5 de set. de 2018

Com Alckmin rifado, só resta Bolsonaro para a direita enfrentar o PT

https://www.balaiodokotscho.com.br/2018/09/05/com-alckmin-rifado-so-resta-bolsonaro-para-a-direita-enfrentar-o-pt/

Dá até pena de ver tanto dinheiro gasto e tanta bala perdida para acabar com Lula e o PT.

Nem com todas as instâncias do Judiciário, “com Supremo com tudo”, com quase toda a mídia, com todas as sacanagens do “mercado”, dos robôs das redes sociais e agora também dos institutos de pesquisa, não tem jeito.

Com Geraldo Alckmin entalado em um dígito, e Lula e Fernando Haddad subindo a cada pesquisa, só restou Jair Bolsonaro para a direita golpista enfrentar o PT no segundo turno, que é neste momento o cenário mais provável.

Tentaram até inventar as candidaturas de Luciano Huck e Joaquim Barbosa, chegaram a inflar João Doria, botaram na roda o patético Henrique Meirelles, mas era Geraldo Alckmin o nome governista mais confiável, após a aquisição da base aliada de Michel Temer alcunhada de Centrão.

De nada adiantou o vexame escandaloso de adiar a divulgação das novas pesquisas do Ibope e do Datafolha: na mesma terça-feira, que enlouqueceu o “mercado” com o vazamento dos primeiros números, o braço judiciário do esquema resolveu fechar o cerco a Geraldo Alckmin, acusado de receber R$ 10 milhões de caixa dois da Odebrecht para campanhas eleitorais.

O Ministério Público de São Paulo pede que Alckmin devolva os valores e a suspensão dos seus direitos políticos, o que o tiraria da campanha já agonizante a esta altura.

Por via das dúvidas, os tubarões de todos os setores da economia chamaram para conversar Jair Bolsonaro, também conhecido por Boçalnaro nas redes sociais, o candidato da extrema direita que promete “metralhar a petralhada”.

Líder nas pesquisas sem Lula desde o começo do ano, o ex-capitão afastado do Exército tornou-se o mais competitivo entre os que fizeram do anti-petismo uma bandeira eleitoral e uma razão de viver.

Foi o que sobrou depois do furacão da Lava Jato, que detonou o sistema político-partidário e a economia, para tirar Lula da eleição presidencial de 2018, que poderia vencer já no primeiro turno.

Mas não adiantou nada condenar e prender Lula, já que o ex-presidente não parava de subir nas pesquisas, pois o tucano Geraldo Alckmin até agora não conseguiu sair do lugar e também virou alvo da Lava Jato.

As baterias então se voltaram contra Fernando Haddad, o substituto de Lula na cabeça de chapa do PT, com o MP desencavando uma velha delação, mas o ex-prefeito também começou a subir nas pesquisas, mesmo antes de ser formalizado como candidato.

Devem ter ficado ainda mais preocupados depois de ver a firmeza de Haddad na defesa de Lula e do partido na propaganda eleitoral e, logo em seguida, numa entrevista ao Jornal da Record News, de Heródoto Barbeiro, em que ele contestou com toda veemência as acusações e críticas que se fazem a ele e ao PT.

Também foi a primeira vez nesta campanha eleitoral que deixaram o herdeiro do baú de votos de Lula aparecer na televisão aberta, e já podem fazer as contas do que vai acontecer quando Haddad for oficializado como candidato do PT nos próximos dias.

Sai a chapa Lula-Haddad, entra a chapa Haddad-Manu, e o cenário não muda.

No desespero, serve qualquer um, e daqui a pouco vão apresentar Jair Bolsonaro como um grande estadista, o salvador da pátria dos endinheirados, com seu Posto Ipiranga a reboque.

É o que temos para o momento, no meio do dia desta quarta-feira.

Vida que segue.

Ricardo Kotscho
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Ministros do Temer não querem ser chamados de Ministros do Temer

Mendoncinha, da Educação (sic), tem vergonha de servir ao Golpe


De Amanda Almeida, no Globo

Ex-ministros pedem à Justiça Eleitoral para não serem chamados de 'turma de Temer' por adversário

Ex-ministros de Michel Temer, os deputados federais Bruno Araújo (PSDB) e Mendonça Filho (DEM) fazem campanha para o Senado, em Pernambuco, propagando que conseguiram verbas para o estado à frente das pastas das Cidades e da Educação, respectivamente. O “orgulho” de ter feito parte da gestão do emedebista, no entanto, termina aí. À Justiça Eleitoral, a dupla pediu que o adversário Humberto Costa (PT) retirasse publicação nas redes sociais, na qual se refere a eles como “A Turma do Temer em Pernambuco”. Conseguiram uma liminar — decisão provisória — para barrar a postagem. À espera da sentença definitiva, no entanto, receberam um parecer frustrante da Procuradoria Regional Eleitoral.

“Não caracteriza notícia falsa publicação que denomina aliados políticos do presidente da República como ‘A Turma de Temer em Pernambuco’. Deve admitir-se linguagem informal, típica de redes sociais, com certa acridade e tom evidentemente crítico, próprios de campanha eleitoral, se a publicação não caracteriza conteúdo ofensivo nem ataque à honra dos representados, apenas exercício da liberdade de expressão”, diz Wellington Cabral Saraiva, procurador regional substituto, em seu parecer.

Em Pernambuco, os dois ex-ministros estão na chapa adversária do governador Paulo Câmara (PSB), candidato à reeleição, que é apoiado pelo PT. Eles estão aliados ao senador Armando Monteiro (PTB), que tenta se eleger governador. O trio tem, ainda, o apoio do senador Fernando Bezerra Coelho (MDB), que se tornou líder interino do governo, depois de o senador Romero Jucá (MDB) abandonar o cargo, na semana passada.

Para a explorar a ligação da dupla com o presidente mais impopular do país desde a redemocratização, segundo o Datafolha, o senador Humberto Costa (PT), que tenta um novo mandato, reuniu a foto de todos em uma postagem e deu o apelido de “A Turma do Temer em Pernambuco”. Em pesquisa de junho, a gestão de Temer foi avaliada como ruim ou péssima por 82% dos entrevistados do instituto. Apenas 3% se referiram à ela como ótima ou boa. Para 14%, o governo do emedebista é regular; e 1% não têm opinião sobre o tema.

(...)

No CAf
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Acabou o amor: membros do MBL apanham em protesto contra destruição do Museu Nacional


Membros ainda não identificados do grupo fascista Movimento Brasil Livre (MBL) tiveram a infeliz ideia de comparecer ao grande ato, predominantemente de esquerda, do dia 3 (segunda-feira) na Cinelândia, que aconteceu em protesto pelo catastrófico incêndio no Museu Nacional, ocorrido um dia antes (domingo, 2) no Rio de Janeiro.

