27 de ago de 2018

Temer, Aécio e Alckmin na lama e Lula consagrado


O histórico das pesquisas Datafolha de junho de 2015 a agosto de 2018 é a mais acabada demonstração da derrota cabal do golpe em meio ao povo brasileiro. Cruzamos as curvas de intenção de voto/popularidade de Lula com a de três dos principais protagonistas do golpe de 2015/16: Michel Temer, Aécio Neves e Geraldo Alckmin (este com um protagonismo menor no momento da derrubada de Dilma mas que é relevante como herdeiro e candidato do golpe).

Aécio - É possível observar que a morte política de Aécio foi uma queda brutal de uma liderança isolada, com 35% da intenção dos votos presidenciais, em junho de 2015, para o lugar de nanico, que fugiu da disputa com Dilma ao Senado, e vai tentar timidamente uma vaga na Câmara Federal. Aécio dizimou seu patrimônio de 51 milhões de votos no segundo turno das eleições de 2014 ao aventurar-se como líder do rompimento com as regras elementares do jogo democrático. Seu lugar na pesquisa de junho de 2015 indica que ele poderia ser o líder da oposição do governo Dilma, se respeitasse o resultado das eleições. Mas preferiu o golpe. Como afirmou Lula, com sua genialidade cômica, o político mineiro inventou o “escondinho tucano”. Sua decadência começou ainda no período manifestações pró-impeachment, nas quais foi rechaçado pelos manifestantes que ele mesmo produziu, por meio do ódio ao PT e, consequentemente, da política. Literalmente, o feitiço virou contra o feiticeiro. Seu final dramático foi o escândalo do vídeo de seu primo buscando propinas da JBS e, pior, o áudio em que ele diz a Joesley, dono da empresa, que mandaria o primo, pois tinha que ser “alguém que a gente possa matar antes de delatar”, e a convicção popular de sua responsabilidade como líder do golpe. Um assombro que enterrou a vida política do tucano.

Alckmin - o ex-governador de São Paulo, sejamos sinceras, nunca foi uma “Brastemp” em nível nacional, mas surfou na onda anti-petista do período pré-impeachment, alcançando, em novembro de 2015, 20% das intenção de votos presidenciais. Porém, o ódio criado pelos golpistas também voltou-se contra ele, que começou a ser tratado com hostilidade pela classe média conservadora, que costumava ser seu eleitorado mais fiel. Além disso, o político paulista não resistiu a dois escândalos e à identificação com o governo Temer: a máfia da merenda e o vazamento das planilhas de propinas da Odebrecth, nas quais foi apelidado de “Santo”, devido à sua estreita relação com a Opus Dei. O apelido grudou e não saiu mais, substituindo o também famoso “picolé de chuchu”. O fato é que o período entre novembro de 2015 a abril de 2017 o tucano viu sua intenção de votos despencar 19 pontos percentuais, o que significa algo em torno de 29 milhões de eleitores. Outro fenômeno curioso a respeito de Alckmin é que, ao contrário do que tem sido afirmado, seus eleitores não migraram em massa apenas para Bolsonaro, o que explicaremos isso em uma coluna específica dessa série.

Temer - Aquele que traiu agora amarga a maior rejeição da nossa recente história política. Michel Temer, que viu sua aprovação cair dez pontos percentuais, em dois anos; hoje, tem menos de 5% de aprovação. As pesquisas sobre ele começam apenas depois de usurpar a Presidência, interinamente, em maio de 2016. A primeira pesquisa de julho, já o capturava numa posição constrangedora, com menos de 15% de aprovação. Para além da sua falta de carisma, o seu governo é impopular tanto pelas reformas que têm vitimado os mais pobres e os direitos trabalhistas e sociais quanto pelos inúmeros casos de corrupção, que derrubaram vários de seus ministros, e quase provocaram sua queda, quando o áudio dele com Joesley, gravado no porão do Jaburu, foi divulgado. Nada aconteceu, porque ele tem o Congresso na mão. Porém, sua imagem está na lama e ele dificilmente deixará o Palácio do Planalto pela porta da frente.


Lula - A consagração de Lula pode ser explicada por duas variáveis principais. A primeira, de caráter constante, é o péssimo governo golpista e a saudade cada vez maior que a população, especialmente os mais pobres, tem "dos tempos de Lula". A segunda é a atuação inescrupulosa e estabanada da Lava Jato, tanto de Moro, como do MPF, na pessoa de Dallagnol. Quanto mais o povo entendeu que a ação da Lava Jato, do Judiciário, do governo Temer, da Globo e das mídias conservadoras contra Lula configuravam uma injustiça, mais expressou seu apoio e adesão a ele.

Perceba no gráfico que o ponto de inflexão da queda de Lula aconteceu depois da sua condução coercitiva, fato que redundou em comoção popular em todo país. A coerção foi no dia 4 de março de 2016; no dia 18, 100 mil pessoas lotaram a Av. Paulista em apoio ao ex-presidente e contra o golpe. Desse ponto em diante o “jacaré” escancarou os dentes: Lula cresceu dezenove pontos percentuais em um ano e meio, enquanto o candidato tucano estacionava na sua margem constante entre 6 e 8 pontos.

É inegável que o show de horrores promovido pela Câmara e Senado durante o processo de impeachment começou a tirar uma parcela da população do transe antipetista, principalmente, porque quanto mais o tempo passou, mais evidente ficou a perseguição contra Dilma, Lula e o PT, enquanto políticos golpistas passaram ilesos aos escândalos cada vez mais explícitos. Um dos auges da perseguição anti-Lula foi a apresentação da denúncia do MPF contra Lula, que ficou estigmatizada pelo tom ridículo e amador do "powerpoint do Dallagnol", no qual Lula era o centro e mentor de quase todos os males do mundo.

Em novembro de 2017, Lula chegou a pontuar 36%. Depois das condenações de Moro e do TRF-4, começou a cair, mesmo durante as caravanas no Nordeste, Sul e Minas Gerais. Parecia que o golpe começava, então, alcançar seu objetivo, em junho de 2018, já há três meses preso, o petista havia perdido 6% do seu eleitorado, algo em torno de dez milhões de votos; porém, no dia 8 de julho, o jogo virou. Naquele domingo sofrível, a população brasileira acompanhou, ao vivo, a Lava-Jato, o governo Temer e mídia tradicional rasgarem a Lei para impedir que Lula fosse solto por meio da liminar expedida pelo juiz Favretto. Foi o dia em que o ultimo véu que disfarçava o golpe foi rasgado, ao mesmo tempo em que a deterioração das condições de vida dos trabalhadores e a ruína da economia se acentuaram.

Desde então, cada vez mais, a população tem acolhido Lula, que tem sido celebrado, ao som de trompetes, por meio de “lulaços” em todo país; outra festa, que figurou como um ritual de consagração do ex-presidente, foi o Festival Lula Livre, que contou com personalidades honradas e respeitadas. Não dá mais para negar. Lula – o sertanejo, pernambucano, metalúrgico, retirante, sindicalista que se tornou o melhor presidente do Brasil - alça vôo, literalmente, como uma fênix, deixando seus adversários moribundos nas brasas e cinzas que usaram para liquidá-lo.

