “acusações muito vulgares” contra ele e sua família.

As mensagens faziam alusão ao chamado kit gay, cartilha educacional de combate à homofobia que, entre os conservadores, é sinônimo de apologia da homossexualidade, uma polêmica surgida em 2011, quando Haddad ocupava o Ministério da Educação.

A campanha bolsonarista aposta todas as fichas na comunicação via internet. O deputado tem a maior tropa cibernética e seu eleitor é quem mais usa as redes sociais para se informar, conforme o Datafolha.

Uma operação facilitada porque, segundo uma recente pesquisa global do instituto Ipsos, o brasileiro é, no planeta, o que mais acredita em fake news, anglicismo para definir a velha mentira. A propósito, em um segundo turno, os dois candidatos terão o mesmo tempo de propaganda na tevê e no rádio.

Entre os evangélicos, Bolsonaro tinha 40% contra 15% de Haddad no primeiro turno e 50% a 35% no segundo, conforme o Datafolha, enquanto entre católicos havia certo equilíbrio, 29% a 25% para o deputado do PSL no duelo inicial e 44% a 39% para Haddad, no final.

As principais lideranças evangélicas estão com o deputado. No sábado 29, o “bispo” Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus e da TV Record, declarou seu apoio. Dias antes, tinha sido o “bispo” Rodovalho, da igreja Sara Nossa Terra e presidente da Confederação dos Conselhos de Pastores do Brasil. Para Rodovalho, Bolsonaro é “o único que empunhou a bandeira da vida, da família, da igreja, da livre economia, da escola sem partido e contra a ideologia de gênero”.

O líder da bancada evangélica no Congresso, o deputado Hidekazi Takayama, do PSC do Paraná, bolsonarizou com o argumento de que esquerda é sinônimo de ateísmo.

Devido a “valores morais”, é possível que as manifestações #EleNao de 29 de setembro, lideradas por feministas, tenha produzido efeito reverso. Na véspera, Bolsonaro atingia 27% no Ibope e 28% no Datafolha. A rejeição ao petista ia de 27% a 32%. Imediatamente após os atos, o capitão reformado subiu para 32% e a rejeição a Haddad, a 40%.

Aquilo que para a, digamos, parcela civilizada do País foi o máximo, o Brasil profundo viu de modo contrário.

Ainda na cama de hospital, Bolsonaro comentara na Band que o #EleNão do dia seguinte era uma tentativa de artistas de cooptar as “mulheres e mães conservadoras” do Brasil.

No domingo 30, um de seus filhos, Eduardo, disse em São Paulo, em um ato pró-pai, que as mulheres de direita são mais bonitas que as da esquerda. "Elas não mostram os peitos nas ruas e nem defecam nas ruas. As mulheres de direita têm mais higiene.” Um absurdo para a parcela civilizada, música para certos ouvidos.

Em março, o arquiteto da vitória de Donald Trump, Steve Bannon, foi a um encontro da extrema-direita francesa e recomendou: “Deixem que nos chamem de racistas e xenófobos, encarem isso como uma medalha. A cada dia ficaremos mais fortes e eles, mais fracos”.

Para alguns pensadores norte-americanos, Trump triunfou graças a questões comportamentais e identitárias marcantes na campanha de Hillary Clinton.

Mark Lilla, cientista político da Universidade Colúmbia que estará em novembro no Brasil paea palestras em São Paulo e Porto Alegre, escreveu um artigo dias depois da eleição dos EUA, em novembro de 2016, no qual teoriza que Hillary não atingiu o coração de eleitores suficientes, pois preferia se dirigir a grupos específicos, como mulheres, latinos, negros e gays.

Celebrar a diversidade, escreveu Lilla, “é um princípio esplêndido da pedagogia moral -  mas desastroso como base para a política democrática em nossa era ideológica”. Alcançar mais eleitores exigiria dar mais importância às condições econômicas de vida, à classe social.

Talvez por isso o senador Bernie Sanders, autodeclarado socialista, tivesse mais chances do que Hillary, segundo pesquisas, de bater Trump naquela eleição.

Diante do novo cenário na eleição brasileira, o QG petista reuniu-se na terça-feira 2, em São Paulo, e decidiu antecipar para a última semana de campanha a disputa que havia reservado para a última etapa. Em resumo, priorizar a via econômica, a luta de classes.

