30 de ago. de 2018

Inimigo da democracia, Bolsonaro ameaça o Brasil


Basta ter um mínimo de memória política, para reconhecer que o universo de preconceito e violência que alimenta a campanha de Jair Bolsonaro pertence a uma árvore genealógica conhecida, que produziu os piores ditadores que a humanidade conheceu em tempos recentes.

Ian Kershaw, o respeitado biógrafo do cabo austríaco Adolf Hitler, deixou uma observação definitiva sobre o personagem responsável pela Segunda Guerra Mundial, que matou 50 milhões de homens e mulheres no século XX. Ao contrário de lideres políticos tradicionais, explicou, Hitler não possuía um projeto de país nem um programa claro de governo. Toda sua ação era motivada por uma causa única - o preconceito - e o impulso mórbido para confirmar suas convicções de qualquer maneira, tentando castigar e eliminar povos inteiros, como judeus, eslavos e ciganos.

Ainda que seja necessário evitar comparações simplistas, as semelhanças estão aí para quem quiser ver. A incapacidade de Bolsonaro apresentar elaboração própria para resolver qualquer uma das grandes mazelas brasileiras é indiscutível e constrangedora e ajuda a explicar a presença cada vez mais destacada do Chicago Boy Paulo Guedes na campanha.

Responsável pela abertura dos salões da elite globalizada a um capitão considerado por muitos como tosco demais para ser levado a sério, Paulo Guedes faz o serviço político básico de eliminar qualquer vestígio de nacionalismo - mesmo retórico - no discurso de um candidato que, como militar, tem (ou deveria ter) na soberania nacional um item básico de formação. Como já observei aqui neste espaço, o economista anunciou a linha de política econômica de Bolsonaro ao declarar na Globo News, com toda clareza, que o projeto do candidato é dar continuidade ao mais impopular e entreguista governo de nossa história republicana: "Vamos fazer o que o Temer tem feito, só que mais rápido".

"Ele (Paulo Guedes) pode ser presidente do Brasil", diz uma capa de Veja (22/8/2018), confirmando seu espaço na campanha. Essencialmente, o economista tornou-se o fiador do compromisso estratégico de entregar ao setor privado nacional e principalmente internacional as estatais que representam a herança positiva do desenvolvimentismo do período militar. Esta operação envolve o repasse, em clima de liquidação, de empresas com desempenho regular, bom e mesmo ótimo em várias áreas. Como, na visão de Paulo Guedes, estatal é sinônimo de lucro, até uma doação pode ser considerada benéfica.

Depois de uma longa fase inicial de investimentos custosos e retorno demorado, boa parte das estatais chegou à fase do filé mignon, tornando-se alvo de cobiça compreensível e sem disfarce. No Brasil de 2018, a história se encontra neste ponto.

Há exatamente 40 anos, num seminário da antiga Gazeta Mercantil, os maiores empresários do país assinaram um manifesto no qual incluíam a privatização de estatais como sua maior reivindicação ao defender a democratização do país.

Entre vitórias, derrotas e muitos empates, o país tem resistido desde então. A cobiça econômica do andar superior da pirâmide permanece. Mas o compromisso com a democracia se enfraqueceu ainda mais, como demonstra a sustentação irresponsável a Bolsonaro, cuja campanha é marcada por manifestações permanentes de ódio ao regime democrático e seus protagonistas visíveis e obrigatórios - os pobres, as mulheres, os negros, os gays.

Nos 27 minutos de depoimento ao Jornal Nacional, em 28 de agosto, Bolsonaro deixou claro o apoio incondicional ao golpe militar de 31 de março de 1964, incompatível com os princípios legais em vigor no país desde a promulgação da Carta de 1988 - e que um presidente tem obrigação de cumprir e fazer cumprir. É preocupante mas coerente com a história do candidato. Os vídeos da lamentável sessão da Câmara, na qual se consumou o golpe que derrubou Dilma Rousseff, mostram um brilho estranho no olhar de Bolsonaro quando celebra a queda de uma presidente eleita como uma revanche para homenagear o coronel da tortura Carlos Alberto Brilhante Ustra. Essa é sua visão do curso da historia presente, entendeu?

Por trás da expressão "feia demais para ser estuprada" dirigida à deputada Maria do Rosário, não se expressa só uma ofensa patriarcal ou machista, mas também um impulso de morte, de quem tem ódio pelas mulheres, fazendo o possível para que sejam humilhadas em público. As manifestações de preconceito bruto contra brasileiros negros - maioria da população, alvo de uma opressão de três séculos - são tão visíveis que se tornaram objeto de uma decisão no STF, na qual sua chance de escapar de uma investigação necessária se concentra no auxílio de Alexandre Moraes, instalado na mais alta corte de país pelo amigo Temer - aliado não apenas em assuntos de política econômica, como se vê.

O retrospecto mostra que Bolsonaro faz o possível para enfraquecer a sempre frágil democracia brasileira há pelo menos 30 anos. Em 1988, quando o povo sequer havia recuperado o direito de escolher o presidente da República nas urnas, o capitão entregou à revista Veja o croqui de um atentado terrorista na adutora do Guandu e outros pontos estratégicos do Rio de Janeiro, segunda maior cidade do país. A revista não apenas publicou o esquema do atentado, esclarecendo que fora elaborado "de próprio punho" pelo capitão. Veja também escreveu que "sem o menor constrangimento, Bolsonaro deu uma detalhada explicação sobre como construir uma bomba-relógio. O explosivo seria o trinitrotolueno, o TNT, a popular dinamite. O plano dos oficiais foi feito para que não houvesse vítimas. A intenção era demonstrar a insatisfação com os salários e criar problemas para o ministro (do Exército) Leônidas Pires Gonçalves”, diz a Veja, que gozava de uma credibilidade impensável nos dias de hoje e era célebre pelas fontes na cúpula das Forças Armadas.

Embora o próprio Bolsonaro tenha desmentido a notícia, ele chegou a ser condenado em primeira instância. O episódio também está na origem de sua passagem para a reserva - não remunerada - quando deu início à carreira política como vereador, no Rio de Janeiro. Criando conflito com oficiais que sustentavam a democratização com Sarney, jogava ao lado daqueles que resistiam a todo esforço de abertura política.

O círculo se fecha na campanha de 2018, quando fez da segurança pública, alvo número 1 de sua retórica de candidato. Seu caminho é a violência. A resposta única de Bolsonaro se expressa numa encenação mórbida, na qual ele simula dar aulas de tiro a uma criança de colo, gesto que confirma a irresponsabilidade social e leviandade política.

Nenhum aprendiz de policial pode imaginar que, com armas na mão, homens e mulheres ocupados em pagar as contas do fim do mês e cuidar do futuro dos filhos, serão capazes de enfrentar bandos criminosos profissionais que infernizam as grandes cidades. Nossa violência policial produz uma safra de 60.000 mortes por ano, em sua maioria criminosos reais, potenciais ou suspeitos. O patamar é recorde mundial. Apesar disso, o saldo é uma violência que não para de crescer - o que apenas demonstra que é necessário procurar outros caminhos, a começar pela ampliação de oportunidades para milhões de brasileiros emparedados pelas dificuldades de uma sociedade tão desigual e injusta.

Nem mesmo nos Estados Unidos, a pátria da liberação de armas, acredita-se que a venda de metralhadoras pelo correio tenha alguma utilidade para elevar a segurança das pessoas. Pelo contrário. Traumatizada por tragédias frequentes, a população quer controle e mesmo proibição. O debate não avança, e nenhuma proposta chega a ser votada em função dos lobistas da industria de armas. Considerados os mais poderosos de Washington, eles financiam um Congresso submisso com verbas de campanha - fenômeno que o eleitor brasileiro conhece muito bem. Corrupção disfarçada, não tem nada a ver com a segurança dos cidadãos e suas famílias.

Conclusão: enquanto o candidato finge dar aula de tiro para crianças, sua campanha faz acenos de verdade para a indústria que busca um mercado de morte e violência para seus produtos.

Alguma dúvida?

Paulo Moreira Leite
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Um “desfecho rápido” para Lula


O dia 15 de agosto de 2018 foi a data limite para o registro das candidaturas à Presidência da República. No dia seguinte, a manchete do jornal O Globo, contudo, destacava outro tema: o pedido de rejeição da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva que a PGR realizou junto ao TSE.

