10 de ago de 2018

E por falar em debate: com vocês, o padrão Boni de manipulação


Um episódio resume o espírito da revolução apenas formal da Globo e o que é, na essência, o telejornalismo que pratica.

Às vésperas do debate Collor versus Lula, no segundo turno da eleição de 1989, Miguel Pires Gonçalves, superintendente executivo da emissora, pediu que Boni desse seu toque no evento, a pedido da assessoria de Collor, que passou a contar com o apoio ostensivo da Globo após namoro com o tucano Mário Covas por um certo tempo.

A briga entre os dois candidatos estava desigual, Lula era o povo e Collor, a autoridade. Então Boni montou a cena. Tirou a gravata de Collor, botou um pouco de suor com uma glicerinazinha, pastas com supostas denúncias contra Lula inteiramente vazias ou com papéis em branco no púlpito de Collor.

- Todo aquele debate foi produzido – não o conteúdo, o conteúdo era o Collor mesmo – mas a parte formal nós é que fizemos.

O executivo confessou tudo isso 22 anos depois em entrevista a Geneton Moraes Neto, transmitida na Globo News. Tudo o que a emissora negou por 22 anos.

Vamos à edição do debate, com o melhor de Collor e o pior de Lula.

Alberico de Souza Cruz, chefe da Editoria Rio, popularmente chamado de Alburrico, chegaria ao poder do jornalismo da Globo ao fim dos anos 1980 pela edição do debate final da campanha que elegeria o primeiro presidente depois da ditadura militar eleito pelo voto direto.

Na última edição do Jornal Nacional em que ainda se podia se falar da disputa pelo Palácio do Planalto, contando-se em horas o tempo que faltava para o início da votação no segundo turno, foram ao ar os melhores momentos de Collor e os piores de Lula – edição de Alburrico e Ronald de Carvalho.

Isto, acompanhado de repercussão popular favorável a Collor, mais um editorial francamente elogioso a Collor lido por Alexandre Garcia, ex-assessor de imprensa do "presidente" general Figueiredo.

O serviço valeu a Alburrico a ascensão ao topo do jornalismo da Globo e a queda da dupla Armando Nogueira e Alice Maria. A queda de Alburrico, por sua vez, veio com a queda de Collor – parceiro de PC Farias, "o caçador de marajás", o presidente que de cara confiscou a poupança, deixou a economia em frangalhos e foi enxotado do Palácio.

Não valeu a Alburrico nem ter feito parte do corpo de bombeiros que mandou a amante do senador Fernando Henrique Cardoso, repórter da Globo, para doce exílio europeu, sustentada pela Brasif e uma Bolsa Pimpolho, junto com o filho que não é filho dele, afilhado de Alburrico, que resultou num Proer para a imprensa amiga, de centenas de milhões logo que FHC assumiu.

Palmério Dória
Leia Mais ►

PDT divide preferências no Rio Grande do Sul, mas perde oportunidade no Paraná

No Rio Grande do Sul, o pleito está entre MDB, PT e PDT. Já no Paraná, desistência de Osmar Dias dá chances a recandidatura de Cida Borghetti (PP)


Até a última semana, Rio Grande do Sul e Paraná guardavam esperanças para os candidatos do PDT às disputas pelo comando dos Estados. Mas as alianças a nível nacional fizeram Osmar Dias, candidato que estava com empate técnico pela liderança no Paraná, desistir da disputa.

O atual governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori (MDB), lidera as intenções de votos para o comando do estado, com 24,1%, mas com grandes chances de dividir o segundo turno com o candidato do PT, Miguel Rosseto, que marca 11,3% ou com Jairo Jorge, do PDT, que tem 10,4% das intenções.

O resultado da pesquisa do Instituto Index foi divulgado no dia 29 de julho, o último realizado para verificar as expectativas do Rio Grande do Sul. Mas ao mesmo tempo que Sartori absorve grande parte do eleitorado é também o candidato com maior rejeição.

O governador tem 28% dos eleitores que não votariam nele de jeito nenhum. Em seguida, Rossetto tem 9,2% de rejeição, e Abigail Pereira (PCdoB), com 8,7%.

A pesquisa foi feita entre os dias 16 e 21 de julho, em 30 cidades do Rio Grande do Sul, e tem margem de erro de 2,9% para mais ou para menos, com 95% de confiança.

Enquanto isso, no estado do Paraná, os candidatos Ratinho Jr. (PSD) e Osmar Dias (PDT) atingiam um empate técnico. Foi o que mostrou o último resultado de pesquisa feita no Estado, ainda em abril deste ano, quando ambos eram pré-candidatos.

Entretanto, o ex-senador do PDT resolveu desistir da disputa ao comando do Paraná, por ver frustrada a sua tentativa de coligação com o MDB de Roberto Requião, além de a nível nacional ver que o partido poderia interferir em sua estratégia, após seu irmão, Alvaro Dias (Podemos), fechar aliança com o PSC, que apoia atualmente Ratinho Jr (PSD).

Sem a candidatura do PDT, a atual governadora do Estado, Cida Borghetti (PP), poderá angariar alguns dos votos contrários a Ratinho. Com apenas 5% das intenções de votos em abril, a candidata a reeleição contará com a sua chapa de oito partidos e o maior tempo de televisão para aumentar os votos.

Ao todo, ela reúne oito partidos na chapa: PP, PSDB, PSB, DEM, PROS, PTB, PMB, PMN, somando cerca de 3 minutos do total de tempo destinado aos candidatos ao governo.

No GGN
Leia Mais ►

Um golpe estamental


Nas décadas de 1960 e 1970, houve no meio acadêmico um rico debate sobre o estado capitalista ou o estado nas sociedades capitalistas. Vários pensadores das diferentes disciplinas das ciências sociais e das humanidades participaram desse debate. Entre eles, destacaria três nomes: Nicos Poulantzas (grego radicado na França), Ralph Miliband (belga naturalizado inglês) e o americano Erik Wright. Esses pensadores terminaram desenvolvendo o que ficou conhecido como uma abordagem neomarxista do estado capitalista. De forma muito sintética, sua principal contribuição teórica foi a de perceber o estado capitalista como uma estrutura de relações sociais, como arena privilegiada do conflito de classes.

