7 de set. de 2018

Basta um dia para transferir votos de Lula para Haddad, diz cientista polítco


O cientista político, Alberto Carlos de Almeida, sócio do instituto Brasilis e um dos maiores estudiosos do eleitor no Brasil, analisa o crescimento de Lula e do PT no período pós-impeachment, em contraponto à derrocada do PSDB. Em entrevista ao programa Brasil Primeiro, apresentado pelo ex-ministro Aloizio Mercadante na TV 247, ele ressalta que "basta um dia" para o ex-presidente Lula transferir seus votos para seu vice, Fernando Haddad.

Almeida explica que, historicamente, nas últimas eleições, a disputa mais comum é entre PT e PSDB, mas, nessa disputa presidencial, o quadro mudou. "O PSDB encontra-se com bastante dificuldade e foi substituído por Jair Bolsonaro", observa. 

Segundo ele, o PT caminha na contramão do PSDB. "No momento do impeachment, a sigla estava numa posição delicada, agora segue crescendo e ganhando a preferência popular", observa, sobre os petistas.

Ele ironiza dizendo que "o PT deveria fazer um busto para o juiz Sérgio Moro, o ex-deputado federal Eduardo Cunha e outro para o ministro do STF Gilmar Mendes", em referência a quem seria responsável pelo impeachment e pela Lava Jato, pois a sigla estava "completamente desgastada antes do impeachment", e agora torna-se "uma opção para o futuro". 

Lula fora das pesquisas

A respeito dos institutos Ibope e DataFolha não divulgarem o nome de Lula em suas pesquisas, o cientista político observa que "é a primeira vez na história que dois institutos de pesquisa recusam publicar suas consultas". 

"Como a justiça ultimamente anda uma bagunça, esses institutos estão com medo de sofrerem retaliações por divulgarem o nome de Lula nas pesquisas", acredita. 

Corrida presidencial

Almeida acredita que Lula segue com grande vantagem nas pesquisas, pois o povo acredita que o ex-presidente irá melhorar a situação do país. "A eleição com o Lula seria um passeio. A eleição sem Lula será um quase passeio", projeta, a respeito do candidato a ser indicado pelo PT, e dando como certa a transferência de votos. 

"O PT tem uma capacidade imensa de ocupar e pautar a mídia", comenta ainda, a respeito da prisão de Lula e dos frequentes recursos apresentados pelo partido e pela defesa do ex-presidente à Justiça. "Manter o Lula candidato é pautar a agenda midiática ate o fim".

Transferência de votos 

Para ele, o PT precisa de apenas um dia para transferir os votos de Lula para Fernando Haddad, no caso, o dia da eleição. "Foi exatamente o que aconteceu em 2014 com Aécio e Marina. O Aécio estava empatado com a Marina na quinta-feira e na apuração ele teve 12 pontos de vantagem. Significa que as pessoas abandonaram o Aécio no domingo", conclui, se referindo ao dia do segundo turno da eleição em 2014.

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Agressor de Bolsonaro atribui ataque ao discurso de ódio do candidato


Os advogados que representam o agressor Adélio Bispo de Oliveira sustentam que a agressão de seu cliente ao candidato Jair Bolsonaro foi um ato solitário, movido pelo que classificaram de "discurso de ódio" do próprio candidato. Quatro advogados acompanharam Adélio na audiência de instrução com a juíza Patrícia Alencar, na Justiça Federal, na tarde desta sexta-feira (7), que determinou a transferência do criminoso para um presídio federal.

Agressor confesso do candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL), Adélio Bispo de Oliveira, chegou à sede da Justiça Federal, em Juiz de Fora, sob um forte esquema de segurança.

"Esse discurso de ódio do candidato é que desencadeou essa atitude extremada do nosso cliente", disse o advogado Zanone Manoel de Oliveira Júnior. Um dos motivos, segundo a defesa, foi a referência pejorativa aos negros quilombolas, já que seu cliente se identifica como negro.

O advogado informou que a defesa concordou com a transferência de Adélio para um presídio federal, para garantir sua integridade. O advogado também disse concordar com o indiciamento de seu cliente pelo Artigo 20 da Lei de Segurança Nacional, que fala em "praticar atentado pessoal ou atos de terrorismo, por inconformismo político". Ele disse ainda que vai requerer exame de sanidade mental em seu cliente.

Adélio é esperado, ainda hoje, para prestar depoimento à Polícia Federal em Juiz de Fora.

Ataque

Ontem (6), ao ser carregado por apoiadores durante um ato de campanha em Juiz de Fora (MG), Bolsonaro levou uma facada no abdôme. Ele foi levado para a Santa Casa de Juiz de Fora, onde foi submetido a uma cirurgia. Hoje pela manhã, o presidenciável foi transferido para o Hospital Albert Einstein, em São Paulo.
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Ataque a Bolsonaro é "resposta de ódio" a quem "prega o ódio", diz psicanalista

Candidato do PSL sofreu ferimento no abdômen após ter sido perfurado com faca durante ato de campanha em Minas Gerais


"Um cara que prega o ódio recebeu uma resposta de ódio", lamentou, ao Brasil de Fato, a psicanalista Maria Rita Kehl em referência ao ataque a faca contra o candidato a presidente pelo PSL, Jair Bolsonaro, nesta quinta-feira (6) em Juiz de Fora (MG), durante um ato de campanha em um centro comercial da cidade. Enquanto era carregado nos ombros por um de seus seguranças, Bolsonaro foi perfurado por uma faca na região do abdômen e foi levado à Santa Casa, onde passou por uma cirurgia para reparar perfurações nos intestinos grosso e delgado, segundo informações repassadas pelo hospital à imprensa.

