30 de set. de 2018

Bolsonaros chafurdam na imundície


Está no jornal O Globo. Está, também, no Estadão, reproduzido no portal Terra.

Eduardo Bolsonaro, deputado e chefe da campanha do pai, Jair, falou, com todas as letras, hoje, na avenida Brasil, antes que São Pedro abrisse as torneiras do “EleNão” sobre a Avenida Paulista.

“As mulheres de direita são mais bonitas que as da esquerda. Elas não mostram os peitos nas ruas nem defecam nas ruas. As mulheres de direita têm mais higiene”.

Perdão, não dá para comentar este tipo de monstruosidade.

A misoginia, neste patamar, é patológica.

Questão de higiene é banir da política quem queira fazer dela o lugar deste tipo de barbaridades, próprias de porcos bêbados.

Natural aliás, para quem procura fazer da pornografia aliada de campanha por “Deus e pela Família”, com Alexandre Frota como seu cabo eleitoral.

Por mais que eu saiba que isso é danoso aos planos da direta e seja reflexo de seu desespero eleitoral, não dá para deixar de sentir repugnância.

Nem para considerar que acabar com isso seja uma questão meramente eleitoral. É sanitária, civilizatória.

Fernando Brito
No Tijolaço
Leia Mais ►

Por que #Elenão?


Quando a Alemanha foi derrotada, em 1945, após uma guerra de extermínio bestial que deslanchou contra seus vizinhos, a maioria da população alemã pretendeu não ter nada a ver com isso. Envergonhada, escondeu-se no silêncio por mais de duas décadas. Precisou de os filhos dos partícipes darem o basta à hipocrisia e exigirem esclarecimento sobre o que ocorreu, para as instituições se depurarem do mofo do passado fascista e se renovarem democraticamente. Fazer a passagem da assunção da verdade e da promoção da autocrítica foi um pressuposto civilizatório para a Alemanha se restabelecer altiva e livre no seio das nações.

O Brasil não passou por uma guerra das proporções daquela que arrasou a Europa e cobrou seu tributo com a vida de dezenas de milhões de inocentes. Mas passa por um conflito secular não menos brutal, entre os que se autoproclamam donos do poder e os excluídos de todas conquistas econômicas e sociais resultantes de seu trabalho suado e não reconhecido. Também essa injustiça tem nos apresentado uma alta conta. Somos um país atrasado pela educação de baixíssima qualidade, pelo estado mórbido crônico de sua população sujeita a um sistema de saúde pública em frangalhos, pelo déficit habitacional que impõe substancial parte de brasileiras e brasileiros viverem em barracos sujos, sem saneamento e rodeados de violência criminosa.

O pior de tudo isso que ocorre no Brasil é a incapacidade de nossos autoproclamados donos do poder de exercer um mínimo de autocrítica. São autossuficientes, arrogantes e se creem generosos e bondosos. Veem como virtude o que não passa de obrigação. Restituir a liberdade aos escravos no século XIX, por exemplo: ainda que tenha o Brasil sido o último país do chamado mundo ocidental a abandonar tal vergonhosa prática, a elite brasileira acha que foi muito virtuosa na promulgação da lei áurea. Foi nada. Despejou milhões de afrodescendentes na mais profunda miséria e nunca cogitou de lhe pedir perdão pelos séculos de tratamento cruel e muito menos de indenizar sua diáspora forçada, seu trabalho e seu sofrimento. Até hoje, nossos habitantes da redoma escandinaviforme de bem-estar social olham para afrodescendentes com desdém, naturalizando, banalizando seu estado de despossuimento crônico. Alguns ainda abraçam cínicas explicações espíritas, a qualificarem o destino desgraçado desses pobres como resultado da evolução espiritual... e se acham ainda muito gente boa por isso.

Dá asco o descompromisso com a miséria alheia. Dá vergonha de ser brasileiro e ver uma senhora com sua filha clamando por ajuda na porta do supermercado, pedindo apenas um saco de feijão, e ser vista pela maioria dos transeuntes como estorvo, indiferentes com a injustiça estampada em sua frente. Temos um déficit enorme de empatia, o que chega a ser doentio, psicótico. E, quando damos alguma esmola, o fazemos no mais das vezes para cultivar virtudes inexistentes, para nos assegurarmos de nossa autoimagem de bonomia, proclamada narcisisticamente aos quatro ventos das redes sociais.

Mas, índios são preguiçosos, quilombolas gordos e incapazes de procriar de tão indolentes, negros são violentos e abusados, homoafetivos são desnaturados e mulheres que lutam por seus direitos não passam de histéricas que não conhecem o seu lugar. – Esse é o senso comum, assumido por muitos e enrustido por outros, sobre o lugar do próximo em nossa sociedade. Somos uns trogloditas muito distantes do estágio civilizatório mínimo da contemporaneidade. O preconceito aqui viceja numa estupidez prepotente não encontrada alhures.

O ódio político disseminado contra a esquerda partidária, em especial contra o Partido dos Trabalhadores e suas lideranças, por intensa campanha de desacreditamento da solidariedade social, se espalhou nesse ambiente como uma epidemia. O alvo da ira ousara, quando no governo, colocar em cheque essa soberba autoimagem de brandura e magnanimidade de brasileiras e brasileiros afortunados. Tirou-os de seu delírio para obrigá-los a ver a realidade e a arregaçar as mangas para transformá-la ou ser expulsa de seu berço esplêndido. Treze anos de governo petista sacudiram os fundamentos dessa maya elitista.

A resposta não tardou de vir na forma de militância política da bronca. Bolsonaro e sua direita fascista, pseudomoralista são o chorume dos dejetos da discriminação social, do desprezo da miséria alheia e da recusa de empatia. Usam sentimento falso de brasilidade nacionalista para criar um estado de espírito de agnação entre idiotas autossuficientes e um sentimento coletivo de potência a desarmar os mecanismos de autocontrole e de autocontenção de instintos mais violentos. Propagam fobias, ilusões e mentiras em redes sociais e pelo discurso da propaganda política. Vivem num mundo artificial de conspirações contra si, estimulando a paranoia coletiva. E tudo isso para deixar o Brasil podre do jeito que gostam.

É nesse momento que se encontra o Brasil, numa encruzilhada entre a retomada do caminho da autocrítica e da superação histórica e a rota da estagnação viciada na sociedade escravocrata que ainda não deixamos de ser. De um lado, Lula, o preso, refém do deterioração institucional, do golpe raivoso contra o progresso social; de outro, Bolsonaro e seu exército de zumbis desmiolados a serviço do atraso, crias involuntárias, filhos ilegítimos desse golpismo de nossa elite, que não respeita voto e nem soberania popular.

