23 de set de 2018

PF reforça: autor da facada em Bolsonaro agiu sozinho

Fica mais difícil para a Veja dar o Golpe na Eleição...


Do G1:

Polícia Federal reforça versão de que agressor de Bolsonaro atuou sozinho

Uma investigação feita pela Polícia Federal (PF) reforça a versão de que Adélio Bispo de Oliveira agiu sozinho para dar uma facada no candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, no último dia 6 de setembro em Juiz de Fora (MG).

A informação foi divulgada pelo jornal "Folha de S.Paulo" e confirmada pelo G1 junto à assessoria da PF.

Um dia após o crime, o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, disse que a PF trabalhava com a hipótese de Adélio ter atuado como "lobo solitário".

Os investigadores também afastaram a hipótese de que Adélio teria recebido pagamento em sua conta bancária para executar o ataque ao presidenciável.

(...)

No CAf



Atentado (4): Inquérito só vale concluído e assinado


“Uma investigação feita pela Polícia Federal (PF) reforça a versão de que Adélio Bispo de Oliveira agiu sozinho”, afirmou a Folha neste domingo. Segundo a Rede Globo, a informação obtida em “off” junto aos policiais que atuam no caso foi “confirmada pelo G1 junto à assessoria da PF”. Assim, a confirmação “oficial” ocorreu ao mesmo tempo em que o inquérito foi prorrogado a pedido da própria instituição.

A matéria trata de “responder” uma série de perguntas que vinham sendo feitas envolvendo, em especial, as fontes de recursos de Adélio. É positivo que, mesmo em “off”, sejam dadas respostas negativas a esses questionamentos, mas isso não permite a afirmação de que, portanto, ele “agiu sozinho”, com destaque editorial. Aliás, isso não é nenhuma novidade, e agir sozinho, por outro lado, não quer dizer que não pode ter agido sob encomenda – além de Deus.

Também estranho tem sido a postura dos mandatários do PSL, o partido de Bolsonaro, em especial do deputado federal Fernando Francischini, que tenta impedir entrevistas de Adélio. Não pelo fato em si, que é justo, mas pelos seus argumentos que apontam para uma possível utilização das entrevistas contra seu candidato, às vésperas da eleição. O deputado Francischini, notoriamente ligado à Polícia Federal, parece mover-se com a segurança de quem desconfia ou tem certeza de algo.

Ao mesmo tempo em que sua assessoria de imprensa confirma conclusões em “off” para os jornais, a Polícia Federal solicitou mais 15 dias para continuar a investigação. O pedido seguiu-se a um terceiro depoimento de Adélio, realizado sem comunicar a sua defesa que, aliás, desconhece o teor do que disse o criminoso aos policiais. O adiamento veio acompanhado da tese da divisão da investigação em duas etapas – a primeira antes do primeiro turno, e a segunda após.

Nesse meio tempo, alguns órgãos de imprensa movimentaram-se para obter autorização para entrevistar Adélio Bispo, preso em Campo Grande. O primeiro pedido a se tornar público foi de Roberto Cabrini, do SBT, que pediu para falar com o presidiário no dia 5 de outubro – dois dias antes da eleição. Também pediram autorização a revista Veja e o jornal O Globo, este último ainda sem deferimento do pedido por parte do juiz.

Se a PF, segundo a Folha e o Globo, já concluiu as investigações, qual a razão para adiar o inquérito e separá-lo em duas partes – coincidindo com os dois turnos da eleição? Também por que o juiz, Ministério Público e a própria defesa aprovaram o pedido de entrevistas, desconsiderando que Adélio faria exame de sanidade mental na sexta-feira, 21? Ainda, qual o interesse editorial do SBT, Veja e Globo em realizar entrevistas exatamente às vésperas do primeiro turno da eleição?

Tão pronta em confirmar “off”, a Polícia Federal também poderia explicar se o policial Daniel França, substituído por Antonio Marcos Teixeira, que comandava a divisão da PF que fazia segurança a Bolsonaro, já foi ou será ouvido para explicar as razões de sua ausência no local no dia do atentado? E também para esclarecer a “displicência” profissional da PF, que sequer rádios portava no momento do atentado? E também se já identificaram quem paga a banca de advogados do criminoso?

Fernando Rosa
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Nudes eleitorais

https://www.jb.com.br/colunistas/coisas_da_politica/2018/09/8799-nudes-eleitorais.html

A alta trepidação eleitoral da semana passada terminou com a divulgação da primeira pesquisa que registrou empate técnico entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT): levantamento telefônico do Datapoder360, divulgado na sexta-feira, trouxe o ex-capitão com 26% e o petista com 22%. E também pela primeira vez, na simulação de segundo turno, Haddad o derrota, por 43% a 40%. Se este quadro for confirmado por novas pesquisas, estamos num ponto crucial da disputa, que até pode estimular a corrida ao voto útil no primeiro turno, comum nas disputas entre extremos.

Neste ponto cego que o momento sugere, Haddad ganhou terreno, mas a batalha será renhida nestes 15 dias finais. A vantagem do petista no Nordeste (que garantiu as duas vitórias de Dilma) não parece ainda suficiente para suprir sua desvantagem em relação a Bolsonaro nas outras regiões e no chamado triângulo das bermudas, composto pelos estados de Minas, Rio e São Paulo. Haddad encerrou a semana visitando Minas.

Bolsonaro, ainda que não tenha caído ou se estagnado nas próximas pesquisas, encerrou a semana com saldo negativo, tanto na percepção geral como do capital, o mercado e os donos do PIB. Isso decorreu da profusão de trapalhadas que funcionaram como nudes de campanha, revelando o que realmente pensa seu núcleo duro, e como age.

O apoio do capital a Bolsonaro, ditado mais por antipetismo que por convicção, teria sido abalado principalmente pela barbeiragem do coordenador econômico Paulo Guedes, ao revelar a investidores planos tributários que o candidato jamais apresentou ao distinto eleitorado, tais como a recriação da CPMF e a criação de uma alíquota única para o imposto de renda da pessoa física. Bolsonaro desmentiu o guru pelas redes sociais e depois o defendeu, cometendo até uma distorção, em sua primeira entrevista telefônica (à Folha de S. Paulo): “A alíquota única do IR para quem ganha mais é uma boa ideia”. O que Guedes defendeu foi alíquota única para todos. Vale dizer, quem ganha pouco e quem ganha muito pagariam o mesmo. Ficou a impressão de que nem a sintonia é tão fi na entre eles, nem existe plano elaborado.

