16 de set de 2018

Bolsonaro e o pus do golpismo


A volta de Jair Bolsonaro à campanha eleitoral não podia ser mais trágica, mais até do que foi patética.

Serve-se da piedade que seu estado de saúde desperta para fazer as mais sórdidas acusações e , pior, para sugerir que deva ser dado um golpe de estado caso não vença as eleições.

Gostaria de poder dizer que é um delírio, mas sua vida pregressa desautoriza imaginar que possa ser apenas um desequilíbrio provocado por seu estado físico precário.

Diz, em resumo, que Lula não fugiu da sentença judicial que o levou à prisão porque já tinha “armado” um plano para voltar ao poder com a cumplicidade ,nada menos, que a da mesma Justiça que o prendeu e  que o impediu de ser candidato.

A tese de Bolsonaro, mais do que disparatada, é a de um sujeito vil e covarde que, são, teve todas as chances de dizer isso e deixa para fazê-lo agora, que está protegido da resposta que merece por um leito de hospital.

Esqueçam a tese da impressão do voto, pois Bolsonaro serve-se de uma mentira deslavada – Lula sancionou a lei que o instituía, em 2009 e Dilma Rousseff fez o mesmo em 2015 e ambas as vezes foi o Supremo quem a derrubou – apenas para cobrir de “honestidade” a sordidez do que diz.

A atitude é apenas a de um canalha, que procura atirar sua dificuldade em ser a opção majoritária do povo brasileiro à conta de uma possível fraude e, ainda pior, uma fraude absurdamente atribuída a um suposto controle do Judiciário por quem é por ele perseguido, preso e amordaçado.

É, entretanto, pior ainda, porque transforma todos os que lhe negam, por convicção democrática, o voto e convida previamente ao não-reconhecimento dos resultados eleitorais – convocando para isso, expressamente, os comandantes das Forças Armadas.

Bolsonaro sai, hoje, da posição de “golpista do Temer” para a de “golpista de si mesmo”.

Pior: só chegou a isso porque um bando de sujeitos togados, por seu ódio político, deixou que as eleições descambassem para esta insanidade.

Jair Bolsonaro, ainda bem, parece estar livre de uma infecção intestinal que lhe poderia ser fatal. Mas ele próprio continua sendo a supuração de um Brasil infeccionado pelo ódio insano do golpismo.

Muito mais perigoso, muito mais fatal.

Há, porém, um lado bom nesta história. Algo informa o capitão que a sua situação está longe de ser tão positiva quanto indicam as pesquisas e o impede de fazer um discurso de “paz” que lhe pudesse ampliar a aceitação na disputa final.

A opção preferencial pelo ódio é sinal de alerta de suas dificuldades.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Alemanha divulga vídeo explicando que nazismo era de direita (e tem burro que nega)

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Bolsonaro faz chantagem e antecipa golpe caso perca as eleições - assista


TSE precisa reagir a discurso de Bolsonaro e garantir segurança da urna eletrônica

Sob pena de estar coonestado com Jair Bolsonaro, a presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministra Rosa Weber, precisa se pronunciar com urgência para rebater o discurso que o presidenciável fez neste domingo (16) do seu leito do Hospital Albert Einstein, quando voltou a colocar em dúvida a segurança do processo eletrônico de votação.

Apontando a projeção para o segundo turno das pesquisas eleitorais, que dão como certa sua derrota na eleição, Bolsonaro afirmou que sem a obrigatoriedade do voto impresso há uma chance grande de fraude nas eleições de outubro.

Ao colocar em dúvida a lisura do pleito, o candidato do PSL levanta suspeição sobre a idoneidade da própria Justiça Eleitoral, exigindo um esclarecimento do TSE.

“A narrativa agora é que perderei no segundo turno para qualquer um. A grande preocupação não é perder no voto, é perder na fraude. Então, essa possibilidade de fraude no segundo turno, talvez no primeiro, é concreta”, disse o candidato da extrema direita repetindo por antecipação o discurso de Aécio Neves (PSDB) em 2014, quando perdeu para Dilma Rousseff.

Bolsonaro gravou o vídeo dirigido aos seus eleitores deitado numa cama do hospital, onde procura de forma dramática aparentar esforço ao pronunciar de forma pausada suas palavras, contrastando com o desembaraço com que se apresentou no vídeo gravado na noite anterior, no sábado (15), quando aparece caminhando, conversando, sorrindo e brincando com a equipe médica que o acompanhava.

Geraldo Seabra
No DCM

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Em Roraima, Ciro xinga jornalista - assista


O candidato a presidente pelo PDT, Ciro Gomes, se irritou com uma pergunta feita por um repórter durante sua passagem por Boa Vista, capital de Roraima, na tarde de sábado (15).

Ao ser perguntado sobre uma declaração dada em meados de agosto, onde classificou as agressões de brasileiros a venezuelanos em Paracaima (RR) como “desumanidade” e “canalhice”, Ciro negou-se a responder e passou a xingar o repórter Nicolas Maciel Petri, da TV Tropical, afiliada do SBT no estado.

"Vai pra casa do Romero Jucá, seu filho da puta! Pode tirar esse daqui, esse daqui é do Romero Jucá", disse o candidato, pedindo para seus seguranças retirassem Nicolas do local da entrevista.

Em seu Facebook, o repórter disse lamentar o ocorrido e que sofreu um 'ato de covardia'.

"Daí, em um ato de covardia, o Senhor Ciro Gomes me deu um soco na barriga e me xingou de filho da puta. Fique sem reação porquê não sou de violência. Apenas fiz uma pergunta. Lamento que um candidato a presidente que tenha esse tipo de atitude e que tenha uma candidata ao senado aqui de Roraima que o apoie", criticou Nicolas.

O candidato não comentou sobre o caso.


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Exclusivo: professor Sivaldo Souza fala sobre o fluxo migratório venezuelano em Roraima


Prof. Sivaldo Souza
Sivaldo Souza Silva é Doutorando em Engenharia e Saúde Ocupacional pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto/Portugal, Mestre em Tecnologia Ambiental pela Associação Instituto Tecnológico do Estado de Pernambuco (ITEP), Especialista em Comércio Exterior pela Universidade Federal Rural de Pernambuco e Graduado em Licenciatura Plena em Matemática pela Universidade Federal de Roraima. Vice-líder do grupo de Pesquisa Interdisciplinar em Saúde, Engenharia e Matemática (GPISEM) em cadastramento no CNPQ; tem experiência nas áreas de Matemática, Estatística, Ambiental, Saúde Ocupacional e Elaboração de Projetos de viabilidade econômico-financeiro.

Sivaldo Souza é candidato a deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores (PT-RR) e fala, com exclusividade, ao ContextoLivre sobre a situação do fluxo migratório venezuelano no estado de Roraima e sobre as implicações que esse fenômeno político-social e econômico representa para a sociedade roraimense.

ContextoLivre – Estima-se que Roraima abriga cerca de 70 mil venezuelanos, o que corresponde a 20% da população do estado. O estado tem estrutura para comportar tantos imigrantes?

Prof. Sivaldo Souza – Infelizmente, o estado de Roraima não está estruturado para receber, num curto espaço de tempo, tantos imigrantes venezuelanos – diga-se, de passagem, que também recebemos imigrantes da Guiana ainda que em menor escala. Na verdade, pelo porte, pela infraestrutura na área de saúde, na área de educação, esse percentual corresponde a, mais ou menos, 15% da população. Esse número significa um acréscimo muito grande num lapso muito pequeno de tempo. A solução, para desafogar a estrutura de suporte à saúde, à educação, à moradia, e de infraestrutura como um todo, deve ser, realmente, uma política de transferência e redistribuição desse universo populacional de imigrantes venezuelanos para outros entes da federação, porque o estado não tem estrutura para comportar esse fluxo migratório vindo do país vizinho.

Roraima tem um plano de desenvolvimento para lidar com esse fluxo?