O tumulto teria começado após um dos meliantes infiltrados no ato inadvertidamente pedir a palavra para provocar. Um deles usava luvas, possivelmente na expectativa de agredir alguém. Rapidamente, percebeu que a vida real não oferece a mesma segurança que a Internet, momento em que se viu obrigado a enfrentar a fúria dos presentes, onde acabou sendo expelido pela multidão aos gritos de “racista, fascista, não passarão”.

Não há informações sobre o estado de saúde dos direitistas.

Seguem as fotos da multidão revoltada, respondendo aos provocadores fascistas na mesma medida:

fasco11
fasco10
fasco9fasco8fasco7fasco5
fascofasco

No Causa Operária
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Hipócritas choram sobre as cinzas do Museu Nacional

Foto feita com uso de drone mostra a destruição do Museu Nacional, no Rio,
provocado pelo incêndio ocorrido domingo, 2.
Uma menina de três ou quatro anos visitava o Museu Nacional na primeira metade da década de 1990. Ao se deparar com uma profusão de animais empalhados, sobretudo pássaros, começou a chorar. Seu pai afligiu-se, abraçou-a e perguntou: “O que foi, filha?” Aos soluços, ela respondeu: “Eu não queria que eles tivessem morrido”.

O pai improvisou um papo cabeça, mas as lágrimas só estiaram com a lembrança de que logo caminhariam para o Jardim Zoológico, ali pertinho. Não faltariam bichos vivos no passeio pelo bairro de São Cristóvão. Dali a alguns anos, a menina alegrou-se ao regressar ao museu que a emocionara. As novas gerações não verão o que a Maria viu.

Desde o domingo à noite não há mais espécimes empalhados – expostos ou na reserva técnica – no palacete da Quinta da Boa Vista. Nem, talvez, o mais antigo fóssil descoberto no país, o crânio de Luzia, jovem brasileira de uns 12 mil anos – seus “traços lembravam nossas origens africanas”, anotou a jornalista e escritora Eliana Alves Cruz. Foram consumidos os ossos do Maxakalisaurus topai, o Dinoprata, primeiro dinossauro de grande porte montado no Brasil. Herbívoro, ele viveu há 80 milhões de anos.

Queimaram as coleções de arte greco-romana e egípcia. As borboletas e as conchas. O fabuloso acervo etnológico das culturas afro-brasileira e indígena. Maciço de 5 toneladas encontrado em 1784, o meteorito do Bendegó sobreviveu às chamas não como pedra fundamental de um reinício, mas como testemunho da ruína de um museu e de uma nação.

Escaparam 10% dos mais de 20 milhões de itens do principal museu de ciências naturais e antropológicas da América Latina, o mais longevo do Brasil. Pereceram as matérias-primas às quais dedicaram vidas inteiras pesquisadores de zoologia, botânica, arqueologia, antropologia social e numerosas outras áreas de transmissão e produção do conhecimento. “Essa é uma perda enorme para o Brasil e o patrimônio mundial”, manifestou-se o Museu do Louvre. O Museu de História Natural britânico lastimou a “perda devastadora para o patrimônio e a ciência”.
Frequentar o museu era um programa de pegada popular. Acabou.
Nesta terra cujos donos semeiam, colhem e perpetuam segregação, o Museu Nacional se tornou um atípico destino democrático no Rio. Ninguém precisava de dinheiro para conhecer, em viagem a Londres ou Nova York, uma estatueta de guerreiro etrusco fundida meio milênio antes de Cristo. O museu possuía uma belíssima.

Ele exibia uma legítima múmia brasileira de 1.100 anos. Bem como um trono, do limiar do século 19, do reino africano do Daomé. E máscaras de sete décadas, confeccionadas por povos indígenas do Alto Xingu. Frequentar o museu era um programa de pegada popular. Acabou.

Meteorito de Bendegó encontrado em 1784, foi um dos poucos artefatos que sobreviveu às chamas.
Meteorito do Bendegó, encontrado em 1784, foi um dos poucos artefatos que sobreviveu às chamas.
Foto: Marcelo Fonseca/Folhapress

Sucessivos governos

Não foi por falta de aviso. Em 2004, um secretário estadual do Rio advertiu: “O museu vai pegar fogo. São fiações expostas, malconservadas, alas com infiltrações”. Em abril e maio de 2018, às vésperas do bicentenário da instituição, reportagens de Roberta Jansen, Bárbara Carvalho e Marco Aurélio Canônico expuseram a manutenção precária. Uma infestação de cupins provocou no ano passado a interdição da sala dos dinossauros. Para reabri-la, o museu improvisou uma vaquinha.
Em 2004, um secretário estadual do Rio advertiu: “O museu vai pegar fogo. São fiações expostas, malconservadas, alas com infiltrações.”
Governantes nunca demonstraram apreço, além do diplomático, pelo Museu Nacional. O antropólogo Luiz Fernando Dias Duarte, diretor-adjunto do museu, disse à GloboNews que Juscelino Kubitschek foi o último presidente a visitar o local, seis décadas atrás. E que nenhum ministro compareceu à celebração dos 200 anos, em junho.

Fundado por Dom João 6º em 1818, com sede no Campo de Santana, o museu funcionava desde 1892 no palacete de São Cristóvão onde havia morado a família imperial brasileira. O lugar foi endereço residencial dos imperadores Pedro 1º e Pedro 2º e da princesa Isabel. Naquele casarão de três andares se reunira, em 1891, a Assembleia Constituinte pioneira da República. Erguido no princípio do século 19, tinha sido doado à família real portuguesa por Elias Antônio Lopes, um traficante de africanos escravizados.

É tão impróprio omitir a culpa de sucessivos governos na decadência e degradação do museu quanto igualá-los no que foram diferentes. Nenhum deles se dispôs a investir na promoção a estabelecimento com padrão museológico exemplar, inclusive com segurança efetiva contra incêndios, embora seu acervo constituísse monumental e irrecuperável patrimônio científico e histórico.

O paleontólogo Sérgio Alex Azevedo, diretor do Museu Nacional em 2004, declarou então que a crise perdurava 40 anos. Agravara-se devido a descaso. Sobreveio melhora, insuficiente, para os museus brasileiros. Levantamento do Instituto Brasileiro de Museus contabilizou que de 2001 a 2011 os fundos anuais para o setor haviam aumentado 980%, de R$ 20 milhões para R$ 216 milhões. Esse período corresponde a dois anos de governo FHC, oito de Lula (o maior salto) e dois de Dilma. O dinheiro é público, reconhecendo nessa categoria o oriundo de renúncia fiscal.