O candidato a vice, general Mourão, contribuiu com sua coleção de pérolas autoritárias, admitindo autogolpe militar e Constituição sem constituintes eleitos e chamando as famílias chefiadas por mulheres de “fábricas de desajustados”. O vice também foi enquadrado.

Um bom arranhão na imagem do candidato foi aplicado pela revista liberal The Economist, com sua matéria de capa em que o aponta como ameaça ao Brasil e ao continente. Houve ainda os ataques de Alckmin e a carta aberta de Fernando Henrique sobre o perigo dos extremos.

E para completar, soube-se que na mesma reunião em que falou da esconjurada CPMF, Guedes vendeu suas soluções autoritárias e inconstitucionais para o problema da falta de maioria parlamentar na hora de aprovar reformas.

Uma delas seria o “voto partidário programático”: se 50% de uma bancada decidir a favor de uma matéria, todos os votos do partido serão contados a favor, ainda que haja dissidências. Uma aberração, pois estaria suprimida a individualidade do parlamentar e anulada a própria representação dos eleitores que nele votaram. Guedes disse ainda aos investidores já ter discutido com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, um aumento dos porcentuais de votos exigidos pela cláusula de barreira, o que permitiria a imediata redução dos partidos com assento na Câmara, de 28 para 5. Outra aberração, que Maia até negou ter discutido. A cláusula já vigora este ano, e se for mudada, só produzirá efeitos em 2023.

Com suas sinceridades, Guedes e Mourão podem ter feito muita ficha cair. Mas, neste pleito insólito, até as pesquisas correm grande risco. O bolsonarista envergonhado, que não revela seu voto nem ao pesquisador, existe, e pode surpreender.
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“Na ditadura tudo era melhor”. Entenda a maior fake news da história do Brasil


O capitão Jair Bolsonaro acredita que a ditadura militar foi uma época dourada para o Brasil. “Era completamente diferente de hoje. Naquele tempo você tinha liberdade, segurança, ensino de qualidade, a saúde era melhor.”

Apesar de nem as vírgulas dentro dessas aspas serem verdadeiras, a lorota de Bolsonaro tem colado com certa facilidade. Não é raro encontrar jovens defendendo o regime militar. Há também os que viveram a época e garantem que tudo era melhor. Todos da minha geração tem um tio, um pai ou um avô que afirma com muita convicção que o ensino público era fantástico, que não havia corrupção, que a economia bombava e que se podia andar tranquilamente nas ruas sem medo da violência. Mas essas experiências particulares não refletem exatamente o que se passava com a totalidade dos brasileiros naquele período. A bolha do seu tio não representa o Brasil.

A verdade é que os brasileiros conhecem pouco sobre a ditadura militar instalada no país. Pesquisa Datafolha de 2008 revelou que oito entre dez brasileiros nunca ouviram falar do AI-5, o principal símbolo do período militar. O AI-5 autorizou os militares a fechar o Congresso e a cassar mandatos, suspendeu direitos políticos de todos os cidadãos, estabeleceu a censura prévia à imprensa, entre outras arbitrariedades próprias de ditaduras.

Talvez alguns considerem que esse foi o custo a se pagar para termos uma boa segurança pública, uma economia forte e uma educação qualidade. Bom, nós não tivemos nada disso. Ao fim da ditadura, os militares devolveram aos civis um país em frangalhos em todas essas áreas.  A herança maldita até hoje não foi superada e muitos dos nossos problemas atuais foram originados naquele período.

O capitão Bolsonaro e o general Mourão apostam no desconhecimento do brasileiro e se apresentam como os representantes do período militar. E até aqui estão se saindo muito bem nessa missão.

O tão falado “milagre econômico” durou apenas cinco anos entre os 21 do regime. De 1968 a 1973, enquanto o nível de repressão aumentava com o AI-5, o crescimento do PIB foi gigantesco, com média de 10% de crescimento ao ano, alcançando 14% em 1973. O que Bolsonaro e sua turma não contam é que embutido nesse boom econômico veio o boom da concentração de renda e da desigualdade social. Quando estourou a crise da dívida externa, o PIB despencou, chegando a ter índices negativos em 1981 e 1983, dando início à chamada “década perdida”.

Logo no início do regime, a inflação caiu bastante graças ao arrocho salarial, ou seja, às custas do trabalhador. Caiu de 92% para 34% no primeiro ano, mas disparou nos anos 1980, chegando em 1985 com um número espantoso de 242%. A dívida externa em 1964 era de US$ 3,4 bilhões. Em 1985, era de US$ 91 bilhões. Esse é o legado econômico que os militares deixaram para o país. E quem leu o projeto de Bolsonaro para economia tem certeza de que o futuro pode ser ainda pior.

Para o ensino público brasileiro, a ditadura também foi uma tragédia. Apesar de ter aumentado o contingente de alunos após tornar o ensino obrigatório, os investimentos em educação foram pífios. A combinação de professores com baixos salários, falta de material básico e contratação de docentes sem formação piorou consideravelmente a qualidade de ensino. No fim da ditadura, em 1982, o Banco Mundial divulgou um estudo em que o Brasil aparecia com o menor percentual de gasto público em educação da América Latina: 6,5% do PIB, aproximadamente o mesmo percentual gasto hoje. O cenário era tão miserável que, em algumas regiões, era bastante comum ter professores sem o 1º grau completo dando aula para estudantes do 1º grau.

Segundo a professora Renata Machado de Assis, da Universidade Federal de Goiás, em um artigo acadêmico sobrena estrutura física das escolas, que apresentaram condições precárias de uso; no número de professores leigos, que aumentou entre 1973 e 1983, fato que se mostrou mais grave na região Nordeste, onde 36% do quadro docente tinha apenas o 1º grau completo; e nos salários e condições de trabalhos dos professores, que sofreram um crescente processo de deterioração”.