– Roraima não tem um plano de desenvolvimento para um evento desse porte. Na verdade, poderia até dizer que, se existisse um plano, esse fluxo migratório seria até benéfico porque incorporar na economia mão de obra com muita qualificação profissional – há venezuelanos muito qualificados – que não custou nada para o estado. Roraima é um estado cujo tamanho em termos de área territorial é enorme. Então, do ponto de vista geográfico, o estado comporta um acréscimo na população. Mas, para isso, é necessário ter um plano de desenvolvimento e, nesse plano de desenvolvimento, deveríamos olhar para a Venezuela como um momento de oportunidade e não como um problema, já que o PIB da Venezuela é muito maior do que o do estado de Roraima. Então, se se incorpora mão de obra qualificada e se tem um plano de desenvolvimento que leve em consideração os arranjos produtivos locais, teríamos um momento de oportunidade extraordinário. É necessário, dessa forma, repensar essa política de análise de imigração. Entretanto, para isso, o estado teria de possuir um plano de desenvolvimento que contemplasse não apenas a capacidade de exportar e importar para a Venezuela, mas também levar em conta que há outro país que faz fronteira com o Roraima, que é a Guiana. Tanto a Venezuela quanto a Guiana poderiam ser duas bases de exportação e, para isso, é fundamental resolver outra questão do estado que é a segurança energética. Esse problema energético possui várias soluções, mas o Brasil optou pela confrontação e não pela cooperação. A questão energética de Roraima, por ser o único estado do Brasil que não está interligado ao sistema elétrico nacional – Sistema Interligado Nacional (SIN) – é muito grave, pois dependemos da energia produzida na Venezuela e, nesse momento, a central elétrica de Guri está com problema em sua manutenção e a crise venezuelana está se agravando. Uma política inteligente seria basicamente o que foi feito com o Paraguai: participamos da construção de Itaipu e colaboramos para desenvolver o Paraguai. Esse país faz fronteira com o Brasil, tem fluxo migratório, porém, como há desenvolvimento dos dois lados, não são vistos problemas como os que se veem hoje na relação Roraima-Venezuela. Deveríamos trabalhar para recuperar a economia venezuelana, fazendo uma interação com a nossa economia e, aí, eu incluiria também a Guiana. Com esse país, teríamos a opção de um porto de águas profundas que serviria de ponto de exportação para nossos produtos agropecuários. Quer dizer, esse momento poderia ser visto como um momento de oportunidade, mas o estado não tem um planejamento, e o Brasil, também, nos últimos dois anos, acabou com o que tinha de plano crescente de desenvolvimento.

Como o estado pode se beneficiar desse fluxo e quais seriam os caminhos para isso?

– Sim. O estado pode e deveria se beneficiar desse fluxo migratório. Como eu já coloquei, a Venezuela tem um PIB enorme, tem uma natureza belíssima, é um país dotado de um potencial turístico enorme, possui um setor hoteleiro muito grande, e nós temos, no estado de Roraima, uma população de apenas 500 mil habitantes. O estado precisa aumentar sua população, porque o desenvolvimento necessita também de mais mercado consumidor. Um estado cujo tamanho corresponde, por exemplo, ao Reino Unido, é um estado que precisa ser mais povoado. E a forma de se beneficiar desse fluxo migratório é levar em conta a grande quantidade de mão de obra qualificada, analisar os arranjos produtivos locais, ver que nós temos uma grande potencialidade no setor agropecuário, no setor da agroindústria e temos um grande potencial turístico. Podemos ser, também, um polo de desenvolvimento de produtos de alta tecnologia para exportação, porque estamos a uma pequena distância do maior mercado consumidor mundial, que é os Estados Unidos. Por outro lado, temos, também, todo o Caribe aqui perto do estado de Roraima. Agora, o estado não tem população nem mão de obra qualificada suficiente, ao passo que a Venezuela possui uma parte dessa população, que já está em Roraima, com muita qualificação, buscando qualquer forma de sobreviver por conta da crise. Seria necessário, na verdade, repensar essa questão do fluxo migratório, essa política de imigração, mas, para isso, teria que ter um plano de desenvolvimento para o estado. Infelizmente, o que se vinha construindo de política de desenvolvimento para a região, quando o Michel Temer assumiu o poder, ele foi para uma outra linha de ação que foi basicamente de confrontação, de subserviência aos Estados Unidos, ideologizou algo que deveria estar no plano econômico. E aí a situação do estado se agravou. Quanto à questão energética de que já falei, teríamos de interligar Roraima ao sistema elétrico nacional ou então investir na manutenção da central elétrica de Guri, que abastece 10 dos 15 municípios de Roraima, incluindo Boa Vista; trabalhar a questão de energias alternativas por conta das grandes distâncias que se têm em relação às áreas mais afastadas, mais rurais. Deveríamos nos aproveitar desse fluxo migratório de outra forma. Estamos perdendo um momento importante para o desenvolvimento do estado de Roraima.

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Há grande insatisfação da população roraimense com a presença de venezuelanos. No mês passado, moradores do município fronteiriço de Pacaraima atacaram e expulsaram alguns imigrantes. Considera esse um ato xenófobo (crime previsto no artigo 20 da Lei Federal 7.716/89)?

Hoje, há uma insatisfação da população com o grande fluxo migratório de venezuelanos. Mas eu não consigo enxergar o estado, o seu povo em sua maioria, como tendo características xenófobas. Na verdade, Roraima é uma grande mistura de povos. Temos gente de todos os estados da federação e até pouco tempo atrás esse convívio, entre roraimenses e venezuelanos, era natural. Venezuelanos moravam em Roraima, roraimenses moram na Venezuela. Agora, o Brasil passa por um momento político muito especial que permite que uma pequena parte da população se porte como xenófobo, com um comportamento mais hostil contra os imigrantes. Esse percentual é xenófobo mesmo, intolerante. Relativamente ao caso de Pacaraima, considero que vários fatores contribuíram. A cidade tem em torno de 10 mil habitantes com 1.200 imigrantes vivendo na rua ou em abrigos, alguns mais ou menos estruturados, outros improvisados. O acréscimo é muito grande para uma cidade que não tem o suporte para dar atenção a essa população. O fato concreto é que não há entendimento entre o governo federal e o estado, além de interesses políticos em acirrar os ânimos. Alguns agentes políticos, que dominam a política do estado, querem, de alguma forma, uma confrontação. Essa confrontação tem a ver com a busca de votos e aí se jogam os habitantes uns contra os outros. Como não há um controle no fluxo migratório, pessoas de diversas índoles estão entrando no país, entre esses imigrantes, evidente, há aqueles que não têm um comportamento decente enquanto cidadão. E, em Pacaraima, o acréscimo de crimes diversos – furtos, roubos, latrocínios – recai sobre os venezuelanos. Isso vai se agravando e aí você pega algumas pessoas que usam essa situação para incendiar a população e aconteceu o que se divulgou em rede nacional. Mas, reafirmo, não considero que a maioria da população seja xenófoba. Há uma insatisfação porque o estado não suporta o fluxo migratório e não se planejou. O governo federal deveria dar suporte para o estado, porque Roraima não teria condições financeiras de comportar um acréscimo tão grande na população. Mas tudo vira um jogo político e não uma política social, uma política humanitária, uma política de desenvolvimento.

O poder público estadual é responsável por tratar do problema do fluxo migratório venezuelano ou essa é uma questão que diz respeito, exclusivamente, à esfera do governo federal?

– O fluxo migratório, neste caso, é uma política entre países. Mas como acontece pela fronteira de Roraima, o estado também participa, embora todo o controle na fronteira deva ser feito por instituições federais (Polícia Federal, Receita Federal e a Guarda Nacional quando for destinada para esse fim). Agora, a partir do momento que entra no Brasil, passa a ser, também, um problema do estado de Roraima. Essa ação deveria ser uma ação conjunta envolvendo as nações (Brasil, Venezuela), o ente federativo (Roraima) e a própria ONU. O grande desafio é que, em termos nacionais, o Brasil optou por não buscar soluções negociadas para minimizar essa questão. O Brasil optou por buscar a confrontação. O governo estadual, por outro lado, tem um problema de gerenciamento, um problema próprio do estado que é não ter se preparado para essa situação. Esse fluxo já vem acontecendo há algum tempo, só chegamos a um volume considerável agora, mas não é recente. Então, você tem a ausência de agentes políticos, tanto do estado como do governo federal, e aí deixam o problema se avolumar esperando que as coisas se acomodem. Entretanto não se tem um mercado consumidor que consiga acomodar esse contingente de imigrantes sem uma política de investimento na infraestrutura, na capacidade de atendimento nas áreas de saúde, de educação, de moradia, enfim, um planejamento de desenvolvimento capaz de incorporar essa mão de obra migratória. Dessa forma, vejo como um jogo de “perde-perde”. O estado de Roraima e a União são dois agentes que não estão correspondendo ao momento histórico, não estão à altura do problema, não dialogando de forma construtiva. Então, é um problema que ainda vai demandar um tempo para ser resolvido.

A mídia corporativa brasileira tem dado destaque à Venezuela como sendo uma ditadura levada a ferro e a fogo por Nicolás Maduro. O senhor concorda com a veiculação dessas informações?

