19 de set. de 2018

O Santo, o demônio e a Globo


A pesquisa Ibope divulgada na noite de terça-feira revela muito mais do que números, sempre manipuláveis, dentro ou fora da margem de erro.

Revela que a Globo fez um escolha.

Na verdade, revela que a Globo ficou sem escolha.

E, na falta de escolha, o conglomerado de comunicação estendeu seus braços ao primeiro colocado, o #elenão.

Por uma razão simples, não há mais acordo possível com partidos e candidatos do campo popular e democrático.

O Santo

É claro que, se pudesse escolher, o candidato dos sonhos seria outro, o Santo.

Mas seu partido, golpista, não o ajudou.

Não o ajudou porque nas últimas eleições gerais, em 2014, o candidato deles, derrotado, um dos artífices do golpe, hoje desmoralizado por denúncias e cercado de desconfiança, já não consegue reunir 100 gatos pingados para lançamento de sua campanha a deputado federal por Minas Gerais, como foi no último fim de semana.

Um vexame.

Virou um zumbi, um cadáver político, num dos colégios eleitorais mais importantes do país.

O próprio presidente da legenda admitiu: apoiar o golpe jurídico-parlamentar-midiático foi um erro.

É a velha máxima: quem tem pressa, come cru.

Não ajudou também porque a elite intelectual do partido da social democracia nunca comungou, nem com sua caipirice, nem com seus vínculos com a Opus Dei, a extrema direita da igreja católica.

Os “intelectuais” do partido não aceitam também a falta de carisma do chamado picolé de chuchu.

Também pesam contra ele a derrota para Lula em 2006 e os escândalos de sua já desgastada gestão em São Paulo, com pelo menos três casos emblemáticos: o Metrô, o Rodoanel e a Merenda Escolar…

Na verdade, o partido vem rachado desde que seu inimigo número um, economista e ex-ministro da Saúde, passou a bombardear as pretensões políticas de seu colega.

Sem contar a ascensão do prefake, que trouxe o fisiologismo mais rasteiro para as hostes do partido.

O Demônio

A falta de escolha da Globo ficou clara, quando do encontro no Jardim Botânico, há três semanas.

É certo que os e donos da mídia levantaram uma bandeira branca para o candidato de extrema direita, desde que demarcado antecipadamente o território de convivência pacífica.

Por convivência pacífica entenda-se: mantem-se privilégios por um lado em troca de governabilidade, sobrevivência política e econômica por outro.

É o bom e velho “toma lá, dá cá”.

A Globo

A Globo hoje é refém dos interesses dos EUA, porque é lá que se investigam os escândalos do futebol.

Apesar da audiência, a emissora não tem mais credibilidade jornalística.

Isto fica claro ao conversar com as pessoas nas ruas.

Muitas identificam seus interesses comerciais sempre acima dos interesses dos cidadãos comuns.

A própria agenda da emissora deixa claro esses interesses: rentabilidade do capital financeiro (mantra: honrar contratos); transnacionais do petróleo (mantra: corrupção na Petrobras); transnacionais de alimentos (mantra: agro é pop) e não para por aí.

Sua pauta é reformista, desde que as reformas mantenham os privilégios.

Reformas Trabalhista, Previdenciária, Tributária, Política… todas elas excludentes.

Não há acordo nacional que traga eles de volta.

Ou há?

Marco Aurélio Mello
No Viomundo
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Mourão do dia: crianças de "10, 11 anos estudando filosofia"

Mourão ataca novamente. Artilharia agora é apontada para crianças que "estudam filosofia" ao invés de "matérias mais importantes". Campanha de Bolsonaro está preocupada com as entrevistas do General, mas ainda não encontrou uma maneira de controlá-lo


O candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro (PSL), General Mourão (PRTB), questionou o fato de as crianças brasileiras estarem “estudando filosofia em vez de se dedicar a outras matérias mais importantes”.

A declaração do general da reserva foi dada nesta terça-feira (18) durante um evento da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado (Facesp).

“Hoje, o nosso ensino fundamental, infantil, básico, ele parou no tempo. Tem uma base curricular complicada, onde eu vejo criança de 10, 11 anos de idade estudando filosofia em vez de estar se dedicando a outras matérias que seriam mais importantes”, disse o vice de Bolsonaro.

No evento, o general ainda tentou justificar a sua recente declaração sobre famílias desajustadas por serem chefiadas por mães e avós.

“Eu fiz uma constatação de algo que ocorre notadamente nas nossas comunidades pobres, porque essas mães e essas avós saem para trabalhar. A grande maioria são cozinheiras, são faxineiras [sic], lidam com a dureza da vida o tempo todo e não têm com quem deixar os seus filhos”, justificou o vice de Bolsonaro.

Cúpula incomodada

A cúpula de campanha de Bolsonaro está incomodada com as recentes declarações de Mourão. Segundo publicou a Folha de S.Paulo, integrantes do núcleo duro da campanha fizeram uma reunião para lavar roupa suja e tentar unificar o discurso. Uma das decisões foi a de tutelar o polêmico general.

Desde que Bolsonaro foi esfaqueado, no dia 6, grupos rivais de seu entorno buscaram protagonismo, aumentando a já notória cacofonia da cadeia decisória do bolsonarismo.

Mourão sobressaiu-se nesse movimento, reivindicando participação em debates no lugar do candidato, só para depois retroceder.

Também cumpriu uma agenda recheada de entrevistas e palestras nos quais algumas de suas polêmicas posições foram evidenciadas, como a citação sobre a eventualidade de um autogolpe presidencial ou a noção de que lares tocados por mulheres pobres são “fábricas de desajustados”.

