25 de set de 2018

Ministério da Defesa é hackeado e dados de Villas Bôas e Mourão são divulgados

Em nota publicada nas redes, os hackers disseram que a ação é contra “fascismo e autoritarismo” dos generais


O grupo de pesquisa da conferência hacker DefCon Lab identificou a invasão ao sistema do Ministério da Defesa, que acabou expondo dados pessoais dos generais Eduardo Villas Bôas e Hamilton Mourão, candidato à vice-presidência na chapa de Jair Bolsonaro (PSL). Uma conta do Twitter, com o nome de AnonOpsBR se responsabilizou pela ação. As informações são do DefCon Lab e Canaltech.

Em nota divulgada nas redes, os hackers disseram que a ação é contra “fascismo e autoritarismo” dos generais.

“Nós somos Anonymous. Essa é uma mensagem direta ao fascismo e autoritarismo que ameaça a democracia brasileira através de seus generais Eduardo Villas Bôas e Mourão julgo vice do Bolsonaro, que sempre mandam recado com viés autoritário por meio de entrevistas, querendo tutelar a democracia por meio da força e do medo. Queremos dizer para vocês que estamos observando-os e estamos dentro de seus sistemas, estamos expondo parte do banco de dados do Ministério da Defesa em resposta a essa postura de ambos generais completamente antidemocráticas e provando que estamos observando de perto cada passo de vocês. Fazemos um chamado aos hackerativistas que defendem acima de tudo a democracia brasileira que se unam contra o fascismo e autoritarismo que rondam a nossa nação. Usem a hashtag #OpEleiçãoContraOFascismo”, diz a nota.

Os hackers conseguiram acesso direto ao banco de dados do Ministério da Defesa e veicularam informações como nomes, endereço, documentos oficiais e tabelas, com dados bancários de ambos os generais.

Esta é a primeira ação sob a #OpEleiçãoContraOFascismo. Entretanto, desde o início do ano, existem, pelo menos, oito informações a respeito de invasões sob a descrição de #OpVotoImpressojá. Entre as instituições atingidas estão o Senai, Caixa Econômica Federal e Tribunal Regional do Trabalho.

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A direita precisava desestabilizar a democracia

Tá lotado de gente que eu respeito e admiro entre os signatários do manifesto "Democracia sim".

Até entendo que, em nome de uma unidade necessária contra o fascismo, abracemos todos uma concepção ultramínima de democracia.

Mas realmente não penso que se possa referendar a narrativa de "trinta anos de democracia conturbada, mas sempre democracia, agora confrontada pela ameaça do bolsonarismo". Se a gente apaga o golpe de 2016 da história, não estamos apenas traindo a memória da democracia brasileira. Estamos também subtraindo um elemento central para entender a ascensão do discurso fascista. O Bozo está aí porque a direita precisava criar o pânico, apontar seus adversários como o mal absoluto, desmerecer a igualdade, desqualificar o princípio da soberania popular.

O Bozo está aí porque a prioridade nº 1 era impedir a eleição de Lula, era destruir a esquerda, era garantir a destruição dos direitos.

Em suma: porque a direita precisava desestabilizar a democracia.

Por isso, também não dá para aceitar o diagnóstico de que a "raiz das crises múltiplas que vivemos nos últimos anos" é o "colapso do nosso sistema político". Que colapso? Uma velha tese da ciência política conservadora diz que a governabilidade entra em colapso quando os dominados passam a querer demais. É isso?

Na raiz das mais sérias das nossas crises está também a resistência de muitos setores à democratização da sociedade. Deixar isso de lado não é só abraçar uma concepção ultramínima de democracia, é aceitar que a democracia nunca poderá evoluir para além dela.

Democracia sim, óbvio. Mas para que o slogan tenha sentido, é necessário estabelecer regras básicas, como o respeito aos mandatos originados do voto, o funcionamento equânime da lei, a ausência de poderes capazes de impor seu veto às decisões originadas da soberania popular.

É claro que temos que derrotar o Bozo. Mas não dá para aceitar que o preço a pagar seja abandonar a bandeira de derrotar o golpe, de restaurar o Estado de direito, de desfazer os retrocessos. Se for assim, vejam só, Bozo terá cumprido o papel destinado a ele, mesmo que por linhas tortas.

Luis Felipe Miguel
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E agora, Moro? Mesmo preso, Lula já é o grande vencedor desta eleição

https://www.balaiodokotscho.com.br/2018/09/25/e-agora-moro-mesmo-preso-lula-ja-e-o-grande-vencedor-desta-eleicao/

A maior prova de que a batalha eleitoral está sendo vencida pelo PT, como mostrou o novo Ibope, é o desespero dos adversários nas redes sociais e o constrangimento dos comentaristas globais, que já se dão por derrotados e preferem falar de Alckmin e Amoedo para mudar de assunto.

Foi fulminante: em apenas duas semanas, Lula levou seu candidato Fenando Haddad de 4% para 22% no Ibope, na bica para ir ao segundo turno e derrotar Jair Bolsonaro, em defesa da democracia.

E não é só isso que prova a força eleitoral de Lula, mesmo condenado e preso há mais de cinco meses numa solitária em Curitiba.

Estava também na manchete do UOL na manhã desta terça-feira: “Governadores do Nordeste fiéis a Lula disparam e podem vencer no 1º turno”.

Aliados a Lula, os governadores de cinco dos nove estados nordestinos, de diferentes partidos, dispararam no Ibope.

Todos concorrem à reeleição e três deles já superaram a marca dos 60% de votos, a menos de duas semanas das eleições.

Provável campeão de votos em todo o país nesta eleição, o petista Camilo Santana, governador do Ceará, já chegou a 69%, deixando o segundo colocado, um general apoiado por Tasso Jereisssati, do PSDB, com apenas 5%. É uma lavada histórica.

A seguir, vêm Renan Filho (MDB), de Alagoas, com 65%, e o petista Rui Costa, da Bahia, com 60%.

Com grandes chances de vencer no primeiro turno, aparecem Flávio Dino, do PCdoB do Maranhão, com 49%, e o petista Wellington Dias, do Piauí, com 46%. No Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, do PT, também lidera as pesquisas e pode vencer já no primeiro turno.

O UOL lembra que quatro destes cinco governadores estiveram na visita que tentaram fazer a Lula em Curitiba, para protestar contra sua prisão, no dia 10 de abril (só Flávio Dino não foi).