– Não concordo que a Venezuela seja uma ditadura. Na realidade, se observamos a história da Venezuela, constataremos que o país costuma respeitar às regras democráticas. Agora, a mídia brasileira registra os fatos, deturpando-os inúmeras vezes, conforme sua conveniência ideológica e de conluio com certa política de alinhamento com os interesses dos EUA e de certo segmento político brasileiro. Para grande parte da mídia corporativa brasileira, alguns são aliados, e outros não, ao sabor da conveniência discursiva e de benefícios financeiros que o apoio das pouquíssimas famílias que controlam o setor midiático brasileiro pode auferir. Os interesses são abjetos, são escusos. Portanto, a discussão não se circunscreve ao fato de a Venezuela ser ou não ser ditadura. Jamais se ouviu falar que alguns países muçulmanos ou africanos são uma ditadura pela mídia brasileira, porque para ela é conveniente não noticiar isso. A Venezuela tem um presidente democraticamente eleito. O processo democrático seguiu seu rito. Alguns países questionam, porém, quando se faz uma análise mais profunda, perceberemos que essa veiculação de que a Venezuela é uma ditadura está plantada em interesses econômicos maiores num um xadrez geopolítico que tem como protagonista os EUA. Garanto que, se a Venezuela não tivesse tanto petróleo, eu diria que essa discussão seria relegada à margem de fatos noticiosos sem nenhuma importância para as grandes nações que necessitam desses recursos naturais, principalmente os EUA. A mídia falseia a verdade. Em função desse panorama de pressão externa e com as sucessivas tentativas de golpe contra Nicolás Maduro patrocinadas pelos EUA, a democracia, sem dúvida, começa a se enfraquecer. O fato é que não há na Venezuela lideranças que façam o contraponto ao atual presidente. Podem-se questionar os problemas advindos da gestão de governo, da condução de política econômica, mas jamais dizer que na Venezuela existe uma ditadura, como a mídia insistentemente tem propagado de maneira falseadora e criminosa do ponto de vista de um jornalismo sério e imparcial que se espera.

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Racistas fãs de Bolsonaro atacam Benedita em Niterói!

Vinicius Loures/Agencia Brasil

NOTA DE ESCLARECIMENTO

No sábado, dia 15, enquanto tomava café com assessores num bar em Niterói, fazendo uma pequena pausa na campanha eleitoral, fomos agredidas por um casal que se dizia eleitores de Bolsonaro. Eles acusavam o PT da “facada” em seu candidato, nos xingavam, cuspiam na nossa frente e gritavam tentando nos expulsar do local.

A mulher, na sua ira, tomou o celular do fotógrafo e arremessou sobre ele jogando no chão. A minha assessora teve o seu cabelo violentamente puxado.

O vídeo divulgado pela Mídia Ninja mostra apenas a parte final do ocorrido. Quando eles viram a gente chamar a polícia pegaram o carro e fugiram rapidamente do local.

Quero dizer para meus amigos e minhas amigas que estamos bem e ainda mais dispostos a levar a campanha Lula/Haddad que vai barrar o fascismo e reconquistar a democracia no Brasil. Toda essa violência e desespero é consequência do rápido crescimento de Haddad nas pesquisas.

Nada deterá a vontade do povo de votar em Haddad13, o nome indicado pelo melhor presidente que o Brasil já teve.

O fascismo, o racismo, a misoginia não passarão!


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Bolsonaro não queria sair da Santa Casa

A história de como a família do presidenciável dispensou o Sírio-Libanês, contrariou a vontade do candidato de ficar em Juiz de Fora e aceitou a proposta do tesoureiro do PSL de levá-lo para o Einstein

Ilustração: Paula Cardoso
Se dependesse do candidato Jair Bolsonaro, ele teria ficado por mais tempo internado na Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora. Ao fim da bem-sucedida cirurgia para reparar os estragos da facada que perfurou seu intestino, o presidenciável do PSL disse aos familiares que desejava permanecer ali. Mas, a 470 quilômetros, em São Paulo, integrantes do seu partido pensavam diferente. Antes mesmo do fim do procedimento para conter a hemorragia no abdômen, aliados, políticos e médicos se mobilizavam para removê-lo do hospital mineiro. Não confiavam nos colegas do interior que haviam salvado a vida de Bolsonaro. Em vez da instituição filantrópica que também atende pelo Sistema Único de Saúde, o SUS, queriam levá-lo para um hospital de grife. Era uma visão desinformada e que logo se provaria equivocada.

Bolsonaro chegou à emergência da Santa Casa às 15h40 da quinta-feira, 6 de setembro, alternando momentos de consciência e inconsciência, exangue, com a pressão em 7 por 4 e correndo risco de morte. Entrou empurrado por um séquito de correligionários, políticos, auxiliares, além dos quatro policiais federais que o escoltavam. As reações beiravam a histeria. Enquanto os médicos tentavam estabilizá-lo antes de submetê-lo a uma ultrassonografia, parte do grupo tentou invadir a sala para acompanhar o procedimento. Foram contidos por funcionários do hospital.

Com as lesões confirmadas pelo ultrassom, o candidato foi levado às pressas para o centro cirúrgico, no 14º andar, onde uma equipe de médicos formada pelo cirurgião do aparelho digestivo Luiz Henrique Borsato e os cirurgiões-gerais José Otávio Junqueira e Gláucio Souza se preparava para operá-lo. Os policiais federais insistiram em seguir o paciente no elevador até o centro cirúrgico. Enquanto acompanhavam a maca, gritavam, aos prantos, pelos corredores: “Mataram meu capitão”, “Mataram meu presidente”.

A direção da Santa Casa chamou a Polícia Militar para colocar ordem no hospital. Cerca de trinta PMs, comandados pelo coronel Oterson Nocelli, se postaram nas entradas da emergência e dos elevadores com o objetivo de barrar invasores. Ainda assim, o movimento às portas do centro cirúrgico era grande. Gustavo Bebianno, presidente interino do PSL e um dos mais próximos auxiliares de Bolsonaro, não desgrudou do deputado até que fosse para a mesa de cirurgia. Bebianno teve um pico de pressão, passou mal e também precisou ser atendido.

Na entrada do centro cirúrgico, apoiadores do candidato bateram boca com funcionários da Santa Casa que, seguindo regras internas, pediam que entregassem os celulares à segurança, para evitar vazamento de imagens do paciente. A equipe da Santa Casa atendeu ao pedido, mas a de Bolsonaro não. Ainda com a cirurgia em curso, fotos do candidato na mesa de operação chegaram às redes sociais. A cirurgia foi narrada em tempo real pelo WhatsApp.

A guarda do presidenciável continuava inquieta. Dois policiais federais exigiram permanecer no centro cirúrgico. Já os que ficaram do lado de fora, ao saber que o autor do atentado, Adélio Bispo de Oliveira, havia sido levado à sede da PF na cidade, berravam no centro médico, como se estivessem numa delegacia, que era preciso descobrir “os mandantes do atentado”.

Por volta das 16 horas, o cirurgião vascular Paulo Gonçalves Junior foi chamado para ajudar na cirurgia. Ele suturou a veia mesentérica e uma tributária, que haviam sido atingidas, o que provocara uma hemorragia abundante. Havia também risco de contaminação pelo vazamento do conteúdo do intestino para a cavidade abdominal. O quadro era grave e “muito tenso”, como descreveria depois um dos cirurgiões em mensagem de WhatsApp para amigos. Alheios à confusão no hospital e em todo o país, os médicos da Santa Casa operavam o paciente.

Dezenas de jornalistas se amontoavam na porta do hospital e compartilhavam informações desencontradas. As primeiras notícias eram de que o deputado fora submetido a uma laparoscopia, um procedimento cirúrgico pouco invasivo mas que não é recomendado para casos como o de Bolsonaro. Na verdade, ele passava por uma laparotomia, cirurgia de alta complexidade que exige a abertura de todo o abdômen.

Quando saiu a notícia do atentado, por volta das 15h30, o advogado Victor Metta, do escritório Rosenthal Sarfatis Metta Advogados, participava de uma reunião com empresários no bairro dos Jardins, em São Paulo. Discutiam o plano de governo de Bolsonaro. Desde o ano passado, Metta é o tesoureiro do PSL em São Paulo. “Conheci Bolsonaro e seus filhos em 2016 e logo gostei deles”, contou-me o advogado, numa conversa por telefone. A afinidade com as ideias do candidato e de seus filhos foi imediata. Metta brincou: “Como dizem os umbandistas, nosso santo bateu.” Ao saber do atentado, o advogado acreditou ser algo de menor gravidade, já que falava-se em laparoscopia.

Por volta das 18 horas, Metta recebeu um telefonema da secretária do partido em São Paulo, Letícia Catel, sugerindo que eles fossem de carro até Juiz de Fora. A notícia de que o quadro do candidato era grave agora espalhava-se rapidamente. A partir daí, o celular de Metta não parou mais de tocar – eram amigos e correligionários, cada vez mais assustados. Preocupado, o advogado ligou para Antônio Luiz Macedo, cirurgião do aparelho digestivo do Hospital Israelita Albert Einstein. Metta pediu que viajasse com ele a Juiz de Fora. Sua preocupação, disse, era com o atendimento que Bolsonaro poderia receber de médicos de uma cidade do interior, operando em um hospital que ele imaginava ter poucos recursos. Ele temia que os cirurgiões “não estivessem capacitados” para atender um quadro grave como aquele. Um dos mais afamados especialistas do país em cirurgias no abdômen, Macedo concordou em acompanhá-lo.

