5 de out. de 2018

Maior partido de ultra direita da Alemanha não apoia Bolsonaro porque quer “distância do extremismo”

Protesto da AfD na Alemanha
O principal partido da ultradireita alemã não apoia o candidato Jair Bolsonaro (PSL).

A agremiação enviou nota ao DCM na qual se distancia do presidenciável, que classifica como extremista.

“A AfD não é isso. A Alternativa para a Alemanha é um partido conservador constitucional”, diz o comunicado.

“Estamos nos distanciando do extremismo de direita”.

O partido foi fundado em 2013 e chegou ao Parlamento nas últimas eleições, realizadas no ano passado, como a terceira maior força política, fato inédito para a extrema direita desde o fim do regime nazista.

A AfD é contrária à política migratória da União Europeia e da primeira-ministra Angela Merkel.

Sua popularidade cresceu depois do grande fluxo de refugiados acolhidos pela atual gestão a partir de 2015 e do reforço ao discurso anti-imigração.

Declarações como a do deputado Alexander Gauland, uma das lideranças, causam barulho.

Uma das maiores polêmicas foi quando ele afirmou que, assim como os franceses em relação a Napoleão Bonaparte e os ingleses a Winston Churchill, os alemães também podem se orgulhar do que fizeram seus soldados durante a Segunda Guerra Mundial.

Comparado a Bolsonaro, o discurso do partido é menos hostil à questão LGBTI, na medida em que a economista Alice Weidel, um dos nomes mais conhecidos da AfD, é declaradamente lésbica.

No DCM
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Apesar de proibição do CNJ, juiz que absolveu militares no Carandiru declara apoio à Bolsonaro


O magistrado estampa “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos” em foto do perfil do Facebook. Atitude desrespeita diretrizes do Conselho Nacional de Justiça

A dois dias do primeiro turno das Eleições de 2018, inusitadamente, a Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) enviou para as redações jornalísticas do País um comunicado para que os magistrados brasileiros “se abstenham de participar de manifestações públicas ou de emitir posições político-partidárias em redes sociais, entrevistas, artigos ou através de qualquer outro meio de comunicação de massa, durante as Eleições”.

O corregedor e ministro Humberto Martins emitiu o documento a fim de reforçar o conteúdo do Provimento 71, ou “Provimento da Mordaça” como já conhecido por juristas e advogados. O texto que foi publicado pelo órgão no dia 31 de junho deste ano recomenda a não manifestação político-partidária de membros do Judiciário, inclusive em redes sociais. O não cumprimento da norma pode caracterizar infração disciplinar e ensejar a instauração de procedimento administrativo junto à Corregedoria Nacional de Justiça”, afirmou o corregedor

“A vedação de atividade político-partidária aos membros da magistratura não se restringe à prática de atos de filiação partidária, abrangendo a participação em situações que evidenciem apoio público a candidato ou a partido político”, discrimina o provimento.

Hoje, 5 de outubro, o juiz Ivan Ricardo Garisio Sartori, conhecido como o juiz que “votou pela anulação dos cinco júris do massacre do Carandiru e ainda pediu a absolvição dos 74 policiais militares condenados pelos assassinatos de 77 dos 111 detentos encontrados mortos”, atualizou sua foto de perfil no Facebook. A mudança veio acompanhada do slogan “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”, cuja construção faz referência à campanha do presidenciável Jair Bolsonaro do Partido Social Liberal.


A atitude do desembargador vai contra as o provimento do CNJ, que é encarado como censura por colunistas do Justificando, juristas e entidades de classe. Em nota de repúdio ao provimento, a Associação Nacional dos Magistrados Estaduais (ANAMAGES) classificou a norma como “ferramenta de censura”:

“O ato da Corregedoria Nacional de Justiça pretende claramente cercear a liberdade de expressão dos magistrados, direito garantido pela Constituição Federal, o que não pode ser permitido em nenhuma hipótese com o risco de ferir gravemente o Poder Judiciário e toda a nação.”

Segundo Marcelo Semer, Juiz de Direito em SP e membro da Associação Juízes para Democracia (AJD), “o texto tenta regular a manifestação pública de juízes por meio de expressões vagas e dúbias, como ‘atividade com viés político-partidário’ ou ‘situações que evidenciem apoio público a candidato ou a partido político’”.

Para ele, “a ambiguidade permite diversas leituras e não é gratuita. O próprio corregedor em sua gestão teve oportunidade de instaurar processo administrativo contra juízes que criticaram a ruptura institucional do impeachment, mas nada fez em relação a quem fez campanha aberta pela deposição da presidenta. Confio que o Conselho Nacional de Justiça suspenderá o ato para pensar a questão coletivamente.”

A juíza Débora Faitarone, do Tribunal de Justiça de São Paulo, também mudou a foto de perfil acrescentando o mesmo slogan. A magistrada ficou conhecida após rejeitar “a denúncia contra os 5 PMs pelo assassinato de Ítalo Ferreira de Jesus Siqueira, 10 anos, em junho de 2016”, segundo a Ponte Jornalismo. 


Caroline Oliveira
No Justificando
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Jornalista desmascara fake news de Veja contra Haddad

Veja carrega a matralhadora fake news para elevar a rejeição de Haddad na reta final

Parece notícia velha mas confira os novos caminhos que levam ao antijornalismo


A metralhadora fake news da campanha bolsonarista ganhou hoje um importante, mas não desconhecido, e velho aliado: a revista Veja.

Com uma simples mudança de data em uma matéria de 2012, Veja carregou a engrenagem da campanha de desinformação que corrói o processo democrático das eleições de 2018.

Indexada no Google com data de 1o. de outubro, a matéria se tornou hoje (4/10) uma das mais compartilhadas por apoiadores da campanha bolsonarista. (https://goo.gl/S92QmT).

A foto em destaque é de Temer entre Haddad e Chalita. À época, Haddad foi para a disputa de segundo turno ao governo de São Paulo na chapa que tinha Chalita como candidato a vice.

Disfarçada de uma ingênua atualização de conteúdo, a revista colocou nas mãos da turma do vale tudo o falso apoio do presidente ilegítimo que golpeou o governo de Dilma Rousseff, em 2016.

Com reprovação digna de nota no Guinness, 97%, a revista arremessa toda a insatisfação do governo Temer no colo de Haddad na tentativa de elevar a rejeição do candidato petista. Esse é um dos grandes esforços de reta final da campanha bolsonarista: igualar a rejeição de Haddad à de Bolsonaro, uma preparação para o segundo turno.

Seguidos de frases "não era golpe?"; "é tudo farinha do mesmo saco"; "tapa na cara dos brasileiros"; "lembre-se dessa foto na urna"; Veja abre mais uma trincheira ser combatida na escalada desenfreada de produção de fake news.

E se você estranhar que a matéria data de 2012, não se assuste. A velha máxima de que uma imagem vale mais do que mil palavras, ainda está no prazo de validade. Para os detratores, esse é um mero detalhe. Para os incautos, passa desapercebida.

Omissão do TSE é adubo para o antijornalismo de Veja

Sob o silêncio do ministro do STF e do TSE Luiz Fux, que chegou a declarar guerra incansável contra fake news – seria essa uma fake news? - Veja repete a mesma bolorenta estratégia, que a tornou estudo de caso em tantos cursos de jornalismo, como material de antijornalismo.

Recentemente, a revista travestiu suas capas e editoriais de conteúdos contra fake news, bradando a bandeira da verdade e da objetividade, para com isso blindar-se de suas velhas práticas que datam da redemocratização no Brasil.