O golpe foi vitorioso mas, paradoxalmente, liquidou seus líderes; Lula, Dilma e o PT foram derrotados em 2015/16 mas estão consagrados e têm apoio popular que lembra os momentos mais culminantes dos governos do metalúrgico.

Thais Moya e Mauro Lopes
No 247
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Google discrimina o ex-presidente Lula


A diferença de tratamento dada pelo google ao ex-presidente Lula (Luiz Inácio da Silva) e a outros 2 ex-presidentes também conhecidos por apelidos, FHC (Fernando Henrique Cardoso), e Sarney (José Ribamar Ferreira de Araújo Costa) é gritante e discriminatória. Basta fazer a busca e comparar.

Constatei também que digitando “Luiz Inácio da Silva” encontramos o mesmo perfil solene outorgado aos outros presidentes; essa, no entanto é a pesquisa que ninguém faz. Tanto “FHC” quanto “Sarney” são apelidos; a busca pelo apelido do presidente Lula, no entanto, é a única que resulta em uma informalidade depreciativa.

Através desse ardil, e de outros, similares, o google está tentando interferir nas eleições e na vida política brasileira. Por motivo análogo, o google foi banido da China. Nos EUA, a possibilidade de russos terem feito o mesmo, vem sendo tratada como questão seriíssima.

Exijo com essa, retratação e respeito, por parte do google, ao ex-presidente Lula e a todos os brasileiros! Exijo que o google mantenha neutralidade política e não tente interferir no resultado das eleições brasileiras!







Gustavo Gollo
No GGN
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Globo se distancia ainda mais do Brasil ao censurar Lula/Haddad na sabatina do JN

William Bonner segura a arma do eleitor contra a censura do JN
O Jornal Nacional, da Rede Globo, começa hoje a entrevistar os candidatos a presidente, mas não incluiu entre os convidados um representante da chapa que lidera as pesquisas, a de Lula e Haddad.

Abre com o nanico Álvaro Dias e deve seguir com outros nanicos até o fim de semana. O único candidato que tem mais de um dígito nas pesquisas, além de Lula/Haddad, é Jair Bolsonaro, que foi convidado para a sabatina de William Bonner.

A estratégia da Globo de ignorar a chapa do PT pode ter efeito contrário. Nas redes sociais, a crítica à emissora é grande e tende a aumentar.

O jornalista Xico Sá foi um dos formadores de opinião que se manifestaram, através do Twitter.

“Ao não contemplar o PT no Jornal Nacional de 2018, a Rede Globo talvez esteja repetindo, por elipse, a edição criminosa q fez do debate de 1989 de Lula x Collor”, escreveu.

Desabafou:

“Na buena, é muita escrotidão, muita mesmo, seja da Globo ou de quem q seja, falar de vários candidatos e não citar o líder de todas as pesquisas, Lula da Silva, não sei o q passa por essa gente q fode a democracia impunemente.”

A indignação de Xico Sá é a mesma de milhões de pessoas e, exatamente por isso, é que a Globo pode ter pegado o bonde errado. Esconder Lula prejudica muito mais a emissora do que a candidatura do PT.

Quando a Globo publicou a edição desonesta do debate entre Lula e Collor, no Jornal Nacional, não havia a internet.

Hoje, o público tem acesso às informações sobre a candidatura de Lula em sites como o DCM.

Arrisco dizer que não existe um eleitor que não saiba que Lula é candidato. E este eleitor, ao ver o Jornal Nacional ou tiver notícia da sabatina, se perguntará: Por que não ouvem o Lula?

Se disser algo, Bonner citará que o candidato do PT está preso em Curitiba e, por isso, não pode ser entrevistado. Lembrará que, pela lei da ficha limpa, é inelegível.

Não explicará que a condenação em segunda instância não é um critério absoluto de inelegibilidade — se houver “plausibilidade” de recursos, como diz a lei, pode ter o registro deferido, ainda que precariamente.

Também não informará que jamais pediu à Justiça em Curitiba autorização para entrevistar Lula no cárcere, como fez em outros casos, com criminosos confessos, caso do Maníaco do Parque, o motoboy Francisco de Assis Pereira.

O DCM pediu autorização para entrevistar Lula, a juíza negou, mas o pedido está lá e deve ser renovado. Já a Globo, até onde se sabe, praticou a auto-censura.

Se, esgotados os recursos a seu alcance e não pudesse entrevistar Lula, não seria mais honesto da parte da Globo chamar Haddad, o candidato a vice?

Fico imaginando como se comportaria uma TV dos Estados Unidos, da França, Alemanha ou da Inglaterra, com democracias consolidadas: ignorariam o candidato que lidera as pesquisas?

Alguém poderá dizer que, nestes países, um condenado em segunda instância não se candidataria.

Mas, nestes países, um ex-presidente jamais seria julgado por um juiz que agiu como promotor e jamais haveria uma sentença condenatória em que não é apresentada a prova de crime nem sequer descrição de um ato criminoso.

Muito menos haveria julgamento em meio a um clima de linchamento por parte da mídia hegemônica, incluindo aí as concessionárias de serviço público.

Jogo jogado.

A Globo fará as sabatinas sem Lula e Haddad.

Em 1989, a desonestidade jornalística ajudou Fernando Collor.

Em 1994 e 1998, Fernando Henrique Cardoso teve vida fácil — em 1998, a Globo nem promoveu debate. Mas, depois disso, a emissora já não teve o mesmo êxito.

Foi a partir daí que a internet começou a crescer. Mas talvez isso não explique tudo. O PT venceu as eleições porque é percebido como o governo que, efetivamente, dá atenção aos mais pobres.

E, na democracia, o voto do pobre tem o mesmo peso do voto do rico ou da classe média. E, como o Brasil tem muito mais pobre do que rico, a vitória de Lula é uma questão matemática.

Some-se a isso que setores expressivos da classe média apoiam Lula, e o êxito nas urnas é ainda mais provável.

A Globo, entanto, em defesa de seus interesses, seguirá na sua campanha para derrotar Lula, mas é difícil que consiga.

A Justiça, poder em que ela tem grande influência, poderá barrá-lo, deve barrá-lo, mas esse movimento que faz as pessoas saírem de casa para gritarem Lula Livre só vai crescer.

Ao censurar a candidatura de Lula/Haddad, a Globo escancara que a prisão de Lula e o veto à sua candidatura não passam de perseguição.

Não tem nada a ver com justiça. Nem democracia.

Joaquim de Carvalho
No DCM
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Amoêdo, candidato do Novo, é tão bancário quanto o presidente da Ford é metalúrgico


Não quero me tornar monotemático, mas tem um negócio interessante no site da candidatura do Amoêdo. Tem uma página lá intitulada “mitos e verdades”, o que já é significativo – não acho que ele tenha tanta importância, a ponto de surgirem “mitos” sobre ele. Esse negócio de “mito” deve ser um ato falho, fruto do desejo de ser um Bolsonaro.

A maior parte da página está em forma de perguntas e resposta. Uma pergunta é: “João é banqueiro?” Esclareço que “João” é a alcunha que os marqueteiros dele inventaram na tentativa de torná-lo popular. A resposta é curta: “João nunca foi banqueiro, mas sim bancário. Começou como estagiário e, com muito trabalho e dedicação, foi crescendo nas empresas por onde passou. Atualmente dedica todo seu tempo ao [partido] Novo”.

