6 de set de 2018

Bozo é uma farsa e Alckmin é igual a ele

Seria hipocrisia dizer que estou surpreso, mas o fato é que a desfaçatez do PSDB nesta campanha é admirável.

O PSDB é o partido que tramou a derrubada da presidente Dilma desde o minuto em que ela foi reeleita (talvez até antes). Que colocou Temer no poder. Que idealizou, promoveu e sustentou as reformas antipovo. Que lutou para pegar o máximo de cargos no governo golpista e, aliás, continua com eles (Aloysio Nunes Ferreira, por exemplo, continua vice-presidente do PSDB nacional e continua ocupando o Ministério das Relações Internacionais). E agora quer dizer que não tem nada a ver com a destruição do país.

Que destruição, aliás? Alckmin diz lamentar o estado em que nos encontramos, mas não diz nada sobre as políticas que seu partido desenhou, apoiou e continua apoiando. É como se o Brasil estivesse sob algum flagelo bíblico e não sofrendo os efeitos do ajuste neoliberal. Lamentar os sofrimentos dos mais pobres, o desemparo dos trabalhadores, as deficiências dos serviços públicos e não relacioná-los com as reformas de Temer é simplesmente mentir. Alckmin defendeu todas elas. A bancada tucana deu apoio unânime à emenda constitucional que congelou o investimento público, um único voto contrário à reforma trabalhista e ampla maioria à terceirização irrestrita. Não vi nenhuma autocrítica, muito menos um anúncio de que eles se dispõem a rediscutir estas questões.

O que me leva ao outro ponto: o apelo político do PSDB depende centralmente da deseducação política. Depende de um eleitorado capaz de acreditar que as meninas do Pará vão ganhar hospitais federais perto de casa sem que o teto do gasto público seja revogado. Que, de preferência, nem saibam ou não entendam o que é o teto do gasto público.

É a mesma deseducação política que alimenta o eleitorado do Bozo, seduzido por soluções infantis e viciado na ausência de raciocínio. O que impõe a Alckmin uma duríssima tarefa: produzir um eleitor com discernimento suficiente para ver que Bozo é uma farsa, mas não tanto a ponto de ver que Alckmin é igual a ele.

Não sei se isso é possível. Talvez não seja. Por isso Alckmin corre o sério risco de ser o primeiro tucano a ficar em quinto lugar numa eleição presidencial.

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Fraude e deboche: pesquisa fajuta Globo/Ibope é maior escândalo da eleição

https://www.balaiodokotscho.com.br/2018/09/06/fraude-e-deboche-pesquisa-fajuta-globo-ibope-e-maior-escandalo-da-eleicao/

Primeiro, anunciaram a divulgação da nova pesquisa presidencial Globo/Ibope para a noite de terça-feira.

Na última hora, porém, ao conhecer os resultados, que não atendiam aos seus interesses, resolveram adiar o anúncio, alegando que precisavam consultar antes o Tribunal Superior Eleitoral.

Eram duas pesquisas: uma com o nome de Lula e outra com Fernando Haddad no lugar dele.

Em notas oficiais, Globo e Ibope justificaram o adiamento pela decisão do TSE de barrar a candidatura de Lula, na madrugada de sábado passado, após o registro da pesquisa Ibope na Justiça Eleitoral

Só que o TSE lavou as mãos e devolveu a bola para as empresas.

E o que fizeram Globo e Ibope?

Sem aviso prévio, colocaram no ar, às pressas, na noite de quarta-feira, apenas a pesquisa sem Lula e sem a indicação dos partidos dos candidatos, assim mesmo, a seco, sem maiores explicações.

O apresentador do jornal das 20 horas da Globo News interrompeu uma comentarista e passou a ler um comunicado da emissora, com a gravidade de quem está anunciando um novo Ato Institucional Nº 5.

Em seguida, leu nos gráficos os números da pesquisa sem Lula, em que Haddad aparece com 6%, para passar logo a palavra aos comentaristas, que deitaram e rolaram, eufóricos com o resultado.

Era como se Lula tivesse sido simplesmente tirado da tomada, não se falou mais nele.

Esse foi, em resumo, o enredo do maior escândalo desta campanha eleitoral até agora, que fez lembrar o caso do Proconsult, em 1982.

Naquele ano, para fraudar as eleições para o governo do Rio de Janeiro e impedir a vitória de Leonel Brizola, que acabaria eleito, a Globo manipulou a divulgação da contagem de votos.

Em 1989, a mesma emissora fez uma edição do debate entre Lula e Collor, em que só mostrava os melhores momentos do candidato apoiado pela emissora e os piores do petista.

Transformou um debate em que Collor levou ligeira vantagem numa goleada de 7 a 1 contra Lula.

Nada mais, portanto, pode surpreender o eleitorado quando estão em jogo os interesses superiores dos donos da mídia para determinar os rumos de uma eleição.

Desta vez, porém, a operação foi tão escrachada que cheirou a deboche, a apenas um mês da abertura das urnas, sem a definição do candidato do PT, enquanto Lula recorre aos tribunais superiores e Fernando Haddad ainda é apresentado como candidato a vice na propaganda eleitoral.

