11 de set de 2018

Ibope: Haddad sobe e Ciro, Marina e Alckmin caindo ou parados


Dentro das margens de erro, não há diferença entre as pesquisas Ibope, divulgada hoje, e a Datafolha, publicada ontem.

Mas há nas tendências, sobretudo porque a do Ibope permite comparar os resultados com o que eram há uma semana, exatamente antes do episódio de Juiz de Fora que, era óbvio, algo acrescentaria a Jair Bolsonaro.

No caso, acrescentou mais que o Datafolha porque a pesquisa Ibope começou no sábado, pouco mais de 24 horas depois da agressão a faca e no auge do noticiário sobre o fato.

A queda de Marina Solva é coerente com o resultado do instituto da Folha e não se registra o tão badalado crescimento de Ciro Gomes.

Já a ascensão de Fernando Haddad, é visível no gráfico, continuava no mesmo ritmo e é só colocar uma régua para ver onde iria se isso permanecesse.

Não vai permanecer, vai se acentuar.

Haddad tem, desde hoje,  a “turbinada” de Lula , que passa a fazer seus efeitos.

Não é imprudente dizer que hoje, apesar do “mando de campo” permanente da televisão, Geraldo Alckmin já deve estar em quinto lugar, fadado à zona do rebaixamento.

Não vão, salvo pelo imponderável, haver alterações bruscas nas tendências.

Os votos lulistas e bolsonaristas, os mais sólidos, estão cristalizados e, no primeiro caso, a questão é só ser esclarecido seu destino.

A direita virou Bolsonaro, o que a prende em um terço dos votos.

A esquerda vai virar Haddad, o que lhe garante ao menos um terço dos votos.

Mas este empate – se não der tempo de Haddad impor-se no primeiro turno, o que não é, ainda, provável – não é uma projeção de disputa acirrrada.

O terço restante irá decidir e Bolsonaro é dose para elefante até para os tucanos, ou para os que entre eles sobrevivam, e serão poucos.

Haddad “arrisca-se a ter”, no segundo turno, uma vitória mais pronunciada que a de Lula sobre Alckmin, em 2006, quando teve 61% dos votos válidos.

E os algozes de Lula ficarão “nus, com a mão no bolso”, sem poder invocar a suposta ”repulsa” nacional ao ex-presidente.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Horário Eleitoral Livre — Lula agora é Haddad


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Bolsonaro e a aliança judicial-militar


O atentado contra Bolsonaro não altera, substantivamente, os contornos que a campanha eleitoral vinha assumindo, mas acelera um aspecto fundamental que estava sendo desenhado por detrás do pano do teatro político: a consolidação de uma aliança judicial-militar tendo Bolsonaro como ponto de convergência e agregando setores amplos das polícias militares, civis, Polícia Federal e Ministério Público. Bolsonaro tornou-se, efetivamente, o candidato do Partido do Estado que luta para desalojar, criminalizar e prender o mundo dos partidos e dos políticos. Mais do que a facada, esta é a mudança efetiva e perigosa que este momento da campanha vem consolidando.

O atentado, de fato, precisa ser repudiado, pois se trata de um ato injustificável contra a vida do candidato e uma ação incompatível com a disputa democrática. Como ato isolado, não foi um atentado contra a democracia. Atentado contra a democracia foi deixar Lula preso e fora das eleições.

Estabelecida esta posição de princípio, no entanto, é preciso tentar compreender racionalmente as motivações do atentado. Tratou-se de uma atitude individual praticada por uma pessoa exasperada, seja por desequilíbrio de personalidade ou por radicalismo ideológico. Alguns representantes da esquerda piedosa tentaram desvincular a conduta do atacante em relação às ações e pregações de Bolsonaro. Trata-se de um equivoco, evidentemente.

Bolsonaro, ao pregar o ódio, também suscita ódio. O ódio é um sentimento absolutamente normal nos seres humanos, inerente à natureza humana. Sendo a atividade política uma atividade que atiça paixões, ela também desencadeia ódios. O ódio, como nos ensinou Maquiavel, pode ser provocado por más e por boas ações; por homens considerados maus ou por homens considerados bons. Hitler, Mussulini, Ghandi, Martin Luther King, Lula etc., por razões diferentes, suscitam ódio em adversários ou em pessoas comuns.

O ódio pode, mas não necessariamente, desencadear violência. O ódio é um sentimento legítimo, que deve ser compreendido. É legítimo, por exemplo, que o povo pobre e os trabalhadores sintam ódio de Temer e de seu governo. A esquerda piedosa e cristã parece não compreender isto. Mas, recorrendo mais uma vez ao maior sábio da política, existem piedades que, se bem pesadas, são crueldades e existem crueldades que, se bem julgadas, são piedosas. Não é por acaso que os cristãos e a esquerda piedosa, ao pregarem a resignação, a piedade e a mansuetude contribuíram e contribuem para que o mundo permaneça na mão dos malvados.

Ocorre que Bolsonaro, além de disseminar e suscitar o ódio, prega a violência. A retórica do candidato é uma retórica violenta. As palavras não são inocentes. São símbolos carregados de significações que desencadeiam ações. A retórica de Bolsonaro acerca de mulheres, de negros, de gays e de adversários políticos são gatilhos que podem disparar a prática da violência. Quando ele fala em fuzilar petistas do Acre, seguidores do candidato podem sentir-se autorizados a praticar a violência. O mesmo ocorre quando ele fala em condecorar policiais que matarem 10 a 20 pessoas em confrontos. Bolsonaro faz apologia explícita à tortura e ao uso de armas, até mesmo para crianças. Liderados fanáticos ou desequilibrados tendem a praticar aquilo que entendem sejam autorizações do líder. Neste e em vários outros aspectos aqui não mencionados, Bolsonaro tornou-se o epicentro que pode irradiar a violência política e policial. Precisa ser denunciado e contido antes que seja tarde.

Do ponto de vista eleitoral, o atentado pode suscitar algum ganho inicial para o Bolsonaro, mas nada muito significativo. Os seus eleitores podem ter fidelizado suas intenções de voto, o que não é bom para Alckmin. Passados os primeiros dias de alta emoção, o eleitorado voltará ao seu estado normal. Claro, a campanha do candidato do PSL tentará explorar o atentado eleitoralmente. Os demais candidatos não podem ficar inertes e na defensiva acerca dessa exploração. É legítimo que denunciam Bolsonaro como um candidato que faz apologia da violência. Assim, é preciso perceber que o desdobramento eleitoral do atentado é algo que está em jogo e dependerá da astúcia, da inteligência e da competência de como cada candidato jogar esse jogo.