O autor do ataque foi cercado por apoiadores de Bolsonaro e detido ainda no local, antes de ser encaminhado à delegacia. Segundo informações de policiais militares no local, ele teria afirmado que a iniciativa do ataque foi individual, por discordâncias com as ideias defendidas pelo candidato em sua campanha.

"Me parece que quando o dispositivo da democracia entra em descrédito, como a manobra para tirar a Dilma - que já foi picaretagem, por exemplo -, depois a prisão do Lula - uma coisa totalmente arbitrária, que mesmo quem está a favor sabe que é uma jogada suja, que é um 'gol de mão', enfim -, as pessoas começam a apelar. A violência nas ruas aumenta, a violência contra as mulheres aumenta, enfim, a 'psicopatização' da sociedade como um todo aumenta", analisou a psicanalista.

Perfil

Bolsonaro é uma figura conhecida pelo discurso repleto de preconceitos contra mulheres, negros e pobres, além de atacar com rancor movimentos populares como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), além dos partidos identificados com a esquerda.

Há uma semana, durante ato de campanha no Acre, Bolsonaro prometeu a seus apoiadores que, após a vitória eleitoral, iriam "fuzilar a petralhada", em menção aos militantes do Partido dos Trabalhadores (PT). A facilitação do porte de armas para civis é uma das principais bandeiras da campanha do militar da reserva, para que cidadãos possam reagir à criminalidade por conta própria e fazendeiros possam atacar movimentos populares do campo.

O discurso pró-violência de Bolsonaro, que tem despontado como principal nome da extrema direita desde a última eleição presidencial, acompanha o aumento da violência nas relações políticas no país. Em abril deste ano, o violento assassinato da vereadora Marielle Franco, no Rio de Janeiro, chocou o país. Ela foi alvejada por tiros ao lado do motorista Anderson Gomes, em seu carro, quando voltava de um debate político com mulheres negras. A polícia ainda não localizou os autores do assassinato ou os mandates, embora haja suspeita de envolvimento de milícias. 

Em março, a caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi alvejada por tiros enquanto visitava estados da região Sul do país; em 2015, uma bomba caseira foi arremessada contra a sede do Instituto Lula, em São Paulo.
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Magno Malta e Malafaia divulgam fake news

O senador Magno Malta (PR) publicou fake news nas redes sociais. Uma montagem grosseira mostra Adélio Bispo de Oliveira, preso por esfaquear Jair Bolsonaro em Juiz de Fora, num ato com Lula.


A foto original, de Ricardo Stuckert, é de 10 de maio de 2017, quando o ex-presidente prestou depoimento ao juiz Sergio Moro em Curitiba.

O tuíte fraudado de Magno Malta recebeu mais de 5 mil curtidas e compartilhamentos. Ele escreveu um recado copiando a arroba de sua mulher, a cantora Lauriete Rodrigues, candidata à Câmara dos Deputados.

“Olha rm que time joga o marginal” (sic)”.

Olha em que time jogam os marginais.


O pastor Silas Malafaia fez post em sua conta no Twitter onde responsabiliza o PT de Minas Gerais e a presidenta deposta e candidata ao Senado, Dilma Rousseff (PT), pelo atentado ocorrido em Juiz de Fora contra o presidenciável, Jair Bolsonaro, ocorrido nesta quinta-feira (6).

De maneira irresponsável, o pastor diz que “o criminoso que tentou matar Bolsonaro é militante do PT e assessora a campanha de Dilma”. O fato foi amplamente desmentido assim que a identidade do suspeito - que disse ter agido em nome de Deus - foi divulgada.
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Globonews e a miséria do jornalismo


A entrevista de Fernando Haddad à bancada da Globonews é reveladora de um dos vícios mais entranhados no jornalismo brasileiro: a incapacidade dos entrevistadores de analisar realidades complexas.

Eles fazem um tipo de pergunta padrão e esperam uma resposta padrão para a qual já tem engatilhada uma tréplica padrão. Quando o entrevistado sofistica um pouco a análise e inclui outros elementos na resposta, provoca um curto-circuito nas cabeças dos entrevistadores. E eles não sossegam enquanto não receber a resposta padrão, para poderem rebater com a tréplica padrão.

Foram inúmeros os casos.

O mais insistente foi a história da autocrítica dos erros econômicos de Dilma Rousseff. Haddad admitiu os erros, enumerou-os e procurou situá-los no tempo. Analisou o período PT como um todo, para depois chegar aos erros. Ou seja, admitiu os erros. Mas alegou que só os erros, por si, não explicariam a queda do PIB, que houve um componente político relevante, no boicote conduzido por Aécio Neves e Eduardo Cunha. Ora, seria o gancho para uma belíssima discussão, muito mais rica, muito mais complexa. Mas os entrevistados não aceitavam.

- Quer dizer que o PT não admite os erros? A culpa sempre é dos outros? Como vamos acreditar que agora será diferente?

E não adiantava Haddad explicar os acertos dos dois governos Lula e dos dois primeiros anos do governo Dilma, e os erros posteriores de Dilma, para demonstrar que o erro não é componente intrínseco da política econômica do partido.

A mesma coisa quando confrontado com as propostas da campanha de Lula – coordenadas por ele -, com os entrevistadores pretendendo enquadrá-las na tal matriz econômica do último período Dilma. Ou quando tentaram levantar o fantasma do tal mercado contra as ideias de Haddad, que rebateu com uma reportagem da Reuters, publicada no The New York Times, com CEOs de grandes empresas elogiando suas propostas.

Haddad levantou, em sua defesa, o tratamento das contas da prefeitura de São Paulo, que, no seu mandato, obteve o grau de investimento.

- Estamos discutindo política econômica, rebateu o entrevistador de uma resposta só.

Haddad teve que explicar que grau de investimento e contas fiscais são política econômica. E elas falam mais por ele do que qualquer carta aos brasileiros.