Escancararam o vale-tudo numa campanha suja, comandada pelo Judiciário, em que o establishment, para evitar nova vitória da esquerda, agora resolveu investir todas as suas fichas no que sobrou da Operação Lava Jato, o celerado ex-capitão do Exército Jair Bolsonaro, candidato da extrema direita hidrófoba.

São tão onipotentes que, se for preciso, pretendem ganhar por WO, eliminando todos os adversários.

E devem ter certeza de que ninguém está percebendo nada, é tudo jogo jogado, as instituições estão funcionando, e aquelas coisas todas que os comentaristas amestrados gostam de repetir, com um sorriso no rosto, como se tudo isso fosse normal.

Vida que segue.

Ricardo Kotscho
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Globo-Ibope esconderam: potencial de voto em Haddad

Haddad foi de 27% para 39% em duas semanas


Desde a última terça-feira (4), são fartas as evidências de que a Globo tenta manipular os resultados da pesquisa eleitoral que encomendou ao Ibope: prorrogou a divulgação dos resultados alegando que devido à impugnação da candidatura de Lula pelo TSE, não teria aplicado o cenário que continha Lula como opção, condição prevista no registro da pesquisa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Foi o que se viu na divulgação no Jornal Nacional e nas mídias conservadoras na noite desta quarta. A informação mais importante da pesquisa foi omitida e acabou saindo apenas na manhã desta quinta (6), escondida numa matéria do Estado de S. Paulo: a parcela dos eleitores que afirmam que votariam “com certeza” no ex-prefeito subiu nove pontos porcentuais, de 13% para 22%, desde 20 de agosto. E os que “poderiam votar” passaram de 14% para 17%. Ou seja: o potencial de voto do Haddad saltou de 27% para 39%. Tentaram fazer o país de trouxa. 

A Globo manipulou os resultados, numa manobra que lembra outras duas realizadas pela emissora da família Marinho, sua participação no escândalo Proconsult em 1982, com o objetivo de fraudar as eleições para governo do Rio de Janeiro e impedir a vitória de Leonel Brizola, que acabou eleito (leia aqui) e a edição do último debate da eleição presidencial de 1989, quando eliminou os trechos de melhor performance de Lula e apresentou apenas os que favoreciam Fernando Collor de Mello.

Leia abaixo o “Esclarecimento” do Ibope, n que nada esclarece:


A nota de “Esclarecimento” do Ibope parece propositadamente redigida para não esclarecer e apresenta argumentos que são ridicularizados no universo dos institutos de pesquisa do país:

1) Afirma o instituto registrou sua pesquisa no TSE em 29 de agosto, "cinco dias antes da data de divulgação, como prevê a lei" -mas a data da divulgação era, desde o início, ontem sete dias depois do registro;

2) diz que estava tudo pronto para o campo na pesquisa no sábado e domingo quando, diante da cassação de Lula no TSE na madrugada do sábado, o instituto teria retirado o questionário com o ex-presidente e mantido apenas um com Haddad e feito o campo. A informação é pouco crível, pois analistas de pesquisas informam que o campo de uma pesquisas dessas é todo articulado e seria difícil simplesmente tirar um questionário;

3) mesmo considerando a informação verdadeira, o que é pouco crível, a nota enrola-se ainda mais com uma mentira grotesca: "para estar de acordo com o julgamento e as determinações do TSE, o Ibope não pesquisou o cenário com Lula". Ora, a lei é clara e determina que todos os candidatos registrados sejam pesquisados, mas nunca houve vedação a que outros nomes fossem submetidos aos eleitores nos levantamentos, e o Ibope sabe disso desde sempre. Não há nenhuma vedação legal a que as pesquisas continuem apurando o nome de Lula. Tanto não proibição legal que o instituto incluiu Haddad como cabeça de chapa sem que ele seja candidato a presidente. O que há é um veto político a Lula da mídia conservadora e dos institutos de pesquisa a ela vinculados.

O juiz do TSE, Felipe Salomão, se absteve de orientar o instituto, que decidiu de comum acordo com a Globo publicar os resultados:

“[...] convicto de que agiu de boa fé e dentro da lei, e, ainda, no intuito de não privar o eleitor de informações relevantes sobre a situação atual das intenções de voto na eleição presidencial, o IBOPE Inteligência, decidiu liberar os resultados da pesquisa para divulgação, decisão que contou com o apoio dos contratantes TV Globo e O Estado de S. Paulo.” Fonte: http://ibopeinteligencia.com/noticias-e-pesquisas/jair-bolsonaro-segue-liderando-a-corrida-presidencial/

O instituto apresentou os dados obtidos com um título que nitidamente tenta emplacar uma realidade paralela e irreal na qual Bolsonaro seria líder nas pesquisas há algum tempo, ignorando por completo a liderança de Lula até então. A edição Globo-Ibope simplesmente apagou da memória a série de pesquisas com Lula, como se o nome do ex-presidente jamais tivesse sido submetido pelo instituto aos eleitores. Veja:


Na divulgação, Haddad aparece com irrisórios 6% de intenção dos votos, com metade dos votos de Ciro e Marina; além de ser o único dentre os testados que não venceria Bolsonaro em eventual segundo turno. O desempenho de Haddad é reflexo da má-fé do instituto de pesquisa que:

1) Não indicou a filiação partidária dos nomes apresentados aos eleitores por uma razão política e não metodológica: o PT tem quase 30% da preferência do eleitorado brasileiro e o questionário apostou na desinformação;

2) Um escândalo: a divulgação escondeu o resultado da questão P07, que se refere exatamente ao tema da transferência de votos de Lula para Haddad. A pergunta consta no registro da pesquisa realizado no site do TSE. A omissão dos resultado ao público é a comprovação taxativa que a operação Globo-Ibope é uma manipulação grosseira dos dados com objetivo político. A informação acabou saindo apenas na manhã desta quinta (6), escondida numa matéria do Estado de S. Paulo e contém o dado mais relevante da pesquisa: a parcela dos eleitores que afirmam que votariam “com certeza” no ex-prefeito subiu nove pontos porcentuais, de 13% para 22%, desde 20 de agosto. E os que “poderiam votar” passaram de 14% para 17%. Ou seja: o potencial de voto do Haddad saltou de 27% para 39%.

Veja abaixo a pergunta P07 no questionário do Ibope:


Outra evidência da manipulação grosseira: não foram divulgados os resultados da pergunta espontânea, que é prática consagrada nas pesquisas eleitorais, quando a pessoa menciona seu candidato sem que lhe seja apresentado previamente nenhum nome. Pior ainda: o próprio Ibope tinha essa questão nas pesquisas anteriores! É evidente que Lula muitas vezes mencionado, tendo em vista que, na última pesquisa do instituto, divulgada em 20 de agosto, o ex-presidente pontuou com 28% das indicações espontâneas, mais do que a soma de todos os outros candidatos indicados pelos eleitores: 22%.

Na divulgação de agosto, tanto o Ibope quanto a Globo e o jornal O Estado de S.Paulo deram com destaque a pesquisa espontânea, agora omitida. Veja o resultado de agosto na tabela do próprio Ibope:


Está patente que a operação Globo-Ibope, com O Estado de S.Paulo como sócio menor guarda pouca relação com o universo propriamente dito das pesquisas e é uma operação política que tem como objetivo interferir no resultado da eleição presidencial, no mínimo pelas seguintes razões:

1. Descumpriram a lei eleitoral 9504/97, que obriga que as pesquisas sejam realizadas exatamente como registradas, o que não fizeram quando retiraram a ficha que continha nome de Lula -ou, o que é informação corrente no mercado de pesquisas, esconderam o resultado do questionário com Lula, que o teria apresentado com 40% das intenções de voto;

2. Esconderam os partidos na apresentação dos nomes dos candidatos aos eleitores, para dificultar a identificação de Haddad pelos entrevistados;

3. Esconderam o resultado da questão P07 que trata da transferência de votos de Lula para Haddad;

4. Esconderam os resultados da questão P03 que trata da modalidade espontânea, que apresenta Lula em liderança isolada.

Essa conduta desmente a nota publicada pelo instituto que afirmou que “não quer privar o eleitor de informações relevantes” acerca do cenário eleitoral, e demonstra, que fez exatamente o oposto.

Diante disso, o PT, e demais partidos que prezam pela democracia, devem exigir que o TSE cumpra os artigos e parágrafos da lei eleitoral que seguem:

"§ 1º Mediante requerimento à Justiça Eleitoral, os partidos poderão ter acesso ao sistema interno de controle, verificação e fiscalização da coleta de dados das entidades que divulgaram pesquisas de opinião relativas às eleições, incluídos os referentes à identificação dos entrevistadores e, por meio de escolha livre e aleatória de planilhas individuais, mapas ou equivalentes, confrontar e conferir os dados publicados, preservada a identidade dos respondentes. 

§ 2º O não cumprimento do disposto neste artigo ou qualquer ato que vise a retardar, impedir ou dificultar a ação fiscalizadora dos partidos constitui crime, punível com detenção, de seis meses a um ano, com a alternativa de prestação de serviços à comunidade pelo mesmo prazo, e multa no valor de dez mil a vinte mil Ufirs. 

§ 3º A comprovação de irregularidade nos dados publicados sujeita os responsáveis às penas mencionadas no parágrafo anterior, sem prejuízo da obrigatoriedade da veiculação dos dados corretos no mesmo espaço, local, horário, página, caracteres e outros elementos de destaque, de acordo com o veículo usado.

Art. 35. Pelos crimes definidos nos arts. 33, § 4º e 34, §§ 2º e 3º, podem ser responsabilizados penalmente os representantes legais da empresa ou entidade de pesquisa e do órgão veiculador."

O que foi vendido aos eleitores e à opinião pública como “pesquisa” na noite desta quarta foi apenas mais uma operação de manipulação como as que a Globo tem realizado sistematicamente ao longo da história com o objetivo de atingir seus inimigos: Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, João Goulart, Leonel Brizola e, agora, Lula.