No Pragmatismo Político
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Temer para João Agripino Dória: “Desacelera” — assista

O emedebista volta a reclamar em vídeo no Twitter da ingratidão de um antigo aliado. E mira o tucano paulista

Doria, mais um a cuspir no prato de Temer
Após uma ausência notada, Michel Temer voltou à carga em um vídeo no Twitter para reclamar da traição de antigos aliados. Desta vez, o alvo foi o tucano João Doria, candidato ao governo de São Paulo. “Desacelera, João”, conclui Temer, com seu humor peculiar, no fim da gravação.

Doria, como tantos outros aliados de Temer, tenta se descolar do emedebista e sua impopularidade (perto de 80%) durante a campanha. O tucano repete críticas ao governo federal em seu programa eleitoral gratuito, uma forma de dar uma força a seu padrinho político, Geraldo Alckmin, presidenciável que paga um alto preço pelo apoio do PSDB ao impeachment de Dilma Rousseff e às medidas de Temer como a reforma trabalhista.

“Você está se desmentindo”, diz Temer no vídeo. “Inúmeras vezes você elogiou o meu governo. E quando ocupou por brevíssimo tempo a prefeitura de São Paulo, você pediu auxílio aqui no governo federal. E nós demos”.

O emedebista conclui: “Não falte com a verdade. Desacelera”.

Assista ao vídeo na íntegra:



No CartaCapital
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Quem são os bolsonaristas convictos?


A pesquisa do Ibope divulgada no dia 11 de setembro, além de perguntar sobre a intenção de votos dos brasileiros, buscou também medir o grau de certeza do eleitor com relação ao voto para a disputa presidencial. Os eleitores de Jair Bolsonaro (PSL), candidato que lidera a corrida, foram os que apresentaram o maior grau de certeza sobre sua decisão. Para 73% dos eleitores do capitão reformado, a decisão do voto é “definitiva” ou “firme”, o que significa 19% do total de eleitores. Os eleitores de Fernando Haddad (PT) apresentaram o segundo maior grau de certeza: 67%. Os outros candidatos mais bem colocados apresentaram índices mais baixos, entre 49% e 53%.

Se a candidatura de Bolsonaro conseguir manter essa porcentagem de eleitores convictos até o primeiro turno, são grandes as chances de ele estar na segunda volta. Diante disso, é importante desdobrarmos um pouco esses dados e explorarmos o perfil desses eleitores. Para isso, realizamos uma análise por meio de uma regressão logística multinomial. Esse tipo de análise permite a comparação entre grupos diferentes com segurança estatística. Aqui, comparamos todos os outros eleitores (categoria de referência – 74% dos eleitores) com os que declararam voto em Bolsonaro, mas não se demonstraram firmes em sua escolha (“é uma escolha do atual momento”/ “é apenas ums preferência inicial – 7% do total de eleitores) e com os eleitores de Bolsonaro que apresentaram maior firmeza na decisão (19%).

Os dados mostram que as características dos bolsonaristas convictos são mais marcadas do que as dos que não têm tanta firmeza sobre o voto no candidato com relação ao restante do eleitorado. Ser homem amplia em 2,7 vezes a chance de declarar um voto firme no capitão. Ter frequentado o Ensino Médio e o Ensino Superior amplia em cerca de duas vezes a chance de ser um bolsonarista convicto com relação aos que frequentaram até o quinto ano (antigo primário). Ser branco (segundo autodeclaração) amplia em 69% a probabilidade de ter firmeza na escolha. Com relação aos que vivem no Sudeste (categoria de referência), viver no Nordeste reduz em 68% a chance de declarar firmeza no voto em Bolsonaro. Viver no Sul amplia em cerca de 70%. Por fim, ser evangélico amplia em cerca de 65% a chance de escolher o ex-militar com relação aos católicos (categoria de referência).

Com relação aos eleitores de Bolsonaro que não têm muita firmeza na sua decisão, ser homem também amplia a chance de estar nesse grupo em 2,5 vezes, ser evangélico amplia em 62% a chance de estar nesse grupo com relação aos católicos e ser branco, em 74%. Viver no Nordeste, por sua vez, reduz em cerca de 44%.

O que esses dados nos mostram? Primeiro, que os eleitores que não têm tanta firmeza na sua escolha se parecem um pouco mais com os outros eleitores do que os bolsonaristas convictos. Segundo, o “núcleo duro” de eleitores de Bolsonaro pode ser caraterizado como um que se distingue pelo seu sexo (masculino), cor (brancos), escolaridade (ensinos médio e superior), religião (evangélicos) e região em que vivem (são menos presentes no Nordeste).

Manter esse eleitorado pode ser suficiente para o candidato chegar ao segundo turno se a fragmentação na disputa vista até aqui se mantiver até o dia 07 de outubro. Para a volta final, a base eleitoral de Bolsonaro terá que se aproximar do perfil geral dos eleitores para que o candidato tenha chance de vencer. Conquistar as mulheres, os eleitores de baixa escolaridade e os “não-brancos” será então o desafio.

Oswaldo E. do Amaral, professor do departamento de Ciência Política da Unicamp e diretor do Centro de Estudos de Opinião Pública (Cesop) da mesma instituição
Do Observatório das Eleições
No DCM
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Sobre Bolsonaro. Para quem acha que estou exagerando

Kai Michael Kenkel
Cada um é formado pela sua história pessoal. Eu sou alemão, crescido nos Estados Unidos, acadêmico de relações internacionais (política). A guerra e a intolerância política afetaram profundamente a minha família. Isso me norteia politicamente.

Como alemão de minha geração, o ponto fixo inescapável que orienta toda a consciência na minha formação cidadã é o legado do fascismo: o Holocausto e a Segunda Guerra, e a firme missão de nunca deixar isso acontecer de novo, em lugar nenhum. Não existe nenhum princípio político mais sagrado que esse.

