16 de ago de 2018

Bolsonaro, réu em dois processos criminais tramitando no STF, pode ser candidato à presidência?


Com a notícia que o candidato à Presidência da República, o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ), teve seus recursos rejeitados e manteve-se como réu em dois processos criminais – por incitação ao crime de estupro e por uma queixa-crime por injúria, apresentada pela deputada Maria do Rosário – surge a pergunta: e então, ele pode ser candidato à presidência?

A pergunta é importante! A maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, no dia 3 de Novembro de 2016, que réus com processos na corte não podem ocupar cargos na linha sucessória da presidência da República. Isso é: quem é réu em processo criminal, sendo julgado pelo STF, não pode permanecer na linha de sucessão da presidência.

Então: se quem é réu em processo criminal não pode ficar na linha de sucessão, quem é réu em processo criminal pode concorrer ao cargo?

Para mim, réu não é condenado e somente condenados não poderiam concorrer ao cargo de presidente em razão de seus direitos políticos cassados. Réu é inocente até o trânsito em julgado da sentença penal condenatória. O problema é: o Brasil vive mergulhando numa imensa insegurança jurídica onde se decide uma coisa hoje e, amanhã, fica-se fazendo ajustes para adaptar certas situações.

Mas é isto: a julgar pela maioria do STF, quem é réu em processo criminal não pode ficar na linha de sucessão presidencial – tampouco, por evidente, concorrer ao cargo.

Isso vai dar uma confusão…

Wagner Francesco, advogado
Do Jusbrasil
No DCM
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Em júri simulado ministros do STF são ‘condenados’ por ‘matar’ presunção da inocência




O julgamento, simbólico, dispensou boa parte das formalidades e procedimentos habituais, com vários momentos descontraídos entre os participantes, mas o tema foi levado a sério durante as argumentações. A maioria dos sete jurados considerou que a presunção de inocência foi “assassinada” no Supremo Tribunal Federal. E condenou parte dos ministros pelo crime.

Proclamada às 22h09 da quarta-feira (15), a sentença prevê 8 anos e meio de reclusão, em regime inicial fechado. Ironicamente, dada a natureza do julgamento, o “réu” poderá recorrer em liberdade, até o trânsito em julgado. Inciso do artigo 5ª da Constituição estabelece que “ninguém será considerado culpado antes do trânsito em julgado de sentença penal condenatória”.

Iniciativa do Centro Acadêmico 22 de Agosto, da Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, o julgamento, presidido pela juíza Márcia Bosch, teve pela acusação o advogado criminalista Fábio Tofic Simantob, presidente do Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD), e pela defesa Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay. O palco foi o Tucarena. Na plateia, entre outros, o desembargador Antônio Carlos Malheiros, do Tribunal de Justiça do Estado, e o advogado criminalista Alberto Zacharias Toron.

Duas decisões da Corte Suprema foram analisadas pelos advogados. Em 17 de fevereiro de 2016, o STF negou um habeas corpus a um ajudante-geral e entendeu que o início da execução da pena após a sentença em segundo grau – sem o esgotamento dos recursos – não ofende o princípio constitucional da presunção de inocência, um mudança no entendimento do Supremo. O outro caso, mais rumoroso, foi em 4 de abril deste ano, quando, por 6 a 5, o STF negou habeas corpus preventivo ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

É “uma questão da maior importância, que agita o meio jurídico”, comentou Tofic ao final do evento. Kakay contou ter sido procurado por dois ex-ministros, que o questionaram: “Mas você vai julgar o Supremo?”. Ele lembrou que se tratava de um julgamento simbólico. Político, mas também técnico.

Kakay procurou refutar a ideia do “assassinato” da presunção da inocência, lembrando que parte dos ministros defende o princípio constitucional. “Não há crime porque não há morte”, afirmou. “Se estivesse morta, não teríamos nenhuma chance de soltar exatamente essas milhares de pessoas que estão abarrotando as cadeias, o ex-presidente Lula, que está preso injustamente.”

Ele também fez referências ao que chamou de “mídia opressiva”, considerando jornalistas do canal GloboNews a “Terceira Turma do Supremo Tribunal Federal”. Em sua composição, a Corte tem duas turmas, cada qual com cinco ministros. A defesa procurou ainda demonstrar que não existe um, mas 11 STFs, já que cada ministro seria uma “ilha”.

Sem inocentar seu “cliente”, que acabou condenado, como queria a acusação, ele ao menos conseguiu um inédito “desmembramento” do réu. Em vez de todo o STF, apenas uma parte dos ministros foi condenada. Eles não foram nominados, mas quem votou contra o habeas corpus de Lula em abril foram Edson Fachin (relator), Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Rosa Weber, Luiz Fux e a própria Cármen Lúcia. A favor do HC: Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio Mello e Celso de Mello.

No julgamento de 2016, sete haviam votado contra o habeas corpus. Nas palavras da acusação, a vítima havia sido atingidas por “sete golpes argumentativos severos”. Ainda ferida, em termos de eficácia jurídica, voltou ao STF em 4 de abril de 2018, buscando uma segunda chance. Desta vez, sofreu “seis golpes argumentativos explícitos” e não resistiu. Julgado por crime doloso contra a vida, o “réu”, intimado, optou por não comparecer.

Teriam sido seis tiros de projétil da marca “notável saber jurídico”, afirmou Tofic, no que seria contestado, mais adiante, por Kakay. Por esse critério, dois ministros do STF já estariam afastados, porque jamais poderiam dizer que são possuidores desse notável saber. Obviamente, o advogado não os citou.

Segundo a acusação, aconteceu um crime “bárbaro”, que vitimou uma menina nascida em 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição. “Filha de um relacionamento extremamente conturbado”, ela representou a esperança de um mundo melhor, “de liberdades plenas, em que o direito de defesa pudesse ter vez”. Ao nascer, ficou sob a guarda de um tutor, o próprio STF, réu do processo julgado ontem, e que tinha o dever de protegê-la, mas “ora demonstrava amor, ora demonstrava desinteresse”, até que, anos depois, assumiu a paternidade e declarou a presunção de inocência como sua verdadeira filha.Isso começou a mudar quando o Supremo começa a “sair” com uma mulher chamada opinião pública e começa a mudar seu entendimento.

Tofic considerou que a denúncia foi leve, apenas de homicídio simples, sem considerar o motivo torpe e os recursos para dificultar a defesa da vítima. Por exemplo, a mudança de julgamento da Segunda Turma, “onde o réu (Lula) tinha maioria”, para o pleno do STF. Mesmo citando a influência da opinião pública, o advogado da acusação não a responsabilizou. “A liberdade de expressão só funciona no país onde existe um Supremo Tribunal Federal capaz de frear a opinião pública. Não é culpa da opinião pública ou deste ou daquele jornalista, mas de quem deveria zelar pela presunção da inocência.”

Para ele, essa presunção “morreu” para muitos, em um país onde há 20% de presos provisórios. “Morreu pro José, pro João, pra Severina, para essas mães apinhadas em presídios, afastadas de seus filhos. Segundo grau, qualquer república, qualquer ‘paisinho’ tirano tem.”