Thais Moya e Mauro Lopes
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Programa do PT inicia a transição: Lula apoia Haddad


Uma pequena frase – uma cartela, como a gente dizia na edição antiga de TV, antes de passarem a chamar de lettering – marcou, no programa de televisão do PT da tarde de hoje (com o mesmo bom conteúdo do de terça-feira, pois se usa programas novos à noite, em geral), o início da transição, que vai se consumar no dia 11, prazo fatal para a substituição da candidatura recusada pelo TSE, entre Lula e Fernando Haddad.

Você observa, nos destaques da imagem, comparada ao programa de terça (em amarelo), a frase decisiva.

Um simples Lula apoia Haddad que, neste caso, acrescentou apenas um “vice”, que desaparecerá depois, para que os ferozes juízes eleitorais não a proíbam,como vêm fazendo sistematicamente.

Aos apressadinhos, querendo “bombas” televisivas, recomenda-se, outra vez, calma e vagar.

A informação é uma semente, cujo brotamento depende do meio fértil do povo.

Proclamações solenes afastam, mais que aproximam.

O importante é que essa circule, comece a ser falada, vire assunto na venda, no boteco, no ponto do ônibus.

Que vire uma hera, que vai brotando por todo o tecido social.

É nesse em que vão votar, no candidato do Lula, a quem estão impedindo de participar, diretamente, da eleição.

Se é Haddad, Andrade ou o que for, é o “do Lula” e seu nome será bem fácil: 13.

O programa, para quem ainda não viu:



Fernando Brito
No Tijolaço
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Vingança e crueldade, dois aspectos da personalidade de Temer


Uma das características da personalidade de Michel Temer é o espírito vingativo. Até mesmo os amigos próximos reconhecem esse lado.

Começou sua carreira como advogado trabalhista. Perto de casar, resolveu aceitar um emprego fixo em uma central sindical. Pegou os casos que tocava e foi até um advogado que tinha escritório no mesmo prédio. O advogado, mais conhecido, esnobou-o.

Na primeira ação que participou, com o advogado defendendo a parte contrária, Temer foi de uma ferocidade a toda prova. Liquidou com a empresa defendida, movido exclusivamente pelo sentimento de revanche com o advogado.

Seus ataques a Geraldo Alckmin desnuda bem essa personalidade: vingança, somente vingança e com pitadas extras de crueldade.



Luís Nassif
No GGN
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Entrevista de Fernando Haddad


Fernando Haddad, candidato a vice-presidente, concede entrevista ao Congresso em Foco e programa My News

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Globo faz contra Lula o que fez contra Brizola há 36 anos


O caso Globo-Ibope é uma reedição atualizada e resumida de outra trama da família Marinho, o escândalo do Proconsult, 36 anos atrás. Desta vez, trata-se do engavetamento da pesquisa eleitoral do Ibope que apresentaria Lula liderando com 40% das intenções de voto (leia aqui a reportagem do 247 sobre o assunto). Em 1982, o caso foi ainda mais escabroso, uma tentativa de fraudar as eleições para o governo do Rio, vencidas por Leonel Brizola, considerado um inimigo figadal pelos Marinho, como Lula agora. 

O "Escândalo Proconsult", como ficou conhecido, leva o nome da empresa articulada por militares que venderam ao TRE do Rio um sistema de informatizado de computação dos votos. A mecânica da fraude era simples: transferia-se parte dos votos nulos ou em branco para outro candidato. Adivinhe quem? Moreira Franco! Ele mesmo, o braço direito de Temer, que ao longo do anos esmerou-se na prestação de serviços variados para a família Marinho.

Houve grande número de votos nulos e em branco naquelas eleições, porque o regime militar, para evitar uma derrota estrondosa, criou o o sistema do voto vinculado: para que um voto fosse válido era necessário que a pessoa indicasse todos os candidatos do mesmo partido -governador, senador, deputado federal, deputado estadual, prefeito e vereador. O governo contava que, com a organização nacional do partido da ditadura, o PDS (antigo Arena), garantiria a vitória sobre a oposição, que se apresentava dividida depois da reforma partidária que encerrara o bipartidarismo (Arena e MDB) e ainda em organização, com vários líderes retornando do exílio em seguida à anistia de 1979.

A Globo não era participante direta da fraude, mas as conversas nos bastidores sobre o esquema e a incompetência do sistema TRE-Proconsult eram frequentes, havendo previsão de que a apuração dos votos de 15 de novembro demandariam dias -o que de fato aconteceu, com o encerramento da apuração oficial acontecendo apenas em dezembro. Isso levou o Jornal do Brasil e a Rádio JB a montarem um processo de apuração paralelo, enquanto a Globo lançou-se gostosamente nos braços no projeto TRE-Proconsult. Para agravar, o jornal O Globo montou um esquema de apuração próprio, ainda mais incompetente, com o agravante de priorizar a apuração no interior do Estado, onde Moreira Franco tinha vantagem, em detrimento à da capital e Baixada Fluminense, vencida com ampla margem pro Brizola. O objetivo era criar o "fato consumado" da vitória de Moeira Franco.

