18 de set. de 2018

Horário Eleitoral Livre




Leia Mais ►

Site revela se perfil nas redes sociais é real ou fake

Ferramenta é simples de ser acessada e verificada. Em caso de confirmação que a conta é bot o usuário pode denunciá-la.
Foto: Reprodução
Em julho deste ano, o Instituto InternetLab revelou que cerca de 400 mil seguidores do candidato à Presidência da República e líder nas pesquisas de intenção de voto Jair Bolsonaro (PSL ) – um terço do total – não são pessoas reais, mas perfis robôs (bots) utilizados para aumentar artificialmente o alcance de postagens e interações nas redes sociais. Esses perfis falsos promovem determinados conteúdos ou posicionamentos, influenciando diretamente o debate político nas redes. Para combater isso e revelar se um perfil é real ou fake, o Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS Rio) e o Instituto Equidade & Tecnologia criaram o PegaBot.

A ferramenta consiste em um programa de computador que analisa as postagens e interações feitas por um perfil, com o objetivo de identificar se é uma pessoa ou um robô que está gerindo a conta. “Estes bots têm como objetivo espalhar mentiras para influenciar narrativas, um fenômeno que desde 2014 vem ganhando escala global. Esses bots estão por aí e quase ninguém sabe como eles funcionam, quem os desenvolve e por quem são financiados. Para ajudar a combater esse problema, lançamos o PegaBot, uma ferramenta que traz mais transparência para o uso dos bots no Brasil”, descrevem as organizações.

Por enquanto o sistema só funciona no Twitter. Para utilizar a ferramenta, basta copiar o nome que segue a “@” e colar na busca da plataforma. Por exemplo, o perfil da RBA na rede social é: @redebrasilatual. O resultado da pesquisa do Pegabot é uma escala que vai de 0% a 100% de chance de aquele perfil ser um robô. Quanto mais alto o número, mais propenso a ser um bot. Após a constatação, o usuário pode denunciar a conta falsa. O levantamento do InternetLab concluiu que, em média, 37% dos perfis que seguem os candidatos à presidência no Twitter são robôs.

O candidato à Presidência com o maior número de seguidores robôs é o senador Álvaro Dias (Podemos). 60% dos 400 mil seguidores dele não são pessoas reais. O candidato com menor percentual de fakes é Guilherme Boulos (PSOL), com 14%. Geraldo Alckmin (PSDB) tem 45,8% de seguidores falsos. A candidata da Rede, Marina Silva, tem 36%; Ciro Gomes (PDT), 32%; Luiz Inácio Lula da Silva – que era o candidato do PT quando a análise foi feita – tem 22%; João Amoedo (Novo), 21%.

De acordo com o instituto, é comum que bots sigam e interajam com políticos nas redes por conta da popularidade deles, já que os robôs são programados para ter comportamento semelhante ao de pessoas reais. Porém, quantidades significativas de perfis falsos seguindo candidatos podem indicar a compra de robôs com o objetivo de inflar a reputação nas redes sociais, algo proibido tanto pela legislação quanto pelas regras de uso do Twitter.

Rodrigo Gomes
Da RBA
No Sul21
Leia Mais ►

Moro reafirma que nenhum valor da Petrobrás foi dirigido a Lula


O juiz da Lava Jato, Sergio Moro, voltou a afirmar que nenhum valor referente a contratos da Petrobrás foi dirigido ao ex-presidente Lula. A constatação foi novamente publicada em uma decisão recente, em que o magistrado rejeita novos argumentos da defesa de exceção de competência, ou seja, de que ele, Moro, não teria competência para julgar processos relacionados a Lula.

"Não há prova de que os recursos obtidos pela OAS com o contrato com a Petrobrás foram especificamente utilizados para pagamento ao Presidente. Mas isso não altera o fato provado naqueles autos de que a vantagem indevida foi resultado de acerto de corrupção em contratos da Petrobrás", declara Moro na nova decisão.

Leia Mais ►

O golpe vai perder a eleição, mas pode se reinventar

O fracasso golpista explica a ascensão da extrema-direita, resultado do desamparo, da descrença, da despolitização. Bolsonaro é subproduto do golpe

Golpe acelerou sentimento de descrença que foi canalizado por um sujeito que nega a política, a diversidade e os direitos humanos
O plano golpista era: "primeiro a gente tira a Dilma, depois a gente faz as reformas, retoma o crescimento econômico para, em seguida, legitimar o golpe e suas reformas nas urnas". Deu tudo errado, o golpe não retomou o crescimento, inviabilizou seus candidatos orgânicos, fortaleceu a esquerda e fez ressurgir a extrema-direita no Brasil.

O golpe de 2016 é uma mudança radical no projeto político e econômico, viabilizada por sujeitos históricos - como o vice presidente, parte da mídia, do judiciário e do congresso – e por um instrumento extraordinário, o impeachment.

Trata-se da mudança na estrutura de poder para a imposição de uma agenda neoliberal extremamente radical (com DNA tucano, diga-se de passagem) que prometia entregar confiança aos mercados e crescimento econômico para a população.
Mas o fracasso foi rotundo: golpe virou sinônimo de degradação social, desemprego em massa, desamparo aos trabalhadores e deterioração dos serviços públicos.

Esse contexto desolador explica o fortalecimento das candidaturas de esquerda que propõem a revogação das reformas golpistas, como a reforma trabalhista e a emenda do teto de gastos, e a volta do protagonismo do Estado na política social e na indução do crescimento.

O fracasso também explica a hipocrisia do candidato do governo golpista que mostra fotos com Lula e se associa às conquistas econômicas de seu governo. Da mesma forma, os tucanos tentam, sem sucesso, se dissociar do golpe e propor uma agenda social incompatível com a austeridade fiscal que defendem.

O fracasso golpista também explica a ascensão da extrema-direita que é resultado do desamparo, da descrença, da despolitização oriunda de crise econômica, política e institucional. Bolsonaro é subproduto do golpe e das políticas neoliberais que tendem a corroer as democracias e suscitar reações autoritárias.

Como discute o sociólogo francês Cristhian Laval, o fracasso de um sistema neoliberal fundado na racionalidade do cálculo econômico que esvazia a política e sua dimensão moral, em meio à crise social, dá lugar ao resgate da moralidade e de valores tradicionais e religiosos. Nesse contexto, o golpe acelerou um sentimento de descrença nas instituições que foi canalizado por um sujeito que nega a política, a diversidade e os direitos humanos.

Por fim, as eleições devem impor uma importante derrota ao golpismo, mas não se pode subestimar a capacidade do golpe se reinventar: seja ao embarcar na candidatura Bolsonaro e vestindo a camisa de um “novo neoliberalismo”, nacionalista e autoritário, ou coagindo um candidato vitorioso de esquerda a adotar a sua agenda, ou ainda, por meio do abandono das formalidades democráticas e a promoção de outro golpe que atropele novamente as urnas.

