28 de set. de 2018

Mídia não sabe o que fazer com o 'Coiso'


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Procuradores da Lava Jato jogam a toalha e pedem que entrevistas com Lula sejam liberadas


O Ministério Público Federal defendeu ao juiz Sérgio Moro o direito de todos os veículos de comunicação que quiserem entrevistar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sede da Polícia Federal em Curitiba, onde Lula é mantido como preso político desde 7 de abril. 

Em petição assinada por 12 procuradores do MPF, entre eles Deltan Dallagnol, os membros da Força Tarefa da Lava Jato argumentam que a decisão do ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou Lula a dar entrevista à Folha de S. Paulo e ao jornalista Florestan Fernandes Júnior seja estendida aos demais veículos que também solicitaram entrevistas com Lula, e a todos os que vierem a manifestar interesse. 

Para viabilizar a logística, o MPF sugere que Lula conceda uma espécie de entrevista coletiva aos veículos interessados. "Tendo em vista o grande número de órgãos de imprensa e jornalistas interessados em realizar a entrevista, de modo a não beneficiar qualquer um deles pela repercussão que tal entrevista trará, bem como da impossibilidade material de se realizar todas as entrevistas de modo sucessivo, tem-se que tal ato deverá se dar em evento único para todos os órgãos de imprensa", diz a petição. 

Leia o documento:

Conforme consta dos autos (ev. 363), a empresa Folha da Manha S/A e outro obtiveram junto ao Supremo Tribunal Federal provimento liminar, de lavra do E. Min. Ricardo Lewandowski, cassando a decisão da Juíza Federal da 12ª Vara da Justiça Federal de Curitiba, a fim de que “seja franqueado ao reclamante e à equipe técnica, acompanhado dos equipamentos necessários à captação de áudio, vídeo e fotojornalismo, o acesso ao ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva a fim de que possa entrevistá-lo, caso seja de seu interesse”.

Veja-se que, tendo sido concedida medida liminar na Reclamação em favor da empresa Folha da Manha S/A, a ela seguiu-se pedido idêntico, formulado a Florestan Fernandes Júnior (ev. 364), também deferido pelo E. Ministro.

Ocorre que nestes autos há vários outros pedidos idênticos, formulados por outras empresas jornalísticas, jornalistas e blogueiros, os quais postularam ao Juízo semelhante direito, de entrevistar o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o qual não foi deferido na ocasião. Entre estes refira-se o pedido do (a) Universo Online (Uol) e TVSBT (Evento 183); (b) NN&A Produções Jornalisticas Ltda – ME (Evento 209); (c) TV OMEGA LTDA (Evento 243); (d) Ricardo Henrique Stuckert (Evento 245); (e) SUL 21 Mídia Eletronica (Evento 284); e (f) Eleonora Allgayer Canto de Lucena (Evento 300).

Em vista das duas liminares já concedidas, bem como considerando que os demais requerentes encontram-se nas mesmas condições dos reclamantes, tem-se que se mostra razoável estender tal direito a todos os jornalistas, ou empresas de jornalismo, que fizeram perante esse MM. Juízo pedido semelhante.

Assim, tem-se que devem ser revistas as decisões lançadas nos autos que impediram por qualquer fundamento os órgãos de imprensa citados no item precedente, sob pena de, segundo o comando da decisão preferida, perdurar violação ao comando constitucional.

Outrossim, dado o interesse jornalístico que o tema revela, é provável que outros órgãos de imprensa também manifestem o mesmo interesse em realizar entrevista com o custodiado, devendo, na mesma medida, também lhes ser alcançada tal possibilidade, analisando-se os pedidos que venham a ser formulados nestes autos.

Noutro sentido, é essencial que se atente que a realização de inúmeras entrevistas, de modo sucessivo, por diversos jornalistas e órgãos de imprensa, poderá inviabilizar o funcionamento da Superintendência da Polícia Federal no Paraná, dado que se trata de órgão público, que presta serviços à população e onde, inclusive, se encontram detidas outras pessoas.

Há, desta forma, que se adotar algumas providências no sentido de evitar que a circulação contínua de pessoas no prédio da Superintendência inviabilize o funcionamento do órgão, sem esquecer da necessidade de garantir a incolumidade física e moral do custodiado, bem como há que se considerar o grande número de jornalistas interessadas em entrevistar o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cujo direito não pode ser cerceado.

Deste modo, manifesta-se o Ministério Público Federal no sentido de que: a) seja intimada a defesa do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que se manifeste se tem interesse em prestar as entrevistas, conforme comando da decisão liminar na reclamação; b) sejam também intimados os demais órgãos de imprensa referidos no item 04 e que formularam idêntico pedido, para que se manifestem se ainda tem interesse na realização de entrevista; c) seja permitido que outros órgãos de imprensa, caso assim o entendam, também sejam autorizados a entrevistar o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, atendendo-se também ao comando de tratamento isonômico, que emerge do texto constitucional (art. 5º); d) Finalmente, tendo em vista o grande número de órgãos de imprensa e jornalistas interessados em realizar a entrevista, de modo a não beneficiar qualquer um deles pela repercussão que tal entrevista trará, bem como da impossibilidade material de se realizar todas as entrevistas de modo sucessivo, tem-se que tal ato deverá se dar em evento único para todos os órgãos de imprensa.

Para tal, tem-se que deve a autoridade policial adotar as providências necessárias a fim de que a entrevista pelos órgãos de imprensa interessados se faça em prazo razoável, não só para permitir as diligências dos itens precedentes e assegurar a incolumidade física e moral do custodiado, como também para assegurar a continuidade do funcionamento das atividades da Superintendência da Polícia Federal, órgão público que é.

Curitiba (PR), 28 de setembro de 2018.

Deltan Martinazzo Dallagnol
Procurador República

Januário Paludo
Procurador Regional da República

Isabel Cristina Groba Vieira
Procuradora Regional da República

Orlando Martello
Procurador Regional da República

Antônio Carlos Welter
Procurador Regional da República

Roberson Henrique Pozzobon
Procurador da República

Laura Gonçalves Tessler
Procuradora da República

Paulo Roberto Galvão de Carvalho
Procurador da República

Athayde Ribeiro Costa
Procurador da República

Julio Noronha
Procurador da República

Jerusa Burmann Viecili
Procuradora da República

Diogo Castor de Mattos
Procurador da República
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Antidemocrático: Bozo diz que não aceitará derrota


O representante do neofascismo no Brasil, Jair Bolsonaro, que aparece atrás de Fernando Haddad em todas as simulações de segundo turno, mandou avisar que não aceitará sua provável derrota nas24 urnas. "Não posso falar pelos comandantes [militares]. Pelo que vejo nas ruas, não aceito resultado diferente da minha eleição", disse ele ao programa Brasil Urgente, da Band.

Neste fim de semana, foi revelado o processo em que sua ex-mulher o acusa de ocultação de patrimônio, de receber mais de R$ 100 mil por fora e até de roubar um cofre.

"Em 2015, eu aprovei o voto impresso, mas o Supremo derrubou. Não temos como auditar o resultado disso. A suspeição estará no ar. Se você ver como eu sou tratado na rua e como os outros são tratados, você não vai acreditar. A diferença é enorme", completou.

No entanto, em todas as pesquisas ele aparece atrás de Haddad nas simulações de segundo turno.
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Corrupção e morte na ditadura militar brasileira

O período autoriário do qual sente saudades o clube da reserva, atualmente bolsonarista, não ficou atrás em corrupção, conforme documento dos EUA

Figueiredo ao lado de Maluf: durante sua gestão, embaixada dos EUA apontou potencial para corrupção
O Clube Militar é ponto de encontro dos oficiais do Exército que entraram para a reserva, categoria que abraçou a candidatura de Jair Bolsonaro. O vice bolsonarista, general Antonio Hamilton Mourão, dirigia a entidade até setembro. Nos últimos dias, o general que ocupa interinamente o posto deixado por Mourão, Eduardo José Barbosa, divulgou uma análise da situação do País em que aponta um “Estado politicamente partidarizado, aparelhado e tomado pela corrupção”.


Para quem lê o documento, pode ficar a impressão de que na ditadura de 1964 a 1985 comandada pelo Exército, fonte de muita saudade entre os reservistas bolsonaristas, o Estado era um exemplo de virtude. Mas não foi bem isso.

