13 de set. de 2018

PSDB continua o apoio ao projeto do golpe


No passado, o PSDB era conhecido por ficar sempre em cima do muro, sempre incapaz de decidir.

O tempo passou e os tucanos escolheram seu lado, bem à direita.

Eis que agora Tasso Jereissati ensaia voltar ao PSDB raiz.

Entre fazer um mea culpa e não fazer, escolhe o muro.

Diz que o partido errou ao questionar a eleição de Dilma, mas não fala nada sobre a montagem do golpe travestido de impeachment.

Critica a participação no governo Temer, mas silencia sobre o apoio às medidas anti-povo aprovadas pelo usurpador.

A meia mea culpa de Tasso não serve de muita coisa, na verdade. Se houvesse um real reconhecimento dos erros, teria que existir algum movimento para consertá-los.

Mas não há.

No fundo, a despeito do reconhecimento de erros superficiais, continua o apoio ao projeto do golpe.

Luis Felipe Miguel
Leia Mais ►

Dilma lança documentário sobre o Golpe de 2016 — assista


A ex-presidenta Dilma Rousseff, candidata do PT ao Senado por Minas Gerais, lançou nesta quinta-feira, 13 de setembro, o documentário “A História do Golpe”, que mostra como foi forjada a aliança entre parte da mídia brasileira e do setor financeiro nacional, o PSDB e líderes do PMDB para derrubá-la do governo.

O documentário está disponível no You Tube e terá versões em inglês e espanhol.

O filme é um documento histórico e político que ajuda a compreender como foi forjado o impeachment de Dilma, fraudado por ter sido aprovado pelo Congresso sem que houvesse sido cometido crime de responsabilidade, como prevê a Constituição do Brasil.

“A História do Golpe” tem narrativa direta e didática sobre a evolução da crise política brasileira que começou em 2013 e foi agravada pelos desdobramentos da crise econômica internacional.

O filme explica como a derrota de Aécio Neves em 2014 acabou sendo instrumentalizada para derrubar um governo legítimo, eleito com 54,5 milhões de votos.

O documentário recorre a material de imprensa brasileira e estrangeira, além das sessões do julgamento na Câmara e no Senado, e de depoimentos como da própria Dilma e do advogado José Eduardo Cardozo.

O filme abre com o primeiro ato do golpe: “A derrubada de um governo legítimo”.

Essa primeira parte tem 27 minutos e aponta o envolvimento direto de parlamentares como Eduardo Cunha, Aécio Neves, Antonio Anastasia e outros políticos, como o vice Michel Temer, assim como jornalistas da chamada grande imprensa, para forjar o ambiente que permitiu cogitar o impeachment sem crimes de responsabilidade, antes mesmo da vitória de Dilma nas eleições de 2014 ser obtida nas urnas, em 26 de outubro daquele ano.

O filme denuncia o comportamento parcial de setores da imprensa, como a Rede Globo de Televisão, que ajudou a envenenar o ambiente político e mostra também como parte do mercado financeiro atuou para ampliar o clima de descontentamento, fomentando críticas ao governo Dilma por conta das seguidas reduções das taxas de juros promovidas pelo Banco Central ainda no primeiro mandato da presidenta.

“A História do Golpe” está disponível no site oficial de Dilma Rousseff e nas redes sociais da candidata ao Senado por Minas Gerais.

A petista lidera as pesquisas de intenção de voto e vem denunciando na campanha a participação direta dos adversários políticos no Golpe de 2016.

Leia Mais ►

Não há o que comemorar: chapa substituta é uma derrota


O Plano B foi consumado, Lula foi obrigado a desistir de sua candidatura e Haddad assumiu seu posto, com Manuela de vice. Passado o calor da hora, sob ânimos menos exaltados, é necessário salientar algumas ponderações.

A primeira delas é que não há nada para ser celebrado, pois sofremos uma derrota acachapante do Golpe que conseguiu exatamente o que planejou: Lula não é candidato, e isso oficializou-se por meio de uma decisão do PT, antes de todos os recursos se esgotarem, principalmente, no que tange às liminares da ONU. Em síntese, o PT tirou a "batata quente" do colo do STF, que, para impugnar Lula, teria que afrontar a ONU, o ordenamento jurídico interno e as próprias biografias de cada ministro. Sob o argumento de que o prazo acabava no dia 11, o que não é verdade, pois, oficialmente, é 17, portanto, mais uma possibilidade de recurso interno e na ONU; o PT se rendeu às ameaças do Golpe e lançou uma chapa substituta. Abaixamos a cabeça, concordamos com os desmandos de um Estado de exceção e jogamo-nos, de peito aberto, em uma eleição fraudada, que será fiscalizada exatamente pelas instituições que avalizaram todas as etapas do Golpe: o Judiciário.

Cabe ao PT, coligados e militância serenidade e respeito ao luto que Lula e seu eleitorado vivem. Foi constrangedor, por exemplo, constatar, ao vivo, que tocava forró, em alto e bom som, durante a pré-cerimônia de anúncio da chapa substituta, em frente a Policia Federal.

O segundo ponto de reflexão tem a ver com afirmações de que a campanha do PT só começou agora, o que soa extremamente desrespeitoso tanto a Lula, como para sua militância, em especial, para o acampamento "Marisa Letícia", em Curitiba, que heroicamente resiste, há mais de 150 dias, em defesa da liberdade e candidatura do ex-presidente.

Por fim, tomemos cuidado para não adoçar o que é venenoso, ou seja, estejamos alertas para o fato de que foi o Golpe – e não Lula - que desenhou e construiu a chapa Haddad/Manuela, por meio da imposição intransigente de prisão, prazos, indeferimentos de recursos e censuras. Não é agradável essa constatação, eu sei, mas os fatos não nos deixam negar:

1) Lula foi condenado e preso para que sua candidatura fosse totalmente inviabilizada;

2) Lula queria Jacques Wagner como seu substituto, que recusou, porque não concorda com o Plano B diante do contexto atual (implantado pelo Golpe);

3) Lula não queria Manuela como vice, queria mais tempo para articular alianças mais amplas em outros partidos e, talvez, no mercado; porém, diante da imposição, do TSE, de um prazo mais curto para o registro da candidatura, Lula viu-se pressionado pelo PCdoB a ceder a vice-presidência para Manu, e foi o que aconteceu, por meio do "tríplex" provisório Lula/Haddad/Manu;

4) Lula queria participar dos debates e dar entrevistas para apresentar ao povo seu plano de governo, mas o Golpe proibiu, como consequência, Haddad assumiu tal responsabilidade;

5) Lula queria que seus prazos fossem esticados até o máximo para que pudesse lutar pela candidatura até as últimas consequências, o TSE antecipou o julgamento e impôs prazos menores apenas para ele;

Como vemos, nada do que Lula realmente queria foi permitido, e a chapa Haddad/Manuela construiu-se a partir das imposições do Golpe.

Embora indigesta, a percepção de que o golpe conduziu o caminho, passo a passo, para configuração do Plano B é necessária para que não caiamos em mais arapucas, como, por exemplo, acreditar que essa eleição presidencial é qualquer coisa que não a etapa fundamental do Golpe para torná-lo legítimo, dando a ele próprio ares democráticos.

Não se trata, portanto, de Haddad, nem de Manu. Eu reconheço a competência administrativa dele, e admiro e me inspiro no legado dela. A questão não é quem, mas o Plano B em si. Poderia ser Jesus, Brizola ou Mandela ressuscitado que não faria diferença alguma. Inexiste a mínima possibilidade de qualquer oposição ao Golpe vencer esse pleito, e um raciocínio sereno e pragmático que leve a história recente em conta sabe disso. Portanto, a luta deveria instrumentalizar as fragilidades da eleição contra o Golpe, jogando a ilegalidade de descumprir as liminares da ONU no colo do STF, e não fazer exatamente o contrário, como fez o Plano B, livrando os ministros de tal indignidade perante a comunidade internacional, que, a cada dia, deixa explícita seu incomodo com os descaminhos democráticos do Brasil.

Defendo uma resistência que não se limite às eleições, que tenha consciência de que o voto não é soberano quando as instituições democráticas não se submetem à Constituição, vide o que fizeram no impeachment de Dilma. Não existe inteligência numa estratégia que cogite vencer uma eleição fraudada, do início ao fim, de todos os lados. É um processo que interessa única e exclusivamente ao Golpe, e a decisão de aceitar a participação sem Lula é exatamente o que eles precisam.

O PT deveria ter mantido sua promessa ao povo e levar a candidatura de Lula até o fim, assumindo o risco de ficar sem chapa ou ter os votos anulados, cenários que enfraqueceriam enormemente o Golpe, tornando a eleição sem representatividade e altamente questionável, dando ainda mais argumento para ONU aumentar a pressão contra o "Acordo nacional, com STF, com tudo".