A violência urbana também aumentou durante a ditadura. Os números da criminalidade são muito menores do que os de hoje, mas maiores do que no período anterior ao golpe. Não era a calmaria que Bolsonaro apregoa por aí. Foi justamente durante o regime militar que a criminalidade começou a aumentar. Em artigo para a Gazeta do Povo no ano passado, Maurício Brum conta como o endurecimento do regime não teve nenhum efeito na redução dos crimes. “Um caso sintomático é o de São Paulo, maior cidade do Brasil. Segundo levantamento feito pelo jornal O Estado de São Paulo em 2012, até o início da década de 1960 o índice de homicídios na cidade raramente superava 5 a cada 100 mil habitantes. Em 1985, ao final da ditadura, esses números haviam subido para 36,9. O índice seguiria subindo até o final dos anos 1990, antes de entrar em declínio – hoje a taxa de homicídios em São Paulo é de 7,4 a cada 100 mil paulistanos.” Então, pode acrescentar mais isso na conta dos militares: o alto índice de criminalidade no Brasil também é um legado da ditadura.

Nessa semana, encontrei alguns vídeos* no Youtube que ilustram bem o drama que o Brasil vivia ao final da ditadura militar. Recortei cinco trechos que mostram rebeliões em presídios, greves, corrupção, enfim, tudo aquilo que Bolsonaro garante nunca ter existido durante esses tempos de escuridão.

Globo Repórter de 31 de janeiro 1982

Procurador que investigava a Fraude da Mandioca no Banco do Brasil foi assassinado por um major. Parece mesmo que na ditadura do Bolsonaro reinava a paz e a ética na política.



Globo Repórter de 01 de janeiro de 1983 – Retrospectiva 1982

Rebeliões em presídios e trabalhadores sem receber salário apanhando por protestar. No regime militar era tudo diferente, né?





Edição do Jornal Nacional de julho de 1984

O preço do trigo e farinha nas alturas porque o FMI mandou reduzir os subsídios. Essa era a realidade da época que Bolsonaro trata como anos dourados.



Edição do SPTV do dia 26 fevereiro de 1985

A ditadura militar havia acabado de chegar ao fim. Diferentemente do que prega Bolsonaro, o caos imperava no Brasil. Greves, crise econômica e violência nas ruas. Foi assim que a ditadura militar entregou o país para os civis. A violência urbana era tão grande que o então secretário de segurança pública Michel Temer prometeu colocar mais Rota, a tropa de elite mais temida do país, na rua.



*Todos os trechos foram recortados de vídeos postados pelo canal Pedro Janov.

João Filho
No The Intercept
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Lula ou Ciro: quem é o caudilho?


Conversa Afiada publica artigo de seu colUnista exclusivo Joaquim Xavier:

Até egressos da juventude do PDS, ex-Arena, por onde Ciro Gomes trafegou no início da sua vida política, sabem que uma chapa Haddad/Ciro seria imbatível já no primeiro turno contra a reação golpista. Nem precisaria de pesquisas para isso.

Bastaria um pouco de espírito público a favor da soberania nacional, da dignidade do povo, do resgate de ideais democráticos pisoteados pelo capo Temer e sua máfia.

Isso é claro como água límpida. Que é o inverso do que acontece na política de um país educado no atraso, submetido ao primeiro endinheirado que aparece, ao primeiro gringo (genuíno ou tropicalizado) tropeçando em algo parecido com um idioma estrangeiro.

O Brasil está numa encruzilhada de que, num certo sentido, nem sequer tem culpa isoladamente. Vivemos até hoje os efeitos deletérios da crise de 2008, cujo preço se espalha mundo afora. O capitalismo baseado na especulação, na incapacidade de promover o bem-estar da humanidade, voltado essencialmente ao lucro fácil e à espoliação sem trabalho produtivo – esse sistema vem dando as cartas há décadas e disseminando a destruição.

Subjuga governos e povos inteiros, humilha o povo pobre que ao abrir sua despensa nada encontra senão grãos de farinha. As estatísticas sobre a riqueza acumulada por uma dezena de bilionários comparadas com a miséria que grassa pelo mundo economizam maiores comentários.

Há algumas maneiras de encarar este caminho traçado rumo à barbárie. Pode-se render a ele para viver das sobras da “destruição destrutiva” – numa homenagem irônica aos schumpeterianos tão caros aos economistas de aluguel. É a especialidade secular da tal elite brasileira.

Mas pode-se também resistir, em defesa da civilização, da dignidade de quem trabalha, da honra dos que suam, da soberania dos povos sobre seu próprio destino.

Parecem mundos distantes, mas é isto que está em jogo daqui a pouco, em outubro. Gente que se mete em política tem a obrigação de levar isto em conta. Principalmente quando se apresentam como lideranças capazes de travar a liquidação do Brasil.

Vamos combinar: Ciro Gomes é um vodu político. Há algo curioso em sua biografia: nunca parou em nenhum partido. E olha que andou por muitos. No mínimo, isto indica que sua capacidade agregadora é próxima a zero.

Mais curioso ainda: Ciro acusa Lula etc de caudilhos. Só que Lula tem um partido, aliás o maior do país, disposto a refletir sobre suas orientações. Já Ciro prega como um Messias: “deixem o Brasil comigo que eu ponho a casa em ordem.” Quem é o caudilho nesta história?

Tudo indica que, se houver eleições, Haddad (Lula) e Bolsonaro se enfrentarão nas urnas. Ciro tem seu papel. A essa altura, perturba a todos que enxergam o tamanho do que está em jogo que Ciro comece a ser apontado como arrimo da direita mais reacionária. E que o próprio candidato dê suas piscadinhas para essa possibilidade, como já fez ao suplicar apoio ao direitão.

Mas cada um é cada um. Sempre é tempo de mudar.

Joaquim Xavier
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Programa de Alckmin esconde que PSDB igualou o Brasil à Venezuela


O ex-governador Geraldo Alckmin mistura alhos com bugalhos em seu programa de TV e esconde que foi o próprio PSDB, segundo confissão feita há uma semana por seu antecessor na presidência do partido, o senador cearense Tasso Jereissati, que ao golpear Dilma levou o Brasil a uma situação econômica próxima à da Venezuela.

Na entrevista que concedeu ao Estadão no domingo passado, Jereissati apontou como erros do PSDB contestar o resultado eleitoral de 2014, quando o senador Aécio Neves foi derrotado por Dilma Rousseff, e enveredar em seguida com Eduardo Cunha na campanha de sabotagem ao governo que levaria à ingovernabilidade e ao golpe.

A proximidade com a Venezuela é resultado do golpe, que fez a economia do país rolar de ladeira abaixo, queimar mais de 13 milhões de empregos dos 17 milhões criados durante os quase 14 anos de governos petistas, ter PIB negativo e penar com mais inflação e desabastecimento provocados por uma inédita greve de caminhoneiros.