Em 21 de setembro, o governo reconheceu que um diplomata brasileiro foi sequestrado, torturado e morto pela ditadura em 1979, conforme noticiou a revista Época. O reconhecimento veio com a mudança na causa da morte do embaixador José Jobim, cuja certidão de óbito original dizia “causa indefinida”.

Jobim sumiu uma semana depois de ter comparecido à posse do último presidente golpista, o general João Baptista Figueiredo (1979-1985). Em sua passagem por Brasília, comentou que preparava um livro de memórias na qual contaria o que sabia a respeito de fraudes na construção da hidrelétrica de Itaipu, uma obra do regime militar.

A usina entrou em operação comercial em maio de 1984. Dois meses antes, a embaixada dos Estados Unidos em Brasília havia mandado um telegrama a Washington com o sugestivo título de “Corrupção e política no Brasil”. O documento está nos arquivos da Comissão da Verdade e foi revelado em junho passado por O Globo.

CartaCapital obteve uma cópia. O que os diplomatas do Tio Sam relatam é vergonhoso para os militares da ditadura daqui e seus saudosistas. Eis alguns trechos (a íntegra está ao fim da matéria):

“Em um nível geral, muitos brasileiros médios acreditam que o governo federal seja corrupto. Essa crítica também se estende ao grande número de militares aposentados ocupando posições de responsabilidade nas empresas paraestatais, das quais existem mais de 500. O potencial para corrupção é grande, e o brasileiro comum dirá que a oportunidade está sendo aproveitada. De fato, o sistema paraestatal é visto como um método para empregar altos oficiais militares aposentados e seus amigos.”

“Embora não tenha havido um aumento da indignação pública, as percepções e acusações de má conduta mancharam o governo em todos os níveis, reduziram a fé pública em suas habilidades e é, sem dúvida, um fator para acelerar o retorno dos militares aos quartéis.”

“Qual será o impacto da corrupção na política no Brasil? Em nível nacional, a visão generalizada de que o governo é corrupto está dando pelo menos algum ímpeto às eleições diretas. E embora o PMDB e outros partidos de oposição não sejam vistos como muito melhores que o governo, uma eleição direta pelo menos daria ao brasileiro comum a chance de expulsar esse conjunto de vagabundos.”

“Em nível nacional, há vários escândalos que lançam nuvens sobre o governo Figueiredo.”

Terá sido ele, o último general ditador, o responsável pela morte do diplomata José Jobim? Recorde-se: o embaixador sumiu dias depois da posse de Figueiredo.

Em maio deste ano, veio a público um outro documento made in USA que mostrava o general como autor de ordens diretas para matar adversários do regime. É um memorando de 11 de abril de 1974 mandado por William Colby, então chefe da CIA, o principal órgão da inteligência norte-americana no exterior, a Henry Kissinger, cabeça da política externa dos Estados Unidos por anos.

Fazia menos de um mês da posse do antecessor de Figueiredo, o general Ernesto Geisel (1974-1979), e Washington queria saber se a caçada a opositores da ditadura continuaria. A resposta era sim, conforme adianta o “assunto” do memorando: “Decisão do presidente brasileiro, Ernesto Geisel, de continuar com as execuções sumárias de subversivos perigosos, sob certas condições”.

No relato da CIA, Geisel tinha tratado do tema com três generais em 30 de março: Milton Tavares, chefe do Centro de Informações do Exército (CIE), Confúcio Danton de Paula Avelino, que assumiria o CIE no lugar de Tavares, e Figueiredo, então chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI). Na segunda-feira, 1º de abril, veio a decisão. Diz a CIA:

“O Presidente Geisel disse ao general Figueiredo que a política deveria continuar, mas que muito cuidado deveria ser tomado para assegurar que apenas subversivos perigosos fossem executados. O presidente e o general Figueiredo concordaram que, quando o CIE prender uma pessoa que possa se enquadrar nessa categoria, o chefe do CIE consultará o general Figueiredo, cuja aprovação deve ser dada antes que a pessoa seja executada.”

Corrupção e morte, uma marca do regime militar brasileiro.



André Barrocal
No CartaCapital
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Acho improvável que o Brasil caminhará para um desastre total


O ex-ministro José Dirceu disse, em entrevista divulgada pelo El País nesta quarta (26), que o PT não vai apenas ganhar a eleição, mas "tomar o poder".

A declaração foi feita após o jornal perguntar se é possível Fernando Haddad sair vitorioso das urnas e sofrer um golpe, como aconteceu com Dilma Rousseff, por conta de uma conjuntura que envolveu ativismo judicial, judicialização e criminalização da política, questionamento do resultado de 2014 pelo PSDB, crise econômico, entre outros fatores.

"Acho improvável que o Brasil caminhará para um desastre total. Na comunidade internacional isso não vai ser aceito. E dentro do país é uma questão de tempo pra gente tomar o poder. Aí nós vamos tomar o poder, que é diferente de ganhar uma eleição", disse Dirceu.

O petista, indultado no Mensalão, mas às voltas com a Lava Jato sob Sergio Moro, avaliou que, ao contrário do que a direita esperava, esta eleição vai mostrar que a esquerda, mais precisamente o PT, não foi soterrado pela criminalização e perseguição de Lula. Isso representa uma "derrota histórica" para a oposição ao partido.

"O PSDB principalmente, que é o partido mais rejeitado hoje, vai ser um desastre eleitoral, o Temer, o DEM, que também está caminhando para ter um péssimo resultado eleitoral. De certa maneira, há um sentimento de que houve uma injustiça com Lula, que o Lula é perseguido.(...) Então acho que eles perderam. Historicamente acho que é a maior derrota que a direita já teve no Brasil", disse.

Para Dirceu, "Bolsonaro é o Temer mais a regressão de comportamento cultural e o autoritarismo não democrático" e, apesar de liderar as pesquisas de opinião agora que a candidatura de Lula foi barrada pela Justiça, "não tem maioria no país para as ideias dele."

No GGN
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Raquel Dodge é a responsável por não permitir o uso político da delação de Palocci


A decisão do TRF3, de impedir as entrevistas com o estaqueador antes das eleições, é sinal de que começam a surgir laivos de legalismo no Judiciário. E que talvez seja possível se coibir as manipulações da mídia, que sempre ocorrem nas vésperas das eleições.

Mas não basta.

Há um segundo factoide a caminho, que é a delação de Antonio Palocci ao Ministério Público do Distrito Federal.

A Procuradora Geral da República Raquel Dodge sabe que procuradores vazam depoimentos sigilosos. O mesmo entendimento deve ser do corregedor do MPF. Sabe-se, também, que o MPF do Distrito Federal foi o que mostrou mais ativismo político depois de Curitiba.

Se há risco concreto de um novo crime político, um novo vazamento visando manipular as eleições, é de responsabilidade de Raquel Dodge e do corregedor prevenir, antes que aconteça.

Sugere-se que os advogados entrem com uma representação junto à PGR e à corregedoria, talvez junto ao Conselho Nacional do Ministério Público, para que alertem seus soldados de que é crime vazamento de delações. E é mais crime ainda se tiver o propósito específico de influir no mais sagrado dos institutos democráticos, o voto popular.

Havendo o vazamento, que eles sejam responsabilizados. Afinal, se não tem ascendência sobre a tropa, sequer para impedir jogadas de tal octanagem, não merecem o cargo que têm.

Ou talvez se façam merecedores daquele que será o grande beneficiário dessas jogadas: Bolsonaro.

Luís Nassif
No GGN
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O dia 29, do #EleNão, pode marcar reviravolta na eleição


A campanha do Bolsonaro não está conseguindo sair da espiral caótica em que mergulhou há cerca de um mês.

Tanto mais alguém da sua tropa – ou os filhos, ou o dublê de guru econômico e posto Ipiranga, ou o vice que só consegue pensar com rebenque em punho – expõe a cosmovisão medieval e sádica desse exército do atraso – [quer seja sobre costumes e valores, quer seja sobre economia, políticas públicas e fim do 13º], tanto mais Bolsonaro é aspirado para o centro do caos.

O ataque homicida que sofreu em 6 de setembro lhe serviu, curiosamente, como oxigênio eleitoral. Com a facada, Bolsonaro acabou beneficiado com a exposição midiática milhares de vezes maior que os poucos segundos disponíveis para propaganda partidária.

Hospitalizado, teve a imagem suavizada e humanizada e foi poupado dos prejuízos que a eficiente propaganda do Alckmin vinha causando ao denunciar a barbárie que ele personifica.