Tínhamos a opção de levar a candidatura de Lula oficialmente, sob os recursos que não acabaram, ou não-oficialmente como norte da insurreição civil e pacífica que já se avoluma, tanto nas pesquisas eleitorais, como nos lulaços pelo país. O período eleitoral poderia ser instrumentalizado para uma intensa educação política popular, explicando didaticamente como o Golpe se deu, instruindo para eleição de bancadas legislativas progressistas e antigolpistas, ou seja, não perderíamos tempo, dinheiro e energia com uma derrota anunciada, ao contrário, focaríamos tudo isso na elaboração de uma oposição popular qualificada e robusta para 2019 em diante.

Porém, ao que tudo indica, o Plano B vai desarticular a Esquerda, pulverizar os recursos, e deixar o incomodo provocado pela violência contra Lula perdido num vácuo ideológico. Quando o previsível acontecer, a população, em especial a militância, estará, mais uma vez, com a autoestima assolada, exausta e sem planejamento, o que nos levará, de novo, ao limbo das lutas contra as emergências que o Golpe cria recorrentemente para nos manipular.

Precisamos ter coragem e criatividade para reconhecer que existem saídas e resistências mais eficazes que estão além e fora das eleições, e que não passam necessariamente pela luta armada. Continuar aceitando as ordens do Golpe vai nos tornar cumplices dele.

Thaís S. Moya é socióloga, pós-doc em Ciências Sociais (Unicamp)
Leia Mais ►

O que há em comum nos casos Richa, Haddad e a advogada algemada?

No avanço civilizatório, aprendemos que a teoria da prova é o elemento que impede que as decisões sejam tomadas por subjetivismos, desejos, intuições etc. Trata-se de optarmos ou não pela democracia. Sentenças teleológicas baseadas em desejos (decido e depois fundamento) é inquisitivismo. Parece que o Brasil optou pelo inquisitivismo. É o perigo de uso político do Direito. Flertando com lawfare.

Exemplos não faltam. Há um “capítulo” da denúncia criminal contra o ex-prefeito Fernando Haddad (PT) que tem o título de “máxima de experiência”. E a seguir o promotor de Justiça de São Paulo pede o seguinte:

“O Juiz criminal, ao avaliar o contexto probatório, de forma mais especial em casos de criminalidade organizada, econômica, ou complexa, deve elaborar análise crítica das provas em face do seu contexto objetivo, mas também no seu “interior”, no respectivo subjetivismo, nas suas entrelinhas, nas “informações ocultas”, nas referências, na compreensão da representação e do significado do fato; nas circunstâncias que ele, como ser humano com capacidade analítica e interpretativa, consegue abstrair daquilo que não é claro, não é visível e nem aparente, que não está escrito, mas sabe existir, e pode fundamentá-lo”. (grifei)

Sim, acreditem no que leram. E releiam bem devagar. O promotor quer que o juiz avalie a denúncia a partir de seus — dele, juiz — critérios subjetivos. Ele quer que o juiz leia nas entrelinhas. O que seria isso? Uma nova teoria da prova, tipo “o pintinho envenenado da tribo Azembe”? Com 28 anos de Ministério Público, desde o meu estágio probatório sempre me disseram que a denúncia tinha que ser clara e objetiva. Trazer fatos. Mesmo que o promotor erre o tipo penal, vale a descrição do fato. Se isso é verdade — e é —, então como se pode pedir que o juiz seja subjetivo e leia nas entrelinhas dos autos?

Mais: o promotor pede que o juiz examine a denúncia, “como ser humano que é” (ainda bem, pois não?), com capacidade analítica e interpretativa, abstraindo daquilo que não é claro, não é visível e nem aparente, que não está escrito, mas sabe existir, e pode fundamentá-lo (sic).

Nunca se viu algo semelhante no mundo, mesmo que se queira trazer para o direito brasileiro uma espécie de padrão anglo-saxão de prova, um direito 4.0. Aliás, se o “pedido” de leitura nas entrelinhas e abstrações que o promotor fez na denúncia fossem objeto de concurso público, provavelmente o CNMP anularia a questão por exotismo, como já o fez com a teoria da graxa e similares (aqui).

Isso é ruim para a instituição do Ministério Público. Já escrevi aqui que me preocupo com o uso político do processo por parte da Instituição. Como é possível que um agente político do Estado, que possui as garantias da magistratura, comporte-se a partir de um agir estratégico, como se fosse advogado privado? Como é possível que se admita — e se peça ou se sugira — que o juiz julgue a partir de seu subjetivismo e de leituras nas entrelinhas e daquilo que não está dito nos autos?

Do mesmo modo, preocupa-me que fatos de 2014, cuja investigação terminou em 2016, possam justificar prisão temporária de um ex-governador (Beto Richa - PSDB-PR), em pleno processo eleitoral. Que fatos são esses que não ensejaram prisão ou busca e apreensões antes? Vai ver que o ex-governador e sua esposa mataram alguém e estão procurando o corpo. Prisão temporária? Nesse momento? Alguém governa um estado, vai para a disputa do Senado. Esses fatos — não discuto a gravidade — se deles pudesse redundar a prisão, esta deveria ter sido decretada também bem antes das eleições. E prender por que? Ele no poder, poderia subtrair provas. Mas, por favor, agora fora, que perigo representa? Na decisão, o juiz diz que a prisão garante maior probabilidade de sucesso para coleta de provas. Pergunto: ora, para prender já não tem de ter um material robusto? Interessante também é a fala do promotor do caso. Questionado sobre a interferência nas eleições, disse (ver aqui) saber “que quando atinge um candidato é óbvio que isso interfere [sic]”. E ele segue: “Mas” — sempre tem um “mas”, não? —, “mas não podemos parar os trabalhos por motivos desta natureza. Não foi pensado ou premeditado essa hipótese”.

Certo. Já que o tema é midiático, também respondo a partir do entretenimento. O “filósofo” Ben Stark, em Game of Thrones, já dizia: tudo que vem antes do “mas” não importa. Faça o teste, leitor: “Não sou racista... mas...”. “Não sou homofóbico... mas...”. “É claro que interferimos diretamente nas eleições ao prender um candidato em setembro de 2018 com base em investigações de um período entre 2012 e 2014... mas...”. Isso cai como uma luva para o caso Fernando Haddad também. Ah, esse “mas”! Pois é. Tenho muito medo disso tudo. Sem “mas”.

Assim, a denúncia contra Haddad e a prisão de Richa, entre outros atos desse jaez, desgastam as instituições, em vez de fortalecê-las. A corda estica, estica... Para ser mais claro: tudo o que poderia ter sido resolvido antes, não pode ser precipitado dias antes da eleição. Sobre a denúncia, mostrei já o absurdo do apelo ao subjetivismo do juiz e à leitura de algo que não está escrito (palavras textuais do promotor). Já a prisão do ex-governador do Paraná, neste momento, faz com que nos perguntemos sobre os motivos da prisão, sua necessidade real e quejandos. Nestes casos, sempre é bom ler algo sobre o significado de lawfare. Estamos transformando o processo penal em “direito processual do inimigo”. Lawfare. Exemplos de caderninho.

Nesse turbilhão de coisas, aparece, ainda, uma juíza leiga que prende em flagrante uma advogada — negra — no exercício de seu mister, conforme se vê nas filmagens (ver aqui) e nas matérias das mídias. A atitude da juíza leiga apenas demonstra o autoritarismo incontido de nossas autoridades. Ups: juíza leiga é autoridade? Piorou a coisa. A ver (sem h). De todo modo, ela aprendeu bem o seu ofício, diria um expert em patrimonialismo brasileiro. Lembrete: será que a juíza leiga vai processar quem filmou a cena e quem propagou na internet? Sim, porque, em outro episódio, o defensor Eduardo Newton foi processado por uma juíza de direito por ter postado no Facebook uma filmagem de uma prisão feita por ela, juíza; e quem filmou o ato também foi condenado. Estou curioso para ver os desdobramentos. Afinal, o que é liberdade de informação?