Pedro Rossi é professor do Instituto de Economia da Unicamp e organizador do livro “Economia para poucos: impactos sociais da austeridade e alternativas para o Brasil”
No CartaCapital
Leia Mais ►

Bolsonaro paga modelo negra estrangeira de banco de imagens para fazer papel de enfermeira pobre

O filme foi compartilhado por Eduardo Bolsonaro que, ironicamente, escreveu no seu post: “MULHER NEGRA E DE FAMÍLIA POBRE Somente a verdade nos liberta". Veja aqui

A enfermeira do Banco de Imagens. 
Foto: reprodução
O candidato à presidência, Jair Bolsonaro (PSL), soltou um filme na internet onde usa uma modelo negra vestida de enfermeira cuja imagem é vendida no banco de imagens da agência Shutterstock, por 79 dólares.


O filme no banco de imagens com o preço do lado. Foto: Reprodução
O filme foi compartilhado pelo filho do candidato, Eduardo Bolsonaro, que, ironicamente, escreveu no seu post:

“MULHER NEGRA E DE FAMÍLIA POBRE Somente a verdade nos liberta. Quem pede tudo ao Estado, tudo lhe é retirado, inclusive a liberdade.”

No filme, uma voz feminina diz, na narração de fundo:

“Sim, sou mulher, negra e vinda de família pobre, mas não passei procuração para que ninguém fale em meu nome. Há muito me libertei do vitimismo que muitos ainda insistem em me colocar sobre os ombros…”, diz a locutora.

No Fórum
Leia Mais ►

Indulto a Lula lembra rumor infundado sobre 3º mandato

Muita gente sem informação escreve e fala besteira

https://www.blogdokennedy.com.br/indulto-a-lula-lembra-rumor-infundado-sobre-3o-mandato/
Essa história de que Lula deseja um indulto lembra os rumores infundados de 2008 e 2009 de que o então presidente mudaria a Constituição para concorrer a um terceiro mandato. Quem tinha informação sabia que Lula não embarcaria na aventura, mas muita gente especulou, escreveu e informou erradamente que o petista buscava uma forma de obter um terceiro mandato.

Segundo petistas e amigos de Lula que estiveram com ele em Curitiba, o ex-presidente é muito resistente à ideia de um indulto (perdão judicial dado por decreto presidencial). Avalia que seria uma confissão de culpa. Lula quer provar sua inocência em tribunais superiores, dizem todos os que conversaram com ele.

Outro complicador: não se vê em Brasília facilidade para emplacar uma articulação desse tipo. Convém lembrar que, com o ativismo judicial em alta, o STF reescreveu o último decreto de indulto de Michel Temer, avançando sobre prerrogativas presidenciais.

Quando este jornalista trabalhava na “Folha de S.Paulo”, escreveu esta coluna sobre o tal terceiro mandato. Também tem esta outra Pensata aqui sobre o mesmo tema.

Ganha voto

O “efeito Lula” acelerou a transferência de votos do ex-presidente para Fernando Haddad, mostrou a pesquisa Datafolha divulgada na sexta passada. O detalhamento da pesquisa é ainda mais favorável a Haddad e a Jair Bolsonaro (PSL), que apresentam índices maiores de eleitores convictos do voto. Bolsonaro assumiu o lugar do PSDB na polarização com o PT.

Dizer que Lula mandará num governo Haddad traz mais votos para o candidato do PT à Presidência. A versão de que o ex-prefeito seria um poste, que não se sustenta na realidade, só deixa clara a proximidade entre Lula e Haddad. Eleitoralmente, o ex-prefeito ganha mais do que perde com essa associação.

Golpismo

O presidente do STF, Dias Toffoli, e o TSE fizeram bem ao responder a Bolsonaro, dizendo que a urna eletrônica é segura. Essa teoria conspiratória não deveria ser usada por um político que obteve 5 dos 7 mandatos de deputado federal por meio do voto eletrônico.

Essa argumentação é golpista e autoritária. Busca deslegitimar o resultado eleitoral. Os políticos e os cidadãos precisam aprender a respeitar o veredito das urnas. Aécio Neves errou em 2014. Quem ganhar deve ter pasta para governar. Quem perder deve buscar um mandato popular daqui a quatro anos.
Leia Mais ►

O estrago que Mourão fez


No Brasil, segundo o IBGE, há 11,6 milhões de lares formados por mulheres e seus filhos, sem a presença de cônjuges masculinos.

São, nas estúpidas palavras do vice de Jair Bolsonaro, as “fábricas de desajustados”.

Não ouço estupidez semelhante desde que D. Josefina, uma fofoqueira que morava na mesma vila que nós, no subúrbio do Lins de Vasconcelos, dizia às vizinhas que eu e meu irmão eramos os “desencaminhadores” da garotada por sermos os “filhos da desquitada”.

O estrago que Mourão fez na campanha de Bolsonaro, que andava até comprando imagens fake para não parecer machista é o de um disparo de obus.

Não adianta dizer que a “intenção era outra”, a de falar sobre a vulnerabilidade da mulher com estas solitárias responsabilidades familiares porque, não só não houve essa ressalva como, também, Mourão tem a obrigação de saber que está numa chama de indisfarçada misoginia.

Até a Rachel Sheherazade, direitista até à medula e uma das promotoras do pensamento brutal desta turma, protestou no Twitter.

“Crio dois filhos sozinha. Fui criada por minha mãe e minha avó. Não. Não somos criminosas.”

O General depois não reclame quando uma mulher o puser para correr.

Como as mulheres, felizmente, vão por para correr o seu chefe.

Fernando Brito
No Tijolaço
Leia Mais ►

Sheherazade foi amarrada ao poste pelos linchadores que cultivou

Ela
Rachel Sheherazade está sendo atacada pelos monstros que criou e cultivou com carinho ao longo dos últimos cinco anos (pelo menos).

Ela, que defendeu o linchamento de um rapaz negro no SBT Brasil, marco da barbárie jornalística, entrou na campanha contra Jair Bolsonaro com a hashtag “ele não”.

“Sou mulher. Crio dois filhos sozinha. Fui criada por minha mãe e minha avó. Não. Não somos criminosas. Somos HEROÍNAS!”, escreveu.

A referência era a declaração do general Mourão, vice de Bolsonaro, segundo o qual casa só com “mãe e avó” em áreas pobres é “fábrica de desajustados”.

“Isso. Apoie a esquerda que te massacrou”, rebateu um bolsomion.

“Isso não é um apoio aos comunistas. É um repúdio aos fascistas!”, devolveu Rachel.

Para um outro, questionou se o sujeito queria “esse clima de ódio” para o país. Essa é de chorar.

