27 de set de 2018

Eleição ainda em aberto, antevéspera de "vésperas de sangue"


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Folha confirma: Bolsonaro ameaçou matar a mulher

Brasileiros na Noruega desmentem o "desmentido" de Ana Cristina Valle


Da Fel-lha:

Brasileiros que conviveram com ex-mulher de Bolsonaro na Noruega confirmam que ela relatava ameaça

Cinco brasileiros que vivem na Noruega e conviveram com Ana Cristina Valle, ex-mulher de Jair Bolsonaro (PSL), confirmaram à Folha o relato que consta em documento oficial do Itamaraty, redigido em 2011.

O registro diplomático informa que ela afirmou ao vice-cônsul naquele país que havia sido ameaçada de morte pelo ex-marido e que por isso havia fugido do Brasil.

O caso foi revelado pela Folha, nesta terça (25). Logo após a publicação da reportagem, Ana Cristina divulgou vídeo nas redes sociais no qual negava ter falado sobre o assunto com a embaixada brasileira, rechaçava ter sido alvo de qualquer ameaça e defendia Jair Bolsonaro, atacando a imprensa.

Dos cinco brasileiros que aceitaram falar com a reportagem, quatro disseram que só o fariam sob anonimato, com medo de represália. Uma decidiu se identificar.

Simone Afonso, ainda reside na Noruega e conta que conheceu Ana Cristina em 2009, quando ela deixou o Brasil. “Ela tentou asilo político aqui, o que foi negado pelo departamento de imigração local. Dizia que estava sendo ameaçada pelo ex-marido, o Jair Bolsonaro, que ele havia tirado a guarda do filho dela”, contou.

“Todo mundo aqui em Oslo sabe que o discurso dela era: estou aqui por medo do meu ex-marido”, continuou. “E se você quiser, a gente pode fazer uma lista de pessoas daqui que sabem dessa história.”

As outras quatro testemunhas relatam o caso da mesma forma. (...) Segundo os relatos dos brasileiros, ela costumava repetir que a “minha cabeça vale R$ 50 mil”.

Simone Afonso contou que Ana chegou a morar na casa de um brasileiro em Oslo. Fernando Xavier, disse ela, teria alugado um quarto para a ex-mulher de Bolsonaro até que ela pudesse se estabelecer no país.

Em suas redes sociais, Xavier compartilhou a reportagem da Folha desta terça (25). “Olha as verdades surgindo do teatro de vampiros!!!! (sic) Chegou ameaçada e ficou anos sem ver o filho!!!”, escreveu. “Eu sou testemunha e muitas outras pessoas da sociedade de Oslo!!!”

(...) Quando ainda morava no exterior, a ex-mulher de Bolsonaro contou aos brasileiros detalhes da disputa judicial que travou com o ex-marido pela guarda do filho do casal, Renan.

Uma das pessoas com as quais a Folha conversou disse ter enviado para Ana Cristina, no Brasil, a certidão de nascimento com a qual ela conseguiu tirar o filho do país sem a autorização de Bolsonaro — foi isso o que levou o deputado a mobilizar o Itamaraty.

A ex-mulher do presidenciável usou um documento antigo, anterior ao reconhecimento da paternidade. Nele, apenas seu nome constava como responsável pelo menino. Essa mesma pessoa diz que presenciou a ligação do vice-cônsul que consta no telegrama reservado arquivado no Itamaraty. (...)

No CAf
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Lewandowski pede a Toffoli julgamento da Segunda Instância


O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Ricardo Lewandowski, em manifestação desta quinta-feira (27), pediu que o presidente do tribunal, ministro Dias Toffoli, leve a julgamento as ações que discutem a possibilidade de prisão após condenação em segunda instância antes do julgamento dos recursos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra decisão do Supremo que lhe negou liberdade.

“Trata-se, a meu ver, de oportunidade única oferecida a este Supremo Tribunal para uma correção de rumos”, afirma Lewandowski, no texto do despacho.

Para Lewandowski, o STF deveria analisar primeiro as ações que possuem um caráter geral e se aplicam a todos os presos em condições iguais às de Lula. “Dessa maneira, permito-me sugerir a Vossa Excelência que restabeleça a ordem o mais brevemente possível, na linha da jurisprudência cristalizada nesta Suprema Corte, no sentido de que a análise de processo de controle concentrado sempre deve preceder o exame de processos de índole subjetiva”, disse o ministro.
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Bolsonaro soltou a direitona antipetista do armário e esfarelou o PSDB

https://www.balaiodokotscho.com.br/2018/09/27/bolsonaro-soltou-a-direitona-antipetista-do-armario-e-esfarelou-o-psdb/

De onde vieram os votos que garantiram a liderança de Bolsonaro nas pesquisas com índices próximos a 30%?

Basta olhar para a posição do tucano Geraldo Alckmin nos mesmos levantamentos, empacado em torno de 8%, para saber o que aconteceu na campanha de 2018.

Em outras eleições, estes votos do capitão do Exército iriam naturalmente para o PSDB, principal adversário do PT nas últimas seis eleições presidenciais.

A radicalização política do país que se seguiu ao golpe de 2016 e a implosão dos partidos pela Lava Jato produziu esta anomalia chamada bolsonarismo, para se contrapor ao petismo.

Desde 1994, o segundo turno das eleições sempre foi disputado entre PT e PSDB, e não havia nenhum candidato assumido da direitona enrustida, que por falta de opção despejava seus votos nos tucanos.

Agora, Bolsonaro jogou a velha polarização entre os dois partidos para o ar, soltou a direitona do armário e se apresentou de cara como candidato da extrema-direita, tendo como sua principal arma o antipetismo ululante.

Por ironia do destino, o deputado do baixo clero e seus aliados de ocasião nos três poderes, no alto emrpesariado, na mídia e no mercado financeiro, não conseguiram tirar votos do PT, mas esfarelaram o PSDB, que ficou sem bandeira e sem discurso, deixando Alckmin a falar sozinho com um dígito nas pesquisas.

Uma boa pista para entender o que aconteceu é ler os comentários dos leitores do Estadão no online.

Porta-voz histórico dos tucanos e do antipetismo, o Estadão logo aderiu ao golpe para derrubar Dilma e apoiar Temer, mas viu sua freguesia pular sem escalas para os braços de Bolsonaro, com cometários cada vez mais ferozes contra qualquer colunista que critica o capitão.

“Ficamos sem um líder e com um adversário a nos ameaçar. A decisão lógica foi o Bolsonaro. Não por nossa culpa, mas dos nossos fracos líderes”, escreveu nesta quinta-feira o ex-tucano Lucelino Laranjeira, sintetizando um pensamento comum a nove entre dez dos velhos leitores do Estadão.

“Quanto mais o Alckmin bate no Bolsonaro, mais votos ele vai perder”, acrescenta Fernando Rezende.

Em consequência dessa reviravolta, o PSDB está correndo o risco de perder as eleições tanto para governador como para presidente em São Paulo (ver post anterior), o seu principal reduto, algo inédito nos últimos 25 anos de domínio absoluto do tucanato.