Em um de seus editoriais [1] do dia 16 de agosto, o jornal foi claro: Lula se utilizava de todos os subterfúgios legais, carismáticos e discursivos para fortalecer a candidatura petista – ali chamada de “manobra” -, seja com ele, seja com Fernando Haddad como candidato a presidente. A partir de uma noção republicana de que a lei vale para todos, o jornal destacava que a rejeição da candidatura de Lula pela Ficha Limpa era certa.

No dia 18 de agosto, em uma de suas matérias de capa sob o título “Candidatos vão ao Nordeste em busca de eleitores de Lula”, o jornal O Globo afirmou que “se [o] petista for barrado, 10 milhões de simpatizantes na região dizem não ter um nome à Presidência”. Embora a matéria reserve algum espaço para a dúvida sobre algo que ainda não aconteceu ao empregar a partícula “se”, o editorial da página 2, intitulado “Eleição depende de desfecho rápido no caso de Lula” explicita o opinião do jornal: “o partido e aliados desrespeitam a clareza com que a Lei da Ficha Limpa torna inelegível o ex-presidente, por ter sido condenado em duas instâncias, nas acusações de corrupção e lavagem de dinheiro, no processo do apartamento do Guarujá.”

Para desqualificar o registro da chapa, O Globo chama de “golpe perfeito” aquilo que identifica como estratégia da candidatura: a prolongamento da discussão permitiria que a foto de Lula aparecesse nas urnas, “mesmo que a candidatura venha a ser cassada depois”, sendo substituída a liderança por Haddad. Assim, na opinião do jornal, teria lugar “um estelionato”: eleitores votariam na foto de Lula mas dariam o voto a Haddad.

Diante disso, o jornal urge para que o candidato seja impedido com rapidez e sugere “o dia 31, sexta-feira, como data-limite, por ser o início da propaganda eleitoral no rádio e na TV”, completando que “o melhor para o Brasil é que tudo esteja resolvido até lá”. Nesse contexto, para o jornal, “não se pode perder tempo”.

Além dos editoriais, outro espaço a pedir com pressa a proibição da candidatura é a coluna de Merval Pereira. Segundo ele, “o bom senso manda” [2] que o impedimento seja resolvido até o dia 31 de agosto, para assim evitar que a campanha tenha início no rádio e na televisão. O jornalista afirma que “Lula, condenado em segunda instância, não pode concorrer à presidência da República” e defende claramente que essa decisão seja tomada o mais rápido possível, mesmo sem que um processo seja aberto.

No dia 21 de agosto de 2018, os resultados da primeira pesquisa após o início do período eleitoral foram divulgados pelo jornal, que fez questão de destacar que o candidato do Partido dos Trabalhadores é Fernando Haddad e não Lula. Já no corpo da manchete, o jornal pontua que Lula está inelegível pela Ficha Limpa. Quando acessamos a reportagem relacionada à manchete observamos que O Globo faz questão de noticiar junto aos dados, a manifestação do Ministério Público Eleitoral pela inelegibilidade do ex-presidente e reforçar que a decisão ainda será tomada pelo relator do caso no TSE, o ministro Luís Roberto Barroso.

No mesmo dia 21, a coluna [3] de Merval Pereira reagiu à recomendação da ONU de que Lula deveria ser candidato, não para comentar a decisão, analisando a razão de tal posicionamento do órgão, mas para destacar que durante os governos petistas recomendações também foram ignoradas e que o Comitê de Direitos Humanos, de onde a recomendação partiu, não teria poder de sanção. No dia 23 [4], Merval admite o favoritismo de Lula nas pesquisas, mas afirma mais uma vez que Lula não será candidato porque é inelegível pela Lei da Ficha Limpa e que não necessariamente conseguirá transferir seus votos para Haddad – destacando que o impacto será grande se o PT puder usar a imagem de Lula na campanha eleitoral. Novamente, no dia 24, o colunista dedica sua coluna a dizer que Lula não conseguiu transferir seus votos pra Haddad em 2016, pois o candidato não conseguiu se reeleger. Segundo Merval, “na eleição de 2010, Lula havia transferido para a desconhecida Dilma sua popularidade transformada em votos, mas é difícil encontrar líderes populares que, sem poder participar da campanha eleitoral presencialmente, tenham tido sucesso.” [5] O jornalista vai mais longe ao recomendar que a imagem de Lula não deve aparecer em lugar algum da campanha, reafirmando que, caso Lula seja impedido, seus eleitores estariam dispersos e não com Haddad, argumento que repetiu em colunas posteriores.

Outra narrativa que começa a tomar corpo é chamar o caso de fraude. No já mencionado editorial do dia 18, o jornal chamava de estelionato a insistência na candidatura de Lula com vistas a beneficiar Haddad. No dia 22, O Globo publica matéria [6] em que Ciro Gomes chama de fraude o movimento do PT. Na coluna do dia 24, Merval usa a expressão “propaganda enganosa”.

Praticamente não há espaço no jornal para discutir que, por ora, até que outras medidas sejam tomadas, a inscrição da candidatura de Lula foi realizada e permanece regular. Do mesmo modo, pouco se problematiza o fato de as pesquisas apontarem a liderança do candidato com ampla margem. A complexidade do caso, o processo contraditório da prisão de Lula e sua indiscutível liderança são aspectos menosprezados, de modo geral, pelo jornal que, ao lado de outros veículos, destaca o desfecho como dado e foca no cenário sem Lula como única realidade admitida para as eleições.

A candidatura do petista se tornou um inconveniente: ao mesmo tempo em que não há uma decisão oficial sobre o registro, o ex-presidente continua a liderar todas as pesquisas e a ser um fator decisivo na corrida eleitoral. Os prazos jurídicos parecem ter se tornado empecilhos para O Globo, que decidiu antecipar-se ao Judiciário, tomar uma decisão sobre Lula e construir sua narrativa própria sobre a eleição. Ao fazer isso, o jornal se antecipa não só aos ritos legais, mas à história; não apenas produz uma determinada narrativa sobre a política, mas pressiona e patrocina um desfecho político esforçando-se para mostrá-lo como o único possível.

Notas

[1] A vitimização de Lula na manobra da candidatura. O Globo, 16 de agosto de 2018, p. 2.

[2] PEREIRA, Merval. Derrotas sucessivas. O Globo, 18 de agosto de 2018, p.2.

[3] Não faça o que faço. O Globo, 21 de agosto de 2018, p. 2.

[4] Eleição aberta. O Globo, 23 de agosto de 2018, p. 2.

[5] Os problemas de “Andrade”. O Globo, 24 de agosto de 2018, p. 2.

[6] DANTAS, Dimitrius; LIMA, Maria. Marina e Ciro criticam PT por insister em Lula. O Globo, 22 de agosto de 2018, p. 8.

Juliana Gagliardi e Eduardo Barbabela
No Manchetômetro
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Zé Dirceu reunido com blogueiros e veículos da mídia alternativa em São Paulo


“Não subestimem o Bolsonaro”. A declaração foi feita há pouco por José Dirceu, considerado por muitos como o principal estrategista do PT, em encontro com blogueiros e veículos de mídia alternativa em São Paulo.

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Fux: “o charlatão togado”

Livro "Zé Dirceu: Memórias" desnuda ministros do STF


Charlatão, nos ensina Houaiss, é “que ou aquele que se apresenta nas praças ou nas feiras para vender drogas e elixires reputados milagrosos, seduzindo o público e iludindo-o com discursos e trejeitos espalhafatosos (diz-se de mercador ambulante)”. Ou, por extensão, no sentido pejorativo: “diz-se de ou pessoa muito esperta que, ostentando qualidades que realmente não possui, procura auferir prestígio e lucros pela exploração da credulidade alheia; mistificador, trapaceiro, impostor”.

Por que Zé Dirceu assim qualifica Luiz Fux, em Zé Dirceu: Memórias?

Precisamos voltar um pouquinho na história.

O denunciante do Mensalão, Roberto Jefferson, teve seu mandato de deputado federal cassado por ter feito “acusações sem provas’. Foi o que concluiu a Câmara Federal. Sem se deter nesse “detalhe”, o Procurador-Geral da República, Antônio Fernando Souza, afirmou na sua denúncia ao STF: “Relevante destacar, conforme será demonstrado nesta peça, que todas as imputações feitas pelo ex Deputado Roberto Jefferson ficaram comprovadas.”