Já na tréplica, Kakay insistiu e afirmou que há ministros “resistindo” em defesa do princípio da presunção da inocência. “Hoje, ser revolucionário é cumprir a Constituição. Se tivéssemos a Constituição sendo cumprida, e não 11 Constituições, não chegaríamos ao ponto em que estamos. Não pode haver condenação de forma indiscriminada. Temos ministros que estão resistindo, espero não passemos para ele o sinal errado.”

Ele afirmou ainda que a Operação Lava Jato provoca dicotomia, expondo aqueles advogados que são críticos a seus procedimentos como se fossem contrários ao combate à corrupção. “Só que eu quero que esse combate dentro dos limites da Constituição.”

A sessão teve um momento de cantoria, na voz do próprio Kakay, acompanhado de violão tocado por um homem na plateia: “Você é uma pessoa horrível/ (…)/ É bílis, é ódio, é mau sentimento…” A letra trazia frases do ministro Barroso dirigidas a Gilmar Mendes, durante briga entre os dois no plenário do STF, em março. “Isso é lá no Baixo Augusta (área na região central de São Paulo) ou se isso é no plenário do Supremo Tribunal Federal?” A apresentação foi aplaudida pela plateia e pelo próprio advogado da acusação.

No Justificando
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Mais um escondidinho de tucano


O esforço dos golpistas de me calar é odioso. Os tucanos não têm a coragem de colocar a cara abertamente e  impugnar minha candidatura ao Senado.

Resolveram, com mãos de gato, usar um testa-de-ferro dos tucanos, um laranja do MBL, para continuar dando seus golpes contra a soberania popular.

Querem, agora,  impedir que o povo de Minas escolha nas urnas quem representará o estado no Senado da República.

Como estão fazendo com Lula, querem me cassar novamente. Mas não adianta.

A Justiça deve prevalecer. Os tucanos, que são contra a soberania popular porque sempre perdem quando as urnas falam, não conseguirão nos impedir.

Vamos, juntos com Lula, fazer o Brasil Feliz de Novo.

Minas e o Brasil querem um país, sem essas artimanhas golpistas, um país democrático, mais justo e menos desigual.

Dilma Rousseff
Candidata ao Senado
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A verdade: Revista Veja vende menos da metade do que informa

Reprodução da divulgação da revista Veja ao mercado publicitário
Após o anúncio do fechamento de dez revistas, a editora Abril informou que concentrará a manutenção das publicações que somam maior audiência, entre elas a Veja. Desde então, vem aumentando a suspeita de que o número de tiragens da carro chefe da editora estava sendo inflado. 

O GGN foi atrás dos dados reais e revela que, ao contrário da histórica informação dada pela marca de que mantinha o patamar de 1 milhão de exemplares, a Veja alcança desde o início do ano menos da metade dessa distribuição: tem uma média de 435 mil tiragens da revista impressa.

Os números de mais de 1 milhão vêm sendo inflados desde que a leitura da revista passou a dominar o meio digital. Publicamente, logo após o anúncio do fechamento das edições, a Abril afirmou em nota oficial que as principais revistas somavam "5,2 milhões de circulação".

"A empresa passará a concentrar seus recursos humanos e técnicos em suas marcas líderes: Veja, Veja São Paulo, Exame, Quatro Rodas, Claudia, Saúde, Superinteressante, Viagem e Turismo, Você S/A, Guia do Estudante, Capricho, MdeMulher, VIP e Placar. Marcas que somam audiência qualificada de 125 milhões de visitantes únicos por mês e 5,2 milhões de circulação nas versões impressa e digital por mês, além de centenas de eventos", era o anúncio.

Sob o slogan de que "a VEJA continua sendo a maior, a mais influente e a mais prestigiada revista brasileira", o site destinado à transparência das revistas da editora maquia ainda mais os dados: "São grandes os números que acompanham a marca. São 862 mil exemplares em circulação toda semana, sendo a maior entre as semanais de informação do Brasil e a segunda maior no mundo".

A fonte utilizada é o IVC (Instituto Verificador de Comunicação), já acusado por jornalistas da prática de manipulação das auditorias de divulgação da Veja. Ainda em 2013, Paulo Nogueira acusava que a editora fazia um "esforço épico, e caríssimo" para "sustentar a carteira de assinantes da Veja na casa de 1 milhão". "A real carteira, hoje, deve estar entre 100.000 e 200.000 exemplares", acrescentou, à época [leia aqui].

No próprio Mídia Kit da Veja, destinado a resumir o cenário da revista ao mercado publicitário, a revista insiste em manipular os dados atuais. Note que a data dos supostos "exemplares" é de março deste ano:


E junto com estes dados, os veículos destinados a trazer informações sobre o mercado de comunicação e imprensa, como Meio & Mensagem e Portal Imprensa apenas reproduzem as comunicações positivas de que a tiragem da Veja aumentou no digital [leia aqui e aqui].



A REALIDADE DE VEJA

Mas para além da visão geral que a página "PubliAbril" traz, com a manipulação das tiragens, informando como base o IVC de Julho do último ano e outras métricas de acessos online, como o Google Analytics e seguidores das redes sociais, é possível verificar que a editora mistura os leitores digitais ao impresso para inflar os dados.

Os tais "exemplares" ou "circulação" consideram não só a revista impressa, como também o portal online. Somando os dois, as assinaturas atingiriam 799.591 no mês de junho de 2018: 


Entretanto, quando selecionada a circulação da revista Veja em papel, os números são outros. O último dado que consta é de maio deste ano, quando a Veja obteve 452.310 assinaturas e 41.097 de revistas avulsas, que são as vendidas pelas bancas, somando um total de 493.407 tiragens impressas.


E o mês foi considerado relativamente bom se comparado à média deste ano, que ainda é pior. Os cálculos são de que de janeiro de 2018 até maio de 2018, foram vendidas 435.526 revistas Veja impressas, com apenas 408 mil assinantes e 27 mil compradas avulsas.


A circulação da revista na região Norte é a mais baixa, com 14.720. No posto de segunda pior venda está o Centro Oeste, com 43.978 tiragens. No Nordeste são 62.186 impressões compradas. E os melhores resultados estão no Sul, com 73.149 e no Sudeste, com a quantia mais significativa, de 299.310.


Patrícia Faerman
No GGN
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Grupo Abril está falido. ‘Veja’ vai acabar?

Nesta quarta-feira (15), o Grupo Abril, que edita várias revistas – entre elas, a asquerosa Veja –, ingressou com um pedido de recuperação judicial. A solicitação é quase um atestado de falência. Caso não consiga novos empréstimos para refinanciar as suas dívidas bilionárias – que já somam R$ 1,6 bilhão –, a empresa pode fechar. Na semana passada, mais de 800 profissionais foram demitidos. Em entrevista ao site da própria revista Exame, que pertence ao grupo, Marcos Haaland, novo presidente executivo da empresa, tentou explicar a situação dramática decorrente da crise econômica que afunda o país após o assalto ao poder da quadrilha de Michel Temer – apoiado pela Veja –, da explosão da internet, da perda de credibilidade das suas publicações e da vexatória incompetência administrativa dos três herdeiros de Roberto Civita.