Todos os bordões foram levantados, inclusive a criminalização da política de campeões nacionais, ou os aportes de recursos ao BNDES. Em vez da discussão conceitual sobre a oportunidade ou não de se ter campeões nacionais, em vez de levar em conta a resposta de Haddad, de que os investimentos em campeões nacionais ajudaram a gerar empregos e melhorar o perfil das exportações brasileiras, limitavam-se ao branco-e-preto que difundiram nos últimos anos: toda política industrial é criminosa, e tudo o que o BNDES faz é criminoso.

Em nenhum momento questionaram as afirmações de Haddad de que a matriz econômica, defendida pela Globonews e implementada pela equipe de Temer, não entregou o prometido. Quando chegava nesse ponto, mudava-se o tema.

Nem rebaterem sua afirmação de que os principais delatores da Lava Jato estão soltos e gozando a vida em liberdade. Limitavam-se aos grandes agregados – Lula foi condenado por um juiz de 1ª instância, um colegiado em 2ª instância e prisão mantida por um colegiado do STF, que não analisou o mérito das acusações.

Fosse menos diplomático, Haddad poderia lembrar que todos eles foram estimulados pelo clamor das ruas, do qual o principal combustível é a cobertura enviesada da Globo.

Luís Nassif
No GGN
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Na primeira pesquisa como candidato de Lula, Haddad dispara e tem 14%. Bolsonaro cai para 20%.


Na pesquisa XP/Ipespe, Fernando Haddad salta de 8% para 14% das intenções de voto quando identificado como “o candidato de Lula”.

Foi divulgada hoje, 7 de setembro, a primeira pesquisa XP/Ipespe realizada após o início do horário eleitoral gratuito. Ao todo, 2.000 pessoas foram entrevistadas por telefone entre os dias 3 e 5 de setembro – um dia antes, portanto, da agressão sofrida por Bolsonaro em Juiz de Fora.

No primeiro cenário, Lula (PT) aparece com 33% da preferência popular. Jair Bolsonaro (PSL) chega a 22% das intenções de voto, seguido por Ciro Gomes (PDT) com 8%, Geraldo Alckmin (PSDB) 7%, Marina Silva (Rede) 6% e João Amoêdo com 5% e Álvaro Dias (Podemos) com 3% das intenções de voto.

Henrique Meirelles, Guilherme Boulos, Cabo Daciolo apresentam apenas 1% das intenções. José Maria Eymael, Vera Lucia e João Goulart Filho não apresentaram pontuação nesta pesquisa.

No cenário apresentado, votos em branco e nulo atingem apenas 10% da preferência dos eleitores.


Quando Haddad é definido simplesmente como o candidato do PT, a pesquisa indica que o petista atinge 8% da preferência popular.

Nesse cenário, Jair Bolsonaro chega a 23%, Ciro Gomes e Marina Silva empatam no segundo lugar com 11% dos votos, seguidos por Geraldo Alckmin com 9% e Haddad com 8%.

João Amoêdo e Álvaro Dias apresentam 4%. Henrique Meirelles, Guilherme Boulos e Cabo Daciolo empatam com 1% das intenções.



Contudo, no terceiro cenário Haddad é apresentado como o candidato de Lula. Nesse caso, o ex-prefeito de São Paulo sobe para o segundo lugar com 14% dos votos. Jair Bolsonaro cai para 20% e Ciro Gomes vai para o terceiro lugar com 10%, seguido por Marina Silva e Geraldo Alckmin, ambos com 8% das intenções de voto.


A XP Investimentos, patrocinadora da pesquisa, é controlada pelo Banco Itaú. Detalhes sobre a pesquisa podem ser vistos aqui.

No Nocaute
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Monitoramento da FGV: Ataque a Bolsonaro foi recebido com deboche e descrença na internet


Realizado pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas da FGV, o projeto Observa 2018 analisou o volume e a inclinação de posts em redes sociais após o ataque ao candidato Jair Bolsonaro. De acordo com o monitoramento, a facada não fez aumentar o apoio ao candidato, ao menos no primeiro momento; ao contrário, foi recebido com descrença e piadas.

De acordo com o DAAP FGV, o ataque foi o evento de maio repercussão imediata no Twitter desde as eleições de 2014. O monitoramento calculou impressionantes 3,2 milhões de referências discutindo os procedimentos médicos, referências ao discurso de ódio do candidato, a violência das eleições e, acima de tudo, questionamentos quanto à veracidade do acontecimento.

Embora as hashtags mais populares sejam de apoio a Bolsonaro — #forçabolsonaro, com 197,3 mil recorrências, seguida de #bolsonaropresidente17 (21,4 mil), #direitaunida (11,3 mil), #bolsonaro (10,1 mil) e #somostodosbolsonaro (6,2 mil), segundo o instituto — "os tuítes de maior compartilhamento, permanecem em evidência publicações que abordam se, de fato, houve um ataque a Bolsonaro ou se o dano provocado pela facada foi grave como parece".



Ciro Gomes e João Amoêdo foram os dois presidenciáveis que mais repercutiram nas redes além do próprio Bolsonaro. As mensagem de condolências e de desejos de recuperação tweetadas por ambos alcançaram juntas 20 mil retweets e 117,9 mil curtidas. Lula também foi destaque:

"O ex-presidente Lula permanece desde ontem como o ator político de maior associação ao ataque a Bolsonaro, com 185,9 mil menções, citado por conta dos tiros à caravana pelo Sul do Brasil, em março (…). Perfis falam dos ataques a ambos como exemplos da agressividade que marca os debates políticos na atualidade e do colapso da manutenção institucional na condução do processo eleitoral", diz o texto.