A cirurgia de Bolsonaro terminou às 19h40. Em uma entrevista coletiva, os médicos da Santa Casa informaram que a intervenção tinha sido bem-sucedida e que o quadro de Bolsonaro era estável. Pouco depois, o diretor da Santa Casa, o médico Renato Villela Loures, recebeu uma ligação do colega Roberto Kalil, diretor-geral do Centro de Cardiologia do Hospital Sírio-Libanês, que disputa com o Einstein o lugar de hospital mais renomado de São Paulo. Kalil comunicou a Loures que três médicos de sua equipe, entre eles a clínica Ludhmila Hajjar, que coordena a UTI do hospital paulistano, voariam num jatinho para Juiz de Fora. A essa altura o advogado Victor Metta e o médico Antônio Macedo seguiam para Jundiaí, a cerca de 60 quilômetros de São Paulo. Lá eles embarcariam no monomotor de propriedade da RSM Gestão, empresa que Metta possui em sociedade com Paulo Rosenthal, seu sócio também no escritório de advocacia. O destino era Juiz de Fora.

O diretor da Santa Casa disse desconhecer quem chamou os médicos do Sírio-Libanês. “O Roberto Kalil me disse que a família Bolsonaro se tratava no Sírio e, por isso, havia pedido que o hospital enviasse os médicos”, contou Loures. “Mas ninguém da família disse nada.” Já no caso do cirurgião Antônio Macedo, do Einstein, a informação que Loures recebeu era de que o médico viajaria a pedido de pacientes amigos, que “insistiram” que ele atendesse o candidato.

Àquela altura, Bolsonaro já se recuperava no Centro de Terapia Intensiva da Santa Casa. Lá, ele recebeu a visita do senador Magno Malta (PR-ES), apoiador de sua campanha. Do CTI, Malta gravou um vídeo em que o deputado, com voz fraca, agradece por estar vivo e diz nunca ter feito mal a ninguém. A mulher de Bolsonaro, Michelle, e Flávio Bolsonaro, filho do primeiro casamento do deputado, o acompanhavam no hospital. Os outros filhos ainda não tinham conseguido chegar.

O avião levando a equipe do Sírio-Libanês pousou em Juiz de Fora por volta das 23 horas. Os médicos examinaram Bolsonaro e, pouco depois, a Santa Casa divulgou uma nota à imprensa em que afirmava que os médicos do hospital paulista atestavam o sucesso da cirurgia. Passava da meia-noite quando o monomotor com o advogado Victor Metta e o médico Antônio Macedo pousou no aeroporto de Juiz de Fora. Eles seguiram de táxi até a Santa Casa. Lá, o cirurgião do Einstein examinou o paciente e concluiu o mesmo que os colegas do Sírio: a cirurgia havia sido bem-sucedida.

No começo da madrugada, houve uma conversa entre os médicos e a família do deputado sobre a transferência de Bolsonaro. O candidato, ainda bastante debilitado, argumentou que preferia ficar na Santa Casa – ele sentia-se bem e recebia bom atendimento. Seu filho Flávio, contudo, insistia na transferência. Sem condições de argumentar, a única exigência de Bolsonaro foi de que só iria se fosse para o Einstein. De acordo com testemunhas, ele disse não querer a internação no Sírio, por considerá-lo um hospital “dos políticos do PT”, pelo fato de Dilma Rousseff e de Luiz Inácio Lula da Silva terem sido tratados lá (os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin também serem pacientes do hospital). Feita a opção pelo Einstein, a equipe do Sírio voltou para São Paulo.

A médica Ludhmila Hajjar, que chefiava a equipe do Sírio, me disse que não houve desentendimento entre ela e o médico Antônio Macedo, como foi noticiado. “Isso é mentira”, afirmou. “A família nos comunicou que, por motivos pessoais, ele preferia ir para o Einstein e nós entendemos. Não estávamos ali para pegar o paciente, e sim para examiná-lo.” Hajjar contou que ela e sua equipe deixavam o hospital justamente no momento em que o médico do Einstein chegava. “Eu e o Macedo nos cumprimentamos com dois beijos e nos despedimos. Não houve discussão.”

Durante a madrugada, os médicos da Santa Casa, junto com Macedo, avaliaram o quadro de Bolsonaro e concluíram que o paciente tinha condições de ser transferido para São Paulo, como sua família queria.

Apesar do desejo inicial de Bolsonaro de ficar onde estava, o diretor da Santa Casa me disse que, nessas horas, quando o paciente se encontra muito debilitado, a família decide o que fazer. Loures queixou-se, porém, que médicos da capital tendem a achar que hospitais do interior não têm estrutura, o que é um equívoco. “Somos um hospital moderno, de ponta, temos ISO 9001 e certificação de hospital-escola do Ministério da Educação.” O diretor disse que a estrutura do hospital é a mesma para qualquer paciente, seja famoso ou não. “A equipe que atendeu Bolsonaro era a equipe que estava de plantão naquele dia”, afirmou. “Não fizemos nada diferente da nossa conduta por ele ser candidato à Presidência. Não nos envolvemos com política.”

Às 8h20 de sexta-feira, 7 de setembro, Bolsonaro deixou a Santa Casa rumo ao aeroporto de Juiz de Fora. Ele foi embarcado em um jato da Líder Táxi Aéreo, contratado por Metta para levá-lo para São Paulo. O advogado estima que para fazer esta transferência a Líder tenha cobrado cerca de 20 mil reais. As despesas, tanto do médico, quanto do hospital e do transporte aéreo seriam cobertas pelo plano de saúde da Câmara dos Deputados a que o deputado tem direito, e que funciona pelo sistema de reembolso. Isso significa que Bolsonaro teria que pagar pelo deslocamento e pelo tratamento no Einstein, apresentar a conta para a mesa diretora da Câmara que decide pelo reembolso. Metta afirmou, contudo, que, como a companhia de táxi aéreo está segura de que o pedido de reembolso é aceito, não cobrou antecipadamente para fazer o deslocamento do candidato para São Paulo.

Já a despesa de Metta para transportar o médico do Einstein em seu monomotor até Juiz de Fora será paga por ele próprio. Metta estima ter gasto 4 mil reais em combustível pelo trajeto. Seu sócio, Paulo Rosenthal, me disse ter apreciado a atitude de Metta. “Não foi um gesto político, foi um gesto humanitário”, afirmou. “Um gesto para o único candidato capaz de tirar o país desse horror em que nos encontramos.” Rosenthal diz que parte da comunidade judaica apoia Bolsonaro, mas ele não é uma unanimidade. “A comunidade tem posições muito variadas.”

Durante toda a tarde do dia 6, ainda enquanto Bolsonaro era operado, várias companhias aéreas ligaram para o hospital se oferecendo para buscá-lo. “Nunca vi disso”, disse uma funcionária do hospital. “Era muita gente querendo se aproveitar da situação. Do que o ser humano é capaz.” Bolsonaro chegou à capital paulista às 10 horas de 7 de setembro, e deu entrada no Einstein 40 minutos depois.

Nos dias seguintes, Bolsonaro e familiares experimentariam mudanças tanto no quadro clínico do candidato quanto na precaução demonstrada pelos textos dos boletins médicos antes e depois da segunda cirurgia de emergência pela qual ele passaria.

O candidato foi internado na Unidade de Terapia Intensiva do Einstein, onde permaneceu durante quatro dias. Os primeiros boletins médicos falavam nas “boas condições clínicas” do paciente. Logo no dia seguinte à entrada no hospital, Bolsonaro passou um período fora da cama, sentado na poltrona e caminhando pelo quarto, auxiliado pela equipe médica. “O tempo será gradualmente aumentado nos próximos dias, conforme a tolerância do paciente”, informava o boletim das 18h10 de 8 de setembro. O objetivo era reduzir riscos de trombose, de complicações de pulmão e, conforme a nota, “acelerar a recuperação do funcionamento do intestino”.

Na tarde do domingo, 9 de setembro, dois dias depois da chegada, os médicos falaram em “regressão” do trauma e que, nos dias seguintes, seria “possível que o paciente passe a ingerir alimentos por via oral”. Dois dias mais tarde, na manhã de terça-feira, 11 de setembro, a alimentação oral foi de fato reintroduzida. Nesse mesmo dia, Bolsonaro recebeu alta da UTI e passou para uma unidade de terapia semi-intensiva, conforme o boletim das 20 horas daquela terça-feira. A nota do hospital falava do início de uma “dieta leve”, com “boa tolerância do paciente, sem apresentar náuseas ou vômitos”.

Logo na manhã seguinte, porém, o prognóstico já não tinha o mesmo tom positivo. O boletim das 11 horas da quarta-feira, dia 12, informava que a alimentação oral havia sido suspensa, por causa de uma distensão abdominal, e Bolsonaro voltara a receber alimentação endovenosa. Às 20 horas daquela mesma quarta-feira, o inchaço da barriga persistia e, mais tarde, o quadro evoluiu para “distensão abdominal progressiva e náuseas”. Bolsonaro foi submetido a uma tomografia de abdômen. Os médicos constataram uma aderência obstruindo o intestino delgado, segundo o boletim das 23 horas desse mesmo dia 12. O quadro do candidato voltara a ficar grave.