A deterioração institucional que mantém Lula encarcerado corresponde à profunda contaminação de carreiras de estado pelo corporativismo e o sequestro da soberania popular pela burocracia sem voto. “Yes, we can” parece ser o grito de guerra de agentes de estado mobilizados pela mídia oligopolizada e tomados por um populismo fascista. Expressão disso é a ousadia indiferente de juízes, membros do ministério público e funcionários da polícia no seu confronto com a lei. Em nome de um tal “combate à corrupção”, que há muito já se converteu num combate à política, tudo é permitido, até desacatar ordens de instâncias superiores que, na avaliação pessoal desse ou daquele agente, não se acha conforme com os fins do combate. O episódio que levou ao arranca-rabo entre o Sérgio Moro de sempre e o desembargador Favreto oferece um bom exemplo disso.

Depois que destituíram a presidenta da república eleita através de um procedimento parlamentar fraudulento de impedimento não há mais limites para a ousadia. O judiciário em peso aderiu à iniciativa, não só cruzando o braço na tarefa de garantir os estado democrático de direito, mas ativamente admoestando o grupo político em torno da destituída, mormente o PT, para que, com reputação abalada, nunca mais tivesse uma chance de governar. A prisão de Lula foi a cerejinha desse bolo golpista. E tudo que permitisse Lula reaparecer tem sido furiosamente bloqueado, a começar por sua candidatura. Dane-se a legislação eleitoral, danem-se os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil na defesa dos direitos humanos e particularmente do devido processo legal. A palavra de moderação dos órgãos de monitoramento de tratados de direitos humanos não valem nada.

Na outra ponta, os golpistas, dentro e fora do judiciário, assustam-se e fazem carinha de nojo para o bolsonarismo. Criaram-no ao tentarem destruir a imagem do governo democrático inclusivo liderado pelo PT. Estimularam o ódio e o desrespeito ao resultado de eleições. E agora veem o incêndio que provocaram atingir os telhados de suas casas de conforto e abundância. Burgueses e seus asseclas na burocracia não gostam de se identificar com esses brucutus que expressam sem pejo seus preconceitos misóginos, homofóbicos e racistas. Não que eles não sejam tudo isso, mas o estilo da Casa Grande é mais hipócrita. É assim que sobreviveu por mais de quinhentos anos neste Brasil atrasado. Adoram se exibir de um lado liberal nos costumes, pelo glamour desse falso liberalismo que não adentra a essência de uma sociedade dividida entre os que tudo têm e os que nada merecem. A aparência de liberal, gentil e tolerante é seu principal ardil para enganar trouxas explorados que se orgulham desse país “cristão e livre, graças a Deus”.

Mas os trouxas resolveram exagerar na dose e achar que cultivar abertamente o preconceito faz parte da gramática do Brasil cristão e livre. Que negros, feministas, homoafetivos, índios e esquerdistas vão para o inferno! A liberdade, para esses imbecis, é poder ser politicamente incorreto e rir de quem se choca com sua incorreção. A cretinice solta nas redes sociais parece confirmar as suposições desses beócios. Sentem-se livres para se comportarem feito nazistas.

Parte da elite teme que sua cara de bom-moço sofra trincas irreparáveis com a ação do exército desses fascistas idiotas. Afinal, sua aceitação nos salões financeiros internacionais sempre foi suportada por um certo flair de gente boa que brasileiros disseminaram mundo afora. Mas é tarde. Nem Henrique Meirelles e nem Geraldo Alckmin, os representantes dessa elite, conseguem alçar voos mais altos nesta eleição. Cederam seu lugar para a cria de seu ódio de classe.

O cenário é muito parecido com o da Alemanha de Weimar no início da década de trinta. A burguesia não gostava dos nazistas baixo-nível em torno de Adolf Hitler e sua SA barulhenta, mas não tinha mais gás para enfrentar a massa de descontentes com sua política de negação de direitos e de socialização da miséria: ou era Hitler, ou era a esquerda política. E, por mais nojo que tinha dos nazistas, acabou embarcando na aventura de lhes entregar o governo, achando que os colocaria nos trilhos da institucionalidade, por bem ou por mal. Ledo engano. Os nazistas os atropelaram e levaram a Alemanha e o mundo para a maior tragédia da modernidade com sua doutrina de ódio e de intolerância.

A encruzilhada está aí. Ainda é tempo para pensar. Que nossa elitezinha hipócrita não caia na mesma esparrela. Está na hora da autocrítica e é melhor fazê-la antes que a tragédia nos engula a todos. Por isso, #Elenão.

Eugênio Aragão, ex-ministro da Justiça
Leia Mais ►

O apoio de Edir Macedo a Bolsonaro é a melhor notícia que Haddad poderia ter

Ele
A notícia mais alvissareira para a campanha de Fernando Haddad é a do apoio de Edir Macedo a Jair Bolsonaro.

Lauro Jardim conta no Globo que o bispo reuniu a cúpula de sua igreja e ordenou o desembarque da candidatura de Geraldo Alckmin.

“O PRB, braço partidário da Universal e sócio-fundador do Centrão, apoia oficialmente a coligação tucana”, diz a nota.

Também mandou “descarregar todas as forças e orações” (entenda como quiser) no capitão e avisou que vai gravar um vídeo para a campanha.

Macedo é mais um líder evangélico no barco de Bolsonaro.

Na semana passada, Robson Rodovalho (não é nome de veneno para cupim), da Sara Nossa Terra, presidente de uma tal Confederação dos Conselhos de Pastores do Brasil, anunciou que estava com Jair.

Haddad vem subindo de maneira consistente nas pesquisas sem precisar dar o braço para a picaretagem gospel.

Representa hoje, mais do que nunca, o oposto desse obscurantismo. Não precisa tirar foto com Maluf.

Edir deu seu apoio a Lula e Dilma. Em 2014, ela foi ao Templo de Salomão, um elefante branco que grita “mãos ao alto” em cada tijolo, para um beija mão.


O que isso lhe rendeu, retrospectivamente?

Eu arrisco falar: nada. Provavelmente tirou votos de jovens que não conseguem achar que vale tudo na política. 

Edir, sua agenda e o que ele simboliza são a cara de Bolsonaro. Afinidade eletiva.

Se Edir tivesse toda essa força, Flávio Rocha não teria soçobrado num fiasco patético (e a Record teria a liderança do Ibope produzindo aquele lixo).

Haddad pode surfar no espíritos do Elenão e na onda antifascista.

O neopentecostalismo picareta que abrace seu messias. De um lado Edir, Malafaia e Feliciano, de outro o Papa Francisco.

Aliás, aos supersticiosos, Francisco pediu orações contra o diabo em outubro.

Por via das dúvidas, não custa nada.

Kiko Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

Brasil não vota a favor da Declaração de Direitos dos Camponeses na ONU

Embaixadora do governo Temer pediu que fossem retirados trechos de direitos humanos no documento, para não afetar as atividades agrícolas comerciais do Brasil


Durante a votação da Declaração de Direitos dos Camponeses pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, nesta sexta-feira (28), o Brasil foi o único país da América Latina a não votar favorável ao texto e fez questão de ressaltar que, apesar de ser aprovado por 33 países, o documento tem apenas "um caráter voluntário" e que as leis brasileiras terão maior validade.