Gráfico mostra impressões de tweets sobre o ataque a Bolsonaro em Juiz de Fora.
Gráfico mostra impressões de tweets sobre o ataque a Bolsonaro em Juiz de Fora.
Bolsonaro está internado no Hospital Albert Einsten em São Paulo após ter sido transferido da Santa Casa de Juiz de Fora, onde passou por cirurgia. Ele deve seguir sob cuidados médicos por ao menos 1 semana e é provável que só volte à rotina normal de campanha a partir do dia 25.

De acordo com o último boletim emitido pela equipe médica que acompanha o candidato, ele não corre risco de morrer.

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Nem à bala, nem à faca

http://www.jb.com.br/colunistas/coisas_da_politica/2018/09/4258-nem-a-bala-nem-a-faca.html

A espiral de ódio e intolerância que vem se adensando desde 2013 tinha que dar nisso. O atentado contra o candidato do PSL, Jair Bolsonaro - afora o repúdio geral que mereceu, inclusive dos concorrentes - cobra resposta rápida, convincente e clara das autoridades. Não pode ficar inesclarecido como aquele que foi perpetrado a tiros, em março, contra a caravana do ex-presidente Lula. Atentados desta natureza, não importa a cor ideológica da vítima, atingem o processo eleitoral e a própria democracia. Eleitoralmente, é cedo para prever seu efeito. Poderá fortalecer e ampliar a onda de seguidores de Bolsonaro como favorecer também a moderação, fazendo prevalecer o entendimento de que os problemas não podem ser enfrentados nem à bala nem à faca.

As primeiras informações sobre o agressor, Adélio Bispo de Oliveira, sugerem tratar-se de pessoa com transtorno psicológico, que disse ter agido “a mando de Deus”. Mas é preciso um esclarecimento cabal, que impeça a proliferação de especulações como as que se viam ontem nas redes sociais e nos comentários de leitores ao noticiário em tempo real. Muitos registros foram na linha “colheu o que plantou”. Afinal, Bolsonaro diz que “violência se combate com violência”, costuma simular o ato de atirar com crianças e no sábado prometeu “fuzilar a petralhada”. Nem por isso, deve ser menor o repúdio. Outros internautas acusavam abertamente a esquerda e outros ainda sugeriam que o atentado pode ter sido uma simulação, ou um fogo amigo, para transformar Bolsonaro em vítima.

Para conter especulações como estas, que só servem para atiçar o ódio, a polícia precisa ser rápida no esclarecimento das motivações do agressor. Descobriu-se ontem que Bispo de Oliveira foi filiado ao PSOL entre 2007 e 2014. Talvez tenha passado pelo PDT. Mas não podem os partidos responder por atos de quem um dia foi filiado. Importante é descobrir se agiu só e com que motivação.

Felizmente, o agressor foi malsucedido e o estado de Bolsonaro, no início da noite, era estável, depois de uma cirurgia e uma transfusão de sangue. Ao contrário do que circulou inicialmente, ele correu risco, sim. Perdeu muito sangue e chegou com uma bradicardia ao hospital. O episódio não pode permitir maior envenenamento de uma campanha já marcada pelo impedimento judicial do candidato favorito, e na qual até o presidente em exercício mete a colher, fustigando candidatos com vídeos. O Brasil precisa muito destas eleições para sair do atoleiro institucional trazido pelo impeachment, que agravou também a situação econômica, que já era ruim com Dilma. Para que a travessia seja exitosa, elas precisam ser livres, pacíficas e limpas.

As balas de Temer

O vídeo de Michel Temer contra Geraldo Alckmin pode ser resumido com uma paródia do refrão da campanha de Lula e Haddad: Temer é Alckmin, Alckmin é Temer. Por mais impopular e rejeitado que Temer seja, a letalidade do vídeo é grande, ao mostrar que a coligação eleitoral do tucano é a mesma coalizão partidária que fez o impeachment e formou a base do atual governo. Os adversários vão explorar com gosto.

O segundo tiro de Temer foi no futuro candidato do PT, Fernando Haddad, rebatendo críticas à reforma trabalhista. Nesta batida, seu próximo alvo pode ser o candidato do MDB, Henrique Meirelles, que não tem agido como defensor do governo, conforme acertou com Temer. Na pré-campanha, a turma do presidente garantia: o governo vai ter candidato para defender seu legado. Não tem. Candidato algum topa carregar governo moribundo.

A passagem

Como era previsível, os recursos do PT contra a inabilitação de Lula vão sendo rejeitados na Justiça. E a transição já começou, com Haddad praticamente falando como candidato no programa de ontem, o que voltará a fazer amanhã. Na terça-feira haverá a passagem do bastão, no ato de Curitiba, com a leitura da carta de Lula. E só então valerá medir a transferência de votos, que a pesquisa Ibope, como foi feita, não aferiu.
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Fernando Haddad dá aula na GloboNews


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Programa do PT avança no ataque a Temer


Com Geraldo Alckmin acuado pela “cobrança” de Michel Temer sobre o fato de sua aliança representar, quase que exatamente, o atual governo, o espaço ficou livre e a campanha Lula/Haddad entrou de cabeça na oposição ao governo golpista, rejeitado por 90% da população, que andava esquecido na campanha eleitoral.

Foi assim o programa da noite desta quinta feira no horário eleitoral

Foi, para usar a linguagem popular “pau puro no Temer”, algo que os demais candidatos, na maioria, não pode fazer e o que pode – Ciro Gomes – não tem tempo para fazer.

É um dado curioso e importante, que não entrou nas contas dos “avaliadores de campanha”:  campanha eleitoral é, essencialmente, governo x oposição.

Nesta eleição, pelo fato de que os candidatos que ainda guardavam, em maior grau, uma situação de antagonismo ou independência em relação ao atual governo, exceto os do PT, não contam com espaço para firmar esta posição, ficávamos numa “água morna” em relação ao governo mais odiado da história do país.