Nessa mesma noite, Bolsonaro teve de passar por uma nova cirurgia, de urgência, para desfazer as aderências no intestino e liberar a obstrução. Houve “extravasamento de secreção intestinal (…) em uma das suturas realizadas anteriormente para correção dos ferimentos intestinais”, conforme apontou o boletim das 9h30 do dia seguinte à cirurgia, quinta-feira, dia 13. A cirurgia de duas horas, segundo o Einstein, foi bem-sucedida. Pouco mais de 24 horas depois de receber alta da UTI, Bolsonaro voltou à unidade de terapia intensiva – onde permanece até este sábado.

Em “grandes traumas abdominais” como o do candidato, prossegue o boletim que trata da cirurgia de urgência, a complicação “é mais frequente do que em cirurgias programadas”. Ao dizerem que esse tipo de aderência é mais comum em traumas do que nas intervenções planejadas, os médicos se referem à cirurgia na Santa Casa, na qual os cirurgiões tiveram que se defrontar com uma poça de sangue e fezes dentro da cavidade abdominal de Bolsonaro.

Depois da segunda cirurgia de emergência, pôde-se observar mudanças: embora o tom otimista dos boletins médicos continue, o hospital restringiu as visitas de políticos, Bolsonaro foi desaconselhado a gravar vídeos de campanha, e os prognósticos de alta se tornaram vagos. O que era pressa para tirá-lo da Santa Casa virou precaução em mantê-lo o tempo que for necessário no Einstein.

Consuelo Dieguez
No Paiuí
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Mulheres recuperam grupo contra Bolsonaro e filho do capitão mente

No começo da tarde deste domingo (16), o grupo “Mulheres Unidas Contra Bolsonaro” retomou as suas atividades normais depois de ter sido invadido por um hacker na noite do ultimo sábado (15).

Além de ter o nome alterado para “Mulheres com Bolsonaro #17”, a página contra o candidato à presidência Jair Bolsonaro, do PSL, teve a foto de capa alterada e as administradoras oficias excluídas.

As alterações feitas no grupo, que tem 1,4 milhão de mulheres (mais 1,1 milhão de convidadas que ainda não aceitaram o convite para participar), fizeram com que o Facebook notasse suspeitas de um ataque cibernético, e o arquivasse temporariamente a pedido de Ludmilla Teixeira, proprietária do grupo, o que posteriormente foi confirmado.

“O grupo foi restaurado e devolvido às administradoras”, disse o porta-voz da rede social no início da tarde deste domingo (16). O colunista do UOL, Leonardo Sakamoto, também escreveu sobre o ataque, o qual alegou ter sido um 'atestado de burrice'.


Reprodução/Facebook

Consequências da invasão

Reprodução/Facebook 
A alteração do nome veio acompanhada ainda de ameaça às moderadoras e publicações com discursos de ódio contra o posicionamento político delas; após vários homens terem sido adicionados à página fechada como consequência do ataque cibernético.

Além disso, a invasão fez também com que algumas mulheres deixassem o grupo devido a confusão causada pela alteração do nome e das informações sobre seu intuito na rede social.

Resposta ao ataque 

Em outros grupos no Facebook, criados em resposta à invasão, moderadoras responsáveis pela manutenção da página original se manifestaram na rede social, reafirmando o teor “criminoso” da invasão.

“O grupo Mulheres Unidas contra Bolso.naro (que em 1 semana juntou mais de 2 milhões de mulheres) acaba de ser hackeado. Um sujeito entrou, retirou as moderadoras do comando e mudou o nome do grupo para Mulheres com Bolso.naro. Isso não é uma brincadeira, isso é criminoso. Revela como tratam nossos corpos e invadem nossos espaços, extirpam a nossa voz. 

Já somos 2.200.000 mulheres contra o tal candidato! Mulheres do Brasil inteiro tomam posição política contra o preconceito e discriminação, como pauta política, representada por um deputado de extrema direita, com pautas Nazifascista contra a diversidade de pensamentos na sociedade brasileira. Mulheres negras, brancas, indígenas, socialistas, capitalistas, de centro, evangélicas, católicas, umbandistas, budistas, islâmicas, ateias, etc unidas contra o retrocesso!”

Denúncia por crime cibernético

Em outra publicação, uma das moderadoras afirmou que o hacker e a namorada, que teria ajudado na ação, já foram identificados e serão denunciados na Polícia Federal pelo ato. O perfil do invasor foi identificado como Eduardo Shinok.

"O grupo original não foi excluído. Está arquivado e as administradoras estão fazendo a limpeza. O invasor e a namorada (ajudante) já foram identificados e denunciados na Policia Federal por crime cibernético", comunicou-se antes do grupo ser recuperado.

Mobilização virtual

Outro ponto citado pela moderadora foi o uso da hashtag #EleNão, que foi denunciada por opositores à página como spam. Por isso, foi criado então a #EleNunca, que já alcançou o primeiro lugar entre os tópicos mais falados no Twitter.

Já na manhã desse domingo (16), a hashtag #MulheresContraBolsonaro ganhou impulso entre os internautas e se tornou o assunto mais discutido na rede.

Eduardo Bolsonaro e as fake news


Reprodução/Facebook 
O filho do candidato à presidência usou seu Facebook no último sábado (15) para desqualificar a formação do grupo “Mulheres Unidas Contra Bolsonaro”.

O político afirmou que a página inicialmente era de teor cômico e teve o seu nome alterado contra o pai, Jair Bolsonaro. No entanto, a informação foi desmentida pelo próprio porta-voz do Facebook, que atestou o fato dela ter sido iniciada do “zero”, no dia 30 de agosto.

A publicação de Eduardo Bolsonaro reuniu diversas mulheres nos comentários, que ressaltaram a deturpação dos fatos feitas por ele, que chegou a citar pejorativamente o conceituado jornal britânico “The Guardian”.

Páginas pró-Bolsonaro

A reportagem também apurou o surgimento de grupos a favor de Bolsonaro na rede social. O grupo "Mulheres Unidas a Favor do Bolsonaro (OFICIAL)" tinha cerca de 280 mil membros que receberam convite e aceitaram participar das discussões. Além desse, outros grupos menores também constam no índice da rede social.

No Universa
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Globo conspira contra eleição


Na sexta-feira, agentes da Polícia Federal e da Receita Federal aprenderam US$ 1,4 milhão e R$ 55 mil em dinheiro, e cerca de 20 relógios avaliados em US$ 15 milhões com membros de uma comitiva da Guiné Equatorial, incluindo o vice-presidente do país, Teodoro Obiang Mang, no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas.

Pois não é que a Rede Globo resolveu aproveitar-se da situação para praticar uma vendeta contra Lula e o Partido dos Trabalhadores, na edição do Jornal Nacional deste sábado, com todos os ingredientes da agressiva linha editorial que caracteriza a emissora, que está se tornando cada dia mais perigosa.

Em meio à notícia, a edição tratou de “lembrar” que o presidente da Guiné Equatorial esteve no Brasil, em visita oficial, estampando uma foto com o protocolar aperto de mão dos presidentes, com o evidente objetivo de estabelecer um “vínculo” entre os dois e a situação atual, para criminalizar Lula.

Depois de exibir o esfaqueador de Bolsonaro com camisa vermelha, em seu depoimento à Polícia Federal, esta nova ação criminosa deixa claro que a Rede Globo está disposta a fazer tudo o que estiver ao alcance de seu arsenal de artimanhas editoriais para tentar impedir a vitória do povo nas urnas.

Uma concessão pública, a Rede Globo deixou de fazer jornalismo faz tempo, aliando-se ao fascismo, e tornando-se um braço “editorial” dos interesses imperialistas, dos bancos que a sustentam, e porta-voz dos setores internos mais podres da economia, da política, do judiciário e da polícia.

O desespero diante da iminente derrota do golpe não vai ficar apenas nisso, exigindo que jornalistas, partidos, movimentos populares e todos os democratas do país se levantem contra a manipulação de informações e fatos que, claramente, está sendo tramada nos porões do Projac, no Rio de Janeiro.

Fernando Rosa
No Senhor X
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Conspiração

Sir Thomas More escreveu seu livro “Utopia” em mil quinhentos e pouco, quando começavam a chegar à Europa as primeiras notícias sobre o Brasil recém descoberto, ou recém invadido, pelos portugueses. Não sabemos se More inspirou-se mesmo no Brasil para escrever “Utopia”, mas ninguém sonharia que um exemplo de país perfeito se transformaria um dia em um dos maiores exemplos de distopia, o inverso de utopia, do mundo. Se há um país que se aproxima do ideal descrito por More é a Nova Zelândia, sobre a qual dizem maravilhas. Na Nova Zelândia a natureza é exuberante, o povo e o clima são civilizados, não há crime, tudo funciona, todos ganham bem e até a seleção de futebol não empolga mas não faz feio. Diferente da Austrália, que também foi colonizada por ingleses, a Nova Zelândia convive sem grandes conflitos com os nativos maoris, o que não acontece entre australianos e aborígenes. Qual é o defeito desta nova Utopia?