Para a cientista política Luciana Santana, professora da Universidade Federal de Alagoas, não há nenhuma surpresa nesses números do Ibope.

“Independentemente de outras avaliações, foi nos governos de Lula que a região recebeu mais investimentos e atenção da gestão federal.”

Bastava ver as multidões que acompanharam a caravana de Fernando Haddad cruzando estes estados na semana passada, que só vimos nas redes sociais, para desconfiar que os ventos estavam mudando na corrida eleitoral.

As imagens fizeram-me lembrar das campanhas presidenciais de Lula quando faltavam poucas semanas para as eleições.

De uma hora para outra, um mar de gente passava a acompanhar o petista por onde passava, enquanto seus adversários participavam de reuniões fechadas ou criavam eventos fake para aparecer no noticiário do Jornal Nacional.

Esta era e continua sendo a grande diferença entre o PT e os outros partidos: quando chega a hora da onça beber água, os militantes ocupam as ruas e praças para avisar quem manda neste país.

Nada ainda está decidido, eu sei.

Mas quaisquer que sejam os resultados finais, uma coisa já é certa: sem ser candidato, o grande vencedor desta eleição será Luiz Inácio Lula da Silva, o líder preso.

Só o susto que ele está dando nos golpistas, que se uniram nos três poderes, no empresariado, no mercado financeiro e na velha mídia, para tirá-lo do jogo, já está valendo a pena.

E agora, Moro, para que serviu todo o empenho da Lava Jato na sua cruzada para destruir o PT?

Pois é, meus caros e caras, quem diria, Lula não morreu. Está mais vivo do que nunca, caminhando para o penta.

Viva a democracia! #EleNão!

Vida que segue.

Ricardo Kotscho
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Campanha de Bolsonaro usa foto de mulher morta em perfil fake

Perfil utiliza foto de mulher que já morreu
Foto: Reprodução/Twitter
De acordo com o perfil do Twitter @carlatoscan, a campanha de Jair Bolsonaro (PSL) vem usando imagens de mulheres sem permissão para criarem perfis falsos de apoio ao candidato.

Em um dos casos, inclusive a foto de uma mulher que já morreu é usada. O suposto perfil utiliza uma imagem divulgada nos noticiários sobre a morte da moça.

Veja a postagem:


No DCM
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Folha dispara bala de prata contra Bolsonaro e a do PT pode vir na véspera do primeiro turno, suspeita professor da USP; ouça a denúncia



A Folha de S. Paulo disparou hoje a bala de prata contra o candidato neofascista Jair Bolsonaro.

O projétil saiu dos arquivos do Itamaraty, comandado pelo tucano Aloysio Nunes, senador licenciado do PSDB e operador do alto tucanato umbilicalmente ligado a José Serra e seus dossiês.

O projétil recebeu atestado de idoneidade de um diplomata de carreira em exercício, que deu entrevista à Folha confirmando o fato: a ex-mulher de Jair Bolsonaro teria dito a um diplomata brasileiro na Noruega que recebeu ameaças de morte do hoje candidato ao Planalto.

Registre-se que um diplomata jamais daria entrevista sobre um assunto tão delicado sem autorização do mais alto escalão do Itamaraty.

A suposta ameaça está registrada em documento oficial.

Ana Cristina Valle hoje é candidata a deputada estadual pelo Podemos no Rio, usa o sobrenome Bolsonaro na campanha e apoia o ex-marido.

Porém, em 2011, quando fez a denúncia, disputava a guarda de um filho menor com o líder neofascista.

A revelação vem num momento crucial da campanha do primeiro turno, quando líderes de partidos aliados ameaçam abandonar a candidatura de Geraldo Alckmin, do PSDB.

Na mais recente pesquisa Ibope, dois fiapos de luz se acenderam sobre o tucano: Bolsonaro ficou parado e Geraldo oscilou um ponto, para 8%, dentro da margem de erro.

Um terceiro fiapo de luz é que Bolsonaro perdeu oito pontos de uma só vez na região Sul. O fato é que Fernando Haddad, do PT, capturou oito pontos na mesma região, no mesmo período.

Mas a queda do Mito demonstrou a tucanos ainda esperançosos que pode haver movimentos bruscos do eleitorado.

Um analista político que trabalha sob anonimato lembrou que o eleitorado com formação universitária de Bolsonaro pode ser suscetível aos comerciais de campanha de Alckmin sugerindo que ele, tucano, é o melhor candidato para enfrentar o PT no segundo turno.

Esta “ameaça”, antes apenas implícita, ficou explícita agora para os antipetistas, com o avanço constante de Fernando Haddad, que reduziu de 18 para apenas 6 a diferença com Bolsonaro no cenário de primeiro turno do Ibope.

Os antipetistas representam cerca de um terço do eleitorado.

A bala de prata da Folha pode render assunto no noticiário nos próximos dias, justamente aqueles que antecedem o grande ato do dia 29 de setembro, organizado no Facebook pelas Mulheres Unidas Contra Bolsonaro.

Os eventos deverão atrair grande cobertura da mídia justamente nos dias que antecedem o primeiro turno, cristalizando na opinião pública as denúncias de que Bolsonaro é racista, machista e homofóbico.

Embora Alckmin esteja a 20 pontos de Bolsonaro, movimentos rápidos do eleitorado são comuns, especialmente nos dias que antecedem o pleito.

Em 2010, Marina Silva ficou fora do segundo turno, mas teve uma ascensão impressionante nos últimos dias de campanha.

Em todo o mundo, é comum a utilização de balas de prata para provocar movimentos do eleitorado.

Nos Estados Unidos há um nome para isso: October Surprise, a surpresa de outubro. É que as eleições, lá, acontecem no início de novembro.

Hoje, ao sair do prédio da Polícia Federal, em Curitiba, onde visitou o ex-presidente Lula, o petista Emídio de Souza disse estranhar que Lula seja impedido de dar entrevistas enquanto o homicida Adelio Bispo de Oliveira, que esfaqueou Bolsonaro em Juiz de Fora, foi autorizado por um juiz a dar entrevistas a ao menos dois meios de comunicação, a Veja e o SBT.

Entrevistado pela Rádio Brasil Atual a respeito, Laurindo Lalo Leal Filho, professor da Universidade de São Paulo, disse não descartar tratar-se da bala de prata destinada a atingir Fernando Haddad nas horas finais antes do primeiro turno.

A criminalização do PT em véspera de eleição tem muitos antecedentes: 1989, 2006 e 2014 foram os mais evidentes, com tramas envolvendo autoridades públicas devidamente repercutidas pela mídia.