O Museu Nacional se vincula à UFRJ. De 2013 a 2017, as transferências federais para ele caíram pela metade. De janeiro a agosto de 2018, resumiram-se a R$ 98 mil, o equivalente à despesa média do poder público com um só magistrado em dois meses. Numa palavra, penúria. O número de visitantes caiu.

Sem caixa para pagar os serviços terceirizados de segurança e limpeza, o museu interrompera a visitação em janeiro de 2015. A universidade queixou-se à época de contingenciamento de recursos pelo Ministério da Educação no ano anterior, o quarto de Dilma Rousseff no Planalto. E registrou atraso nos repasses por causa da demora do Congresso em aprovar o Orçamento, cujo relator-geral era o senador Romero Jucá. Em dezembro de 2016, as portas de novo foram fechadas provisoriamente.

Homem do cafezinho

Derramam lágrimas de hipocrisia sobre as cinzas do Museu Nacional. “É um dia triste para todos brasileiros”, proclamou Michel Temer. Por que destinaram em oito meses menos de R$ 100 mil à instituição cujo “valor para nossa história não se pode mensurar”?

Gerido no âmbito do Ministério da Educação, o museu zelava por herança cultural valiosíssima. Temer rebaixou o Ministério da Cultura a secretaria, antes de recuar. Supondo que poupava o chefe, o ministro Carlos Marun o interpretou com sagacidade: “Está aparecendo muita viúva apaixonada, mas na verdade essas viúvas não amavam tanto assim o museu”.

O paleontólogo Alexander Kellner, hoje diretor do museu, tentou ser recebido por Temer para reiterar o plano de retirar do palacete a administração e outros setores. O professor contou que persistiu na busca por audiência com o presidente, mas não logrou passar “do cara do cafezinho”.
Se agora prometem desembolsos, por que não se empenharam antes na preservação?
Os Ministérios da Educação e da Cultura anunciaram apoio à reconstrução, com aporte inaugural de R$ 10 milhões. Se agora prometem desembolsos, por que não se empenharam antes na preservação? O Museu Nacional sucumbiu no governo Michel Temer.

A respeito do “trágico incidente”, Marcelo Crivella qualificou como “dever nacional” “recompor cada detalhe eternizado em pinturas e fotos”. Como, se quase tudo, com exceção das paredes, virou pó? Falava dos afrescos de Pompeia, que escaparam da fúria do vulcão Vesúvio, mas não da incúria furiosa do Brasil? Mais tarde, o prefeito afirmou que se referia à edificação.

O governador Luiz Fernando Pezão pranteou “tamanha perda de construção e acervo de valores inestimáveis”. O combate às labaredas atrasou no mínimo meia hora porque os hidrantes próximos estavam sem água, informou o Corpo de Bombeiros. Empresa do Estado do Rio encarregada do equipamento, a Cedae negou ter ocorrido o problema notório.

O farisaísmo não se restringe aos governantes. Uma emenda constitucional impôs teto a gastos com saúde, educação, ciência e cultura. Como aplaudi-la e, em seguida, surpreender-se com o museu destroçado?

Em regra, os ricos brasileiros em nada ou pouco ajudaram o Museu Nacional na era republicana. Eles estão entre os mais avarentos do mundo. Só cederam alguns mil-réis para a criação do Masp por se intimidarem com os achaques do mecenas e barra-pesada Assis Chateaubriand. A elite desprezava o Museu Nacional. Em 2017, mais brasileiros visitaram o Louvre, na França, do que os tesouros da Quinta da Boa Vista.

Penas e vozes que demonizam a ideia de universidade pública vociferam contra a catástrofe. Acontece que ela decorreu em boa parte da escassez de verbas para preservar um patrimônio coletivo. Maldizem a UFRJ por ter se recusado a privatizar a gestão de bens dos cidadãos. Para lhes apetecer, a cultura tem de gerar lucro.

Quem encrenca com pinturas de pessoas nuas em museus carece de autoridade intelectual e moral para deplorar o horror. São inimigos da cultura e da civilização.

Jair Bolsonaro prega a extinção do Ministério da Cultura. A Agência Lupa constatou que, dos 13 candidatos presidenciais, somente dois mencionaram em seus programas políticas sobre museus.

Nojo e vergonha

O Brasil se automutila. Ao dilacerar a memória, castiga o presente e ensombrece o futuro. Um novo museu tem de surgir, mas não será, não tem como ser, o que foi. A bravura dos servidores desafiando a fumaça ao ingressar no prédio, para resgatar preciosidades da ciência e da história, permanecerá como retrato comovente na desolação. A nossa tragédia cotidiana também tem os seus heróis.

Nada mitiga, porém, a ira e a tristeza. Não houve acidente, e sim crime. A arma pode ter sido curto-circuito, queda de balão ou outra; a munição teve o calibre da negligência. Centenas, milhares, milhões de anos se esfumaçaram – as idades das peças do acervo. Dois séculos foi o tempo em que gente generosa construiu o museu com saber, suor e, fulminados numa noite de inverno, sonhos.

Quase tudo jogado fora. Quase tudo destruído. Roubar o Museu Nacional das crianças que virão dá nojo e vergonha. Em fevereiro, a Imperatriz Leopoldinense celebrou o museu como seu enredo no Carnaval. Valeu, mas não tem jeito. Aprisionaram o Brasil numa permanente Quarta-Feira de Cinzas.

Mário Magalhães
No The Intercept
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Por que associar o PSOL a incêndio de museu é desonesto?

Bolsonaro e Ana Amélia tentaram culpar partido por filiação política de reitor, que foi o mais votado pela comunidade universitária

Ana Amélia Relho, vice de Alckmin, e Bolsonaro tentaram atribuir culpa ao partido pela tragédia
Não levou muito tempo para os candidatos nestas eleições tentarem explorar politicamente o incêndio no Museu Nacional, no Rio de Janeiro. Enquanto parte da esquerda atribui culpa ao atual governo, embora a instituição apresentasse problemas em suas instalações desde 2004, os postulantes de direita decidiram eleger um reponsável: O PSOL.

O motivo? O fato de o o atual reitor da UFRJ, responsável pela gestão do museu atingido, ser filiado ao partido. Embora tenha sido eleito com mais de 13 mil votos de professores, servidores técnico-administrativos e alunos, Roberto Leher e a legenda têm sido alvo de ataques por supostamente "aparelhar" a universidade.