Como norte-americano, nas aulas cívicas você de criança aprendia - mesmo com todas as hipocrisias e contradições que se tornaram aparentes ao crescer - que a democracia é para todos, e que ela é como um ser vivo que precisa ser defendido ativamente se vai sobreviver. Temos que pensar o sistema para todos e defendê-lo ativamente.

Como acadêmico de ciências sociais, vivo e trabalho ciente do fato que as palavras são ações em si: o falado/escrito pode ter consequências devastadoras. As palavras contam, e se tornam ações num piscar de olhos. Uma frase, um livro, um poster mata ou emancipa milhões se falada por uma pessoa com poder.

Também sei com base nesse histórico que o paradoxo da tolerância do Popper é uma realidade: a tolerância é a chave de tudo, e por isso não podemos ser tolerantes com a intolerância. Porque sem resistência, a intolerância sufoca a tolerância - ela é o caminho de menor resistência para a mente simples.

No contexto brasileiro, isso me posiciona muito claramente contra o Bolsonaro. Não tenho candidato que estou a favor, mas nunca na minha vida inteira vi um caso mais claro de um político que viola todos os princípios acima. Quando você vive com antenas muito bem desenvolvidas para o renascimento da intolerância e do fascismo, o alarme não poderia soar mais claramente que no caso desse homem e seus apoiadores. É só substituir LGBT, negro e mulher por "judeu" e estamos tão claramente em 1933. O paralelo é de extrema aplicabilidade sim. Os campos de concentração também começaram com palavras. E me desculpem dizer, mas a democracia brasileira - nas cabeças da grande massa das pessoas - ainda é muito frágil para se defender contra esse ataque. Não que seja, no momento, tão mais firme em outro lugar - está enfraquecendo no mundo inteiro.

Então, para mim, quando um candidato fala que quer fuzilar a oposição, quer estuprar mulheres, que negro só serve para procriar, que refugiados são escória, que o erro da ditadura foi só torturar e não matar, isso passa de longe de ser só retórica, ou um cara que se "expressa mal". Ele é político - produzir discursos é a profissão dele. Ele pode ser muito limitado moral e intelectualmente, mas ele sabe exatamente o que ele está fazendo quando abre a boca e fala essas coisas. Indo além das palavras: votou em favor de reduzir a licença-maternidade, contra o obrigatoriedade do SUS tratar vítimas de violência sexual, e são inúmeros os exemplos de discursos intolerantes dele.

Tem quem considera o Bolsonaro honesto e não corrupto (aliás, manifestamente um engano, olhem para o património da família e os funcionários-fantasma) ou acha que ele vai tornar o Brasil mais seguro (está cientificamente comprovado que armar todo mundo vai obter o resultado exatamente contrário). Gente de saco cheio que quer um salvador, que identifica o alvo para resolver. (Já vi isso nalgum lugar...)

Digo claramente: se você aceita a intolerância, o racismo e a misoginia - presentes intencionalmente e com a maior clareza no discurso de Jair Messias Bolsonaro - porque o candidato promete a salvação de uma política ineficaz, você está aceitando o fascismo de exatamente a mesma forma que nasceu em 1933. Punto. Não existe nada - absolutamente nada - que se sobrepõe ao nosso dever de resistir ativamente o estabelecimento dessa ideologia em qualquer país.

A resistência ao fascismo e à intolerância é o princípio no qual eu creio mais firmemente na minha vida. E eu identifico claramente o Bolsonaro como vetor dessa ideologia. Então a resistência a ele, mesmo não podendo votar, é algo que levo muito a sério. Não é só para passar tempo e roubartilhar no Facebook.

Então, se você apoia ele, ou aceita ele sabendo o que ele representa como consequências vividas na pele e nos ossos de seus concidadãos que são de minorias, nossa divergência não é só política ou de discurso, mas do mais profundo nível moral.

Para quem ainda enxerga algum mal maior que o Bolsonaro, parem para pensar. Os alemães em 1933 também estavam prontos para aceitar o que eles achavam que era o mal menor, e foram totalmente enganados porque era mais fácil seguir o discurso sedutor do que pensar para si. Ele é o mal maior.

Parem de banalizar esse fenômeno e pensar só em vocês mesmos, e pensem nas consequências para o nosso país e todas as pessoas que vivem nele. É seu dever de ser humano decente".

Kai Michael Kenkel, possui graduação em Relações Internacionais pela Johns Hopkins University e mestrado e doutorado em Relações Internacionais pelo Institut Universitaire de Hautes Études Internationales, Genève. Publica nas áreas de operações de paz, intervenção humanitária, responsabilidade de proteger (R2P), relações cívico-militares e armas leves. Ensina e orienta na área da segurança internacional, com ênfase em questões de intervenção e operações de paz. É editor da revista Contexto Internacional.
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Quem lhe criou, general?


Em artigo anterior, perguntei ao general Mourão da onde ele herdou seu racismo. Foi uma reação às declarações do candidato à vice-presidente sobre o povo brasileiro, quando ele afirmou que teríamos herdado a “malandragem” do africano e a “indolência” do índio.

Pouco mais de um mês após aquelas declarações, ressurge o general, agora encabeçando as atividades da campanha enquanto o titular da chapa convalesce do grave ferimento sofrido no atentado de alguns dias atrás.

Durante debate no SECOVI-SP (Sindicato do Mercado Imobiliário) nesta segunda-feira, dia 17 de setembro, o general soltou a seguinte declaração: “A partir do momento em que a família é dissociada, surgem os problemas sociais. Atacam eminentemente nas áreas carentes, onde não há pai e avô, é mãe e avó. E, por isso, tornam-se realmente uma fábrica de elementos desajustados que tendem a ingressar nessas narco-quadrilhas”[1].