Esse debate teórico é muito útil para entendermos a dinâmica política brasileira. Todavia, ao buscar relacionar o estado à estrutura de estratificação das sociedades, esses pensadores não deram conta da complexidade desse conjunto de relações sociais. No mundo moderno, as estruturas de estratificação social são mais complexas do que qualquer grande abordagem teórica conseguiu vislumbrar. Talvez o sociólogo alemão Max Weber tenha sido aquele que, ao propor uma abordagem multidimensional da estratificação social, tenha conseguido uma melhor compreensão dessa realidade complexa. Da mesma forma, conseguiu identificar alguns importantes efeitos das relações entre os estratos sociais e o estado. Parte dessa contribuição de Weber foi incorporada pelos autores do debate citado, acima. Em particular, Erik Wright.

Em qualquer sociedade moderna convivem relações de dominação e de exploração que configuram estruturas de estratificação social não apenas de classe, mas também estamental. Importantes pesquisadores contemporâneos, como Yossi Shavit, têm encontrado evidências empíricas, em nível internacional, que demonstram que a desigualdade estamental é hoje tão ou mais importante do que a desigualdade de classes. Se observarmos a literatura internacional, vemos que o mundo vive numa dinâmica bimodal de desigualdade social. Para os percentis superiores da renda, o que interessa é, de fato, a riqueza e é ela que é transmitida intergeracionalmente para garantir a reprodução social da classe economicamente dominante. Para os demais, o principal ativo é a educação formal e o que o sociólogo francês Pierre Bourdieu chamou de “capital cultural”. Para a grande maioria das famílias, em qualquer sociedade moderna, o fator fundamental da reprodução intergeracional da desigualdade é a educação formal e o capital cultural.

Se os elementos estamentais dos sistemas de estratificação social são um fenômeno universal, eles são ainda mais centrais no Brasil, por razões históricas, que, inclusive, nos diferenciam dos demais países latino-americanos. O livro “A Construção da Ordem”, de José Murilo de Carvalho, traz os fundamentos historiográficos para entendermos a especificidade do caso brasileiro.

No seu livro, José Murilo de Carvalho mostra que, em Portugal, o estado absolutista se desenvolveu de forma precoce, já a partir do final do século XIV. Esse processo levou a um fortalecimento da coroa em detrimento da aristocracia, o que teria levado a um relativo empobrecimento desta última. Haveria, então, sobrado para a aristocracia lusitana o emprego público como uma importante fonte de renda e de prestígio. Teria sido formado, em Portugal, um estamento burocrático e profissional de origem aristocrática e que se encrustou na estrutura formal do estado. Uma evidência do peso dessa herança histórica em Portugal, ainda hoje, é o fato de que lá se encontra, de longe, a maior desigualdade educacional entre os países europeus. Gabriele Ballarino e Elena Meschi mostram que os Coeficientes de Gini dos anos de escolaridade de Portugal é de 0,332, enquanto que o segundo maior, o espanhol, é de 0,281, o italiano é 0,240 e o grego é 0,229. A reprodução estamental depende fortemente da capacidade de controle das oportunidades educacionais.

Em 1908, essa mesma estrutura terminou de ser transposta para o Brasil. Nas palavras de José Murilo de Carvalho: “Essa transposição de um grupo dirigente teria talvez maior importância que a transposição da própria Corte portuguesa e foi fenômeno único na América.”

Esse estamento burocrático e profissional, no Brasil, continuou sempre encrustado no estado ou gravitando em torno dele. Como demonstra Edmundo Campos Coelho, em seu livro “As Profissões Imperiais”, os profissionais ditos “liberais” – profissionais estes que, segundo João Cabral de Melo Neto, em seu poema “Morte e Vida Severina”, “não se libertaram jamais” – buscaram a proteção do estado desde o início da formação de suas corporações. Nas palavras do próprio Edmundo Campos Coelho, esses profissionais terminaram, assim, se caracterizando como “elites saturadas de valores excludentes, antidemocráticos, antipovo.”

Uma nova literatura internacional sobre neopatrimonialismo (entre outros, vale ressaltar os trabalhos do sociólogo e historiador Ivan Ermakoff) tem mostrado que este é um fenômeno internacional. Assim, embora eu discorde de Jessé Souza sobre a utilidade do conceito de neopatrimonialismo, concordo com ele que o conceito não serve para identificar uma especificidade do Brasil ou da América Latina. Como bem demonstra Ivan Ermakoff, relações sociais patrimonialistas podem se incorporar a qualquer organização burocrática, pública ou privada. Todavia, a existência, no caso brasileiro, de um estamento burocrático e profissional de tal forma encrustado no estado serve de catalizador para práticas patrimonialistas que envolvem não apenas o referido estamento, como também indivíduos oriundos de quaisquer estratos sociais, em particular da plutocracia empresarial. No Brasil, as práticas neopatrimonialistas e o estamento burocrático e profissional se alimentam mutuamente.

Portanto, no Brasil, esse estamento excepcionalmente poderoso se configura em uma elite que em certos momentos colabora e em certos momentos se contrapõe à plutocracia do mercado (classe economicamente dominante) ou a frações dela. Esse elemento estamental também nos ajuda a entender porque aqui nunca houve uma “classe média” que se mobilizasse na busca de direitos universais, como o saudoso Milton Santos tão bem denunciou em uma palestra disponível na internet, ao ressaltar que, no nosso país, a “classe média” sempre quis privilégios e não direitos universais.

A essa altura acredito que já deixei bastante claro que a reprodução intergeracional de um estamento burocrático e profissional depende, fundamentalmente, do monopólio das melhores oportunidades educacionais. Foi nesse ponto que os governos petistas começaram a incomodar profundamente o estamento burocrático e profissional. Entre todas as dimensões da desigualdade que foram, de alguma forma, reduzidas durante a era petista, a educação foi a mais fortemente atingida. Como também ocorreu nas socialdemocracias europeias, os governos petistas conseguiram atingir a desigualdade educacional de forma muito mais efetiva do que a desigualdade de riqueza ou de renda (como os estudos feitos a partir da metodologia de Thomas Piketty têm mostrado). Está aí a principal energia de ativação do golpe de 2016! Um típico caso de “conflito de status”, como definido por Randall Collins.

O golpe de 2016 foi iniciado pelo estrato social que se sentia mais incomodado com a nova realidade que se passava a construir no Brasil. A plutocracia empresarial e rentista veio a reboque. Assim como os próprios políticos. O marco fundamental do golpe foi o dia 16 de março de 2016, quando o “herói” estamental, Sérgio Moro, gravou ilegalmente conversas do Ex-Presidente Lula com a então Presidenta Dilma e liberou a gravação para a mídia. Não por acaso, um ato perpetrado por um ilustre representante do estamento.