Não foram poucos que buscaram atribuir culpa ao partido na tragédia. Jair Bolsonaro, presidenciável pelo PSL, afirmou que a administração "é de gente filiada ao PSOL e ao PCdoB". "A indicação política leva a isso", disse o candidato. Vice na chapa de Alckmin, Ana Amélia seguiu a mesma linha em uma entrevista concedida à Globo News, ao afirmar que o caso "tem a ver, sim, com o partido". Como se não bastasse, o próprio governo federal, informa o site Poder 360, ajudou a espalhar uma corrente que lembra a filiação política do reitor.

A discussão sobre aparelhamento não leva em conta a autonomia das universidades federais brasileiras, que têm liberdade para conduzirem seus processos eleitorais internos. Segundo o decreto 1.916, de maio de 1996, o reitor e o vice-reitor são nomeados pelo Presidente da República, que determina seu preferido entre os indicados em listas tríplices elaboradas pelas instituições. Essas listas são consolidadas de acordo com o processo eleitoral interno de cada universidade.

Leher foi nomeado reitor por Dilma Rousseff em 2015. Ele teve quase o dobro de votos da comunicade acadêmica da UFRJ. Se Dilma preferisse, ela poderia escolher a segunda colocada, a professora Denise Pires, que obteve 6.534 votos no total. Mas preferiu seguir a recomendação da eleição interna da universidade.

O próprio governo Temer nomeou recentemente, e aparentemente à contragosto, um reitor da Universidade Federal do ABC eleito pela maioria da comunidade acadêmica. Dácio Roberto Matheus venceu o pleito interno no início de novembro de 2017, mas só foi nomeado em maio deste ano. O ministro da educação de Temer, Mendonça Filho (DEM), preferiu estender sem prazo o tempo de gestão do ex-reitor Klaus Capelle, ao alegar falhas burocráticas no processo conduzido pela UFABC.

Reportagem do jornal Diário do Grande ABC deste ano apontou que haveria um incômodo do governo Temer pelo suposto alinhamento de Mathues com ideias defendidas pelo PT. De qualquer forma, o governo preferiu não desrespeitar o pleito universitário e nomeou o reitor.

Talvez seja mais coerente falar em aparelhamento quando o reitor nomeado não foi aquele quem mais recebeu votos da comunidade acadêmica. Em 2009, João Grandino Rodas foi nomeado por José Serra, então governador de São Paulo, para assumir a reitoria da USP, uma instituição estadual. Ele foi o segundo colocado na lista tríplice elaborada pela universidade, mas Serra preferiu escolhê-lo ao afirmar que "não conhecia bem" o mais votado dos candidatos, o físico Glaucius Oliva. No fim de sua gestão, em 2014, Rodas deixou um déficit de 1 bilhão de reais nas reservas da USP.

No CartaCapital
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Museu da Fundação Roberto Marinho recebeu 24 vezes mais verba pública que o Museu Nacional

Inaugurado em 2015, o Museu do Amanhã recebeu R$ 12 milhões dos cofres públicos ano passado - oito vezes o valor que o museu de 1822 pedia para arcar com suas despesas de manutenção.


Apenas oito quilômetros separam o Museu Nacional do Museu do Amanhã, da Fundação Roberto Marinho. Porém, a pouca distância entre eles encobre a diferença de recursos públicos recebidos pelas instituições históricas.

Inaugurado em 2015, o Museu do Amanhã recebeu R$ 12 milhões dos cofres públicos ano passado – oito vezes o valor que o museu de 1822 pedia para arcar com suas despesas de manutenção.

Mesmo que o destino seja diferente, a fonte de financiamento é parecida: o Museu do Amanhã recebe dinheiro da Prefeitura do Rio; já o Museu Nacional recebe verbas federais. Sem receber o dinheiro para a manutenção há três anos, a instituição viu o auge de sua crise no último domingo (2), quando um incêndio destruiu as instalações.

Essa diferença de investimento público, de 24 vezes, é ainda maior na prática, uma vez que Brasília não repassou a verba integral ao Museu Nacional por três anos seguidos.

De acordo com a UFRJ, o governo transferiu R$ 346,3 mil em 2015, aumentou o valor para R$ 415,3 mil em 2016 e, no ano passado, voltou a reduzir o repasse, novamente para R$ 346,3 mil.

No Fórum
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O firewall dos monopólios contra a comunicação democrática na América Latina

Grandes veículos de comunicação estão monopolizados e o controle das maiores empresas do ramo no planeta estão sob controle do capital financeiro, através do poder de voto outorgado pelos pacotes acionários de alguns poucos fundos de investimentos, cuja única lógica é a expansão dos negócios


Nos transformamos em seres midiáticos, vivemos online, conectados, somos produtos desses meios e é muito pouco do que fazemos que não tem nada a ver com eles. Ademais, a comunicação superou os limites do tempo e do espaço. O mundo digital da comunicação está suplantando o velho mundo analógico. Tudo é imediato e aproximado. Os bits de informação nos invadem por todos os poros. São 55% as pessoas do planeta que já têm acesso à internet. Já se foi aquele curto período em que a Internet parecia ser o que prometia: uma fabulosa rede de intercâmbio de conhecimento. Hoje, através da rede, viaja cada vez mais lixo. Não podia ser de outro modo.

Conhecimento é poder, e o poder não quer ser compartilhado, por isso os que o detém tentam impedir que esse conhecimento seja democratizado. O controle do conhecimento é um fato histórico. O antigo rol das tradições, dos reis e dos sacerdotes hoje foi assumido pelas corporações. Falando só do mundo ocidental – hoje em decadência, mas ainda condicionante –, as cinco principais corporações da Internet (Alphabet-Google, Amazon, Facebook, Apple e Microsoft), e também as produtoras de conteúdo (Disney, Time Warner, Comcast) e proprietárias dos sistemas de comunicação (AT&T, Verizon), só para citar algumas, configuram grande parte de quase tudo o que se vê – e, obviamente, o que não se deve ver. Estas corporações, por sua vez, são controladas por fundos de investimentos. Os investidores institucionais (Vanguard, BlackRock e State Street Global Advisors) são os que sempre estão manejando os trilhões de dólares, os mesmos que são os principais acionistas de 90% das empresas listadas no índice SP500.

Ou seja, os grandes veículos de comunicação estão monopolizados e o controle das maiores empresas do ramo no planeta estão sob controle do capital financeiro, através do poder de voto outorgado pelos pacotes acionários de alguns poucos fundos de investimentos, cuja única lógica é a expansão dos negócios.