A decisão do Brasil, representado no encontro pela embaixadora Maria Nazareth Farani Azevedo, surpreendeu os demais países latino-americanos. O texto é um compromisso dos países membros da ONU contra a violência rural e esforços para garantir o direito à terra.

Mas a representação internacional do Brasil do governo Temer preferiu não aceitar o documento, do qual o caracterizou como "um rascunho imperfeito", contra os votos de outros 33 países do Conselho de Direitos Humanos. Com o apoio da grande maioria do Conselho, o documento está liberado para receber a aprovação final da Assembleia Geral da ONU, o principal órgão de tomada de decisões das Nações Unidas.

Além do Brasil, outros países também preferiram não votar, incluindo Japão, Alemanha e Espanha. Mas foi o único da região a não se omitir sobre a recomendação internacional que, entre outras coisas, pede que "Estados devem proteger e respeitar os direitos de camponeses", entre eles o direito à "saúde", a "semente" e a "não ser alvo de violência".

"Camponeses têm o direito à terra, individualmente ou coletivamente, inclusive o direito de ter acesso e uso da terra para atingir um padrão de vida adequado, para ter um lugar para viver em segurança, paz e dignidade", traz um dos trechos da Declaração.

Este é um dos temas que foi considerado como "complexos e sensíveis" pela embaixadora brasileira em nome do governo Temer. Além deste, a garantia de que os camponeses sejam "protegidos contra deslocamentos arbitrários de suas terras" também seria "complexo" para o Brasil ali representado.

O motivo dado por Maria Nazareth Azevedo para abster o Brasil do voto favorável à Declaração de Direitos dos Camponeses foi que as demandas do Itamaraty para a modificações no texto não foram atendidas e que as leis brasileiras teriam que ter prioridade sobre esse entendimento internacional.

Entre as demandas solicitadas, formas de manter os interesses dos grandes agricultores seriam uma delas:

"O Brasil conta com 4 milhões de pequenos agricultores que são responsáveis por 70% dos alimentos que consumimos. Ao mesmo tempo, o País dispõe de um setor agrícola comercial eficiente e produtivo, que responde por parte significativa da exportação brasileira. Para nós, é fundamental encontrar um equilíbrio justo que permita apoiar os pequenos agricultores sem afetar as atividades agrícolas comerciais", defendeu.

Para isso, o Brasil pediu que fosse retirado o parágrafo que trata de direitos humanos. E também queria que se acrescentasse uma referência aos agroquímicos dentro de padrões internacionais. "Lamentamos a oportunidade perdida para aperfeiçoar o rascunho", criticou.

Ao contrário do entendimento do Itamaraty do governo Temer na ocasião, 70 organizações e entidades de camponeses, comunidades e trabalhadores da Agricultura cobraram o voto favorável do Brasil à Declaração. Mas o país não atendeu. De acordo com reportagem de O Estado de S.Paulo, governos latino-americanos confessaram ter sido surpreendidos pela posição do Brasil.

No GGN
Leia Mais ►

É através de juízes como Fux que Bolsonaros são possíveis


Estranha o fato de não estranharmos a declaração estapafúrdia que foi dada pelo presidenciável Jair Bolsonaro acerca do que ele espera das eleições de 2018.

Numa entrevista dada ainda num quarto de hospital, disse o capitão da reserva: “Não aceito resultado diferente da minha eleição”.

Já não é salutar para o espírito democrático que nos jogos de várzeas o dono da bola tenha lá seus arroubos de totalitarismo, mas que isso se dê no seio da República sob as barbas dos tribunais superiores do país, mais do que escárnio, é o resultado da locupletação de instituições à beira da falência.

Seria inclusive um caso de ineditismo no sistema democrático brasileiro o fato de que alguém que se presta a concorrer um pleito, só admitir como resultado da expressão soberana de uma nação de mais de 200 milhões de pessoas, a sua própria vitória.

Seria se já não tivéssemos experimentado os frutos da consequência de um mau perdedor como o foi Aécio Neves. Pela birra de um moleque mimado que até então jamais havia sido contrariado, jogaram uma nação inteira no abismo.

Só esse episódio, aliás, já seria mais do que suficiente para que versões pioradas do “mineirinho” fosse imediata e categoricamente eliminada da vida pública brasileira.

Até porque, a cumprir-se todas as previsões de todas as mais recentes pesquisas eleitorais, ou seja, a derrota de Bolsonaro no segundo turno para Haddad, o que o capitão acena com essa declaração nada mais é do que a tentativa desesperada de reeditar uma tragédia provocada pelo inconformismo e pela irresponsabilidade de quem não possui as mínimas credenciais civis, públicas e intelectuais para conviver com as regras do jogo democrático.

A questão aqui consegue ser pior do que já parece.

A bem da verdade não é de se admirar que numa democracia, junto a todos os valores que ela abarca, surjam sujeitos que de uma forma ou de outra queiram em sã consciência ou não, enfraquecê-la ou mesmo eliminá-la.

A despeito disso, há sempre remédios jurídicos para esses indivíduos.

Porém, para o caso brasileiro, reside justamente aí um dos grandes problemas nacionais. As reincidentes falhas e omissões do nosso sistema judicial provocaram – e ainda estão a provocar – a perigosa pavimentação para a proliferação do descrédito na política e de tudo que dele decorre.

Os exemplos nessa seara são muitos, mas nesse particular o ministro Luiz Fux apresenta especial desenvoltura.

Notado representante de um reacionarismo sectário judicial, Fux vem dando sequenciais demonstrações do quanto o Supremo Tribunal Federal pode contribuir para um estado de coisas em que tudo é permitido, menos a lei.

A sua última intransigente decisão de barrar a entrevista do ex-presidente Lula, em flagrante afronta à decisão anterior proferida por um par seu, mostra que no ideal de Estado Democrático de Direito que ele vislumbra, as liberdades de imprensa e de expressão são valores dispensáveis.

Fux é uma espécie de contraventor da Constituição, uma óbvia contradição em si para o cargo que ocupa.

E é também por atuações desastrosas como a sua no STF que maníacos como Jair Bolsonaro são possíveis.

Eliminar o fascismo no Brasil não se encerra com a defenestração de um candidato nitidamente fascista.

Passa, sobretudo, por expurgar esses ideais daquilo que deveriam ser as nossas mais solenes instituições.

Carlos Fernandes
No GGN
Leia Mais ►

Apertem os cintos, o presidente do STF sumiu


A decisão de Luiz Fux, de impor censura prévia à Folha, permite duas conclusões adicionais – além da comprovação de que o Supremo não respeita a constituição.
  1. Participação de Toffoli
É evidente que a decisão de Fux foi feita em combinação com o presidente do STF, Dias Toffoli. Fux é um Ministro que não tem o menor pudor de infringir regras morais tácitas. Mas não arriscaria um lance de tal gravidade se não houvesse a garantia de que não seria desautorizado por Toffoli, ainda mais este estando no país.