É uma resposta digna de nota, por pelo menos dois motivos. Primeiro, é mentirosa. Amoêdo é tão bancário quanto o presidente da Ford é metalúrgico. Ele fez sua carreira como executivo do setor financeiro. Seria banqueiro mesmo que não fosse acionista dos bancos – e, na verdade, tornou-se grande acionista. Afinal, sua posição objetivamente estava na defesa dos interesses do capital contra o trabalho. Numa negociação sobre salário e condições de trabalho dos bancários, de que lado “João” sentava?

Há um vídeo – que um militante do Novo fez a gentileza de mandar para mim, acompanhado de alguns impropérios – em que Amoêdo imerge ainda mais no falseamento da verdade. Além de repetir que não era banqueiro, mas bancário, ele diz que nunca foi do Itaú. “Eu trabalhava numa financeira que foi comprada pelo Itaú e quando isso aconteceu eu tive que sair, fiquei desempregado. Depois eu estava no conselho de administração do Unibanco, o Itaú veio, fez uma fusão com o banco, e eu também tive que sair”. Uma vítima do Itaú, na verdade! Ele não diz que não foi apenas membro do conselho de administração e sim vice-presidente do Unibanco. Mas, sobretudo, não diz que após a fusão tornou-se integrante do conselho de administração do Itaú BBA, um dos braços da nova empresa. É quase como dizer “não tenho nada a ver com a Unilever, eu trabalho é na Kibon”. Ele deixou o cargo no Itaú BBA para se dedicar a uma nova função corporativa: o partido Novo.

O segundo motivo que torna interessante a resposta é o subtexto ideológico. Amoêdo se apresenta como a prova viva da tal “meritocracia”. Com “trabalho e dedicação”, qualquer estagiário do Itaú (que deve receber em torno de 1,5 mil mensais) pode amealhar uma fortuna de 450 milhões de reais, vestir uma fantasia alaranjada e custear sua própria candidatura à presidência. Não conseguiu, está pendurado no cheque especial e devendo pro próprio empregador? Culpa dele. Certamente faltaram esforço e mérito.

O nome do partido é novo, mas a mentira e a mistificação são bem velhas.

Luis Felipe Miguel
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Por que

O próprio STF atirou ao lixo a Constituição que lhe cabia defender, com a pronta adesão das quadrilhas instaladas no Executivo e no Legislativo
Há  um importante contraponto à tradicional resignação do povo brasileiro e à impávida normalidade imposta às ruas pelo comportamento da minoria privilegiada: a força de Lula continua in crescendo. As pesquisas admitem até que ele poderia ganhar no primeiro turno. Cerca de 40% dos eleitores não desistem da liderança do ex-presidente. Dadas as circunstâncias, um toque revolucionário clama na preferência.

Dois espaços são visíveis. Um, material, a dizer que Lula não sairá da prisão, antes de mais nada pela determinação do Judiciário politizado e pela velhacaria da mídia. Dois, cultural, diria mesmo intelectual, e nele se manifesta com nitidez a vontade popular.

Existe um conflito evidente por ora controlado, destinado a explodir, porém, mais cedo ou mais tarde. Certos nós algum dia terão de ser desatados, quem sabe com o apoio do mundo democrático e civilizado.

Difícil explicar ao cidadão europeu ou ao liberal estadunidense o fato inaudito: um país do tamanho e da importância do Brasil sofreu um golpe de Estado perpetrado em conjunto pelos próprios poderes da República com o suporte midiático praticamente maciço, para impedir a eleição de Lula.

O próprio STF atirou ao lixo a Constituição que lhe cabia defender, com a pronta adesão das quadrilhas instaladas no Executivo e no Legislativo. E dos barões do dito jornalismo nativo, e dos seus capatazes, capitães do mato e escravos resistentes.

A despeito de um vago ar de modernidade, o Brasil não deixou de ser terra de predação, onde os aborígenes, em vez de receber miçangas e adereços, foram dizimados por heróis chamados bandeirantes pela história perenemente manipulada, enquanto navios negreiros alcançavam suas costas para desembarcar mão de obra escravizada território adentro.

Quando a independência foi proclamada por um príncipe aflito por desarranjos intestinais, a população do País era mais negra do que branca e ninguém se deu conta da mudança política.

Afora os mandatos de Lula, dois momentos da nossa história apontaram para uma pátria digna. Em Minas, na segunda metade do século XVIII, na região encantada em torno de Ouro Preto, embora explorada brutalmente pelos colonizadores portugueses que com as dádivas da terra reconstruíram Lisboa destruída pelo terremoto.

No Brasil na sua inteireza, de Getúlio Vargas a Jango Goulart, Juscelino no meio, quando nasceu a Petrobras, o País tornou-se a décima quinta potência industrial do mundo e foram elaboradas as chamadas reformas de base por alguns cidadãos de muita fé e insólita coragem.

A quadra setecentesca em Minas, definida como Inconfidência, exibe uma cálida, surpreendente sintonia com as ideias iluministas europeias, tanto na política quanto na cultura. Os mineiros do recanto primaram na arquitetura, na escultura, na música, na pintura dos retábulos, com algumas investidas na poesia. Ao cabo, Tiradentes, o alferes, foi esquartejado.

Jango Goulart e Leonel Brizola teriam o mesmo fim se vivessem no século XVIII, em 1964 foram derrubados pelo golpe, quando os militares se prestaram ao serviço sujo. A casa-grande sempre ganhou a parada, e está ainda de pé.

Inútil dissertar sobre a mediocridade reinante onde a ignorância e o provincianismo são apanágio de ricos e super-ricos, e sempre foram. Os do fim do século XIX e começo do passado saíam de viagem, preferivelmente a Paris, e embarcavam com pistola de cabo de madrepérola no cinto e vacas leiteiras para garantir um bom café da manhã. A influência cultural era então a francesa. Mais tarde, trocaram a Ville Lumière por Miami.

Apesar da natural dificuldade em entender o que acontece no Brasil do futebol e do carnaval, cresce a repulsa internacional à prisão de Lula, a contradizer as regras mais elementares do Direito . Como anota Leonardo Sakamoto, na sua coluna no UOL, a demanda do Comitê dos Direitos Humanos da ONU a favor da participação de Lula no próximo pleito “é o terceiro revés sofrido pelo governo brasileiro em instituições multilaterais nos últimos dois meses”.

O golpe de 2016 e suas consequências chamam a atenção do mundo para os efeitos daninhos do estado de exceção. A 3 de agosto especialistas das Nações Unidas condenaram o corte de gastos sociais do governo Temer e no início de junho passado a Organização Internacional do Trabalho solicitou explicações sobre a reforma trabalhista até novembro próximo, diante da suspeita de que desrespeita a Convenção de 1998, a tratar de sindicalização e negociação coletiva.

Mas que respeito merece um país onde no ano passado cerca de 64 mil cidadãos foram assassinados? Cidades brasileiras figuram entre as mais perigosas do mundo, mesmo que estas vivam em estado de guerra.