A fraude foi desmontada exatamente pela cobertura paralela do Jornal do Brasil e Rádio JB, enquanto a Globo até a undécima hora apontava a vitória de Moreira Franco. Brizola, com sua coragem habitual, reuniu a imprensa internacional em 18 de novembro e denunciou o esquema -vivia-se ainda o clima opressivo dos estertores da ditadura. Mais ainda, numa entrevista ao vivo para a própria Globo, acusou a emissora de participar da fraude.

Agora, 36 anos depois, a Globo está mais uma vez envolvida em outra trama. Engavetou a pesquisa do Ibope que sairia num momento crucial do processo político eleitoral, às vésperas de uma decisão do STF sobre a candidatura Lula e na iminência da derrocada do candidato do golpe e preferido dos Marinho e das elites, Geraldo Alckmin.

A Gobo não se emenda. Atuou ferozmente contra Getúlio Vargas, falsificando informações em conluio com militares da Aeronáutica na "República do Galeão" em 1954. No início dos anos 1960, os Marinho estiveram na linha de frente da articulação que levou ao golpe de 1964; em 1968, clamou pelo AI-5 e pelo fechamento do regime militar, com a consequência da onda de prisões, torturas e assassinatos de opositores da ditadura; em 1983-1984, boicotou abertamente a campanha das Diretas Já; em 1989 apresentou uma edição falsificada do debate final entre Lula e Collor que foi considerada decisiva para a vitória do representantes das elites naquela eleição; opôs-se de maneira virulenta a Lula e Dilma nas eleições de 2002, 2006, 2010 e 2014, liderando o golpe de Estado de 2015-16 e a perseguição a Lula.

Dizem ser uma empresa de jornalismo. Seu currículo mostra ser uma empresa de golpes contra o povo. Um atrás do outro. 

Mauro Lopes, Jornalista e editor do 247 e do blog Caminho pra casa
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Fachin abriu divergência com ele mesmo


Fachin só defendeu a ONU no TSE porque sabia que era voto vencido. Queria fazer média com a história e limpar uma parte da sua biografia. Mas, sujou as mãos logo depois.

A rigor, Lula e o PT não deixaram que Fachin se safasse do seu cinismo e é por isso que Lula e o PT são as maiores reservas de caráter do país.

Lula obriga seus adversários sabotadores e antidemocráticos a sujar as mãos. É a letra da história versus a letra podre de um judiciário já expurgado por essa mesma história.

Fachin pagou o mico de ter que revelar seu golpe interno de falta de caráter três dias depois da sua encenação grotesca.

Eu mesmo imaginei que seria constrangedor demais mudar de opinião sobre um assunto tão crucial e dramático em tão pouco tempo. Achei que Fachin iria jogar para o plenário na habitual transferência de responsabilidade que grassa naquela corte.

Mas, ele conseguiu a proeza de não se importar em revelar sua imoralidade técnica, teórica e subjetiva.

Conseguiu, não: foi obrigado. Obrigado por Lula que, pessoalmente, orientou o recurso ao STF.

O poder judiciário brasileiro é o mais brasileiro dos poderes judiciários, no sentido pejorativo e elitista da palavra.

A justiça brasileira foi carnavalizada. É uma grande avacalhação. São piores que os políticos de curral do PSDB. É a justiça do jeitinho, a justiça da ginga, a justiça da Globo.

Nós vamos ter que construir um novo poder judiciário e jogar esse no lixo. De tão podre, ele não serve nem para reciclagem.

É tóxico, repulsivo e pavoroso.

Gustavo Conde
No Esquerda Caviar
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No Twitter, Santo chama Temer de ilegítimo


"O problema do governo Temer não são os ministros, mas o presidente, que não tem nem a liderança nem a legitimidade necessárias", disse o tucano.


Geraldo Alckmin respondeu aos vídeos com as críticas de Michel Temer ao PSDB e ao candidato tucano. Em seu perfil no Twitter, o candidato tucano chamou Temer de ilegítimo: “O problema do governo Temer não são os ministros, mas o presidente, que não tem nem a liderança nem a legitimidade necessárias”, disse o tucano.

“Eu não votei no Temer, ele era da chapa da Dilma. Eles se escolheram duas vezes. Houve um impeachment, acompanhado de perto pelo STF, e nós temos responsabilidades para com o Brasil e os brasileiros. Votamos no que acreditamos, independentemente de fazer parte do governo”, completou Alckmin em seu perfil no microblog.

O presidente Michel Temer divulgou em sua conta do Twitter, na noite desta quarta-feira (5), um vídeo direcionado ao candidato à presidência pelo PSDB, Geraldo Alckmin.

No vídeo, o emedebista “rebate” as críticas feitas ao seu governo pelo tucano em sua campanha eleitoral. Alckmin, que tem sido colocado como o “candidato de Temer”, afirma em sua campanha que o Brasil piorou em inúmeras áreas como educação, saúde e geração de empregos.

No Fórum
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Vídeos de Temer em apoio a Geraldo serão decisivos para o candidato tucano






Após decolagem fantástica do representante dos homens bons no certame eleitoral, Alckmin recebe agora o decisivo apoio de Temer, que certamente o levará aos píncaros da campanha eleitoral, assegurando-lhe a vitória completa sobre os demais candidatos.