Pois bem, não sei como o general foi criado. Desconheço, por completo, se teve a figura paterna presente. Se sua mãe e avós estiveram sempre ao seu lado. Qual o tipo de educação que recebeu, ou o tanto de amor que lhe foi direcionado. Não sei absolutamente nada sobre ele, e por isso a pergunta que dá nome ao presente texto: quem te criou, general?

E pergunto mais: como suas declarações serão recebidas por aquela mulher valente, endurecida pela vida, que teve seus dois filhos com um homem violento e covarde, a qual logo se viu abandonada por ele, com tantas bocas para alimentar? Ela, sozinha, trabalhando como diarista em várias casas durante a semana. Ajudando a criar os filhos de patrões e patroas, mas longe de seus próprios. Meninos e meninas, vítimas do aborto paterno, e vistos como potenciais “desajustados” por alguém que almeja um dos mais altos cargos da República. O que ela pensará de suas declarações?

Em quase dez anos de carreira na Defensoria Pública, por milhares de vezes me deparei com mães desesperadas e angustiadas. Mulheres corajosas, e quase sempre sozinhas. Vagando de porta em porta pelo aparato burocrático estatal à caça de algum direito básico que o Poder Público (aquele que só funciona para encarcerar ou matar seus filhos) cruelmente negara a suas crianças.

Certa vez visitei um projeto capitaneado por um médico que, voluntariamente, atendia crianças com paralisia cerebral, ministrando-lhes alimentação e medicação adequadas, com o fim de amenizar os sintomas das mais variadas deficiências que apresentavam. Duas coisas me impressionaram: 1) o fato de a quase a totalidade das crianças estar acompanhada apenas pelas mães; 2) a esperança e a vivacidade daquelas mulheres, a despeito de todas as adversidades. Descobri que a maioria delas não podia trabalhar por se dedicar integralmente ao cuidado dos filhos. E, por isso, vivem unicamente do benefício assistencial de um salário mínimo por eles recebido. Os pais? Alguns ainda viviam com elas, outros não. Muitos tinham simplesmente desaparecido.

Mulheres sozinhas, franzinas, com o rosto marcado pelo sofrimento, empurrando pesadas camas com filhos adolescentes, ou cadeiras de rodas já inapropriadas para o tamanho das crianças. Mas altivas e esperançosas. Sorridentes. A força encarnada na forma de mulher, capaz de me fazer sentir vergonha de meus medos, dúvidas, e de minha própria existência. O que essas mulheres pensarão de sua declaração, general?

Também vi muitos meninos que se desviaram. Jovens que acabaram caindo nas garras do Estado Penal logo cedo, geralmente por tráfico de drogas. Perdi as contas do número de mães que atendi, desesperadas. Lacrimejando diante da mesa, buscando algum auxílio para seus filhos. Solitárias em grande parte dos casos, lamentando o fato de não terem conseguido dar maior atenção à família. Afinal, precisavam trabalhar em dois ou três empregos para manter a casa e sustentar as crianças, que desde cedo tinham dificuldades para chegar à escola, distante do bairro, e que mais tarde não teriam qualquer vontade de estudar no colégio de instalações precárias, com professores desmotivados.

E quantas vezes não senti arrepios ao ouvir atores do Sistema de Justiça dando lições de moral em mães humildes, cujos filhos se encontravam acolhidos institucionalmente, internados ou presos? Mulheres cujos parcos ganhos mensais não chegavam a 2 ou 3% da renda daqueles que estavam a lhes julgar junto com seus filhos.

Onde está o desajuste, general? Nessas famílias destroçadas pela negação dos mais básicos direitos fundamentais? Nessas mães solitárias e corajosas, desdobrando-se para garantir a sobrevivência de suas famílias? Nesses meninos e meninas expostos a toda sorte de infortúnios e abusos?

Não, general. Desajustada é essa sociedade doentia que alimenta o ódio e discrimina. Desajustado é o Estado que não cumpre a sua parte na implementação de direitos sociais básicos (habitação, saúde, educação, etc..), sendo contumaz violador da lei e da Constituição, mas que, hipocritamente, usa todo o poderio da violência oficial (os “profissionais da violência”, como alguém já disse, certo?) para oprimir nossos jovens por violações à… lei penal!

Deixo este pequeno texto como desagravo às mães e avós que, sozinhas, enfrentam o mundo por seus filhos e netos, à mercê do preconceito, da violência e da intolerância. Mulheres corajosas, muito mais fortes do que eu e você, general.

E antes que eu me esqueça: ele não. Ele nunca.

Bruno Bortolucci Baghim é Defensor Público do Estado de São Paulo.
No Justificando
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Lalo Leal: medo de regulação da mídia faz 'Jornal Nacional' atuar como partido

Segundo site Manchetômetro, enquanto Haddad foi interrompido 66 vezes no telejornal da Globo, Bolsonaro teve 34 interrupções. "Vamos enfrentar cartel da mídia", diz petista em Santa Catarina


Levantamento do Manchetômetro sobre a participação dos candidatos à presidência da República no Jornal Nacional mostra que a atuação da bancada formada por William Bonner e Renata Vasconcellos está longe de ser imparcial. Segundo o site de análise de comunicação, vinculado ao Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp) da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), o candidato do PT, Fernando Haddad – cuja entrevista, na sexta-feira (14), encerrou a série – foi o mais interrompido pelos entrevistadores: foram 66 vezes.

Geraldo Alckmin (PSDB) teve o raciocínio “cortado” em 51 oportunidades, seguido por Marina Silva (Rede), 43, e Ciro Gomes (PDT), 36. O candidato que teve mais “sorte” no JN foi o líder nas pesquisas, Jair Bolsonaro (PSL), com 34 interrupções, quase a metade do número registrado no caso de Haddad.