Abaixo, ouça a denúncia do professor Lalo:



No Viomundo
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Mourão “se corrige” e diz que desajustadas são só as famílias chefiadas por mães e avós pobres. As ricas não! - ouça

Programa Direto ao Ponto, com Nando Gross - rádio Guaíba de Porto Alegre


Ouça a íntegra da entrevista:

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A História do Golpe – Ato 3 A prisão de Lula


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#NotHim, #EleNão: Mourão levou Bolsonaro ao “The New York Times”


O General Hamílton Mourão pode se orgulhar.

Ele deu o coice que faltava para Jair Bolsonaro alçar-se ao status de cavalgadura internacional, quando chamou as mulheres  que criam filhos sós de “fabricantes de desajustados”.

Reavivou todas as fornalhas acesas por Bolsonaro e o elevou a fenômeno de grosseria no The New York Times, em texto da correspondente Sasha Darlington.

Uma campanha de mídia social chamada # EleNão – ou #NotHim – é o exemplo mais recente de como as mulheres no Brasil estão se mobilizando contra um político que chamou publicamente as mulheres de ignorantes , feias demais para estuprar ou indignas do mesmo salário que os homens . Em um discurso, Bolsonaro, pai de quatro filhos e uma filha, disse que ter uma criança do sexo feminino é um “momento de fraqueza”.

Sábado, por todo o país – e nas áreas de classe média e alta que ainda lhe são celeiros de votos – as  ruas vão se encher de mulheres sob a bandeira do “EleNão”.

E quanto mais os “minions” se mobilizam para reagir, mais pioram as coisas.

Protagonizaram, no Recife, o espetáculo dantesco do “têm mais pelos  que cadelas” para as mulheres “de esquerda” (tradução, as que não gritam pelo “Mito”). No Rio, ajustaram sua minúscula manifestação em Copacabana para receber uma tropa de centenas de ex-paraquedistas e policiais  numa corrida de “calça e coturno, com a parte superior do corpo exposta”, como determinavam seus organizadores.

Só mesmo o torso nu e a pele morena os diferenciavam dos camisas pardas de Hitler.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Barrocal lança Gaspari à fogueira

Os documentos sobre o regime militar que o "Historialista" tentou absolver


A impecável reportagem de capa da Carta Capital dessa semana é "Apreensão e medo - movida a bolsonarismo e antipetismo, a inquietação entre muitos militares ameaça o Brasil. Pela via eleitoral e por aquela tradicional, a do Golpe fardado".

O autor é André Barrocal, cuja qualidade o Conversa Afiada não se cansa de registrar, como aqui e aqui.

Barrocal volta à denúncia de Matias Spektor, professor de Relações Internacionais da FGV: Geisel escolhia quem ia morrer.

Geisel, como se sabe, é o "Sacerdote" da obra fluvial do portador de múltiplos chapéus, o "historialista" Elio Gaspari, o Helio Parmegiano, quando comunista.

Geisel é o Sacerdote e Golbery o "Feiticeiro" da obra gaspariana que pretende demonstrar que os dois fizeram, desfizeram e fizeram de novo a Democracia no Brasil!

Barrocal dá dois passos importantes além de Spektor.

Reproduz o documento do chefe da CIA, W.E. Colby ao Secretário de Estado Henry Kissinger, que mostra como Geisel é quem escolhia quem devia morrer.

E o Figueiredo executava.

(Figueiredo foi quem o Geisel escolheu sucessor, para fazer a "abertura"...)


Reprodução: Carta Capital

Além disso, Barrocal divulga documento da embaixada brasileira ao Departamento de Estado, de março de 1984 - governo Figueiredo -, que descreve a disseminada corrupção no Brasil, inclusive nas Forças Armadas.


Reprodução: Carta Capital

Dessa forma, Barrocal sugere à editora do Gaspari, a notória "Intrínseca", fizer uma monumental fogueira com o encalhe dos cinco volumes da obra.

Recomenda-se chamar, antes, o Corpo de Bombeiros.

E verificar se os hidrantes têm água.

PHA
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Cristofascismo à brasileira na eleição de 2018


O fascismo é uma fase histórica do capitalismo (...)
Uma forma mais nua,
sem vergonha,
mais opressiva
e mais traiçoeira do capitalismo
(Brecht)

Às vésperas do pleito eleitoral acaloram-se os debates, obrigando os candidatos a explicitar mais claramente seus posicionamentos. Alguns candidatos, alinhados ao conservadorismo, vêm demonstrando de forma mais aberta as posturas fascistas1. Mais especificamente, percebo em tais posturas uma modulação de um cristofascismo à brasileira, praticado entre políticos cristãos quando carregam o vocabulário de táticas de combate aos inimigos da fé e da nação, atentando contra a “família” e “paz da nação” em nome de Cristo. Prova dessa relação cristofascista são algumas das mais recentes expressões do projeto eleitoral justificado em nome da família “tradicional” percebida na atuação de dois candidatos nas campanhas eleitorais atuais: o deputado Marco Feliciano pelo Podemos de São Paulo, e o presidenciável Jair Bolsonaro, do PSC no Rio de Janeiro.  

O que denomino como cristofascismo brasileiro é um reflexo do cristofascismo na Europa, um termo cunhado pela teóloga Dorothee Sölle, em 19702. Para sua autora, o cristofascismo seria uma “traição aos pobres, uma arma milagrosa a serviço dos poderosos (...) a serviço das famílias tradicionais do centro-europa preocupadas com a paz sem a paz incomoda Cristo”. Ela fundamenta o conceito ao abordar as relações de membros do partido nazi com as igrejas cristãs no processo de desenvolvimento do estado de exceção alemão. Para Sölle, as lideranças da igreja alemã ajudaram na construção do governo nazista, da mesma forma que, aqui, seguem favorecendo posturas preconceituosas na política contemporânea.

Evidentemente, creio que a relação entre cristianismo, conservadorismo e religião esteja sendo amplificada no pleito eleitoral de 2018, o qual vem sendo palco explícito de táticas virulentas contra minorias, contra diferentes expressões de gênero, contra os negros e índios amplamente apoiados pelo cristianismo hegemônico.