Nos primeiros programas, pela necessidade imperiosa de firmar posição sobre a perseguição judicial a Lula, o programa do PT não pôde fazê-lo.

Agora, que a transição de Lula para Haddad se inicia, a hora chegou.

E dá à coligação do PT praticamente o monopólio de ser contra aquilo que 93%dos brasileiros também são.

Veja o programa do PT na noite de quinta-feira:



Fernando Brito
No Tijolaço
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Vampirão golpista mente descaradamente


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Prisão de PMs envolvidos em crime organizado afeta campanha de Flávio Bolsonaro

Deflagrada pelo MP-RJ, a operação investiga suposta quadrilha de policiais especializada em extorsões. Os irmãos gêmeos PMs Alan e Alex de Oliveira estavam entre os 46 suspeitos com prisão decretada e trabalhavam na campanha de Flávio Bolsonaro


Policiais militares que participavam de agendas da campanha do deputado estadual Flávio Bolsonaro, candidato ao Senado pelo PSL do Rio nas eleições 2018 e filho do presidenciável Jair Bolsonaro, foram presos na semana passada na Operação Quarto Elemento.

Deflagrada pelo Ministério Público Estadual, a operação investiga suposta quadrilha de policiais especializada em extorsões. Os irmãos gêmeos PMs Alan e Alex Rodrigues de Oliveira estavam entre os 46 suspeitos com prisão decretada pela Justiça. Os irmãos atuavam na segurança de eventos de campanha de Flávio Bolsonaro.

Alan e Alex se aproximaram do PSL por meio da irmã, Valdenice de Oliveira Meliga, assessora do deputado estadual e tesoureira do partido no Rio. A funcionária está nomeada no gabinete de Flávio como cargo de confiança na Liderança do PSL. A prisão dos PMs causou mal-estar na campanha de Flávio. O deputado negou que eles fizessem parte da campanha.

Em foto postada em uma rede social, o deputado estadual e o candidato à Presidência aparecem na festa de aniversário dos policiais, no bairro de Campo Grande. “Essa família é nota mil”, escreveu Flávio em sua página no Instagram, ao comentar a imagem.

Segundo denúncia do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio, a suposta quadrilha de policiais extorquia dinheiro de pessoas que estavam em situação ilegal. “A partir dessa situação, em vez de seguir a lei, os denunciados exigiam uma quantia em dinheiro para que os infratores não fossem presos ou tivessem as mercadorias apreendidas e sofressem os devidos procedimentos legais”, afirma o Ministério Público.

Alan já havia sido preso por agentes da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança do Rio por outra acusação em janeiro de 2018. Ele estaria envolvido na extração e venda ilegal de barro em um terreno em Paciência, na zona oeste do Rio, e também em vendas de um loteamento ilegal.

No Fórum
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A balança da violência não pode ter dois pratos

Para se repudiar a violência e a violência da indignação seletiva


A violência precisa ser condenada. Bolsonaro é uma vítima da violência e pouco importa que em seu discurso flerte com sua agressora. Acerta a imprensa quando repudia a agressão da qual Bolsonaro foi vítima.

Por outro lado, Lula, em particular, e petistas, de modo geral, antes e também têm sido rotineiramente vítimas de violências. E, por certo, mereceriam igual tratamento dessa mesma imprensa. Mas, até ao repudiar a violência contra petistas, a grande imprensa a elogia.

Quanto o segundo caso contribuiu para o primeiro, não sei precisar. Não me parece, no entanto, que sejam isentos de correlação. Pelo menos, se forem pesados em uma balança de apenas um prato.

Quando um candidato à presidência é atacado a facadas, durante a campanha eleitoral, isso merece manchete e editorial indignado.

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Editorial da Folha de São Paulo de 07 de setembro de 2018 – extratos

 “Repúdio geral – atentado contra Bolsonaro não tem acolhida num país que está comprometido com a democracia.

Recebeu imediata e unânime condenação o atentado que, na tarde desta quinta-feira (6), atingiu Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência da República.

Apesar dos componentes francamente assustadores de sua retórica, como a sua anunciada disposição de “fuzilar a petralhada”, o fato é que Bolsonaro e seus adeptos na prática conduzem a campanha presidencial sem incidentes conhecidos de violência física.

Mais do que nunca, é o debate de ideias e soluções para o país que deve prevalecer na disputa eleitoral. … as forças políticas — e certamente a esmagadora maioria da população — devem renovar em seu repúdio ao ato um apreço pela tolerância, pela convivência e pela democracia que, apesar dos dissensos e paixões ideológicas, se consolidou e persiste no Brasil”.

Quando a comitiva de um ex-presidente da República é atacada a tiros, durante uma caravana política, isso merece manchete e editorial indignado. Será?

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Editorial da Folha de São Paulo de 29 de março de 2018 – extratos

“Na idade da pedra – tiros contra a caravana de Lula exigem investigação imediata e repúdio absoluto.

É certo que protestos contra candidatos de qualquer partido nada têm de ilegítimo; o PT, por seu papel central nos escândalos recentes de corrupção, não teria como escapar ileso da indignação geral. Ainda mais porque têm sido claras as indicações de Lula no sentido de buscar o confronto e desafiar a legitimidade das sentenças da Justiça e da própria magistratura.

Nas zonas rurais, sem dúvida o PT é identificado com os frequentes e deploráveis atos de vandalismo promovidos pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e seus congêneres. Já nos grandes centros, o surto de violência anarcoesquerdista dos “black blocks” retrocedeu.

A violência, tudo indica, tem agora outra origem — só favorecendo, de resto, o papel de vítimas que petistas assumem de modo farsesco para livrar-se das sólidas acusações que os colocam no estado de prestar contas à Justiça.