Segundo a análise, o petista (52%) e Ciro Gomes (51%) foram os que tiveram menos tempo para falar, do total de meia hora de entrevista, na comparação com o tempo ocupado pelos próprios entrevistadores. Marina foi a candidata que por mais tempo falou. Ela dispôs de 65% do tempo, enquanto Bonner e Renata falaram por apenas 35%. Alckmin (54%) e Bolsonaro (55%) foram os que tiveram o tempo mais equilibrado na comparação com os âncoras do telejornal global, de acordo com o estudo.

Além desses dados, Haddad foi o mais fustigado com o tema corrupção. No caso do petista, 63% da entrevista girou sobre essa pauta. No programa com Alckmin, o tempo dedicado a corrupção foi de 58%, seguindo-se Ciro Gomes (43%), Bolsonaro (16%) e Marina (14%).

“Com candidatos que não se alinham aos interesses da Globo, as entrevistas servem mais para dar publicidade a esses interesses do que para ouvir o entrevistado. Isso não é de hoje”, diz o professor Laurindo Lalo Leal Filho. 

“Nas eleições de 2014, no mesmo Jornal Nacional, o publicitário que faz as vezes de apresentador e editor-chefe repetia seguidamente a palavra 'corrupção' ao entrevistar a presidenta Dilma Rousseff. Em quase todas as perguntas aparecia essa palavra. Não havia interesse em saber o que a presidenta dizia, mas em pregar a pecha de corrupta, uma ideia facilmente assimilada pelo telespectador.”

Para Lalo, na eleição de 2018 esta situação agravou-se, provavelmente pelo fato de o programa de governo do PT prever claramente a regulação da mídia, que será enviada ao Congresso Nacional. “Isso assusta a Globo e faz dos seus funcionários porta-vozes de uma campanha contrária, atuando como se fossem integrantes de um partido político.”

Em sua opinião, a diferença desta para outras eleições é que em 2018 os candidatos de oposição aos interesses da Globo “estão reagindo ao assédio dos apresentadores, o que os torna ainda mais agressivos”.

Porém, as interrupções sofridas por Fernando Haddad no Jornal Nacional “foram um tiro no pé” para a emissora, segundo interpreta Lalo Leal. “Demonstraram uma arrogância e uma grosseria incompatíveis com o senso de civilidade e de educação de grande parte da sociedade brasileira.”

Mais do que isso, essa interferência indevida dos âncoras mostrou incompetência e dificuldade de articularem as perguntas. “Isso demonstrou desconhecimento dos assuntos discutidos, provando claramente que eles apenas liam aquilo que os seus superiores, a mando dos patrões, escreveram".

Haddad: “Quem censura no Brasil”?

Em entrevista coletiva em Santa Catarina no final da tarde de hoje (18), Haddad comentou a questão dos meios de comunicação em seu eventual futuro governo. Mencionou os Estados Unidos e a Europa, onde a legislação proíbe a concentração de TV e rádio de maior audiência e jornal de maior circulação, controlados por um mesmo grupo, num determinado estado, por exemplo.

“Aqui no Brasil ninguém toca nesse assunto. Ninguém aplicou a Constituição. Do mesmo jeito que vamos enfrentar o capital dos bancos, vamos enfrentar o cartel da mídia”, disse o candidato.

O petista, porém, afirmou que, além de impedir a propriedade cruzada, há outras formas de fortalecer a democracia e a diversidade. Por exemplo, apoiando as rádios comunitárias e cooperativas de notícias.

Para ele, as cooperativas poderiam receber recursos federais como recebem jornais e emissoras de grande audiência. “É o contrário do que a grande mídia quer fazer parecer. Eles querem fazer parecer censura. Mas quem de fato censura no Brasil? Eles censuram. Entraram no STF para tirar do ar os sites das agências internacionais em língua portuguesa, alegando que não são brasileiros natos”, disse, citando o espanhol El País, a americana Intercept, a britânica BBC a alemã Deutsche Welle. “Deixaremos claro numa lei que eles não poderão fazer isso.”

Eduardo Maretti
No RBA
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Lula, Haddad e a revanche pela força do voto: um a um, os conspiradores estão caindo


A eleição de 2018 pode entrar para a história como aquela em que, consultado, o povo disse não à violência institucional que retirou Dilma Rousseff da presidência da república e não à aliança judicial-midiática que encarcerou Lula, para tirá-lo da disputa eleitoral.

É hora da revanche. Sem armas. Pelo voto.

Pelas pesquisas divulgadas, Fernando Haddad vai para o segundo turno contra Jair Bolsonaro ou, mantido o ritmo de crescimento, pode ganhar a eleição em turno único.

E esta não será a única vitória do campo democrático-progressista.

As vitórias começaram em São Paulo e Minas Gerais, mesmo antes do início da campanha eleitoral.

Marta Suplicy optou pela aposentadoria voluntária, por temer o vexame de uma aposentadoria compulsória em consequência da previsível derrotada para o ex-marido.

Foi o primeiro ato da revanche.

A saída de cena de Marta é um castigo justo para quem participou da conspiração que levou à queda de Dilma.

Em setembro de 2015, três meses antes da abertura do processo de impeachment, ela fez uma proposta indecente a Gabriel Chalita.

Na época, Chalita era filiado ao PMDB e tinha assumido a Secretaria de Educação da Prefeitura de São Paulo.

Marta estava deixando o PT e entrando no PMDB, já com a promessa de que seria ela mesma candidata a prefeita, numa disputa com Haddad.

Esse movimento representava a quebra do acordo selado por Lula e Michel Temer, pelo apoio à reeleição de Haddad.