Veja sofisticou as armadilhas que instala no caminho do leitor/eleitor, porém já nas eleições de 1989, a revista carimbou seu passaporte para as profundezas sombrias do jornalismo, ao cravar seu apoio a Fernando Collor com o objetivo de impedir a eleição de Lula. Com o candidato impoluto na capa, àquela altura Collor ainda era um desconhecido, o tablóide alçou o "O caçador de marajás" à cadeira de presidente da república.

Mais recentemente, na quinta feira, antes do primeiro turno das eleições de 2014, Veja desceu seu antijornalismo à categoria de panfleto, com a capa "Dilma e Lula sabiam de tudo". O panfleto foi literal, já que aecistas fizeram milhares de cópias da capa da revista e a distribuíram desesperadamente nas ruas. Analistas sugerem que essa capa deslocou 9% de intenções de voto de Dilma para Aécio Neves.

Há material farto sobre a revista, como, por exemplo, o vídeo do site Justificando que analisa 100 capas de Veja, de 2013 até os dias de hoje, e seus artifícios de manipulação. Vale conferir: HTTPS://GOO.GL/SFC1Y5.

O que se sabe hoje é que ainda possuímos poucos anticorpos para lidar com a quantidade e qualidade das informações que recebemos. Ainda somos permeáveis e crédulos diante de conteúdos e mecanismos cada vez mais sofisticados de manipulação. Nos idos anos em que televisões ocupavam lugar de prestígio nas salas de casa, adultos e crianças acreditavam que propagandas diziam a verdade.

Gioconda Bretas, Jornalista - Mestre em Comunicação (UNB)
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Febejapá: festival de barbaridades judiciais

“Genésio, quando houve aquela marcha de senhoras ricas com Deus pela família e etc., ficou a favor, principalmente, do etc. Mesmo tendo recebido algumas benesses do governo que entrava pelo cano, Genésio aderiu à ‘redentora’ mais por vocação do que por convicção. Porém, com tanto cocoroca aderindo, Genésio percebeu que estavam querendo salvar o Brasil depressa demais. Mesmo assim foi na onda.” Membro do “time dos descontentes de souza”, Genésio “só abria a boca para dizer que é um absurdo, onde é que vamos parar, o Brasil está à beira do abismo etc.”.

Genésio é personagem de crônica do livro Febeapá — Festival de Besteira que Assola o País, escrito por Stanislaw Ponte Preta na década de 60. O Febeapá iluminou o ridículo do regime autoritário nos anos anteriores ao AI-5/68 e enriqueceu o vocabulário do humor político brasileiro. A “redentora” era a ditadura, que vinha para redimir a pátria; os “cocorocas” eram aqueles com pendor moralista e autoritário, prontos para policiar a minissaia e contribuir com a política do dedurismo contra os subversivos. Numa clássica “cocorocada”, policiais do Dops tentaram prender Sófocles, autor da peça Electra, sem sucesso. Ele não foi encontrado no teatro. Prenderam professora que falava inglês em público, nítido ranço comunista. E havia o coronel que gostava de “fazer democracia com as próprias mãos” e mandava toda uma Câmara de Vereadores para a prisão se não votasse conforme o “bilhetinho”.

Em 1968, Stanislaw encerrava o Febeapá: “O relato é interrompido aqui, mas o Festival persiste”. O festival persistiu, mas faltou Stanislaw para nos contar. Não pôde ver, 50 anos mais tarde, a emergência de uma nova “redentora”, capitaneada por Eduardo Cunha e Michel Temer, dois valentes cocorocas. O primeiro pediu a Deus que tivesse misericórdia desta nação e foi viver em Curitiba; o segundo, conhecido como homem pronominal, garantiu que, se houvesse problema no governo, “consertá-lo-ia”. Michel não fez justiça à nova redentora e, depois do célebre apelo — “tem que manter isso aí, viu?” —, recolheu-se a seus aposentos e estuda ofertas sobre seu futuro.

A marca distintiva deste tempo é a ascensão de uma nova classe de cocorocas — os “cocorocas da Justiça”. Já apareciam no Febeapá, mas não com a mesma dignidade. A história se repete, a primeira vez como besteira, a segunda vez como barbaridade. Lanço aqui, em homenagem a Stanislaw, o “Febejapá — Festival de Barbaridades Judiciais que Assolam o País”.

Foi por mergulhar com tanta vontade neste “perigoso terreno da galhofa”, como diria Stanislaw, que o Judiciário brasileiro passou a merecer um festival próprio.

Nossos juízes se esforçam para que o Febejapá supere o Febeapá.

Na semana passada, em virtude de sua contribuição à paz e lisura das eleições, três candidatos disputaram o diploma do Febejapá. A primeira indicação vai para a dupla institucional de TSE e STF. O Tribunal Superior Eleitoral implantou uma apressada política de recadastramento biométrico dos eleitores. Os prazos e exigências burocráticas eram discrepantes pelo país, e a sanção para o não recadastrado foi o cancelamento abrupto do título. A vanguarda tecnológica subiu à cabeça da Corte, e mais de 3 milhões de eleitores caíram. O eleitor do Leblon, não recadastrado, poderá votar; o do sertão do Ceará, não. O que fez o STF? Deu as mãos ao TSE e assegurou que, se houver alguma injustiça no resultado das eleições, não terá sido por querer.

O segundo indicado é o ministro Luiz Fux. Preocupado com o “ambiente informacional das eleições”, quis proteger o eleitor inocente e proibiu entrevista de Lula da prisão. Mas não o fez de maneira simples: acatou pedido do Partido Novo, que não tinha autorização legal, e, sem ter competência, cassou liminar de seu colega ministro. Em síntese: pediu quem não podia; decidiu quem não tinha juízo.

Finalmente, o juiz Eduardo Cubas, sobrenome apropriado a um cocoroca contemporâneo, armou plano mirabolante: lá de Formosa, em Goiás, planejou dar uma liminar na madrugada de sábado para domingo com a modesta ordem para o Exército melar as eleições em todo o país. Cubas, o mais aloprado membro do time dos detetives da urna eletrônica, quis chutar o tabuleiro. Sua caneta judicial tem mania de grandeza.

Um brinde às eleições, outro aos 30 anos da Constituição de 1988. Está inaugurado o Febejapá.

P.S.: Quanto aos episódios eletrizantes do Febejapá desta última semana, só na próxima coluna.

Conrado Hübner Mendes é doutor em Direito e Professor da USP.
No Época
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Vale tudo: as 48 horas decisivas na Justiça Eleitoral, na TV do bispo e nas redes sociais

https://www.balaiodokotscho.com.br/2018/10/05/vale-tudo-as-48-horas-decisivas-na-justica-eleitoral-na-tv-do-bispo-e-nas-redes-sociais/

Nada acontece de graça na política nem nas igrejas das sacolinhas.

Na reta final da campanha eleitoral mais insana e safada da nossa história, sob o alto comando da Justiça Eleitoral e da tropa de choque da Lava Jato, entramos agora na fase do vale tudo, sem disfarces, para surfar na “onda Bolsonaro” e evitar um segundo turno.

Nestas 48 horas decisivas que faltam para a abertura das urnas, o movimento “Tudo menos o PT” gerou uma nova aliança entre o candidato militar, o TSE e a TV Record TV do bispo Edir Macedo.

Como Jair Bolsonaro já demonstrou que não tem condições mentais, políticas nem morais para enfrentar um debate com os outros candidatos, arrumaram-lhe um atestado médico para fugir do debate da TV Globo.