É evidente que combinaram e Toffoli agradeceu o fato de ter afastado de si o cálice amargo. Não afastou. Havia uma torcida – muito mais do que uma fé – na postura de Toffoli, como presidente do STF. Pensava-se que, depois da desmoralização da gestão Carmen Lúcia, ele se permitiria gestos de grandeza – em que nunca incorreu em todo seu período de Ministro.

Infelizmente, a torcida foi em vão.
  1. Participação de João Roberto Marinho
Fux também não ousaria em investir contra dois dos pilares da imprensa livre – o direito à informação e a proibição da censura prévia – sem ter a garantia de que seria blindado. E nada melhor do que João Roberto Marinho, seu amigo de infância e presidente da Globo.

Amanheceu domingo sem que nenhum jornal, nem a própria Folha, publicasse um editorial de condenação ao mais grave atentado à liberdade de informação desde o fim do regime militar.

Some-se a ausência de cobertura das televisões, nos atos históricos das mulheres contra Bolsonaro, para se constatar que, em nome da partidarização, a imprensa até se permite ser censurada.

Luís Nassif
No GGN
Leia Mais ►

#Ele Não



Movimento tomas as ruas e a sua ampliação por trabalhadores, negros e índios pode abrir caminho para uma aliança antifascista no segundo turno.

Iniciado, pelo que informa a imprensa, por um núcleo de apenas 30 mulheres, que trabalharam, replicando as táticas da extrema-direita, principalmente com as redes sociais, usando o Facebook e o WhatsApp, o movimento #Ele Não transformou-se, com as manifestações de ontem no Brasil e no exterior, no maior fenômeno político das eleições até agora, abrindo caminho para a criação, pelos próprios cidadãos, de uma ampla aliança democrática antifascista para o segundo turno, com o intuito de impedir a ascensão, neste país, de um governo autoritário, violento, racista, preconceituoso, armamentista, misógino, inquisitorial, retrógrado e medieval a partir do dia primeiro de janeiro do ano que vem.

Resta saber agora se a bem sucedida estratégia das mulheres brasileiras será adotada por outros grupos sociais que estão sendo ameaçados por essa perspectiva.

Como os jovens, os trabalhadores - vide declarações em defesa do fim do décimo-terceiro e do ECA, entre outros absurdos recentes - os negros e os índios, com a criação de suas próprias comunidades no Facebook, a adoção do mesmo slogan e a realização, depois de marchas setoriais, de manifestações conjuntas no segundo Turno.

Do ponto de vista tático-eleitoral, duas grandes ameaças pairam sobre a democracia brasileira.

A primeira, representada pela parte mais canalha da elite, responsável em grande parte pelo país ter chegado onde chegamos, que ameaça lavar as mãos como Pilatos no segundo turno ou que já acena pura e simplesmente com a previsível e abjeta adesão a um governo liberticida que tem tudo para destruir a democracia.

Fazendo isso - repetindo o mesmo erro histórico de sempre - como fez a burguesia alemã às vésperas da ascensão de Hitler ao poder, achando que seus interesses seriam protegidos, quando a preservação da liberdade precede e é o pressuposto maior de qualquer perspectiva de paz, da oportunidade e da prosperidade.

E a segunda, o voto nulo e branco (nada a ver com a cor da pele dos candidatos em pauta) que na ponta do lápis, na reta final deverá beneficiar o fascismo, cujos seguidores seguem seus sonhos de brutalidade, estupidez e violência com viseiras presas às orelhas e uma cega, surda e canina fidelidade.

Só a mobilização maciça de trabalhadores, negros, índios, e outros grupos sociais, debaixo do mesmo slogan suprapartidário do #Ele não pode provar que a opção pelo lado escuro da força não é majoritária na sociedade brasileira.

E afastar da opinião pública outras falácias golpistas, como a fantasiosa teoria da carochinha da manipulação das urnas eletrônicas por uma justiça eleitoral que, desafiando o mundo, optou por manter atrás das grades o candidato que desde o início esteve à frente das pesquisas de intenção de voto.

Impedindo-o, à moda da Gestapo e de países sob despudorado Estado de Exceção, para escândalo de nações democráticas e civilizadas, até mesmo de dar entrevistas.

Trinta mulheres, multiplicadas em milhares, começaram a mudar o rumo deste país, mostrando como desviá-lo, como boi farreado, da beira do precipício do retrocesso e da ignorância, para onde parecia estar inexoravelmente indo.

A defesa da Liberdade precisa de mais trinta trabalhadores, trinta artistas, cientistas, intelectuais, homens, trinta negros, trinta índios.

Alguém se habilita?
Leia Mais ►

Conversa de virar mesa

https://www.jb.com.br/colunistas/coisas_da_politica/2018/09/942411-conversa-de-virar-mesa.html

Atravessando um pedregal desde o esfaqueamento, a candidatura de Jair Bolsonaro parou de crescer e começou a ser apedrejada por forças que ainda sonham com sua troca por Geraldo Alckmin num segundo turno contra o PT.

Agora espocam denúncias sobre seus malfeitos nunca antes descobertos, por exemplo, pela revista Veja, com sua expertise.

Ontem ele reagiu com sua mais clara ameaça de virar a mesa se não ganhar: “Não posso falar pelos comandantes. Pelo que vejo nas ruas, não aceito resultado diferente da minha eleição”, disse em entrevista ao programa de TV Brasil Urgente.

Mais uma vez ele se afirma como ameaça real à democracia.

Com a introdução inicial, “não posso falar pelos comandantes”, insinua que pode contar com apoio militar para insurgir-se contra um resultado adverso, denunciando a ocorrência de fraude.

Supostamente ele fala do segundo turno, pois sabe que não tem votos para ganhar no primeiro.

Ontem ele voltou a falar em fraude, a criticar a urna eletrônica e ainda levantou suspeitas contra os técnicos do TSE. Que diz a ministra Rosa Weber?

O que pode fazer um candidato que não aceita o resultado das urnas?

Uma coisa, como ele já insinuou, seria dar um golpe militar com apoio dos “comandantes”. Quando diz obsequiosamente que não pode falar por eles, sugere que a possibilidade de ser apoiado por eles existe.

Do contrário, nem os estaria mencionando.

Outra forma de “não aceitar” o resultado seria liderando uma insurgência civil, abrindo as portas da convulsão social. Bolsonaro nunca foi tão longe mas as instituições não reagem ameaças.

Os candidatos, sim, poderiam firmar um pacto sobre o essencial: Vão concorrer confiando no sistema.

Quem ganhar vai tomar posse, prometendo respeitar as regras do jogo.

É inacreditável que estejamos novamente discutindo a posse do eleito, como em 1955, diante das ameaças da UDN de não permitir a posse de JK se ele ganhasse. Onde foi que nos perdemos?