Antes de concluir, vale lembrar que o PT, por muito tempo, investiu em uma relação política privilegiada com o estamento. O fato mais simbólico disso foi a introdução da lamentável prática de nomear o candidato mais votado para PGR. Espero que se tenha aprendido a lição!

Jorge Alexandre Neves
Leia Mais ►

Nardes que derrubou a Dilma recebia propina de R$ 100 mil/mês

Canalha é do PP do RS, como a Ana Relho


O Conversa Afiada reproduz trecho de reportagem do vencedor do troféu Conexões Tigre, no Estadão:


Em delação premiada, o ex-subsecretário de Transporte do Rio Luiz Carlos Velloso afirmou que o ministro Augusto Nardes, do Tribunal de Contas da União (TCU) girou R$ 1,2 milhão na corretora Advalor, alvo da Operação Lava Jato nesta sexta-feira, 10. O delator relatou que o ex-gerente da Petrobrás Pedro Barusco lhe apresentou a Advalor ’em razão do pagamento mensal de R$ 100 mil mensais ao ministro Nardes’.

O irmão do ex-subsecretário Juscelino Gil Velloso, também é delator e contou que pagou ‘mensalidade escolar’ a Nardes e revelou entrega de dinheiro em Brasília.

Augusto Nardes foi o ministro do TCU responsável pela análise das contas da ex-presidente Dilma (PT). Em 2015, Nardes atribuiu a então presidente ‘responsabilidade direta sobre as pedaladas fiscais’.

O depoimento de Luiz Carlos Velloso foi prestado em 30 de maio de 2017 e subsidiaram a investigação da Lava Jato sobre a Advalor. A Polícia Federal prendeu pela manhã o empresário João Paulo Julio Pinho Lopes, filho de Miguel Julio Lopes, ambos ligados à corretora.

Luiz Carlos Velloso e seu irmão Juscelino Gil Velloso, também delator, afirmaram que e a Advalor era usada ‘como uma espécie de instituição financeira para armazenar recursos ilícitos de agentes públicos, bem como efetivar pagamentos em seu favor’.

A delação de Luiz Carlos Velloso foi homologada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli. O ex-subsecretário também cita em sua declarações o deputado federal Julio Lopes (PP-RJ).

“Barusco apresentou a corretora em razão do pagamento mensal de 100 mil reais ao ministro Nardes; que o dinheiro já estava lá porque Barusco tinha conta lá; que tratou sempre com Miguel Julio Lopes”, relatou.

(...)
Leia Mais ►

Transferência de votos fará ser inútil veto à candidatura Lula


A vontade popular, como um líquido, procura e descobre por onde se derramar-se se lhe fecham a torneira por onde deveria, naturalmente, fluir.

Os pretensiosos é que crêem que o povo, qual um peru num círculo de giz, fica desorientado e não descobre como fugir de um cativeiro que é, apenas e tão-somente, simbólico, porque não abateram sua determinação política.

Por isso se surpreendem com o resultado da pesquisa da Corretora XP/Banco Itaú que revela que, obrigado a substituir-se por Fernando Haddad na disputa presidencial, Lula já o coloca no 2° turno.

Arrisco-me a dizer que, a esta altura, já em empate técnico com Jair Bolsonaro, porque a pesquisa (curiosamente tabulada em inglês, já se vê) é por telefone – que elimina do universo pesquisado a gente mais pobre e mais remotamente situada, área onde a força de Lula é unanimemente reconhecida quanto pelo fato de que também contém os 3% dos votos em Manuela D’Ávila, sua vice, o que faz com que se aproxime, fácil, dos 20%.

Sabe-se que o pequeno espaço que não podem tirar da  esquerda na televisão vai multiplicar o conhecimento de quem é o candidato de Lula se não permitirem que ele concorra.

Só existe uma maneira de, tendo de representar Lula, Haddad não ir ao segundo turno e vencer.

É não aceitar “ser o Lula”, o que vai para a urna e para o Governo em nome de Lula e que será de Lula o comando da ação política de Lula.

Quando há coerência entre os personagens, a transferência de votos se opera sem traumas.

Fernando Brito
No Tijolaço
Leia Mais ►

Os melhores (ou piores) momentos do primeiro debate presidencial





Davi Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

Ciro fuzila Bolsonaro


Leia Mais ►

Boulos fuzila Bolsonaro


No debate da Band:

“Bolsonaro, o senhor é racista, homofóbico e machista. Mas eu queria saber… quem é a Val”, perguntou Boulos sobre a funcionária fantasma dele denunciada pela Folha de S.Paulo.

Jair Bolsonaro disse que ela é uma funcionária honesta e acusou Guilherme Boulos de invadir propriedades privadas. Ó o nível.


Leia Mais ►

Vice de Bolsonaro prega golpe militar se Lula for candidato

Vice de Jair Bolsonaro (PSL), o general da reserva Antonio Hamilton Mourão (PRTB), afirma ao Valor que os militares devem participar mais da vida política. "Nós não podemos ficar escondidos na nossa redoma. Temos também que nos apresentar".

Mourão, um gaúcho prestes a completar 65 anos, diz que as Forças Armadas devem intervir quando há "distúrbios de rua e desobediência civil" e afirma que a greve dos caminhoneiros em maio quase chegou "ao limite". Para o vice de Bolsonaro, a tentativa de o PT impor a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva, preso desde abril, justificaria uma ação militar, se houvesse uma "revolta popular"

Mourão diz que a imagem hoje da chapa puro sangue militar é de que, se eleita, representá um "apocalipse" e um "arrasa-quarteirão". No entanto, defende que o candidato não mude seu discurso. A seguir trechos da entrevista:

O senhor, quando estava na ativa, defendeu a intervenção militar para resolver a crise política. Em que casos pode ter intervenção?

Hamilton Mourão: A missão das Forças Armadas é a defesa da pátria, a garantia dos poderes constitucionais, da lei e da ordem. É manter um ambiente de estabilidade para que os três Poderes possam cumprir a sua tarefa. Se essa capacidade de um dos Poderes estiver ameaçada, as Forças Armadas devem garantir que possam trabalhar. Se isso for afetado por distúrbios de rua, por desobediência civil, as Forças Armadas [devem] manter a ordem. Se a lei e a Justiça não conseguem cumprir o seu papel, perderemos o controle da situação.