No seu livro, More escreveu: “Quando eu considero qualquer sistema social que prevalece no mundo moderno, não consigo vê-lo como outra coisa a não ser uma conspiração dos ricos”. More foi presciente sem saber. Li que milionários estão comprando terras e investindo na Nova Zelândia no mesmo espírito com que nos Estados Unidos e em alguns países da Europa brancos assustados se armam e se organizam para enfrentar a guerra racial que, acreditam, fatalmente virá, ou para fugir de catástrofes naturais e sociais, como uma espécie de arca de Noé com classe executiva.

Mas a conspiração dos ricos talvez não estrague a Nova Zelândia. Também li que uma nova primeira-ministra do país é uma mulher com 37 anos chamada Jacinda Ardern, que tomou posse grávida e está amamentando a criança enquanto governa. Jacinda foi a um jantar com a rainha Elizabeth em Londres usando roupa típica dos maoris, com grande sucesso. Sua política é progressista, ela tem apoio garantido no parlamento — e precisa dizer que é bonita?

Luís Fernando Veríssimo
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Sem-braços


Tanta gente, tantos coleguinhas jornalistas, mulheres inclusive, que colaboraram com aquele impeachment fraudulento de Dilma, por ação ou omissão, agora se cagando nas fraldas com medo do Bozo.

Sinto dizer, mas o Bozo nasceu mais de vocês do que das bestas quadradas que o seguem e admiram.

O Bozo é resultado da defesa corporativa de jornalistas submissos e servis, em nome de uma liberdade de imprensa capenga e falaciosa.

O Bozo é filho do antipetismo senil que vocês ajudaram a disseminar sendo insentões quando, na verdade, buscavam apenas um patrão para chamar de seu e puxar o saco.

O Bozo é fruto do machismo selvagem que surgiu na Copa de 2014, quando uma turba de retardados mandou Dilma tomar no cu, para o mundo todo ouvir, e vocês ficaram caladinhos, acharam graça, até.

O Bozo nasceu do bucho podre de cada um que se calou quando decidiram ignorar a Constituição e o Estado de Direito para perseguir, humilhar e prender o maior presidente e mais importante líder popular que o Brasil já teve.

Então, estou vendo muita mocinha arrependida entrando na luta das mulheres contra o Bozo, e muito rapazote arrependido, com medo de ter a cabeça rachada por um fascista.

Eu os perdoo.

Mas não esqueço.

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Bolsonaro é uma ameaça à civilidade


A candidatura de Jair Bolsonaro é, por si só, uma ameaça à civilidade. Não apenas porque o sujeito é um fascista incorrigível, um indivíduo incapaz de aprender até mesmo com a própria dor, mas porque o simples fato de vomitar seu ódio é um potente catalisador do ódio alheio. Qualquer pessoa com mais de dois neurônios ativos é capaz de compreender como seu discurso é anacrônico, pertencendo a um mundo passado que ele sonha como melhor, ideal, apenas porque as minorias que ele tanto despreza não tinham condições de erguer a voz contra a opressão.

A sociedade ideal, para gente como Bolsonaro, é aquela em que o grito, a violência e o abuso de poder ocupam o lugar do debate, da razão e da diversidade.

E é por esta razão que há um bom tempo já não invisto energia ou tempo em comentar a maior parte das canalhices que ele, seus filhos e correligionários fazem ou dizem. O que eu falhava em compreender (e que muitos ainda não percebem) é que apontar a natureza vil do sujeito não afasta seus eleitores, pois estes o escolheram como candidato justamente porque ele representa toda a sujeira que eles têm na alma.

Misoginia, racismo, xenofobia e homofobia não são palavras feias para seus eleitores; são recomendações. Neste sentido, Bolsonaro é o Martin Luther King dos intolerantes; e se ele tem um sonho, este é o de tornar o país um pesadelo para toda e qualquer minoria e para quem acredita em igualdade.

É por isso que não acredito que seja possível "debater" com seus eleitores: o que julgamos como desprezível e desumano eles consideram um modelo de vida.

Vejam o que fizeram agora: depois que um grupo exclusivo para mulheres foi criado aqui no Facebook como resposta à misoginia do candidato, eles inicialmente tentaram criar um outro com o objetivo de elogiar o ídolo. Porém, enquanto o original ultrapassava as duas milhões de inscritas, a anticópia mal passava de alguns milhares e era repleta de homens.

O passo seguinte foi enviar mensagens com insultos e ameaças às administradoras da página e, como isto falhou em demovê-las, eles HACKEARAM o grupo, mudaram seu nome, excluíram as administradoras e, então, a página em si.

Afinal, qual seria a melhor maneira de combater acusações de misoginia e intolerância do que comprovando-as na prática?

Bolsonaro é resultado do ódio fomentado pela mídia corporativa e pelos golpistas (políticos e juízes) por esta empoderados. Há uma conexão direta entre a raiva cheia de cuspe e frustração de William Bonner na bancada do Jornal Nacional e os discursos do candidato fascista e de seus eleitores, que representam o que a sociedade brasileira tem de pior.

São estes "cidadãos de bem" preconceituosos, intolerantes ao dissenso e ao diálogo que afundam o país cada vez mais. Derrotá-los nas urnas é apenas o primeiro passo; os seguintes, bem mais difíceis, consistirão em levá-los a compreender que o ódio que vomitam é algo inaceitável em pleno século 21. Quanto ao sucesso desta empreitada não nutro esperanças; já a primeira está ao nosso alcance.

Esta será a eleição mais importante que o Brasil já teve. De seu resultado virá o veredicto sobre que tipo de nação queremos ser.

Pablo Villaça
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Conheça a trupe de Bolsonaro


“Só não vamos fazer pacto com o diabo”, afirmou Bolsonaro em julho, enquanto costurava uma aliança com o clã dos Barbalho no Pará. O candidato do PSL tentou se coligar com diversos partidos de direita, mas não teve sucesso. Apesar de vender a imagem de que não formou uma coalizão ampla por ser alérgico a conchavos, Bolsonaro não está isolado porque quer, mas por incapacidade política. Mesmo estando muito bem colocado nas pesquisas, não teve habilidade para formar uma base de apoio fora do seu clubinho reacionário.

Em um contexto de demonização da política, em que lamentavelmente as alianças políticas são confundidas com práticas criminosas, o isolamento de Bolsonaro vira virtude aos olhos dos eleitores mais incautos.

Onyx Lorenzoni, coordenador da campanha, garante haver 110 deputados eleitos que apoiam a candidatura e que apoiariam um governo Bolsonaro. Como em um programa de auditório, Lorenzoni exibiu para os jornalistas um envelope que conteria os nomes dos deputados, mas, claro, não os revelou. O fato é que o PRTB, do caricato Levy Fidelix, é o único partido que apoia a candidatura de Bolsonaro.

Outro responsável pela articulação política de Bolsonaro é o advogado Gustavo Bebianno, um cara que até dez anos atrás estava nos EUA, lutando jiu-jitsu e trabalhando como sócio de um integrante da família Gracie em uma academia. Apesar de ser um neófito na política, foi escolhido para ser o presidente do PSL e um dos comandantes da campanha. Bebianno tem um perfil bastante similar ao do candidato e já está implantando no partido o jeito Bolsonaro de fazer política. Quando surgem divergências com apoiadores, grita e os chama de “viadinho”.

Muito religioso, Bebianno acredita piamente que Bolsonaro representa o Bem na luta contra o Mal. Assim como nós, ele também não sabe muito bem como foi parar na presidência do PSL: “Eu não sei o que eu tô fazendo aqui, nunca me envolvi em política, não entendo nada de política, não tenho perfil político, sou um cara impaciente. Não era para estar aqui, não era para estar aqui. É inexplicável”. Este é o homem que está à frente de uma candidatura presidencial que lidera as pesquisas.

O PSL é um partido essencialmente formado por militares da reserva e da ativa. Setenta e quatro candidatos a deputado federal do partido se apresentam com patentes militares em seus nomes oficiais de campanha. Três candidatos a governador e três a senador também aparecerão nas urnas com seus nomes acompanhados de cargos militares. Há muitos pastores também. Em comum, todos eles compartilham das mesmas obsessões: aborto, armas, homossexualidade, comunismo e crime. Não há nada muito além dessas esferas.

Apesar de tantos militares, a campanha de Bolsonaro tem sido marcada não pela ordem e disciplina, mas pela bagunça. Isso ficou mais evidente após o ataque em Minas Gerais. Após a segunda cirurgia, Bolsonaro segue bastante debilitado e não poderá fazer campanha, inclusive no segundo turno. A ausência expôs ainda mais a fragilidade de suas alianças. O vice, General Mourão, sem o aval de Bolsonaro e do PSL, honrou seu DNA golpista e entrou com um pedido no TSE para poder participar dos debates em seu lugar. Aproveitou também para propor uma nova Constituição que não seja feita por uma Assembléia Constituinte, mas por “notáveis” escolhidos sabe-se lá por quem.