O lucro dos investidores chega através dos dividendos e do valor das ações, que dependem, por sua vez, dos lucros de todas estas empresas. Em sua grande maioria, estes lucros e o valor de mercado dependem do número de usuários. Por isso, a lógica das empresas é arrebatar os usuários da concorrência, até liquidá-la. A estratégia dos investidores é colocar fichas proporcionalmente em todos os números, para não perder nunca. A lógica do monopólio é a do negócio e a lógica do negócio é o monopólio.

Isso mostra a mentira da “livre concorrência” e do “livre mercado” ou “livre comércio”, falácias, ficções sobre a qual está baseada toda a ideologia capitalista, que na verdade, em seu próprio fundamento, é absolutamente monopólica.

Neste lugar que costumamos chamar de “Nossa América” – que nunca foi e ainda não é “nossa” –, os grupos hegemônicos que controlam a maior parte dos meios e a opinião pública são mais provincianos, embora já se vislumbre a tendência de um aumento da participação estrangeira. Em muitos deles (Clarín, Globo, Cisneros, Santo Domingo-Valorem, González e Telmex), a maioria acionária é familiar. As poucas exceções são a Televisa (61% controlada por fundos de investimentos e bancos), o Grupo Prisa (com maioria acionária de um fundo abutre estadunidense, embora antes com maioria proprietária da família Polanco) e a Telefónica (controlada por bancos e fundos de investimentos). Ainda assim, todos difundem e utilizam os mesmos canais e conteúdos.

Esta é a ordem a subverter. Este é o firewall, a muralha a derrubar para que a comunicação seja democrática, feita por todos e para todos.

Eles e nós

Eles têm as licenças, a tecnologia, os canais, as leis, os jornalistas canalhas, o dinheiro inventado e mortífero da banca. Têm a censura, as notícias e as histórias falsas, têm os algoritmos, a propaganda e a confusão. São os donos da mentira, mas também os donos da verdade (como já dissemos), para não perder nunca.

E nós? Como vamos a derrubar a muralha?

Antes de tudo, devemos entender claramente as possíveis ações a tomar diante do dilúvio ácido da manipulação e do controle do monopólio.

Consumo

Nós lemos, assistimos, escutamos, consumimos informação, e – em maior ou menor medida – esta é a principal ação que realizamos diariamente. Mas, onde o fazemos é outra coisa. O monopólio quer que o façamos em suas milhões de sucursais. Nós podemos escolher consumir em outros lugares. Quanto mais consumamos dos “nossos” meios, menos consumimos dos deles. Está claro que isso tem seus limites, mas é imprescindível variar a proporção, combater a estupidez e a desinformação, estragar o negócio deles, em parte, negando a nossa colaboração.

Outro aspecto do consumo que devemos debater é: o que nós estamos assistindo, lendo, escutando, e para quê?

O monopólio oferece entretenimento, embora a repetição o torne maçante. Todos já sabemos que o protagonista rico vai se apaixonar pela empregada pobre e ter com ela algum filho ilegítimo, alguma bruxa malvada vai intervir na trama, ou algo nesse sentido. Tudo previsível. Com respeito à informação, eles se preocupam de entregar aos que pagam aquilo que eles querem. Por isso é desinformação. Inclusive a crítica às suas agendas é bem-vinda por eles, porque as instala, e as controla.

Por último, como nós consumimos essa informação? Devemos começar observando a intenção, que é o aspecto primário, e não o conteúdo em si, que é secundário. Exercitar um olhar atento diante do que se vê e se escuta, ver quem está dizendo e para quê está dizendo, é um bom anticorpo contra a manipulação.

Hoje, a consigna é a de que “os meios do monopólio são o ópio do povo”. Não quero nada deles! A melhor resposta, na verdade, é esvaziar os seus temas e modos de defender sua agenda. Para isso, temos que consumir nossas próprias agendas. E quais são elas? A dos direitos humanos: paz, distribuição do bem-estar, liberdade, equidade de gêneros e diversidade, só para mencionar os principais.

Reprodução

Esta é a segunda ação, numa escala quantitativa. Não só consumimos dados, também os reproduzimos. Compartilhamos postagens, reenviamos fotografias e vídeos, conversamos sobre certas coisas. Esta reprodução também pode estar colaborando com o regime monopolista, ou com os revolucionários da causa da democratização. Retransmitir agendas e fontes próprias daquela vertente na qual acreditamos é o que faz a diferença.

Produção

Esta é a parte mais linda, a mais criativa, a que permite que desapareçam as velhas barreiras entre o trabalho intelectual e o manual, a que torna realidade o sonho do artista que há em cada um. A produção de conteúdos nos transforma em atores, sujeitos, protagonistas da revolução. As novas gerações, nascidas em meio ao avanço vertiginoso da tecnologia comunicacional, consideram esses instrumentos digitais, que vão surgindo e se aperfeiçoando, quase que como suas próteses permanentes.

Entretanto, o sistema pondera positivamente sobre a atomização, a produção individual, isolada e ocasional, e isso não danifica nem agrega dados e minutos às suas arcas. Para vencer o firewall, necessitamos produção organizada, articulada, permanente e de caráter revolucionário.

Necessitamos criar e fortalecer rádios, canais de televisão, agências de notícias, sítios web e todos os tipos de meios nossos, que se constituam em alternativas reais ao monopólio.

Para que isso seja possível, é preciso haver alianças de comunicação poderosas, articulações que possam produzir de forma colaborativa, capazes de compartilhar e difundir o conteúdo massivamente.

O conceito é o de unidade na diversidade, para que cada meio influa em sua área de impacto real, e que assim possamos chegar a grandes números.

Necessitamos servir e nos servir das mudanças políticos que apostem em proibir a concentração de meios, e que ajudem a abrir a porta para um novo sistema, necessitamos que os militantes da mudança se sirvam dos nossos meios, numa aliança de reciprocidade.

Somos criticados por nosso caráter endógeno, por falar para os nossos, para os convencidos, mas na verdade sequer chegamos a eles, ou ao menos não tanto quanto os outros chegam.

Falar sobre o que queremos não é endógeno, se aproveitamos para fortalecer o seu alcance, para que sejam cada vez mais “os nossos”, o público para o qual falamos. Para isso, é preciso: quantidade, qualidade, protagonismo massivo dos jovens (isso assegura estilos e narrativas sintonizados com a época), organização horizontal e democrática, produção em todos os suportes, aperfeiçoar a técnica, atuar em rede mundialmente, capacitar. Finalmente, subverter a ideia de que o capitalismo voraz e a concorrência mortal são a única possibilidade de vida em comum para a espécie humana, e propor como alternativa uma vida com a maior coerência possível, através das alternativas que planteamos.

