24 de set de 2018

Haddad “ganha” todos os votos que saíram de indecisos, brancos e nulos


Ao contrário do que era tão comentado, não está, segundo os dados da pesquisa Ibope  divulgada agora há pouco, havendo transferência de votos motivada pelo voto útil.

Não está, friso, ainda, e explicarei ao final.

A soma dos candidatos que estão, na prática, alijados do segundo turno ( Ciro Gomes (PDT): 11%; Geraldo Alckmin (PSDB): 8%; Marina Silva (Rede): 5%; João Amoêdo (Novo): 3%; Alvaro Dias (Podemos): 2%; Henrique Meirelles (MDB): 2%;Guilherme Boulos (PSOL): 1%; Cabo Daciolo (Patriota) Vera Lúcia (PSTU),João Goulart Filho (PPL): 0% e Eymael (DC) todos com 0%) era de 32%.

Na rodada anterior, há uma semana, todos eles somavam 31%.

Portanto, não diminuiu a sua votação, ao contrário, cresceu marginalmente.

Também não houve acréscimo no percentual de Bolsonaro: em 28% estava e em 28% ficou.

Diminuíram os indecisos (de 7 para 6%) e os nulos e brancos (de 14% para 12%), reduções que,somadas, dão 3%.

Exatamente o percentual de crescimento de Fernando Haddad.

Não vou tratar aqui da minha firme impressão de uma “segurada” em Haddad, nos limites da prudência.

Mas ajustes de décimos, que viram um ponto aqui e ali, arredondados, não escondem a tendência: estatisticamente, todos os votos “ganhos” na semana foram de Fernando Haddad.

Sem que os “votos contra”, expressos na rejeição, tenham se movido apenas 1% (de 29% para 30%), o que também entra na casa dos arredondamentos.

Ou seja, se alguém está querendo dar utilidade à sua mudança de voto, está escolhendo Haddad, o que é corroborado pelo crescimento – este sim, significativo, da rejeição a Bolsonaro.



A Globo “pisca”. Seus heróis morreram de overdose golpista


Quatro horas atrás, o colunista Ricardo Noblat postava no Twitter (veja aí em cima) a “quase premonição” de que Jair Bolsonaro ganharia (ou quase) as eleições em primeiro turno. ou que passaria ao segundo em condições de favoritismo difíceis de reverter.

Claro, nunca aderiu expressamente ao ex-capitão, mas conservada a esperança de, vencedor o fascista, pudesse “se explicar” pela “teimosia” do PT e de Lula de terem um “poste” como candidato.

“Deu ruim”, como diz a gíria.

Não houve condições de “segurar” no Ibope a certeza de vitória folgada do ex-capitão.

Bolsonaro bateu no teto da histeria, e olhe que com facada e tudo.

Haddad, o “radical” tranquilão e gentil, segue subindo e vai terminar o segundo turno empatado ou vencendo o “Mito”.

E os Noblat, os Merval, as Leitão, os Camarotti terão de se posicionar. E não podem, por razões óbvias, sacudir bandeirinhas de Bolsonaro. Sob pena de se destruírem para a próxima batalha, a de desestabilização do próximo governo eleito do PT.

Há sinais escandalosos disso, embora não devamos tomá-los por definitivos.

O recém lançado editorial da Época, intitulado “Basta de ditaduras! Fora, golpistas!” é de rir, chorando:

(…) O comportamento de muitos dos atores sociais e políticos tem demonstrado indícios preocupantes de desvios. Comandantes militares e oficiais reformados que se imiscuem em temas institucionais com ameaças implícitas de rompimento da ordem democrática, políticos que debocham das instituições e pregam as mais variadas desobediências legais, candidatos que lançam desconfiança sobre a lisura do pleito, estimuladores do confronto físico entre militantes divergentes, enfim, esses pregadores do caos disfarçados de mantenedores da ordem devem ser relegados à insignificância que merecem por uma sociedade madura e comprometida com os valores da democracia.(…)

A única forma aceitável de resolução de impasses é a aquela dentro dos parâmetros constitucionais, que consagram o estado democrático de direito, com o respeito às liberdades civis e aos direitos humanos e às garantias fundamentais definidas na Carta de 1988. É preciso dizer um altissonante “não” àqueles que querem romper as regras do jogo democrático, que negam a legitimidade dos oponentes, que cultivam a intolerância ou encorajam a violência, aqueles que admitem a restrição — mínima que seja — às liberdades civis. Basta do arbítrio que já macula o passado!

A menos que achem – e duvido que achem – que possam dissolver a histeria bolsonárica a ponto de colocar outro no segundo turno, já se preparam para o terceiro.

Cuidado com essa gente.

Pode ser assim, mas pode ser também uma cobertura para manobras desesperadas.

Fernando Brito
No Tijolaço
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A Direita e o Centro já escolheram Bolsonaro

Sapo dos sociólogos vai dizer: se não tem tu, vai tu mesmo!


O Conversa Afiada publica sereno (sempre!) artigo de seu colUnista exclusivo, Joaquim Xavier:

São apenas duas semanas daqui até a eleição. Se houver. Mas, uma rápida olhada no noticiário e nos bastidores partidários exibe tendências com grandes possibilidades de se confirmar. Sobre o crescimento de Fernando Haddad, pouco a acrescentar.

O fato mais fresco é a adesão cada vez maior do direitão (apelidado de centrão) e da direita que se vende como civilizada à candidatura fascista de Jair Bolsonaro.

No interior de São Paulo, panfletos eleitorais de gente como Carlos Sampaio, cardeal do PSDB, estampa num pé de página propaganda favorável ao capitão verde oliva. Prefeitos e candidatos alinhados com o direitão fazem o mesmo movimento Brasil afora.

Tudo é muito esquisito no caso Bolsonaro. Claro que ninguém de bom senso, democrata sincero e adversários leais numa disputa política sem fraude pode deixar de condenar a facada e desejar outra coisa senão a recuperação imediata do militar. Todas as investigações mostram que o autor do ataque é um desequilibrado.

Mas o que seria um assunto encerrado, de repente é envolto em névoas pela mídia pró-golpe, judiciário de mentirinha e aparato pretoriano do Planalto/Jaburu. Desde o início, notas da polícia, boletins médicos e informes da família contradizem-se uns aos outros. Primeiro era um incidente sem gravidade, depois, tornou-se uma situação de vida ou morte; num dia o paciente está em franca recuperação, no outro voltou à UTI em estado crítico. Atualmente parece estar melhor – pelo menos até o próximo boletim.

Agora fala-se em estender o processo judicial. Aquela revista de nome cada vez menos lembrado, mas cujos dias estão contados conforme prova a falência da editora que a publica, tenta de todos os modos produzir mais uma de suas célebres “reportagens” calhordas. Fuça aqui, fuça ali, e daqui a pouco vão descobrir parentesco do esfaqueador com Osama Bin Laden.

Interessante, e revelador: toda esta mobilização frenética simplesmente inexistiu após o assassinato brutal da vereadora Marielle Franco (PSOL) e o motorista Anderson no Rio de Janeiro. Já se passaram seis meses desde então...

Mas o que chama igual, ou até maior, atenção é o processo de "higienização" do economista Paulo Guedes, o chamado “Posto Ipiranga” econômico de Jair Bolsonaro. Sua biografia está à disposição do público. Para quem não o conhece, recomendo a reportagem de Malu Gaspar na revista piauí desta semana.

Guedes é um membro de raiz da elite que durante anos e anos manteve o Brasil no ranking do atraso. “É cheiroso”, como diria aquela colunista hoje no Estadão. Circula com desenvoltura no “gran monde”. Como banqueiro, porém, sua reputação não é das melhores mesmo entre sua própria turma da casa grande. “É um mitômano [mentiroso compulsivo]”, diz Pérsio Arida, banqueiro como ele e coordenador econômico da campanha do tucano sem asas Geraldo Alckmin.

Não esquecer que atualmente Guedes é acusado de operações ilícitas com fundos de investimento.

Na semana que passou, o banqueiro andou falando o que pensa. Resumindo: esvaziar o bolso dos pobres, colocar mais dinheiro na carteira dos ricos, criar impostos para os assalariados e privatizar o patrimônio nacional de forma selvagem. A melhor receita para ser recebido a ovadas em um palanque.

Para se ter ideia do tamanho da violência proposta por Guedes, até Bolsonaro, mesmo num hospital, achou o cardápio excessivo.

Eis que “colunistas” e a mídia de aluguel, fingindo susto, num primeiro momento, com a sinceridade de Guedes (como se não conhecessem suas ideias...), passaram a moderar suas críticas. “Foi mal compreendido”; “sua defesa das privatizações faz sentido”; “é preciso mexer nos impostos”; “o importante é a equipe que ele vai montar” e por aí afora.

A esse respeito, recomendo a entrevista de Luiz Fernando Figueiredo (Folha de São Paulo, 23/09), ex-diretor do Banco Central, arminista fraga de carteirinha e hoje banqueiro estufado de dinheiro.

Foi direto ao ponto: o PT seria um desastre muito maior que Bolsonaro. E derramou-se em elogios à equipe de Guedes (cujos nomes cuidadosamente não revelou), “gente preparada”.

Figueiredo não é qualquer um, anotem isso. Depoimentos como este, podem apostar, vão se esparramar doravante.

A direita, direitão (centrão) incluído, mostra que a opção desta gente está praticamente feita desde o primeiro turno, até por falta de tempo e material “humano”.

Ninguém se engane com a procura de “um novo centro” e outras bobagens do gênero, geralmente vindas da boca do sapo dos sociólogos. “Se não tem tu, vai tu mesmo”.

Esse é o lema desse pessoal nas próximas duas semanas com relação a Bolsonaro.