Nos último três anos, a situação do Brasil piorou tanto que o país foi ultrapassado até pela própria Venezuela no ranking 2018 do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) compilado pela Organização das Nações Unidas. Divulgado no último dia 19, o ranking traz o Brasil estagnado desde 2015 no 79º lugar, uma posição abaixo da Venezuela.

O IDH, como se sabe, é uma medida comparativa usada para classificar os países pelo seu grau de desenvolvimento humano e para ajudar a classificar os países como desenvolvidos, em desenvolvimento ou subdesenvolvidos. Usa dados da expectativa de vida ao nascer, educação e PIB per capita recolhidos a nível nacional.

Além da Venezuela, o Brasil tem à sua frente no ranking do IDH de 2018 países quase vizinhos como Granada, México, Cuba, Trinidad e Tobago, Panamá e Costa Rica. À nossa frente estão ainda as distantes Bósnia e Herzegovina, Sri Lanka, Geórgia, Albânia, Sérvia e Irã, países que saíram de recentes guerras e conflitos internos.

De acordo com o ranking da ONU, o Brasil só tem melhor qualidade de vida, na América do Sul, do que Equador, Peru, Colômbia, Jamaica, Suriname e Paraguai. Do outro lado do mundo, no IDH o Brasil também está à frente do distante Azerbaijão, do Líbano em permanente estado de guerra, da Armênia, Tailândia, China e Mongólia.

Geraldo Seabra
No DCM
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Crime Eleitoral — Exército em campanha para o Cel Zucco 17000 pelo PSL do honesto Bolso



SQN

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#EleNão é misógino: Ato pró-Bolsonaro no Recife compara feministas a cadelas


"Dou para CUT pão com mortadela e para as feministas, ração na tigela. As mina de direita são as top mais belas enquanto as de esquerda têm mais pelos que as cadelas", diz o principal verso de uma paródia ofensiva da música "Baile de Favela" que vem sendo cantadas por apoiadores de Bolsonaro em um ato em Recife (PE); assista


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O que cada candidato à presidência propõe para a política internacional


Segundo o plano do PT, a crise do capitalismo é responsável por um “profundo impacto negativo” sobre o Brasil e toda a América Latina

Jair Bolsonaro

As propostas para a política externa presentes no plano de governo do Partido Social Liberal (PSL), com a chapa Jair Bolsonaro presidente e general Mourão vice, intitulam-se “O Novo Itamaraty”, e são compostas apenas por oito itens.
O documento começa dizendo que o Ministério das Relações Exteriores precisa estar a serviço de “valores que sempre foram associados ao povo brasileiro”, sem citar tais valores. Também defende fomentar o comércio exterior com países que possam agregar valor econômico e tecnológico ao Brasil, mas sem citar quais países seriam esses; dará ênfase a acordos bilaterais, mas não diz quais.

O documento afirma que “ditaduras assassinas” deixarão de serem louvadas, apesar de Jair Bolsonaro argumentar que a ditadura militar no brasil não foi violenta. Democracias “importantes”, como a dos Estados Unidos, Israel e Itália, “deixarão de ser atacadas”. A integração com os “irmãos latino-americanos” que estejam livres de supostas “ditaduras” será aprofundada.

Fernando Haddad

O plano de política externa que consta no plano de governo do Partido dos Trabalhadores (PT), encabeçado pela chapa Fernando Haddad presidente e Manuela d’Ávila vice, intitula-se “SOBERANIA NACIONAL E POLÍTICA EXTERNA ALTIVA E ATIVA”. O termo “altiva e ativa” foi criado por Celso Amorim, chanceler dos governos Lula e Dilma. Ele defendia que o Brasil se colocasse como atuante e ativo no cenário internacional, o que acarretou na participação do país no BRICS e sua expoente participação no cenário internacional.

Sobre isso, consta no documento: “A política externa ativa e altiva abriu novos mercados e parcerias estratégicas com países em desenvolvimento, e promoveu a expansão dos interesses nacionais em áreas geográficas antes praticamente abandonadas pela diplomacia do período neoliberal, como Oriente Médio, África e o sul da Ásia”.

São reservadas cerca de duas páginas para a política externa; junto com o plano de governo de Ciro Gomes, são os que reservam maior espaço para o tema. “O tempo presente impõe o desafio de refundar e aprofundar a democracia no Brasil na contramão do avanço do conservadorismo no cenário internacional, do autoritarismo na América Latina, do neoliberalismo e da intolerância no Brasil”, começa o documento.

Segundo o plano do PT, a crise do capitalismo é responsável por um “profundo impacto negativo” sobre o Brasil e toda a América Latina. A resposta desses países seria a de “aprofundar os ataques contra os direitos políticos e sociais das classes trabalhadoras, e, no plano externo, aprofundar as agressões imperialistas contra a soberania nacional dos países economicamente mais frágeis e desencadear as guerras de pilhagem contra alguns países, especialmente os detentores de importantes reservas de petróleo”.

O documento ainda aponta que o governo de Michel Temer adotou uma política externa “passiva e submissa”, caracterizada por “desconstrução da integração regional, desinvestimento na vertente geoestratégica Sul-Sul, abandono da aposta em um mundo multipolar e da postura equilibrada e negociadora em conflitos regionais, destruição dos núcleos estratégicos da indústria de defesa, submissão da política de defesa aos interesses norte-americanos e alienação do patrimônio público estratégico a empresas estrangeiras”.

Os acordos comerciais feitos com países desenvolvidos criariam obstáculos para que governos nacionais e progressistas pratiquem políticas autônomas de desenvolvimento. A chapa argumenta que as mudanças no cenário internacional, com foco na Administração de Donald Trump nos Estados Unidos, mostram um esvaziamento dos organismos multilaterais e maior ênfase “à velha política de poder de ações unilaterais”. Isso, segundo o documento, apresenta grandes riscos, como “exacerbação de conflitos e ações militares unilaterais, mas também cria aberturas para um mundo mais multipolar, menos submetido à influência hegemônica de um polo de poder”.

Após essa introdução, a chapa propõe que o Brasil deve retomar e aprofundar a política externa de integração latino-americana e a cooperação sul-sul, especialmente com a África, de modo a apoiar o multilateralismo, a busca de soluções pelo diálogo e o repúdio à intervenção e a soluções de força.
O documento trás como ponto central o fortalecimento dos BRICS para reforçar o protagonismo dos países em desenvolvimento na agenda internacional. “O mundo precisa de paz. A política externa do governo Lula foi marcada pela construção da paz”, afirma o item. A assinatura do acordo nucelar com o Irã, mediada pelo Brasil e pra Turquia, além do reconhecimento do Estado da Palestina, são citados como exemplos de gestos corajosos e que incentivam o diálogo e a paz.