Tudo o que cerca a candidatura da extrema-direita parece ser caricato. Pincei alguns expoentes do bolsonarismo que disputarão vagas no Congresso e que têm grandes chances de se elegerem. Tracei um mini-perfil de cada um para termos ideia do quão surreal será a base de apoio de um governo Bolsonaro, que mais parece um circo de horrores.

Joice Hasselmann (PSL) – famosa por ter plagiado mais de 60 textos escritos por 42 jornalistas, a jornalista é candidata a deputada federal pelo partido de Bolsonaro. Depois que deixou a TVEJA (canal do Youtube da revista Veja), onde era apresentadora, Joice se tornou influenciadora digital das redes de direita e ativista bolsonarista das mais empolgadas. Sem combinar com ninguém do PSL, a paranaense chegou a anunciar sua candidatura ao governo de São Paulo, o que foi negado prontamente pelo presidente do partido em São Paulo, que afirmou que ela “atravessou o samba para querer aparecer”.

Nesta semana, Joyce causou novamente dentro do PSL. Gravou um vídeo em que diz ser a única candidata do PSL (além de Janaína Paschoal e Eduardo Bolsonaro) que é de fato apoiada por Jair. Seus correligionários ficaram revoltados. O candidato Alexandre Frota xingou muito no Twitter. Além de chamá-la de “biscate” e “ratazana que anda pelos bastidores”, afirmou que ela recebeu R$ 100 mil do fundo eleitoral da direção nacional do partido. A jornalista pretende representar Frota criminalmente e na Justiça Eleitoral. É esse o nível do debate interno do PSL.

A candidatura de Joice está sub judice, já que o TRE-SP indeferiu sua candidatura esta semana. A paranaense teria perdido o prazo para mudar seu domicílio eleitoral para São Paulo.

Magno Malta (PR-ES)  – o senador-pastor era o “vice dos sonhos” de Bolsonaro e quase topou o convite, mas preferiu garantir a vaga no Senado, onde está desde 2002. Sua principal bandeira na política, para não dizer a única, é o combate à pedofilia. Sempre foi um político fisiológico e chegou a prestar apoio aos governos Lula e Dilma. Foi indiciado por participar da Máfia dos Sanguessugas. Na semana passada, The Intercept Brasil revelou que o gabinete do senador comprava gasolina em apenas dois postos, cujo dono é seu aliado político e já foi condenado por roubo. No intervalo do debate da Rede TV, o Senador Magno Malta afirmou que o filho de Lula comprou uma lancha de R$ 32 milhões, um famoso boato compartilhado em grupos de WhatsApp.

Alexandre Frota (PSL-SP) – o ex-ator é candidato a deputado federal e chegou no PSL com a benção de Bolsonaro, que chegou a convidá-lo publicamente para ser seu ministro da Cultura. Depois de ganhar fama nas novelas da Globo e antes de virar ativista político, Frota trabalhou como DJ, ator pornô, cantor de funk, modelo, comediante, jogador de futebol americano e por aí vai. Agora tentará a sorte na carreira de política. A sua repentina tomada de consciência política se deu durante os protestos pelo impeachment de Dilma. Como líder dos Revoltados Online grupo reacionário famoso por espalhar fake news —, chegou a ser recebido em Brasília pelo ministro da Educação de Temer, que quis ouvir suas propostas para área.

Onyx Lorenzoni (DEM-RS)  – apesar do seu partido apoiar Alckmin, é um dos coordenadores da campanha de Bolsonaro. Sempre com discurso moralizador, o gaúcho foi o relator das “10 medidas contra a corrupção” e se tornou um aliado de Deltan Dallagnol um dos autores da proposta feita pelo Ministério Público. Logo após a revelação do áudio que registrou a famosa conversa entre Temer e Joesley, Onyx bradou contra a elite política do país, dizendo que ela “apodreceu, perdeu credibilidade, perdeu o respeito do eleitor, da eleitora, do cidadão, do trabalhador”. Um dia após essa declaração moralizadora, Onyx apareceu como recebedor de caixa 2 nos documentos apresentados pela JBS em sua delação. Depois que rodou bonito, o deputado se viu obrigado a admitir o crime. Continua usando, porém, o figurino de paladino da moral e dos bons costumes. Em junho deste ano, porém, o STF arquivou o inquérito que investigava o crime do qual Onyx é réu confesso.

Major Olimpo (PSL-SP)  –  é um ex-policial militar que gosta de resolver as coisas no grito e, apesar de recentemente ter se consolidado como um quadro de direita ideológico, já foi do PDT e chegou a ser cogitado para ser candidato a vice-governador de São Paulo na chapa de Mercadante (PT). Em 2015, saiu do PDT e se filiou ao PMB, o partido da Mulher Brasileira, mas ficou pouquíssimo tempo e logo pulou para o Solidariedade. Com a candidatura de Bolsonaro na praça, foi para o PSL e imediatamente virou presidente do partido em São Paulo. Quando Joice Hasselmann “atravessou o samba” e se lançou candidata ao governo do estado, Major não resolveu a questão internamente. Preferiu publicar um vídeo repudiando a colega de partido, com tom agressivo, afirmando que o PSL “não é casa da mãe Joana”.  

Delegado Éder Mauro (PSL-PA) – o deputado federal mais votado pelo Pará na última eleição, que teve a Odebrecht como maior doadora de campanha, o delegado Éder Mauro vem fazendo campanha para Bolsonaro desde o ano passado, quando gastou  R$ 14 mil para espalhar 400 outdoors por Belém em sua homenagem. Mauro já foi alvo de um inquérito no STF (arquivado por Gilmar Mendes) por prática de tortura e é investigado por outros crimes, como extorsão e ameaça. Integrante da bancada da bala, ele também defende abertamente um golpe militar no país. Éder Mauro já se envolveu em confusões na Câmara e, por muito pouco, não trocou socos com o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) durante uma audiência na Câmara no ano passado.

Delegado Waldir (PSL-GO) – foi o deputado federal mais votado da história de Goiás. Eleito pelo PSDB, seu número de campanha era 4500 e o slogan era “45 é o calibre e 00 é da algema”. O delegado pulou para o PR e, logo em seguida, foi para o PSL para ficar pertinho de Bolsonaro. “Tivemos uma presidente terrorista. Um presidente sociólogo, que defende a liberação da maconha. Agora, chega! Tá na hora de mudar e colocar um presidente disciplinador e que entenda de hierarquia. E é o Bolsonaro”.

Capitão Augusto (PR-SP) –  é aquele deputado federal conhecido por desfilar com a farda militar pela Câmara. O policial tentou fundar o Partido Militar Brasileiro, mas não conseguiu o número de assinaturas necessárias. Seu desejo era que o número da nova legenda fosse 38, “por causa do famoso três oitão, revólver mais usado pelas corporações militares”, ou 64, “em homenagem a nossa revolução democrática”. Com atuação parlamentar irrelevante, o capitão apresentou neste ano um inacreditável projeto de lei que obriga árbitros de futebol e seus auxiliares a declarem por escrito o time que torce. Dessa forma, eles seriam impedidos de apitar os jogos dos times do coração.

Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PSL-SP) –  descendente de Dom Pedro, o príncipe do Brasil saiu do Novo e se filiou ao PSL para poder apoiar Bolsonaro. Para ele, o verdadeiro golpe militar no Brasil se deu com a proclamação da República, e não em 1964. O príncipe sempre foi muito amigo do MBL e é autor do livro cujo título é involuntariamente irônico: “Por que o Brasil é um país atrasado?”.

A turma do Bolsonaro não é apenas conservadora e reacionária. São extremistas amalucados movidos por fanatismo religioso, boatos de WhatsApp ou qualquer coisa que lhes dê na telha. Assim como Jair Bolsonaro, são saudosos do regime militar, mas jamais prestaram nenhum serviço relevante ao país em seus mandatos concedidos democraticamente pelo povo. Entre pastores, delegados, majores, capitães e um príncipe, todos ali têm um quê de Cabo Daciolo. Como disse Ciro Gomes em um dos debates, “a democracia é uma delícia, uma beleza, mas tem certos custos”.

João Filho
No The Intercept
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Testemunha-chave do caso do sítio de Atibaia diz que teve depoimento distorcido pela PF

O sítio de Atibaia, em que as famílias de Jacó Bittar e Lula conviviam
Uma das evidências apontadas pelo Ministério Público Federal de que o sítio de Atibaia pertence a Lula é o depoimento de Celso Silva Vieira Prado à Polícia Federal em 4 de março de 2016, dia da condução coercitiva de Lula.

Celso, descrito como administrador das propriedades da família Bittar, teria dito que desconhecia o sítio e que não era frequentado por Jacó Bittar.