“A expectativa era que o plenário do STF não aceitasse a denúncia. As próprias CPMIs não provaram que houvera compra de votos e muito menos minha participação nessa suposta compra”, afirma Zé Dirceu. A verdade é que o STF acolheu a denúncia e, em 2012, ele foi condenado.

Joaquim Barbosa, em ato “demagógico” e apoiado numa figura de “trânsito em julgado parcial”, avalia Zé Dirceu, determinou sua prisão no dia de comemoração da proclamação da República em 2013.

Como explicar as atitudes de Barbosa e de outros ministros do STF, indicados pelo próprio governo Lula?

“Nunca me opus à [indicação} de Joaquim Barbosa, porque toda sua vida em Brasília, profissional e acadêmica, aconselhava. Ele era progressista, eleitor do PT, convivia em nosso meio, mas depois, já no cargo, revelou-se um autoritário e assumiu o papel que a mídia e o Ministério Público queriam”, declara.

As pressões para a escolha de um ministro do STF vêm de todos os lados: do próprio STF, dos Tribunais de Justiça, do Congresso, da mídia etc. Afirma ele:

“Nós não tínhamos força para fazer isso [indicar somente ministros progressistas], porque nós dependemos do Parlamento, do Senado, felizmente, vamos dizer assim. E dependemos dos poderes que existem no país. O Supremo influencia a indicação do ministro, o STJ nem se fale. O que o governo tem pendente lá no STJ bilhões, dezenas de bilhões e problemas gravíssimos, entendeu?”

Mesmo assim, ele acredita que somente Cezar Peluso e Carlos Alberto Direito, dentre os indicados durante os governos do PT, eram declaradamente conservadores. Todos os outros indicados eram progressistas, alinhados com a causa da democracia e do PT. Houve, porém, desagradáveis surpresas com vários deles.

Fachin, que fez uma veemente defesa de Dilma em um ato em que ele próprio pedira para falar, “se fazia amigo e aliado de todos os movimentos sociais, na academia e na advocacia – um engodo.”

Barroso se considera “refundador da República”, ele acha “que os fins justificam o meios e hoje muda a Constituição, legisla, usurpa o Poder Legislativo, tudo com base no princípio constitucional da Moralidade, uma fraude”. Complementa Zé Dirceu: “Esse lenga-lenga que corrupção é de político, a corrupção está na essência e no coração do capitalismo, porque o dinheiro é que está na essência e no coração … isso não quer dizer que temos que aceitá-la.”

Ele acredita que as prerrogativas dos juízes, como a vitaliciedade, a exposição conferida pela mídia e a submissão a grupos de pressão são os principais responsáveis pelas ações contrárias às histórias de certos ministros. “A única coisa que eu cobro é coerência com sua história, coragem para enfrentar os lobbies, coragem para enfrentar o poder da mídia, coragem para enfrentar esse punitivismo que tomou conta do Brasil”, pontua ele.

Sobre Luiz Fux, Zé Dirceu é mais incisivo:

“E tem o caso do Fux, que é um caso aberrante, porque ele procurou … todos os réus da Ação Penal 470, chamada de Mensalão, para … ele me assediou. Sabe o que é assediar uma pessoa até me encontrar? Para dizer … primeiro ele conhecia realmente o processo, as vírgulas do processo … para bater no peito e dizer que matava no peito, que nos éramos inocentes e que ia nos absolver. Esse é um charlatão ou não é?”

A Ação Penal 470, conhecida como Mensalão, indicou, para ele, o início da “virada da Suprema Corte na direção do populismo judicial e do ativismo político, da judicialização da política, a Corte Suprema a serviço da luta contra a corrupção, quando os fins justificam os meios – era somente o começo”.

Notas

1 As declarações de José Dirceu foram extraídas i. do livro Zé Dirceu: Memórias. São Paulo, Geração Editorial, 2018. 496 p. (https://www.zedirceumemorias.com.br/) e da entrevista que Zé Dirceu deu à TV 247 (https://youtu.be/DLV6hRVmY3Q.)

2 Essa matéria recebeu o selo 030-2018 do Observatório do Judiciário.

3 Para ler outras matérias do Observatório do Judiciário:
https://jornalistaslivres.org/categoria/observatorio-do-judiciario.

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Mauricio Macri perde controle da economia e trabalhadores decretam greve geral


A economia argentina está derretendo nesta quinta-feira (30). Na tarde de ontem o mercado de moedas argentino já havia entrado em uma corrida desenfreada. O dólar subiu 2,40 pesos e a moeda argentina desvalorizou em mais 7,5%. O dólar disparou para 35 pesos, depois de ter fechado no dia anterior em 32 pesos.

A corrida de ontem iniciou logo depois que o presidente da República da Argentina, Maurício Macri, anunciou que o Fundo Monetário Internacional (FMI) adiantará os fundos necessários para o pagamento da dívida pública que vence nos próximos doze meses.

O acordo com o FMI no começo deste ano previa um crédito de US$ 50 bilhões a serem desembolsados em parcelas mensais durante trinta meses. Macri não detalhou quanto será adiantado agora, mas muita gente acredita que nem mesmo o adiantamento de uma só vez dos US$ 50 bilhões seria suficiente para interromper de vez a desenfreada corrida contra a moeda argentina.

O Banco Central vendeu outros 300 milhões de dólares durante o dia na tentativa de frear a corrida. Foram logo engolidos pelo mercado e a corrida continuou seu curso natural.

Para o mercado e demais parasitas da “pátria financeira”, o anúncio de Macri soou como que a situação financeira do país está entrando no perigoso terreno da moratória das dívidas públicas e privadas.

Soou como a confissão de incapacidade do próprio Macri e de sua equipe econômica ultraliberal de darem conta da delicadíssima situação econômica do país.

Pouca gente ainda acredita que as dívidas argentinas públicas e privadas possam ser pagas ou renovadas pelos credores; são indexadas ao dólar e com vencimentos no curto-prazo, para os próximos semestres. Cada ponto percentual de desvalorização do peso aumenta brutalmente o volume dessas dívidas a serem pagas proximamente. Situação de verdadeiro impasse.

Para a população trabalhadora, por outro lado, a confissão de incompetência de Macri para controlar a situação apenas confirmou isso que todo mundo já sabia – que a Argentina está se tornando ingovernável e que seu governo aprofundará mais rapidamente o plano de austeridade já embutido no pacote do FMI, piorando gravemente as já deterioradas condições de sobrevivência, de desemprego crescente e da fome pura e simples de grande parte da população.

A receita do governo é mais ajuste. Erradicar definitivamente o déficit fiscal! Como? Mais “reformas” trabalhistas e da Previdência, cortes de gastos sociais, aumento de gastos com juros e com polícia militar, etc.

Do mesmo modo que em todas as demais economias da América Latina, eles são incapazes de qualquer medida diferente desse protocolo imperialista para resolver os problemas econômicos nacionais.

Para que não pairasse nenhuma dúvida quanto a isso e para “tranquilizar o mercado”, o próprio ministro argentino da Fazenda, Nicolás Dujovne, soltou comunicado no começo da noite de quarta-feira, depois que os bancos e os mercados já estavam fechados: “ O único caminho para que a Argentina saia das turbulências é erradicar definitivamente o déficit fiscal. Vamos fazê-lo o mais rápido possível”.

Tentava “acalmar o mercado”. Entretanto, mais do que as palavras do comunicado seu chefe Macri, as de Dujovne parecem ter sido muito mais incendiárias. Um enorme caminhão pipa de gasolina para apagar o incêndio.

Quando o mercado abriu nesta quinta-feira (30) a desvalorização continuava a se intensificar com muito mais virulência. A mais de uma hora do fechamento dos bancos, o dólar era vendido a um máximo de 42 pesos em bancos e casas de câmbio da cidade de Buenos Aires.

Para conter a corrida, o Banco Central anunciou logo de manhã uma elevação da taxa básica de juros para 60% ao ano. E injetou, depois dos 300 milhões de dólares de ontem, mais 500 milhões nesta quinta-feira. Com esse saco de loucuras até que conseguiram reduzir um pouco o preço do dólar, para 39 pesos. Mas depois do meio-dia, o gatilho foi reativado e o dólar estava sendo negociado em torno de 41 pesos.

