4 de set. de 2018

O risco Bolsonaro

http://www.jb.com.br/colunistas/coisas_da_politica/2018/09/3198-o-risco-bolsonaro.html

A representação criminal apresentada ontem ao STF pelo PT, contra o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, talvez receba menor atenção que o pedido de liminar com que tentará, em última instância, garantir a candidatura de Lula, antes de proceder à sua inevitável substituição por Fernando Haddad. Já a medida contra Bolsonaro pode ser benéfica a todo o processo eleitoral, ao exigir da Justiça alguma providência contra os desafios constantes do candidato do PSL ao regime democrático.

Ele vem tentando deixar para trás declarações que lhe fizeram a fama, como a defesa da tortura e da ditadura, do racismo e do machismo, mas como é da sua natureza, acaba se repetindo. No sábado, fazendo o gesto de fuzilar, disse num discurso: “Vamos fuzilar a petralhada toda aqui do Acre. Vamos botar esses picaretas pra correr do Acre. Já que eles gostam tanto da Venezuela, essa turma tem que ir pra lá. Só que lá não tem nem mortadela galera, vão ter que comer é capim mesmo”.

O PT o acusa de cometer injúria eleitoral e incitação ao crime. É mais do que isso. O que ele faz é externar seu profundo antagonismo com o regime democrático. Com 20% de preferência nas pesquisas, em média, o Brasil corre o risco real de colocar na Presidência um político que não vê problemas em pregar o fuzilamento de adversários políticos, um traço dos regimes totalitários. Assim como o artigo 17 da Constituição veda a criação de partidos que ameacem o regime democrático, dizem os juristas Daniel Sarmento e João Gabriel Pontes, por analogia deviam ser proibidas candidaturas que carregam o mesmo risco. O que pensará o STF?

Incêndio como metáfora

A destruição do Museu Nacional é mesmo razão para luto. Como numa metáfora do tempo regressivo que vivemos, agora são cinzas uma parte de nossa memória como Nação, afora peças importantes da própria história da humanidade e fósseis que falavam da evolução das espécies. Ao fogo talvez só tenham resistido as pedras que vieram do espaço: o Bendegó e o Santa Luzia, que caiu aqui perto de Brasília e me fez voltar ao museu recentemente.

Na esteira do luto, muito cinismo. O presidente Temer anunciou um plano de reconstrução, com a ajuda de bancos privados e públicos, mas não há como resgatar os itens perdidos. O Estado devia se desculpar pelo descuido. “Pelo menos em parte, a culpa é dos autores da PEC do teto do gasto. O MPF, tão ativo, caçará os culpados?”, pergunta o ex-chanceler Celso Amorim. Os bancos agora prometem ajudar, mas não destinam uma ínfima fração de seus vultosos lucros à preservação do patrimônio cultural.

Como boa síntese da perda, reproduzo o texto do servidor do museu Rui da Cruz Jr., publicado pelo site Nocaute.

“Queimamos o quinto maior acervo do mundo. Queimamos o fóssil de 12 mil anos de Luzia, descoberta que refez todas as pesquisas sobre ocupação das Américas. Queimamos murais de Pompeia e o sarcófago de Sha Amum Em Su, um dos únicos no mundo que nunca foram abertos. Queimamos o acervo de botânica Bertha Lutz e o maior dinossauro brasileiro já montado, com peças quase todas originais. Queimamos o Angaturama Limai, maior carnívoro brasileiro, e alguns fósseis de plantas já extintas. Queimamos o maior acervo de meteoritos da América Latina e o trono do rei Adandozan, do reino africano de Daomé, datado do século XVIII. Queimamos o prédio onde foi assinada a independência do Brasil. Queimamos duas bibliotecas e a carreira de 90 pesquisadores e outros técnicos. O que arde no Museu é uma parte da história antropológica da humanidade. Se eles pudessem nos queimavam junto com as paredes do museu, nas salas onde D. Pedro II reinou, nos corredores por onde transitaram os feitores da primeira constituição da República. Se eles pudessem, nos queimavam. É imensurável o que perdemos. Estou engolindo o choro.”

“Eles” não têm um só nome. Eles são a incúria do Estado e a indiferença da elite econômica, onde não há mecenas.
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Horário Eleitoral Livre




Haddad dá o tom de sua campanha na Record News

Haddad teve o seu teste em sabatinas como candidato a presidente da República há pouco na Record News. Sim, eu sei, ele foi lá como candidato a vice, mas todos que o assistiram o viram no papel que provavelmente desempenhará em breve.

O golpe não fecha com Lula candidato a presidente, porque ele ganha no primeiro turno e desmoraliza o estabilishment, com o Supremo e com tudo.

Por isso a entrevista foi diferente das de outros vices que virão.

E Haddad se saiu muito bem. Tanto do ponto de vista da comunicação como da defesa das propostas que interessam ao campo progressista.

Haddad, por exemplo, não tergiversou em relação a questões polêmicas.

Defendeu a intervenção no sistema financeiro pra diminuição das taxas de juros.

Defendeu a democratização da mídia e a intervenção pra que grupos que detêm líderes de mercado em jornais, rádios e TVs em cidades e regiões não possam operar sem concorrência.

Defendeu uma urgente reforma tributária e que os estados que perderem receita tenham compensação da união para entrarem no plano da reforma.

Defendeu o Imposto Territorial Rural (ITR) progressivo para quem não usar a terrar de forma produtiva ou tiver desmatado. Os recursos desse aumento de imposto seriam usados para a reforma agrária.

Ou seja, Haddad se comprometeu com um programa de governo radical, que pode mudar o Brasil em áreas decisivas para que ele avance democraticamente.

Quem esperava um substituto de Lula falando de cima de um muro, se enganou. O professor da USP vai continuar tranquilão, mas parece ter entendido os recados do golpe. E se vier a ser o substituto do Lula, vai fazer o que Lula provavelmente faria.



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Lula fala, com a própria voz. Quem vai calar, Barroso?


Uma gravação de três horas, um documento que está sendo disponibilizado pela Editora Boitempo e que foi colhido numa entrevista de 3 horas com Lula, retirada de um material em áudio inédito feito a partir de cerca de 10 horas de entrevistas conduzidas, em fevereiro, por Ivana Jinkings (editora da Boitempo), Juca Kfouri, Gilberto Maringoni e Maria Inês Nassif, para a produção do livro A Verdade Vencerá: o povo sabe por que me condenam.

O site de Lula publicou uma chamada de dois minutos e a editora publicou as três horas no Soundcloud no podcast Anticast.

Há material de sobra para fazer programas de televisão para a campanha.

Está aí o que estão loucos para impedir que o povo brasileiro ouça.

O que estão loucos para fazer calar.

E que não vão ter como impedir, senão com mais violência.

Reproduzo, abaixo, tanto a versão editada com vídeo quanto a em áudio, integral.


A versão integral:



Fernando Brito
No Tijolaço
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O que está em jogo agora: Alckmin X Bolsonaro e Lula X Judiciário

https://www.balaiodokotscho.com.br/2018/09/04/o-que-esta-em-jogo-agora-alckmin-x-bolsonaro-e-lula-x-judiciario/

A apenas 33 dias da eleição, a semana começou com duas disputas ferozes que poderão ser decisivas para definir quem vai ao segundo turno.

De um lado, pela esquerda, Lula resolveu esticar ainda mais a corda e quer ir para o tudo ou nada contra o aparato jurídico que impede a sua candidatura, uma disputa em que até aqui só tem sido derrotado em todas as instâncias.

De outro, como anunciado, o tucano Geraldo Alckmin abriu suas baterias contra Jair Bolsonaro com quem disputa o eleitorado da direita.

Com sua estratégia de guerra bem sucedida até aqui, segundo todas as pesquisas, Lula adiou mais uma vez a indicação de Fernando Haddad para o seu lugar, impedindo-o de fazer campanha como candidato a presidente.

O grande perigo apontado pelo advogado Luiz Fernando Casagrande Pereira, que defende Lula na Justiça Eleitoral, é o PT ficar sem candidato nenhum, se não cumprir o prazo de dez dias dado pelo TSE.

Haddad esteve nesta segunda-feira com Lula na cela em Curitiba e saiu de lá como entrou: ainda como candidato a vice.

Os dias passam correndo, Bolsonaro e Ciro sobem nas pesquisas, e o eleitorado continua confuso sem saber quem, afinal, vai ser o candidato do PT.