Segundo o executivo, sócio da consultoria ianque Alvarez & Marsal que assumiu a gestão do Grupo Abril em julho passado, a situação da empresa é grave. “O modelo de negócio das empresas de comunicação impressa sofreu uma queda expressiva das receitas de publicidade e daquelas provenientes das vendas de assinaturas e de venda em bancas. Alguns números mostram como foi rápida e dramática a mudança de situação. Do total de investimentos em publicidade das grandes empresas em 2010, uma fatia de 8,4% era dirigida para revistas. Essa participação caiu para 3% em 2017. O número de pontos de venda de mídia impressa, como as bancas, diminuiu de 24 mil para 15 mil de 2014 a 2017. A circulação de revistas, no mesmo período, baixou de 444 milhões de exemplares por ano para 217 milhões. E a venda de assinaturas recuou 60%, de 90 milhões para 38 milhões, enquanto a venda de exemplares avulsos se reduziu quase a um terço do que foi: de 173 milhões para 63 milhões”.

Diante desse quadro dramático, Marcos Haaland confirma que “na Abril Comunicações, a receita total caiu de 1,4 bilhão de reais há quatro anos para 1 bilhão no ano passado, uma queda causada principalmente pela redução da publicidade... Com os resultados ruins já há algum tempo, o nível de endividamento da empresa ficou elevado. O patrimônio líquido se tornou negativo, e operacionalmente passou a consumir o caixa. Esse déficit de caixa tem sido coberto com aportes dos acionistas e represamento de pagamentos a fornecedores, uma situação que não é sustentável. Mas, o que é muito importante, tivemos um evento que precipitou a entrada com o pedido da recuperação judicial: de uma forma abrupta, os bancos decidiram restringir o acesso da Abril a capital de giro”.

Sobre o valor do rombo, ele confirma que “é da ordem de 1,6 bilhão de reais o total das dívidas submetidas à recuperação judicial, que é um mecanismo legal que suspende durante um tempo a execução de dívidas e, com isso, dá um fôlego para a empresa buscar meios de se recuperar financeiramente”. Sem papas na língua, ele ainda confirma que outras medidas duras poderão ser adotadas nas próximas semanas no Grupo Abril, que mantém 16 revistas e sites; uma gráfica, a maior da América Latina, a Dinap – a distribuidora de publicações do grupo e de outras empresas, atendendo a mais de 30 editoras; e a Total Express, distribuidora de encomendas que entrega 750 milhões de itens por ano, por meio de 600 rotas semanais aéreas e terrestres.

“Foram demitidas cerca de 800 pessoas, somando os cortes de todas as empresas, e foram feitas outras reduções de despesas operacionais... Fizemos os cortes para atingir o ponto de equilíbrio e, obviamente, para buscar a recuperação e um superávit operacional. Os cortes envolvem não só a redução de pessoal mas também de despesa. Como isso ocorreu faz pouco tempo, ainda temos de aguardar o fechamento de um mês para comprovar que atingimos o equilíbrio. Mas, o nosso foco é – com essas ações e outras medidas que vão ser tomadas de melhoria de receita, ganho de eficiência e redução de despesas não relacionadas a pessoal – que num curto prazo a Abril atinja um superávit operacional. A reestruturação continua porque a empresa está passando por um momento de readequação e esse não é um fato isolado da Abril”.

Ou seja: novas demissões poderão ocorrer nos próximos meses e até a extinção da revista Veja, algo inimaginável até algum tempo atrás, não está descartada. Lamentável para centenas de trabalhadores, inclusive para alguns jornalistas que insistem em chamar o patrão de companheiro e que muitas vezes são mais realistas do que o rei!

Altamiro Borges
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Adolfo Pérez Esquivel, Celso Amorim e Fernando Haddad em visita a Lula

Joka Madruga
Adolfo Pérez Esquivel, prêmio Nobel da Paz e Celso Amorim, ex-ministro da defesa e concedem coletiva de imprensa após visitar Lula na sede da PF, em Curitiba.




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República de Curitiba já errou! Perderá o jogo?

Charge de Jota Camelo (clique aqui para apoiá-lo)
Ninguém ignora que o objetivo da chamada República de Curitiba, incluindo seu braço que atua no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), em Porto Alegre, era tirar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva do jogo eleitoral de 2018.

Em nome disso, correram com o processo contra ele, tanto na primeira como na segunda instância, condenando-o sem provas pela posse “atribuída” de um imóvel que nunca lhe pertenceu e por uma corrupção sem o chamado ato de ofício que a justificasse. Inventaram crimes.

Com a ajuda de parte dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) atropelou-se a Constituição e se decretou a prisão dele antes do trânsito em julgado da sentença – e de sua confirmação na segunda instância – que aos olhos de dezenas de juristas nacionais e internacionais têm tudo para ser revista, quando não anulada.

Preso em Curitiba, lhe deram uma sala especial menos por deferência ao cargo e mais na tentativa de isolá-lo de todos, inclusive de outros encarcerados. Tentaram ainda impedir visitas, mas acabaram cedendo alguns anéis para não perderem os dedos. A ideia, porém, era – e, de certa forma, ainda é – levá-lo ao esquecimento do público, colocando-o no ostracismo. Esconde-lo dos eleitores.

A multidão que esteve em Brasília mostrou que a tentativa de isolar Lula 
“deu com os burros n’água”.
Foto Ricardo Stuckert

Certamente, na quarta-feira (15/08), ao tomarem conhecimento da multidão que foi à Brasília acompanhar o registro da candidatura do preso político que tentam manter isolado em Curitiba, os membros da Força Tarefa da Lava Jato devem ter se perguntado: “onde erramos?”.

Pouco importa quantas mil pessoas estiveram por lá. Foi uma multidão que nenhum outro candidato conseguiria juntar. Isto, provavelmente não apenas repercutiu internacionalmente, como influenciará na própria campanha eleitoral. Mais ainda se impugnarem a candidatura.

Era tudo o que não queriam os adeptos da República de Curitiba, mas acabou acontecendo. Provavelmente com uma repercussão muito maior do que se não tivessem recorrido à prisão apressada e inconstitucional do ex-presidente.

Ou será que se imaginaria, sem a prisão de Lula, que o Papa Francisco fosse se interessar pelo processo dele, como ocorreu no dia 2 de agosto ao conversar sobre o caso com a advogada e professora da Faculdade Nacional de Direito da UFRJ, Carol Proner, ao lado do ex-ministro Paulo Sérgio Pinheiro e de Marinette Silva, mãe da vereadora Marielle Franco? Na ocasião, o pontífice ainda recebeu dois livros falando das perseguições políticas que o ex-presidente vem sofrendo.

Carol Proner entrega ao Papa Francisco livros
sobre a perseguição politica a Lula

Para não falar nos artigos de Lula publicados em grandes jornais como New York Times e Le Monde ou mesmo na entrevista – que ele respondeu por escrito – dada ao jornal italiano La República. Aquela que, provavelmente por inveja, gerou suspeitas e reclamações por parte dos procuradores da República da Força Tarefa de Curitiba, como registraram em uma petição apresentada em juízo na quarta-feira.