Naquele dia, Haddad foi ao Rio de Janeiro e discursou: “Eu sou trabalhista, eu acho que o trabalhismo deu muito certo no Brasil. O fascismo não vai dar”. Um dia depois, em São Paulo, repetiu a dose: “Nós somos um partido com 2 milhões de filiados e queremos honrar a tradição trabalhista que no meu entendimento é o que vai tirar o País da crise. Apoiar o trabalhador, aumentar o poder de compra do salário, ampliar os empregos, é isso o que vai tirar o País da crise”.

A primeira reforma prometida pelo petista, se eleito, é a tributária. “Os muito ricos no Brasil não pagam impostos, quem paga imposto é pobre. Os pobres precisam pagar menos para voltar ao mercado de consumo e reativar a economia. E compensar isso com os muito ricos pagando um pouco, que hoje eles não pagam nada.”

A intenção é acabar com a isenção de Imposto de Renda nos lucros e dividendos recebidos por acionistas de empresas. Essa mamata existe aqui, na Estônia e só, obra de Fernando Henrique Cardoso em seu primeiro ano no poder, 1995.

O Brasil tem 28 milhões de contribuintes, dos quais cerca de 70 mil recebem lucros sem pagar IR como cidadãos, segundo dados da Receita Federal. Um pessoal que embolsa 100 mil, 200 mil, 300 mil reais mensais. Nas contas do PT, a taxação dos dividendos poderia gerar 80 bilhões de reais por ano, suficiente para investir em obras e em projetos sociais.
De quebra, haveria espaço para reduzir o imposto de assalariados que ganham até uns 5 mil reais, isenção que hoje equivale a 1,9 mil reais. Com mais dinheiro no bolso, esses trabalhadores teriam uma folga para consumir e estimular a retomada do crescimento.

A proposta soma-se às promessas de retomada da geração de empregos no ritmo do lulismo que deu certo, até o fim do primeiro mandato de Dilma Rousseff, cerca de 20 milhões de vagas. Hoje, o País tem 12,7 milhões de desocupados, 1,3 milhão a mais do que quando Michel Temer assumiu.

Além disso, 4,8 milhões desistiram de buscar vaga por considerar inútil a tentativa, 1,8 milhão a mais do que na época do afastamento de Dilma.

“Se a gente acha ruim o governo Temer, não pode imaginar o que é o Paulo Guedes no comando da economia do País. É um cara que não tem limites para cortar direitos da população, do trabalhador, da mulher, não tem limites”, disse Haddad a uma plateia de metalúrgicos da Força Sindical em Curitiba. “É um neoliberal de um radicalismo que chega às raias da crueldade.”

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O petista empunha a bandeira da lutade classes. O ex-capitão e Guedes, o “PostoIpiranga”, encarnam o ultraliberalismo

Guedes é o guru econômico de Bolsonaro, apontado como futuro superministro da Economia em um governo do capitão reformado. Um Chicago Boy cujas ideias fazem com que todas as principais centrais sindicais tenham se unido contra o deputado do PSL no fim de setembro.

“O horizonte que ele (Bolsonaro) nos apresenta é de um país marcado pela exploração do trabalhador, pela violência, pelo racismo, pela discriminação, pela repressão, pela dilapidação do patrimônio nacional, pelo desrespeito aos direitos humanos e pelo desrespeito aos direitos democráticos, garantidos na Constituição, e ameaça de retorno da ditadura militar”, descreve uma nota conjunta das centrais.

Autor de um livro sobre corrupção no regime dos generais (1964-1985), Estranhas Catedrais, o historiador Pedro Henrique Campos, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, diz que a “tática do ‘Posto Ipiranga’ do candidato Bolsonaro, de afirmar que não entende nada de economia” e de delegar tudo na área a Guedes “muito se assemelha de certa forma ao exercício de poder na ditadura”.

Naquela época, os generais também delegaram o comando da economia a civis afinados com o capital, enquanto eles próprios, os fardados, estabeleciam relações promíscuas com multinacionais estrangeiras, uma das principais razões para a corrupção daquele tempo.

Às vésperas do golpe de 1964, ou melhor “do movimento de 1964”, nas vergonhosas palavras do presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, o 1% mais rico do Brasil mordia de 17% e 19% do PIB. Aí vieram os generais e o naco subiu a 26% em 1971, segundo um estudo de 2015, “A Desigualdade Vista do Topo: A Concentração de Renda Entre os Ricos no Brasil, 1926-2013”, de Pedro Herculano Guimarães Ferreira de Souza, pesquisador do Ipea.

A explicação foi a política econômica daquele tempo: redução de impostos dos ricos, arrocho salarial nos trabalhadores.