Alvíssaras!

Geraldo é 4,5!

Prof. Hariovaldo
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Santiago: Lula, pesquisa bate no teto


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O que muda com a pesquisa Ibope?


Quinze dias é o tempo necessário para a propaganda e a mobilização transferirem para Haddad os 60% de eleitores lulistas dispostos a acatar uma indicação aberta de seu líder

A pesquisa do Ibope, divulgada na noite de ontem, deve ser recebida com tranquilidade pelos petistas. Tranquilidade e sangue frio.

Os resultados eram previsíveis: Bolsonaro com 22%, Marina e Ciro com 12%, Alckmin com 9% e Fernando Haddad com 6%. Na prática, pouco mudou, em termos de equilíbrio relativo, se essa pesquisa for comparada com as anteriores, do mesmo instituto, em cenários sem Lula.

Cada candidato mais relevante, com exceção de Marina, cresceu entre 2 e 3%, recebendo uma fração espontânea de eleitores lulistas que já estão informados da impugnação decidida pelo TSE no último dia 31, mas ainda não têm conhecimento de qual a candidatura que será defendida pelo ex-presidente.

Os votos nulos, brancos e indecisos continuam elevados, na casa dos 28%, com uma queda da ordem de 6% que equivale quase exatamente ao lote de votos que se redistribuiu entre os cinco melhores colocados.

 Trata-se de um período de transição. Enquanto todos os postulantes já estão abertamente na pista, o PT luta pelo direito democrático do seu líder histórico ser candidato.  Se a mesma pesquisa tornasse público o resultado do cenário com Lula na cédula, ficaria claro que a tática petista continua a funcionar mesmo depois da decisão do TSE e do início do programa eleitoral gratuito, com Lula ultrapassando os 40% das intenções de voto.

Se o PT for realmente obrigado a trocar de candidato, a partir de uma orientação pública e contundente do ex-presidente, nesse momento o cenário irá mudar completamente.

Ainda teremos uma ou duas semanas de certa dispersão do voto petista, com todos seus adversários ganhando algum contingente desse setor, particularmente Ciro Gomes, mas a inversão de tendência logo se fará sentir.

Claro que o antipetismo tudo fará para estimular desânimo e confusão nas fileiras lulistas. A realidade, porém, logo se imporá. Quando a palavra de Lula se espalhar pelo país, a máquina eleitoral petista se colocar em movimento e o PT tiver explicitamente um novo candidato, a situação se reverterá em menos de três semanas.

Um cálculo razoável aponta que, ao redor do dia 25/9, pouco mais de dez dias antes das eleições, Haddad estará com uma intenção de voto entre 22 e 25%, Bolsonaro continuará entre 18 e 20%, Alckmin entre 13 e 15%, Marina e Ciro entre 11 e 13%.

A base dessa conta é simples: quinze dias é o tempo necessário para a propaganda e a mobilização transferirem para Haddad os 60% de eleitores lulistas dispostos a acatar uma indicação aberta de seu líder.

Os demais 40% se dividirão entre outras candidaturas e, majoritariamente, comporão a cesta dos votos nulos e brancos, que serão arduamente disputados nos últimos dez dias de campanha.

Nessa frente, por razões óbvias, Haddad terá claras vantagens e poderá chegar ao segundo turno próximo dos 30%. Essa tendência tem, como maior risco, eventual rejeição de Haddad por uma fatia expressiva do eleitorado petista, se não o entendê-lo como leal a Lula ou suficientemente confiável para implantar o projeto representado pelo ex-presidente.

O PT, no entanto, já está cansado de saber quais os custos a pagar quando se deixa levar, no intuito de “ampliar” simpatias, pela diluição da identidade popular e pelo arrefecimento da polarização. Pesquisas também dão o mapa da estrada: a transferência, se necessária, será facilitada a partir de uma postura pela qual Fernando Haddad seja visto como o caminho para Lula ser libertado e governar o país.

Parafraseando os peronistas de 1973, na Argentina, se a clara consigna da campanha for “Haddad ao governo, Lula ao poder”.

No mais, os únicos fatos relevantes da pesquisa do Ibope são a estabilidade de Bolsonaro como o nome da direita para o segundo turno e o contínuo raquitismo de Geraldo Alckmin.

Tudo indica, para a segunda volta, uma disputa sangrenta entre civilização e barbárie. Entre o PT, com Lula ou Haddad, e o neofascismo tão ao gosto das oligarquias.

Breno Altman
No Opera Mundi
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A segunda onda Bolsonaro


Assim como no mercado de ações, as campanhas eleitorais são compostas por ondas sucessivas, influenciadas pelo fenômeno do “overshooting”.