A última previsão garimpada no QG petista dá conta que “com a contrariada anuência do ex-presidente Lula, o PT se prepara para a retirada da sua candidatura à Presidência na próxima terça-feira, dia 11”, como relata a sempre bem informada repórter Catia Seabra, na Folha.

Dia 11 termina o prazo de dez dias dado pelo TSE a substituição de Lula como cabeça de chapa.

Por isso, o advogado Luiz Fernando Casagrande Pereira, que defende Lula no TSE, alertou o conselho político da campanha que o partido corre o risco de perder o registro da candidatura, se a liminar impetrada no STF for acolhida, e o plenário rejeitar a medida depois do dia 17, quando termina o prazo para a troca de candidatos.

Em teleconferência, o advogado disse aos petistas que o registro da chapa será anulado, se o nome de Haddad não for oficializado neste prazo.

Mas o problema agora não é só jurídico, é principalmente político.

Com a indefinição, Haddad aparece ainda com apenas um dígito nas pesquisas, assim como Geraldo Alckmin, enquanto Bolsonaro e Ciro avançam para o segundo turno nos levantamentos desta semana.

Esperar que a ONU possa resolver o problema do PT e fazer o TSE voltar atrás, é como Alckmin imaginar que só o tempo de televisão para bater em Bolsonaro poderá desempacar sua candidatura.

O que a ONU ainda vai poder fazer? Mandar uma tropa de paz para libertar o ex-presidente?

Aliados de Alckmin, por sua vez, temem que a rejeição ao tucano suba ainda mais, se insistir na tática de desqualificar Bolsonaro, que até agora não deu certo.

Quem está gostando de tudo isso é o general Mourão, vice de Bolsonaro, para quem a estratégia de Alckmin só vai reforçar o sentimento do seu eleitorado de perseguição ao candidato que é “contra tudo isso que está aí”.

Por enquanto, Bolsonaro só está ganhando votos, não perdendo, e Alckmin não sai do lugar.

De outro lado, o constrangido papel exercido até aqui por Haddad, está dando margem a que tipos como Roberto Freire, dono do nanico PPS, linha auxiliar do PSDB, vá às redes sociais para desqualificar o ex-prefeito de São Paulo, chamando-o de “boneco de ventríloquo”.

Freire não tem nenhuma importância, mas esta imagem pode colar em Haddad, que já é chamado de “poste” pelos adversários, e não tem como se defender enquanto seu nome não for registrado como candidato a presidente na Justiça Eleitoral.

É isto que está em jogo agora, o restante só faz figuração.

Mantido o atual cenário, a Ciro, Haddad e Alckmin só restará disputar entre si para ver quem enfrentará o resiliente e cada vez mais beligerante Jair Bolsonaro, que agora está ameaçando “fuzilar a petralhada”.

Vida que segue.

Ricardo Kotscho
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Contra Bolsonaro no segundo turno, Haddad herdaria 41% dos votos de Alckmin

Cruzamento de dados da última pesquisa XP/Ipespe indica possível troca de apoio entre eleitores tucanos e petistas contra Bolsonaro em eventual segundo turno


A pouco mais de um mês do primeiro turno, a corrida presidencial ganha especulações sobre o fenômeno do "voto útil", quando eleitores são levados ao pragmatismo e, em função das circunstâncias, se veem na necessidade de adotar novas posições. Um cruzamento dos dados da última pesquisa XP/Ipespe mostra que o deputado Jair Bolsonaro (PSL), atual líder na disputa nos cenários sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pode sofrer com o veto de eleitores petistas e tucanos caso consiga avançar para uma disputa de segundo turno.

Segundo o levantamento, se enfrentasse o atual vice na chapa petista, Fernando Haddad – principal nome cotado para substituir Lula na disputa após decisão do TSE –, Bolsonaro veria seu adversário herdar 41% das intenções de voto de eleitores que hoje declaram apoio no ex-governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB). O deputado, por sua vez, teria apoio de 29% dos tucanos, mesmo patamar de brancos, nulos e indecisos deste grupo nesta simulação.

Na pesquisa, realizada entre 27 e 29 de agosto, Haddad e Bolsonaro aparecem tecnicamente empatados em eventual segundo turno, com o deputado numericamente à frente com 37% das intenções de voto, contra 34% do petista. A margem máxima de erro é de 3,2 pontos percentuais, para cima ou para baixo. Haddad herdaria 3 pontos percentuais dos tucanos, contra 2 pontos para Bolsonaro. A diferença está dentro da margem de erro.

Também é possível verificar migração de votos petistas a Alckmin em eventual disputa de segundo turno contra Bolsonaro. Neste caso, o tucano herdaria 48% das intenções de voto de Haddad (percentual equivalente a 6 pontos percentuais), contra 3% para o deputado (menos de 1 ponto). O grupo dos "não voto" teria participação de 49% dos petistas.

Já em eventual segundo turno entre Alckmin e Haddad, o tucano herdaria apoio de 58% dos eleitores de Bolsonaro, o que lhe conferiria um incremento de 12 pontos percentuais. Ele também contaria com maior migração dos eleitores de Marina Silva: 33%, contra 23% para o possível adversário.

A imagem abaixo detalha a migração de votos de cada candidato no primeiro turno (primeira coluna) para sete simulações de segundo turno (demais colunas). Em função do tamanho reduzido da amostra, as variações nas segmentações podem ser mais expressivas, assim como as respectivas margens de erro, que crescem nestes casos.

Por isso, é recomendável uma observação cuidadosa no caso de candidatos que não apresentam pontuação expressiva na pesquisa. De qualquer forma, os números mostram resultados interessantes de como se comportariam os eleitores em situações em que seus candidatos não passariam para o segundo turno.

migração
Fonte: XP/Ipespe (BR-07252/2018)

*Na parte de cima, cada percentual se dá em relação ao total de votos. Já na parte de baixo, os percentuais se referem aos votos dos respectivos candidatos.

Ainda é cedo para conclusões, mas este pode ser mais um sintoma do crescimento da rejeição à candidatura de Jair Bolsonaro. Embora lidere a corrida presidencial nos cenários sem o ex-presidente Lula, agora 61% dos eleitores dizem que não votariam no deputado "de jeito nenhum". Em julho, essa taxa era de 53%. Para ver os detalhes da pesquisa, clique aqui.

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GGN entrevista José Dirceu

Zé Dirceu acaba de lançar suas Memórias e concede a Luis Nassif entrevista para falar do que mais entende: política, erros e acertos do PT e o descaminho da democracia brasileira

"Um governo, como o nosso, que chegou nas condições que nós chegamos, não pode abrir sete frentes de combate. Eu falo isso nas minhas Memórias, o Lula assume o governo priorizando todo o discurso dele no combate à pobreza e à miséria, porque ele sabia que a política monetária e fiscal ia ser uma política de superávit e de juros altos", disse um dos principais estrategistas da história do Partido dos Trabalhadores em entrevista ao jornalista Luis Nassif.

José Dirceu teve prisão determinada pelo juiz de piso Sérgio Moro, em maio deste ano, porém, pouco tempo depois foi solto por decisão de maioria da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). Nesta entrevista ele destrincha os fatos de sua defesa e a perseguição política. Fala do aumento de poder de instituições não eleitas pelo povo e que passaram a agir politicamente nos últimos anos, minando as forças do Executivo brasileiro e, ainda, a ascensão de grupos de extrema direita, os desafios sociais que o país precisa enfrentar para retomar a linha do desenvolvimento e o futuro do PT.

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Ministério Público denuncia Haddad 2 vezes em 8 dias, usando a mesma causa pela 3ª vez


O Ministério Público de São Paulo denunciou, nesta terça (4/9), Fernando Haddad, candidato do PT à vice-presidência da República, por corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Só que os fatos narrados nesta acusação se repetem em outras duas ações que já foram apresentadas contra o ex-prefeito - a última delas, há menos de 10 dias, em 27 de agosto.

Foi só o PT avisar que iria denunciar no Conselho Nacional do Ministério Público a segunda investida contra Haddad, por considerá-la uma operação boca-de-urna contra o vice de Lula, que o promotor Marcelo Mendroni sacou a terceira acusação.

Em tese, a Justiça proíbe que uma pessoa seja acusada com base nos mesmos fatos em mais de uma ação, para evitar julgamentos conflituosos. Na prática, porém, o Ministério Público do Estado tem usado a mesma delação premiada para atacar Haddad em 3 frentes distintas.