Serão fortalecidas, em um possível governo do PT, iniciativas como o Fórum de Diálogo Índia, Brasil e África do Sul (IBAS) e os BRICS, “que levaram à mudança de padrão nas negociações na Organização Mundial do Comércio (OMC) e à transformação do G-8 no G-20”. O plano considera ambos essenciais para “criar um mundo mais equilibrado e menos dependente de um único polo de poder, de modo a superar a hegemonia norte-americana”. O governo Haddad estará, segundo o documento, empenhado também em promover a reforma da ONU, em particular do Conselho de Segurança, assim como dos instrumentos de proteção aos Direitos Humanos no plano internacional e regional. Propõe-se também que o Brasil contribua para os avanços na formulação e participação no Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), “que possui potencial para ser um dos maiores bancos de desenvolvimento do mundo”. Por fim, defende-se que o Brasil fortaleça as relações de amizade e parceria com a África, “continente-mãe da Nação brasileira”, e com os países árabes, “com os quais mantemos interesses comuns e relações amistosas”.

“O Presidente Lula é referência mundial no combate à fome e à pobreza. O governo Haddad fortalecerá o diálogo mundial pela construção da paz e retomará a cooperação nas áreas de saúde, educação, segurança alimentar e nutricional, entre outras, em especial com países latinos e com a África. O Brasil também voltará a ter presença ativa no Sistema Internacional de Direitos Humanos”, promete o item do partido.

Ciro Gomes

Dentro do item doze no plano de governo do Partido Democrático dos Trabalhadores (PDT), que tem como chapa Ciro Gomes para presidente e Kátia Abreu como vice, há um subitem reservado para a política externa. 

“A política exterior precisa servir a nossos interesses e a nossos valores”, começa o artigo, para ampliar, “através de um projeto nacional de desenvolvimento”, o espaço nas negociações políticas e comerciais globais, “incluindo aquelas que se referem a mudanças climáticas e ao desenvolvimento sustentável”. Nesse plano, os acordos comerciais devem priorizar o acesso a novas tecnologias e mercados. 

O plano do PDT também defende que uma potência emergente como o Brasil precisa fortalecer sua posição dentro da ordem mundial existente em colaboração com seus parceiros e amigos. “O Brasil é necessariamente potência revisionista: não se contenta com uma ordem global que estreita a margem para os experimentos e as inovações institucionais exigidos pelo projeto nacional de desenvolvimento”; segundo o plano, a política exterior brasileira “deve ser mais do que independente, ela deve ser transformadora”. Há uma defesa para o máximo de abertura econômica e cultural. 

O documento também dá ênfase para a importância de reforçar a relação com os outros BRICS e a união com os outros países da América Latina (por meio do Mercosul, da União Sul-Americana): “Um dos melhores instrumentos que temos para trabalhar pela revisão da ordem atual do mundo é o movimento BRICS”. Além disso, o projeto defende o fortalecimento da relação com os Estados Unidos, por meio de parcerias com grandes empresas de tecnologias norte-americanas, para promover inovação produtiva, científica e tecnológica. Este item ressalta: “para poder construir tais parcerias com os Estados Unidos, o Brasil precisa ganhar independência dos Estados Unidos em tecnologias de comunicação e defesa. Para ser parceiro, não pode ser protetorado”. 

O plano de Ciro Gomes também dá foco às relações do Brasil com a China e com a África. No caso da China, defende o “desenvolvimento e reconstrução” da relação, “condicionando o avanço da presença chinesa no Brasil à colaboração com nosso governo e nossas empresas na qualificação produtiva e tecnológica, inclusive de nossa agricultura, pecuária e mineração”. Ressalta a “recusa à relação neocolonial, quer com a China quer com os Estados Unidos”.

Em relação à África, o projeto propõe a “reconstrução de nossa relação com a África em bases generosas que façam justiça à condição do Brasil como maior país africano fora da África e que deixem de atrelar nossa política africana aos interesses de empreiteiras”. 

Cada acordo com cada país deverá “servir ao objetivo de colocar o Brasil no rumo da economia do conhecimento não só na manufatura avançada, mas também nos serviços intelectualmente densos e na agricultura de precisão”. Além disso, defende-se o “estímulo ao debate nacional” em relação a posição do Brasil no mundo. 

Marina Silva

O plano de política externa da Rede, com a chapa Marina Silva presidente e Eduardo Jorge vice, possui uma página e meia dedicada ao assunto dentro do plano de governo, intitulada “POLÍTICA EXTERNA COMO POLÍTICA DE ESTADO”. “A política externa deve ser uma política de Estado, orientada por princípios e valores, como a defesa dos direitos humanos, da democracia, da autodeterminação dos povos e da não-intervenção, sem sujeição a relativizações de cunho ideológico” lê-se no documento.

O documento exalta que, em um governo da Rede, a política externa teria como principais pilares o compromisso com o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável, a promoção da paz e da cooperação internacional. O documento defende o reforço dos laços com a ONU e outros organismos multilaterais e regionais, além do ingresso do Brasil no Conselho de Segurança. 

Para a chapa, a política externa deve ser “realista e transformadora”, “sem viés ideológico”. Para tanto, o Brasil deve estar “cada vez mais conectado às regiões e correntes dinâmicas da economia mundial e às cadeias globais de valor”, abdicando do protecionismo. O item defende a modernização do Mercosul para depois negociar eventuais parcerias com a União Europeia, além de avançar na relação com a Aliança do Pacífico. 

Defende-se a promoção do aumento da interdependência econômica, tecnológica, política e cultural entre a América do Sul, América do Norte, União Europeia e Leste Asiático. Existe uma atenção especial para os laços com as regiões e sub-regiões do mundo com forte desenvolvimento tecnológico, como o Vale do Silício nos EUA e a Baviera na Alemanha. 

A África também aparece como um destaque. “Nosso esforço externo tem de ancorar-se firmemente na África, continente em rápido crescimento econômico e demográfico. Com os irmãos africanos, nossa perspectiva não deve ser de uma falsa ‘ajuda’, mas sim de parceria”. O plano defende a criação de um “ambiente favorável” para que empresas brasileiras participem do “processo de transformação produtiva” e do “desenvolvimento sustentável” da África.