É a essa mesma Justiça que cabe conter, entretanto, os membros de qualquer quadrilha de fanáticos ou de provocadores, não importa sua filiação, quando tentam destruir, a tiros, as bases de todo convívio democrático”.

Post scriptum da Oficina

PS 1 – até este instante, o agressor de Bolsonaro é apresentado um psicopata e está preso. Até este instante, não se tem ideia que quem cometeu o atentado contra a caravana de Lula.

PS 2 – quando afirma que o fato é que Bolsonaro e seus adeptos na prática conduzem a campanha presidencial sem incidentes conhecidos de violência física”, ou a Folha comete a esperteza de delimitar a campanha eleitoral a partir de 16 de agosto de 2018 em diante, ou não lê a própria Folha.

passo fundo

PS 3 – para quem tem estômago para acompanhar séries violentas:


Junho de 2015 – ”Um elogio à agressão”

Março de 2018 – ”O nojo e a pedra”


Sérgio Saraiva
No Oficina de Concertos Gerais e Poesia
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Causa e efeito da barbárie


O ataque homicida a Jair Bolsonaro, além de significar uma violência inaceitável contra a vida humana, é um atentado adicional ao Estado de Direito cuja democracia já está sendo necrosada pela ditadura jurídico-midiática que mantém Lula em prisão política.

A condenação a este atentado, portanto, deve ser enfaticamente declarada.

É impossível não se aludir, todavia, que Bolsonaro é vítima da barbárie que ele próprio cria e dissemina na sociedade.

O atentado contra ele, em certa medida, pode ser considerado efeito direto da violência político-ideológica “à la hooligans” que Bolsonaro encarna com singular excitação – a mesma violência, aliás, que metralhou Marielle e Ânderson Campos.

Observação necessária: em tempo de desespero do establishment diante da derrota para Lula/Haddad em outubro, não se deve afastar a eventual existência de motivações políticas para tumultuar o ambiente eleitoral. No contexto da quebra da ordem jurídica do país, é razoável alimentar-se especulações quanto à ocorrência do atentado contra Bolsonaro na véspera do feriado da “Independência” [sic].

Jeferson Miola
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O duelo ainda é entre PSDB e PT

“Se no senso comum todos os políticos, na minha visão, são corruptos, porque só um está preso e não pode disputar a eleição?”
Foto: Alex Silva
Em meio a uma das mais graves crises políticas do país, o cientista político Alberto Carlos Almeida não tem medo de arriscar. Ele não acredita em candidato outsider ou antiestablishment, relativiza a influência das forças das redes sociais na campanha e sustenta que, mais uma vez, a disputa pela presidência da República deverá ser entre PT e PSDB. Esse, aliás, é o tema central de seu mais novo livro, editado em português e inglês, O Voto do brasileiro (Record). Doutor em Ciência Política e autor do best-seller A cabeça do brasileiro, Almeida é um dos mais respeitados pesquisadores em política. Econômico com as palavras, lacônico nas respostas, ele recorre com frequência aos dados tabulados das pesquisas para embasar seus pontos de vista. Sócio das agências de pesquisas Brasilis e Inteligov, especializadas em auferir comportamentos e tendências a grandes empresas, instituições financeiras e universidades, ele afirma nesta entrevista ao Extra Classe que o comportamento do eleitor brasileiro é previsível a ponto de antever uma reviravolta na campanha eleitoral, a polarização no segundo turno e a retomada do protagonismo do Partido dos Trabalhadores na cena política. “Se olharmos o cenário traçado pelas pesquisas nacionais, isso é indiscutível”, aposta.

Extra Classe – Em seu livro O voto do brasileiro o senhor pretende demonstrar que as eleições no Brasil, do ponto de vista do comportamento dos eleitores, nada devem às eleições nacionais de países como Alemanha, Espanha e Reino Unido e que são até previsíveis. Em tempos de Donald Trump, eleito contra todas as previsões, afirmar isso não é um pouco arriscado?

Alberto Carlos Almeida – Exatamente. Nossas eleições são previsíveis. Agora, olha só, até o Trump entra na minha análise. Você, na sua pergunta, está falando da pessoa e eu estou falando dos partidos. Então, o Trump entra também na minha abordagem. Ele não é nada de excepcional. Nos Estados Unidos a disputa eleitoral ocorre sempre entre o partido Republicano e o partido Democrata. Quem ganhou a eleição foi o partido Republicano. É como se você tivesse no Brasil o Bolsonaro dentro do PSDB. Não é o caso, mas é como se fosse isto.

Mas no caso do Trump, desde o início ele foi vencendo todas as expectativas dentro do próprio Partido Republicano e acabou eleito contra todas as previsões.
 
Nos Estados Unidos existem as primárias, então, o que acontece: a mesma primária que permitiu a renovação dos Democratas com a escolha anteriormente do Obama – porque o Obama foi contra o establishment do partido – permitiu nesse aspecto a renovação, não deixa de ser (risos), do partido Republicano. A primária tira, ela diminui digamos assim, o controle da burocracia partidária, do establishment partidário. O establishment partidário é poderoso? É! Mas ele não ganha todas. Não ganhou com o Obama e não ganhou com o Trump. Ambos, por conta de terem muitos recursos financeiros pra vencer as primárias; o Obama por meio da arrecadação de sucesso, o símbolo que ele era, e o Trump pelo dinheiro pessoal que ele colocou na campanha. Eles chegaram à presidência por caminhos diferentes, mas o Trump não contradiz de modo algum o meu argumento. Continua organizada a disputa nos Estados Unidos entre dois polos: Democratas e Republicanos.

Ao contrário da avaliação de muitos analistas o senhor afirma que novamente veremos na eleição presidencial brasileira a polarização entre PT e PSDB. Por quê?