É um modelo parecido com aquele defendido por Paulo Guedes e pelo vice de Bolsonaro, o general da reserva Antonio Hamilton Mourão. O reservista diz e repete que o 13º é um problema, “uma mochila nas costas de todo empresário”, apesar de o candidato ter implorado por seu silêncio, pois “ele não tem malícia”, conforme Bolsonaro disse à Band em 28 de setembro.

Guedes é outro que sumiu de cena por ordem do chefe. Não se dizem certas verdades em uma campanha. Até o pito, o economista adiantara várias de suas pretensões, basicamente “propor coisas duras”, como afirmou em 23 de agosto à GloboNews. Para ele, a reforma trabalhista de Temer foi pouco profunda, é preciso cortar encargos, ou seja, direitos. É o objetivo da carteira de trabalho verde-amarela, parte do plano de governo de Bolsonaro.

Em uma conversa reservada com alguns milionários em setembro, Guedes adiantou que quer unificar as alíquotas do IR em uma só, de 20%, segundo a Folha, o que é o oposto da proposta de Haddad, pois aliviaria os mais ricos e puniria a base da pirâmide.

Diante dos planos bolsonaristas, a maioria dos empresários está com ele, e de forma ativa, a satanizar o PT. Em um recente manifesto pró-Bolsonaro, a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil, que diz reunir cerca de 2 milhões de patrões, afirmou: “Não podemos permitir que o Brasil dê um passo para trás e que condenados pela Justiça e envolvidos com comprovados esquemas de corrupção voltem a governar o nosso País”.

O texto é assinado pelo presidente da entidade, George Teixeira Pinheiro, empresário do setor hoteleiro no Acre, aquele estado onde Bolsonaro prometeu “fuzilar a petralhada”, enquanto simulava, com um tripé de câmera, ter uma metralhadora nas mãos.

Pinheiro é, ou ao menos foi, um entusiasta de Temer, com quem confraternizou alegremente em um evento no Palácio do Planalto nos primeiros dias do emedebista no poder, após o impeachment.

Em Santa Catarina, dois empresários divulgaram sermões bolsonaristas e anti-esquerda dirigidos aos funcionários. Um foi Denisson Moura de Freitas, dono da fabricante de ar-condicionado Kameco, fornecedora de equipamentos na Olimpíada de 2016, no Rio de Janeiro.

Em um áudio gravado e transmitido via celular, Freitas pediu aos empregados que usassem camisetas e adesivos pró-Bolsonaro durante uma semana de trabalho, a “semana Bolsonaro”. O PT recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral contra o deputado do PSL, com a alegação de abuso de poder econômico. Neste ano, está proibida a doação empresarial de campanha, e a colaboração da Kameco seria doação disfarçada.

O outro catarinense bolsonarista é Luciano Hang, dono da loja de departamentos Havan. Em um vídeo a seus 15 mil empregados, quando faltavam seis dias para a eleição, Hang apontou uma disputa do “bem contra o mal”, sendo este último representado pelo PT e o comunismo. Se o PT ganhar, disse, “talvez a Havan não vá abrir mais lojas, e aí se eu não abrir mais lojas, ou se nós voltarmos para trás, você está preparado para sair da Havan? Você está preparado para ganhar a conta da Havan?”

O Ministério Público do Trabalho em Santa Catarina recebeu mais de 20 queixas, entre elas relatos de que o empresário reuniu fisicamente parte dos empregados, obrigou-os a cantar o Hino Nacional e ouvir uma catequização política por meia hora.

Os procuradores acionaram Hang na Justiça por tentativa de intimidação dos funcionários. Pediram a fixação de informes em todas as lojas da retirada em defesa da liberdade de votos dos cidadãos e pesadas multas em caso de reincidência do empresário. O juiz do Trabalho Carlos Alberto Pereira de Castro concordou. “Voto de cabresto”, afirma o magistrado no despacho.

No Paraná, o dono da maior rede de supermercados local, a Condor, agiu de forma bem parecida no mesmo dia 1º. Mas por escrito. Em mensagem aos cerca de 11 mil funcionários, Pedro Joanir Zonta pediu que não votassem na esquerda, para evitar “o fim da família”, o “agravamento da crise econômica” e a “transformação do Brasil em uma Venezuela”.

Também teve de se haver com o Ministério Público, que ficou particularmente preocupado com o trecho da mensagem com uma ameaça dissimulada de não pagar o 13º e as férias. Zonta aceitou um acordo, sob pena de uma multa de 100 mil reais por dia.