E que respeito pode haver por um país tão desigual, onde educação e saúde são reservadas aos ricos, embora aquela de forma precária e certamente eivada de preconceitos e desinformação histórica? Quanto à saúde, avulta a sinistra informação de que quase 50% do território nacional carece de saneamento básico.

Quando adolescente já me irritava entre o fígado e a alma o verso do samba, Mangueira, o teu cenário é uma beleza. Visto de qual ponto de observação? Era também o tempo de outro samba, ou marchinha que fosse, a afirmar O teu cabelo não nega, mulata,/ porque és mulata na cor,/ mas como a cor não pega, mulata,/ mulata eu quero o teu amor. Sustentava-se então a ausência absoluta de preconceito racial. E há mesmo algo ainda mais profundo, a incompatibilidade irreversível entre o Brasil e a democracia.

Rara a consciência do semelhante, comum a prática da rasteira, do passa-moleque, do golpismo em todos os matizes e níveis possíveis. De resto, como instalar a democracia no país da mídia de mão única, porta-voz da casa-grande? Os recentes eventos de Roraima provam que a informação falsa se torna habitual, como no caso da agressão contra refugiados venezuelanos, exemplo deplorável de xenofobia de marca fascistoide. 

Os privilegiados nutrem-se do verbo dos escribas a soldo do baronato e lhes repetem as frases feitas e as mentiras, a tevê do Plimplim cuida de atingir porções da população inclusive com suas novelas. Trata-se de impedir o nascimento de uma opinião pública, e nem se fale de uma sociedade civil.

Quem acredita na existência de tais misteriosas entidades trafega na névoa. O Brasil não atingiu a Idade da Razão, e dela se afasta até transpor a fronteira da insanidade e o monstruoso desequilíbrio social nos mantém na Idade Média.

A Inconfidência Mineira e o período 1950-1964 prometiam a contemporaneidade do mundo, a casa-grande incumbia-se do imediato retorno ao passado cada vez mais entrevado. Só me pergunto como se dá que o esquartejamento do rebelde Tiradentes seja celebrado com direito a um singular feriado a glorificar o surto revolucionário.

Hoje o mundo civilizado nos encara e haverá de perceber a nossa medievalidade com a mesma clareza com a qual condena a prisão de Lula culpado por ser o favorito de um pleito que, sem ele, não passa de uma fraude.

É como conferir ao Judiciário a condição de primeiro motor do golpe, enquanto as sondagens dilatam o favoritismo do preso sem crime. Imaginar o futuro é sempre prova de vitalidade e ouso agora pressentir um fio de esperança na incerteza do dia de hoje.

Mino Carta
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Alckmin gastou R$ 28 milhões da Educação em 4 anos com jornais e revistas


Em seu mandato como governador de São Paulo de 2011 a 2014, o candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin, gastou R$ 28 milhões do orçamento estadual voltado para a Educação comprando sem licitação milhares de exemplares das revistas e jornais Folha de S.Paulo, Estado de S.Paulo, Veja (Editora Abril), IstoÉ (Editora Três) e Época (Editora Globo).

As compras fazem parte de um programa de formação de docentes. No mesmo período, o Estado derrubou o valor global investido na formação de seus professores em 67,8%. Já o montante consumido anualmente com os jornais não teve qualquer queda.

De 2012 a 2015, de acordo com dados publicados pela Secretaria de Educação e pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, o recurso anual destinado ao treinamento dos docentes caiu de R$ 86,9 milhões para R$ 28,9 milhões. Já as compras de exemplares de periódicos não só não caíram como foram renovadas. Em novembro de 2015, só com a Folha e o Estadão, foram contratadas as compras de milhares de edições impressas diárias até 2017, a um custo adicional de R$ 6 milhões.

Como consta no “Relatório de Gestão 2011-2014”, da Secretaria de Educação, em seu mandato de 2011 a 2014, Alckmin gastou em dinheiro da Educação com as grandes empresas da mídia um valor de, no mínimo, R$ 28 milhões.

Para tanto, o governo fez uso do programa “Salas de Leitura”, voltado para a formação de docentes. É que os jornais e revistas seriam deixados em salas de professores de escolas da rede pública, para incentivar a leitura.

Assim, só em 2013, o Estado comprou 5.200 assinaturas do Estadão por R$ 1.554.800; outras 5.200 assinaturas da Folha pelo mesmo valor; e 5.200 assinaturas da Veja por R$ 669.240, perfazendo R$ 3,8 milhões.

Segundo o relatório – compilado pela Fundação Estadual para o Desenvolvimento da Educação (FDE) – que administra o “Salas de Leitura” -, também “participam do programa” as revistas IstoÉ e Época.

A justificativa para as compras, conforme o documento oficial: “A FDE é responsável pela distribuição às escolas estaduais dos jornais Folha de São Paulo e Estado de São Paulo e das revistas Veja, IstoÉ e Época, com investimento de R$ 28 milhões, para formação e informação dos educadores.”

Já a explicação para ter feito a compra sem licitação é a de que tais produtos jornalísticos são únicos, não haveria no mercado concorrentes que pudessem resultar no mesmo objetivo buscado pelo Estado, qual seja, “formar e informar os educadores”.

O governo não informa, porém, por que tomou a decisão pela compra de tais publicações sem antes consultar a opinião dos próprios educadores que deveriam ser formados e informados pelos veículos escolhidos pelo Estado.

Cai investimento em formação de professores, mas não dinheiro para a imprensa

Assim, ao mesmo tempo em que tentava formar professores comprando exemplares da Veja e do Estadão, o governo Geraldo Alckmin derrubou o valor investido na formação dos docentes em 67,8%.

O próprio Estadão publicou reportagem sobre a derrubada no investimento em formação de professores promovida por Alckmin. Foi no dia 13 de julho de 2016. O título: “Estado de São Paulo reduz gasto para formar professores”. Todos os números da queda de 67,8% nos investimentos de formação dos docentes estão lá.

O que não consta na reportagem do jornal é a informação publicada no Diário Oficial do Estado do dia 28 de novembro de 2015, na página 42.


Quer dizer: enquanto reduzia para menos da metade seu investimento na formação de professores da rede pública estadual, o governo Alckmin estendia a até, pelo menos, 2017 seus gastos comprando edições impressas de periódicos. Mais R$ 6 milhões empenhados em compras só da Folha e do Estadão.

Ficam os jornais, perecem os cursos

Então, entre os anos de 2011 e 2015, todo o montante gasto anualmente pelo governo em formação de docentes despencou 67,8%. Já o que gastava comprando jornais, que é parte do orçamento dos programas de formação, não caiu nem um centavo, pelo contrário, teve seus contratos sem licitação prorrogados até 2017.

Assim, para a conta fechar, alguma outra ação do governo estadual em formação de docentes necessariamente sofreu uma redução orçamentária superior a 67,8%. Quer dizer: algum programa de formação foi preterido pelo governo em favor da formação por meio da leitura de veículos como Veja e IstoÉ.

O Estadão já informou o que fez o governo Alckmin para a conta fechar: cortou vagas em cursos de formação oferecidos a seus funcionários. “O número de inscrições em programas de aperfeiçoamento de professores do Estado caiu. Eram 104,6 mil docentes atendidos em 2012, ante 77,2 mil em 2015, queda de 26,2%. (…) O ensino a distância (EAD), que responde pela maioria das inscrições, também teve queda. Em 2012, eram 73,2 mil vagas. Já em 2015, só 47,8 mil inscrições foram feitas.”