Mas, volte-se ao ponto inicial. A operação Lava Jato conformou o Partido do Estado, que agrega a elite judicial, das polícias, das Forças Armadas e do Ministério Público. A sua primeira manifestação foi uma espécie de "rebelião do procuradorismo" contra o mundo político e, particularmente, contra o PT, que naquele momento estava no poder. No seu último momento, Bolsonaro é o candidato que congrega e unifica essas elites do funcionalismo estatal, que não se move apenas pelo moralismo, mas também por ideologia e para manter e ampliar os altos salários e os privilégios. A natureza dessas elites públicas é conservadora e antipopular.

Parte importante do Judiciário e do Ministério Público, além das elites policiais e militares, aderiram a Bolsonaro na primeira hora, pois ele expressa a sua visão de mundo autoritária, conservadora e fascistizante. Na medida em que Alckmin vem apresentando dificuldade para decolar, Bolsonaro foi se tornando cada vez mais palatável até mesmo para setores empresariais e para alguns grupos da grande mídia. O autoritarismo de Bolsonaro foi sinuosamente sento naturalizado por esses setores e agora procuram legitimá-lo política e socialmente.

Como Lula não foi morto e enterrado politicamente ao ser preso - pelo contrário, foi se tornando cada vez mais um paradigma para o eleitorado - as elites estatais e privadas foram percebendo que as eleições podem se revestir de ilegitimidade e que o próximo governo poderá ter sua legitimidade questionada. O projeto Bolsonaro de governo autoritário, que vinha se manifestando como uma insinuação, ganhou forma e sentido para essas elites todas como única saída para fazer frente à continuidade da crise política no próximo governo.

Em síntese, esse projeto expressa a seguinte fisionomia: de um lado, autoritarismo e repressão no campo político e social, violência policial, submissão autoritária do Congresso aos desígnios do governo e tutela judicial e militar da sociedade e do mundo político; e, de outro, ultraliberalismo na economia, privatizações e desnacionalização, continuidade da precarização dos direitos sociais e políticos e aprofundamento da geração de mão de obra barata nacional pelo desemprego e pelo subemprego. O modelo político-econômico é o da ditadura militar chilena de Pinhochet.
Parte do Judiciário se agregou a este projeto autoritário porque ele lhe deu origem via Lava Jato, outra parte se agregou porque é fascistóide e, uma terceira parte, aderiu por covardia e conveniência. Esta última parte passou a sofrer também a pressão militar, principalmente no que se refere às decisões acerca da prisão e da candidatura de Lula. As manifestações de generais e do próprio comandante do Exército, seja no julgamento do habeas corpus do ex-presidente ou da entrevista que ele concedeu neste final de semana reiterando que a candidatura Lula não será aceita, é prova sobeja da tutela militar sobre integrantes de tribunais superiores acovardados.

O risco que esse projeto autoritário representa para a retomada do processo democrático é enorme. Se ele conseguir passar para o segundo turno o risco aumenta, pois o jogo será outro. Todos os expedientes legais e ilegais serão usados contra o candidato adversário se essa hipótese se confirmar. A eleição será outra. Os candidatos do campo progressista estarão cometendo um grave erro se agirem para ter Bolsonaro como eventual adversário no segundo turno. Convém lembrar que na semana passada Haddad e Alckmin foram atacados pelo Ministério Público. O candidato tucano foi atacado também por Temer. Esses movimentos não são casuais.

O golpe fracassou política e moralmente, o que provocou a dispersão e a divisão de suas forças. A possibilidade de ser derrotado eleitoralmente com Lula ou sem Lula está produzindo um movimento de reagrupamento, ao que tudo indica em torno Bolsonaro. Na medida em que a exclusão de Lula, com toda sua imensa força política e eleitoral, ameaça pender com a espada da ilegitimidade sobre o pescoço do novo governo, se for do campo conservador, as elites agora querem construir sua garantia pela via da tutela judicial-militar.

Aldo Fornazieri, Cientista político e professor da Fundação Escola de Sociologia e Política (FESPSP)
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Desespero toma conta de Marina e Alckmin com subida de Haddad


Geraldo Alckmin surtou.

Está testando “apelos” para que Álvaro Dias e João Amoêdo abandonem suas candidaturas para apoiá-lo e “evitar a volta do PT ao poder”.


E que Jair Bolsonaro “sempre votou juntinho com o PT”, embora os números mostrem que o ex-capitão sempre votou, tal como o PSDB, “juntinho com o Temer”.

Também hoje, depois do Datafolha, Marina – a que Alckmin diz ser “adoradora do ex-presidente – disse que considera “Lula um corrupto”. Por que diz isso, se ele a colocou para cuidar de uma área tão sensível quanto o meio ambiente, com suas licenças tão cobiçadas por empresas?

Sobrou nervosismo até para Ciro Gomes, que voltou a afirmar ter sido convidado para ser vice de Lula e virar candidato a presidente do PT, retomando a sua antiga e fracassada de buscar votos no antipetismo.

Só que o cocho do antipetismo feroz tem limite e Jair Bolsonaro, mesmo sem crescer, já se adonou de boa parte dele.

Nenhum deles, entretanto, conta em crescer mais do que uns míseros pontinhos, para ver se com entre 15 e 20% dos votos tira o bilhete para concorrer com Bolsonaro.

E, para isso, precisam do antilulismo, porque está ficando evidente que o lulismo vai para Haddad.

E o Haddad?

O Haddad é Lula.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Publicitário diz ser autor de montagem de camisa de Bolsonaro com sangue


Um publicitário brasileiro que mora em Portugal afirmou ser sua a autoria de uma montagem usada em um vídeo da campanha do candidato a presidência Jair Bolsonaro (PSL). "A imagem fraudulenta mostra uma camisa igual à que o candidato vestia quando levou uma facada na última quinta-feira (6), em Juiz de Fora (MG), com uma perfuração e marca de sangue, ambos incluídos digitalmente no meio da última palavra do slogan "meu partido é o Brasil".

Segundo a reportagem do Portal Uol, Pedro Henrique Mendes Caetano, 33, chama a imagem fraudulenta da camisa de "arte" e diz não ter sido procurado por ninguém para autorizar o uso de sua criação, mas que não se importa, desde que sejam dados "os devidos créditos".

A matéria ainda destaca que "o publicitário conta que trabalha como freelancer e estava preparando materiais para alguns clientes sobre o dia da Independência do Brasil quando soube da notícia do ataque ao presidenciável. Resolveu então fazer um 'desabafo' de cunho 'patriótico'."
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Ditadura num beco sem saída

becom sem saída

As pesquisas eleitorais confirmam que todos os arbítrios perpetrados contra Lula não surtiram os efeitos planejados pela ditadura Globo-Lava Jato.

É ainda mais paradoxal: aconteceu exatamente ao contrário do esperado. A cada dia fica mais claro que a ditadura se encontra num beco sem saída. Além de não ter nenhuma chance de vencer a eleição de outubro, assiste passivamente ao triunfo político, eleitoral e moral do Lula.

