17 de set. de 2018

Macri planeja fugir da Argentina


Na Casa Rosada, eles já estão em pânico, todos os dias falam sobre a saída de Macri, diante da possibilidade do default da Argentina.

Macri quer sair o mais rápido possível porque usar a corrupção do judiciário para perseguir a Cristina não está funcionando muito como um elemento de distração e alienação social.

Seus conselheiros mais otimistas dizem que colocarão Cristina na cadeia para distrair a opinião pública, mas ninguém acredita no Poder Judiciário da Argentina.

Para Macri, os assessores já lhe estão organizando uma linda casa em Roma para seu auto exílio.

O FMI não confia mais em Macri e hesita em continuar emprestando dinheiro a ele.

Na Argentina, Macri já aboliu vinte ministérios, incluindo saúde e trabalho, o país já é institucionalmente decapitado.

Enquanto o juiz Bonadío destrói muros e rouba objetos valiosos na casa de Cristina Kirchner no sul, a Argentina perde a soberania monetária todos os dias.

A televisão hegemônica não quer falar sobre a fuga de Macri, mas ela já começou a criticá-lo, de modo que a direita possa colocar um sucessor que defenda a especulação financeira.

Pode ser o presidente de transição da Argentina, o novo chefe da Suprema Corte, o juiz corporativo Carlos Rosenkratz.

Outro candidato da direita seria Sergio Massa, um aliado incondicional das corporações, mas que se disfarça de peronista.

Outro aspirante poderia ser o grande traidor do peronismo, o senador Miguel Angel Pichetto.

A Argentina sangra e não temos que esquecer os elogios da TV Globo para Macri quando este começou seu governo.

Na Argentina todos os dias as pessoas extraem seus dólares dos bancos.

Das reservas miseráveis ​​de 50.000 milhões de dólares, apenas 14.500 são do Banco Central, o restante é dos cidadãos argentinos, o Banco não pode vendê-los para impedir o aumento do dólar.

Os espetáculos de corrupção judicial não podem mais distrair os argentinos.

O juiz Bonadio não só destruiu as paredes da casa de Cristina, também roubou pinturas, bastões presidenciais de Nestor e Cristina, e uma espada que era uma réplica, uma de Simon Bolívar.

Macri quer fugir urgente da Argentina, ele sofrerá uma chuva de processos pelos assassinatos de Santiago Maldonado e Rafael Nahuel.

Macri tem também lavagem de dinheiro e organização criminosa com os serviços de inteligência e alguns juízes do Judiciário para montar processos judiciais de perseguição a opositores.

Todos os seus ministros têm dólares em paraísos fiscais, eles não querem repatriá-los, sabendo do colapso econômico que está se aproximando na Argentina.

Guillermo Gomez é jornalista
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Tony Garcia diz que Rossoni pediu R$ 5 mi para registrar voto pró-Cunha (+vídeo)


O empresário e ex-deputado estadual Tony Garcia acusou o deputado federal Valdir Rossoni (PSDB-PR), ex-secretário-chefe da Casa Civil de Beto Richa, de pedir R$ 5 milhões para votar a favor do arquivamento do pedido de cassação do deputado Eduardo Cunha no Conselho de Ética da Câmara, em junho de 2016. 

O acordo de delação premiada de Tony Garcia subsidiou a decisão de prender o ex-governador Beto Richa. "Eu tinha falado para ele [Beto] que o Rossoni tinha pedido cinco milhões pra mim, pra votar com o Eduardo Cunha na coisa da Comissão de Ética lá. Eu tinha falado pra ele. Não escondo de ninguém, o Eduardo Cunha era meu amigo. O Rossoni, fui lá no dia da votação, o Rossoni votou com o Eduardo para presidente e depois, quando veio o negócio da Comissão de Ética, aconteceu isso e eu falei pro Beto. Ele disse que eu podia cuspir na cara dele se um dia ele trouxesse o Rossoni", diz Garcia.

Por onze votos a nove, a Comissão de Ética aprovou o parecer pela cassação de Cunha. Rossoni votou a favor do relatório. Em sua delação, Garcia não explica se o acerto foi concretizado e se o dinheiro foi pago.

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Para Alberto Almeida, pesquisas indicam vitória de Haddad sobre Bolsonaro


O gráfico acima mostra a disputa de segundo turno entre Lula/Haddad versus Bolsonaro. A simulação da pesquisa é com Lula até antes da linha vermelha vertical, e depois dela é com Haddad. Todas as pesquisas com exceção da última são do Datafolha. A última é a pesquisa MDA que foi divulgada hoje.

Note que Datafolha e MDA coletaram os dados, respetivamente, nos dias 13 e 14, e 12 a 15. Isso quer dizer que a coleta do MDA começou um dia antes e terminou um dia depois do Datafolha.

O Bolsonaro do MDA e do Datafolha é idêntico nas últimas três pesquisas feitas com o nome de Haddad versus Bolsonaro. Contudo, houve uma pequena diferença entre Datafolha e MDA na última pesquisa no que diz respeito ao percentual do Haddad. Essa pequena diferença está na margem de erro. A rigor, a rigor, todas as pesquisas são iguais. O que aprendemos com elas é que há votos que eram do Lula e que em vez de terem ido para o Haddad foram para o Bolsonaro. É algo normal e compreensível. Coloquemo-nos no lugar do eleitor, ele pensa assim: “ora, o Lula saiu, não é mais candidato, aí vem uma pesquisa e me pergunta em quem eu vou votar, digo o nome do candidato mais falado na mídia (justamente por causa da facada)”. Esse nome mais falado é o do Bolsonaro.

A proporção de eleitores que não conhecem o Haddad é 35% dentre as mulheres, 41% dos eleitores com ensino fundamental, 39% dos eleitores com renda inferior a 2 SM e 35% dos eleitores do Nordeste. Ou seja, ele vai crescer muito ainda.

Só sabem que o Haddad é o candidato do Lula 45% das mulheres, 32% de eleitores com ensino fundamental, 40% de eleitores com renda até 2 SM e 50% do Nordeste.

Votariam em quem Lula apoiar 36% das mulheres, 49% dos eleitores com ensino fundamental, 46% com renda até 2SM e 49% do Nordeste.

Uma forma de torná-lo conhecido rapidamente é apresentando propostas de grande impacto simbólico. Algo como: aumento real do salário mínimo de X%, geração de 13 milhões de empregos.

Haddad ganha de Bolsonaro de 45% a 33% entre as mulheres, de 41% a 35% no ensino fundamental, de 45% a 33% entre até 2 SM e de 50% a 30% no Nordeste.

Alberto Carlos Almeida
No GGN
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Desajustado é o senhor, general


Você que, como eu, foi criado pela mãe ou pela avó, porque seu pai morreu cedo ou porque  o casal separou-se, fique sabendo: você é, para o General Hamilton Mourão, vice de Bolsonaro, é um “desajustado”.

“A partir do momento em que a família é dissociada, surgem os problemas sociais. Atacam eminentemente nas áreas carentes, onde não há pai e avô, mas sim mãe e avó. Por isso, é uma fábrica de elementos desajustados que tendem a ingressar nessas narco-quadrilhas”.

A diplomacia e as relações comerciais com os países do hemisfério Sul significa “nos ligarmos com toda a mulambada, me perdoem o termo, do lado de lá e de cá do oceano na diplomacia Sul-Sul”.

E os direitos humanos – aqueles da Declaração Universal – são “para humanos direitos”. Para os que o sr. Mourão considera “tortos” vale tortura, assassinato, privação de água, de comida, de diretos? Seus  heróis podem matá-los, naturalmente depois de submetê-los a civilizatórios paus-de-arara?

Quem sabe a Convenção de Genebra, que protege o inimigo estrangeiro capturado de ser submetido a torturas físicas ou psicológicas ou execuções a sangue-frio também não seja obra de esquerdistas infiltrados nos Exércitos do mundo inteiro em 1929?

O general vai se mostrando à altura – ou devo dizer às profundezas? – de seu chefe, o ex-capitão Bombita.

É estarrecedor que seja isso o que o Exército Brasileiro queira apresentar à Nação como mentalidade de seus mais altos oficiais, entre os quais esteve Cândido Rondon, com o seu “morrer se preciso for, matar, nunca”?

Declarações cheias de misoginia e brutalidade, por enquanto. Deus nos livre do que mais, amanhã…

Fernando Brito
No Tijolaço
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Os gorilas estão saindo da toca

O general, a tortura e o golpe, num programa de TV que foi a síntese de um Brasil que precisa de luz


Estarrecedora.

Foi a manifestação do general Luiz Eduardo Rocha Paiva durante um programa da Globonews, na sexta-feira (vídeo abaixo).

Os pontos que ele defende:

– Os militares podem intervir nos poderes da república independentemente de ser acionado pelo Executivo, Legislativo ou Judiciário.

  – Devemos ter uma nova Constituição, mas a palavra final deve caber a uma comissão de notáveis (a  comissão prepara o texto, vai para o Congresso, que discute, e volta para a comissão. Foi o que ele disse).

– O relatório da Comissão da Verdade não tem credibilidade alguma, porque só investigou os abusos cometidos pelas forças armadas.

O general passeava tranquilamente com seu discurso obscurantista quando o advogado José Carlos Dias, ex-ministro da Justiça, fez uma observação, um pouco tímida diante da gravidade do que era dito:

“Me desculpa, general, mas é muito perigoso o que o senhor está dizendo”.

O general manteve sua posição:

“Vai fazer o quê? Vai esperar o esfacelamento da nação? (…) Você vê hoje que o STF é dividido por dentro.”

Como se não houvesse divergência também na Suprema Corte dos Estados Unidos…

O tema do debate era o papel das forças armadas na democracia, e se discutia o auto golpe admitido pelo general Hamilton Mourão, candidato a vice na chapa de Bolsonaro.