Vinícius Segalla e Gustavo Aranda
No DCM
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O parlamento brasileiro é um espelho da nossa grande mídia


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Alckmin precisa dobrar eleitorado para chegar ao 2º turno

Entre eleitores do PSDB, Alckmin perde até mesmo para Bolsonaro em pesquisas espontâneas; com Lula na disputa, 13% do eleitorado que diz preferir PSDB, votaria no petista


O ex-governador de São Paulo e candidato à presidência pelo PSDB, Geraldo Alckmin, precisa dobrar seu eleitorado em cinco semanas para conquistar uma vaga no segundo turno. A avaliação é apresentada pelo colunista da Folha de S.Paulo, Bruno Boghossian. 

O tucano tem a seu favor o maior tempo para exibição na propaganda eleitoral gratuita que começa 31 de agosto, com 5min32s, contra 2min23 de Lula (ou Haddad). Os demais concorrentes (Marina Silva, Ciro Gomes, Álvaro Dias e Bolsonaro) não somam juntos o total de tempo conquistado pelo PSDB. 

Alckmin tem tido dificuldades de penetrar, até mesmo, nichos tucanos. Segundo pesquisa espontânea, realizada pelo Datafolha, divulgada sexta-feira (24), entre os eleitores que dizem preferir o PSDB como partido, feita sem citar o nome de candidatos, 22% preferem o deputado federal e candidato pelo PSL, Jair Bolsonaro, contra 14% que dissera o nome o ex-governador de São Paulo. Outros 35% dos eleitores do PSDB disseram que ainda não sabem em quem votar em outubro.

Quando a pesquisa incluiu a lista de nomes dos candidatos, o cenário mudou. Sem Lula na disputa, Alckmin aparece com 34% das intenções, contra 27% de Bolsonaro. Incluindo o PT, Lula leva 13% dos votos dos eleitores psdbistas, atrás de Alckmin (31%) e Bolsonaro (24%).

Já, nas pesquisas gerais, incluindo todo o eleitorado brasileiro, Alckmin conta com cerca de 9% do eleitorado. Neste quadro, pondera Boghossian, o candidato do PSDB "precisa, no mínimo dobrar seu eleitorado em cinco semanas", portanto até o dia do primeiro turno da eleição, 7 de outubro.

Ainda que sua estrutura na TV e rádio possam fazer a diferença nos próximos dias, o articulista lembra que Alckmin não tem sido capaz de romper os 10% de eleitores com curso superior ou de classe média alta, "segmentos em que Aécio Neves batia os 30% em 2014".

"O tucanato perdeu espaço para Jair Bolsonaro: mais de 40% dos apoiadores do deputado do PSL votaram em Aécio na última eleição", analisando, por outro lado, o PT como "rei do campo vermelho", em mais um ano eleitoral. 

A saída que o PSDB busca é conquistar eleitores de Marina, Alvaro Dias, Meirelles e Amoêdo. "Dentro desse campo, a rejeição a Bolsonaro é quase o dobro do índice de Alckmin". Esse será um trabalho mais fácil do que alcançar um grupo que cresce ano a ano: dos desiludidos com a política. 

Em pesquisas do Datafolha que apresentam o embate direto entre PSDB e PT, 70% dos eleitores disseram aderir ao voto branco ou nulo no primeiro turno. Uma tendência que poderá se repetir no segundo.

No GGN
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Defesa de Lula apresenta ao TSE prova da parcialidade do PIG na cobertura da campanha


Nesta segunda-feira (27/08), a defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou com recurso junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para garantir que a Rede Globo e as demais emissoras de televisão tenham isonomia na cobertura das campanhas eleitorais, dedicando a Lula o mesmo tratamento destinado aos demais candidatos à presidência.

A petição junta provas de fácil comprovação pública, demonstrando que as emissoras têm deliberadamente escondido a campanha de Lula e de seu vice e porta-voz, Fernando Haddad. Segundo o levantamento realizado pelos juristas referente aos telejornais que foram ao ar entre 20 e 24 de agosto, o Jornal Nacional dedicou exatos 21 segundos à coligação de Lula, tempo utilizado, ainda no dia 20/08, para comunicar que a emissora não cobriria a agenda do ex-presidente, sob o pretexto de Lula se encontrar preso.


No mesmo período, o Jornal Nacional dedicou um total de 5 minutos (um minuto por dia) para cobrir as campanhas de Marina Silva (Rede), Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB); 4 minutos para Jair Bolsonaro (pois o candidato não teve agenda pública no dia 20) e 1 minuto para Álvaro Dias (Podemos), que está em um longínquo sexto lugar nas pesquisas de intenção de voto. A Rede Record e o SBT tampouco cobriram a campanha da coligação de Lula em seus telejornais.

A campanha de Lula percorre as ruas do Brasil desde a última semana, reunindo milhares de pessoas nas ruas dos estados da Bahia, Sergipe, Paraíba, Rio Grande do Norte e Maranhão. Lula, líder nas pesquisas eleitorais, também se comunica por meio de recados e visitas, que ocorrem regularmente às quintas-feiras.

A Lei eleitoral exige isonomia e veda que qualquer candidato tenha tratamento privilegiado nas concessionárias de rádio e TV. “Requer-se, na presente Representação, a concessão de liminar, para que seja ordenado às empresas representadas para, a partir da presente data, confiram a devida cobertura da campanha presidencial da Coligação O povo Feliz de Novo, por meio de sua agenda oficial, e do próprio candidato Lula, devendo ser conferido tratamento isonômico entre as atividades destes e as dos outros candidatos ao mesmo cargo, com inserções em mesmo horário e com a mesma duração”, diz o recurso.

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Movimento impulsiona desfiliação da Igreja Católica na Argentina

Coalizão que defende Estado laico ganhou destaque em manifestações a favor da legalização do aborto, rejeitada pelo Senado; segundo grupo, milhares já entregaram formulário de renúncia à Igreja

Vendedor oferece lenço com slogan pró Estado laico durante "apostasia coletiva" em Buenos Aires
Vem ganhando força na Argentina um movimento a favor do Estado laico, que se opõe à influência das entidades religiosas na política e encoraja a população a abandonar a Igreja Católica, especialmente após a recente rejeição pelo Legislativo da legalização do aborto no país.

Em manifesto publicado em seu portal de internet, a organização chamada Coalizão Argentina por um Estado Laico (Cael) condena o que chama de "manobras exercidas por algumas autoridades eclesiásticas para atrasar, obstaculizar e renegar o exercício da liberdade de consciência e religião daquelas pessoas que renunciam sua afiliação à Igreja Católica". O grupo solicita a eliminação dos dados pessoais dos registros da Igreja.

Fundada em 2009, a Cael se tornou mais conhecida durante as manifestações no início de agosto a favor do projeto de lei que visava legalizar o aborto na Argentina, distribuindo lenços de cor laranja. Após ser aprovada por maioria apertada na Câmara, a proposta acabou sendo rejeitada pelo Senado.