Na mesma hora, ele surgiu lépido e fagueiro dando uma “entrevista exclusiva” ao Jornal da Record, que mais parecia um programa de propaganda eleitoral gratuita do TSE.

Durante 27 minutos, enquanto seus adversários se debatiam na Globo, o capitão covarde ficou sozinho no ringue para bater no PT, em Haddad e Lula, com a ajuda de um repórter amigo que parecia feliz da vida com o grande “furo de reportagem”.

Até aí, nada muito surpreendente num país em que a Justiça toma partido para escolher os candidatos de sua preferência e eliminar os outros.

O que mais me chamou a atenção foi a Globo, em nenhum momento, denunciar este escândalo, com William Bonner se limitando a repetir que Bolsonaro não compareceu ao debate “por ordem médica”.

Muitos leitores me escreveram perguntando se isto não configurou crime eleitoral, e se a Justiça não iria fazer nada.

Pois a Justiça se manifestou, sim, ainda antes do crime ser cometido.

Na resposta aos três partidos (PT, MDB e PSOL) que pediram ao TSE que fosse proibida a exibição da “entrevista” gravada na mansão do candidato, por infringir as normas de conduta para as televisões, o ministro Carlos Horbach deu uma solene banana para os reclamantes, e liberou geral.

Na reportagem “Candidato se aproxima da TV Record, que ele deseja ver como sua Fox News”, de Igor Gielow, na Folha, fomos informados como se deu este acordo entre Bolsonaro e os bispos da Igreja Universal.

Só então fiquei sabendo o verdadeiro motivo da minha demissão e do colega Nirlando Beirão do Jornal da Record News, onde éramos comentaristas políticos, no final do ano passado.

Comunicado às 10 horas da noite, depois do encerramento do jornal, que não fazia mais parte da equipe, devido a uma “reestruturação da empresa” para cortar despesas, eu só não entendi a pressa do encarregado de cumprir a ordem para me demitir.

Segundo a reportagem, o namoro da TV do bispo Macedo com o candidato das bancadas do boi, da bíblia e da bala começou na mesma época da nossa demissão, “quando Bolsonaro foi apresentado à direção da Record em um evento da Ressoar, o instituto filantrópico da emissora, no hotel Unique, em São Paulo”.

Segue a reportagem: “A apresentação foi feita por Fábio Wajngarten, analista da mídia e empresário que presta consultoria na área de comunicação a Bolsonaro (…)

Poucos dias depois do evento em São Paulo, Bolsonaro passou a atacar diretamente a Globo, criticando a concentração de verbas públicas do governo federal na emissora”.

Como Nirlando e eu tínhamos total liberdade de opinião, assegurada em contrato, já não servíamos mais aos propósitos eleitorais da emissora, e fomos sumariamente dispensados.

E a Globo fica agora numa sinuca de bico, depois de apoiar com afinco o “Tudo menos o PT”, e ser esnobada por Bolsonaro, o principal adversário de Haddad, que deu preferência à sua principal concorrente para disputar audiência no mesmo horário.

Depois de debater sozinho na Record em rede nacional de televisão, o capitão continua dominando as redes sociais com vídeos gravados por ele ou apoiadores para alimentar a enxurrada de fake news contra o inimigo do bolsonarismo em marcha.

Na entrevista encomendada, ele se defendeu, sorrindo, das acusações feitas contra ele na guerra suja digital dos últimos dias:

“Quando um seguidor meu extrapola, a culpa cai em cima de mim, como se eu fosse um capitão e tivesse uma tropa ao meu comando”.

É tudo tão descarado e cínico que nem dá para imaginar o que ainda pode acontecer no segundo turno, caso a grande aliança bolsonarista não liquide a fatura no primeiro.

Domingo tem eleição, não esqueçam…

Vida que segue.

Ricardo Kotscho
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Brasil cai no índice de democracia, e UOL diz que a culpa é da declaração de Dirceu


Há dois níveis de manipulação das notícias. O que emana da chamada imprensa oficial; e o que vem das redes sociais.

Do lado da mídia, o jogo consiste na manipulação das interpretações. Ou seja, analisar casos reais com critérios sem sentido. Algumas vezes por ignorância, outras para pagar o óbulo. Ou seja, se tenho que fazer alguma crítica a alguém que é contra o PT; para não me expor, faço outra similar ao PT.

Dia desses, o Elio Gaspari denunciou os pendores autoritários de Bolsonaro. Depois, o óbulo dos pendores autoritários do PT, embora relativizando. O exemplo dado foi do empresário agredido em uma manifestação petista, que precisou ser hospitalizado. O tal empresário, em momento de grande comoção – que precedeu a prisão de Lula – invadiu o evento provocando os manifestantes. Seria o mesmo que um sãopaulino invadindo uma manifestação da torcida do Corinthians berrando ofensas contra o time. Recebeu um safanão de um manifestante, se desequilibrou e caiu na rua. Esse incidente foi debitado à tendência autoritária do PT.

Tudo bem! Foi o pagamento para explicar que não se pode comparar a ameaça à democracia representada por Bolsonaro com o PT.

Agora a UOL, em matéria analisando os estudos do The Economist, sobre as ameaças à democracia no mundo, desenvolve as seguintes conclusões.


O gráfico publicado pela UOL não revela recuo de 2006 para hoje. Em 2014, o Brasil mantém a mesma nota 7,38 de 2006. O recuo se dá a partir de 2014, por razões óbvias: houve um golpe de Estado que apeou do poder uma presidente eleita. E, depois disso, operações penais que atropelaram todos os princípios de direito, sob o beneplácito do Supremo Tribunal Federal.

Finalmente, um STF que passou a desrespeitar a Constituição.

Mas onde a brava UOL foi identificar laivos de ameaça à democracia:

1. Na proposta de Constituinte por Fernando Haddad. Democracia, como se sabe, é o regime do povo pelo povo. A Constituinte proposta por Haddad seria definida por constituintes eleitos pelo povo. Ela é inconveniente por outros motivos, jamais por qualquer ameaça à democracia. Ameaça é o não cumprimento da Constituição pelo Supremo.

2. A declaração de José Dirceu de que o PT vai tomar o poder. Um ex-dirigente, condenado, sem poder exercer os direitos políticos e fora de qualquer atividade partidária.

3. A proposta de indulto a Lula pela presidente do PT Gleisi Hoffmann. Indulto presidencial é uma medida incluída na Constituição Federal. E não apenas na brasileira, como na americana. É desinformação completa relacioná-lo com ditaduras.

Se quiser responsabilizar o PT, se poderia falar de sua absoluta ignorância em relação ao uso das formas democráticas de poder, à maneira como se descuidou do STF e da Procuradoria Geral da República, ao fato de ter se lambuzado com o sistema de financiamento de campanha, adotando o mesmíssimo modelo de todos os demais partidos, ao fato de não ter aprofundado os sistemas de participação popular. Jamais a qualquer pendor autoritário.

Dizer que o índice de democracia no Brasil começou a cair a partir de 2006, apenas para incluir o governo Lula, é falsidade ideológica, à luz do gráfico analisado. As demais suposições podem ser questão de ignorância, que coloca o jornalismo no mesmo nível de interpretação das redes de WhatsApp.