Na primeira, que está na Justiça Eleitoral, o MP diz que Haddad foi beneficiado por caixa 2 na campanha de 2012. Isso porque o delator Ricardo Pessoa, da UTC, afirma ter pago, supostamente a pedido de João Vaccari Neto, uma dívida do PT junto a uma gráfica. Essa dívida seria de R$ 3 milhões, mas a UTC negociou para pagar R$ 2,6 milhões. O dono da gráfica reconhece o recebimento dos recursos, mas afirma que não há elo com a campanha de Haddad. 

Na segunda denúncia, uma ação civil por improbidade administrativa, o promotor Wilson Tafner reciclou a mesma delação para acusar Haddad de enriquecimento ilícito. As declarações de Pessoa foram reembaladas pelo MP-SP, acrescidas de matérias de jornais, outras delações da Lava Jato e as impressões da Promotoria - que basicamente sustenta que Haddad fez com a UTC em São Paulo o mesmo que o PT fez com a Petrobras e as empreiteiras no plano nacional.

O GGN destrinchou neste artigo aqui a segunda denúncia, apontando seu caráter esquizofrênico. O MP-SP mistura, sem cerimônica, as convicções do promotor com as delações (inclusive, algumas que contrariam a tese da acusação) e notícias de jornais, supondo que atos indefinidos tomados por Haddad durante seu mandato beneficiaram a UTC em troca dos R$ 2,6 milhões. 

Agora, na terceira frente, os mesmos fatos são resgatados para denúnciar Haddad na área criminal. Quem reportou a notícia foi o UOL, mas sem dar detalhes do que consta na acusação.

O portal apenas informa que o PT teria usado uma rede de gráficas para receber a vantagem indevida e "indireta" em relação a Haddad. Não há relatos do que o ex-prefeito teria feito em troca da propina, para justificar a peça por corrupção, lavagem e formação de quadrilha. A descrição da operação de lavagem em favor da gráfica que recebeu os R$ 2,6 milhões, com participação de Alberto Youssef, já foi narrada nas demais denúncias.

Cíntia Alves
No GGN
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Empiricus: Investidor brasileiro é preso pelo FBI acusado de roubar US$ 750 mil

Um antagonista
Marcos Elias estava preso na Suíça e agora foi extraditado para os Estados Unidos acusado de criar um esquema para roubar um banco em Nova York

A Justiça dos Estados Unidos anunciou no último dia 28 de agosto que o gestor fundo Galleas, Marcos Eduardo Elias, que havia sido preso em junho na Suíça, foi extraditado para o país. Ele é acusado de participar de um esquema que roubou US$ 750 mil de um banco em Nova York.

De acordo com as autoridades norte-americanas, o esquema envolvia uma empresa de fachada no Panamá e uma conta bancária em Luxemburgo. O FBI (Polícia Federal dos EUA) diz que Elias fingiu ser funcionário do titular da conta na instituição e se aproveitou dessa mentira para roubar “centenas de milhares de dólares”.

“Ele agora foi trazido de volta aos Estados Unidos para enfrentar a justiça e devolver o dinheiro que roubou”, afirmou o diretor assistente do FBI, William F. Sweeney Jr..

O Departamento de Justiça dos EUA explicou que, desde pelo menos 2012, uma empresa brasileira mantinha uma conta em uma instituição financeira com sede em Manhattan e, a partir de junho de 2014, Elias esteve em correspondência com um vice-presidente sênior do banco em relação à conta do cliente.

A partir de então, este vice-presidente sênior passou a receber e-mails de um suposto funcionário de seu cliente pedindo que fossem transferidas quantias para uma conta em Luxemburgo. Com isso, a empresa transferiu cerca de US$ 752 mil, acreditando que ela era legítima e que tinha sido solicitada pelo seu cliente.

Depois, foi descoberto que esta conta era de Marcos Elias em nome de uma empresa do Panamá. A Justiça diz ainda que o gestor tentou obter dinheiro de uma segunda instituição financeira sediada em Manhattan, usando o nome e o passaporte de um correntista sem autorização.

No Infomoney



dom, 03/08/2014

Processado pela SEC, sócio dos EUA inspirou marketing anti-Dilma de consultoria


A campanha "Se proteja se a Dilma ganhar" foi uma boa sacada da consultoria Empiricus. De fato, o mercado antecipa estratégias de investimento dependendo de cada situação prevista. E o noticiário dos jornais tem enfatizado – forçando a barra – a ideia de que a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) seria um risco para a estabilidade econômica. Embora seja uma análise terrorista, influencia investidores. 

A visibilidade, no entanto, trouxe à tona métodos polêmicos encampados pela consultoria, que resultaram em gestores punidos por conselhos de ética do mercado e em associação com grupos norte-americanos igualmente polêmicos – e sob a mira da SEC dos EUA.

A Empiricus notabilizou-se por relatórios informais, repletos de chistes e questões pessoais, mais adequados a perfis de Facebook do que da sobriedade que se exige dos relatórios financeiros.

Responsáveis pelas análises da Empiricus em 2011, Marcos Eduardo Elias, Rodolfo Cirne Amstalden e Roberto Altenhofen Pires Pereira resolveram explorar o noticiário de jornais em uma campanha contra o frigorífico Marfrig Alimentos S/A.

Nos relatórios de análise, promoveram uma empreitada quase que pessoal ferindo a imagem da companhia e de seus controladores, Marcos Molina e Ricardo Florence. Acusaram-nos de fraude contábil e divulgaram análises e comentários negativos, enquanto negociavam com ações da companhia.

Em janeiro de 2012, a Superintendência de Analista de Valores Mobiliários da Apimec (Associação de Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais) determinou a instauração de processo administrativo.

Os ataques à Marfrig começaram, segundo a Empiricus, após a corretora ter sido supostamente ridicularizada em público, durante um evento com a presença de diversos analistas e de auditores da KPMG. "Por uma questão de sobrevivência de mercado", ou “para salvar a reputação”, a Empiricus teria dado início à campanha para demonstrar supostas inconsistências dos balanços da Marfrig.

O relatório do julgamento reproduz trechos que confirmam que o teor das declarações da Empiricus contra a Marfrig é pior do que o de "brigas de botecos". Marcos Eduardo Elias – autor de sentenças ácidas como “demitam Ricardo Florence, ele é um sujeito gago” – acabou sendo punido com a suspensão por 12 meses do credenciamento de analista. Ele deixou a empresa em novembro de 2012. Os dois outros foram condenados a pagar multas de R$ 2 mil e não recorreram da sentença.

Além disso, a Marfrig abriu um processo (nº 0106655-70.2012.8.26.0100) no Tribunal de Justiça de São Paulo, que corre em segredo de Justiça, onde cobra dos analistas uma indenização de R$ 1 milhão por danos morais.

Construção de riqueza

O episódio com a Marfrig não é a única polêmica envolvendo a Empiricus.

Nos últimos tempos seu estilo se radicalizou depois de uma associação com o grupo norte-americano Agora Inc. e com seu promotor Mark Ford. Ambos - Agora e Ford - já foram alvos de investigação pela SEC por manobras no mercado de capitais.

O modelo de atuação consiste em fabricar um guru de mercado, inundar o mercado com newsletters de estilo informal e, a partir delas, montar estratégias de investimento pouco ortodoxas, garantindo ganhos extraordinários e sem risco.

Em seu site (www.empiricus.com.br), a corretora promove o “Clube de Construção de Riqueza - WBC Brasil”. O grupo se apresenta como “a forma mais rápida de construir uma fortuna séria no Brasil atual”. E recomenda: “Esqueça esquemas de pirâmide, esqueça jogos de azar. Há um método consistente e legítimo para alcançar seu primeiro milhão, e até mais.”

O segredo consiste em aplicar as fórmulas inspiradas no americano Mark Ford, hoje um empresário que ultimamente se dedicou ao ramo imobiliário e que, segundo os releases, "fez amigos no Brasil graças ao jiu-jitsi".

O público visado é formado pelo pequeno investidor, “milhares de indivíduos que ainda não conseguiram juntar o patrimônio necessário para uma vida de independência financeira.” O método de Mark Ford é propagado pelos fãs associados à Empiricus como “11 segredos”. A apresentação do sistema é eivada de lugares-comuns, com cálculos básicos de juros compostos e promessas que só se materializam em caluladoras financeiras.