Os tucanos e o perigo

É preciso reconhecer o papel do candidato tucano Geraldo Alckmin na denúncia do que Bolsonaro representa, não importa que buscando tomar-lhe o papel de anti-PT.

Boa parte dos tucanos, entretanto, prepara a adesão, no segundo turno, ao “candidato da bala”, como diz Alckmin.

“Os ataques ao Bolsonaro têm que parar”, cobrou anteontem o senador Cunha Lima (PSDB-PB).

Em Minas, o vice do candidato tucano ao governo (Anastasia), deputado Marcos Montes, avisou que se Alckmin ficar fora do segundo turno, “vamos ter que dar a mão a Bolsonaro”, para evitar a volta do PT.

Adocicando Bolsonaro, até o chanceler Nunes Ferreira declarou, em Nova York, que seu governo em nada comprometeria a política externa do Brasil.

Há alguns dias o ex-presidente FHC disse que seu partido não teria problema em apoiar o petista Haddad para evitar o perigo Bolsonaro.

Mudou de idéia.

Na carta aberta da semana passada falou no “perigo dos extremos”, em inaceitável equiparação do PT a Bolsonaro.

O PT governou 13 anos sem ferir as regras do jogo. Se quisesse, Lula teria mudado a Constituição (como fez FHC) para disputar o terceiro mandato.

Com Dilma, o PT mal chiou e entregou o poder, submeteu-se ao impeachment que considerou golpe, por ter forçado o enquadramento dela num crime de responsabilidade de araque.

Lula, mito de verdade, não se deixou prender banalmente.

Não fugiu, não se asilou, mas montou seu ritual de resistência antes de entregar-se à Justiça. Está preso.

O PSDB, que ajudou a construir a democracia que temos, não pode ter dúvidas sobre quem ameaça sua sobrevivência.

Esta última declaração de Bolsonaro é tão eloquente quanto a postagem de seu filho, de desenho representando um torturado encapuzado. Se confirmado o segundo turno Haddad-Bolsonaro, para ser contra o PT, para resgatar o eleitor antipetista que perdeu, o PDSB não tem que se atirar nos braços do perigo. Pode optar, como defende outra ala, mais próxima de Alckmin, pela neutralidade, evitando desonrar seu nome de batismo: social-democrata.
Leia Mais ►

Nessas eleições precisamos romper relações

 Imperdível 


Estou rompendo minha relação com você, não por divergência política, mas por total aversão moral

Chegam as eleições e chega o discurso “não vamos deixar que as diferenças políticas estraguem as amizades”. Pois é. Ocorre que o que estamos vendo no cenário atual não são meras divergências políticas, são graves divergências éticas, morais e ideológicas. Não é simples, nem é passageiro.

Quando alguém do nosso círculo de relacionamentos afirma que vai votar em um candidato que se posiciona a favor da tortura, a favor de “metralhar” pessoas, a favor de exterminar uns 30 mil e que diz que a ditadura militar no Brasil “matou pouco” NÃO PODE HAVER RELATIVIZAÇÃO. A pessoa que vota nesse candidato está endossando este discurso, está assinando embaixo dele, dizendo que concorda.

Quando um amigo, parente, colega de trabalho, declara seu voto num candidato que faz apologia à violência de gênero, à cultura do estupro e às discriminações contra mulheres no mundo do trabalho, essa pessoa está mostrando claramente quem ela é e aquilo em que acredita. Não, não tem desculpa, não tem “mas”, não tem “ah, mas também não é assim tão grave”. É.

Quando alguém apoia quem diz que seus filhos não namorariam mulheres negras porque foram bem educados, a verdade é que eles pensam o mesmo. O mesmo vale para todo o discurso homofóbico, violento e ameaçador contra as liberdades individuais. Quem vota numa pessoa com esse perfil, não está enganado, desesperado ou perdido: por mais duro que seja, precisamos admitir que essas pessoas simplesmente pensam como ele.

Quando admitem votar numa chapa que diz que quando mãe e avó criam crianças sozinhas estão fabricando desajustados, quando dizem que uma constituição não precisa ser redigida por indivíduos eleitos pelo povo, quando literalmente joga-se a lei no lixo, não há espaço para “porém”, “contudo”, “todavia”. Tá tudo muito claro.

Temos que acabar com o “ah, mas é meu tio”, “ah, mas eu estudei com ela na escola”, “ah, mas a gente sempre se encontra no happy hour”, “ah, mas é meu vizinho”, “ah, mas é um paquera do passado”. Não dá mais gente. Não dá. Está grave demais, não há mais espaço para desculpas e relativizações. Relevar essas condutas e aceitar esses relacionamentos sabendo desses votos, é dizer “tudo bem, você é machista, misógino, homofóbico, racista e violento, mas eu gosto de você mesmo assim”.

Eu não quero mais. Não quero mais essas relações, não quero mais essas pessoas. Faço questão de dizer isso: estou rompendo minha relação com você, não por divergência política, mas por total aversão moral. Quem apoia a violência e o ódio não é bem vindo na minha casa, não divide mesa de bar comigo, não convive com a minha família. Com divergência política a gente convive. A gente dialoga, ouve, pondera. Mas com isso, com ignorância e truculência, com ódio, com eles, não. Eles não.

Ruth Manus
Leia Mais ►

O dia em que a mídia tradicional foi derrotada com o fascismo

https://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2018/09/30/o-dia-em-que-a-midia-tradicional-foi-derrotada-com-o-fascismo/

Junto ao enterro do corpo do fascismo, que ainda vai estrebuchar mais um pouco, mas que não resistirá à força das ruas, também se foi a mídia tradicional com a sua tentativa de manipulação abjeta

Foto: Mídia Ninja
O Brasil não é um país para amadores, mas os profissionais que acham que mandam nele também não são essa Brastemp toda.

Em 2015, quando se iniciaram os atos a favor do impeachment de Dilma, para quem entende um pouco de mídia ficava clara quais eram as estratégias dos grandes grupos de comunicação e das elites brasileiras para colocar gente na rua.

Os eventos do Nordeste e de cidades menores eram realizados pela manhã, depois vinha o Rio e o a tarde ficava para São Paulo.

Assim, a Globo e a GloboNews, em especial, mas junta com elas quase todas as outras emissoras de TV e rádio iam em escalada cobrindo e convocando gente para as manifestações.

As do Nordeste eram fracas, mas apareciam na tela em plano fechado para dar a impressão de terem reunido muitos.

E assim, garantia-se a convocatória para o que importava, a de São Paulo, o estado mais conservador do país e cuja população tinha votado em massa no adversário de Dilma.

Antes disso, grupos como o MBL e Vem pra Rua investiam milhares de reais todos os dias nas redes sociais para agitar o ambiente.