O professor Wanderley Messias da Costa, da USP, tentou dissociar Mourão da opinião majoritária no Exército:

“O general é um ponto fora da curva, nesse aspeto. Por uma razão, ou por falta de leitura, ou por falta de debate, ou por alguma coisa da cultura política dele, não permite que ele avalie a complexidade que é o Brasil hoje, que não comporta esse tipo de análise simplória, eu diria que, até de certo modo, oportunista”, disse o professor.

O general discurdou.

“Não, é uma pessoa muito preparada (…). É uma pessoa de índole democrática”, afirmou.

José Carlos Dias lembrou que participou da Comissão Nacional da Verdade durante dois anos e meio e visitou muitos locais onde houve tortura e tomou depoimentos impressionantes.

“Foram revelações de violências praticadas. Acho que devemos dar um basta para que não voltemos a viver isso”, afirmou, diante do olhar direto do general.

Dias prosseguiu, em referência a uma declaração do vice de Bolsonaro:

“Me preocupa quando eu vejo saindo dos lábios de um militar de alto nível a afirmação de que o major Ustra foi um herói. Isso é gravíssimo. O Ustra foi indiscutivelmente o maior torturador, pelo que eu apurei, e eu advoguei muito na defesa de preso politico, foi o maior torturador que eu ouvi falar deste país”, disse Dias.

O general parecia disposto a não deixar nada sem resposta e apontou o que ele considera falhas no relatório da comissão. Pelo decreto que a criou, deveriam ter sido apurados violações de direitos humanos entre 1946 e 1988. Mas só houve aprofundamento dos casos da ditadura militar. Foi quando disse que o relatório não tinha credibilidade.

“É a sua opinião, general”, disse o advogado, que lembrou que as violações ocorridas em setores da luta armada foram punidas..

“Minha e de muita gente”, rebateu, a respeito da sua opinião.

Dias descreveu o conteúdo de um dos depoimentos, em que um major descreve como os torturadores agiam — arrancavam unhas e dentes, e queimavam os corpos ou jogavam no mar.

O general não se constrangeu.

“Todos os que combateram a luta armada, eles são muito bem considerados no Exército. Alguns violaram os direitos humanos? Sim, mas também os que estavam do outro lado violaram”, disse.

Rocha Paiva, como fez questão de frisar, não expressa um pensamento pessoal. Ela está presente no Exército, e o mais grave é que ela não se limita a uma interpretação sobre o que ocorreu no passado.

Está ativa e de olho no resultado das próximas eleições, como o general da reserva observou ao responder a uma colocação da apresentadora do programa sobre como seria a reação das forças armadas diante de um cenário de segundo turno, em que se enfrentariam Bolsonaro e Haddad.

“Uma coisa é o Haddad aqui em cima, o Lula aqui em cima. Mas quem dá a linha ideológica, perigosíssima, do PT está aqui embaixo. É José Dirceu, era o Marco Aurélio Garcia, o Pomar, porque eles estão implantando no país uma revolução silenciosa, que é a revolução gramscista, ocupando todos os espaços. O fato de o PT não estar no poder não significa que tenha perdido poder. O perigo para mim é: O Haddad vai estar aqui em cima, é paz e amor, mas aqui embaixo eles vão estar mobiliando e realizando a revolução gramscista”, afirmou.

Depois de treze anos no governo, o PT deu provas de que fez exatamente o contrário do que afirma o general.

O exemplo mais siginficativo: Nomeou um grande número de magistrados nas cortes superiores, seguindo prerrogativa constitucional.

Manteve o rodízio, e atendeu ao critério republicano para nomear o procurador geral. Foi sempre o primeiro da lista, ao contrário do que fizeram Temer agora e Fernando Henrique Cardoso nos seus oito anos de governo.

Para muitos, o PT foi de um republicanismo suicida, pois, quando houve o movimento para tirar Dilma sem crime de responsabilidade, o Judiciário não impediu.

E na prisão de Lula, fruto de uma condenação sem provas, o princípio da presunção de inocência foi violentado, e o STF não quis sequer julgar uma ação proposta pela OAB, relatada por Marco Aurélio Mello, para restabelecer a constitucionalidade do artigo do Código de Processo Penal que garante a liberdade dos brasileiros até o trânsito em julgado das sentenças.

Nesses casos, não se espera favorecimento ao PT, mas a observação de regras constitucionais. Nem isso o PT conseguiu, o que mostra que ele não tinha poder nem quando era governo.

O general diz palavras que parecem saídas da boca de um discípulo de Olavo de Carvalho.Com suas declarações sobre constituição escrita por notáveis, auto golpe e a tortura, Paiva Rocha indica caminho oposto ao da soberania do voto popular.

É preocupante, perigoso, como disse José Carlos Dias, ele mesmo preso um dia durante a ditadura, pela acusação de que era um advogado que defendia os direitos humanos.

Um absurdo completo, que parece voltar à cena agora, nestes dias de golpe em curso.

O que disse o general na Globonews é assustador. Tão assustador que, enquanto ele falava, chamava a atenção o cenário do programa — uma coincidência, claro —, escuro, com luzes amareladas em foco, como se fosse um local de interrogatório.

Desde que as instituições brasileiras aceitaram atalhos para o poder, com a formação do condomínio entre Temer e o PSDB que retirou Dilma do Planalto, o Brasil está neste lusco-fusco parecido com o do cenário do programa da Globonews.

Luz, o Brasil precisa de luz.



Joaquim de Carvalho
No DCM
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Ficha Limpa só vale pro Lula e TSE libera Garotinho pra concorrer


O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acaba de confirmar a argumentação de que a Lei da Ficha Limpa só vale pro Lula. Anthony Garotinho, que é condenado em órgão colegiado por improbidade administrativa e que, segundo a Lei da Ficha Limpa não poderia ser candidato, recebeu uma liminar do TSE que suspende a sua inelegibilidade. A obra prima foi do ministro Og Fernandes.

Garotinho está na terceira posição mas, ainda mantém chances de seguir ao segundo turno pelo governo do estado do Rio de Janeiro, pelo PRB. Assim como Lula, concorre a um cargo executivo e da mesma maneira tem uma condenação em órgão colegiado e deveria ter sido impedido de concorrer ao governo do estado se o TSE fosse tão “sério” como afirmou ser com Lula. Juridicamente a condição de Garotinho é similar ao do ex-presidente.

A Justiça entendeu que Garotinho desviou R$ 234 milhões da Secretaria de Saúde do Rio entre os anos de 2005 e 2006, quando sua mulher Rosinha Matheus era a governadora. A condenação diz que ele cometeu ato de improbidade administrativa com lesão ao patrimônio público e enriquecimento ilícito de terceiros.

“Está evidenciado o perigo na demora, tendo em vista o prejuízo irreparável que o autor sofrerá, caso tenha seu nome excluído da urna eletrônica a menos de um mês para a realização do pleito. Saliento que, nos termos do art. 16-A da Lei nº 9.504/97, o candidato cujo registro esteja sub judice poderá prosseguir na campanha eleitoral – inclusive com o nome e foto na urna eletrônica – até o julgamento pelo Tribunal Superior Eleitoral em única ou última instância”, afirmou o ministro Fernandes na decisão de hoje.

Vale lembrar que a decisão da CDH-ONU em favor de Lula tem como base, justamente, o mesmo argumento que Og Fernandes utilizou para liberar Garotinho do cumprimento da Lei da Ficha Limpa. Ou seja, o dano irreparável ao réu, caso seja considerado inocente nas instâncias superiores, o tempo não reteoagirá e a eleição terá passado, tornando o dano ao réu irreparável, dado que a possibilidade de inocência é juridicamente real.

É, parece que o judiciário está se acostumando a morder o próprio rabo.

No A Postagem
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Bolsonaro, Globo, Instituto Millenium unidos por Paulo Guedes: farsa neoliberal da ultradireita


Bolsonaro tem ganhado expressão eleitoral graças à desesperança de parte da população que, por conta da imensa crise orgânica que assola o país, enxerga nele uma expressão de algo distinto da política tradicional. Por “tradicional”, entende-se partidos capitalistas da ordem, que são considerados, corretamente, como corruptos. Na percepção dessa parcela que passou a apoiar Bolsonaro, o reacionário, homofóbico e racista candidato acabaria com a desordem instaurada na política com repressão e, ainda, acabaria com a corrupção, o que supostamente possibilitaria que a arrecadação pública fosse destinada às demandas do povo. Reside aqui uma ilusão de que Bolsonaro teria “pulso firme” para dar aos políticos tradicionais o que merecem. Nada mais falso. 

Se chegar a se constituir como governo, Bolsonaro será um serviçal a serviço dos mesmos e velhos interesses dos capitalistas. Um neoliberal com um porrete, mas, mesmo assim, como qualquer um dos políticos aos quais ele diz ser contrário, um neoliberal. Para além da sua patente dificuldade em concatenar palavras e ideias, e da elevação da já praticada violência estatal contra negros, trabalhadores e LGBTs, Bolsonaro reproduzirá completamente tudo o que tem marcado a política dos capitalistas no Brasil. A prova disso tem nome e sobrenome. A face “ilustrada” de Bolsonaro atende pelo nome de Paulo Guedes. Velho conhecido e chegado de monopólios como a Rede Globo, considerada “comunista” por grande parte dos eleitores de Bolsonaro, Paulo Guedes é um tipo ideal de representação da velha política neoliberal, ainda que mais profunda, com menos autonomia ainda para o país e mais farra para os banqueiros.