Na justiça internacional

Mark Ford, entretanto, é alvo de reportagens veiculadas em jornais gringos por ter sido parte, em mais de uma ocasião, de negócios que acabaram sendo investigados pelas autoridades norte-americanas.

Em 1991, por exemplo, o Serviço de Inspeção Postal dos Estados Unidos apreendeu 6,6 milhões de dólares em contas bancárias detidas por Ford e seu sócio, Joel Nadel. O órgão sustentou que ambos estavam metidos num esquema que envolvia fraude postal e lavagem de dinheiro. 


Ford e Nadel supostamente operavam sorteios por correspondência eletrônica, através de um grupo de mídia de propriedade deles, que rendia cerca de 8 milhões de dólares por mês. A disputa judicial entre o Serviço de Inspeção Postal e os acusados atrasaram o pagamento das vítimas do suposto golpe. De acordo com publicação do The News de 1993, Nadel e Ford nunca assumiram a culpa pela fraude.

Segundo o portal Friends in Business, a operação consistia em emitir e-mails para milhares de pessoas avisando que elas ganharam um “prêmio valioso” em um suposto sorteio. Tudo o que o vencedor precisava fazer para retirar o prêmio era pagar uma pequena taxa de manutenção para a empresa de sorteios. Porém, os itens ditos valiosos nunca chegaram às mãos dos vencedores ou, se chegaram, valiam bem menos do que a taxa que eles pagaram.

Lucrando com a Copa 2014

A Empiricus chegou a Mark Ford através de uma associação com a Agora Inc. que injetou R$ 2 milhões na consultoria para promoção de vendas.

No Brasil, um grupo que se diz fã dos ensinamentos de Mark Ford relata no portal Cartas da Iguatemi como consegue fazer dinheiro. Um dos seguidores que se auto denomina “privilegiado por ser o membro número zero do clube de construção de riqueza WBC Brasil” conta como conseguiu ganhar lucrar com a Copa do Mundo.

A ideia brilhante foi a de colocar o apartamento que um amigo possui no Rio de Janeiro, numa região bem localizada, à disposição dos estrangeiros. Quatro argentinos fecharam o aluguel do espaço pelo valor diário de R$ 760, durante 25 dias. O “número zero do clube" vai embolsar R$ 7 mil do total de R$ 19 mil angariados com o negócio.

O mesmo espírito em Agora e a subsidiária Stansberry & Associates

Mark Ford é um dos responsáveis pelo crescimento milionário da Agora Inc., uma editora de jornais, livros e boletins que tem como subsidiária a Stansberry & Associates Investment Research (S&A). Esta, por sua vez, é outra editora privada com assinaturas em mais de 100 países. No portal da S&A, Ford é apontado como editor convidado.

A S&A tem como um de seus fundadores Frank Porter Stansberry, um profissional do mercado financeiro conhecido por elaborar e publicar notícias e conteúdo associados “aos interesses dos conservadores dos EUA e da ala direitista da política”. Em 2010, ele publicou um viral de 77 minutos intitulado "End of America”.

No vídeo, Porter Stansberry afirma que há anos atrás avisou aos investidores americanos que era melhor evitar empresas como Lehman Brothers, General Motors, Fannie and Fredies e dezenas de outras companhias que entraram em colapso durante a crise de 2008 – situação que ele também afirma ter previsto.

Feita a promoção pessoal, Porter dá sequência ao vídeo alertando para um novo evento drástico para a economia mundial. Isso dois anos antes da reeleição de Barack Obama.

Stansberry afirma, no material, que aguarda um fenômeno ainda relacionado à crise financeira de 2008, mas “infinitamente ainda mais perigoso”, porque vai afetar diretamente a conta-corrente, poupança, aposentadoria, modo de trabalho e o estilo de vida de cada cidadão americano.

O fenônemo estaria para atingir o “tesouro americano” e, diante da situação, Stansberry se propõe a ensinar onde os americanos podem aplicar seu dinheiro sem sofrer represálias do poder público. O empresário promete enviar um relatório gratuito explicando passo a passo.

Os relatórios falsos de mil dólares

Assim como Mark Ford, Porter Stansberry, um dos editores do Agora, também se meteu em imbróglios judiciários em mais de uma ocasião.

Em 2003, a SEC (Securities and Exchange Commission) trouxe à tona um esquema da S&A de comercialização de “falsas informações privilegiadas sobre a USEC Inc., uma empresa de Maryland que abastece usinas nucleares com urânio enriquecido”.

Stansberry assinava – sob o pseudônimo Jay McDaniel – um relatório com as informações que nortearam os investimentos de 1.217 pessoas, em 2002. Cada relatório foi vendido por mil dólares. A USEC afirmou a SEC que nunca repassou a Stansberry informações privilegiadas.

Em 2007, a S&A foi condenada pelo Tribunal Distrital dos EUA a pagar 1,5 milhão de dólares em restituição e penalidades civis por ter fraudado as informações aos assinantes nesse esquema. Ágora Inc. também era réu no julgamento, mas a corte entendeu que apenas a subsidiária deveria sofrer sanções.  Pouco mais de 200 compradores pediram o reembolso pela compra do relatório.

Segundo o juiz a Marvin Garbis, “a gravidade do dano, neste caso, não se limita à quantidade de dinheiro que cada comprador gastou com o Relatório Especial”. Todos eles, acreditando que as informações no documento eram verdadeiras, perderam de 20 a 25 por cento do dinheiro aplicado em compra de ações recomendada pela Stansberry. Alguns acumularam prejuízos de 28 mil dólares. Já a Stansberry lucrou pelo menos 1 milhão de dólares com o negócio.

A Agora invocou a Primeira Emenda (liberdade de expressão) para se defender. O episódio suscitou um rico debate sobre os limites da liberdade de expressão (clique aqui) e (clique aqui).

A criatividade da Empiricus

Voltando aos segredos de Mark Ford – que usa o pseudônimo de Michael Masterson em seus best Sellers – aplicados pela Empiricus, o terceiro princípio, que tornou a corretora muito conhecida no mercado, é a descontração com que todos devem escrever. Aí, a criatividade em terras tupiniquins é sem limite. Até paixões adolescentes pela mesma menina e rixas de escola vêm à tona.

Um dos analistas, Felipe Miranda, narrou as disputas com um certo Daniel Torelli, na época do colegial.  “Brigávamos rigorosamente todos os dias, usando o futebol como catálise... honestamente, nosso time era melhor”, lembra, sem deixar de alfinetar o rival. 

O outro motivo era a disputa pelo coração de uma garota de quem ele sequer lembra o nome. Isso porque Renato Torelli, irmão de seu antigo desafeto, foi contratado pela Empiricus – e coube a Miranda apresentá-lo aos clientes. “Hoje, depois de ter gastado uma caixa de lenço, posso lhes assegurar: você merecem ler/ouvir o que este homem tem a dizer”, afirma Miranda.

Dizer que o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, começou certa semana “relaxadão”. Afirmar o óbvio: que muitos financistas “comem mortadela para arrotar peru”. Reconhecer que o próprio autor do relatório é bipolar. “Tentamos escrever da forma mais direta possível, usando o humor, porque ele auxilia na absorção da informação”, afirma Mesquita. “Desde que o homem é homem, ele conta histórias, e isso ajuda a entender nossa mensagem”.

A reportagem da IstoÉ Dinheiro publicada em 5 de maio contem os depoimentos e aponta que "a famosa casa de análises independente do País – e reconhecida por seus relatórios descontraídos e mordazes" deve gerar receita de 10 milhões de reais em 2014. "Cerca de 10 mil pessoas já compraram, pelo menos, um relatório da empresa, e há 5 mil assinantes de periódicos da casa.”

As críticas a Dilma Rousseff

A criatividade da Empiricus gerou um episódio retratado pelo site Conversa Afiada na notícia “Vendo proteção contra Dilma. Com Globo e Jabor”, que pode ser lida aqui. Nesta segunda (26), a Empiricus tratou de rebater o que foi veiculado no site encabeçado pelo jornalista Paulo Henrique Amorim. Em nota à imprensa, a empresa se diz acusada pelo site de “ser financiada para fazer campanha contra Dilma”. E explica que a situação não é essa.

“O anúncio da Empiricus [em O Globo] em questão era uma chamada para um relatório que aborda os desdobramentos da corrida eleitoral sobre os mercados, sob as duas óticas: tanto da situação quanto da oposição.” De acordo com a Empiricus, “tal anúncio é criado automaticamente pelo Google AdWords, ferramenta de geração de Leads do Google, também utilizado pelo Conversa Afiada."