Além da barbárie do episódio, das algemas, da truculência, preocupa o grau de pusilanimidade de certos causídicos que assistem a esse tipo de atitude e nada fazem. A “plateia” quedou-se silente. Os advogados brasileiros estão cada vez mais domesticados. Discurso da servidão voluntária. De tanto apanharem cotidianamente nos fóruns e varas, acostumaram o lombo. Tudo ao contrário do fator Stoik Mujic que venho pregando: ali o sindicalista apanhava e se erguia, apanhava e se erguia...E só por isso sobreviveu. Por aqui, a advocacia se acostumou a apanhar. E advogar virou um exercício de humilhação cotidiana (leiam o que escrevi de há muito). Falta só o chicoteamento. Um imaginário autoritário leva a isso. Até o meirinho, a juíza leiga, o porteiro, o funcionário do balcão e o assessor olham — e tratam — o causídico de cima para baixo. Nem vou falar do tratamento nas audiências — cada coisa que me contam... Bom, e o que dizer das sustentações orais que, de imediato, como se não existissem, são seguidas de longo voto do julgador, sem nem mesmo olhar para o advogado. Ou nas alegações em audiência, que, concluídas, o juiz apresenta a sentença pronta. Há casos em que o juiz sai da sala e, na volta, dá a sentença. Ou não é assim? Cartas para a coluna. E a OAB reage a isso? Como ficou o caso do advogado de São Paulo que foi algemado por ter entrado no elevador privativo dos juízes?

Esses episódios mostram como não levamos a sério as garantias processuais-constitucionais. E nem as prerrogativas de advogado, cuja profissão está sendo dia a dia criminalizada. Esses episódios também mostram como falamos que respeitamos — da boca para fora — e, na prática, produzimos atos e decisões inquisitivas. Teleológicas. Algo como denunciava E.T.A. Hoffmann nas práticas policiais de então, no conto satírico “Knarrpanti”. Hoffmann era também juiz da Corte Suprema da Prússia: identificado o delinquente, depois é só ver o que ele fez. Isso não falha nunca. Bingo. Knarrpanti.

Um advogado, dias desses, perguntou-me: Professor, onde vamos parar? Respondi: já paramos. Aliás, estamos andando de ré. Você não notou?

Post scriptum – O caso arquivado pelo STF (crime de racismo imputado a Bolsonaro): o perigo de um precedente desse jaez

Para quem gosta da tese de que os tribunais superiores são cortes de precedentes, vai aí uma coisa interessante. Bolsonaro foi denunciado por racismo. Por 3x2, o STF não recebeu a peça. Como bem disse o advogado e professor Paulo Iotti, se fosse (se fosse e, segundo ele, não deveria) para ser arquivado teria que ser por imunidade parlamentar, jamais por liberdade de expressão. Explico: com essa decisão, qualquer pessoa poderá, a partir de agora, dirigir esse tipo de ofensa, escárnio, impropério, etc, a alguém e poderá arguir esse precedente. Dirá: “meu direito de opinião”. Vejam: nem preciso discutir o que foi dito (não quero acirrar ânimos e atrair hate speeches). Apenas chamo a atenção para os efeitos colaterais do que foi decidido. Qual será a “tese” (precedente) que se extrai do julgamento? O problema não é o passado. É o futuro. De todo modo, vale, aqui, também a observação sobre o momento do julgamento, próximo às eleições. E se a denúncia tivesse sido recebida? E vale também para o vazamento de delações contra candidatos nesse período. Lá vem o repórter com uma notícia exclusiva, mostrando uma delação não homologada. E não adianta dizer, para justificar, que, embora se saiba que pode interferir no pleito..., e, na sequência, meter um “mas”... E vem o maldito “mas”. Socorro, Ben Stark.

Post scriptum festivo - Ministros Dias Toffoli e Luiz Fux: lembrai-vos da Constituição!

Assume hoje o novo presidente do STF, ministro Dias Toffoli, tendo como vice o ministro Luiz Fux. Desejo profícua gestão e que tenham sempre do lado, como no alto império romano, alguém para, de 500 em 500 jardas, avisar-lhes: “lembrais-vos da Constituição; vossa missão é bem guardá-la” (na Roma antiga, o escravo é quem avisava o general vitorioso: “lembra-te que és mortal”).


Lenio Luiz Streck é jurista, professor de Direito Constitucional e pós-doutor em Direito. Sócio do escritório Streck e Trindade Advogados Associados: www.streckadvogados.com.br.
No ConJur
Leia Mais ►

Até os jornais da oligarquia admitem vitória de Haddad


Na edição desta quinta-feira, 13/9, os principais jornais da oligarquia golpista – Folha de SP, O Estado de SP e O Globo – jogaram a toalha e passaram a admitir, implicitamente, a vitória de Haddad na eleição.

O editorial da Folha, que tem o sugestivo título “Quem Haddad será?” reclama: “Dado que o candidato tem chances reais de vitória, a tentativa de associá-lo à memória dos anos Lula, somada a uma discussão programática rasa, eleva os riscos de novo estelionato eleitoral”.

O editorial do Globo denuncia a impaciência da família Marinho com a política fiscal que Haddad adotará, e cobra definições programática do Haddad: “Ungido, o candidato tem de esclarecer se seguirá de fato políticas que geraram a crise”. […] “Haddad precisa logo se definir na campanha sobre a agenda econômica”.

O Estadão reage com a costumeira histeria e ódio anti-petista à perspectiva da eleição do Haddad no editorial “A Paixão de Lula”: “Há razões para acreditar que, se as forças do centro político não se unirem e arregimentarem suficiente apoio eleitoral, os brasileiros podem se ver diante da trágica situação de ter de escolher o próximo presidente entre candidatos que se apresentam não como futuros chefes de Estado, mas como representantes de seitas, condição que os impedirá, mesmo que eventualmente queiram no futuro, de dialogar com os brasileiros que não compartilham de suas crenças”. O jornal faz ainda o seguinte apelo patético: “Mais do que nunca, o momento é de profunda reflexão sobre os riscos que o País corre caso a razão seja preterida em favor do fanatismo” [sic].

Jeferson Miola



Dólar “bate” R$ 4,20. “Valor” diz que mercado vê Haddad avançando


Às 16 horas e 20 minutos, a cotação do dólar atingiu R$ 4,208.

O simbólico patamar dos R$ 4,20 é atribuído, claro, às informações que circulam no “mercado” sobre a sucessão presidencial.

A cotação da moeda norte-americana, claro, indica para quem são boas e para quem acha que são más as notícias.

Mercado piora com expectativa de fortalecimento de Haddad“, noticia o Valor, informando que “muitos “trackings” privados mostram o avanço do petista, o que eleva a apreensão dos agentes em relação à pesquisa Datafolha, que será conhecida amanhã”.

Não que o candidato petista traga algum risco, mas traz a possibilidade de ganhar-se com a especulação.

Os indicadores no exterior, desta vez, não tiveram “culpa: a inflação norte-americana veio mais baixo que o esperado e um cenário positivo para moedas emergentes.

Depois do pico, baixou meio centavo, queda muito fraca se considerada as ordens de venda fixadas para a “marca mágica” que era aquele valor.

Era, não é mais.

Fernando Brito
No Tijolaço
Leia Mais ►

Pesquisa Vox antecipa a onda Fernando Haddad


Em todas as eleições ocorrem os fenômenos das ondas sucessivas, de eleitores testando vários candidatos, até se fixar nos favoritos. Nessas eleições, houve uma pequena onda em direção a João Amoêdo, mas que não chegou a ganhar dimensão.

Entra-se na reta final, para o 2º turno, na seguinte situação.

Bolsonaro – houve a onda inicial, depois o aumento da convicção dos eleitores e, agora, uma segunda onda motivada pela facada. Tem que esperar mais alguns dias para o balanço final.

Alckmin e Marina - entram na reta final com as candidaturas fazendo água. Nem facada reverte esse esvaziamento.

Ciro Gomes – especialmente nos segmentos médios, cresceu, na última semana, em cima da demora de Lula em definir sua candidatura.

Haddad – a onda Haddad começa agora, depois de oficializada sua candidatura.

Ainda não se tem o desenho final para o 2º turno por conta de duas variáveis indefinidas.

1. Até onde irá a onda Bolsonaro, que ganhou um reforço adicional com a facada.

2. A transferência de votos de Lula a Haddad.

3. Os factoides que a mídia sempre explode às vésperas de cada eleição. Parou na delação de Antonio Palocci, ou vem mais?

O poder de manipulação da mídia está reduzido, depois da falsa ilusão do pós-Dilma e da era Temer. Nos segmentos mais esclarecidos, há um fenômeno curioso, que ocorreu também com a avaliação das políticas sociais de Lula e com o sucesso no enfrentamento da crise de 2008: o reconhecimento vem de fora para dentro, graças ao maior acesso às informações internacionais pela Internet.

Hoje em dia, especialmente a Globo ainda mantém influência, mas sobre um inventário fixo de seguidores. Ao contrário de outros momentos, não tem mais o poder de influenciar, por factoides, a massa dos eleitores. E Veja tornou-se tão irrelevante que até uma boa matéria sobre a facada em Bolsonaro passou despercebida.