Sheherazade está emulando seu ídolo Reinaldo Azevedo, que criou legiões de imbecis nas costas de Lula, Dilma e o petismo, orgulhoso sabe Deus por quê de inventar o termo “petralha”, até ser pego pela Lava Jato num grampo com Andrea Neves.

Virou um conservador sensato, antibolsonarista. Por enquanto.


Defendeu Bolsonaro no episódio Maria do Rosário. Chamou feministas de “feminazis”.

Rachel se move por interesses que ainda não estão claros. Vão aparecer.

Está sendo massacrada por seu público, que se sente compreensivelmente traído pela musa e mentora.

Como reza aquele velho clichê que todo mundo fala em espanhol porque parece mais chique: cria corvos, que eles te sacarão os olhos.

Amarraram Rachel num poste e a estão linchando.

Como culpá-los?

Ela mesma avisou: “O que resta ao cidadão de bem que, ainda por cima, foi desarmado? Se defender, é claro”.





Kiko Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

Infecção golpista

http://www.jb.com.br/colunistas/coisas_da_politica/2018/09/7235-infeccao-golpista.html

As declarações feitas pelo candidato Jair Bolsonaro numa transmissão ao vivo em rede social são graves, são preocupantes e deviam ter sido rebatidas pelos demais candidatos. Resumidamente, ele prevê que vai perder no segundo turno por conta de uma fraude da urna eletrônica que o PT já teria armado. E com isso, revela sua disposição para contestar o resultado e a legitimidade do pleito, deixando no ar a possibilidade de um golpe contra a suposta fraude, que poderia ter a participação militar.

No final do vídeo ele dirige um agradecimento aos que o apoiam na Marinha, no Exército e na Aeronáutica, “como cidadãos e não como instituição”. A saudação veio depois das graves declarações, para deixar bem claro com quem ele conta para resistir. Quando Bolsonaro foi esfaqueado, no dia 6, o comandante do Exército, general Vilas Boas, declarou que o ataque poderia comprometer a legitimidade do pleito: se Bolsonaro ficasse impedido de participar da campanha, poderia atribuir a isso uma eventual derrota, assim como, se ganhasse, os outros poderiam dizer que ele foi favorecido pela vitimização.

Ontem, o candidato a vice na chapa de Bolsonaro, general Hamilton Mourão, pediu que fossem relevadas as declarações de um homem fragilizado, que quase morreu. Externou confiança no sistema. “O jogo é este, vamos jogar e ganhar no primeiro turno. Quem vencer, venceu. Só tenho pena do Brasil se o PT vencer”

Só pode estar no jogo quem confia no sistema de votação e apuração. Por isso os demais candidatos deviam ter repelido as declarações de Bolsonaro, questionando por antecipação a lisura do pleito. Mas, entre eles, apenas Geraldo Alckmin contestou Bolsonaro. O presidente do STF, ministro Dias Toffoli, também lembrou que o presidenciável do PSL nunca reclamou da urna eletrônica nas sete vezes em que se elegeu deputado.

Mais que sandices

Bolsonaro disse coisas muito graves, que não podem ser relevadas só porque sofreu um atentando e está visivelmente debilitado. O que ele disse expressa a percepção de segmentos militares e civis que gravitam em sua órbita. Não são de agora suas críticas a uma suposta vulnerabilidade da urna eletrônica. Disse ele que “a narrativa agora (a partir das últimas pesquisas) é a de que perderei no segundo turno para qualquer um. A grande preocupação não é perder no voto, é perder na fraude. Então, essa possibilidade de fraude no segundo turno existe, talvez até no primeiro”. E ainda: “O PT descobriu o caminho para o poder: o voto eletrônico”. Para ele, o partido disporia de programas que poderiam inserir uma média de 40 votos em cada urna, em todo o país. Antes, afirmou que Lula, podendo fugir, e contando com proteção de ditaduras estrangeiras, só pode ter se entregado porque tinha um plano B. O plano da fraude, para eleger Haddad, que o indultará. Não apenas o PT mas todos os candidatos deveriam repelir tão graves afirmações sem a apresentação de indícios ou provas, que buscam desqualificar, por antecipação, a eleição de que o país precisa tanto para sair do beco em que se encontra.

Na semana passada, em corajosa e honesta autocrítica, o senador Tasso Jereissati, ex-presidente do PSDB, reconheceu três erros cometidos por seu partido, que ajudaram a fomentar a crise política. Primeiro, a contestação do resultado da eleição de 2014, quando Aécio Neves, derrotado por Dilma, pediu recontagem dos votos e a impugnação da chapa Dilma-Temer, abrindo a porta para a instabilidade política. Depois, seguindo o comando de Eduardo Cunha, o partido participou da sabotagem ao governo Dilma, que tentava corrigir seus próprios erros econômicos. O terceiro teria sido participar do governo Temer.

O que Bolsonaro faz agora é mais grave, ao colocar sob dúvida uma eleição que ainda nem aconteceu, num ambiente em que, diferentemente de 2014, os militares voltaram a dar pitacos na política.
Leia Mais ►

Nota Oficial - UFRJ


Resposta ao jornal O Globo

Em editorial publicado nesta segunda-feira (17/9/18), o jornal O Globo ofende a comunidade científica mundial e, em particular, a brasileira, ao chamar a UFRJ e a Uerj de instituições falidas. A vulgaridade e a violência contra as instituições demonstram o tempo de irracionalismo e violência vivido no Brasil de hoje. Desconsiderando a ética e a verdade, O Globo tem contribuído com a propagação de fake news em prol de seus interesses particularistas.

São muitos os exemplos de manipulação que poderíamos citar, mas voltemos à edição do dia 6/9. Enquanto afirmava em editorial que a Universidade havia recusado, há trinta anos, uma oferta de US$ 80 milhões do Banco Mundial para supostos projetos no Museu Nacional, o jornal trazia, na página 16, o desmentido oficial do próprio Banco, informando que a proposta não prosperou em virtude de circunstâncias externas à UFRJ.

Não existe falência da UFRJ e, seguramente, da Uerj. No mês passado, a Universidade Federal do Rio de Janeiro foi apontada pelo ranking de Xangai como a melhor universidade federal do Brasil. Por dois anos consecutivos, a UFRJ aparece no ranking universitário do jornal Folha de São Paulo como a melhor do país. É responsável por cerca de 10% dos programas de pós-graduação com qualidade internacional, conceitos 6 e 7 da Capes e seus cursos de graduação estão entre os melhores do Brasil, conforme resultados do Enade e do MEC.