A peça, portanto, teria sido foi fornecida “gratuitamente e tratava da volatilidade causada no mercado pelas últimas pesquisas eleitorais – seus e seus desdobramentos”.

O relatório está disponível aqui.

O que o mercado pensa, segundo a Empiricus

Na mesma nota enviada à imprensa, a Empiricus afirma que tem sido alvo de militantes partidários, por supostamente fazer campanha. "Como se tivéssemos trazido uma grande novidade ao falar que o mercado financeiro prefere o Aécio Neves ou Eduardo Campos à Dilma... Vou revelar uma coisa muito importante, só entre a gente. Simba, este é o nosso segredinho: a Bolsa sobe quando a oposição ganha espaço nas pesquisas.”

A Empiricus avalia que “o mercado espera cada vez mais inflação e um crescimento ínfimo da economia brasileira nos próximos anos. Relatório Focus dessa semana mostrou que os agentes de mercado voltaram a aumentar a projeção para a inflação em 2014, de 6,43% (na semana passada) para 6,47% nesta semana, o que é bem distante do centro da meta de inflação, de 4,5%. A mediana das estimativas aponta crescimento de 1,62% este ano e 1,96% para o ano que vem. Não, crescimento pífio com inflação elevada em um cenário de maior juro real do mundo e recente perda de rating não é um quadro exemplar. Independentemente de quem levar a eleição, precisamos de um ajuste de política monetária e fiscal para já.”

Luís Nassif e Cíntia Alves
No GGN



https://www.oantagonista.com/internet/obrigado-pelo-sucesso-da-crusoe/
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(...)

A sociedade com a Empiricus — aquela empresa que os nossos detratores pateticamente dizem que “especula” com as notícias que publicamos — nos rendeu estrutura e planejamento, mas não uma montanha de dinheiro, ao contrário do que espalham os suspeitos de sempre (chegaram a dizer que embolsamos 5 milhōes de reais). Como informamos na ocasião, passamos a ganhar uma pequena quantia por email captado para a base deles e, se o email for convertido em venda de relatório financeiro, uma porcentagem em cima do preço do relatório.

(...)


Encontramos um inimigo e nos juntamos a ele
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Caro Leitor,

É provável que, a esta altura dos acontecimentos políticos, você tenha sido levado a visitar O Antagonista, por condução coercitiva ou voluntária.

Rápidos e diretos, os posts independentes de Diogo Mainardi e Mario Sabino nos atraem, pois incomodam os protagonistas de plantão.

Incomodam a tal ponto que começamos a torcer para o inimigo vencer no final.

Antagonista no mercado financeiro, a Empiricus foi a primeira anunciante do site, em janeiro de 2015, torcendo por seu controverso sucesso.

Em pouco mais de um ano, O Antagonista alcançou a irônica audiência de unânimes, mesmo para os padrões do Datafolha.

5 milhões de usuários únicos por mês.

140 milhões de páginas visualizadas nos últimos 30 dias.

Fomos obrigados a refazer as contas. Paramos de torcer, passamos a investir.

Nesta semana, assinamos um protocolo de intenções para a compra de 50% de O Antagonista, com o intuito de fazê-lo crescer. Duas metades valem mais do que um inteiro.

Esta nova sociedade preserva, obviamente, a independência editorial que multiplicou o site.

Diogo e Mario continuam a escrever tudo aquilo que apuram, pensam e indispensam. E nós, curiosos, continuamos a ler.

No front comercial, recusam quaisquer anúncios e patrocínios de estatais, mesmo que superfaturados.

De resto, nada será como foi.

O Antagonista contratará mais excelentes repórteres, como Cláudio Dantas, para que possa ampliar o número de notícias publicadas por dia.
Novas tecnologias revolucionárias (ou, talvez, reacionárias) facilitarão a navegação de seus milhões de leitores.

Aproveitaremos também para fincar pé trocado no jornalismo econômico, através de uma parceria promissora com O Financista.

O que ganharemos em troca? A Empiricus quer ampliar o número de assinantes por meio de anúncios no site. Simples, e com a vantagem de já sabermos que funciona.

Desnecessário dizer, a liberdade e isenção de nosso time de analistas seguem intocadas e intocáveis.

Temos, juntos, ainda mais direito de escarnecer, ridicularizar, esclarecer, cultivar inimigos e influenciar pessoas.

Você que leu O Fim do Brasil, A Virada de Mão, A Tese do Calote e o Rali do Impeachment sabe do que estou falando.

Você se assusta com a realidade distópica, se revolta, ganha dinheiro e se diverte conosco. Como isso é possível?

Somos contra muitas coisas, sempre a favor de nossos leitores.

A Empiricus cresceu e vai crescer ainda mais.

O Antagonista também.

Encontramos, finalmente, um inimigo à altura, e esse inimigo nos encontrou.

Não é fácil encontrar inimigos.

Quando tiver chance, junte-se a eles.

Dos Antagonistas,
Caio, Felipe e Rodolfo
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A candidatura de Jair Bolsonaro é imoral e inaceitável numa democracia


O eleitor brasileiro tem muito motivo para estar irritado. Mas não pode se queixar de falta de diversidade entre os candidatos a presidente. Há opções de todo tipo, da esquerda à direita; dos estatistas aos que querem, literalmente, privatizar tudo; dos que aceitam qualquer tipo de aliança aos que não aceitam aliança alguma; dos que têm mais experiência aos que prometem ser novidade.

Este blog não irá tomar partido por nenhuma destas candidaturas – assim como, em 12 anos de história, jamais tomou partido por candidatura alguma. Há muitas delas que são defensáveis, dependendo do ponto de vista do eleitor e de sua ideologia. Embora defenda algumas causas, o Caixa Zero acredita que não é papel do jornalista dizer ao seu leitor em quem votar. Trata-se, muito mais do que isso, de dar informações sobre os candidatos para que a pessoa possa tomar uma opção bem informada.

Neste ano, a mesma regra segue valendo. Porém, com uma diferença. Por uma série de circunstâncias, há uma candidatura entre as favoritas que é absolutamente inaceitável do ponto de vista democrático. E este blog acredita que é, sim, seu papel, alertar para o risco que a democracia brasileira corre neste momento. É evidente que estamos falando de Jair Bolsonaro.

Os outros candidatos todos têm defeitos – cabe ao leitor decidir quais são graves a ponto de tornar impossível o voto naquela pessoa. Mas todos jogam dentro das regras da democracia. Bolsonaro é uma trista exceção, que precisa ser destacada. Não é possível considerar que se trate de “apenas mais um nome” na disputa presidencial. Sua vitória, improvável, mas possível, seria trágica.

Em entrevistas que estão disponíveis para qualquer um na Internwt, Bolsonaro diz claramente que, caso fosse presidente, mandaria imediatamente fechar o Congresso – primeira providência de qualquer ditadura. Que a solução para o Brasil não passa pelo processo democrático, e sim por uma guerra civil. Que é preciso matar 30 mil pessoas, ainda que entre eles haja inocentes.

DESEJOS PARA O BRASIL: Democracia aprofundada

Bolsonaro já falou em fuzilar o então presidente Fernando Henrique Cardoso. Nesta semana, ameaçou metralhar desafetos petistas no Acre. Está condenado judicialmente por dizer que não estupraria uma deputada “porque ela não merecia”. Trata as mulheres como seres inferiores – disse que teve quatro filhos e, na quinta vez, “deu uma fraquejada” e teve uma menina.

É racista. Ao falar de quilombolas, disse que eram inúteis e que o mais leve tinha “sete arrobas” – medida que se usa para pesar animais, não humanos. É homófobo. É contra quem pensa diferente dele.

Eliminados todos os outros, fica claro que Bolsonaro só considera dignos de seu respeito como iguais os homens brancos heterossexuais que pensem como ele. Se considerarmos que a Constituição brasileira diz já em seu início que todos somos iguais, é evidente que não se trata de alguém em condições de governar o país.

Bolsonaro defende escancaradamente a ditadura de 1964, tratando como revolução algo que toda a historiografia sabe ser um golpe. Para fazer valer sua mentira, diz que os historiadores é que são mentirosos. Defende a tortura: em seu discurso no impeachment de Dilma, elogiou o maior crápula dos porões da tortura no regime civil-militar, o coronel Ustra.