O objetivo é esclarecer, e chegar aos 99%, os oprimidos por um sistema de dominação doentio, que prioriza o dinheiro como motor e objetivo da vida. Avançar sobre a mentira e exigir um novo modo de existência. Criar um mundo novo é factível, a partir da utopia que se instala como imagem possível nas consciências de milhões de pessoas, sobretudo das e dos jovens. Também devemos contribuir para criar e difundir a utopia como única saída a esta civilização decadente de compra-venda.

Nossos meios de comunicação e sua articulação crescente são o meio para fazê-lo.

Javier Tolcachier é investigador do Centro Humanista de Córdoba, associado ao Centro Latino-Americano de Análise Estratégica (CLAE)
Publicado originalmente em estrategia.la
Tradução de Victor Farinelli
No Carta Maior
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Nota do PT: MP de São Paulo faz ataque político a Haddad


A nova denúncia falaciosa do Ministério Público de São Paulo contra o candidato a vice-presidente Fernando Haddad é mais uma prova do engajamento político e partidário de setores da instituição escandalosamente vinculados ao PSDB.

É a segunda denúncia fabricada contra Haddad em apenas uma semana, e mais uma vez a partir de antigas delações mentirosas, negociadas pelos promotores com um corrupto confesso, que já foi desmentido oito vezes.

É o mesmo tipo de ataque feito ao companheiro Luiz Inácio Lula da Silva, com os mesmos objetivos: lançar acusações frívolas, sem qualquer fundamento, para alimentar manchetes na imprensa, especialmente na Rede Globo.

O companheiro Fernando Haddad tornou-se alvo dessas manobras criminosas desde que foi registrado candidato a vice-presidente pela Coligação “O Povo Feliz de Novo”.

Além de defender a inocência e a integridade pessoal de Fernando Haddad, o PT irá representar mais uma vez ao Conselho Nacional do Ministério Público para denunciar um promotor que manipula e desonra a instituição.

O Brasil não pode aceitar mansamente que instituições de estado sejam utilizadas com objetivos políticos e eleitorais, sem que os autores desse abuso de autoridade sejam devidamente responsabilizados.

Ou o CNMP detém os maus agentes do Ministério Público ou a instituição como um todo responderá perante a sociedade e perante a história por ataques que fragilizam a democracia e desafiam o estado de direito.

O povo brasileiro sabe de que lado está a verdade.

Gleisi Hoffmann, presidenta nacional do PT
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Fachin será o relator do recurso que pede o reconhecimento da liminar da ONU

Em todos os julgamentos da Lava Jato, em nenhum momento o ex-presidente Lula obteve sequer alguma sorte nos sorteios ou distribuição de seus recursos e processos. Nesse, em que a defesa do Lula pede a manutenção da candidatura do ex-presidente, parece que a sorte sorriu um pouco a quem defende a legalidade do processo. Ou seja, ao distribuir o recurso para Edson Fachin, o que seria natural, já que é relator dos processos da Lava Jato e é esse o caso da liminar pedida, o relator já votou pelo reconhecimento do Pacto Internacional com a Comissão dos Direitos Humanos da ONU. Fachin foi o único voto a favor de Lula.

O recurso impetrado na noite de terça-feira pode obter uma liminar monocrática de Fachin para que Lula participe do processo eleitoral, ou pode ser encaminhado tanto para a segunda turma, quanto para o plenário do STF. Em qualquer dos casos, no plenário ou na 2ª Turma, a situação de Lula melhora com o possível voto “sim” do relator. Agora, é aguardar.

No A Postagem
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Ana Relho é horrível





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Caos e saques a supermercados proliferam na Venezuela socialista



Acima: População saqueando um supermercado em Mendoza, Venezuela.

A Venezuela, país socialista do ditador Maduro, mais uma vez envergonha a comunidade das nações pelos péssimos acontecimentos que nos dão a certeza que o comunismo não é o caminho a ser enveredado pelos povos do mundo, pois o resultado quase sempre é o que estamos assistindo naquela nação platina, onde, sem ter condições de comprar os mais básicos víveres o povo saqueia os supermercados em busca de comida.


Povo saqueando o Carrefour de Comodoro Rivadavia, Venezuela

Que tal situação dantesca sirva de exemplo para o Brasil, do mal que um governo bolchevista pode fazer ao país, mostrando a todos que o caminho a ser seguido é o do neoliberalismo argentino praticado pelo grande presidente Macri, este sim homem de bem, olhos azuis, legítimo representante de los hombres buenos, que com as privatizações e o estado mínimo está fazendo a Argentina prosperar e ir cada vez melhor.


Saques em Mar del Plata, Venezuela

Aprendam brasileiros!


Prof. Hariovaldo
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Bretas — auxílio-moradia para a mansão

Ilustração: Rodrigo Bento
Cinco suítes, lareira, três banheiras de hidromassagem, escadaria em mármore, espaço gourmet, churrasqueira, pomar, jardim, garagem para quatro carros, sauna, um campo de futebol próprio e até uma piscina aquecida que avança pela sala. Por R$ 5,8 milhões é possível comprar a humilde casa de campo em que os juízes federais Marcelo e Simone Bretas fogem do atarefado dia a dia que envolve, entre outras coisas, os julgamentos dos casos da Lava Jato no Rio de Janeiro.

Em abril, a revista Piauí somou em R$ 6,4 milhões o valor dos imóveis do casal. O patrimônio dos juízes – que entraram na Justiça para garantir o auxílio-moradia, penduricalho que permite que magistrados embolsem até R$ 4.377,73 caso não tenham um imóvel do Judiciário a seu dispor na cidade onde vivem –, no entanto, é ainda maior. Quase o dobro, de acordo com escrituras obtidas pelo Intercept.

Em junho, os Bretas colocaram a mansão à venda. Localizada em Itaipava, a 80 km do Rio de Janeiro, o imóvel de 600 m² faz parte de um condomínio de luxo, onde o casal divide áreas de convívio com vizinhos como o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, e o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto da Costa, um dos delatores condenados na Lava Jato. Bretas e Costa são vizinhos, separados por um bosque.

Os Bretas também aceitam alugar a casa pelo valor de R$ 10 mil mensais, pouco a mais do que os R$ 8.755 que os dois juízes ganham juntos por mês a título de “auxílio-moradia”.

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Uma resolução do Conselho Nacional de Justiça proíbe o pagamento do bônus a dois juízes que morem sob o mesmo teto. Mas, por uma falha do Judiciário, o casal tinha o benefício. Marcelo Bretas ganhou o direito ao penduricalho graças a uma decisão em 1ª instância da Justiça Federal do Rio, em 2015. No começo do ano, a Advocacia-Geral da União solicitou à segunda instância, o TRF-2, que reavalie a decisão – o órgão não havia recorrido até então.