A pesquisa Vox

Por que a pesquisa Vox é mais confiável que as demais? Divulgada hoje, a pesquisa coloca Haddad na frente, com 22 pontos, contra 18% de Bolsonaro, 10% de Ciro Gomes, 5% para Marina Silva e 4% para Geraldo Alckmin.

As demais pesquisas medem o grau de conhecimento atual dos eleitores, sobre a indicação de Haddad por Lula. A da Vox informa o leitor dessa ligação. Portanto, fica mais próximo do nível de conhecimento dos eleitores no dia da eleição, o pico da onda Haddad.

Para o 2º turno, a pesquisa também é favorável a Haddad contra qualquer candidato.

Luís Nassif
No GGN
Leia Mais ►

Horário Eleitoral Livre


Leia Mais ►

O exemplo do Uruguai ao mandar prender o chefe militar que afrontava a Constituição

O presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, e o comandante do Exército Manini Ríos: cana
Era uma vez um país da América do Sul cujo comandante do Exército foi mandado para a prisão por afrontar a Constituição dando opiniões políticas.

O lugar é o Uruguai, o nome dele é Guido Manini Ríos e sua pena é de trinta dias em cana.

Dias atrás, criticou a reforma do sistema de aposentadoria de sua corporação e considerou que o ministro do Trabalho, Ernesto Murro, não estava “bem informado” sobre seus efeitos.

“Se o senhor ministro pegar uma calculadora, tomar os termos da lei e a realidade do nosso soldado, vai perceber que o que eu digo é verdade”, falou a uma rádio.

O presidente Tabaré Vázquez lembrou que Ríos “atua de boa fé e com a lealdade institucional que devem ter as Forças Armadas, mas se equivocou”. Daí a sanção, explicou.

O artigo 77 da Constituição uruguaia estabelece que os militares da ativa devem se abster de “fazer parte de comissões ou de clubes políticos, subscrever a manifestos de partidos, autorizar o uso de seu nome e, de modo geral, executar qualquer outro ato público ou privado de caráter político, exceto o voto”.

O Brasil tem leis do mesmo jaez, mas que são pisoteadas semanalmente.

O velho Villas Bôas está sempre disposto a matraquear sobre temas fora de sua alçada e encontra ressonância fácil. Usando Lula como argumento, ataca os demais poderes. 

Ainda se acha no direito de sabatinar candidatos. E os candidatos vão.

Tabaré afirmou que houve “muitas situações que mereceram algum tipo de advertência”.

Manini Ríos, como seus vizinhos, vem colocando as manguinhas de fora há um tempo.

No final de julho, provocou controvérsia ao recordar o assassinato em 1972 do coronel Artigas Álvarez, irmão do ditador Gregorio Álvarez.

Antes, foi questionado por mandar celebrar um feriado em homenagem ao Exército com uma missa oficiada pelo cardeal Daniel Sturla na Catedral de Montevidéu.

“Eu sou o chefe Forças Armadas. E, se as Forças Armadas têm que ter uma disciplina e uma verticalidade, temos que começar com o número um”, disse Vázquez.

Numa democracia, es lo que haces.

Kiko Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

Haddad já lidera com 22%, vai ao JN e faz comício na Cinelândia

https://www.balaiodokotscho.com.br/2018/09/13/haddad-ja-lidera-com-22-vai-ao-jn-e-faz-comicio-na-cinelandia/

Será uma Sexta-Feira Gorda para Fernando Haddad em sua primeira semana como candidato a presidente no lugar de Lula.

E ele terá bons motivos para comemorar sua estréia na campanha.

Na primeira pesquisa Vox Populi divulgada após a oficialização do seu nome pelo PT, Haddad já aparece na liderança, com 22%, à frente de Jair Bolsonaro, que ficou com 18%.

Ciro Gomes permanece em terceiro lugar, com 10%, e daí para baixo entram os candidatos de um dígito: Marina, com 5%, e Alckmin, com 4%.

Enquanto a direita se estapeia no confronto entre Bolsonaro e Alckmin, o Vox Populi desta quinta-feira mostra que Fernando Haddad derrotaria qualquer um no segundo turno.

O horário político gratuito, já na segunda semana, não mudou nada em relação à pesquisa anterior.

A entrada de Haddad no lugar de Lula manteve o PT no primeiro lugar que mantém desde o ano passado.

Até o “mercado” e seus colunistas amestrados já se conformaram que, se não acontecer mais nenhum atentado ou tsunami, o segundo turno deverá mesmo ser disputado entre Bolsonaro e Haddad.

Para completar o quadro favorável ao ex-prefeito de São Paulo, seu principal concorrente passou por nova cirurgia e está fora de combate, e nesta sexta Haddad vai aparecer pela primeira vez no horário nobre da televisão, com uma entrevista ao vivo no Jornal Nacional.

Do quartel general da Globo, no Jardim Botânico, o candidato vai direto para a Cinelândia, palco histórico das manifestações das Diretas Já e das campanhas presidenciais de Lula e Brizola.

Os organizadores, que esperam mais de 20 mil pessoas, montaram um telão para exibir a entrevista no JN.

O comício da Cinelândia marcará a largada da campanha de rua de Haddad, que deverá priorizar o Sudeste e o Nordeste em suas viagens, nas pouco mais de três semanas que restam de campanha.

Agora a disputa começa para valer com as posições se definindo na tabela das pesquisas. Ainda na sexta, deverá ser divulgada nova pesquisa do Datafolha.

O jogo agora é para valer e mostrar quem tem café no bule.

Para não variar, Lula estava certo, e eu errado, na estratégia de deixar o lançamento do seu substituto para o último minuto do segundo tempo.

Vida que segue.

Ricardo Kotscho
Leia Mais ►

Haddad e o fator Lula

Ricardo Stuckert
A pesquisa do instituto Vox Populi publicada em primeira mão pela revista Carta Capital confirma que o ex-presidente Lula exerce uma influência transcendente na política brasileira e que, em razão disso, será o fator determinante na eleição de Fernando Haddad para a Presidência do Brasil.

Parcela significativa dos mais de 60 milhões de votos que Lula receberia se não fosse criminosamente banido da eleição pela ditadura Globo-Lava Jato já começaram migrar em direção a Haddad.

O Vox Populi cobriu um período em campo [7 a 11 de setembro] mais abrangente que o Ibope [8 a 10 de setembro] e o Datafolha [10/9]. E, por isso, conseguiu captar com maior fidedignidade o efeito eleitoral dos 2 acontecimentos mais relevantes do período: [1] o ataque a faca a Bolsonaro e [2] o anúncio da substituição do Lula pelo Haddad.

Deve-se anotar, porém, que a aferição do poder de transferência de votos do Lula a Haddad ainda é incipiente, uma vez que a pesquisa colheu a reação do eleitorado numa mínima fração de tempo do primeiro dia do anúncio transmitido pelo Lula na tarde do 11 de setembro.

O real potencial de votos em Haddad, portanto, somente será realisticamente medido nos próximos dias, quando a mensagem de Lula alcançar todas as regiões do país e a maioria do eleitorado lulo-petista e à medida que Haddad se tornar mais conhecido como candidato.

De acordo com o Vox Populi, apenas 53% reconhece Haddad como candidato do Lula; e Haddad é o candidato menos conhecido de todos demais – 37% só conhecem o nome dele.

Em comparação a seus próprios levantamentos anteriores, nesta pesquisa o Vox Populi encontrou os seguintes resultados:
  1. o crescimento exponencial do Haddad [12% para 22%], o congelamento do Bolsonaro [16% para 18%] e do Ciro [9% para 10%], o definhamento da Marina [de 11% para 5%] e do Alckmin [de 7% para 4%] e a insignificância estatística das demais candidaturas anti-petistas;
  2. o decréscimo de 39% para apenas 16% do percentual de pessoas que não sabem que Lula foi impedido de concorrer;
  3. o crescimento de Haddad de 15% para 24% entre os eleitores com ensino fundamental e de 15% para 25% entre os eleitores com ganhos de até 2 salários mínimos. No nordeste, Haddad alcançou 31%. No sul, apenas 11%;
  4. a segunda menor taxa de rejeição do Haddad [38%] – empatado com Ciro [34%] e bem para trás Bolsonaro, que é o mais rejeitado, com 57%.
A realidade desvelada pelo Vox Populi demonstra o impasse do regime de exceção e confirma a análise de que a ditadura está num beco sem saída.

A Globo, a Lava Jato, o mp e o judiciário romperam as fronteiras mais caras à democracia, inclusive algumas impensáveis, para impedir a qualquer custo a interrupção do golpe e, sobretudo, o retorno do Lula e das políticas de igualdade e justiça social à presidência do Brasil.