A fúria patronal antipetista deixou desacorçoado um empresário, Ricardo Semler, que na Fiesp foi vice-presidente de Mario Amato, aquele que na eleição de 1989 dizia que 800 mil empresários fugiriam do Brasil se Lula ganhasse. Bolsonaro diz coisa idêntica agora: “Se o PT ganhar a eleição, os empresários vão rever seus planos estratégicos e muitos vão deixar o Brasil”, afirmou em 28 de setembro, na Band.

“Este é um País que precisa de governo para quem tem pouco, a quase totalidade dos cidadãos. Nós, da elite, aliás, sabemos nos defender”, escreveu Semler. Vivemos “atrás de muros, cercados de arames farpados e vidros blindados”, não sabemos “o que é comprar na C&A e ser seguido por um segurança para ver se estamos para roubar, por sermos de outra cor de pele”.

E mais: “As elites deste País sempre foram atrasadas, desde antes da ditadura, e nada fizeram de estrutural para evitar o sistema de castas que se instalou”.

No setor rural, campeão de atraso, o bolsonarismo é uma festa. No dito “mercado”, também. Segundo um analista de São Paulo que trabalha para investidores estrangeiros, a visão no setor é que contra o PT vale tudo.

E Bolsonaro tem seu um guru banqueiro ultraliberal, Paulo Guedes, o homem com planos de privatizar todas as estatais, inclusive a Petrobras e o Banco do Brasil, de manter Ilan Goldfajn, do Itaú, no comando do Banco Central, de contar com certos quadros do atual Ministério da Fazenda, como o secretário do Tesouro, Mansueto Almeida.

Há, porém, movimentos curiosos no “mercado”. Em setembro, a revista britânica The Economist, bíblia das finanças, estampou Bolsonaro na capa e assim o definiu: “A última ameaça latino-americana”. E repetiu a dose na terça-feira 2, com um vídeo na web.

Um dia antes, a S&P, uma dessas agências internacionais que dão nota aos países pelo bom mocismo perante o rentismo, deu sua alfinetada. “O candidato do PT não é um outsider, mas Bolsonaro é, o que aumenta o risco de incoerência ou de atrasos em ter as coisas feitas depois das eleições”, disse em um seminário Joydeep Mukherji, um dos analistas da S&P.

Outro analista político de uma corretora de valores paulista esteve no Rio de Janeiro nos últimos dias e conta ter sentido certo interesse de seus clientes em relação a Haddad e o PT. “Eles não vão fazer maluquice, né?”, foi uma das perguntas. Segundo esse analista, há certa boa vontade em um  investidor aqui, outro ali, gente disposta a ver Haddad como um moderado.

O petista fez um ou outro gesto na direção do “mercado”. Tomou café da manhã, por exemplo, com o economista-chefe de uma corretora paulista, André Perfeito, da Spinelli. É amigo do neoliberal Marcos Lisboa, visto às vezes como um possível nome para a Fazenda. Lisboa, consta, anda aborrecido com o amigo, por não receber um telefonema com pedidos de conselhos.

Haddad, conforme relatos, não vai anunciar nenhum nome para a Fazenda na eleição. E tem andado no fio da navalha: o PT não aceita tomar a iniciativa de gestos favoráveis ao “mercado” nem mexer no plano de governo registrado no TSE.

O ar de luta de classes na eleição será acentuado no provável duelo final entre PT e Bolsonaro, mas esa luta já é uma realidade nas pesquisas. Em uma simulação de segundo turno no Ibope, Haddad vence o rival por 53% a 28% entre quem ganha até um salário mínimo e perde por 39% a 29% entre que embolsam acima de cinco.

Na escolaridade, dá 49% a 29% para o petista entre os que cursaram no máximo o ensino fundamental e 52% a 32% para Bolsonaro entre quem faz ou tem faculdade. Entre negros, 46% a 36% para Haddad. Entre brancos, 51% a 33% para o deputado. No Nordeste, 58% a 27% para o primeiro, no Sul, 51% a 31% para Bolsonaro.

Surpreende, portanto, que o juiz branco sulista diplomado Sergio Moro, contracheque de 34,5 mil reais em setembro, tenha liberado, na última semana da eleição, uma parte da delação de Antonio Palocci fulminante para o PT, apesar de o material não ter serventia judicial alguma neste momento e de a força-tarefa da Operação Lava Jato ter rejeitado um acordo com Palocci por falta de provas?

O retorno do denuncismo em meio à campanha é mais uma arma de um confronto que radicaliza a polarização experimentada pelo Brasil na última década e meia.