ATENÇÃO:

Está nas mãos do ministro Barroso o veredicto sobre o cancelamento de mais de 5 milhões de títulos eleitorais, já decidido pelo tribunal superior eleitoral. O Nordeste é um dos principais afetados. A grande mídia, por óbvio, esconde o assunto. Mas que tem gato nessa tuba, ah, isto tem. Quem sabe angorá.

Joaquim Xavier
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O dia em que Roberto Marinho apoiou o PT

“Doutor Roberto” passava pó de arroz para atenuar a tez morena, segundo Bial
O movimento político verificado em 1994, na primeira eleição de um governador pelo Partido dos Trabalhadores, pode se repetir agora, 24 anos depois, na campanha para presidente da república.

Na época, um político da linha de Jair Bolsonaro, chamado Cabo Camata, liderava as pesquisas de intenção de voto no segundo turno das eleições no Espírito Santo, na disputa com Vítor Buaiz, candidato do PT.

Cabo da PM, Dejair Camata conquistou, primeiramente, o eleitorado mais pobre, com o discurso de que, eleito, acabaria com a bandidagem.

Apresentava-se também como uma novidade, um outsider, um candidato em condições de acabar com os privilégios da elite política, na qual incluía Buaiz, médico de carreira.

Era o mesmo discurso usado hoje por Bolsonaro, e Cabo Camata, depois de derrotar uma candidata do PSDB, foi para o segundo turno como favorito para a eleição.

Foi quando começou um movimento para demonstrar que a eleição do Cabo Camata significaria a vitória da barbárie contra a civilização, exatamente como agora.

Exatamente como agora, a elite capixaba do dinheiro apoiava Cabo Camata, com o objetivo de evitar a eleição de um candidato do PT.

O jornalista Rogério Sarlo de Medeiros, que chegou a ser prefeito da capital capixaba durante um curto período, coordenador da campanha de Buaiz, contou em uma estudo acadêmico como conseguiu convencer até Roberto Marinho a apoiar o candidato do PT ao governo do Espírito Santo:

“Quando a elite do Espírito Santo viu que o candidato capaz de derrotar o candidato do PT era Cabo Camata, ela embarcou”, disse ele, segundo registra a tese de dissertação de Uber José de Oliveira, a respeito do desempenho eleitoral do PT no Espírito Santo, entre 1982 e 2002.

Rogério tinha sido correspondente do Jornal do Brasil no Estado durante 24 anos e era amigo de Alberico de Souza Cruz, diretor de jornalismo da TV Globo.

“Falei com o Alberico e levei o Vitor Buaiz. O Alberico armou, e eu fui parar no gabinete do Roberto Marinho, e o Alberico tinha preparado o clima e o Roberto Marinho era também muito atento a tudo que estava acontecendo”, detalhou.

Depois disso, o jornal O Globo e até o Jornal Nacional começaram a publicar reportagens sobre o risco da eleição de Camata, apresentado na propaganda do PT na televisão como um filhote de Hitler.

O apoio de O Globo, segundo ele, foi decisivo, porque a elite do dinheiro se sentiu segura a apoiar Vitor Buaiz depois que viu no jornal em que acreditava editoriais favoráveis a Buaiz.

Em 24 anos, muita coisa mudou tanto no PT quanto no Grupo Globo — que ficou menos habilidoso e menos inteligente nos seus movimentos editoriais —, mas o paralelo pode estar se repetindo, e isso já pode se verificar em alguns reportagens recentes nos veículos da empresa.

Chamou a atenção, por exemplo, a veiculação de uma extensa nota na Globonews sobre o fake news que Bolsonaro emplacou no Jornal Nacional, a respeito do chamado kit gay.

O kit gay nunca existiu, como escreveu Haddad num extenso artigo da revista Piauí, recuperado pelo DCM, mas veículos do grupo Globo nunca tinham tocado no tema.

Na nota, apresentada por Leilane Neubarth, fica claro que Bolsonaro e o filho, Eduardo, fizeram uma manipulação grosseira dos fatos para tentar fazer o público acreditar que uma escola municipal de Maceió, Alagoas, estava utilizando um livro sobre sexualidade infantil como material didático, seguindo orientação do Ministério da Educação, do qual Haddad foi titular.

É uma sucessão de mentiras, que tem efeito eleitoral explosivo, e o desmentido, quando veiculado pela Globo, tem um peso importante no esforço para desmontar a fraude.

A Globo também entrevistou o delegado da Polícia Federal Rodrigo Morais, que investiga a facada em Bolsonaro, em uma reportagem que desmonta a farsa de que o autor do crime, Adélio Bispo de Oliveira, teria agido a mando de alguém — os jornalistas alinhados à extrema direita insinuam que seria ligado à campanha de Haddad, hipótese absurda, mas com força para confundir eleitores.

Essa aproximação da Globo com a prática jornalística tem poder para encantar ingênuos, mas, antes que alguém da campanha de Haddad chame os filhos de Roberto Marinho de companheiros, é bom verificar o que aconteceu com Buaiz depois que ele foi eleito.

No final do mandato, sem dinheiro e com a PM aquartelada, se tornou um zumbi político, o que abriu caminho para a eleição de um candidato do PSDB no Estado.

Na preservação de traços mínimos de civilização no Brasil, certamente há interesses convergentes entre a Globo e a campanha de Haddad.

Mas, se tiver algum tipo de cobertura isenta (para não dizer simpática), Haddad não será devedor de nada à Globo, que, de resto, age fundamentalmente de acordo com seus interesses.

Num momento em que já se diz que Haddad poderia fazer uma carta para acalmar o mercado ou teria outras atitudes de aproximação com a elite do dinheiro, da qual a Globo é porta-voz, é bom que sua campanha preste atenção nos fatos da história, e aprenda com eles.

José Dirceu, no início do primeiro governo Lula, teria dito que não precisava fortalecer veículos independentes ou a TV pública porque contava com o apoio da Globo — quem conta esta história é Roberto Requião.

Deu no que deu.

Em São Paulo, com Nunzio Briguglio no comando da comunicação da prefeitura, jornalistas e representantes da Globo eram frequentadores assíduos do gabinete de Haddad.

Deu no que deu: Haddad perdeu no primeiro turno, no embate com Doria.

A Globo se comporta como partido político e deve ser tratada como partido político. Episodicamente, pode estar na mesma trincheira. Mas será sempre episodicamente, como um partido político.

Joaquim de Cavalho
No DCM
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Globope: Bolsonaro empaca. Haddad sobe e vai a 22%

No 2º turno, Bolsonaro só ganha da Bláblárina

A pouco menos de duas semanas da eleição, o candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, parou de crescer e se manteve com 28% das intenções de voto. Seu principal adversário, Fernando Haddad (PT), subiu três pontos porcentuais e chegou a 22%. Os dados são de pesquisa Ibope/Estado/TV Globo divulgada nesta segunda-feira, 24. Desde a semana passada, o candidato do PSL vem sofrendo ataques dos adversários, pricipalmente da campanha do tucano Geraldo Alckmin.

Nas simulações de segundo turno, Bolsonaro passou a perder para todos os adversários, com exceção de Marina Silva (Rede), com quem empata.

Desde o dia 11 de setembro, data em que Haddad foi oficializado como candidato do PT, a vantagem de Bolsonaro sobre ele caiu de 18 pontos porcentuais para 6. O petista é agora o único presidenciável que apresenta tendência de alta em toda a série de cinco pesquisas Ibope divulgadas desde 20 de agosto.

Além de se aproximar do líder, Haddad ampliou a vantagem sobre o terceiro colocado, Ciro Gomes (PDT), de 8 para 11 pontos porcentuais. Ciro tem 11% das preferências, mesma taxa da pesquisa anterior do Ibope, divulgada na última terça-feira.

O tucano Geraldo Alckmin oscilou um ponto para cima, de 7% para 8%. Marina passou de 6% para 5%, mantendo a trajetória de queda iniciada no início do mês, quando chegou a ter 12%.

A rejeição a Bolsonaro passou de 42% para 46% em uma semana. Depois de uma trégua e aumento de visibilidade causadas pela facada de que foi vítima, em 6 de setembro, o candidato do PSL voltou recentemente a ser atacado por adversários, tanto em eventos de campanha quanto em peças de propaganda eleitoral.

A seguir no ranking da rejeição – parcela do eleitorado que diz não votar no candidato de jeito nenhum – aparecem Haddad (30%), Marina (25%), Alckmin (20%) e Ciro (18%).

A pesquisa capta os efeitos de três semanas de propaganda eleitoral no rádio e na televisão. Também registra os efeitos de quase duas semanas da troca de Luiz Inácio Lula da Silva por Fernando Haddad na cabeça da chapa petista. A candidatura de Lula foi indeferida pela Justiça Eleitoral, com base na Lei da Ficha Limpa, já que ele foi condenado em duas instâncias por corrupção e lavagem de dinheiro.

O Ibope foi às ruas entre os dias 22 e 23 de setembro. Foram entrevistadas 2.506 pessoas em 178 municípios. A margem de erro estimada é de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. Isso quer dizer que há 95% de chance de os resultados refletirem o atual momento eleitoral. A pesquisa foi contratada pelo Estado e pela TV Globo. O registro no Tribunal Superior Eleitoral foi feito sob o protocolo BR‐06630/2018.

As simulações de segundo turno:

Haddad 43% x 37% Bolsonaro (branco/nulo: 15%; não sabe: 4%)

Ciro 46% x 35% Bolsonaro (branco/nulo: 15%; não sabe: 4%)

Alckmin 41% x 36% Bolsonaro (branco/nulo: 20%; não sabe: 4%)

Bolsonaro 39% x 39% Marina (branco/nulo: 19%; não sabe: 4%)
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Diálogo com um eleitor de Bolsonaro


– Pedro, como você vota para Presidente este ano?