A ditadura iludiu-se que depois da prisão política montada por meio da farsa jurídica dos procuradores, policiais federais, Moro e trf4, Lula estaria eleitoralmente morto.

Mas Lula, ao contrário, então alcançou índices nas pesquisas que lhe garantem a vitória em primeiro turno. Além disso, o PT recuperou a hegemonia da preferência partidária perante 25% das pessoas, e o lulismo se transformou num fenômeno subjetivo que povoa o imaginário das grandes massas que não protestam nas ruas, mas que se rebelarão nas urnas.

Foi então preciso desrespeitar a ONU e converter o Brasil em nação-pária para cassar o registro da candidatura do Lula – também na ilusão de que, banindo-o das urnas, conseguiriam impedir a vitória dele. Mas esse desejo, porém, também está condenado ao fracasso.

Mesmo arbitrariamente impedido de ser sufragado por mais de 70 milhões de brasileiros, Lula preserva uma potência política e eleitoral invejável, capaz de eleger Fernando Haddad/Manuela D´Ávila ou quem definir como seu herdeiro na eleição.

Bolsonaro continua patinando no patamar dos 20%-24%, apesar da dose cavalar de exposição midiática recebida depois do ataque a faca, e apesar do empenho da Globo em edulcorar o perfil do fascista – o que, convenhamos, é uma façanha irrealizável, como o próprio candidato atestou ao posar para fotografia na UTI fazendo o gesto de arma de fogo.

Em breve Bolsonaro será ultrapassado pelo Ciro Gomes, para quem ele perderá votos, porém não a liderança do sentimento anti-petista.

Alckmin virou pó, tal como aconteceu com seu antecessor na presidência do PSDB, o Aécio Neves; e, ainda por cima, carregará o fardo de conduzir o partido à sua mais estrondosa derrota da história.

Marina Silva confirma a profecia de candidata que definha no meio do caminho e, portanto, já saiu do radar do establishment, que a vê como opção tíbia e ineficaz no enfrentamento ao lulismo e ao petismo.

O potencial de votos totais de todos os demais candidatos antipetistas [somados], será marginal.

Para magnificar o desastre para a ditadura, é preciso ainda sublinhar que, mesmo sem nenhuma declaração do Lula indicando-o como seu sucessor, na primeira pesquisa na qual figura, Haddad já aparece empatado no segundo lugar, com quase 10%.

Marcos Coimbra, do Vox Populi, sustenta que Lula não precisa mais que 6 horas para transferir milhões de votos a Haddad. Quando for noticiado Lula pedindo voto ao ele, Haddad será rapidamente catapultado à liderança nas pesquisas. A partir daí, a hipótese de sua vitória no primeiro turno passará a ser uma realidade bastante tangível.

Não há nenhuma garantia de que o establishment e sua ditadura aceitem qualquer resultado nas urnas que não seja a continuidade do golpe.

O arsenal de medidas totalitárias à disposição do regime de exceção é considerável. Impedir qualquer candidatura petista, cassar a propaganda partidária, proscrever o PT ou suspender a eleição são possibilidades que não devem ser desprezadas, assim como a promoção de sofisticadas fraudes no processo de votação.

A restauração democrática para que se possa iniciar a reconstrução econômica e social do Brasil é uma necessidade vital que, todavia, só será assegurada com a ampla mobilização e vigilância da consciência democrática nacional e internacional.

Jeferson Miola
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Por que Bolsonaro não é solução para a classe média?

Mais de 50% da carga tributária brasileira é sobre consumo; mais pobres e classe média pagam
mais impostos do que ricos, proporcionalmente.
Valter Campanato

Bolsonaro defende mera simplificação tributária. O que não resolve o problema

Em uma longa e recente entrevista ao El Pais, Paulo Guedes, o “posto Ipiranga” do Bolsonaro, revela muito do que pensa e o que pretende fazer, caso tenha essa oportunidade. A começar pelo que é destaque, a afirmativa de que “Bolsonaro representa a classe média, agredida e abandonada pela esquerda brasileira”. É forte e merece uma análise detalhada. 

Nos anos 2000, o Brasil avançou na redução de desigualdades estruturantes, como de gênero e de raça. Entretanto, a desigualdade de renda permaneceu elevada. Até 2015, contando apenas com dados da PNAD, havia um entendimento de que mesmo essa desigualdade havia diminuído. Porém, com a liberação de dados do Imposto de Renda Pessoa Física, foi possível perceber que no topo da distribuição, a renda apenas ampliou, especialmente no 1% mais rico, com uma renda mensal média de mais de 30 salários mínimos, ou seja R$ 25.000. 

Assim, foi necessário reconsiderar e perceber que a pobreza diminuiu muito; diversas desigualdades também. Porém, a desigualdade de renda seguiu persistente. Foi pelo crescimento econômico do período e não pela redistribuição de renda do topo para a base que o Brasil se tornou referência na redução da pobreza, da pobreza extrema e que saiu do Mapa da Fome. 

Entretanto, cenários de grande crescimento econômico não tendem a permanecer constantes e a maioria dos países utilizam sua política fiscal para reduzir desigualdades, inclusa a de renda. Isso é feito por meio de medidas redistributivas tanto no lado das receitas do orçamento público – tributação, quanto no lado das despesas – como no financiamento de políticas públicas. 

Para que o sistema tributário reduza desigualdades, a carga tributária deve ser composta majoritariamente por tributos diretos em detrimento dos indiretos. Isso é, por tributos sobre a renda e o patrimônio, ao invés de sobre o consumo, uma vez que os primeiros consideram a capacidade contributiva, enquanto o segundo pesa proporcionalmente mais sobre a renda dos mais pobres e da classe média. 

Mais de 50% da carga tributária brasileira é sobre consumo, o que resulta nos mais pobres e na classe média pagando proporcionalmente mais impostos, taxas e contribuições do que os mais ricos. 

A única solução para mudar esse cenário é uma reforma tributária progressiva. Porém, Bolsonaro e Paulo Guedes defendem mera simplificação tributária, que apesar de necessária para reduzir a complexidade dos tributos, é absolutamente incapaz de promover redução de desigualdades e beneficiar os mais pobres e a classe média. 

O financiamento das políticas públicas avançou nos últimos anos apesar de não ter ocorrido uma “farra no crescimento dos gastos públicos” como ecoam os defensores da Emenda Constitucional nº 95, que não apenas congelou por 20 anos as despesas com serviços públicos e investimentos, mas as reduziu em porcentagem per capita e do PIB. 