A 10 dias das eleições gerais, enquanto as milicias bolsonaristas já desfilam em Copocabana, sem camisa e com calças militares camufladas, como se pode ver na internet, gritando “Mito!, a velha elite paulistana se prepara para não só apoiar mas bancar Bolsonaro no segundo turno.

Até o chanceler Aloysio Nunes, último tucano no governo de Michel Temer, já saiu em defesa de Jair Bolsonaro, garantindo que uma possível vitória do capitão afastado pelo Exército aos 32 anos “não resultará em nenhum retrocesso” porque ele “joga de acordo com as regras da democracia”.

Para aumentar o vexame, Nunes disse isso e outras barbaridades em Nova York, durante entrevista à BBC News Brasil.

Neste fim de semana, além das manifestações das mulheres programadas para sábado por todo o país pelo movimento #EleNão, protestos contra a candidatura de Jair Bolsonaro estão previstas em 60 países ao redor do mundo.

Faltam agora apenas quatro programas de presidenciáveis na TV e os dois debates finais da Record e da Globo para fechar a campanha, com todas as pesquisas apontando para um segundo turno entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad.

Vida que segue.

Ricardo Kotscho
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Nota do PT em defesa dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras


O PT nasceu para defender os trabalhadores e trabalhadoras e não pode se calar diante de mais uma ameaça ao nosso povo.

O décimo-terceiro salário é uma conquista histórica da classe trabalhadora, assim como a gratificação de férias, incorporada democraticamente à Constituição de 1988.

É inacreditável que alguém se candidate a governar o país propondo massacrar ainda mais os trabalhadores.

O povo quer o PT de volta ao governo para revogar todas as injustiças que foram feitas nos últimos dois anos, como a terceirização e o retrocesso na legislação trabalhista.

É com mais democracia, e não com menos direitos para os trabalhadores, que vamos tirar o Brasil da crise.

Comissão Executiva Nacional do PT
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Bolsonaro manda o Mourão calar a boca!

Jair, a crase não foi feita para humilhar ninguém - F. Gullar

Parece, mas não é a Ana Relho...

Em palestra na Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, o general Hamilton Mourão, vice na chapa de Jair Bolsonaro (PSL) nas eleições 2018, afirmou que o 13.º salário e o pagamento de adicional de férias são "jabuticabas" - ou seja, só ocorrem no Brasil. Após a divulgação do vídeo, a campanha de Bolsonaro determinou o cancelamento de todas as agendas públicas de Mourão até o dia da votação do 1º turno.

As declarações de Mourão foram dadas a comerciantes no Sul: "Temos umas jabuticabas que a gente sabe que são uma mochila nas costas de todo empresário", disse Mourão. Jabuticabas brasileiras: 13º salário. Como a gente arrecada 12 (meses) e pagamos 13? O Brasil é o único lugar onde a pessoa entra em férias e ganha mais", completou. "São coisas nossas, a legislação que está aí. A visão dita social com o chapéu dos outros e não do governo."



Pelo Twitter, o candidato do PSL respondeu Mourão afirmando que criticar o 13º salário, "além de uma ofensa à (sic) quem trabalha", é "desconhecer a Constituição".

Outros presidenciáveis já se manifestaram sobre as declarações de Mourão sobre o 13º salário. Geraldo Alckmin (PSDB) criticou a fala do vice de Bolsonaro.

(...)

No CAf
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Xadrez da estratégia possível de Haddad, se eleito


Vou refazer o Xadrez de ontem de uma forma mais didática.

Peça 1 – o grande acordo nacional

O maior desafio do novo presidente será colocar as instituições de volta na caixinha – os limites definidos pela Constituição –, desarmar os espíritos e recuperar a economia.

É um desafio político gigante, à altura da grande concertação espanhola de Felipe Gonzales em 1982.

Assim como na Espanha pós-Franco, o Brasil atual vive uma pós-ditadura disfarçada, com a derrocada das instituições, a disseminação do estado de exceção, e o fascismo se mostrando em todos os cantos.

De certo modo, Haddad deverá repetir a trajetória de Felipe Gonzales, na Espanha, mas com metade do caminho aplainado por Lula. Ou seja, a montagem de um partido nacional e a unificação do polo progressista – que será completado com a possível aliança com Ciro Gomes.

O desafio, pós-eleitoral, consistirá em alargar o arco, convidar todos os setores comprometidos com a democracia, desarmar os espíritos e começar o trabalho de reconstrução institucional.

Sob Dias Toffoli, livre da irresponsabilidade de Carmen Lúcia, e com Barroso se desmoralizando dia a dia, é possível que o STF, finalmente, dê sua contribuição para coibir abusos das corporações de Estado que estão se lambuzando com arbitrariedades e demonstrações de força.

Todo o discurso político de Haddad, na campanha, foi feito tendo em vista o pós-eleição. Não se indispôs com nenhum candidato adversário, reiterou sempre a importância do desarmamento de espírito, respondeu às provocações, especialmente nos programas de entrevistas, sem perder a cabeça, mas sem abrir mão de suas convicções. E está acenando com uma ampla aliança para governar o país.

Aliás, desde que aceitou o convite para lecionar para o Insper – a nova Meca do neoliberalismo brasileiro – Haddad vinha se preparando para esse papel de consolidação de um pacto alargado. Ou seja, lá atrás, ele – orientado por Lula – já havia uma estratégia clara de governabilidade, enquanto a direita se contentava com a convicção de que o antilulismo e o antibolsonarismo garantiria a eleição de Geraldo Alckmin.

A governabilidade passa, primeiro, pela montagem de uma ampla coalisão com os diversos setores sociais, econômicos e institucionais, momentaneamente unidos contra o fantasma Bolsonaro. A maneira de combater o antipetismo seria ampliar a base de governo, reduzindo o protagonismo do partido.

Esse alargamento das alianças já era objetivo de Lula em 2013, quando pensou em Eduardo Campos como um aliado capaz de chegar à presidência.

Antes disso, as candidaturas de Dilma Rousseff e Fernando Haddad já visavam justamente trazer um componente de classe média para a frente, diluindo o pesado preconceito social da classe média e alta contra o PT tradicional.

Eleito, certamente Haddad convidará Ciro a participar do governo. Não se sabe se Ciro aceitará ou não. Aceitando, pelo cacife acumulado na campanha atual, será uma candidatura quase certa dessa frente nas próximas eleições.

Para completar o ciclo, no entanto, o fator econômico será fundamental. Um dos pontos centrais de eclosão dessa maré conservadora foi o incômodo trazido pelo fim da bonança econômica.

Vamos por partes, refazendo de forma mais didática o Xadrez anterior, montado a partir dos estudos do economista Gabriel Galippo:

Para a recuperação da economia necessita-se de
  1. disponibilidade de oferta,
  2. disponibilidade de demanda, e
  3. mecanismos de financiamento.
Peça 2 – disponibilidade de oferta

Hoje em dia a economia está rodando com uma capacidade ociosa de 31%.

Quando a indústria tem capacidade ociosa, reage muito mais facilmente aos estímulos de demanda, porque o custo marginal (o que ela gasta a mais para aumentar a produção) é baixo.