Segundo ele, localizado pelo DCM, as informações não são verdadeiras. Ele não é administrador dos “bens” nem disse que Jacó Bittar não frequentava a propriedade. Também negou que não soubesse da existência do sítio.

“Como é que eu não sabia? A pedido do Fernando, eu arrumei três mudas de pimenta cumari para ele plantar nesse sítio. Sabia sim, e o Jacó não saía de lá”, disse.

Celso assinou o depoimento e nunca mais foi ouvido. Há alguns meses, ia prestar depoimento por videoconferência em Ourinhos, na região de Manduri, onde reside. Mas a defesa de Fernando Bittar desistiu de ouvi-lo.

Segundo Celso, a desistência aconteceu porque, na data do depoimento, estava em Conceição da Aparecida, em Minas Gerais, cuidando da mãe, muito doente, e que veio a falecer.

O próprio Celso está em tratamento contra um câncer no nariz e, por isso, se afastou do trabalho. Está recebendo pensão do INSS, depois de mais de 20 anos trabalhando para a família de Jacó Bittar.

Mas ele não é, como consta de seu depoimento assinado pelo delegado Luciano Benin, administrador dos bens da família Bittar.

“A família nem tem tantos bens assim que precise de administrador. Tem esse sítio de trinta alqueires, e o Fernando tinha mais seis alqueires que era do sogro dele”, contou.

Celso Prado reside em Manduri, no interior do Estado, cidade em que nasceu Jacó Bittar. Ele é de Minas Gerais, foi criado na roça e trabalhou para Jacó Bittar em Campinas, quando este era prefeito.

Depois que Jacó deixou a prefeitura, em 1993, Celso foi para Manduri, a pedido de do patrão, para cuidar de um sítio.

“Já tiramos leite e, depois, tivemos uma plantação de bucha por metro”, afirmou. Atualmente, a propriedade tem um caseiro, e a maior parte foi arrendada para o plantio de eucalipto, uma cultura muito comum na região.

No dia da condução coercitiva de Lula, 4 de março de 2016, a Polícia Federal, cumprindo ordens de Sergio Moro, fez uma megaoperação, com equipes espalhadas em São Bernardo, São Paulo, Atibaia e Manduri.

Celso Prado estava na cidade de Manduri e, quando foi informado de que havia policiais federais no sítio, deixou casa logo cedo e foi para lá.

Quando chegou, constatou que os policiais, na presença do caseiro, já tinham apreendido notas que estavam na sede.

“Eles me pediram documentos e fizeram uma pergunta: se eu conhecia o sítio de Atibaia, eu disse que não. Depois me mandaram o papel para eu assinar. Eu assinei na confiança”, disse.

Celso Prado, como informa o próprio depoimento, tem primeiro grau completo.

É um homem simples, que, além de trabalhar para Jacó, se tornou seu amigo. Mas nunca cuidou dele, como informa o depoimento.

“Eu morei na casa do Jacó em Campinas, mas eu não cuidava dele. Trabalhava para ele. Às vezes, dirigia, ia em banco, essas coisas”, relatou.

Pelo que se recorda, esteve com Jacó há três meses, mas foi para visitá-lo.

O ex-prefeito de Campinas mora em São Vicente, litoral paulista. Jacó está doente, mal de Parkinson, e à vezes, em crise de depressão, pede que amigos o visitem.

Este quadro de saúde foi uma das razões que teriam levado o filho, Fernando Bittar, e o sócio do filho, Jonas Suassuna, a comprarem o sítio de Atibaia.

Nos últimos anos da presidência de Lula, Jacó era hóspede frequente do Alvorada e da Granja do Torno, onde Marisa Letícia tinha plantação e animais. Foi para Brasília a convite de Lula, que soube de seu estado de saúde e quis ajudá-lo.

A convivência com a família de Lula teria ajudado na melhora do seu estado de saúde.

Nos últimos meses do mandato, Jacó teria sugerido a Lula e à Marisa Letícia que, após a presidência, tivessem um lugar para continuar a passar os fins de semana juntos.

Um lugar onde Marisa pudesse continuar com sua criação de animais — pato, marreco, pavão — e cuidar da horta.

As famílias de Lula e de Jacó são amigas há muito tempo, desde que Lula era presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e Jacó, presidente do Sindicato dos Petroleiros da região de Campinas.

Em 1981, os dois foram processados na Justiça Militar pela acusação da Polícia Federal de que teriam incitado a violência, em discursos no Acre, quando protestaram contra a morte de um sindicalista.

Foi quando Lula disse “chegou a hora da onça beber água” e o ditado foi interpretado pela Polícia Federal como apologia ao assassinato de fazendeiros.

A acusação era tão sem pé nem cabeça que Lula foi absolvido por unanimidade na Justiça Militar, assim como Jacó Bittar. Quando terminou o julgamento, os jornais registraram o abraço de Lula em Jacó Bittar e, depois, a entrevista dele abraçado a Marisa Letícia.

Os dois são fundadores do PT e disputaram juntos as primeiras eleições do partido, em 1982, Lula como candidato a governador e Jacó, senador.

Os dois tiveram quase 11% dos votos, na eleição em que Franco Montoro se elegeu governador, com cerca de 50% dos votos, e Severo Gomes, senador, ambos do PMDB.



Lula e Jacó, amigos e aliados há muito tempo

Os laços permaneceram tão fortes entre as famílias que um frequentador do sítio de Atibaia conta que Fernando Bittar chamava Marisa Letícia de tia.

Foi com o propósito de manter essas famílias próximas que Fernando, a pedido do pai, passou a procurar uma propriedade próxima de São Paulo.

Em agosto de 2010, o corretor Vanderlei Esteves Mansanares, de São Paulo, foi procurado e esteve com o empresário Adalton Emílio Santarelli, que tinha o sítio em Atibaia.

“Eu fui almoçar no Clube da Montanha com o Vanderlei e ele me disse que havia duas pessoas querendo ver o sítio. Eu disse que tudo bem, eles podiam visitar. Imaginava que quisessem ver o que havia lá, para fazer igual, em outra propriedade”, afirmou Adalton Emílio Santarelli, em entrevista por telefone ao DCM.

Alguns meses depois, o negócio foi feito.

O senhor vendeu para o Lula? —  perguntei.

“Não, nunca me disseram que o Lula estava no negócio, nunca vi o Lula. Só vi isso (de que ele poderia ser o dono oculto), muitos anos depois na imprensa. Não sei se é verdade”, respondeu.

E, pelos registros bancários, Lula não estava no negócio mesmo.

O dinheiro usado por Fernando Bittar para emitir o cheque administrativo com o qual pagou a sua parte no sítio saiu de uma poupança de Jacó Bittar, e foi para a conta do filho.

O caminho do dinheiro já foi demonstrado no processo do sítio de Atibaia, mas, ainda assim, o Ministério Público Federal insiste que Lula é o real proprietário.

E, para sustentar sua tese, recorre a depoimentos inconsistentes, transformando o fiscal de um sítio, homem com primeiro grau completo, em “administrador de bens” da família.

Na época em que Lava Jato provocou uma tempestade no Brasil, essa manipulação dos fatos era aceita sem contestação, e ajudou a criar o ambiente que levou à retirada de Dilma Rousseff da presidência e aos processos contra Lula.

Com base no depoimento de Celso — contestado por ele —, o Estadão chegou a publicar reportagem para sustentar a versão de que Fernando Bittar era laranja de Lula. O texto é de 18 de agosto de 2016:

“Responsável por cuidar das propriedades da família do ex-prefeito de Campinas (SP) Jacó Bittar, Celso Silva Vieira Prado afirmou à Polícia Federal que o Sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP) – que teria sido comprado em nome do filho Fernando Bittar para uso comum com a família do amigo e ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva – disse à Polícia Federal que o imóvel não integrava a lista de bens sob seus cuidados”, registra o texto, com base no depoimento.

Em seguida, relata: “A Operação Lava Jato considera ter provas para apontar que Lula é o dono do sítio, comprado em 2010, por R$ 1,5 milhão”.

Ao ler para Celso um trecho do depoimento, ele ficou particularmente indignado com a parte em que lhe é atribuída a frase de que Jacó não frequentava o sítio.

“Que pode afirmar que JACÓ BITTAR não faz uso do sítio em Atibaia, o qual, por se encontrar em condições precárias de saúde, pouco sai de sua residência em São Vicente/SP”, registra o depoimento.

“Não é verdade, o Jacó não saía de lá”, conta.

Quem frequentou o sítio se lembra de ter visto Jacó muitas vezes na beira da piscina, com o passatempo predileto: fazer palavras cruzadas.

O sítio de Atibaia, com a colaboração da autoridades, gerou muitas fake news.



Depoimento de Celso Prado: “Não disse isso”

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Reportagem financiada por crowfunding. Outras virão. Fique ligado.
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Joaquim de Carvalho
No DCM
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