O candidato, além de tudo isso, é visivelmente despreparado. Não entende de nenhum dos problemas de fato do país. Já deixou claro que não sabe de economia – mesmo tendo passado seis mandatos no Congresso, é incapaz de dizer o que é o tripé macroeconômico que rege nossa política desde FHC, algo que qualquer um que leia jornais saberia responder.

Sua candidatura, segundo alguns, representa apenas um protesto. Um sinal de profunda frustração com a política. É compreensível: nossa política vai de mal a pior. Mas não é defensável substituir algo problemático por outra opção visivelmente pior – não podemos aceitar a volta da ditadura, da tortura, o desrespeito aos princípios básicos da democracia.

O que temos não é muito. Mas levou décadas para construir. Jair Bolsonaro significaria uma política de terra arrasada. Perder o pouco que temos em nome de um protesto não faz o menor sentido. É preciso parar com essa loucura já antes que ela traga consequências ainda mais trágicas para o país.

Rogerio Galindo
No Gazeta do Povo
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Por que a crise argentina, onde há saques a supermercados, não é notícia no Brasil?

Notícia que chega ao Brasil evita críticas ao presidente
A severa crise econômica do governo argentino é praticamente ignorada pela mídia brasileira. O motivo? Seu presidente, Maurício Macri, foi vendido pelo mercado como o modelo do que o sistema financeiro e o liberalismo quer para a região - após mais de uma década de fortalecimento de governos progressistas. Daí a esconder o alto índice de desemprego, aumento da fome e da pobreza e saques em supermercados. Este vídeo é um registro de um caso ocorrido na semana passada.

Os principais jornais do país, Página 12 e Clarin, registraram saques nas cidades de Mendoza e Comodoro Rivadavia. Os grupos se organizaram através da rede whatsapp e usaram para isso o código "Saqueos hambre de Macri" (Saques fome de Macri). Em Comodoro Rivadavia, nove pessoas foram presas, quatro jovens menores de idade. Assista o vídeo do saque em Mendoza.

Macri acredita estar diante de uma bifurcação que se abre à sua frente. Não sabe se atende o mercado, que exige mais ajustes e arrochos, ou a população que teme medidas de austeridade que provocam desemprego. Enquanto isso diverte-se vendo a Justiça fustigar Cristina Kirchner. 

Em agosto optou pela maxi desvalorização do peso que perdeu 35% do seu valor e, no ano, 104%. Ou seja: vale metade do que valia em janeiro.



A crise argentina é tão grande que até mesmo venezuelanos que buscaram refúgio no país por conta da crise no país de Maduro começaram a retornar.

No Conexão Jornalismo



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Expansão com dinheiro público e sonegação: a história da Havan, cujo dono apoia Bolsonaro

Jair Bolsonaro com Luciano Hang, dono das lojas Havan.
Foto: Reprodução
O empresário Luciano Hang, dono das lojas Havan, realizou, entre abril de 2005 e outubro de 2014, 50 empréstimos junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar a expansão de suas atividades comerciais no país, que resultaram na abertura de quase 100 lojas em 13 estados do Brasil. No total, os empréstimos, com prazos de pagamento entre 60 meses (cinco anos) e 48 meses (quatro anos), totalizaram R$ 20,6 milhões.

Na semana passada, o empresário declarou à imprensa de Porto Alegre, durante o anúncio de investimentos de quase R$ 2 bilhões no Estado, que nunca teve nenhum contrato aprovado com o banco estatal e que não usa incentivos oficiais em seus negócios. “Eu não tenho nenhum empréstimo do BNDES. Lamentavelmente, durante os últimos anos, os bons empreendedores não conseguiram os empréstimos que precisavam para se desenvolver. Não é pecado pegar dinheiro do BNDES, quero deixar bem claro, mas eu não pego dinheiro. O dinheiro da Havan é do próprio investimento da empresa, é o retorno do que nós fizemos e dos meus parceiros privados, de bancos como Santander, Itaú, Bradesco e Safra”, disse Hang à uma rádio de Porto Alegre.

Na última quinta-feira de janeiro, 31, o empresário garantiu investimentos de R$ 1,5 bilhão no Rio Grande do Sul na implantação de pelo menos 50 megalojas e de R$ 400 milhões em hidrelétricas e voltou a declarar que não quer incentivos fiscais para se instalar no Estado, nem mesmo outros incentivos governamentais. “Não quero nem terreno para abrir lojas”, disse em cerimônia no Palácio Piratini. Entre as cidades especuladas para instalar suas lojas estão Porto Alegre, Santa Maria, Passo Fundo e Canela. Segundo ele, vai depender de alguns critérios, como a possibilidade de as lojas funcionarem em finais de semana e feriados.

A rede de lojas com origem em Brusque (SC) começou um processo acelerado de expansão a partir de 2011, quando apenas nesse ano abriu 15 lojas em Santa Catarina e no Paraná – até então, a rede tinha apenas 24 unidades distribuídas nos dois estados. Foi justamente em 2011 que a empresa registrou o maior volume de contratos de empréstimo junto ao BNDES – 19 no total, praticamente o mesmo número de novos pontos de venda. Os contratos somaram R$ 1.791.071,02.

Fraude e condenação

A planilha do BNDES a que a reportagem do Extra Classe teve acesso mostra exatamente o contrário. Além de tomar empréstimos no atacado, numa média de cinco por ano, a maioria dos contratos firmados pela Havan Lojas de Departamentos Ltda junto ao BNDES foi na modalidade Finame, que se destina à aquisição de máquinas e equipamentos nacionais para financiar produção industrial. A modalidade, segundo as regras do banco, não se ajusta a empresas de varejo.

As taxas de juros dos empréstimos, além disso, variaram entre 3,1% e 8,7% ao ano – um “papagaio” em bancos comerciais, para pessoas jurídicas, costuma custar pelo menos três vezes mais. Todos os empréstimos foram repassados à Havan por bancos comerciais autorizados a operar com o BNDES. Grande parte dos repasses está concentrada em 2011 e 2012, justamente no momento em que a empresa alterou seu patamar de negócios. Hoje a rede tem 107 lojas distribuídas em 15 estados, com faturamento declarado de R$ 4,7 bilhões em 2016.


Também não é verdade que os negócios de Hang dispensem incentivos públicos. Em Vilhena (RO), por exemplo, o dono da Havan recebeu em 2015 um terreno avaliado em R$ 373 mil da prefeitura para a instalação de uma loja na cidade, além de ter sido agraciado com uma isenção de 10 anos de impostos municipais pela Câmara de Vereadores. A unidade deverá ser aberta em 2018.

Catarinense de Brusque, Luciano Hang, 55 anos, tem se notabilizado pelas críticas severas que faz aos governos do PT, à esquerda e à presença do Estado na economia. Na data da condenação em segunda instância do ex-presidente Lula, em janeiro, o empresário soltou 13 minutos de fogos de artifício em comemoração à sentença.

Mas ele mesmo é um alvo contumaz da Justiça: em 1999, os procuradores federais Carolina da Silveira Medeiros e João Carlos Brandão Néto ingressaram com ação penal na 1ª Vara da Justiça Federal de Blumenau (SC) contra os donos da Havan – Hang e o irmão João Luiz – por contrabando. A acusação era de que a empresa não havia declarado 1.500 quilos de veludo, importados pelo porto de Itajaí.

Era apenas a primeira de uma série de acusações que iriam resultar na condenação do empresário. Segundo Brandão, o esquema de fraudes que possibilitou o crescimento da rede, com o consequente enriquecimento do empresário e da família, começou com a criação de uma importadora de fachada, que não tinha sede própria e nem empregados, em 1996. O empresário, segundo o procurador, utilizava uma off-shore com sede no Panamá para adulterar faturas e notas fiscais como forma de esquentar os produtos comprados no exterior por meio da importadora.  Ele diz que tudo era acobertado por servidores da Receita Federal do porto de Itajaí.

Na denúncia, que envolveu Luciano e mais 13 pessoas, o empresário também foi acusado de usar duas contas em Miami para lavagem de dinheiro de origem criminosa. Em maio de 2004, o prejuízo à União estava avaliado em R$ 168 milhões. “Curiosamente a denúncia foi considerada inepta pela 1ª Vara da Justiça Federal em Itajaí, que julgou o caso, embora estivesse muito bem documentada e contivesse muitas provas. A ação penal foi considerada nula. E, mais curiosamente ainda, o Ministério Público Federal não recorreu da decisão”, disse Brandão à reportagem do Extra Classe. O procurador atualmente atua em Blumenau e não tem mais jurisdição sobre o caso.