As pessoas só estão olhando as redes sociais trabalhando em benefício do Bolsonaro. Mas elas já vêm trabalhando em malefício dele (risos). Eu vou lhe dizer como: se você pegar as duas últimas pesquisas do Datafolha, a rejeição do Bolsonaro subiu de 32% para 39%. Por que isso ocorreu? Provavelmente por conta de muitas razões, sendo uma delas, as redes sociais.

Mas é inegável que ele se construiu nas redes, não?

Sim e provavelmente pode ser desconstruído por elas. É nesse aspecto que eu chamei a atenção para o aumento da rejeição. Não tem televisão, não tem nada, e aumentou a rejeição. Ou melhor, o que aconteceu nesse período? Ele foi à televisão, a debates e entrevistas e tudo repercutiu nas redes sociais. Como explicar um aumento de rejeição de 7% em tão pouco tempo?

Continuando no seu prognóstico de que existe a polarização entre centro-esquerda e centro-direita, os professores Cesar Zucco (Ebape-FGV-Rio) e David Samuels (Universidade de Minnesota) estão publicando um livro que trata do comportamento do eleitor brasileiro (Partisans, nonpartisans and antipartisans: Voting behavior in Brazil), no qual afirmam que a recente queda do PT não significou um aumento da preferência pelo PMDB ou pelo PSDB. Em resumo, para eles ainda vota-se pró-PT ou antiPT. Qual a sua opinião?

Conheço muito bem o Zucco e jantei com o David semanas atrás, quando ele estava no Brasil divulgando o trabalho dos dois. Um trabalho muito bom. Mas quem é o antipetista? Até agora vem sendo o PSDB. O Bolsonaro deu uma deslocada nisso aí, mas tem toda uma campanha pela frente. Olha, vou te dizer, no dia 19 de setembro de 2014 a Marina tinha 30% e o Aécio, 17%, ali na cara do gol da eleição. E mudou!

Após ter tido uma grande derrota nas eleições de 2016, você acredita que o PT retoma o protagonismo?

Já retomou. Olha o que está acontecendo agora. Se olharmos o cenário traçado pelas pesquisas nacionais, no qual o Lula lidera e deve transferir uma parte imensa dos seus votos para o Haddad. Isso é indiscutível. E tem pesquisa estadual que mostra que o PT e seus aliados lideram em sete estados do Nordeste. No Senado todo mundo previa que a bancada do PT ia desaparecer e nós vemos candidatos do PT aí em primeiro e segundo em vários estados. Então, não é só a eleição pra presidente, não!

E em relação à composição da Câmara dos Deputados?

O Senado tem uma visibilidade maior. A gente vê porque é uma eleição majoritária. A Câmara já se torna um pouco mais imprevisível, mas pega um exemplo: Aquela Marília Arraes, que iria ser candidata do PT ao governo de Pernambuco será candidata a deputada federal. Ela vai eleger um bocado de gente junto. A gente não sabe outras coisas que estão acontecendo e que podem surpreender. Eleição de deputado, como disse, é muito mais difícil de se detectar.

“Proporcionalmente, pobres votam na centro-esquerda e não pobres na centro-direita, mas vai ter pobre votando na direita e rico na esquerda”
“Proporcionalmente, pobres votam na centro-esquerda e não pobres na centro-direita, mas vai ter pobre votando na direita e rico na esquerda”
Foto: Acervo Pessoal

Qual a possibilidade de termos uma Câmara mais conservadora?

A gente está vendo as evidências. Cerca de 90% dos deputados vão disputar a reeleição. Esses deputados vão ter acesso ao fundo partidário e ao fundo eleitoral. Os novos não vão ter. Os novos que eu digo são os que não têm mandato, mas também vai ter muita gente que vai conseguir ser eleito pra deputado federal que vêm de mandatos estaduais e prefeitos. Ou seja, todo mundo de dentro do sistema. Nesse sentido, não é um achômetro. Os analistas estão olhando isto.

Por que outsiders como Luciano Huck, que no ano passado eram uma aposta, não vingaram?

Veja só a dificuldade de um Luciano Huck, por exemplo, de um Joaquim Barbosa. Se falou, se falou e os caras perceberam as dificuldades, que são imensas. Porque o sistema tem uma inércia. E isso não é só aqui, em todo lugar é assim, o sistema é conservador. Na Grã-Bretanha, o primeiro-ministro define a data da eleição. Ele vê lá quando está mais popular e define, dentro de certos limites, mas define. Na França, eleito o presidente, um ou dois meses depois tem eleição para deputado. O cara está em lua de mel, é uma covardia completa.

Nos Estados Unidos, o candidato a presidente tem que registrar a sua candidatura em cada estado do país e isso tem um custo brutal, só os dois partidos conseguem. Os sistemas em todos os lugares são conservadores. É um petroleiro, não é uma lancha. É difícil de mudar a direção.

A que o senhor atribui esse conservadorismo do sistema?

É uma tendência natural da sociedade. Você vê isto nas empresas. Há quanto tempo a Ford fabrica automóveis? A nossa própria vida: você já trocou todo o conjunto de amigos? Você pode trocar lentamente, mas não da noite para o dia. O ser humano é assim. O conservadorismo nesse aspecto é, até de certa forma, necessário. Uma condição humana.

Por que Lula é o candidato antiestablishment, como o senhor escreveu recentemente?

Olha, quando eu escrevi esse artigo, vou te dizer que na realidade eu queria fazer uma provocação com um jogo de palavras, de expressões. Se o antiestablishment existir, é o Lula, não é? (risos). Foi na realidade mais uma brincadeira.

Uma brincadeira, mas com uma grande pitada de seriedade, não?