Nisso se revela um dos engodos de Bolsonaro. Voltemos à teoria marxista. Em um dos seus mais conhecidos conceitos teóricos, o de revolução passiva, o marxista italiano Antonio Gramsci abarca um complexo cenário histórico no qual se destaca a particularidade da revolução burguesa italiana com o Risorgimento, que assume dimensões nucleadas em torno da Restauração posterior à derrota de Napoleão, entre os anos de 1815 e 1830. Isso desencadeou aspirações nacionais e populares que não tomaram a forma de revoluções abertas, como se deu em 1848. Mas foram fortes o suficiente para impelir a classe dominante tradicional a fazer um acordo com a emergente burguesia nacional, a fim de desarmar o movimento popular que se gestava, levando esse processo a dar lugar a um Estado liberal monárquico na Itália. Em outras palavras, uma modernização conservadora.

O fascismo, por sua vez, integra o arcabouço conceitual das revoluções passivas. Isso porque se tratou de uma reação da classe capitalista italiana contra a revolução socialista, em especial a Revolução Russa, na qual se promovia uma determinada centralização econômica, mas contra o socialismo. Foi com o fascismo que os capitalistas puderam, em meio à enorme crise que se abateu sobre a Itália, aprofundada pelo crack de 1929, reencontrar sua unidade para a sustentação do capitalismo. A base econômica do fascismo estava ancorada na propriedade privada, mas era gerida por um “Estado forte”, violentamente repressor contra os trabalhadores. O Estado fascista, em nome dos interesses do capital financeiro, apoia-se na classe média arruinada pela crise econômica e instrumentaliza essa base contra as organizações da classe trabalhadora. Muito embora o fascismo tenha sido, portanto, um recurso dos capitalistas para salvar a propriedade privada dos meios de produção, por emergir de uma situação de crise econômica aguda e para ganhar a sua base social de classe média arruinada e vingativa, recorreu-se tanto na Itália quanto na Alemanha ao recurso ideológico de se lançar contra o liberalismo econômico e, discursivamente, contra o capital especulativo e bancário. Assim o fascismo defendia o intervencionismo estatal, para gerar a ordem, repressiva, contra a noção de livre mercado dos liberais.

Essa noção perpassou parte dos discursos e posicionamentos de Bolsonaro, ainda que de forma muitas vezes confusa, por conta do caráter obtuso tanto de suas ideias quanto da sua capacidade de expressá-las. Se, por um lado, é absolutamente claro o clamor dele por um Estado forte contra os trabalhadores, inclusive não poupando odes à ditadura militar e ao fechamento do Congresso caso eleito, do ponto de vista econômico, quando questionado, Bolsonaro não hesitou em afirmar que não precisava entender dessa área para se candidatar. Até que nomeou Paulo Guedes como eventual ministro da economia. Uma demonstração de que Bolsonaro não é apenas um ignorante em assuntos econômicos, mas um oportunista político que não teve qualquer problema em assumir uma face neoliberal, cuja declaração de que “o trabalhador terá que escolher se quer direitos sem emprego ou emprego sem direitos” é uma expressão cabal.

Paulo Guedes é graduado em Economia pela Universidade de Chicago. Simplesmente, o berço das vertentes teóricas contemporâneas do neoliberalismo, como Milton Friedman e George Stigler. Eles defendem as vertentes mais radicalizadas de privatização e um laissez-faire praticamente total na economia, englobando, evidentemente, o ataque e a retirada de todos os direitos sociais. Seus preceitos econômicos balizaram o Consenso de Washington e toda a ofensiva neoliberal de Margaret Thatcher e Ronald Reagan bem como a cartilha tradicional de instituições internacionais como o Banco Mundial e o FMI. Ademais, são da Escola de Chicago as diretrizes econômicas da ditadura de Pinochet, abertamente reivindicada por Paulo Guedes, em consonância com a escolha política atual de Bolsonaro.

Condizente com essa formação, Paulo Guedes é fundador do Banco Pactual e do Instituto Millennium. Essa segunda instituição é um think tank, financiada por ninguém menos que a, considerada “comunista” pelos eleitores de Bolsonaro, Rede Globo, além de monopólios financeiros norte-americanos, como o Bank of America Merril Lynch, para disseminar sua ideologia gerando um senso comum que lhes permita criar base de apoio às políticas de entrega das riquezas do país. Como assinala um estudo recente sobre os objetivos do Instituto Millenium:

O Instituto Millenium (Imil) foi fundado em 2005 com o nome de “Instituto da Realidade Nacional” pela economista Patrícia Carlos de Andrade. […] Patrícia Carlos de Andrade, Eduardo Viola (UnB) e Héctor Leis (UFSC) publicaram um artigo em O Estado de São Paulo no dia 13 de abril de 2005, intitulado “Revolucionando a agenda política”, no qual foi relatado o evento realizado em março. Nesse artigo, os autores diagnosticaram a existência de um vácuo onde deveria estar a direita política. “Falta-nos corrente político-cultural de direita moderna, que apresente alternativas de avanço para o País na conclusão da transição entre o forte estatismo que sempre caracterizou a sociedade brasileira e a real democracia de mercado, nunca antes experimentada”[1].

Em outras palavras, o think tank fundado por Paulo Guedes e financiado pela Globo busca retomar o velho neoliberalismo, responsável não apenas pela retirada dos direitos dos trabalhadores, como também pela crise econômica que arruinou grande parte dos eleitores de Bolsonaro. Portanto, a receita oferecida por Paulo Guedes é a mesma da defendida pela Rede Globo, Alckmin e todos os políticos dos partidos capitalistas tradicionais, com a diferença de assumir tacitamente que tal programa antipopular talvez só seja aplicável na base da bala. Em diversos artigos e entrevistas, Paulo Guedes destilou seu receituário, que se resume a privatizar todas as riquezas do país. Segundo ele, caso Bolsonaro seja eleito, uma de suas primeiras medidas seria “diminuir o passivo do país, vendendo ativos” ou, em outras palavras, privatizar, citando a Petrobras e o Banco do Brasil, o que segundo ele traria R$ 2 trilhões para a economia.

Mas o que Paulo Guedes esconde é que o lucro estimado do pré-sal encontrado no Brasil pelos especialistas do IPEA seria de US$ 10 trilhões (http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=1464). Uma riqueza que se fosse completamente estatal e gerida pelos trabalhadores com controle popular poderia responder às demandas dos trabalhadores e do povo, como Saúde, Educação, e gerar empregos, além de financiar um plano de obras públicas.

Mas Paulo Guedes e Bolsonaro não estão interessados nisso. Estão interessados em garantir que aqueles que já lucram muito continuem enriquecendo. De acordo com entrevista concedida à GloboNews no final de 2017, para Paulo Guedes haveria três problemas econômicos, ao qual o governo de Bolsonaro daria as seguintes respostas.  Nas suas palavras:

Temos um passado mal resolvido, juros da dívida que revela a falta de dimensão fiscal. Levamos 14 anos para chegar à Responsabilidade Fiscal. A despesa de juros, eu herdo do passado, não tem como mudar. A única coisa que se pode fazer é vender uma estatal e reduzir a dívida assim. A única forma de atacar é reestruturar os passivos. E para isso se deve vender ativos, para reduzir o passivo. O Estado vai vender o quê? Pode vender a Petrobras. O ataque é frontal porque está com 30 anos de atraso. Tem que ser feroz nesse ataque. Por isso existem três frentes para atacar na economia. A Previdência, que a reforma resolve. Juros altos da dívida pública se resolve com as privatizações. E gastos com pessoal com uma reforma administrativa. Isso é o ataque frontal às despesas públicas[2]

Em outras palavras, Bolsonaro com Paulo Guedes fará a reforma da previdência, privatizações e demissões de trabalhadores dos setores públicos e privados. Qual a diferença com o que Temer vem aplicando e querendo aprofundar? Acerta quem responde: nenhuma, a não ser o aumento da truculência. A distinção se revela na ausência de legitimidade de Temer, que o impediu de aprovar a reforma da previdência. Se contrastamos com o programa dos neoliberais tradicionais do PSDB, encontramos ainda maiores correspondências. Não se trataria de uma revolução passiva de inspiração fascista, mas de mais neoliberalismo em escala ampliada com base na força bruta.

Para a juventude, na qual Bolsonaro detém 15% de intenção de votos graças à proscrição de Lula garantida pela Lava Jato, o plano é o mesmo. Paulo Guedes defende uma chamada carteira de trabalho “verde e amarela”, que nada mais é que a desregulamentação total de qualquer direito trabalhista para a juventude. Segundo essa política, o jovem e o capitalista seriam “livres” para chegar a um acordo sobre o regime de trabalho. Essa demagogia discursiva neoliberal quer apresentar a nefasta noção de que seriam equivalentes em poder de negociação um jovem de 17 anos e um capitalista dono de um monopólio.

Sobre a questão do combate à corrupção, novamente vem à tona a farsa de Paulo Guedes, por essa via também de Bolsonaro. Recentemente, soube-se que Paulo Guedes foi citado em um processo da Justiça Federal como sendo o beneficiado de um esquema fraudulento que levou a perdas milionárias da Fapes, fundo de pensão dos funcionários do BNDES, na Bolsa de Valores. Segundo consta em levantamento disponível na página do Congresso em Foco, Paulo Guedes enriqueceu em dois dias com R$ 600 mil por operações na Bolsa com ações fraudulentas, em um esquema que lhe renderia, no total, R$ 5 milhões. Isso não é necessariamente uma novidade. O neoliberalismo atroz do qual Paulo Guedes é um representante exímio foi a plataforma econômica responsável pelas maiores fraudes do capitalismo moderno, vide a própria crise capitalista internacional de 2008 baseada na especulação sem fim de ativos podres do mercado imobiliário norte-americano.