Estamos falando da instituição que ajudou o país a descobrir o pré-sal, que investigou prontamente a correlação entre zika e microcefalia. A UFRJ equivale a uma cidade. Os seus campi recebem mais de 70 mil pessoas por dia. Possui mais de mil laboratórios e cinco hospitais de ensino. Apenas um deles, o Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, realiza cerca de 300 mil atendimentos ambulatoriais e seis mil cirurgias por ano. Seus estudantes da graduação e da pós-graduação estão entre os mais bem formados, com complexas atividades de ensino, pesquisa e extensão.

Importante destacar, também, que a expansão universitária veio acompanhada do crescimento da UFRJ, com novos cursos, novas matrículas, novos programas de pós-graduação e a criação de dois novos campi.

A UFRJ é uma instituição capaz de assegurar um padrão de qualidade conforme todos os melhores indicadores, além de ser referência no país, mesmo com os brutais cortes orçamentários sofridos nos últimos quatro anos, o que levou a instituição a operar em déficit. Em 2014, o orçamento da UFRJ era de R$ 434 milhões; neste ano, foi de R$ 388 milhões.

O editorial desta segunda-feira volta a insinuar que os gastos com pessoal são crescentes, acima da inflação, o que não é verdade. Em 2014, as despesas com pessoal correspondiam a R$ 2,73 bilhões; em 2018, a R$ 2,66 bilhões. O jornal O Globo fala em excesso de servidores, mas inclui no cálculo da folha os aposentados e pensionistas, induzindo o leitor a erro a partir de premissas erradas. Caso observasse a metodologia internacionalmente aceita da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), não utilizaria no custo corrente da instituição as despesas com aposentados e pensionistas (gastos previdenciários). Como a observação metodológica já foi exaustivamente explicada ao jornal, o leitor somente pode concluir que não há compromisso com a verdade.

Quase 70% dos estudantes das universidades federais do país possuem renda per capita abaixo de 1,5 salário mínimo, portanto não teriam as mínimas condições de incluírem pagamento de mensalidade em suas contas mensais. A defesa com a gratuidade da educação é um imperativo ético para o futuro do país. Assim, a forma correta de corrigir as injustiças sociais passa por uma reforma tributária progressiva que incida sobre renda, patrimônio e capital.

Seria muito importante que o editorial explicasse o que quer dizer com aparelhamento partidário. A UFRJ é uma instituição autônoma em relação aos partidos, aos credos religiosos e aos interesses particularistas presentes no Estado e no mercado. Esse é um valor sólido da instituição. Ilações que atribuem a opção partidária constitucionalmente assegurada a todos os cidadãos à manipulação político-partidária da instituição novamente desrespeitam a instituição. A UFRJ é ciosa de sua autonomia e jamais permitiria ser manipulada partidariamente.

A UFRJ, como as demais universidades, presta contas à sociedade por diversos meios, como órgãos de controle e, sobretudo, pelo que a instituição assegura à sociedade brasileira. A UFRJ tem orgulho de afirmar que o seu principal indicador de eficiência na aplicação dos gastos são os seus resultados auspiciosos e reafirma que a melhor forma de debater o tema da universidade brasileira é com estudos rigorosos, portanto com o abandono de ideias preconcebidas. Antes de olhar para seus próprios interesses, cada sujeito deve mirar os melhores anseios e possibilidades de futuro. Esse é o debate que a UFRJ anseia e reivindica.

Reitoria da UFRJ
17/9/2018
Leia Mais ►

Mulambos e Calabares


O candidato a vice do capitão Bolsonaro, o general Mourão, em sua mais recente aparição pública mostrou definitivamente ao que veio na campanha eleitoral. Segundo noticiou a mídia em geral, o general Mourão chamou os países emergentes de “mulambada”, em especial os africanos, asiáticos e latinos, e disse que sua “chapa” é contrária a política Sul-Sul de Lula. As esclarecedoras palavras evidenciam preconceito e ignorância geopolítica, confirmando um indisfarçável alinhamento aos interesses norte-americanos.

O que disse o general Mourão, segundo a mídia:

– “Partimos para aquela diplomacia que foi chamada de Sul-Sul, e aí nos ligamos com toda a mulambada, me perdoe o termo, existente do outro lado do oceano e do lado de cá que não resultaram em nada, só em dívidas, e estamos tomando calote”, afirmou, referindo-se à política externa dos governos petistas, que priorizou países africanos, asiáticos e sul-americanos”.

Um dos grandes acertos da política internacional do governo Lula foi, em boa hora, aprofundar relações multilaterais no âmbito Sul-Sul, ou seja, com países da África, China e Índia, além dos países da América do Sul, Central e Caribe. O Brasil é um dos principais protagonistas da criação de uma das grandes obras da moderna geopolítica mundial, o BRICS (Brasil – Rússia – Índia – China – África do Sul). Um articulação política, econômica e de mercados para além da submissão ao imperialismo norte-americano, o que incomoda o general Mourão e seus partidários, desde os tempos do governo Geisel.

Também correta e positiva para o Brasil foi a politica de integração regional construída por Lula, revertendo um clássico distanciamento do país com os vizinhos latino-americanos. Um conjunto de iniciativas que, seguindo a orientação do general Mourão, seriam revistas, colocando os países na mira do intervencionismo dos Estados Unidos, a exemplo da ameaça contra a Venezuela. A traição aos valores nacionais e das próprias FFAA de solidariedade internacional já chegou ao ponto de trazer o exército inimigo para dentro da Amazônia, com objetivo de agredir um país fronteiriço.

Vejamos, mais uma vez, o que pensava o general Ernesto Geisel, então presidente, das teses sobre a “mulambada”, na época esposadas pela turma do general Silvio Frota, que hoje tentam ressuscitar nas palavras do general Mourão:

– “O mesmo problema surgiu quando reatei as relações com Angola. A mesma história: “É um país comunista, os Estados Unidos estão subsidiando a revolução contra o governo de Angola, e nós somos solidários com os Estados Unidos!”. Respondi: “Não, neste ponto eu não sou solidário. Acho que os Estados Unidos não têm o direito de fomentar a revolução em outro país. Não concordo com este posicionamento. E tem mais: Angola é fronteira marítima com o Brasil. Nossa fronteira oriental é toda a costa oeste da África. Então, não vamos ter relações com um país fronteiriço!. Além disso, Angola é descendente de Portugal, fala como nós, a mesma língua. E há outro interesse: as perspectivas são de que o litoral angolano tenha petróleo, e nós poderemos obter suprimento em Angola”. Respondiam: “Mas o governo é comunista!”. E eu: “É, é subsidiado pela Rússia, mas a revolução que existe em Angola é subsidiada pelo americano. O americano está financiando uma revolução lá dentro!”. A Unita, até hoje, ainda é subsidiada pelo americano em armamento, em munição e dinheiro e tudo mais. “Que direito têm os Estados Unidos de intervir no país e lá provocar uma revolução?. Não temos nada com isso, não temos nada com a Unita. No passado, sempre transacionávamos com Angola, e agora temos interesse em trazer petróleo de lá”. Foi outra discussão. Eu dizia: “Vocês têm de abrir os olhos, o mundo é outro!. Vocês não podem ficar nesse círculo estreito!”. Eles engoliram a solução, mas evidentemente, resmungando.