No Brasil, Lula publicou artigos na Folha de S. Paulo e no Jornal do Brasil. Mais uma vez é de se questionar: ocorreriam – com a repercussão que teve – se Lula não estivesse trancafiado em uma sala no quarto andar da sede da Polícia Federal, em Curitiba?

A nova investida, que consta da mesma petição encaminhada à juíza Carolina Mouro Lebbos, é contra as visitas de Wadih Damous, Fernando Haddad e Gleisi Hoffmann por eles ingressarem na Polícia Federal na condição de advogados com procuração de Lula. Alegam que eles não atuam na defesa do ex-presidente. Certamente por não falarem nos autos. Esquecem que nem sempre a defesa fica restrita ao que consta dos processos. Ainda mais de um político e ex-presidente da República. Na verdade, mais uma vez visam impedir o que não conseguiram até agora: a participação política do presidente de honra do PT no pleito de outubro.

Por não terem conseguido isto até então, correm contra o tempo na tentativa de impugnar a candidatura registrada na quarta-feira, antes de se iniciar a propaganda eleitoral na televisão. Querem, a todo custo, mantê-lo afastado do público e do eleitor. Mesmo que tenham que atropelar os prazos legais – tal como atropelaram a Constituição com a prisão antes da hora.

A pressa na impugnação foi demonstrada no pedido protocolado na própria quarta-feira – uma hora após o registro da candidatura – pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge. Ou seja, já estava pronto. Bastou dar o “enter” em se tratando de processo eletrônico.

Charge de Carlos Latuff, no Brasil 247

Nesta quinta-feira (16/08) ela insistiu no ataque. Solicitou ao ministro Luís Roberto Barroso, sorteado relator para analisar o registro da candidatura do ex-presidente, que comece a contar o prazo para a defesa do candidato se manifestar antes de qualquer intimação. Considera que já estão intimados.

Teoricamente, pela lei os prazos para a defesa se manifestar correriam após os cinco dias previstos para que as candidaturas sejam impugnadas. A praxe no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é juntar todos os pedidos em um único processo, analisando-os conjuntamente.

Mas os adversários de Lula estão com tanta pressa que acabaram se atropelando. Impetraram dois pedidos de impugnação antes de a candidatura ser registrada – na tarde desta quinta-feira já eram quatro, além do da PGR. Por sorteio, os dois primeiros foram distribuídos ao ministro Admar Gonzaga. Já o processo do registro da candidatura foi para Barroso. Com isso, gerou o impasse para saber quem analisará as impugnações. O da procuradora-geral foi impetrado junto ao processo do registro da candidatura. Os outros são à parte. A definição está nas mãos da nova presidente do TSE, Rosa Weber.

A pressa é para evitar que Lula ocupe o programa eleitoral do PT na condição de candidato. Isso é tudo que tentam evitar hoje, depois de frustrada a tentativa de isolá-lo na Polícia Federal e afastá-lo do processo eleitoral.

Sabem que ele na TV consolidará as já previsíveis chances de vitória do PT. Inclusive com a transferência mais fácil de votos, caso ele venha a ser realmente impedido, seja quem for que o substitua. Sem falar que como candidato, por lei, terá o direito de participar dos debates televisivos. Mais um problema para o Judiciário contornar.  Para evitá-lo, correm na tentativa de apressar a impugnação, ainda que atropelando leis.

O desespero todo mostra que a estratégia de prender e tentar isolar Lula para que ele fosse esquecido deu com burros n’água, como se diz popularmente. Talvez até tenha ajudado a dar mais visibilidade a “injustiça” apregoada por mais de uma centena de juristas que analisaram a condenação dele, como registrado em dois livros: “Comentários a uma sentença anunciada, o processo Lula” e “Comentários a um acórdão anunciado, o processo Lula no TRF”.

É certo que ainda que se reconheça que a República de Curitiba perdeu ao tentar evitar que Lula participasse do processo eleitoral, o jogo não terminou. O tempo oficial da partida está começando agora. Tudo antes foram preliminares. Mas, pelo que demonstram institutos de pesquisas, as previsões são sombrias para aqueles que, através da Força Tarefa da Lava Jato em Curitiba, de tudo fizeram para evitar que Lula entrasse em campo. Ele já entrou, como bem definiu a charge de Latuff. Resta saber que vencerá a partida. Isso, os eleitores definirão. Nas urnas. Democraticamente.

Marcelo Auler
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Braço financeiro da gestão Nuzman no COB é preso em operação da Lava Jato


O braço financeiro da gestão de Carlos Arthur Nuzman no COB foi preso na manhã de hoje, em desdobramento da Operação Lava Jato. Edson Figueiredo Menezes, o Gigante, é investigado por pagamento de propina na venda da folha de pagamento dos servidores do Estado do Rio em 2011, na gestão do ex-governador Sérgio Cabral. (Na foto acima, Edson Menezes e Nuzman)

A venda ocorreu num leilão preparado por uma consultoria da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que subcontratou o Banco Prosper. Junto com a folha foi vendido também o Banco do Estado do Rio de Janeiro (Berj). A venda ocorreu num leilão preparado por uma consultoria da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que subcontratou o Banco Prosper. Junto com a folha foi vendido também o Banco do Estado do Rio de Janeiro (Berj).

Do núcleo mais próximo ao ex-presidente do COB, Edson Miranda foi Diretor Financeiro do Conselho Executivo e diretor estatutário. No Comitê Organizador Rio-2016, teve posição ainda maior: a 1ª Vice-Presidência do Conselho Diretor, abaixo apenas de Nuzman. Nas prestações de contas do COB ao Ministério do Esporte relativas aos convênios anteriores a 2012, Edson Menezes assina os balancetes da entidade na condição de diretor financeiro. Após a prisão de Nuzman, chegou a ser presidente do Comitê Rio-2016, que assumiu em outubro de 2017 e no qual já não ocupava cargo.


No pedido de prisão, o Ministério Público Federal do Rio de Janeiro menciona a existência de uma empresa offshore no Panamá de Edson Menezes. A Remo Investment foi descoberta pela Agência Sportlight de Jornalismo Investigativo em reportagem publicada em 2 de maio de 2017.


Na ocasião, questionado pela reportagem, Edson Menezes afirmou, através da assessoria do COB que “a Remo Investments está devidamente declarada em seu Imposto de Renda”. Na peça da prisão de Edson Menezes, o MPF afirma que a Remo Investments foi “utilizada para lavagem de capitais mediante a remessa não oficial de valores para o exterior” e para a realização de operações dólar-cabo” dos operadores de Cabral, os irmãos Marcelo e Renato Chebar.

A licitação promovida por Cabral para que um banco administrasse a folha do funcionalismo vencida por Edson Menezes, pela qual pagou propina ao ex-governador é de 2008/2009. Coincide rigorosamente com o ingresso do ex-cartola do COB em uma outra empresa offshore no Panamá, a Eylac Corporation.

A empresa consta como tendo sido aberta em 1995. No entanto, a entrada de Edson Figueiredo Menezes é do dia 7 de novembro de 2008, como mostram os documentos obtidos pela Agência Sportlight de Jornalismo Investigativo.