Marta ofereceu a Chalita o Ministério da Educação, num, à época, hipotético governo de Michel Temer (hipotético para a massa, mas ela já sabia que estava em curso o movimento para derrubar Dilma).

Em troca, Chalita deveria romper o acordo, deixar a prefeitura e desistir da candidatura a vice de Haddad.

Chalita não topou, o PMDB, juntamente com o PSDB, derrubou Dilma, como Marta avisou que aconteceria, e foi ela mesma candidata a prefeita.

O segundo ato da revanche foi a desistência de Aécio Neves de tentar a reeleição ao Senado.

Em seu lugar, deve assumir Dilma Rousseff, a terceira vitoria nas batalhas contra a guerra suja.

Em mais um ato de justiça, Aloysio Nunes Ferreira, conspirador de primeira hora, também está saindo de cena.

Em São Paulo, a derrota de João Doria se aproxima. Mesmo que vá para o segundo turno, não ganha de Paulo Skaff ou de Márcio França.

Há dois anos, quando ganhou de Haddad, Doria se comportava como o futuro presidente da república.

Trabalhou para isso, mas, montado na farsa do impeachment, não foi longe, e agora se aproxima o dia em que talvez Haddad subir a rampa do Palácio do Planalto.

A derrota de Doria em São Paulo também representará o fim de 24 anos de poder dos tucanos no Estado.

Em outros Estados, a derrota dos conspiradores está igualmente próxima. Só para citar um caso, o de Mendonça Filho, do DEM.

Mendoncinha não consegue sair do terceiro lugar nas pesquisas para o Senado em Pernambuco.

Um a um, todos estão caindo.

Mas nem todas as batalhas políticas estão vencidas.

Cristovam Buarque ainda ostenta um sorrisinho na face, porque, no seu caso, não está consumada a derrota.

Ele trava uma disputa com Leila do Vôlei, do PSB, Izalci, do PSDB, e Chico Leite, da Rede, pelas duas vagas ao Senado pelo Distrito Federal.

Cristovam traiu a vontade daqueles que o colocaram no Congresso Nacional, com a aliança em torno de Aécio Neves para o apoio ao governo de Michel Temer.

Cristovam não merece, portanto, permanecer no Senado.

Lula percebeu o alcance desse movimento do eleitor e, concentrando-se em Haddad, divulgou do cárcere um bilhete:

“A eleição do Haddad vai ser a resposta do povo brasileiro ao golpe. Aos que sabotaram a democracia e tentaram impedir a soberania do voto popular”.

Não só a eleição de Haddad, mas a derrota dos que violentaram a democracia.

Joaquim de Carvalho
No DCM
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Lançamento do filme Chão de Fábrica, de Renato Tapajós, é nessa sexta-feira

Renato Tapajós lança novo documentário, que estará disponível gratuitamente na web


“Chão de Fábrica”, novo documentário dirigido por Renato Tapajós, tem seu lançamento marcado para o dia 21 de setembro, às 18:00, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

Narrado pelo ator José de Abreu, o documentário é baseado na série de mesmo nome, feita para televisão em 13 episódios sobre a história do chamado Novo Sindicalismo brasileiro. A partir de uma linguagem clara e objetiva, o filme apresenta um panorama histórico sobre as lutas sindicais e políticas dos trabalhadores, fazendo uma ponte com o contexto histórico que o Brasil enfrenta nos dias atuais.

Tendo em vista o ano de eleições, o intuito dos diretores é instrumentalizar os trabalhadores e trabalhadoras com uma visão crítica sobre a história do Novo Sindicalismo, e as reverberações que ele causou na política da época, e que se estendem até os dias de hoje. Para isso, “Chão de Fábrica” será disponibilizado gratuitamente na web, e poderá ser exibido a data do lançamento nacional. O foco da equipe de produção do filme é a exibição em sindicatos, escolas, universidades e fábricas.

O cineasta e escritor Renato Tapajós é uma das maiores referências do cinema documental do Brasil. Com sua obra, fez uma extensa cobertura sobre as ações da ditadura militar, os movimentos sociais, a luta armada e o sindicalismo nacionais, tendo recebido prêmios em festivais da Alemanha e Cuba. Em “Chão de Fábrica”, Tapajós aplica toda sua experiência de vida e apuro de linguagem para criar um documentário que é um instrumento de politização dos trabalhadores e trabalhadoras brasileiros.

SINOPSE

O filme Chão de Fábrica conta a história da luta dos trabalhadores brasileiros desde 1978 até os dias atuais, com enfoque no movimento sindical, naquilo que ficou conhecido como o Novo Sindicalismo.

Realiza um voo sobre a história do país observando as políticas econômicas dos diferentes governos do período de forma crítica, clara e bem humorada, relacionado-as com a luta sindical.

Chão de Fábrica é um filme sobre o trabalho e os trabalhadores do Brasil e um balanço sobre as alternativas atuais do movimento sindical.



SERVIÇO DO LANÇAMENTO

FILME “CHÃO DE FÁBRICA”

Direção: Renato Tapajós / Hidalgo Romero

Produção: Laboratório Cisco

Documentário, longa metragem, 1h 30 min

Data: 21 de setembro de 2018.