* Ernesto Geisel, na sua biografia organizada por Maria Celina D’Araújo e Celso Castro, editada pela Fundação Getúlio Vargas.

Pelo que disse o general Mourão, os “resmungos” atuais não são contra Lula e sua acertada política de relações internacionais mas, na verdade, contra o próprio general Ernesto Geisel, aliás alvo de suas críticas – e, não por acaso, da CIA, recentemente. O que Lula fez foi dar prosseguimento ao pensamento de Geisel, que não só reatou relações com Angola, na situação relatada por ele, mas também com a China, contra a vontade da linha dura. Ao contrário dos candidatos à “guarda pretoriana do Império“, Lula e a política externa praticada em seus governos tem compromisso com o Brasil e os brasileiros, da mesma forma que Geisel, a seu tempo.

O que pretendem os atuais herdeiros do general Silvio Frota, o chefe da linha dura da ditadura. com a política de isolamento internacional do Brasil e o alinhamento automático e submisso aos interesses políticos e econômicos norte-americanos? Imaginam que a indústria, o agronegócio nacional vai se submeter às sobre-taxas, sanções ou aceitar as retaliações norte-americanas, no atual estágio da guerra comercial mundial? Acreditam que, a essas alturas, o povo aceitará a política de recolonização selvagem, sob o chicote de capitães do mato, imposto pelo imperialismo decadente?

As palavras do general Mourão traduzem a negação da história do Exército Nacional, parido na “Guerra Brasílica”, no século XVII, que uniu índios, negros e portugueses – ou seriam “mulambos”? – em defesa da integridade do território nacional, que expulsou os holandeses. Com esta visão exposta pelo general, por certo não teriam vez em seu Exército heróis daquela batalha como o índio Felipe Camarão, e sua esposa Clara Camarão, o negro Henrique Dias ou o português André Vidal de Negreiros. O Brasil é resultado da união das três raças, e muitas outras que aqui aportaram, contrariando frontalmente a xenofobia e o racismo que tentam impor.

O Brasil está no epicentro de uma grande batalha mundial, exigindo patriotismo, sabedoria e coragem de seus dirigentes para defender a soberania e a independência nacional e impedir a rapinagem das nossas riquezas e do nosso povo. O Brasil tem vocação para tornar-se uma grande Nação, fato que pode ser sintetizado atualmente na dimensão que assumiu o presidente Lula perante o mundo. As eleições no Brasil que se aproximam, portanto, são o principal acontecimento político mundial desses tempos, em que os brasileiros rejeitarão os novos Calabares e afirmarão a soberania nacional e popular.

* Mulambo é uma palavra de origem africana, usada durante o período escravagista no Brasil para se referir aos negros e ao modo como se vestiam.

Fernando Rosa & Felipe Camarão
No Senhor X
Leia Mais ►

Bolsonaro, Soberania e Alcântara

Corria o já longínquo ano de 2001. Na época, eu trabalhava como assessor para política externa e defesa nacional na Liderança do PT na Câmara dos Deputados e acompanhava todas as sessões da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN) naquela casa.

Foi exatamente nessa época que a CREDN recebeu a Mensagem nº 296, de 2001, do Poder Executivo, a qual encaminhava ao Congresso Nacional o texto do “Acordo entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo dos Estados Unidos da América sobre Salvaguardas Tecnológicas Relacionadas à Participação dos EUA nos lançamentos a partir do Centro Lançamento de Alcântara”, o famigerado Acordo de Alcântara.

Foi designado Relator da matéria o saudoso Deputado Waldir Pires, homem de profunda cultura jurídica e um grande patriota. Educadíssimo, modesto e um verdadeiro gentleman, como só os grandes homens são, o Doutor Waldir Pires me concedeu a honra de elaborar para ele seu parecer sobre o tema.

Estudamos minuciosamente o assunto e o Doutor Waldir conversou longamente com grandes especialistas na matéria.

Elaborei para ele um pormenorizado voto pedindo a rejeição do Acordo, por ser ele atentatório à soberania nacional, inteiramente assimétrico e colocar o programa espacial brasileiro em estreita dependência do programa espacial norte-americano. Na realidade, o objetivo não manifesto do acordo era mais impedir que o Brasil desenvolvesse seu próprio veículo lançador e cooperasse com países como a China, na operação da sua base de lançamentos. Mas isso é tema para um longo artigo.

O fato é que o parecer do Doutor Waldir, muito bem fundamentado, caiu como uma bomba na CREDN. O governo ficou em polvorosa, pois o parecer desmontava, com lógica cartesiana, todos os argumentos oficiais para a aprovação do Acordo. Os deputados, mesmo os governistas, ficaram impressionados e passaram a considerar improvável ou muito difícil a aprovação do ato internacional.

Fora do Congresso, a repercussão foi também muito grande, especialmente na área militar. Agora, que o Doutor Waldir infelizmente se foi, posso me permitir uma indiscrição. Ele me confidenciou que havia recebido uma mensagem do General Alberto Cardoso, então Chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, expressando sua aquiescência com a posição contrária ao Acordo de Alcântara. Os militares de então trabalhavam, discretamente, pela rejeição do ato internacional. Queriam manter o controle da base e desenvolver o veículo lançador de satélites.

O governo reagiu exercendo muita pressão sobre os deputados da base. Surgiu, então, a estratégia de apresentar um voto que, em vez de pedir a rejeição pura e simples do Acordo, acolhesse todas as críticas ao texto e propusesse sua aprovação com supressões, modificações e ressalvas. O Doutor Waldir negociou com todos os partidos e apresentou um parecer aditivo que propunha uma série de modificações profundas ao texto do ato internacional.

A estratégia tinha duas vantagens:

a) Agregava apoio à posição crítica ao Acordo.

b) Elevava o papel do Congresso Nacional na apreciação de atos internacionais, na medida em que propunha alterações ao texto negociado pelo Executivo.

Na prática, sabíamos que as alterações que estávamos propondo, embora necessárias para preservar a soberania nacional, eram de tal ordem que jamais seriam aceitas pelo governo brasileiro da época e, muito menos, pelo governo americano. Sabíamos que, se aquele parecer fosse aprovado, o Acordo, tal como redigido, estava enterrado.

No dia da sessão de votação, fomos surpreendidos por uma série de elogios ao trabalho do Doutor Waldir Pires. Todos os partidos, sem exceção, manifestaram total apoio ao parecer do Doutor Waldir. Mesmo o PSDB e o PFL (hoje DEM) expressaram seu entusiasmo com o parecer. O mínimo que se disse é que a sessão era histórica, que o parecer era primoroso, que nenhuma outra Comissão teria capacidade de derrubar o trabalho que seria ali aprovado, como de fato aconteceu. Formou-se, assim, uma grande frente suprapartidária contra o Acordo de Alcântara.