O senhor poderia ser mais específico?

Distúrbio de rua é quando as pessoas atacam a polícia, atacam quartéis, atiram coquetéis molotov,... Não é meia dúzia de gato pingado queimando pneu. É algo que paralise o país.

A greve dos caminhoneiros justificaria a intervenção?

A manifestações dos caminhoneiros chegou quase no limite. As Forças Armadas tiveram que ser empregadas para desobstruir as rodovias e foi um trabalho feito de forma contencioso. Não tivemos quase nenhum incidente [O caminhoneiro José Batistela morreu durante a greve, depois de levar uma pedrada]. O governo demorou a reconhecer o problema.

Em que caso justificaria?

Os casos mais prementes são de leis, da Ficha Limpa, o PT tentando impor de todas as formas a candidatura [de Lula] que pode ensejar em razão das leis existentes... Se por acaso uma coisa dessas levar a uma revolta popular, é necessário que haja controle disso aí, senão vamos para a barbárie.

O senhor está dizendo que se a candidatura Lula vingar vai levar o país a uma situação de caos?

Nem raciocino com a candidatura Lula. Essa é uma questão interna do PT. Lula candidato é uma coisa que está correndo nas redes sociais. Se Lula pode ser candidato, então Fernandinho Beira-Mar pode, Marcola pode... Ressalvadas as devidas diferenças.

Se o PT ganhar a eleição, como vê a situação do país?

Se ganhar, vai ser Haddad e Manuela. Vai ter que governar o país. É responsabilidade dele. Não vejo uma comoção nacional. Acho muito ruim eleger essa dupla.

Bolsonaro disse que quer um vice que meta o pé na porta e que, ao mesmo tempo, garanta a governabilidade. Como conciliar isso?

A minha visão do vice é aquele que fica na sombra, um auxiliar do presidente. Na linguagem militar, ele é o comandante e eu, o subcomandante.

Bolsonaro disse que pretende colocar militares em metade dos ministérios. Concorda?

Precisamos de gerentes eficazes, não só de gente que vá para os ministérios para extrair o máximo que puder. Gerentes temos tanto no meio civil quanto no militar. Hoje temos dois ministros do meio militar, um que está na Defesa [Joaquim Luna e Silva] e do [Sérgio] Etchegoyen [ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional]. Se ele quiser botar um oficial no Ministério dos Transportes vai pegar um oficial com capacidade, conhecimento da área. A gente não pode estigmatizar. Nós, integrantes das Forças Armadas, não podemos ficar escondidos na nossa redoma. Tem também que se apresentar.

Por que têm de participar?

Nós, militares, temos nosso conhecimento específico e pode auxiliar na governabilidade dele. Precisa de alguém sério, correto, honesto, que entenda as necessidades do país e faça a distribuição dos recursos sem olhar os benefícios políticos.

O senhor acha que militares são menos corrompíveis?

O problema são os civis escolhidos. No nosso presidencialismo de coalizão, o presidente entrega o ministério para o partido, que coloca lá dentro alguém com a tarefa de tirar dinheiro para o partido. Pessoas honestas existem tanto no meio militar quanto no civil.

E como pensa a governabilidade sem distribuir cargos?

Bolsonaro tem dito que tem mais de 100 deputados com ele. Não é o número ideal. Você pode pensar que minha visão é ingênua, idílica, mas gira em torno de ideias e programas.

No Exército o senhor foi acusado de beneficiar uma empresa espanhola em um suposto esquema de corrupção. A denúncia é investigada pelo TCU. Como justifica?

Esse caso foi levado por denúncia anônima, pelo coronel [Rubens] Pierrotti, que é um camarada meio desequilibrado. Foi investigado exaustivamente pelo Ministério Público Militar, que considerou a denúncia improcedente e arquivou. O TCU continua analisando. Tenho a consciência tranquila. Se não fosse o trabalho que realizamos teríamos causado um prejuízo à Nação de 6,5 milhões de euros.

A denúncia aponta que houve direcionamento na licitação e que o sr atuou para destravar o projeto.

A licitação não estava ao meu cargo. Entrei na metade do projeto para tentar conclui-lo.

A dificuldade política de Bolsonaro ficou explícita na escolha do vice, com três recusas. O senhor já disse que ele tem dificuldade de ouvir as pessoas. Como governar?

Todos os candidatos que estão ai tiveram dificuldade para escolher o vice. Sempre fui opção para Bolsonaro, mas fiquei na reserva. Até me filiei a um partido para ficar na reserva, senão não teria me filiado.

O senhor já disse que há um radicalismo, até boçal dos apoiadores dele, e afirmou que a campanha era amadora

Nós, uma vez eleitos, temos que governar para todo o país, não só para aqueles que são fanaticamentes favoráveis à nossa maneira de pensar. O PT sempre procurou dividir o país. Não podemos embarcar nessa canoa. Quando falo que é amadora, não falo no sentido desprestigiar a campanha. É amadora porque não tem todos recursos que grandes partidos têm. Nossa campanha não tem dinheiro. Está sendo feita na vontade dos apoiadores.Amador porque é coisa nova, de um cara que nunca fez campanha para presidente.

O sr e Bolsonaro têm perfis semelhantes. Não atrapalhará na busca de um outro eleitorado?

Sempre julguei que o melhor para ele seria ter outro político de peso ao lado dele, para ter essa diversidade. Pela conjuntura que vivemos, não foi possível. Então tenho que buscar chegar em outros segmentos da sociedade que estão indecisos e romper determinadas barreiras. Tem aquele estigma de que o general é um cara fechado, autoritário... Tem que desmistificar. As pessoas temem que a gente ganhe. Devem achar que é apocalipse. Se eles vencerem haverá um arrasa-quarteirão no país, vamos prender todo mundo. Bolsonaro jamais falou isso.

Quando o candidato defende dar mais respaldo aos policiais atirarem não abre brecha para outra interpretação?

A atuação da polícia está dentro da lei. A lei não muda, mas tem que ser aplicada. Temos que ter política de tolerância zero nessa questão da segurança. As penas no Brasil são muito brandas. O presídio não pode ser nova escola de bandido.

O que o senhor levaria para o governo como referência da ditadura, na segurança?

Na época do regime militar essa questão da segurança era muito light. Polícia era polícia, bandido era bandido. A coisa era muito bem definida. Hoje tem mistura das coisas. Às vezes a polícia se envolve em crime, a questão das milícias. Mas o momento é totalmente distinto do que foi em épocas passadas.

