9 de ago de 2018

Cientista Político prevê PT x PSDB no 2º turno da Eleição 2018


Alberto Carlos Almeida é cientista político, sócio do instituto de pesquisas Brasilis e autor do best-seller "A Cabeça do Brasileiro". Nesta entrevista, ele fala à reportagem do GGN sobre o livro "O Voto do Brasileiro" (2018, Ed. Record), onde expõe uma série de dados e análises de eleições passadas e prevê, a partir desses estudos, que a disputa presidencial deste ano provavelmente ficará entre PT e PSDB no segundo turno.

Segundo Almeida, há um padrão de comportamento do eleitorado brasileiro, desde a eleição de 2006, que tende a dividir-se entre PT e PSDB, independentemente de quem seja o candidato escolhido para representar ambas as legendas. Ele explica as causas dessa segmentação, avalia as demais candidaturas em jogo e diz qual acredita ser a estratégia para o PT, que vive situação de imprevisibilidade com a situação jurídica de Lula, e para o PSDB com Geraldo Alckmin, que tem o desafio de superar Jair Bolsonaro (PSL).

Entrevista, imagem e edição: Cíntia Alves

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Os farsantes de Curitiba


O pastor procurador da República montou mais um circo hoje, em Curitiba, para anunciar a devolução à Petrobras de R$ 1,034 bilhão recuperados, segundo ele, no bojo da operação Lava Jato. Aproveitou para dar conselhos à população sobre como votar nas eleições de outubro.

A Petrobras fez, em janeiro passado, acordo para encerrar ação coletiva movida por investidores americanos por perdas provocadas após descoberta do esquema de corrupção investigado pela operação Lava-Jato.

Graças ao alarido midiático e à politização da ação, provocado pelos procuradores e pelo juiz de Curitiba, o que seria uma ação de combate à corrupção, que lesou a empresa, virou-se contra a própria empresa, que deixou de ser vítima e passou a ser "culpada" pelos desvios.

Pelo acordo a Petrobras pagará (acho que já começou a pagar) aos investidores americanos cerca US$ 2,95 bilhões. Em toda a história americana, o acordo é o quinto maior do gênero.

O "ressarcimento" de perdas de acionistas americanos é muito discutível, no mínimo. Ações são investimentos de risco, sempre.

De qualquer maneira, só nesta operação, o desembolso da Petrobras será, ao câmbio médio de 2018, de: R$ 10,325 bilhões!!!

O prejuízo do estardalhaço politiqueiro de Dallagnol e Sérgio Moro, na operação Lava-Jato, sobre a Petrobras, mesmo supondo que além dessa devolução existam acordos de leniência que levem mais R$ 1,3 bilhão ao caixa da empresa é, até o momento, de: R$ 8 bilhões!

Esse é o preço da farsa.

Esse é o preço pago pela Petrobras pela politização de uma operação que seria meritória se não fosse manipulada e midiatizada.

Claudio Guedes
No Esquerda Caviar
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Globo e duas emissoras pagaram US$ 15 mi de propina para transmitir Copas futuras

Presidente da Fifa, Gianni Infantino, ao lado de representantes do United 2026, vencedora na escolha da sede da Copa de 2026 - Foto: AFP
A rede Globo de televisão volta a entrar na mira do esquema de corrupção do futebol. Uma denúncia movida por acionistas contra a Televisa, emissora mexicana, revela um acordo com a argentina Torneos e a brasileira Globo para o pagamento de US$ 15 milhões para os direitos de transmissão das Copas do Mundo de 2026 e 2030. 

Com as novas denúncias, que suscitam o esquema de pagamentos de propina na chamada #FifaGATE, investigada pela Corte do Brooklin, em Nova York (EUA), a Globo aumenta o seu nível de apurações que antes se restringia ao período de 2006 até 2015 para os torneios que nem sequer chegaram.

Em novembro do último ano, o GGN trazia detalhes, a partir dos depoimentos prestados por cartolas e dirigentes aos investigadores norte-americanos, que a Rede Globo havia sido delatada por pagar propina diretamente pelos direitos de transmissão de jogos da FIFA no Brasil, em articulação com a argentina Torneos e também com a Televisa. 

Depoimentos FIFAGate

Alejandro Burzaco, após depoimento nos EUA - Foto: La Nación

O argentino Alejandro Burzaco, empresário e ex-diretor da Torneos y Competencias (ex TyC), foi quem trouxe as acusações mais fortes contra os grupos de televisão da América Latina. Como CEO da Torneos de 2006 a 2015, foi este o período delatado. Burzaco declarou-se culpado no final de 2015 por fraude, lavagem de dinheiro e corrupção.

"Alejandro Burzaco disse que a Fox Sports, a Televisa, a Media Pro, a TV Globo, a Fill Play e a Traffic, todas as emissoras pagaram propinas em troca de direitos [para a transmissão] do futebol. (...) Ele disse que sua empresa teve parceirias com todas estas companhias [que pagaram propinas pelos direitos de transmissão] e ele, pessoalmente, está ciente do suborno", havia narrado o jornalista da BuzzFeed, Ken Bensinger, que acompanha de perto o caso.

"Testemunha num caso da FIFA disse que seis das maiores companhias de comunicação, incluindo a Fox Sports, pagaram subornos para os direitos de transmissão. (...) De acordo com Burzaco, [Ricardo] Teixeira [ex-presidente da Confederacão Brasileira de Futebol] recebeu subornos da T&T para a Copa Libertadores e a Copa Sul Americana também. A partir de 2006, ele recebeu US$ 600 mil a cada ano", seguiu.

Mas apesar de Burzaco ter mencionado a brasileira Rede Globo, a argentina Torneos e a mexicana Televisa, as apurações detalhavam até o ano de 2015. E as investigações contra os grandes grupos de televisão da América Latina apenas começavam.

Livro de Blatter

Foto: Marca

Em maio deste ano, por exemplo, o próprio ex-presidente da FIFA denunciou que "televisão brasileira" criou uma "caixa-preta" de propina do futebol. A acusação foi publicada em seu livro Ma vérité (Minha Verdade), da editora francesa Éditions Héloïse d’Ormesson, lançado no dia 24 de maio na Europa.

Entre as narrativas das 240 páginas de Blatter contando como ele via os fatos hoje deflagrados no chamado FIFAGate, as artimanhas envolvendo o seu antecessor, João Havelange, e Ricardo Teixeira, como ex-presidente da CBF, e que "descobriu" que o dinheiro de uma emissora de televisão brasileira teria sido desviado para a criação de uma "caixa-preta" no futebol.

Apesar de não mencionar diretamente "TV Globo", Blatter estava se referindo à falência da empresa de marketing esportivo ISL, que vendia direitos de transmissão de jogos e é acusada de pagar propinas incluindo aos cartolas brasileiros. 

Ao descrever como o caso passou a ser investigado, ainda em 2001, pelo tribunal da Suíça, abrindo um processo contra a ISL e realizando buscas na Fifa, Blatter mostrou-se surpreendido com o envolvimento da corrupção no Brasil: "Eu então descubro que uma caixa-preta foi constituída com o dinheiro desviado da televisão brasileira", disse.

Esquema continuou na América Latina

Foto: Reprodução

Mas as novas acusações são ainda mais graves. Porque revelam que mesmo após a deflagração do esquema de corrupção no futebol pelas autoridades suíças e norte-americano, gerando a prisão de cartolas e dirigentes esportivos por todo o mundo, os esquemas de compra de direitos de transmissão seguiram.

Mas gira em torno da mexicana Televisa, após sofrer uma ação de acionistas por supostamente participar de pagamentos de propina para obter os direitos de transmissão da Copa do Mundo deste ano de 2018, de 2022, 2026 e 2030. Somente para a transmissão dos dois últimos, teriam sido pagos pelo menos US$ 7,25 milhões.

Os valores, segundo as novas acusações, eram parte de um total de US$ 15 milhões. Assim, enquanto a mexicana teria investido a metade da quantia da propina, a brasileira Globo e a argentina Torneos teriam entrado com a outra metade.

Os acusadores são membros do Plano de Pensões do Colégio de Artes e Tecnologia, que possui ações da Televisa na Bolsa de Valores de Nova York. Eles afirmam que foram lubridiados. Em um dos casos, em 2013, a Televisa teria conspirado com a Globo e a Torneos para pagar os US$ 15 milhões ao ex-executivo da Fifa, Julio Grondona, pelos direitos de 2026 e 2030 na América Latina.

A mexicana teria usado a filiar suiça Mountrigi Management Group para o repasse ilícito de US$ 7,25 milhões. A íntegra da acusação foi divulgada por Ken Bensinger:

Patrícia Faermann
No GGN
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Juristas internacionais enviam carta sobre 'caráter desleal' de processo contra Lula

Espanhol Baltasar Garzón é um dos signatários de mensagem
à presidenta do STF: 'grande preocupação' com processos
Importantes juristas internacionais enviaram carta à presidenta do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, na qual manifestam grande preocupação com a condução dos processos judiciais contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No documento, eles pedem também uma audiência com Cármen, “se vossa excelência tivesse disposição de nos receber”. Entre os autores da carta, figura o juiz Baltasar Garzón, advogado licenciado em Madri e famoso mundialmente por ter mandado prender o ditador do Chile Augusto Pinochet em 1998.