Luís Nassif
No GGN
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Não é verdade que o Bozo "já ganhou"

As mentiras disseminadas pela campanha do Bozo pelo Whatsapp são impressionantes. Vão desde a simples inversão dos fatos (Haddad diz que não vai respeitar o resultado da eleição, PT ameaça 13º salário) até as invenções mais descabidas (mamadeira erótica, políticas de mudança de sexo em massa para crianças). Se isso é eficaz, vemo/s que nosso problema não é só a falta de educação política, mas também a pura, simples e abissal ignorância de boa parte da população. Justiça eleitoral e mídia de massa deveriam estar dedicando uma grande energia a desmentir veementemente essas mentiras - e outras, como aquela em que a direção da campanha de Haddad recomendaria a seus eleitores para deixarem para votar só no dia 8 - que são formas de fraudar a expressão da vontade popular nas urnas. Mas não fazem nada, é claro. Ao contrário. O TSE permitiu que a Record divulgasse uma enorme propaganda do fascista enquanto ocorria o debate na Rede Globo.

Mas da esquerda também surgem algumas "fake news", que é necessário combater. Vou apontar três delas.

1) Não é verdade que votar em qualquer candidato que não seja Haddad ajuda o Bozo a ganhar no primeiro turno. A divulgação dessa informação parece responder a certo hegemonismo que a militância petista aplica, mas que no momento é um gigantesco tiro no pé. Para que não haja segundo turno, é necessário que o Bozo não obtenha maioria absoluta dos votos válidos (50% + 1). A distribuição dos votos restantes entre os adversários não importa. Objetivamente, hoje, qualquer voto que não seja branco, nulo ou no Bozo está contribuindo para que Haddad esteja no segundo turno. Pode ser no próprio Haddad, no Ciro, no Boulos, no Amoêdo, no Daciolo etc.

Para quem quer ver a letra da lei, eis o artigo 77, § 2º, da Constituição Federal: "Será considerado eleito Presidente o candidato que, registrado por partido político, obtiver a maioria absoluta de votos, não computados os em branco e os nulos."

2) Não é verdade que voto em branco para um outro cargo anule o voto presidencial. Não sei bem de onde veio essa história, mas recebi de várias pessoas - o risco de que alguém votasse para presidente e abandonasse a urna em seguida, votando em branco para os outros cargos. Não é verdade. Primeiro, o voto para presidente é o último a ser dado. Segundo, votar em branco não é abandonar a urna: é preciso teclar "branco" a cada vez, assim como para anular o voto é preciso teclar um número inexistente e confirmar. Terceiro, a votação para um cargo não interfere na votação para outro; o eleitor pode fazer a combinação que quiser de partidos, brancos e nulos. Por fim, não é possível abandonar a urna antes de votar em todos os cargos. O mesário só devolve o documento e libera a entrada de outro eleitor depois que o sistema informa que o processo foi completado.

3) Mais importante: NÃO É VERDADE QUE O BOZO "JÁ GANHOU". Esse desânimo, que é útil à direita, é espalhado por muitos de nós, seja por uma autoproteção, seja porque ser pessimista é "chic". Bozo vai ganhar é se, por desânimo, nós jogarmos a toalha. Vaso contrário, o mais provável é que perca. O voto da direita já se concentrou nele, sua rejeição é enorme, no segundo turno ele é obrigado a se expor, no segundo turo há mais debate e politização. Temos que garantir o segundo turno com nosso trabalho - está aí, é garantir, não é uma virada - e, no segundo turno, ganharemos do Bozo. E depois ainda virão muitas outras batalhas. Desanimar, agora, é construir a derrota.

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Facebook censura promoção de posts de Carone que denunciam Aécio e Anastasia


Sem recursos financeiros, optei por fazer minha campanha apenas nas redes sociais.

Desde o início do período eleitoral, postei em minha página diversos temas relacionados às perseguições que sofri e as matérias que publiquei que motivaram minha prisão.

No mesmo período, arrecadei com amigos recursos para, nos últimos dias da campanha, nos termos da lei, impulsionar as postagens no Facebook.

Para minha surpresa, hoje tão, logo impulsionei, fui comunicado por e-mail que os promocionamentos de postagens estavam suspensos por tratar de tema político.

Nada posso fazer a não ser pedir que você acesse ou acompanhe minha página para ter acesso às postagens impedidas de serem impulsionadas.

Acesse aqui e compartilhe com suas amigas e seus amigos: https://www.facebook.com/marcoaureliocarone/

Marco Aurélio Carone é jornalista e ex-editor do Novojornal, tirado do ar em 2014 por ação do senador Aécio Neves (PSDB-MG), no sistema de justiça de Minas. Ele é candidato estadual pelo Psol/MG

No Viomundo
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Família ligada ao jogo do bicho no Rio de Janeiro apoia Flávio Bolsonaro

A família Bolsonaro, que tem entre a sua maior bandeira o combate ao crime, recebeu críticas dos próprios correligionários por conta do apoio


O deputado estadual e candidato ao Senado, Flávio Bolsonaro (PSL), filho do presidenciável, Jair Bolsonaro (PSL), fez campanha, em agosto, para o Senado em Nilópolis, reduto eleitoral da família há décadas, ao lado do prefeito da cidade, Farid Abrahão David (PTB), irmão do bicheiro Aniz Abraão David, o Anísio. Também participou o deputado federal Simão Sessim (PP-RJ), primo do bicheiro.

Em imagens divulgadas em uma rede social de Flávio é possível ver o filho de Bolsonaro caminhando no calçadão da cidade entre Farid Abrahão e Sessim, que usam adesivos no peito com o número do candidato a senador.

O dia de Flávio Bolsonaro em Nilópolis também incluiu uma reunião reservada com os dois e com integrantes da prefeitura – o encontro foi divulgado em uma rede social de um secretário da cidade.

A família Bolsonaro, que tem entre a sua maior bandeira o combate ao crime, recebeu críticas dos próprios correligionários por conta do apoio. Muitos reprovaram a aliança, em comentários publicados no post no qual o candidato a senador veiculou o vídeo da campanha com o clã Abrahão.

“Ah tá de sacanagem do lado de Simão Sessim e Farid? Apaga que dá tempo”, escreveu um eleitor. Outro afirmou: “Com todo respeito, fica difícil te apoiar vendo vc (sic) ao lado do Simão e do Farid, é incoerente quanto à imagem que vc passa, vc não precisa disso, o povo quer a família Bolsonaro lá em cima…”.

No Fórum
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Setores do Ministério Público e Judiciário jogam a favor de Bolsonaro

https://www.blogdokennedy.com.br/setores-do-ministerio-publico-e-judiciario-jogam-a-favor-de-bolsonaro/
FGV vê indício de fake news mais pró-Bolsonaro

Setores do Ministério Público e do Judiciário fazem um jogo político a favor do candidato do PSL, Jair Bolsonaro, na reta final do primeiro turno.

Quem conhece o Judiciário sabe que o magistrado controla o ritmo do processo. O juiz federal Sergio Moro deu prazo para que alegações finais do Ministério Público devessem ser feitas na reta final da primeira etapa. Trata-se de processo que apura acusação de compra de terreno e prédio para o Instituto Lula. O ex-presidente nega as acusações.

É interferência política indevida a abertura de prazo para produzir um resultado politico, gerando fato negativo na reta final do primeiro turno da eleição.

No Rio de Janeiro, Eduardo Paes, candidato do DEM ao governo do Estado, sofreu hoje acusações de um ex-secretário em depoimento a um processo sob os cuidados do juiz Marcelo Bretas. Óbvio que a data prejudica Paes.

Não se deve achar que só há movimentos políticos no Executivo e no Legislativo. O Judiciário, que deveria ser o menos político dos poderes, tem adotado uma agenda política. Isso é um fato notório no Brasil de hoje.

É um erro tratar juízes e procuradores como deuses. Ele têm um papel importante, mas são autoridades públicas que precisam prestar contas dos seus atos. O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e o CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) devem atuar com rigor para coibir eventuais abusos, exercendo o controle externo para os quais foram criados.