André Barrocal
No CartaCapital
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Lula em carta aos brasileiros

Ricardo Stuckert
“Meus amigos e minhas amigas,

Neste domingo, 7 de outubro, eu quero pedir um voto com muito amor pelo Brasil. Quero pedir um voto para Fernando Haddad, o candidato que me representa nestas eleições e representa o projeto de país que nós construímos juntos.

Haddad tem um compromisso comigo e com o Brasil: cuidar da nossa gente como eu gostaria de estar cuidando. Governar para todos, mas principalmente para aqueles que mais precisam de apoio para melhorar de vida. Tratar o povo como solução, criando oportunidades, emprego e renda.

Foi dessa maneira que, durante 12 anos de governos do PT, criamos 20 milhões de empregos e o valor real do salário cresceu mais de 70%. O Bolsa Família ajudou mais de 50 milhões de pessoas a ter um mínimo de dignidade. Vencemos a fome e tiramos 36 milhões da extrema pobreza.

Levamos a luz para quem vivia na escuridão e água para quem sofria com a seca. Abrimos as portas da universidade para milhões de filhos de trabalhadores, com o Prouni, o Fies sem fiador e semeando novas universidades pelo interior do país.

Foi um tempo novo para as mulheres, os negros, os indígenas, os mais pobres, os que sempre foram discriminados e esquecidos pelos governos ao longo da história.

Os mais jovens não conheceram o Brasil de antes dos governos do PT, mas estão vendo o que aconteceu nos dois últimos anos. Um governo ilegítimo, de costas para o povo, não cria empregos, tira direitos do trabalhador, corta as verbas da saúde, da educação e da segurança pública, entrega aos estrangeiros as riquezas do país.
Isso precisa mudar, para acabar com o sofrimento do povo. Eu sei que o sofrimento leva ao desespero, mas peço que tenham esperança, que confiem na democracia, pois esse é o caminho para o país voltar a viver em paz. O ódio não resolve a violência, não é solução para nada. Vamos votar com amor.

Neste domingo, vote em Fernando Haddad, para o Brasil ser feliz de novo.

Deus abençoe o Brasil. Um grande abraço do

Luiz Inácio Lula da Silva
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Dono da Havan, que coagiu funcionários a votar em Bolsonaro, cumpre decisão judicial de exaltar o voto livre


Luciano Hang e Havan Lojas de Departamentos Ltda., em cumprimento à decisão judicial vem cientificar sobre o voto livre, com inteiro teor da decisão proferida no referido processo.

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Ainda mais longe

Esta oitava eleição presidencial pós-ditadura traz, com qualquer resultado, a confirmação de componentes da realidade opostos à promessa de democracia política presente na “Constituição Cidadã”, de 1988.

A mais significativa das comprovações é a da inabilitação brasileira para processos sucessórios razoavelmente civilizados. Nenhuma das campanhas transcorreu em normalidade, sem interferências com o propósito de transtornar a livre escolha eleitoral.

Já na primeira eleição da série, a TV foi considerada decisiva em benefício de Collor, deixando na Globo a marca de parcialismo que perdura ainda.

O retardamento do Plano Real, o apoio unânime dos meios de comunicação a um político como só houvera sob as ditaduras de Getúlio e dos militares, a armação da Polícia Federal no Maranhão em benefício de José Serra, falso caixote de dólares e falso dossiê em armações da PF e do Ministério Público foram os rastros das práticas incorretas que demarcaram o percurso das disputas sucessórias, uma a uma.

No pleito atual, o Judiciário fez sua entrada na zona das afrontas à limpidez eleitoral. E o fez com gravidade inigualável no nível das instituições, por ser o próprio Supremo Tribunal Federal um dos fatores de transtorno.

Foi também a estreia eleitoral do temor de golpe militar, atestando a anormalidade sentida (e sofrida) por parte do eleitorado. A série de eleições recebe, portanto, uma etapa à altura das antecedentes.

Esta é uma eleição sem partidos, disputada só por pessoas. Com exceção relativa do PT e mais do PSOL, os partidos desapareceram, fosse por falta absoluta de expressão, fosse porque dissolvidos nas inúmeras traições.

Alckmin, por exemplo, fez acordo com tantos partidos do centrão e, na batalha, não contou nem com o seu. A candidatura de Alckmin, por si mesma, demonstrava a derrocada do PSDB. Foi decidida por conta própria, contra a vontade do partido.

Bem, são um partido e uma corrente de políticos cujo cardeal é capaz de indicar para a Presidência da República um animador de auditório. Luciano Huck, aliás, ao recusar mostrou mais lucidez e seriedade do que seu patrono Fernando Henrique.