A carta será enviada também aos presidentes da França, Emmanuel Macron, do governo espanhol, Pedro Sánchez, e ao primeiro-ministro de Portugal, António Costa. O documento, dizem os missivistas, tem o objetivo de “transmitir nossa preocupação frente ao que nos parecem irregularidades sérias que afetam o inquérito policial e o processo que conduziram a recente condenação” de Lula. A preocupação "aumentou com os entraves criados para evitar sua libertação”.

Segundo os juristas, a correspondência é baseada em "diversas fontes". Eles citam vários fatos como argumentação:

* A divulgação pela mídia, "originária do juiz Sérgio Moro, de elementos do inquérito”, como a gravação de uma conversa telefônica entre a então presidente Dilma Rousseff e Lula;

- “As condições criticáveis pelas quais foi anulada a decisão do desembargador Rogério Favreto” (do Tribunal Regional Federal da 4ª Região), que havia concedido habeas corpus a Lula, depois revogado por outros magistrados do TRF4. "Compreendemos que a anulação da ordem foi consequência de uma intervenção ilegal, e fora de qualquer marco processual, do senhor juiz Sergio Moro”;

- “O caráter precipitado, desleal e parcial do processo que determinou a prisão (de Lula), acontecido em uma temporalidade inédita, em comparação à tramitação dos processos do mesmo tipo, material e formal no Brasil.

Os juristas transmitem ainda a Cármen Lúcia a preocupação "sobre os graves prejuízos ao direito de defesa de Lula, ilustrados em particular pela interceptação telefônica de seus advogados”. Eles acrescentam: "Entendemos que estas irregularidades e anomalias, excelência, não são alheias a uma pressão midiática muito forte, alimentada pelo jogo de ambições corporativas e pessoais”.

No documento, apelam à presidenta do STF para garantir o respeito aos princípios que regem o Estado de direito no exame do processo relativo a Lula.

Assinam o documento, além de Baltasar Garzón, os seguintes juristas: William Bourdon, advogado em Paris e fundador da Associação de Defesa das Vítimas de Crimes Econômicos (Sherfa); Mireille Delmas-Marty, professora no Collège de France; Luigi Ferrajoli, jurista emérito da Universidade de Roma; Emílio Garcia Mendes, jurista e professor de psicologia da Universidade de Buenos Aires; Henri Leclerc, advogado licenciado em Paris; Wolfgang Kaleck, advogado licenciado em Berlim e secretário-geral do Centro Europeu pelos direitos Constitucionais e Direitos Humanos (ECCHR); Louis Joinet, magistrado e ex-presidente do Grupo de Trabalho sobre Detenção Arbitrária e da Comissão de Direitos Humanos da ONU; e Jean-Pierre Mignard, advogado licenciado em Paris.

Veja o documento:


No RBA
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O ex-presidente Lula é um preso político?

Minha resposta: depende do enfoque a ser dado a esta questão. Entretanto, será afirmada ao final do texto.

Sob o aspecto meramente técnico e jurídico, a resposta seria negativa. Na verdade, o ex-presidente Lula não foi acusado e condenado pela suposta prática de um crime classificado como político, segundo legislação vigente em nosso país.

Entretanto, não resta mais dúvida de que há um indisfarçável viés ideológico na perseguição a que está submetido o ex-presidente, pelo nosso sistema de justiça criminal (lawfare).

Vale dizer, o Lula está sendo tratado pelo Poder Judiciário e pela grande imprensa como um inimigo ideológico e não como um réu comum, sujeito de direitos processuais e constitucionais.

Juízes, desembargadores e ministros não escondem, e até apregoam, que estão comprometidos com um projeto punitivista e que a interpretação e aplicação do Direito devem atender aos postulados da chamada “Operação Lava Jato”. O que importaria seria o “combate” à corrupção.

Como estes magistrados presumem a culpa do ex-presidente Lula, ele deve ter um “tratamento jurídico especial”. O reconhecimento de sua inocência seria um absoluto desprestigio para a “Lava Jato” !!!

Lula é “perigoso” no sentido político, pois pode trazer novamente ao poder uma corrente ideológica que não é aceita pela maioria do membros do Poder Judiciário e do Ministério Público.

Mais sintomáticas ainda são a prisão e a manutenção da prisão do ex-presidente Lula. Aqui o aspecto político é indisfarçável, tendo em vista tudo o que ocorreu no âmbito do S.T.F. (malabarismos impressionantes) e, mais recentemente, no Habeas Corpus deferido pelo desembargador Rogério Favreto .

Como se tornou pública, a ordem judicial de soltura foi desautorizada por um juiz de férias, que se encontrava fora do nosso país, bem como foi impedida por um outro magistrado que, no domingo, revogou a decisão do magistrado do plantão judiciário. Tudo irregular, às pressas e de forma inusitada (malabarismos impressionantes).

O presidente daquele tribunal jamais escondeu seu apreço pela “Operação Lava Jato” e pela atuação persecutória do juiz Sérgio Moro, cuja sentença condenatória se apressou, na primeira hora, a elogiar de forma pública e contundente …

Destarte, ao ex-presidente Lula, neste momento eleitoral, se nega o sagrado direito da liberdade pessoal, nada obstante o princípio constitucional da presunção da inocência, nada obstante a regra do artigo 283 do Código de Processo Penal e nada obstante a regra do artigo 105 da Lei de Execução Penal.

Vale dizer, ao Lula se aplica um “Direito diferente”, cunhado e formatado pelo punitivismo ideológico que, desgraçadamente, campeia em nossa sociedade, tudo blindado pela grande mídia empresarial.

Resumindo: a) no sentido mais amplo (político e sociológico), o processo e condenação do ex-presidente Lula devem ser considerados políticos; b) em qualquer sentido, inclusive técnico e jurídico, a custódia do ex-presidente Lula é, sem qualquer dúvida, uma prisão política.

Destarte, ouso afirmar: O MAIOR LÍDER POPULAR DE NOSSA HISTÓRIA E MELHOR EX-PRESIDENTE DO BRASIL É UM PRESO POLÍTICO. LULA É UM PRESO POLÍTICO.

Afrânio Silva Jardim, professor associado de Direito Processual Penal da Uerj. Mestre e Livre-Docente em Direito Processual Penal pela Uerj
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As mudanças na Constituição cubana


O povo cubano, que resiste há quase 60 anos aos ataques sistemáticos dos Estados Unidos contra sua soberania e contra o seu direito de se organizar conforme os ditames estabelecidos por uma revolução vitoriosa, participará de grandes debates sobre as mudanças na Constituição. Porque em Cuba a democracia não é igual a democracia burguesa, na qual o povo só é chamado para votar de quatro anos. Lá, antes de votar qualquer grande tema nacional, as comunidades, os movimentos sociais, os grupos organizados, estudam e debatem profundamente as propostas. 

Pois assim será com a Constituição. Primeiro, foi criado um grupo de trabalho na Assembleia Nacional para apresentar um anteprojeto. Esse documento já está pronto e agora será levado para o debate público. Nesse caso específico das reformas constitucionais o governo cubano decidiu abrir o debate também com os cubanos que vivem fora da ilha, para que eles possam conhecer o projeto e apresentar propostas, visto que a maioria dos que estão fora tem família na ilha e se interessa pelos destinos de Cuba. São mais de um milhão e quatrocentos mil cubanos que vivem em 120 países, nos cinco continentes, com maioria radicada nos Estados Unidos.

Essa é uma estratégia importante do governo cubano, uma vez que a dissidência raivosa que vivia em Miami foi praticamente desarticulada depois da morte de alguns dos anti-castristas mais velhos. A nova geração, como aponta o escritor Fernando Moraes, quer se reaproximar do país de seus pais e avós. E é uma geração que também tem conhecimento dos avanços sociais conseguidos em Cuba, avanços esses que são impensáveis nos países onde vivem. Tudo isso ajuda a construção de uma nova visão sobre a ilha. Agora, com a decisão de ouvir os exilados, Cuba busca justamente aproximar esses conterrâneos garatindo a eles e elas voz no processo da nova Constituição.

As discussões no campo popular se estenderão até o mês de novembro e cada cubano e cubana poderá apresentar sugetões que, ao final desse prazo, serão sistematizadas e discutidas na comissão da Assembleia Nacional, para então ser apresentado o projeto final que irá à votação direta e universal.

O texto do ante-projeto é composto por 224 artigos, 87 a mais do que o atual, e está dividido em 11 títulos, 24 capítulos e 16 sessões. As mudanças se referem a elementos da vida prática, que já estavam em andamento em Cuba, mas que ainda não tinham sido regularizados em lei tal como a possibilidade da propriedade privada, o casamento entre pessoas e a autonomia das provincias e dos municípios. São acertos e adequações aos novos tempos de uma Cuba que precisa se reinventar todos os dias por conta de viver sob impossibilidades causadas pelo bloqueio econômico dos Estados Unidos.