Local: 3º andar do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (R. João Basso, 231 - Centro, São Bernardo do Campo - SP, 09721-100 / (11) 4128-4200)

Horário: 18:00

Gratuito

FICHA TÉCNICA

Produção:
Laboratório Cisco

Direção:
Renato Tapajós

Hidalgo Romero

Narração:
Zé de Abreu

Roteiro:
Hidalgo Romero

Produção Executiva:
Hidalgo Romero
Julio Matos

Produção de base:
Marcelo Felix
Bruna Schroder

Produção de campo:
Alexandre Machado

Direção de Fotografia:
Coraci Ruiz

Som direto:
Julio Matos

Montagem:
André Francioli

com a colaboração de:
Hidalgo Romero
Renato Tapajós

Pesquisa:
Isabela Moura

Consultoria:
Samuel Souza

Trilha sonora:
João Arruda
Marcelo Falleiros

Desenho de som e mixagem:
Guilherme Fiorentini

Colorização:
Tobias Rezende

Assessoria de comunicação:
Lucas Sequinato

Estagiárias:
Marília Dutra
Jéssica Isidoro

Arte Gráfica:
Arthur Amaral

Personagens:
Antônio Carlos Spis
Djalma de Souza Bom
Jair Antonio Meneguelli
Luiz Antonio Medeiros
Olívio Dutra
Vicente Paulo da Silva
Vagner Freitas de Moraes
Andréia Galvão
Armando Boito
Fausto Augusto Jr
Marcio Pochmann
Ricardo Antunes
Wagner Santana
João Felício
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Caio Toledo a Bolívar Lamounier

Coitados!
O cientista político Bolívar Lamounier está inconformadíssimo com a perspectiva de a ex-presidenta Dilma Rousseff ser eleita senadora pelo PT de Minas Gerais no dia 7 de outubro.

Tucano de carteirinha, ele lançou-se numa cruzada no Facebook para tentar reverter o inevitável.

No dia 17 de setembro, postou esta mensagem, conclamando os mineiros a um ”combate sem trégua contra a candidatura de Dilma”.


Pelo visto os mineiros não lhe deram ouvidos.

Nessa terça-feira,18/9, um dia portanto após o TRE-MG decidir que a candidatura de Dilma é absolutamente legal, Lamounier resolveu convencer os seus seguidores na base do grito.

Postou nova mensagem, que está logo abaixo.

Toda em caixa alta (letras maiúsculas), como se os leitores fossem surdos.


Indignado, o professor Caio Navarro Toledo, titular aposentado da Unicamp, reagiu, enviando esta mensagem ao Viomundo.

por Caio N. Toledo 
Um renomado acadêmico, de arraigadas convicções liberais, prof. Bolivar Lamounier – colaborador do Instituto Milennium e autor de inúmeros livros sobre o pensamento político brasileiro – escreveu em seu facebook um contundente libelo contra a eleição de Dilma Rousseff ao Senado.

Como se sabe, o prof Lamounier foi também – por meio de entrevistas, artigos, palestras, debates (entre eles, na Globo News) – um combativo militante na defesa do impeachment que derrubou o governo legítimo da ex-presidente da República.

Acreditando que é praticamente certa a vitória de Dilma Rousseff ao Senado pelo estado de Minas Gerais, caberia então indagar ao cientista político que iniciativa tomará logo após a eleição de 7 de outubro?

À semelhança de seu candidato à presidênca da República em 2014, Aécio Neves, entrará no TSE com um pedido de impugnação da eleita ou deixará o país a fim de não presenciar – em seu querido estado de Minas Gerais – a reencenação de uma nova farsa (ou tragédia?) política?

No Viomundo
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Viralizam tuites de Rita Lee de 2011: “Bolsonaro e eu tivemos um caso. Ele não era muito chegado na coisa”

Vários tuites da cantora debochando do presidenciável foram resgatados e viralizam nas redes


Internautas recuperaram, na noite desta terça-feira (18), tuites da cantora e compositora Rita Lee de 2011 onde ela debocha do presidenciável Jair Bolsonaro. Segundo Rita, ela teve um caso com o capitão, mas “ele não era muito chegado na coisa, se é que me entendem”.


“Bolsonaro e eu tivemos um caso. Ele ñ era mto chegado na coisa, se é q me entendem. Terminamos pq Bolsinho tava d olho num colega d classe.”

O tuite é seguido por vários outros, onde a cantora faz diversas insinuações contra o então deputado:





No Fórum
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Guedes, o “Posto Ipiranga” virou a “Viúva Porcina da Fazenda”


Prepare-se para um dia de desmentidos e, provavelmente, para outro “enquadramento” como o que sofreu ontem o General Mourão, o da fábrica de desajustados.

Pos o economista Paulo Guedes, chamado de “Posto Ipiranga” de Jair Bolsonaro disparou outro tirambaço no pé da campanha do ex-capitão, hoje, na Folha.

Falou uma asneira em escala mundial: a unificação, em um só valor de alíquota, do Imposto de Renda. Traduzindo: se você ganha R$ 3 mil, R$ 30 mil ou R$ 300 mil por mês, pagará os mesmos X % de imposto.

Cito apenas três países – nenhum “comunista”, minions – para mostrar que não há liberalismo algum na proposta amalucada de Guedes: No Canadá, as alíquotas variam de 15% a 29%, fora alíquotas de imposto de renda das províncias. Nos Estados Unidos, a tabela vai de 10% a 35%, e na Austrália, de 15% a 45%.

Ah, sim, para citar Israel, que adoram tomar como exemplo: lá o  Imposto de Renda  (Mas Hachnasa) vai de 10% a 34% e 48% (é, 48%!) para cada shekel ganho a mais, por ano, além de R$ 580 mil, em moeda brasileira.

Imposto de renda unificado não dá outra: se for por uma alíquota alta, faz os mais pobres pagarem mais; se for por uma alíquota mais baixa, deixa os ricos pagarem menos. O que, afinal, dá no mesmo.

A outra declaração, embora sobre uma questão menos absurda – a volta da CPMF -, é desastrosa para o pensamento de classe média do “menos imposto”, embora fosse uma boa medida até para conter evasão fiscal, desde que só adotada para transações de alto valor, sobre o que excedesse o limite de isenção.