Democracia não se constitui sem partidos. E partidos não se constituem sem fidelidade básica a ideias. A orgia de interesses que é a política brasileira nega os partidos e trai a representação. Outra vez com a exceção do PT e do PSOL, o que foge a essa regra são parlamentares esparsos. Esta eleição é o funeral dos partidos, sob indiferença geral. A depender de quem seja o eleito, nem pás de terra vão receber.

O Brasil não seria brasileiro se não aproveitasse em larga escala a patifaria chamada de fake news. É incerto que venhamos a ter estimativas confiáveis dessa interferência na disputa eleitoral. Sua presença precedente bastou para dar certeza de uma influência profunda, no público desinformado e boateiro. Uma nova presença logo familiarizada com as ordinarices legais e éticas do processo eleitoral à nossa moda.

Uma eleição, mas nem tanto. Seja qual for seu resultado, não nos aproximou mais da democracia. Muito ao contrário.

Janio de Freitas
No fAlha
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Bolsonaro bate à porta

Deodoro, presidente da República nascida nos quartéis
O Brasil está diante de uma das mais importantes disputas eleitorais ocorridas na história republicana. Mais uma vez, o destino do País está verdadeiramente em jogo. A democracia, já incomodada de qualquer modo, pode decidir.

Nascida nos quartéis, a República sempre se viu às voltas com os militares. Parece um vício. Remeta-se, como exemplo, a Deodoro da Fonseca, o primeiro presidente do País. A comprovação da interferência do Exército tem sido feita com votos nas urnas ou, com frequência, com um chute na porta. Assim é a “democracia tropical”.

Após o Estado Novo, foi restabelecido o sistema de voto democrático contaminado pela disputa de oficiais da mais alta patente: o general Eurico Gaspar Dutra e o brigadeiro Eduardo Gomes. Ganhou Dutra.

Eduardo Gomes, representante da barulhenta UDN, perdeu para Vargas. Na sequência, o general Juarez Távora perdeu para JK. Em 1960, o general Teixeira Lott foi batido por Jânio Quadros, que, em poucos meses, renunciou. O vice assumiu. João Goulart foi derrubado pelos generais.

Ocuparam o poder manu militari. Foram 21 anos de ditadura. Após isto, desgastados, os militares entregaram o poder de mão beijada aos civis. Basicamente, aos políticos da conciliação a qualquer preço. Daí foi possível convocar oito eleições, à sombra, porém, de uma frágil democracia facilmente desmontada pelo golpe de 2016.

Jair Bolsonaro é mais um autoritário atrás do poder. Está disposto a tudo. Com ele, o Brasil está sob ameaça.

Contra Lula, não faltou quem espalhasse ódio e preconceito. Lula e o PT entraram na mira. Ele, vencedor em duas eleições, deu a vitória duas vezes a Dilma Rousseff. Um peso insuportável para os adversários.

O ex- metalúrgico está barrado pelas tramas da Justiça (Justiça?), sem que a perseguição ponha em risco sua condição de grande líder popular.

Proibido de falar, calado no período eleitoral, Lula conduziu da cadeia o processo político-eleitoral do PT e suportou altivamente os dissabores criados por alguns tristes trêfegos: um juiz de primeira instância, sete juízes de um tribunal eleitoral e outros 11 inquisidores envolvidos nos conflitos da instância final de uma alta corte de fancaria.

Maurício Dias
No CartaCapital
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Bolsonaro segue o manual nazista, aponta Foreign Policy


No dia 7 de outubro, os brasileiros votarão no primeiro turno das eleições presidenciais em que o candidato de extrema-direita Jair Bolsonaro deve vencer. Bolsonaro, que também é conhecido como o Trump brasileiro, está sendo aconselhado por Steve Bannon em sua campanha. Ainda no hospital, após uma tentativa de assassinato há algumas semanas, o populista brasileiro combina promessas de medidas de austeridade com profecias de violência. Sua campanha é uma mistura de racismo, misoginia e posições extremas de lei e ordem.

Ele quer matar sumariamente criminosos em vez de julgá-los. Ele apresenta os povos indígenas como "parasitas" e também defende a discriminação e formas eugênicas de controle de natalidade. Bolsonaro advertiu sobre o perigo representado pelos refugiados do Haiti, da África e do Oriente Médio, chamando-os de "escória da humanidade" e até argumentando que o Exército deveria cuidar deles.