As mais barulhentas críticas da esquerda ao ante-projeto estão apontadas no preâmbulo da carta, do qual desaparecem propostas que eram muitos caras aos revolucionários que venceram a luta contra a ditadura e que redigiram com sangue a Constituição. E o grande espanto se dá pela mudança do ponto “Decididos”, que na velha carta diz assim:
“ a levar adiante a revolução triunfadora de Moncada e do Granma, da Sierra Maestra e de Girón encabeçada por Fidel Castro que, sustentada na mais estreita unidade de todas as forças revolucionarias e do povo, conquistou a plena independência nacional, estabeleceu o poder revolucionário, realizou as transformações democráticas, iniciou a construção do socialismo e, com o Partido Comunista à frente, a continua com o objetivo de edificar a sociedade comunista”.
Na nova proposta, o ponto, “Decidimos” diz assim:
“ a levar adiante a revolução triunfadora de Moncada e do Granma, da Sierra Maestra e de Girón encabeçada por Fidel Castro que, sustentada na mais estreita unidade de todas as forças revolucionarias e do povo, conquistou a plena independência nacional, estabeleceu o poder revolucionário, realizou as transformações democráticas e iniciou a construção do socialismo”.
Foi retirado assim, o objetivo de edificar a sociedade comunista.

Também no ponto “Conscientes”, o texto fazia referencia ao comunismo, afirmando que só o socialismo e o comunismo liberam os homens de toda a forma de exploração.

No novo texto, a palavra comunismo foi tirada.

No artigo primeiro, onde diz: Cuba é um estado socialista de trabalhadores, a redação ficou: “Cuba é um estado socialista de direito”.

Para os que já atiram suas pedras no governo cubano, a explicação para essa retirada da palavra comunismo pode estar ancorada outra vez nos dados da realidade, tal qual a reaproximação com os exilados de Miami, coisa até ontem considerada impensável.

Quando a Constituição foi escrita, em 1976, a probabilidade da construção do comunismo estava materialmente dada. Havia revolução na América Latina, na África, a União Soviética estava forte. Ainda que a batalha pudesse ser grande, a possibilidade de emergir uma sociedade comunista era algo factível. Hoje, a situação é radicalmente outra. Não há mais a União Soviética, a China caminha por caminhos totalmente singulares, não há revoluções na América Latina e nem na África. É um tempo novo. A conjuntura é totalmente outra.

Ricardo Alarcón, que já foi presidente da Assembleia Nacional, desde algum tempo vem dizendo e deixando claro que na atual conjuntura Cuba tem procurado – e a duras penas – garantir as conquistas da revolução, tais como educação de qualidade para todos, saúde universal, moradia e segurança. Isso é inegociável e é característico do socialismo. Mas, daí a avançar para o comunismo parece ser uma possibilidade muito remota nos tempos atuais.

É fato que manter na carta magna o horizonte do comunismo poderia ser – ainda que uma realidade não factível no momento – um sendero de esperanças, a aposta na utopia, apontando para esse momento tão esperado na luta dos trabalhadores. Mas, ao que parece, os cubanos preferem não viver de sonhos impossíveis. Eles são – e vem demonstrando isso há 60 anos – pessoas forjadas na dura realidade de sua revolução, avançando a cada obstáculo que lhes é colocado, apenas com as possibilidades que têm à mão.

Foi assim que enfrentaram as tentativas de invasão, o terrorismo, as tentativas de assassinato de Fidel, o estrangulamento durante o período especial quando tudo parecia perdido. Cada desafio era conhecido por todos e as formas de superar dadas pela própria população organizada.

Agora, Cuba caminha com novos obstáculos. A velha geração da revolução está desaparecendo. Pela primeira vez o presidente da nação é de uma geração que não lutou na “sierra”. Díaz-Canel estava nascendo quando os revolucionários entraram em Havana e há milhares de jovens cubanos com novas aspirações. A realidade vai impondo mudanças a essa plasticidade típica do povo dessa ilha do Caribe, capaz de superar situações inimagináveis, capaz das maiores façanhas, afinal, não é para qualquer um manter-se vivo e garantir vida digna a todo um povo, sendo constantemente atacado pelo maior império do planeta. Com as mínimas condições, nas mais adversas situações, os cubanos vêm garantindo um padrão e uma qualidade de vida que não tem parâmetros no globo.

Agora, arrancando no século XXI, sob a batuta dessas novas gerações forjadas na resistência, eles vão atravessar novas tormentas. É pena que não esteja ali, na Constituição, a proposta de um avanço para o comunismo, pois, afinal, ter esse “lá-na-frente” verbalizado é mais do que simbólico: é a indicação de um caminho. Mas, de qualquer forma essa utopia vive em cada mente e cada coração daqueles que, cotidianamente, garantem as importantes conquistas que vieram com a revolução generosa e socialista.

É certo que, para os comunistas, o comunismo não é uma palavra vazia, aprisionada num texto, mas sempre é necessário fazer ela andar, para que as pessoas se lembrem de que é possível. O comunismo é a força do comum, é um lugar concreto, no tempo e no espaço, ainda não construído, é fato. Mas, que virá, porque a humanidade precisa dele.

E assim, com todas as limitações ditadas pela realidade concreta, o novo projeto de Constituição já está caminhando pela ilha, de mão em mão, de conversa em conversa e caberá ao povo cubano decidir, como sempre, soberano.

Elaine Tavares
No Desacato
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Quatro anos perseguindo Lula e Moro não apresentou provas contra ele


Se há provas de crime de Lula, elas não apareceram. Esse é o ponto. Não se ouviu uma gravação que mostrasse Lula envolvido em falcatruas como ouvimos de Temer e Aécio, com direito ainda a vídeos com malas de propina pra lá e pra cá.

Ninguém é ingênuo de acreditar que Moro só grampeou Lula no dia em que Dilma ligou pra ele. Moro ainda usou criminosamente essa ligação para fazer política em parceria com a Globo, no jogo do golpe que estava a caminho.

Certamente, Lula foi o sujeito mais grampeado pela Lava Jato, mas, ironicamente, esses grampos provam que Lula não tem o que esconder,pois, do contrário, Moro já teria feito um carnaval com as gravações. Se não fez, é porque não conseguiu o que queria em sua garimpagem dos grampos em Lula.

O fato é que Moro, não tendo qualquer prova contra Lula, apelou para o disse me disse de delatores combinados com a força tarefa em troca de liberdade e, talvez, um cadiquinho de dinheiro para a indústria da delação, como denunciou Tacla Duran.

Mas provas, Moro não apresentou sequer um resquício.

Tudo foi feito no empurrão, no grito, na panaceia midiática da Globo em parceria com Moro.

Não há prova alguma.

A Lava Jato é um saco de mentiras.

Moro sabe que mente sobre a condenação de Lula.

O Brasil está cada dia mais convencido de que o juiz é que está cometendo crime em prol dos políticos tucanos para saírem vitoriosos nas próximas eleições.

Só que essa conjugação de forças entre Globo, Moro e PSDB, está dando com os burros n’água.

Alckmin, o candidato da Globo e da Lava Jato está com 1% nas pesquisas enquanto Lula com 33% ganha a eleição no primeiro turno.

Não há como baralhar mais o jogo. Todas as manobras “jurídicas” de Moro, Fachin e Cármen Lúcia já foram desmascaradas.

Estão indo para o tudo ou nada, no desespero de quem se entrega numa luta contra a democracia para manter a plutocracia no poder.

Pior, ninguém sabe o que será do Brasil se Lula for impedido de ser candidato por uma manobra canalha do MPF e de parte podre do judiciário.

A ver…

Carlos Henrique Machado
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O caminho mais seguro para derrotar Bolsonaro é óbvio, mas há quem prefira flertar com o apocalipse


Prezado (ou desprezado) Futuro,

escrevo dois meses antes do primeiro turno da eleição presidencial. Tenho cá meus prognósticos, a despeito das ventanias que desarrumam o céu no instante em que se imagina que a calmaria veio para ficar.

Como observava o governador, ministro e banqueiro Magalhães Pinto, política é como nuvem. Quando se olha, está de um jeito. Daqui a pouco, de outro. Faltou dizer: o olhar varia conforme os olhos de quem olha, pois as nuvens iludem feito holograma ou desenho cubista. Depende da esquina de onde se vê.

Treze candidatos largaram na corrida de tiro curto. O pelotão com chance de passar à final reúne Luiz Inácio Lula da Silva (ou o por enquanto vice de sua chapa, Fernando Haddad, ambos do PT), Jair Bolsonaro (PSL), Geraldo Alckmin (PSDB), Marina Silva (Rede), Ciro Gomes (PDT) e Álvaro Dias (Podemos).

Não colherão fartura de votos, mas farão barulho Guilherme Boulos (PSOL, de esquerda-esquerda, tipo zagueiro-zagueiro), João Amoêdo (Novo, primo brasileiro do movimento Tea Party norte-americano) e Henrique Meirelles (MDB). Também aparecerão na urna João Goulart Filho (PPL, filho do presidente golpeado em 1964), José Maria Eymael (DC, com jingle-chiclete), Cabo Daciolo (Patriotas) e Vera Lúcia (PSTU).