– No Mito, claro.

– Mito?

– Bolsomito, Bolsonaro. É melhor “jair” se acostumando …

– Por que você vota nele, Pedro?

– É o único que pode colocar ordem nessa bagunça, nessa onda de violência e nesse mar de lama da corrupção.

– Mas não é uma eleição para Deus. Como ele vai fazer isso usando as competências do cargo de Presidente da República que estão escritas na Constituição?

– Ora … Disciplina, hierarquia, vergonha na cara, bala e cadeia em todo tipo de safado.

– Cadeia depois de responder a processo, como em todo lugar civilizado do mundo?

– Esse negócio de processo, defesa e advogado é tudo mimimi desse pessoal dos direitos humanos protetor de bandido.

– Pedro, político corrupto também vai levar bala e cadeira, sem processo?

– Claro. O cabra é macho. Com ele não tem conversinha mole. No tempo dele no Exército quase jogou uma bomba para resolver a parada.

– Mas Pedro, o comandante dele no Exército disse, por escrito, que se tratava de alguém caracterizado pelo desequilíbrio, irracionalidade e agressividade.

– Pura inveja. Coisa de gente covarde.

– Ele resolve jogando uma bomba no Congresso?

– Se for preciso ele joga. Se não aprovarem o que ele vai mandar … Eu apoio. Tô com ele e não abro.

– Aprovar porte de arma para todos, por exemplo?

– Sim. Essa é a melhor proposta dele. Os outros só fazem promessa eleitoreira. O Mito tem proposta boa e que resolve. A bandidagem vai tremer nas bases.

– Pedro, você tem dinheiro para comprar uma arma (dois, três ou quatro mil reais)? E a maioria dos trabalhadores no Brasil?

– Tudo isso? Ainda não fiz as contas. Mas se não der, faço uma vaquinha com os manos. Os trabalhadores? Cada um que corra atrás da sua.

– Pedro, mais de 90% dos assaltos e outras violências pegam a vítima de surpresa. Estar armado vai fazer alguma diferença?

– Hummm … Vou perguntar ao pessoal do Mito. Com certeza, ele tem uma solução. Ele é a solução.

– Pedro, por que o Mito não perde a oportunidade de falar em arma, simular o uso de uma arma (com chaves, tripés de câmeras, etc), ensinar criança a atirar e coisas assim? Depois de ser atacado com uma faca, a primeira imagem no hospital foi justamente simulando manusear duas armas. Não seria um fetiche?

– Não conheço esse tal de Fetiche, mas se tá com o Mito é cidadão de bem.

– E as dezenas de declarações do Mito destilando preconceito contra as mulheres, negros e homossexuais?

– Aquilo foi coisa para chamar a atenção e ficar conhecido. Ele tava causando, fazendo piada. Liga pra isso não.

– Fazendo piada com coisa séria? Ele vai governar ou fazer piada?

– O Mito é bem-humorado. Vai ser tudo alegria.

– Mas Pedro, ele defende a tortura. Atirar antes e perguntar depois. Esse tipo de comportamento é condenado pelas leis, pela moral e pelas religiões. Ninguém no mundo civilizado defende isso. É a barbárie.

– Só o (sic) direitos humanos é contra. Tem que esfolar mesmo. Só assim esse povo aprende. Ele é um “cara família”. Assim é que se defende a família.

– Pedro, ele parece um analfabeto, diz coisas sem sentido e não consegue construir um raciocínio elementar. Já percebeu?

– Isso é coisa de esquerdopata de Universidade. Ele é um homem do povo. Fala como o povo. Fala a língua do povão. Não fica com aquela conversa bonita para enrolar todo mundo. Ele fala e eu entendo.

– Pedro, o programa de governo dele é um amontoado de coisas desconexas. Você leu?

– Não li. Esse negócio de programa de governo é coisa de intelectualóide. O que importa é escolher os ministros certos para tocar o governo.

– Quais os critérios para ser ministro dele?

– Acreditar em Deus, patriotismo e competência.

– Como ele vai aferir a competência do ministro se ele não conhece praticamente nada de nenhuma área de governo?

– Ele já disse que escolha de ministro é como casamento. Casamento é coisa sagrada. Não tem como dar errado.

– Pedro, ele nunca foi liberal. Virou liberal de conveniência para surfar na onda da moda. Ser liberal, sem saber bem o que significa isso, é a modinha do momento.

– Pode parar. O mito não libera nada. Ele é espada.

– Pedro, ele recebeu dinheiro da JBS, tinha funcionária fantasma, recebia auxílio-moradia tendo imóvel para morar, gastou um monte de dinheiro público em passagens aéreas para fazer campanha e ostenta um “estranho” aumento de patrimônio. Ele não é igual a quase todos os outros políticos que tanto critica?

– Coisa pouca. Nada perto dos milhões e bilhões nas cuecas e nas malas.

– Pedro, pelo que você me diz, o seu voto está baseado na confiança. Você acredita que o Mito, na base da força, do grito e da bravata, vai domar e subjugar o Congresso, os governadores, a grande imprensa, o STF, os juízes, o Ministério Público, os sindicatos e organizações da sociedade civil, os servidores públicos, o mercado e por aí vai?

– Eu acredito. O homem é o Mito, tem bala na agulha e a hora é agora. Ele tem uma missão a cumprir. Uma missão lá de cima.

– Pedro, devemos construir uma sociedade livre, justa e solidária (é o que está escrito na Constituição). Não há como fazer isso com os valores difundidos pelo Mito. Veja só. No último domingo, parte de uma torcida de futebol gritou: “Ô cruzeirense, toma cuidado, o Bolsonaro vai matar viado”. É a mistura mais primitiva e irracional de preconceito com violência. Tudo isso associado a quem?

– (silêncio).                

Aldemario Araujo Castro
No Desacato
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Traição de Dória a Alckmin enterra a ambos


O site de O Globo abre manchete para as mensagens vazadas num grupo de mensagens, privado, que reúne a alta cúpula da campanha de Geraldo Alckmin, onde se trata abertamente das articulações entre as campanhas de João Dória e Jair Bolsonaro, atirando ao mar o candidato tucano à Presidência da República.

Não é surpresa, claro. Depois de flertar com Michel Temer para fazer um acordo com o PMDB, era previsível que a víbora trazida pelos tucanos ao seu ninho fosse deslizar para o lado do candidato fascista.

Ao GLOBO, Goldman não poupou críticas ao ex-prefeito a quem acusa de ser “irmão siamês” de Bolsonaro.

Temos ouvido sim conversas de que ele tem feito movimentos em direção ao apoio de outro candidato. Doria não tem nada a ver com o partido. Seus interesses são pessoais, de vaidade política, dos seus negócios, de seu enriquecimento pessoal. Sua postura ideológica, seu tipo de pensamento, o tipo de mensagem, é a mesma do Bolsonaro, não me surpreende.

Que João Dória é tudo isso e ainda pior, desculpe o traquejado Alberto Goldman, todo mundo sabia.

Mas Geraldo Alckmin não pode reclamar disso, pois foi o promotor da entrada deste aventureiro no partido quando já se sabia de tudo isso.

Fizeram pela mesma razão que outros tucanos, como Fernando Henrique – o homem do ‘é verdade este bilete” – tentaram fazer com Luciano Huck: arranjar um candidato ‘novo’, que pudesse lhes garantir uma vitória fácil manejando a ‘antipolítica’.

Quem age querendo ser “esperto” não pode reclamar que surja um “mais esperto ainda” que se sirva disso para trair o ex-padrinho.

Alckmin, inapelavelmente derrotado, ao menos pode torcer por uma vitória provável: a derrota de João Dória na disputa pelo Governo do Estado.

Resta saber se, com o seu traíra se lambuzando no segundo turno no apoio a Bolsonaro, vai ter como evitar o apoio a Haddad.

E Doria, por sua vez, vai cavar uma vaga de dirigente no PCB – Partido do ‘Coiso’ Bolsonaro.

Fernando Brito
No Tijolaço
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No Paraná: Para combater depressão, Cida Borghetti propõe ”psiquiatra caminhoneiro”

A receita revolucionária da Cida para combater a depressão: o “psiquiatra caminhoneiro”


Escutei hoje cedo no rádio:
A vice-governadora Cida Borghetti, candidata a reeleição (ela ocupa o cargo mas continua vice, porque o governador em exercício todo mundo sabe quem é) apresenta proposta surreal para enfrentar “o mal do século” que, esclarece ela, é a “depressão”.

Segundo a vice, ela vai colocar carretas e containers, especialmente equipados para fazer o diagnóstico, dotados de equipes completas, com médicos e psiquiatras, que vão levar a saúde a todos os cantos do estado…(sic)
A proposta é tão surreal que sequer consta do Plano de Governo divulgado na internet.

Começa pela ideia de que vai resolver a questão da depressão através de carretas itinerantes que vão rodar os milhares de quilômetros de estradas do Paraná parando nos lugares necessitados…

Carretas “especialmente equipadas para fazer o diagnóstico”.

Oi???? A comunidade internacional ainda não foi informada sobre isso? É revolucionário!!!

Equipamentos para fazer diagnóstico da depressão! Como foi que ninguém pensou nisso antes???

A carreta contará com equipe completa com “médicos e psiquiatras”. Sim!

Porque até o reino mineral sabe que médicos e psiquiatras são coisas muito diferentes entre si.

As pessoas evitam falar disso para não parecer preconceito, mas a Cida teve a coragem de falar.

Não precisa de rede de atenção, não precisa de vínculo, não precisa de acolhimento.