Ele regularmente faz declarações racistas e misóginas. Por exemplo, ele acusou os afro-brasileiros de serem obesos e preguiçosos [na verdade foi seu vice, general Mourão que disse isso – nota do 247] e defendeu a punição física das crianças para tentar evitar que elas fossem gays. Ele equiparou a homossexualidade à pedofilia e disse a um representante no Congresso Nacional Brasileiro: "Eu não vou te estuprar porque você não merece".

Com essas e em outras declarações, o vocabulário de Bolsonaro lembra a retórica por trás das políticas nazistas de perseguição e vitimização. Mas como um discurso nazista faz dele um nazista? Tanto quanto ele acredita em vencer uma eleição sem ainda estar lá. No entanto, as coisas podem mudar rapidamente se ele ganhar de fato o poder. Recentemente, Bolsonaro argumentou que ele nunca aceitaria a derrota na eleição e sugeriu que o exército poderia concordar com sua opinião.

Ele sugeriu a possibilidade de um golpe. Ele endossa o legado das ditaduras latino-americanas e suas guerras sujas e é um admirador do general chileno Augusto Pinochet e outros homens fortes.

E como os generais da Guerra Suja da Argentina dos anos 70 e o próprio Adolf Hitler, Bolsonaro não vê legitimidade na oposição, o que para ele representa os poderes tirânicos. Ele disse no mês passado que seus adversários políticos, membros do Partido dos Trabalhadores, deveriam ser executados.

Para Bolsonaro, a esquerda representa a antítese da democracia. Representa o que ele chama de "venezuelanização" da política. Mas, na verdade, as variantes latino-americanas do populismo de esquerda não se envolvem em racismo ou xenofobia, mesmo quando, como na Venezuela, eles também se moveram em uma direção ditatorial.

A maioria dos populistas da esquerda não destrói a democracia. Eles podem a minimizar e corromper algumas dimensões institucionais, mas eles aceitam os resultados das eleições quando perdem.

Para os populistas de esquerda, esse foi o caso nos últimos anos, por exemplo, nas administrações de Néstor e Cristina Fernández de Kirchner na Argentina e no governo de Rafael Correa no Equador. À direita, muitos populistas tradicionalistas, incluindo Carlos Menem na Argentina e Silvio Berlusconi na Itália, não são antidemocráticos.

Não é isso que Bolsonaro representa. O populismo de Bolsonaro remonta ao tempo de Hitler.

Não é uma coincidência que, no mês passado, no Brasil, a embaixada alemã tenha sido sitiada online por comentaristas afirmando que o nazismo era o socialismo. Críticos rotularam Bolsonaro de nazista por suas tendências nacionalistas de extrema-direita e muitos comentaristas pró Bolsonaro, 'indignados' atacaram o site. 

No Brasil e em outros lugares, os populistas de direita estão cada vez mais agindo como os nazistas fizeram e, ao mesmo tempo, rejeitando esse legado nazista ou até mesmo culpando a esquerda por isso. Para os membros pós-fascistas da 'supremacia', agir como um nazista e acusar seu oponente de ser assim não é uma contradição. De fato, a ideia de um nazismo esquerdista é um mito político que se baseia diretamente nos métodos da propaganda nazista. 

Segundo os direitistas brasileiros e os negadores do Holocausto, é a esquerda que ameaça reviver o nazismo. Isto é, naturalmente, uma falsidade que vem diretamente do manual nazista. Os fascistas sempre negam o que são e atribuem suas próprias características e sua própria política totalitária aos seus inimigos. 

Hitler acusou o judaísmo de ser o poder por trás dos Estados Unidos e da Rússia e disse que os judeus queriam começar uma guerra e exterminar os alemães, mas foi ele quem iniciou a Segunda Guerra Mundial e exterminou os judeus europeus. Os fascistas sempre substituíram a realidade por fantasias ideológicas. É por isso que Bolsonaro apresenta os líderes da esquerda como emuladores de Hitler no final do dia, quando na verdade ele é o único candidato próximo ao Führer em estilo e substância.

Hoje, na própria Alemanha, alguns manifestantes de extrema-direita realizam a saudação nazista em manifestações, mas os líderes do ‘Alternativa para a Alemanha’, que agora é o segundo partido mais popular do país, rejeitam explicitamente o nazismo. Ao mesmo tempo, no entanto, eles usam os infames insultos e as estratégias de propaganda de Hitler para representar a mídia independente. Assim como o líder nazista, eles chamam a mídia de "a imprensa mentirosa".