Nos anos de bonança houve enormes investimentos na ampliação da capacidade instalada. Com a frustração do crescimento, criou-se essa folga. Significa que responderá imediatamente a qualquer estímulo para aumentar a oferta, sem pressão sobre os custos e, por consequência, sobre a inflação.

Essa história de que não há investimento porque não há confiança na higidez fiscal do país é enganosa. Não há investimento porque não há demanda. O empresário só voltará a investir se a demanda ocupar sua capacidade de produção.

O desafio, portanto, consiste em aumentar a oferta. E Haddad contará com diversos fatores positivos.

Peça 3 – recuperação das commodities

Está havendo uma forte recuperação nas cotações internacionais de commodities. Os ganhos serão imediatos, com o aumento da demanda em duas frentes.

Frente 1 - Petrobras

Embora não se vislumbre em Haddad a disposição de denunciar os contratos já fechados para a exploração do pré-sal, é quase certo que interromperá os leilões e irá recuperar os princípios básicos da lei da partilha: voltar os componentes de conteúdo nacional, retomar as encomendas para a indústria naval e interromper os leilões de exploração.

Retomando o conteúdo nacional, começará a mover, novamente, a indústria de máquinas e equipamentos, de motores, de serviços e todas as peças de uma extensa cadeia de produção, com a consequente geração de empregos especializados, além da recuperação da economia de estados e municípios afetados pela redução dos royalties do petróleo.

Frente 2 – agronegócio

Além de fornecer divisas para o país, o ganho do agronegócio tem impacto direto sobre a produção de caminhões e tratores, insumos agrícolas e bens de consumo nas regiões agrícolas.

Peça 4 – retomada de obras paradas

Para completar o quadro, há uma imensidão de projetos públicos já licitados, analisados pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), aprovados e suspensos devido aos receios com a irracionalidade da Lava Jato e seus filhos que promoveu um verdadeiro apagão administrativo no país.

Esses projetos foram completados no governo Dilma. Para cada um deles exigiu-se a constituições de SPEs (Sociedades de Propósito Específico), com o capital blindado em relação aos acionistas principais – as grandes empreiteiras.

Mas, depois dois abusos do Ministério Público Federal do Rio de Janeiro, com condução coercitiva de dezenas de técnicos do BNDES, criminalização de qualquer operação, houve o apagão administrativo – nada se aprova, nenhuma medida é tomada, porque tudo estava exposto à criminalização pelo MPF.

Um pacto entre o governo, o STF, a PGR, destravaria os investimentos que seriam rapidamente colocados em marcha.

Além disso, com a taxa de juros em 6,5%, o governo poderia injetar recursos no BNDES sem impacto na dívida pública. O impacto ocorria devido ao diferencial entre as taxas do BNDES e a Selic de 14%. Com Selic próxima às taxas do BNDES, não há impacto na dívida pública.

Segundo a CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), cada R$ 1 milhão investido no setor gera, em média, 26 empregos. A lista dos projetos atuais permitiria, de imediato, a geração de 2 milhões de novos empregos, além da reativação das cadeias produtivas ligadas a cada projeto.

Todos são investimentos que aumentam sensivelmente a eficiência interna do país.

Some-se a esse movimento, a volta dos investimentos externos. Os chineses, por exemplo, estão aguardando os primeiros sinais de estabilidade política, e de exorcismo da candidatura Bolsonaro, para voltar a investir.

Peça 5 – a PEC do gasto

A desastrada PEC do Gasto produziu um pterodátilo nas contas públicas. A alegação final era a necessidade de conter gastos para aumentar os investimentos públicos. Mas incluiu-se o investimento público na lei. Então, se o PIB crescer, digamos, 2,5% ao ano, os investimentos públicos permanecerão congelados, sem conseguir acompanhar o PIB e, por consequência, sem conseguir melhorar a produtividade da economia.

De alguma maneira terá que ser revista e os investimentos retirados do cálculo dos gastos públicos. Aliás, o melhor seria revogar a lei.

Os investimentos públicos são essenciais em setores com alto impacto social e com grande absorção de emprego – como saneamento.

Peça 6 – o câmbio

O governo Haddad receberá o país com o real desvalorizado, em função do terrorismo pré-eleitoral. Se, ao contrário de 2003, mantiver o câmbio desvalorizado, haverá impactos positivos diretos na indústria – através da reativação das exportações e da redução das importações.

O grande desafio será impedir a valorização do real. Ocorre a valorização quando aumenta a quantidade de dólares entrando na economia. Os dólares ingressam de três maneiras;
  1. através do aumento do saldo comercial;
  2. ingresso de fluxos financeiros para investir nos juros da dívida pública, que pagam mais do que as taxas internacionais;
  3. investimentos diretos estrangeiros.
O Banco Central poderá atuar em cima do item 2, através de duas ferramentas.

Ferramenta 1 - a redução do diferencial de juros entre o real e o dólar.

Espera-se uma elevação na taxa de juros americana. Estima-se que poderá chegar a 3% ao ano. A estratégia brasileira consistiria em reduzir ainda mais a Selic, eliminando o diferencial de juros com os EUA.

Será possível mesmo seguindo o sistema de metas inflacionárias adotada pelo Banco Central. O mercado trabalha com uma miragem, a taxa de juros de equilíbrio, ou seja, a taxa de juros que seja neutra em relação à inflação e à atividade econômica. E com outra miragem, que é o chamado PIB potencial – isto é, quanto o país poder crescer sem comprometer as metas de inflação.

Nem se vá discutir o rigor científico dessas medições. Mesmo seguindo esses preceitos, o país está crescendo abaixo do PIB potencial. Significa que, pelo sistema de metas inflacionárias, poderá reduzir ainda mais a Selic.

Ferramenta 2 – swaps cambiais

O real está colado nas moedas dos emergentes. Mas é a moeda de maior liquidez. A cada crise, é a primeira moeda a ser vendida. Passada a crise, a primeira a ser comprada.

Mesmo assim, fechando o diferencial entre juros americanos e brasileiros, se houvesse um ingresso excessivo de dólares, ele poderia ser esterilizado com operações de swap - que tem um custo, mas não impactam a dívida líquida nacional.

Peça 7 – a política monetária

Confirmada a vitória de Fernando Haddad, o mercado tenderia a puxar as taxas de juros longas, das NTN-B.

Trata-se de um título da dívida que paga IPCA mais uma taxa de juros negociada a mercado. Com a Selic elevada, as NTN-Bs se tornaram um sorvedouro da poupança privada, especialmente dos fundos de pensão, por oferecer rentabilidade maior do que a taxa atuarial necessária, sem risco algum. O patrimônio total dos fundos chega a R$ 1 trilhão. Sua meta atuarial é de IPCA + 5,5%. As NTNBs longas pagam 6,5% mais IPCA, sem risco nenhum.

Quando as taxas de juros sobem, cai a cotação das NTNBs, abrindo a possibilidade do Banco Central recompra-las, mais baratas, colocando em seu lugar LTNs pré-fixados, por um valor mais caro.

Com esse movimento, e com a redução das taxas de juros, os fundos de pensão terão que buscar papéis mais rentáveis. E aí, abre-se o mercado para papéis privados, os CRAs (Certificados de Recebíveis Agrícolas) e debêntures de infraestrutura.