Funciona assim:
  1. Há uma valorização do ativo, quando se apresenta como novidade. Qualquer notícia positiva é superestimada.
  2. Chega determinado momento que o mercado (de ações ou da opinião pública) julga que o ativo ficou caro. Segue-se um período de realização de lucros, em que o investidor (ou eleitor) reconsidera suas análises.  Qualquer notícia negativa é superestimada, em um processo inverso ao do período anterior.
  3. Segue-se uma corrida de venda, até que o ativo volta a ser considerado barato e desperte nova onda de compras – ou, então, vira pó.
A candidatura Bolsonaro cumpriu a etapa 1 do modelo. Houve um aumento em sua taxa de rejeição. Mas não houve queda nas intenções de votos.  Nesse período, o fato novo foi seu desempenho nas sabatinas do Jornal Nacional com candidatos, nas quais ele foi o que melhor se saiu.

Nos anos em que acompanhava mercado, e nos anos em que acompanho política, aprendi a identificar sinais para saber quando os personagens políticos estão “comprados” (isto é, com o mercado aguardando sua valorização) ou “vendidos”.

Não é nada científico o método. É apenas uma prática de ouvir opiniões em diversos locais, pesar aquelas que podem estar se generalizando ou não. E o que se percebe, depois da primeira onda Bolsonaro, é a segunda onda.’

De um lado, do partido do “porque me ufano de ser ignorante”. Falha cada tentativa de mostrar o candidato como ignorante por dois motivos. Primeiro, pela identificação do eleitor com o personagem. Cada ataque à ignorância de Bolsonaro é um ataque pessoal a cada bolsominion.

O segundo grupo é o dos que querem ver o circo pegar fogo, não importa quem seja o piromaníaco. O Brasil institucional – os três poderes, partidos políticos, mais a rede Globo – falhou. Há um jogo oportunista de todos os lados, do Supremo ao mínimo poder, escancarando a hipocrisia do Brasil oficial.

Dizem os analistas que, com o horário gratuito, Bolsonaro será destruído.

Eles conhecem o mercado eleitoral. Se a base de comparação for o mercado de capitais, Bolsonaro continua sendo comprado. Em breve as pesquisas indicarão a segunda onda.

Luís Nassif
No GGN
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Temer diz que Santo é Temer


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Potencial de transferência de votos de Lula para Haddad aumenta, informa Ibope


Reportagem de Daniel Bramatti no Estado de S.Paulo informa que o potencial de transferência de votos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para Fernando Haddad (PT) aumentou nas duas últimas semanas, segundo a série de pesquisas Ibope/Estado/TV Globo nas eleições 2018. O instituto perguntou aos entrevistados se, com Lula fora da disputa e declarando apoio ao ex-prefeito de São Paulo, eles com certeza votariam, poderiam votar ou não votariam de jeito nenhum em Haddad.

De acordo com a publicação, a parcela que, nessa hipótese, votaria “com certeza” no ex-prefeito subiu nove pontos porcentuais, de 13% para 22%, desde 20 de agosto, quanto o Ibope fez pela primeira vez essa pergunta. E os que “poderiam votar” passaram de 14% para 17%. Os porcentuais se referem ao universo total de entrevistados, não apenas aos que simpatizam com Lula.

Os que não votariam em Haddad apoiado por Lula em nenhuma hipótese ainda são a maioria absoluta do eleitorado, mas essa parcela caiu de 60% para 53% em duas semanas, completa o Estadão.

No DCM
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Ibope, desmoralizado, solta sua pesquisa mutilada


Recomenda-se passiflorina aos que não tiverem nervos fortes, nos próximos dez dias.

O jogo foi jogado escandalosamente pela Globo e pelo Ibope, divulgando uma pesquisa escandalosamente fajuta, porque dirigida a dar um resultado que não condiz com a realidade política revelada, pelo próprio instituto de pesquisa, ao apontar 37% de preferência por Lula.

Haddad com 6% e um decréscimo de 2% apenas nas respostas não sabe/não respondeu isso significaria que  apenas um em cada seis eleitores de Lula votaria em Fernando Haddad.

É tão ridículo que não pode ser levado a sério.

O jogo é exatamente este: apresentar Haddad como inviável, quando o seu “problema” é exatamente a falta de comunicação de que será o candidato de Lula, a confirmar-se a exclusão do ex-presidente da disputa eleitoral.

Até a pesquisa do XP/Itaú admite que  a transferência para Haddad passa do dobro.

Para iludir o eleitorado de classe média ainda progressista, inflaram Ciro, que não atinge este percentual de 12% em nenhuma pesquisa.

Não tenha ilusões: a guerra mal começou e eles contam começar a vencê-la com o desânimo que injetam com este “desparecimento” dos votos de Lula.

É por isso que não podem divulgar o quanto eles são e são muitos e cada vez mais.

Só têm uma chance de vencerem: aquela em que aceitemos o jogo que jogam.

O fraco morre de véspera, é aquilo com que contam, inclusive nos semeando dúvidas e vacilações.

O melhor candidato “deles” tem apenas um quinto do eleitorado e não consegue atrair o voto dos outros.

Nunca tiveram seu “campeão” com tão poucos votos: nem Serra, nem Alckmin, nem Aécio, nem Marina, como segundo colocado com proporção tão baixa.