Cristofascismo em Marcos Feliciano: o “deputado da família”

Interessante que nas suas chamadas da candidatura, Marcos Feliciano já se designa “pastor” antes de se dizer candidato a deputado federal, deixando explícito a relação de religião-política na sua candidatura. Natural de Orlândia, interior de São Paulo, atualmente é pastor da Catedral do Avivamento (ligada à Assembleia de Deus). Já é deputado federal e foi filiado ao Partido Social Cristão (PSC). Agora está ligado ao partido “Podemos”. Foi líder da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados do Brasil, em 2013, no mandato de Dilma Rousseff, e, nessa condição, fez declarações sobre a homossexualidade, chegando a indicar que duas mulheres que se beijavam em público deveriam sair algemadas/pressas do lugar.

Outra expressão ligada ao seu cristofascismo ocorreu quando justificou teologicamente o “atraso” do continente africano. Argumentou tendo em vista a teoria da “Maldição de Cam”, que tem seus esboços nos séculos XVIII e XIX. A teoria justifica a escravidão imposta pelos protestantes no Sul dos EUA, afirmando que os africanos são amaldiçoados por serem descendentes de Cam, um dos filhos preteridos de Abraão. Se não bastassem esses elementos, em outro momento, ele crítica à luta histórica das mulheres por trabalho quando diz que “sua parcela como mãe começa a ficar anulada (...) Eu vejo de uma maneira sutil atingir a família”.

A linha central de seu racismo e preconceito religioso se molda em prol da defesa da família tradicional como se vê no slogan de sua campanha eleitoral atual: “A nossa família merece respeito”. A justificativa de Feliciano para sua intolerância se baseia na ideia da família tradicional idealizada de pais heterossexuais e filhos, buscando ao máximo ser identificado com ela. Para isso, diz ser o “pastor que defende da família brasileira”. Novamente, liga explicitamente a função religiosa de pastor com a arena eleitoreira. Em outro jingle, diz em tom bélico que “minha família merece respeito; é por isso que meu voto é para quem sabe guerrear”. Ou seja, sua proposição da família está absolutamente implicada com o tom de guerra para afirmação dela mesma contra seus verdadeiros “inimigos”, que seriam aqueles que defendem o “aborto e a legalização da maconha”.

Agora, voltando ao ponto importante. O candidato Marcos Feliciano a todo momento se designa “pastor” na campanha. Age de forma tendenciosa, pois em sua página no facebook dedicada à campanha eleitoral indica agendas de suas pregações confundindo diretamente a atuação no púlpito e os compromissos da campanha. Ou seja, mistura de forma explícita seu cristianismo fascista de ódio à pluralidade e às minorias com a agenda partidária. Promove essa grave mistura em prol da conservação da família tradicional se autodesignando: “deputado da família”.

Cristofascismo de Bolsonaro: defesa da família em prol da nação

Não se pode comparar o cristofascismo de Feliciano com de Jair Bolsonaro. Melhor, não se pode falar de cristofascismo à brasileira de 2010 para cá sem tocar no nome de Jair Bolsonaro, mesmo que ele não seja evangélico (maioria da bancada BBB), mas sim, católico. Contudo, o candidato busca reiteradamente a aproximação com a tradição evangélica. Afinal, em termos eleitorais, os segmentos evangélicos formam hoje parcela significativa da população brasileira. Também, não se pode esquecer que Bolsonaro é signatário da tradição intolerante formado nas fileiras da Ditadura Civil-Militar.

Um dos episódios de sua tentativa de aproximação se viu no debate na Rede TV, em 17 de agosto deste ano. O episódio, implicitamente, colocou em questão a disputa pelo voto evangélico e a concepção de laicidade do Estado brasileiro. No debate, Bolsonaro selecionou Marina Silva para perguntar sobre o desarmamento. Diante da resposta negativa da Marina sobre o armamento, ele então a julgou: “Temos aqui uma evangélica que defende o plesbicito para o aborto e para maconha”. Agiu de forma agressiva para com a candidata usando a pertença religiosa contra ela, isso porque os dois temas (o aborto e a liberalização da maconha) não são apoiados pelo público evangélico.

Na réplica, Marina o desafia por         sua truculência. Diz: “(Bolsonaro) Você acha que pode resolver tudo no grito, na violência. Mas, somos mães. Nós educamos nossos filhos”. Na resposta, Marina faz referencia aos gestos públicos do Bolsonaro “você fica ensinando para os nossos jovens que tem de resolver as coisas na base do grito (...) um dia desses pegou a mãozinha de uma criança e ensinou como é que faz para atirar”. Bolsonaro, sentindo-se diminuído com a resposta da Marina afirmou: “Leia o livro de Paulo!”. Para os não-cristãos a interjeição pode parecer casual. Para os cristãos, a fala de Bolsonaro revelou um ponto crucial de todo seu preconceito. Ao falar sobre o livro de Paulo, estava se remetendo às passagens relacionadas explicitamente sobre silêncio das mulheres ou sobre a importância das mulheres ficarem caladas. Ou seja, usando a linguagem religiosa (logo, cristofacista) diante de um debate público, Bolsonaro manda Marina Silva se calar, utilizando um símbolo religioso da tradição da tradição evangélica isto é, os textos do apóstolo Paulo. Claro, ele erra a dizer “o livro de Paulo”, porque não existe um livro de Paulo. Na verdade, são vários. E, uma parte trazem, de fato, indicações sobre o silenciamento feminino (como: 1Timoteo, 1 Coríntios, Efésios, 1Tessalonicenses). Contudo, mesmo que, em uma prova de sua tentativa de aproximação com o setor evangélico seja artificial, está dizendo que as mulheres não devem discutir publicamente perto de um homem.

Por fim, quero destacar outra aproximação que buscou fazer com o público evangélico. Essa, julgo ser mais grave. Ocorreu no domingo dia 19 de agosto de 2018, quando foi chamado a ir à frente do pílpito frente da Igreja Batista Atitude pelo pastor presidente da igreja, Josué Valandro. Na ocasião, o pastor refere-se ao candidato como “meu deputado”, indicando explicitamente sua opção de voto por ele no púlpito da igreja. Na oração, o pr. Josué Valandro diz que Bolsonaro tem “valores cristãos” e que, embora não seja protestante, “é amigo da igreja evangélica”. Mostra com isso que existe também uma vontade de lideranças das grandes corporações evangélicas com o projeto truculento fascista do candidato – tal como ocorreu no continente europeu no passado.