No último sábado (18/08), centenas de pessoas se reuniram em Buenos Aires em um evento chamado "apostasia coletiva", convocado pela Cael. A organização distribuiu formulários de renúncia à Igreja Católica, que serão entregues à Conferência Episcopal do país, terra natal do papa Francisco e fortemente influenciado pelo catolicismo.

Longas filas se formaram na capital e em outras seis cidades do país. Os organizadores esperam ainda que milhares de pessoas registrem oficialmente o desejo de que a Igreja não interfira na política e que seus nomes sejam retirados dos registros.

"Estamos recebendo apostasias de todos os que quererem renunciar a seus laços com a Igreja", disse Maria José Albaya, uma das organizadoras do evento.

Segundo a coalizão, algumas dioceses se recusaram a iniciar os trâmites da desfiliação. "Este feito constitui uma grave violação das liberdades de consciência e religião", diz o manifesto.

Para se desvincular da Igreja, as pessoas que foram batizadas devem enviar uma carta à instituição informando sua decisão. No texto, deve ser mencionado o ano e o local onde ocorreu a cerimônia, além de uma breve explicação dos motivos da desfiliação.

A primeira "apostasia coletiva" foi organizada em 8 de agosto, dia do debate sobre o aborto legal no Senado. Na ocasião, cerca de 2.500 pessoas apresentaram sua renúncia à Igreja Católica e no último fim de semana o número de desfiliações foi similar, segundo a Cael.

O movimento considera que a rejeição do projeto de lei que legalizaria o aborto até a 14ª semana de gestação foi influenciada pelas autoridades eclesiásticas. A Igreja Católica, assim como as evangélicas, se opuseram fortemente à iniciativa, organizando manifestações e atos religiosos. Alguns deputados e senadores disseram que foram pressionados a votar contra o aborto legal.

Cerca de dois terços dos 43 milhões de argentinos se definem como católicos, mas o descontentamento com a Igreja aumentou tanto com a rejeição à lei do aborto quanto com recentes escândalos de abusos sexuais.

A Constituição argentina assegura a liberdade religiosa, mas o Estado outorga um status jurídico preferencial à Igreja Católica.

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Horário eleitoral ‘gratuito’ custa R$ 864 mi. Governo se recusa a mostrar quem recebe a grana


A partir desta semana, programas de televisão no horário nobre serão interrompidos diariamente com o aviso da “transmissão do horário eleitoral gratuito”. Apesar desse adjetivo, esse espaço é extremamente bem pago a todas as emissoras de rádio e TV. Neste ano, o valor chega a R$ 864,7 milhões, o maior da história – estimativa 17% inferior à de R$ 1,04 bilhão que a Receita havia previsto no orçamento apresentado ao Congresso Nacional.

É impossível saber quanto cada emissora receberá por isso. O governo se resume a publicar uma estimativa de quanto será a isenção total para o ano e não detalha quanto desse dinheiro vai para cada empresa. Esses valores somam até R$ 6,6 bilhões desde 2002, quando os dados começaram a ser disponibilizados pela Receita.

Os candidatos não podem comprar espaço para propaganda na televisão, a exemplo de empresas e outros anunciantes. Para que eles possam aparecer em rede nacional, o próprio governo age como um bom anunciante para cada uma das emissoras.

De uma pequena rádio do interior à Rede Globo, todas emissoras do país ganham para ceder espaço a candidatos e partidos todos os anos. Quando não há eleição, rádios e TVs recebiam pela propaganda partidária, que deixou de ser exibida desde o início deste ano. Nos anos pares, o valor dispara com a exibição dos candidatos no horário eleitoral: no ano passado, a Receita repassou R$ 335 milhões aos partidos. Neste ano, o total é quase três vezes esse valor.

A lei eleitoral prevê como o espaço publicitário deve ser pago: 80% das tabelas de preços estipuladas pelos próprios veículos, o que vale tanto para as duas propagandas diárias de dez minutos quanto para as inserções menores distribuídas ao longo do dia. Esse valor é convertido em isenções no imposto de renda das empresas.

Receita alega sigilo fiscal


Desde 2012, venho tentando descobrir quanto cada emissora recebe pelo horário eleitoral por meio da Lei de Acesso à Informação, mas a Receita tem negado meus pedidos. O órgão usou um trecho do Código Tributário Nacional de 1966, segundo o qual não é permitido divulgar qualquer informação sobre “a situação econômica ou financeira” de empresas, para negar meu pedido.

Em outra tentativa de obter esses documentos, em 2014, o caso chegou a Controladoria Geral da União, órgão responsável por decidir questões controversas da lei de acesso à informação. Argumentei que não seria necessário divulgar quanto uma emissora paga de impostos, mas somente quanto deixa de pagar com o espaço reservado aos políticos. Logo, informações sensíveis não seriam divulgadas.

A CGU negou. O argumento foi que o valor da renúncia fiscal é proporcional ao faturamento da emissora. Assim, a divulgação dos dados seria uma forma de ferir o sigilo fiscal das empresas. Negativas posteriores continuaram na mesma linha de argumentação. Uma busca no portal da CGU mostra que outras pessoas fizeram mais tentativas de obter esses dados, mas esbarraram no mesmo problema.

Neste mês, a Receita negou um novo pedido que fiz para obter os dados detalhados. Além dos argumentos anteriores, alegou que dividir os dados por emissora exigiria “trabalho adicional”, uma exceção prevista na lei de acesso.

Hoje, existe somente uma pista de como esse dinheiro é distribuído. Em seus relatórios, a Receita mostra a distribuição da isenção por região do país. As emissoras da região sudeste recebem a esmagadora maioria dessa verba. Enquanto todas as emissoras do norte do país recebem menos de um por cento desse dinheiro, as emissoras do sudeste recebem 67% dele, em um total de R$ 697 milhões de reais.

Quais emissoras e quanto dinheiro, ao menos por enquanto, é impossível saber.

Piero Locatelli
No The Intercept
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Jessé Souza - A Ralé brasileira e Flávio Tavares - o Golpe, Ópera do Fim do Mundo





Flávio Tavares, o pintor do golpe e a Ópera do Fim do Mundo




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Açaí da Wal é exemplo de empreendedorismo


A luta anticomunista nacional segue a todo vapor contra os pelegos do bolchevismo que se levantam a cada esquina do país para combater o capitalismo, o mercado e a livre empresa, torpedeando a todo custo qualquer iniciativa de empreendedorismo capitalista de parte dos homens e mulheres boas da nação.

Vejam bem, senhoras e senhores, habitués frequentes deste honrado sítio, o pesadelo vivido pela honrada Wal, que, sem depender da ajuda do estado e sem mamar nas tetas do governo, como fazem os comunistas, resolveu abrir uma pequena lojinha de açaí, para prosperar na vida com  dignidade e competência, e eis que os ataques comunistas se multiplicaram de todos os lados, oriundos daqueles que são contra o estado mínimo e o neoliberalismo libertador. Calúnias, calúnias, nada mais que calúnias, nunca provadas e que nunca provarão, chegaram cúmulo de dizer que açaí tem gosto de terra, um absurdo.