O salário de Marcelo Bretas, que já condenou o ex-governador Sérgio Cabral a mais de 100 anos de prisão e faz questão de adicionar lições de moral em suas sentenças contra corruptos, é de R$ 43.910,62 mensais; o de Simone, R$ 44.555,62, ambos já com o auxílio somado. Se o reajuste de 16,38% para o salário dos magistrados for aprovado, os dois devem passar a receber ainda outros R$ 7 mil a mais cada um.

O auxílio-moradia aos juízes existe formalmente desde 2000. Foi a forma encontrada pelo governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso para encerrar uma greve da categoria. Não é necessário comprovar seu uso no pagamento de aluguel. Ou seja, os valores podem ser utilizados como os juízes quiserem.

Cerca de 17 mil juízes recebem auxílio-moradia – entre janeiro e agosto, o pagamento já custou quase R$ 1 bilhão aos cofres públicos. Mas, mesmo para magistrados que tenham residência própria na cidade onde trabalham – caso dos Bretas, que vivem num apartamento com quatro suítes e vista para o Pão de Açúcar no bairro do Flamengo, na zona sul do Rio –, essa “ajuda de custos” não é ilegal.

Uma ação que pode derrubar o auxílio está parada no STF desde março. Na quarta-feira passada, o presidente Michel Temer acenou com a possibilidade de cortar o bônus em troca do aumento de R$ 8 bilhões nos contracheques de ministros do STF (e, em cascata, nos de todos os juízes) proposto pelo próprio Judiciário.

Em 2014, o ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Fux concedeu liminares a entidades representativas dos juízes liberando o pagamento a toda a magistratura. Entre os argumentos de Fux estava o de que tribunais nos estados já concediam o benefício por conta própria. Com isso, segundo ele, criou-se uma “odiosa” diferenciação entre os magistrados que recebiam e os que não recebiam o favorecimento.

Ao ser questionado sobre o auxílio-moradia por um deputado, Bretas respondeu aos seus quase 60 mil seguidores no Twitter que tinha apenas ido atrás de um “direito”.

“Pois é, tenho esse ‘estranho’ hábito. Sempre que penso ter direito a algo eu VOU À JUSTIÇA e peço. Talvez devesse ficar chorando num canto, ou pegar escondido ou à força. Mas, como tenho medo de merecer algum castigo, peço na Justiça o meu direito”, escreveu o juiz no dia 29 de janeiro.

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Três dias antes, ele questionou o porquê de apenas o auxílio-moradia dos juízes federais ser debatido.


As duas mensagens já foram apagadas. Através da assessoria de imprensa da Justiça Federal, os Bretas informaram que não iriam se manifestar sobre a mansão na serra.

O condomínio

Após se tornarem juízes federais, Marcelo (1997) e Simone (1998), compraram um terreno de 3.600 m² em 2000. A construção da casa, registrada em cartório, foi finalizada em 2006 no Condomínio Quinta do Lago, considerado um dos melhores da região, com uma taxa de administração que ultrapassa os R$ 2 mil mensais.

Trecho da certidão de compra do terreno em que os Bretas construíram a casa, no Condomínio Quinta do Lago.
Trecho da certidão de compra do terreno em que os Bretas construíram a casa, no Condomínio Quinta do Lago.

Há ainda uma casa para o caseiro, que recebe R$ 1.200 por mês, e a opção de manter sempre por perto uma cozinheira, também por R$ 1.200.

As ruas do condomínio, em plena serra fluminense, são margeadas por um córrego de águas cristalinas e mansões de, no mínimo, R$ 3 milhões – por regulamento, as casas no local precisam ter ao menos quatro suítes. Além de espaços coletivos como piscina, quadra de esportes e academia coletiva, os residentes do Quinta do Lago têm direito ainda a um cinema privado e até a um haras. São 3,7 milhões de m² de área verde, o equivalente ao tamanho do bairro de Copacabana.

Vizinho dos Bretas, Paulo Roberto da Costa comprou um terreno de 4.630 m² no local em 2005, por R$ 200 mil. Em 2012, anexou a área ao lado, já com uma casa de 419 m², por R$ 450 mil.

A casa hoje é o local onde o ex-executivo da Petrobras cumpre sua prisão domiciliar desde que foi condenado na Lava Jato pelo juiz Sérgio Moro. O imóvel está entre seus bens bloqueados pela Justiça. Além de pagar uma multa de R$ 5 milhões, ele também precisa devolver à Justiça os 25,8 milhões de dólares que mantinha em contas bancárias na Suíça e nas Ilhas Cayman.

Um morador ouvido pelo Intercept comentou o endereço do morador presidiário aos sussurros, como quem revela uma doença. Mas se orgulhou em dizer que o condomínio tem “muita gente de bem, como empresários poderosos e o ministro Barroso”.

Em 2000, Barroso e a esposa adquiriram um terreno de 9.300 m² por R$ 230 mil. De lá para cá, construíram uma casa de oito quartos e 870 m², hoje também à venda por R$ 8,6 milhões.

Juízes não querem transparência

A luxuosa casa dos Bretas vai ao encontro de uma das mais marcantes características do judiciário brasileiro: o acúmulo de riqueza, que agora a classe quer tentar esconder.

Desde 2012, os salários dos magistrados são divulgados na página do Conselho Nacional de Justiça. A Associação dos Juízes Federais do Rio de Janeiro e Espírito Santo entrou com um pedido no STF para que os magistrados do TRF-2 não sejam obrigados a divulgar seus vencimentos.

A associação, da qual Bretas faz parte, questiona a relevância do acesso público a informações e argumenta que sua publicação apenas compromete a privacidade e a intimidade da classe.

Casualmente, o caso ficou a cargo do vizinho do juiz, Barroso, que rejeitou a ação na semana passada. “É o preço que se paga pela opção por uma carreira pública no seio do estado republicano”, afirmou o juiz ao declarar a legalidade da determinação do CNJ.

Paula Bianchi,Elisângela Mendonça
No The Intercept
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Eugênio Aragão — coletiva de imprensa em Brasília


Eugênio Aragão, advogado eleitoral de Lula, concede coletiva de imprensa em Brasília

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Processo de Lula contra Dallagnol por danos morais é julgado nesta quarta-feira

Na ação de indenização, a defesa de Lula alegou que Dallagnol agiu de maneira abusiva e ilegal ao utilizar o PowerPoint que o retratava como o principal personagem do esquema de corrupção na Petrobras


O recurso de Lula em que ele pede R$ 1 milhão por danos morais a Deltan Dallagnol será julgado nesta quarta-feira (5) pelo TJ-SP (Tribunal de Justiça de SP).