É comum em offshores panamenhas a compra de empresas já abertas. Na verdade, abertas por operadores locais para já estarem prontas para estrangeiros, como no caso de Edson Menezes e a Eylac. Curiosamente, Edson Menezes deixa a Eylac menos de um ano depois, em 23 de junho de 2009, dissolução da empresa, que coincide exatamente com o período da licitação no Rio.


Edson Figueiredo Menezes também já foi sócio de outro recém preso na Lava Jato: Rodrigo Borges Torrealba, do grupo Libra. Os dois foram sócios da Dealing Comércio Importação e Exportação, aberta em 1991 e dissolvida em 15 de março de 2011.

O “Gigante” foi beneficiado no banco Prosper também com gêneros repasses do BNDES nos governos FHC e Lula.
Na época do escândalo do “Mensalão”, em alguns momentos, Edson Menezes chegou a estar no noticiário dos jornais. O banco por ele presidido vinha sendo beneficiado por generosos repasses por parte do BNDES. Os números chamavam a atenção. Antes disso, ainda entre 2001 e 2002, no governo Fernando Henrique Cardoso, tais repasses chegaram a um incremento de 493%.

Posteriormente, no governo Lula, a relação seguiu azeitada e particularmente próxima com então Ministro da Fazenda, Antônio Palocci, quando os repasses chegaram a R$ 20,692 milhões somente de janeiro a julho de 2005, segundo reportagem publicada na Folha de São Paulo. Dois assessores do ministro foram contratados pelo banco. Ainda de acordo a Folha de São Paulo, em reportagem de 8 de novembro de 2005, a contratação dos dois pelo banco resolveu problemas para Palocci, já que os dois não haviam sido agraciados com cargos de destaque como pretendiam na administração federal e eram caixas-pretas no caso em que Waldomiro Diniz, assessor parlamentar de José Dirceu, aparece pedindo propinas ao bicheiro Carlinhos Cachoeira. Na ocasião, o banco se pronunciou afirmando que a contratação de ambos para consultoria não tinha qualquer relação com o ministro.

A defesa de Edson Menezes se pronunciou para a imprensa na manhã de hoje negando o envolvimento do ex-cartola no pagamento de propina para Cabral.

A expectativa agora é para saber se, além de operar para Sérgio Cabral, como é investigado, se eventualmente dinheiro ligado a Carlos Arthur Nuzman passou em seus negócios e offshores.

Lúcio de Castro
No SportLight
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Rápida e rasteira a ponto de, na hora de condenar Lula em primeira e segunda instâncias, bater recordes de celeridade e ultrapassar dezenas de processos mais antigos, e de até trabalhar quando de férias no destino preferido pelos monoglotas tupiniquins para evitar a soltura do ex-presidente em um final de semana, a “justiça” brasileira prova que torce e distorce as leis do jeito que bem entende e troca a marcha e para o carro na contramão do que costuma fazer desde que lhe convenha, quando se trata de interferir, de forma cada vez mais arbitrária, arrogante e descarada no processo político nacional.

Não bastasse a decisão, baseada em um processo espúrio, de impedir a candidatura do cidadão que está à frente de todas as pesquisas de que participa, faltasse mais alguma coisa para reforçar a hipocrisia e as duas caras do pseudo morolismo da República de Curitiba, bastaria a decisão do juiz mais premiado pelos gringos de postergar para depois das eleições depoimentos de Lula que já estavam marcados, com a justificativa de evitar “a exploração eleitoral” dos interrogatórios.

Isso, tratando-se de um sujeito que, em benefício de um ego incomensurável e voraz e de uma tremenda vontade de aparecer, sobe nos palcos e não recusa palanque, plaquinha, diplomas, palestras, espelhinhos e miçangas, em jantares pagos, convite a convite, a peso de ouro, no exterior, para a exploração da imagem da “justiça” brasileira, em defesa dos interesses políticos e institucionais de quem patrocina tais regabofes.

Em outro caso de estranha, incontinenti, celeridade, seria interessante perguntar à Dra Dodge, ligada - desta feita por razões familiares - também a certo país estrangeiro, quantos pedidos de antecipação de prazo ela já fez ao TSE para julgar e tornar inelegíveis outros candidatos às eleições deste ano que não o ex-presidente Lula.

E saber por que os mesmos ministros que estão soltando políticos do PP porque foram condenados com base principalmente em delações premiadas - sem provas - não fazem o mesmo com o principal líder do PT, que foi condenado a 12 anos de prisão apenas com base na palavra de dedo-duros de conveniência, relativa a uma suposta, hipotética, promessa de favorecimento futuro.

Com a entrega, nunca efetivada, de um apartamento que nunca foi seu no qual jamais foram executadas certas - e amplamente alardeadas - reformas.

Será que a diferença é de apenas uma letra?
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Impeachment fez o PT crescer, diz cientista político


O cientista político Alberto Carlos Almeida demonstra com dados estatísticos do Manchetômetro que a mídia negativa sofrida por Lula não desencadeou maiores consequências no eleitorado. Pelo contrário, a mídia negativa pode ter tido impacto positivo na popularidade do ex-presidente, ao contrário de anos anteriores. Para Almeida, o crescimento do PT e de Lula se deu também devido à saída do Planalto, momento exato onde a curva de aprovação e aderência ao partido toma seu sentido ascendente. 

Leia trechos do artigo de Alberto Carlos Almeida para o site Poder 360: 

Um dos temas mais debatidos no Brasil tem sido o efeito da mídia na política. Refiro-me não às mídias sociais, mas sim à mídia impressa e televisiva dominante. Uma das informações mais chocantes dos últimos 3 anos, diz respeito à incapacidade da cobertura de mídia negativa acerca de Lula e do PT piorarem a rejeição do líder maior do partido. Os dados abaixo mostram na escala vertical direita a rejeição a Lula (linha vermelha) e Alckmin (linha azul escura): são aqueles que não votariam neles de jeito nenhum. Na escala vertical da esquerda há o total de matérias negativas mensuradas pelo Manchetômetro na Folha de S. PauloEstadão, jornal O Globo e Jornal Nacional.

A linha laranja mostra as matérias negativas sobre Lula e o PT e a azul clara sobre Alckmin e o PSDB. As informações sobre as notícias estão sistematizadas por trimestre, ao passo que as pesquisas têm os meses especificados no eixo horizontal. Nota-se que o ponto mais alto do noticiário negativo foi no período do impeachment, entre o primeiro e o segundo trimestre de 2016. Havia uma onda crescente contra o PT e o governo Dilma. Foi ali que a rejeição de Lula atingiu seu máximo, quando 57% do eleitorado afirmou que não votaria nele de jeito nenhum. Naquele momento somente 19% disseram que não votariam em Alckmin, tratava-se de um patamar bastante abaixo do 1/3 do eleitorado que tradicionalmente vota no candidato a presidente do PT.
 
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Lula “está” candidato


O PT protocolou ontem, depois de registrar a candidatura do ex-presidente Lula no TSE, requerimento ao tribunal para que lhe seja garantida a participação no debate de sexta-feira, 17, na RedeTV. Embora reivindicação semelhante tenha sido negada por ocasião do debate na TV Bandeirantes, agora as coisas mudaram de figura. Desde ontem, Lula “está” candidato.  Só deixará de sê-lo a partir da impugnação de sua candidatura. E como a lei eleitoral manda que os organizadores de debates convidem todos os candidatos cujos partidos tenham mais de cinco deputados, advogados do PT argumentam que agora sua participação é obrigatória. O que a Justiça fará para cumprir a lei, sabe-se lá.