É por essa e outras que muitos eleitores tradicionais dos homens de bem chegam a conclusão de que Bolsonaro é o único capaz de defender o capitalismo no Brasil com força e garra, por ser contra a corrupção e contra todos aqueles que vivem às custas do erário público. Um feliz encontro do mito com os mitômanos.

Alvíssaras!

Professor Hariovaldo
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Jornal dos Trabalhadores e Trabalhadoras


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A face possível para a elite


Em sua coluna de domingo, no Jornal do Brasil, Teresa Cruvinel trata de um tema que é, ao mesmo tempo, evidente e pouco discutido: a apropriação do mando político pela casta policial-judicial:

No Brasil da Lava Jato (…) quem manda e tudo controla é o estamento formado pelas carreiras de Estado da área jurídico-policial: Ministério Público, Polícia Federal, STF e tribunais superiores. Na falta de uma classe dominante ciosa de seu papel e responsabilidades, estas carreiras se impuseram. (…) O centro da política, ninguém há de negar, deslocou-se completamente do Congresso e dos partidos para o Supremo Tribunal Federal, que sobre tudo decide: tabela de frete de caminhoneiros, prisão em segunda instância ou descriminalização do aborto.

(…) eles saíram da caixinha porque a classe dominante não se comporta como tal. Não se sente vinculada ao país, que lhe serve apenas como fonte de lucros, não gosta do povo, tem segunda moradia em Miami ou Paris e não tem projeto algum para o Brasil. Neste vácuo, e com os políticos em desgraça, as carreiras de Estado se estabeleceram.

Penso que é, de fato, assim. Mas vai além, e por razões que estão mencionadas no texto.

O fato de nossa classe dominante “não ter projeto algum para o Brasil”, o que a deslegitimou perante a população, não apenas abriu espaço para a hipertrofia da máquina judicial, por ambição, falta de senso democrático e até de compostura de seus integrantes.

Este processo não ocorreria se esta camada, sem condições de ter uma representação política viável, não tivesse ido buscar na Justiça e seus arrabaldes, a legitimidade e a autoridade que perdeu (e ainda vem perdendo), transformando-a em agente político com grau de eficácia que já não alcança naqueles que lhes seriam os “convencionais”.

O protagonismo judicial corresponde, portanto, a uma substituição de quadros que a elite dominante não conseguiu produzir, em sua miséria cultural, ética e, sobretudo, de projetos nacionais, ainda que vinculados e dependentes da ordem mundial vigente.

E, como detém poder estatal – e poder absolutista -, pôde levar à prática um plano de reconquista do poder político da elite que vem sendo negado pelas urnas há década e meia, retirando de Lula, ou de quem o represente, a capacidade de vencer nas urnas, formalismo que não se dispensa em ritos ditos democráticos, ainda que nada possa ser tão antidemocrático quanto vedar candidaturas.

Ao contrário dos partidos e políticos, cujas opiniões e atos precisam legitimar-se, os do Partido Judicial têm autoeficácia e são autorrespeitáveis:  “é aquilo que eu decido, cumpra-se”. Qualquer revisão, se houver,  é interna corporis, não é passível de contestação e se autoexplica, por uma estranha lógica reversa.

Por exemplo:” Lula está preso porque foi condenado, se está condenado é porque cometeu os crimes de que o acusaram, se não há provas de que os cometeu, deve ter cometido, porque sabe como são estes políticos, não é?”

Não é o caso de tratar aqui, agora, das ilusões petistas quanto ao Judiciário, à Polícia Federal, ao Ministério Público, quanto às “instituições republicanas” em que não soube ver a natureza de classe, que vai além da de casta.

Estajá se tornou evidente à população, muito mais que aquela outra.

O que obriga o povo brasileiro a um esforço muito maior de consciência, porque já não se trata apenas de confrontar os reis, mas as cortes inteiras, que assumiram a regência do Brasil e não querem e não podem permitir que elevem ao “trono eleitoral” alguém que represente a população.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Xadrez da candidatura Lula-Haddad e os golpes possíveis


Nosso jogo de xadrez das eleições está sob a influência das seguintes variáveis:
  1. As expectativas em relação ao 2º turno. Quanto mais fraco Geraldo Alckmin, maior a probabilidade de uma nova etapa do golpe, com tentativas de inviabilizar não apenas a chapa Lula/Fernando Haddad como do próprio Bolsonaro.
  1. Por outro lado, há uma desmoralização cada vez maior das manobras jurídicos-ilegais. Hoje em dia está claro para a parte bem informada da opinião pública os arreglos entre a cúpula do Judiciário, o TRF4 e a PGR (Procuradoria Geral da República).
  2. O fator Bolsonaro continua sendo a ameaça maior, devido à sua influência na base do Ministério Público Federal e em parte do poder econômico.
Vamos analisar por partes.

Peça 1 - As expectativas nas próximas eleições.

Todas as indicações até agora apontam para a baixa probabilidade da candidatura Geraldo Alckmin alçar voo.

Vamos a algumas simulações em relação às últimas pesquisas, com recorte regional, comparando com as eleições de 2014.

As eleições presidenciais no Sudeste

Em 2014 o Sudeste deu o maior contingente de votos para Aécio Neves contra Dilma Rousseff. Mantidos os mesmos percentuais de votos de 2014, o eixo Alckmin-Bolsonaro receberia do Sudeste uma vantagem de 5 milhões de votos, 6,6 milhões a mais vindos de São Paulo e compensando com folga 1,1 milhão a menos no Rio de Janeiro e 454 mil a menos de Minas Gerais. No 2º turno, Dilma recebeu do Sudeste o equivalente a 20 milhões de votos.

Só no 1º turno, Lula receberia 19,4 milhões, quase o mesmo que Dilma no 2º. Levando em conta os votos válidos, Lula tem 43% contra 24% de Bolsonaro, 16% de Geraldo Alckmin, 9% de Marina Silva e 9% de Ciro Gomes.


Supondo que todos os votos de Bolsonaro fossem para Alckmin (ou vice-versa) e a direita ainda herdasse 60% dos votos de Ciro Gomes e Marina Silva, ainda assim os dois lados sairiam empatados no Sudeste.


Nas eleições de 2014, o Sudeste deu 5 milhões de votos a mais para Aécio. Na quadra atual, haveria empate técnico.


Os votos no Nordeste

Tomando-se por base as últimas pesquisas, tomando-se por base apenas o 1º turno, Lula sairia do Nordeste com 23,5 milhões de votos contra 4,7 milhões da soma de Alckmin e Bolsonaro.


Supondo-se que 60% dos votos de Ciro e Marina sejam para Bolsonaro- Alckmin, ainda assim a vantagem de Lula-Haddad seria de 24,9 milhões de votos contra 6,8 milhões dos votos somados de ambos.


Em 2014, o Nordeste deu uma vantagem de 17 milhões a Dilma. Na quadra atual, a vantagem poderia chegar a 18 milhões.


Nesse balanço Sudeste + Nordeste, tem-se o seguinte quadro:
  1. Nas eleições de 2014, Dilma saiu com uma vantagem de 11,8 milhões de votos sobre Aécio.
  2. Pelas projeções acima, Lula-Haddad sairiam com uma vantagem de 17,8 milhões.

Incluindo o Sul

O jogo passa a se concentrar então no Sul e no Norte-Centro Oeste.