Nenhuma tentativa do governo de tranquilizar os mercados dá resultado. Hoje, minutos depois que Marcos Peña, chefe de Gabinete da presidência, saiu para tentar acalmar a manada o mercado voltou a dar as costas para ele. “Temos que continuar trabalhando. Nós não acreditamos que estamos enfrentando um fracasso econômico, muito menos. A Argentina vai progredir e se fortalecer … todos os indicadores dizem”, disse Peña nesta manhã, ao descartar uma mudança no gabinete, já que” não há soluções mágicas nesse sentido “. Os mercados também não escutaram.

A resposta dos trabalhadores a essa catástrofe argentina já tinha vindo na data de ontem (29). A CGT, maior central sindical do país, anunciou greve geral para o dia 25 de Setembro, a quarta ‘medida de fuerza’ convocada contra o governo Macri.

A proposta de greve surgiu na plenária da CGT que se desenrolavs no Teatro Empire, no bairro portenho de Monserat. Conforme o comunicado da entidade, os secretários gerais de diversos sindicatos colocaram “a necessidade de uma ‘medida de fuerza’ para defender os direitos dos trabalhadores e repudiar a crítica situação econômica”.

Além da CGT, também nesta terça-feira os trabalhadores das duas CTA – Central dos Trabajadores de Argentina e Autónoma – convocaram greve de 36 horas a partir de 24 de Setembro, um dia antes da medida de fuerza convocada pela CGT contra as políticas de ajuste do governo de Mauricio Macri e seu “plan sistemático de hambre”.

Em seu comunicado conjunto as duas CTA anunciam: ” A greve ativa será completada com uma mobilização em direção à Plaza de Mayo, e um dia depois se decidirá sobre sua continuidade, em consonância com o restante do movimento operário”.

Em entrevista de imprensa junto com Pablo Michelli, dirigente do Autónoma, o secretário-geral da CTA dos Trabalhadores, Hugo Yasky declara ao povo argentino: “Nós estaremos mobilizados, em greve, prontos para lutar ao lado dos trabalhadores que resistem às demissões e a este plano sistemático de fome. Estaremos mobilizados na frente do Congresso quando o orçamento estiver sendo decidido, este orçamento do Fundo Monetário Internacional, que nada mais é do que o aprofundamento do ajuste, dos cortes, da fome “.

Juntos, os líderes anunciaram que “a medida de força faz parte do plano de ação que será desenvolvido ao longo de setembro contra a política do governo nacional, que é a mesma do FMI”. E concluíram: “Eles acreditam que priorizando a especulação financeira parasitária sobre a produção o país seguirá em frente. Sabemos que dessa forma não há futuro, não só para nós, mas também para nossos filhos “.

No mesmo dia, inúmeros movimentos sociais dos bairros aderiram à greve das centrais operárias, mas, diferenciando da proposta destas últimas, farão protestos ativos, com barreiras em rodovias e ações que denunciem a gravidade da situação de emergência social.

O concreto é que, para os movimentos sociais nos bairros, a situação, sempre salientando suas próprias palavras “não dá mais para segurar” e, portanto, “exigem uma resposta mais clara para a situação”.

Neste momento, o problema imediato da população trabalhadora da Argentina e desses movimentos sociais dos bairros é, além do desemprego, a fome pura e simples. O elemento chave da chamada “Lei da Emergência Alimentar” do governo argentino tem a ver com a impossibilidade de acesso de parcelas crescentes da população aos alimentos e com a má nutrição.

De acordo com estudo publicado recentemente pelo Instituto de Investigação Social, Econômica e Política Cidadã, a má nutrição afeta 48% das crianças e jovens (faixa etária 2-19 anos) na província de Buenos Aires.

O mesmo instituto revela, num estudo divulgado no dia 1 de Outubro, que 28,6% dos argentinos se encontra em situação de pobreza extrema e 6,2% em situação de indigência. Metade dos argentinos pobres vive na região da Grande Buenos Aires, onde se concentra aproximadamente um quarto da população do país.

Os movimentos sociais argentinos atravessaram os últimos meses pressionados pela população desempregada demandando por comida em seus ‘comedores’. Um indicador dessa situação é que eles não pedem mais socorro apenas ao governo, mas também os supermercados. Sem resposta de nenhum deles.

Com a atual disparada do dólar e seu impacto nos preços dos alimentos e dos alugueis, os tempos que virão serão ainda mais difíceis para todos os operários da Argentina, empregados ou desempregados.

A classe operária da Argentina é a mais tradicional, a mais preparada teoricamente e a mais combativa de toda a América Latina.

A partir da catástrofe reproduzida neste ano pelos seus capitalistas e pela economia do imperialismo, mais uma vez, ela terá que se colocar novamente em movimento, como foi ensaiado na crise catastrófica de 2001 e 2002.

Como a velha toupeira que novamente emerge com sua solução teórica (programática) para a catástrofe social concreta e imediata.

É por isso que os demais operários de todo o mundo terão nos próximos meses muito o que aprender (e a fazer em seus países) com a possível nova insurgência de seus irmão que trabalham e que produzem capital na Argentina. Estaremos com eles. Agora e sempre.

No Crítica da Economia
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Causa própria: a história do maior doador de dinheiro à campanha de Anastasia em MG, que vem a ser seu 2º suplente

Lael Varela e Anastasia
A família do ex-deputado federal Lael Varela (DEM) fez a maior doação para a campanha ao governo do estado do senador Antônio Anastasia. 

O valor de R$994 mil impressionou, pois é uma quantia semelhante às milionárias doações feitas pelas empreiteiras, hoje proibidas por lei. 

O que levou uma família a doar tanto dinheiro assim, para uma campanha ao governo do estado? 

Quem é Leal Varela, ex-deputado, atualmente o segundo suplente de Anastasia?

Em meados de 2011, o Estadão publicou uma reportagem sobre Lael Varela, então deputado federal. Ele fora apanhado em um escândalo ligado a um de seus negócios, a Faculdade de Minas Gerais (FAMINAS). 

A instituição havia recebido dinheiro público durante anos, desconhecendo a legislação que proíbe empresas dos parlamentares de estabelecerem contratos com a União.

Para o jornal paulista, “a história parlamentar de Varella está associada à confusão entre negócios públicos e privados. A fundação Cristiano Varella, que administra o hospital do câncer de Muriaé, recebeu R$ 31,3 milhões entre 1998 e 2006. O dinheiro financiou a construção do hospital e seus equipamentos. Só por meio de emendas parlamentares do deputado e seus colegas, o hospital administrado pela família de Varella recebeu R$ 24 milhões”. 

Se esse dinheiro fosse atualizado, facilmente atingiria hoje a cifra de centenas de milhões de reais.

Matéria da Folha de S.Paulo de 09 de dezembro de 2001 acusava Varella de ter se apropriado de dinheiro público do Ministério da Saúde, na gestão de José Serra, para construir um hospital privado em Muriaé, Minas Gerais.  

Na época o desvio custou aos cofres públicos R$ 19,7 milhões – cerca de R$ 65 milhões a preços de hoje. 

Josias de Souza descreveu assim o ex-deputado: “se você não é fanático pelo noticiário do Congresso, é natural que o nome de Lael Varella lhe soe pouco familiar. É um opaco deputado do pefelê mineiro, uma flor que viceja à sombra, um mandato sem rosto. Amealhou fortuna. É o maior distribuidor Chevrolet de Belo Horizonte. Possui revendas Scania em Minas, Goiás, Espírito Santo e Brasília. É dono de rádios e de transportadora. Fazendeiro, cria gado e cavalos de raça. Uma alma assim, tão empreendedora, não vem ao Congresso a passeio. Natural que não tardasse a farejar na comissão de Orçamento um portal de oportunidade$. Súbito, encantou-se pelo ramo hospitalar”

Em meados de 2000, Lael Varella, à época no PFL-MG, foi acusado por envolvimento com um traficante de drogas em Governador Valadares, cidade onde o parlamentar possui negócios e base eleitoral. 

A acusação foi feita pelo comerciante de imóveis Devair Lucas à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, que investigava o narcotráfico no Estado. 

A CPI comprovou a existência do registro de 58 carretas supostamente de propriedade do Grupo Varella em nome do traficante condenado Raimundo de Souza Argolo Sobrinho. 