O polígono que abriga os tribunais superiores, entre eles o TSE, é uma área recuada, um pouco distante do centro nervoso de Brasília, formado pela Esplanada e Praça dos Três Poderes, onde ocorrem protestos e manifestações. Ontem, pela primeira vez, aquele espaço foi tomado pela multidão que acompanhou o ato de registro da candidatura de Lula. Sua condição de candidato pode durar apenas alguns dias, pois é grande a possibilidade de impugnação da candidatura com base na lei da ficha limpa. Mas, enquanto ela durar, Lula terá que ser tratado como candidato, e isso afetará pelo menos a realização de debates e de pesquisas. 

A RedeTV chegou a convidar Lula mas recusou o pedido para que ele fosse representado por seu vice, Fernando Haddad. Cogitava deixar uma cadeira vazia em referência a Lula. Agora, será preciso esperar pela resposta à petição apresentada ontem. Se o pedido for negado, o PT insistirá na participação de Haddad.

As pesquisas eleitorais que forem realizadas enquanto Lula “estiver” candidato terão que incluir seu nome. Não poderão mais simular o cenário sem Lula nem substituir seu nome pelo de outros petistas. 

Quanto tempo?

A campanha mais insólita de todos os tempos entrou agora em um novo momento de interrogação. Teoricamente, a situação de Lula terá que ser resolvida pela Justiça Eleitoral até o dia 17 de setembro, quando se esgota o prazo para mudanças nas chapas apresentadas pelos partidos. Mas já começou a pressão para que tudo se resolva com celeridade. Na posse da ministra Rosa Weber como presidente do TSE, anteontem à noite, a procuradora-geral Raquel Dodge, sem citar Lula, disse que o eleitorado precisa saber logo quem poderá ser candidato.  O Ministério Público Eleitoral, a ela subordinado, deve ser dos primeiros a arguir a inelegibilidade de Lula. Outros que poderão fazê-lo são os partidos políticos e os demais candidatos. 

Rosa, em sua primeira entrevista, também sem citar Lula, lembrou que “a lei prevê prazos, e esse vai ser o caminho, observar a lei”. Dos prazos depende o êxito da estratégia eleitoral do PT: a transferência de votos seria diretamente proporcional ao tempo de exposição de Lula como candidato, tendo Haddad como vice.

Estimar um prazo para o desenlace é arriscado mas o problema não deve ser arrastar até 17 de setembro, nem será resolvido a toque de caixa como deseja Dodge.  Os advogados apontam como horizonte razoável a semana do 7 de setembro.

Pé na estrada

Chegou-se a um consenso na cúpula do PT sobre os próximos passos do candidato a vice, Fernando Haddad. Para se tornar mais conhecido, ele deve mesmo intensificar sua exposição pública, desde que falando sempre como candidato a vice de Lula. É o que ele fará agora, com a viagem por nove estados do Nordeste. A candidata a vice Manuela D’Ávila também vai pegar a estrada, mas seguindo outro roteiro. Por ora, evitarão a exposição conjunta. Afinal, a chapa ainda é Lula-Haddad.

Tudo foi acertado ontem em almoço com dirigentes e governadores depois do lançamento do livro “Caravana da Esperança – Lula pelo Nordeste”, com fotos de Ricardo Stuckert e apresentação de Emir Sader.
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O Fascismo e o Voto em branco



Nos últimos tempos, tem crescido, nas redes sociais e nos espaços de comentários dos maiores portais e jornais, o número de mensagens de supostos lulistas e eleitores de Lula defendendo o voto em branco ou nulo caso o ex-presidente seja definitivamente impedido de concorrer às eleições.

A linguagem e o estilo das mensagens, muitas delas publicadas por identidades falsas, parece indicar que os comentários estão sendo publicados por antilulistas, com o intuito de tirar votos do indicado do PT para substituir eventualmente Lula na corrida pelo Palácio do Planalto, beneficiando diretamente o seu maior adversário, justamente aquele que está em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, e que mais teria a ganhar com o impedimento, pela “justiça”, do cidadão Luís Inácio disputar a Presidência da República.

Essa “campanha” se junta a outras pilantragens do mesmo naipe, voltadas para explorar a ignorância popular, como a que afirma e pede divulgação no WathsApp que se houver mais de 50% de votos em branco, as eleições seriam anuladas e os candidatos registrados automaticamente impedidos de voltar a se candidatar, o que também é absolutamente falso.

Quem prega a anulação do voto, em um momento em que o país precisa de uma ampla Frente Democrática Antifascista para combater o que há de pior na política brasileira no segundo turno, pode até estar defendendo, no final de contas, votos em branco.

Desde que sejam em certo “branco” homofóbico, conservador, policialista, defensor da tortura, do armamento da direita e da ditadura, que confunde quilombos com quilombolas e acha que os últimos devem ser medidos e pesados em arrobas, como bois antes de ir para o matadouro.

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A bordo

Numa das suas crônicas, o ótimo Antonio Prata lamenta que não é incomum ouvir-se, dentro de um avião, a voz de uma aeromoça perguntando se há um médico a bordo, mas até hoje ninguém ouviu uma aeromoça perguntar se há um cronista a bordo. Tenta-se localizar um médico para atender um passageiro que está mal, é óbvio. Mas que emergência exigiria a presença de um cronista no avião? É, Antonio, como dizia aquela música de alguns anos atrás, a gente somos inútil. Somos espectadores dessa coisa terrível que se convencionou chamar de “isso que está aí”, ou, pior, isso que está se armando nos horizontes da pátria como as nuvens negras de uma ópera wagneriana. Fazer o que, salvo crônicas?

E vai piorar. A próxima voz de aeromoça que se ouvir no nosso avião metafórico pode estar pedindo mais do que um médico para tratar um doente ou, vá lá, um palhaço ou uma odalisca para distraí-lo. O que, decididamente, ninguém quer ouvir a aeromoça dizer é:

- Tem alguém que saiba pilotar um avião a bordo?

Porque a sensação que se tem é a de estar num avião cujo piloto se jogou pela janela. Né não?

Consolemo-nos, Antonio, enquanto o pior não vem. Você conhece a história da mãe judia que, no meio de um espetáculo teatral, se levanta e grita:

- Há um médico na plateia?

O espetáculo é interrompido, três ou quatro médicos solícitos atendem o chamado da senhora e perguntam o que ela quer. A senhora responde:

- Quero apresentar a nossa Sarinha, 19 anos, um mimo. E também cozinha...

E tem aquela do... Mas não adianta. Não dá para fingir que não vemos as nuvens negras no horizonte. Algumas dicas para sobreviver no temporal que se aproxima: em hipótese alguma assista aos debates políticos, para não se desencantar, não com os candidatos, mas com a espécie humana em geral. Beba muita água, Tenha pensamentos positivos ou, na falta deles, pense na Patricia Pillar. Se os sintomas persistirem, emigre.