O mesmo ocorrerá com os bancos que emitem CDBs e que não terão mais as facilidades dos juros da dívida pública para se remunerar.

Haverá outro ganho indireto. Com as NTNBs, o mercado sempre apostava no caos: quando mais desarrumada a economia, mais elevadas são as taxas das NTNBs. Com os pré-fixados, passarão a ser sócios da estabilidade.

Luís Nassif
No GGN
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O perigo mora no suposto “Centro”


A candidatura Bolsonaro sustenta-se somente em três sentimentos básicos: insegurança, ressentimento é ódio. Associada a esses sentimentos, compreensíveis num ambiente de crise, não há qualquer proposta racional, para além das indagações ao Posto Ipiranga.

Simplesmente não há sequer um simples e primário programa de governo. Tudo se resolveria com base na força, na eliminação dos mecanismos democráticos, na distribuição de armas e na restauração de um Brasil mítico, “puro” e desigual. As propostas de Paulo Guedes são ridículas, de tão regressivas. Nem o “mercado” as leva a sério.

No fundo, o que essa candidatura oferece como perspectiva política é unicamente a eliminação dos que são percebidos como “inimigos internos”, como negros, mulheres feministas, gays, petistas, esquerdistas, pobres vagabundos, quilombolas, índios e todos aqueles que não se enquadrariam no esquadro fascista dos “cidadãos de bem”.

Não há futuro e construção, portanto. O que haveria é a destruição das dissidências e a volta a um mítico status quo ante, quando a sociedade escravagista, colonizada, desigual e machista não havia sido ainda questionada.

Dessa forma, a candidatura Bolsonaro é, ao mesmo tempo, uma patologia mental e política. Não consegue projetar uma “memória do futuro”, como assinalaria o neurocientista António Damásio, apenas é saudosista de um passado escravagista, preconceituoso, machista, colonizado e profundamente autoritário. Ela é, na realidade, uma ode furiosa ao atraso em todos os campos. Um elogio à tortura como método político. Um refúgio contra quaisquer mudanças, contra o risco de evoluir e ser feliz.

Contudo, candidaturas que não conseguem projetar futuro, que não oferecem esperanças concretas de melhoria, têm poucas chances de serem exitosas.

A ascensão de Hitler na República Weimar também esteve baseada na exploração da insegurança, do ressentimento e do ódio, numa Alemanha profundamente humilhada e em crise. Não obstante, Hitler conseguiu oferecer ao alemães um programa e a visão de uma futura Alemanha grandiosa, embora falsa. Bolsonaro e Mourão, o Ariano, não conseguem sequer fazer isso. Apenas vomitam seu ódio e preconceito. É muito pouco. Um vácuo pleno de ódio continua sendo um vácuo.

Já a candidatura Haddad/Lula se baseia também em sentimentos básicos como tolerância, solidariedade, esperança e felicidade, emoções opostas às ofertadas pela candidatura do hitlerzinho tropical.

A diferença maior, contudo, refere-se ao fato de que a candidatura Haddad/Lula tem um sólido programa de governo e, por consequência, a capacidade de projetar uma “memória do futuro”, como diria Damásio. Um futuro melhor para todas e todos.

Nessa candidatura, não há dissociação entre razão e emoção, uma patologia mental e política. Elas estão casadas em propostas racionais consistentes e em escolhas motivadas por sentimentos claros e positivos.

Trata-se, portanto, de uma candidatura que projeta a visão e a possibilidade concreta, factível, de um Brasil feliz, integrado, justo e tolerante, no qual haja espaço para as cidadãs e os cidadãos de todos segmentos sociais. Nela, não há inimigos internos a serem aniquilados. Há brasileiras e brasileiros que precisam ser incluídos, sem distinção, no desenvolvimento econômico, social e político.

Ao contrário da candidatura Bolsonaro/Mourão, a candidatura Haddad/Manuela/Lula não pretende destruir nada ou eliminar ninguém. Não é a antípoda extremada dos fascistas, é a moderação e a conciliação que pode anular o ódio destrutivo e divisor. É o verdadeiro centro democrático do país.

Entretanto, a patologia mental e democrática da candidatura Bolsonaro ameaça se estender ao mal denominado “centro político”. Ante a perspectiva muito provável de um segundo turno entre Bolsonaro e Haddad, entre democracia e barbárie, parte desse “centro” já ameaça aderir a barbárie.

Explica-se: esse “centro”, ou parte dele, é, na verdade, a origem e o epicentro do golpismo que destruiu o pacto democrático brasileiro e fez surgir o fascismo tupiniquim. Bolsonaro, um obscuro e medíocre parlamentar, jamais teria sido alçado ao estrelato político sem a ação golpista e antidemocrática do PSDB, PMDB e de outros partidos autodefinidos como de “centro”. Bolsonaro é cria bastarda de Temer, Cunha, FHC, Aécio, Alckmin. Marina et caterva.

Assim, parte significativa desse “centro” é, há muito, uma direita extremada, que jogou na lata de lixo da história seus compromissos democráticos e civilizatórios. Jogou na lata de lixo até mesmo seus compromissos internacionais com os direitos humanos, como comprovado no vergonhoso caso da decisão do Comitê dos Direitos Humanos da ONU, em relação a Lula.

Essa direita extremada, embora se veja como elite moderna, ponderada e cosmopolita, que pontifica sobre o Brasil desde a Avenue Foch, é, na realidade, uma oligarquia brucutu, tosca, que não hesita, quando necessário, em dar golpes de Estado, desestabilizar governos populares e aniquilar direitos políticos e sociais. Ela tem em seu DNA a escravidão, a ditadura, o autoritarismo e a exclusão.

Portanto, o nosso autodenominado “centro” é, a bem da verdade, uma espécie de Bolsonaro envergonhado, um Mourão envernizado com discurso pretensamente sofisticado e técnico.

O perigo maior à democracia brasileira mora ali, nesse pretenso “centro” “sofisticado e técnico”. O perigo mora no Judiciário e no ministério público partidarizados, que se desfizeram do republicanismo e dos seus compromissos maiores com os direitos garantias individuais assegurados na Constituição e nos tratados de direitos humanos.

O perigo maior mora na mídia oligárquica, principal responsável pelo ódio antipetista e antiesquerdista. que cevou os movimentos protofascistas do país e instaurou o Estado de exceção

O perigo maior mora num setor empresarial rentista e atrelado a interesses externos, que não dá a mínima para o bem-estar da maioria do povo, para a democracia e para a soberania nacional.

Bolsonaro, Mourão e a legião de acéfalos que os seguem, embora perigosos em si mesmos, são vistos como massa de manobra por algo mais sutilmente perverso.

Não obstante, o problema de uma junção de parte dessa direita com o fascismo bolsonarista reside na irracionalidade política desse último. O fascismo, exatamente por ser fascismo, saiu do controle. A massa de manobra não é mais manobrável. Nem mesmo Bolsonaro e Mourão a controlam.

Na Alemanha, setores da burguesia se aliaram a Hitler na esperança de controlá-lo e, ao mesmo tempo, destruir os comunistas. Fracassaram. Hitler e seus seguidores fanáticos e violentos os engoliram.