Aí no seu tempo, seu Futuro, talvez meu vaticínio se revele desmiolado. Aqui no meu, as nuvens se descortinam assim: o candidato de Lula é o favorito para liderar o primeiro turno em 7 de outubro – ele próprio, se a Justiça permitir, ou provavelmente Haddad, com Manuela D’Ávila, do PC do B, como vice. O petista se confrontaria com quem prevalecesse na iminente carnificina entre Bolsonaro e Alckmin.

Para Lula e Haddad, seria preferível encarar Bolsonaro. O último round com Alckmin seria mais renhido, porque os seguidores do deputado sufragariam em peso o oponente do PT. Contra o candidato da direita babona de gravata, uma parte do eleitorado tucano iria de Lula.

O raciocínio se aplica a Alckmin, que ganharia votos lulistas para impedir a ascensão de um governante fascista. O pior cenário para o ex-governador seria o quinto cabo de guerra com o PT: nas últimas quatro eleições, o PSDB estrepou-se.

Para a democracia, o melhor é eliminar logo Bolsonaro. Nas urnas, não no tapetão.

‘A Justiça é cega, mas o juiz não é’

Na projeção para o 28 de outubro, o torneiro mecânico aparenta mais punch para nocautear o capitão. É o que argumentam as pesquisas, embora elas distorçam: é possível que entrevistados temam manifestar voto no ex-presidente por receio de que ele seja barrado. Para não desperdiçar a escolha, mencionam uma alternativa. Sem a ameaça do garrote, a intenção de voto em Lula seria maior.

No Datafolha mais recente, as simulações de segundo turno o flagram 17 pontos à frente de Bolsonaro, que também é superado por Marina (10 pontos). O extremista empata com Alckmin numericamente e, na margem de erro, fica atrás de Ciro. Derrota Haddad, cujo vínculo com Lula não foi informado aos entrevistados, por 9.

Para escapar do apocalipse, ou da consagração da barbárie contra a civilização, o caminho mais seguro é Lula. Isso não implica apoiá-lo compulsoriamente, e sim reconhecer seu direito democrático de competir. Contra ele, pugnam não apenas os bolsonaristas fanáticos, apelidados pejorativamente de bolsominions. Empenha-se igualmente quem, mesmo sem se assanhar por Bolsonaro, rejeita ainda mais o petista que atormenta tantos sonos.

Na Justiça, a maiúscula designa o Poder, e não grandeza. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Luiz Fux, apressou-se: antes da inscrição da candidatura Lula, assinalou em despacho que o ex-presidente sofre de “inelegibilidade chapada” (significa “evidente”, e não sob efeito de erva bandeirosa). No Pará, o ministro cansou-se das aparências: “Eu sei que a Justiça é cega, mas o juiz não é”.

Na imprensa, parcela da fina flor do colunismo político renova a fuzilaria contra Lula, poupando Bolsonaro. Alguns jornalistas preferem o deputado em sétimo mandato ao regresso do viúvo de Marisa Letícia ao Planalto. Não demora, e o fogo se voltará contra o militar. Quanto mais ele resistir ao avanço de Alckmin, e Haddad (ou Lula) tangenciar o segundo turno, mais apanhará. A mídia mais influente é Alckmin, não Bolsonaro. Dois sócios do impeachment de Dilma Rousseff não cabem juntos na urna do fim de outubro – a tela exibirá o retrato de um opositor do golpe.

Bolsonaro não é burro

Nenhum candidato encarnaria hoje como Marina Silva o espírito das Jornadas de Junho, não fosse o pós-2013. Ao sucumbir ao beija-mão de Aécio Neves e afiançá-lo na decisão de 2014, a ex-ministra desbotou seu discurso de aversão à contenda entre tucanos e petistas. Apequenou-se, coadjuvante do PSDB, como se apequenaria se optasse por Dilma. Plantam notícias de que ela espera abiscoitar votos do lulismo. De que maneira, se bateu palmas para o impeachment e para a prisão de Lula? Marina deve se limitar a 3% do tempo da propaganda na TV, contra 44% de Alckmin.

Aécio Neves, candidato do PSDB à Presidência da República em 2014, beija mão da candidata derrotada da Rede, Marina Silva.
Aécio Neves, candidato do PSDB à Presidência da República em 2014, beija mão da candidata derrotada da Rede, Marina Silva.
Foto: Joel Silva/Folhapress

A assimetria também castiga Ciro Gomes, dono de 5% do horário eleitoral. Seus percalços não decorrem da língua afiada (Bolsonaro fatura com o destempero), mas da identidade política difusa: que interesses sociais o ex-ministro representa ou pretende representar? Namoraram sua campanha próceres do DEM (ACM Neto), do PT (Jaques Wagner), do centrão/direitão (PP em especial) e do PC do B (Flávio Dino).

Em fevereiro, Ciro afirmou que “a natureza do PT, assim como a do escorpião, é afundar sozinho”. Desejava de fato uma aliança? Na sexta-feira, declarou que a cúpula do partido de Lula embarcou “numa viagem lisérgica”. Na segunda, em conversa com empresários, disse que “querem resolver a eleição nos gabinetes ou em celas”.

Ainda carente de votos, Geraldo Alckmin é o candidato predileto do empresariado parrudo (seguido por Bolsonaro, pujante no agronegócio). Mas não tem a cara do país conflagrado de 2018, nem a do de cinco anos atrás. Seu gosto é de sacarina, não de açúcar. É correligionário de Aécio Neves, que encolheu como tecido barato em máquina de lavar. O neto de Tancredo, que amealhou 51 milhões de votos em 2014, tentará uma cadeira na Câmara. Pipocou do mano a mano com Dilma pelo Senado.

Alckmin vai rivalizar com Bolsonaro pela condição de antipetista mais furibundo. Na batalha pelo mesmo eleitorado, escalou como vice a senadora Ana Amélia, veterana de bajulação da ditadura nos programas da antiga da TV Gaúcha, do grupo RBS. Ela confunde a emissora jornalística Al Jazeera com o grupo terrorista Al Qaeda. Se o capitão é o favorito dos eleitores evangélicos, Alckmin se vincula à Opus Dei, prelazia católica ultraconservadora, vilã do filme O código Da Vinci.

Convenção Nacional do PSDB lança Geraldo Alckmin como candidato a presidente nas eleições de 2018. A senadora Ana Amélia (PP-RS) será candidata a vice-presidente.
Convenção Nacional do PSDB lança Geraldo Alckmin como candidato a presidente nas eleições de 2018. A senadora Ana Amélia (PP-RS) será candidata a vice-presidente.
Foto: Mateus Bonomi/Agif/Folhapress)

O tucano escancarou seus laços com Michel Temer quando o presidente empurrou o centrão para o colo do PSDB. Não haviam deposto Dilma em nome da decência no trato da coisa pública? Henrique Meirelles é fachada; o candidato de Temer é Alckmin.

Bolsonaro é ignorante, mas não é burro. Seu maior desafio a partir de 31 de agosto será sobreviver à raquítica presença na TV. Alckmin terá 39 vezes mais tempo, estimou o Valor: 5 minutos e 33 segundos contra 8 ou 9 segundos em cada bloco de 12 minutos e meio. O postulante do Partido Social Liberal, nona sigla a que se filia, não desidrata. Tem pregado para convertidos, os que o aclamam “Mito”.

No “Roda Viva”, relacionou o aumento da mortalidade infantil à saúde bucal das gestantes. Hoje, tal tolice engorda o anedotário político. Amanhã, com Bolsonaro presidente, seria pesadelo. Na Globonews, ele admitiu privatizar a Petrobras. Completou sua chapa com o general da reserva Antonio Hamilton Mourão, arauto da intervenção militar.

Hamlet ou Tiririca?

Anunciaram, no domingo, o vice provisório de Lula. Se o ex-presidente tiver o registro negado pelo TSE, Fernando Haddad assumirá a cabeça da chapa, com a deputada Manuela D’Ávila se incorporando a ela. Para o plano B prosperar, Lula precisará transferir votos em profusão. Seria surpreendente o ex-prefeito não receber ao menos um bocado deles _daí o meu prognóstico para o primeiro turno. A dobradinha mais previsível na reta de chegada é Haddad-Manuela. A outra hipótese é Lula-Manuela. Em qualquer situação, Manuela concorrerá como vice.

Da sua cela na rua Professora Sandália Monzon, 210, em Curitiba, Lula orientou as tratativas do seu partido. Obteve a neutralidade do PSB, que estava na bica de compor com Ciro. Em troca, o PT sacrificou a candidatura de Marília Arraes ao governo de Pernambuco. A vereadora desafiava a reeleição do pessebista Paulo Câmara ao Palácio do Campo das Princesas. Ela sairá para a Câmara dos Deputados. Na quinta-feira, um artigo-obituário na revista Forbes dera Lula “acabado como político”.

A realpolitik petista é arraigada. Um dos motivos de a seção fluminense do PSOL ser a mais poderosa são as intervenções da direção nacional do PT que levaram a agremiação a aderir e tabelar com políticos do naipe de Anthony Garotinho, Sérgio Cabral e Jorge Picciani. No Maranhão, o PT respaldou a oligarquia Sarney.