A modo de conclusão, cabe ressaltar que, como assinalou Trotski em suas análises sobre o surgimento do fascismo nos anos de 1930, esse é o produto da desesperança das classes médias arruinadas que se levantam contra os velhos partidos. É a expressão da “penúria dos pequenos proprietários sempre perto da falência, de seus filhos universitários sem emprego nem clientes”. No entanto, como demonstra Paulo Guedes, Bolsonaro não será um remédio aos males que esses setores sofrem, mas o aprofundamento das causas que o gerou, sendo distinto dos partidos tradicionais fundamentalmente pela elevação da repressão estatal e aprofundamento dos ataques aos direitos democráticos. Cabe aos trabalhadores à frente da juventude, dos negros e dos LGBTs, forjarem uma saída anticapitalista, que coloque as imensas riquezas deste enorme país a serviço de uma resposta profunda. Há que se lançar com paixão na construção dessa alternativa, que pode se apresentar como o partido da esperança revolucionária.

[1] SILVEIRA, Luciana. Os think tanks e o liberalismo econômico no Brasil – estudo de caso do Instituto Millenium. Disponível em (http://www.anpocs.com/index.php/encontros/papers/38-encontro-anual-da-anpocs/spg-1/spg19-1/9308-os-think-tanks-e-o-liberalismo-economico-no-brasil-estudo-de-caso-do-instituto-millenium/file)

[2] Entrevista de Paulo Guedes à GloboNews (https://www.youtube.com/watch?v=AhlWYtxyLgo)

Simone Ishibashi
No Ideias de Esquerda
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A falsa guerra de ciristas e petistas


À medida em que se aproxima o final do 1º turno das eleições, é natural a radicalização entre seguidores dos dois candidatos favoritos ao posto de guerreiro da civilização contra a ameaça Bolsonaro.

Mas seria importante que as cabeças mais esclarecidas, de lado a lado, impeçam a radicalização e a demonização do adversário de agora, que poderá ser o aliado de amanhã.

Haddad e Ciro representam o lado mais racional e criativo das políticas públicas, e estão do mesmo lado. Tem ideias claras sobre os diversos temas. E estilos diferentes de implementação.

Qualquer que seja eleito, se terá a garantia de interrupção do processo de desmonte da economia e das grandes negociatas administradas por Eliseu Padilha, Moreira Franco e Michel Temer.

Ambos buscarão um pacto de governabilidade, mas, aí, com estilos diferentes.

Há um diagnóstico claro sobre os problemas enfrentados pela democracia no país.

O mais grave deles é o fato de as instituições estarem completamente fora de lugar, com procuradores e juízes atuando politicamente, militares dando pitacos em política, o Supremo exposto a Ministros oportunistas, que cavalgam as ondas do caos institucional. E, coroando tudo, uma crise econômica gigantesca.

Seja quem for o eleito, enfrentará o maior desafio político desde a eleição de Tancredo Neves.

Na largada, Ciro Gomes traz a vantagem de não estar estigmatizado pelo antipetismo que, hoje em dia, move os poderes e a mídia. Assumiria o poder com toda a energia, inibindo a atuação dos inimigos da democracia.

No entanto, o jogo é insidioso e não é corrida de cem metros: é maratona que exigirá anos para a consolidação do poder democrático. O pico do poder e da popularidade de um presidente é no primeiro dia de mandato. Depois, há uma corrosão, no caso brasileiro acentuada crise e pelo papel deletério das Organizações Globo – que, definitivamente, entraram em um jogo sem saída.

Aqui, um parêntesis.

Haverá material de sobra para os historiadores do futuro, de como a falta de consciência sobre seu próprio poderio transformou a Globo em uma excrescência: um poder de Estado, sem ser Estado. Nessa escalada suicida, só haverá dois desfechos possíveis para esse jogo. Ou ela se torna poder definitivo, mudando a sede do governo para o Projac, ou será definitivamente enquadrada pelo poder político, assim que houver uma reorganização. Não haverá outra saída possível.

Como não há precedentes da história de um grupo de mídia assumindo o controle de um país, pode-se supor que seus dirigentes foram tomados pelo mais perigoso dos porres:  a miragem da onipotência que, aliás, parece ter atingido todo seu corpo de jornalistas. (clique aqui).

Se Ciro entusiasma na partida, há dúvidas sobre a estratégia de chegada. O enfrentamento, de peito aberto, de uma relação imensa de adversários – do poder político (PMDB/PSDB), partido da Justiça, poder militar e, por tabela, a mídia – lança dúvidas sobre os resultados do jogo no médio prazo. Seja qual for o resultado, se manterá o país conflagrado.

No caso de Haddad, o jogo é outro. Terá dificuldades na partida, devido ao antipetismo radical. Mas toda sua estratégia será em direção a uma grande coalisão que reponha o primado do poder político e permita a reconstrução gradativa das instituições. Para tanto, Haddad terá que contar com a assessoria dos quadros petistas mais experientes, como Jacques Wagner, Sérgio Gabrielle, Ricardo Berzoini, todos orientados por Lula.

Não há condições, a priori, de definir qual estratégia é mais viável. No primeiro dia de governo Haddad, o Partido do Judiciário reabrirá a caçada aos quadros dirigentes petistas. E não há como avaliar, agora, quais as concessões que serão necessárias para a consolidação do poder do Executivo.

Com Ciro, o jogo de desgaste será a médio prazo com a receita de praxe: escandalização de qualquer problema administrativo, superexposição de qualquer deslize verbal. Um de seus trunfos é o discurso anticorrupção. Como será trabalhado pela mídia, quando confrontado com outro discurso seu, o de impor limites aos abusos da Lava Jato e do Judiciário? E quando PSDB, PMDB e centrão se unirem no Congresso contra ele?

De tudo o que foi exposto, só há uma certeza: ambos, Ciro e Haddad, fazem parte do mesmo campo. E não podem deixar que o fragor dos últimos dias de campanha inviabilize uma futura aliança.

Luís Nassif
No GGN
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"Eleger Bolsonaro é a situação política mais perigosa do país desde 64", diz jurista

A avaliação é de Pedro Serrano, jurista constitucional, que alerta para as novas formas de autoritarismo na sociedade

O especialista em Direito Constitucional participou da última edição do programa No Jardim da Política, da Rádio Brasil de Fato
"Isso é extremamente perigoso. Eleger Bolsonaro é a situação política mais perigosa do país desde 1964. Não tenho a menor dúvida. Esse sujeito pode usar da mediação com a democracia, do fato de ter sido eleito, para impor um autoritarismo muito mais intenso. Isso significa a morte de pessoas, o sacrifício do pedaço de uma geração e do seu livre pensamento, um atraso para o país".

A análise é de Pedro Serrano, jurista e professor de Direito Constitucional da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), que participou da última edição do programa No Jardim da Política, da Rádio Brasil de Fato (ouça a íntegra aqui). Segundo o entrevistado, legitimado por um processo democrático, o candidato do PSL teria "chancela" para promover políticas conservadoras e de extrema direita.

"O mundo, hoje, passa por uma tentativa de construção de um paradigma mais autoritário, mas é uma nova forma de autoritarismo. Não são os Estados de Exceção ou Governos de Exceção que tínhamos durante o século 20. Estamos em um momento em que há produção de medidas de exceção no interior da democracia."

Na ocasião, o especialista também analisou a atual conjuntura política do Brasil e o avanço do autoritarismo nas instituições democráticas do país, principalmente no Judiciário. Segundo Serrano, a condenação de Lula é uma fraude e um exemplo desse modus operandi do Estado e da Justiça.

"É uma governabilidade de Exceção. É a produção de medidas de Exceção no interior da democracia que são mais intensas, mais cirúrgicas, mediadas com a linguagem democrática porque não implicam uma ditadura. Essa é a nova forma de autoritarismo que temos no mundo. O presidente Lula é vítima dessa modelagem", afirmou o jurista.

Confira a entrevista na íntegra.

Brasil de Fato: Qual sua análise sobre a prisão do ex-presidente Lula e sobre a perda de seus direitos políticos?

Pedro Serrano: O caso do ex-presidente Lula não é isolado. O mundo, hoje, passa por uma tentativa de construção de um paradigma mais autoritário, é uma nova forma de autoritarismo. Não são os Estados de Exceção ou Governos de Exceção que tínhamos durante o século 20. Estamos em um momento em que temos produção de medidas de exceção no interior da democracia. É um autoritarismo líquido, vamos dizer assim. Porque ele é fragmentado na sociedade, não se identifica o autor com clareza, ele é diluído no meio de outras medidas que são democráticas. Há uma maior dificuldade de identificação, de quem é o autor, de identificação da própria medida. Demanda o conhecimento não só do Direito, mas de Política e Filosofia, algo raro hoje em dia porque as pessoas são educadas de forma muito especializada. Mas de qualquer forma, é o que acontece. São medidas de exceção, ou seja, medidas que tem uma aparência de democracia, uma roupagem democrática, mas tem um conteúdo tirânico que busca combater o inimigo e não tratar do cidadão que erra.

No primeiro mundo, são medidas que vindas do Legislativo ou do próprio Executivo, fortalecem o Executivo como agente das medidas de exceção. Os "patriotic acts" nos Estados Unidos, as leis antiterrorismo na Europa, os aprisionamentos, o decreto de exceção na França, há vários exemplos. Aqui na América Latina, ocorre uma coisa muito diferente, embora exista esse mesmo modelo geral, que é do mundo ocidental. Aqui, as medidas de Exceção são produzidas, ao meu ver, pelo sistema de Justiça, ele que capitaneia. O Legislativo e o Executivo têm um papel, mas é mais reduzido. Por sistema de Justiça, me refiro a uma parte do Ministério Público, do Judiciário, da advocacia, uma parte da polícia e o sistema de mídia, que é quem forma a ralé, como diz Hannah Arendt, o "povo que apoia". 