Alegações finais contra Lula a três dias do primeiro turno equivalem à decisão de Moro de retirar o sigilo da delação do ex-ministro Antonio Palocci Filho num acordo de colaboração feito com a Polícia Federal. Os dois fatos dão munição contra Fernando Haddad numa hora decisiva para o candidato do PT. Nesta noite, por exemplo, haverá o debate mais importante da campanha presidencial. O noticiário foi alimentado de modo negativo para Haddad.

O ativismo do Judiciário e do Ministério Público custará caro ao país, porque desequilibra as regras do jogo político-eleitoral e gera disfuncionalidade na democracia. Além de abuso de poder, tal ativismo é uma ação irresponsável do ponto de vista institucional.

Efeito Trump

Amaro Grassi, diretor de Análise de Políticas Públicas da FGV (Fundação Getúlio Vargas), diz que há indícios de que a candidatura de Bolsonaro é a maior beneficiada por fake news. Segundo Grassi, essas eleições eliminaram dúvida a respeito da capacidade das redes sociais de fazer contraponto ao poder da propaganda no horário eleitoral gratuito.

Em entrevista ao “Jornal da CBN – 2ª Edição”, ele afirma que eventos da TV e do rádio geram notícias que alimentam debates nas redes sociais. Mas essas redes estão desempenhando papel decisivo na disputa de 2018.

Os abandonados

Declarações de dois candidatos ao governo paulista, João Doria (PSDB) e Paulo Skaf (MDB), evidenciaram a traição aos candidatos a presidente dos partidos aos quais pertencem. Skaf adiantou publicamente apoio a Bolsonaro, abandonando Henrique Meirelles a três dias do primeiro turno. Doria deu mais uma facada em Alckmin.

Skaf e Doria prestam reverência a Bolsonaro, que lidera a corrida presidencial no Estado de São Paulo, de acordo com as pesquisas.
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O debate na Globo


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FireHoose


A estratégia de fabricar boatos diariamente e depois negá-los, fazendo com que a realidade seja subjetiva, se chama "FireHoose" (mangueira de incêndio - a mangueira passa um largo volume de água rapidamente de forma consistente, por isso a analogia).

A ideia é justamente fazer que o povo não consiga mais acreditar em nenhum fato, que "todo mundo mente" e que só lhe resta escolher a narrativa que mais lhe agrade. Fact checking não serve de nada contra FireHoosing porque ele se baseia em um consenso sobre a realidade, que foi quebrado pelos boatos não adianta jogar fatos contra quem acha que o próprio factcheck é mentira. Eles já se agarraram à narrativa que compraram.

Os políticos não fazem isso à toa. Questionar a própria realidade não é só má fé, é uma demonstração de poder.

"A realidade é o que EU digo que é.

Por isso Bolso, Trump, Putin, Le Pen e outros tantos dizem mentiras descaradas e depois negam que disseram, mesmo com provas de que mentiram. É justamente para desestabilizar o conceito de realidade e fazer o oponente ter a humilhante necessidade de provar que está sendo honesto.

É uma técnica que serve tanto para alienar quanto para desgastar o oponente. Enquanto estamos ocupados provando fatos, eles se ocupam vendendo narrativas. A gente sabe que bolsonarista vota nele pela promessa do que ele é, e não pelo que ele é de fato.

Dessa forma o oponente se mantém perpetuamente numa posição reativa ao invés de proativa. Não tem tempo de vender a própria narrativa nem de se mobilizar com suas próprias pautas.

Quem faz firehoose não tá nem aí para jogar sujo, para eles "os fins justificam os meios".

Quero que se lembrem que eles não se consideram ruins. Eles realmente acreditam que a realidade deles é melhor e mais segura, que Deus vai ficar feliz com isso, que as minorias têm que ser colonizadas mesmo por causa de uma "força maior". Se todo mundo for igual, mais fácil para governar.

A diferença e a diversidade fortalece o povo em todas as áreas possíveis, intelectual, artística, econômica e democrática. Mas é mais difícil de governar, ainda mais com um país continental como o Brasil.

Por isso o uso do fascismo: é um modo de homogenizar à força o povo.

Enfim, esqueçam a ideia de combater fakenews. Apelem para narrativa e para moral, especialmente a cristã, que é lá que tá o verdadeiro embate.

Se eles falam de Deus, reforce que Jesus era amor e perdão.

Se falam de segurança, falem de redenção e educação.

Se falam de moral, lembrem do "não julgarás".

Essa é a galera que acredita no "bem X mal" "deus X satã". Simplificar para entender é da nossa natureza, não é infantilidade, é o que nos fez sobreviver 300 mil anos como bichos sociais.

Simplifique a sua narrativa para quem é simples.

Use fato com os céticos.

Fale de complexidade com quem quer complexidade.

Voces estão jogando tudo no mesmo saco e não entendendo porque não funciona.

É que nem tentar vender um produto pro nicho errado.

Você vai falar para velhinha com osteoporose comprar skate para ela? Não. Mas e se você vender o skate para ela com a narrativa que o neto dela vai gostar?

Sacaram?

Por fim, deixe óbvio para os políticos mentirosos que voces sabem qual a tática deles e pare de jogar como eles querem. Eles estão tentando exercer poder sobre você dizendo que eles podem dobrar a realidade à vontade. Se faça de sonso e use as mentiras deles contra a narrativa deles mesmos.

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O raio-x da equipe Bolsonaro: como entender sua candidatura a partir dos assessores

Economista ultra-liberal, militares linha dura e fundamentalistas religiosos orbitam o presidenciável

Candidato remete todas questões relativas à economia ao seu guru, Paulo Guedes, defensor de posições ultra-liberais
Com pouco tempo de horário eleitoral, esquivas sobre economia em sabatinas e, nas redes sociais, um discurso de campanha focado no antipetismo, é difícil captar, em um primeiro olhar, quais são as reais propostas de Jair Bolsonaro para o Brasil. Seus assessores mais próximos, entretanto, são boas pistas para entender o que sua candidatura propõe para o país.

O grupo mais próximo de Bolsonaro é composto, além de familiares, por um guru econômico ultra-liberal – a favor de privatizações e propostas extremamente polêmicas, militares linha dura e políticos da bancada BBB (boi, bala e Bíblia). 


Guru Econômico

Em entrevistas, Bolsonaro remete a Paulo Guedes as perguntas que recebe sobre o programa econômico, o que rendeu ao assessor o apelido de “Posto Ipiranga”.

Guedes tem formação acadêmica na Universidade de Chicago, instituição conhecida pela linha ortodoxa e liberal na Economia. Defende propostas como a privatização de todas as estatais, o retorno da Contribuição Provisória por Movimentação Financeira (CPFM) e alíquota única para o Imposto de Renda, o que levaria os pobres a pagar mais e ricos menos. Após o anúncio de algumas dessas medidas – e a consequente repercussão negativa, o candidato passou a desmarcar presença em eventos públicos.

As propostas de Guedes para economia, segundo Juliane Furno, doutoranda em Desenvolvimento Econômico na Unicamp, apresentam um grau de radicalidade do ponto de vista econômico inédito no debate brasileiro.