Esse financiamento mais apropriado das políticas permitiu um aumento no acesso das pessoas a serviços públicos. Grupos populacionais que antes estavam completamente desassistidos pelo Estado passaram a ter acesso mais facilitado a moradia com o ‘Minha casa, minha vida’, a médicos com o ‘Programa mais médicos’, a possibilidade de produção na agricultura familiar com o ‘Programa de aquisição de alimentos’, a uma renda mínima com o ‘Bolsa Família’, entre outros.

Entretanto, o valor por pessoa aplicado em políticas públicas essenciais ainda permanece muito abaixo do necessário para avançar, tanto no acesso quanto na qualidade do serviço ofertado. 

Sendo saúde e educação para todos com qualidade a principal demanda da maior parte da população brasileira, inclusa a classe média, é essencial que sejam garantidos recursos financeiros para seu adequado financiamento. Mas Bolsonaro e Paulo Guedes, pelo contrário, defendem limite da verba destinada a essas políticas públicas. Defendem que o Estado deve ser mínimo, com baixa tributação e sem ofertar serviços públicos, que poderiam ser comprados da iniciativa privada. 

Entende-se por classe média brasileira, denominada de classe C, aquela que  tem renda familiar mensal média de 2 a 8 Salários Mínimos, entre R$ 1.800 e 7.200, e representa 54% da população. Interessa à classe média brasileira essa lógica de mera simplificação tributária, Estado mínimo e ausência de redistribuição na política fiscal? Não. 

Porque seria inviável financiar, para uma família com uma média de 3,5 membros somente com essa renda familiar, saúde, educação, transporte, alimentação, moradia e lazer, sem mencionar possíveis necessidades como auxílios e aposentadorias futuras.

Os únicos beneficiados com esse projeto de nação de Bolsonaro e Paulo Guedes são aqueles estão no topo da distribuição de renda. O que não surpreende quando atentamos para quem é Paulo Guedes: liberal econômico, banqueiro, fundador do BTG Pactual, BR Investimentos, Instituto Millenium, queridinho do mercado e dos super ricos. 

Grazielle David é conselheira do Cebes,  especialista em orçamento público, mestre em saúde coletiva - economia da saúde e Especialista em Bioética.
No Brasil de Fato
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Bolsonaro não dispara

https://www.facebook.com/terezacruvinel/posts/728585517482590

A facada sofrida pelo candidato do PSL, Jair Bolsonaro, ao contrário do que foi amplamente esperado, não funcionou como fermento para sua candidatura, mostrou a pesquisa Datafolha realizada quatro dias depois do ataque. Ele cresceu de 22% para 24%, vale dizer, dentro da margem de erro. Ficou longe de poder ganhar no primeiro turno, como previu seu filho Flávio, na hora quente da agressão. Esta pesquisa, também por ter captado o efeito de três programas de rádio e televisão dos presidenciáveis, será um marc para os ajustes que os candidatos farão em seus discursos e táticas.

Ela não captou, entretanto, um segundo movimento importante para o rumo da campanha, a substituição oficial do ex-presidente Lula por Fernando Haddad na chapa do PT. Ciro Gomes apareceu agora como grande beneficiário da impugnação de Lula, passando de 10% para 13% em cenário sem Lula. Haddad colheu apenas 9% mas não foi identificado, ainda, como candidato oficial “apoiado por Lula”, tal como aparece em outros levantamentos. Nesta pesquisa, ele está embolado com Alckmin (10%) e Marina (11%) numa briga pela terceira posição, se considerarmos que Ciro, com seus 13%, logrou uma ligeira dianteira sobre eles.

O baixo impacto da facada sobre os índices de Bolsonaro, no Datafolha, está bem sintonizado com o resultado de pesquisa IPOPE, também realizada após o atentado, mas só no estado de São Paulo: ele cresceu de 22% (agosto) para 23% agora.

Por que foi tão pífio o efeito eleitoral da facada em quem é chamado de mito, carregado nos braços e lidera as pesquisas? Parte da explicação pode vir do fato de Bolsonaro ser hoje o candidato com maior rejeição (43%). Talvez o ataque tenha fortalecido a inclinação dos eleitores por posições mais moderadas, contrária à sua pregação violenta. Em foto tirada no hospital, paramentado, ele aparece fazendo o gesto de atirar. Depois, brasileiros não são apaixonados por seus líderes como os argentinos. Lula é favorito nas pesquisas mas não houve atos de grandeza proporcional em sua defesa. Lula, por sinal, acertou ao prever, pela manhã, que o impacto favorável ao candidato do PSL seria passageiro e não determinante do resultado.

Razões do PT

As divergências sobre o momento e o rito da substituição de Lula por Haddad na chapa do PT contaram mas a razão fundamental do pedido de mais tempo, ao STF, para esta providência, foi outro. Se, legalmente, todos os partidos podem fazer trocas até o dia 17, requereu o PT o direito de fazer isso no mesmo prazo. Os dez dias fixados pelo ministro Barroso expiram hoje, e de fato configuram dois prazos e duas medidas.

A aposta do PT foi num possível julgamento pelo STF, antes da troca de candidatos, do recurso contra a impugnação da candidatura pelo TSE, levando em conta a nova manifestação da ONU em favor de Lula. Afinal, pelo menos um ministro do STF, Luiz Fachin, votou pelo acatamento no julgamento do TSE. Mas, não havendo a prorrogação do prazo, hoje mesmo será feita a troca, e uma carta de Lula, sagrando Haddad, será lida aos quatro ventos.

Palavras proibidas

Aliados e adversários voltam a dizer que, com os recursos e a demora, o PT prejudica o substituto, Fernando Haddad, que precisa aparecer logo nos debates e entrevistas como candidato. No programa eleitoral de hoje, ao contrário do que se esperava, ele continuará aparecendo como vice.

Isso é fato mas também é verdade que não fará muita diferença se prevalecer a ordem do ministro Barroso, para que os petistas não falem sobre Lula nos programas. Expressões como “estamos com Lula”, “vamos com Lula” e até mesmo “Lula é Haddad” estão banidas. Barroso ameaçou ainda suspender as propagandas do partido e impor-lhe multa de R$ 800 mil, em caso de desobediência. “Não podemos dizer nem “eu sou Lula”. Isso é censura, algo que a Constituição proibe”, diz o líder Paulo Pimenta. Haverá recurso também contra isso ao STF, onde a atual presidente já proclamou um “cala a boca já morreu”.
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Carta de Lula ao Povo Brasileiro



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Ação de comitê da ONU levou a revisão de decisões na Irlanda e na França


Decisões do Comitê de Direitos Humanos da ONU, que reiterou nesta segunda (10) a interpretação de que Lula poderia concorrer nas eleições, foram levadas em conta recentemente por países signatários do Pacto sobre Direitos Políticos e Civis, entre os quais figura o Brasil.