Quem contestava a ditadura era preso

A contestação do regime era uma coisa. Outra era pegar em armas e atentar contra o Estado. Aqueles que pegaram em armas ou apoiaram as organizações que pegaram em armas esses sofreram nas formas da lei. Independente se houve tortura ou não. Sou contra a tortura. Não acho que é um método interrogatório válido. Mas quem pegou em armas foi tratado como inimigo do Estado. Todos foram anistiados a posteriori e estão todos felizes da vida, desfrutando de suas indenizações.

O senhor diz que é contra tortura, mas elogia Brilhante Ustra (1932-2015), reconhecido pela Justiça como torturador

Quem acusou Ustra como torturador não apresentou nenhuma prova. Ele comandou o DOI de São Paulo, principal elemento do desbaratamento das organizações subversivas. Ustra foi meu comandante quando eu era tenente, por dois anos. Me ensinou muito no começo da minha vida militar. É um homem justo, um líder, estava presente em todas as atividades no nosso quartel. É um dos homens que tenho como exemplo para a vida. Ele passou quase 30 anos sendo atacado. Costumo dizer que Ustra é a "Geni". Quando está tudo calmo aí, arruma alguma coisa do Ustra e ataca pedra nele.

O senhor disse que o país herdou a indolência dos índios e a malandragem dos africanos

[interrompe] Mas ninguém diz que falei dos privilégios dos brancos. Errei. A formação da nossa nacionalidade é um amálgama dessas três raças, cada uma com suas coisas boas e suas coisas não tão boas. Quem estudou a formação da nacionalidade brasileira sabe disso. O problema é que a partir do momento em que me coloquei na política, essas coisas não podem ser ditas abertamente. Construímos um país miscigenado.

Bolsonaro deve moderar o discurso?

Bolsonaro não pode deixar de ser ele. Se deixar de ser ele perde substância e passa a ser político igual a outros.

Cristiane Agostine
No Valor
Leia Mais ►

Pesquisa do Itaúúú põe Haddad no 2° turno

Migração dos votos de Lula é real!

O triplex Manuela, Lula e Haddad
Ricardo Stuckert
Nova pesquisa de intenção de voto divulgada pela XP Investimentos (a corretora de valores do Itaúúú) em parceria com o Ipespe mostra o tamanho da migração de votos de Lula para Fernando Haddad: 36% dos que declaram voto em Lula afirmam que votarão em Haddad, caso o ex-presidente seja impedido de disputar a eleição.

A indicação de Haddad como "o candidato de Lula" faz com que o ex-prefeito de São Paulo salte de 3% das intenções de voto para 13% - oito pontos atrás de Jair Bolsonaro.


Reprodução: XP/Ipespe/Infomoney

Em simulação de segundo turno, Haddad tem 29% das intenções de voto, contra 37% de Bolsonaro e 34% de brancos, nulos e indecisos. Na pesquisa anterior, Haddad aparece com 28%.

Segundo a mesma pesquisa, Bolsonaro tem 57% de rejeição.

A pesquisa XP/Ipespe foi feita por telefone e ouviu 1.000 pessoas entre os dias 6 e 8 de agosto.

No CAf
Leia Mais ►

Daciolo 'surta' em debate


Poucas coisas explicam melhor o Brasil do que os debates de presidenciáveis.

Cabo Daciolo foi a grande estrela de uma noite que, sem ele, teria apenas Jair Bolsonaro como palhaço.

Sem Lula, líder das pesquisas, cuja ausência é inevitável por motivos óbvios, esses programas viram shows de calouros do mundo bizarro.

Deputado federal, o candidato do Patriota tentou se vender como alternativa ao que chamou de “velha política”, se referindo aos adversários, à base de delírios apocalípticos. 

Bombeiro, fanático evangélico e exasperado, ele se apresentou como “servo do Deus vivo”.

Ao confrontar Ciro Gomes, acusou-o de ser o “fundador do Foro de São Paulo” (mentira) e perguntou o que ele sabia sobre a “Ursal”, sigla de uma certa “União das Repúblicas Socialistas da América Latina”.

Que diferença há, na essência, entre esse tipo de estupidez e as diatribes anticomunistas de Bolsonaro?

Segundo ele, o momento é de transformação” e o “povo está cansado de promessas”. “Queremos atitude”, afirmou.

Os brasileiros não devem sair do país porque “está chegando o momento do crescimento, de clamar a Deus, que vai dar a vitória”.

“Essa crise [fiscal] é uma crise mentirosa. Vou fazer auditoria da dívida. Temos 400 bilhões de sonegadores, incluindo emissoras, banqueiros. Dinheiro é o que mais tem”, cravou.

Desde 2015, Daciolo já passou por três legendas.

Começou no PSOL — pois é —, do qual foi expulso depois de apresentar uma PEC que alterava o parágrafo da Constituição que diz que “todo o poder emana no povo” para “todo o poder emana de Deus”. 

Há semanas, profetizou a cura da colega Mara Gabrilli, do PSDB, tetraplégica, no plenário da Câmara.

“Eu creio que aquela mulher vai levantar da cadeira e vai começar a andar”, falou, apoplético, com a Bíblia na mão.

Benevenuto Daciolo Fonseca dos Santos é natural de Florianópolis, tem 42 anos e nasceu para brilhar.

Se alguém achava que os 20% de votos de Bolsonaro estavam cristalizados, eis alguém capaz de meter a mão nessa cumbuca de mentecaptos.

E isso foi apenas o primeiro debate. Dias piores virão. Sangue de Jesus tem poder.









URSAL, maluquice do Cabo Daciolo no debate da Band, viraliza e é o assunto mais comentado no Twitter


URSAL, a tal da organização socialista da América Latina que supostamente Ciro Gomes faz parte, falada pelo louco do Cabo Daciolo, viralizou e é o assunto mais comentado no Twitter Brasil.

Confira alguns comentários e o vídeo do Cabo comentando sobre.