É só entrar lá na carreta especialmente equipada e fazer o diagnóstico.

Daí, imagino, receita uns comprimidos (que podem ser entregues pelos Correios para agilizar e diminuir custos) e está tudo resolvido…

Sensacional!

Na evolução, quem sabe, poderemos ter totens de auto-atendimento para saúde mental estrategicamente colocados em locais com alta probabilidade de trânsito de pessoas com depressão: como igrejas, filas de emprego, guichês do SEPROC e no terceiro andar do Palácio Iguaçu.

Genial!!!

Resta saber quando vai ser aberto o concurso — ou a licitação para contratar terceirizados tão ao gosto da turma dela — para os psiquiatras caminhoneiros.

Mário Lobato

PS de Conceição Lemes:

Um velho ditado diz: Quem sai aos seus, não degenera.

Obliquamente, Cida Borghetti confirma-o.

Ela  é esposa do ex-ministro da Saúde do governo Temer, o engenheiro e deputado federal Ricardo Barros (PP-PR).

Barros é golpista e odeia o Sistema Único de Saúde.

Barros entrará para a história como o ministro que devastou o SUS e a saúde pública brasileira em benefício de interesses privados — próprios e do mercado.

Cida segue a ”receita” de Barros, que aniquilou o Programa Nacional de Saúde Mental e Drogas, para entregá-lo a clínicas e hospitais psiquiátricos privados e comunidades terapêuticas.

Além de ”carreta equipada para fazer diagnóstico de depressão” (é melhor rir para não chorar da proposta absurda), Cida quer implantar o Corujão da Saúde. 

Segundo ela, o “programa vitorioso”  do ex-prefeto de São Paulo, João Doria Jr (PSDB).

Sugiro que, ao menos, consulte fontes para não pagar mais este mico.

No Viomundo
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Delinquência fardada, salvação togada


Quem poderá nos salvar de nós mesmos? Duas figuras suspeitas têm disputado esse posto messiânico no país: o general e o juiz. A grande ironia da cruzada purificadora é ela ter sido abraçada por duas das instituições estruturalmente mais corruptas da história brasileira. Judiciário e Forças Armadas, equipados por ferramentas antirrepublicanas de chantagem e manutenção de privilégios rentistas e dinásticos, miram seu raio despolitizador no processo de competição democrática. As eleições já não correm sob a fiscalização regular da Justiça, mas sob tutela. Os guardiões já avisaram que não aceitarão qualquer resultado. Comporte-se.

De um lado, a delinquência verbal dos homens de verde: alertam que os “profissionais da violência” são eles, não um psicopata ou extremista qualquer; lançam dúvidas sobre as urnas eletrônicas, pois não passam por auditoria; recordam que “as Forças Armadas são disciplinadas, mas não estão mortas”; mandam recados públicos ao tribunal mais alto do país para que este não saia da linha (não é por acaso que no gabinete do novo presidente do STF hoje mora um general). Sua forma de participar costuma ser pela ameaça de intervenção, pela prática da intervenção e agora pelo caminho ilustrado da disputa eleitoral. Mas, como um já disse, se pelo voto não der certo e houver cheiro de anarquia no ar, que seja pela força.

De outro lado, a verborragia salvacionista dos homens de preto: Luiz Fux, o mesmo que forçou a nomeação de sua jovem filha como desembargadora no Rio de Janeiro e há anos batalha pela manutenção do auxílio-moradia ilegal de juízes, afirmou, sem corar, que “só o Poder Judiciário pode levar nossa nação a um porto seguro”. A toga também aceita condecorações oferecidas pela farda, mesmo quando esta a ameaça via Twitter: só no ano passado, três ministros do STF receberam a Medalha da Ordem do Mérito Naval das mãos de ninguém menos que Michel Temer. A harmonia entre os Poderes nem sempre se dá em favor do interesse público.

General e juiz prepararam, juntos, o caminho para um candidato que normalizou, no discurso político, os verbos fuzilar e metralhar e cujo herói apreciava torturar mães nuas na frente de filhos pequenos. Não é qualquer torturador que sobrevive a essa tortura sem perder o autorrespeito. Limparam também o caminho para uma terceira categoria de purificador, o gestor apolítico. É aquele que está na política, mas não é político, que encarna o “idiota da objetividade” e luta por um mundo em que, como numa empresa, os ideológicos não têm vez. Não lhe entra na cabeça que seu sonho de consumo já não se chama mais “democracia” nem que o público é distinto do privado. Romper essa fronteira, mal sabe ele, chama-se corrupção, aquela que ele detesta.

Juízes têm dito que nada mais fazem que aplicar a lei: observe quando, como e a quem. Comece pelo quando. Generais dizem defender a nação: para entender de que nação se trata, dê só uma olhada em seu currículo, nos relatórios das comissões da verdade espalhadas pelo país ou, se não confiar, nos documentos da CIA (agência de inteligência americana). Dessa nação nem todos podem (ou querem) ser sócios. Para Elio Gaspari, “quando se sabe o nome de generais, algo estranho está acontecendo”. Quando se sabe o nome de tantos promotores e juízes, também.

A “teoria da depuração” que os orienta é de autoria de gurus do calibre de Janaina Paschoal e do candidato Mourão, o “desajustado”, para emprestar seu próprio vocabulário. A fantasia distópica governada por pessoas “de bem”, credencial moral autoconcedida, está voltando.

Lembrar-se da história é para os fracos, desconfiar para os preguiçosos, resistir para os ignorantes. Prometem nos entregar, de bandeja, um mundo mais limpo da política.

Nós não vamos pagar nada. Só precisamos deixar com eles, sem reclamar. Ou então nos juntar ao time. Esse mundo não terá partido: escola sem partido, opinião sem partido, roupa sem partido. Menos praça pública e feira livre, mais condomínio fechado e shopping center; menos escola e SUS, mais cadeia e arma de fogo; menos barulho, mais silêncio; menos diferença, mais conformidade.

Decisões democráticas pedem autorização popular. #ElesNão.

Conrado Hübner Mendes
No Época
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O perigo do maior movimento fascista do mundo


Conforme as pesquisas de opinião, no Brasil cerca de um terço dos eleitores estariam dispostos a votar numa versão patética de Hitler, um medíocre hitlerzinho tropical, sem o carisma, a retórica e a estratégia política do original. Sem sequer um programa de governo. Um grande vácuo pleno de ódio e preconceito. Nada mais, nada menos.

Segundo o TSE, o Brasil tem hoje 147 milhões eleitores. Portanto, cerca de 49 milhões eleitores brasileiros gostariam de votar em nosso hitlerzinho tupiniquim e em seu pitoresco vice, Mourão, o Ariano. Aquele que não confia em mães e avós.

Duvido que, em qualquer outro país, haja 50 milhões de pessoas dispostas a votar num candidato escancaradamente misógino, machista, homofóbico e racista. Um candidato que elogia a tortura, a ditadura e o fuzilamento de adversários. Um candidato que já afirmou publicamente que “democracia não resolve nada”, que o “Congresso deveria ser fechado” e que o único jeito de “consertar o Brasil” é promover uma guerra civil que mate mais ou menos umas 30 mil pessoas, incluindo inocentes. Um candidato que oferece armas para solucionar os problemas do país. Não bastasse, é também um candidato acusado de lavagem de dinheiro e suspeito de enriquecimento ilícito.

Claro está que, em tempos de crise econômica, é natural um crescimento da direita autoritária. As crises geram insegurança, a insegurança gera medo, o medo gera ódio e o ódio se expressa, muitas vezes, em pseudosoluções fascistoides. Por isso, há um aumento da direita autoritária em todo o mundo.

Mas, nos países verdadeiramente democráticos, as instituições geraram defesas contra o perigo nazista. Se Bolsonaro fosse alemão ou britânico, já estaria preso há muito tempo, pois nesses países é ilegal se fazer apologia do fascismo, do racismo, da tortura, etc. Se norte-americano fosse, jamais seria eleito, como Trump, de direita, foi. Lá, candidato que afirma que o “Congresso deve ser fechado” e que “democracia não resolve nada” não chega nem nas primárias.

No Brasil, infelizmente, aconteceu o contrário. Os golpismo rompeu com o pacto democrático, acabou com a soberania popular, derrubou a presidenta honesta e estimulou o surgimento de grupos escancaradamente fascistas, racistas, homofóbicos e misóginos. Aqui, a direita tradicional, a mídia oligárquica e algumas instituições, principalmente as do Judiciário, trabalharam ativamente contra democracia e pelo estímulo ao autoritarismo protofascista.

Na sua ânsia histérica de derrubar o PT a qualquer custo, derrubaram a democracia e quaisquer defesas contra o crescimento do fascismo. Pagam agora, com seu nanismo político, o preço da sua traição aos princípios democráticos. E o Brasil hoje tem a dúbia “honra” de abrigar o maior movimento protofascista ou fascista do planeta.

É irônico constatar que os responsáveis pela debacle da democracia brasileira e pelo crescimento do fascismo tupiniquim agora acusem Haddad de ser um “político extremado” e se auto apresentem como “forças moderadas e democráticas”. Isso é simplesmente o cúmulo da hipocrisia e do cinismo.

O PT, goste-se dele ou não, sempre lutou pela democracia e defendeu suas instituições, mesmo quando elas se voltaram contra ele, de forma não republicana.

Já Bolsonaro é a cria bastarda deles, dos golpistas, dos canalhas que avacalharam o Brasil e sua democracia.