A professora americana Sarah Cleveland, relatora do caso de Lula no colegiado de 18 especialistas de direito internacional, cita dois exemplos em que conclusões do grupo estimularam tribunais e governos nacionais a recolocar em pauta temas sobre os quais o comitê havia se pronunciado.

Na França, a Corte de Cassação, instância máxima da Justiça, anunciou no último dia 3 que irá analisar o parecer da instituição das Nações Unidas sobre um caso de 2008: a demissão da vice-diretora de uma creche particular por se recusar a tirar da cabeça o véu islâmico, no que foi entendido como ataque à neutralidade religiosa imposta a funcionários.

Em pronunciamento de 10 de agosto, o comitê assinalou entender que o simples porte do acessório não configurava proselitismo islâmico e que o desligamento da diretora fora uma resposta desproporcional à infração ao código de conduta da firma.

Para o grupo, segundo reproduzido pelo jornal “Le Monde”, não ficou claro como “o uso de um véu por uma educadora de creche atentaria contra as liberdades e direitos fundamentais das crianças e pais que frequentam o estabelecimento”.

A Corte de Cassação, que em 2014 havia confirmado decisões de instâncias inferiores em favor da demissão (não vendo nela discriminação religiosa), agora vai se debruçar novamente não sobre este episódio específico, mas sobre o entendimento geral da Justiça francesa sobre o porte de signos religiosos, o que em último caso pode levar a uma mudança de jurisprudência.

Já na Irlanda, em 2016 e 2017, duas mulheres impedidas de fazer aborto (o procedimento era proibido pela Constituição) receberam indenizações do governo depois de o comitê decidir que houve, em ambos os casos, violações aos direitos civis.

“Isso contribuiu diretamente para a abertura de um processo de revisão constitucional da interdição do aborto, que resultou no referendo realizado em maio de 2018 no qual o veto foi derrubado”, afirma Cleveland, que dá aula de direitos humanos e constitucionais na universidade nova-iorquina Columbia.

“Não somos um comitê que imponha sanções”, explica ela. “O que fazemos é declarar se houve ou não uma violação de um direito. As punições podem [a partir daí] existir no nível da Justiça nacional.”

Há diferença, porém, entre pareceres provisórios do comitê (como os que respondem ao pleito da defesa de Lula, cujo mérito só deve ser analisado em 2019) e considerações finais, como as divulgadas nos casos da França e da Irlanda.

“Consideramos os primeiros vinculantes, normativos. Já as constatações definitivas têm maior peso institucional, mas não são vinculantes.”

O comitê foi instituído em 1977, logo após a entrada em vigor do Pacto sobre Direitos Civis e Políticos.

Seus membros são professores universitários, ex-servidores e profissionais com passagem por organizações multilaterais, eleitos pelos 172 Estados signatários para mandatos de quatro anos durante os quais fiscalizam a aplicação do acordo.

Lucas Neves
No fAlha
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Isolamento de Aécio em Minas é simbólico do inferno astral dos tucanos


Com medo das ruas, Aécio faz campanha no whatsapp:



O isolamento do senador Aécio Neves, que tenta em Minas Gerais ser “rebaixado” a deputado federal, simboliza o inferno astral do tucanato.

O ex-presidente do PSDB, denunciado em várias ações no Supremo Tribunal Federal, aparece bem bronzeado respondendo a perguntas em vídeos que distribui no whatsapp.

Pouco fala de política. Até o desafio do jogador de futebol inglês Delle Alli ele tentou, sem sucesso, respondendo a um internauta.

Aécio não faz campanha de rua.

O candidato dele a governador de Minas, Antonio Anastasia, entrou na justiça eleitoral contra a associação de sua campanha com o nome de Aécio, feita num comercial de Fernando Pimentel, do PT, que tenta a reeleição.

No anúncio, o petista sugere que Anastasia é tão parceiro de Aécio quanto a goiabada do queijo e o arroz do feijão.

O sucesso de Anastasia até agora repousa na avaliação ruim que os mineiros fazem do governo Pimentel.

Nas primeiras inserções da campanha eleitoral no rádio, segundo o diário O Tempo, Aécio não citou o próprio nome.

O tucano vai perder a vaga no Senado justamente para Dilma Rousseff, que lidera a disputa em Minas com 22%, segundo a pesquisa mais recente — o segundo colocado, Carlos Viana, do PHS, tem 11%.


A leitura de trechos do discurso, hoje, produz uma verdadeira viagem à hipocrisia:

Também, senhoras e senhores, posicionei-me na firme defesa de valores que foram aviltados, dia após dia, na busca da recuperação da ética, atropelada pelo vale-tudo político; na preservação do interesse público, tão vilipendiado por interesses privados e partidários; e no combate sem tréguas à corrupção, que atinge níveis como nunca antes se viu neste País.

Os brasileiros, Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, perderam o constrangimento de dizer aquilo com que não concordam, que não aceitam e com que não pactuam. E eles não pactuam mais com a corrupção, com o desmando e com tanta ineficiência. Os brasileiros ocuparam as ruas para mostrar que sabem o que está acontecendo com o Brasil e que não vão permanecer mais em silêncio.

Mas, senhoras e senhores, a história, rapidamente, mostrou quem tinha razão. Esconder, camuflar virou a rotina deste Governo. Só não conseguiram esconder os escândalos de corrupção porque os delatores, que faziam parte do esquema, resolveram falar a verdade para diminuir suas penas. E todo o esforço, feito inclusive nesta Casa, para inibir as investigações da CPMI foram em vão. Os fatos falaram mais alto.

Agora, os que foram intolerantes durante 12 anos falam em diálogo. Pois bem, qualquer diálogo estará condicionado ao envio de propostas que atendam aos interesses dos brasileiros, e, principalmente – e chamo a atenção desta Casa e dos brasileiros para o que vou dizer –, qualquer diálogo tem de estar condicionado especialmente ao aprofundamento das investigações e exemplares punições àqueles que protagonizaram o maior escândalo de corrupção da história deste País, já conhecido como “Petrolão”.

Faremos uma oposição incansável, inquebrantável e intransigente na defesa dos interesses dos brasileiros. Vamos fiscalizar, vamos acompanhar, vamos cobrar, vamos denunciar, vamos combater sem tréguas a corrupção que se instalou no Governo brasileiro e, mesmo sendo minoria no Congresso, vamos lutar para que o País possa avançar nas reformas e nas conquistas que precisamos alcançar.

E me dirigindo, respeitosamente, àqueles que venceram essas eleições e que, democraticamente, cumprimento, reafirmo que, ao olharem para as oposições no Congresso Nacional, não contabilizem apenas o número de cadeiras que aqui ocupamos, seja no Senado, seja na Câmara. Enxerguem, através de cada gesto, de cada voto, de cada manifestação de cada um dos nossos, a voz estridente de mais de 51 milhões de brasileiros que não aceitam mais ver o Brasil capturado por um partido e por um projeto de poder. (Palmas.)