O mais sério ainda foi quando o sacerdote concedeu a palavra a Bolsonaro por trinta segundos. Naquele momento, o candidato se disse emocionado e que jamais tinha pensando em estar nessa posição em que se encontrava. Afirmou: “Eu tenho a paz dentro de mim, e graças a Deus, eu tenho uma família maravilhosa na figura da minha esposa (...) nós temos que unir esse país, nos temos que valorizar a família, fazer com que as crianças sejam respeitadas na aula, devemos varrer o comunismo do Brasil”. Encerrou sua fala com a emblemática frase: “o Estado pode ser laico, mas eu sou cristão”. Novamente, o pequeno dito do candidato tem vários elementos em que busca se vincular ao público evangélico. Junto à valorização da família, busca unir o país, supostamente sob o pretexto de cuidar das crianças contra a ideologia de gênero e o comunismo. Nessas poucas palavras, Bolsonaro se aproxima do raciocínio das mentalidades dos tempos da Ditadura Militar. O candidato repete a velha fórmula ao utilizar o medo e a paranoia injustificada, localizando uma absurda ameaça comunista no Brasil. Na linha de pensamento de Bolsonaro, tudo deforma a “família” tão cara para a nação brasileira. Em defesa da família e da nação deve-se varrer o comunismo do Brasil. Um discurso de ódio que era muito bem cabível aos tempos da Ditadura civil-Militar.

A partir da fala de Bolsonaro, percebe-se que na eleição vem brotando uma nova modalidade no vocabulário tático do cristofascismo à brasileira. Ele, que é tão central, virou slogan da campanha do Bolsonaro: “O Estado pode ser laico, mas eu sou cristão”. Recita o slogan estrategicamente, diante do público da igreja afirmando o beneficio cristão na sua candidatura a presidência da república.  Aciona, assim, todos os beneficios dados aos cristãos desde a formação brasileira como a religião majoritária do país assumindo-se como candidato à presidência se diz cristão, e, em vários momentos assumindo que as demais minorias devem se curvar ao desejo da maioria cristã. Isso, porque, assume que as “famílias cristãs estão sendo prejudicadas” e um dos fatores disso é por “conta do estado laico tem de aceitar as ideias das minorias”.

Por fim, táticas no período eleitoral...

O slogan da campanha do Bolsonaro dito na Igreja Batista Atitude é uma composição de algo que ele já vinha esboçando há tempos. Em uma das suas polêmicas declarações antes das campanhas disse que com ele não “tem essa historinha de estado laico não”. Assume uma lógica nociva e perigosa: se o estado, ou a “maioria dele é formado por famílias cristãs”, que as outras ou se curvem ou se mudem do país. Afinal, diz ele, que “as famílias brasileiras estão sendo prejudicadas diante da ideologia de gênero”, escolas com ensino ‘esquerdista’, fora a “questão da morte das criancinhas com a questão do aborto”. Portanto, o dispositivo do cristofascismo no Brasil nesse período pré-eleições de 2018 vem sendo constantemente ativado mediante a uma defesa bélica e tática das famílias tradicionais. Se Marcos Feliciano diz ser o “deputado da família”, Bolsonaro usa seu sloganDeus acima de todos”, para defender sua idealização das famílias.

Ambos, pragmaticamente espalhando seu racismo, preconceitos e violências contra todos que se dizem diferentes. Esse nosso cristofascismo é quase um reflexo perfeito das demais campanhas que os signatários dos fascismos produziram na história da humanidade agindo violentamente contra as minorias, porque seriam um afronte as suas famílias idealizadas, perfeitas que buscam a paz classemediana. Particularmente, faço votos, nas minhas orações, que Deus nos livre de uma presidência de qualquer super-homem cristão, branco, hétero que defenda as famílias e a pátria. Afinal, não precisamos de qualquer Messias, mas antes, de sociedades engajadas verdadeiramente no devir democrático.         

Fontes da internet:

https://www.youtube.com/watch?v=WrsDn13QlCY&t=4s.; https://pt.wikipedia.org/wiki/Marco_Feliciano; https://www.facebook.com/PastorMarcoFeliciano/;

https://www.youtube.com/watch?v=NChrkvaw6dU; https://www.youtube.com/watch?v=WrsDn13QlCY&t=4s;

https://www1.folha.uol.com.br/poder/2013/04/1257600-feliciano-volta-a-afirmar-que-africanos-sao-amaldicoados.shtml

1 Tomo a noção de fascismo de Walter Benjamin quando admite que o continente europeu experimentou práticas regulares de tortura e barbárie realizadas na relação com as colônias, que serviram para o desenvolvimento do estado fascista, vide, “O capitalismo como religião”, São Paulo: Boitempo, 2013, p.171. Ao mesmo tempo, entende que a barbárie fascista não é meramente um estágio de regressão civilizacional, mas está contida nas próprias condições de reprodução da civilização burguesa, sendo que “se beneficia da circunstância de que seus adversários o enfrentam em nome do progresso, da moral, da família considerado como uma norma histórica”, transformando todo nacional em um “estado de exceção efetivo” (“Teses sobre o conceito de historia” de 1940).


2 Dorothee Sölle , Beyond Mere Obedience: Reflections on a Christian Ethic for the Future Minneapolis: Augsburg Publishing House, 1970, p.81-83.

Fábio Py
No Carta Maior
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Organizadora de grupo de mulheres contra Bolsonaro é agredida no Rio

Segundo PSOL, partido ao qual é filiada, ela foi alvo de violência física e teve o celular roubado. Ainda não há detalhes sobre a motivação

Grupo fechado no Facebook reúne mais de 3 milhões de mulheres e já foi alvo de hackers
Uma das administradoras do "Mulheres Unidas contra o Bolsonaro", Maria Tuca Santiago foi agredida na noite da segunda-feira 24 no Rio de Janeiro, segundo informou o PSOL, partido ao qual ela é filiada, e o próprio grupo no Facebook.

Em nota, o PSOL afirmou que Maria Tuca foi agredida por três homens num táxi armados com revólver. Segundo interlocutores do partido no Rio, ela teve seu celular roubado e foi agredida com soco e coronhada. O partido afirma que ela foi atendida no Hospital Municipal Evandro Freire, na Ilha do Governador. Ainda não há informações sobre a motivação dos agressores.

Além de uma das admistradoras da mobilização #MulheresContraBolsonaro, Maria Tuca é dirigente do Bloco Unidos da Ribeira e coordena a campanha de Sérgio Ricardo Verde, candidato a deputado estadual pelo PSOL.