Todas as inúmeras pesquisas realizadas depois do episódio mostram Bolsonaro estagnado: ele não cresceu com a vitimização, apenas deixou de perder votos. Se pode aduzir que a facada teve o efeito de retardar a hemorragia de intenções de voto e de conter a trajetória declinante que finalmente agora retomou seu curso, nos dias derradeiros que antecedem a eleição.

Além da estagnação, Bolsonaro ainda enfrenta a formidável barreira de ser rejeitado pelo dobro das pessoas que votariam nele.

Neste mesmo período, Haddad foi formalizado como substituto do Lula e foi o único candidato que cresceu nas pesquisas, projetando-se para assumir a primeira colocação no primeiro turno.

Enquanto isso, Ciro se manteve estável. Alckmin e Marina definharam, e todos os demais candidatos anti-petistas seguiram empatados na margem de erro entre 3 e zero.

O rechaço a Bolsonaro já transcende o episódio eleitoral; se transformou num movimento ético e democrático que convoca distintos segmentos da sociedade, de conservadores a progressistas.

Hoje já se sabe com certeza que Bolsonaro não é terrível somente pela perseguição e ameaça a mulheres, lgbts, índios, negros e pobres, mas porque as propostas econômicas e de políticas públicas dele jogariam o país no extremismo ultra-neoliberal: são a junção do pior que Temer fez com o pior que o PSDB defende.

O movimento #EleNão, que numa velocidade meteórica conseguiu congregar mais de 3 milhões de mulheres, acendeu a fagulha da consciência democrática e da resistência anti-fascista.

Em pleno caos, com o general interditado e suspenso pelo capitão, a campanha do Bolsonaro ainda terá de enfrentar seu verdadeiro dia "D", o 29 de setembro, o dia do #EleNão, que o confrontará com o desafio de sobreviver eleitoralmente.

O rechaço a Bolsonaro é um fenômeno cívico de enorme significação na sociedade, com poder de alterar o rumo da eleição. O 29 de setembro pode, nesse sentido, marcar a reviravolta na eleição.

Embora não seja um movimento partidário, o #EleNão trará desdobramentos eleitorais. Haddad e Ciro [e Boulos, porém com peso eleitoral menor], que representam a antítese civilizatória a Bolsonaro, tendem a ser mais beneficiados com o esvaziamento do bolsonarismo; porque, ao contrário de Marina e Alckmin e demais candidatos antipetistas, se opõem radicalmente a ele também sob o ponto de vista programático.

A eleição mais surpreendente da história pode terminar o primeiro turno com o inusitado da vitória direta do Haddad ou, então, com a disputa de segundo turno sem Bolsonaro, mas entre Haddad e Ciro.

Jeferson Miola
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Tucanhêde joga toalha e reconhece: PT vencerá


A jornalista Eliane Cantanhêde - conhecida como Tucanhêde por sua adesão incondicional do PSDB - jogou a toalha. Em sua coluna no jornal O Estado de S.Paulo, a jornalista, que é também comentarista na GloboNews, reconheceu: "Assim se constroem derrotas e vitórias, e o PT sabe construir vitórias. Não venham praguejar depois." Ela se referia, desolada, aos desacertos nas campanhas de Bolsonaro e Alckmin.

Depois de relatar as trapalhadas na campanha do candidato da ultradireita, Cantanhêde questionou o óbvio: "A pergunta que fica é simples e angustiante: se na campanha já é assim, como seria, ou será, um governo de Jair Bolsonaro, Hamilton Mourão e Paulo Guedes?"

A seguir, chorou a crise da campanha de Alckmin: "Na campanha de Geraldo Alckmin, as declarações chocantes não são de economia, política, democracia e costumes, como na de Bolsonaro. No caso dos tucanos, são contra o próprio candidato e o próprio PSDB! Fernando Henrique, João Doria, Tasso Jereissati, Arthur Virgílio, Bruno Araujo e Cássio Cunha Lima fizeram fila para esculhambar o partido, a campanha, o candidato. Bem no meio da eleição."

Por fim, reconheceu os acertos da campanha do PT e constatou: "Se há uma campanha em que todos batem continência ao comandante, não é a de tucanos nem a do capitão e do general, mas a do PT." 

É, segundo Tucanhêde, o como o PT está construindo sua vitória, favorecido pela incompetência político-eleitoral na direita e ultradireita. De fato, eles são bons de golpe e ruins de urna.

Se quiser arriscar, leia aqui a íntegra. 
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Boquirroto, Dallagnol se torna alvo de processo administrativo

Ele
A Corregedoria do Conselho Nacional do Ministério Público determinou a instauração de um processo administrativo disciplinar contra o procurador da República Deltan Dallagnol, após concluir que ele cometeu infração ao comentar a conduta de ministros em julgamentos do Supremo Tribunal Federal.

O procurador da República Deltan Dallagnol abusou da liberdade de expressão ao chamar turma do Supremo de “panelinha”, concluiu o CNMP.

Segundo a decisão do corregedor nacional do Ministério Público Orlando Rochadel Moreira, o procurador não observou recomendação interna e abusou da liberdade de expressão, violando os deveres de sua função de “guardar decoro pessoal e de urbanidade”.

O direito constitucional à liberdade de expressão, destaca a decisão, deve ser submetido à limites.

Citando a Convenção Americana sobre Direitos Humanos, Moreira afirma que ainda que proíba a censura prévia, o texto “estabelece o sistema de ‘responsabilidades ulteriores’, notadamente para o respeito aos direitos ou à reputação das demais pessoas ou proteção da ordem e moral públicas”.

A reclamação disciplinar foi instaurada após o procurador, que integra a força-tarefa da operação “lava jato”, ter afirmado que o STF mandou “mensagem de leniência em favor da corrupção”, quando analisava, em entrevista à rádio CBN, decisão da 2ª Turma de tirar do juiz Sergio Moro trechos da delação da Odebrecht que citam o ex-presidente Lula e o ex-ministro Guido Mantega.

À época, Dallagnol afirmou que “os três de sempre do Supremo Tribunal Federal” tiram tudo de Curitiba e mandam para a Justiça Eleitoral “e que dão sempre os Habeas Corpus, que estão sempre se tornando uma panelinha”.

“Objetivamente, não estou dizendo que estão mal-intencionados, estou dizendo que objetivamente mandam uma mensagem de leniência. Esses três de novo olham e querem mandar para a Justiça Eleitoral como se não tivesse indicativo de crime. Isso para mim é descabido”, acrescentou.

No Viomundo
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Instagram de Rosângela Moro reflete o desespero de quem falhou ao tentar transformar o Judiciário em força política


Rosângela Moro escancarou suas posições políticas e tem postado freneticamente em seu Instagram, que é público, mensagens de cunho eleitoral. Ele tentou puxar duas hashtags, mas fracassou.

Uma hashtag é “voto consciente”, com a mensagem de brasileiros com camisa da CBF protestando contra a corrupção, em 2015 e 2016, e a mensagem “Não pode ter sido em vão”.

Postou também mensagem com uma foto de uma criança desnutrida, supostamente venezuelana, ao lado de Nicolás Maduro gordo e a frase: “Isso não está certo”.

Um internatura comentou: “Certo é auxílio-moradia para quem tem imóvel próprio na cidade onde trabalha?’.

Mas outra seguidora pegou a deixa: “Isso pode acontecer aqui se não agirmos rápido e eficazmente”. O que isso significa: Um novo golpe, para impedir as eleições?

Rosângela também postou uma instalação pública de Curitiba com a representação de uma torre de dinheiro, como se aquilo fosse o total representado pela corrupção.

No final, criou a hashtag “eles não”. Sobre o “ele não”, silêncio absoluto.

Rosângela, como qualquer cidadão, pode expressar livremente sua opinião, mas não dá para dissociar o que ela posta da atuação de seu marido, o juiz Sergio Moro, que lidera a Lava Jato.

Desde que permitiu vazamentos seletivos e contribuiu para criar o ambiente propício ao impeachment de Dilma Rousseff, sem crime de responsabilidade, ele é identificado como o anti-Lula.

Nos processos que conduz, comporta-se como parte, não como magistrado, não como um agente público que deveria se colocar acima das paixões políticas.

Mesmo as publicações que o apoiaram, como Veja, retrataram o juiz como lutador em uma luta livre contra o ex-presidente da república.

E Moro chegou a gravar um vídeo em que pediu a seus seguidores (juiz com seguidores é uma excrescência) para que não comparecessem a Curitiba no dia em que Lula prestou seu primeiro depoimento.