Segundo o Diário do Grande ABC, Lucas entregou à CPI documentos que foram considerados pelos deputados mineiros “fortes indícios” contra Lael Varella. O principal documento demonstrava que o traficante Raimundo Argolo Sobrinho possuía em seu nome 58 carretas que supostamente pertencem à Comércio de Veículos Pesados (Copeve), uma concessionária de caminhões em Governador Valadares e Muriaé pertencente ao deputado federal. 

O traficante era irmão do gerente de vendas da concessionária em Governador Valadares, Paulo César Argolo.

Segundo o presidente da CPI, deputado Marcelo Gonçalves (PDT), a suspeita é a de que Varella utilizava Argolo Sobrinho como ‘laranja’. O deputado Washington Rodrigues (PL) lembrou que os documentos podem comprovar um caso de sonegação fiscal. Já o deputado.

Um levantamento do site Congresso em Foco mostrou que, dos 513 deputados federais, 261 fizeram 1.885 voos internacionais entre janeiro de 2007 e outubro de 2008. 

As passagens foram pagas pela Câmara e a pesquisa levou em conta apenas os dados das duas maiores empresas aéreas brasileiras. Na lista aparece Lael Varela. Constavam para ele duas passagens para Paris, França.

Denúncia mais pesada, envolvendo a verba parlamentar, gerou uma longa reportagem no Fantástico, na qual o ex-deputado foi acusado de envolvimento em um negócio de locação de veículos em empresas de fachada. 

De acordo com o dominical da TV Globo, “alugar um automóvel em uma padaria ou em uma loja de materiais de construção? Não parece a coisa mais comum do mundo, mas alguns políticos brasileiros fazem isso com frequência. Uma denúncia popular chegou ao Tribunal de Contas da União para que esse procedimento seja investigado”.

Um dos parlamentares envolvidos era Lael Varela, que mesmo milionário precisava alugar carros. Tudo bem. É direito dele. Mas o lugar onde gastou o dinheiro da verba indenizatória causa estranheza. 

A placa da empresa registrada nas notas fiscais enviadas por Lael para justificar o gasto da verba indenizatória não tinha relação nenhuma com locação de veículos. A placa da loja exibia o nome Faxinam. 

Embora a empresa não tivesse aparentemente nenhuma relação com locação de veículos, no mesmo endereço estava registrada outra empresa, a Vila Rica Rent a Car., onde, entre maio de 2011 e maio de 2013, o deputado injetou R$ 150 mil. 

Em reportagem de julho de 2011, o Estadão contou que o deputado ganhou R$ 76,2 mil do Tesouro ao ceder espaço para concursos públicos. A lei proíbe deputados de estabelecerem contratos com a União.

Ele informou, na época, que iria passar a empresa para o nome dos filhos e deixaria a sociedade. Antes dessa declaração, havia negado ser sócio da empresa ou ter recebido pagamentos da União. Confrontado pelos fatos Varella foi obrigado a recuar. 

Conforme pesquisa de ordens bancárias pagas, feita pela ONG Contas Abertas no sistema mantido pelo Tesouro Nacional, em 2003 a empresa Lael Varella recebeu R$ 48.731 pela recompra de títulos da dívida pública emitidos para financiar estudantes. Nos anos seguintes, até 2011, a empresa recebeu pelo aluguel de suas instalações para a realização de concursos.

Ao que parece a doação da família Varella para a campanha do candidato aecista Antônio Anastasia não aconteceu simplesmente por afinidade ideológica ou altruísmo. 

Após anos fazendo negócios tão bons à sombra do estado, é possível entender porque os Varellas torcem tão desesperadamente para a volta dos aecistas ao poder.

No DCM
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Um Chirac, rápido

Na eleição presidencial de 2002, pela primeira vez na história recente do país, um candidato da extrema-direita chegou perto do poder na França. Com a esquerda dividida, como sempre, e com a reação crescente à invasão de imigrantes, como agora, só Jacques Chirac, disputando sua reeleição, teve mais votos do que Jean-Marie Le Pen, líder da Frente Nacional. Poucos votos mais. E foram os dois para um segundo turno em que uma vitória de Le Pen não parecia fora de propósito. Seu eleitorado — a França “profunda”, racista, antissemita, xenófoba, marginalizada pela globalização — continuava o mesmo e não mudaria seus conceitos e preconceitos — ou seu voto.

Mas aí a França acordou. Olhou em volta, esfregou os olhos, e disse a frase fatídica: “Pera aí um pouquinho”. Como se sabe, “pera aí um pouquinho” é a frase que tradicionalmente precede tomadas de consciência e epifanias. Nosso francês exemplar — digamos que se chame Pierre, para facilitar —, talvez um eleitor do Jospin, socialista, terceiro mais votado no primeiro turno, se deu conta de que, antes de mais nada, era preciso evitar que Le Pen se elegesse. Pierre poderia ser comunista, anarquista, zen budista, odiar o Chirac, não importava. Só um Chirac vencedor impediria que a França fosse governada por um fascista declarado.

Chirac cumpriu sua função histórica. Derrotou Le Pen de goleada no segundo turno e lavou a alma da França — ou, vá lá, deu uma esfregada até a eleição seguinte, do Sarkozy. Venceu porque, como o nosso Pierre, muita gente se uniu, não a favor dele, mas contra o Le Pen. Simpatizei com Chirac depois que me contaram que ele teve um caso com a Claudia Cardinale. Ter um caso com a Claudia Cardinale me parece recompensa justa pelo que Chirac fez pela França. Ele mereceu.

Pensando em votar em branco, votar no Ratinho ou anular o voto? Pera aí um pouquinho. Escolha o mais Chirac dos candidatos e vote nele. O Le Pen nós já temos.

Luís Fernando Veríssimo
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Apoiado por Lula, Haddad chega a 34% das intenções de voto.


A pesquisa foi realizada pelo DataPoder360 e aponta a liderança do ex-presidente Lula na corrida presidencial com 30% do apoio popular. Haddad, quando apresentado como substituto apoiado pelo ex-presidente, alcança 34% das intenções de voto.

Foi divulgada nesta quinta-feira (30) a pesquisa DataPoder360, a primeira que não suprimiu de suas páginas o nome do ex-presidente Lula nos cenários de intenção de voto.

De acordo com o portal Poder360, o levantamento foi realizado por telefone entre os dias 24 a 27 de agosto onde foram entrevistados 5.500 moradores de 329 municípios de todos os Estados do Brasil.

A pesquisa perguntou se o eleitor “votaria com certeza”, “poderia votar” ou “não votaria de jeito nenhum” em cada um dos candidatos apresentados. No caso de Haddad, a soma do “voto com certeza” e “poderia votar” chegaram a 34% das intenções de voto.


O DataPoder360 também verificou um cenário com os 13 candidatos registrados na disputa pelo Planalto agora em 2018. Os dados obtidos atestam pesquisas anteriores.

Lula (PT) aparece com 30% das intenções de voto e Jair Bolsonaro (PSL) segue em segundo lugar com 21%. Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (REDE) pontuam respectivamente 7%, 7% e 6%. Alvaro Dias (PODEMOS) está com 3%.

Henrique Meirelles (MDB) e Cabo Daciolo (Patriota) estão empatados com 2% das intenções de voto.


No Nocaute
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Baixaria de “alto nível”


A possível ausência de Lula transformou a eleição num espetáculo de selvageria.

Passamos a ver uma briga de cães famintos pelos despojos de um Brasil dilacerado e exausto pelo golpismo legitimado judicialmente.

Jair Bolsonaro e Geraldo Alckmin perderam todos os limites de um comportamento  decente.

Um posando para fotos com crianças com seus dedinhos a imitar uma arma.

Outro, a pretexto de ser “civilizado” , fazendo o jogo sujo de mostrar uma bala indo na direção da cabeça de uma menina, para chocar e, em tese, dizer que os problemas não se resolvem a bala. [assista abaixo]

Exceto os dele, claro, que tenta resolver sua pequenez eleitoral com a imagem de uma bala simulada a centímetros da cabeça de uma criança.

Não consigo ver nem mesmo Ratinhos ou Datenas apelando desta maneira.

Enquanto isso, nossos supremos juízes discutem se o rosto de Lula pode aparecer e sua voz pode ser ouvida.

Os crimes contidos em fazer apologia do uso de armas por crianças ou de contratá-las para figurar em cenas chocantes são bobagem, não vêm ao caso.

Até mesmo tratar os quilombolas como se fosse reses a peso são perdoáveis.