Vai ser um furdunço entre os “maninhos” e o resto da turma de desqualificados que chefia – não me atrevo mais a dizer comanda – a campanha do ex-capitão. O Posto Ipiranga vai ter a bomba lacrada, para não falar mais besteira.

Estupidez à parte, é nisso que dão estes amontoados inorgânicos.

O sujeito chega lá, com dinheiro (Guedes) ou com divisas (Mourão) e se sente “dono do pedaço”. É evidente que Paulo Guedes ou qualquer outro economista jamais poderia dizer coisas deste tipo sem havê-las acertado com o candidato.

Paulo Guedes conquistou, por antecipação, o troféu de Ministro Viúva Porcina da Fazenda, o que foi sem nunca ter sido.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Nova pesquisa indica a vitória de Bolsonaro no primeiro turno


A nova rodada de pesquisa do Instituto Dataprado, o único sério e cem por cento confiável do país, indica que Jair Bolsonaro vencerá em primeiro turno as eleições de 2018, sagrando-se campeão nas urnas, derrotando o mal representando pelos candidatos da gentalha, além dos tradicionais candidatos dos homens de bem da nação, confirmando que o novo sempre vence.

Bolsonaro está disparado na frente, não dando chances para os demais postulantes ao cargo de mandatário maior da nação. Ele é visto pelos eleitores como o legítimo defensor da verdadeira família cristã, a verdadeira esperança branca das eleições, aquele que nos protegerá do comunismo e da imoralidade, dos negros e dos gays, das mães solteiras que criam os filhos com ajuda da avó, em suma, um verdadeiro líder máximo, merecedor de concentrar em suas mãos todo o poder da República para servir aos bons.

Em segundo lugar na pesquisa, mas muito distante, brigam pela posição Geraldo Alckmin e Amoedo, enquanto o pobre Meirelles e a Marina  já ficaram para trás, o candidato petista tem apenas um por cento das intenções, sendo bem votado apenas entre os imigrantes venezuelanos.

Prof. Hariovaldo Almeida Prado
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O mau filho à Folha torna

Antes que reclamem da Folha (“como é que chamaram de volta esse crápula?”), quero livrar a cara do editor. Fui eu que lhe ofereci meus serviços.

Estava com síndrome de abstinência. Achei que fosse ter uma vida mais tranquila se não escrevesse por aqui — mas acontece que continuava pensando em crônicas, só não tinha onde publicá-las. Saía falando crônicas pra desconhecidos na rua. Não prestavam atenção, mas isso não é problema. O problema é que não pagavam.

Pra ser um socialista de iPhone, é necessário comprar um iPhone. E, se não tenho um iPhone, viro um socialista de verdade. Falta, no socialista sem iPhone, alguma contradição risível, algo que o torne motivo de chacota. Um socialista de Android não tem o mesmo potencial cômico. Um socialista de fax, menos ainda.

A coluna versará, penso, sobre o Rio de Janeiro, esse manancial de piada, esse canavial de chistes, essa Foz do Iguaçu do constrangimento. Tenho pra mim que o Rio de Janeiro é o alívio cômico do Brasil. O prefeito já nomeou, duas vezes, pessoas que ele descobriu posteriormente que já tinham morrido. Não houve objeção porque qualquer cadáver, afinal, faz um trabalho melhor que os colegas.

O próprio governador, percebam, aparenta já ter morrido, mas ninguém se dá ao trabalho de avisá-lo. “Morto, pelo menos, não rouba.” Da minha parte, não tenho tanta confiança em cadáver. Especialmente do MDB. Temos na Presidência um exemplo vivo de ladrão morto.

Aqui escreverei no espaço de Ruy Castro, realizando um sonho da adolescência comunista: substituir um Castro. Ruy volta logo, pra sorte do leitor, e pra minha sorte, que gostava de ler esta coluna, e agora vou ter que parar de lê-la, já que não me interessa em nada o que o tenho a dizer. Mais que isso, minhas opiniões causam-me espécie. Ao menos isso temos em comum, caro leitor. Já é um bom começo.

Gregorio Duvivier
No fAlha
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Está consolidado o cenário eleitoral


Com a pesquisa Ibope de hoje, parece consolidado o cenário de segundo turno entre Bozo e o PT. A mídia boicota, o TSE proíbe, mas não adiante: Haddad, Andrade, Dadinho, seja quem for, está se tornando o representante de Lula na eleição e isso rende o apoio esperado.

Ciro mantém heroicamente os 11% do levantamento anterior, um resultado surpreendente diante da pouca estrutura de sua campanha, mas perde seu argumento final - o de que seu desempenho num eventual segundo turno contra o fascista seria melhor que o de Haddad.

A Alckmin não resta outro papel que o de coveiro do PSDB, partido que foi vitimado pelo próprio oportunismo e mesquinhez. A decadência ainda mais acentuada de Marina é a justa paga por sua falta de fibra e de ética como liderança política.

A pretensa onda Amoêdo, que nunca foi mais do que o reflexo do investimento pesado de dinheiro na campanha para determinados nichos, parece ter sumido sem deixar rastros. Preocupante para o banqueiro laranja, que no momento, segundo a imprensa, já negocia um cargo no ministério do Bozo, mas precisa de alguns votos para sustentar a barganha.

Mas esse é só o cenário eleitoral. Com a decadência acelerada da civilidade política no Brasil que o golpe instigou, é preciso olhar também para o que acontece em outros lados, como os quartéis.

Fazer campanha e votar são só um passo. Tem que mostrar na rua que um novo golpe não passará.

(N.E.: Agora há pouco Amoêdo negou que negocie um ministério do Bozo. Tá certo, é ruim se queimar assim sem nem saber se o cara vai ganhar.)

Luis Felipe Miguel
No Esquerda Caviar
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