Eu observei, com meu trabalho de pesquisa, que na América Latina são dois tipos de medidas de Exceção: processos penais de exceção ou investigações de exceção e impeachments inconstitucionais, também outra forma de medida de exceção. A partir dos anos 1990, no Brasil, começou a produção dessas medidas de exceção, Lula é só uma continuidade. É quando se inicia o encarceramento em massa, política contra as drogas, onde a figura do inimigo é a figura do traficante. Esses processos, a partir dessa época, vão esvaziando do sentido os direitos humanos e [dos direitos] fundamentais. Os réus são tratados como inimigos, sem direitos. O que é o inimigo? Uma figura que não tem direito a proteção mínima, política e jurídica, a que teria direito qualquer ser humano. Ele é desumanizado. A natureza da relação de inimizade do antagonismo é desumanizar o antagônico. 

Essas pessoas foram desumanizadas. A justificativa do combate as drogas passou a servir como forma de controle social, a juventude negra, jovem, das periferias, foi abatida. Começou a crescer imensamente a violência na sociedade e o encarceramento, essas coisas estão relacionadas. Não é a toa que se observa nas estatísticas que quanto mais cresce o encarceramento, mais cresce a violência. A pessoa é presa por um pequeno delito, tráfico por dois ou três gramas de droga e, dentro da penitenciária, é obrigado a se filiar a alguma organização criminosa para poder sobreviver e garantir sua integridade física. Tudo isso é produzido por medidas de exceção, ao ponto de que 42% dos nossos presos hoje, terceira maior população aprisionada do mundo, estão presos sem direito de defesa. Tem um nome jurídico processual para isso: medida cautelar preventiva.

Imagina o quanto tem de gente injustiçada nisso. São os presos provisórios que não tem decisão de primeiro grau. O que é o caso do presidente Lula: Com o Mensalão, eles começam a transportar as técnicas desses processos penais de exceção, que tem uma aparência de ser processo, mas no conteúdo não é. Tem o advogado, tem uma corte, um tribunal, mas não interessa muito o que o advogado falar, o que a corte decidir, porque a corte vai interpretar a lei, não para ver o que a lei quer para aquele caso concreto, ela vai buscar justificação na lei para fazer o que ela quer. Essa técnica passa a ser transportada para a política. E é interessante como a medida de exceção é diluída, líquida. O caso do Mensalão é um caso adequado, razoável, tem gente que foi condenada porque precisava ser condenada mas tem outras condenações que não fazem sentido. Eu falo claramente: não faz sentido o ex-ministro José Dirceu ter sido condenado naquele caso, eu vi o processo, eu estudei. Não tem provas contra ele o suficiente. Não tem prova que atenda o standard [padrão] mínimo de um Estado Democrático para condenar um ser humano.

Não é que ele foi tratado além de ser cidadão, com benefícios, ele foi tratado aquém da cidadania. Foi tratado como um ser não-humano, como inimigo. Isso foi avançando e o ex-presidente Lula veio na sequência. O impeachment inconstitucional de Dilma também é uma sequência disso, uma medida de exceção interruptiva direta da democracia. É típico do autoritarismo que chamo de líquido, porque ele interrompe a democracia e depois volta ao segmento democrático. Ele vai controlando a democracia. Depois da Segunda Guerra Mundial, do advento do Nazifascismo, fica impossível discursivamente e culturalmente admitirmos uma ditadura. Então tem que mediar com a lógica democrática, são medidas ditatoriais que mediam com a lógica democrática. A interrupção não é um golpe em que fica um militar ocupando o poder. É uma medida de exceção que rompe o ciclo democrático e depois volta a ele.

O processo do presidente Lula é isso. Um processo penal de exceção, no caso dele, muito intenso. Porque não há minimamente condições de condená-lo em qualquer regime civilizado. Se promove um processo que tem aparência de processo, que tem aparência de democracia, de cumprir suas normas processuais, mas no conteúdo é tirânico. Ele é tratado como inimigo, como um ser não humano.

O argumento que se usa é que se teve o processo, um defensor, um tribunal. Mas esse não é um processo judicial, ele só tem a aparência de um processo judicial. É uma fraude. Ele tem a aparência de um processo jurídico, um processo político de exceção, em uma relação de antagonismo, de inimizade. Nesse tipo de relação, que não é nova na humanidade, [já] existe há muito tempo, mas que na modernidade surge pelo modelo do Estado de Exceção. É uma governabilidade de Exceção. É a produção de medidas de exceção no interior da democracia que são mais intensas, mais cirúrgicas, mediadas com a linguagem democrática porque não implicam uma ditadura. Essa é a nova forma de autoritarismo que temos no mundo. O presidente Lula é vítima aqui do Brasil dessa modelagem de autoritarismo.

Esse modus operandi no mundo, desse Estado de Exceção com o verniz da legalidade, o autoritarismo líquido, nos deixa em que posição? Não há como confiar em nenhuma via instituída legalmente ou via democrática?

Isso é que é o complexo. Há como confiar. E não há. Isso que é a relação da contradição. A realidade as vezes se apresenta como contradição mesmo. Em certas situações há, em outras não. Por isso que é difícil, não há como estabelecer conceitos analíticos, abstratos. Tem que ir ao caso concreto e fazer essa verificação. A Lava Jato é uma boa operação, prendeu corruptos mesmo, gente que tinha montanhas de dinheiros em apartamentos. Mas o caso do ex-presidente Lula não tem sentido. E faz parte do processo isso, envolver a injustiça no meio de atos justos para poder contaminar, dar uma outra roupagem. 

O que temos hoje não é o fascismo que vimos na Itália, não é o nazismo que vimos na Alemanha. É uma nova forma de autoritarismo se manifestando na política, onde se vê todos os traços. Primeiro, da ideia de unidade da sociedade, que a sociedade é algo unido e que precisa ser unida e portanto purificada do mal que pertence ao pecado da divisão que é a política. Política e democracia só existem quando reconhecemos que a sociedade é dividida em interesses. Que existem conflitos e que precisamos compor esses conflitos para existir a sociedade política, para ela não se esgarçar, para haver paz.

Eles falam: ''A esquerda divide a sociedade!". Mas não, quem divide a sociedade é a democracia, que pressupõe uma sociedade dividida. Em geral, os movimentos autoritários querem a unificação da sociedade, uma ideia de povo, em torno de um líder carismático ou de um estamento como foram os militares. Mas sempre uma liderança carismática que traz a impressão de ser superior moralmente ao resto da sociedade e com a capacidade de trazer a ordem. Foi assim com os estamentos do policial, do promotor, do juiz, que surgiram com a ideia de que são superiores ao resto da sociedade e que teriam condição te trazer a pureza para política, que não são contaminados pela política. 

As instituições jurídicas estão em disputa?

Acredito que tudo está em disputa. Essa estrutura desse novo autoritarismo ainda não se consolidou. Nós temos como lutar, tem espaço de luta e a resistência é fundamental. Como Foucault fala: enquanto há resistência, há uma relação política e não uma relação autoritária. Há a força do terror, do autoritarismo, mas há a força da resistência também. Não podemos abandonar o barco agora, se não, vamos para o ralo mesmo. E eu não estou falando aqui só para as pessoas de esquerda, estou falando para todos que acreditam que a democracia é um valor apto. Temos que entender que democracia é conflito, mas que temos que ter relações agônicas, não antagônicas. Reconhecer no outro o meu adversário. Tenho uma racionalidade que conflita com a dele, racionalmente nunca vamos conseguir ter uma ideia em comum, mas eu reconheço nele a legitimidade de participar da sociedade política. Essa legitimidade de existência humaniza a pessoa, ela deixa de ser meu inimigo e passa a ser meu adversário. 

Isso precisa ser colocado com firmeza. Precisamos enfrentar essa onda fascista na sociedade com firmeza. Nós não estamos dialogando com a racionalidade, temos que desmontar esse circuito afetivo que está posto em vários rincões da sociedade. Está no Judiciário, no Ministério Público, na advocacia, na medicina. Uma boa parte da elite e uma boa parte da população mais pobre está nesse circuito afetivo autoritário. Temos que desmontar, por meio de argumentos racionais, mas também por meio de afetividade. Vamos mostrar que certas atitudes humanas são possíveis. As pessoas tem que ser prudentes ao usar a força, por isso que chama "jurisprudência". O Judiciário tem que saber o que significa prudente. Vamos condenar um sujeito depois de dar direito de defesa, buscar a verdade, provas que mostram que ele teve mesmo aquela conduta. Vamos agir com prudência quando exercemos o poder político.

Serrano, em sua primeira resposta, você tocou em uma questão importante: as decisões que são tomadas contra os direitos do presidente Lula, podem servir para toda a sociedade. Em 2014, somente 14 mil presos de um universo de 227 mil aptos a votar, que não tem trânsito em julgado ainda, como é o caso de Lula, tiveram acessos às urnas. Isso tem muito a ver com o que está falando, da Justiça encarar o réu como inimigo e cercear seus direitos.

Não tenho dúvida disso. Veja, a sociedade ainda não acordou. É co-autora de um crime lesa humanidade. Não houve ambiente humano tão próximo ao campo de concentração no pós-guerra como as cadeias brasileiras. A sociedade brasileira sabe e deseja que as pessoas vão para a cadeia, isso é uma absoluta imoralidade. Podemos ser poucos que criticamos isso, mas temos do nosso lado uma lógica moral que faz parte do melhor que o humano produziu até hoje em 3 milhões de anos na terra. As pessoas tem que entender isso: é uma iniquidade, não podemos submeter seres humanos a isso. 

A maioria das pessoas é inocente, mas a mídia não mostra. Não é destacado esse aspecto do aprisionamento. Somos seres humanos, temos inteligência, temos como compor outras formas de punição, outra forma de tratarmos os problemas.  

Não é a toa que existe essa política, isso é proposital. Há um pedaço da elite mundial que acha que tem que apostar na violência. Então, matar o negro da periferia e tira o negociador do plano político, que é o Lula. Acha que não precisa mais de negociação, que os problemas sociais serão resolvidos na base da violência.