“Paulo Guedes falou que achava o problema do governo FHC é que ele tinha sido social-democrata demais, clamando por um liberalismo puro. Ele é um legítimo representante da Escola de Chicago. Tem uma proposta liberal que a gente nunca viu a direita no Brasil levar adiante com tanto afinco. É um programa diferente do governo Temer. Caminha em um sentido próximo, mas é muito mais radical. Ele fala em arrecadar dois trilhões de reais nos quatro anos de governo vendendo absolutamente todas as empresas estatais. Equilíbrio macroeconômico é mais importante que qualquer outra coisa, não há proposta de geração de emprego. É o Estado deixar de ser empreendedor”, analisa Furno, que também é colunista do Brasil de Fato. 

Fantasmas

O ex-militar Hamilton Mourão (PRTB), vice de Bolsonaro, é conhecido pelas falas polêmicas. Defendeu intervenção militar durante o governo Dilma Rousseff.

Durante um evento em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, o general da reserva fez declarações racistas ao afirmar que o brasileiro herdou a “indolência” do indígena e a “malandragem” dos negros escravizados.

Recentemente, Mourão criticou a existência do 13º salário, sendo desautorizado pela própria campanha de Bolsonaro, o que não o impediu de repetir a posição. Ele se coloca como “propagandista” da campanha, enquanto Bolsonaro seria o “agitador”. Ou seja, em sua própria visão, é o formulador da linha política enquanto Bolsonaro seria apenas a figura pública.

Augusto Heleno (PRP), comandante das tropas no Haiti, foi cotado para vice, mas seu partido não aderiu formalmente à campanha. É visto como a ponte entre Bolsonaro e o alto oficialato das Forças Armadas. 

BBB 

Também estão na órbita de Bolsonaro um grupo de congressistas ligados à bancada da bala – contra o desarmamento e financiada, até 2014, pela indústria de armamentos e munição – da Bíblia – composta por políticos relacionados a denominações neo-pentecostais que esposam visões contrárias à laicidade do Estado – e do Boi - que age em defesa do agronegócio.

Se destacam os deputados federais Major Olímpio (PSL-SP), Fernando Franchischin (PSL-PR) e Onyx Lorenzoni (DEM-RS), além do senador Magno Malta (PR-ES). Os dois últimos desempenham um papel fundamental de articulação política com os partidos do chamado centrão, com vistas ao segundo turno.

Nesta semana, a Frente Parlamentar Agropecuária, que representa os interesses do agronegócio, declarou apoio a Bolsonaro. Assim como o líder da Igreja Universal Edir Macedo. 

Herança reacionária 

Bolsonaro tem três filhos na política: Eduardo, deputado federal; Flávio, deputado estadual fluminense; e Carlos, vereador carioca. Eles atuam nas redes sociais rebatendo críticas à candidatura do pai. E disputam com as lideranças tradicionais do PSL a condução da campanha. Também estão protagonizando, em discursos e nas redes sociais, ataques machistas, homofóbicos e em apoio à ditadura e à tortura.

Chefe do partido

Gustavo Bebbiano, advogado e responsável jurídico da campanha, se tornou também presidente interino do PSL, oitavo partido integrado por Bolsonaro. Foi ele quem negociou sua ida à legenda. Assim que a movimentação foi confirmada, passou a substituir Luciano Bivar, fundador e “dono” da legenda, no comando da agremiação. Afirmando não “entender de política”, diz que seu papel é proteger Bolsonaro de polêmicas internas. 

Avaliação 

Professor de Direito da Unifesp e pesquisador do período ditatorial brasileiro, Renan Quinalha, avalia que o Bolsonaro é um ator político que dá voz e força material a um ideário antigo não só na sociedade brasileira, mas no mundo. O pesquisador cita, por exemplo, o objetivo do fascismo italiano de criar um “novo homem” pautado por valores como a “virilidade e masculinidade” exacerbadas.

“Eu não vejo como uma novidade essa conjugação de uma ideologia conservadora em termos morais, dos costumes, sexualidade, gênero, etc. e uma direita tradicional em sentido estrito. Há vários indícios de como o pensamento da direita latino-americana juntava pensamento religioso conservador com militarismo”, afirma.

Quinalha associa o padrão discursivo de Bolsonaro com a experiência historicamente recente da ditadura militar brasileira.

“As ditaduras do cone-sul, desde os anos 50 e 60, de alguma maneira evidenciaram isso. É um pensamento que esteve presente em uma parcela da sociedade. Na ditadura brasileira, houve políticas sexuais muito específicas para impor um padrão de família e de cidadão que atendia a essa moral conservadora. Evidente que há diferenças e particularidades históricas, mas há semelhanças muito fortes. Nos costumes é muito retrógrado, na política é muito autoritário e oscila na economia: em intervencionismo autoritário do Estado ou uma visão mais neoliberal, que não é incompatível com esse pensamento”, avalia.

A associação entre pensamento autoritário e liberalismo econômico citada por Quinalha não é, nesta perspectiva, uma novidade na América Latina, tendo sido os ingredientes que compuseram a ditadura chilena de Augusto Pinochet, que contou com a participação ativa de intelectuais ligados à Escola de Chigaco. É o que lembra Juliane Furno, colunista do Brasil de Fato e doutoranda na Unicamp.

“Olhando para nossa ditadura, ela foi autoritária do ponto de vista político e extremamente estatizante. Ela criou 113 empresas estatais. Muito diferente da ditadura chilena, que foi liberal. [A proposta de Bolsonaro] Reúne essas características: um governo mais autoritário com um programa extremamente liberal”, diz.

Quinalha aponta que as diferenças no modo de transição para a democracia entre as ditaduras brasileiras e chilenas ajudam também a explicar nosso momento político. Enquanto o país vizinho puniu autoridades públicas participantes do regime autoritário, como o próprio Pinochet, o Brasil não constituiu uma efetiva Justiça de Transição, o que fez com que o processo de abertura política, o mais demorado do continente, fosse “controlado desde cima”.

“O Brasil é o único país do mundo que fez uma Comissão da Verdade para meses depois começar um processo de degradação institucional e de ruptura democrática com o impeachment, que abriu a porteira para tudo que estamos vendo. É muito sintomático a Comissão da Verdade, cuja função é evitar retrocessos autoritários, [encerrar seus trabalhos e] ser sucedida por esse processo. O projeto de transição brasileira foi na verdade um projeto de institucionalização do autoritarismo”, indica.

Para o pesquisador, esse seria um dos fatores que, possivelmente, explicam a naturalidade com a qual Bolsonaro apresenta uma plataforma calcada na memória da ditadura e, no mesmo sentido, nas reiteradas homenagens do candidato ao maior torturador brasileiro, o coronel Alberto Brilhante Ustra. O que também serve para explicar a visão do candidato do PSL.

Rafael Tatemoto e Juca Guimarães
No Brasil de Fato
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Lula silenciado, Bolsonaro com tempo extra na Rede Record

Enquanto o ex-presidente continua proibido de dar entrevistas, o candidato do PSL recebe espaço generoso na televisão do bispo que o apoia

Dois pesos, duas medidas
Nos dois casos, impera a omissão da Justiça, com resultados diferentes, mas o mesmo objetivo, interferir no processo eleitoral às vésperas do primeiro turno.

Na quinta-feira 4, os jornalistas Mino Carta, diretor de redação de CartaCapital, e Fernando Morais, fundador do blog Nocaute, foram impedidos de visitar Lula na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba.

Embora Mino e Morais conheçam Lula há mais de 40 anos e tenham se habilitado a entrar na cela do ex-presidente por conta dessa longa relação, brotou entre as autoridades a dúvida sobre a intenção do encontro: seria uma tentativa disfarçada de entrevistar o petista?