Rosângela expressa o que, sem dúvida, os responsáveis pela Lava Jato gostariam de dizer. Mas não podem. O que ela expressa é um sinal de desespero diante da iminente vitória de Fernando Haddad, o candidato do Lula, para a presidência da república.

O coordenador Deltan Dallagnol, que num momento de aperto chegou a fazer palestra em uma das APAEs sob influência de Rosângela, se gabou de ter obtido 1 milhão de assinaturas para o projeto das 10 medidas contra a corrupção — na verdade, medidas que dão aos procuradores poderes que estão acima da Constituição, como a admissão de provas ilícitas e a suspensão de habeas corpus em alguns casos.

Imagine-se como os lavajateiros devem estar agora quando o candidato de Lula se apresenta em condições reais de subir a rampa do Palácio do Planalto, o que não fará sem que tenha pelo menos 50 milhões de votos, votos conferidos livremente, em campanha intensa de todas as correntes, inclusive de um candidato que se apresenta como o candidato da Lava Jato, nanico nas pesquisas.

Pode-se dizer o mesmo do contingente de assinaturas recolhidos pela Lava Jato? São assinaturas autênticas? Quem fiscalizou?

De qualquer forma, com a seletividade das investigações, voltadas contra o PT e agora contra os adversários paroquiais — isso explica a fúria contra o tucano Beto Richa –, a Lava Jato se constituiu num núcleo de poder.

O desespero de Rosângela, identificado pelas suas postagens, reflete a percepção dos lavajateiros de que a maioria da população os rejeitou — não significa, em absoluto, rejeitar o combate à corrupção, mas o uso do poder judicial com fins políticos.

Lula e tudo que ele representa estão sob escrutínio nesta eleição.

A vitória de Haddad representará o primeiro passo no caminho da recuperação da democracia brasileira, uma conquista necessária para extirpar da república o mau hábito de autoridades de usar o poder não conferido pelo voto para violentar a soberania popular.

Não, Rosângela Moro, o que tem legitimidade nunca é em vão. É uma árvore que dá bons frutos.

Algumas postagens do Instagram da esposa de Sergio Moro:


Joaquim de Carvalho
No DCM
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Mourão e Bolsonaro podem romper já na campanha

https://www.blogdokennedy.com.br/bolsonaro-e-mourao-podem-romper-ja-na-campanha/
Seria inovação na tradição de vices que se rebelam

Fogo amigo

Jair Bolsonaro e Hamilton Mourão podem protagonizar uma inovação histórica no Brasil: rompimento do vice com o presidente durante a campanha eleitoral e não ao longo do governo.

Na história recente do país, há dois casos ilustres. Itamar Franco rompeu politicamente com Fernando Collor de Mello antes de crescer o movimento pelo impeachment em 1992. Numa carta em que falava da condição de “vice decorativo”, Michel Temer expôs o mal-estar na convivência com Dilma Rousseff que seria um dos ingredientes que levariam à queda da petista em 2016.

Considerado trapalhão por auxiliares de Bolsonaro, Mourão tem dado declarações desastradas em série, reforçando o tropeço do economista Paulo Guedes ao falar em nova CPMF e numa alíquota de Imposto de Renda que prejudicaria segmentos de menor do renda dos trabalhadores.

Num momento ruim, Bolsonaro sofre com fogo amigo. Adversários recebem munição útil na reta final da campanha de primeiro turno.

Pegou mal

Na campanha de Geraldo Alckmin, pegou mal a defesa do senador tucano Cássio Cunha Lima (PB) para que sejam interrompidos ataques a Bolsonaro. Soou como “trairagem” e “tentativa de prestar serviço a Bolsonaro”, para usar expressões de um coordenador do time eleitoral de Alckmin.

Faz sentido a estratégia tucana de bater no candidato do PSL. Bolsonaro ocupou o lugar do PSDB na polarização com o PT. Atacar somente o petista, como pregou Cunha Lima, não traria de volta o eleitor que um dia foi tucano e hoje está com Bolsonaro.

Subiu no telhado

Até para os padrões machistas, misóginos e chauvinistas da presidência de Donald Trump, está se tornando insustentável politicamente a indicação do juiz Brett Kavanaugh para a Suprema Corte dos Estados Unidos. Acusações de agressão sexual, parecidas com as que pesam contra Trump, dinamitam a indicação.

Morrendo na praia

Dificilmente terão sucesso recursos de Anthony Garotinho (PRP) para sustentar sua candidatura ao governo do Rio. O duro entendimento do TSE sobre o ex-presidente Lula é precedente ruim para as tentativas de Garotinho de evitar o enquadramento na Lei da Ficha Limpa.

Demofobia suprema

Como tem sido a regra, o STF funcionou no modo contra a participação popular ao confirmar nesta semana o cancelamento de 3,4 milhões de títulos eleitorais por não terem feito recadastramento biométrico. O tribunal negou pedido do PSB para permitir que esses eleitores votassem com o título antigo ou com outros documentos.

É demofobia impedir que um contingente equivalente a 2,4% do eleitorado exerça seu direito constitucional de votar. Votos vencidos, os ministros Ricardo Lewandowski e Marco Aurélio Mello estiveram do lado certo da História.
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General da equipe do Bozo propõe queima dos livros de História


Todos os livros que contém a verdade sobre 64 seriam incinerados.

“Existe mais de uma maneira de queimar um livro. E o mundo está cheio de pessoas carregando fósforos acesos”(…) 
Ray Bradbury

O trecho acima é do livro Farenheit 451 que nos apresenta uma realidade distópica (hoje, nem tanto) onde os livros são destruídos e uma sociedade consumista, e tomada pela desumanização, pode ser compreendida como ideal de vida. “Pessoas que leem são perigosas para o sistema”, portanto.

O General Ribeiro Souto, da equipe de EDUCAÇÃO que elaborou o plano de governo do candidato do PSL, Bolsonaro, é um desses “fósforos”. Ele propõe a eliminação de livros que não contem a “verdade” de 1964, ou seja, uma verdade que não convém para aqueles que defendem tortura e torturadores e que desejam apenas um lado da História desse país. Uma verdade em que desaparecidos políticos, torturados e suas famílias sejam novamente silenciadas e o futuro totalmente manipulado pelo viés do dominador.

Some a isso a ideia de “banir a ideologização” de qualquer espécie, uma visão obtusa que não vê a escola como um espaço plural, mas sim, carregada de preconceitos uma vez que elimina vilipendiados e marginalizados pelo sistema neoliberal e ainda todos aqueles que lutam para que sua forma de se relacionar não seja vista como bizarra ou doentia.

Falar de temas transversais é uma ação humanitária e de construção de uma sociedade menos hipócrita, sem contar que é questão de saúde pública. Para cada faixa etária há uma forma de abordagem adequada e que leve do lúdico a uma reflexão mais complexa com o passar dos anos e assim, seja um processo efetivo de ensino-aprendizagem-social.

Paralelo a isso, Ribeiro Souto propõe o fim do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) e não um projeto que leve a ser praticado de forma eficaz e que toda a comunidade escolar seja protegida e respeitada. Sem contar que valorização do professor deve ser para esse grupo uma arma na mão e “defender a honra”!

O que vejo na fala do referido senhor é a barbárie maquiada de falas de efeito para que compreendidas como salvadoras quando, na verdade, expressam preconceito e nojo profundo para que camadas mais populares cresçam e exerçam sua voz para a reivindicação de direitos plenos.

Por tudo isso e pela liberdade de ter liberdade: #EleNão #EleNunca

Francis Paula Duarte, professora da rede pública de ensino, no interior do Rio de Janeiro, mestre em Língua Portuguesa e nefelibata nas horas livres.
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Entrevista de Jair Bolsonaro publicada na Época em 2013 já apontava “problema” com ex-mulher


Circula nas redes sociais uma entrevista do jornalista Leonel Rocha com Jair Bolsonaro na revista Época em 18 de outubro de 2013. Na ocasião, o deputado já afirmava ter problemas com histórias passadas de Ana Cristina Siqueira Valle, a ex-mulher que hoje aparece em documentos na Noruega o acusando de roubar um cofre e ocultar patrimônio milionário.

Eis o trecho da entrevista que ele menciona ela:

ÉPOCA – A possibilidade de escrever uma biografia livre não é importante para esclarecer eleitores e a sociedade em geral?