A decisão recente do Supremo Tribunal Federal (STF), de realizar o cumprimento da pena após condenação em segunda instância, foi bastante fomentada pela grande mídia brasileira como uma ferramenta de combate à criminalidade e à corrupção. Qual a sua opinião sobre esse tema?

Esse tema virou central e tem que ser mesmo, mas não é esse tema que é o relevante. Porque o conservadorismo, o autoritarismo avançou? Porque eles entendem melhor algo que nós não compreendemos e temos que entender: as relações afetivas da política. A política não é só razão. Não existe nunca, em nenhum lugar, só a emoção. Não são fenômenos separados, nós que aprendemos a enxergar assim, mas são fenômenos linkados. A racionalidade começa em insights, emoções, alegrias, tristezas. A arte surge daí e a política também. Há projeção de afetos na política, eles entendem isso e sabem lidar melhor que a gente com isso. E precisamos saber lidar com isso. Mas com qual afetividade? A nossa afetividade. Temos que lidar com alegria, potência, diálogo, abertura, enfrentamento quando necessário mas um enfrentamento alegre. Vamos perder a cara sisuda.

Precisamos introduzir a nossa afetividade. Estamos debatendo a afetividade deles, o ódio, tratando como inimigo. Temos que mudar isso, enfrentar isso de outro jeito. Isso que é a essência. Precisamos desmontar o circuito afetivo desse autoritarismo que está posto e que a mídia participa, que envolve milhares de pessoas que temos que ter do nosso lado. Não são pessoas para eliminar. Não temos que pegar os bolsonaristas e eliminar da sociedade. Temos que conviver com eles. E porque eu falo que os direitos humanos na sua concreção são relevantíssimos? Porque eles domesticam esses instintos de violência que a política tem.

Mas, agora, porque não se pune o feminicídio? Eu acho que há uma dimensão do direito penal que pode ser socialmente avançada, que pode trazer progresso. Acredito que bom seria uma sociedade sem direito penal, mas hoje isso não é possível até porque lidamos com a barbárie da elite, do autoritarismo e precisamos ter firmeza para responder isso várias vezes. Existem normas penais que são libertadoras, são formas de fazer valer os direitos humanos. Você pode fazer uma leitura do Direito Penal em que ele seja um instrumento de domesticação da violência autoritária na sociedade. Porque eles não apoiam isso? Porque isso domesticará eles. Eles defendem esse instinto de ódio e isso é próprio do autoritarismo.

Há uma certa contradição nessa narrativa que a mídia consegue construir, fortalecendo essa relação afetiva da política com a construção de uma negação da política? É algo que ouvimos nos últimos anos: "Política não resolve", "Todos os políticos são corruptos". Houve um distanciamento ao mesmo tempo que se cria uma relação afetiva com a ideia da não política, que acaba gerando ódio, desumanização, e a mídia construiu muito bem isso. Podemos afirmar isso?

Claro, isso faz parte de todo um movimento onde se tem um modelo capitalista mais financeiro, onde há um tipo de capital que depende intensamente do mercado. E veja como é um processo contraditório da linguagem. Se fala a favor do livre mercado, mas tudo que ele não quer é livre mercado. Propõe para banco o livre mercado para ver se ele topa. Na realidade, são anti livre mercado e depende intensamente do financiamento estatal. O capital financeiro precisa ter domínio da política,  porque depende do Estado. Sem ele, o capital financeiro não se amplifica. Mas tem também uma lógica de enfraquecer o Estado, para mantê-lo submisso aos seus interesses. Ir contra a política tem um sentido maior, de enfraquecer o Estado. Esse capital criou um circuito afetivo na humanidade, uma parte da elite tem ele, que chamamos de estrutura social. O circuito afetivo é a estrutura social, que hoje, deseja enfraquecer a política. Mas não existe parâmetro de medição disso. Um exagero, uma desfunção que ocorre em qualquer situação humana, leva o mundo ao caos, ao fim da humanidade. A guerra é a forma de queima do capital, a guerra nos mata, inclusive o capital humano. Eles estão se valendo de uma forte potência de caos com essa nova forma de critica à política, porque ela leva a desmilinguir a sociedade política. É tão agressiva para poder enfraquecer o Estado e submetê-lo, que pode levar a extinção da sociedade política, o que não interessa pra ninguém, nem para eles.

No contexto atual das próximas semanas, de eleição, haverá algum nível de coerência do Judiciário e das elites em assegurar uma roupagem de democracia mínima ou poderá ocorrer um novo golpe? Resumindo, teremos eleições?

Acho que teremos. Posso estar enganado, mas tudo até agora tem confirmado essa minha leitura, que é antiga. Temos que entender: existe mediação com a democracia. É ai, inclusive, que temos que nos apegar. Para mostrar as contradições dessa mediação, mas existe. É muito difícil legitimar uma ditadura. 

O que esperar para o próximo período? Está na palavra do que diz o vice-presidente do Bolsonaro. O autogolpe, por exemplo. É um golpe dado por quem for eleito, ou seja, há uma mediação com a democracia. Isso é extremamente perigoso. Eleger o Bolsonaro é a situação política mais perigosa do país desde 1964. Não tenho a menor dúvida. Esse sujeito pode usar da mediação com a democracia, do fato de ter sido eleito, para impor um autoritarismo muito mais intenso. Isso significa a morte de pessoas, o sacrifício do pedaço de uma geração e do seu livre pensamento, um atraso para o país. Temos que ter uma ação nessa eleição de combate a esse tipo de visão. Temos que evitar. Está certo que não vamos conseguir combatê-lo com tanta eficiência no curto prazo, mas temos que evitar que eles cheguem ao poder político. O risco maior está ai, e não em não ter a eleição. [O risco] É eleger esse sujeito, e ele, legitimado pela democracia, fazer uma série de atrocidades. 

Há uma intervenção hoje, por conta desse moralismo em vigência na sociedade, das funções do Executivo. Existe, o que chamamos na área de direito administrativo, um apagão administrativo no Brasil. O funcionário público tem medo de assinar alguma coisa com medo de ir pra cadeia. Qualquer obra, vira palco de um verdadeiro teatro de vaidades. É o promotor que entra com uma ação para aparecer no jornal, a mídia que dá a veiculação para vender mais jornal, ou seja, o país está paralisado. Isso traz ingovernabilidade e potência de caos no Executivo. E isso pode ser justificativa, inclusive, para um autoritário com poder popular calar o Judiciário. Não só o Judiciário, o Legislativo [também] e etc. Isso é possível no mundo de hoje: termos uma interrupção temporária da democracia. Termos uma democracia de baixíssima intensidade, é possível. É estratégico para quem defende os valores democráticos não deixar o Bolsonaro se eleger presidente da República.

No Brasil de Fato
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A Bola, o Fascismo e as Urnas

http://www.maurosantayana.com/2018/09/a-bola-o-fascismo-e-as-urnas_0.html

 

Convalescendo no hospital do atentado de que foi vítima, o candidato do PSL às eleições deste ano, diante da evolução das pesquisas que colocam em dúvida sua eleição em segundo turno, aproveitou para mais uma vez atacar o sistema eleitoral e as urnas eletrônicas, segundando o discurso de seus apoiadores e de provocadores fascistas que insistem, nas redes sociais, em afirmar que ele já estaria eleito em primeiro turno e que qualquer outro resultado só poderá ser fruto de uma “fralde” passível de ser diretamente contestada, até mesmo pelas armas, segundo os mais afoitos.

O Fascismo só chegou onde chegou, no Brasil, por duas principais razões.

A primeira, a irresponsabilidade histórica de certa esquerda, principalmente a que esteve no poder nos últimos anos, que se permitiu ceder à pressão e promulgar leis fascistas e corporativistas, tecendo e forjando, com as próprias mãos, a corda que iria enforcá-la e as grades que iriam aprisioná-la jurídica, midiática e politicamente.

Isso aconteceu tanto com a aprovação da inconsequente autonomia de setores do Estado que deveriam sempre atuar sob a autoridade do poder político, diretamente emanado do voto, quanto com o paulatino abandono das redes sociais ao fascismo e à extrema-direita, que aconteceu desde o famigerado golpe de lawfare do mensalão.

Sem contestação digna desse nome.

Apesar de constantes alertas emitidos desde essa época, e, principalmente durante a sabotagem da Copa do Mundo e na preparação do Golpe de 2016, por diferentes jornalistas e observadores, que pregaram - e continuam pregando, a se ver pelo miserável número de internautas de esquerda nos comentários das notícias que envolvem a candidatura fascista, por exemplo - literalmente no deserto nos últimos anos.

A segunda - justamente pela ausência da esquerda dos espaços de comentários dos principais sites e portais da internet brasileira - pela elevação da mentira - pelo candidato que hoje “lidera” as pesquisas graças à espúria ausência de Lula da disputa pela presidência da República, já denunciada em todo o mundo - ao status de arma maior no processo político nacional, não apenas na derrubada de Lula e de Dilma do poder, mas também na consolidação da ideologia proto-fascista no país.

À qual se segue, agora, o cerco calunioso e hipócrita contra a Democracia, com o questionamento público não apenas do nosso sistema político, mas também e principalmente do sistema eleitoral vigente em nosso país, que é um dos mais avançados do mundo.