Luís Fernando Veríssimo
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Raquel Dodge e os que se servem do Estado





Dodge, Kim e Alexandre Frota. Os primeiros a impugnarem Lula


Os três aí de cima foram, segundo a Folha, os primeiros a apresentarem impugnação à candidatura de Lula, mesmo antes do marco legal da publicação do pedido em Diário Oficial.

Os mais antigos, como eu, lembram a expressão “adrede preparado” para definir os pedidos: o que estava planejado, premeditado. Gatilho pronto a ser disparado assim que o alvo passasse na mira.

De Alexandre Frota e de Kim Kataguiri, nada a dizer. São, afinal, buscadores de publicidade fácil e garotos-propaganda de sua própria nulidade.

A Doutora Raquel, não.

Tem uma trajetória e uma função das mais altas da República.

Todos sabem, até porque era óbvio e anunciado, que ela impugnaria Lula.

Mas lhe seria conveniente lembrar das palavras de Pinheiro Machado ao seu cocheiro, diante da malta inconformada com o que fazia.

“Siga, mas não tão depressa que pareça medo, nem tão devagar que pareça afronta”

Como os prazos são rígidos, determinados na lei, nenhum atraso traria o fato de apresentar amanhã ou depois o pedido do MP para que se impeça Lula de se candidatar.

Mas era preciso, como foi para Frota e Kim, dar a medida do ódio que ela vota àquele que deu a esta instituição, o MP, a liberdade e a independência que ele nunca teve quando quem ocupava o seu cargo era ridicularizado como “engavetador-geral da República”.

Foi por opção, portanto, que a Doutora Raquel equiparou-se a Kim e Frota.

O povão traduziu no “dize-me com quem andas e te direi que é” o preceito bíblico de Provérbios, 13:20 : “Aquele que anda com homens sábios será sábio, mas um companheiro de tolos será destruído.”

O açodamento da Doutora Raquel, no mínimo, a fez companheira dos tolos Kim e Frota.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Samuel Wainer atualíssimo

(...)

Se prender Lula e destruí-lo politicamente bastasse, estaria tudo bem para os que ainda não descobriram que, contrariando o saudoso presidente Washington Luís, a questão social não é mais um caso de polícia. Muito pelo contrário. Lula, incomunicável, no Dops, talvez seja muito mais eloquente que nos seus arroubos no estádio da Vila Euclides.

Samuel Wainer



A imprensa e as empreiteiras

Ainda nos anos 50, a imprensa brasileira tinha como anunciantes, basicamente, pequenos comerciantes – a indústria nacional não alcançara sua maioridade, e tampouco havia grupos financeiros de grande porte. Como os recursos obtidos com as vendas em bancas e assinaturas eram insuficientes, os meios de comunicação precisavam valer-se de outras fontes de renda, utilizando como moeda de troca seu peso junto à opinião pública. Graças a esse trunfo, os barões da imprensa sempre mantiveram relações especiais com o governo, que tanto lhes prestava favores diretos como beneficiava seus amigos – amigos que sabiam retribuir a ajuda recebida.

Para assegurar o apoio dos meios de comunicação, ou ao menos evitar que lhe fizessem oposição frontal, o governo contemplava jornais e revistas com isenções fiscais, dólar subsidiado, facilidades para a importação de papel, eventualmente anúncios. Poucos ministros ousavam rechaçar reivindicações formuladas por homens como Assis Chateaubriand (dos Diários Associados) ou Paulo Bittencourt (do extinto Correio da Manhã) e destinadas a favorecer terceiros. Na Primeira República, muitos jornais prosperaram como agentes dos interesses dos exportadores de café. Nos anos 50, os barões do café foram substituídos pelos grandes empreiteiros. Especialmente nos anos JK, quando começou a era das obras portentosas, os empresários do ramo compreenderam que valia a pena contar com jornais amigos. Com a cumplicidade da imprensa, seria sempre mais fácil, também, receber do governo – um mau pagador crônico – o dinheiro a que tinham direito pelas obras executadas. Feitas tais constatações, logo se forjaram sociedades semiclandestinas bastante rentáveis.

Assis Chateaubriand, por exemplo, costumava procurar pessoalmente ministros de Estado, ou mesmo o presidente da República, para solicitar que um trecho de determinada obra – uma rodovia, uma hidrelétrica – fosse entregue a esta ou àquela construtora. Ficava claro que, se o pleito não fosse atendido, a ira do jornal desabaria sobre o autor da recusa. Era melhor, portanto, atender ao pedido. Feito o acerto, as empreiteiras premiadas presenteavam o emissário com 10% do total da quantia orçada para a obra. Geralmente, essa porcentagem resultava em cifras milionárias. Gorjetas adicionais pagavam outros favores prestados pelos donos de jornais e revistas, um dos quais era impedir atrasos no pagamento. Ministros mais prestativos, dispostos a liberar com agilidade as verbas devidas, mereciam rasgados elogios em editoriais e reportagens. Já os que protelavam pagamentos caíam em desgraça e recebiam ataques duríssimos. De quebra, os meios de comunicação faziam vista grossa para a irresponsabilidade das empreiteiras, que utilizavam material de segunda ordem, fraudavam cálculos e montavam orçamentos fictícios.

Esse tráfico de influências tornou-se particularmente intenso no governo de Juscelino Kubitschek, durante o qual se consolidaram fortunas imensas. Um dos principais beneficiários desse período foi Marco Paulo Rabello, de quem se dizia, sem provas concretas, que era sócio de JK. O presidente entregou a tarefa de construir Brasília a Rabello, que pôde distribuir entre outras empresas as obras de cuja execução não poderia encarregar-se – era muita coisa para um único empreiteiro. Só a construção de Brasília já bastaria para assegurar a alegria de dezenas de homens do ramo, mas houve mais. A rodovia Belém-Brasília, por exemplo. Também os governos estaduais incharam os cofres de algumas empreiteiras, às quais devotavam franca e suspeita simpatia, com a encomenda de projetos de âmbito regional mas também milionários.

A presença dos empreiteiros na cena política brasileira é ainda fortíssima. Eles seguem interferindo na nomeação de ministros que agirão nas áreas incluídas em seu universo de interesses, financiando partidos e candidatos, elegendo deputados e senadores, influenciando a linha editorial de jornais e revistas. Negócios desse tipo não costumam deixar rastros, mas é fácil deduzir que nestes últimos anos foram captados dessa forma alguns bilhões, repartidos entre empreiteiros e seus sócios na imprensa. Sempre que algum negócio me beneficiava, o dinheiro era integralmente aplicado na Última Hora – nunca quis nada para mim. Meus colegas pensavam de modo diferente: eles colocavam nos próprios bolsos as verbas recebidas, jamais cogitaram de aplicá-las nas empresas que dirigiam. Assim enriqueceram muitos barões da imprensa brasileira.

Samuel Wainer no livro Minha Razão de Viver
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Aretha Franklin morre aos 76 anos

 Aretha Louise Franklin 
*Memphis, 25 de março de 1942  + Detroit, 16 de agosto de 2018





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Temer admite: Alckmin é o candidato do governo!