Geraldo Alckmin

Com apenas nove páginas, o plano de governo do PSDB, com a chapa Geraldo Alckmin presidente e Ana Amélia vice, possui somente um item de oito linhas destinado à política internacional. O documento diz que o Brasil irá defender “vigorosamente os valores que prezamos internamente, como a democracia e os direitos humanos, em especial na América do Sul”. Promete que a gestão da Amazônia, “bioma compartilhado com nações amigas”, receberá especial atenção, e o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável “são grandes ativos do Brasil”, sem especificar quais políticas seriam adotadas para tanto.

Alessandra Monterastelli
No Ópera Mundi
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Documentos mostram que Ciro Gomes, quando era estudante, defendeu anistia de torturadores

O hoje candidato à Presidência foi monitorado por órgãos de inteligência das Forças Armadas durante e após a ditadura. Nos documentos, constava apoio do político, então estudante, a movimento de direita

O hoje candidato à Presidência foi monitorado por órgãos de inteligência das Forças Armadas durante e após a ditadura. Nos documentos, constava apoio do político, então estudante, a movimento de direita
Órgãos de inteligência das Forças Armadas monitoraram o candidato à Presidência da República Ciro Gomes (PDT) durante e após o fim do regime militar. Em documentos, o político, então estudante, aparece contra o julgamento de torturadores do período durante encontro estudantil. Também é citado quando ele foi preso em 1979 durante greve em Fortaleza. Dados são de fichas armazenadas pelo extinto SNI (Serviço Nacional de Informações), criado em 1964 e extinto em 1990).

Conforme o portal Uol, que teve acesso aos documentos no Arquivo Nacional, há informações do período em que Ciro foi militante estudantil, deputado estadual e concorreu ao cargo de prefeito de Fortaleza (CE). Em 7 de agosto de 1979, consta arquivos sobre uma greve de motoristas e trocadores de ônibus da capital cearense ocorrida em junho daquele ano. Ciro aparece em uma lista de 12 estudantes que foram detidos pela Polícia Militar e definidos como “esquerdistas”.

(Foto: Arquivo Nacional)

Três meses depois, Ciro Gomes foi a São Paulo para participar do 1º Encontro Nacional dos Estudantes Não-Alinhados, onde estudantes ligados à direita e críticos às lideranças de esquerda estavam reunidos. No documento produzido pelo Cisa-RJ (Centro de Informações da Aeronáutica do Rio de Janeiro) sobre a ocasião, constam propostas de participantes. Ciro aparece defendendo a anistia dos torturadores por não haver “documentação legal que comprove os crimes de repressão”. "O estudante CIRO FERREIRA GOMES considerou que deveria ser esquecida a ideia de julgamento de torturadores", consta no documento. 

No documento, Ciro parece aos militares estar preocupado com um endurecimento do regime. "Que a expressão 'punição dos torturadores' era por julgamento sumário e não se pretendia isso, e sim o julgamento dos torturadores; mas que essa composição poderia dar à ditadura uma ideia de revanchismo, o que poderia endurecer ainda mais o regime”, teria dito na ocasião. Para o caso, o estudante defendeu a "Anistia Ampla, Geral e Irrestrita". 

Os arquivos também mostram Ciro durante as eleições para a Prefeitura de Fortaleza. Para os militares, Ciro recebeu total apoio do então governador Tasso Jereissati, que não mediu esforços em "usar a máquina administrativa do estado e seu prestígio pessoal e político em favor" de Ciro Gomes. Ligado à direita, o primeiro partido de Ciro foi o PDS, advindo da Arena. 

O Povo Online tentou entrar em contato com a assessoria do candidato com questionamentos sobre o caso. Não teve, no entanto, ligações atendidas. 

No Esquerda Caviar
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Defensor do ‘Escola Sem Partido’, professor se veste de nazista para dar aula

Gabriel Tebaldi, professor de história e colunista do jornal Gazeta Online, do Espírito Santo, aparece em uma foto que circula nas redes usando um uniforme nazistas com suásticas durante uma aula; atitude do historiador, que é defensor do 'Escola Sem Partido', pode ser interpretada como crime pela Constituição Federal


Mais um caso de um professor usando símbolos e referências nazistas para dar aula sobre o tema veio à tona nas redes sociais durante este final de semana. Gabriel Tebaldi, historiador formado pela Universidade Federal do Espírito Santo e professor de Ensino Médio em uma escola capixaba, aparece em uma foto vestindo, em sala de aula, um uniforme de policial nazista, repleto de suástica.

O professor é colunista do jornal local Gazeta Online e, em seus artigos, defende o projeto ‘Escola Sem Partido’ – projeto que visa “acabar” com a inexistente “doutrinação marxista” nas escolas – e faz ferrenhas críticas à Lula e ao PT.

Nas redes sociais, internautas têm acusado Tebaldi de fazer apologia ao nazismo. Tal acusação tem como base uma interpretação da Constituição Federal, que diz no parágrafo 1º do artigo 20 é citado o “Crime de Divulgação do Nazismo”: “§1º – Fabricar, comercializar, distribuir ou veicular, símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo. Pena – reclusão de dois a cinco anos e multa”.



Apologia? 

Em abril do ano passado veio à tona um caso parecido de Recife (PE). Um professor ornamentou toda a sala de aula com bandeiras nazistas e se vestiu de ditador nazista durante uma aula. À época, a colunista da Fórum e especialista em neonazismo, Adriana Dias, afirmou que esse tipo de aula pode, sim, ser considerada apologia.

“O que significa apologia? Apologia é um discurso (uma ação, tida como um discurso também) que tem por fim justificar, defender, louvar alguém ou alguma coisa. Obviamente, espero que o professor não tenha tido a intencionalidade do dolo. Espero, mesmo. Mas, houve, sim, apologia. Porque não foi simplesmente um desenvolvimento de material para fim didático. Foi uma sala toda ambientada, completamente ambientada com louvor ao nazismo, com bandeiras, lembrando a sua época de opulência. O professor poderia ter feito uma suástica, poderia ter colocado no quadro, e explicado seu símbolo. Poderia. Mas, vestir a sala inteira de panteão nazi, é apologia, sim”, explicou. Saiba mais aqui.