Se teses como a justificativa da ditadura; a defesa da tortura; do genocídio da periferia; do armamento seletivo - pois que controlado pela “autoridade” da esquina - da direita; da castração química; da redução da maioridade penal; da escola sem partido; da militarização do ensino; do alinhamento com os Estados Unidos - com a defesa intransigente de Israel apoiada pela sionização de nossas maiores igrejas evangélicas, nascida da exploração farisaica dos símbolos da “Terra Prometida” pelos programas “agro-pastorais” de televisão e a adoção da simbologia religiosa e política israelense, como a própria bandeira de Israel; da existência de um maligno Foro de São Paulo e de uma fantástica e insidiosa URSAL (termo mais apropriado para uma instalação stalinista de criação de ursos para o circo de Moscou) contribuíram para o avanço do fascismo de um fenômeno parlamentar isolado e inexpressivo, quase folclórico, para uma corrente ideológica que já fascina e envolve - novamente graças à total ausência de combate pela esquerda nas redes sociais - um a cada quatro cidadãos brasileiros.

A idéia de uma conspiração da qual faria parte tanto a manipulação da contagem de votos - irresponsavelmente “denunciada” pelo PSDB nas eleições de 2014 - quanto a teoria da conspiração de urnas eletronicamente fraudadas ou de uma justiça eleitoral infiltrada por petistas - a mesma que paradoxalmente decidiu majoritariamente manter Lula atrás das grades apesar de determinação em contrário das Nações Unidas - está dirigida agora para levar o fascismo para o poder a qualquer preço, com a alusão a um “autogolpe”, como se referiu Mourão, ou a eventual contestação da legitimidade do próximo governo - aludida pelo Ministro do Exército - fantasmagóricas e veladas ameaças que se apoiam no constante trabalho de sapa da militância fascista na internet, com a produção, por sites fakes, de notícias fakes - denunciadas por parte da mídia mas sem nenhuma investigação pela Justiça Eleitoral, como a que produziu e divulgou uma suposta pesquisa de uma suposta empresa norte-americana que teria apurado um resultado de 45% de aprovação para a candidatura fascista já no primeiro turno.

O que espanta, no Brasil, como quase sempre ocorre, não é que o fascismo vomite suas mentiras e estapafúrdias teses, como fez sempre na História, na abjeta fabricação do Plano Cohen ou nos perdigotianos latidos de Hitler ao microfone que prenunciavam o fim da República de Weimar.

Embora fosse o caso de indagar ao convalescente candidato da extrema-direita por que ele não reclamou das urnas quando foi o deputado mais votado nas últimas eleições no Rio de Janeiro - um estado dominado pela milícia - ou, simplesmente por que os malvados e solertes “agentes” do PT na justiça eleitoral, com o poder que têm de manipular os resultados, simplesmente não impediram, alterando os dados, que ele fosse eleito 7 vezes deputado federal nos últimos anos, apesar de, durante todo esse tempo, ter crescido e ter tentado se apresentar como o principal adversário, o inimigo público número um do Partido dos Trabalhadores.

Ou por que, se o fascismo acredita mesmo que as urnas eletrônicas brasileiras são “fraldadas”, como estão escrevendo por aí tantos bolsominions, o fascismo nunca compareceu com seus hackers - como os que invadiram “corajosamente” a página de mulheres contra Bolsonaro no Facebook na última semana - para tentar provar nos testes abertos promovidos todos os anos pelo TSE para quem quiser deles participar se existem e de que tipo são as tais falhas de segurança no hardware ou no software utilizado pelo sistema eleitoral brasileiro que só existem nas calúnias de seus militantes e nas notícias fakes plantadas por canalhas de plantão em sites e portais idem.

Onde está, nesse caso, o familiar topete do Ministro Fux, que afirmou que o uso de notícias fakes poderiam até mesmo justificar a anulação das eleições?

Tanto ou mais insultante, para a democracia brasileira, que as declarações de Bolsonaro a propósito da democracia e do sistema eleitoral, é o silêncio dos ministros membros e da Presidente do TSE sobre as acusações, por parte de um tribunal que não está aí apenas para fiscalizar a campanha e o processo eleitoral, mas, primeiramente, em teoria, para defender ética e moralmente um sistema político-eleitoral que está diretamente sob sua responsabilidade.

Afinal, quando diz que as urnas brasileiras são fraudadas, Bolsonaro não está falando do José, do Pedro, do Paulo, do quitandeiro da esquina ou do PT genericamente.

Ele está se referindo diretamente, caso queiram ou não os membros do TSE e do Supremo Tribunal Federal que ora fazem cara de paisagem, tão cientes, em outras ocasiões, da defesa corporativa de suas instituições e de seus pares, à Justiça Brasileira como um todo.

Com a clara intenção de subverter a ordem pública e contestar o sistema político vigente, e, preventivamente, antecipadamente, escorchantemente, o resultado das próximas eleições.

Como o menino que mostra o canivete no meio do jogo e diz que está pronto para furar a bola - que nunca foi sua - caso seu time leve a pior na pelada do campinho.

E que não nos venham falar em liberdade de expressão.

Quando se acusa alguém - no caso, a Justiça Eleitoral - de fraude e prevaricação, é preciso provar o que se está falando.

Seré que não vai aparecer um advogado, um cidadão, para pedir a cassação da candidatura por tentativa de prejudicar a ordem pública e tumultuar o processo eleitoral em curso?

Será que algum ministro do Superior Tribunal ou da Suprema Corte, não se habilitará a responder a essas acusações?

Ou a instituição não emitirá sequer uma nota, citando as condições técnicas e de segurança do sistema, em defesa da Democracia?

Será que o partido diretamente acusado de manipulação das urnas, o PT, não vai, mais uma vez, tomar nenhuma providência?

Em qualquer país decente, menos hipócrita, menos canalha, menos acovardado, tendo melhorado de suas condições de saúde, o referido candidato seria chamado a esclarecer suas declarações na corte responsável pelas eleições, e, caso não apresentasse provas de suas afirmações, punido, multado, ou, no mínimo, obrigado a assinar um termo de compromisso para não repeti-las, ou, em ultima instância, teria sua candidatura cassada, por calúnia contra o próprio TSE e tentativa de subversão e manipulação da opinião pública contra a Constituição e o sistema democrático.
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CNT/MDA: Haddad isolado em 2º abre novo momento da campanha


Como se afirmou no primeiro post de hoje, a pesquisa CNT/MDA, que não sofre a distorção dos levantamentos telefônicos, mostrou literalmente o que se  previra:

Jair Bolsonaro em torno de 30% e Fernando Haddad já atingindo – ou chegando lá – os 20%, perto de o dobro de Ciro e com Marina Silva e Geraldo Alckmin baixando em direção à casa dos 5%.

Bolsonaro teve 28,6%; Haddad, 17,6. Ciro baixou aos 10% e  a dupla Geraldo Alckmin (6,1%)/Marina Silva(4,1%) orbitando os 5%.

Como a pesquisa foi feita entre quarta-feira e sábado, é bem provável que os 20% de Haddad sejam uma realidade, hoje.

Em nenhum dos cenários simulados – e foram tantos que até Marina, com seus 4% entrou nas hipóteses – em nenhum Jair Bolsonaro rompe a barreira dos 40%.

Na última rodada, quando o nome petista era Lula, em todos eles o ex-presidente marcava 50%, com décimos de variação.

É preciso muita “fé na mídia” para achar que um personagem sem arestas como Fernando Haddad possa ter mais rejeição que ele.

Está aberta uma nova fase da campanha, embora ainda não tenha terminado o tempo da informação de que Haddad é Lula e Lula é Haddad, tanto que na pesquisa espontânea, Fernando Haddad marca 9,1%, mas 7,5% continuam indicando Lula, mas o espaço da confusão do “sei que ele não pode ser, mas não sei quem ele apoia”.

Que fase será essa?

Bolsonaro, como se viu, insuflando seus fanáticos, depois de uma pequena trégua hospitalar.

Alckmin e Marina atirando para todos os lados, na esperança, apenas, de fugir do naufrágio vergonhoso, o que a ambos já parece impossível.

Ciro tentando se sustentar “no gogó” que é aquele com chances de enfrentar Bolsonaro e, portanto, mais sujeito aos acidentes de sua agressividade.

E Haddad, com sua incrível capacidade inata de ser firme sem ser agressivo, inaugurando o discurso do “vamos conversar” com o (eleitor) adversário.

E o sistema mídia/Justiça a aumentar os seus disparos desesperados sobre ele, o PT e Lula.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Pesquisa CNT/MDA aponta 2º turno entre Haddad e Bozo


A 138ª Pesquisa CNT/MDA, divulgada pela CNT (Confederação Nacional do Transporte) nesta segunda-feira (17), aborda as eleições de 2018. O levantamento traz as preferências dos entrevistados em cenários de primeiro e segundo turnos e o limite de voto nos candidatos. Além disso, trata sobre o grau de interesse nas eleições e o acompanhamento das campanhas eleitorais.

Traz, ainda, a avaliação pessoal e do governo do presidente Michel Temer e a expectativa dos brasileiros para os próximos seis meses sobre temas, como economia, saúde, segurança e educação.

A pesquisa foi realizada entre os dias 12 e 15 de setembro de 2018. Foram ouvidas 2.002 pessoas, em 137 municípios de 25 Unidades Federativas, das cinco regiões do país. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais com 95% de nível de confiança. A pesquisa está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), sob o número BR-04362/2018.

CONCLUSÃO

Os resultados da 138ª Pesquisa CNT/MDA mostram liderança de Jair Bolsonaro (28,2%) para presidente da República, seguido por Fernando Haddad (17,6%), Ciro Gomes (10,8%) e Geraldo Alckmin (6,1%), na avaliação estimulada, o que projeta um cenário de segundo turno entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad.

Nas simulações de segundo turno entre os quatro primeiros colocados, Jair Bolsonaro empata com Ciro Gomes e Fernando Haddad, vencendo Geraldo Alckmin. Ciro Gomes apresenta vantagem contra Fernando Haddad e Geraldo Alckmin, enquanto Fernando Haddad venceria Geraldo Alckmin no segundo turno. Essas simulações e os elevados percentuais de votos em branco, nulos e de eleitores indecisos, reforçam a percepção de indefinição sobre o resultado das eleições ao final de um provável segundo turno.