"A Executiva Nacional do PSOL repudia essa agressão covarde e exige das autoridades apuração e punição imediata contra os autores desse ato. Nos colocamos ao lado dos que defendem uma eleição livre de agressões e violência. Temos certeza de que as mulheres não se intimidarão com mais agressão e farão do dia 29 um marco histórico contra o machismo e a intolerância", diz a nota do partido.

O grupo no Facebook também confirma a agressão. Segundo os organizadores, os agressores de Maria Tuca estavam em táxi Merivan amarelo e estavam armados com revólver prata. O grupo infrmou que irá prestar queixa na 37ª Delegacia de Polícia na Estrada do Galeão. Eles dizem que ela passa bem.

No CartaCapital
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Bolsonaro sob o efeito do #EleNão

#EleNão barra a transferência de votos para Bolsonaro e dá vitória a Haddad no 2º turno


A campanha de Bolsonaro para presidente sentiu os efeitos do #EleNão. Seu eleitorado é fiel, mas não é o suficiente para dar-lhe a vitória no 2º turno. Essa é a principal informação que se tira da pesquisa IBOPE de 24 de setembro de 2018.

Bolsonaro bateu no teto e o foguete de Haddad entrou em velocidade de cruzeiro

Bolsonaro bateu no teto – ou seja – faltando duas semanas para o 1º turno das eleições de 2018, com uma exposição midiática que era impensável no início da corrida presidencial, Bolsonaro se estabilizou na casa dos 28% de intenções de voto.

O suficiente para leva-lo ao segundo turno em primeiro lugar.

Haddad continuou crescendo, mas não com um arranque suficiente para passar Bolsonaro. Está com 22% de intenção de votos, cresceu 3 pontos percentuais. Poderá crescer ainda mais um pouco – mesmo chegar a empatar com Bolsonaro ou ultrapassá-lo na margem de erro. Mas não em saltos, como na pesquisa anterior.

Ciro não transferiu votos para Haddad, mas também não conquistou novos eleitores. Manteve os 11% de intenções de voto. Haddad parece ter crescido a partir da redução dos índice de votos “branco e nulos”.

IBOPE1 set24

Assim, dificilmente deixará de haver um segundo turno. E o segundo turno dificilmente será diferente de Bolsonaro X Haddad.

#EleNão

O capitão está apanhando de mulher. Surtiu efeito a campanha #EleNão surgida no movimento feminino e que se espalhou pela sociedade como um todo.

Aumentou a rejeição de Bolsonaro que cresceu 4 pontos percentuais, desde a ultima pesquisa, e atingiu 46%. Poderia se fazer a blague de que Bolsonaro está a 4 pontos percentuais de ser rejeitado já no primeiro turno.

Mas, principalmente, aparentemente o #EleNão barrou a transferência de “votos úteis” de Alckmin para Bolsonaro. Alckmin manteve sua intenção de votos e ainda oscilou positivamente em 1 ponto percentual – dentro da margem de erro. Está agora com 8% de intenções de voto.

IBOPE2 set24

2º Turno – o jacaré abriu a boca

A consequência disso é a inversão das curvas de Haddad e Bolsonaro. E Haddad ganha no segundo turno. Haddad 43% contra Bolsonaro com 37%. Considerando que a margem de erro é de 2%, a dianteira de Haddad ultrapassa as possíveis simulações estatística. O padrão dessa correlação é conhecido como “boca do jacaré”- e dificilmente é revertido. Dilma conseguiu o feito contra Aécio em 2014. Mas ela não tinha um #Ele Não contra si.

IBOPE set24

Sérgio Saraiva
No Oficina de Concertos Gerais e Poesia



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O caso da autocrítica do PT


Minha caçula, a mais militante da família, levanta o tema “o PT não fez autocrítica”. Em vários locais dito progressistas ouvi a mesma queixa. Prova maior de que os interrogatórios da Globo são embasados em boas pesquisas de opinião. A insistência da Globonews e, depois, do Jornal Nacional, em levantar o tema, e nenhuma questão sequer sobre o programa do partido, mostra que são eficazes em sua política de pautar a discussão. Outra narrativa emplacada pela máquina da Globo é que, depois de 14 anos de campanha ininterrupta da mídia, foi o PT quem estimulou a versão de “nós contra eles”.

Vamos por partes.

O PT errou e muito na sua convivência com o presidencialismo de coalisão. O ex-Ministro Tarso Genro deve se recordar de uma conversa que tivemos, poucos meses antes de explodir o “mensalão”, em que o alertei que viria pela frente uma campanha mais ampla que a do impeachment de Fernando Collor.

Ele se espantou.

Mas era nítido. Disse-lhe que quando um exército toma a cidadela adversária, a primeira atitude do comandante é reunir a tropa e enquadrar os soldados, impedindo qualquer forma de abuso. A segunda atitude é punir exemplarmente o primeiro caso de transgressão, para servir de exemplo.

Isso não ocorreu. A sem-cerimônia com que Delúbio Soares entrava e saída do Planalto, era imprudência pura. Ainda mais em um partido totalmente exposto ao escrutínio da mídia e dos demais poderes.

Relatei-lhe uma conversa que tive com Collor, anos depois do impeachment. O que ele mais lamentava era ter desmontado o antigo SNI (Serviço Nacional de Investigações). Não para fiscalizar os adversários, mas para se prevenir contra a guerra de informações da mídia. No auge da campanha do impeachment, o governo ficou totalmente desarticulado ante a saraivada de denúncias, verdadeiras ou meros factoides, com que era bombardeado.

Mesmo se não tivesse escândalo, a mídia criaria. Mas com o amadorismo do início de governo, ficou mais fácil. E o governo não tinha sequer a relação das pessoas que entraram na máquina pública. De fato, na montagem do governo vieram militantes de todas as partes do país, aliás, algo inevitável para um partido que estreava no poder.

Alguns meses depois estourou o escândalo de Roberto Jefferson. Aliás, foi bem no dia em que, flagrado pela mídia saindo do Palácio, Delúbio declarou que era assim mesmo, os partidos tinham que participar do governo depois das eleições.

Em suma, o PT fez o mesmo que todos os demais partidos fizeram para garantir a governabilidade, e com o amadorismo dos marinheiros de primeira viagem.