Resta ver se esse “centro” se desfazerá de seu ridículo e injustificado ódio antipetista, que afeta até mesmo candidatos supostamente progressistas, e aderirá a algum grau de racionalidade política, ou se vai mergulhar na aventura irracional fascista, destruindo de vez a democracia brasileira, como parece ser o caso de alguns de seus expoentes.

O perigo maior está no “centro” escolher o ódio ao PT, em vez do amor ao Brasil.

Marcelo Zero
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ONU reconhece: as Malvinas são argentinas


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Por que a ex de Bolsonaro "mudou de ideia" sobre as ameaças de morte?

Brasileiros que conviveram com ex-mulher de Bolsonaro confirmam documento e garantem que ela era ameaçada de morte. Eles dizem não entender por que ela "mudou de ideia". Mas a matemática é simples: R$ 183 mil por mês. Hoje, Ana é candidata a deputada federal e usa o nome do ex-marido para se eleger

Ana Cristina Valle, ex-mulher de Bolsonaro
No início da semana, uma reportagem da Folha de S.Paulo publicou um documento do Itamaraty que comprova que a ex-mulher do candidato Jair Bolsonaro (PSL) era ameaçada de morte por ele.

O episódio se passou em julho de 2011, quando Ana Cristina, que tem a guarda de Jair Renan, de cerca de 12 anos de idade, embarcou com o menino para Oslo, na Noruega.

Segundo o documento, Ana Cristina Valle revelou ao Itamaraty que deixou o Brasil por conta das ameaças. O registro diplomático informa que as declarações foram feitas ao vice-cônsul da Noruega.

No entanto, horas depois da repercussão da matéria, a mulher veio à público afirmar que tudo aquilo era mentira. Ou seja, a mulher desmentiu o que ela própria havia dito em documento oficial.

Testemunhas

Nesta quinta-feira (27), cinco brasileiros que conviveram com Ana na Noruega confirmam que ela realmente foi ameaçada de morte por Jair Bolsonaro.

Eles decidiram falar sobre o caso ao jornal Folha de S.Paulo. Quatro deles, porém, pediram para ter a identidade preservada por medo de represálias e perseguições.

Simone Afonso, única que aceitou se identificar, diz que conheceu Ana Cristina em 2009. “Ela tentou asilo político aqui, o que foi negado pelo departamento de imigração local. Dizia que estava sendo ameaçada pelo ex-marido, o Jair Bolsonaro, que ele havia tirado a guarda do filho dela”, contou.

“Todo mundo aqui em Oslo sabe que o discurso dela era: estou aqui por medo do meu ex-marido”, continuou. “E se você quiser, a gente pode fazer uma lista de pessoas daqui que sabem dessa história”.

“Minha cabeça vale R$ 50 mil”

As outras quatro testemunhas relatam o caso da mesma forma. Segundo elas, Ana Valle, como ela é conhecida por lá, chegou à Noruega muito fragilizada e se aproximou de um grupo de brasileiros.

Segundo os relatos dos brasileiros, ela costumava repetir que a “minha cabeça vale R$ 50 mil”. Como não tinha fluência na língua local e falava com dificuldade o inglês, Ana dependia das pessoas que acabara de conhecer.

Interesses

As testemunhas contam que não entendem o apoio repentino de Ana ao ex-marido, de quem ela dizia que tinha medo. Muitos dos que conviveram com Ana na Noruega foram até as redes sociais dela para questioná-la.

Eles dizem que quem conviveu com ela sabem da história verdadeira. “Por que, de repente, ela está apoiando a candidatura dele?”, pergunta Simone Afonso. “Ninguém que é ameaçado de morte quer depois carregar o sobrenome dessa pessoa.”

A verdade é que Ana é candidata a deputada federal nas eleições de 2018. Na corrida eleitoral, com a autorização do presidenciável, ela mudou oficialmente de nome e passou a ser chamada de “Ana Bolsonaro”, numa óbvia estratégia de usar o nome do ex-marido, que goza de alta popularidade, para se eleger.

O salário mensal de um deputado federal no Brasil é de R$ 33,7 mil. Além disso, um deputado recebe R$ 40 mil por mês de cota parlamentar, mais R$ 106 mil de verba destinada à contratação de pessoal, R$ 4,2 mil de auxílio moradia, entre outros benefícios que podem ser vistos aqui.

De olho nesses R$ 183 mil mensais, ‘Ana Bolsonaro’ está disposta a esquecer tudo o que passou. E toda a trama parece ter sido bem acordada entre as partes.

Neste momento, as revelações da conturbada relação que teve com o ex-marido em um passado recente contrariam seus atuais interesses.

No Pragmatismo Político
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"Há um golpe militar em marcha no Brasil hoje"


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Alguém quer falar em voto útil?


Não é possível, claro, falar que uma eleição está decidida antes da contagem dos votos.

Mas é enganoso julgar que, pelos resultados de pesquisas de 2° turno, isoladamente, qualquer candidato é “melhor” que outro.

A Revista Forum publicou a análise do matemático Sérgio Wechsler, professor da dono da consultoria Numbers Care, que presta serviços de análise estatística a empresas e pesquisadores, preparada a pedido da Gesner Oliveira Associados.

Nela, usando um método complicado para nós, leigos, chamado inferência bayseana e utilizando as pesquisas de opinião publicadas até agora, o matemático agrega possibilidade de cada candidato passar ao 2º turno e, nele, vencer a disputa final.

O resultado está no gráfico e aponta, hoje, uma possibilidade superior a 99% de que Fernando Haddad vença as eleições.

“No 2º turno, Bolsonaro perderia para Fernando Haddad: o candidato petista tem, no momento, formidáveis 99,96% de chances de bater Bolsonaro na disputa final. Considerados os dois turnos, Haddad tem, no momento, 99,4% de probabilidade de ser o próximo presidente da República”, diz o professor da USP à Forum.

Claro que ainda restam dez dias para que se produzam fatos novos e há eventos imprevisíveis quando se tem uma mídia e um sistema judicial que, faz tempo, deixou de lado a imparcialidade e o afastamento da política. E, portanto, as certezas políticas são muito menores que as matemáticas.

Mas, se é para falar em hipóteses de viabilidade de candidatos, do chamado “voto útil”, não há mais discussão possível. Não é uma questão de discutir vantagens de Ciro num confronto com Bolsonaro: é aceitar a evidência de que não é ele, em princípio, que irá para a disputa final.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Em discurso na ONU, presidente de Cuba diz que prisão de Lula tem 'fins políticos'


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O depoimento do pai acusado injustamente por Magno Malta de estuprar a filha bebê - assista




A entrevista foi concedida ao jornalista Ubervalter Coimbra, do site Século Diário. O senador Magno Malta (PR), que é pastor evangélico, acusou o cobrador de ônibus Luiz Alves de Lima de ter violentado a própria filha, então com dois anos. O caso foi em 2009. O acusado passou nove meses preso, período em que foi torturado e perdeu a visão de um olho. Na época, Malta presidia a CPI da Pedofilia, rebatizada de Maus-Tratos, da qual ainda é presidente. O cobrador foi inocentada depois que um exame confirmou que a filha é virgem. Veja o depoimento dele e leia a reportagem do site, que tem muitos detalhes, inclusive uma manifestação do delegado do caso, que ouviu Magno Malta e relatou que ouviu dele que era possível afirmar que teria havido estupro. A prova? A experiência do senador em CPI. Estarrecedor.