Neste ano, no Ceará, vetou ao senador petista José Pimentel a tentativa de reeleição, em benefício do emedebista Eunício Oliveira e do pedetista Cid Gomes. Em Alagoas, coligou-se com o MDB do governador Renan Calheiros Filho. O mote “Eleição sem Lula é fraude” não passou de bravata. “Se você conhece uma pessoa muito idosa esquerdista, é porque está com problema”, disse em 2006 o então presidente.

No governo, o PT reeditou males que criticava, incluindo a corrupção. Em 14 anos, preservou a concentração de riqueza; os bancos acumularam lucros recordes. Por que, então, Lula mantém inigualável prestígio popular? Porque os petistas melhoraram a vida de dezenas de milhões de brasileiros, sobretudo dos mais pobres. Para a elite nacional, fundada na infâmia escravocrata, é inadmissível dividir um pouco, mesmo um pouquinho. É das mais egoístas e perversas do planeta. Daí o ódio ao PT, partido moderado, a considerar os padrões históricos da esquerda.

Por falar em escravidão, o vice de Bolsonaro disse anteontem que o Brasil herdou a “indolência” dos índios e a “malandragem” dos africanos.

A desembargadora que compartilhara em março mensagem mentirosa sobre ligação de Marielle Franco com o Comando Vermelho divulgou sua torcida eleitoral. “Go Bolsonaro Go!!!”, foi a manifestação mais contida de Marília de Castro Neves.

Diga lá, caro Futuro, isso tudo é Hamlet ou Tiririca?

Mário Magalhães
No The Intercept
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Bolsonaro propõe barbaridades na educação


Para Paulo Freire, patrono da educação brasileira

Tem gente que pensa que a candidatura de Bolsonaro é um problema exclusivo da direita e, do ponto de vista eleitoral, realmente é. Isso porque o candidato da continuidade do golpe e de suas políticas neoliberais, que é o tucano Geraldo Alckmin, e o candidato formal do golpe, que é Henrique Meirelles, terão que disputar parte dos eleitores conservadores com a extrema direita e sua truculência.

Entretanto, a democracia e os direitos humanos são princípios inegociáveis. Tratam-se de valores civilizatórios que devem ser defendidos por toda a sociedade, sempre. A democracia é um regime de governo tão fantástico que permite até aqueles que a ameaçam e a agridem, defensores da ditadura militar e de uma suposta intervenção militar, serem candidatos. E ainda, os que acreditam que a formação do povo brasileiro está relacionada à “indolência dos indígenas e à malandragem dos africanos” disputarem o voto popular, de uma população majoritariamente afrodescendente.

O próprio candidato apoia publicamente notórios torturadores, como no caso do voto que proferiu, no plenário da Câmara dos Deputados, em razão do golpe contra a presidenta Dilma. Também pediu, no passado recente, o fuzilamento dos que defendiam as privatizações, que, agora, ele próprio apoia incondicionalmente.

Mas, entre tantas barbaridades, o que mais choca são as propostas para a educação. Sob o falacioso pretexto de combater o marxismo e implantar uma proposta educacional obscurantista, homofóbica e preconceituosa, inspirada na chamada “escola sem partido”, o candidato propõe a descabida troca da educação presencial pela educação à distância, em todos os níveis de ensino.

No ensino fundamental ainda temos um imenso desafio para a alfabetização, o exame que introduzimos, em 2012, de Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA), revelou que 22% das crianças não leem, 34% não escrevem e 54% não dominam os princípios básicos da aritmética, até os oito anos de idade, como deveriam. E 75% dessa defasagem está concentrada em crianças que vivem em situação de pobreza, na periferia das grandes cidades, semiárido nordestino e população ribeirinha da Amazônia. Iniciamos um imenso esforço de cobertura para creches e pré-escola para fortalecer o processo de aprendizagem e convivência, especialmente para esse público das crianças de famílias pobres e não letradas, que estão concentradas em 180 mil escolas. Lançamos o Pacto Nacional para Alfabetização na Idade Certa (Pnaic) assegurando material pedagógico, uma bolsa de estudos e um programa de formação continuada, em parceria com as universidades públicas, para todos os 300 mil professores e professoras alfabetizadoras. Paralelamente, avançamos na escola de tempo integral, complementando a formação com reforço em português e matemática, com mais atividades de educação física e artes. O Ideb tem avançado acima do esperado nos anos iniciais do ensino fundamental. E a grande dificuldade está nas escolas em regiões de pobreza, onde falta muito, inclusive banda larga e internet.

Pois bem, o candidato quer tirar as crianças do processo de convivência e de aprendizagem na escola e substituir por educação à distância.

Essa proposta já está presente na reforma do ensino médio do governo do golpe, que pretende substituir parte substancial da grade curricular por ensino à distância, efetivar a inaceitável privatização do Fundeb, sem qualquer controle de qualidade, quando todos sabem das carências de recursos e de investimentos em grande parte das escolas públicas brasileiras.

Na prática, o que o candidato está defendendo é a liberação desenfreada da educação à distância com o claro objetivo de privatizar a educação pública. O pior é que esse disparate vem acompanhado da flexibilização da ação do Estado na regulação e no controle da qualidade, com o fim da exigência de fiscalização sobre os polos presenciais no ensino superior e a oferta de cursos técnico-profissionalizante que não constem no Catálogo Nacional de Cursos Técnicos, como está ocorrendo no governo Temer.

Sem qualquer controle de qualidade sobre as instituições e os conteúdos que serão oferecidos pela modalidade a distância, vivenciaremos uma segregação educacional selvagem. É a institucionalização de um verdadeiro apartheid educacional, entre os alunos das escolas privadas com ensino presencial e da escola pública com ensino à distância, que esteve muito presente na história do Brasil.

A expansão da educação hibrida, que combina a presencial e a distância, vem ocorrendo em todo o mundo, mas com acompanhamento dos critérios de controle e de qualidade. As novas tecnologias devem ser utilizadas como complemento da jornada escolar, ou seja, para aprimorar a relação professor-aluno, para enriquecer a convivência escolar e para inserir os alunos na sociedade do conhecimento. Foi para isso que ampliamos o número de laboratórios de informática nas escolas e distribuímos tabletes para professores do ensino médio. As novas tecnologias digitais não devem esvaziar as escolas, a pretexto de uma patrulha ideológica fundamentalista e descabida.

Além disso, a convivência escolar é fundamental para a formação dos nossos estudantes. A escola é um ambiente de descoberta do conhecimento, do convívio com a diversidade, a cultura e a formação, tendo como complementação o ensino das artes e da educação física. A escola deve preparar para a vida em um sentido amplo, familiar, social e profissional. Nas periferias dos grandes centros urbanos, em que violência e as drogas estão tão presentes, a exclusão do ambiente escolar é um imenso e perigoso atraso civilizatório e um aumento do risco para as crianças, os jovens e suas famílias.

O candidato realiza um ataque permanente à discussão sobre a diversidade nas escolas, contribuindo para o aumento do preconceito e do obscurantismo. Acontece que, por mais que alguns queiram negar, há diversos casos de crianças que sofrem com o bullying e que voltam para casa chorando, todos os dias, vítimas de agressões, em razão da intolerância. Por isso, a escola deve ser acolhedora, permitindo a convivência respeitosa com todas as diferenças.

Bolsonaro também declarou, recentemente, que usaria um lança-chamas para queimar e retirar os simpatizantes do patrono da educação brasileira, Paulo Freire, do Ministério da Educação. Conheci Paulo Freire quando ele voltou do exílio, no final dos anos 70 e dávamos aula na PUC/SP. Um intelectual brilhante, denso, criativo, inovador e uma pessoa delicada, respeitosa, que sempre tinha algo a ensinar, em cada frase, em todos os gestos.

Além de ser o brasileiro com maior número de títulos de doutor honoris causa em todo mundo, Paulo Freire é um homem que dedicou sua vida à educação e deu uma contribuição inestimável para o país, a partir da construção da pedagogia libertadora para a educação na alfabetização de jovens e adultos. Ele passou parte importante de sua vida no exilio forçado, para superar a perversa herança histórica do analfabetismo. É só lembrar que em 1920, 75% da população brasileira era analfabeta.

Em vida, Paulo Freire foi perseguido pela ditadura militar, que exilou, torturou, censurou e amordaçou a democracia brasileira. Agora, já morto, tem sua memória e sua obra afrontadas por um candidato à presidência da República, que agride recorrentemente o Estado democrático de direito. Mas, assim com a luta democrática derrotou a ditadura militar, nas eleições de 2018, com o voto popular, vamos derrotar os candidatos dos golpes, todos eles, sejam do golpe de 1964 ou 2016.