O centrão/direitão está com o Santo...


Folha: A maioria das siglas de sua base apoia Alckmin e não Meirelles, do seu partido. Por quê?

Temer: Evidentemente eu não iria obrigá-los a apoiar o candidato do governo — do MDB. Aliás, o Alckmin recebeu críticas porque tem o apoio de todos. Se você dissesse: “quem o governo apoia?”. Parece que é o Geraldo Alckmin, né? Os partidos que deram sustentação ao governo, inclusive o PSDB, estão com ele. Vou ter cautela para não fazer campanha para um ou outro. Até porque falam muito da impopularidade. Não quero nem incomodar, digamos.

Diante dessa impopularidade, Meirelles deveria se posicionar de modo diferente?

As pessoas precisam ser verdadeiras. Meu trabalho foi [...] mostrar ao MDB que deveria ter um candidato. Agora, o Meirelles tem que fazer uma campanha para... Não pode desligar-se do governo. Dizer “eu não participei deste governo” é impossível. (...)

O sr. disse que Alckmin parece ser candidato do governo. É um fato?

Pode vir a ser fato. Primeiro pelo que ouço ele declarar. Segundo porque esses que ajudaram a fazer as reformas vão estar no governo se ele ganhar. Quem for eleito não vai conseguir se afastar do que começamos.

Mas Alckmin se descola do seu governo. Diz que quem o escolheu como vice foi o PT. 

Faz parte do jogo eleitoral. Não tenho crítica ao que ele diz. (...)

Recentemente, perguntado se temia ser preso, o sr. disse que achava uma indignidade falar do assunto.

Se me permite, registre que a pergunta é ofensiva. Uma inadequação absoluta. As instituições perderam significado e as pessoas perderam respeito. Por isso você faz essa pergunta. Não é culpa sua, é culpa de quem investiga e faz perguntas inadequadas, passa informações. O interesse é alimentar a imprensa, não concluir o inquérito. É deixar no ar. (...)
Viu a entrevista de Michel Temer à Folha, onde ele pergunta “quem o governo apoia?” e dá a resposta demolidora?

– Parece que é o Geraldo Alckmin, né?

Não viu? Não se preocupe, você vai vê-la – e é possível que em versão piorada – durante a campanha eleitoral.

Porque os adversários do tucano encarregar-se-ão, como escrever-se-ia em “temerês”, de lambuzar-lhe a imagem com a pecha infame de “candidato do Temer”.

No seu imerecido exílio de luxo no Planalto, Michel Temer destila, filtra e apura a sua peçonha.

É óbvio que sabe que a maior vingança que tem para desfechar sobre o PSDB é a do famoso Paulo Preto, o diretor dos desvios do Rodoanel que José Serra disse nem conhecer:

– Não se abandona um líder assim, à beira da estrada…

“Os partidos que deram sustentação ao governo, inclusive o PSDB, estão com ele [Alckmin]”, diz o já ex-presidente na prática, reduzido a um minúsculo animal político que tem no ferrão venenoso a única forma de interferir no quadro sucessório.

Vai usá-lo, como o escorpião usou-o ao sapo, não apenas porque é de sua natureza vaidosa e mesquinha, mas porque é apenas o que tem para continuar existindo politicamente, agora que está numa rua fria onde ninguém lhe abre a porta.

O amante seco e murcho, a quem achavam “até bonito”, que tudo entendia de romances, que ia unir o país, que nos tiraria do caos e abriria as portas do paraíso, só tem agora a vingança da música de Noel Rosa: vai dizer em praça publica que abrigou o PSDB, que o recebeu em suas intimidade e que até pagou-lhe a comida com cargos e posições.

É o último desejo de Temer, e que Geraldo Alckmin não pode negar, porque não pode repelir o óbvio e renegar o amor que os uniu no golpe.

Sabe que tem um só poder, o do abraço do afogado e não hesitará em usá-lo.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Bem vindos à campanha de Dilma ao Senado





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O faz-de-conta: mídias escondem milhares em Brasília. E Lula será candidato


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Poderes eleitorais

Começa hoje o que já acontece todos os dias há dois meses. Diz a Justiça Eleitoral que só a partir de 16 de agosto os candidatos e partidos podem fazer propaganda.

Até debate em TV já houve. O descaso da Justiça Eleitoral é perdoável, porém, desde que o principal poder nesse domínio judicial foi absorvido por parte da Justiça Criminal e pelo Ministério Público Federal (MPF).

O enlaçamento incestuoso desses dois foi capaz de gestar até um projeto de resultado eleitoral, que segue em busca da confirmação nos fatos.

Agora mesmo aparecem, com todo o jeito de coisa combinada, as notícias simultâneas de que o juiz Sergio Moro adiou um depoimento de Lula para depois da eleição e o MPF, como complemento, pretende acabar com as idas de Fernando Haddad e Gleisi Hoffman ao encontro do seu líder na prisão.

Moro não quer a aparição de Lula na TV e em fotos jornalísticas durante a campanha eleitoral. Cá entre nós, é atribuir à simples imagem de Lula um poder insuperável. O MPF quer impedir os encontros em que a presidente do PT e o "vice", com entrada na prisão como advogados, confabulem com Lula estratégias eleitorais.

São intervenções diretas na batalha eleitoral. Não que fossem necessárias para a compreensão deste período brasileiro, mas importam por sua explicitude. O ato de Moro chega ao nível da aberração.

Em seu último dia como breve presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Luiz Fux emitiu considerações que, se depreciam o poder do Judiciário, corroboram a doutrina vigente em Curitiba.

Disse ele, a respeito de quem concorra com base em liminar, que "se vier a ganhar, e se for preciso realizar eleições suplementares, ele é responsável porque provocou um gasto extra para a Justiça Eleitoral". Terá de fazer o "ressarcimento aos cofres públicos".

A liminar reconhece ou concede, temporariamente, um direito e a autorização para utilizá-lo. Não há ilegalidade em dela se valer no tempo hábil.

A responsabilidade a que se refere Fux caberia a quem concedeu a liminar, não a quem usou de modo adequado esse recurso dado pela legislação. A tese de Fux esvazia a liminar dos poderes sem os quais ela inexiste. Isso para atribuir, à la Curitiba, responsabilidade e punição a um escolhido para tanto.

O auxílio-moradia recebido, sob críticas ardentes, mesmo por juízes com moradia própria, como Sérgio Moro, é pago em razão de uma liminar concedida no Supremo Tribunal Federal pelo ministro Luiz Fux.

E por ele posta em banho-maria, sem a entregar à apreciação do plenário, por quatro anos. A liminar não impôs as necessárias ressalvas e discriminações. Por isso, mesmo os que moram em casa própria e recebem auxílio-moradia, dizem não estar em ilegalidade.

Cabe a pergunta: o responsável pelo pagamento desse acréscimo aos vencimentos é quem o recebe ou quem o autorizou com medida em nome do Supremo?

Luiz Fux fez uma advertência intimidadora a Lula. Para a eventualidade de que sua tese seja vitoriosa, e o auxílio-moradia deva ser ressarcido, convém-lhe ver como andam suas finanças.

Janio de Freitas
No fAlha
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