É a esses brasileiros que quero garantir, ao final, de forma muito clara: nossa travessia não terminou. Nós não vamos nos dispersar. A cada brasileiro e a cada brasileira que foi às ruas, que vestiu as cores da nossa Bandeira, que enfrentou as calúnias e constrangimentos de um exército pago nas redes sociais, que, com alegria e esperança, defendeu a mudança, a ética e a união dos brasileiros; a cada um de vocês, digo, em nome dos nossos companheiros de oposição: agora e a cada dia dos próximos anos, estaremos presentes.Vamos em frente juntos sempre por um Brasil melhor.

No Viomundo
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A pesquisa DatafAlha


A onda vem do “fundo do povo”


Numa eleição em que as dúvidas sobre o resultado são, essencialmente, se Lula conseguirá – sem poder falar ou aparecer na TV – transferir seus votos para Fernando Haddad, nada é mais importante, claro, que verificar o que acontece nas faixas de menor renda e escolaridade, não apenas por integrarem a maioria do eleitorado, mas por serem aquelas em que, em tese, a desinformação é maior.

Então, o que acontece com Fernando Haddad, aquele que, por indicação de Lula, é o representante do ex-presidente na urna (algo que, aliás, só será formalizado hoje)?

Selecionei, dos gráficos publicados pelo G1 com o detalhamento da pesquisa Datafolha divulgada ontem à noite, os dados relativos a estes segmentos e mais os do Nordeste, porque a região, notoriamente, é o grande celeiro de votos lulistas e, portanto, onde a questão da transferência de votos é mais dramática e evidentemente necessária.

Os números estão aí em cima e só não convencem os muito céticos.

Conferi na amostra da pesquisa anterior do Datafolha e os eleitores com renda até 2 salários mínimos são 46% do total. Entre eles, em 19 dias, Haddad mais que triplicou as intenções de voto: de 3% para 10%. Na faixa logo acima, de mais de dois até 5 SM, que soma outros 36% do eleitorado, o candidato de Lula dobra o número de indicações.

Entre os eleitores com ensino fundamental apenas, Haddad quadruplica as manifestações de voto.

E no Nordeste lulista, quase as triplica.

Considere que só a partir de hoje poderá ser falada a frase correta: “o candidato do Lula é Haddad”.

Ainda que seu crescimento não fosse se acelerar com isso, o ritmo da transferência de votos que se verificou nestes dias, mesmo com as imensas restrições que lhe impuseram Luiz Roberto Barroso & Cia e o impacto do crime de Juiz de Fora, só isso o levaria a liderar em três dos quatro segmentos selecionados e a se posicionar em 2° lugar entre a classe média-baixa, que é o eufemismo usado para chamar as pessoas com renda de até cerca de R$ 4.500 mensais.

Este é o retrato das eleições e o desenho nítido de que está se se formando uma onda, que vem lá do fundo, das entranhas de nosso povão.

Fernando Brito
No Tijolaço



Datafolha: 33% votarão com certeza e 16% podem votar em quem Lula indicar, ou seja, Haddad

O ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, é hoje o franco favorito absoluto para se tornar o próximo presidente da República, segundo a pesquisa Datafolha divulgada parcialmente na noite de ontem e de forma mais completa nesta manhã. Isto porque 33% dos brasileiros votarão com certeza em quem o ex-presidente Lula, preso político há cinco meses, indicar. Além disso, outros 16% admitem votar no indicado por Lula – o que garante um potencial de votos de 49% para seu escolhido. Na pesquisa anterior, 30% votavam com certeza no indicado por Lula e 17% podiam votar, ou seja, o potencial de votos de Haddad era de 47%.

Na mesma pesquisa, Haddad aparece com 9%, e já num empate técnico na segunda posição, porque apenas 39% já sabem que ele é o candidato de Lula. Isso significa que, assim que a informação se espalhar, Haddad, que será confirmado candidato nesta tarde, em Curitiba, num ato diante do cárcere de Lula, em Curitiba, deve disparar e se tornar o favorito na disputa presidencial. Com isso, o PT repetirá uma fórmula utilizada na Argentina, na década de 70, quando Juan Domingo Perón foi impedido por seus adversários de participar de uma disputa presidencial, mas ainda assim venceu indiretamente: 'Cámpora al gobierno, Perón al poder'. Adaptada ao Brasil, a fórmula seria Haddad no governo, Lula no poder.



Datafolha: péssimo para a direita, bom para Ciro e ótimo para Haddad

A fotografia da corrida eleitoral, captada nesta segunda-feira pelo Instituto Datafolha, indica que o próximo presidente da República será Fernando Haddad, do PT, ou Ciro Gomes, do PDT. Isso porque, ao que tudo indica, um dos dois passará para o segundo turno, em que o rival tende a ser Jair Bolsonaro, que concorre pelo PSL e, mesmo após a facada de Juiz de Fora, viu sua rejeição crescer.

O resultado foi péssimo para os três principais candidatos da direita, que representam a agenda do golpe de 2016 e a política econômica de Michel Temer. Bolsonaro cresceu apenas na margem de erro, indo de 22% a 24%. Marina Silva, da Rede, praticamente desapareceu e despencou, caindo de 16% para 11%. O tucano Geraldo Alckmin ficou estagnado nos 9%. Ou seja: o efeito da facada, até agora, parece ser apenas a consolidação de Bolsonaro como o candidato do golpe.

No campo progressista, o que já se anuncia é uma disputa ferrenha pela vaga no segundo turno entre Ciro Gomes, que foi de 10% a 13%, e Fernando Haddad, que teve o maior crescimento, passando de 4% a 9% – os dados do petista, no entanto, devem crescer quando ele for percebido pelo conjunto dos eleitores como o candidato de Lula.

A pesquisa também indica que Ciro venceria Bolsonaro com relativa facilidade, enquanto Haddad também teria condições de superá-lo, embora o quadro atual seja de empate técnico entre os dois. A tendência natural é que todos os candidatos do campo democrático se unam contra a ameaça fascista.



No Nordeste, Haddad passa de 5% para 13%

A primeira pesquisa realizada pelo Datafolha, realizada após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negar o registro da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, também, depois do ataque a Jair Bolsonaro (PSL), aponta que antes mesmo de ser apresentado como o "nome de Lula", o candidato a vice na chapa do PT, Fernando Haddad, viu suas intenções de voto na Região Nordeste passarem de 5% para 13%. Bolsonaro manteve os mesmos 14% registrados na pesquisa anterior. Ciro Gomes (PDT), que passou de 14% para 20%, lidera a corrida presidencial na Região, enquanto Marina Silva (Rede) despencou de 19% para 11%.