E o sucesso se dava. São Paulo entregou no dia 15 de março de 2015 uma enorme manifestação que acabou depois com o tempo e os erros do governo, que foram se acumulando, garantindo novos atos gigantes em outros domingos.

Ontem não, ontem foi tudo diferente.

Um grupo de mulheres abriu uma página na internet contra Bolsonaro que apenas com a divulgação das redes e de mídias livres e alternativas como a Fórum foi ganhando seguidores até virar notícia em veículos comerciais quando atingiu 1 milhão de seguidores.

O ato foi marcado sendo divulgado quase que tão somente pelos mesmos canais e de repente explodiu como uma das maiores manifestações da história do país. Com um discurso claro, sem meias palavras, contra uma candidatura e suas ideias. A favor da democracia, mas não de uma democracia vazia. Uma democracia que não admite a tortura, o machismo, o racismo, a homofobia. Uma democracia de direitos. Uma democracia #EleNão.

E o que a Globo a GloboNews e seus globobocas fizeram? Nada. Fizeram de conta que não estava acontecendo nada de muito importante. E os outros veículos que lhe seguem fizeram o mesmo.

Mas a internet produziu uma imensidão de vídeos e fotos que não dão margem a contestação e a dúvida. Foi gigante, foi sensacional.

E com isso, junto ao enterro do corpo do fascismo, que ainda vai estrebuchar mais um pouco, mas que não resistirá à força das ruas, também se foi a mídia tradicional com a sua tentativa de manipulação abjeta de um movimento desses. Quem esteve nas ruas de todo o mundo, em especial do Brasil, no dia de ontem, não vai esquecer. A mídia tentou esconder uma das maiores mobilizações da historia do país.

E isso aconteceu porque a mídia brasileira é também fascista, mesmo não sendo no seu conjunto Bolsonaro. Ela não aceita que coisas que fogem ao seu controle aconteçam.

E ontem ela não controlou. Ontem ela não cobriu. Ontem ela foi derrotada junto com o #EleNão.

Ontem foi ainda maior também por isso. As mulheres foram gigantes.







Protesto pró-Bolsonaro em Brasília tem menos gente que “encontro” de Aécio em fazenda

Leia Mais ►

TV que interrompeu programação para mostrar patos na Paulista quase não deu cobertura ao Levante das Mulheres



Em 2016, a TV interrompeu jogo de futebol para mostrar os manifestantes de verde e amarelo na Paulista. Ontem, teve até reprises, mas quase não teve cobertura dos atos gigantes do #EleNão. Democratizar a comunicação é enfrentar esse tipo de partidarização da mídia brasileira.
Guilherme Boulos, candidato do Psol ao Planalto, no twitter
O Levante das Mulheres brasileiras foi organizado numa página do Facebook, com mais de dois milhões de integrantes.

Sem flashes na programação da TV Globo — que em 2016, a título de noticiar, promovia os encontros da “família brasileira” em Copacabana e na avenida Paulista –, elas conseguiram arrastar multidões em dezenas de cidades brasileiras e do mundo (veja um resumo de imagens no vídeo acima).

Foi a reconquista das ruas por uma pauta progressista e multipartidária — em defesa da democracia, contra o feminicídio, o machismo, a misoginia, a violência e a tortura incorporadas à candidatura neofascista de Jair Bolsonaro.

Foi a maior manifestação da história do feminismo brasileiro, com o potencial de influir no resultado do primeiro turno das eleições de 2018.

José Roberto de Toledo, na Piauí, notou que um candidato que se organizou nas redes sociais, quase sem tempo na propaganda eleitoral da TV, teve sua resposta no mesmo campo.

De certa forma, ficou enfatizada não só a perda de importância da TV, mas exposta a falsa equivalência que é típica das coberturas supostamente neutras:

O resultado dessa omissão e falta de contextualização é que coisas diferentes são tratadas como iguais. Uma manifestação de dezenas, no máximo centenas de pessoas em um lugar é apresentada da mesma maneira e com a mesma magnitude que dezenas de milhares de mulheres em dúzias de cidades. Na tela da tevê, o ato solitário pró-Bolsonaro em Copacabana foi equivalente à maior manifestação popular capitaneada por mulheres na história do Brasil. Felizmente, a internet provê o que a tevê omite.

No Viomundo
Leia Mais ►

Poucas mulheres comunistas saíram às ruas contra Bolsonaro

Fracasso do movimento no Rio de Janeiro
Fracassou o levante comunista feminino contra o macho alfa da nação, poucas mulheres aderiram aos protestos contra o defensor perpétuo da família brasileira, líder inconteste das eleições 2018, pois embora atos contra ele tenham acontecidos em mais estados, os atos a favor, segundo a mídia isenta e imparcial, foram mais numerosos e significativos, não dando margem às interpretações diversas sobre sua liderança, pois está claro que tiveram o mesmo peso e é importante frisar que não há nenhuma onda crescente contra o candidato do bem.

Fracasso também em São Paulo

Bolsonaro já está em casa e se prepara agora para dar todo o gás para sua equipe de campanha, deixando os episódios isolados e pouco significativos como as manifestações femininas de ontem para trás, pois sabe que é amado pelas verdadeira mulheres boas da nação, aquelas que só saem de casa com a permissão dos maridos ou dos pais, sempre na companhia dos irmãos, por serem de boas famílias.

Pouca gente também em Curitiba

Essa sábado foi um dia comum, sem nada de extraordinário acontecendo, sem flashs ao vivo na televisão ou grandes reportagens nos telejornais, mostrando ao povo que está tudo sobre controle e dentro da normalidade, devendo todas as mulheres esquecer rapidamente as ideias maléficas feministas para o bem da família brasileira, vivendo todos em harmonia, paz e amor.

Prof. Hariovaldo
Leia Mais ►

Difícil convencer o inteligente, impossível convencer o burro

“Os políticos que ajudaram a levar Mussolini, Hitler, Perón, Chávez e Erdogan ao poder tinham uma coisa em comum”, diz Steven Levitsky, em artigo pra Folha. “Acreditavam, incorretamente, que seriam capazes de controlá-los.”

Rico adora brincar de fantoche. Paulo Guedes descreve seu candidato à Piauí como um “sujeito completamente tosco” — por isso, talvez, ideal. Precisavam de um candidato ao mesmo tempo burro, pra implantar um plano econômico impopular, e autoritário, pra caso o plano não desse certo.

Parece a premissa de uma comédia da Sessão da Tarde, em que ricos escolhem um bobo pra ser laranja — e se arrependem. “Deu a louca na Presidência! Neste verão, Adam Sandler é Bolsonaro, o candidato idiota.”

O filme obviamente, é uma bosta. Como diz o personagem de Robert Downey Jr em “Trovão Tropical”: “Never go full retard”. Vale pros atores, também vale pras eleições.

Nada mais perigoso que a estupidez. O estúpido não ouve. “É difícil convencer uma pessoa inteligente”, diz a máxima. “Mas impossível mesmo é convencer uma pessoa burra.”