Entretanto, chegou a hora de manifestar seu voto um deputado de perfil, por dizê-lo de forma eufemística, extremamente discreto, que só abria a boca, em geral, para defender pautas corporativas de militares e a finada ditadura. Nunca o vimos, naquela comissão, expressar opinião relevante sobre os grandes temas internacionais ou apresentar algum relatório ou projeto expressivo.

Para nossa surpresa, as Notas Taquigráficas da Câmara registraram para a história a seguinte manifestação:

“O SR. DEPUTADO JAIR BOLSONARO – Louvo a competência do Deputado Waldir Pires, mas por outras razões que, no momento, preservo-me de citar, voto contrariamente ao projeto”- Câmara dos Deputados, CREDN, Notas Taquigráficas, 31/10/2001)

Ficamos um tanto perplexos. Sabíamos que a maior parte das Forças Armadas queria a rejeição do Acordo e apoiava, por conseguinte, a proposta do Doutor Waldir Pires. Pensávamos que o referido deputado estava alinhado com essa posição. Ficamos mais perplexos ainda com a recusa do deputado em explicitar as razões que o tornavam a única voz discordante de uma grande frente pela soberania nacional e pelo programa espacial brasileiro.

Na época, imaginamos que o voto podia ser resultado de alguma implicância ideológica contra o PT ou contra o Deputado Waldir Pires, que fora figura proeminente no governo João Goulart.

Na perspectiva atual, contudo, talvez aquele voto faça algum sentido maior.

Com efeito, depois de ter batido continência à bandeira americana em Miami, Bolsonaro vem externando sua admiração a Donald Trump e sua intenção de alinhar a política externa brasileira e, portanto, a política de Defesa do Brasil, à geoestratégia global dos EUA.

Como Trump, Bolsonaro quer reduzir os compromissos do Brasil com as mudanças climáticas e a proteção aos direitos humanos. Como o imprevisível Trump, Bolsonaro e seguidores veem com desconfiança o multilateralismo e instituições como a ONU, associadas, em suas mentes delirantes, a uma “conspiração socialista global”. Também veem com muitas reservas as alianças estratégicas com países emergentes e o papel dos BRICS.

Recentemente, seu vice, o pitoresco General Mourão, o Ariano, associou a exitosa vertente Sul-Sul da diplomacia ativa e altiva a uma aproximação à “mulambada” de lá (África) e cá (América Latina), que só teria “atrasado o Brasil”. O povero não sabe que foi a “mulambada” de cá e lá (América Latina e outros países em desenvolvimento) que absorveu, entre 2010 e 2015, cerca de 60% das nossas exportações de manufaturados. Os países desenvolvidos, o pessoal loiro e de olhos azuis, de quem Mourão parece tanto gostar, compraram somente 40% dos nossos produtos industrializados.

A verdade é que o grupo de Bolsonaro ainda vive nos jurássicos tempos da Guerra Fria, ainda acredita na superioridade da raça ariana, ainda acha que existe uma “conspiração comunista global” e, portanto, ainda enxerga no alinhamento automático com os EUA uma salvação contra as terríveis ameaças dos “comunistas”, dos “quilombolas” e da “mulambada”.

Dentro dessa perspectiva macarthista, sobrevivente da Guerra Fria e da ditadura, aquele voto estranho do Deputado Bolsonaro contra a frente pela soberania nacional criada na CREDN, por ocasião da votação do Acordo de Alcântara, faz sentido. É possível que não tenha sido mero capricho político.

Afinal, para quem bate continência à bandeira americana e admira Trump, a defesa da soberania, a defesa da nossa base, deve ser coisa de “comunista” ou de “mulambos”.

Marcelo Zero
Leia Mais ►

Noam Chomsky no Barão de Itararé — assista

O professor Laurindo Leal Filho cumprimenta Chomksy, na sede do Barão do Itararé
Foto Luiz Carlos Azenha

Chomksy: Uma emissora que defendesse a derrubada do governo (como a Globo no Brasil) não seria tolerada nos Estados Unidos

Dentre os vários títulos informais concedidos ao linguista Noam Chomksy está o de Sócrates dos Estados Unidos, uma tarefa que desempenhou “nas sombras” por mais de meio século — ou seja, fora das páginas do New York Times e longe das lentes das redes ABC, NBC ou CBS.

Aos 89 anos de idade, ele é também uma espécie de ombudsman da hipocrisia ocidental, região compreendida aqui como os EUA e seus aliados europeus.

Foi essa a tarefa que Chomsky desempenhou na noite da segunda-feira, 17, ao se encontrar com blogueiros, jornalistas e ativistas na sede do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, no centro de São Paulo.

Chomksy começou sua palestra com um resumo da perversa supressão de informações que testemunhou ao longo de décadas nos Estados Unidos, patrocinada pelas mega corporações que vendem notícias e produzem na população estadunidense o que chamou, citando Gramsci, de “senso comum hegemônico internalizado”.

Seriam limites invisíveis não só ao que as pessoas podem dizer, mas pensar — um gulag intelectual forjado pela censura e autocensura.

Deu dois exemplos, relativos à guerra do Vietnã e à invasão do Iraque.

No primeiro caso, a opinião mais à esquerda era a do jornalista Anthony Lewis, do New York Times, que atribuía o início do conflito à “tentativa desajeitada de fazer o bem” dos Estados Unidos.

Quando a tentativa colapsou, nos anos 70, Lewis dizia que o custo seria muito alto para que os norte-americanos “impusessem a democracia e a liberdade ao Vietnã”.

Chomsky contrastou isso com as pesquisas de opinião segundo as quais 70% dos norte-americanos entrevistados consistentemente diziam que a guerra do Vietnã era “imoral”, não um erro como sustentava Lewis — pesquisas cujos resultados foram majoritariamente suprimidos da mídia e do debate sobre a guerra nos Estados Unidos.

No caso da ocupação do Iraque, a opinião mais à esquerda foi do próprio presidente Barack Obama, que descreveu o conflito como um “erro estratégico”.

Chomsky lembrou que foi exatamente assim, como um “erro estratégico”, que generais de Hitler descreveram a desastrada tentativa de abrir duas frentes na Segunda Guerra Mundial, contra a Europa Ocidental e a União Soviética.

Não é preciso dizer que o paralelo entre o que diziam os generais nazistas e Obama nunca foi traçado pela mídia nos Estados Unidos.

Outras pesquisas de opinião

Chomsky utilizou outros exemplos sobre a contradição entre o resultado de pesquisas de opinião e a opinião publicada — num dos casos, da mídia altamente concentrada e direitista da América Latina.