O crescimento de Haddad está diretamente ligado ao potencial de transferência de votos do ex-presidente Lula. Segundo a rodada anterior da pesquisa Datafolha, quando o nome de Lula constava dos questionários, ele registrava 59% das intenções de votos dos eleitores nordestinos.

Dentro da estratégia de ligar a Haddad a Lula na Região, onde tradicionalmente o PT é mais forte, o Partido dos Trabalhadores se adiantou a possibilidade da cassação do registro da candidatura Lula e colocou Haddad como o "nome escolhido pelo Lula" para disputar a eleição, o que explica em grande parte a transferência de votos para "Andrade", como o ex-prefeito ficou conhecido na Região.

Ainda segundo o Datafolha, o presidencial Geraldo Alckmin (PSDB) passou de 5% para 7%. Já Álvaro Dias (Podemos) recuou de 2% para 1%. O ex-ministro Henrique Meirelles subiu de 1% para 2%. Os presidenciáveis Guilherme Boulos (PSOL), Vera Lúcia (PSTU), Cabo Daciolo (Patriota) e João Amoêdo se mantiverem estáveis em relação ao levantamento anterior, com 1%. José Maria Eymael (DC) e João Goulart Filho (PPL) não pontuaram. Os votos brancos e nulos recuaram de 28% para 18% e os que não souberam ou não responderam ao levantamento passaram de de 6% para 9%.

A pesquisa Datafolha, encomendada pela TV Globo e pelo jornal Folha de S. Paulo, tem margem de erro de dois pontos porcentuais e nível de confiança de 95%. Foram ouvidos 2.804 eleitores nesta segunda-feira (10) em 197 municípios de todo o país. A pesquisa foi registrada no TSE com o número BR-02376/2018.
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Horário Eleitoral Livre


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Lula: "Minha voz é a voz de Fernando Haddad"


“Aqui de longe consigo sentir a energia que irradia de mais uma noite histórica no Tuca.

Nem a distância, nem as paredes podem barrar.

São Paulo se organiza para dar um basta no governo das elites, que sempre deu as costas para os mais pobres e para as demais regiões de nosso Brasil gigante.

Nosso rico potencial nas áreas da Educação, da Ciência, da Tecnologia e de todos os segmentos da Cultura volta a ser dizimado por um governo federal ilegítimo e por seus apoiadores estaduais.

Disse em minha despedida – naquele 7 de abril gravado como Dia da Vergonha – que a luta seguiria mais forte através de vocês. Minha alegria é saber que meu coração está presente esta noite no Tuca, batendo dentro do peito de vocês.

Minha voz é a voz de Luiz Marinho, de Ana Bock, de Suplicy e de Jilmar. De todos os que falarem ou cantarem os hinos da liberdade, da democracia, da justiça e da vitória.

Minha voz é a voz de Fernando Haddad e de todos os companheiros, em nossa jornada destemida para resgatar a dignidade nacional em todos os rincões do país.

Que este dia marque a arrancada para eleger Luiz Marinho governador de São Paulo, permitindo a nosso estado caminhar de mãos dadas com todo o povo brasileiro. Um povo que já deixou claro como vai votar nas eleições de outubro.

Vamos arrancar para a vitória nessas quatro semanas. Vamos firmar nesta noite esse compromisso de luta. Compromisso em nome da esperança que renasce. Em nome do Brasil que vai ser feliz de novo. Com a juventude seguindo na frente, as mulheres, a população negra, a classe trabalhadora, a Universidade, a Educação, a Ciência e a Cultura.

A verdade vencerá.”

Lula

 
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Richa: depois de 4 anos, Moro prende um tucano!

Alckmin e Doria recebem uma "facada" pelas costas!

Acelera, Moro!
Créditos: Facebook/João Doria e Reprodução/Correio do Ar
Do G1:

Ex-governador do Paraná, Beto Richa é preso

O ex-governador do Paraná Beto Richa, candidato ao Senado pelo PSDB, foi preso na manhã desta terça-feira pelo Gaeco em Curitiba, no Paraná.

Beto Richa é alvo de duas operações: uma realizada pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR), pela qual foi preso, e outra da Polícia Federal (PF), em uma nova fase da Lava Jato. Na 53ª etapa da Lava Jato, a casa de Beto Richa é alvo de mandado de busca e apreensão.

A esposa de Beto Richa, Fernanda Richa, e Deonilson Roldo, que é ex-chefe de gabinete do ex-governador, também foram presos pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MP-PR. Além disso, Deonilson Rodo tambem é alvo de prisão da PF.

Pepe Richa, irmão de Beto Richa e ex-secretario de Infraestrutura, Ezequias Moreira, ex-secretário de cerimonial, e Luiz Abib Antoun, parente do ex-governador, também foram presos pelo Gaeco. Antoun foi preso em Londrina, no norte do Paraná. Todas as prisões são temporárias, com validade de cinco dias. (...)

Batizada de "Piloto", a 53ª etapa da Lava Jato cumpre 36 mandados judiciais (...) O codinome "Piloto", de acordo com a força-tarefa da Lava Jato, se refere a Beto Richa na planilha da Odebrecht.

A investigação apura um suposto pagamento milionário de vantagem indevida em 2014 pelo setor de propinas da Odebrecht em favor de agentes públicos e privados no Paraná, em contrapartida ao possível direcionamento do processo licitatório para investimento na duplicação, manutenção e operação da PR-323. (...)

Em tempo: depois de quatro anos de atividades ininterruptas, o Judge Murrow finalmente prende - por algum tempo - um tucano gordo. Até agora, o único tucano que o Judge importunou foi a memória de um morto, Sérgio Guerra, ex-presidente do PSDB... - PHA

Em tempo2: breve, como se sabe, o ministrário Gilmar Mendes pode mandar soltar Richa - PHA

Em tempo3, por amigo navegante: "a operação se chama “Piloto” por ser esse o codinome de Beto Rocha nas planilhas da Odebrecht. Beto é aficcionado das corridas de carros, sendo, inclusive, piloto."




Alvaro Dias usa o jatinho do suplente foragido?

Malucelli é Richa e Álvaro, o do Moro

Aviao.jpg
Olha o prefixo do jatinho (vaidoso...) e a logomarca do grupo J. Malucelli
Créditos: Planespotters/Adriano Soares e Reprodução/Aerodynamics.nl
Alvaro Dias é aquele suposto candidato a Presidente que vai nomear o "Judge Murrow" Ministro da "Justissa"!

O suplente dele é o bilionário J. Malucelli.

Malucelli tem um jatinho que é uma jóia - um Citation Sovereign - e tem relações intimíssimas com o "Piloto", o Beto Richa, o primeiro tucano gordo que o Judge Murrow conseguiu prender - brevemente - depois de quatro anos de Operação Lava Jato.