Bolsonaro – 
Duvido que alguém seja contra contar a história de sua vida. A minha, por exemplo, é uma. A quem interessará, não sei. Quem sabe daqui a alguns anos? O que temo é a revelação das particularidades da vida privada. O direito à privacidade está garantido na Constituição. No meu caso, já falei muita besteira na Câmara, exagero muitas vezes, e um biógrafo pode interpretar da maneira que bem entender. O problema começa quando o biógrafo possa inferir sobre minha vida. Estou casado há cinco anos com uma funcionária da Casa. Logo depois, veio a lei que proíbe o nepotismo. Eu já estava casado. Apesar disso, demiti minha mulher para não ser acusado de não cumprir a lei. Um biógrafo poderia retratar meu caso como nepotismo.

ÉPOCA – Tem mais alguma história sua que o senhor gostaria que não fosse publicada?

Bolsonaro –
 Minha primeira separação. Há problemas que não gostaria que fossem revelados pela minha ex-mulher, mesmo sendo verdadeiros. A intimidade tem de ser respeitada. As pessoas julgam os outros em razão da intimidade revelada.

No DCM
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O ponto é derrotar o fascismo, o golpe e os retrocessos.

A mídia corporativa decidiu bombardear o Bozo, o que significa que o andar de cima acredita ou que Alckmin pode subir ou que o PT lhe fará todas as concessões necessárias.

Muita gente, à esquerda, está agora se preocupando; afinal, para Haddad, o Bozo seria o adversário ideal no segundo turno. Vejo até quem julgue que a campanha do #EleNão é um "tiro no pé".

Talvez o Bozo seja mais fácil de ser vencido. Mas o ponto não é eleger Haddad (ou qualquer outro). O ponto é derrotar o fascismo, o golpe e os retrocessos.

Acho improvável, dado o adiantado da hora e as características do eleitorado dele, mas só vejo vantagens caso o Bozo fique fora do segundo turno.

Primeiro, porque é absolutamente necessário desinflar sua base social e fazer com que seu discurso perca força. É algo que vai muito além da votação em outubro, é um passo necessário para a gente reconstituir as condições da convivência democrática no nosso país. Torcer para que o fascismo ganhe musculatura, em nome de uma estratégia eleitoral de curto prazo, é, convenhamos, uma burrice fenomenal.

Depois, porque um embate Haddad versus Alckmin recolocaria o golpe e os retrocessos da era Temer como linhas divisórias fundamentais da nossa política. Suprimida a tentação de se apresentar como encarnação do centro gelatinoso, unificado apenas pelo horror ao Bozo, Haddad teria incentivos para se aproximar das posições mais firmes do campo popular.

Luis Felipe Miguel
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Nova pesquisa do mercado: Haddad vence no 2º turno e rejeição a Bolsonaro dispara

Segundo o levantamento, pela primeira vez Bolsonaro aparece numericamente atrás de Haddad em simulação de segundo turno


A nove dias do primeiro turno, o clima de polarização protagonizado pelos candidatos à presidência Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) se aprofundou, com a dupla ampliando vantagem sobre os demais postulantes ao Palácio do Planalto e travando duelo equilibrado nas simulações de segundo turno. Cada vez fica mais difícil para os adversários a reversão da tendência de uma disputa, a partir de 8 de outubro, entre os dois candidatos mais bem posicionados na corrida presidencial.

Segundo pesquisa XP/Ipespe, realizada entre os dias 24 e 26 de setembro, a distância entre o primeiro pelotão e o segundo agora chega a 10 pontos percentuais, o dobro do que se observou uma semana atrás. O levantamento está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com o código BR-00526/2018 e tem margem de erro máxima de 2,2 pontos percentuais para cima ou para baixo.

Na pesquisa, Bolsonaro manteve a liderança isolada da corrida, mas estacionou aos 28% das intenções de voto. O desempenho é superior em 5 p.p. ao registrado três semanas atrás, antes do atentado a facada sofrido pelo parlamentar durante ato de campanha em Juiz de Fora (MG). Com apoio de 32% dos eleitores no Sul e 31% no Sudeste, além de 33% na classe C, o deputado diminui espaços para adversários na via antipetista. Por outro lado, uma de suas fraquezas consiste na expressiva diferença de 15 p.p. entre o apoio do eleitorado masculino (36%) e feminino (21%). Tais fatores podem prejudicá-lo em eventual disputa de segundo turno e até mesmo torná-lo alvo dos efeitos de possível perda de apoio para o chamado "voto útil".

No retrovisor, Bolsonaro vê Haddad cada vez mais próximo. O petista agora tem 21%, 5 pontos a mais do que na última pesquisa. Desde que foi oficializado candidato à presidência, substituindo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ele mais que dobrou seu nível de apoio. Nos resultados segmentados, Haddad agora conta com apoio de 31% dos nordestinos, de 26% do eleitorado com nível de escolaridade até o Ensino Médio completo e de 23% daqueles com renda familiar mensal de até 2 salários mínimos.

Com o crescimento, o ex-prefeito paulistano ampliou vantagem sobre seu principal concorrente no "campo vermelho", o ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT), que apenas manteve os 11% de intenções de voto que tinha na semana passada. O pedetista está tecnicamente empatado com o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB), do "campo azul", que oscilou de 7% para 8%. O tucano patina até mesmo em faixas de histórico positivo de seu partido em eleições, caso do Sul e do Sudeste, onde não consegue superar os 10% das intenções de voto.

Dono da maior fatia de tempo no horário de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, Alckmin endureceu os ataques a Bolsonaro para tentar reaver votos do antilulismo e garantir um assento na disputa de segundo turno. A estratégia pode ter ajudado a elevar a rejeição do adversário, mas não o fez crescer nas pesquisas até o momento.

Em situação de empate técnico com Alckmin aparece a ex-senadora Marina Silva (Rede), com 5% das intenções de voto. A candidata apresentou uma desidratação de 8 pontos em um intervalo de um mês e viu sua rejeição chegar ao patamar de 68%. Até o fim de agosto, ela era a segunda colocada na pesquisa. Marina chegou a ficar 7 pontos atrás do líder Bolsonaro, agora a diferença é de 23 p.p..

Também pontuam na pesquisa o empresário João Amoêdo (Novo), com 3% das intenções de voto, o senador Álvaro Dias (Podemos), com 2%, mesmo patamar do ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles (MDB), e o deputado Cabo Daciolo (Patriota), com 1%. O grupo dos "não voto" (composto por votos em branco, nulos e eleitores indecisos) agora soma 17% do eleitorado no cenário estimulado e 39% no espontâneo – quando os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados. Uma semana atrás, os respectivos percentuais estavam em 23% e 39%.

O levantamento XP/Ipespe também mostrou que, a pouco mais de uma semana do primeiro turno, o nível de interesse pela eleição presidencial subiu de 60% para 64%. Agora, 39% dos eleitores se dizem muito interessados, enquanto 25% afirmam estar mais ou menos interessados no processo. Três semanas atrás, a soma desses grupos representava 52% do eleitorado. A faixa de eleitores que se diz desinteressada com o processo está em 20%, o que pode indicar uma ativação tardia e decisão de voto de parcela relevante durante o sprint final.

Confira os cenários de primeiro turno para a corrida presidencial testados pela pesquisa:

Pesquisa espontânea: sem apresentação de nome dos candidatos aos entrevistados

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Pesquisa estimulada: com a apresentação dos nomes dos candidatos aos entrevistados

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Segundo turno

Foram testadas seis situações de segundo turno nesta pesquisa. Em eventual disputa entre Alckmin e Haddad, pela primeira vez na série histórica o quadro seria de empate técnico, com o tucano numericamente à frente com 38% das intenções de voto contra 35% para o petista. Votos em branco, nulos e indecisos agora somam 27%. Em nenhum momento o ex-prefeito liderou as simulações, mas, nas últimas três semanas ele apresentou um crescimento ininterrupto em seu nível de apoio. Enquanto Alckmin aparece estável aos 38% no período, Haddad saltou 10 pontos percentuais, fazendo a diferença entre os candidatos cair para 3 p.p..

No caso de enfrentamento entre Alckmin e Bolsonaro, o cenário também é de empate técnico, com o tucano voltando a aparecer mais forte numericamente, com 41% das intenções de voto contra 38% para o deputado. Brancos, nulos e indecisos somam 22% do eleitorado. No último levantamento, os dois candidatos apareciam empatados com apoio de 39%. A diferença entre os candidatos chegou a ser de 7 pontos percentuais a favor do parlamentar na quarta semana de maio. Na maior parte do tempo, Bolsonaro apresentou níveis de apoio mais elevados, mas a diferença, na maior parte do tempo, ficou dentro do limite da margem máxima de erro – de 3,2 p.p. até a primeira semana de setembro, quando passou para 2,2 p.p. com o aumento no número de entrevistas feitas na pesquisa (de 1.000 para 2.000).