Relatou que, no Chile, estranhou o antichavismo de intelectuais locais, justamente quando pesquisas de opinião do Latinobarómetro, baseado em Santiago, registravam que os venezuelanos estavam entre os maiores apoiadores da democracia e de seu governo, ao lado dos uruguaios.

A oposição a Hugo Chávez havia, assim, penetrado no “senso comum” dos chilenos, mal informados pela imprensa local.

Exemplos de antichavismo epidérmico não faltam no Brasil.

Aqui, lembra o Viomundo, mesmo um doutor em Sociologia pela Universidade de Oxford, como Celso Rocha de Barros, ao atacar ideias bolsonaristas na Folha de S. Paulo, fez uma comparação bizarra.

O colunista, lembrando a proposta do vice de Bolsonaro, o general Hamilton Mourão, de fazer uma Constituinte de notáveis, escreveu:

Segundo o plano de Mourão, essa Constituição depois teria que ser aprovada por referendo. Nada contra referendos, mas, se você segue o noticiário sobre a Venezuela, já viu para onde isso vai.

Uma bobagem, já que a realização de referendos está prevista na Constituição da Venezuela, aprovada com amplo apoio popular: transcorrido metade do mandato, cumpridas determinadas regras, o governante pode enfrentar um referendo revogatório, uma medida eminentemente democrática.

Chávez, aliás, enfrentou um referendo revogatório, com o potencial de apeá-lo do poder — e venceu.

Outro exemplo de Chomsky refere-se à pesquisa Gallup feita em 2013, sobre qual país do mundo era a maior ameaça à paz mundial.

Nos Estados Unidos, os mais citados foram o Irã e a Coreia do Norte.

No resto do mundo, os Estados Unidos ganharam de lavada como “a maior ameaça à paz”.

Os resultados da pesquisa Gallup não foram divulgados na mídia corporativa dos Estados Unidos — e o instituto de pesquisas nunca mais incluiu a pergunta em seus levantamentos.

A Globo e o Brasil

Em sua palestra, Chomsky disse que os governos de esquerda da América Latina nunca de fato suprimiram a imprensa, como quiseram fazer parecer os barões midiáticos da região.

Ele lembrou que foi convidado por um amigo a visitar a Nicarágua quando o governo sandinista era acusado de limitar a tinta de impressão disponível para o diário La Prensa, o de maior circulação.

Porem, em sua investigação, Chomksy constatou que o jornal defendia abertamente os contras, guerrilheiros que promoviam guerra civil contra o governo sandinista com apoio militar dos Estados Unidos.

Chomsky disse que, nas mesmas circunstâncias, nos Estados Unidos, os donos do La Prensa provavelmente seriam colocados diante de um pelotão de fuzilamento, por apoiar a derrubada de um governo eleito instalado na Casa Branca.

Quando perguntando por que o presidente Lula não enfrentou a Globo no Brasil quando estava no poder, sem citar a emissora Chomsky disse que este é um padrão dos governos de esquerda em toda a América Latina: nunca de fato ameaçaram a mídia hegemônica.

Reafirmou que emissoras que promovessem ou tentassem promover a derrubada de governos jamais seriam toleradas nos Estados Unidos ou nos países aliados europeus — como o Reino Unido e a França.

Os donos destas emissoras, frisou, seriam no mínimo presos.

Os EUA e a América Latina

Chomsky não acredita numa invasão militar da Venezuela pelos Estados Unidos, embora as tentativas de sabotagem e subversão sejam conhecidas desde o golpe contra o governo Hugo Chávez.

Segundo ele, uma invasão vai além da capacidade de Washington.

Para fazer uma comparação histórica, lembrou que o golpe de 64 no Brasil foi planejado nos Estados Unidos e descrito pelo então embaixador no Brasil, Lincoln Gordon, como a maior “vitória para a democracia” da metade do século passado.

Dois anos antes, em 1962, o presidente John Kennedy havia determinado que os exércitos da América Latina deveriam mudar de prioridade, da defesa do Hemisfério (herança da Segunda Guerra Mundial) para a doutrina de segurança nacional, ou seja, combater o próprio povo.

Tal era o grau de comando de Washington sobre seu “quintal”, frisou Chomksy.

Nos últimos 15 anos, no entanto, ele acredita que a América Latina esteve livre do “controle total direto” dos Estados Unidos, como se viu nos anos 60 e 70.

A ONU e Lula

Sobre a decisão do Brasil de desconhecer liminar do Conselho de Direitos Humanos da ONU, que pediu a autoridades brasileiras que permitissem ao ex-presidente Lula concorrer ao Planalto, Chomsky disse acreditar que não haverá consequências internacionais.

Os Estados Unidos, lembrou, desprezam o Conselho e a própria ONU.

Destacando o “excepcionalismo” dos Estados Unidos quanto às regras internacionais, Chomsky apontou para a lei aprovada pelo Congresso norte-americano que permite aos Estados Unidos resgatar com uso de força militar qualquer soldado estadunidense que porventura for submetido à Corte Internacional de Justiça, em Haia, na Holanda.

Na Europa, a lei é conhecida jocosamente como “Lei da Invasão da Holanda”.

Governo socialista nos Estados Unidos

Chomsky afirmou que não vê no horizonte a eleição de um governo socialista nos Estados Unidos, embora o democrata Bernie Sanders se defina como socialista.

Segundo ele, a opinião pública moveu-se tão à direita nos EUA que hoje um governo social democrata moderado provocaria arrepios nos conservadores.

Um governo como o do general Eisenhower, por exemplo, poderia muito bem ser taxado de “socialista”, ironizou Chomsky.

Ele afirmou, no entanto, acreditar na construção de instituições socialistas dentro da ordem capitalista — como cooperativas e empresas controladas por trabalhadores, o que vem acontecendo nos Estados Unidos.

Pacto suicida

Chomsky falou em sua apresentação sobre a gravidade da crise ambiental.

Justamente no momento em que o aquecimento global ameaça, em duas gerações, provocar um aumento de dez metros de altura nas marés, a sociedade capitalista decidiu “maximizar o uso de combustíveis fósseis”.

Segundo ele, os bancos internacionais abriram os cofres para financiar a exploração petrolífera, mesmo diante da ameaça de extinção dos humanos.

O lucro acima de tudo, “sejam quais forem as consequências”, embala o que Chomsky chamou de “pacto suicida” do capitalismo.

Bolsonaro e a Economia

Um dos entrevistadores perguntou a Chomsky sobre os juizes e promotores brasileiros que foram treinados nos Estados Unidos e agora servem à Operação Lava Jato.

Ele traçou um paralelo com os economistas da região que foram treinados na Universidade de Chicago com as ideias de Milton Friedman — os “Chicago Boys”.