Não chega a surpreender, contudo. Max Horkheimer dizia que “o fascismo é a verdade do capitalismo”. Com toda certeza, Bolsonaro é a “verdade” das nossas oligarquias. Elas nunca tiveram, de fato, compromisso real com a democracia e com o Estado democrático de direito. Sempre foram racistas, misóginas e preconceituosas. Sempre apostaram na desigualdade travestida de “meritocracia”. Nunca se livraram da sua mentalidade escravagista e colonizada. Sempre que consideraram necessário, deram golpes de Estado. Militares ou judiciais. O resto é conversa mole de cínicos e hipócritas.

No Brasil, o chamado “campo democrático”, tirando honrosas exceções, sempre esteve concentrado na esquerda e na centro-esquerda. A adesão da nossa direita oligárquica à democracia sempre foi oportunista e superficial. É isso, entre outros fatores, que torna a nossa democracia algo estruturalmente frágil. E é isso que explica também, somada a atual conjuntura de crise profunda, o surgimento do maior movimento fascista ou protofascista do mundo.

Nem tudo está perdido, contudo. Graças ao prestígio e ao gênio político do maior líder popular da história do Brasil, encarcerado pelos golpistas para ser impedido de concorrer, Haddad, o candidato mais preparado, um político moderado e autenticamente democrático, tem totais condições de vencer as forças antidemocráticas no segundo turno.

Para tanto, será necessário formar uma grande frente pela democracia e pela civilização, contra a barbárie antidemocrática do candidato protofascista.

Não temos dúvida que a maior parte da população se somará a essa frente, se dispuser das verdadeiras informações sobre as forças antidemocráticas, que querem destruir seus direitos políticos e sociais. Que detestam mulheres, negros, índios e gays e pobres em geral.

Resta ver o que farão as autointituladas “forças do centro”, que há muito se comportam como forças de direita extremada.

Vão destruir de vez a democracia do Brasil só para impedir o PT de voltar ao poder? Ou vão apostar na conciliação e na racionalidade política?

Se optarem pela primeira, o Brasil poderá se tornar a grande vergonha do mundo. Um pária internacional definitivo. Um país dirigido por fascistas de almanaque. A ameaça a toda a América Latina, como definiu a conservadora The Economist, poderá se concretizar. Na realidade, ameaça ao mundo.

Se optarem pela segunda, o Brasil terá todas as condições de tornar a ser uma das principais democracias do globo, que deu exemplos ao planeta na época em Lula governava com espírito generoso e conciliador.

Lula, Haddad e o PT, não os golpistas, são o verdadeiro centro político do Brasil. Centro político em mais de um sentido. Se quiserem combater o fascismo em ascensão é melhor ir se acostumando à ideia de que eles precisam voltar à cena.

Haddad ou fascismo? Democracia ou barbárie? Escolham. Não façam o Brasil passar mais vergonha do que já passou e descer mais baixo do que já desceu.

Marcelo Zero
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Estão tirando Haddad à força do campo democrático

Articulistas e formadores de opiniões estão desesperados com o resultado das recentes pesquisas de intenções de voto. Pra isso, afinal, servem os articulistas: pra se desesperar com o voto da população, essa classe de despreparados. O povo não chega a ficar chateado com eles, porque uma das coisas que une os formadores de opinião do país é que, por sorte, ninguém os lê.

Ontem uma dúzia de articulistas lamentavam a mesma coisa: os dois primeiros colocados no Datafolha estão fora do campo democrático.

Que Bolsonaro esteja fora, vá lá, é impossível discordar. O candidato do PSL já afirmou não acreditar em direitos humanos, direitos civis, na Constituição ou na urna eletrônica — basicamente, está pro jogo democrático assim como o rato do estádio de São Januário está pros jogos do Vasco ou como o padre irlandês está pras maratonas. Entrou em campo, mas não significa que entendeu as regras do jogo e menos ainda que vai respeitá-las.

Mas e Haddad? O candidato do PT estaria fora do campo democrático por defender a inocência de um homem preso. E não pode?

Pelo jeito, na democracia dos articulistas perde-se o direito de advogar pela inocência de um condenado. Esta parece ser a única transgressão praticada por aquele que é o membro mais moderado do partido que chegou ao poder mais vezes pela via democrática na história recente.

Ao tentar expulsar à força um dos candidatos do campo democrático, nossos articulistas acabam por mostrar que eles mesmos não estão no campo democrático.

Pra combater as urnas, propõem, em uníssono, uma puta solução: todas as candidaturas do centro (sic) democrático deveriam abdicar da sua candidatura pra apoiar Geraldo Alckmin, o quarto colocado nas pesquisas.

Por que fariam isso? Fica a dúvida. Mas que conceito estranho de democracia.

Gregório Duvivier
No fAlha
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Jornal dos Trabalhadores e Trabalhadoras


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Plano das elites brasileiras de destruir o PT fracassou

Foto: Francisco Proner Ramos
O plano era o seguinte: negar a legitimidade da vitória eleitoral de Dilma Rousseff em 2014. Impulsionar o impeachment por uma acusação forjada (contabilidade criativa para disfarçar um déficit orçamentário). Organizar protestos em massa contra o Partido dos Trabalhadores (PT) e apoiar os promotores da operação de combate à corrupção Lava Jato, que pretendiam processar Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente popular do Brasil e antigo líder petista, por corrupção e lavagem de dinheiro. Incentiva os grandes meios de comunicação, animados pela poderosa rede Globo, a identificar o PT como a causa básica da corrupção institucional no Brasil. Conseguir apoio internacional à medida que os prêmios se acumulavam sobre os líderes da Lava Jato, com formação em Harvard, e como The Economist resumiu no título: "Dilma, hora de ir".

Então, uma vez que Rousseff foi removida, implementar um plano de choque neoliberal - eufemisticamente rotulado pelo novo presidente Michel Temer como a "ponte para o futuro" - com privatizações aceleradas, liquidação de ativos brasileiros para investidores internacionais, austeridade draconiana e desregulamentação do mercado de trabalho. Os mercados responderiam e a confiança voltaria. Uma recuperação econômica liderada pelo setor privado lançaria as bases para uma bem-sucedida campanha presidencial do Partido Social-Democrata Brasileiro (PSDB), de centro-direita, apoiado por todos os analistas sensatos de São Paulo, Wall Street e Washington. Lula, sempre uma ameaça devido àquele maldito carisma, seria levado para a prisão. Um governo do PSDB, liderado pelo governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, colocaria o Brasil de volta no caminho neoliberal na medida em que a maré rosa da América Latina da década anterior recuasse. Em 2014, isso soou como um plano.

Na semana passada, quando um novo conjunto de pesquisas de opinião apontava para um segundo turno entre o direitista Jair Bolsonaro e o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, candidato do presumido-falecido PT, o plano estava definitivamente em frangalhos. (O primeiro turno das eleições será realizado em 7 de outubro; se nenhum candidato receber mais de 50%, um segundo turno está marcado para 28 de outubro. Os eleitores elegerão não apenas um novo presidente e vice-presidente, mas também governadores e legisladores.) Alckmin está comendo poeira nas pesquisas. Ele está pelo menos 10 pontos atrás de de Bolsonaro e, em um eleitorado que ainda se divide entre direita e esquerda, é altamente improvável que ambos possam progredir para o segundo turno. O senador do PSDB Tasso Jereissati anunciou publicamente em 12 de setembro: “Cometemos alguns erros monumentais: não aceitar o resultado das eleições de 2014 foi um deles (sempre fomos um partido que defende instituições e respeita a democracia); apoiar o impeachment [de Dilma] foi outro e entrar no governo de Temer, um terceiro”.

Uma rápida pesquisa sobre o panorama da campanha eleitoral a menos de três semanas antes do primeiro turno mostra quão fidedigna pode ser a admissão de culpa de Jereissati. A estratégia das elites tornou-se um tiro pela culatra. O apoio a Lula cresceu de 15% para 40% desde 2016 e parece ter sido impulsionado por seus cinco meses de prisão. A taxa de rejeição do juiz Sérgio Moro, um super-herói no retrato da mídia, é agora maior do que a de Lula, o homem que ele colocou na prisão. O impeachment de Dilma agora é considerado retrospectivamente por uma grande parte do eleitorado como um golpe de Estado. O golpe  também impulsionou a ascensão de Bolsonaro, iniciada por grandes comícios de direita, coreografados pela mídia da Globo e pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), cujo gigante pato inflável liderou as marchas na Avenida Paulista.

No que diz respeito ao apoio internacional, Lula acumulou muitos recentemente, ajudado por seu editorial no The New York Times e um apelo do Comitê de Direitos Humanos da ONU para que ele possa concorrer como candidato. O plano de direita para a recuperação econômica está morto. Enquanto os mercados receberam bem o fim de Dilma, a lua de mel foi seguida por estagnação, com o desemprego agora em níveis recordes e a pobreza em alta novamente. O PIB caiu 7% entre 2014 e 2017 e a renda familiar média em 14%.

O investimento privado não se recuperou, como previa o plano das eleites, e foi na verdade atingido pelo colapso do investimento público. Os gastos do consumidor despencaram, à medida em que a frágil nova classe média que surgiu durante a presidência de Lula encara a pobreza mais uma vez. A austeridade - previsivelmente, dada a experiência da Europa - simplesmente consolidou a recessão, ao mesmo tempo em que reverte o progresso do Brasil no combate à pobreza. A mortalidade infantil aumentou 5% em 2016, e o Brasil fica atrás da Venezuela no cumprimento das metas de desenvolvimento humano.