A Folha descobre que a ex-mulher de Bolsonaro afirmou que ele a ameaçava de morte. A Folha é petista! A Veja apura que ele ocultou patrimônio. A Veja é comunista!

O estúpido — de direita e de esquerda — é imune à realidade. Há quem confunda a estupidez com ingenuidade, mas enquanto o ingênuo acredita em tudo, o estúpido desconfia de qualquer coisa — o que dá mais ou menos no mesmo.

A realidade se distingue da ficção porque ela não deixa de existir se você não acreditar nela. Não acreditar na facada não impede Bolsonaro de ter feito uma colostomia. Não acreditar que ele fará um governo autoritário não impede ele de já estar sendo autoritário antes mesmo de eleito.

E lembre-se: ninguém vai ser poupado. Também Carlos Lacerda, um dos líderes civis do golpe de 64, teve seus direitos políticos cassados no AI-5.

Gregório Duvivier
No fAlha
Leia Mais ►

Luiz Fux agoniza na própria insignificância


O ministro Luiz Fux tem vários problemas internos, que decorrem da sua estrutura subjetiva. São problemas de ordem corporativa, técnica, existencial e espiritual.

No campo corporativo, sua frustração é comovente. Fux foi nomeado para o STF depois de implorar muito ao governo petista do presidente Lula. Ele se humilhou nos corredores de Brasília e essa história é largamente conhecida no STF. Deve ser difícil para ele transitar naquela corte e olhar nos olhos de seus pares.

Nem Alexandre de Moraes se rebaixou tanto pela nomeação, já que, no caso deste, foi só mostrar serviço na investigação do vazamento de fotos da senhora Marcela Temer e passar o rolo compressor em cima do acusado, um reles pé-de-chinelo digital.

Ali, Moraes ganhou a nomeação. Um puxa-saquismo tosco, servil, mas que, de fato lhe 'serviu' como passaporte à corte suprema, a despeito da anuência de Alckmin, seu bem-feitor na província do Tucanistão.

A nomeação de Fux foi muito mais humilhante. Ele se rastejou para José Dirceu, dizendo que 'matava o mensalão no peito'.

Nem Dirceu, nem ninguém, no entanto, teve a capacidade de acreditar naquelas 'promessas rastejantes' de Fux. Em primeiro lugar, porque elas eram da ordem do cômico. Um juiz que quer ir para a alta corte tentando acertos prévios em votações deveria, na verdade, ter sido denunciado. É disso que Fux tem medo.

O PT errou em não expor a baixeza moral deste eterno pretendente a ministro.

O problema é que os outros 10 ministros sabem dessa assimetria técnica que habita a personalidade de Luiz Fux. O convívio ali não deve ser, realmente, uma tarefa fácil.

Fux, no entanto, tem mais 'problemas' em seu horizonte subjetivo. Sua limitação não é só de ordem técnica-corporativa. Ele acusa déficits de interpretação básica de texto que, a rigor, alinham-se a questões existenciais.

O juiz carioca daria um excelente integrante da Lava-Jato, uma vez que o que mais caracteriza esse nicho jurídico de poder é a precariedade cognitiva no regime dos pressupostos. O QI médio de um integrante da Lava-Jato - se o teste for feito com rigor - tende a ser abaixo da média.

O despacho redigido por Fux para proibir a entrevista de Lula, por exemplo, será para sempre uma das peças mais grotescas da literatura jurídica brasileira. Curtinho, mal escrito, furado como um queijo suíço, indisfarçável no seu ressentimento partidário e pleno do mais profundo e esdrúxulo totalitarismo.

Luiz Fux pressupõe que o povo brasileiro é burro como ele - o que se explica através da psicanálise: é a projeção de si no outro. O ministro 'café-com-leite' mergulha na premissa inacreditável de que o povo não saberá entender que Lula estará dando só uma entrevista.

O glorioso ministro acha que a entrevista de Lula pode "atrapalhar o processo eleitoral", que o "povo" será confundido na iminência das eleições.

É, de fato, o discurso que tem grassado nos corredores do golpe midiático-judicial. Quer-se proibir a pronúncia do nome de Lula nos programas partidários, quer-se proibir a palavra Lula em cartazes de campanha (ou em qualquer outro lugar), quer-se proibir a fotografia de Lula, esteja ela aonde estiver.

É o velho oeste judicial brasileiro: 'procura-se vivo ou morto'.

Fux, no entanto, atende a uma demanda emergencial da Rede Globo e congêneres para 'cadenciar' o crescimento irresistível da candidatura do PT e da consagração de Lula.

Estão, na verdade, ele e Globo, fazendo mais um favor a Lula. Porque é óbvio que Lula vai ficar ainda mais forte depois de mais essa loucura do nosso vírus golpista inoculado nas narinas avantajadas do STF.

Gustavo Conde é linguista, colunista do 247 e apresentador do Programa Pocket Show da Resistência Democrática pela TV 247
Leia Mais ►

Haddad já empata no 1º turno e vence no 2º


Os candidatos à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) surgem pela primeira vez tecnicamente empatados na disputa eleitoral, conforme os resultados da pesquisa do instituto MDA encomendada pela CNT (Confederação Nacional do Transporte). O levantamento divulgado neste domingo (30) mostra Bolsonaro com 28,2% das intenções de voto e Haddad com 25,2% da preferência dos entrevistados.

O empate técnico acontece porque a margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos. Considerando essa margem, Bolsonaro pode ter entre 26% e 30,4%. Já Haddad pode ter entre 23% e 27,4%.

Ciro Gomes (PDT) surge em seguida com 9,4%, tecnicamente empatado com Geraldo Alckmin (PSDB), que marcou 7,3%. Marina Silva (Rede) registrou 2,6%.

Veja a intenção de voto para presidente:

Jair Bolsonaro (PSL): 28,2%
Fernando Haddad (PT): 25,2%
Ciro Gomes (PDT): 9,4%
Geraldo Alckmin (PSDB): 7,3%
Marina Silva (Rede): 2,6%
João Amoêdo (Novo): 2%
Henrique Meirelles (MDB): 2%
Alvaro Dias (Podemos): 1,7%
Cabo Daciolo (Patriota): 0,7%
Guilherme Boulos (PSOL): 0,4%
Vera (PSTU): 0,3%
José Maria Eymael (DC): 0,1%
João Goulart Filho (PPL): 0,1%
Branco/Nulo: 11,7%
Indeciso: 8,3%

A pesquisa ouviu 2.002 pessoas nos dias 27 e 28 de setembro em 137 municípios de 25 unidades da federação. O levantamento está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-03303/2018 e tem nível de confiança de 95%.

A última pesquisa MDA/CNT de intenções de voto dos candidatos à Presidência foi divulgada em 17 de setembro. Ela trazia Bolsonaro em primeiro lugar, com 28,2% das intenções, seguido por Haddad, com 17,6%, e Ciro, com 10,8%.

Pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (28) mostrou Bolsonaro com 28% das intenções de voto, Haddad com 22% e Ciro com 11%.

Segundo o levantamento MDA/CNT divulgado neste domingo, Bolsonaro e Haddad são os candidatos cujos eleitores se declaram como os mais decididos a confirmar o voto neles: acima de 80% para ambos.

A pesquisa ainda aponta que 76,4% manterão a decisão de voto, mesmo em caso de o seu candidato de preferência não ter chance de ir para o 2º turno. Outros 21% dos entrevistados dizem que poderão mudar o voto.

Os candidatos com mais chances de receber o voto de entrevistados que se declaram indecisos, sendo permitido citar até duas opções, são: Fernando Haddad, 19,3%; Ciro Gomes, 18,7%; Jair Bolsonaro, 17,5%; Geraldo Alckmin; 13,3%; Marina Silva, 7,8%; Alvaro Dias, 3,6%; João Amoêdo, 3%, e Henrique Meirelles, 1,2%.

Segundo turno

A pesquisa MDA/CNT também trouxe cenários de segundo turno. Veja os principais resultados, considerando a intenção de voto estimulada:

Haddad X Bolsonaro
Fernando Haddad: 42,7%
Jair Bolsonaro: 37,3%
Branco/Nulo: 16,1%
Indeciso: 3,9%

Ciro x Bolsonaro
Ciro Gomes: 42,7%
Jair Bolsonaro: 35,3%
Branco/Nulo: 17,8%
Indeciso: 4,2%

Bolsonaro x Alckmin
Jair Bolsonaro: 37%
Geraldo Alckmin: 33,6%
Branco/Nulo: 25,1%
Indeciso: 4,3%

Ciro x Haddad
Ciro Gomes: 34%
Fernando Haddad: 33,9%
Branco/Nulo: 26,9%
Indeciso: 5,2%

Ciro x Alckmin
Ciro Gomes: 41,5%
Geraldo Alckmin: 23,8%
Branco/Nulo: 29,1%
Indeciso: 5,6%

Haddad x Alckmin
Fernando Haddad: 39,8%
Geraldo Alckmin: 28,5%
Branco/Nulo: 26,4%
Indeciso: 5,3%

Índices de rejeição

O levantamento também testou junto aos entrevistados o limite de voto que candidatos à Presidência podem receber. Na divulgação da pesquisa consta apenas os quatro candidatos mais bem colocados. Veja abaixo os índices dos que declararam "não votar de jeito nenhum" no nome apresentado:

Jair Bolsonaro: 55,7%
Geraldo Alckmin: 52,8%
Fernando Haddad: 48,3%
Ciro Gomes: 37,1%

Interesse nas eleições

A pesquisa MDA/CNT ainda fez outras perguntas relacionadas à eleição e às expectativas da população quanto a cenários a partir do ano que vem com um novo presidente da República.

Faltando apenas uma semana para o primeiro turno, marcado para 7 de outubro, 20,8% dos entrevistados afirmaram ter "pouco interesse" nas eleições deste ano e 21,4% afirmaram ter "nenhum interesse". Outros 32% disseram estar "muito interessados", enquanto 25,1% têm "médio interesse" no processo eleitoral.

Ao todo, 72,5% viram ou ouviram o programa eleitoral na televisão ou no rádio. Já 27,5% ainda não viram ou ouviram.

Quanto ao conhecimento sobre os candidatos a presidente, 19,5% afirmaram conhecer bastante as opções, 40,4% afirmaram conhecer mais ou menos, 26,5% afirmaram conhecer pouco e 12,9%, nada.

Na opinião de quem já viu ou ouviu, o candidato que está apresentando a melhor propaganda eleitoral é: Fernando Haddad (20,8%); Jair Bolsonaro (18%); Geraldo Alckmin (12,9%); Ciro Gomes (12,5%); Henrique Meirelles (3,1%); outros candidatos (5,5%); nenhum (14,5%); não souberam informar (12,7%).
Leia Mais ►

Tempo de espera

A chegada da semana final de campanha leva Jair Bolsonaro e Fernando Haddad ao ponto culminante do seu suspense, ambos postos como alvos de possíveis artimanhas eleitoreiras, que já vimos tantas. Pela primeira vez, e com outro motivo, o suspense está disseminado também em grande parte do eleitorado, como receio de uma intervenção golpista, militar ou não. Perdidas as ilusões, em suas ansiedades os candidatos e eleitores dão a medida da distância a que continuamos de um regime eleitoral sério, passados quase 30 anos desde a primeira eleição presidencial pós-ditadura.

Em eleições anteriores, os tribunais se sujeitaram a acusações de omissão, por indolência ou conivência.

A atualidade é mais grave: as hipóteses de transtorno, até que haja a posse, incluem a magistratura e o Ministério Público nas potenciais fontes de complicações maiores. É a consequência lógica do acúmulo de fatos em que o Judiciário se confundiu com as forças políticas, fosse por decisões cabíveis ao Congresso, fosse por agir como parte da competição político-partidária. Difundiu-se a imagem dos tribunais em aliança com forças pouco afeitas ao regime de Constituição democrática.

Agora mesmo, o Supremo Tribunal Federal, por 7 votos a 2, nega o direito de votar aos que tiveram o título cancelado por falta ao recadastramento, que os tornaria identificáveis por biometria (características físicas). São 3,4 milhões de cidadãos retirados da eleição. A maioria no Norte e Nordeste. É dispensável a indicação do candidato mais prejudicado, por desfrutar da preferência naquele eleitorado.

A exigência do recadastramento foi imposta sob formidável bagunça. Não houve publicidade suficiente ao eleitorado. Na argumentação vitoriosa, houve informação incluída em boleto de IPTU — IPTU nas favelas? Nas contas de água e luz nas favelas e pelo interior do Nordeste e do Norte? Ah, em estádios de futebol também, como se todos os eleitores morassem em áreas urbanizadas e frequentassem estádios, para facilitar o voto de sete ministros do Supremo. A diferença de prazos e modos, nas regiões eleitorais, foi um fator de confusão nas cidades onde parte do eleitorado soube da convocação.

Depois de tantos precedentes sugestivos de decisões politicamente influenciadas, o corte de eleitores, onde e como se deu, só pode fortalecer a inclusão do Judiciário na centúria inquietante.

À parte essa face da decisão, é no mínimo incongruente que a falta de recadastramento biométrico casse o direito ao voto quando a outros é possível votar mesmo sem título, só com a carteira de identidade (ou RG). Além disso, a adoção incompleta da biometria submete as eleições a dois sistemas eleitorais, e respectivas fiscalizações.

O visto e o vivido nas eleições anteriores não serviu para aperfeiçoar as vindouras. As deformações foram tomadas como experiência adquirida para ampliá-las.

Janio de Freitas
No fAlha
Leia Mais ►

Horário Eleitoral Livre


Leia Mais ►