Habeas corpus e Refis

Outro procurador que investigou os negócios de Hang, Celso Antonio Três lamentou a falta de resolutividade jurídica nos casos envolvendo o empresário. “A Havan tem origem no ilícito, no extraordinário esquema de corrupção no porto de Itajaí por onde Luciano importava mercadorias subfaturadas no atacado pagando tributos simbólicos. Foi delatado pelos concorrentes, autuado em R$ 120 milhões pela Receita Federal, mas o Tribunal Regional Federal, na época, concedeu habeas corpus para trancar a ação penal sob o único fundamento de que causaria grande repercussão econômica. Aí veio o Refis (regularização extraordinária de débitos com a Receita Federal) do ex-presidente Fernando Henrique (em 2000) e o empresário salvou-se do processo penal com centenas de anos para quitar os tributos”, relembrou à reportagem.

A condenação de Hang só viria em 2003 e por um crime muito menor: sonegação de contribuições previdenciárias. Pela denúncia, o empresário pagava uma parte do salário de seus funcionários “por fora”, sem registro em carteira, como forma de burlar o Fisco e reduzir o custo de impostos relativos à Previdência. No período apurado da fraude, que vai de 1992 a 1999, o empresário sonegou mais de R$ 10 milhões, segundo o Ministério Público Federal. A pena determinada pela sentença foi de três anos, 11 meses e 15 dias de reclusão, além do pagamento de 220 dias-multa (cerca de R$ 1,68 milhão).

A fachada de Havan

Hang, entretanto, nunca foi preso: a pena de privação da liberdade acabaria substituída pela prestação de serviços à comunidade. E tampouco prestaria serviços à comunidade. Em 2009, antes da execução penal, o empresário ingressou com recurso na Justiça Federal de Blumenau pedindo a suspensão do processo devido ao parcelamento do débito obtido junto à Receita Federal. Como os pagamentos estavam em dia, acabou beneficiado pela lei 10.684/2003.

No indeferimento de um habeas corpus pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), em 2002, o então ministro Vicente Leal mencionou “indícios vários da ocorrência de crimes” no âmbito da administração da Havan para manter a sentença.

O dono da Havan, em entrevista por e-mail à reportagem do Extra Classe, negou que os empréstimos junto ao BNDES tenham sido usados para projetos de expansão da rede varejista e disse que os contratos estão relacionados a uma aquisição de bens de massa falida em São Paulo. “Essa aquisição se refere ao patrimônio expropriado de uma indústria calçadista no município de Franca, incluindo um terreno no qual a Havan instalou a filial da rede. Na negociação, a Havan assumiu e quitou as dívidas que a empresa falida tinha com o BNDES”, justificou. O empresário, entretanto, não detalhou a qual empresa se refere.

Hang também disse que no período dos empréstimos à Havan comprou equipamentos, especialmente, para o seu Centro de Distribuição, por meio de contratos de financiamento junto a fabricantes nacionais. “Foram contratos totalmente legítimos e pautados na preferência dada pela Havan à indústria brasileira, sendo que a empresa poderia ter optado por adquirir os equipamentos junto a fornecedores externos, a juros mais baixos e maior prazo”, explicou. Também não foram mencionados quais equipamentos a rede adquiriu.

Sobre as críticas da presença do Estado na economia, o empresário afirmou que não é contra as instituições públicas que servem ao desenvolvimento, “desde que não sejam desviadas de seu propósito”. O empresário se disse favorável a que instituições como o BNDES “mantenham o foco em contribuir para o desenvolvimento econômico, para a competitividade das empresas e para a geração de empregos e de renda no Brasil”.

E voltou a criticar a gestão do banco durante os governos petistas – justamente no período em que fez os 50 contratos junto à instituição financeira. “Ao mesmo tempo em que recusa ou dificulta o apoio às boas empresas nacionais, o BNDES atende a interesses de oligopólios favorecendo investimentos de caráter duvidoso. Minha crítica é pelo uso de recursos públicos a juros subsidiados por nós, brasileiros, para financiar investimentos em países ditatoriais, socialistas ou comunistas”, atacou.

No início de janeiro, Hang anunciou sua disposição de ser candidato em 2018, provavelmente ao governo de Santa Catarina. O empresário se desfiliou do MDB no ato realizado em Brusque, sede da Havan, mas não sinalizou para qual partido poderia migrar. A rede de lojas fundada por ele e pelo ex-sócio Vanderlei de Limas em 1986, a partir de uma pequena loja de tecidos, se transformou num conglomerado de empresas controlado pela Brashop S.A. – Administradora de Shopping Center, que reúne empreendimentos imobiliários e aluguel de imóveis – a maioria para a própria Havan.







Flávio Ilha do Extra Classe, fev/2018
No DCM
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Entre a nostalgia e a dura realidade


Minha relação com o Museu Nacional é, por um lado, nostálgica (o museu que eu frequentei na minha infância) e, por outro, intelectual, pelo reconhecimento da importância de seu acervo para tantos campos do conhecimento. Uma relação, portanto, distante. Mesmo assim, a notícia do incêndio me deixou arrasado. Nem consigo imaginar como estão os pesquisadores, os funcionários, as pessoas que viviam o museu todos os dias, lutando como podiam contra o descaso criminoso do poder público.

Pior agora é ver as declarações fingidas, os responsáveis pela tragédia fingindo que não tem nada a ver com eles. Ou imbecis, como o prefeito do Rio de Janeiro, que nunca deve ter entrado em um museu em toda a vida, que é incapaz de entender o que é ciência e pesquisa, dizendo que basta passar uma mão de tinta e restaurar o prédio como "lembrança da família imperial".

Museus, é bom deixar claro, são pelo mundo todo uma responsabilidade do Estado. Seus acervos, que vão muito além daquilo que é cotidianamente exposto ao público, exigem guardo e manutenção custosos. Para que cumpram sua função cultural, devem cobrar ingressos relativamente baratos. A conta não fecha, exceto se há aporte de recursos públicos. Um museu é um perfeito exemplo de algo que não se sustenta por mecanismos de mercado - como uma orquestra sinfônica ou um instituto dedicado à pesquisa científica de base. Ultraliberais desvairados falam em simplesmente fechar estas instituições: se não se sustentam pelo mercado, não devem existir. Outros gostam de exaltar o mecenato privado, mas o fato é que, além de estar em geral mais voltada às estratégias de relações públicas do que ao interesse intrínseco daquilo que apoia, a filantropia não sustenta museus, orquestras ou pesquisa de base, no máximo complementa (e em geral o Estado devolve grande parte por meio de abatimento fiscal).

Em suma: o mercadista que lamenta o incêndio do Museu Nacional é hipócrita. Museu exige valorização da cultura, incentivo à ciência e projeto nacional. O que o mercado sustenta é shopping center e templo.

O descaso com o Museu Nacional não vem de hoje, nem pode ser atribuído só ao governo golpista. Mas é claro que o congelamento dos gastos públicos foi a gota que faltava, fazendo a situação passar de precária para totalmente insustentável.

Impedir que tragédias assim se repitam é uma tarefa que não será cumprida por nossa burguesia ou nossa elite política. Elas são incrivelmente tacanhas e se, por algum acaso, há alguém que se interesse por museus, estará feliz frequentando-os em Paris ou Nova Iorque.

Luis Felipe Miguel
No GGN
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O Judiciário mais impopular, mais covarde e mais caro do mundo


Sob aplausos das baratas, o inseticida fez sucesso na lambança judicialesca da última sexta-feira, 31 de agosto, no Tribunal Superior Eleitoral. Tudo dentro do óbvio, pois quando um golpe ocorre “com supremo e tudo”, só resta dizer: “Golpe com supremo é tudo!”. Pelo jogo dos números, os 1.500 casos, figurativos ou não, com desfechos em favor dos candidatos sub judice, não poderiam ter o mesmo resultado para o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva. Pelas mesmas contas, 1 milhão de assinaturas na “Lei da Ficha” valem mais que os 54 milhões de votos em Dilma Rousseff e bem mais que 50 milhões de eleitores que querem Lula livre e de volta ao Planalto.