O ministro da Fazenda de Temer, Henrique Meirelles, mostrou-se audacioso o suficiente para decidir concorrer às eleições, mas tem uma taxa de apoio de apenas 3%. Seus anúncios eleitorais mudaram recentemente, ressaltando sua posição de presidente do Banco Central durante o governo Lula de 2005. É até cômico assistir. “O que aconteceu é que grande parte do eleitorado achava que o PT era o partido culpado pela recessão. A popularidade de Lula atingiu o ponto mais baixo no auge da recessão, mas na medida em que a economia estagnou, as pessoas estão lembrando os anos de bonança com Lula e seu apoio cresceu ”, diz Josué Medeiros, cientista político da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

A estratégia de Lula-Gramci encarcerado, coordenando de sua cela a tarefa aparentemente impossível de reconstruir o apoio ao PT, contrasta com o plano das elites, gestado em salas de diretoria e restaurantes de luxo. Como Lula previu, a transferência de votos para Haddad agora parece bem encaminhada. Na última pesquisa do Ibope, o apoio de Haddad mais do que dobrou em menos de uma semana, para 19%, atrás apenas dos 28% de Bolsonaro. Em uma carta lida em voz alta na vigília do lado de fora da prisão de Curitiba, onde Lula está sendo realizada, o líder histórico da esquerda brasileira declarou: "Lula agora é Haddad".

“Eu considerava Lula um gênio político; depois do que ele fez na prisão, acho que ele é um mago ”, disse Aldo Zaiden, psicólogo de São Paulo.

Em um segundo turno com Bolsonaro, Haddad, ex-ministro da Educação de Lula, seria o favorito, já que a taxa de rejeição de Bolsonaro é enorme (mais de 40%). Mas no Brasil, isso significaria a perspectiva, horripilante à direita, de outro governo do PT apenas três anos depois que os bancos e líderes empresariais alertaram ameaçadoramente sobre um "caminho bolivariano" no Brasil. Apenas outro candidato, Ciro Gomes, parece ter alguma chance de derrotar Haddad e, assim, ir com Bolsonaro no segundo turno. Mas Gomes pode oferecer pouco conforto às elites. Ele é um nacionalista de esquerda que se opõe ferozmente à austeridade e à privatização e até se comprometeu a bloquear a anunciada venda da fabricante de aviões brasileira Embraer à Boeing.

Marina da Silva, um possível último recurso para a elite brasileira e investidores internacionais, graças à sua mistura original de política econômica neoliberal e proteção ambiental, está perdendo apoio em mais uma corrida eleitoral, em sua terceira tentativa na presidência

O fracasso catastrófico do plano do establishment paulista de apagar o PT da política brasileira levanta uma questão intrigante: com Meirelles e Alckmin rastejando nas pesquisas, as elites e os mercados globais de investidores em países emergentes irão mudar seu apoio rumo à figura extremamente desagradável de Jair Bolsonaro? Embora os alertas de fascismo iminente possam ser exagerados nos Estados Unidos e na Europa, no Brasil a ameaça Bolsonaro está preocupantemente próxima da realidade. Ele defendeu abertamente a necessidade de intervenção militar e nomeou o recentemente general aposentado Hamilton Mourão como candidato a vice-presidente. Em referência à corrupção, Mourão defendeu publicamente a intervenção das Forças Armadas para “resolver a questão política” que o Brasil enfrenta agora.

A frase de propaganda de Bolsonaro sobre o complexo problema criminal do Brasil é "o melhor bandido é um bandido morto". Após seu esfaqueamento quase letal no início de setembro, Bolsonaro foi fotografado fazendo um gesto de pistola com dois dedos de sua cama de hospital. Ele também é cruelmente homofóbico e misógino; ele disse a uma deputada do PT durante o processo de impeachment: “Você é muito feia para ser estuprada”. Apesar disso, ele pode ser a única opção para os neoliberais. "Estamos agora em uma nova fase do neoliberalismo fascista", argumentou o sociólogo francês Christian Laval na última sexta-feira, em uma reunião eleitoral realizada pelo Partido do Socialismo e da Liberdade (PSOL), a alternativa de esquerda de Guilherme Boulos ao PT. Isso impressionou o público do Rio de Janeiro, ainda se recuperando da perda da vereadora de esquerda Marielle Franco, que foi morta a tiros em março passado. Enquanto os juízes da Lava Jato se moveram com pressa incomum contra Lula, os assassinos de Franco ainda estão à solta.

A domesticação de Bolsonaro já pode estar em andamento. Paulo Guedes, seu assessor econômico formado pela Universidade de Chicago, persuadiu o candidato a dispensar seu anterior apoio de traço nacionalista a empresas estatais como a Petrobras. Bolsonaro é agora um privatizador radical. Wall Street e o establishment dos EUA estão dando uma mãozinha. Guedes, um dos “garotos de Chicago” que trabalhou no Chile durante a ditadura de Pinochet, ajudou Bolsonaro a se relacionar com investidores e analistas dos mercados emergentes nos Estados Unidos. Bolsonaro visitou Nova York no ano passado, onde foi entusiasticamente recebido por Shannon O'Neil no Council on Foreign Relations. O'Neil não teve escrúpulos em discutir política com um neofascista brasileiro, mas, como John Ackerman observou em um artigo em The Nation, ela, ao contrário alertou com dureza sobre o suposto perigo para os interesses americanos de Andrés Manuel López Obrador, que em breve será empossado como novo presidente do México.

Os mercados financeiros parecem estar chegando à ideia de uma presidência de Bolsonaro como a única alternativa ao PT. Esta percepção aumentou à medida em que as pesquisas de opinião favoreceram Bolsonaro. O crescimento de Haddad na semana passada provocou alarmes. Obviamente, Alckmin é o verdadeiro favorito dos investidores globais, o que pode explicar o salto nos preços das ações e da moeda brasileira quando foram divulgadas as notícias sobre o esfaqueamento de Bolsonaro - os mercados talvez esperassem que o ataque se mostrasse letal. Mas agora que ele não está apenas se recuperando, mas seus índices estão se fortalecendo, há sinais de que ele está ganhando o apoio da elite. "A força de Bolsonaro parece agradar aos investidores", disse Álvaro Bandeira, economista-chefe da corretora Modalmais. Enquanto isso, os entrevistadores da Rede Globo eram visivelmente menos agressivos com Bolsonaro em sua campanha na TV do que com Haddad.

Curiosamente, Haddad, um acadêmico da escola negócios de elite Insper, é na verdade um moderado e, como Lula em 2003, estaria aberto a buscar um modus vivendi com os mercados financeiros. Esta é provavelmente a razão pela qual Lula o escolheu como seu sucessor. "Haddad reformaria o sistema previdenciário (considerado essencial para a estabilidade fiscal pelos investidores)", disse Marcelo Mitterhof, do BNDES. “No Insper, ele teve a oportunidade de conhecer a elite de São Paulo.” Afinal, Lula coabitou muito bem com as megaempresas brasileiras e os gestores de fundos de mercados emergentes durante os oito anos de sua presidência. Ele se gabava nos anos do boom econômoico que era o favorito tanto nas favelas quanto na comunidade de investimentos.

Mas a massiva redistribuição de renda para os intocáveis ​​do Brasil - 40 milhões foram extraídos da pobreza extrema, e outros milhões foram levados, ainda que brevemente, para a classe média baixa - enviaram ondas de choque através do sistema de privilégios permanentes no Brasil. Isso não pode ser facilmente perdoado nem pela elite nem pela classe média tradicional, cujos rendimentos não aumentaram à mesma taxa dos pobres durante os governos do PT de Lula e sua sucessora, Dilma Rousseff. As reformas radicais da educação de Haddad, entre 2005 e 2012, trouxeram milhões de jovens da classe trabalhadora para as universidades. Ele aumentou o investimento em educação de 4% do PIB para 6%, concentrando-se em famílias de baixa renda. Isso levantou a possibilidade de uma revolução social no Brasil, que os privilegiados não querem aceitar.

O dilema para quem exerce poder há tanto tempo no Brasil é real, diz o cientista político Medeiros. Haddad representa o PT, por mais razoável que pareça ser. A base organizacional da esquerda pode ser revigorada por uma vitória de Haddad e talvez até por um triunfo de Gomes também. “Há um cenário em que a esquerda poderia se mobilizar para deter as reformas que os mercados querem”, diz Medeiros. Isso não seria uma perspectiva feliz para os homens de terno na Avenida Paulista, nem para aqueles nas salas de comitês clandestinos do Congresso corrupto de Brasília. Por outro lado, apoiar Bolsonaro revelaria a verdadeira natureza da elite brasileira, cuja hegemonia desde a junta militar que deixou o poder há três décadas, dependia de seu aparente compromisso com a democracia liberal e um contrato social. Quando Bolsonaro observou durante sua entrevista à Globo que a emissora apoiado a o golpe militar (1964-1985), a rede teve que transmitir um esclarecimento que não o faz mais. Elaborar o próximo plano para as elites exigirá um gênio. Mas Lula está na prisão.

Andy Robinson is a reporter for the Barcelona daily La Vanguardia. Now on assignment in Latin America, he is the author of the book Un Reportero en la Montaña Mágica, on Davos and inequality.
No The Nation
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O último jogo sujo contra Haddad


A cena é comum nos finais de filmes de terror. O herói, após derrotar finalmente a ameaça, corre para dar o abraço redentor em sua amada, finalmente a salvo. A plateia, finalmente relaxada, aguarda o término da película, que parece ter chegado ao fim. No entanto, surpreendendo a todos, o vilão reaparece para um último ataque em uma técnica de "jump scare", dando um susto no expectador, antes de levar o golpe de misericórdia e desfalecer definitivamente. O "último susto" é uma técnica exaustivamente repetida porque funciona. A falsa sensação de vitória ludibria a plateia, que é pega de surpresa pelo diretor. No terror particular que são as eleições brasileiras, há que se saber que o golpe dará uma última investida contra a candidatura do PT, pretendendo dar bem mais que um susto no partido. Não é momento de distração: golpe ainda mostrará sua garra mais afiada.