Promovem farsas jurídicas, fraude eleitoral, estupram o Estado de Direito e promovem sucessivos golpes dentro do golpe mas, apesar de toda vilania, não conseguem o almejado executar o assassinato político e simbólico do Lula no imaginário popular.

Para a oligarquia golpista, a eleição só faz sentido e só pode ser aceita se não resultar na vitória do Lula e do lulo-petismo.

É preciso estar atento, portanto, a novas violências que serão perpetradas pelo establishment contra o povo e contra a democracia com o objetivo de preservar o golpe e sua ditadura. A eleição limpa e democrática, nesta perspectiva, não está de todo garantida.

Jeferson Miola
Leia Mais ►

Governo fecha os olhos para formação de bancada de milicianos


Após a morte de Marielle Franco, o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, afirmou que havia sido formada uma força-tarefa multissetorial para evitar a eleição de uma bancada legislativa de milicianos no Rio de Janeiro. A Sputnik Brasil, contudo, encontrou indícios de que essa iniciativa existe apenas no papel.

Durante entrevista ao programa Roda Viva, na TV Cultura, Jungmann afirmou em maio deste ano:

"Corremos esse risco, sim, é real [a eleição de uma bancada formada por milicianos]. O que você pode fazer é um filtro antes. Já há um grupo de trabalho no âmbito do Tribunal Superior Eleitoral [TSE] formado por nós, pela Defesa, pela Polícia Federal e pela Abin para identificar esses lugares e procurar atuar antes."

A Sputnik Brasil procurou o Ministério da Defesa, o Ministério da Segurança Pública e o TSE para buscar mais informações sobre o suposto grupo de trabalho. A reportagem obteve respostas contraditórias e confusas sobre o projeto.

O Ministério da Defesa informou que o Ministério da Segurança Pública deveria ser procurado para "responder aos questionamentos". No WhatsApp, um dos assessores do Ministério da Segurança Pública afirmou: "O que acontece é que esse trabalho é liderado pelo TSE." Dias depois da conversa pelo aplicativo, o TSE encaminhou a seguinte mensagem por e-mail:

"Segundo apurações internas, não há no TSE nenhuma ação no sentido da sua demanda [sobre o grupo de trabalho das milícias]."

A Sputnik Brasil, então, voltou a entrar em contato com o Ministério da Segurança Pública, que não respondeu ao pedido da reportagem feito por e-mail e reiterado em ligações telefônicas. O que o Ministério de Jungmann respondeu foi um pedido de Lei de Acesso à Informação sobre o grupo de trabalho. Foram solicitadas informações sobre os órgãos envolvidos, as atividades realizadas, data de início e fim do grupo de trabalho e quantos servidores estão envolvidos.

O Ministério da Segurança Pública respondeu no dia 7 de setembro, portanto um mês antes da realização das eleições, que ainda será criado "um centro de cooperação de inteligência para as Eleições 2018". Ele será coordenado pela Polícia Federal com "integrantes de outros órgãos e entidades com o objetivo de monitorar candidatos apoiados pelo crime organizado". Ainda de acordo com a resposta, os casos de possíveis candidatos suspeitos serão encaminhados à Justiça Eleitoral e que "ainda não é possível informar o número de servidores envolvidos".

A Sputnik Brasil também buscou o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro para saber de possíveis iniciativas contra a eleição de milicianos. Foi encaminhado um pedido de esclarecimentos e de uma entrevista no dia 3 de agosto. Após repetidos e-mails e ligações, o TRE aceitou apenas conceder uma entrevista por e-mail. Ainda assim, o órgão descumpriu o prazo acordado e até o momento da publicação desta reportagem não encaminhou sua resposta.

"É uma promessa que já nasce descumprida. Essas bancadas já existem"

O sociólogo e professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) José Cláudio Souza Alves estuda grupos milicianos e o crime há mais de duas décadas. Ele acredita que a promessa de Jungmann já nasceu morta.

"É uma promessa que já nasce descumprida. Essas bancadas já existem. Você tem milicianos que são fortes candidatos e até agora não vi nenhuma ação significativa para impedir essas candidaturas ou sua atuação."

O professor Nielson Bezerra foi candidato a prefeito de Belford Roxo em 2016 e sentiu medo. Principalmente quando a corrida eleitoral carioca atingiu a marca de 16 candidatos mortos. Ele conta que participou do pleito mesmo assim porque entendeu que, com baixos recursos, a candidatura não deveria decolar.

Ainda assim, aconteceram episódios que ele considerou estranhos. Bezerra afirma que um grupo de homens suspeitos encontrou funcionários de sua campanha e pediu pelo "candidato a prefeito". Quando não o encontraram, os homens saíram cantando pneu. Ele também diz que recebeu uma ligação pouco usual:

"Na véspera do dia da eleição, eu recebi dois telefonemas. Um inclusive de uma pessoa muito influente na cidade de Belford Roxo, pedindo para eu não circular [pela cidade]. Essa empresária me ligou e falou 'professor, eu gosto muito de você. Eu estou te ligando para pedir para você não ficar pela rua hoje e nem amanhã no dia da votação'. Perguntei a razão e ela disse 'ah, ouvi uma conversa estranha aqui no centro da cidade envolvendo seu nome e achei melhor te prevenir'".

Receoso, Bezerra conta que ficou em casa na véspera da eleição e foi votar acompanhado pela imprensa, para garantir sua segurança.

"Têm bairros inteiros aqui em que você não pode fazer campanha. A milícia ou o tráfico define que é aquele o candidato que pode fazer campanha e só ele vai poder entrar. Isso é comum na Baixada Fluminense."

Ele estudou em sua tese de doutorado pela Universidade Federal Fluminense a escravidão nos séculos XVIII e XIX na Baixada Fluminense e acredita que existem continuidades entre o passado e o presente:

"A população negra é a que mais sofre com essa realidade violenta na Baixada Fluminense. Primeiro porque demograficamente é superior. Mas também porque muito da criminalidade e da ação do Estado que repercute em violência é voltada para a pobreza — onde está concentrada a população negra. Essa população negra é descendente dos africanos escravizados. Essa lógica se reproduz ainda hoje."

Bezerra também ressalta que existem cidades na região que possuem uma população negra muito acima da média nacional e que a liberdade da população local não é absoluta:

"Você é livre, mas se o tiro estiver comendo na rua da sua casa, como você vai sair? Eu vivi isso. Eu fiquei uma semana sem poder ir para casa por causa de tiroteios, até que uma facção cortou a cabeça do chefe da outra facção e aí as coisas acalmaram."

O Ministério Público do Rio de Janeiro já estimou em entrevista à Sputnik Brasil que 2 milhões de pessoas vivem em áreas dominadas por grupos milicianos no Estado e que o faturamento estimado anual de todas as milícias cariocas é de R$ 1,5 bilhão ao ano.

Baixada Fluminense já teve prefeito e vereadores presos por associação ao crime

Para investigar um homicídio que aconteceu por uma disputa entre o Comando Vermelho (CV) e os Amigos dos Amigos (ADA) em 2016, as autoridades grampearam o principal líder da facção ADA em Japeri — e terminaram gravando conversas entre ele, o prefeito e um vereador da cidade.

As escutas de Breno da Silva de Souza, conhecido como BR, resultaram na prisão preventiva do prefeito Carlos Moraes (PP), do presidente da Câmara dos Deputados da cidade e do vereador mais votado, Wesley George de Oliveira, e do vereador Cláudio José da Silva, o Cacau, no final de julho deste ano.

Leia Mais ►

Cabo eleitoral das campanhas de Bolsonaro e Romário, PM é preso pela Draco por quadrilha de agiotas


A Coluna de Ancelmo Gois no Globo informa que as campanhas de Bolsonaro e Romário perderam um cabo eleitoral na Região Metropolitana do Rio.

De acordo com a publicação, trata-se do PM Gláuber Poubel, que tentou vaga de vereador em São Gonçalo, em 2016, e, agora, pedia votos para o irmão Filippe, vereador em Maricá e candidato a deputado pelo PSL, partido de Bolsonaro.

Só que, dias atrás, Gláuber foi… preso pela Draco, acusado de pertencer com uma quadrilha de agiotas, completa o Jornal O Globo.
Leia Mais ►

Comida e balada compensam mar gelado no litoral de Santa Catarina

Balneário Camboriú é destaque da Costa Verde e Mar, região com atrações que independem do clima


É difícil não associar o litoral de Santa Catarina às imagens do verão: cidades tomadas por turistas, praias lotadas, sol e surfe. Isso não significa, porém, que não valha a pena visitar a região fora dessa estação.

A reportagem passou uma semana em Balneário Camboriú, no litoral norte catarinense, em julho, e pôs os pés no mar uma única vez, só para constatar que, mesmo num dos poucos dias em que o sol apareceu, a temperatura da água tornava o banho inviável.