Em pleno exercício do Estado de Exceção, Barrozão disse que “não estamos num Estado de Exceção”, no exato momento em que praticava a exceção. Negando 1500 decisões anteriores, usou (figurativamente) a 1501 para dizer não a Lula. De modo cretino e rebuscado, na base do contorcionismo jurídico-filosófico, jogando para a plateia golpista, apegou-se à lei menor para tripudiar da maior (Constituição). Afrontou à ONU sem a desculpa da Década de 50. Ali, o Supremo Tribunal Federal explicou sua covardia com o voto do ministro Ribeiro Costa: "Esta é a verdade que não poder ser obscurecida por aqueles que parecem supor que o Supremo Tribunal, ao invés de um arsenal de livros de direito, disponha de um arsenal de ‘schrapnels’ e de ‘torpedos’...". Disse ele, explicando o temor das baionetas. Sexta-feira, não havia baionetas. Ameaça velada?

Pulsilâmine e sem baioneta para si apontada, para Barrozão as instituições estão funcionando. A frase cínica foi repetida por “Rosa Blablarina” – presidenta do Tribunal Eleitoral de Exceção. Como sempre, na base do penso assim mas voto assado, pois amanhã vai estar cozido, ainda que cru. Tudo em nome da harmonia do golpe, digo, do colegiado. Ela que defende o “pacta sunt servanda” (os pactos devem ser cumpridos), desalinhou-se de suas convicções (de novo!). Para que? Para manter a instituição funcionando a favor do golpe. O povo é burro, a soberania popular não vale nada e todos os vícios de origem do processo contra Dilma e Lula são fantasias bolivarianas.

Disseram que Lula não estava sendo julgado. Mas um direito dele, conferido a qualquer cidadão estava. Entretanto, o placar de 6 x 1 mostrou que sim. Lula, não! Se desse para chamar o Merval da Globo como juiz “ad hoc”, daria para alimentar o imaginário do 7 x 1 (fracasso programado da Copa de 2014, que só a história esclarecerá).

No impeachment da Dilma houve “acordinho” pra não cassar os direitos políticos dela. No circo TSE também, e, de madrugada, pé de orelha, deixaram Haddad aparecer no horário eleitoral, desde que o proscrito Lula não aparecesse como candidato.

Barrozão foi mais realista que o rei e condenou Lula a tudo, inclusive a não ter o nome na urna, contrariando a lei, em nome da estabilidade jurídica. Toda vez que seu juridiquês falava de estabilidade e segurança jurídica, risco para as instituições, problemas irreversíveis eu entendia o inverso: estabilidade e segurança do golpe, risco “aos interesses corporativos”, problemas “irreversíveis para a candidatura do mercado”, nosso “reajuste salarial e auxílio moradia”.

Boa parte dos barnabés judicantes são defensores do cumprimento dos tratados internacionais (Barrozão, Rosinha, a procuradora Raquelzinha DDH). Assim, durante o velório de biografias, desceu pelo ralo também as exéquias da democracia.

Por falar em biografias, Fachin (voto vencido) tentou salvar a sua. Reconheceu a ficha suja de plástico, mas, suponho que para não perder o direito de repetir eventuais palestras agendadas, acolheu o postulado do Comitê de Direitos Humanos da ONU. Ficou claro: os pactos internacionais que servem para acusar Lula não servem para a defesa dele. Fachin disse sim a ONU de um lado e de outro disse sim para Ficha Limpa que, segundo Gilmar Mendes, “parece ter sido feita por bêbados”. Mesmo assim, "a impugnação de um registro não impede que um candidato faça sua campanha", como diz o jurista Luiz Flávio Gomes. Aliás, a Lei nº 9504/97, atualizada pela Lei nº 12.034/2009, tem clareza linear no Art. 16-A:

“O candidato cujo registro esteja sub judice poderá efetuar todos os atos relativos à campanha eleitoral, inclusive utilizar o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão e ter seu nome mantido na urna eletrônica enquanto estiver sob essa condição, ficando a validade dos votos a ele atribuídos condicionada ao deferimento de seu registro por instância superior”. 

Lula é ficha suja de plástico, fruto de uma condenação por ato difuso, inespecífico, atemporal, fundamentada num silogismo virtual: se todo político é ladrão e Lula é político, logo ele é ladrão. Faltava um selo silogístico e a República de Curitiba deu via PowerPoint, sob aplausos e ratificação de urubus “cubofóbicos”. Mas, mesmo com esse selo, a norma é clara: pode ser candidato e praticar todos os atos. Mas, o TSE disse “não” e poderia até dizer, mas não impedir Lula de praticar os atos expressamente permitidos em lei.

Tudo isso fruto da entropia estatal em seu pior sentido. Pela minha metáfora, essa entropia se desenvolve como um doente em coma, no qual os médicos dizem que está bem: “todos os órgãos estão funcionando”. Para um colega da PF (imune às Macabéas do órgão) a metáfora é a do computador com vírus: você tecla uma letra aparece outra, tenta consertar surge uma inconsistência, de forma que, a cada recurso apresentado há uma trava virótica. O doente é o Brasil e o vírus é o golpe, e disso decorre a entropia ou disfuncionalidade estatal generalizada. A sintonia e ou sincronismo só funciona pró-golpe e nos demais campos ela se desconecta, pois tudo é farsa.

O Poder Judiciário (gestor da política) alimenta a disfuncionalidade e não entende como ela é vista pelo povo. Não entender isso é também disfunção, pois o povo, mesmo em sua disfuncionalidade, é funcional na percepção de que Lula é perseguido. Lula não tem conta na Suíça e um suposto chefe de quadrilha não ganharia tão pouco. O helicóptero com 500 quilos de cocaína e os 56 milhões encontrados num apartamento não são de Lula. O povo sabe que o queridinho da PF e da República de Curitiba era o homem que queria matar Fred. Desse modo, povão não dá crédito ao judiciário mais impopular, mais covarde e mais caro do mundo. Quiçá mais coisa!

Armando Rodrigues Coelho Neto - advogado e jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-integrante da Interpol em São Paulo
No GGN
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400 mil seguidores de Bolsonaro no Twitter são robôs

Cerca de 33% dos perfis que seguem o candidato Jair Bolsonaro (PSL) são perfis falsos controlados por computadores


Cerca de 33% dos perfis que seguem o candidato Jair Bolsonaro (PSL) são perfis falsos controlados por computadores. É o que aponta um recente levantamento realizado pelo instituto InternetLab, cujo intuito foi analisar os seguidores dos presidenciáveis no Twitter e descobrir quantos deles são robôs.

Esses robôs (conhecidos como bots) são programados para compartilhar, interagir e fazer volume nos perfis de forma automatizada e podem vir a ser utilizados para influenciar as eleições de outubro deste ano. Ação semelhante aconteceu no pleito que elegeu Donald Trump nos EUA, em 2016.

Alvaro Dias, senador do Podemos, é o candidato com maior percentagem de seguidores robôs: 60% dos seus quase 410 mil seguidores são perfis falsos. Em seguida, aparece Geraldo Alckmin (PSDB), com 45,8% de perfis falsos dentre aqueles que o seguem.

Marina Silva (Rede), tem 36% de seguidores falsos; Jair Bolsonaro (PSL), 34%; Ciro Gomes (PDT), 32%; Lula (PT), 22%; João Amoedo (Novo) 21%. O candidato com menor percentagem de seguidores falsos é Guilherme Boulos (PSOL), com 14%.

Na média, 37,4% dos perfis que seguem os candidatos à presidência no Twitter são robôs. É comum que perfis falsos sigam políticos em razão da sua popularidade, pois os robôs são programados para que seu comportamento se pareça com o de usuários comuns.

Porém, números elevados de seguidores robôs podem indicar a compra de bots com o objetivo de inflar artificialmente a reputação do respectivo candidato nas redes sociais. A prática é vedada tanto pelo Twitter quanto pela lei. A legislação eleitoral também veda uso de ferramentas para impulsionar publicações que não aquelas oferecidas pelas próprias redes sociais.

O levantamento cita, ainda, dois outros estudos que apontam que o Brasil é um dos países com o maior uso de bots em redes sociais e que hospedamos a 8º maior população de bots do mundo.
Realizada entre os dia 4 e 28 de junho de 2018, a pesquisa foi feita com o uso de uma ferramenta desenvolvida pela Universidade de Indiana (EUA) chamada Botometer. Analisando padrões de postagens e horários em que as contas estão ativas, a ferramenta verifica o comportamento dos perfis na rede e mede o percentual de seguidores de cada candidato que são potencialmente bots.


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