Promotores e juízes estão muito ocupados em preservar suas duas grandes conquistas: cassar Lula e incorporar seu gordo auxílio-moradia.

O Paulo Preto, com seus milhões na Suíça achados e contados, vai pegar “carona” na prescrição do caso contra José Serra.

Pode tudo, menos Lula falar, menos Lula aparecer, menos Lula ser candidato.

Fernando Brito
No Tijolaço


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A indigência intelectual do profissional de imprensa


Jornalista em geral adora encher a boca para dizer que o adolescente brasileiro não sabe português.

Mal sabem os pobres lacaios jornalistas que eles também não sabem.

Porque a frase não é "não sabe português". Português, eles sabem. O que talvez eles não saibam é o domínio da norma culta do português.

A indigência intelectual do profissional de imprensa continua avançando.

Ele já é um dos profissionais mais desqualificados e desvalorizados na cena do mercado de trabalho.

Os cursos de jornalismo espalhados pelo Brasil (outra faceta do sucateamento acadêmico, aprofundado pelo golpe e pelo estado de São Paulo, o eterno estado preposto do PSDB e da devastação educacional) formaram gerações e gerações de sub profissionais, mais ou menos como os cursos de direito e de medicina.

A contrapartida humanista desses cursos é simplesmente ignorada, o que faz com que todo o resto seja junto.

Para recuperar toda essa população de gente mal formada vai bem uns 40 anos, no mínimo.

Adequar o aluno adolescente para que ele aprenda a norma culta do português é bem mais simples. Basta vontade política e uma reorientação pedagógica em todo o país (que o Enem vinha induzindo com muito sucesso).

Graduado mal formado é osso. Eles acabam morrendo mal formados.

Gustavo Conde
No Esquerda Caviar
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Coca-Cola chantageia governo e ameaça sair do Brasil para continuar sem pagar IPI


Reportagem da Folha afirma que presidente da gigante das bebidas ameaçou mudar fábrica para a Colômbia se benefícios fiscais não voltarem

Vocês podem imaginar que uma empresa gigante como a Coca-Cola não pague impostos? Pois é o que acontece no Brasil. A bilionária multinacional dos refrigerantes simplesmente recebe subsídios governamentais e incentivos fiscais na Zona Franca de Manaus que a deixam praticamente isenta de impostos, como se fosse uma entidade filantrópica ou uma igreja. Agora, ameaça sair do país se Michel Temer não devolver ao setor os benefícios que o governo tirou por meio de decreto, em junho.

Segundo informou a Folha de S.Paulo, o presidente da Coca-Cola no Brasil, Henrique Braun, chegou a se encontrar pessoalmente com o secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, para fazer uma verdadeira chantagem: se a alíquota do IPI não for de pelo menos 15%, a empresa passará a produzir seus xaropes na Colômbia. Uma ameaça que não se sustenta, porque, diz o jornal, “para transferir a produção de xarope para outro país, a Coca-Cola perderia vantagens como o desconto de 75% no pagamento do seu Imposto de Renda, além de passar a pagar tributos como Imposto de Importação e PIS/Cofins”. Além disso, teria que importar o concentrado, perdendo em competitividade para as concorrentes.

A jogada da Coca-Cola, da Pepsi e da Ambev, também beneficiadas com a boquinha fiscal, foi justamente instalar, na década de 1990, a origem do concentrado utilizado em seus refrigerantes na Zona Franca, onde deixam de pagar IPI, têm alíquotas diferenciadas do PIS/Cofins, recebem de volta 90,25% do ICMS e têm desconto de 75% no Imposto de Renda. Enquanto isso, os pequenos fabricantes regionais de refrigerantes, as tubaínas, não têm isenção alguma. Como pode?

Em 1998, relata a Carta Capital, o Supremo Tribunal Federal julgou, em 1998, a vantagem da Coca-Cola na Zona Franca, mesmo que não fabrique nenhum “produto amazônico” para tal, e o voto do ministro Nelson Jobim foi decisivo. Desde 2015, o filho de Jobim, Alexandre Kruel Jobim, preside a Abir (Associação Brasileira da Indústria de Refrigerantes e Bebidas Não Alcoólicas).
O decreto de Temer que reduz de 20% para 4% o desconto do IPI para o setor de refrigerantes na Zona Franca já foi derrubado no Senado, e o lobby da Coca-Cola, da Pepsi e da Ambev já está se movendo para derrubá-lo também na Câmara
Talvez o único acerto de Temer até agora, o decreto que reduz de 20% para 4% o desconto do IPI para o setor de refrigerantes na Zona Franca já foi derrubado no Senado, e o lobby da Coca-Cola, da Pepsi e da Ambev já está se movendo para derrubá-lo também na Câmara. De acordo com o governo, o fim dos benefícios às gigantes das bebidas açucaradas representará uma arrecadação extra para o país de 740 milhões de reais até o final de 2018. Calcula-se que o país perca 1,6 bilhão por ano com os benefícios fiscais a estas multinacionais.

A própria ameaça da Coca-Cola de que sua “saída” do Brasil resultará na diminuição de empregos não se sustenta. Os empregos que o setor gera na Zona Franca são ínfimos quando comparados aos subsídios que recebe: a produção de concentrados gera apenas 798 postos de trabalho na Zona Franca, contra 47 mil empregos das fábricas de refrigerantes em todo o país. E está reclamando por ganância: mesmo com a redução do desconto, perderá apenas parte dos benefícios que continuará a ter.

“O decreto, na prática, diminuiu os elevados benefícios de crédito tributário que algumas fabricantes de refrigerantes recebem. Empresas como AmBev e Coca-Cola, além de não pagar vários impostos na Zona Franca de Manaus, ainda recebem crédito de 20% sobre o que produzem por lá. Ou seja, não pagam o imposto (IPI, alíquota que era de 20%) e ainda recebem crédito por isso. O governo brasileiro então subsidia a produção de refrigerantes dessas fábricas. O decreto diminui esse crédito imoral das fabricantes de refrigerantes”, disse, na época, o advogado do Idec (Instituto de Defesa do Consumidor), Igor Britto.

Um país onde gigantes das bebidas danosas à saúde recebem subsídios e incentivos fiscais é um país de trouxas. Onde mais a Coca-Cola encontraria uma moleza destas?

Após a notícia circular nas redes sociais, a Coca-Cola publicou uma nota dizendo que não tem planos para deixar o Brasil.

“Reiteramos que a Coca-Cola Brasil não tem planos de deixar a Zona Franca de Manaus, de onde, há 28 anos, sai o concentrado utilizado na produção de várias de nossas bebidas pelas 36 fábricas instaladas no país. O nosso compromisso com o Brasil é sólido e de longo prazo, numa trajetória que já soma 76 anos.

Nossos valores e práticas incluem diálogo e transparência com governos e com a sociedade brasileira. 

Atuamos em 202 países sempre com total respeito às leis locais.

Em todo o Brasil, o Sistema Coca-Cola emprega 54 mil pessoas direta e outras 600 mil indiretamente na produção e distribuição de 213 produtos de 20 marcas. Só este ano nosso investimento no Brasil foi de R$ 3 bilhões, seguindo o mesmo patamar de 2017.”

No Socialista Morena
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Alckmin é candidato à reeleição ou a presidente? Brasil não é São Paulo

https://www.balaiodokotscho.com.br/2018/08/30/alckmin-e-candidato-a-reeleicao-ou-a-presidente-brasil-nao-e-sao-paulo/

Algum marqueteiro ou assessor precisa urgentemente avisar o ex-governador Geraldo Alckmin que ele não é candidato a mais uma reeleição em São Paulo, mas a presidente da República.

Alckmin passou metade dos 27 minutos da entrevista no Jornal Nacional na defensiva, ao responder às perguntas sobre as denúncias de corrupção envolvendo o seu governo e o PSDB, e a outra metade fazendo uma prestação de contas da sua administração em São Paulo, para falar das maravilhas do estado, o melhor do país em tudo.

O problema é que o Brasil não é São Paulo, e Alckmin não conhece o Brasil. Só vai lá em época de eleição para tirar fotos com chapéu de vaqueiro numa criação de bodes.

O que interessam ao resto do país as obras feitas em São Paulo?  No final, ainda listou as estações de metrô que vai inaugurar esta semana, como se os eleitores de outros estados soubessem onde fica a Chácara Klabin e se perguntando o que eles têm a ver com isso.