Prender Lula injustamente e o impedir de concorrer não foi suficiente. Fernando Haddad vem subindo vertiginosamente nas pesquisas se fortalecendo como provável adversário do candidato fascista no segundo turno, se credenciando ao maior cargo do país, pela confiança do povo brasileiro e pela rejeição de seu provável opositor. No entanto, não é nem um pouco razoável imaginar que o golpe, depois de tantas investidas contra o PT, resolvesse aceitar esse panorama sem uma ofensiva final, e já é possível prever o caminho. A delação de Palocci realizada estrategicamente nesse mês eleitoral e onde, novamente de forma estratégica, o ex-Ministro mudou sua versão, de acordo com o roteiro do golpe. O vazamento de uma delação sem provas é um provável jogo sujo a ser usado. Outra tragédia anunciada é a exploração midiática de Adélio Bispo de Oliveira, o autor da facada em Bolsonaro.

O SBT, rede de televisão de Sílvio Santos, que apoiou o governo golpista de Temer e já se posicionou diversas vezes contra o PT nos últimos anos, promete exibir uma entrevista com o réu confesso a apenas 2 dias as do primeiro turno das eleições, no dia 5 de outubro. A entrevista, que já foi autorizada pela Justiça Eleitoral, fará parte do trabalho investigativo do jornalista Roberto Cabrini, que apresenta uma série investigativa sobre o atentado. A entrevista pode ser a última investida de peso do golpe, já que os seus efeitos não poderão ser sanados até o dia da votação. A bala de prata (ou seria melhor pensar em faca de prata) da mídia parece ter o mesmo potencial que a edição do debate e o sensacionalismo sobre Lurian teve em 1989, ou o efeito pretendido na famigerada edição da Revista Veja "eles sabiam de tudo", distribuída gratuitamente antes do pleito de 2014.

O TSE está realizando julgamentos ao vivo na TV justiça, duas vezes por semana, sobre possíveis infrações eleitorais nas campanhas dos presidenciáveis. Na última sessão da Corte, foi no mínimo curioso assistir 7 togados, incluindo Rosa Weber, Fachin e Alexandre de Moraes (que substituía Barroso) discutindo se uma piada de um humorista que se denomina "Catarro de Deus" cometia ou não algum crime eleitoral, ao fazer uma piada sem graça e batida com alguns candidatos, como se aquilo tivesse algum valor eleitoral. A entrevista com o suposto terrorista, no entanto, parece não ganhar a mesma atenção da Corte que sinaliza para a realização de vista grossa para um anunciado crime eleitoral, que não haverá tempo para reparação. O golpe não aceitou a possível derrota. Ainda vai atacar. Dar um último susto na democracia. Nem que para isso, favoreça o fascismo.

Guilherme Coutinho, Jornalista, publicitário e especialista em Direito Público. Autor do blog Nitroglicerina Política
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Em pesquisa do BTG, Haddad cresce e se consolida no 2º turno


Pesquisa do instituto FSB contratada pelo Banco Pactual e divulgada na madrugada desta segunda (24) indica que a disparada de Haddad continua e ele está consolidando sua posição para o segundo turno. O salto de Haddad é impressionante: foi de 8% em 08 e 09 de setembro para 16% (15 e 16 de setembro) e agora chega a 23%, com o campo feito no sábado e domingo. Um salto de 15 pontos percentuais em duas semanas. Bolsonaro manteve-se com os mesmos 33% da semana passada. Ciro caiu de 14% para 10%; Alckmin subiu de 6% para 8%; Marina manteve-se com 5%; Amôedo e Meirelles têm 3% cada um, Álvaro Dias tem 2% e os demais não pontuaram.

A disparada de Haddad acontece também na pesquisa espotânea. Em duas semanas ele saltou de 3% para 17%. Bolsonaro subiu um ponto, para 31%. Ciro caiu um ponto para 7%, Alckmin tem 4%. Marina e Amôedo têm 2% cada.


A pesquisa foi feita por entrevistas telefônicas, realizadas por entrevistadores por meio de telefones fixos e móveis, nos dias 22 e 23 de setembro de 2018. Esta é uma diferença em relação às pesquisas dos institutos DataPoder e Ipesp, que são feitas por telefone e eletronicamente. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número BR-03861/2018. A supervisão técnica do levantamento é de Gustavo Venturi, professor doutor do Departamento de Sociologia da USP e ex-diretor do Datafolha. A pesquisa pode subestimar o potencial de Haddad, porque os 10% mais pobres do país não são atingidos nos levantamentos telefônicos - e é maior o apoio ao candidato de Lula quanto mais pobres os pesquisados.

Um aspecto relevante da pesquisa é a afirmação de voto "definitiva" pelos eleitores. Elas estão no mesmo nível para Bolsonaro e Haddad (86% e 84% respectivamente) e cai muito para os demais candidatos. No caso de Ciro, este número cai para 58% e no de Alckmin para 56%.

No segundo turno, Haddad saltou de 38% para 40% em uma semana e Bolsonaro caiu de 46% para 44%. Ambos têm o mesmo índice de rejeição: 48%. 

Veja a seguir a íntegra da pesquisa.

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Cresci com Bolsonaro - um depoimento


Eu cresci com Bolsonaro. Não metaforicamente, literalmente. Cresci no mesmo prédio em que ele e a família moravam, na Tijuca, zona Norte do Rio de Janeiro. Eles habitavam o apartamento 503, nós, o 1202. Sete andares de diferença e uma coisa em comum: o Botafogo.

Tenho poucas lembranças do Bolsonaro pai - em parte, porque ele já morava oficialmente em Brasília e passava pouco tempo no Rio. Mas convivi por muitos anos com seus filhos Flávio, Carlos (Carluxo) e Eduardo (Duda) - que hoje ocupam cargos políticos.

O Carluxo (filho do meio) eu entrevistei pra um trabalho da escola, em 2001. Ele era o vereador mais jovem do Rio de Janeiro. Se não me falha a memória, foi eleito aos 17 anos - não por mérito da sua campanha, obviamente, mas por carregar o nome do pai. Foi a primeira e a única vez em que eu entrei no 503, com um gravador na mão e uma fita cassete reserva no bolso, pra caso a entrevista se estendesse. Do conteúdo eu lembro pouco, mas guardei o que ele dizia sobre a necessidade de se esterilizar a população mais pobre - “vasectomizar os homens, ligar as trompas das mulheres”. Isso sim, na visão dele à época, resolveria a questão da pobreza. Não sei se pensa o mesmo hoje em dia. Dos filhos políticos de Bolsonaro, o Carlos é o que menos aparece publicamente. Sempre me pergunto o porquê.

O Duda era da minha idade. Estudava no Palas, onde eu também tinha estudado. Frequentava o Brasas, curso de inglês onde eu também fazia aula. Vez ou outra, íamos juntos para o curso, trocando ideia sobre bandas de rock e nicknames engraçados no ICQ. Antes de ficar careca, ele tinha o cabelo do Nick Carter (loirinho, de tijela), andava de Reef, tinha um estilo skatista/surfista e muitas amigas minhas sonhavam uma chance com ele. Eu não queria mais do que companhia pra ir ao curso de inglês - a Tijuca naquela época não era exatamente o lugar mais seguro do Rio de Janeiro. Hoje, continua não sendo.

Aquele prédio era o fervo do bairro no início dos anos 2000. Lá, acontecia de tudo. Tão de tudo que passaram a fechar o playground depois das 22h para coibir a venda e o consumo de drogas - colocaram câmeras nas escadas, passaram chave no elevador, criaram um sistema com seguranças que faziam ronda de tempos em tempos.

Quando a Vice fez recentemente uma matéria com fotos dos Bolsonaros-filhos adolescentes, eu sabia o nome de todas as pessoas de todas as fotos (e seus respectivos apartamentos). A galera deles não era a minha, mas crescemos juntos, fizemos colônia de férias juntos, íamos à mesma piscina, jogávamos na mesma quadra, pegávamos o mesmo elevador, frequentávamos a mesma academia, tínhamos o contato um do outro no ICQ e ocasionalmente nos encontrávamos a caminho do Maracanã pra ver o Botafogo jogar.

Flávio, Carlos e Eduardo não moram mais lá, mas a mãe deles ainda mora. Eu também não moro mais lá, mas minha mãe sim. Talvez isso seja a única coisa que temos em comum hoje, já que nem botafoguense me considero mais. Mas o que me choca nessa história foi eles terem se tornado as pessoas que se tornaram.

Na época pré-redes sociais, era mais difícil saber o que as pessoas pensavam. A opinião pessoal não era ofertada abertamente, a não ser que você ligasse pelo interfone e pedisse uma entrevista pra um trabalho da escola. Talvez o Bolsonaro-pai fizesse piadas de mal gosto já naquela época, mas o meu pai, com quem ele trocava ideias sobre o Botafogo, não levasse a sério. Posso ver meu pai dizendo “ah, Jair, só você” pra encurtar a conversa.

É fácil detestar Jair Bolsonaro com base na figura pública que ele é hoje. O difícil pra mim é saber que eu não o detestei desde sempre. Que, aliás, talvez tenha até gostado dele e dos filhos dele em alguma medida, mesmo que seja na medida mínima de pessoas que moram no mesmo prédio que você e você cumprimenta no elevador, ou pra quem você segura cordialmente a porta, se vir chegando na portaria. A pessoa dá aquela corridinha, agradece, e vocês falam sobre o tempo (ou o Botafogo) enquanto não chega o quinto andar.

Hoje, efetivamente, não sei o que faria se estivesse no mesmo elevador que Jair Bolsonaro. Ou Flávio. Ou Carlos. Ou Eduardo. Talvez surgisse uma vontade imensa de perguntar: “O que aconteceu? Vocês sempre foram assim? Quando foi que se tornaram fascistas?”