Kiko Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

Elefantinhos

Uma das mais de 17 mil ilhas da Indonésia se chama Flores e vem intrigando arqueólogos e pesquisadores desde que descobriram que seus habitantes eram pequenos. Não pigmeus: pequenos, menores do que outros nativos da região, baixinhos. Especula-se sobre a origem do Homo Floresiensis. Como ele está extinto, os cientistas valem-se de métodos modernos, como o estudo do DNA dos esqueletos encontrados, para ligá-lo a outras etnias do arquipélago indonésio e classificá-lo. Mas o DNA não está ajudando. De onde vieram e como acabaram os nativos de Flores? Por acaso um casal de pouca estatura teria inaugurado a linhagem que com o tempo ocuparia a ilha, enchendo-a de baixinhos como eles? A explicação seria puramente genética? Quem sabe uma origem extraterrena? A investigação continua.

Um complicador que desafia os cientistas é o seguinte: Flores também tem elefantes que sobreviveram à extinção do Homo Floresiensis. E os elefantes também são baixinhos! Os animais que no resto da Indonésia são símbolos imponentes de tamanho e vigor, em Flores são pouco maiores do que cachorros grandes. Como chegaram à ilha? Já eram pequenos quando chegaram ou foram ficando menores com o passar do tempo? Por quê? Algo no ar, na alimentação? Uma deferência dos elefantinhos aos nativos, diminuindo progressivamente para não humilhá-los com seu tamanho? 

Achei que havia uma metáfora em algum lugar nessa história da ilha de Flores. Proponho esta: pense nos candidatos definidos para a próxima eleição presidencial brasileira. Há exceções, claro, e torçamos por elas, mas a mediocridade predomina, certo? Você procura em vão por cima da cabeça deles por algo maior, algo que represente mudança, algo que nos empolgue – enfim, um elefante – e só enxerga gente pequena e elefantinhos. As exceções são as que têm menos chances de ganhar, o que só acrescenta melancolia a esse sentimento nacional de absoluta falta de elefantes. 

Luís Fernando Veríssimo
Leia Mais ►

Alvaro Dias insiste em citar Sergio Moro como possível ministro no debate da Band

Senador falou em combate à corrupção e corte de privilégios e foi lembrado por Ciro Gomes de que Moro recebe auxílio-moradia.


A participação do senador Alvaro Dias (Podemos) no debate da Band com os candidatos à Presidência, nesta quinta-feira (9), foi marcada por sua insistência em colar sua imagem à do juiz federal Sergio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato na primeira instância.

O senador tem dito que, se eleito, vai convidar Moro para assumir o Ministério da Justiça. Ele afirma, porém, que o assunto ainda não foi discutido com o magistrado.

A primeira citação ao juiz veio logo no início do debate.

Sorteado para responder à primeira pergunta do primeiro bloco, sobre combate ao desemprego, Dias teve um minuto e meio para falar sobre suas propostas, mas não tratou do tema. Preferiu focar em sua biografia e disse que fez um convite público a Moro.

"Vou continuar combatendo os privilégios e combatendo a corrupção, por isso eu já convidei publicamente o juiz Sergio Moro", afirmou.

Em outro momento do debate, Dias disse que "a Lava Jato é prioridade": "É por essa razão que eu disse que convido o juiz Sergio Moro para ser ministro da Justiça e continuar a limpeza", afirmou.

Depois, ao ser questionado por uma jornalista da Band sobre combate à corrupção, disse que transformaria a Lava Jato em "política de Estado permanente": "E para isso nós vamos convidar o juiz Sergio Moro para ministro da Justiça, mas não só ele, uma seleção de juristas".

Auxílio-moradia

No quarto bloco do debate, um jornalista da Band perguntou ao candidato Ciro Gomes (PDT) se o Brasil tem dinheiro para bancar decisão dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), que aumentaram os próprios salários em 16,38%, de R$ 33,7 mil para R$ 39,3 mil – a proposta ainda precisa passar pelo Legislativo. A resposta de Ciro deveria, pelo formato do debate, ser comentada por Alvaro Dias.

Ciro respondeu que a medida do STF era uma "imprudência profundamente acintosa". Dias, em sintonia com Ciro, defendeu corte de privilégios. "Tem que começar no andar de cima, eliminando os privilégios das autoridades brasileiras que provocam grande indignação na nossa gente, [como] auxílio-moradia."

Ciro não perdeu a deixa e lembrou que Sergio Moro recebe auxílio-moradia mesmo sendo dono de um imóvel em Curitiba.

"Só para fazer uma notinha de rodapé: o eminente juiz Sergio Moro, que tem prestado sem dúvida um bom serviço ao País, recebe o auxílio-moradia sendo proprietário de um apartamento em Curitiba", afirmou o ex-governador do Ceará.

Reportagem da Folha de S.Paulo publicada em fevereiro revelou que Moro recebe, desde outubro de 2014, auxílio-moradia no valor de R$ 4.378. Ainda segundo o jornal, o salário-base do juiz é de R$ 28.948.

O recebimento de auxílio-moradia por um juiz que possui imóvel na cidade onde trabalha não é ilegal, mas levanta a discussão sobre privilégios.
'Sergio Moro me conhece'

Na saída do debate, o senador disse a jornalistas que ainda não falou com Moro sobre o convite para o Ministério da Justiça em um eventual governo. "O que eu disse é que ele só tem que responder quando eu chegar à Presidência", afirmou.

Os repórteres, então, insistiram para que Dias respondesse se foi combinado com Moro que o nome dele seria explorado na campanha. "Esse é um problema nosso. Se eu tivesse falado, também não diria [para a imprensa]. Não falei com ele, mas, se tivesse falado, não diria."

Por fim, Dias foi indagado se a estratégia não causa constrangimento a Moro. "Tenho certeza que não. Ele me conhece."
E conhece mesmo. O elo entre eles é Joel Malucelli, investigado na Lava Jato, segundo o Ministério Público Federal, pagar propina para participar de obra pública.

Joel Malucelli é suplente de senador de Álvaro Dias, presidente estadual do Podemos no Paraná. Foi ele quem levou o cantor Fagner a Curitiba, em 2016, oportunidade em que os dois se encontraram para beber cerveja no bar do irmão de Carlos Zucolotto Júnior, aquele que, segundo Tacla Durán, pediu 5 milhões de dólares por fora para conseguir facilidades em acordo de delação premiada.

São da mesma patota ou panela.

No DCM
Débora Melo
No Huffpost
Leia Mais ►

Com "50 tons de Temer" e sem PT, debate da Band fica no zero a zero

Principais candidatos fugiram de confrontos mais ríspidos e pouco mencionaram o ex-presidente Lula

Candidatos protagonizaram um morno confronto na Band
Foi de Guilherme Boulos, do PSOL, um dos melhores bordões do morno debate realizado pela TV Bandeirantes nesta quinta-feira 9 entre os candidatos à Presidência. Dos oito participantes, seis defenderam o impeachment de Dilma Rousseff em 2016. Segundo Boulos, Henrique Meirelles, do MDB, não era o único candidato de Michel Temer: havia ali "50 tons de Temer".