Joaquim de Carvalho
No DCM
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Barroso se candidata a iluminista de Bolsonaro


No perfil que tracei do Ministro Luís Roberto Barroso (clique aqui) mostrei o seu estilo camaleão, de se amoldar aos ventos do momento. Quando os ventos eram moderadamente de esquerda, vestia-se de moderadamente de esquerda e praticava um progressismo moral. Em determinado momento, seu discurso passou para a defesa do empreendedorismo contra o Estado, da maneira mais canhestra possível: incluía loas ao empreendedorismo mesmo em processos que nada tinham a ver com o tema.

Finalmente, caiu de cabeça na onda punitivista, tornando-se o principal estimulador dos abusos de procuradores, delegados e do clima de ódio que se instalou no país.

Ironizei seu discurso otimista - depois da tempestade viria a bonança -, e que se transformara em um “depois da tempestade vem um terremoto de proporções incalculáveis”, de nome Bolsonaro.

Mostrei a sinuca de bico em que o iluminista se metera e nas dificuldades para os próximos passos e os próximos ventos.

Hoje, na Folha, na entrevista a Mônica Bérgamo, Barroso expõe, ainda de uma forma um tanto dúbia, como está se amoldando aos ventos atuais e caminhando em direção ao seu destino manifesto.

Há uma disputa clara entre o antipetismo e o antibolsonarismo. A perspectiva de um governo com Bolsonaro trouxe os piores pesadelos possíveis a setores empresariais esclarecidos, aos partidos de esquerda, aos intelectuais em geral.

Como se coloca nosso Barroso?

Primeiro, diz enfaticamente, que quem ganhar tem que levar. Disse o óbvio. Mônica imaginou que ele se referia à possibilidade de vitória de Fernando Haddad. Vã ilusão.

Extirpando da entrevista os bordões barrosianos – “iluminismo”, as vitórias do país contra a inflação e contra a miséria, a bonança que sucederá a tempestade etc. -, o que se vê é a aproximação com as teses bolsonarianas, da punição como elemento de redenção nacional e de identificação do inimigo, agora extrapolando o PT.

O inimigo a ser destruído é o complô de “corruptos, elite e progressistas”.

Não tem sido um processo histórico fácil, em razão de três obstáculos: parte do pensamento progressista acha que os fins justificam os meios e que a corrupção é apenas uma nota de pé de página na história. Eu penso que eles estão errados.

Segundo obstáculo: boa parte das elites brasileiras acham que corrupção ruim é a dos adversários. Se for a dos companheiros de pôquer, de mesa e de salões, não tem muito problema.

O terceiro obstáculo são os próprios corruptos — os que não querem ser punidos, o que é um sentimento humano compreensível, e os que não querem ficar honestos nem daqui para a frente.

O nível de contágio da corrupção uniu essas pessoas numa aliança entre corruptos, elitistas e progressistas.

Eu não vou citar nomes porque não posso. Mas eu considero que esta é a última missão da nossa geração.

Com seu inegável faro jornalístico, Mônica o flagrou no momento da mudança de pelo, antes que conseguisse elaborar um discurso mais legitimador do aprofundamento de seu aggiornamento.

Assim como economistas totalmente amorais – como Gustavo Franco e Fábio Giambiagi -, Barroso tenta pegar carona em Bolsonaro. Nada é ameaça à democracia, nem as ameaças de Bolsonaro, de "destruir o sistema", nem sua caça a mulheres, negros, homossexuais e minorias em geral. A ameaça é o conluio entre "corruptos, progressistas e elite".

Provavelmente, a estratégia canhestra de Barroso visa uma aproximaçào para  poder influir na escolha dos substitutos de Marco Aurélio de Mello e Celso de Mello, aliás, duas das reservas legalistas do STF (Supremo Tribunal Federal). Ou talvez por ser um pensador raso, que se emaranhou em estratégias baseadas em análises superficiais dos desdobramentos do jogo político. E não sabe mais para onde ir, depois que se esgotou a pauta única da corrupção e se buscam novas saídas para o Brasil.

Na economia, a amoralidade leva ao desmonte das políticas sociais, dos direitos sociais básicos, do comprometimento com o futuro do país. No direito, leva ao fascismo.

Nada mais previsível do que um Brasil com Bolsonaro, e um Barroso com Bolsonaro, o domador maneirista querendo domar o leão e sendo colocado para correr no primeiro urro.

PS – No meio da tarde, depois de ser enquadrado por sua leviandade – de afirmar que, no STF, existe senha para libertar bandido -, Barroso soltou uma nota se desculpando.

Luís Nassif
No GGN



Barroso entre a cruz e a espada: ou comprova a acusação ou sofre impeachment

Em entrevista a Mônica Bergamo, na Folha, Luís Roberto Barroso fez uma acusação de extrema gravidade. O trecho a seguir da entrevista é estarrecedor, em se tratando de afirmação de um juiz da mais alta corte judicial do país:

“[…] E ainda assim, no Supremo, você tem gabinete distribuindo senha para soltar corrupto. Sem qualquer forma de direito e numa espécie de ação entre amigos.

Que gabinetes, ministro? (sorri e fica em silêncio).

O senhor não acha um risco o senhor falar de forma genérica?Tem gabinetes. [seguindo] Quando a Justiça desvia dos amigos do poder, ela legitima o discurso de que as punições são uma perseguição”.

Após a entrevista, Barroso publicou a seguinte nota:

Em entrevista à jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, fiz uma análise severa da extensão e profundidade da corrupção no Brasil e uma crítica à própria atuação do Supremo Tribunal Federal na matéria. Todavia, o tom excessivamente ácido que empreguei não corresponde à minha visão geral do Tribunal. Há posições divergentes em relação às diferentes questões e todas merecem respeito e consideração.

Na manifestação genérica e circular do Barroso, só faltou o essencial: ou a apresentação da prova para embasar a denúncia/acusação, ou um taxativo desmentido acompanhado de um pedido de desculpas.

Não é razoável que um juiz do stf faça uma denúncia dessa gravidade e tudo fique por isso mesmo.

Barroso, uma espécie de esfinge da “liga da justiça e da moralidade”, está entre a cruz e a espada: ou comprova a acusação e apresenta os culpados, ou responde no Senado por crime de responsabilidade, nos termos do artigo 52 da Constituição que ele tanto espezinha e despreza.

Jeferson Miola
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Repórter do UOL tem celular invadido após matéria sobre Bolsonaro

Reprodução
Captura da imagem onde lê-se a mensagem "bolsonaro"
Imagem: Reprodução
Uma repórter do UOL teve o celular invadido após a publicação da reportagem “Entrei no grupo ‘Mulheres com Bolsonaro’ e fui expulsa em dois minutos”, publicada na quarta-feira (19). A jornalista Talyta Vespa, que assina a matéria, teve a conta de WhatsApp invadida e todas as conversas, fotos, vídeos e contatos apagados por um invasor ainda não identificado. O UOL repudia os ataques considerados como uma ameaça à liberdade de imprensa por entidades que representam jornalistas.