A cidade faz parte da chamada Costa Verde e Mar, que engloba Balneário Camboriú, Camboriú, Itajaí, Balneário Piçarras, Penha, Bombinhas, Porto Belo, Itapema, Ilhota e Navegantes.

Com cerca de 130 mil habitantes e recebendo quase 4 milhões de turistas por ano, Balneário Camboriú deve pouco aos grandes centros urbanos do país em opções de lazer e gastronomia. É possível ir a baladas similares às de São Paulo (inclusive no preço), fazer compras em shoppings e comer bem — em restaurantes de cozinhas variadas (mexicana, japonesa, italiana etc).

Uma atração para dias frios é o festival gastronômico Balneário Saboroso, que acontece todo mês de julho. Na edição deste ano, 33 restaurantes da cidade e das vizinhas Itajaí e Itapema serviram menus fechados a R$ 54,90.

Alguns deles, como o italiano Kombina Felice, ficam no Passeio San Miguel. O local, repleto de restaurantes com mesas a céu aberto e de aquecedores entre elas (no inverno), lembra Campos do Jordão (SP), mas a cidade catarinense não está a 1.600 metros de altitude, como a paulista, e sim ao nível do mar.

Para os mais aventureiros, também há a opção dos esportes radicais. Dentro do parque Unipraias, que liga via bondinhos as praias de Laranjeiras e Barra Sul, há uma tirolesa na qual o visitante desce 750 metros morro abaixo.

Do outro lado da cidade, no Morro do Careca, há prática de parapente. Os voos, de 15 minutos, custam R$ 250.

No quesito altura dos edifícios, Balneário Camboriú ganha das metrópoles brasileiras.

A cidade concentra um aglomerado de arranha-céus que lembra Miami ou Dubai. O Millenium Palace, com 46 andares e 177 metros de altura, é o prédio residencial mais alto do país, mas será logo superado por empreendimentos conterrâneos.

O mais alto deles, Yachthouse, de alto padrão, será um complexo de duas torres com 81 andares e 274 metros de altura cada uma.

Talvez pelo preço elevado dos apartamentos fiquem bem perto dali três árvores de dilênia, também conhecidas como árvores do dinheiro.

Elas estão numa praça em frente à Igreja de Santo Amaro, única construção colonial ainda de pé na cidade.

Reza a lenda que os portugueses se aproveitavam de uma característica da espécie, a de que as extremidades de sua flor se fecham sobre si mesma para engendrar o fruto, para pôr ali patacões (moeda da época colonial) e atrair imigrantes, já que no Brasil haveria árvores de dinheiro.

Quem quiser ver os edifícios de cima (ou quase, em alguns casos), pode subir até o Cristo Luz, réplica do Cristo Redentor que segura uma lanterna no braço esquerdo e fica sobre uma montanha.

No mesmo complexo em que há a estátua, existe um restaurante com vista panorâmica da cidade e um museu que conta a história do Cristo, inaugurado em 1997.

A 36 quilômetros de Balneário Camboriú, na cidade de Penha, fica o outro chamariz do turismo na Costa Verde e Mar: o Beto Carrero World, que no ano passado recebeu 2,1 milhões de pessoas.

Inaugurado em 1991, o parque tem atrações variadas — de um zoológico a um recém-aberto show em parceria com a linha Hot Wheels, da Mattel, no qual pilotos fazem acrobacias com carros.

Há ainda shows temáticos e atrações mais radicais, como montanhas-russas e a Big Tower, estrutura de cem metros de altura, da qual o visitante despenca em queda livre.

Ao norte do Beto Carrero, em Balneário Piçarras, fica o Museu Oceanográfico da Univali (Universidade do Vale do Itajaí), maior do segmento na América Latina. Estão expostos ali milhares de fósseis animais marinhos conservados na forma natural e uma infinidade de conchas. O local funciona todos os dias, das 14h às 18h. Os ingressos custam R$ 30 e há meia entrada.

Outras cidades da Costa Verde e Mar também têm atrações fora de temporada. Em Bombinhas, o turismo já é bem disseminado no verão, especialmente por suas ondas, que atraem surfistas de toda parte. Em outras estações, uma opção é conhecer os engenhos remanescentes da localidade e aprender um pouco sobre a história local.

O litoral de Santa Catarina não tem colonização predominantemente alemã, mas açoriana. Eles chegaram à região no ano de 1748. Os germânicos se assentaram principalmente no interior do estado.

Maior município da Costa Verde e Mar, com quase 300 mil habitantes, Itajaí dá um ar mais industrial à região por ser sede de um dos portos mais importantes do país.

Tem boas opções de restaurantes, como o Zephyr, de frutos do mar, que fica dentro de uma marina. Outras atrações que podem ser visitadas independentemente da temperatura são a bonita Igreja Matriz e o mercado municipal da cidade.

O jornalista viajou a convite do Balneário Camboriú Convention & Visitors Bureau

Dante Ferrasoli
No fAlha
Leia Mais ►

A plutocracia golpista e os negócios em família

tudo em família

Manchetes que nem a mídia tucano-lavajateira consegue evitar:

manchetes

Jeferson Miola
Leia Mais ►

Defenda a sua liberdade


Leia Mais ►

O nó na cabeça da mídia: Haddad, o radical ou o moderado?


O Valor Econômico tem feito a cobertura mais equilibrada das eleições. Mas, frequentemente, há reportagens mostrando o nível de confusão que se instalou na cabeça dos repórteres, entre o discurso terrorista que vem da cúpula da Globo, e as conversas realistas com mercado.

Exemplo interessante é a matéria, da qual extraímos alguns trechos (não vai nem link nem autoria, porque o repórter é mais vítima que autor da confusão):

Falta pouco menos de um mês para a eleição e, aos poucos, o cenário mais temido pelo mercado financeiro vai ganhando força. Geraldo Alckmin (PSDB), o preferido dos investidores por seu discurso reformista, continua patinando, enquanto os candidatos de perfil esquerdista Ciro Gomes (PDT) e Fernando Haddad (PT) avançam.

(...) Fernando Haddad ainda é o que mais assusta o mercado, ao ser considerado um nome cada vez mais forte na disputa de segundo turno com Bolsonaro, que lidera o pleito com 24% das intenções de voto.

(...) Com um programa econômico heterodoxo, que relativiza a necessidade de reformas, se o candidato do PT continuar mostrando avanço nas pesquisas também a temperatura nos mercados deve subir, trazendo ainda mais volatilidade aos preços.

Mas, porém, contudo, todavia, entretanto...

Mas, à boca miúda, o que alguns experientes analistas dizem é que há chance de o petista ajustar o discurso após o primeiro turno. Leitura que gestores e economistas passaram a fazer após encontros privados com o candidato - chamado de "o mais tucano dos petistas" -, e é endossada por declarações do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de que, num eventual confronto contra Bolsonaro, o PSDB apoiaria Haddad.

Hoje o que se tem de concreto é um discurso que vai na contramão de tudo o que o mercado considera fundamental para a economia voltar aos trilhos. (...) Mas, para participantes do mercado, não se pode descartar a possibilidade de Haddad moderar o discurso ainda antes de um eventual segundo turno. "Ele sabe que precisa ter um compromisso fiscal e mostrar ideias muito mais equilibradas", relata um economista que participou de um encontro com o petista. "Eu tenho convicção de que ele vai mudar o discurso logo depois do primeiro turno”.

(...) Ele afirma que não seria fácil encontrar nomes de mercado dispostos a trabalhar num governo do PT. "Mas acho que a surpresa positiva pode vir de Haddad, não de Bolsonaro."

Por outro lado, é comovente a solidariedade do Estadão com Bolsonaro.



Leia Mais ►

Ele não



CARTA DAS BRASILEIRAS EM DEFESA DA DEMOCRACIA, DA IGUALDADE e RESPEITO À DIVERSIDADE

O Brasil vive um momento especialmente dramático de sua história. Nas eleições mais conturbadas após o fim da Ditadura civil militar, assistimos à perigosa afirmação, por um dos candidatos à Presidência, de princípios antidemocráticos, expressos num discurso fundado no ódio, na intolerância e na violência.

Se a posição deste candidato era pública, tendo sido reiteradamente manifesta ao longo dos 27 anos em que vem atuando na Câmara Federal, causa perplexidade a adesão a tais princípios por parte significativa da sociedade brasileira.

O tratamento desrespeitoso dirigido às mulheres, aos negros, indígenas, homossexuais, o culto à violência, a agressão contra adversários, a defesa da tortura e de torturadores, constituem manifestações que devem ser combatidas por aqueles que acreditam nos princípios civilizatórios que possibilitam a existência de uma sociedade democrática e plural.