Pode-se argumentar que o caso Petrobras foi exagerado. E foi. Explodiram os preços do petróleo, foi descoberto o pré-sal, a Petrobras ganhou uma dimensão inimaginável até então e as caixinha subiram proporcionalmente ao salto da empresa. Nada foi feito para impedir a esbórnia. Quando assumiu o governo, Dilma Rousseff colocou na presidência Graça Foster com a incumbência de limpar a empresa. Mas Graça não tinha a menor familiaridade com modernos métodos de complience. Limitou-se a centralizar a liberação de pagamentos no seu gabinete, atitude inútil para identificar mutretas, e que quase paralisou a empresa.

Mas, se a autocrítica fosse o ponto central, a mais urgente seria da própria Globo, por ter criado o clima de ódio no país – ao lado da Veja -, estimulado o golpe, interferido em várias eleições. Seria de Luis Roberto Barroso porque seu apoio ao estado de exceção gerou uma enormidade de abusos em todos os quadrantes do país – fenômeno pouco divulgado pela mídia. Seria da própria Lava Jato e da Procuradoria Geral da República, por terem destruído a engenharia nacional e chocado o fenômeno Bolsonaro. Seria do STF (Supremo Tribunal Federal) por ter derrubado a cláusula de barreira que tornou mais caótico ainda o quadro partidário, além de ter aberto uma avenida para a infidelidade partidária. E pelo carnaval da AP470 que, fragilizando o governo, tornou-o mais vulnerável ainda às investidas do PMDB – repetindo o mesmo fenômeno pós-maxidesvalorização, que obrigou Fernando Henrique Cardoso a entregar parte dos ministérios para o mesmo grupo.

Nesse ponto, exige-se uma relativização do que ocorreu.

Teria sido possível a Lula o trabalho histórico de inclusão, de redução das desigualdades, de acesso dos mais pobres à universidade, se tivesse enfrentado o boicote dos partidos políticos? Evidente que não.

Aqui mesmo, várias vezes criticamos as concessões ao mercado, o câmbio excessivamente apreciado, as taxas de juros muito acima das taxas internacionais, a timidez em relação à reforma fiscal e política. Mas a contrapartida foi um trabalho inédito de combate a desigualdades históricas, um trabalho que, entre 2008 e 2010 projetou o Brasil como um exemplo para mundo. Teria sido possível sem essas concessões?

Em suma, a autocrítica teria que ser das instituições como um todo – partidos, tribunais, corporações públicas, mídia – por ter exposto o país formal ao ataque perigosíssimo das hordas bárbaras.

Mas a questão, agora, não é essa. O que está em jogo é o próprio futuro da democracia e da estabilidade nacional.

PT, PSDB, Executivo, Supremo, mídia são peças integrantes do sistema institucional. O PT teve o mérito de civilizar os movimentos sociais – substituindo a violência, a rebeldia, pela disputa política. O PSDB falhou em fazer o mesmo com a direita. Terceirizou a oposição para a mídia, que só sabia exercitar o anti-petismo. Abriu uma avenida para a direita selvagem, que emerge, agora, com uma força incontrolável.

Agora, todos – PT, PSDB, mídia, instituições – são alvos dessa direita selvagem. E nenhuma delas passará incólume por um eventual governo Bolsonaro. Haverá um liberou geral para as arbitrariedades na ponta, para a rebelião de procuradores contra PGRs, de delegados contra a cúpula da PF, de juízes contra os tribunais superiores. Explodirão as arbitrariedades das polícias, dos promotores municipais, haverá o aparecimento de milícias legitimadas pelas vitórias nas eleições e pelo aval de um presidente selvagem.

 Se o eleitor se recusar a votar no PT, porque não fez autocrítica da lambança na Petrobras, no Ciro, porque não fez autocrítica das mudanças recorrentes de partido, no Alckmin, por seu apoio a Temer, e por ter fechado os olhos às esbórnias do próprio PSDB, o que esperar dessas eleições?

Por isso, cortem essa história de autocrítica. O que está em jogo não é premiação ou punição de quem quer que seja, mas a própria sobrevivência do Brasil como nação democrática.

Luís Nassif
No GGN
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Haddad tomará posse? Tomando posse, vai governar?

(1) A pesquisa de hoje (24/09) confirma: crescimento acelerado de Haddad à medida que o eleitorado se torna mais consciente de sua relação com o ex-presidente Lula. Tudo indica que ele encosta no Bozo no primeiro turno e vence com alguma folga no segundo.

O que os números estão indicando é que, apesar de toda a deseducação política deliberada, o eleitor vota com algum discernimento. Reconhece nos governos do PT melhorias tangíveis para sua vida e dá a Lula o prêmio de sua lealdade. E, do outro lado, o eleitor de direita, aquele seduzido pelo golpismo e seus fantasmas, percebe que é o Bozo quem encarna a essência deste projeto e descarta as perfumarias com que o tucanato pretende camuflá-lo.

(2) O problema do Bozo não é a facada, que até lhe gerou alguma simpatia e sustentou o crescimento, por ora estancado, de sua candidatura. É que ele não tem para onde se mexer. Entre o "mito", a persona que precisa alimentar a devoção de seus fanáticos, e os compromissos recentes com o ultramercadismo, que lhe garante o apoio de largos setores do capital, não sobra espaço para se movimentar de maneira a ampliar o eleitorado. Em suma, o Bozo está emparedado entre ele mesmo (e Mourão) e Paulo Guedes.

(3) O PSDB baseou sua identidade cada vez mais pesadamente no antipetismo, mas mantê-lo no segundo turno que se avizinha é abraçar o fascismo. A base tucana no empresariado, na mídia e na ciência política (estou me referindo aqui ao Bolívar Lamounier) está dividida entre os que já se bandearam para o Bozo e os que estão esperando o segundo turno. Para os caciques, é mais difícil. Imagino que será fatal a divisão entre a velha guarda (FHC, Alckmin), com algum pudor, e os novos, Doria à frente, que vão alegremente secundar o ex-capitão.

(4) Marina Silva não precisa mais ser levada em consideração na análise do cenário.

(5) A pesquisa lida apenas com uma pequena parte da conjuntura: quem ganhará a eleição. Confirma-se que tudo aponta para Haddad. Mas depois? Ele tomará posse? Tomando posse, vai governar?

As tensões militares que afloraram com tanto vigor há duas semanas estão menos visíveis, mas só isso: nada indica que tenham sido debeladas. O discurso do extremismo petista tem sido reforçado e, para além de seu pretendido impacto eleitoral, serve de pretexto para a desestabilização antecipada do futuro governo. Vale a pena ler a entrevista de Luiz Fernando Figueiredo, diretor do BC no governo Fernando Henrique e hoje, previsivelmente, especulador no mercado financeiro, publicada na Folha de ontem. Não existe preocupação nenhuma com a democracia, nem com um projeto de nação, nem com a reconstrução de um pacto de dominação com um mínimo de possibilidade de se manter estável. O que gente como ele quer é extrair até a última gota de sangue do trabalhador brasileiro, antes de fugir para Miami.