Em eventual disputa entre Marina Silva e Bolsonaro, o quadro é de empate técnico, no limite da soma das margens de erro dos candidatos. Nesta simulação, o deputado aparece com 39% das intenções de voto, contra 35% para a ex-senadora. Brancos, nulos e indecisos somam 25%. Na última pesquisa, Bolsonaro interrompeu uma sequência de 14 semanas numericamente atrás e em situação de empate com Marina, ao liderar por diferença de 5 pontos.

Se o segundo turno fosse entre Ciro e Alckmin, o cenário também seria de empate técnico, com o pedetista numericamente à frente por 39% a 35%. Brancos, nulos e indecisos agora somam 26% do eleitorado. É a terceira vez que Ciro aparece numericamente à frente na disputa. Na semana passada, ele tinha 2 p.p. a mais que o ex-governador paulista. Em nenhum momento um dos candidatos teve vantagem superior ao limite da soma das respectivas margens de erro, mas na maior parte do tempo Alckmin esteve numericamente à frente.

Caso Bolsonaro e Ciro se enfrentassem, o pedetista venceria com 43% das intenções de voto, contra 35% do parlamentar. Brancos, nulos e indecisos somariam 21%. É a maior diferença já registrada a favor do ex-governador do Ceará. Há quatro semanas, Ciro contava com vantagem de apenas 2 pontos percentuais. Bolsonaro esteve numericamente à frente na maior parte do tempo, mas em quadro de empate técnico. Apenas nos dois primeiros levantamentos, realizados em maio, ele vencia com diferença superior à soma das margens de erro.

A pesquisa também simulou um segundo turno entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad. Neste caso, o quadro também é de empate técnico, mas, pela primeira vez, o petista aparece numericamente à frente, por placar de 43% a 39%, no limite da soma das margens de erro dos candidatos. O grupo dos "não voto" agora soma 18%. Em abril, Bolsonaro chegou a contar com gordura de 11 pontos percentuais. Na semana passada, a diferença passou para apenas 3 pontos.

Rejeição aos candidatos

A pesquisa também perguntou aos entrevistados em quais candidatos não votariam em hipótese alguma. Marina Silva lidera o ranking da rejeição com taxa de 68%, em uma oscilação ascendente de 1 ponto percentual em comparação com a semana anterior e um crescimento de 8 pontos em um intervalo de um mês. Foi a maior elevação em repúdio registrada entre os principais presidenciáveis.

Logo atrás aparece Geraldo Alckmin, rejeitado por 61% do eleitorado – oscilação positiva de 1 p.p. em relação aos percentuais registrados nas últimas duas semanas. O tucano é seguido de perto por Bolsonaro, que agora aparece com taxa rejeição de 60%, crescimento de 3 pontos em comparação com os percentuais dos últimos dois levantamentos. Antes do ataque a facada sofrido em Juiz de Fora (MG) há 22 dias, o deputado havia alcançado seu maior nível de repúdio entre o eleitorado: 62%. Também aparece com rejeição de 60% o candidato Fernando Haddad. O patamar é o mesmo registrado no último levantamento e 4 pontos superior ao de um mês atrás.

Já Ciro Gomes é repudiado por 54% dos eleitores, contra 53% de Álvaro Dias. O senador, porém, é desconhecido por 25%, contra 6% registrados do lado do pedetista. A trajetória dos índices de rejeição dos principais nomes nas últimas sete pesquisas está na tabela abaixo:

CANDIDATO DE 13 A 15/08 DE 20 A 22/08 DE 27 A 29/08 DE 3 A 5/09 DE 10 A 12/09 DE 17 A 19/09 DE 24 A 26/09
Jair Bolsonaro 58% 59% 61% 62% 57% 57% 60%
Marina Silva 60% 60% 60% 62% 64% 67% 68%
Ciro Gomes 59% 59% 59% 59% 56% 54% 54%
Geraldo Alckmin 59% 60% 59% 59% 60% 60% 61%
Álvaro Dias 48% 48% 48% 48% 49% 51% 53%
Fernando Haddad 54% 54% 56% 57% 57% 60% 60%
Fonte: XP/Ipespe

Metodologia

A pesquisa XP/Ipespe foi feita por telefone, entre os dias 24 e 26 de setembro, e ouviu 2.000 entrevistados de todas as regiões do país. Os questionários foram aplicados "ao vivo" por entrevistadores, com aleatoriedade na leitura dos nomes dos candidatos nas perguntas estimuladas, e submetidos a verificação posterior em 20% dos casos. A amostra representa a totalidade dos eleitores brasileiros com acesso à rede telefônica fixa (na residência ou trabalho) e a telefone celular, sob critérios de estratificação por sexo, idade, nível de escolaridade, renda familiar etc.

O intervalo de confiança é de 95,45%, o que significa que, se o questionário fosse aplicado mais de uma vez no mesmo período e sob mesmas condições, esta seria a chance de o resultado se repetir dentro da margem de erro máxima, estabelecida em 2,2 pontos percentuais. O levantamento está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) pelo código BR-00526/2018 e teve custo de R$ 60.000,00.
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O vínculo entre a Lista de Furnas, Bolsonaro e as contas secretas da família de Aécio em Liechtenstein

Aécio e Bolsonaro, juntos na Lista de Furnas, na eleição de 2014 e no impeachment de Dilma
Por trás da queda de braço que a Procuradoria Geral da República trava com o ministro Gilmar Mendes em torno de um inquérito sobre Aécio Neves, está a chave que abre um dos segredos mais bem guardados da república: a corrupção em Furnas Centrais Elétrica, a maior estatal de energia no Brasil.

Em junho deste ano, depois que o Departamento de Recuperação de Ativos do Ministério Público Federal encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) os documentos referentes a contas de brasileiros no Principado de Liechtenstein, Gilmar Mendes determinou o arquivamento do inquérito, sem ouvir  Ministério Público Federal.

Raquel Dodge se insurgiu contra essa decisão e, numa medida que tecnicamente é chamada de agravo regimental, pediu que ele reconsiderasse ou, caso contrário, encaminhasse seu pedido para a segunda turma do Supremo Tribunal Federal. Foi o que ele fez, como determina a lei.

Na votação do agravo regimental, Dias Toffoli acompanhou Gilmar Mendes, mas Celso de Mello e Édson Fachin foram contra. O resultado estava empatado em dois a dois quando Ricardo Lewandowski, presidente da segunda turma, pediu vistas e ainda não anunciou seu voto.

Se mantido o arquivamento o inquérito, será sepultado um dos segredos mais bem guardados dos esquemas de corrupção que remontam à gestão Fernando Henrique Cardoso, quando, por indicação de Aécio Neves, Dimas Fabiano Toledo assumiu a Diretoria de Engenharia de Furnas e montou um esquema de desvio de recursos que beneficiou governadores, senadores e deputados, inclusive o hoje presidenciável Jair Bolsonaro, na época deputado federal de um partido que dava sustentação ao governo federal.

No caso de Furnas, são várias as pontas de um novelo que levam a Aécio. No caso deste inquérito arquivado, está uma investigação de 2007, quando a Polícia Federal apreendeu no apartamento do casal de doleiros Norbert Muller e Christine Puschmann, no Rio de Janeiro, documentos referentes à conta de uma fundação aberta em nome da mãe de Aécio, Inês Maria Neves Faria, que tinha Aécio Neves como um dos beneficiários.

A Polícia Federal investigou o caso e, alguns anos depois, com anuência do Ministério Público Federal, arquivou o inquérito por entender que os recursos encontrados na conta eram inferiores a 100 mil dólares e, portanto, não precisariam ter sido declarados ao Banco Central.

Um dos procuradores que sepultaram a denúncia contra a mãe de Aécio é Marcelo Miller, mais tarde guindado à condição de braço direito de Rodrigo Janot, na Procuradoria Geral da República, e agora denunciado por crime de corrupção por envolvimento no caso da delação de Joesley Batista, da JBS.