O cenário atual mostra tendência de nova polarização entre esquerda e direita, dessa vez representadas pelos candidatos Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT).

RESUMO DOS RESULTADOS

ELEIÇÕES 2018

1º turno: Intenção de voto ESPONTÂNEA
Jair Bolsonaro: 23,7%
Fernando Haddad: 9,1%
Lula: 7,5%
Ciro Gomes: 6,3%
Geraldo Alckmin: 2,8%
João Amoêdo: 1,8%
Marina Silva: 1,7%
Alvaro Dias: 0,9%
Outros: 1,0%
Branco/nulo: 13,9%
Indeciso: 31,3%

1º turno: Intenção de voto ESTIMULADA
Jair Bolsonaro, 28,2%
Fernando Haddad, 17,6%
Ciro Gomes, 10,8%
Geraldo Alckmin, 6,1%
Marina Silva. 4,1%
João Amoêdo, 2,8%
Alvaro Dias, 1,9%
Henrique Meirelles, 1,7%
Cabo Daciolo, 0,4%
Guilherme Boulos, 0,4%
Vera, 0,3%
Eymael, 0,0%
João Goulart Filho, 0,0%
Brancos/Nulos, 13,4
Indecisos, 12,3%

Dentre os eleitores de Jair Bolsonaro, 78,2% consideram a decisão de voto como definitiva. Dentre os de Fernando Haddad, 75,4%, Ciro Gomes, 49,1%, Geraldo Alckmin, 48,4%, Marina Silva, 44,4% e João Amoêdo, 48,2%.

2º TURNO: Intenção de voto ESTIMULADA

CENÁRIO 1: Ciro Gomes, 37,8%; Jair Bolsonaro, 36,1%; Branco/Nulo, 19,6%; Indecisos, 6,5%.

CENÁRIO 2: Jair Bolsonaro, 39,0%; Fernando Haddad, 35,7%; Branco/Nulo, 18,2%; Indecisos, 7,1%.

CENÁRIO 3: Jair Bolsonaro, 38,6%; Henrique Meirelles, 25,7%; Branco/Nulo, 27,2%; Indecisos, 8,5%.

CENÁRIO 4: Jair Bolsonaro, 38,2%; Geraldo Alckmin, 27,7%; Branco/Nulo, 26,3%; Indecisos, 7,8%.

CENÁRIO 5: Jair Bolsonaro, 39,4%; Marina Silva, 28,2%; Branco/Nulo, 25,6%; Indecisos, 6,8%.

CENÁRIO 6: Ciro Gomes, 38,1%; Fernando Haddad, 26,1%; Branco/Nulo, 26,6%; Indecisos, 9,2%.

CENÁRIO 7: Ciro Gomes, 43,5%; Henrique Meirelles, 14,8%; Branco/Nulo, 31,6%; Indecisos, 10,1%.

CENÁRIO 8: Ciro Gomes, 39,6%; Geraldo Alckmin, 20,3%; Branco/Nulo, 30,5%; Indecisos, 9,6%.

CENÁRIO 9: Ciro Gomes, 43,8%; Marina Silva, 17,1%; Branco/Nulo, 31,0%; Indecisos, 8,1%.

CENÁRIO 10: Fernando Haddad, 35,7%; Marina Silva, 23,3%; Branco/Nulo, 32,3%; Indecisos, 8,7%.

CENÁRIO 11: Marina Silva, 27,9%; Henrique Meirelles, 23,2%; Branco/Nulo, 38,8%; Indecisos, 10,1%.

CENÁRIO 12: Geraldo Alckmin, 28,4%; Marina Silva, 25,3%; Branco/Nulo, 37,5%; Indecisos, 8,8%.

CENÁRIO 13: Fernando Haddad, 33,1%; Geraldo Alckmin, 26,8%; Branco/Nulo, 31,0%; Indecisos, 9,1%.

CENÁRIO 14: Geraldo Alckmin, 28,9%; Henrique Meirelles, 19,1%; Branco/Nulo, 40,7%; Indecisos, 11,3%.

CENÁRIO 15: Fernando Haddad, 35,5%; Henrique Meirelles, 21,4%; Branco/Nulo, 32,8%; Indecisos, 10,3%.

LIMITE DE VOTO – PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

ALVARO DIAS: é o único em quem votaria 1,4%; é um candidato em quem poderia votar 17,9%; não votaria nele de jeito nenhum 32,2%; não o conhece/não sabe quem é/ nunca ouviu falar 42,8%.

CIRO GOMES: é o único em quem votaria 6,2%; é um candidato em quem poderia votar 45,4%; não votaria nele de jeito nenhum 38,1%; não o conhece/não sabe quem é/ nunca ouviu falar 5,8%.

FERNANDO HADDAD: é o único em quem votaria 13,1%; é um candidato em quem poderia votar 27,2%; não votaria nele de jeito nenhum 47,1%; não o conhece/não sabe quem é/ nunca ouviu falar 8,7%.

GERALDO ALCKMIN: é o único em quem votaria 2,4%; é um candidato em quem poderia votar 34,5%; não votaria nele de jeito nenhum 53,4%; não o conhece/não sabe quem é/ nunca ouviu falar 4,3%.

HENRIQUE MEIRELLES: é o único em quem votaria 1,0%; é um candidato em quem poderia votar 28,9%; não votaria nele de jeito nenhum 49,0%; não o conhece/não sabe quem é/ nunca ouviu falar 15,4%.

JAIR BOLSONARO: é o único em quem votaria 23,0%; é um candidato em quem poderia votar 19,9%; não votaria nele de jeito nenhum 51,0%; não o conhece/não sabe quem é/ nunca ouviu falar 2,1%.

JOÃO AMOÊDO: é o único em quem votaria 2,1%; é um candidato em quem poderia votar 12,1%; não votaria nele de jeito nenhum 34,5%; não o conhece/não sabe quem é/ nunca ouviu falar 47,6%.

MARINA SILVA: é a única em quem votaria 2,0%; é uma candidata em quem poderia votar 33,1%; não votaria nela de jeito nenhum 57,5%; não a conhece/não sabe(m) quem é/ nunca ouviu falar 2,9%.

AVALIAÇÃO DO GOVERNO

A avaliação do governo do presidente Michel Temer é positiva para 2,5% dos entrevistados contra 81,5% de avaliação negativa. Para 15,2%, a avaliação é regular, e 0,8% não souberam opinar. A aprovação do desempenho pessoal do presidente atinge 7,0% contra 89,7% de desaprovação; 3,3% não souberam opinar.

EXPECTATIVA (PARA OS PRÓXIMOS 6 MESES)

Emprego: vai melhorar: 23,3%; vai piorar: 28,3%; vai ficar igual: 43,5%.

Renda mensal: vai aumentar: 21,9%; vai diminuir: 16,9%; vai ficar igual: 56,0%.

Saúde: vai melhorar: 23,2%; vai piorar: 27,7%; vai ficar igual: 45,4%.

Educação: vai melhorar: 22,9%; vai piorar: 24,6%; vai ficar igual: 48,8%.

Segurança pública: vai melhorar: 24,4%; vai piorar: 32,6%; vai ficar igual: 39,4%.

ELEIÇÃO 2018

Interesse e decisão de voto:
23,7% dos entrevistados se dizem muito interessados na eleição deste ano para presidente da República. O restante tem médio (26,0%), pouco (24,9%) ou nenhum interesse (24,8%) no processo eleitoral. 0,6% não sabem/não responderam.

Programa eleitoral e informação sobre os candidatos:
- 65,6% viram ou ouviram o programa eleitoral na televisão ou no rádio; 33,8% ainda não viram ou ouviram.

- 45,6% viram propaganda de candidato na internet ou nas redes sociais; 53,8% ainda não viram.

- Os meios de comunicação que mais influenciam os entrevistados na escolha sobre em quem votar são: televisão/rádio (44,8%); internet/redes sociais (27,6%); 25,7% responderam que nenhum desses influencia.

- Dos entrevistados, 13,1% dizem que conhecem bastante sobre as opções de candidatos a presidente da República; 38,2% afirmam que conhecem mais ou menos. Os que afirmaram conhecer pouco (35,2%) ou nada (12,4%) somam 47,6%.

- 73,4% dos entrevistados acreditam que saúde é a área que mais precisa de melhorias no Brasil; 45,6% responderam educação; 37,9%, segurança; 32,2%, emprego; 2,6%, direito das minorais; 1,9%, habitação; 1,4%, saneamento; 1,3%, transporte; 0,9% energia; 0,4% não souberam opinar ou não responderam.

- Condução da campanha política nas eleições de 2018: 33,0% consideram que está ocorrendo em clima de hostilidade e ódio, sem discutir a solução dos problemas nacionais; 27,1% afirmam que está ocorrendo da mesma forma que em eleições anteriores; 23,8%, está ocorrendo em clima de hostilidade e ódio, mas a solução dos problemas nacionais está sendo discutida e 8,5% afirmam que está ocorrendo de forma serena, focada em propostas para o país e em debates democráticos.

- Sobre as disputas políticas a partir de 2019 com um novo presidente da República: para 39,1% continuarão da mesma forma como estão depois das eleições; para 25,1% serão ampliadas e o Brasil sairá mais dividido depois das eleições e para 20,2%, serão reduzidas e o Brasil sairá mais unificado depois das eleições.

- Em relação ao resultado da eleição para presidente da República: para 40,4%, será legítimo e traduzirá a vontade popular; para 30,8%, será apenas parcialmente legítimo devido ao processo eleitoral turbulento; para 16,8%, não será legítimo.

- Os entrevistados também responderam sobre a situação do Brasil a partir de 2019, em comparação com os últimos 2 anos: 46,1% afirmam que será melhor; 31,1%, que será igual e 12,5%, que será pior.
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