No Sul, há mudança de cenário. Lula-Haddad acumula 5,8 milhões, contra 4,3 milhões de Bolsonaro, 2 milhões de Álvaro Dias, 1 milhão de Ciro e Marina e meros 860 mil de Alckmin.


Se todos os votos de Marina, Ciro e Álvaro fossem ou para Alckmin ou Bolsonaro, ainda assim haveria um empate técnico. Em 2014, o Sul deu uma vantagem de 3,3 milhões para Aécio Neves.


Juntando as regiões

Supondo que 60% dos votos de Marina e Ciro fossem ou para Alckmin ou Bolsonaro, o quadro nacional ficaria assim: uma vantagem de 17,8 milhões para Lula-Haddad, contra 8,3 milhões para Dilma em relação a Aécio.


A transferência de Lula para Haddad

Vamos a uma simulação realista: metade dos votos de Marina e Ciro para cada lado e Lula transferindo 80% de seus votos para Haddad. Nesse caso, a vantagem de Lula-Haddad seria de 8,1 milhões de votos no 2º turno.


Em outra simulação, supondo que 60% dos votos de Marina e Ciro migrem para a chapa anti-PT. A transferência de votos de Lula para Haddad teria que ser superior a 72% para garantir sua vitória.


Conclusão

Em condições normais de voo, Lula levaria no 1º turno e há uma boa probabilidade de Haddad levar no 2º turno.

Acontece que o golpe tem como foco quase exclusivamente o PT. Gastando a bala de prata no PT, não haveria condições políticas de cassar a candidatura de Bolsonaro. Caso o golpe avance, interditando a chapa completa do PT, há a possibilidade concreta de vitória de Bolsonaro sobre Alckmin no 2º turno.

Peça 2 – o novo tempo do golpe

O golpe chegou a uma encruzilhada. Pode ser que se atravesse o Rubicão, deixando de lado qualquer veleidade de dourar a pílula com pitadas de formalismo. Mas a perda de controle da tropa está produzindo um desgaste crescente na corporação. Principalmente quando fica clara a influência do MBL e de Bolsonaro sobre a primeira instância dos Ministérios Públicos – o federal e os estaduais.

Aqui, as últimas ofensivas de procuradores, intimando professores de universidades, em função do curso sobre o Golpe, ou, como no caso mais grave, o Procurador Marco Aurélio Dutra Aydos, de Santa Catarina, denunciando e pedindo a prisão do reitor da UFSC por não ter impedido manifestações no campus contra a Operação que levou ao suicídio do reitor Cancellier.


Esse deslumbramento irresponsável está ajudando a virar o fio, a expor o monstro que se criou, reforçando as tentativas de controle futuro do MPF e a aprovação da Lei contra Abuso de Poder, qualquer que seja o próximo presidente da República – com exceção obviamente de Bolsonaro. E não há manifestações da PGR e do CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) contra atitudes que comprometem profundamente a imagem do MPF como um todo.

Esses esbirros autoritários, mais a manifestação do Comitê de Direitos Humanos da ONU, trazem um novo componente para o jogo, especialmente com o fim da gestão da inacreditável Ministra Carmen Lúcia na presidência do STF.

Próximo presidente, Dias Toffoli tem demonstrado uma iniciativa louvável de perseguir um mínimo de coesão no tribunal. Por outro lado, sua posse trará Carmen Lúcia para a 2ª Turma – que, até agora, tem sido uma voz isolada contra o arbítrio.

Por outro lado, está ficando cada vez mais nítido, para a parte mais influente da opinião pública, o oportunismo e a hipocrisia de personagens que pegaram carona nas operações policiais. É o caso de Luís Roberto Barroso.

Verborrágico em defesa do Estado mínimo, e do empreendedorismo, votou a favor do reajuste de 19% para os Ministros do Supremo, trazendo atrás de si todos os reajustes do Judiciário. Apanhado na contradição, explica que não aprovou: o Supremo não deu aumento, o Supremo não tem competência para dar aumento, e tudo o que o Supremo fez foi prever no orçamento a possibilidade de o Congresso vir a dar o aumento, se ele entender que deve dar". Entenderam?

De novo: “Meu voto foi pensando em que não se deveria impedir uma categoria de reivindicar, mas não foi um voto no sentido de que eu ache que deva dar aumento”. Continuam não entendendo? 

Não ficou nisso. Semana passada jogou para a plateia, sustentado que “publicar salários de juízes é questão de transparência”. Ocorre que, valendo-se da visibilidade de Ministro do STF, Barroso vem construindo uma bem-sucedida carreira da palestrante profissional, que deve lhe render bem mais do que o salário de Ministro do STF. E mantém os ganhos como palestrante em sigilo, desobedecendo um preceito de que não pode haver sigilo bancário ou fiscal para funcionário público.

Está em suas mãos julgar a autorização para Lula se candidatar ou não. A reprovação cada vez maior dos círculos jurídicos internacionais às jogadas políticas do golpe, certamente será um fator de constrangimento para Barroso. Menos pelos princípios, mais pela vaidade.

Peça 3 – a resultante final

É impossível qualquer certeza sobre o que ocorrerá nas próximas semanas.

O fato do golpe ter se escancarado traz duas possibilidades antagônicas:
  1. Inibir futuras jogadas.
  2. Rasgar a fantasia definitivamente.
A própria ameaça Bolsonaro traz um ingrediente relevante para uma pactuação entre os setores civilizados do país.

Dias desses Steven Levitsky, professor de Harvard e autor do livro “Como as democracias morrem” dizia de sua surpresa ao conversar com grandes empresários brasileiros e sentir, neles, apoio a Bolsonaro. Graças à irresponsabilidade dos grupos de mídia, com seu antipetismo desvairado, o vírus da besta foi inoculado não apenas na classe média, mas nas corporações públicas e em parte do empresariado.

Nunca se chegou tão perto de momentos tão decisivos para a história do país. Nas próximas semanas se saberá se haverá espaço para algum pacto civilizatório ou o país mergulhará nas trevas de vez.

Luís Nassif
No GGN
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Candidatos têm estratégia para fazer campanha nas igrejas sem correr risco de cassação


Os candidatos que fazem campanha em igrejas evangélicas que já têm estratégia para evitar a cassação, como aconteceu com os deputados Márcio José Oliveira, do PR de Minas Gerais, e o deputado federal Franklin Roberto Souza, do PP mineiro.

O pastor da Igreja Mundial do Poder de Deus pediu explicitamente votos para eles.

Essa prática foi considerada pelo TSE abuso do poder econômico — Igreja é isenta de impostos, não pode fazer campanha.

Para fugir da punição, os pastores mais precavidos pedem oração, em vez de voto. O fiel entende. Enaltece as qualidades do candidato, o abençoa na frente de todos e permite que, nas imediações da Igreja, os cabos eleitorais distribuam santinho.

Antes, no culto, o pastor fala que determinado candidato é amigo da igreja, pede que orem por ele contra forças de Satanás, etc.

É uma estratégia e, em geral, ela custa ao candidato, ou na forma de doações (dinheiro vivo mesmo) ou de benesses no poder público, como cargos.

Joaquim de Carvalho
No DCM
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