A matéria publicada por Universa, editorial dedicado a conteúdo feminino do UOL, tinha o objetivo de informar a motivação de mulheres que declaram voto no candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL). Após a matéria ir ao ar, o invasor apagou os dados pessoais e escreveu “bolsonaro” no perfil da jornalista no comunicador. A invasão aconteceu por volta das 11h30 da manhã. Além de contatos privados, a repórter perdeu conversas de cunho profissional. Não é claro se o invasor teve acesso integral a dados pessoais, senhas ou a contas mantidas pela jornalista em aplicativos e redes sociais.

Desde 2012, o Código Penal prevê como crime a invasão de dispositivo informático “alheio, conectado ou não à rede de computadores, mediante violação indevida de mecanismo de segurança e com o fim de obter, adulterar ou destruir dados ou informações expressa ou tácita do titular do dispositivo”. A pena é de 3 meses a 1 ano de prisão e multa. Foi registrado um boletim de ocorrência para apurar o caso.

A equipe do WhatsApp não soube esclarecer como pode ter acontecido a invasão. A empresa também não afirmou se há vulnerabilidades no mensageiro. Em nota, o WhatsApp informou que se “preocupa profundamente com a segurança e privacidade de nossos usuários. Se as pessoas tiverem alguma preocupação com a conta, podem entrar em contato com nossa equipe de suporte ao cliente diretamente no WhatsApp, em ‘Configurações’.”

Entidades em defesa do jornalismo repudiam invasão

Em nota, a Federação Nacional dos Jornalistas repudiou o episódio. “É o primeiro caso que a Federação tem conhecimento de invasão de WhatsApp e de conta privada de um jornalista. Para a federação, toda e qualquer forma de agressão ou tentativa de intimidação ao exercício profissional do jornalismo é um atentado à liberdade de imprensa. Por ser a primeira invasão do tipo a nos ser informada, reforçamos a necessidade de investigação das autoridades e colaboração do serviço de mensagens para que sirva de precedente para possíveis novos casos”, diz.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo condenou o caso. “A sociedade não pode tolerar que jornalistas sejam perseguidos pela realização de reportagens de interesse público. Naturalmente, a crítica ao trabalho jornalístico é livre e faz parte da democracia. Mas a invasão de perfis em rede social e outras agressões do tipo são crimes e devem ser investigados e punidos. Damos nosso apoio à repórter e nos colocamos, como Sindicato, à sua disposição para tomar todas as medidas cabíveis”, declarou em nota.
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Bolsonaro: atuação política e plano de governo

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Vitória e derrota

A preocupação com a possibilidade de que militares oponham as armas ao voto encobre, mas não enfraquece, outra possibilidade negativa.

O juiz e os procuradores da Lava Jato, o tribunal federal da região Sul (o TRF-4), o Tribunal Superior Eleitoral e o Supremo já ganharam parte do seu confronto com a maioria do eleitorado, mas as pesquisas comprovam que há dificuldade para ir além. Lula ficou excluído das eleições, no entanto o PT e seu candidato mais do que sobrevivem. Meia vitória é, no mínimo, meia derrota.

Aquelas forças, que já foram chamadas de partido da justiça ou do Judiciário, há semanas mantêm-se como espectadoras. Não é um silêncio confiável, até por não terem experimentado sequer uma derrota nos seus quatro anos, e não se sabe como a receberiam agora. Ou como recebem a perspectiva de tê-la. 

Comparados os anos recentes de militares e do sistema judicial, não é na caserna que se encontram motivos maiores de temer pelo estado democrático de direito. Os avanços sobre poderes do Legislativo e do Executivo, os abusos de poder contrários aos direitos civis, ilegalidades variadas contra os direitos humanos — a transgressão da ordem institucional, portanto — estão reconhecidos nas práticas do Judiciário e da Procuradoria da República.

Em tais condições, seria pouco mais do que corriqueiro o surgimento, nos dez dias que nos separam das eleições, de um petardo proveniente de juiz ou procurador para perturbar a disputa eleitoral, na hierarquia a que chegou. 

Além disso, as eleições deste ano têm uma peculiaridade: são vistas por muita gente, não como meio de proceder à sucessão democrática de governo, por vitórias e derrotas, mas como oportunidade de fazer o país retroceder ao período pré-Constituinte de 1988 sem, contudo, a caracterização ostensiva de golpe. E nessa corrente não estão só o general Hamilton Mourão e demais apoiadores de Jair Bolsonaro.

Com a hipótese da caserna encobrindo a de varas e tribunais, a formação dos militares voltou à discussão. Reformá-la é velha questão. Tanto que, nos primeiros anos da década de 1960, ainda antes do golpe de 1964, tal discussão já levara o Exército a formar um grupo para estabelecer novo currículo de ensino aos futuros oficiais.  Apresentado o plano ao Estado-Maior, porém, teve rejeição sumária.

Entre as novas matérias, estava introdução à sociologia. Sobre a qual o Estado-Maior emitiu sentença definitiva: é marxismo. A reforma não poderia ser apenas na parte de baixo.

Lá e cá

O neoliberal Macri levou o FMI de volta à Argentina. E o FMI levou a Argentina de volta ao desemprego, às greve gerais e ao endividamento das décadas de ruína. As mesmas ideias estão nos programas de Bolsonaro, Alckmin e Meirelles.

Janio de Freitas
No fAlha
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Bolsonaro estaciona, Haddad cresce, e Ciro segue a ser fundamental

https://www.revistaforum.com.br/rodrigovianna/analise-2/bolsonaro-estaciona-haddad-cresce-e-ciro-segue-a-ser-fundamental/

É preciso incorporar todos setores democráticos para enfrentar o fascismo.

Sem arrogância e sem colocar a fidelidade canina ao “petismo” à frente dos interesses do Brasil.

Quando Haddad estava mais voltado a defender Lula, e a consolidar a transferência de votos, foi Ciro quem assumiu o papel de confrontar a direita no debate econômico e também no campo dos costumes.

Alguém precisava chamar Mourão de “jumento”, e Bolsonaro de “nazista filho da puta”.

Coube a Ciro enfrentar o fascismo de peito aberto. Mas não é só isso.

As duas pesquisas Ibope divulgadas esta semana (são séries diferentes de pesquisas, a segunda delas encomendada pela CNI; por isso, estatísticos dizem que não se deve tomá-las como uma sequência) mostram números muito parecidos. Mais que os números, indicam algumas tendências claras na eleição:

*Bolsonaro interrompeu seu crescimento; sob ataque da campanha de Alckmin, e com a repercussão (até internacional) do #EleNão, tende a recuar mais um pouco; mas o grau de consolidação de seu eleitorado é alto, e é um voto de quem não está disposto a escutar; por isso, me espantaria se ele chegasse ao dia 7 abaixo dos 23% ou 25%;

*Haddad furou o teto dos 20% e tem potencial para subir mais um pouco, por isso há chance real de que termine o primeiro turno ligeiramente acima de Bolsonaro; mas engana-se quem imagina que a transferência de Lula fará mágica – parte do voto lulista foi para Ciro, e outra menor para o candidato do PSL;

*Ciro mantém uma resiliência surpreendente, permanecendo na faixa de 12% ou 13%, mesmo sem tempo na TV; o voto de Ciro é menos consolidado, dizem as pesquisas, mas o “feeling” nas ruas e nas redes indica que muita gente seguirá com ele até o fim.