Lá em cima, reproduzo a divulgação do Datafolha de 3 de setembro de 2014, para recordar o que eles fazem com os números, para estimular confusões

Ou, talvez, o que terão de fazer rapidamente agora para se adequarem à verdade.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Fachin rejeita recurso de Lula para permanecer candidato a presidente


O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin rejeitou recurso apresentado pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que pedia que o cumprimento da recomendação do Comitê de Direitos Humanos da ONU pela manutenção dos direitos políticos do petista, permitindo que ele disputasse a eleição ao Palácio do Planalto.

Fachin afirmou, em decisão divulgada na madrugada desta quinta-feira no site do Supremo, que o pronunciamento do Comitê dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas “não alcançou o sobrestamento do acórdão recorrido, reservando-se à sede própria a temática diretamente afeta à candidatura eleitoral”.

“As alegações veiculadas pela defesa não traduzem plausibilidade de conhecimento e provimento do recurso extraordinário, requisito normativo indispensável à excepcional concessão da tutela cautelar pretendida”, acrescentou.

No pedido formulado ao STF, os advogados do ex-presidente argumentavam que o Brasil reconheceu a competência do comitê da ONU para analisar comunicados individuais sobre violações de direitos humanos e que cabe ao Judiciário brasileiro apenas dar cumprimento às obrigações internacionais do país.

O recurso foi apresentado depois que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu por 6 votos a 1 barrar a candidatura de Lula ao Palácio do Planalto com base na Lei da Ficha Limpa, que torna inelegíveis condenados por órgãos colegiados da Justiça.

Fachin, que também é integrante do TSE, fora justamente o único a votar favoravelmente a que o ex-presidente permaneça na disputa presidencial, baseando-se fundamentalmente na recomendação da ONU.

No Reuters
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Museu Nacional simboliza o Brasil que vemos e que será visto

Um exame sem complacências do estágio a que o país chegou mostrará que nada mais resta, na realidade nacional, do percurso traçado na Constituição para se construir uma nação digna, próspera e humanitária: uma democracia de direito e de fato.

Em sua primeira página de terça-feira, The New York Times ligou a perda do Museu ao “declínio de uma nação”. Não é caso de declínio, propriamente. O Brasil apenas começara a esboçar, na lentidão de 30 anos, uns poucos e desconexos traços de democracia — com a redução de algumas desigualdades no governo Lula e com a denúncia (mais barulhenta do que resultante) de alguns dos muitos preconceitos.

Não chegou a sair do que sempre foi, país injusto, atrasado, sob domínio pétreo de uma classe ultraminoritária e provinciana.

A impressão de declínio tem origem nítida: as aparências se dissolvem. Judiciário, Congresso e Executivo mostram-se e são vistos por trás das suas pompas e ritos. O primeiro deles ainda é, para muita gente, chocante no que expõe. Não é para menos. Está aí, por exemplo, em cada fala de Jair Bolsonaro, a pregação escancarada do assassinato em massa, do preconceito em todas as suas formas, do fim dos direitos. Seu palavrório é contrário a tudo o que a Constituição exige, é “fora da lei”, mas é livre, aceito sem restrição pelo Ministério Público (sic) e pelo Judiciário.

Um desprezo pela ordem legal que as duas instituições já demonstraram, com igual ênfase, na aceitação aos abusos de poder e outras ilegalidades que oneram a Lava Jato.

Ao despir-se do rigor irrestrito devido por um Tribunal Superior, o Eleitoral valeu-se de meios ilegítimos para o seu propósito. Dessa instância de Justiça não poderia sair a defesa do descumprimento, pelo país, de um tratado internacional. Ainda pior se feita com apoio em tradução malandra, que troca pedido por recomendação, e na inverdadeira qualificação do Comitê integrante do Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU como “apenas comitê administrativo”.

O Comitê que, dadas as dúvidas, pediu providências ao Brasil, para assegurar o direito de Lula a candidatar-se, é instância de análise comparativa de fatos, informações e textos de tratados sobre direitos humanos e determinados direitos civis. Nada de administrativo.

Deve-se supor que todos os magistrados do TSE saibam o que são o Comitê e o tratado de que o Brasil é signatário. Mas só um dos sete, Edson Fachin, foi capaz de votar pelo respeito do Brasil ao seu compromisso.

Se assim é o exibido pelo poder que ainda chocou muita gente, com sua explicitude, os outros nem valem algumas palavras. Nada, porém, se deu e se dá por efeito da corrupção, usada no Brasil para explicar todos os males. A corrupção não é causa, é efeito. Assim como a violência, cuja expansão pelo país, por meio das grandes quadrilhas organizadas, já a tornou indomável. E com a propensão a tornar-se um novo poder armado, em razão de dois fatores.

A falta de emprego, que é o primeiro, precisa hoje da criação de mais 24 milhões de novos postos trabalho. Logo serão 30, depois 40 milhões. Desemprego continuado é um apelo à criminalidade. E a força crescente da criminalidade é um apelo ao grande incêndio. O outro fator está na ausência de poderes, oficiais e privados, leais às suas responsabilidades.

Os poderes compostos para orientar a construção da democracia, como pretendida pela Constituição, traem a ordem democrática.

Janio de Freitas
No fAlha
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Temer enterra o Santo


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