No tom monocórdico de sempre, escandindo cada sílaba, o candidato tucano repetiu todos os números e jargões dos debates e não conseguiu apresentar uma única novidade no seu programa de governo para o Brasil, declamando apenas siglas e estatísticas que não chegam a emocionar ninguém.

Não adianta dizer que vai repetir no Brasil inteiro o que fez aqui porque o orçamento federal não permite e, além disso, boa parte do eleitorado só viu metrô na vida até hoje nas propagandas do governo de São Paulo ou em filmes.

Deve ter despencado a audiência da Globo na terceira entrevista da série dos presidenciáveis que termina nesta quinta-feira com Marina Silva.

Bem que William Bonner e Renata Vasconcelos, para mostrar imparcialidade, tentaram apertar Alckmin como fizeram com Ciro e Bolsonaro, mas ele se manteve impassível o tempo todo, não vendo a hora do programa acabar.

Sobre os casos de corrupção, pulou como gato andando sobre brasas e repetiu platitudes:

“Não passamos a mão na cabeça de ninguém. Quem pagou paga pelo erro, quem for absolvido será absolvido”.

Beleza. Com a Justiça partidária e seletiva que impera no país, não poderia mesmo dizer outra coisa.

Como já aconteceu em entrevistas anteriores, o tucano saiu em defesa  de Laurence Casagrande, ex-presidente da Dersa e secretário do seu governo, que está preso, enumerando várias vezes as qualidades do auxiliar.

“Espero que amanhã, quando ele for inocentado, tenha o mesmo espaço na mídia. É uma pessoa correta”.

Ao longo do programa, prometeu várias vezes “empregos na veia”, com a multiplicação de obras de infraestrutura por toda parte, sem dar uma pista de onde pretende tirar os recursos.

E perdeu uma boa oportunidade para tentar desempacar nas pesquisas.

“Peguei o governo com 60 estações de metrô. Vou entregar com 89, mesmo em momento de crise”, gabou-se, como se isso fosse mudar o voto dos eleitores de Cabrobó do Norte e Pirapora do Bom Jesus.

Mas nem em São Paulo isso representa muita coisa, já que depois de governar o estado várias vezes, nos 24 anos de administrações do PSDB, está em terceiro lugar nas pesquisas no estado, atrás de Lula e Bolsonaro.

Nesta sexta, começa o horário eleitoral gratuito na TV, a grande esperança de Alckmin parae finalmente decolar na campanha.

Pela amostra da entrevista no JN, vai ser difícil.

Vida que segue.

Ricardo Kotscho



Alckmin foi interrompido 19 vezes a menos que Boslonaro e 17 a menos do que Ciro


Apresentadores do Jornal Nacional, que foram tão incisivos em entrevistas com outros candidatos, "pegaram leve" com o tucano

As duas primeiras entrevistas do Jornal Nacional com presidenciáveis nesta semana foram marcadas pelos embates com os entrevistados e uma postura incisiva dos apresentadores que, em diversos momentos, falavam mais que os próprios candidatos. Não foi o que se observou, no entanto, na entrevista desta quarta-feira (29) com Geraldo Alckmin.

Fórum contabilizou o número de interrupções por parte dos apresentadores William Bonner e Renata Vasconcellos nas entrevistas. O tucano sofreu 17 interrupções, ao passo que Jair Bolsonaro sofreu 36 interrupções e, Ciro Gomes, 34. Ou seja, Alckmin foi interrompido 19 vezes a menos que o capitão da reserva e 17 vezes a menos que o pedetista.

Ao todo, Alckmin falou por 16 minutos e 17 segundos e Bolsonaro teve 16 minutos e 47 segundos de fala. O que falou menos foi Ciro Gomes (15 minutos e 20 segundos).

“Corrupção” ocupa mais da metade do tempo da entrevista de Alckmin no Jornal Nacional

Alckmin passou 15 dos 27 minutos da entrevista no Jornal Nacional tentando se esquivar das perguntas sobre denúncias de corrupção que pairam sobre pessoas de seu partido como Aécio Neves e Eduardo Azeredo e dezenas de quadros dos partidos que compõem sua coligação. "Diga-me com que andas que direi quem és"


Geraldo Alckmin, candidato do PSDB à presidência, passou mais da metade do tempo da entrevista do Jornal Nacional, na noite desta quarta-feira (29), tentando se esquivar das perguntas sobre denúncias de corrupção contra pessoas de seu partido que o apoiam e que ele já apoiou e também de políticos dos partidos que compõem sua coligação.

A chapa do tucano é formada pelos partidos do chamado “centrão”, que na verdade representam a direita e a centro-direita brasileira. A primeira pergunta foi exatamente sobre a corrupção notadamente presente entre os políticos dessas legendas que apoiam Alckmin.

“É importante dizer que todos os partidos tem bons quadros. Tenho a mais respeitada senadora como vice, do Progressistas, a Ana Amélia”, ia dizendo o ex-governador quando foi interrompido por Bonner. “Mas e os investigados?”, indagou o apresentador.

“Mas os partidos têm bons quadros. Quem for investigado vai responder por isso”, tergiversou Alckmin, que teria sido identificado como “Santo” em uma das famosas listas da Odebrecht.

Renata Vasconcellos, então, lembrou que o PSDB, partido de Alckmin, apoia o PTC de Fernando Collor em Alagoas. Collor é réu da Lava Jato. Alckmin negou que apoie ou seja apoiado por Collor, mas foi desmentido por Renata momentos depois.

Quando a pergunta foi sobre seus correligionários Aécio Neves e Eduardo Azeredo – este condenado e aquele investigado por corrupção -, o candidato minimizou. “O Aécio não foi condenado. Ele está sendo investigado e vai responder na Justiça. O Azeredo está afastado da política há muito tempo”. A apresentadora ainda lembrou a Alckmin que ele mesmo já chegou a proferir, em entrevista, o ditado “diga-me com quem andas que direi quem és”.

No Fórum
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Morvan Bliasby rebate artigo de Wanderley Guilherme dos Santos: “Infame acusação a Lula”


Sobre o texto do eminente articulista Wanderley Guilherme do Santos, aqui postado (Prioridade de Lula é esmagar Ciro), tecerei uma pequena digressão e tentarei, por mais que difícil possa, me ater ao tema.

Via de regra, não comento textos desses naipe, onde, num gesto descompensado, desproporcional, odioso e ad hominem, o articulista tenta imputar ao aludido as mazelas e diatribes eventualmente sofridas pelo eventual agredido, quando, na verdade, o pretenso aludido se desqualificara a cada declaração ou gesto.

Ora, sou tão cearense quanto o palrador Ciro. E conheço seu jeito de governar. Mas não me deterei nisso, haja vista tentar, mesmo lançada a isca da discussão sem propósito, evitar a destruição de reputações.

Basta dizer que o sr. Ciro Gomes nada fez para se contrapor à prisão injusta, covarde, cretina e claramente golpista de Lula. Pelo contrário, até coonestou-a.

Quem agiu de má-fé fora Ciro, sempre, e não Lula.

Quisesse  e/ou tivesse discernimento e honra, teria lutado por Justiça, pelo Devido Processo Legal, ilustre ausente, sempre, e não para tirar alguém do páreo, pária se mostrando. Homens lutam por ideias, jamais por dividendos de qualquer monta.

Fora Ciro quem se desnudara, sr. Wanderley.

Não inverta as coisas, à guisa de fidedignidade perante a história. Lula padece de todos os defeitos de um político, haja vista sê-lo e em um país onde sem [e mesmo com] coalizões seja impossível se governar.

O Lula conciliador é, antes de tudo, uma necessidade e algo que o forjou, ao cabo. Noutras ocasiões, além de conciliador, como se já falara, transbordou de boa-fé (a tal de Lei da Ficha Limpa [dos tucanos] que lho diga, bem como a investidura em funções no Golpiciário de pessoas sem a menor integridade moral para tanto…).

Mas ninguém pode lhe imputar de destruir pessoas, reputações, conspirar. Isso não é do conciliador Lula.

Quem sofre LawFare é Lula e quem não combate ilegalidades é o maior dos pecadores; é omisso e prevaricador.

A verdade vencerá, sr. Wanderley.

Ajudemos Lula, fiquemos do lado certo da história, pois, malgrado se possa pensar em maniqueísmo político, ora no Brasil, combater as agressões aos direitos básicos é revolucionário.