Fórum tentou contato com o professor Gabriel Tebaldi para obter um posicionamento sobre o caso, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.
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Quem dera isso fosse parte de algum fenômeno global

O fascismo tá na moda no mundo todo, dizem os analistas de tendências, atribuindo o crescimento de Bolsonaro a um fenômeno global. Acho que existe um certo ufanismo nessa análise. Nenhuma moda chega no Brasil assim tão rápido. Esses analistas não perdem a mania de querer participar de algum fenômeno global.

Se tá rolando lá fora, no Brasil deve chegar daqui a uns trinta anos. Tem um delay. Foi assim com as calças skinny e o cavalão da Ralph Lauren. Com o fascismo não teria por que ser diferente.

A abolição da escravatura, por exemplo, chegou com um atraso de décadas, quando lá fora já era “tããão 1863”. A independência já chegou por aqui caquética, cansada da viagem e atordoada com o fuso horário. A república só veio atracar por aqui depois que já tinha dado errado no mundo inteiro.

Esse fascismo recém-chegado não deve ser o mesmo do Trump, por uma questão de logística: ele ainda tem que conseguir visto, vacina pra febre amarela, pegar uma baldeação no Panamá, extraviar as malas. Demora.

Tenho indícios que nosso fascismo foi produzido por aqui mesmo. Por uma razão: ninguém no mundo tem nossa capacidade criativa.

Bolsonaro diz que não confia na urna eletrônica mas já foi eleito cinco vezes por ela mas diz que é contra tudo o que tá aí mas já foi filiado a oito partidos diferentes mas é o candidato do novo mas diz que quer estado mínimo mas foi funcionário público a vida toda e capitão do Exército mas o vice é general do mesmo Exército o que faz do candidato um subalterno do próprio vice, enfim, nada faz sentido. Igualzinho o resto do país.

Tudo indica que esse fascismo é nosso, como as jabuticabas, o Gurgel e a esposa do Matthew McConaughey. Viva o nosso fascismo, que faz tanto sentido quanto os outros, só que não paga roaming de dados e dá pra consumir sem pagar IOF.

Gregorio Duvivier
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Guedes admite acordo Temer-Bolsonaro modificar Previdência


Sem destaque, na coluna de Sonia Racy, no Estadão, mais uma pérola do “Posto Ipiranga” econômico de Jair Bolsonaro: apoiar a ideia de um acordo com o moribundo Michel Temer para que este fique com a impopularidade de uma reforma previdenciária:

Paulo Guedes, na sua última conversa com investidores antes de Jair Bolsonaro pedir silêncio – aconteceu na gestora [de fundos] GPS, terça-feira, fez observação bastante significativa. Informou ser possível que o candidate do PSL, caso vença o pleito, ajude Temer a aprovar a reforma da Previdência antes do fim do ano.  “Se ele fizer isso, e é bom para ele fazer isso, o avião que vamos pegar não cai na minha cabeça”, atirou, duvidando de que o sucessor de Temer, qualquer que seja, consiga votar a reforma no primeiro trimestre.

Mesmo que seja uma impossibilidade política, com um governo derrotado, a um mês e meio do final do mandato, este senhor sugere, simplesmente, um a aplicação de um crime de estelionato sobre a população.

Estelionato, mesmo, coisa de gente de mau-caráter, que acha que os “otários” vão achar que é “culpa do Temer” aquilo que é desejo de Bolsonaro que, aliás, passou à reserva remunerada aos 33 anos, ao eleger-se vereador.

Será isso que o tal “mercado” chama de segurança econômica?

No meu tempo chamava-se de molecagem.

Fernando Brito
No Tijolaço
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O país caminha para o segundo turno ideal


Haddad e Bolsonaro é a segunda volta dos sonhos, por contrapor sem máscaras a civilização e a barbarie.

Não se trata apenas ou principalmente de cálculo eleitoral, embora também o seja, por ser cientificamente mais fácil para a vitória da esquerda se enfrentar a ultra-direita.

Tem um valor pedagógico.

Bolsonaro é a cara real das elites brasileiras: colonizadas, racistas, cruéis, antipopulares. Não tem maquiagem ou perfume, bons modos ou trejeitos. O capitão reformado é o retrato mais verdadeiro de uma classe dominante escravagista, misógina, homofóbica, antidemocrática.

Será imensamente positivo para o povo brasileiro enfrentar esse expoente neofascista na rodada final.

Sua derrota, frente ao candidato de Lula, será a que mais abre caminho para a reconstrução democrática da nação.

Breno Altman
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Atenção: Operação para derrotar o PT ganha adesão de Kim Kataguiri e artistas da Globo




Nos ultimos dias tenho ouvido pessoas de bem  dizerem que vão votar no Ciro pra evitar que Bolsonaro vá ao Segundo turno. Mais um embuste global, via redes sociais. E parcelas da esquerda por razões identitárias e esquecendo a Luta de Classes, se joga de novo, assim como em 2013, nos braços do império. para derrotar Lula, o PT e seu candiato Haddad.

Já há mobilizações marcadas em todo o país no dia 29 de setembro. A chamada é #EleNão, novamente como naquele fatídico junho de 2013. É o ultimo fim de semana antes das eleições. E no dia 05 de outubro, uma sexta-feira, uma entrevista do esfaqueador, que ao contrário do que acham algusn, tentaria incriminar o PT, incriminará a campanha de Bolsonaro, fazendo parte dos votos que eriam do fascista migrarem para Ciro. Com isto, a pretensão é evitar uma potencial vitória de Haddad no 1º turno, e se não, tirá-lo do 2º turno, fazendo Ciro subir com votos fascistas. Esta é a razão da campanha beligerante de Alckmin. Eles sabem que o tucano já esta derrotado e vai para o sacrificio, tentando imputar ao PT a pecha de radical de esquerda e chamando o caminho do meio. Mas o único caminho do meio é Lula e sua capacidade de articulação e respeitabilidade dentro e fora do país.

Veja o que diz o Jorge Furtado, que a julgar pelo número 2222 no perfil, não é o cineasta, mas um candidato do Partido da República, da coligação do Alckmin orientando a base. Votem em Ciro para derrotar o PT.

Ciro Bolsonaro

Luíz Müller
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Sem garantia

A garantia dada pelo ministro da Defesa, general Silva e Luna, de que os militares respeitarão o resultado eleitoral, e o governo dele resultante, recompõe o clima abalado pelas referências do comandante do Exército a possíveis questionamentos à eleição.