A ação foi movida por causa da entrevista coletiva que o procurador deu à imprensa usando um power point para explicar denúncias contra Lula.

Na ação de indenização, a defesa de Lula alegou que Dallagnol agiu de maneira abusiva e ilegal em rede nacional, ao utilizar o PowerPoint que o retratava como o principal personagem do esquema de corrupção na Petrobras. Além disso, segundo a ação, a estrutura da apresentação feita pela Força Tarefa foi fielmente copiada de um processo que tramitou pela Justiça dos Estados Unidos, tendo o membro local do Ministério Público utilizado da mesma estratégia para postular a condenação do acusado.

“No caso usado como referência (“State of Washington x Edward Michael Glasmann”), a Suprema Corte Estadunidense anulou a decisão condenatória e determinou que o acusado fosse submetido a novo julgamento, justamente pela indevida utilização dos slides, abalando a presunção de inocência do acusado e impedindo que o réu exerça o direito constitucional do “fair trial” (julgamento justo) e do “due process of law” (devido processo legal), diz a defesa na ação.

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Ibope-Globo censuram pesquisa: Lula disparava e Alckmin afundava


Bolsa desabou e dólar disparou na tarde de terça com vazamento da pesquisa do Ibope que seria divulgada no Jornal Nacional desta terça: Lula estaria com 40% na pesquisa e Alckmin grudado nos 5%, mesmo depois do horário eleitoral gratuito; pesquisa foi engavetada; Datafolha cancelou a sua também; país precisará esperar até quarta da semana que vem por uma pesquisa confiável, do Instituto Vox Populi

Vazou no meio da tarde para o mercando financeiro a pesquisa do Ibope programada para ser veiculada no Jornal Nacional da noite desta terça (4). O efeito foi imediato: a Bolsa mergulhou e fechou o dia com baixa de 1,97% enquanto o dólar saltava 0,90%, fechando a R$ 4,16. Qual a informação que chacoalhou o mercado? Lula estaria com 40% na pesquisa e Alckmin grudado nos 5%. Pânico. Começou então uma operação confusa e destrambelhada para cancelar a divulgação da pesquisa, o que acabou acontecendo. O Ibope soltou uma nota sem pé nem cabeça lida por Bonner no Jornal Nacional para tentar salvar as aparências.

A nota do Ibope é um primor. Primeiro diz que o instituto registrou sua pesquisa no TSE em 29 de agosto, "cinco dias antes da data de divulgação, como prevê a lei" -mas a data da divulgação era, desde o início, ontem sete dias depois do registro. Depois, informa que foram preparados dois questionários, com e sem Lula. A nota embrulha-se de maneira ridícula a seguir:

1) diz que estava tudo pronto para o campo na pesquisa no sábado e domingo quando, diante da cassação de Lula no TSE na madrugada do sábado, o instituto teria retirado o questionário com o ex-presidente e mantido apenas um com Haddad e feito o campo. A informação é pouco crível, pois analistas de pesquisas informam que o campo de uma pesquisas dessas é todo articulado e seria difícil simplesmente tirar um questionário;

2) mesmo considerando a informação verdadeira, o que é pouco crível, a nota enrola-se ainda mais com uma mentira grotesca: "para estar de acordo com o julgamento e as determinações do TSE, o Ibope não pesquisou o cenário com Lula". Ora, a lei é clara e determina que todos os candidatos registrados sejam pesquisados, mas nunca houve vedação a que outros nomes fossem submetidos aos eleitores nos levantamentos, e o Ibope sabe disso desde sempre. Não há nenhuma vedação legal a que as pesquisas continuem apurando o nome de Lula. O que há é um veto político a Lula da mídia conservadora e dos institutos de pesquisa a ela vinculados.

Segundo a informação do mercado, o descrito pela nota do Ibope não aconteceu (se quiser, leia a íntegra aqui) . A pesquisa foi feita com os dois cenários e o Ibope e a Globo censuraram o resultado porque sabem que ele teria forte impacto no cenário político-eleitoral e, sobretudo lançaria pressão enorme sobre os ministros do STF às vésperas do julgamento do recurso de Lula contra a decisão ilegal do TSE de tirá-lo da disputa.

A decisão política de vetar Lula das pesquisas ficou explícita na nota da Folha de S.Paulo sobre o cancelamento da pesquisa de seu Datafolha. Sem mais, o jornal informou: "Como o questionário contemplava cenário com o nome do candidato impedido, o instituto decidiu não aplicá-lo". A nota não se escondeu atrás do TSE. Deixou claro que não querem Lula no questionário porque estão morrendo de medo.

Com isso, o país passa a ter uma única pesquisa confiável, a do Instituto Vox Populi, que vem, a cada rodada, antecipando os movimentos do eleitorado reconhecidos posteriormente pelos institutos ligados à mídia conservadora e aos interesses político-econômicos dos ricos. A próxima rodada, contratada pela CUT, será divulgada quarta-feira da próxima semana (12).

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O medo é incontrolável: Ibope e Datafolha escondem pesquisa com Lula


Inacreditável: faltando minutos para a divulgação do resultado da pesquisa do Ibope, este instituto e o Datafolha, que divulgaria a sua na sexta, suspenderam a publicidade dos resultados obtidos.

Os números permanecerão escondidos da população, embora as pesquisas estejam regulares e tenham sido registradas, de acordo com as regras, antes da absurda negativa do TSE de vetar sua candidatura.

As pesquisas custaram centenas de milhares de reais e eles, espontaneamente, as jogam fora, quando poderiam com um simples asterisco, dizendo que a candidatura teve o registro cancelado pela Justiça Eleitoral?

A informação estaria dada, a ressalva estaria feita e não haveria nenhuma irregularidade.

Ao contrário, haveria o exercício da liberdade de informação.

Só a do Ibope, contratada pela Globo, custou R$ 231.229,89. A Datafolha, que tinha mais entrevistas (8.300), beirava os R$ 400 mil (o valor exato não posso informar porque, estranhamente, o registro foi tirado da base de dados do TSE).

Por que?

Porque Lula subia ainda mais e sua transferência para Fernando Haddad  aumentava?

Por mais que queiram manter escondido, a internet já pulula de versões de resultados que, em sã consciência, não posso reproduzir, por responsabilidade.

Mas que vai se reproduzir de boca em boca.

E não vai adiantar censurar.

Fernando Brito
No Tijolaço
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