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump disse em 2017 que alguns neonazistas e nacionalistas brancos eram "pessoas muito boas". Trump também acusou a CIA de agir como nazistas. Seguindo as doutrinas nazistas da propaganda, muitos na extrema direita contemporânea (muitas vezes cheios de nacionalistas brancos e neonazistas) negam ligações com seus antecessores ideológicos e até argumentam que aqueles que estão contra eles são os nazistas reais. Os novos populistas de direita da América Latina estão fazendo o mesmo.

Quando outro candidato presidencial acusou Bolsonaro de ser um "Hitler tropical", Bolsonaro respondeu que não eram ele, mas seus inimigos que elogiavam o líder nazista. (Em 2011, Bolsonaro disse que preferia ser apresentado como Hitler por seus críticos do que como gay.) Na nova era populista de notícias falsas e mentiras descaradas, essa falsidade em particular sobre o nazismo se destaca: a ideia distorcida de que Nazismo e fascismo são fenômenos de esquerda.

Numa época em que os líderes contemporâneos de extrema-direita e populistas que desculpam seu racismo estão mais próximos do nazismo do que nunca, muitos deles estão tentando se distanciar do legado de Hitler usando argumentos simplistas para culpar a esquerda socialista pelo nazismo. Esta é uma tática de propaganda notória que se assemelha a campanhas fascistas anteriores.

Nos primórdios de Hitler, os propagandistas nazistas afirmavam constantemente que Hitler era um homem de paz, um moderado em relação ao antissemitismo, ao racismo e à personificação da nação e de seu povo. Em suma, ele era um líder acima da mesquinhez da política. Como os historiadores sabem, essas foram mentiras notórias que geraram apoio de longa data para o nazismo, apesar do fato de que Hitler era exatamente o oposto: um dos mais radicais belicistas e racistas da história. Líderes que soam como Hitler estão fazendo o mesmo hoje.

Como nos tempos nazistas, a repetição substituiu a explicação. Somente a ignorância (ou a supervisão consciente) do legado histórico do nazismo pode levar os propagandistas a incorrer em erros na apropriação nacionalista explicitamente de direita das preocupações da esquerda. Apesar do apelido travesso "socialismo nacional", que foi intencionalmente enganoso para confundir os trabalhadores e fazê-los votar pelos fascistas, o Partido Nazista logo renunciou a qualquer dimensão socialista.

Aqueles que simplificam a história para argumentar que o fascismo é o socialismo intencionalmente esquecem que o fascismo era sobre combater o socialismo (e também o liberalismo constitucional) enquanto deslocavam as preocupações pela justiça social e luta de classes e as substituíam pela agressão nacionalista e imperialista. Como argumenta a historiadora Ruth Ben-Ghiat, essas distorções da história da violência fascista visam “higienizar a história do direito”.

A América Latina experimentou essas políticas de inspiração fascista antes, principalmente no caso da Guerra Suja da Argentina nos anos 70, durante a qual o governo matou dezenas de milhares de cidadãos. Bolsonaro notoriamente declarou em 1999 que a ditadura brasileira também “deveria ter matado 30.000 pessoas, começando pelo Congresso, assim como com o presidente Fernando Henrique Cardoso”. Como seus antecessores fascistas, Bolsonaro argumentou que esse tipo de regime ditatorial era uma verdadeira democracia - apenas sem eleições. O que há de novo em Bolsonaro é que, ao contrário das ditaduras militares anteriores, ele quer comercializar o fascismo como democracia. 

Bolsonaro afirma duvidosamente que haveria "risco zero" para a democracia se ele fosse eleito, mas muitos brasileiros discordam. Depois de grandes manifestações contra ele no último final de semana, a liderança de Bolsonaro está crescendo nas pesquisas. Alguns observadores brasileiros argumentam que essa forte oposição de mulheres e minorias aumentou sua candidatura. Eventos semelhantes ocorreram na Alemanha dos anos 1930.

Quanto mais anti-sistema e violento o extremismo nazista se tornava, mais apoio público Hitler gerava. Em um país onde o apoio ao autoritarismo está em ascensão e 53% dos brasileiros, de acordo com uma pesquisa recente, vêem a polícia como "guerreiros de Deus cuja tarefa é impor ordem", tais pontos de vista são bem-sucedidos.

Políticos como Bolsonaro muitas vezes negam qualquer associação com o ditador fascista alemão enquanto acusam seus inimigos à esquerda de serem os nazistas reais. Mas a história nos ensina que o caminho para a compreensão dos novos populistas globais da direita não pode ignorar as raízes fascistas de sua política - e sua propaganda.

Federico Finchelstein é professor de História na New School for Social Research e no Eugene Lang College. Ele é o autor de From Fascism to Populism in History
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