Aloizio Mercadante, economista foi ministro da Educação
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Comunicação de Bolsonaro não sensibiliza perfis fora de sua rede


Na semana em que a exposição na mídia tradicional aumentou, a comunicação do deputado Jair Bolsonaro falhou em potencializar sua relevância positiva e o alcance de sua mensagem no Twitter. As métricas da pesquisa da AJA Solutions indicam que a fatia de visibilidade e relevância (R&V) de seu perfil cresceu entre seus seguidores, mas sua mensagem não conseguiu sensibilizar os demais usuários que acompanham as eleições no Twitter. Quando sua visibilidade rompeu os limites de sua rede, atraiu forte sentimento negativo, que superou largamente o apoio de seus seguidores.

Conhecidas táticas de ações coordenadas vêm sendo usadas para promover Bolsonaro no Twitter desde a semana passada, como revelam as métricas da pesquisa, a análise dos mapas gerados pelos algoritmos com as interações da rede e o salto repentino do padrão de curtidas e retuítes de seus posts. Essas táticas vêm funcionando por meio de grupos de fiéis seguidores – incluindo perfis que podem ser comparados aos cabos eleitorais das eleições tradicionais. Esse grupos curtem e retuitam em massa as postagens, promovendo hashtags e o perfil, para aumentar a visibilidade. O resultado deveria ser naturalmente um aumento de relevância da mensagem. No caso de Bolsonaro, sua visibilidade cresceu entre seus apoiadores nesta semana, mas teve ressonância negativa quando conseguiu chegar a perfis de fora de sua órbita.

A taxa de eficiência da comunicação de Bolsonaro tem sido baixa nos últimos meses e não melhorou mesmo com as mudanças táticas adotadas. Nesta semana, a falha na comunicação foi provocada em parte pela estratégia adotada por perfis de outros candidatos, de seus seguidores ou de opositores ao deputado, que evitaram até mesmo mencionar o nome Bolsonaro nos ataques a ele e em memes.

Outros dois fatores que mais contribuíram para que a tática das ações coordenadas fosse ineficaz são: um erro da comunicação do perfil @jairbolsonaro no Twitter, com um tuíte, em 30 de julho, reclamando de uma matéria que ele equivocadamente atribuiu ao jornal francês Le Monde, quando na verdade tinha sido publicada pelo Tribune de Genève, da Suíça; e sua entrevista ao Roda Viva, também no mesmo dia. Juntos, os dois fatores geraram 62% da visibilidade de Bolsonaro na semana, mas tiveram predominância de rejeição e sentimento negativo.

O erro do tuíte sobre a notícia do Tribune de Geneve provocou apoio de parte de seus seguidores, mas engajamento negativo fora de sua rede. Contribuiu para o sentimento negativo, uma crítica de um influenciador da rede sobre o erro. Só o tuíte desse influenciador gerou visibilidade negativa correspondente a mais de 20% do total de R&V obtido por Bolsonaro na semana. Já os tuítes do perfil e as reações sobre a entrevista do deputado na TV Cultura foram apoiados por uma parcela do seu grupo de seguidores, mas o sentimento negativo correspondeu a quase ⅔ do total de ressonância gerada.

Em 2º no ranking de relevância e visibilidade da semana ficou Manuela D’Ávila, candidata do PC do B. Sua fatia no total de R&V aumentou 7,8 pontos percentuais, com predomínio de sentimento positivo. As métricas indicam também que ela conseguiu fazer sua mensagem ir além de sua rede de seguidores e a taxa de eficiência de comunicação do perfil dela no Twitter está entre as mais altas da semana.

Entre os políticos que têm boas posições nas pesquisas de intenção de voto, o ex-presidente Lula ficou em 3º, com queda de quase quatro pontos percentuais de sua fatia de R&V em relação à semana passada. Marina Silva (Rede) ficou em 6º, Ciro Gomes (PDT) em 7º e Geraldo Alckmin (PSDB) em 8ºDos quatro, apenas Lula ficou acima do patamar de relevância – piso a partir do qual a mensagem do candidato tem ressonância e potencial para persuadir potenciais eleitores no ecossistema das eleições no Twitter.

Entre os candidatos com menos votos nas pesquisas de opinião, Guilherme Boulos (PSOL) ficou em 4º lugar, com perda de mais de cinco pontos percentuais de sua fatia de R&V, mas ainda ficou acima do patamar de relevância. João Amoêdo (Partido Novo) ficou em 5º, sua fatia de R&V perdeu 2,6 pontos percentuais e ele caiu abaixo do patamar. Álvaro Dias (Podemos) ficou em 9º lugar com R&V muito  baixa e em 10º, Henrique Meirelles (MDB), com visibilidade irrelevante.

Nesta semana, a pesquisa da AJA analisou mais de 1,2 milhão de interações entre mais de 470 mil usuários no ecossistema das eleições no Twitter. Os mapas de relevância e visibilidade e de influência e afinidade dos pré-candidatos revela os erros, acertos e os caminhos que podem ser feitos para ganhar relevância na rede.

Maria Luiza Abbott e Marcelo Stoppa, jornalistas
No Os Divergentes
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Patrimônio da Ana Relho aumentou 306% em oito anos


A senadora Ana Amélia Lemos (PP-RS) passou por um período de prosperidade econômica entre 2010, ano em que entrou na política e se elegeu pela primeira vez ao Senado, e 2018, quando concorre a vice-presidente na chapa de Geraldo Alckmin (PSDB).

Conforme o detalhamento dos bens da pepista, divulgados nesta quarta-feira, 8, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o patrimônio dela passou de 1.262.198,42 reais em 2010 para 5.125.983,92 reais em 2018, um avanço de 306% no período. Alckmin declarou ao TSE bens avaliados em 1.379.131,70 reais na eleição deste ano.

No informe à Justiça Eleitoral, a maior parte do valor em bens de Ana Amélia, 3 milhões de reais, está concentrada em cinco apartamentos, sendo o mais valioso deles avaliado em 1,8 milhão de reais. Há também duas casas, uma de 240.000 reais e outra de 200.000 reais, duas lojas (139.758,98 reais e 174.537,93 reais), um veículo (119.851,88), aplicações de renda fixa (426.521 reais) e um fundo de previdência VGBL (351.428,74 reais).

No mesmo período, entre 2010 e 2018, enquanto Geraldo Alckmin foi governador de São Paulo, o patrimônio dele passou de 960.960,73 reais para 1.379.131,70 reais, um crescimento de 43,5%. Em 2014, quando ele se reelegeu ao Palácio dos Bandeirantes, seus bens estavam avaliados em 1.069.498,27 reais.

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Ana Relho


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As figuras referenciais no reino da hipocrisia


Uma análise histórica das crises nacionais revelaria o seguinte

1. Fases de turbulência e de perda de referenciais. Morre o velho sem o que o novo tenha sido criado, gerando a grande crise.

2. Em períodos de estabilidade, o processo de criação de reputações é lento. Na transição, especialmente quando surgem novas formas de comunicação – como o rádio, nos anos 20, e as redes sociais, agora – a construção de reputações muda de padrão. Surgem novos personagens, dando um bypass nos caminhos tradicionais, esboroando a hierarquia anterior e abrindo espaço para novas celebridades.

3. Sem referenciais, há uma disputa selvagem pelo novo protagonismo. É a chamada síndrome da teoria do caos. Se o caos é completo, sem nenhuma espécie de pré-requisitos, se não é mais pré-condição a erudição, os diplomas, a hierarquia, a biografia, porque não eu, Zebedeu? A meritocracia entre juízes, procuradores, delegados em geral, Ministros do Supremo não se dá mais no terreno especializado das respectivas corporações, mas na qualidade de aparecer na mídia.

4. Esse processo se torna mais agudo devido à crise de confiança na racionalidade que supostamente imperava no mundo que acabou. Hoje em dia, uma meme de rede social vale mais do que a verborragia – muitas vezes vazia – dos velhos personagens.

5. Em algum momento, novos valores se consolidarão, como os positivistas gaúchos nos anos 30, o MDB dos anos 80. Haverá uma reorganização inicial no mercado de ideias, uma reconstrução penosa de valores, que, pouco a pouco, irão entrando pelas instituições, criando um novo normal até a crise seguinte.

Na transição, mais do que em qualquer outro, as figuras referenciais se tornam imprescindíveis. Cada instituição precisa do seu estadista, da sua figura referencial que impeça o esboroamento dos valores constituídos ao longo de décadas.

A figura referencial precisa ter historia coerente, clareza sobre o chamado interesse público ou nacional; desprendimento para não se contaminar pelo oportunismo, grandeza para sobrepor os princípios ao lero-lero do dia a dia e coragem para investir contra a voz da besta.

O Brasil anda tão carente dessas figuras que ontem Elio Gáspari tentou transformar Rosa Weber, a frágil Rosa Weber, em um monumento de solidez. Por falar pouco e ter tido a suprema coragem de derrubar a sentença de um juiz de 1a instância, nos cafundós do país, pretendendo impedir que os serviços públicos atendam  venezuelanos no país.

Eça de Queiroz consagrou personagens que falavam pouco - e nada diziam. Gaspari acredita piamente silêncio dos acacianos.

Como jabuti não sobe em árvore, é de se indagar qual o condicionamento pavloviano que se pretende impingir na frágil Rosa. Porque nesses tempos de perda de rumo, de alarido infernal, o exercício predileto de alguns colunistas e veículos é o direcionar votos de Ministros. É o que explica Merval Pereira, a voz mais oficiosa dos Marinhos, requerer o cancelamento da inscrição do PT nas próximas eleições.