Na ausência de um representante do PT, os principais concorrentes fugiram de confrontos mais duros. Ciro Gomes, do PDT, criticou a reforma trabalhista defendida por Geraldo Alckmin, do PSDB, mas não o atacou excessivamente. Marina Silva, da Rede, classificou o acordo do "centrão" costurado pelo tucano como uma aliança "só por tempo de televisão", mas não chegou a criticá-lo diretamente. Jair Bolsonaro, do PSL, se indispôs com Ciro, mas manteve relativa calma quando Boulos o atacou.

O encontro revelou-se apenas um aquecimento da campanha, possivelmente sob o olhar atento do "elefante na sala" (ou no estúdio) que a maioria preferiu ignorar, para o bem ou para o mal. Líder nas pesquisas de intenção de voto, Lula, preso há quatro meses em Curitiba, pouco foi mencionado pelos participantes. O único a criticar sua prisão e sua ausência do debate, impedida pela Justiça mesmo por teleconferência, foi Boulos.

Após desavenças públicas com o PT, Ciro pouco mencionou o ex-presidente. Ele fez críticas à política econômica de Dilma, mas chamou seu impeachment de golpe. Por outro lado, elogiou o trabalho do juiz Sérgio Moro para o País, embora tenha criticado o recebimento de auxilio-moradia pelo magistrado, que tem imóvel próprio.

Paralelamente ao debate, o PT organizou uma "live" em seu Facebook com a presença de Fernando Haddad, apontado como substituto de Lula caso o ex-presidente não possa concorrer, Manuela D'Ávila, que será a vice na chapa a partir de 15 agosto, além de Gleisi Hoffmann, presidenta do PT, e o coordenador de campanha José Sérgio Gabrielli. Para estudar seus adversários, a legenda enviou "olheiros" para o debate da Band, a exemplo do tesoureiro Emídio de Souza.

Bolsonaro foi atacado principalmente por Boulos. Na primeira pergunta entre candidatos do debate, ele o chamou de "racista e homofóbico". O candidato do PSOL perguntou ao deputado "quem era Val", apontada como funcionária fantasma do parlamentar em reportagem da Folha de S.Paulo. Afirmou que ele aprovou apenas dois projetos, mas comprou cinco imóveis em 26 anos de Congresso. "Você não tem vergonha?".

Ao seu estilo, o postulante do PSL respondeu: "Eu teria vergonha se ficasse invadindo a casa dos outros", em referência ao fato de Boulos ser líder do Movimentos do Trabalhadores Sem Teto.

Apesar de ter mantido a calma por grande parte do debate, Bolsonaro perdeu a linha ao ser criticado por Ciro por ter aprovado, entre seus dois projetos bem-sucedidos, o uso da chamada "pilula do câncer", a fosfoetanolamina. O candidato esbravejou por um direito de resposta, mas não foi atendido.

Logo no início do debate, Bolsonaro defendeu a posição dos empresários sobre reduzir direitos trabalhistas, e reconheceu que sua posição poderia custar votos. "Todos nós sabemos que o salário do Brasil é pouco para quem recebe, e muito para quem paga. Os empresários tem dito para mim: menos direitos, e emprego, ou todos os direitos, e desemprego."

Enquanto o candidato do PSL buscou trabalhar seu temperamento, Cabo Daciolo, do Patriota, disparou contra tudo e todos. No debate graças aos cinco parlamentares de seu partido na Câmara, ele se definiu como "servo do Deus vivo" ao longo de todo o encontro e se irritou até com jornalistas."Todos os brasileiros que estão fora do País, voltem, pois a transformação está próxima", orou ao final de uma critica a Alckmin por seu acordo com o "centrão". Assim como Bolsonaro, atacou o "comunismo". Não à toa, o chamou de "irmão".

Estacionado nas pesquisas com 1% das intenções de voto, Henrique Meirelles, ex-ministro de Temer, não teve vida fácil. Foi lembrado sempre que possível de sua ligação com o presidente mais impopular desde o fim da ditadura. Pouco habituado ao papel de candidato, o economista demonstrou dificuldade para defender sua política econômica. Curiosamente, ele foi um dos poucos a citar Lula, ao lembrar que foi presidente do Banco Central durante seu governo. O ex-ministro disse não trabalhar nem para o petista e nem para Temer, mas "para o País".

Enquanto a prisão de Lula não foi alvo de debates dos candidatos, a Operação Lava Jato foi elogiada por diversos deles, em especial Álvaro Dias, do Podemos. O candidato reiterou o convite a Sérgio Moro para ser seu ministro da Justiça e prometeu que transformará a operação "em uma política de Estado".

Em matéria de economia, a maior parte dos candidatos repetiu fórmulas prontas. Marina e Alckmin praticamente alinharam o discurso ao afirmarem que o caminho para a retomada econômica é aumentar o investimento e recuperar a credibilidade. Ciro foi mais objetivo, ao apresentar uma proposta de retomada de obras públicas e um esforço para tirar os brasileiros da lista suja do Sistema de Proteção ao Crédito (SPC).

Ao fim do debate, a impressão é a de que a campanha ainda não começou, mas revela-se apenas um desdobramento da rodada de sabatinas anteriores. Com a indefinição sobre a situação de Lula e do PT, os candidatos não atacam nem defendem o "elefante na sala", líder nas pesquisas, ou mesmo seu provável substituto. Por ora, apenas tentaram se apresentar aos eleitores nesta confusa eleição.

Miguel Martins
No CartaCapital
Leia Mais ►

Dedo na Ferida — um documentário de Sílvio Tendler


Leia Mais ►

Xadrez da ditadura das corporações públicas

Movimento 1 – o golpe

No começo, a elite civil prepara o campo para a desestabilização do sistema elegendo a figura do inimigo, o PT. Há o primeiro teste no mensalão. Depois, entra-se no jogo decisivo, adiado pelo bom momento da economia.

Quando a situação econômica piora, Judiciário e Ministério Público definem a melhor estratégia para tornar a Lava Jato uma operação irreversível. Consiste em investir sobre a linha de menor resistência, mirar um alvo que garanta a montagem de alianças com as estruturas de poder.