Coube a eles, por exemplo, implantar o plano econômico do governo Pinochet, no Chile, à base de torturas, assassinatos e desaparecimentos.

Foi um projeto piloto do neoliberalismo, que colapsou nos anos 80 e ganhou, então, o apelido irônico de “Chicago Road to Socialism”, estrada de Chicago rumo ao socialismo.

Chomsky encerrou a resposta com a lembrança de que o economista que mandará no Brasil, se Jair Bolsonaro for eleito, será um “Chicago Boy”, Paulo Guedes.

“Vocês podem imaginar o que viria por aí”.

Luiz Carlos Azenha

Assista a partir do minuto 43:

Leia Mais ►

Fernando Haddad, candidato de Lula, em entrevista na rádio CBN


Leia Mais ►

Breno Altman: sem povo na rua, o presidente eleito nem toma posse

"A ameça militar atinge cada vez mais a vida política do Brasil". Este é o alerta do jornalista Breno Altman, que expôs sua análise política semanal na TV 247, comentando também o episódio da facada que atingiu o candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL), além do possível fracasso da candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB) representando o partido do golpe, que não decola nas pesquisas. 

Observando o esfaqueamento do candidato Jair Bolsonaro, ocorrido em Juiz de Fora (MG), Altman considera necessário separar o que é um fato da sua repercussão. "O ataque contra Bolsonaro não é uma invenção, as informações médicas são legítimas, de fato ele ficou entre a vida e a morte, assim como foi um maluco que o feriu", argumenta. 

No entanto, Altman ressalta que a repercussão da facada foi manipulada, citando as fake news com montagens relacionadas a Bolsonaro. "A partir do fato, seus aliados começaram a se movimentar para extrair feitos políticos do esfaqueamento", observa. 

Partido do golpe fracassado 

Altman classifica a candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB), representando o partido do golpe, como "insustentável". "O tucano não tem para onde correr, restou a ele um discurso desconfiável de pacificação do País, colocando-o em cima do muro", afirma. 

Ameaça militar 

Nesta semana, o comandante geral do Exército Brasileiro, General Villas Bôas, declarou ao jornal Estado de S.Paulo que a legitimidade do próximo presidente eleito poderá ser questionada caso Lula fosse candidato, além de dizer que o parecer da ONU garantindo os direitos políticos do ex-presidente não deve ser acatado.

"Villas Bôas deveria ser preso, afastado e demitido de sua função, após a entrevista que concedeu. Ele cometeu um crime que fere a Constituição e deveria ser punido", defende Altman. 

O jornalista ressalta que a participação política dos militares vêm aumentando no Brasil. "O Exército é a última linha de defesa da burguesia brasileira", expõe. 

O general da reserva Hamilton Mourão, vice de Jair Bolsonaro, declarou à Globo News que pretende fazer uma missão de paz na Venezuela. 

"Eu não desconsidero que o Exército brasileiro se envolva em uma aventura na Venezuela, financiado pelos EUA, para derrubar o governo legítimo de Nicolás Maduro. A posição das forças armadas hoje é de entreguismo, satélite dos interesses imperialistas", condena.

Altman ressalta ainda que, sem a mobilização popular, não haverá nem a posse do presidente eleito. "A batalha que se trava no Brasil é crucial, o resultado eleitoral terá que ser defendido nas ruas, general Mourão deixou claro que os militares estão disputando a tutela do regime democrático brasileiro", alerta.
Leia Mais ►

Forças Armadas ensaiam bote final contra a democracia

 Alerta importante 


Nunca fui de dar crédito a teorias conspiratórias com base em suposições, conjecturas e teses especulativas. Mas quando a realidade bate à porta é diferente. Nesses casos o melhor a fazer é se preparar para enfrentar a tormenta.

O sentimento nacionalista, que marcou sucessivas gerações das forças armadas brasileiras, foi banido da caserna. Lideradas por generais, almirantes e brigadeiros da ativa, e insuflados pelos radicais fascistas da reserva que gravitam em torno do Clube Militar, as tropas hoje se colocam na linha de frente dos defensores da rapinagem do patrimônio nacional.

Que ninguém se iluda: os militares se mantiveram em silêncio diante do fim da lei de partilha do petróleo, que resultou no crime de lesa pátria da entrega do pré-sal às petroleiras estrangeiras, por um único e simples motivo: a cúpula das três armas está sintonizada com os interesses imperialistas como nunca antes na nossa história.

Igualmente o ultraneoliberalismo do governo golpista de Temer conta com forte apoio fardado. O antipetismo visceral e doentio, que tomou o lugar do anticomunismo de outrora entre os oficiais de baixa e de alta patente, explica a passividade ante o fim da CLT (coisa que nem a ditadura ousou fazer) imposto pela reforma trabalhista, o congelamento dos gastos públicos por 20 anos, o projeto de reforma trabalhista e tudo que é modalidade de roubo dos direitos do povo.

E o moralismo udenista presente hoje nas forças armadas é seletivo e tem viés político-ideológico. Por isso, só enxergam corrupção em Lula e no PT. A roubalheira generalizada promovida pela gangue que ocupa o governo da República depois do golpe de estado não incomoda nem um pouco. Não é por acaso que o inominável capitão nazista, antes rejeitado pelo alto oficialato, hoje é o candidato da maioria esmagadora dos militares.

Como Temer é essencialmente um governante frouxo e rejeitado pela quase unanimidade do povo brasileiro, o comandante do Exército, general Villas Bôas, não se peja em dar opiniões políticas, pressionar o STF para manter Lula preso e, absurdo dos absurdos, posar como chefe de um poder supremo e despótico avisando que os quartéis não aceitam a candidatura de Lula.

Em qualquer democracia minimamente consolidada, que tem como um de seus pilares fundamentais a subordinação das forças armadas ao poder civil, Villas Bôas seria demitido e preso. No Brasil, o monopólio midiático, pedra angular da ditadura de novo tipo que vivemos, reverbera suas declarações com a maior naturalidade.

Só não vê quem não quer: os militares se preparam para não aceitar uma eventual e cada dia mais possível vitória de Fernando Haddad. Primeiro integrarão, junto com o Judiciário corrompido e a mídia, uma força tarefa voltada para impedir a todo custo que isso ocorra, com farto apelo a ameaças, denúncias, chantagens, calúnias e toda sorte de baixarias e sujeiras. Se nada disso der certo, tentarão uma intervenção direta ou apoiarão uma manobra antidemocrática qualquer para impedir a posse do candidato do Lula.

Desde já, cabe à esquerda e às forças democráticas investirem na mobilização do povo, única força capaz de não permitir que o fiapo de democracia que ainda nos resta seja arrebentado de vez.

Bepe Damasco, jornalista
Leia Mais ►