E não são apenas os tribunais que seguem o clamor das ruas e os ventos medievais. 

O MPF tem uma luta épica histórica contra a lei da anistia. O combate à tortura deveria ser cláusula pétrea em sua hierarquia de valores. No entanto, há procuradores na rede enaltecendo Brilhante Ustra, o mais notório do torturadores. E nada acontece, sequer a censura moral de seus colegas, muito menos sanções dos conselhos de classe. 

Entrou-se definitivamente no reino da hipocrisia, que marca a última etapa da transição.

No Supremo, bravos Ministros votam em defesa da Constituição, desde que haja garantia de maioria para o votos em favor do golpe.

Esse mesmo jogo de cena se dá nos inquéritos da Procuradoria Geral da República. 

O caso da conta de Aécio Neves em Liechtenstein está na PGR desde 2010. Mesmo com a lista da Odebrecht, com a delação detalhada de como recebia as propinas de Furnas, o então PGR Rodrigo Janot recomendou o arquivamento da denúncia, enquanto investida destemidamente contra Lindbergh Farias e Gleisi Hoffmann.

Apenas após o grampo da JBS, Janot solicitou acesso à conta, através da cooperação internacional.

Semana passada, a Policia Federal apresentou seu inquérito sobre Aécio, sem levantar uma prova sequer. Em função disso, o Ministro Gilmar Mendes arquivou o inquérito.

Em seguida, a PGR cumpriu burocraticamente sua missão de questionar o arquivamento, argumentando que a PF não tinha provas porque ainda não consultara a conta. E a decisão de Gilmar proibia de consultar. Não explicou porque a conta jamais foi entregue à PF antes da decisão e Gilmar. E porque a Globo é mencionada em inquéritos da Espanha, Suíça e Estados Unidos sobre os escândalos da FIFA, e continua imune à ação do MPF.

Muitas vezes, vozes sensatas se indagam a razão desses personagens não zelarem por sua biografia. É que eles não têm o menor sentimento de história, de país, da própria instituição. É como se pudessem entrar na próxima etapa vitoriosos e, portanto, com a sua biografia zerada, da mesma maneira que os Ministros que julgaram Olga Benário os ou coronéis que conduziam os IPMs da pré-ditadura.

Esse jogo de cena é mantido pela Associação Nacional pela Hipocrisia, um órgão supra-institucional que se garante pela máxima “sou, mas quem não é?”.

Chegará o momento em que a bolha será furada. E aí, será possível que, 25 anos depois, se ouça alguma autocrítica, sincera como foi a da Globo sobre o apoio à ditadura.

Luís Nassif
No GGN
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Mais um risco

Ou o PT vence a eleição presidencial ou Lula dependerá de Ciro Gomes — por ele rejeitado na hipótese de uma aliança fortíssima — para não ser dado como responsável pela entrega do país à direita mais do que retrógrada. Tal risco está perceptível na perplexidade dos possíveis eleitores anticonservadorismo e, mais ainda, na dos petistas.

Se Lula e o PT cedo se convenceram de um difuso propósito de impedir-lhes a volta ao poder, faltou que se preparassem para essa adversidade. Não faz diferença se assim foi porque Lula não imaginasse a dureza do obstáculo judicial ante seus recursos.

Ou tenha usado a ideia de candidatura como possível razão para tirá-lo da cadeia. Ou que outro motivo o fez bloquear caminhos diferentes. O resultado é a confusa divisão da hierarquia do PT em obedientes passivos e diferentes linhagens de insatisfação. Na ocasião mais inconveniente.

A proposta de ter Ciro Gomes como vice de Lula e o plano frustrado de Jaques Wagner, desejoso de ser o vice de Ciro, são dois dos vários exemplos das alternativas surgidas na cúpula do PT e recusadas por Lula.

Em torno desses insucessos esteve sempre o desconhecimento do que seria, ou deveria ser, a tática formulada por Lula para levar o PT ao êxito eleitoral. As várias sugestões abortadas comprovam o desconhecimento.

A situação dramática que Lula vive na Lava Jato faz com que as insatisfações e apreensões fiquem guardadas em seu território no partido. Mas os reflexos, sob formas que começam no pasmo e não se sabe onde terminam, estão bem à vista. Ao que levam ou não levam, e aonde levam Lula, têm 60 dias para mostrar.

Variadas

1 - Geraldo Alckmin e o PSDB continuam desnudando-se. Seu apoio a Fernando Collor para o governo alagoano é voltar à campanha pelo impeachment do então presidente. Mas, agora, do outro lado. E não por excesso de desejo de poder. É falta de outra coisa.

2 - Como mostrado por Mônica Bergamo, ainda rola por aí processo sobre a gravação ilegal, divulgada também ilegalmente por Sergio Moro, de telefonemas entre Marisa Letícia da Silva e outros parentes de Lula. Com tão óbvios culpados, não há o que esperar do processo senão o mais impróprio.

3 - Corrupção bem-sucedida, no grupo de Sérgio Cabral, é a do seu secretário de Saúde, Sérgio Côrtes. Suas aventuras enriquecedoras começaram muito antes do governo Cabral, incluíram até um atentado com feição de mera artimanha, e não causaram problema algum ao autor. Por associação a Cabral, Côrtes ficou preso pouco tempo: Gilmar Mendes soltou-o. Vive em sua valiosa cobertura na Lagoa Rodrigo de Freitas, sem trabalho remunerado, e os gastos de sua mulher criam espantos jornalísticos pelos montantes aqui e no exterior. Côrtes pediu à Justiça autorização para dar atendimento médico a presos. E a Justiça não suspeitou.

4 - Juan Manuel Santos transmitiu o governo da Colômbia sob duras críticas. Fez, no entanto, o que por mais de meio século pareceu impossível: a dissolução das Farc, o movimento que começou como guerrilha libertária, apoderou-se de vasto território e se ligou ao tráfico. Mas Santos fez um governo também de combate à pobreza e ao desemprego. Imperdoável, claro.

5 - Nos carnavais ainda cantam o sucesso de Blecaute: "Chegou o general da banda, chegou (bis) / Mourão, mourão, vara madura que não cai / mourão, mourão, mourão, cutuca por baixo que ele cai".

Janio de Freitas
No fAlha
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Barão de Itararé lança plataforma eleitoral para fortalecer a mídia alternativa

http://baraodeitarare.org.br/site/noticias/sobre-o-barao/barao-de-itarare-lanca-plataforma-eleitoral-para-fortalecer-a-midia-alternativa

Na luta por uma comunicação mais democrática, a proposição de políticas para a mídia alternativa deve ocupar um lugar central. Por isso, o Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé preparou uma plataforma para candidatos e candidatas nas eleições de 2018, intitulada "Uma proposta para o fortalecimento da mídia alternativa".

De acordo com o documento, a luta pela democratização da comunicação precisa ser travada em diversas frentes, da discussão de um novo marco legal para as comunicações no Brasil até questões como as novas tecnologias de informação e comunicação, os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras da comunicação, o combate à concentração econômica, a defesa dos direitos humanos e, também, pelo fortalecimento das mídias alternativas, independentes, comunitárias, populares. Esta última bandeira é o foco da plataforma.

"De um lado, temos de discutir mecanismos para combater os monopólios privados e a sua concentração. Do outro, precisamos discutir como criar ferramentas para garantir a sustentabilidade de mídias alternativas, comunitárias, populares e independentes, que proliferam de norte a sul do país, principalmente através do uso da Internet", explica a Secretária-Geral da entidade, Renata Mielli. "Nossa plataforma fala sobre como financiar esses veículos e como produzir políticas que façam valer o papel do Estado como promotor de diversidade e pluralidade informativa".

De acordo com Mielli, é preciso fortalecer veículos que contribuem para a produção de conteúdo local e regional, cultural e informativa, que não tenham espaço na mídia hegemônica. "A plataforma do Barão de Itararé é uma contribuição para que candidatos a deputado estadual, deputado federal, senadores, governadores, além, claro, à presidência, se atentem para a importância dessa agenda dentro dos seus compromissos de campanha", frisa.

Para Ana Flavia Marx, a plataforma mostra que a mídia alternativa também pode elaborar políticas públicas, com o objetivo de ampliar as fontes de informação e promover a diversidade de opinião na sociedade."Fortalecer a mídia alternativa é fortalecer a democracia no país. Para isso, é fundamental que o Estado seja o indutor desse debate, que seja o protagonista da promoção dessas políticas de comunicação", avalia a Diretora de Formação do Barão de Itararé. "Levantar o aspecto da comunicação na educação, fazer que espaços públicos ociosos sejam também espaços para fazer comunicação, enfim, arejar e oxigenar o sistema de comunicação são alguns dos pontos abordados no documento".