Na verdade, essas são perguntas que eu gostaria de fazer a um sem-número de pessoas que eu conheço e que declaram apoio às ideias de Bolsonaro. Pessoas com quem convivo, pessoas com quem já almocei no domingo, pessoas com que já participei de amigo-oculto no Natal. Sempre foram intolerantes? Quando passaram a aceitar a misoginia, a homofobia, o racismo? Quando foi que passaram a apoiar a barbárie?

Quem cogita votar em Bolsonaro “apesar do que ele diz” ignora que os fundamentos básicos do jogo político são discursivos. O que ele diz não está apartado da forma como ele faz política, ao contrário, é a essência daquilo que ele quer construir. Hitler não só dizia que os judeus eram inferiores, ele criou todo um sistema para exterminá-los.

Há quem acredite que existe um tanto de exagero nesta comparação: “nunca chegaríamos a esse ponto no Brasil”. Mas se você aprofundar a discussão mais um pouquinho, vai ver que não estamos tão longe. Somos um dos países que mais matam mulheres, LGBTs e negros no mundo. Curiosamente os “cidadãos de bem” não morrem na mesma proporção - mas estão convencidos de que o fascismo e a barbárie podem ser um preço justo para que eles possam se proteger (da crise financeira, da violência, da corrupção). Não, não são.

Quem apoia Bolsonaro não o faz porque o considera tecnicamente a melhor opção - ele dá amplas demonstrações do seu despreparo para lidar com todas as agendas estratégicas do país. Todas. Também não dá pra acreditar que seja porque “ele não é corrupto”, “ele não é o sistema”, “ele é o novo” - sabemos da sua ficha corrida e não é exatamente limpa.

Acredito francamente que os apoiadores de Bolsonaro julguem que o Brasil precisa de uma mudança radical - e que a mudança radical vai se alcançar por meios radicais. Essa talvez seja uma impressão justa, ao mesmo tempo que é erro de cálculo brutal.

Bolsonaro não tem capacidade de nos salvar. Ao contrário, seu radicalismo pode nos jogar na maior crise que já vivemos: a crise de humanidade. Esse não é um custo viável. Se perdermos a nossa humanidade, não nos restará absolutamente mais nada a perder. Vale dizer que a economia da Alemanha prosperou durante os anos de Holocausto. Mas ao fim da era Hitler, não restava mais nada aos alemães além de um grande senso de profunda vergonha nacional.

Ainda não sei em que momento os fascistas se tornam fascistas. Mas eu sei o momento em que isso se traduz em barbárie: quando chegam ao poder.

Fica, então, o recado. Se você não tiver um pingo de humanidade correndo pelas veias, se não puder aprender em nada com a História, não adianta nem correr: você não vai entrar nesse elevador.

Mariana Ribeiro
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Xadrez das tacadas finais antes do 1º turno


Indício 1 – a manipulação recorrente na véspera das eleições

Na véspera das eleições de 2014, a revista Veja produziu uma matéria falsa, de capa, com supostas informações de que Lula e Dilma teriam participado dos esquemas de propinas para financiamento de campanha. Foi uma jogada articulada em que, adicionalmente à revista, foram impressas e distribuídas milhões de capas da revista.

Tratava-se claramente de um crime eleitoral. No jantar da posse de Dilma Rousseff, compartilhei uma mesa com o Procurador Geral da República Rodrigo Janot. Indaguei se não seria tomada nenhuma providência em relação ao vazamento. Dois crimes teriam sido cometidos: o suposto vazamento de uma delação mantido sob sigilo; e a manipulação da declaração.

Janot tirou o corpo, alegando que provavelmente o vazamento foi produzido pelos advogados do réu. E ai? Cometeu crime do mesmo modo. O MPF não iria apurar? O PGR mudou de assunto.

Há um histórico de manipulações midiáticas nas vésperas de cada eleição. Relembrando as mais notórias
  1. Sequestradoras de Abilio Diniz aparecendo nas fotos com camisas do PT, enfiadas neles pela Polícia.
  2. Armação da Lunnus, que acabou com a candidatura presidencial de Roseane Sarney, envolvendo José Serra, procurador da República, delegado da Polícia Federal e Globo.
  3. Episódio dos aloprados nas eleições de São Paulo, envolvendo Polícia Civil, José Serra e Globo e valendo-se do mesmo cenário, de notas arrumadas em pacote servindo de fundo para a gravação.
  4. Bolinha de papel, na encenação grotesca de José Serra, envolvendo Serra e Globo..
  5. Operações com estardalhaço na AP 470 e na Lava Jato, sempre em fases decisivas do período eleitoral, aí mostrando a participação direta do MPF e da PF, e não mais ações isoladas, como a da Lunnus.
Portanto, tem-se um padrão claramente definido, nas eleições brasileiras, possível dentro de um ambiente de cartelização da mídia, de criação de factoides visando interferir indevidamente nas eleições.

Indício 2 – os factoides de 2018

Há dois factoides possivelmente sendo guardados para a reta final das eleições: ou do 1º turno ou do 2º turno, tal a confusão de possibilidades.

Um, é a undécima repetição da delação de Antônio Palocci, agora pelo Ministério Público Federal do Distrito Federal, o mais partidarizado depois de Curitiba. O STF (Supremo Tribunal Federal) já havia começado a questionar o escândalo de delações declaratórias, sob pressão, sem a apresentação de provas.

A Lava Jato cozinhou o  “espertíssimo” Palocci em banho-maria. Fê-lo dar declarações autodesmoralizantes, seguindo o script de um brilhante roteirista curitibano – que incluiu até um “pacto de sangue” entre Emilio Odebrecht e Lula na conversa. Palocci pagou na frente e não levou. Os procuradores já tinham obtido o que queriam – manchetes jornalísticas contra o adversário político

Agora, repete-se o jogo. Palocci entrega na frente, procuradores e delegados atropelam os regimentos e divulgam para a mídia, o CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) aceita de forma complacente e atinge-se novamente o objetivo.

O segundo factoide é Adélio Bispo de Oliveira, o estaqueador de Bolsonaro.

Há uma série de fatores que conduzem a narrativas opostas, ambas perigosas:

Fator 1 – seu isolamento na cadeia, inclusive longe do contato com seus advogados.

Fator 2 – ainda não se saber quem banca os advogados e como apareceram no local em cima do fato.

Fator 3 – a atuação do delegado Francesquini (maior representante da ala barra-pesada da PF) pretendendo impedir entrevistas agora.

Fator 4 – a informação de que o juiz autorizou entrevista de Adélio à revista Veja na 6ª feira anterior ao dia da eleição.

Fator 5 – a primeira etapa das investigações constatou que Adélio agiu sozinho, tem problemas mentais e todos os indícios confirmam sua versão, a maneira como soube da visita de Bolsonaro a Juiz de Fora, seu aprendizado com facas em açougues etc. Em suma, nenhum indício de participação de outras pessoas. Mas, agora, anuncia-se o encerramento da primeira parte da operação e a abertura de uma segunda rodada, visando apurar a existência ou não de uma ação articulada.

A alegação do delegado Francesquini , para impedir a entrevista agora, foi a de não permitir que Adélio fale alguma coisa que prejudique Bolsonaro. Pode ser que sim.

Mas pode ser também para que não comprometa ou tire o impacto da última entrevista, onde poderia apresentar outra versão, em desenvolvimento até 6ª que vem, visando incriminar o PT e Lula. Do mesmo modo, o republicanismo exemplar das investigações da PF, até agora, pode ser apenas uma estratégia de despiste para o lance seguinte.

Em 2014, depois de intensa discussão, o Jornal Nacional não bancou a capa da Veja.

Agora, se tem a mesma revista, esvaindo em sangue, com dificuldades enormes em caixa, e com a possibilidade de interferir novamente nas eleições.

Para a última edição antes da votação do 1º turno, a revista tem dois materiais:
  1. A delação de Antônio Palocci aos procuradores do Distrito Federal. Esse material está há algumas semanas com ela. A demorar em divulgar ou se prende a negociações com alguns dos atingidos (BTG Pactual) ou visando soltar em cima das eleições.
  2. Na 6ª feira, a entrevista com Adélio, sabendo-se da histórica  capacidade da revista de manipular fatos.
Junto a isso, uma grande dificuldade financeira.

As saídas possíveis

No seu período de presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Ministro Luiz Fux ameaçou as fakenews com os dardos do Olimpo. Envolveu ABIN, Polícia Federal, Ministério Público em uma equipe destinada a combater “antecipadamente” os boatos. E garantiu que eleição que fosse conquistada com notícias falsas seria anulada.

Deixemos as jactâncias de lado para analisar o que se apresenta.

Há a possibilidade concreta de um enorme fakenews espalhado pela mídia na véspera das eleições e, portanto, sem dar condições para que sejam desmentidos.

Há sinais concretos de que o principal instrumento de fakenews da última década, a revista Veja, está se preparando para abordar dois temas potencialmente explosivos.

Nos últimos dias, Ministros do STF passaram a criticar abertamente vazamentos e uso político das delações.

Para preservar um mínimo de seriedade dos tribunais superiores e dos Conselhos corporativos, duas medidas se fazem necessárias:

1ª Medida – a Procuradoria Geral da República (ah, bobagem!), digo o Conselho Nacional do Ministério Público expedir  uma notificação alertando para a proibição de divulgação de inquéritos ou delações, insistindo na possibilidade de crime funcional qualquer vazamento com implicações políticas.

2ª Medida – uma medida cautelar, impedindo a entrevista de Adélio na 6ª feira, devido ao pouco tempo antes da votação para que elas sejam checadas.

Luís Nassif
No GGN
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