A vitória da centro-esquerda em outubro é apenas o começo da história. O eleitorado mostra discernimento, eu disse acima, não iluminação. É preciso liderança para a luta, que será dura. Não estamos numa eleição normal. Estamos numa eleição em que o critério da legitimidade popular para o exercício do poder está brigando para ser reinstituído.

Luis Felipe Miguel
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Pelo mesmo motivo que defendiam voto útil em Ciro, ciristas devem, por coerência, votar Haddad já


O gráfico aí de cima mostra resultado de simulação do segundo turno na última pesquisa do Ibope, revelada ontem à noite. Haddad vence por seis pontos de vantagem, muito além da margem de erro, que é de 2pp.

Mais: Haddad continua subindo consistentemente, desde que foi indicado oficialmente o representante de Lula  e da coligação "O Brasil Feliz de Novo" nas eleições. São11 pontos a mais desde lá.


Ibope presidente 24 de setembro

Já o candidato Ciro Gomes empacou nos 11% das intenções de voto, desde que Haddad virou candidato. Ciro tem hoje 11%, exatamente a metade das intenções de voto em Haddad, 22%.

O principal argumento dos ciristas para o voto útil em Ciro era o desempenho de Haddad no segundo turno. Veja no gráfico lá de cima que até a última pesquisa antes desta, Haddad havia conseguido apenas empatar com o candidato fascista.

Mas esta última pesquisa acabou com isso. São seis pontos de vantagem. E mais: Haddad está subindo, o adversário empacado, com tendência de queda.

Sua reprovação voltou a subir depois de duas semanas de baixa, após a facada. São 46% de rejeição, um recorde.

Portanto, como a pesquisa é retrato de um momento, a tendência é de Haddad continuar subindo e o adversário começar a cair.

Então, pelos mesmos motivos com que antes defendiam o voto útil em Ciro, os ciristas devem aderir agora à candidatura Haddad. Ciro não sai dos 11%. Haddad tem o dobro de votos dele, 22%, e vence Bolsonaro com folga no segundo turno.

Por que não nos aliarmos agora para vencer no primeiro turno e, usando uma expressão de Brizola (fundador e representante histórico do partido pelo qual Ciro está inscrito, PDT), darmos um "não rotundo" ao candidato fascista?

Ou o voto útil em Ciro era só oportunismo eleitoral?

Antônio Mello
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Ibope “segurou” Haddad no Nordeste. Pesquisa é inconsistente


De 11 a 18 de setembro, Fernando Haddad  disparou  no Nordeste (de 13% a 31%), segundo a pesquisa Ibope.

Foram 18 pontos em 7 dias, 2,6 % de crescimento ao dia.

Mas, na rodada de hoje, seis dias depois, teria crescido apenas 3 pontos, de 31% a 34%, ou 0,5% ao dia.

Que a velocidade de crescimento fosse menor, natural, pois houve o impacto da oficialização de sua candidatura.

Mas não que caísse para menos  de um quinto do que se registrara na semana anterior.

É um dado totalmente inconsistente mas, como aponta um crescimento geral de Haddad  que legitima a pesquisa, passa “batido”.

Já estamos o suficiente próximos às eleições para que se ajustem as “contas de chegar” dos institutos.

O Ibope “freou” Haddad para esperar o Datafolha.

Para que ambos, no final de semana ou na segunda cheguem próximo de um resultado parelho.

E guardem a “virada” para a semana final.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Ibope: Haddad abre 6 pontos sobre Bolsonaro no 2º turno e tem o dobro de Ciro no 1º

https://www.balaiodokotscho.com.br/2018/09/24/ibope-haddad-abre-6-pontos-sobre-bolsonaro-no-2o-turno-e-tem-o-dobro-de-ciro-no-1o/

Com os principais concorrentes estacionados nos mesmos números da semana passada, o novo Ibope desta segunda-feira mostrou apenas o crescimento de Fernando Haddad, que agora tem o dobro (22% a 11%) de votos de Ciro Gomes no primeiro turno, e bate Jair Bolsonaro por 6 pontos no segundo (43% a 37%).

Derrotado por todos os adversários nas projeções de segundo turno, Bolsonaro viu sua rejeição crescer mais quatro pontos, chegando agora a 46%, o que praticamente afasta qualquer possibilidade de vitória no segundo turno.

A rejeição a Haddad subiu apenas 1 ponto e está agora em 30%, o que lhe confere ampla vantagem sobre o capitão reformado no turno decisivo.

Desde a primeira pesquisa do Ibope, em 20 de agosto, Haddad saltou 18 pontos percentuais, de 4% para 22%, enquanto Bolsonaro subia de 20% para 28%.

Mantidas essas curvas, Haddad derrota Bolsonaro tanto no primeiro como no segundo turno e, pela primeira vez, aparece como o grande favorito desta eleição.

Pela cara melancólica dos comentaristas de TV quando foram anunciados os novos resultados do Ibope no começo da noite, esse cenário indica que não tem mais volta.

Mesmo condenado e preso há mais de cinco meses em Curitiba, Lula caminha para a quinta vitória consecutiva nas eleições presidenciais.

De nada adiantaram quatro anos de campanha da Lava Jato contra o PT, todas as noites na televisão, e o massacre midiático contra Lula.

Deu tudo errado para os golpistas.

Ficaram primeiro sem candidato competitivo e depois tiveram que adotar, já no desespero, o inacreditável capitão Bolsonaro.

Agora, viram Ciro, em quem também jogaram suas fichas, empacar no Ibope e ficar 11 pontos atrás de Haddad.

Como diz o Elio Gaspari, jogo jogado.

A vigorosa e valente campanha das mulheres contra Bolsonaro nas redes sociais começou a dar resultado e, pela primeira vez, tolheu seu crescimento, que era contínuo.

Desse perigo parece que estamos livres.

Só um fato novo sobrenatural, ou mais um golpe, nestas duas semanas que faltam para a eleição, podem impedir uma nova vitória do PT de Lula, agora com o nome de Haddad.

Vida que segue.

Ricardo Kotscho
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Fernando Haddad, candidato de Lula à Presidência, conversa com blogueiros


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