Nosso inimigo é quem nos suga o Pré-Sal, Alcântara, destruiu nossa indústria naval, fez água ao acordo de transferência de tecnologia com os suecos, perdoa dívidas milionárias de bancos, etc., não Lula.

Conclamando a combater do lado certo, como faz D. Marluce.

Morvan Bliasby
No Viomundo
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Entre Vistas - Cristiano Zanin


Cristiano Zanin Martins nasceu em Piracicaba, interior de São Paulo, em novembro de 1975. Torcedor são paulino, Zanin também gostava de jogar bola. Na adolescência foi lateral esquerdo da equipe do tradicional Clube de Campo de Piracicaba, o CCP. Filho de advogado, Zanin mudou-se para São Paulo no início dos anos 90 para cursar direito na PUC, onde se graduou e se especializou em direito processual civil. Casado com a advogada Walesca Teixeira Martins Zanin, Cristiano tem 3 filhos. Atualmente Cristiano Zanin Martins integra a equipe de advogados responsável pela defesa do ex presidente Lula.
Convidados: Juliana Avanci; Glenda Mezarobba.

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Exército homenageia Ana Amélia Relho e desembargadores do TRF4

Os desembargadores do tribunal que condenou Lula, Leandro Paulsen e Victor Luiz dos Santos Laus, foram condecorados pelo Comando Militar do Sul; site do TRF4 deu destaque para a notícia com foto de Ana Amélia, que também foi homenageada, ao lado dos militares e magistrados


O Comando Militar do Sul, parte da 3ª Região Militar do Exército Brasileiro, homenageou no último dia 24 dois desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região e a senadora Ana Amélia (Progressistas-RS), vice na chapa de Geraldo Alckmin (PSDB) para a presidência.

O TRF4 é o tribunal que condenou o ex-presidente Lula em segunda instância. Ana Amélia é a senadora que aplaudiu as agressões contra a caravana do ex-presidente pela região Sul do país.

A homenagem se deu durante a comemoração do Dia do Soldado no 3º Regimento de Cavalaria de Guarda, em Porto Alegre. Os desembargadores do TRF4 Leandro Paulsen e Victor Luiz dos Santos Laus foram agraciados com a Medalha do Pacificador. A senadora, por sua vez, recebeu a “Medalha Exército Brasileiro”. No evento, que contou ainda com a presença do presidente do TRF4, Thompson Flores, Ana Amélia afirmou que as Forças Armadas “estão comprometidas com a democracia”.

O site do tribunal deu destaque às condecorações dos desembargadores mas, apesar de não ter citado Ana Amélia na nota publicada, usou como foto principal uma imagem que a vice de Alckmin aparece ao lado dos militares e dos magistrados.

No Fórum
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Stoppa: A vitória de Lula e o golpe em Minas Gerais




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Debates são bons para emissoras, não para eleitor

Os debates de candidatos são muito bons para as emissoras. Para os eleitores, não. Na forma que têm, agravada pelo ambiente ácido da política primária, o que está chamado de debate difere pouco das discussões de botequim.

A utilidade dessas exibições estaria na oferta de informações, sobre os propósitos de cada candidato, para a comparação do eleitor entre as várias possibilidades do seu voto. Na modalidade que adotaram, para o eleitor os debates não passam de diversão. É o que suas exibições preliminares nos advertem para os que vêm.

Todo candidato sabe que seu preparo não está na organização das propostas e argumentos, mas na pesquisa e memorização do que sirva para ferir cada adversário. Como complemento, treina sua linha de defesa aos ataques que receberá nos seus pontos tidos como vulneráveis. Ideias, se as tiver, guardam-se para momentos improváveis ou, na melhor hipótese, para frases fugidias.

O que a televisão transmite não é debate, é uma rinha com transmissão ao vivo, tão útil para os eleitores quanto briga de galos.

Os enfrentamentos na campanha de 2014 consagraram uma palavra para o que os principais candidatos fariam na TV: desconstruir. Seu lançamento foi do candidato midiático, Aécio Neves, destacado em O Globo: “Vou desconstruir a Dilma”.

Foi uma expressão em que Marina Silva veio a caber muito bem, sob fogo do PT, e seu autor se encaixou melhor ainda, no famoso tiro pela culatra.

Desconstrução é finalidade comum aos debates já exibidos. E determinadas entrevistas também, com a inclusão de apresentadores e jornalistas na tarefa primordial de desconstruir.

Nesses casos, há ainda o problema do tempo consumido pelo entrevistador. Medições muito recentes, citadas no informativo Drive Premium, de Fernando Rodrigues, e no blog de Mauricio Stycer, constataram a ocupação, por dois entrevistadores, de 40% e 30% do tempo de duas entrevistas.

Ao surgirem aqui, para a primeira eleição direta de governadores na ditadura, os debates tiveram muita utilidade. Não só como informação sobre os candidatos e seus propósitos, mas também na reativação de um certo civismo, à época esmagado já por 18 anos pelos governos militares. Brizola, Montoro e Tancredo, que fariam grandes governos no Rio, em São Paulo e em Minas, estiveram entre os beneficiados por seus desempenhos programáticos nos debates, então em formato mais racional.

A era do debate para exterminar adversários foi trazida por Collor, em um debate na Globo, cuja retransmissão transformista foi um dos determinantes do resultado eleitoral. E, portanto, do que sobreveio com o governo Collor.

Perguntas de um candidato a outro facilitam o rebaixamento do debate a briga de palavras. É forma imprópria até se não há briga, pela diferença de dificuldade, ou de ajuda, entre as perguntas para diferentes candidatos. O eleitor fica sempre sem o que precisa. E as emissoras ganham em qualquer caso.

Janio de Freitas
No fAlha
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Como serão as estratégias dos candidatos


Há três candidatos no jogo: Lula, Bolsonaro e provavelmente Geraldo Alckmin. Para viabilizar Alckmin, o PSDB terá que atuar em duas frentes.

A primeira, no Judiciário, com a possível colaboração do Ministro Luís Roberto Barroso, impedindo Lula de aparecer no horário gratuito, e o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) impedindo-o de concorrer.

A segunda, desconstruindo Bolsonaro. Aí entra o fator Rejeição como o grande ingrediente da disputa.

Uma comparação entre Alckmin e Bolsonaro, no quesito Rejeição, mostra o seguinte (segundo o Datafolha):

Rejeição por sexo

De junho para agosto, caiu a rejeição das Mulheres por Alckmin e manteve-se estável a dos homens. Em relação a Bolsonaro, a rejeição das mulheres saltou de 34 para 43% e a dos homens de 31 para 35%.

A rejeição de Bolsonaro – em relação a Alckmin – saltou de 0 para 5 pontos entre os homens, e de 11 para 20 pontos entre as mulheres.


Rejeição por faixa de renda

Na primeira faixa, de 2 a 5 salários mínimos, a rejeição a Bolsonaro aumenta de 32% para 36%. Nas demais faixas estabiliza mas, ainda assim, bem acima de Alckmin. Em todas as faixas, a rejeição a Bolsonaro supera a de Alckmin: de 5 para 11 pontos na faixa de 2 a 5 SM; de 6 para 7 na faixa de 5 a 10; e de 1 para 10 na faixa de mais de 10 SMs.


Rejeição por escolaridade

Há um crescimento da rejeição por Bolsonaro em todas as faixas, mais destacadamente nos ensinos Fundamental e Superior. No fundamental, a rejeição a Bolsonaro, que era 1 ponto menor que a de Alckmin, passa a ser 9 pontos maior; no ensino médio, a diferença salta de 10 para 14; e no superior, de 8 para 19.

         

Rejeição por faixa etária

Em todas as faixas, há uma preponderância da rejeição a Bolsonaro. Na faixa de 25 a 35,  a diferença salta de 2 para 13 pontos; de 2 para 12 na faixa de 35 a 45 e de 13 para 59 na faixa de 45 a 59.

Estratégias


A estratégia de Alckmin visará aumentar a rejeição a Bolsonaro. Do lado do PT, terá que ser a de combate a Alckmin. E a maior arma – como sugere o cientista político Alberto Almeida – será levantar a participação da bancada do PSDB nos projetos mais impopulares do governo Temer, como o da reforma trabalhista.




Luís Nassif
No GGN
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