São varridos para baixo do tapete os indícios contra próceres tucanos, mercado financeiro, mídia e Ministros de tribunais superiores. O foco se concentra em Lula, no PT, em alguns peemedebistas mais notórios e no arco de alianças desenhado pelo projeto PT de poder, que tinha nas empreiteiras os maiores parceiros.

Movimento 2 – a falta de elite e de projetos

Monta-se uma verdadeira legião estrangeira em favor do golpe. Participam dela tropas das corporações públicas, do Judiciário, bilionários que saem às ruas como cidadãos comuns, cidadãos comuns que saem às ruas como linchadores habituais, e linchadores que saem às ruas armados de suas prerrogativas de magistrados e procuradores amparados por manchetes escandalosas. A bandeira única que os une é a eliminação definitiva dos inimigos.

A elite civil participa da conspiração, mas não assume a liderança, não conduz, é conduzida. Contenta-se com sua parte no butim, colocando na área econômica um gtupo de xiitas sem noção, disposto a mudar a realidade com a força da fé.

Conquistado o poder, o que fazer? Parte-se para o desmonte do modelo anterior sem nenhum projeto alternativo de país. Em vez de aprimoramentos necessários, liquida-se com a legislação trabalhista. Em vez de gestão fiscal responsável, monta-se o monstrengo inviável da Lei do Teto. Tenta-se a fórceps uma reforma da Previdência cuja conta recai inteiramente sobre os empregados do setor privado. Sufoca-se a economia com uma política fiscal irresponsável porque a guerra contra o inimigo não permite questionamentos intra-tropa e a fé não costuma falhar.

Mas e a ideia mobilizadora, e a voz de comando capaz de aglutinar a legião dos vencedores em torno de programas políticos viáveis, impondo um mínimo de ordem na bagunça? Nada. Porque a elite nacional é apenas um mito, desde os tempos mercantilistas aos anos da financeirização.

Movimento 3 – a Ditadura das corporações

Sem um general comandante, derrubada a cidadela adversária as tropas assumem o comando.

Sobre os escombros da economia, TCU, AGU, MPU, e todos os Us de Brasilia, negociam entre si a divisão do butim, quem pode punir, quem pode conceder, quem pode perdoar, quem negocia a delação, quem garante o acordo de leniência.

O Brasil improdutivo assume o controle do Brasil real, e tropas sem oficiais tomam as rédeas nos dentes enquanto um empresariado invertebrado, sem noção de projeto, paga a conta junto com seus trabalhadores.

O melhor exemplo desse comando difuso, aliás, é o Ministro Luís Roberto Barroso, do STF. Aliado do golpe, Barroso preencheu o universo midiático com chavões sobre o empreendedorismo, sobre um Estado menor. Em nome desse sonho neliberal, avalizou a Lei do Teto, com todas as implicações sobre as políticas sociais e os direitos básicos do cidadão. Não se gasta mais do que no ano anterior corrigido pela inflação.

Na hora de discutir o reajuste dos proventos de Ministros do STF, não vacilou: votou a favor dos 16% de reajuste, mesmo sabendo do impacto sobre toda a cadeia de benefícios do serviço público. O que significa? Que as figuras públicas que, tal como as birutas de aeroporto, seguem o caminho dos ventos, está identificando um vento mais favorável aos seus projetos pessoais: em vez do mercado, o Partido do Judiciário.

Movimento 4 – histórias de promotores

E aí se ingressa na pior das ditaduras, que é a o dos centros difusos de arbitrariedade. Em qualquer cidade do país, um promotor pode se dizer investido do poder divino e providenciar Justiça com as próprias mãos. E esse poder está sendo utilizado sem nenhum discernimento, inclusive contra membros das próprias corporações que não se alinham com o golpe.

Em Recife, o promotor da Vara de Execuções Penais Marcellus Uglete, considerado um garantista (solicitou a interdição de vários presídios), foi denunciado por colegas com base em indícios frágeis - grampos em advogados em que seu nome foi apenas citado - e se tornou alvo de uma operação de busca e apreensão. Os invasores – policiais civis comandados por um colega de Marcellus – sequer esperaram que ele abrisse a porta. Teve a casa arrombada na presença de três netos, dois filhos, a esposa e o irmão.

Em Niterói, um comentário em rede social feito pelo Policial Federal Sandro Araújo, criticando a operação que levou ao suicídio o reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) motivou uma denuncia da Associação Nacional dos Delegados da Policia Federal.

Disse o policial: “Minha prece hoje é por Luiz Carlos Cancellier de Olivo. Reitor da UFSC que tirou a própria vida após ser preso de forma INJUSTA, ARBITRÁRIA e EQUIVOCADA pela Polícia Federal. A responsável pelo ERRO CRASSO não foi tocada e segue com sua carreira”.

No Paraná, uma parceria entre juízes federais e PFs impõe uma sucessão de condenações pecuniárias contra blogs que ousam questionar a atuação de policiais.

E não se para nisso.

Em Belo Horizonte, o dono de uma rede de supermercados foi intimado por um jovem promotor de direitos do consumidor a dar explicações para os critérios utilizados em um concurso que premiou a melhor frase sobre o aniversário da empresa. A intervenção do promotor foi motivada por um competidor, que se sentiu lesado na competição e apresentou, em sua defesa, um livro de poesias de rimas mancas de sua autoria.

Abusos como este estão pipocando por todo o país. E a única resistência visível reside no contraditório porém destemido Ministro Gilmar Mendes.

Movimento 5 – um ciclo sem prazo

Vai piorar antes de melhorar, porque se trata de um processo sem objetivos, de uma tropa sem comando, de um arquipélago de poderes individuais sem a ação coordenadora das chefias e lideranças, e de um poder sem projeto. O que os move é apenas o exercício do poder individual pelo poder e a defesa dos interesses corporativos.

Há um cenário possível para as próximas eleições: uma final entre o candidato do PT e Bolsonaro. Nessa hipótese, o risco Bolsonaro seria um fator catalisador maior do que o medo PT da classe média. Portanto, havendo essa composição no segundo turno, há a probabilidade concreta de vitória do candidato de Lula.

Aí, talvez, o mercado se dê conta de que a fonte de todos os males não são as migalhas distribuídas aos mais necessitados, mas o cheque em branco entregue às corporações de Estado.

Luís Nassif
No GGN
Leia Mais ►