Na época, Miller era um jovem procurador com poucos anos de Ministério Público Federal. Juntamente com o procurador Fábio Magrinelli, Miller assinou manifestação que contém uma interpretação elástica da lei, conforme artigo publicado no DCM no início de 2017, quando ainda não havia estourado o escândalo da JBS.

Inês Maria, juntamente com Aécio, foi poupada do processo, mas o caso voltaria à tona em janeiro de 2014, quando um jornal online de Minas Gerais, o Novo Jornal, crítico ao senador tucano, começou a preparar reportagem sobre as contas de Liechtenstein.

Antes que o texto fosse publicado, o dono do jornal, Marco Aurélio Carone, foi preso, sob a acusação de que fazia parte de uma organização criminosa para extorquir dinheiro de políticos e empresários.

A acusação se revelaria mais tarde inconsistente, Carone foi absolvido, mas sua prisão abafou o escândalo. O dono do Novo Jornal passou nove meses na cadeia, três deles em solitária, justamente no período em que Aécio fazia campanha para presidente da república. Depois que retomou a liberdade, tentou recuperar os documentos apreendidos, mas não teve êxito.

“Não tenho mais acesso aos arquivos do jornal e não consegui recuperar os documentos que ficavam na sede do jornal. Quando voltei à redação, estava tudo revirado, não tinha mais nada”, diz.

Mas, mesmo assim, ele protocolou representação no Ministério Público Federal e no Departamento de Recuperação de Ativos do Ministério da Justiça contra Aécio.

Janot arquivou a representação e, agora que se sabe que seu braço direito era o mesmo que havia investigado lá atrás o caso de Liechtenstein, não é descabido imaginar que o texto do arquivamento em dezembro de 2015 tenha sido da lavra de Marcelo Miller.

Já o Departamento de Recuperação de Ativos colocou o caso para andar.

Em seu agravo regimental contra Gilmar Mendes, Raquel Dodge diz que o Ministério Público também solicitou assistência jurídica do principado de Liechtenstein, por meio do Procedimento de Cooperação Internacional número 1.00.000.003849/2017-36.

A resposta veio em janeiro deste ano, através de documentos referentes a contas bancárias não só da fundação da mãe de Aécio Neves, a Bogart & Taylor Foundation, e de outra pessoa jurídica, a Boca da Serra, além de pelo menos 11 pessoas físicas, todos vinculadas de maneira direta ou indireta a Furnas.

Além de Aécio, aparecem duas irmãs dele, Andrea e Ângela Neves Cunha, a filha, Gabriela Falcão Neves Cunha, e o primo, Frederico Pacheco de Medeiros, aquele que o senador tucano, na conversa gravada por Joesley Batista, disse que poderia matar antes que fizesse a delação. Também foram enviados documentos referentes a contas bancárias no LGT de Dimas Fabiano Toledo e os filhos.

A Procuradoria da República tomou conhecimento do resultado do pedido de cooperação, mas não pôde ainda analisar o conteúdo dos documentos — saldo e extratos, principalmente.

Por isso, solicitou que o caso fosse remetido à Justiça Federal no Rio de Janeiro, onde teve início a investigação que levou a Liechtenstein, aquela de 2007 que resultou na busca na casa dos doleiros Norbert e Christine Puschmann.

Com a descoberta de que Dimas também tinha conta no principado, surge mais uma peça do quebra-cabeças de Furnas, que autoridades insistem em não remontar. O episódio mais conhecido é o da lista preparado por Dimas Toledo para forçar sua manutenção na diretoria da estatal, a partir do governo Lula.

Dimas teve uma sobrevida na estatal até que estourou o escândalo do mensalão, em 2005. Nessa época, enquanto os tucanos pressionavam o governo federal através de duas CPIs no Congresso Nacional, foi revelada a existência de uma relação de nomes de 156 políticos que receberam recursos para a campanha de 2002, via caixa 2.

Eram todos da base aliada de Fernando Henrique Cardoso.

Estão lá os nomes de Aécio, na condição de recebedor de recursos e com autoridade para indicar outros beneficiários, por meio da irmã Andrea, José Serra, Geraldo Alckmin e até de Bolsonaro, este com o quinhão de R$ 50 mil — R$ 146 mil em valores atualizados.

Assim como é feito agora, com o arquivamento do inquérito sobre Aécio Neves determinado por Gilmar Mendes, a Lista de Furnas sempre foi alvo de operações pra abafá-la.

No governo de Aécio Neves e Antonio Anastasia, a Polícia Civil de Minas Gerais conduziu inquéritos que resultaram na farsa de que existia uma quadrilha de estelionatários.

O lobista que divulgou a lista, Nílton Monteiro, foi alvo de atentado — incendiaram um carro em sua casa —, e apresentado em veículos de alcance nacional, na época simpáticos a Aécio, como a Veja, como o maior estelionatário do Brasil.

A farsa foi desmascarada quando peritos da Polícia Federal concluíram que a lista não era falsa. Foi mesmo Dimas Toledo quem a assinou. Segundo Nílton, com o propósito de pressionar políticos a defenderam sua permanência na Diretoria de Engenharia de Furnas.

Como a maior parte da base aliada de Fernando Henrique Cardoso se tornou também base aliada de Lula, a pressão deu resultado, pelo menos nos três primeiros anos do governo petista.

Quem pagou o preço mais alto foi Nílton, hoje de volta à prisão, por uma condenação polêmica. Ele foi acusado de falsificar uma nota promissória em nome de um advogado do Rio, que tinha negócios com Dimas Toledo.

Nunca foi feita perícia no original da nota promissória, e o relator do processo que resultou na sua condenação em segunda instância foi o desembargador José Mauro Catta Preta Leal, citado na denúncia do mensalão mineiro, que levou o ex-governador tucano Eduardo Azeredo à prisão.

Catta Preta Leal era procurador do Estado na época do mensalão e assinou parecer que sustentou a liberação de recursos para eventos de fachada, apenas com o objetivo de alimentar o caixa de campanha de políticos tucanos de Minas, através de operações coordenadas pelo publicitário Marcos Valério.

Nílton Monteiro foi recolhido à prisão enquanto Aécio Neves faz campanha para tentar se eleger deputado federal.

Carone também pagou um preço alto por investigar, como jornalista, as contas da família de Aécio em Liechtenstein.

Agora, mais uma vez, o Estado brasileiro tem a oportunidade de investigar o senador mineiro, ex-governador, que quase se elegeu presidente em 2014. Mas, como mostra a decisão de Gilmar Mendes, referendada por Dias Toffoli, ele ainda é um político blindado.





Joaquim de Carvalho
No DCM
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PF faz buscas em endereços do tucano Marconi Perillo e prende coordenador de campanha tucana em GO


De acordo com o MPF, Perillo, quando senador e depois como governador, recebeu propina para favorecer a Odebrecht em obras em Goiás. Valores chegam a R$ 12 milhões.


Em operação na manhã desta sexta-feira (28), a Polícia Federal cumpre mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Marconi Perillo (PSDB), ex-governador de Goiás e candidato ao Senado. Ao todo a operação tem 14 mandados de busca e apreensão e 5 de prisão temporária. Jayme Rincon, coordenador de campanha do atual governador de Goiás e candidato à reeleição, José Elinton (PSDB), é um dos presos.

A ação faz parte da operação Cash Delivery, baseada na delação de executivos da Odebrecht, que apura repasses indevidos para agentes públicos em Goiás.

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), Perillo, quando ainda era senador e depois como governador, pediu e recebeu propina para favorecer a Odebrecht em contratos e obras em Goiás. Os valores, segundo as investigações, foram de R$ 2 milhões em 2010 e R$ 10 milhões em 2014.

Os mandados foram autorizados pela 11ª Vara de Justiça Federal em Goiás nas cidades de Aparecida de Goiânia, Pirenópolis e Aruanã, em Goiás, e em Campinas e São Paulo. Estão sendo investigados empresários, agentes públicos e doleiros pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

Candidato ao Senado, Perillo aparecia com 29% das intenções de voto em pesquisa Ibope do dia 21 de setembro. O ex-governador de Goiás se tornou réu no início de setembro por corrupção passiva.

No Fórum
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Está claro: querem quem possa vencer Haddad, não Bolsonaro


A violenta reportagem de Veja, com a história do cofre roubado, imóveis escondidos e renda inexplicada é a marcha de um plano evidente de demolição da candidatura de Jair Bolsonaro, amplificado pelas mais que desastradas críticas de seu vice, general Mourão, ao direito do 13° salário aos trabalhadores.