Para evitar essa “interferência indevida” no processo eleitoral, como sustentou o ministro Luiz Fux, do STF, ao se contrapor ao colega Ricardo Lewandowski e proibir as entrevistas de Lula à Folha de S. Paulo e à TV Minas, o juiz substituto da 12ª Vara de Execuções Penais do Paraná achou por bem ignorar a autorização anteriormente acatada para a visita de Mino e Morais. Não disse sim nem não. Apenas se calou. Saiu de cena e deixou a dupla plantada na porta da PF curitibana.

No Brasil de hoje, são os juízes que rasgam as leis. A ordem de silenciar Lula, custe o que custar, para impedir a eleição de Fernando Haddad, desrespeita regras básicas do direito. Pior: a exceção é sustentada pela mais alta corte do País, justamente a instância que deveria zelar pelo cumprimento das normas. Como tem reiterado o próprio Mino Carta em seus editoriais, os democratas devem temer mais o Judiciário do que as Forças Armadas.

O silêncio também foi a saída encontrada pela Justiça eleitoral para permitir à Rede Record oferecer um espaço generoso e desproporcional a Jair Bolsonaro, do PSL, contra as regras que impõe condições equânimes aos candidatos nas emissoras de rádio e tevê, concessões públicas. A Record é controlada pela Igreja Universal do Reino de Deus, de Edir Macedo, que declarou no fim de setembro apoio ao ex-capitão.

A emissora exibiu sem nenhum pudor uma entrevista de 25 minutos com Bolsonaro enquanto se desenrolava o debate entre os presidenciáveis na Rede Globo, não só concorrente, mas inimiga figadal.

O candidato do PSL havia obtido um atestado para escapar do embate com os concorrentes no último confronto televisivo antes do primeiro turno. Seus médicos alegaram que ele não tinha condições físicas de enfrentar a maratona. Foi chamado de “fujão” e “covarde” pelos adversário.

A recuperação não o impediu, porém, de conceder a longa entrevista. Em um ambiente totalmente controlado, não foi pressionado, não esteve exposto ao contraditório e pode simular o sofrimento de quem está convalescente. Em uma cena pensada para provocar comoção, um enfermeiro negro (“veja só, ele não é racista”) entra em cena, no meio da conversa, para ampará-lo.

Os concorrentes recorreram ao tribunal eleitoral na tentativa de impedir a exibição da entrevista. Em vão. Ao contrário de Fux no caso de Lula, nenhum juiz considerou a “colher de chá” da Record como uma interferência indevida no processo eleitoral. Prevaleceu o silêncio útil. Segundo dados do Ibope, o debate da Globo alcançou 24% da audiência no horário. A exclusiva de Bolsonaro ao canal do bispo, 12%.

No Facebook, Pedro Abramovay, diretor da ONG Open Society, resumiu o espanto de muitos brasileiros ao saber da entrevista: “Isso é tão flagrantemente ilegal, explode de tal maneira todo um mundo eleitoral baseado no equilíbrio do acesso aos meios de comunicação, que pode ser que nada aconteça. Que as instituições assistam bestializadas a Constituição sendo rasgada”.

Aconteceu. Mas quem se importa.

PS: Soube-se nesta sexta-feira 5 que Eduardo Azeredo, ex-governador de Minas Gerais filiado ao PSDB, condenado em segunda instância por corrupção, poderá votar no domingo. Lula, na mesma situação, está proibido de exercer o mesmo direito.

Sérgio Lirio
No CartaCapital
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Tem dedo da CIA nas Eleições do Brasil


O crescimento do fascismo bolsonarista na reta final, turbinado por uma avalanche de fake news disseminadas pela internet, não chega a surpreender.

Trata-se de tática já antiga desenvolvida pelas agências americanas e britânicas de inteligência, com o intuito de manipular opinião pública e influir em processos políticos e eleições. Foi usada na Ucrânia, na “primavera árabe” e no Brasil de 2013.

Há ciência por trás dessa manipulação.

Alguns acham que as eleições são vencidas ou perdidas apenas em debates rigorosamente racionais, em torno de programas e propostas.

Não é bem assim.

Na realidade, como bem argumenta Drew Westen, professor de psicologia e psiquiatria da Universidade de Emory, no seu livro “O Cérebro Político: O Papel da Emoção na Decisão do Destino de uma Nação”, os sentimentos frequentemente são mais decisivos na definição do voto.

Westen argumenta, com base nos recentes estudos da neurociência sobre o tema, que, ao contrário do que dá a entender essa concepção, o cérebro humano toma decisões fundamentado principalmente em emoções. O cérebro político em particular, afirma Westen, é um cérebro emocional. Os eleitores fazem escolhas fortemente baseados em suas percepções emocionais sobre partidos e candidatos. Análises racionais e dados empíricos jogam, em geral, papel secundário nesse processo.

Aí é que entra o grande poder de manipulação pela produção de informações de forte conteúdo emocional e as fake news.

Os documentos revelados por Edward Snowden comprovaram que os serviços de inteligência dos EUA e do Reino Unido possuem unidades especializadas e sofisticadas que se dedicam a manipular as informações que circulam na internet e mudar os rumos da opinião pública.

Por exemplo, a unidade do Joint Threat Research Intelligence Group do Quartel-General de Comunicações do Governo (GCHQ), a agência de inteligência britânica, tem como missão e escopo incluir o uso de "truques sujos" para "destruir, negar, degradar e atrapalhar" os inimigos.

As táticas básicas incluem injetar material falso na Internet para destruir a reputação de alvos e manipular o discurso e o ativismo on-line. Assim, os métodos incluem postar material na Internet e atribuí-lo falsamente a outra pessoa, fingindo-se ser vítima do indivíduo cuja reputação está destinada a ser destruída, e postar "informações negativas" em vários fóruns que podem ser usados.

Em suma:

(1) injetar todo tipo de material falso na internet para destruir a reputação de seus alvos; e (2) usar as ciências sociais e outras técnicas psicossociais para manipular o discurso on-line e o ativismo, com o intuito de gerar resultados que considerados desejáveis.

Mas não se trata de qualquer informação. Não. As informações são escolhidas para causar grande impacto emocional; não para promover debates ou rebater informações concretas.

Uma das técnicas mais usadas tange à “manipulação de fotos e vídeos”, que tem efeito emocional forte e imediato e tendem a ser rapidamente “viralizadas”. A vice Manuela, por exemplo, tem sido alvo constante dessas manipulações. Também Haddad tem sido vítima usual de declarações absolutamente falsas e de manipulações de imagens e discursos.

A abjeta manipulação de imagens de “mamadeiras eróticas”, que estariam sendo distribuídas pelo PT, é uma amostra de quão baixa pode ser a campanha de “truques sujos” recomendada pelas agências de inteligência norte-americanas e britânicas.

Muito embora tais manipulações sejam muito baixas e, aos olhos de uma pessoal racional, inverossímeis, elas têm grande e forte penetração no cérebro político emocional de vastas camadas da população.

Nada é feito ao acaso. Antes de serem produzidas e disseminadas, tais manipulações grosseiras são estudadas de forma provocar o maior estrago possível. Elas são especificamente dirigidas a grupos da internet que, por terem baixo grau de discernimento e forte conservadorismo, tendem a se chocar e a acreditar nessas manipulações grotescas.

Na realidade, o que vem acontecendo hoje no Brasil revela um alto grau de sofisticação manipulativa, o que exige treinamento e vultosas somas de dinheiro. De onde vem tudo isso? Do capital nacional? Ou será que há recursos financeiros, técnicos e logísticos vindos também do exterior?

É óbvio que isso demandaria uma investigação séria, a qual, aparentemente, não acontecerá. Só haverá investigação se alguém da esquerda postar alguma informação duvidosa.