Como disse, foi uma provocação. Estou dizendo “a é?” porque o próprio establishment, pelo menos um segmento grande dele, resolveu, tentou ou está tentando alijar Lula da disputa eleitoral. Melhor, está tentando com sucesso.

Ele está sendo perseguido?

Eu não gosto de usar essa terminologia. Gosto de dizer o seguinte: se no senso comum todos os políticos, na minha visão, são corruptos, porque só um está preso e não pode disputar a eleição?

Seria importante a presença de Lula formalmente no processo eleitoral?

Sem dúvidas. Uma determinada elite, na verdade uma elite jurídica, de primeira, segunda e terceira instâncias, que é o Supremo, mais o TSE, decidiram tirar o Lula da disputa. O problema é que ele é só o candidato da preferência da maioria da população. Como vivemos em uma democracia, é uma confusão tremenda.

Haverá um custo alto pelo alijamento de Lula nas eleições?

Sim se o eleito não for do PT. Não tenho a menor dúvida.

O chamado plano B do PT, Fernando Haddad, tem força para vencer a eleição presidencial?

O PT é o favorito, mas o favorito pode perder. Não significa 100% de chances, mas 70%.

Muitos acreditam que a aposta na transferência de votos é arriscada. Concorda?

Não! Tem tempo. Isto acontece em dez dias. Olha, pega aí o Aécio na eleição passada. Ele empatou com a Marina na quinta-feira, três dias antes da eleição, e a distância que ele abriu na urna foi de 12 pontos. Quer dizer, em três dias ele abriu 12 pontos!

Mas dizem que o grande desafio é tornar conhecido o nome do plano B. Não sei se é brincadeira ou não, mas dizem que muitos falam de Haddad como “Andrade” no Nordeste…

No Nordeste, no Rio de Janeiro, mas o cara chega lá (segundo turno) com o nome de “Andrade” ou outro. Isso é o de menos. O grande fenômeno continua sendo Lula.

No livro O voto do brasileiro, o senhor refere que há um padrão de eleitores mais pobres com tendência a votar na centro-esquerda e de renda mais privilegiada votarem na centro-direita. Como entender nessa polarização entre ‘pobre de direita’ e ‘esquerda caviar’?

Isso sempre vai ter. Como eu falei antes, na análise nunca se fala em 100%. Proporcionalmente, os pobres votam mais na centro-esquerda e proporcionalmente os não pobres votam mais na centro-direita. Mas vai ter pobre que vai votar na direita, vai ter rico que vai votar na esquerda (risos). Não existe um bloco monolítico, é um percentual menor em um universo analisado. Faz parte. Qual o problema? Em todo o lugar tem isso. Você pega os mapas eleitorais de outros países e você vai encontrar isso. E até encontra mais, porque as sociedades são menos desiguais.

Por que a influência do voto religioso deve ser relativizada?

Não tem tanto a influência o voto religioso para a presidência. Tem alguma coisa? Tem, tem, mas não é determinante na eleição. Já para a Câmara e assembleias legislativas, aí é voto proporcional. No voto proporcional esses caras mobilizam as igrejas naturalmente. É o que acontece. Você tem lá um conjunto de igrejas que tem os seus candidatos e a campanha circula por ali, recursos, os próprios frequentadores, os fiéis.

Serviço O VOTO DO BRASILEIRO Alberto Carlos Almeida 280 páginas Editora Record
Serviço
O VOTO DO BRASILEIRO
Alberto Carlos Almeida
280 páginas
Editora Record
Imagem: Reprodução

Você precisa de gente na campanha. O voto é na pessoa e quanto mais gente você tiver do seu lado, fazendo campanha, melhor. As igrejas são capazes dessa mobilização. Mas, digo uma coisa, os evangélicos não vão ficar o tempo todo em um bloco monolítico. Talvez em algum momento surja uma divisão.

Um brasileiro editar um livro bilíngue em português-inglês pressupõe que o mundo está olhando para o Brasil?

Claro que olha! O Brasil é um país muito grande, tem um PIB imenso, não é um país rico porque o medidor seria o PIB per capita, mas é um país cujo volume de riquezas é muito grande. Não tem como os investidores ignorarem o Brasil. Ele tem influência em toda a região. É muito difícil uma empresa que queira atuar na América do Sul ignorar nosso país.

Marcelo Menna Barreto
No Extra Classe
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Desequilíbrio é, até agora, melhor pista sobre o esfaqueador




É preciso trabalhar com fatos e não com acusações  de ódio.

O mais provável é que o ataque a Bolsonaro seja obra de um desequilibrado mental.

Ficar especulando algo porque ele curtiu isso ou aquilo, eventualmente, no Facebook é trabalho de “Candinha”, não de jornalista ou “detetive”.

O que há de concreto é que ele assume autoria em declarações a Polícia e que agiu só, por “razões pessoais” e “a mando de Deus”.

Este estado de confusão mental é confirmado por Jussara Ramos, sobrinha de Adélio Bispo dos Santos, ao repórter Severino Motta, do Buzzfeed , relatando que ele é (ou era) missionário de igreja evangélica” e, nos últimos contatos que teve com a família “ficava falando sozinho e estava com ideias muito conturbadas”, alem de agressivo.

O vice de Bolsonaro, General Mourão, deu um exemplo de irresponsabilidade política ao fazer acusações contra o PT, sem qualquer indício, e ainda provocar, dizendo que “os profissionais da violência somos nós”.

Como ele e Bolsonaro são oficiais reformados, não podem nem mesmo se classificar como credenciados a exercer o poder de força estatal.

E ele devia lembrar que sua “tropa”, agora, não tem disciplina, não cumpre ordens e, em muitos casos, é formada por gente tão transtornada quanto o sujeito que esfaqueou Bolsonaro.

Fernando Brito
No Tijolaço
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