Ficou claro que Bolsonaro tinha chegado ao teto  – ou até alguns pontos acima dele, em razão do episódio de Juiz de Fora – mas não teria a menor condição de fazer frente, num segundo turno, ao candidato de Lula.

Nos pouquíssimos dias que faltam para o pleito vão tentar estimular o crescimento de quem tenha chance de fazê-lo e, para que alguém cresça é preciso fazer desmanchar o “Mito”.

Mitos, como se sabe, são passíveis desta dissolução por não serem orgânicos, estruturados, sólidos. São emanações do imaginário social que se corporificam em algo ou alguém.

A questão é que, acima do mito estão os estados psicológicos que o criaram. E tenho sérias dúvidas de que, a esta altura, estes possam ser redirigidos para aquele que o “Comando Marrom” – expressão que Brizola usava para definir a corporação midiática – ungir como seu escolhido.

Não será fácil erodir Bolsonaro o suficiente para tirá-lo do segundo turno, mas não é impossível, porque ele não tem estruturas convencionais que lhe retenham o voto: partidos e aliados candidatos. Além do mais, não tem TV e está retido em um quarto de hospital.

Até o momento, porém, não há indicativos de que o consigam. Mas, numa eleição regida por pesquisas, ainda é cedo para dar respostas firmes.

É mais difícil, porém, fazer crescer seu substituto, até porque Geraldo Alckmin, candidato natural a este papel, está perdido numa teia de traições, de agressividade e tão pouco se parece com o perfil “cowboy” que esta substituição lhe exigiria.

Ciro, que poderia ser uma alternativa, seria um salto no escuro.

Ironicamente, quem deu o famoso “cavalo de pau à beira do precipício” foi a mídia.

E o precipício é a derrota para um homem que, preso numa cela em Curitiba, mostrou que era de fato uma ideia.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Bolsonaro furtou cofre da mulher!

Além de pretender matá-la! Um colosso!

Ela
Da Fel-lha:

Ex-mulher acusou Bolsonaro de furto de cofre e agressividade

A separação litigiosa de Jair Bolsonaro (PSL) e da ex-mulher dele foi além da disputa pela guarda do filho do casal e incluiu acusações de furto de cofre, ocultação de bens e relatos de "comportamento explosivo" e "desmedida agressividade" do hoje candidato à Presidência da República pelo PSL.

As informações constam de um processo de cerca de 500 páginas obtido pela revista Veja e revelado na noite desta quinta-feira (27).

No documento, Ana Cristina Siqueira Valle acusou seu ex-marido de ocultar milhões de reais em patrimônio pessoal na prestação de contas à Justiça Eleitoral em 2006, quando foi candidato a deputado federal — e eleito em seguida.

Segundo a revista, Ana Cristina também acusou o ex-marido de furtar US$ 30 mil e mais R$ 800 mil — sendo R$ 600 mil em joias e mais R$ 200 mil em dinheiro vivo — de um cofre que ela mantinha em agência do Banco do Brasil, em 26 de outubro de 2007.

O caso resultou em um boletim de ocorrência registrado na 5ª Delegacia de Polícia Civil, no mesmo dia.

A ex-mulher também disse no processo que a renda mensal do deputado na época chegava a R$ 100 mil. Para tal, Bolsonaro recebia "outros proventos" além do salário de parlamentar — à época, segundo a Veja, de R$ 26,7 mil como parlamentar e outros R$ 8.600 como militar da reserva. Ela não especificou quais seriam as fontes extras.

Em janeiro deste ano, a Folha mostrou o aumento de patrimônio registrado por Bolsonaro e seus filhos — e como adquiriu imóveis por preços abaixo do valor de mercado.

As acusações da ex-mulher descritas no processo obtido pela Veja incluem o caso revelado pela Folha sobre a disputa da guarda do filho do casal, Jair Renan.

Ana Cristina afirmou, segundo documentos obtidos no Itamaraty, que ela sofria ameaças de morte de Bolsonaro. Em 2009, teria fugido para a Noruega por medo do deputado. A narrativa de Ana Cristina foi confirmada à Folha por brasileiros que conviveram com a ex-mulher de Bolsonaro naquele país.

Conforme também revelou a Folha, Bolsonaro acionou o Itamaraty devido à disputa de guarda entre o casal, que acontecia em paralelo ao desenrolar do caso do cofre. Segundo a revista Veja, enquanto a ex-mulher o acusava de furto do cofre, o deputado dizia que Ana Cristina tinha sequestrado o filho Jair Renan. (...)

No CAf
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Horário Eleitoral Livre


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Depois do STF, o risco de chantagem contra militares


Em algum ponto do futuro, um novo Snowden poderá trazer luzes sobre um dos aspectos mais obscuros do golpe em curso: o poder da chantagem em cima de agentes-chave do processo.

A era da telemática trouxe à tona um volume inédito de informações sobre países, instituições, empresas e pessoas. As operações em paraísos fiscais, a lista do HSBC, o caso Banestado, a contabilidade da Odebrecht, dos doleiros, os arquivos sobre o narcotráfico, a espionagem direta norte-americana, através na NSA, grampeando o celular de Dilma Rousseff e Ângela Merkel.

Some-se à maneira fácil com que se destroem reputações através das redes sociais e dos sistemas de mídia, e se terá um prato feito a chantagem.

Chantageadores costumam levantar informações pontuais sobre um número determinado de vítimas. Mas, e quem têm acesso a um número ilimitado de fontes de informação e a facilidade das redes sociais para disseminá-las?

Há os seguintes indícios do uso dessas informações no golpe, através da alimentação das diversas operações ou da chantagem:
  1. Globo – desde 2011 está refém do FBI devido aos escândalos da FIFA. Nesse ano houve a delação de J.Hawila. Apesar das investigações se concentrarem nos Estados Unidos, ocorreram denúncias contra executivos da FIFA e das confederações latino-americanas. Nenhuma denúncia contra a Globo. As investigações mais substanciosas estão sendo feitas pelo Ministério Público da Espanha e da Suíça – mas abafadas no Brasil pelo MPF nacional. Há suspeitas – repito: suspeitas – de que a jogada de alto risco da Globo, sendo o principal alimentador do golpe, se deveu a essas pressões.
  2. Luís Roberto Barroso – a mudança de posição de Barroso, em questão de direitos, ocorreu imediatamente após informações sobre ele e sua família veiculadas por um site anônimo de Curitiba. Depois que mudou de lado, não foi mais incomodado. A mesma suspeita recai sobre Luiz Edson Fachin e sobre Carmen Lúcia. Neste caso, ela recebeu um recado de coluna da Globo, que estaria sendo vítima de um golpe, da pessoa que lhe vendeu por R$ 1,7 milhão uma casa que valia R$ 3 milhões. A pessoa em questão tinha relações com Carlinhos Cachoeira. Depois que mudou de lado, Carmen Lúcia nunca mais foi incomodada.
É possível que muitos magistrados tenham aberto mão de seus princípios garantistas por pressões de chantagistas, independentemente de as ameaças serem em cima de fatos concretos ou factoides. Dias Toffoli foi alvo de uma capa infame da Veja, assim como políticos que não aderiam ao golpe. E os vazamentos seletivos ou meras manipulações de delações passaram a ser arma diuturna de chantagem e pressão política.

A falta de critérios da mídia brasileira abriu essa avenida para chantagens, muito mais do que os fakenews das redes sociais.

Dou essa volta para chegar a um ponto delicado: a possibilidade desse tipo de jogada estar ocorrendo sobre militares da ativa.

Há sinais concretos de que a maioria dos oficiais da ativa são legalistas, respeitadores da lei e da ordem. Muito mais que políticos, intelectuais, jornalistas, eles têm enorme apreço por sua reputação pessoal. Justamente por isso, são muito mais vulneráveis a esse tipo de pressão que um cidadão comum. É capaz de se sentirem constrangidos por apontamentos no SPC, alguma irregularidade fiscal, por algum erro administrativo em alguma licitação, qualquer episódio menor suscetível de ser escandalizado.

São fortes como instituição armada; vulneráveis como pessoas físicas pouco afeitas ao jogo de intrigas e pressões que cercam a política.

Há indícios – repito: indícios! – de que possa estar em andamento uma ofensiva similar à que dobrou figuras do Judiciário, visando obter adesões contra a normalidade democrática. Mas é importante ficar alerta a sinais que possam indicar algo nessa direção. As próprias Forças Armadas tem áreas especializadas em guerras híbridas.

Luís Nassif
No GGN
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