A verdade é que não há quem possa dar tal garantia. Em qualquer lugar ou tempo, a garantia provém, ou não, da cultura cívica e da maturidade institucional alcançadas pela comunidade militar. São valores sujeitos a variações e de aferição nem sempre fácil. Em que nível estão aqui, não se sabe.

As palavras do comandante Eduardo Villas Bôas foram logo interpretadas como referência a riscos de ação militar em razão do resultado eleitoral. A dedução não foi estapafúrdia. Nem segura. A falta de clareza do que foi dito e por que foi dito, deficiência agravada por se tratar de tema tóxico, permitia mais interpretações. E mesmo a simples impossibilidade de entender alguma coisa ali. Ainda mais, tendo como fundo um país repleto de conturbações e, no entanto, sem manifestações militares mais significativas do que as insignificantes meias frases de um general Mourão, passaportes para a sua reforma.

Daí não se conclui a inexistência de risco golpista. O apoio a Bolsonaro nas classes de mais alta remuneração, como constatado pelo Datafolha, indica que a um movimento golpista não faltaria nem sequer a adesão civil tradicional. Mas não se sabe como está a caserna. O perceptível é que, não havendo garantia contra o golpismo, também não há (ainda?) o ambiente de golpe, o cheiro de enxofre e desgraça que empesteia o ar. A menos que se chegue muito perto de Bolsonaro e seu pelotão de acólitos.

Insultante

O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima deixa agora a infantaria curitibana da Lava Jato, transferido para São Paulo, “porque se aposentará em janeiro”.

Porta-voz do grupo, produtor de inúmeras manchetes desmoralizantes, Santos Lima foi submetido a questionamentos no Ministério Público por insultos ao Supremo Tribunal Federal e a Gilmar Mendes. Está destinado a usufruir, com apenas 54 anos, a desobrigação de trabalhar e a remuneração integral de procurador, em torno de R$ 30 mil.

Um é o outro

Líder nas pesquisas para o governo de Minas, o senador Antonio Anastasia não quer proximidade nem nominal com Aécio Neves. A excelente reportagem de Thais Bilenky sobre Aécio e sua candidatura, não mais que a deputado, explica que o esquisito slogan “Anastasia é Anastasia” pretende ser resposta à associação de “Anastasia a Aécio como goiabada a queijo”, da campanha petista.

Aécio inventou-o e o criou. Até a candidatura foi imposta por Aécio a Anastasia, que não queria deixar o Senado.

Como governador, está previsto para Antonio Anastasia um papel relevante nos processos de Aécio e sua irmã Andréa Neves, sobre extorsões a Joesley Batista.

Janio de Freitas
No fAlha
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Uma explicação técnica e simples sobre a injustiça da condenação de Lula

CASO LULA. É IMPORTANTE QUE A POPULAÇÃO SAIBA QUE ELE NÃO PRATICOU O CRIME PELO QUAL FOI CONDENADO. ESTA TEM SIDO A MINHA TAREFA.

NÃO É POSSÍVEL SILENCIAR DIANTE DO DESCALABRO DA CONDENAÇÃO DO EX-PRESIDENTE.

FALTANDO PROVA DE QUE O RÉU PRATICOU UMA CONDUTA PREVISTA COMO CRIME, NINGUÉM PODE SER CONDENADO. CONTINUA SENDO PRECISO DIZER O ÓBVIO.

As centenas de páginas usadas pelos desembargadores para tentarem legitimar a condenação do ex-presidente Lula apenas apontam indícios de que o triplex lhe estaria “reservado”, “atribuído”, “destinado”, “prometido” e que ele teria demonstrado algum interesse no imóvel, tendo sido realizadas obras para melhor adaptá-lo à sua conveniência.

Mesmo que tudo isto estivesse cabalmente provado (e não está), o ex-presidente Lula não teria cometido crime algum. O crime de corrupção passiva exige para a sua caracterização que alguém RECEBA INDEVIDA VANTAGEM, em razão do exercício de um cargo público. Por isso, esta é a acusação formulada, confusamente, pelo Ministério Público Federal.

Vale dizer, tecnicamente, a questão não é tanto de insuficiência de prova de uma conduta tipificada como crime, mas sim de ausência de tipicidade, ausência mesmo de crime em tese. Não trato aqui das diversas nulidades processuais, como a incompetência absoluta dos órgãos jurisdicionais e sua total falta de imparcialidade, dentre outras.

O Poder Judiciário não pode julgar o réu por fatos diversos dos narrados na peça acusatória (art.384 do Cod. Proc. Penal). Repito: o crime é RECEBER indevida vantagem, ou seja, RECEBER O TRIPLEX.

Ademais, para que o recebimento (que não existiu) fosse realmente “indevido” seria preciso provar que ele se relaciona com um ato de ofício ilegal do funcionário público. A sentença diz que não houve determinação deste ato de ofício, falando então em “ato de ofício indeterminado” (sic).

Desta forma, a comunidade jurídica está perguntando, aos gritos: desembargadores, QUANDO O EX-PRESIDENTE LULA RECEBEU O APARTAMENTO TRIPLEX? O QUE CARACTERIZA ESTE RECEBIMENTO? COMO ELE REALMENTE FOI EFETIVADO? Por que não explicitam isso? Seria simples, muito simples.

Acho que tudo isso que está acontecendo em nosso país é muito perigoso. O cinismo campeia em nosso sistema de justiça criminal, deslegitimando-o. O Estado de Direito está sendo desrespeitado flagrantemente. Não mais me sinto seguro aqui no Brasil.

Notem, ademais, que o Ministério Público Federal, tão diligente em perseguir algumas lideranças populares, continua inerte em face da barbárie praticada contra o preso Sérgio Cabral, acorrentado como se fosse um escravo no século XIX!!!

Importante ressaltar que não somos “petistas” e não estamos desempenhando atividade político-partidária. Estamos, sim, pugnando pelo princípio da legalidade e por justiça.

Será justo deixar o maior líder popular em toda a história do Brasil, sem prova de ter praticado um crime, morrer na cadeia, pobre e humilhado?

Enfim, não dá mais para omissões e cômodo silêncio. Vamos berrar, vamos gritar contra toda esta hipocrisia. Vamos agir para barrar todo este obscurantismo que ameaça os nossos melhores valores.

Lula resiste e resistirá, sem abrir mão de sua dignidade, como tem dito reiteradamente.

Afrânio Silva Jardim, professor associado de Direito Processual Penal da Uerj. Mestre e Livre-Docente em Direito Processual pela Uerj.
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