Neste contexto, nós, mulheres, vítimas de agressões e desqualificações por parte deste candidato, viemos à público expressar nosso mais veemente repúdio aos princípios por ele defendidos, conclamando a população brasileira a se unir na defesa da democracia, contra o fascismo e a barbárie.

Somos muitas, para além de UM MILHÃO que integra este grupo. Defendemos candidatos e candidatas distintas, dos mais diferentes matizes político- ideológicos. Temos experiências e visões de mundo diversas, assim como são distintas nossas idades, orientações sexuais, identidades étnico- raciais e de gênero, classe social, regiões do país em que vivemos, posições religiosas, escolaridade e atividade profissional.

Na verdade, nos constituímos como coletivo a partir de uma causa comum, expressa nesta carta: a rejeição à prática política do candidato e aos princípios que a regem. Nos constituímos nas redes sociais, unidas numa corrente crescente e ativa, pela necessidade de tornar pública nossa posição no exercício da cidadania e participação, a partir da identidade feminina que nos congrega.

Nós, mulheres, historicamente inferiorizadas e marginalizadas, sujeitas a toda sorte de violência e desrespeito, recusamos hoje o silêncio e a submissão, herdeiras de uma luta há muito travada por mulheres que nos antecederam.

Somos aquelas que constituem a maioria do eleitorado brasileiro, ainda que sub-representadas na política partidária. Somos aquelas que, gestando e alimentado novas vidas, defendemos o direito de todos e todas a uma vida digna. Somos aquelas que, temendo pelas nossas vidas, pelas vidas de nossos filhos, filhas, companheiros e companheiras, diante da violência que assola e corrói a sociedade brasileira, somos contra a liberação do porte de armas, que só irá piorar o já dramático quadro atual.

Somos aquelas que, recebendo salários inferiores, com menor chance de contratação e progressão nos espaços de trabalho, entendemos que cabe aos governantes, à semelhança do que já ocorre em muitos países, construir políticas de igualdade salarial entre homens e mulheres.

Somos aquelas que , vítimas de assédio, estupro, agressão e feminicídio, defendemos o direito à liberdade no exercício da vida afetiva e sexual, demandando do Estado proteção e punição aos crimes contra nós cometidos.

Somos aquelas que protestam contra a perseguição e violência contra a população LGBTQ, porque entendemos que cada ser humano tem direito a viver sua identidade de gênero e orientação sexual.

Somos aquelas que se insurgem contra todas as formas de racismo e xenofobia, que defendem um país social e racialmente mais justo e igualitário, que respeite as diferenças e valorize as ancestralidades.

Somos aquelas que combatem o falso moralismo e a censura às expressões artísticas, que defendem a livre manifestação estética, o acesso à cultura em suas múltiplas manifestações.

Somos aquelas que defendem o acesso à informação e a uma educação sexual responsável, através de livros, filmes e materiais que eduquem as crianças e jovens para o mundo contemporâneo.

Somos aquelas que defendem o diálogo e parceria com escolas, professores e professoras na educação de nossos filhos e filhas, sustentados na laicidade, no aprendizado da ética, da cidadania e dos direitos humanos.

Somos aquelas que querem um país com políticas sustentáveis, que respeitem e protejam o meio ambiente e os animais, que garanta o direito à terra pelas populações tradicionais que nela vivem e trabalham.

Somos muitas, somos milhões, somos:

#MULHERES UNIDAS CONTRA BOLSONARO
CONTRA O ÓDIO, A VIOLÊNCIA E A INTOLERÂNCIA
Leia Mais ►

Vox Populi: Haddad soma 22% e ultrapassa Bolsonaro

O petista registra 31% no Nordeste e venceria todos os adversários no segundo turno, indica a nova pesquisa CUT/Vox Populi


A nova pesquisa CUT/Vox Populi confirma o poder de transferência de voto de Lula, preso em Curitiba e impedido de concorrer à presidência da República pelo Tribunal Superior Eleitoral. Quando claramente apresentado aos eleitores como o candidato do ex-presidente, o petista Fernando Haddad alcança 22% de intenção de votos e assume a liderança na disputa.

Jair Bolsonaro, do PSL, aparece em segundo, com 18%. Ciro Gomes, do PDT, registra 10%, enquanto Marina Silva, da Rede, e Geraldo Alckmin, do PSDB, aparecem com 5% e 4%, respectivamente. Brancos e nulos somam 21%.
O Vox Populi ouviu 2 mil eleitores em 121 municípios entre 7 e 11 de setembro. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para cima ou para baixo. O índice de confiança chega a 95%.

O instituto tomou a decisão de associar Haddad diretamente a Lula no questionário, ao contrário das demais empresas de pesquisa. Segundo Marcos Coimbra, diretor do Vox Populi, não se trata de uma indução, mas de fornecer o máximo de informação ao eleitor. “Esconder o fato de que o ex-prefeito foi indicado e tem o apoio do ex-presidente tornaria irreal o resultado de qualquer levantamento. É uma referência relevante para uma parcela significativa dos cidadãos. Chega perto de 40% a porção do eleitorado que afirma votar ou poder votar em um nome apoiado por Lula”.


Um pouco mais da metade dos entrevistados (53%) reconhece Haddad como o candidato do ex-presidente. O petista, confirmado na terça-feira 11 como o cabeça de chapa na coligação com o PCdoB, também é o menos conhecido entre os postulantes a ocupar o Palácio do Planalto: 42% informam saber de quem se trata e outros 37% afirmam conhece-lo só de nome.

O desconhecimento é maior justamente na parcela mais propensa a seguir a recomendação de voto de Lula, os mais pobres e menos escolarizados. De maio para cá, decresceu sensivelmente o percentual de brasileiros que afirmam não saber que o ex-presidente está impedido de disputar a eleição: de 39% para 16%.

Ainda assim, é em meio a este público que Haddad registra grandes avanços. Na comparação com a pesquisa de julho, mês no qual o PT ainda nutria esperanças de garantir Lula na disputa, o ex-prefeito passou de 15% para 24% entre os eleitores com ensino fundamental e de 15% para 25% entre aqueles que ganham até dois salários mínimos. O petista chega a 31% no Nordeste e tem seu pior desempenho na região Sul (11%), mesmo quando associado ao ex-presidente.


Ciro Gomes é o menos rejeitado (34%) entre os cinco candidatos mais bem posicionados. Haddad tem a segunda menor taxa, 38%. No outro extremo, com 57%, aparece Bolsonaro.

O deputado, internado desde a sexta-feira 7 no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, registra contudo o maior percentual de menções espontâneas (13%), contra 4% de Ciro e Haddad, 3% de Marina e 2% de Alckmin.

O fato de as citações espontâneas se aproximarem da porcentagem registrada por Bolsonaro nas respostas estimuladas demonstra, ao mesmo tempo, um teto do candidato do PSL e uma resiliência que tende a leva-lo à próxima fase da disputa presidencial.

O Vox realizou diversas simulações de segundo turno. Bolsonaro venceria Alckmin (25% a 18%), empataria tecnicamente com Marina (24% a 26%) e perderia para Ciro (22% a 32%) e Haddad (24% a 36%). O pedetista e o petista vencem os demais. O instituto não fez a simulação de um confronto entre os dois.

Por fim, a pesquisa mediu a percepção dos eleitores em relação ao ataque a Bolsonaro ocorrido em Juiz de Fora em 6 de setembro. A maioria absoluta, 64%, associa a facada a um ato solitário de um indivíduo desequilibrado, “com problemas mentais”. Outros 35% acreditam tratar-se de um atentado organizado e planejado, com fins políticos.

A maior parte dos entrevistados (49% contra 33%) não crê que o episódio possa influenciar a decisão de voto dos brasileiros.

No CartaCapital
Leia Mais ►

Tática em teste

A oficialização da candidatura de Fernando Haddad é o terceiro início da sucessão presidencial. O primeiro para valer foi com as convenções de julho que indicaram os candidatos, e o segundo com a abertura da campanha oficial. Salvo imprevistos, enfim estão fixados os nomes definitivos para a disputa como há tempos o Judiciário desejava. À margem do processo oficial, o que começa é o teste mais audacioso e grave dos muitos vividos por Lula como homem público.

Teste, não pela indicação de um candidato capaz mas eleitoralmente problemático, se o PT não oferecia melhores possibilidades, e também não pela transferência de votos esperada por Lula. Teste, isso sim, pela tática aplicada ao PT e seus reflexos para muito além do partido. É evidente que o Brasil está em uma encruzilhada, na qual a eleição presidencial pode ser decisiva. Para tudo o que não é direita ideológica, vencer a eleição significa vida e liberdade. O que, em visão muito difundida, recomendaria união das forças não direitistas, assim imbatíveis.