É sobre esse terceiro ponto que pretendo escrever abaixo.

Num grupo do qual participo, com maioria absoluta de eleitores petistas, alguém postou que os 12% do Ciro, indicados pelo IBOPE/CNI, vão nos “custar caro” no segundo turno.

Discordo um pouco…

Considero que a presença de Ciro é positiva para quem defende a democracia. Ele cumpriu papel fundamental, especialmente nos primeiros momentos da campanha – quando Haddad estava mais voltado a defender Lula, e a consolidar a transferência de votos.

Foi o pedetista quem assumiu o papel de confrontar a direita no debate econômico (Ciro é antiliberal, antimercadista, nacionalista) e também no campo dos costumes.

Alguém precisava chamar Mourão de “jumento”, e Bolsonaro de “nazista filho da puta”.

Coube a Ciro enfrentar o fascismo de peito aberto.

Mas não é só isso.

Quem vota em Ciro costuma apresentar um argumento central: é uma escolha mais segura pra derrotar Bolsonaro no segundo turno.

Isso, numericamente, vem-se mostrando menos relevante nas últimas pesquisas, apesar do pedetista ainda abrir margem mais larga segundo o último IBOPE/CNI: Ciro 44% x 35% Bolsonaro.

O petista ganha mais apertado: Haddad 42% x Bolsonaro 38% – no limite do empate técnico.

Mas ouço muita gente dar outro argumento para votar em Ciro: “Detesto Bolsonaro, tenho horror a Temer, e acho que há sim perseguição ao Lula na Lava-Jato; mas não quero dar tanta força ao PT depois de tudo que aconteceu”.

Tudo que aconteceu: acordos com MDB e empreiteiras, descuidos na área ética, frouxidão no debate público.

Ou seja: faria bem ao PT (dirigentes e militantes) ter humildade pra conversar com gente (progressista) que tem críticas importantes ao partido e a seus governos.

Ciro representa exatamente esse eleitorado. No mais do que provável segundo turno contra Bolsonaro, Haddad precisará dos votos e do apoio de Ciro! E acho que eles virão, numa proporção de 80%!

Mas, pra isso, é preciso compreender o que significa o voto em Ciro Gomes.

A resiliência de Ciro é a demonstração de que existe – sim – esse “meio do caminho”.

Gente que entende a Lava-Jato como abusiva. Que detesta Temer. Mas que também acha que o PT cedeu demais.

Não estou aqui fazendo juízo de valor se Ciro é mais ou menos “oportunista”, ao vocalizar esse sentimento (afinal, ele também tem uma história de acordos, de “real politik”).

Mas o fato de resistir com 12% ou 13% (sem estrutura, nem tempo de TV) mostra que esse campo de centro-esquerda, nacional e popular, não-petista (mas não antipetista), está aí diante de nossos olhos. Não podemos brigar com isso.

Haddad tem mostrado sabedoria pra lidar com os arroubos de Ciro. E pode ser que até o 7 de outubro esse setor representado pelo pedetista se esvazie um pouco… Mas seguirá de toda forma relevante.

Acho que é saudável para o país, e bom para o campo democrático, que Ciro esteja aí.

A existência dele atrapalhou Alckmin na construção da “terceira via”. Porque a terceira via já estava com Ciro. Uma terceira via nacional e popular. E não neoliberal.

Lembremos que em 2014 a terceira via era Marina, abraçada ao Itaú e ao Aécio.

Agora, a terceira via é Ciro – que chama golpe de golpe, que defende a revogação da Reforma Trabalhista e é contra entrega do Pré Sal e da Embraer.

Mas que, para ser terceira via, também critica duramente o PT, como fez no debate SBT/UOL.

O PT provavelmente terá que negociar com Ciro. Negociar significa ouvir, levar em conta, respeitar…

E, por fim, talvez seja saudável que Lula e o PT (até agora vencedores, de forma espetacular, enfrentando a Justiça partidarizada e a mídia) tenham mesmo que negociar com outra força decididamente democrática.

Mesmo porque, aqui e ali, já começam a surgir sinais de salto alto e prepotência entre gente próxima do PT.

E não falo de Haddad ou Gleisi, gigantes a percorrer o país em situação adversa, nem da militância que põe o bloco na rua.

Mas de setores incrustrados na máquina de campanha e no aparato partidário.

Gente que, parece, não aprendeu nada com os erros brutais cometidos especialmente no campo da comunicação – seja no governo federal, seja na Prefeitura de São Paulo.

Humildade será fundamental para vencer.

A “onda vermelha petista” é parte do caminho para vitória. A outra parte é incorporar Ciro e todos setores democráticos para enfrentar o fascismo.

Com inteligência e amplitude, sem arrogância e sem colocar a fidelidade canina ao “petismo” à frente dos interesses do Brasil.

* **

IBOPE/CNI (26/SET)

— Jair Bolsonaro (PSL): 27%
— Fernando Haddad (PT): 21%
— Ciro Gomes (PDT): 12%
— Geraldo Alckmin (PSDB): 8%
— Marina Silva (REDE): 6%
— João Amoêdo (NOVO): 3%
— Alvaro Dias (PODE): 2%
— Henrique Meirelles (MDB): 2%
— Guilherme Boulos (PSOL): 1%
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A casa da Lava Jato esta caindo:Primo da mulher de Sergio Moro é preso


E olha que a matéria é da “insuspeita” Veja

Luiz Fernando Wolff de Carvalho, diretor da Triunfo Participações foi um dos presos na segunda fase da Operação Integração

Luiz Fernando Wolff de Carvalho, proprietário da Triunfo Participações, responsável pela concessionária de pedágio Econorte, foi um dos presos na segunda fase da Operação Integração, nesta quarta-feira 26. Carvalho é primo de Rosangela Wolff, mulher do juiz federal Sergio Moro, que abriu mão do caso em junho.

Na época, Moro afirmou que a Operação Integração não tinha nenhuma ligação com a Petrobras ou com o Setor de Operações Estruturadas do Grupo Odebrecht. Afirmou ainda estar sobrecarregado. O caso foi redistribuído para o juiz Paulo Sérgio Ribeiro, que determinou as prisões desta quarta.

No pedido de prisão formulado pelo Ministério Público Federal e aceito por Ribeiro, Wolff de Carvalho é descrito pelo delator Nelson Leal Júnior, ex-diretor-geral do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-PR), como sendo “o representante de empresa de pedágio que mantinha o contato mais próximo com o governo do Paraná”.

E-mails obtidos pelo MPF revelam que Wolff negociava diretamente com José Richa Filho, irmão do ex-governador Beto Richa, os reajustes nas tarifas praticadas pela concessionária.

Luíz Müller
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