O capital financeiro internacional e nacional, bem como setores do empresariado produtivo, já fecharam com Bolsonaro, no segundo turno. Boa parte da mídia oligárquica também. O mal denominado “centro”, na verdade uma direita raivosa e golpista, ante a ameaça de desaparecimento político, começa, da mesma maneira, a aderir, em parte, ao fascismo tupiniquim, tentando sobreviver das migalhas políticas que poderiam obter, caso o Coiso e Mourão, o Ariano, ganhem.

Trata-se, evidentemente, do suicídio definitivo da democracia brasileira e de uma aposta no conflito, no confronto, no autoritarismo e no fascismo, o que levaria a economia e a política brasileiras ao profundo agravamento de suas crises.

Contudo, esse agravamento da crise político-institucional e econômica, que inevitavelmente seria acarretado pela vitória do protofascista Bolsonaro, poderá ser útil aos interesses daqueles que querem se apossar de recursos estratégicos do país e de empresas brasileiras.

O caos e a insegurança podem ser úteis, principalmente para quem está de fora. Vimos isso muitas vezes no Oriente Médio. No limite, o golpe poderá ser aprofundado por uma “solução de força”, bancada pelo Judiciário e pelos militares. Desse modo, seria aberta a porteira para retrocessos bem mais amplos que os conseguidos por Temer. Retrocessos principalmente do ponto de vista da soberania nacional.

Do ponto de vista geoestratégico, o prometido alinhamento automático de Bolsonaro a Trump, seria de grande interesse para os EUA na região. Como se sabe, a prioridade estratégica atual dos EUA é o “grande jogo de poder contra China e Rússia”, entre outros. Bolsonaro, que já prometeu doar Alcântara ao americanos e privatizar tudo, poderia ser a ponta de lança dos interesses dos EUA na região, intervindo na Venezuela e se contrapondo aos objetivos russos e chineses na América do Sul.

Por isso, parece-nos óbvio que há um dedo, ou mãos inteiras, de agências de inteligência estrangeiras, principalmente norte-americanas, na disputa eleitoral do Brasil. O modus operandi exibido nessa reta final é idêntico ao utilizado em outros países e demanda recursos técnicos e financeiros e um grau de sofisticação manipulativa que a campanha de Bolsonaro não parece dispor.

A CIA e outras agência estão aqui, atuando de forma extensa.

Cabe às forças progressistas se contrapor, de forma coordenada, a esse processo manipulativo. E a resposta não pode ser apenas contrapor racionalidade ao ódio manipulativo. A resposta, para a disputa do cérebro político, tem de ser também emocional.

O ódio anti-PT, antiesquerda, antidemocracia, antidireitos, anti-igualdade etc., que anima Bolsonaro e que foi criado pelo golpismo e sua mídia fake, tem desse ser combatido pela projeção de sentimentos antagônicos, como esperança, amor, solidariedade, alegria e felicidade.

Eles projetam um passado de exclusão, violência e sofrimentos. Nós temos de projetar um futuro de segurança e realizações.

Quanto à campanha sórdida de difamação e manipulação, orientada de fora, o nosso lema deve ser o mesmo de Adlai Stevenson, o grande político democrata dos EUA, que propôs ao republicanos: “Vocês parem de falar mentiras sobre os Democratas e eu pararei de falar a verdade sobre vocês”.

O Coiso, Mourão, o Ariano, e a “famiglia” Bolsonaro só falam aberrações chocantes, devidamente comprovadas. Não são fake news. Assim, basta expô-los a sua própria verdade. Derreterão como vampiros na luz do sol.

Marcelo Zero
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A esquerda dominou o debate


A ótima análise do debate de ontem, feita pelo publicitário – com longa experiência de propaganda política e análise de opinião pública – Hayle Gadelha, em seu blog Daqui&Dali, mostra que, se algo marcou o debate da Globo foi, finalmente, o surgimento do embrião da aliança que será decisiva para o segundo turno das eleições.

Três debates em um

Hayle Gadelha

O debate da Globo realizado na noite desta sexta-feira tinha tudo para ser o gran finale dessa estranha campanha eleitoral que o Brasil está vivendo. Acabou sendo, surpreendentemente, uma grande maluquice, várias maluquices, vários debates em um só.

Primeiro, aconteceu de não contar com o candidato que lidera as pesquisas, que preferiu se esconder em uma entrevista na emissora vizinha. Fez bem, poupou a grande maioria da audiência-Brasil de ter que assistir o seu espetáculo grotesco.

Depois, o telespectador, tão acostumado com a grandeza da emissora e seu famoso apresentador de telejornais, defrontou-se com um William Bonner trapalhão, confundindo-se permanentemente.

E ao longo do debate o respeitável público pôde concluir que existem três conjuntos de candidatos.

O primeiro conjunto é formado por Haddad, Ciro e Boulos. Eles foram bem além de demonstrar que são os candidatos mais à esquerda do espectro político. Demonstraram conhecimento bem mais profundo sobre o produto Brasil. Tinham sempre mais argumentos e propostas sólidas sobre como administrar o país. Não se deixaram intimidar com os ataques que vieram dos que estavam bem abaixo.

Haddad, extremamente preciso em todas as suas respostas, firmeza no apoio a Lula (óbvio), deu aula de Brasil. Bem humorado e concentrado. É o próprio PT, preparado para enfrentar qualquer adversário. Sem dúvida, é o candidato certo para representar Lula e derrotar a ameaça fascista.

Ciro, o mais impulsivo – mas sempre com grande habilidade política -, soube manter a harmonia de esquerda, sem deixar de se posicionar como candidatíssimo à presidência, apesar de aparecer em terceiro lugar, com certa distância a percorrer, se quer alcançar Haddad.

Boulos, o mais à esquerda, digamos assim, demonstrou mais uma vez que está bem informado e bem formado para enfrentar um debate em qualquer nível político. Sabe que não tem chances de se eleger, mas movimenta-se e fala como se tivesse ainda alguma chance de pelo menos chegar a uma votação de destaque.

Juntos, esses três deram um “chega pra lá” nos outros candidatos.

O segundo conjunto foi formado por Alckmin, Marina e Álvaro Dias. Esse foi o grupo dos desesperados, aqueles que querem demonstrar de qualquer maneira que ainda são candidatos viáveis, ou algo assim.

Alckmin, o mais chato, parece que ainda não entendeu que deu ruim pra ele. Ataca mais o PT do que qualquer coisa (no que, aliás, está certo). Tem que acreditar que poderá substituir Haddad – e espera que ninguém lhe dê um beliscão para acordar. Passa a imagem de desesperado.

Marina, o que dizer? É a cara do desgosto. Parece alguém que desistiu de tudo, exceto de vingar-se. Mas não fica bem claro de que ela tem tanto ódio. Ou melhor, certamente é do PT, o partido que tem todos os votos que ela gostaria de ter. Ela precisa, antes de qualquer coisa, abandonar tanta amargura.

Álvaro Dias, meu Deus, o que é aquilo? Um trapalhão raivoso colocado em cena para bater no PT. Não se sabe a serviço de quem…

E o terceiro conjunto é de um homem só, o milionário Henrique Meirelles. Um dia o respeitável público poderá entender melhor o que ele faz ali naquele palco iluminado, um lugar que comprou por alguns milhões de dólares de sua fortuna pessoal (que ele deve ter construído com muito suor…).

Se alguém ganhou alguma coisa ali, foi o primeiro bloco de candidatos. E a Globo, claro, apesar das trapalhadas de sua grande estrela – o que deve ter divertido muita gente…

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