Lula traçou outra tática para o PT, essa que o compeliu a sujeitar-se à concepção sucessória do Judiciário. Vitória da direita seria em grande parte debitada à recusa de unidade e à tática de Lula, que se confundem. Seu teste final terá apenas as três semanas e meia da exiguidade eleitoral deixada a Fernando Haddad.

A primeira

Dias Toffoli toma posse nesta quinta (13) na presidência do Supremo, como sucessor de Cármen Lúcia, cercado por esperanças. O hábito no jornalismo de amansar as palavras referentes a certos poderes e poderosos, e endurecê-las em referência a outros, tem mencionado a esperança de volta da imagem, de consenso e de harmonia entre os ministros do tribunal. Tudo isso, e mais alguma coisa, na verdade quer dizer esperança de que Toffoli recomponha, ao menos no essencial, a respeitabilidade sem a qual o Supremo não o é.

A esperança do próprio Toffoli repousa em cuidados que começam pelo adiamento, para 2019, das decisões de plenário em casos tendentes a acirrar divergências e condutas comprometedoras, a exemplo dos pedidos de vista para conclusões.

A intenção de Tofolli e sua consequência são conflitantes. As questões que esquentam o plenário são, em geral, importantes para segmentos expressivos do país. Nada justifica que decisões em tais temas sejam proteladas devido a maus humores e espetáculos de descontrole pessoal de ministros.

O dever do Supremo é proceder aos julgamentos no melhor prazo, por conveniência do país. Mas nos adiamentos existiria, ainda, a injustiça com a parte que recorreu ao Supremo e não deve depender da conduta de juízes para ter os direitos e a causa examinados.

Mais do que um plenário de pessoas, irascíveis ou não, políticas ou não, o Supremo é um foro de magistrados com a obrigação de serem tão impessoais quanto possível.

Cármem Lúcia também foi motivo de muita esperança, mas a esperança em Toffoli é sinal eloquente de quanto sua antecessora se perdeu entre falta e excesso de autoridade, entre atitudes como impedir julgamentos ou revisões e salvar Aécio Neves.

A esperança é a última que morre porque é a primeira que corre.

Janio de Freitas
No fAlha
Leia Mais ►

Pedro Zambarda entrevista Alberto Carlos Almeida


O cientista político Alberto Carlos Almeida, autor dos livros “A Cabeça do Brasileiro” e “O Voto do Brasileiro”, virou uma figura conhecida das redes sociais.

Ex-articulista do jornal Valor Econômico por uma década, posta provocações e pensatas curtas. “O grupo de mulheres contra Bolsonaro já atingiu 1 milhão de seguidoras. É a ponta do iceberg”, escreveu.

O DCM entrevistou Almeida sobre as eleições, o atentado a Jair Bolsonaro, a nomeação de Haddad no lugar de Lula e as conclusões possíveis das últimas pesquisas.

DCM: Nos próximos levantamentos Datafolha, você diz que é possível que Fernando Haddad cresça e veja Ciro, Marina e Alckmin “no retrovisor”. Em que baseia esse raciocínio?

Alberto Carlos Almeida: Não vejo a opinião pública como sujeita ao fenômeno da “transferência de votos” no sentido estrito de o eleitor esperar o que o líder vai dizer e então seguir o líder. É um fenômeno mais complexo que exige uma narrativa.

Em 2010 não houve transferência no sentido estrito, mas sim uma narrativa. Lula disse para o eleitorado que aprovava o seu governo que Dilma seria a continuidade dele. Isso se repete hoje. A narrativa de Lula e do PT é a de que se você quiser ser feliz de novo, como foi nos governos Lula, o melhor a fazer é votar no Haddad.

Além disso, o PT tem 20% ou mais de preferência partidária no Brasil, tem governadores de estado, senadores, enfim uma máquina política formidável. É a soma disso tudo que fará Haddad crescer.

Por que a pesquisa do BTG Pactual apontou disparada de votos do Bolsonaro e no Datafolha ele ficou na margem de erro, crescendo pouco em 2%?

Pesquisas por telefone, de um modo geral, superestimam o voto dos menos pobres e subestimam o voto dos mais pobres. E disso que decorre a diferença.

O voto no PT estará menor em uma pesquisa telefônica e maior em uma pesquisa face a face, enquanto o inverso ocorre com o voto em Bolsonaro e Alckmin, por exemplo.

Alckmin vai perder mais espaço para Bolsonaro, na sua avaliação?

A minha previsão inicial era de um segundo turno entre PT e PSDB. Não mudei a previsão, ainda. Vou aguardar mais duas pesquisas do Datafolha.

Caso Bolsonaro não caia ou suba nessas pesquisas, é provável que modifique minha previsão.

Em seus livros e análises, você fala dos votos dos “azuis” e dos “vermelhos”, falando da polarização histórica PT e PSDB. Os votos tucanos se converteram em votos bolsonaristas?

O fato é que do lado dos vermelhos o PT levará seu candidato para o segundo turno. Porém, há a disputa Alckmin x Bolsonaro do lado dos azuis. O grande problema de Alckmin é prosaico, ele saiu do governo de São Paulo com uma avaliação mediana.

Caso tivesse saído com uma avaliação boa o eleitorado de seu estado não estaria dividindo o voto azul entre ele e Bolsonaro. Isso quer dizer que sua mais importante dificuldade vem de sua própria base eleitoral.

Assim, pode ser que em 2018 o PSDB venha a perder o monopólio do antipetismo no Brasil. Falta pouco para que a gente saiba se isso de fato irá ocorrer.

Por que a rejeição de Bolsonaro cresceu de 39% para 43% no Datafolha, mesmo com a facada em Minas Gerais?

A rejeição dele já vinha em uma trajetória de crescimento forte. O que ocorreu é que essa trajetória não foi interrompida pela facada. Pode ter havido uma desaceleração, até porque a rejeição dele já está muito elevada e pela lógica o seu aumento irá desacelerar.

De toda maneira, Bolsonaro tem sido vítima de críticas muito fortes em relação a suas posturas machistas, racistas, elitistas.

É isso que tem levado ao aumento de sua rejeição.

Ciro Gomes é um destaque nas últimas pesquisas. A força dele vem do Nordeste ou de votos de outras regiões?

As candidaturas de Ciro e Marina guardam uma semelhança importante. Elas não representam ninguém, nenhum grupo relevante, nenhum setor empresarial, nenhum movimento social relevante. São candidaturas de si próprios.

Em função de nossa legislação permissiva, foram capazes de se apropriar de siglas partidárias pequenas e viabilizarem espaço na mídia para se colocarem como candidatos. Ambos estão em uma egotrip.

É provável que seja a última egotrip dos dois. Eles tendem a ter uma votação final de menos de dois dígitos, abaixo, portanto, de 10%.

Por que Marina desidratou tanto e é uma “doadora universal” de votos, nas suas palavras?

Marina é uma candidata sem identidade. Já escrevi isso em livro, candidatos sem identidade têm pés de barro. É preciso uma identidade para ter sucesso eleitoral, ou se é candidato de governo, ou de oposição, não dá para ser os dois ao mesmo tempo.

Ou se é candidato de esquerda ou de direita, não dá para ser os dois ao mesmo tempo. Como ela não tem identidade, quando perde votos eles vão para todos os candidatos, os votos dela são do tipo sanguíneo O negativo.

Ela é doadora universal de votos.

O segundo turno ideal para Haddad é Bolsonaro?

Se Lula fosse o candidato ninguém, nem mesmo seu mais radical opositor, estaria dizendo que Lula seria derrotado. Pelo contrário, todos admitiriam que ele seria o vencedor final, no primeiro ou segundo turno.

O favoritismo de Lula se transfere para Haddad. Ele é o único que pode ser adjetivado como o favorito para ganhar, contra qualquer adversário que seja. Porém, é sempre bom chamar atenção para o fato de que favoritos também perdem.

O adversário mais fácil de derrotar em um segundo turno é Bolsonaro, sem sombra de dúvidas. O papel mais importante do segundo turno é o de veto a candidatos muito rejeitados, que é o caso de Bolsonaro.

Alckmin seria um adversário mais difícil para Haddad. É preciso considerar que, até mesmo em função de seu perfil, Alckmin não desperta no eleitor grandes paixões, seja de amor e vontade de votar nele, seja de ódio e rejeição.

O que é mais forte hoje? O antipetismo ou o antibolsonarismo?

O que há de mais forte, hoje, basta ver os dados de rejeição das pesquisas, é o antibolsonarismo. Não há dúvidas quanto a isso.

Pedro Zambarda de Araujo
No DCM
Leia Mais ►