Lamentavelmente, Malucelli está foragido e não teve o prazer de compartilhar a cadeia - breve - com seu aliado de pilotagens, o Beto Richa...

Será que o candidato Alvaro Dias, o Patricarca da Moralidade ex-tucana, pilota o Citation do Malucelli?

Ou o Malucelli pilota o Alvaro Dias?

PHA

Alvaro Dias e o foragido Joel Malucelli 
Reprodução
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Como a escola forma bolsominions

A escola no Brasil sempre foi sem partido, incapaz de despertar o senso crítico, voltando-se apenas para a formação de indivíduos aptos para o trabalho e, sobretudo, acríticos à ideologia que fomenta todo esse processo


Uma pesquisa recente publicada na Folha de São Paulo aponta que os eleitores com maior escolaridade preferem Jair Bolsonaro a Lula para o cargo de presidente. O deputado tem 27% e o petista o segue com 25%. Se tirarmos o ex-presidente do páreo, o candidato do PSL dispara com 27% seguido de Marina com 12%.

Quando observados apenas os eleitores com o Ensino Médio, Bolsonaro vence Lula confortavelmente com 34% das intenções de voto, contra 24% do ex-presidente.1

Que conclusão podemos tirar disso? Como um candidato à presidência da República que não tem nenhuma proposta clara de governo pode ser o preferido daqueles que possuem maior escolaridade?

A corrupção e o discurso construído ao redor dela, não só tirou do povo investimentos, mas o alienou, fazendo com que resuma política ao suborno, desvirtuação, aliciamento etc.. E a classe média, por seu turno, não tem a mínima ideia do que o governo faria caso os impostos que paga não fosse surrupiado. Sim, porque ela não defende proposta alguma, apenas o fim da corrupção.

Outro ponto que explica a sedução de Bolsonaro sobre a classe média é que de fato (e infelizmente) a educação proposta por Paulo Freire nunca foi implementada no país. A escola aqui sempre foi sem partido, incapaz de despertar o senso crítico, voltando-se apenas para a formação de indivíduos aptos para o trabalho e, sobretudo, acríticos à ideologia que fomenta todo esse processo.

É o maior cientista do século XX que nos dá suporte para pensarmos essa questão. Segundo Albert Einstein: “Essa deformação dos indivíduos, eu a considero o pior dos males do capitalismo. Nosso sistema educacional inteiro sofre desse mal. Uma atitude competitiva exagerada é inculcada no estudante, que, como preparação para sua futura carreira, é treinado para idolatrar um sucesso aquisitivo”.2

Há um grande interesse das classes dominantes em manter a educação em seu modelo tradicional desde a consolidação do capitalismo. Um tipo de educação que tem como objetivo transformar pessoas em capital humano, de modo que “será mais fácil, para conseguir seus objetivos, ver o homem como uma ‘lata’ vazia que vão enchendo com seus ‘depósitos’ técnicos”.3

A meta final é “converter o conhecimento e a formação humana em ‘capital humano’”. Segundo Istvan Mezaros, não poderia ser de outra forma porque “vivemos sob condições de uma desumanizante alienação e de uma subversão fetichista do real estado de coisas dentro da consciência (muitas vezes também caracterizada como ‘reificação’) porque o capital não pode exercer suas funções sociais metabólicas de ampla reprodução de nenhum outro modo”.4 O capitalismo precisa de um sistema alienante de dimensões sofisticadas, por não ser capaz de cumprir aquilo que propõe. A educação, portanto, acaba por se tornar uma ferramenta útil.

A promessa da educação utilitarista

Com esse tipo de educação interessada em formar “homens latas” incapazes de criticar as ideologias que o circundam, as ideias simples e universalizantes têm encontrado um terreno fértil. Não se pensa em uma alternativa, mas na consolidação da ideologia do consumo (que legitima a violência), da família tradicional etc..

Esses homens latas protestam pela realização da promessa que deram a ele de que quando tivesse os estudos concluídos, teria tudo que quisesse, carro, casa, bugigangas tecnológicas de última geração, produtos que os mantém jovens etc.. E duas soluções parecem, para esse ser acrítico, demonstrar o caminho mais fácil para alcançar essa promessa: o fim da corrupção, pois se o político não roubasse o nosso dinheiro o Brasil não teria tanta dívida; e o extermínio de bandidos, pois estes impedem a liberdade de consumir. Tudo tem a ver com dinheiro, exatamente como o sistema quer, exatamente como esse homem lata foi adestrado a pensar.

Quem não lembra dos torcedores brasileiros que fizeram aquele vexame na Rússia durante a Copa do Mundo? Aqueles homens machistas eram todos formados, engenheiros, ex-secretários, enfim, símbolos da educação utilitarista irracional ensinada em nossas escolas. Reproduzem de forma acrítica o conteúdo que recebem, porque não possuem capacidade interpretativa para ir além da forma rasa de como as coisas lhes aparecem.

A alienação que impulsiona a revolta, o voto de protesto, em prol da realização dessa promessa da educação utilitarista, é tão poderosa que faz um assistente social defender um discurso que menospreza as populações carentes, uma mulher votar em um político que nada fará pela igualdade de gênero, um professor escolher um candidato que afirmar exonerar os profissionais da educação em nome da educação a distância.

Esse sintoma revela que precisamos de uma educação para além das promessas utilitaristas. Eliminar o discurso predominante que afirma que estudar serve apenas para arrumar um bom emprego, menosprezando, levianamente, a função humana e progressista do ensino.

Caso o candidato do PSL venha a ocupar o cargo de presidente, as escolas transformar-se-ão em antros formadores de bolsominions de forma mais clara. Diretores militares de escolas vazias – já que o deputado defende a implementação do ensino a distância – irão promover a coloração amarelada da pele de todos, pondo fim, assim, às desigualdades raciais. Os discentes sairão dessas escolas falando uma língua confusa, bruta, que somente o chefe será capaz de entender. Saberão fabricar máquinas e armas em uma linha de produção sem desobedecer. E as mulheres estarão lá, em casa, pelejando para reforçar a imagem materna e ajudando o marido quando esse precisar (quem viu o Meu Malvado Favorito 3 pôde perceber que a mulher de Gru, Lucy, foi retratada dessa maneira).5

Será uma produção em massa desses seres obedientes apenas ao chefe, fazendo sem pensar tudo que ele mandar. É triste imaginar que em pleno século XXI, um tema tão explorado na ficção científica pode vir a ser real.


2 EINSTEIN, Albert. Por que socialismo? https://www.marxists.org/portugues/einstein/1949/05/socialismo.html

3 Paulo Freire. Educação e mudança. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979, p.23.

4 MÉSZÁROS, István (org.). A educação para além do capital. São Paulo: Boitempo, 2008. p. 59.


Raphael Silva Fagundes
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