Diretor de Estudos e Pesquisa do Barão de Itararé, Laurindo Leal Filho, o Lalo, recorda que desde que a Constituição Federal foi promulgada, em 1988, nenhum governo tomou a iniciativa de sequer transformar em lei o que a própria Constituição estabelece para o setor da comunicação. "Esperamos que os candidatos que se colocam na disputa eleitoral de 2018 assumam o compromisso de romper com esse atraso, que está prestes a se tornar secular no Brasil, em comparação a outros países que tem regulações quase centenárias", opina. "Os candidatos que aderirem às propostas desta plataforma estão agregando à sua agenda propostas fundamentais para a retomada e o avanço da democracia no Brasil"

A Plataforma do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé aos candidatos e candidatas nestas eleições de 2018 complementa e se soma à plataforma elaborada pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC).

Leia a íntegra da Plataforma do Barão de Itararé a seguir:

Uma proposta para o fortalecimento da mídia alternativa

Plataforma do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé aos candidatos e candidatas nestas eleições de 2018

A luta para que o Brasil tenha meios de comunicação mais democráticos e acessíveis à população – que contribuam para a ampliação da liberdade de expressão de todos e todas e que efetivamente estimulem a diversidade e a pluralidade da sociedade brasileira – é estratégica para a construção de um Brasil mais desenvolvido, soberano e democrático.

Essa luta se desdobra em diversas frentes: desde a discussão de um novo marco legal para as comunicações no Brasil, que regulamente os dispositivos constitucionais acerca do tema, passando pelas pautas ligadas às novas tecnologias de informação e comunicação, pelos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras da comunicação, pelo combate à concentração econômica, defesa dos direitos humanos e, também, pelo fortalecimento das mídias alternativas, independentes, comunitárias, populares, enfim, por todo um grupo de veículos e iniciativas que nasceram fora dos grandes oligopólios privados da comunicação no Brasil.

O Barão de Itararé, que integra o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação ao lado de outras entidades, tem atuado para que a discussão de uma comunicação democrática para o país resulte em políticas estruturantes. Infelizmente, há poucos avanços neste campo e uma parte deles foram descontinuados após o golpe de 2016. Por isso, um dos focos principais do debate sobre o tema neste processo eleitoral de 2018 é recolocar a agenda da comunicação como estratégica para a reconstrução democrática.

Neste sentido, nos somamos a outras manifestações e plataformas mais gerais — que serão apresentadas aos candidatos e candidatas para as eleições deste ano — em defesa de uma comunicação mais democrática e por um novo marco regulatório para o setor, como o documento do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, que dentre outras propostas defende: o retorno do Ministério das Comunicações como espaço de debate e execução das políticas públicas de comunicação; a realização da II Conferência Nacional de Comunicação e exige que os candidatos e candidatas se comprometam com a condução de um amplo debate público sobre um novo marco legal para as comunicações.

Mas, além destes pontos e de outros, o Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé reúne, neste documento, algumas propostas de fortalecimento da mídia alternativa para que candidatos e candidatas às assembleias legislativas, governos estaduais, Câmara dos Deputados, Senado Federal e Presidência da República incorporem entre os seus compromissos de mandato, contribuindo assim para ampliar a diversidade e a pluralidade de vozes em circulação nas várias plataformas de comunicação no país - internet, rádio, televisão e meios impressos.

Além do caráter democrático e de efetivarem um direito humano fundamental - o direito à comunicação - essas propostas têm impacto no desenvolvimento econômico local, e fortalecem a participação popular nos debates públicos.

Apresentamos ideais para o estímulo à produção de conteúdo para os meios de comunicação alternativos, de investimentos em infraestrutura, e instrumentos de distribuição de conteúdos e de promoção da cidadania.

1 - Criar linhas de crédito, através de editais públicos, destinados especificamente ao financiamento da produção independente, popular e comunitária, que tenha como foco a cultura local e valorize a diversidade (regional, étnico-racial, religiosa, cultural, de geração, orientação sexual e inclusão de pessoas com deficiência)

2 - Criar e fortalecer fundos públicos para fomentar a produção pública, independente, comunitária e de conteúdo jornalístico profissional independente.

3 - Fomento aos meios alternativos de comunicação, em especial ao midialivrismo, com apoio às rádios comunitárias, música livre, estúdios livres, às plataformas de comunicação em rede, como blogs e sites de produção de conteúdo informativo.

4 - Valorização dos pequenos jornais e de projetos de pequenos empreendedores em comunicação.

5 - Apoiar e incentivar a produção audiovisual independente no Brasil, por meio de editais e ampliação dos percentuais de fundos setoriais de apoio e investimento, de modo a construir políticas para o fomento de produção de conteúdo, levando em consideração as produções locais e regionais independentes, realizadas por micro, pequenas e médias empresas, cujos acionistas não tenham participação acionária em empresas emissoras e distribuidoras e de acordo com o público-alvo.

6 - Capacitação de agentes de comunicação, como radialistas e comunicadores sociais, para impulsionar a produção de conteúdo e o desenvolvimento local.

7 - Definir política democrática e transparente para a distribuição de publicidade oficial nos meios de comunicação:

a) tornar públicos os critérios de distribuição das verbas e execução orçamentária;

b) evitar pressões indevidas tanto por parte do governo como por parte dos veículos;

c) garantir uma distribuição de recursos que não tome a medida quantitativa de audiência como único critério e que considere, também, os princípios constitucionais definidos para a comunicação social, em particular o da diversidade de informação e opinião;

d) criar critérios de alocação de recursos que considerem a promoção da diversidade e pluralidade de fontes e opiniões, o respeito aos direitos humanos.


8 - Política de apoio à radiodifusão comunitária local.

a) Apoiar as rádios e TV's comunitárias do estado e município, com a criação de um fundo de distribuição de verbas para o suporte à estruturação e funcionamento;

b) Desenvolver Plano Diretor de Radiodifusão Comunitária, uma vez que o Ministério das Comunicações não tem critério definido para o estabelecimento de áreas de execução nos municípios.

c) Integrar as rádios comunitárias, as estruturas de produção das escolas e centros educacionais, pontos de cultura e outros equipamentos culturais do município com a criação de Centrais Públicas de Comunicação – ou pontos de mídia – que funcionem como espaços para a produção cidadã e que estejam ligadas à distribuição (veiculação ou circulação) dessa produção. As centrais devem ser geridas por conselhos públicos, com participação majoritária dos usuários e da comunidade local.

9 - Estabelecer práticas de educação não formal em comunicação, com a realização de oficinas de educomunicação para jovens e adultos.

10 — Incluir na Educação Básica e Ensino Médio disciplinas e/ou conteúdos para desenvolver competências e habilidades voltadas para a leitura crítica de mídia e para o uso das novas tecnologias de comunicação e informação.

11 - Inserir nas bibliotecas públicas jornais e revistas de conteúdos diversificados e alternativos.

12 - Estimular que em espaços públicos — postos de saúde, postos de atendimento ao cidadão dos mais variados serviços públicos — os aparelhos de televisão e rádio estejam preferencialmente sintonizados em emissoras públicas.

13 - Estimular a criação e o compartilhamento de recursos educacionais abertos, à produção colaborativa de materiais didáticos e processos de aprendizagem, envolvendo escolas, professores, estudantes e a comunidade em geral.

14 - Estimular a utilização das TV´s Câmaras para veiculação de produtos regionais, garantindo a representatividade da comunidade em que ela esteja inserida, e que esta seja feita pelos produtores independentes.

15 - Criar cineclubes populares comunitários com preços populares como forma de universalizar o acesso ao cinema.

16 - Criar rádios e jornais públicos, com a programação definida por conselho popular.

17 - Desenvolver política pública de fomento às liberdades na rede com o desenvolvimento de:

a) licenças livres de obras culturais e educacionais custeadas ou realizadas pelo ente público, e de todos os documentos públicos;

b) adoção e promoção do uso de software livre pela administração pública, com fomento à produção de softwares abertos.

18 - Desenvolvimento de um programa de apropriação crítica das tecnologias, por meio de laboratórios de garagem, espaços para ciência de bairro e pontos de cultura digital, a serem desenvolvidos em parceria com pequenos empreendedores, grupos da sociedade civil e/ou equipamentos públicos — instituições culturais, educacionais e esportivas.

19 - Ampliação da oferta de banda larga gratuita, por meio de pontos públicos de acesso sem fio e de editais que disponibilizem conexão de internet de qualidade para espaços que promovam a comunicação livre e a cultura.

20 - Criar Centros Rurais de Inclusão Digital (Crid), através de parcerias com entidades rurais, escolas e equipamentos públicos existentes nestas áreas.

21 - Desenvolver estudo para definir um plano diretor que preveja dentro do seu ordenamento territorial os direitos de passagem que disciplinam a instalação e a expansão de redes e equipamentos de telecomunicações nos bens públicos (como praças, ruas, estradas, ferrovias e metrôs), nos bens privados, como casas, edifícios, condomínios, e nas infraestruturas e ativos pertencentes a pessoas físicas ou a empresas, como redes de transmissão e distribuição de energia elétrica, postes ou trechos de rodovias.

22 - Estimular pequenos e médios provedores a atuarem na oferta de conexão na última milha para reduzir a exclusão digital.

23 - Desenvolver políticas de compartilhamento de antenas para ampliar a cobertura do atendimento dos serviços de telefonia móvel.
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